Centro CheckpointLX, em Lisboa
A delegação nacional da organização Médicos do Mundo e o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos culpam o Ministério da...

Em comunicado, a delegação nacional dos Médicos do Mundo solidariza-se com o Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), que gere o CheckpointLx, e denomina de “vergonhoso” o fim do financiamento à consulta por parte da Direção-geral de Saúde.

Na opinião dos Médicos do Mundo, o fim do financiamento “ignora a excelente performance desta consulta”, algo que “terá um forte impacto negativo na população muito vulnerável que servia”, no caso homens que têm sexo com outros homens.

Por outro lado, para a organização, o fim do financiamento demonstra que a tutela dá pouco valor ao papel das ONG [Organizações não-Governamentais] e pouca atenção às populações mais vulneráveis.

“Esta ‘pretensa poupança’, consistente com uma visão imediatista, retrógrada, tecnicamente desaconselhada e desfasada da realidade, revelar-se-á, a médio e longo prazo, através de impactos negativos no SNS [Serviço Nacional de Saúde], com custos substancialmente superiores àqueles que resultam de políticas que se caracterizam por ações de proximidade, como era o caso desta consulta”, defendem os Médicos do Mundo.

Igualmente em comunicado, o Movimento de Utentes do Serviço Público (MUSP) mostra “grande preocupação” com o encerramento da consulta Checklist, alegando que “não vislumbram os motivos para o fim” do financiamento, já que os resultados mostram mais de mil consultas feitas em três anos de funcionamento, e a deteção de mais de meia centena de jovens homossexuais em risco de cancro anal.

“Perante as implicações que tem o encerramento deste serviço, o MUSP exige ao Ministério da Saúde que reponha o financiamento, quer pelas questões de saúde, quer até pelas consequências financeiras que a não deteção destas patologias terão para o Estado”, defende a organização.

Na opinião do MUSP, o encerramento da consulta Checklist “é mais um exemplo da desorientação existente no Governo relativamente ao Serviço Nacional de Saúde”.

Entretanto, a Direção-geral de Saúde (DGS), entidade que financia o CheckpointLx e financiava a consulta Checklist, fez saber que “continua a procurar uma solução duradoura para a reposição daquela consulta”, juntamente com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS/LVT) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Não explica o porquê da demora em encontrar uma solução, já que o financiamento público terminou há oito meses, e não acrescenta nada à informação já adiantada pela ARS/LVT na semana passada, que dizia estar a trabalhar “afincadamente” numa solução para o serviço de consulta.

O serviço Checklist, consulta de doenças sexualmente transmissíveis, existia desde há três anos e funcionava no CheckpointLx, em Lisboa, tendo recebido, no decorrer desse período, cerca de 34 mil euros por ano, vindos do Ministério da Saúde, através da DGS, para pagar análises, reagentes e 'kits' médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

Encerrou recentemente, depois de oito meses a funcionar sem quaisquer verbas do Estado, já que o financiamento terminou em dezembro de 2014.

O CheckpointLX é um centro dirigido a homens que têm sexo com outros homens, onde podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

Centro CheckpointLX, em Lisboa
A Direcção-Geral da Saúde (DGS) diz que está a tentar encontrar uma solução para a reposição da consulta médica para...

Foi na semana passada que o GAT denunciou a situação: a consulta no CheckpointLX — um centro comunitário onde são avaliadas as necessidades de saúde desta população — deixara de receber financiamento da DGS/Ministério da Saúde havia oito meses, pelo que encerrara.

Em três anos, foram consultados perto de 1000 homens, foram tratadas mais de três centenas de infecções, identificados cinquenta jovens homossexuais em risco de cancro anal e foi feita educação para a saúde, explicava o GAT. “Durante os últimos oito meses o GAT esticou a corda do autofinanciamento e de apoios externos esparsos, até não puder mais e foi forçado a encerrar a consulta”, lia-se num comunicado.

Nesta segunda-feira, a DGS emitiu um “esclarecimento” onde dizia que cerca de 200 mil euros de financiamento, aprovados para o período 2015-2017, tinham já sido endereçados ao GAT. “O financiamento será dirigido para realização do teste de diagnóstico da infecção por VIH e de outras infecções sexualmente transmitidas no grupo dos homens que têm sexo com homens, conforme o aviso de abertura do concurso publicado” em Dezembro, acrescentava.

E com este “esclarecimento” Luís Mendão, dirigente do GAT, começou a ser contactado por várias pessoas que lhe perguntavam: então há ou não verbas para a consulta encerrada? Não havia, garantia.

Nesta terça-feira à tarde, a DGS emitiu uma “adenda ao esclarecimento” de ontem. Onde fica claro que a consulta médica continua sem verbas.

Os 200 mil euros aprovados são para a realização dos "testes rápidos da infecção por VIH, sífilis e hepatite C", uma das valência do CheckpointLX. Estes testes rápidos são feitos com uma gota de sangue, são lidos por técnicos que têm formação para o fazer mas que não são médicos. Os resultados carecem de confirmação médica, sublinha, de resto, Luís Mendão.

Já a consulta médica é outra valência do CheckpointLx. É dirigida pela médica Maria José Campos, destina-se precisamente a acompanhar e tratar quem está doente; aqui fazem-se novas análises, para confirmar os resultados nos testes, e desenvolve-se todo o trabalho com os infectados. E para isto é que não há dinheiro.

A consulta “foi financiada em 75% durante três anos, até 31 de Dezembro de 2014, no montante de 34.302,12 euros por ano”, diz ainda a DGS na sua “adenda” desta terça-feira.

E, “embora reconhecendo a importância e resultados da consulta”, as características do concurso aberto em Dezembro “não permitiram incluir esta actividade”. Por fim, a DGS acrescenta que está, “em articulação, com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge”, a “procurar uma solução duradoura para reposição” da dita consulta.

Luís Mendão considera que com esta adenda ao comunicado de ontem está “reposta a realidade”. Afirma que aprecia “o reconhecimento da importância do trabalho que é feito” nesta consulta — “um serviço que não existe no Serviço Nacional de Saúde” — mas que agora é preciso financiamento. Lembra que, nos últimos anos, o GAT gastou bem mais com a consulta do que os 34 mil euros da DGS. E que contou com apoios de organizações internacionais e com o voluntariado dos médicos. Mas que faz falta “uma solução sustentável”.

