Centro CheckpointLX, em Lisboa
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS/LVT) garantiu hoje estar a trabalhar “afincadamente” numa...

Este serviço, gerido pelo Grupo Português de Ativistas sobre Tratamento de VIH/SIDA (GAT), foi encerrado depois de o Ministério da Saúde ter parado o financiamento, desde há oito meses.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde, através da Direção-Geral de Saúde, apoiou com cerca de 34 mil euros por ano, verba que servia para pagar análises, reagentes e kits médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a ARS/LVT diz que está a “trabalhar afincadamente na solução do problema, o qual tem também de ser enquadrado nas recomendações do Tribunal de Contas, para a celebração de acordos entre o setor público e outras instituições”.

Adianta que esse trabalho está a ser feito ao abrigo do Princípio da Prossecução do Interesse Público e tendo em conta a importância da área de intervenção do GAT.

“A ARS/LVT espera, no mais curto espaço de tempo, poder apresentar ao GAT uma solução expedita que permita aquela instituição cumprir a sua importante missão”, lê-se no comunicado.

A ARS/LVT aproveita para explicar que existem especificidades no enquadramento jurídico-legal que regula os acordos entre as ARS e, nomeadamente, as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), como o GAT, que obrigaram a que fosse encontrada “uma solução tecnicamente correta e juridicamente adequada”.

“O que não permitiu a rapidez com que gostaríamos que este tema fosse resolvido”, justifica a ARS/LVT.

A ARS/LVT diz ainda que já reuniu com o GAT no sentido de encontrar uma solução para o problema que o serviço de consultas atravessa, nomeadamente permitindo que o GAT possa requisitar a realização de análises clínicas no laboratório do INSA – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

O CheckpointLX é um centro dirigido a homens que têm sexo com outros homens, onde podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

O encerramento deste serviço faz com que haja apenas em Lisboa um centro de saúde, na Lapa, onde é possível fazer o mesmo tipo de serviço, de forma gratuita, mas que obriga a que as pessoas se desloquem ao local diariamente, já que não será possível marcar consulta.

Em três anos de funcionamento, mais de mil homens tiveram consulta no CheckpointLX, tendo sido identificados mais de meia centena de jovens homossexuais em risco de cancro anal. Foram também feitos cerca de seis mil testes rápidos ao VIH/SIDA.

Ordem dos Médicos
Médicos podem vir a ter de fazer provas periodicamente, de acordo com novo estatuto da Ordem dos Médicos. Sindicatos estranham...

Os médicos vão poder ser avaliados ao longo da carreira para assegurar que continuam aptos a exercer medicina. É uma medida que está equacionada na revisão do estatuto da Ordem dos Médicos (OM) e que prevê a possibilidade de submeter os profissionais a provas periódicas, eventualmente de cinco em cinco anos, segundo revela o bastonário, José Manuel Silva.

O bastonário admitiu ao Diário de Notícias que este será um dos novos poderes da Ordem, apesar de avisar que, primeiro, será necessário criar um regulamento. No âmbito da revisão do estatuto da Ordem, José Manuel Silva propõe a realização de uma prova para aferir as capacidades profissionais dos médicos.

"É uma notícia precipitada", comenta o presidente da Secção Regional do Norte da OM, Miguel Guimarães, lamentando que dê a ideia de que "os médicos não estão preparados, que são uns malandros e que não se actualizam".  O que está previsto, precisou ao PÚBLICO, é a possibilidade de "recertificação de competências médicas", mas esta questão ainda não foi sequer "discutida internamente" na Ordem.

O debate sobre a avaliação só agora vai começar de facto, mas o bastonário foi avançando já alguns parâmetros que defende. No início, o processo será voluntário e os médicos serão avaliados pelos respetivos colégios de especialidade. Ouvido pela TSF, José Manuel Silva precisou que o objectivo passa por reduzir os erros médicos e garantir melhores cuidados de saúde à população.

Miguel Guimarães esclarece que a recertificação não terá que passar necessariamente por uma avaliação periódica, nem por provas públicas, até porque os médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde já são obrigados a fazer várias, ao longo da sua carreira, ao contrário do que acontece com os que trabalham no sector privado.

"Temos que fazer um exame de acesso à especialidade, um exame final de especialidade, provas para concorrer para assistente, depois para assistente graduado e ainda para assistente graduado sénior", enumera. O que a OM quer, explicitou, "são regras que sejam cumpridas por todos, mas integrando o que já existe na carreira médicas" 

É uma ideia que se baseia naquilo que se faz na pilotagem. "Os pilotos têm que demonstrar quantas horas têm de voo", entre outras coisas, lembra o presidente da OM/Norte. Os médicos terão, porventura, que provar que participaram em determinadas acções de formação, diz, frisando mais uma vez que tudo isto ainda está por debater e por definir.

De facto, é cedo para perceber como é que isto vai ser funcionar na prática.  "Ainda não está decidida a forma como será feita a avaliação, mas a ideia é que seja periódica, por exemplo de cinco em cinco anos. A recertificação irá garantir que os médicos continuam aptos, sejam eles especialistas ou sem especialidade”, adiantou José Manuel Silva ao DN. O bastonário admite que inicialmente esta avaliação será voluntária, "para que os médicos e os doentes se habituem a esta cultura". No entanto, também poderá haver situações em que a OM o fará por sua iniciativa, por exemplo em casos de maior risco ou em que haja afastamento há algum tempo da prática clínica.

Sem conhecer ainda os detalhes desta ideia, os responsáveis dos dois sindicatos que representam os médicos manifestaram de imediato a sua “estranheza” ao PÚBLICO. "A ideia de uma recertificação é muito infeliz",  é "estranha”, criticou a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Merlinde Madureira, que prefere não acrescentar outros comentários enquanto não conhecer a proposta  em pormenor. Também Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Indpendente dos Médicos, quis deixar clara a sua "estranheza pela circunstância de isto aparecer assim, desgarrado, quando os médicos já têm um conjunto muito exigente de avaliações ao longo da sua vida profissional".

Associação de Coimbra promove
A Associação de Saúde Infantil de Coimbra anunciou hoje a realização de um campo de férias para crianças e adolescentes com...

