Estudo
Estudo exploratório feito na área da Delegação Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal encontrou cinco casos em dez anos.

Mataram os filhos com menos de 24 horas de vida. Uma decapitou-o. Meteu-lhe a cabeça dentro de um saco de plástico e escondeu-a num lagar. Outra asfixiou-o, meteu-o num saco de plástico e escondeu-o num armário. A irmã encontrou-o volvido um mês. Outra infligiu-lhe lesões crânio-vasculo-encefálicas graves. E outra afogou-o. Primeiro, escondeu o cadáver num armário e depois atirou-o ao lixo.

Pouco se sabe sobre neonaticídios em Portugal, escreve o jornal Público. Um artigo publicado na última edição da revista Psiquiatria, Psicologia & Justiça – assinado por Catarina Klut Câmara (do Hospital Amadora-Sintra) Olindina Graça, Tiago Costa (ambos do Instituto Nacional de Medicina Legal) e Jorge Costa Santos (da Universidade de Lisboa) – sublinha a importância de se fazer diagnóstico precoce de gravidez, identificar sinais de stress, e garantir acompanhamento adequado.

Analisaram todos os processos tidos pela Unidade Funcional de Patologia Forense da Delegação Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal entre 1 de Janeiro de 2001 e 31 de Dezembro de 2010. Os cinco casos de neonaticídio destetados correspondem a 1,13% de todos os homicídios autopsiados naquele período, 20% dos homicídios infantis, 2,96 por 100 mil nados-vivos.

É um crime de prevalência difícil de determinar, notam os autores. “É de admitir que um número indeterminado não tenha sido descoberto ou chegado ao conhecimento das autoridades.” Todas esconderam a sua condição. Nenhuma compareceu a consultas pré-natais ou comprou enxoval para o bebé. Nos quatro casos em que a informação está disponível, o parto ocorreu em casa, sem assistência.

Uma mulher temia a reação do pai, o julgamento dos vizinhos. Outra temia a reação do companheiro. Outra andava aflita com problemas financeiros e a incapacidade de comunicar com o companheiro. A principal motivação, porém, foi gravidez indesejada. Embora reduzida, a amostra revela dificuldade na comunicação, logo, no recurso à rede de apoio primário para interromper a gravidez . Duas ainda tentaram fazê-lo com medicamentos. Uma denegou a gravidez até ao bebé nascer.

A raridade de casos desta natureza "limita a aquisição de competências no seu manejo", notam no artigo publicado na revista editada pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça. Uma possibilidade de reduzir o problema, defendem, seria concentrá-los em estruturas especializadas.

Estudo conclui
Mulheres que se exercitaram durante a adolescência têm um risco menor de morrer de cancro ou qualquer outra doença por volta...

Os pesquisadores analisaram dados de uma grande pesquisa chinesa, com quase 75 mil mulheres de 40 a 70 anos. Todas elas, segundo o Diário Digital, foram entrevistadas e revelaram informações sobre a prática de exercícios ao longo da vida. Eles consideraram como “atividade física regular” aquela que ocorria pelo menos uma vez por semana por pelo menos três meses consecutivos.

E descobriram que, ainda que as mulheres tivessem interrompido a atividade física na vida adulta, o facto de terem praticado algum desporto na adolescência ajudou a diminuir o risco de morte por cancro e outras doenças de forma discreta, mas significativa.

Já aquelas que se exercitaram durante a adolescência e também depois tiveram uma redução de 20% no risco de morte por qualquer causa, de 17% por doença cardiovascular e de 13% por cancro.

O trabalho foi publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, da Associação Americana para a Pesquisa do Cancro.

A equipa diz que o próximo passo é estudar mais a fundo a influência da atividade física na juventude para a prevenção das doenças crónicas, até para entender melhor os mecanismos que fazem com que estas deflagram. De qualquer forma, fica a dica: se ainda não começou a fazer exercício regularmente, saiba que, quanto antes começar, maiores serão os benefícios a longo prazo.

Nutricionista alerta
Com a chegada do Verão, aumenta o consumo dos petiscos típicos desta estação, alguns deles com mais benefícios para a saúde do...

“O caracol é um molusco, semelhante à amêijoa e ao berbigão, contudo, em igual quantidade, é menos calórico, pelo que deve ser preferido. Além de poucas calorias, o caracol tem mais proteína na sua constituição e é, por isso, mais saudável. A amêijoa tem mais calorias do que o caracol mas menos que o berbigão, pois cerca de 60 gramas (um pires) equivalem a apenas 70 calorias”, explica, ao Diário Digital, Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

“Relativamente aos queijos, os brancos (fresco, requeijão, mozarela e ricota) devem ser a primeira opção, uma vez que têm menos calorias, menor teor de gordura e sódio e maior quantidade de água do que os queijos curados e amanteigados”, revela.

A nutricionista clínica alerta ainda que “todos os petiscos devem ser consumidos com moderação e que, no máximo, devem ser acompanhados por dois copos de vinho. O ideal será não juntar pão, tostas ou molhos aos petiscos, pois isso poderá triplicar a quantidade de calorias ingeridas”.

E acrescenta: “Entre os petiscos apreciados no verão, os mais saudáveis são os tremoços, uma vez que têm um teor calórico muito reduzido e uma quantidade elevada de água.”

Ana Rita Lopes salienta também a importância da ingestão de quantidades superiores de água durante as estações mais quentes. “Nesta época do ano, é muito importante ingerir cerca de dois litros de água por dia, uma vez que o nosso corpo necessita de mais água quando está mais calor.”