Uma outra organização, a Médicos do Mundo, emitiu também um comunicado onde lembra que homens que fazem sexo com homens apresentam uma incidência e prevalência elevadas de infecções sexualmente transmissíveis, com particular relevo para a infecção pelo VIH. “Apelamos ao sr. ministro da Saúde para que (...) mande proceder à rápida reposição do financiamento retirado.”

Organização Mundial de Saúde (OMS)
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou hoje que está a estudar a possibilidade de impor sanções contra os países que...

A OMS criou uma comissão para rever a sua resposta global à epidemia do vírus Ébola, amplamente criticada, de forma a compreender porque é que tantos países têm ignorado o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), aprovado há uma década pelos 194 países da organização.

O presidente desta comissão, Didier Houssin, considerou que a falta de consciência sobre a aplicação destas regras e a falta de capacidade do sistema de saúde, especialmente nos países africanos de menores rendimentos que são atingidos pelo Ébola podem ser, pelo menos parcialmente, criticados, segundo relatou a agência de notícias francesa (AFP).

O mesmo responsável disse em conferência de imprensa que a OMS pretende também saber se um sistema de sanções é suscetível de conduzir a uma maior aplicação das regras globais de saúde, quando a próxima epidemia irromper.

Segundo Didier Houssin, a comissão tem procurado aconselhamento do secretariado da OMS sobre “processos que possam ser usados em conformidade com o direito internacional”.

“Quando falamos de armas e atividades fundamentais, existem sanções, controlos e inspeções”, vincou, acrescentando que “com as regras internacionais de saúde [em vigor], não há sanções, mas é possível observar que não há um bom procedimento de conformidade”.

Didier Houssin admitiu que não está convencido da eficiência resultante de criar um sistema de sanções no setor da saúde, mas garantiu que a sua comissão vai estudar a questão devido às falhas na resposta dada ao Ébola.

“Estamos num estado de crise e todo o mundo acredita que é preciso mudar alguma coisa”, assinalou.

O vírus Ébola circulou na Guiné durante três meses antes de o primeiro caso ser clinicamente confirmado, em dezembro de 2013.

Na vizinha Serra Leoa, onde as autoridades estavam em alerta devido à situação na Guiné, o vírus circulou durante pelo menos um mês sem ser detetado, o que permitiu que se enraizasse, provocando maiores danos.

Na segunda-feira, a diretora-geral da OMS, a chinesa Margaret Chan, disse que a sua organização e outras entidades tinham sido “esmagadas” pelo Ébola, apelando à implementação de rápidas reformas.

De acordo com as estimativas da OMS, a epidemia do Ébola, que matou 11.300 pessoas na Guiné, Libéria e Serra Leoa, deve ser erradicada até ao final do ano.

Região de Lisboa
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo irá disponibilizar, esta semana, mais 147 camas de cuidados...

As novas camas “são das tipologias de cuidados paliativos (UCP), de longa duração e manutenção (ULDM) e de média duração e reabilitação (UMDR)”, lê-se num comunicado da administração de saúde.

O Hospital de Nossa Senhora da Arrábida, em Azeitão, no concelho de Setúbal, terá mais 42 camas: 14 de UCP, 18 de ULDM e 10 de UMDR.

A cooperativa de solidariedade social Cercitop do Algueirão e Telhal, no concelho de Sintra, terá mais 10 camas: três de UMDR e sete de ULDM.

Também no concelho de Sintra, a unidade de saúde São Bento Menni, em Belas, passará a ter mais 30 camas, todas de UMDR.

O hospital Soerad, em Torres Vedras, terá mais 50 camas: 20 de UMDR e 30 de ULDM.

Já a TMG - Residência para Seniores, em Ourém, passa a ter mais 15 camas, todas de UCP.

Com estas novas 147 camas, a região de Lisboa e Vale do Tejo passa a contar com 1.878 camas em unidades de internamento de cuidados continuados integrados e paliativos: 167 de convalescença, 125 de cuidados paliativos, 605 de média duração e reabilitação e 981 de longa duração e manutenção.

Hospital de Santa Maria
No Hospital de Santa Maria (Lisboa) já existe um “núcleo de utilização problemática da Internet” no serviço de psiquiatria...

A Associação Americana de Psiquiatria, responsável pela edição do manual de diagnóstico das doenças mentais (DSM), uma espécie de bíblia para muitos dos que trabalham nesta área, está a ponderar incluir a chamada “perturbação de uso da Internet”, o uso excessivo das novas tecnologias, na próxima revisão da obra. A dependência extrema da Net poderá, assim, vir a integrar o catálogo das perturbações psiquiátricas, como já acontece, por exemplo, com o jogo patológico.

Especialistas contactados pelo PÚBLICO demonstram algumas reservas em relação a esta possibilidade, apesar de reconhecerem que o problema é "preocupante". Tão preocupante que a equipa de Daniel Sampaio, director do serviço de psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, criou há cerca de um ano um “núcleo de utilização problemática de Internet” para dar resposta ao número crescente de pedidos de consulta para problemas deste tipo. Problemas de adolescentes e jovens adultos, basicamente, e que usam de forma excessiva uma série de novas tecnologias, sobretudo jogos online.

Os dados disponíveis para Portugal indicam que o problema é sério. Um recente estudo do Instituto Universitário de Psicologia Aplicada (ISPA) mostrou que quase três quartos dos jovens (até aos 25 anos) inquiridos apresentavam sintomas de dependência do mundo digital. E, destes, 13% exibiam níveis severos de dependência. Em casos extremos, o vício online pode implicar isolamento, comportamentos violentos e até exigir tratamento. Coordenado por Ivone Patrão, este trabalho passou por três fases de aplicação de questionários a cerca de 900 adolescentes e jovens dos 14 aos 25 anos. 

O núcleo do Hospital de Santa Maria cobre escolas da zona, como as secundárias Virgílio Ferreirade Benfica e a Gomes Ferreira, exemplifica Daniel Sampaio. Mas quem se enquadra, afinal, neste tipo de definição? “São pessoas que não fazem mais nada, [estão viciadas] sobretudo em jogos online. Chegam a faltar às aulas, não cumprem os seus compromissos”, sintetiza, sublinhando que este comportamento está habitualmente "associado a ansiedade e a depressão" e que a adição surge muitas vezes como uma espécie de “tranquilizante”.

Na DSM 5 (que é de 2013), apesar a única dependência comportamental incluída ser o “o jogo patológico”, a Internet gaming disorder (perturbação de jogo na Internet) aparece já no apêndice das entidades que se reconhece precisarem de mais investigação. Mas o problema é mais lato, estendendo-se às novas tecnologias em geral.