Em comunicado, aquele organismo salienta que o campo de férias vai decorrer de 31 de agosto a 04 de setembro, na Tocha, em Cantanhede, no distrito de Coimbra, em parceria com o Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (HP-CHUC).

"Queremos sensibilizar estas crianças para a importância da adesão ao tratamento e de um estilo de vida saudável", explica a pediatra Graça Rocha, citada no documento, que segue estas crianças e jovens no HP-CHUC.

O campo de férias vai contar com a participação de 70 pessoas, entre crianças e jovens com VIH, entre 1 e 19 anos, respetivas mães, também elas, na sua maioria, portadoras da doença, e outros familiares.

Trata-se da 14.ª edição do projeto "A Brincar também se aprende", desenvolvido pela consulta de doenças infecciosas HP-CHUC e pelo Serviço Social e Departamento de Pediatria do Centro Hospitalar Lisboa Norte em parceria com a Associação de Saúde Infantil de Coimbra.

Este ano, sob o tema da prevenção (infeções sexualmente transmissíveis, risco cardiovascular e acidentes), as crianças vão ter a oportunidade de participar em vários 'workshops', ateliês, arraiais, jogos interativos, desportos radicais e dançar numa discoteca.

"Pretendemos promover o seu bem-estar social, psicológico e afetivo através de um evento que cultiva ambientes amistosos e lúdicos que promovem a autoestima e a entreajuda", refere a assistente social Rosa Gomes, que acompanha as famílias dos doentes no HP-CHUC.

Centro CheckpointLX, em Lisboa
O serviço de consulta de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLX, em Lisboa, gerido pelo Grupo Português de...

O CheckpointLX é um centro dirigido a homens que têm sexo com outros homens, onde podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do GAT explicou que este serviço, existente desde há três anos, contava com um apoio financeiro anual de cerca de 34 mil euros por parte do Ministério da Saúde, através da Direção-geral de Saúde.

Esta verba, de acordo com a informação disponível no site do GAT, servia para pagar análises, reagentes e kits médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

“O GAT investia, dos apoios privados que recebe, um valor semelhante para completar a falta de financiamento, e muitos dos profissionais de saúde que asseguravam a consulta trabalhavam ‘pro bono’”, adiantou Luís Mendão.

De acordo com o responsável, o apoio financeiro foi acordado em 2011 e tinha a duração de três anos, tendo terminado em dezembro de 2014, sem que o atual Governo tenha apontado uma alternativa ou razão para a sua cessação.

“Mantivemos a consulta com trabalho ‘pro bono’ e com o dinheiro que conseguimos manter, mas, no final do mês passado, depois de olharmos para as contas, decidimos que não podíamos continuar a assegurar o pagamento ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical e ao Instituto Português de Oncologia”, revelou.

Isto porque, explicou, era para estes dois institutos que eram encaminhadas as análises, depois de recolhidas na consulta.

“Estamos a tentar estabelecer um protocolo com o Ministério da Saúde para enviarmos as análises para o INSA [Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge], que é o laboratório nacional de referência para as IST [infeções sexualmente transmissíveis], apenas para que o Ministério pagasse as análises que nós para lá enviássemos”, adiantou Luís Mendão.

Segundo o responsável, o encerramento deste serviço faz com que haja apenas em Lisboa um centro de saúde, na Lapa, onde é possível fazer o mesmo tipo de serviço, de forma gratuita, mas que obriga a que as pessoas se desloquem ao local diariamente, já que não será possível marcar consulta.

“Estamos indignados porque o serviço do CheckpointLX, incluindo a consulta, foram considerados exemplos de boas práticas e de inovação pela Organização Mundial de Saúde e pela ECDC [Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças]”, apontou.

Luís Mendão diz não compreender esta situação, quando, apontou, não existe outro serviço, incluindo no Serviço Nacional de Saúde, que assegure este tipo de consultas a um preço tão baixo como aquele que o GAT propõe.

“Parece-nos que é contra a ideia de saúde pública, de prioridade ao controlo da infeção por VIH/SIDA”, criticou.

A Lusa contactou o Ministério da Saúde, que remeteu o caso para a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a qual disse que dará uma resposta durante o dia de hoje.

Em três anos de funcionamento, mais de mil homens tiveram consulta no CheckpointLX, tendo sido identificados mais de meia centena de jovens homossexuais em risco de cancro anal. Foram também feitos cerca de seis mil testes rápidos ao IHV/SIDA.

 

Estudo
Trabalhar 55 horas ou mais por semana aumenta em 33% o risco de enfarte, quando se compara com uma jornada laboral entre 35 a...

Com base em 17 investigações envolvendo 528.908 homens e mulheres, seguidos durante 7,2 anos, o aumento do risco de enfarte mantinha-se mesmo quando se retirava da equação o consumo de tabaco e álcool e a atividade física.

O estudo, publicado pela revista The Lancet, conclui que, em comparação com pessoas que têm uma semana regular, aqueles que trabalham entre 41 e 48 horas tinham um risco acrescido de 10%, enquanto os que trabalham entre 49 e 54 horas enfrentam um risco extra de 27%.

No caso de se trabalhar 55 horas ou mais por semana, o risco de enfarte aumenta em 33%, indica o estudo.

Uma longa semana de trabalho também aumenta o risco de doenças cardíacas coronárias em 13%, mesmo tendo em conta fatores de risco como a idade, o género e o nível socioeconómico, revela o estudo.

Os investigadores sugerem que a baixa atividade física, o elevado consumo de álcool e o stresse frequente elevam o risco.

“Os profissionais de saúde deviam estar conscientes de que trabalhar longas horas está associado a um significativo aumento do risco de enfarte e, possivelmente, também a doenças cardíacas coronárias”, pode ler-se no estudo.

 

Estudo
O efeito da obesidade sobre o tecido mamário favorece o desenvolvimento de cancro na mama, segundo um estudo hoje divulgado na...

O aumento da rigidez no tecido adiposo dos seios modifica a comunicação química entre as células e isso estimula o crescimento de tumores, concluiu o estudo, elaborado por especialistas de três instituições dos Estados Unidos.