Estudo conclui
Já se sabia que o uso de contracetivos orais por parte da mulher pode ajudar a prevenir o cancro dos ovários, mas um novo...

Os investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estimam que nas últimas cinco décadas, a pílula “salvou” do cancro umas 400.000 mulheres, que na sua juventude tomaram o medicamento, escreve o Diário Digital.

“O forte efeito de proteção dos contracetivos orais contra o cancro endometrial – que persiste durante décadas após a paragem da ingestão – significa que as mulheres que tomam nos seus vintes ou até mais novas, continuam a beneficiar [do efeito protetor] até aos seus cinquentas ou mais velhas, quando o cancro se torna mais comum”, sublinhou em comunicado à imprensa Valerie Beral, que lidera a autoria do estudo.

Uma quantidade impressionante de informação foi analisada neste âmbito, com cerca de 36 estudos dos quatro cantos do mundo, contendo dados de 27.276 mulheres com cancro do útero.

Nas conclusões, a equipa de Beral destaca que este “efeito protetor” acumula-se: por cada cinco anos de toma da pílula, a mulher vê reduzida em 25% a probabilidade de vir a contrair cancro do útero.

Na investigação, publicada no The Lancet, estima-se que 400.000 casos deste tipo de cancro foram prevenidos nos últimos 50 anos, com metade (200.000) evitados só na última década.

Os investigadores indicam que nos países de maiores rendimentos, tomar a pilula durante dez anos reduz - de dois terços (66,6%) para apenas um terço (33,3%) - o risco de contrair este tipo de cancro para as mulheres com idade inferior a 75 anos.

No geral, o estudo surpreende tendo em conta que, durante muito tempo, a pílula foi um assunto controverso.

“As pessoas temiam que a pílula causava cancro”, recordou Valerie Beral. “Mas no final de contas, a longo prazo, tomar a pílula reduz o risco de ter cancro”.

Uma consideração dos peritos do National Cancer Institute dos EUA acerca deste estudo destaca que a descoberta, com base em estatísticas, deverá ser levada em conta na descrição geral do que sabemos sobre os riscos e os benefícios de tomar a pílula:

“Ainda que os mecanismos biológicos permaneçam por decifrar, e ainda que faltem as provas necessárias para que justifique receitar [a toma da pílula como prevenção do cancro], as mulheres devem estar cientes dos benefícios não intencionais e dos riscos dos contracetivos orais, para que possam tomar decisões bem informadas”, lê-se no comentário de Nicolas Wentzensen e Amy Berrington de Gonzalez.

No Japão
O Japão vai concretizar um projeto com mais de 30 anos: um laboratório para estudar os vírus mais perigosos do mundo, como o...

O laboratório abriu as portas em 1981 para investigar e desenvolver vacinas contra os vírus que provocam doenças extremamente infecciosas, escreve o Sapo, mas a população local conseguiu impedir que o estabelecimento trabalhasse com os vírus mais perigosos.

Com as dúvidas da população, o laboratório trabalhou apenas com germes de menor perigosidade, como o coronavírus MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) ou as bactérias responsáveis pela tuberculose.

O Japão passa assim a ter o primeiro laboratório P4 (de alta segurança biológica), assim como os outros países do G7.

Atualmente existem quase 40 estruturas deste tipo no mundo, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa.

"O Japão acaba assim com o atraso relativo a outras nações desenvolvidas", afirmou Jiro Yasuda, professor da Universidade de Nagasaki, citado pela agência France Presse.

Por ano
O diretor do Programa Nacional para a Diabetes defendeu que as cerca de 1.600 amputações por ano provocadas pelo pé diabético...

Em declarações, José Manuel Boavida destacou o impacto destas amputações na qualidade de vida dos diabéticos.

“Amputadas cerca de 700 pessoas acima do tornozelo e cerca de 860 a nível dos pés é claramente um impacto enorme na vida das pessoas”, disse.

Segundo José Manuel Boavida, “a questão das amputações tem sido afirmada como prioridade pelos Ministérios da Saúde dos últimos anos, mas não passou de apelos”.

Para este médico, “a única medida eficaz é criar equipas nos hospitais, obrigatoriamente e não por decisão das direções”.

“Hoje sabe-se que se houver equipas especializadas as amputações reduzem-se em mais de metade”, disse.

O objetivo é que, quando uma pessoa aparece a precisar de assistência por causa de um problema no pé, "seja encaminhada para a urgência e aí seja chamada a equipa especializada”.

Nos hospitais, “sempre que existe esta preocupação de evitar que qualquer serviço de urgência possa submeter de imediato uma pessoa a uma amputação, isso permite reduzir em mais de 50% as amputações”.

Sobre o número de amputações em Portugal, José Manuel Boavida considerou-o “um desafio a que não se pode dizer que não, num país que não tem minas e onde a maior parte das amputações pode ser evitada”.

Em 2013 aumentaram os internamentos associados ao pé diabético e o aumento das amputações dos membros inferiores, segundo o relatório “Diabetes: Factos e Números”, do Observatório Nacional de Diabetes.

De acordo com este documento, a prevalência estimada da doença na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (7,8 milhões de indivíduos) foi de 13%, ou seja, mais de um milhão de portugueses.