 

Não deitem fora agenda em papel

“Isto está em estudo há muito tempo”, frisa Daniel Sampaio, que lembra que estão a ser feitos trabalhos de campo para se perceber o uso excessivo da Net preenche ou não os critérios para ser considerado uma perturbação psiquiátrica. O que se pode dizer, por enquanto, é que o problema “existe e é preocupante”, enfatiza.  Mas não se sabe ainda se vale a pena elencá-la como uma perturbação independente por si mesma. Classificar como doença situações que podem ser apenas problemas de comportamento pode ser complicado, alerta. 

“A maior parte das pessoas, mesmo que faça uso da tecnologia durante horas excessivas, ainda não o entende como uma adição”, sustenta Alexandra Rosa, que é psicóloga da saúde no Hospital dos Lusíadas e chama a atenção para outro problema relacionado com este: o da utilização constante de iPhones ou de agendas electrónicas, que pode acabar por prejudicar a memória. “Com os iPhone as pessoas deixam, por exemplo, de decorar datas de aniversário".

A psicóloga até já se acostumou a recomendar aos seus doentes a não deitarem fora a velha agenda de papel. “A visualização e o treino de outros aspectos da memória são muito importantes, até porque a tecnologia também falha”, frisa.

Sobre o uso excessivo da Internet em geral, Alexandra Rosa lembra que está a ser tudo muito rápido: "No espaço de 15 anos, ficamos habituados ao contacto permanente, e agora sentimos ansiedade quando tememos ficar desligados do mundo”. O que defende é que a diferença entre o que será normal ou patológico deve ser ponderada em função da utilização que é feita da tecnologia. “Quando a pessoa deixa de ter padrões relacionais, quando prejudica o seu trabalho, o seu sono e até a sua alimentação, isso já é motivo de preocupação”, considera.

“Pode haver dependência de tudo e mais alguma coisa”, defende o coordenador nacional para a saúde mental, o psiquiatra Álvaro Carvalho, para quem nem todo o tipo de comportamentos excessivos deve ser entendido como patológico. "Isso depende de o uso da Internet poder ou não ser altamente pernicioso para o desenvolvimento, contribuir para desarranjar a vida, como acontece com a dependência do jogo", compara. 

"Face a uma  prevalência muito elevada, e no caso de pessoas que não vivem para outra coisa, estão sempre ligados à Net", isto deve ser encarado como um motivo de preocupação, reconhece. Mas alerta que a DSM 5 "teve uma grande influência da indústria farmacêutica" e que esta perversidade até foi "denunciada pelo coordenador" da anterior versão do manual. O que Álvaro Carvalho teme é que "a psiquiatrização de comportamentos" seja usada para aumentar "a prescrição de medicamentos".

O que se pode fazer nos casos extremos de dependência, então? É preciso que haja "um diagnóstico precoce e uma tentativa de reeducação", nomeadamente através de "intervenção psicoterapêutica", preconiza. Mas reconhece que existem "poucas respostas" deste tipo no Serviço Nacional de Saúde.

Estudo revela ligação entre audição e memória
Um grupo de cientistas do Oregon Hearing Research Center (OHRC) e do Swedish Karolinska Institute de Estocolmo, realizou um...

Para a equipa de cientistas existe a possibilidade de estas vibrações posteriores terem uma função de arquivo mecânico, contribuindo para a nossa capacidade de reter determinados sons e informações por curtos períodos de tempo.Até agora, era assumido que as células pilosas do ouvido interno apenas se moviam quando eram diretamente afetadas pelo som.

Para Dulce Martins Paiva, diretora-Geral da GAES – Centros Auditivos em Portugal, "uma perda auditiva, por mínima que seja, pode conduzir a uma redução substancial das vibrações posteriores produzidas no ouvido interno, levando a uma maior dificuldade em reconhecer esses sobressaltos e, consequentemente, a uma mais difícil perceção do discurso”, explica em comunicado.

No reconhecimento do discurso, por exemplo, a capacidade de detetar alterações em estímulos continuados é fulcral. Essas mudanças – ou sobressaltos – precisam de ter determinada duração temporal para poderem ser corretamente percecionadas. As referidas vibrações posteriores excitam as fibras auditivas, estimulando-as a detetar alterações subtis ao nível do som, afirmou Alfred L. Nuttall, médico do OHRC.

Universidade de Vila Real cria
A Universidade de Vila Real anunciou hoje realização de estudos para implantação de “jardins terapêuticos” em espaços...

O objetivo do projeto, que está a ser desenvolvido por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), é demonstrar a mais-valia destes jardins na promoção da saúde do bem-estar físico, social e psicológico dos utentes.

“As áreas residenciais com jardins de proximidade têm provado ter menor ocorrência de problemas mentais, promovendo a interação social e o sentimento comunitário, oportunidades de escape às atividades diárias exigentes e espaços para exercício físico, bem como oportunidades para restauração mental e alívio do stresse”, afirmou, em comunicado, o professor da UTAD Frederico Meireles.

O investigador acrescentou, ainda, que “as zonas urbanas próximas dos espaços verdes são também mais seguras e menos propensas à violência e ao vandalismo”.

O trabalho da academia transmontana quer, agora, demonstrar a “vocação dos parques e jardins para a regeneração mental e física do ser humano” e provar que, com a sua implementação, se pode conseguir uma “eficiente redução dos custos com a saúde e seguranças das sociedades urbanas”.

O interesse por esta linha de investigação na UTAD foi iniciado pela docente e arquiteta paisagista Sandra Costa, que estudou os espaços terapêuticos e restaurativos, utilizando como caso de estudo o campus do Hospital Pedro Hispano, no Porto.

Nos últimos três anos, Frederico Meireles tem evidenciado a importância destes espaços para as comunidades e o seu contributo para o bem-estar e restauração mental através de trabalhos feitos no âmbito de um projeto de investigação europeu sobre Hortas Urbanas na Europa.

Entretanto, e no âmbito deste projeto, a investigadora Lina Fernandes tem vindo a estudar o caso da quinta da Associação de Paralisia Cerebral de Vila Real, com o objetivo de desenvolver um espaço exterior adaptado às necessidades terapêuticas.

Mais recentemente, o projeto final de mestrado de arquitetura paisagista de Guilherme Fernandes focou o campus da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), em Sabrosa, tendo resultado no projeto de um espaço adaptado a utilizadores com necessidades especiais e com capacidade de auxiliar as terapias no espaço exterior.

Frederico Meireles e Sandra Costa estão também a desenvolver estudos em parques e jardins, focando o comportamento das pessoas, a sua perceção e a relação emocional que estabelecem com os espaços exteriores.