Os cientistas estudaram o tecido mamário de pessoas obesas, pessoas com peso saudável e de ratinhos com obesidade.

O diagnóstico para as mulheres com cancro na mama que são obesas é muito pior do que para mulheres que têm peso saudável, mas muito poucos tratamentos para aquele cancro são dirigidos a pessoas com obesidade.

A importância da pesquisa é permitir saber o que acontece a nível celular para desenvolver tratamentos mais eficazes.

Doar sangue
A dádiva de sangue por parte de homossexuais vai passar a ser permitida, uma decisão que decorre das recomendações de um grupo...

O relatório “Comportamentos de risco com impacto na segurança do sangue e na gestão de dadores”, a que a Lusa teve acesso, estabelece “a cessação da suspensão definitiva dos candidatos a dadores homens que têm sexo com homens (HSH) [homossexuais e bissexuais]”, uma decisão tomada por unanimidade entre os oito elementos do grupo de trabalho.

Quer isto dizer que termina a proibição de este grupo poder dar sangue, passando aquilo que é hoje considerado como “critério de suspensão definitiva” para critério de suspensão temporária”.

Na prática, os HSH passam a poder ser dadores de sangue, estando sujeitos à aplicação de um período de suspensão temporária que pode ser de seis ou 12 meses após o último contacto sexual ou de seis meses após um novo parceiro sexual “com a avaliação individual do risco”.

Entre os pontos de decisão deste grupo de trabalho, contam-se a revisão e adequação do questionário de saúde feito ao dador antes da dádiva, a elaboração de história clinica que investigue comportamentos de risco associados, bem como o desenvolvimento de um modelo de avaliação do risco infecioso VIH, face ao período de suspensão adotado, em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Considerando que “deve ser garantida a não discriminação dos dadores”, o grupo de trabalho assume também como prioritário que seja garantida a segurança da transfusão.

Este é um aspeto destacado igualmente pelo secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde (SEAMS), que assina o despacho que aceita as recomendações e incumbe a DGS de elaborar a respetiva Norma de Orientação Clínica (NOC) até ao final do mês de outubro.

No despacho, a que a Lusa teve acesso, lê-se que “a DGS deverá, em colaboração com o IPST, elaborar NOC com critérios nacionais de inclusão e exclusão de dadores” e que “em situações de dúvida deverá sempre aplicar-se o princípio cautelar de segurança máxima”.

O documento determina que os “pontos de decisão” deverão ser assumidos e cumpridos pelas entidades centrais competentes, nomeadamente o IPST e a DGS, e que até 31 de outubro “terá de haver divulgação da NOC”, na qual “será clara a decisão quanto à exclusão a aplicar a potenciais dadores com risco infecioso inalterável, nomeadamente por comportamento sexual ou outro”.

 

Lusa

Lentes de contacto
A má utilização das lentes de contacto pode ser crucial no surgimento de afeções oculares, uma situação que quando não é...

"Um dos principais problemas associados à má utilização das lentes de contacto ou à falta de higiene das mesmas é a ceratite por acanthamoeba, uma situação causada por um parasita que ataca a córnea e que pode comprometer gravemente a visão das pessoas, podendo até causar cegueira", revela Rui Branco, coordenador da Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Albufeira.

O oftalmologista salienta ainda a necessidade de visitas periódicas ao oftalmologista como forma de deteção de possíveis alterações oculares indicativas de infeção e alerta para os casos em que existe dor e olho vermelho, o que pode significar "uma infeção em que é fundamental o tratamento com antibióticos para evitar a perda de visão".

Os utilizadores das lentes de contacto devem ainda ter atenção a outras recomendações dos  especialistas: retirar as lentes antes de ir dormir, na prática do desporto, antes de entrar na piscina ou ir à praia, pois o cloro, suor e vento excessivos comprometem a segurança das lentes.

"É de extrema importância que as pessoas utilizem as lentes de contacto num contexto de benefício risco, tendo sempre em conta que as indicações médicas que se lhe propõe para a obtenção de uma melhor qualidade de visão, ponderam a melhor escolha terapêutica como indicação para a sua utilização. Por outro lado, é igualmente essencial o cuidado no seu manuseamento para que as lentes sejam limpas e armazenadas com recurso a soluções esterilizantes e não com água da torneira", acrescenta.

Sindicato anuncia
O Sindicato de Enfermeiros anunciou hoje a existência de mais quatro casos de tuberculose latente no hospital de Portimão e...

Segundo avançou à Lusa o dirigente da delegação de Faro do Sindicato de Enfermeiros, foi recentemente diagnosticada tuberculose latente a dois enfermeiros e dois assistentes operacionais, estando ainda em tratamento outros cinco profissionais de saúde cujo diagnóstico foi feiro em maio.

Nuno Manjua alertou para a necessidade de rastreios aos profissionais de saúde do Centro Hospitalar do Algarve e a contratação de um médico do trabalho, além da vigilância da saúde nos termos legais.

Por outro lado, o sindicato reivindica a contratação de mais enfermeiros, a existência de um quarto de isolamento que cumpra todos os requisitos e o internamento de doentes em condições condignas para prevenir infeções em contexto hospitalar.

A 10 de agosto, o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) refutou a notícia de que os rastreios aos profissionais de saúde não estavam a ser feitos em conformidade, sustentando que o segundo caso foi detetado no âmbito do rastreio realizado.

Um dos problemas apontados pelo sindicato é a inexistência no hospital de Portimão de um quarto de isolamento, designado por quarto de pressão negativa, que permita conter possíveis surtos contagiosos, procedendo-se atualmente o isolamento de doentes com tuberculose ou outras doenças contagiosas no serviço de urgências com uma cortina.

O CHA explicou esta segunda-feira, através de comunicado, que existia uma divisão sem condições para o isolamento de doentes que a anterior administração pretendia transformar num quarto de pressão negativa mas não o chegou a concretizar.

“Por absoluta falta de condições, nomeadamente perigoso afastamento do núcleo central do Serviço de Urgência, nunca ou muito raramente este espaço terá servido para internamento de doentes, funcionando, na prática, como armazém de material clínico. Foi este espaço, inadequado à prática de medicina de qualidade, que a atual administração transformou numa excelente sala de triagem de enfermagem”, referiu o CHA.