Alguns acabam cegos
Cerca de 80% dos diabéticos não têm acesso ao rastreio anual à visão, acabando muitos deles com retinopatia que, em alguns...

José Manuel Boavida falava a propósito de um conjunto de recomendações da Assembleia da República com vista ao reforço das medidas de prevenção, controlo e tratamento da diabetes.

Uma das recomendações é “o reforço do rastreio sistemático da diabetes e, em especial, da retinopatia diabética, entre os grupos populacionais que apresentem risco acrescido de desenvolvimento dessa doença, junto dos cuidados primários ou de outras instituições de proximidade”.

Segundo José Manuel Boavida, apesar da importância dos rastreios para controlo da retinopatia diabética junto desta população doente, apenas 20% das pessoas com diabetes têm garantido o seu rastreio anual, segundo os últimos dados, que são de 2013.

O especialista lamenta esta fraca cobertura, justificando que “um rastreio é muito mais barato do que a observação médica”.

Este rastreio é feito com recurso a aparelhos colocados para o efeito nos centros de saúde e onde os utentes podem ir avaliando anualmente o estado da sua visão e eventuais complicações associadas à diabetes.

Para o diretor do Programa Nacional para a Diabetes (PND), “há claramente aqui uma responsabilidade direta das Administrações Regionais de Saúde (ARS)”, que acusa de “inoperância”.

José Manuel Boavida garante que os ganhos são imensos, até porque dos 150 mil diabéticos rastreados só cerca de 10% precisa de ir a uma consulta de oftalmologia.

“Isto quer dizer que 90% dos doentes ficaram descansados, pois o seu olho não precisava de consulta. E assim evitámos que a situação progredisse”, adiantou.

Para José Manuel Boavida, a recomendação do Parlamento é “um puxão de orelhas ao Ministério da Saúde, no sentido em que há um conjunto de medidas absolutamente básicas e necessárias”.

O médico recordou que “a retinopatia diabética só dá queixas quando a situação se torna praticamente irreversível. Se as situações forem detetadas precocemente nunca chegarão a existir. Deixará de haver cegueira por causa da diabetes e a diabetes é a principal causa de cegueira na população adulta”.

Para o presidente do PND, por causa da “inércia” de quem decide, “muitas pessoas têm perdido a visão”.

Além da cegueira, outra das consequências da retinopatia diabética é a subvisão, a qual impede que os doentes consigam “fazer a sua vida com autonomia”.

Devido à “falta de rastreio, não só os diabéticos perdem a visão, como têm de fazer mais tratamentos muito mais caros, injeções no olho, operações. Enfim, custos muito maiores do que o próprio rastreio. É tapar o sol com a peneira”.

Como nos maços de tabaco
O diretor do Programa Nacional para a Diabetes defende que as bebidas com elevado teor de açúcar tenham uma referência aos...

“No mínimo, estas bebidas deviam ter uma referência para o mal que fazem”, disse José Manuel Boavida, reclamando ainda o fim da publicidade aos alimentos cuja composição é comprovadamente prejudicial à saúde.

A posição de José Manuel Boavida vai ao encontro das recomendações que a Assembleia da República aprovou recentemente com vista à adoção de medidas de prevenção, controlo e tratamento da diabetes.

Uma destas recomendações é “a aprovação de legislação que desincentive o consumo de refeições, lanches, alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com elevado teor de açúcar, de gorduras saturadas ou de sódio, e sejam principalmente destinados a menores de idade”.

“Não é possível continuarmos a ter refrigerantes com dois litros e com quantidades adicionadas de açúcar”, disse o especialista, que critica ainda a disponibilização de bebidas para crianças, com imagens extremamente coloridas e de super-heróis, bem como a compra fácil de açúcar e açucarados junto às caixas dos supermercados ou nas prateleiras mais visíveis.

Para José Manuel Boavida, “as leis que existem no tabaco e na regulação do tabaco vão ter de se aplicar a alimentos nocivos”.

O diretor do Programa Nacional para a Diabetes (PND) sublinha que “o que é importante é realçar que a má alimentação é tão má para a saúde como o álcool, o tabaco ou o sedentarismo”.

José Manuel Boavida não acredita que a resposta esteja na indústria, até porque - sublinha - "esperar que os industriais da alimentação se autorregulem é claramente deixar nas mãos deles uma inércia que se tem vindo a registar nos últimos anos”.

A recomendação da Assembleia da República preconiza a aprovação de legislação que desincentive o consumo de refeições, lanches, alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com elevado teor de açúcar, de gorduras saturadas ou de sódio, e sejam principalmente destinados a menores de idade.

Para tal, deve ser proibida a comercialização destes produtos com a oferta de brindes ou brinquedos, bem como a utilização de personagens e celebridades infantis na sua publicidade.

Deve igualmente ser proibida a publicidade destes produtos nas rádios e televisões, entre as 07:00 as 22:00, e a sua venda ou disponibilização em meio escolar.

José Manuel Boavida sublinha a importância desta recomendação da Assembleia da República, recordando que é a segunda que o Parlamento faz, tendo a primeira abrangido a Sida.

Em 2012 morreram 4.867 pessoas em Portugal devido à diabetes. Em 2000 tinham sido 3.133.

Publicada em Diário da República
A lei que autonomiza o crime de mutilação genital feminina e cria os crimes de perseguição e casamento forçado foi publicada...

Trata-se da Lei n.º 83/2015 que altera os crimes de violação, coação sexual e importunação sexual, dando cumprimento ao disposto na Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica, conhecida como Convenção de Istambul, assinada a 11 de maio de 2011.