Cerca de 600 deficientes já participaram
Cerca de 600 deficientes já participaram no programa desenvolvido desde 2006 pelo Santuário de Fátima que visa proporcionar...

“Na base desta iniciativa está o santuário ter verificado que havia muitos pais que não tinham possibilidade de descansar, de ter férias, porque estavam presos continuamente com os filhos deficientes em casa”, afirmou o padre Manuel Antunes, diretor do serviço de doentes do santuário, no distrito de Santarém.

O primeiro ano arrancou com dois turnos, mas como “os pedidos eram muitos acrescentaram-se mais dois”, sempre no verão, explicou Manuel Antunes, adiantando que “os pedidos continuam a ser cada vez mais”.

“Estamos a privilegiar pais que nunca vieram e dando oportunidade àqueles que estão em situações [económicas] difíceis de renovar a sua participação”, salientou o sacerdote, referindo que um dos fatores preponderantes na aceitação são os pais que cuidam dos filhos em casa.

“Aqueles que têm os seus filhos em casa diariamente, é para esses que é esta assistência”, frisou o responsável, notando que na aceitação dos pedidos também se tem em conta aqueles cujos filhos têm deficiências mais graves.

O programa prevê que os pais possam optar por ficar com os filhos em Fátima ou por irem buscá-los no último dia do turno, com uma semana de duração.

Cada turno tem em média de 20 utentes, cabendo ao santuário assumir “as despesas da alimentação e da dormida dos filhos e dos pais que ficarem com eles e, também, com a respetiva equipa de voluntários”.

“Os pais podem acompanhar os filhos querendo”, acrescentou o diretor do serviço de doentes, considerando que “os pais são aqueles que mais beneficiam” do programa, pois “aqui não fazem nada, apenas estão a beneficiar do tempo e das condições que lhes dão para se poderem distrair”.

Manuel Antunes, assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, entidade que operacionaliza a iniciativa, afirmou que a mesma contemplou primeiro apenas mães, mas estendeu-se depois aos pais.

Durante o período em que estão em Fátima, no Centro Francisco e Jacinta Marto, da congregação Silenciosos Operários da Cruz, aos deficientes é proporcionado um programa lúdico, que inclui atividades culturais ou ir à praia, mas também com uma vertente espiritual, com deslocações aos locais mais emblemáticos de Fátima.

Os deficientes surgem de todo o país, assim como os voluntários, cerca de 20 por cada turno, e sem os quais não era possível concretizar o programa, realçou o sacerdote, explicando que entre os utentes destas férias “há invisuais, deficientes profundos, de cadeira de rodas ou acamados”.

Segundo o responsável, no final, quando partem, os pais “vão com muito mais força moral para darem continuidade à sua missão”, garantindo que “o santuário tem intenção de continuar” com este projeto.

“Com todo o gosto subsidia estas iniciativas, uma vez que o santuário também está muito voltado para este aspeto social”, comentou o diretor do serviço de doentes.

Virús da gripe
Dois artigos científicos publicados nas revistas "Science" e "Nature" mostram o caminho que está a ser...

Criar uma vacina universal contra a gripe pode estar cada vez mais perto, de acordo com os avanços de duas equipas de investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, publicados esta segunda-feira, nas revistas científicas “Science” e “Nature”. Se fosse criada uma vacina universal, que conseguisse ser eficaz contra todos os tipos de vírus da gripe, evitava-se que todos os anos fosse necessário criar uma nova vacina, em resposta às mutações que o vírus vai sofrendo.

Até agora os investigadores conseguiram provar a eficácia desta vacina universal em animais, conseguindo prevenir mortes e reduzir os sintomas em ratos, furões e macacos. No entanto, falta ainda confirmar a sua eficácia em humanos. Segundo os investigadores, esta vacina poderá ainda ajudar a prevenir potenciais pandemias de vírus de gripe capazes de passar de pássaros ou porcos para os humanos.

As vacinas convencionais têm como alvo a chamada “cabeça” da molécula hemaglutinina (HA), uma proteína que se encontra na camada mais superficial do vírus da gripe. E essa é a parte que sofre mutações mais rapidamente, pelo que as vacinas desenvolvidas anualmente procuram acompanhar essas alterações para serem eficazes.

Daí que, como é explicado no portal da Direção Geral de Saúde, a atual vacina contra a gripe, criada anualmente, não dá uma proteção a longo prazo. “O vírus muda constantemente, surgindo novos tipos de vírus para os quais as pes­soas não têm imunidade e a vacina anterior não confere proteção adequada. Além disso a imunidade conferida pela vacina não é duradoura.”

Os avanços científicos agora publicados concentram-se noutra parte dessa molécula – não na “cabeça”, mas sim na “haste” ou “pescoço”, uma parte que sofre alterações de forma menos frequente e que é mais semelhante entre as várias estirpes do vírus.

Barney Graham, um dos investigadores responsáveis por uma das duas equipas que publicaram os estudos científicos, disse ao diário britânico “Guardian” que estes são ainda “testes de conceito” e que só daqui a pelo menos três anos é que os primeiros ensaios em humanos irão decorrer.

Sarah Gilbert, professor de Vacinologia na Universidade de Oxford, disse também ao “Guardian” que este é um desenvolvimento importante, mas que ainda falta tempo para chegar definitivamente a uma vacina universal contra a gripe. “As novas vacinas têm agora de ser testadas em ensaios clínicos para ver se se comportam bem em humanos. Esta será a próxima fase da investigação, que levará vários anos.”

Vinte e três regiões do país com
Vinte e três regiões de Portugal apresentam hoje risco muito alto e alto de exposição à radiação ultravioleta (UV), segundo o...

De acordo com o IPMA, Aveiro, Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Évora, Leiria, Lisboa, Penhas Douradas, Portalegre, Sagres, Santarém, Setúbal, Sines, Viseu, Vila Real e Angra do Heroísmo (Açores) apresentam hoje risco muito alto de exposição à radiação ultravioleta.

Porto, Horta (Açores) e Porto Santo apresentam risco alto, enquanto Braga, Viana do Castelo e Ponta Delgada (Açores estão com níveis moderados de exposição à radiação UV.

O IPMA indica ainda que Santa Cruz das Flores (Açores) está com níveis baixos.