Esta segunda-feira, o conselho de administração do CHA qualificou como “falsas e caluniosas” as denúncias do Sindicato dos Enfermeiros considerando que o caso está a ser alvo de aproveitamento político.

Ordem dos Médicos Veterinários
A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) apelou hoje à criação de incentivos fiscais para quem tem animais domésticos, como a...

À porta das legislativas, a OMV enviou uma carta aberta aos partidos políticos, na qual apela à redução do IVA (atualmente fixado em 23%) e à dedução das despesas das famílias em sede de IRS em cuidados médico-veterinários com animais de companhia.

Esta carta surge da necessidade sentida pela OMV de alertar para as dificuldades e os constrangimentos económicos sentidos pelas famílias na prestação de cuidados aos seus animais de estimação e para o abandono de animais, em parte decorrente do elevado número existente em Centros de Recolha Oficial (CROs).

“Esta carta aberta a todos os partidos políticos tem como objetivo levá-los a que considerem a sua atuação futura e façam refletir no orçamento do Estado de 2016 medidas fundamentais que permitam um apoio às famílias portuguesas na garantia dos cuidados básicos aos seus animais de companhia”, afirma a bastonária da OMV, Laurentina Pedroso.

Entre os argumentos apresentados pela OMV, está, em primeiro lugar, a necessidade de muitos desses cuidados veterinários para garantir a saúde e o bem-estar dos animais, considerados por muitas famílias como mais um dos seus elementos.

Em segundo lugar, a OMV recorda que vários dos cuidados médico-veterinários decorrem de “uma imposição legal”, estando o Estado a delegar nas famílias que detêm animais domésticos os custos necessários à salvaguarda da lei, “não somente no que respeita à saúde e proteção animal, mas também da saúde pública”.

Estas responsabilidades incluem profilaxia, como a vacinação antirrábica, a identificação animal, o registo e licenciamento de cães e gatos, de renovação anual.

A Ordem recorda ainda que muitos dos cuidados voluntários de saúde que as famílias assumem com os animais e “que financiam sem qualquer apoio ou benefício do Estado” têm impactos que ultrapassam a saúde animal e se “refletem e são cruciais na manutenção da saúde humana”, como a desparasitação regular e o controlo de agentes zoonóticos.

A OMV lembra ainda que as famílias garantem outros procedimentos associados à saúde animal, como a esterilização, uma medida fundamental para prevenir um elevado aumento do número de animais e, consequentemente, diminuir a população vadia, o abandono e a grande quantidade de animais nos CROs.

Aumento da natalidade em Portugal
Números do primeiro semestre superam os de igual período de 2014. Se a tendência se confirmar, 2015 pode ser o ano em que curva...

O ano 2015 poderá vir a ser o da recuperação da natalidade em Portugal. O número de nascimentos continua a subir, com o primeiro semestre a manter a tendência verificada no final do ano passado. 

Os números são do Instituto Ricardo Jorge e levam em consideração, além do número de nascimentos, o número de exames de diagnóstico precoce - o chamado teste do pezinho, que é obrigatório à nascença. 

As conclusões são sintetizadas e divulgadas esta quarta-feira, no “Diário de Notícias”. A média de nascimentos nos primeiros sete meses de 2015 subiu em quase todo o país, o que acontece pela primeira vez em cinco anos. 

Se a tendência se confirmar, 2015 pode ser o ano em que curva descendente - com mais de 50 anos - começa a inverter-se. 

As mulheres com mais de 25 anos, e até ao limite da idade fértil, são as que mais têm contribuído para o aumento da natalidade. Até Julho, nasceram mais 1.500 bebés do que em igual período de 2014. 

O Porto lidera o “ranking”, com 8.847 nascimentos - mais 450 do que nos primeiros sete meses do ano passado. Aveiro, pelo contrário, é o distrito com menos nascimentos: 2.371 desde Janeiro e menos 56 do que em igual período de 2014. 

Os distritos de Bragança, Guarda, Setúbal, Beja e a Região dos Açores também contrariam a tendência ascendente, com menos nascimentos. 

De acordo com uma pesquisa da Renascença na plataforma Pordata, que agrega dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal passou dos 24,1 nascimentos por mil habitantes, em 1960, para os 7,9, em 2013 e 2014, considerados os piores anos em matéria de natalidade desde que há registo estatístico de nados vivos residentes no país.

Agência do medicamento dos EUA
A Agência para a Alimentação e Medicamentos (FDA) norte-americana deu terça-feira luz verde para a comercialização do...

A FDA, que rejeitou a comercialização da droga em 2010 e 2013, seguiu finalmente as recomendações de um comité consultivo de peritos que voltou em junho a recomendar a comercialização do medicamento.

O Flibanserin, destinado a mulheres que não estejam na menopausa, pode ter efeitos secundários significativos, incluindo náuseas, tonturas e sonolência.

Duas tentativas de trazer a droga para o mercado falharam em 2010 e 2013, porque os especialistas descreveram as vantagens como inconclusivas.

Segundo documentos na página na Internet da FDA, as mulheres que tomaram Flibanserin relataram, em média, 4,4 encontros sexuais satisfatórios por mês, contra 3,7 das que tomaram um placebo (medicamento ministrado com fins sugestivos).

OMS
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou hoje que uma em cada cinco crianças no mundo não recebe as vacinas de rotina e que...

“Um total de 18,7 milhões de crianças com menos de um ano não receberam a vacina contra a difteria, como recomendamos”, disse o responsável pelo departamento de vacinação da OMS, Philippe Duclos.

A agência das Nações Unidas manifestou hoje a sua preocupação face à corrente que defende a não utilização de vacinas, um dos aspetos que dificulta as metas mundiais de imunização.

Para o responsável, não é possível traçar o perfil das pessoas que recusam a vacinação com base em parâmetros como a classe social, escolaridade, nacionalidade ou origem étnica

De acordo com Philippe Duclos, um alto nível de educação não significa a aceitação automática das vacinas.