De acordo com a Lei, quem mutilar genitalmente, total ou parcialmente, uma mulher - através da clitoridectomia (extirpação do clitóris), infibulação (oclusão dos grandes lábios vaginais por meio de um anel ou sutura), ou excisão (golpe profundo ou corte que se dá para amputar ou separar o clitóris) – por razões não médicas é punido com penas de prisão de 2 a 10 anos.

Os atos preparatórios daqueles crimes têm penas de prisão até três anos.

No início de junho, um estudo europeu apresentado em Lisboa referia que mais de mil das quase seis mil meninas residentes em Portugal que integram comunidades que praticam a Mutilação Genital Feminina (MGF) podiam estar em risco de serem sujeitas à prática.

Juntamente com Irlanda e Suécia, Portugal foi um dos países-piloto do estudo “Estimativa das meninas em risco de mutilação genital feminina na União Europeia”, realizado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE).

Segundo a pesquisa, a taxa de risco das meninas até 18 anos residentes em Portugal (tendo ou não nascido no país) e pertencentes a comunidades que mantêm uma prática com efeitos físicos e psicológicos permanentes é de 5 a 23% – correspondentes a 292 e 1.342 meninas.

A 06 de fevereiro último, Dia da Tolerância Zero para a Mutilação Genital Feminina, a Plataforma de Dados da Saúde contabilizava 43 mulheres - dados relativos a finais do mês anterior - vítimas MGF a viverem em Portugal, disse na altura à Lusa a secretária de Estado.

Teresa Morais explicou que 74% daquelas 43 mulheres são oriundas da Guiné-Bissau e da Guiné-Conacri, têm uma idade média de 29 anos e foram sujeitas à MGF por volta dos seis anos.

A Lei cria ainda o crime de perseguição, estipulando que quem assedie outra pessoa, por qualquer meio, direta ou indiretamente, de forma adequada a provocar-lhe medo ou inquietação ou a prejudicar a sua liberdade de determinação é punido com três anos de cadeia ou pena de multa, “se pena mais grave não lhe couber por força de outra disposição legal”.

A Lei consigna ainda o crime de casamento forçado, definindo que quem constranger outra pessoa a contrair casamento ou união equiparável à do casamento é punido com prisão até cinco anos.

Estipula ainda uma pena de prisão até um ano ou uma pena de multa até 120 dias para quem execute atos preparatórios relativos ao casamento forçado, como o de atrair a vítima para território diferente do da sua residência com o intuito de a coagir a contrair casamento ou união equiparável.

Nos crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores, bem como no crime de mutilação genital feminina sendo a vítima menor, o procedimento criminal não se extingue, por efeito da prescrição, antes de o ofendido perfazer 23 anos.

Ordem dos Psicólogos
A Ordem dos Psicólogos Portugueses defendeu que o reforço da saúde psicológica nas escolas origina “retornos económicos...

Os números da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) baseiam-se em estudos internacionais que acompanham os estudantes ao longo do seu percurso até chegar à vida ativa, segundo os quais por cada 7,83 euros investidos por aluno o retorno é de 180 euros.

Os estudos apontam ainda que se o investimento for superior, cerca de 25,68 euros por aluno, o benefício pode atingir os 660,51 euros e traduzir-se num retorno que poderá atingir os 812 milhões de euros.

A Ordem dos Psicólogos explicou que chegou a estes números com base no universo de alunos portugueses que frequentam o ensino básico e secundário nas escolas públicas.

Tendo em conta que existem em Portugal cerca de 1.280.000 alunos no ensino básico e secundário nas escolas públicas, "concluímos que podiam ser obtidos ganhos elevados com a implementação de programas de prevenção e promoção da saúde psicológica nas escolas”.

Apesar de não haver estudos em Portugal sobre esta matéria, há um conjunto de indicadores - taxa de reprovações, elevado abandono escolar, baixas qualificações dos trabalhadores e os níveis de salários que auferem - que corrobora “o imenso retorno que teria um investimento precoce nestas áreas em Portugal”, sublinhou a ordem.

“A reprovação de um aluno no ensino público (no básico e no secundário) custa cerca de 4.000 euros”, se reprovarem 120 a 130 mil estudantes, como aconteceu em 2014, são 500 milhões de euros anuais, só em custos diretos, exemplificou.

Para a OPP, o reforço da intervenção psicológica, como vários estudos indicam, é um “fator fundamental na prevenção” destes “fenómenos de absentismo, retenção e abandono escolar”, mas também de obtenção de ganhos económicos.

As boas práticas internacionais defendem um rácio de um psicólogo por 1.000 alunos, mas em Portugal esse rácio é de um psicólogo por 1.645 estudantes no ensino público e de um para 795 no ensino privado.

Para a ordem, estes números apontam para “um desequilíbrio claro entre aquilo que é a resposta da escola pública e da escola privada nesta matéria em Portugal”.

Além disso, frisou, há psicólogos a trabalharem em condições precárias, com contratações de 20 horas para um agrupamento de escolas, muitas vezes, com cerca de 1.500 alunos.

Muitas vezes, “o psicólogo chega à escola em meados de outubro, sem conhecer os professores, os alunos e a comunidade escolar e é bombardeado com um sem número de casos urgentes, nos quais a intervenção é iminentemente clínica e não configura aquilo que é a intervenção em psicologia da educação”, sublinhou a OPP.