Para as regiões com níveis muito altos e altos, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor que 2, em que o UV é Baixo, 3 a 5, Moderado, 6 a 7, Alto, 8 a 10, Muito Alto e superior a 11, Extremo.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade no Minho., vento em geral fraco do quadrante oeste, soprando moderado durante a tarde, de noroeste no litoral a sul do Cabo Mondego e nas terras altas, e de sudoeste na costa sul do Algarve.

Está também prevista pequena descida da temperatura mínima, subida da máxima, em especial nas regiões do interior, e possibilidade de ocorrência de neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais.

Em Lisboa as temperaturas vão variar entre 15 e 28 graus Celsius, no Porto entre 13 e 23, em Vila Real entre 10 e 26, em Bragança entre 9 e 27, em Viseu entre 9 e 25, na Guarda entre 10 e 25, em Castelo Branco entre e 30, em Coimbra entre 12 e 27, em Santarém 13 e 30, em Évora entre 13 e 31, em Beja entre 14 e 31 e em Faro entre 18 e 26.

Ordem dos Médicos Dentistas
Ordem dos Médicos Dentistas estima que em 2018 haverá mais de dez mil dentistas em Portugal

O número de médicos dentistas em atividade na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) aumentou no ano passado para 8.543, mais 396 do que em 2013. Uma subida anual de 4,9% que mantém a tendência de crescimento dos últimos anos. As estimativas apontam para que o número de membros ativos da OMD continue a crescer e ultrapasse os dez mil já em 2018.

São dados revelados pelos “Números da Ordem 2015”, um documento que a OMD divulga anualmente desde 2004 e que compila alguns dados estatísticos referentes à medicina dentária portuguesa.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, salienta que ”este relatório surge como um retrato atual da profissão em Portugal. Paralelamente, visa ser um documento indicativo de cenários futuros, para a medicina dentária portuguesa”.

É neste sentido que Orlando Monteiro da Silva vê com preocupação o aumento de médicos dentistas, sublinhando que “é um crescimento muito superior às necessidades do país, e que coloca Portugal entre os países da Europa com menor rácio de habitantes por médico dentista. Este ano vamos atingir um rácio de um médico dentista para 1.155 habitantes, quando a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de um médico dentista por 2 mil habitantes. E tudo indica que daqui a três anos haja um médico dentista por 937 habitantes, ou seja, existirão o dobro dos médicos dentistas necessários. Um cenário terrível para quem está a entrar na profissão.

Neste momento existem mais de 3 mil alunos inscritos nas sete faculdades que lecionam cursos de medicina dentária.

Para o bastonário “o que torna o rácio em Portugal ainda mais dramático é que no nosso país a esmagadora maioria da população não tem acesso a cuidados de saúde oral no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, contrariamente à maioria dos países europeus onde há convenções entre o Estado e os consultórios privados ou assistência no âmbito dos serviços públicos de saúde.”

Orlando Monteiro da Silva considera “urgente tomar medidas para conter o crescimento de novos médicos dentistas em Portugal. A profissão está saturada, com níveis de subemprego e de emigração crescentes e já preocupantes. A medicina dentária é um curso muito caro, que a prazo só vai ter saídas profissionais no estrangeiro. Estamos a investir na formação de jovens que não vão pagar impostos em Portugal. Temos das melhores faculdades de medicina dentária do mundo, é preciso apostar na atração de alunos estrangeiros e em formação pós-graduada, e em simultâneo diminuir o número de alunos nacionais inscritos nos mestrados integrados. Já por diversas vezes a OMD alertou as autoridades competentes para esta situação e temos manifestado total abertura para ajudar a encontrar uma solução com as entidades que têm poder de decisão nesta matéria”.

De acordo com os “Números da Ordem 2015” a média de idades dos médicos dentistas é de 38 anos, sendo que nos membros do sexo feminino esta média situa-se nos 36 anos e é inferior à média de idades dos membros do sexo masculino que está nos 40 anos.

Esta diferença etária entre sexos explica-se com a tendência de feminização da profissão, sendo as mulheres já 57,9% do total de membros inscritos na OMD. Esta tendência é sobretudo vincada em profissionais com menos de 45 anos, já que nas idades superiores a maioria dos profissionais inscritos na OMD são homens.

Os “Números da Ordem 2015” mostram ainda que 55% dos médicos dentistas ativos têm entre 26 e 40 anos de idade.

Dos profissionais ativos na OMD, 91,7% tem nacionalidade portuguesa e concluiu a licenciatura ou mestrado integrado em Portugal.

Em relação à distribuição da população por médico dentista verifica-se que as regiões da Lezíria do Tejo, Alentejo Central e Baixo Alentejo são as regiões onde existem menos médicos dentistas por habitantes.

Já nas regiões do Cávado, Terras de Trás os Montes, Área Metropolitana do Porto, Região de Coimbra, Viseu Dão-Lafões e na Área Metropolitana de Lisboa o número de habitantes por médico dentista é menor que a média nacional.

Os “Números da Ordem 2015” mostram ainda que 11,2% do total de membros da OMD estão inativos, ou seja, há um total de 1.079 médicos dentistas inativos.

A grande maioria destes profissionais estão emigrados, sendo este o principal motivo alegado pelos médicos dentistas para pedir a suspensão da OMD.

Quase metade dos médicos dentistas inativos tem entre 26 e 40 anos e há mais mulheres inativas do que homens.

Reino Unido (59%), França (12,9%) e Brasil (7,4%) são os principais destinos de emigração dos médicos dentistas portugueses, mantendo a tendência dos últimos anos.

A OMD tem inscritos médicos dentistas de 39 nacionalidades, com destaque para o Brasil com 446 médicos dentistas a exercer em Portugal, seguindo-se Itália com 58, Espanha com 47 e a Alemanha com 31.

Concelho de Monção
Os idosos carenciados do concelho de Monção podem candidatar-se, a partir de hoje e até 07 de setembro, a apoios na compra de...

Em comunicado hoje divulgado, aquela autarquia do Alto Minho adiantou que o apoio, "destinado a 50 pessoas do concelho, com idade igual ou superior a 66 anos, com comprovada carência económica, traduz-se na comparticipação, em 50% do encargo do utente na compra de medicamentos com receita médica do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

De acordo com a Câmara de Monção, os remédios podem ser adquiridos numa das seis farmácias existentes no concelho, sendo que "cada utente terá um limite anual de 160 euros".

"A conta corrente é feita através de um cartão que será disponibilizado aos beneficiários, sendo atualizado sempre que houver uma compra", lê-se na nota daquela autarquia que destinou no orçamento deste ano uma verba de oito mil euros para esta medida.