Também não depende do nível socioeconómico do país, segundo frisou o responsável, que recordou um caso registado numa região do Reino Unido, onde várias pessoas defendiam que certas vacinas provocavam graves doenças neurológicas nas crianças.

O representante da OMS também mencionou um caso mais recente verificado em França, onde também existiu uma corrente contra a vacina da hepatite B.

Philippe Duclos explicou que a recusa da vacinação pode ser atribuída a vários fatores, como as crenças baseadas em mitos, a desinformação, a desconfiança face aos profissionais de saúde e ao sistema sanitário, a influência dos líderes comunitários, os custos e as barreiras geográficas.

O medo de agulhas também pode funcionar como um impedimento. Sobre este aspeto, a OMS vai publicar em breve um conjunto de recomendações para atenuar a dor no momento da injeção.

“Não existe uma estratégia única, mas poderá passar pela participação de líderes influentes para promover a vacinação junto das comunidades, pela mobilização social, pelos meios de comunicação, bem como pela criação de melhores acessos à vacinação”, disse o perito.

A taxa de vacinação a nível mundial é atualmente de 86% e o objetivo da OMS é chegar aos 90% até ao final deste ano.

ULS do Nordeste anuncia
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste anunciou hoje que pretende realizar 800 cirurgias extra até ao final do ano com o...

No âmbito deste plano, os doentes serão submetidos a cirurgia mais rapidamente e a meta é até ao final de 2015 “diminuir de forma assinalável a lista de espera na ULS do Nordeste, eliminando-se mesmo por completo as listas de espera existentes nas especialidades referidas”, de acordo com informação divulgada pelo gabinete de Comunicação e Imagem.

Estas cirurgias serão realizadas fora do horário normal de funcionamento dos blocos para cirurgia programada e ao abrigo do Plano de Intervenção em Cirurgia do Ministério da Saúde.

O Governo atribuiu a esta unidade local de saúde uma verba suplementar de “aproximadamente um milhão de euros” para concretizar os objetivos propostos.

A ULS do Nordeste que serve cerca de 130 mil utentes do distrito de Bragança prevê realizar até ao final do ano 700 operações às cataratas, 20 à hérnia discal e 80 artroplastias da anca.

A entidade responsável pela saúde no Nordeste Transmontano ambiciona “reforçar o desempenho no acesso à cirurgia”, indicando que regista atualmente “apenas 2,9 % de doentes” que esperam mais do que o tempo máximo de resposta estipulado para as cirurgias.

Segundo ainda aquele organismo, os números desta região são inferiores aos da Administração Regional de Saúde (ARS) Norte, com 7,6% dos doentes em espera com tempo superior ao máximo de resposta garantida, e à média nacional que é de 12,1%.

Estudo
O consumo habitual de café poderia aumentar as possibilidades de sobreviver ao cancro do intestino e proteger os pacientes de...

Um grupo de cientistas descobriu que aqueles pacientes que recebiam tratamento e que consumiam altas doses de café, quatro ou mais chávenas por dia, tinham cerca de 42% de possibilidades menos de reincidir que aqueles que não consumiam a bebida.

O estudo também mostrou como os pacientes que bebiam café tinham 33% menos possibilidades de morrer de cancro que os demais pacientes.

O médico Charles Fuchs, diretor do Centro de Cancro Gastrointestinal de Boston, nos Estados Unidos, afirmou ter comprovado que “os consumidores de café têm um risco menor de desenvolver cancro, além de que a sobrevivência e as possibilidades de cura aumentam consideravelmente”.

Apesar dos resultados do estudo, Fuchs mostrou-se cauteloso com os potenciais benefícios do café como tratamento alternativo para os doentes de cancro de intestino.

“Se bebe café habitualmente e está a ser tratado de cancro do intestino, não o deixe, mas se não é um consumidor habitual e pergunta-se se deverias começar, primeiro deves consultar o seu médico”, declarou o investigador.

Ainda que seja a primeira vez que um estudo relaciona o consumo de café com a redução do risco de recaída, investigações prévias indicaram que a bebida poderia proteger contra vários tipos de tumores malignos, incluindo os melanomas, o cancro de fígado e o de próstata avançado.

Região de Lisboa e Vale do Tejo
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) anunciou hoje a contratação de 88 novos clínicos para os...

A ARSLVT adianta, em comunicado, que estes médicos entram em funções no início de setembro, tendo a contratação sido efetuada na sequência de um concurso público que foi aberto no passado dia 26 de maio e que foi agora concluído.

Segundo a ARSLVT, os 88 médicos serão distribuídos pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) de Sintra (13), Almada/Seixal (9), Loures/Odivelas (9), Oeste Sul (8), Lisboa Central (7), Cascais (6), Arco Ribeirinho (5), Estuário do Tejo (5) e Lezíria (5).

Serão ainda colocados quatro médicos no ACES da Arrábida, outros quatro no de Lisboa Norte, mais quatro no ACES de Lisboa Ocidental e Oeiras, três no Agrupamento de Centros de Saúde da Amadora, mais três no do Médio Tejo e outros três no ACES Oeste Norte.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale de Tejo adianta que “a colocação destes profissionais de saúde vai permitir reforçar a assistência a utentes de zonas carenciadas”, assegurando que mais 167.200 utentes que não tinham médico assistente atribuído passem a ter.

“Este reforço de médicos de família é um importante contributo para uma maior capacidade assistencial junto da população”, refere no comunicada o presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro.

Luís Cunha Ribeiro acrescenta que a contratação destes 88 médicos de família “é mais uma concretização, a par de muitas outras, que visa aumentar o número de utentes que dispõem de médico assistente naquela que deve ser efetivamente a porta de entrada no Serviço Nacional de Saúde: os cuidados de saúde primários”.

A ARSLVT tem 3,6 milhões de utentes, distribuídos por 15 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES).

Novo fármaco
Especialistas em sexologia alertam para os efeitos secundários do novo fármaco que esta terça-feira deverá receber a luz verde...