No ano passado, as escolas contaram com a colaboração de cerca de 800 psicólogos, segundo dados do Ministério da Educação e Ciência.

Além destes, havia já 424 psicólogos dos quadros dos estabelecimentos de ensino e outros 140 que podiam ser contratados pelas escolas com contratos de autonomia ou integradas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP).

A OPP entregou a análise sobre os ganhos de investir na saúde psicológica nas escolas às direções-gerais do Ministério da Educação.

Hospital CUF Descobertas
Imagine que às 8h55 se sentia, em Lisboa, um sismo de magnitude 7, na Escala de Richter, com epicentro no Vale Inferior do Tejo...

Porque a segurança é uma prioridade para todos, o Hospital CUF Descobertas, em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa, o Serviço Municipal de Proteção Civil, o Regimento de Sapadores de Bombeiros, a Polícia Municipal, Polícia de Segurança Pública, a Junta de Freguesia do Parque das Nações e o Externato João XXIII, realizou no dia 04 de Agosto, um simulacro com o objetivo de testar a operacionalidade das equipas de intervenção e rotinar os procedimentos a adotar em situações de emergência.

O simulacro de sismo, que se realizou no âmbito dos 260 anos do Terramoto de 1755, que se assinalam este ano, estava associado a um cenário de danos que envolvia a cozinha do Hospital, local onde deflagrou um suposto incêndio subsequente a este evento. Como primeira intervenção, na receção central, foram montados postos de triagem especiais para receberem as 20 “vítimas do terramoto”, crianças provenientes do Externato João XXIII, caracterizadas de acordo com os ferimentos apresentados.

No final, quase duas horas depois de este simulacro ter início, 16 das “vítimas” tiveram alta hospitalar, tendo sido transferidas, as restantes quatro, ou para a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente ou para o Bloco Operatório.

De acordo com o Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Manuel Castro, responsável pelos pelouros da Segurança e da Proteção Civil, “todas as entidades envolvidas estão de parabéns pelo trabalho desenvolvido”. Fazendo um balanço muito positivo da iniciativa, Carlos Manuel Castro, referiu que tem havido um “aumento significativo de simulacros na cidade de Lisboa”, e que este, no sector da saúde, é exemplo disso. Carlos Manuel Castro salientou ainda que “em momentos de catástrofe, todos somos essenciais, não há divisão entre privado e público”.

Luís Cuña, médico coordenador do Atendimento Permanente de Adultos do Hospital CUF Descobertas, e responsável pela organização do exercício, destacou ainda que este “foi mais um útil exercício que se enquadra nas medidas de segurança contínuas desenvolvidas pelo Hospital e que veio contribuir para ajustar procedimentos e melhorar os processos de articulação entre as várias entidades envolvidas”.

Como tudo aconteceu:

A partir das 8h55

·         Às 8h55 teve lugar um sismo com epicentro no Vale Inferior do Tejo de magnitude 7 (Escala de Richter) e intensidade grau VII (Escala de Mercalli Modificada) sentido na área de

·         implementação do Hospital CUF Descobertas e do Externato João XXIII

·         Após o evento sente-se um cheiro intenso a gás, na Cozinha do Hospital, no piso -1, seguido de incêndio

·         São seguidos todos os procedimentos internos de emergência e procede-se à evacuação da cozinha e das zonas contíguas.

·         Colaboradores dirigem-se ao ponto de encontro, no exterior do hospital, e conferem presenças, enquanto chegam meios de socorro externos que assumem o comando das operações.

·         Meios de socorro externos dão como terminada a emergência.

·         Hospital retorna à normalidade

Às 9h44

·         Na sequência do abalo sísmico sentido às 08:55 na área de implementação do Hospital CUF Descobertas, o mesmo é contactado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil com o pedido para receber vítimas encaminhadas do Externato João XXIII.

·         O Hospital avalia o pedido e respetivas condições estruturais do edifício para acolher vítimas.

·         Após avaliação, comunica a sua capacidade de receber vítimas ao Serviço Municipal de Proteção Civil e faz a montagem dos postos de triagem na receção central

·         Médico da triagem primária dá autorização para começar a receber as vítimas

·         Às 10h05 - Vítimas começam a chegar – 20 vítimas, todas crianças – 17 feridos ligeiros, 2 feridos graves, 1 ferido em estado crítico (de acordo com a triagem de Manchester em Catástrofe, 17 “verdes”, 2 “amarelos” e 1 “vermelho”).

·         De 15 em 15 minutos é feita uma retriagem. Na sequência desta retriagem, há um paciente que é transferido da zona verde para a zona amarela, por agravamento do seu estado.

·         A equipa de emergência interna clínica é chamada para fazer uma transferência intra-hospitalar. O paciente que se encontra em estado crítico é transferido para a Unidade de Cuidado Intensivos Polivalente.

·         As vítimas da zona amarela, três feridos graves, são transferidos para o Bloco Operatório (2) e para a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente (1).

·         As restantes 16 vítimas têm alta

·         Serviço Municipal de Proteção Civil contacta o Hospital CUF Descobertas a informar o fim da emergência

·         11h00 - Hospital regressa à normalidade 

Universidade de Pequim
Um estudo realizado por cientistas da universidade de Pequim relaciona o consumo de comida picante com longevidade, indica a...