Aquele apoio está previsto num regulamento municipal, aprovado pelo executivo municipal em fevereiro passado, que foi sujeito a consulta pública, tendo sido publicado em Diário da República em julho passado.

Na altura da aprovação daquela medida, o presidente da Câmara, Augusto Domingues, afirmou tratar-se de uma medida de "combate a situações de adversidade social" face "aos reduzidos recursos financeiros e ao envelhecimento progressivo da nossa população" do concelho.

"Não queremos que ninguém deixe de tomar os remédios por não os poderem comprar. A nossa função é essa. Ajudar quem mais precisa", sustentou na ocasião.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)
Vinte e seis regiões de Portugal apresentam hoje risco muito alto e alto de exposição à radiação ultravioleta (UV), segundo o...

De acordo com o IPMA, Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Faro, Funchal, Guarda, Leiria, Lisboa, Penhas Douradas, Portalegre, Porto Santo, Sagres, Santarém, Setúbal, Sines, Horta e Angra do Heroísmo (Açores) estão hoje com risco muito alto de exposição à radiação ultravioleta.

Aveiro, Braga, Coimbra, Porto, Viana do Castelo, Viseu, Vila Real e Ponta Delgada apresentam risco alto enquanto Santa Cruz das Flores está com níveis baixos de exposição à radiação UV.

Para as regiões com níveis muito altos e altos, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e evitar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor que 2, em que o UV é Baixo, 3 a 5, Moderado, 6 a 7, Alto, 8 a 10, Muito Alto e superior a 11, Extremo.

O IPMA prevê para hoje nas regiões do norte e centro do continente céu com períodos de muita nebulosidade, tornando-se gradualmente limpo a partir da tarde, aguaceiros fracos até ao final da manhã, mais frequentes no Minho e Douro Litoral.

Está também previsto vento em geral fraco do quadrante oeste, soprando moderado nas terras altas, com rajadas da ordem de 60 quilómetros por hora até ao início da manhã e pequena subida da temperatura máxima.

No sul prevê-se céu muito nublado, tornando-se gradualmente limpo a partir da tarde, períodos de chuva fraca até ao início da manhã, em especial no Alentejo, vento em geral fraco de noroeste, soprando moderado, nas terras altas até ao início da manhã e durante a tarde no litoral e pequena subida da temperatura mínima.

Em Lisboa as temperaturas vão variar entre 17 e 24 graus Celsius, no Porto entre 13 e 21, em Vila Real entre 12 e 20, em Bragança entre 10 e 20, em Viseu entre 11 e 20, na Guarda entre 9 e 18, em Coimbra entre 14 e 23, em Castelo Branco entre 13 e 25, em Évora entre 16 e 25, em Beja entre 17 e 26, em Faro entre 18 e 24 e em Santarém entre 15 e 25.

Açores, S. Miguel
O grupo de teatro amador “Arte Engenho”, formado exclusivamente por cegos e amblíopes, deverá estrear, até ao final do ano, na...

“Em princípio, lá para o final do ano a gente vai arrancar com ela [peça de teatro]”, afirmou Leonardo Sousa em declarações a agência Lusa, acrescentando que os ensaios já decorrem “há vários meses”.

Este grupo de teatro amador resulta de uma parceria entre a Associação Portuguesa dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e a associação Solidaried’arte.

Leonardo Sousa referiu que o autor da comédia é desconhecido e que a estreia da peça já esteve prevista “duas ou três vezes”, mas acabou sempre por ser adiada “devido às caraterísticas do grupo”.

“Há essa dificuldade nos ensaios porque eles têm necessidade de se ausentar da ilha para ir consultar especialistas no continente. De resto, ensaiar é como se ensaia um grupo de teatro normalmente, com alguns cuidados em termos de marcação no palco”, afirmou o encenador e coordenador da associação sem fins lucrativos Solidaried’arte.

Segundo Leonardo Sousa, os ensaios decorrem uma vez por semana ao final do dia e a peça engloba no total cinco pessoas, com idades que variam entre os 21 e os 65 anos, com várias atividades e das quais uma é totalmente cega.

Entre o grupo de atores está, por exemplo, uma estudante universitária, que está a tirar o curso de ensino básico na Universidade dos Açores, e outra que, “dado o seu jeito para as artes de palco, tem participado nas produções do grupo de teatro residente da associação Solidaried’arte”.

Reconhecendo o empenho e capacidades dos elementos deste grupo de teatro, Leonardo Sousa afirmou que tem trabalhado muito com eles a questão da expressão facial “uma vez que não fazem muita utilidade dela, nem estão habituados a vê-la nas outras pessoas”.

Além de contribuir para a elevação da autoestima e um alargar de conhecimentos ao nível pessoal dos participantes, Leonardo Sousa considerou que o teatro permitirá, também, à delegação da ACAPO em S. Miguel “abrir portas e dar-se mais a conhecer à sociedade”, contribuindo para que os cegos e ambliopes sejam vistos “de outra forma”.

“Quando fizermos o início da atividade, porque estamos de férias, pensamos trazer outras pessoas para o grupo de teatro. Não necessariamente pessoas portadoras deste tipo de deficiência, mas pessoas com outras deficiências ou pessoas sem qualquer tipo de deficiência física”, disse Leonardo Sousa.

Estima-se que vivam nos Açores três mil invisuais.

Unidades de saúde familiar (USF)
O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, defendeu hoje que o próximo Governo deve...

“Não podemos continuar numa lógica ‘hospitalocêntrica’, disse o governante, na Lousã, no distrito de Coimbra, preconizando “a manutenção da saúde, antes mesmo de tratar da doença”.

Na sua opinião, “deve ser este o caminho” e o desenvolvimento das USF “deve prosseguir no próximo ciclo governativo”.

Ao Governo que resultar das eleições de 04 de outubro, cabe o “reforço do conceito” das USF, disse Leal da Costa, que intervinha na inauguração do novo Centro de Saúde (CS) da Lousã, que custou 2,3 milhões de euros, incluindo construção e equipamento, e serve quase 18 mil pessoas.

Fernando Leal da Costa frisou que, desde junho de 2011, na vigência do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, foram criadas no país 125 daquelas unidades, “mais do que as 100 que o principal partido da oposição” – o PS, de António Costa – “se propõe criar” nos próximos quatro anos, se chegar ao poder.

Em resposta a uma reclamação do presidente da Câmara da Lousã, Luís Antunes, sobre a conclusão das obras no ramal ferroviário da Lousã, iniciadas em 2009, no âmbito do projeto do metro, e depois suspensas, Leal da Costa disse que acompanha as preocupações do autarca socialista quanto à necessidade de um sistema de mobilidade que assegure também o acesso das populações aos cuidados de saúde.