Se a autoridade norte-americana do medicamento (FDA) aprovar esta terça-feira o primeiro medicamento que se propõe actuar contra a falta de desejo sexual nas mulheres - e que já chumbou por duas vezes devido aos seus efeitos secundários e a uma não muito excitante taxa de eficácia -, os novos comprimidos que sintomaticamente se apresentam de cor-de-rosa ainda poderão demorar algum tempo até chegar às farmácias em Portugal. Os especialistas ouvidos pelo PÚBLICO não acreditam que seja desta que as mulheres passam a ter à disposição um “Viagra feminino”.

Quase duas décadas após a aprovação do Viagra para a disfunção eréctil - o comprimido azul que representou uma revolução na vida sexual de muitos homens em todo o mundo -, o cor-de-rosa Addyi, nome comercial do flibanserin, propõe-se aumentar a libido feminina especificamente na pré-menopausa, combatendo a diminuição de desejo sexual, uma das principais disfunções das mulheres neste período. Há muito tempo que este fármaco andava a ser investigado e testado, sem sucesso.

A diferença, agora, é que foi recomendado maioritariamente por um painel de especialistas (18 contra seis) e a FDA habitualmente leva em conta as sugestões destes peritos, apesar de o parecer não ser vinculativo. Mas o comité de especialistas é o primeiro a destacar que os resultados são moderados e a chamar a atenção para os efeitos secundários, como sonolência, náuseas e tonturas. Os resultados dos ensaios clínicos também não são propriamente animadores: as mulheres que tomaram diariamente o fármaco indicaram ter tido 4,4 relações sexuais satisfatórias num mês, contra 3,7 das do grupo que ingeriu apenas um placebo. Antes do tratamento, a frequência era de 2,7.

Pode então dizer-se que este é o “Viagra feminino” como sistematicamente esta substância surge designada nos media? Nem pensar, contestam os especialistas ouvidos  pelo PÚBLICO, que lembram que o flibanserin até começou por ser um “antidepressivo falhado”.  Primeiro: não tem nada a ver com o sildenafil (o princípio activo do Viagra). Enquanto este último é um vasodilatador, melhorando a irrigação do pénis para permitir a erecção, o outro actua directamente no cérebro, reduzindo a serotonina e visando outros dois neurotransmissores (substâncias que transmitem impulsos nervosos): a dopamina, que actua na sensação de recompensa e prazer; e a norepinefrina, que influencia o humor, a ansiedade e o sono, explicam.

“O mecanismo é completamente diferente, não tem nada a ver com o Viagra”, defende o psiquiatra e sexólogo Francisco Allen Gomes, que recorda que o laboratório que começou por investigar esta substância – o alemão Boehringer Ingelheim  - acabou por desistir dela, quando a FDA a rejeitou pela primeira vez, em 2010. “O Viagra serve para aumentar a excitação, não o desejo, que é algo mais complexo e não depende só da genitalidade”, acentua.

Quanto ao novo medicamento que está a criar muitas expectativas na população feminina, Allen Gomes deseja aos seus fabricantes “boa sorte”, antevendo que não irá representar “revolução nenhuma” para a vida sexual das mulheres. Até porque acredita que, apesar de os estudos disponíveis em Portugal apontarem para "estatísticas brutais", há uma “hipervalorização” das disfunções sexuais femininas. Em Portugal, um estudo efectuado há uma década apontava para uma taxa de disfunções sexuais femininas da ordem dos 56% (contra 24% nos homens), enquanto indicava que as disfunções especificamente relacionadas com o desejo afectavam 35% da população feminina (15,5% nos homens).

"Este medicamento é um bom case study,  há anos que anda a lutar para ser aprovado, enquanto o Viagra foi aprovado à primeira”, compara. "O que esta história demonstra é a dificuldade que a indústria tem de compreender os mecanimos que explicam as disfunções femininas. O pénis toda a gente sabe como funciona, está à mostra. Já do lado oposto, há todo um mistério, embora agora comece a ser mais fácil de perceber [o que se passa] graças às ressonâncias magnéticas”, diz o médico. O cerne do problema, considera, é "a falta de disponibilidade".

“O que o Viagra resolve é o problema da erecção, não o do desejo”, corrobora Gabriela Moita, psicóloga especialista em sexologia. Sobre o novo medicamento, prefere dizer, cautelosa: “Vamos ver… Se resolver [este problema], é excelente, mas seria uma enorme surpresa”. Porque Gabriela Moita também está convencida de que a diminuição do desejo sexual tem sobretudo a ver com a “falta de disponibilidade”. “As mulheres têm três mil coisas para fazer, o que resulta numa canseira enorme ao fim do dia. E sem disponibilidade não há espaço para o desejo”, justifica. O que está aqui em causa, prossegue, é mais um problema de "estilo de vida, de más relações e de muitos outros factores". Questões que um simples químico dificilmente poderá resolver.

Este medicamento “foi aprovado por maioria, mas com recomendações estritas à classe médica, porque há efeitos colaterais que têm que ser devidamente controlados”, destaca  o psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz. Quanto à comparação com o Viagra, o médico contesta-a igualmente com veemência: “Os mecanismos são completamente diferentes. Um dos problemas é que o desejo feminino é muito mais complexo. A euforia [em relação ao novo medicamento] é completamente despropositada”.

Júlio Machado Vaz lembra, a propósito, que o grupo de mulheres que se tem mostrado mais eufórico com esta novidade tem sido "financiado pelo mesmo laboratório que o vende". Foi sobretudo um  movimento norte-americano, o Even the Score, que fez grande pressão para que esta droga fosse aprovada pela FDA. Reuniu mais de duas dezenas de milhares de assinaturas numa petição online, com o argumento de que “há 26 tratamentos [para a disfunção sexual] disponíveis para homens e nenhum para mulheres”. 

Baptizado Addyi, o fármaco está desde 2010 nas mãos da Sprout Pharmaceuticals que, após uma segunda recusa da FDA, em 2013, conseguiu agora o apoio maioritário do comité de peritos que avalia os medicamentos e faz recomendações.