No estudo, que foi realizado numa amostra de mais de meio milhões de chineses, mostrou-se que os indivíduos que comiam alimentos picantes entre seis a sete vezes por semana viam reduzido em 14 por cento o risco de morte prematura, relativamente aqueles que só escolhiam este tipo de alimentos uma vez por semana.

A comida picante foi também associada a um menor risco de morte por doenças infecciosas nas mulheres e cancro e doenças respiratórias e cardíacas nos dois sexos, efeitos positivos que são potenciados em pessoas abstémias.

A investigação, liderada pelo centro de ciências da saúde da universidade de Pequim, segue a linha de estudos anteriores que evidenciaram os benefícios da comida picante para a saúde.

Os autores explicam que as propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e contra a obesidade da capsaicina, principal componentes ativo da malagueta, já foram amplamente documentadas anteriormente.

Os dados obtidos no estudo são "de observação", disseram os investigadores, sublinhando que os benefícios da ingestão de comida picantes podem estar associados a outros fatores, como hábitos dietéticos, estilo de vida e estatuto socioeconómico.

Portugal e Espanha com a mesma liderança
Daniel Guerreiro, diretor geral da Omega Pharma Portuguesa, foi recentemente nomeado diretor geral da Omega Pharma Espanha...

Formado em Business Management pela Universidade do Algarve, Daniel Guerreiro construiu o seu percurso profissional trabalhando sempre em multinacionais, em Portugal e Espanha, nos mais diversos setores de negócio como bens de consumo, eletrónica, farmácia, alimentação e telecomunicações.

Esta nomeação, da Omega Pharma Portuguesa, é para Daniel Guerreiro um reconhecimento único: “ foi com grande orgulho que recebi esta nomeação após 2 anos de Omega Pharma Portuguesa. Quando entrei no projeto Omega Pharma, em inícios de 2013, fi-lo com o objetivo de a transformar na melhor organização de consumer health em Portugal.  Estou certo de que os passos desde então transformaram de fato, e para melhor, a Omega Pharma Portuguesa, tornando-se a empresa do setor com maior crescimento, entre as top20. Esta nomeação para a direção geral da Omega Pharma Espanha, adicionalmente à direção de Portugal, acaba por ser uma extensão do desafio, com o mesmo objetivo, num mercado maior”.

A gestão dos dois países será um desafio aliciante, dado que cada mercado tem as suas especificidades ao nível regulamentar e regional. “O mercado farmacêutico em Portugal desenvolveu-se mais rapidamente nos últimos anos, fruto de uma maior liberalização do setor. Podemos ver hoje, por exemplo, medicamentos de venda livre à venda em parafarmácias, algo que não é permitido à data em Espanha. Por outro lado, as diferenças regionais em Espanha são bastante elevadas, quer no tipo de farmácias, quer nos produtos com maior potencial, algo que é mais homogéneo em Portugal”, afirma Daniel Guerreiro.

A Omega Pharma Portuguesa, no nosso país desde 2002 e filial do Grupo Multinacional Omega Pharma NV, está no grupo das 5 maiores empresas do mercado de Consumer Healthcare. Em Espanha, a Omega Pharma opera desde 2000 através da aquisição da Chefaro Española.

Estudo
Estudo da Universidade de Singapura conseguiu evidenciar uma ligação entre uma variante genética e as ideias políticas,...

Um estudo publicado na revista Royal Society britânica destaca uma ligação entre a genética e as preferências políticas.

Durante vários anos, a ideia de que fatores biológicos como os genes podem influenciar as nossas ideias políticas apaixonou e dividiu politólogos, psicólogos e o grande público.

De esquerda, direita, conservador ou liberal(...) e se tudo nos for passado pelos nossos pais? A maioria dos nossas características, tais como a cor da pela, tamanho, depende do nosso genoma. E se houvesse um gene do voto à esquerda ou à direita?, questiona o estudo, feito pela Universidade de Singapura.

Foi exatamente para tentar responder àquelas questões que Richard P. Ebstein, da Universidade de Singapura, e colegas estudaram o genoma de 1.771 alunos da sua universidade pertencentes ao grupo étnico Han, principal da China (para terem um grupo geneticamente similar).

Para já, o estudo conseguiu evidenciar uma ligação entre uma variante genética e ideias políticas.

Segundo os investigadores, o gene DRD4, que desempenha um papel na transmissão da dopamina, pode ser envolvido nas nossas escolhas políticas e, particularmente, nas mulheres.

A dopamina afeta as funções neurológicas, como a memória aprendizagem e criatividade.

As nossas afinidades políticas podem assim estar relacionadas com a variação daquele gene.

Dezenas de estudos anteriores tinham estabelecido uma forte ligação entre opinião política e alguns traços de personalidade.

Assim, os conservadores tendem a gostar de ordem e de uma vida estruturada e são mais coerentes na forma como tomam decisões. Os liberais mostram maior tolerância com a ambiguidade e complexidade e adaptam-se mais facilmente a circunstâncias inesperadas.

O estudo salienta, contudo, que as tendências políticas também dependem de fatores conjunturais e educacionais.

"Todos aqueles fatores devem ser tidos em conta para compreender sensibilidades políticas", afirmam os pesquisadores, sublinhando que a "biologia não deve ser ignorada".

Estudo revela
Ossos partidos? O canabidiol que se encontra na marijuana pode ser uma grande ajuda.

E que tal substituir o leite pela marijuana? A pergunta, em tom provocatório, é feita pela LiveScience, depois de analisadas as conclusões de um estudo que sugere que a marijuana faz bem aos ossos, escreve a TSF.