Afastado da área urbana da Lousã, no distrito de Coimbra, o CS foi construído em terreno cedido pela autarquia e começou a funcionar em dezembro, mais de dois anos e meio após conclusão das obras, em 2012, albergando duas USF.

O projeto foi contemplado com um financiamento europeu de 1,7 milhões de euros, na sequência de uma candidatura que a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro apresentou ao Programa Operacional do Centro.

Além das USF Serra da Lousã e Trevim Sol, funcionam no novo edifício os polos da Unidade de Saúde Pública e da Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte.

O Centro de Saúde da Lousã tem 17.613 utentes inscritos nas duas USF, “todos com médico de família atribuído”, segundo uma nota da ARS do Centro.

Na cerimónia, além de Fernando Leal da Costa, interveio o autarca Luís Antunes e os coordenadores das duas USF, João Rodrigues (Serra da Lousã) e Marília Pereira (Trevim Sol).

O concurso público internacional foi lançado em dezembro de 2009, tendo a empresa vencedora cumprido o prazo de 18 meses de execução dos trabalhos.

“Ao longo deste processo, os profissionais de saúde nunca foram informados sobre o seu desenrolar, tendo detetado várias lacunas estruturais que nunca ficaram corrigidas, apesar de não envolver acréscimo de custos”, disse à agência Lusa João Rodrigues.

Um dos “pontos negativos”, segundo o médico, é a localização do Centro de Saúde, “dificultando a acessibilidade e contrariando um critério base da medicina e enfermagem familiar: proximidade às residências dos utentes”.

Marília Pereira, por sua vez, criticou outras lacunas do edifício, como o facto de as salas de espera não permitirem “isolar as pessoas” nos casos de epidemia, entre outras.

 

Violência contra profissionais em serviços de saúde
Em 60% dos casos de violência contra profissionais relatados à DGS as vítimas foram enfermeiros. Houve 262 casos de pressão moral.

No ano passado os casos de violência contra profissionais em serviços de saúde motivaram 72 queixas na polícia, mais do dobro do que no ano anterior. 

O relatório anual da Direcção-Geral da Saúde sobre o sistema de notificação de violência contra profissionais de saúde criado em 2007, voluntário e anónimo, revela que na maioria das vezes os profissionais optaram por não formalizar queixa. Ao todo foram reportadas 531 situações e, ainda assim, em 108 casos as vítimas precisaram de tratamento. A maioria ficou insatisfeita com a forma como a instituição lidou com o caso e entende que a situação podia ter sido prevenida.

No ano passado verificou-se um número recorde de notificações deste tipo de incidentes, mais do dobro do que no ano anterior, em que tinham sido comunicadas apenas 233 situações. A DGS insiste que não se pode inferir que haja mais conflitualidade nem tece considerações sobre as causas das agressões. O departamento de qualidade do organismo considera apenas que existe uma maior adesão ao sistema de notificação e propõe que seja elaborada uma norma sobre medidas de prevenção e de intervenção nos serviços de saúde.

hospitais com mais casos Das 531 situações, 503 verificaram-se no sector público e 28 do sector privado. A maioria (302) aconteceu em hospitais, seguindo-se os centros de saúde (151) e unidades de desabituação (58). Nos hospitais, o espaço mais referido foi a consulta externa, seguindo-se as urgências, os serviços de medicina e os serviços de psiquiatria. Verificaram-se ainda 58 situações em serviços administrativos e de atendimento.  

vítimas e agressores Os enfermeiros são o grupo profissional mais vezes agredido, como aliás já se tinha verificado em anos anteriores. Em 531 situações, 193 envolveram enfermeiras e 131 enfermeiros, o que significa que em 60% dos casos as vítimas são enfermeiros. Foram ainda reportados 86 casos de agressão a médicos, 64 em que as vítimas foram assistentes técnicos e 44 assistentes operacionais foram também agredidos. 

Na maioria das vezes os agressores foram doentes (291 casos), seguindo-se outros profissionais de saúde da unidade (85), familiares ou acompanhantes do doente (95). Dominam situações de discriminação/ameaça (312), injúria (271) e pressão moral (262). Resgistaram-se ainda assim 133 situações de violência física e 33 de dano contra a propriedade.

Número de dadores de órgãos regista
O número de dadores de órgãos registou nos primeiros seis meses deste ano o “maior recorde de sempre”(162), disse à agência...

De acordo com dados publicados na página da Internet do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), entre 01 de janeiro e 30 de junho foram registados 162 dadores, mais cinco do que em igual período de 2014 (157).

Segundo os mesmos dados, citados na edição de hoje do Diário de Notícias e publicados na página do IPST, no primeiro semestre deste ano houve um aumento do número de dadores cadáver e de órgãos colhidos para níveis superiores aos de 2009, ano em que Portugal atingiu valores recorde.

Até junho deste ano foram colhidos 459 órgãos, número idêntico ao de 2014, indica o IPST.

Em declarações à agência Lusa, hoje, a coordenadora nacional na área da transplantação do IPST, Ana França, disse que os dados “são os melhores de sempre”.

“Estes dados fazem-nos animar. Animam-nos a prosseguir. É importante transmitir à população que estamos a trabalhar para minimizar os tempos de espera. Quanto mais cedo os doentes forem transplantados, melhor qualidade de vida terão, e é para isso que nós lutamos”, salientou.

Ana França adiantou que Portugal atingiu no primeiro semestre deste ano os 15,5 dadores por milhão de habitantes, acima dos 14,8 de 2009.

De acordo com os dados do IPST, foram realizados até junho de 2015, 392 transplantes, tendo sido registado um aumento do renal e do número de dadores vivos de rim, transplante hepático e cardíacos para níveis superiores aos de 2012.

Os dados indicam ainda que 80% dos dadores morrem por causa médica, sendo a principal o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

 

Associações de bombeiros
Os uniformes dos bombeiros portugueses são, na maior parte das vezes, lavados nas casas de cada um e nunca descontaminados,...

A propósito da exigência dos bombeiros de Maiorca, Espanha, de que também a roupa que usam debaixo dos uniformes seja descontaminada, a Lusa perguntou a representantes dos bombeiros portugueses como era em Portugal e as duas associações negaram que haja qualquer cuidado.

Em Maiorca, os uniformes são descontaminados em Barcelona mas não a restante roupa, que também é exposta a gases e fumos durante um incêndio, e os sindicatos já denunciaram o caso junto da Inspeção do Trabalho, como noticiou o jornal El Mundo.

