O que é?

Alergia alimentar

Uma alergia alimentar é uma reacção alérgica a um alimento em particular. Nem todas as reacções negativas aos alimentos são graves, mas as alergias são sempre uma preocupação.
Alergia alimentar

Uma alergia é uma reacção do organismo a um componente de um determinado alimento (geralmente uma proteína), que desencadeia uma reacção exagerada do sistema imunológico – um sistema concebido para proteger o nosso corpo das doenças.

Cada pessoa pode reagir de forma inesperada a um determinado alimento em qualquer altura da vida. Nem todas as alergias são desenvolvidas na infância, algumas podem surgir na idade adulta mesmo com alimentos que já faziam parte da dieta habitual.

Embora os frutos secos sejam muitas vezes vistos como o alergénio mais comum, isto não é necessariamente verdade, já que muitas pessoas são alérgicas a certas frutas (manga, morangos, pêssego, etc.), aos produtos lácteos e aos ovos.

Sintomas
O primeiro indício de predisposição alérgica pode ser uma erupção cutânea como o eczema (dermatite atópica). A referida erupção pode ser ou não acompanhada por sintomas gastrointestinais, como diarreia, náuseas e vómitos, e pode ou não ser causada por uma alergia alimentar.

As crianças com alergias a certos alimentos provavelmente contrairão outras doenças atópicas à medida que crescem, como a asma alérgica e a rinite alérgica estacional. Contudo, nos adultos e crianças com mais de 10 anos é muito pouco provável que os alimentos sejam responsáveis pelos sintomas respiratórios, apesar das provas cutâneas (da pele) serem positivas.

Algumas pessoas sofrem reacções alérgicas muito graves, face a potentes alergénios específicos dos alimentos, em especial as nozes, os legumes, os mariscos e as sementes. Os indivíduos alérgicos a esses alimentos podem reagir violentamente ao comer uma quantidade mínima da substância em questão. Pode ficar coberto de uma erupção em todo o corpo, sentir a garganta a inflamar-se e ter dificuldades respiratórias. Uma queda repentina da tensão arterial pode causar enjoos e um colapso. Esta emergência, potencialmente mortal, recebe o nome de anafilaxia. Algumas pessoas só sofrem de anafilaxia quando efectuam exercícios físicos imediatamente depois de comer o alimento a que são alérgicas.

  • Sintomas leves: normalmente associados à pele, ao sistema respiratório ou a nível gastro-intestinal (desde erupções cutâneas; náuseas; espirros e corrimento nasal; tosse; comichão no nariz, face, orelhas, olhos e garganta; falta de ar ou respiração ofegante e problemas de sinusite).
  • Reacções graves: podem manifestar-se com tosse e sufoco repentinos, inchaço das mãos ou rosto e alastramento de vermelhidão em toda a pele. Este tipo de sintomas devem ser tratados com urgência imediata e exigirão uma abstinência futura total em relação a um determinado alimento. O choque anafilático - náuseas, inchaço, congestão nasal e hipotensão arterial - é potencialmente fatal.

Diagnóstico
Os testes cutâneos permitem, em alguns casos, diagnosticar uma alergia alimentar; um resultado positivo não significa necessariamente que um indivíduo seja alérgico a um alimento em particular, porém um resultado negativo assinala que é improvável que seja sensível ao referido alimento.

Depois de um resultado positivo num teste cutâneo, o alergologista pode necessitar de fazer uma prova oral para chegar ao diagnóstico definitivo. Numa prova de provocação oral, o alimento suspeito é escondido noutra substância, como o leite ou a compota de maçã, e o doente ingere-a. Se não surgirem sintomas, a pessoa não é alérgica àquele alimento. Os melhores testes são as provas “cegas”, ou seja, o alimento em questão está efectivamente misturado com outra substância, mas por vezes não está.

Por outro lado, uma dieta de eliminação pode ajudar a identificar a causa de uma alergia. A pessoa deixa de ingerir os alimentos que presumivelmente estão a provocar os sintomas. Mais tarde começam a introduzir-se na dieta um a um. O médico pode sugerir a dieta com a qual se deverá começar, que terá de ser rigidamente cumprida e só deverá conter produtos puros.

Nesta fase não é aconselhável comer em restaurantes, pois a pessoa (e o médico) deve conhecer cada ingrediente de todos os pratos que comer.

Tratamento
Não existe outro tratamento específico para as alergias alimentares senão deixar de ingerir os alimentos que as desencadeiam. Os indivíduos gravemente alérgicos que sofrem erupções, edema (urticária) dos lábios e da garganta e que podem mesmo não conseguir respirar, devem tomar a precaução de evitar os alimentos que os afectam.

Os anti-histamínicos revelam-se pouco práticos como terapia de prevenção, mas podem ser benéficos em reacções gerais agudas com urticária e na urticária gigante (angioedema).

Alimentos que com mais frequência causam alergia:

  • Leite
  • Ovos
  • Marisco
  • Nozes
  • Trigo
  • Amendoins
  • Soja
  • Chocolate

Diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar
A intolerância alimentar é uma doença muito comum e não deve ser confundida com uma reacção alérgica, porém constitui um efeito indesejável causado pela ingestão de um determinado alimento. As alergias e a intolerância alimentar costumam ser bastante óbvias, apesar de nem sempre ser fácil distinguir os sintomas.

São muitas as pessoas que não podem tolerar certos alimentos, por motivos vários que não são a alergia: podem, por exemplo, não possuir a enzima necessária para os digerir – por exemplo a doença celíaca, cujos doentes apresentam intolerância ao glúten.

Ou seja, se o sistema digestivo não puder tolerar certos alimentos, o resultado pode ser uma perturbação gastrointestinal, gases, náuseas, diarreia ou outros problemas, sintomas que, em geral, as reacções alérgicas não são responsáveis por este conjunto de sintomas.

Fonte: 
Manual Merck
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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