Em concreto, é um composto da marijuana, o canabidiol (designado cientificamente por "CBD"), que tem propriedades que podem ser eficazes na recuperação de fraturas.

O canabidiol é uma das substâncias químicas encontradas na Cannabis sativa e que constitui grande parte da planta, chegando a representar mais de 40% dos seus extratos.

O estudo foi feito em ratos, mas estudos anteriores já tinham demonstrado que os ratos são bons modelos no tratamento de ossos, disse Yankel Gabet, da Faculdade de Medicina da Sackler University, em Telavive.

A investigadora mostra-se muito esperançada na possibilidade do "CBD" poder ser aplicado em ossos humanos fraturados.

Estudo
Joshua Harsthorne, investigador do IMT, tentou perceber se, de facto, nos tornamos menos inteligentes à medida que envelhecemos...

A resposta é um confortável “nim”. Pelo menos se tivermos em conta aquele que é o conceito geral de inteligência, escreve o Observador. Mas já lá vamos. Um estudo publicado na Psychological Science sugere que os seres humanos se tornam mais lentos à medida que têm de carregar esse peso chamado velhice. Mas não só: com os cabelos brancos (ou sem cabelo de todo) chega a sapiência. Pode parecer um lugar-comum, mas é mais complexo do que parece.

Na verdade, as pessoas vão desenvolvendo outro tipo de capacidades intelectuais à medida que perdem outras. Foi essa uma das conclusões a que chegou Joshua Harsthorne, investigador do MIT – Massachusetts Institute of Technology, depois de analisar 2.500 adultos, sujeitos aos mais diferentes testes de memória, de raciocínio e de inteligência emocional.

Harsthorne percebeu, por exemplo, que a velocidade com que absorvemos números, nomes e a factos atinge o seu pico aos 18 anos. A partir daí, a história é outra: a nossa capacidade de processamento rápido “cai a pique”, explicou o investigador.

Depois, entre os 20 e os 35, chegamos ao auge da nossa “carreira” no que diz respeito à capacidade de recordar e de relacionar factos – a memória de trabalho como é conhecida.

Numa terceira fase, mais precisamente entre os 40 e os 60 anos, o melhor é mesmo moderar o ritmo e olhar pelos e, sobretudo, para os outros. É que é nessa altura que as pessoas alcançam uma capacidade superior de ler os que as rodeiam e de captar e perceber os sinais exteriores que os outros transmitem – no fundo, a inteligência emocional. “A diferença entre [um indivíduo] com 20 anos e outro com 40 anos é enorme” neste indicador, como sublinhou Harsthorne ao Wall Street Journal.

O mesmo jornal, que conversou com investigador, acrescenta ainda que, mesmo depois dos 60, é possível continuar a aprender (e muito), nomeadamente ao nível do vocabulário.

O investigador reconhece, porém, que este estudo vem contrariar algumas conclusões anteriores. Existem estudos que defendem que a inteligência tende a diminuir à medida que o tempo atravessa quem com ele convive assim como acontece com as capacidades físicas e motoras.

Ainda assim, e mesmo lembrando que é preciso perceber o conceito “inteligência” como um conceito mais alargado, Harsthorne acredita que as “pessoas se tornam mais inteligentes à medida que envelhecem”.

Contra a tuberculose
Mais de dois séculos depois, os corpos mumificados de centenas de pessoas que sofreram de tuberculose ajudam a compreender...

Em causa estão corpos mumificados de 265 pessoas, 90% afetadas pela tuberculose, das quais um terço morreu devido à doença, encontrados em 1994 na cidade húngara de Vac, numa igreja da ordem dominicana, onde foram sepultados os mais poderosos, como explicou a antropóloga Ildikó Szikossy, do Museu de Ciências Naturais, à agência Efe.

A origem dos cadáveres – que datam dos séculos XVIII e XIX - encontra-se bem documentada, sendo conhecidos os nomes e as histórias de muitos deles.

A família Hausmann é protagonista de uma delas. A irmã mais velha, Terézia, falecida em 1797, cuidava da sua mãe e da irmã mais nova; as três morreram de tuberculose causada por três estirpes diferentes.

“Isto é importante, dado que se demonstrou que naquela época coexistiam diferentes tipos”, o que é uma das descobertas mais valiosas no âmbito das investigações em que colaboram a Universidade de Medicina de Warwick, o University College de Londres e o Museu de Budapeste, afirmou Ildikó Szikossy.

Ao desenhar a “árvore da evolução” do ADN da tuberculose descobriu-se que uma das ramificações teve origem no Império Romano, por isso é uma doença que convive com a humanidade há milhares de anos.

O excelente estado de conservação dos corpos permitiu realizar análises muito precisas de como morreram e analisar os vestígios deixados pela doença.

Segundo explicou Szikossy, os nomes, e até mesmo pormenores como a causa da morte, foram escritos nos ataúdes, pelo que essa informação – a par com a dos arquivos eclesiásticos – oferece aos investigadores uma importante base de dados.

Os cadáveres foram colocados na cripta aproximadamente entre os anos 1730 e 1838.

Na década de 1780, o rei José II proibiu os enterros nas criptas, onde os ataúdes eram colocados uns sobre os outros, sem separação, o que aumentava o risco de infeções.