Em Portugal, no entanto, nem sequer os uniformes são descontaminados, assegura o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, explicando que, por norma, os bombeiros levam a roupa para casa e são responsáveis pela sua lavagem.

Tal tem o inconveniente, além de não haver uma descontaminação, de as roupas perderem propriedades de resistência ao fogo, por não serem lavadas das formas adequadas. “É uma questão que se impõe, toda a roupa deve ser sujeita a uma descontaminação, mas nada disso é feito”. Alguns lavam em casa e, em alguns quarteis, lavam-se os uniformes mas não a roupa interior, assegura.

Pela saúde dos bombeiros e pela sustentabilidade do fardamento a questão devia de ser tida em conta, diz, assegurando que não há legislação sobre a matéria, apesar de os “decisores políticos” já terem sido alertados. “Também não se faz qualquer rastreio aos bombeiros após um grande incêndio”, afirma.

A matéria também preocupa a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários. Quando questionado pela Lusa, o presidente, Rui Moreira da Silva, ironiza e responde: “Se nem sequer se faz uma espirometria [exame dos pulmões] aos bombeiros!”.

“A saúde dos bombeiros nunca foi prioritária. Nunca se investiu na proteção respiratória, mesmo as máscaras que filtram as poeiras, não é muito normal vê-las”, diz à Lusa.

A propósito da “normalidade” que é lavar os uniformes em casa, alerta o responsável: “Estamos a falar de produtos químicos, que uma vez misturados podem provocar uma reação. Posso estar a levar para casa produtos cancerígenos dificilmente removíveis, até da máquina de lavar”.

Ainda que no jornal espanhol também se faça essa ligação entre a predominância de diversos tipos de cancro e o ser bombeiro, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, desvaloriza. “Não vejo essa preocupação em incêndios florestais, e, nos que acontecem com matérias perigosas, a roupa, e os bombeiros até, é sempre descontaminada”, diz.

O responsável garante que são tomadas todas as medidas no caso de incêndios com produtos químicos e diz que raramente há situações em que os bombeiros se colocam em risco. E acrescenta: “Se em cada incêndio florestal tivéssemos de descontaminar as roupas, não havia roupas para os bombeiros”.

De resto, diz, não há casos detetados de problemas devido à contaminação dos equipamentos dos bombeiros em incêndios florestais, que ele pelo menos não conhece nenhum em “50 anos a apagar fogos”.

Na notícia do El Mundo fala-se de um relatório dos bombeiros de Madrid, com “evidências científicas da relação entre uma descontaminação inadequada da roupa e o aparecimento de casos de cancro”, e de estudos, como um belga, que dão conta de que roupas contaminadas podem converter-se num meio de transmissão de doenças ao estar em contacto com a pele.

Há alguns anos houve várias mortes de bombeiros em Lisboa, mas nunca se fez um estudo sobre isso, diz Fernando Curto.

Estudo
A ocorrência de demência, incluindo Alzheimer, parece estar a estabilizar nas nações mais ricas, de acordo com um estudo...

Dados da Suécia, Holanda, Reino Unido e Espanha mostram que a percentagem de população com demência – um termo que abrange as doenças neurodegenerativas do cérebro – se encontra estável, bem como o número de novos casos, indica o estudo publicado na revista The Lancet Neurology.

Investigadores liderados por Carol Brayne, professora no Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge, compararam a ocorrência de demência em pessoas idosas em dois períodos diferentes nas últimas décadas.

Encontraram poucas diferenças nos dois períodos e num caso, até uma pequena diminuição, na percentagem de população afetada.

Esta tendência pode ser o resultado de melhores condições de vida e educação, bem como melhorias no tratamento e prevenção de doenças vasculares que levam a enfartes e paragens cardíacas, dizem os investigadores.

Se confirmadas, as conclusões deste estudo representam boas notícias e sugerem que a iminente “epidemia da demência” – maioritariamente devido a uma população envelhecida – pode ser menos severa do que se receava.

Estas conclusões são, no entanto, contestadas por outros especialistas.

Aproximadamente 7% das pessoas com mais de 65 anos sofre de algum tipo de demência – essa percentagem sobe para 40% aos 80 ou 85 anos, de acordo com diferentes estimativas.

Centro CheckpointLX, em Lisboa
A deputada socialista Elza Pais apelou hoje ao bom senso do ministro da Saúde, Paulo Macedo, para que continue a assegurar o...

Este serviço, gerido pelo Grupo Português de Ativistas sobre Tratamento de VIH/SIDA (GAT), foi encerrado depois de o Ministério da Saúde ter parado o financiamento, há oito meses.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde, através da Direção-geral de Saúde, apoiou o serviço, com cerca de 34 mil euros por ano, verba que servia para pagar análises, reagentes e 'kits' médicos, a instituições públicas e a fornecedores.

Em comunicado, a deputada socialista condena o encerramento da consulta, dirigida a homens que têm sexo com outros homens e onde estes podem fazer o rastreio do VIH/SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis de forma rápida, anónima, confidencial e gratuita, assim como ter acesso a aconselhamento e referenciação aos cuidados de saúde.

“Esta atitude traduz a pouca atenção que o Governo tem dado às pessoas que precisam de cuidados ao nível da prevenção de tratamento do VIH/SIDA”, considera Elza Pais.

Na opinião da deputada socialista, trata-se de uma situação “inadmissível”, já que “vai deixar a população à qual se destinava sem qualquer tipo de apoio”.

De acordo com o presidente do GAT, Luís Mendão, o encerramento daquele serviço faz com que haja apenas em Lisboa um centro de saúde, na Lapa, onde é possível fazer o mesmo tipo de atendimento, de forma gratuita, mas que obriga a que as pessoas se desloquem ao local diariamente, já que não será possível marcar consulta.

Nesse sentido, Elza Pais aproveita para apelar “ao bom senso do ministro da Saúde para continuar a assegurar este apoio ou outro qualquer que garanta o acesso a este tipo de cuidados de saúde aos homens homossexuais e a uma consulta que também faz educação para a saúde”.

Entretanto, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS/LVT) garantiu estar a trabalhar “afincadamente” numa solução para o serviço de consulta de doenças sexualmente transmissíveis, no CheckpointLX.

“A ARS/LVT espera, no mais curto espaço de tempo, poder apresentar ao GAT uma solução expedita que permita aquela instituição cumprir a sua importante missão”, lê-se no comunicado.

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