Mesmo recebendo luz verde nos Estados Unidos, os novos os comprimidos cor-de-rosa terão ainda que percorrer um longo caminho antes de chegarem às mulheres portuguesas. "Vai ser preciso que o laboratório peça a aprovação na autoridade do medicamento europeia. Aí seguirá os trâmites normais nestes casos", adianta apenas  um responsável do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento), sem conseguir prever qualquer tipo de prazo para a eventual entrada do fármaco no país.

Disfunção eréctil
O primeiro comprimido para combater a disfunção entrou no mercado em 1998. Desde então surgiu uma panóplia de opções para um...

Há 17 anos que o Viagra ajuda a combater a disfunção eréctil. Os famosos comprimidos azuis em forma de losango chegaram ao mercado norte-americano e ao Brasil em Junho de 1998. Em Outubro desse ano estavam em Portugal. Este foi o primeiro medicamento para um problema que em Portugal afecta cerca de meio milhão de homens. Desde então, o Viagra “revolucionou o tratamento da disfunção comum” em milhões de homens, lê-se na Enciclopédia Britânica. Hoje, as alternativas ao fármaco comercializado pela farmacêutica Pfizer são muitas, o que faz com que o Viagra tenha deixado de ter este monopólio.

O composto activo do Viagra é o citrato de sildenafil. Inicialmente estudado para o tratamento da hipertensão arterial, os investigadores da Pfizer descobriram depois que este composto tinha um efeito positivo na erecção masculina.

Quando tudo corre bem, a excitação sexual faz com que o sangue entre nos vasos sanguíneos que percorrem o corpo cavernoso do pénis, permitindo a erecção. Isto só é possível porque, com a excitação, há a libertação de químicos que relaxam estes vasos sanguíneos. O corpo humano pára naturalmente a erecção usando uma enzima chamada fosfodiesterase-5, que inactiva os químicos responsáveis pela relaxação dos vasos sanguíneos, fulcral para a erecção.

No caso da disfunção eréctil, muitas vezes associada a idades mais avançadas, mas que pode existir em qualquer idade, tanto por motivos fisiológicos como psicológicos, há um curto-circuito na erecção. Nesse caso, o citrato de sildenafil pode ajudar, já que inibe a fosfodiesterase-5, permitindo assim o relaxamento dos vasos sanguíneos do corpo cavernoso e a subsequente erecção do pénis no caso de haver excitação sexual.

Antes do Viagra, as alternativas para o tratamento da disfunção sexual passavam por injecções directas no pénis ou a inserção de dispositivos mecânicos. Apesar de o novo comprimido ser contra-indicado para pessoas com angina de peito (dores no peito por não chegar suficiente sangue oxigenado ao coração) medicadas com vasodilatadores, e ter de ser usado com precaução por pessoas com doença cardíaca grave e outros problemas, o certo é que mais de 37 milhões de homens já recorreram ao fármaco em todo o mundo.

Entretanto, ao mercado farmacêutico chegaram duas alternativas ao Viagra: o Cialis, da farmacêutica norte-americana Eli Lilly; e o Levitra, das farmacêuticas Bayer, GlaxoSmithKline e Schering-Plough, ambos aprovados em 2003 nos EUA. Os dois fármacos têm compostos activos diferentes entre si (o tadalafil e o vardenafil, respectivamente) e também o Viagra. Embora com algumas diferenças, actuam de uma forma semelhante ao citrato de sildenafil. O Cialis tem um efeito mais duradouro do que o Viagra. Estas novidades tiraram o monopólio do mercado à Pfizer.

Mais recentemente, vários comprimidos genéricos com o mesmo princípio activo do Viagra foram lançados no mercado. A patente do medicamento da Pfizer caiu, em 2013, em muitos países europeus e, em Janeiro de 2014, em Portugal. Uma caixa de quatro comprimidos de 25 miligramas dos 19 genéricos comercializados em Portugal custa entre 12,93 euros e 16,42 euros, enquanto o Viagra custa 32,95 euros, segundo o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. Há ainda outros genéricos, mas com dosagem e número de comprimidos diferentes.

Esta mudança foi significativa para o mercado, passando-se em Portugal de 51.209 embalagens vendidas em Dezembro de 2013 para 85.261 em Janeiro de 2014. Os genéricos fizeram disparar as vendas com 30.350 embalagens consumidas a mais. Entre 2006 e 2013, compraram-se mais de um milhão de embalagens de Viagra em Portugal e o laboratório facturou mais de 36 milhões de euros. Mas os genéricos vieram alterar esta dinâmica e a própria Pfizer já vende um medicamento genérico do Viagra.

As vendas anuais de Viagra situam-se em 1173 milhões de euros nos Estados Unidos e 1624 milhões de euros no mundo, segundo a agência de notícias Reuters. Em 2017, os genéricos do Viagra vão também estar disponíveis nos Estados Unidos, o que terá um impacto neste medicamento, mas vai permitir que chegue a mais pessoas.

Saem em breve do hospital
Os quadrigémeos que nasceram de uma alemã com 65 anos há três meses estão bem e saem do hospital dentro de dias, anunciaram...

A estão televisiva alemã RTL apresentou o que alega ser o primeiro conjunto de imagens de Neeta, Dries, Bence e Fijon, os quatro gémeos que nasceram em maio, na 26.ª semana de gravidez da mãe, de 65 anos.

"Podemos ver que as crianças estão bem. Sentem-se bem com a sua mãe", disse o diretor dos serviços neonatais do hospital Charite, em Berlim, onde as crianças têm estado a ser tratadas desde o nascimento.

O nascimento destes quadrigémeos gerou intensa controvérsia na Alemanha, na medida em que a mãe das crianças, Annegret Raunigk, com 65 anos, já tinha 13 filhos e sete netos, tendo dado à luz de cesariana depois de ter recebido um tratamento de fertilidade na Ucrânia, com recurso a um dador anónimo de esperma e de óvulos.

Os três rapazes e uma rapariga, que pesavam entre 655 e 960 gramas na altura do nascimento, foram descritos pelo médico como "casos de absoluto alto risco".

Dois dos recém-nascidos tiveram de receber ajuda para respirarem, e outros dois tiveram de ser submetidos a cirurgia, acrescentou o responsável, que explicou que agora as crianças já têm 75% do peso normal e já são "crianças normais".

"Como é que uma pessoa tem de ser aos 65 anos?", questionou a mãe, quando se soube da intenção de aceder ao pedido da filha mais nova, de 9 anos, e dar-lhe um irmão ou irmã mais novo.

"Aparentemente, temos sempre de corresponder a um outro cliché, o que me parece bastante cansativo. Cada um tem de pensar por si próprio", disse Annegret Raunigk, citada pela RTL.

Há 11.500 portugueses envolvidos em ensaios em curso que servem, sobretudo, para testar medicamentos novos.
O número de ensaios clínicos realizados em Portugal continua a ser baixo, mas o valor tem vindo a subir lentamente. No ano...

Apesar de o número total de ensaios já ter sido superior noutros anos, o cancro nunca teve tanto peso. Até agora, 2006 tinha sido o ano com mais propostas nesta área, altura em que foram feitos 49 pedidos relacionados com oncologia num universo de 153 processos submetidos.

Além de desenvolverem a investigação em Portugal, o ensaios clínicos permitem também que os doentes tenham acesso a medicamentos inovadores quando ainda não estão no mercado. Por exemplo, muitos dos novos fármacos para o cancro são testados em doentes que não responderam bem aos medicamentos antigos e que sem o ensaio não tinham alternativa em tempo útil.

Segundo dados fornecidos pelo Infarmed, em resposta escrita ao PÚBLICO, há, actualmente, autorizações válidas para 322 ensaios clínicos a decorrer. “No âmbito do conjunto destes ensaios está prevista a inclusão de um número total, máximo, de 11.526 doentes.”

Em 2014, cerca de 90% dos ensaios foram pedidos pela indústria farmacêutica. Os restantes 10% foram propostos por centros de investigação, como as universidades.

Quase dois terços dos processos pretendiam testar produtos químicos e 28% produtos biológicos. O terceiro pedido mais frequente foi para ensaios que misturam a química com a biotecnologia. “A maioria destes ensaios clínicos decorrem paralelamente em centros de ensaios nacionais e em centros de ensaios de outros Estados-membros, uma vez que são, frequentemente, estudos multicêntricos internacionais”, explica ainda o Infarmed.

Aquém doutros países
Os dados do Infarmed indicam que 2006 foi o ano com mais autorizações — 147. A partir daí, o valor caiu progressivamente e só em 2012 começou de novo a subir (ver infografia). Em 2013 foram já 116, mas mesmo assim longe do que já se conseguiu há oito anos. No primeiro semestre de 2015 foram autorizados 57 pedidos.

Para um ensaio ser feito em Portugal precisa de autorização do Infarmed e de um parecer favorável da Comissão de Ética para a Investigação Clínica. A burocracia exigida pelo país e a demora nas autorizações, juntamente com os poucos incentivos à investigação e dificuldades na divulgação dos resultados, eram alguns dos problemas apontados para o baixo número de ensaios clínicos no país, segundo um estudo de 2013 da PwC, feito a pedido da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma).

Com a mudança de algumas regras, no que diz respeito à demora, os dados do Infarmed indicam que há agora uma rapidez ligeiramente maior. Em 2014, o tempo médio de decisão foi de 33 dias, quando em 2013 era de 38 e em 2012 de 40 dias.

Quanto a áreas de investigação destes tratamentos e medicamentos, no ano passado, depois do cancro, o sector que registou mais pedidos foi o do sistema nervoso central, com 17 processos, seguido pelo sistema cardiovascular, com 12, e pelos anti-infecciosos, com nove. O primeiro semestre de 2015 teve um comportamento idêntico.

A oncologia encabeça sempre a lista de pedidos, desde 2006, mas o seu peso tem vindo a crescer — de 32% em 2006, para 38% em 2010, 42% em 2013 e 48% em 2014.

Mesmo com a recuperação, Portugal está muito aquém de outros países europeus, indicam os dados do mesmo estudo da PwC feito para a Apifarma. Em Portugal, o número de ensaios por cada milhão de habitantes é pouco superior a dez, quando outros Estados-membros, como o Reino Unido, têm 15 ensaios por cada milhão de habitantes. O valor é ainda superior na Holanda, com 32, na República Checa, com 33, na Áustria, com 40, e na Bélgica, com um valor recorde de 47.

Hospitais criam centros de investigação
O problema não está só no número, mas também na distribuição. Os ensaios clínicos dividem-se em quatro fases e é fundamental que um país consiga agarrar esta investigação logo de início porque, muitas vezes, se perde os testes iniciais já não volta a ser seleccionado.

Em Portugal, só 8% dos ensaios propostos foram para a fase um, a que costuma testar em pessoas saudáveis a forma como o tratamento é tolerado. Perto de 19% dos ensaios são de fase dois, quando se tenta perceber a eficácia do medicamento em quem tem mesmo a doença, e 63% de fase três, que compara a nova terapia com outra já existente no mercado ou com um placebo. Por fim, em fase quatro foram propostos menos de 10% de ensaios, sendo esta a fase em que se estuda em mais doentes a toma do medicamento durante mais tempo.

Numa tentativa de melhorar este cenário, no final de Julho dois dos grandes centros hospitalares de Lisboa anunciaram que vão avançar com centros de investigação próprios, que visam precisamente aumentar a capacidade de atrair ensaios clínicos.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte vai abrir, no Hospital de Santa Maria, um grande centro que vai concentrar a sua actividade nas patologias em que há mais doentes em Portugal: oncologia, cardiologia, diabetes e neurologia. O Centro de Investigação Clínica vai funcionar nas instalações do Centro Académico de Medicina de Lisboa, contando com a colaboração do próprio hospital, mas também do Instituto de Medicina Molecular e da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Também o Centro Hospitalar de Lisboa Central, que engloba os hospitais de S. José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, avançou com um consórcio com a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa para criar o Centro Médico Universitário de Lisboa. O objectivo é incentivar a investigação médica também em áreas como a oncologia, a cardiologia, a neurologia e a diabetes e conseguir atrair mais ensaios relacionados com estas doenças. As instituições não vão receber nenhum reforço de orçamento, mas os profissionais vão poder dedicar mais tempo a estes processos.

 

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