Os moradores de Vác não respeitaram a proibição e continuaram com os enterros na cripta, até que, em 1838, o lugar foi tapado e caiu em esquecimento, relata a agência Efe.

Foi um sorte para os cientistas, já que a cripta, com uma temperatura constante de entre 8 e 11 graus, uma humidade relativa de 90% e uma ligeira corrente de ar, reuniu as condições perfeitas para que os cadáveres se mumificassem de forma natural.

Diz Szikossy que mesmo os órgãos internos ficaram bem conservados, o que permite análises de ADN das bactérias da tuberculose persentes nos corpos.

“Assim, tornam-se possíveis novos caminhos de investigação médica”, que podem ser utilizadas pela medicina moderna, realçou.

As informações obtidas revestem-se ainda de maior importância se se considerar que as bactérias analisadas remontam a uma época anterior ao uso dos antibióticos, o que quer dizer que ainda não sofreram as mutações geradas por esses medicamentos, tornando possível estabelecer comparações.

A tuberculose fez 1,5 milhões de mortes entre os 09 milhões de pessoas que contraíram a doença em todo o mundo em 2013, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Investigadores brasileiros
Investigadores da Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, desenvolveram um sistema híbrido à base de hidrogel, com baixa...

O sistema foi desenvolvido por investigadores do Instituto de Biologia (IB) e do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e procura uma melhoria na qualidade de vida dos pacientes com cancro na próstata, tendo como principais características tanto o efeito anti-tumoral como a baixa toxicidade, atenuando os efeitos secundários.

“Quem dita o efeito anti-tumoral é a nanoestrutura, que interage com proteínas que estão no sangue e no abdómen, local escolhido para a aplicação. Essas proteínas chegam até à célula tumoral e isso, somado ao efeito do fármaco, faz com que obtenhamos um efeito muito significativo”, explicou Wagner José Fávaro, professor do IB e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.

De acordo com este investigador, o processo “combina hidrogéis de polímeros biocompatíveis e nanopartículas mesoporas de sílicas incorporadas com fármacos” – libertados de forma controlada – para tratamento tumoral.

A própria nanoestrutura já exerce efeitos no tumor, mas é potencializada pela utilização dos medicamentos, explicou o investigador.

O processo obteve resultados satisfatórios em testes ‘in vivo’, em ratos de laboratórios. Durante um mês, os animais receberam, sistematicamente, injeções que continham o sistema híbrido à base de hidrogel e apresentaram uma diminuição no tamanho dos tumores e também baixa toxicidade, principalmente no coração.

“Não chegámos à cura do cancro, mas o tamanho dos tumores nestes animais foi reduzido, em todas as fases. Na fase inicial, conseguimos que o tumor fosse quase eliminado. Se este tratamento for prolongado ou associado a outros tipos de fármacos, podemos obter uma nova abordagem”, apontou Wagner José Fávaro.

Os investigadores tiveram como principal preocupação garantir a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento do cancro: “curar o cancro é um grande desafio, mas é importantíssimo que a gente consiga melhorar ou prolongar o processo e garantir que esse paciente tenha qualidade de vida, facto que está diretamente associado à toxicidade dos fármacos”.

Segundo o professor, o tratamento é inovador por utilizar a nanotecnologia aliada aos fármacos no combate ao cancro da próstata, revelando que em oncologia a nanotecnologia “ainda é pouco aplicada e tem utilização muito recente”.

“Em nenhum trabalho vimos a utilização da sílica em gel associada ao fármaco no tratamento do cancro de próstata. Em todos os tumores, há muito poucos trabalhos que utilizam essa versão da sílica em forma de gel, associada aos fármacos. Por isso, este hidrogel criado por nós é único”, afirmou.

A tecnologia encontra-se agora disponível para obtenção de licença.

João Faria Nunes
O médico João Faria Nunes toma hoje posse na Assembleia Legislativa da Madeira como secretário regional de Saúde, depois da...

A entrada de João Faria Nunes é a primeira substituição do XII Governo Regional, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque, após cerca de 100 dias da tomada de posse do executivo saído das eleições legislativas regionais antecipadas de 29 de março.

O novo responsável pela pasta da Saúde na Madeira é licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e assistente graduado da carreira médica hospitalar de Urologia no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira.

Possui ainda uma pós-graduação em Gestão de Unidades de Saúde pela Universidade Católica, era desde abril adjunto da direção clínica do Hospital do Funchal e tem exercido medicina privada.

No sábado, o gabinete do chefe do executivo anunciou, em comunicado, que o anterior secretário regional da Saúde apresentara o seu pedido de exoneração "em virtude das notícias vindas a público" e que este tinha sido aceite pelo presidente do Governo Regional.

A mesma nota adiantava que Miguel Albuquerque tinha convidado o médico João Faria Nunes para ocupar o cargo.

A edição impressa de sábado do Diário de Notícias da Madeira dava conta de que Manuel Brito omitiu participações em duas clínicas privadas em que tinha quotas de valores residuais.

Segundo o matutino madeirense, na Clínica da Sé está em causa uma participação de 0,008%, ao passo que, em relação à Clínica de Santa Catarina, Manuel Brito disse não ter atualmente qualquer participação, mas não revelou que teve uma até meados do mês de julho.

Manuel Brito afirmou já tratar-se de um “lapso” na declaração de rendimentos.

A tomada de posse decorrerá pelas 16:00 na sala de reuniões da Conferência dos Representantes dos Grupos Parlamentares da Assembleia Legislativa.

Ébola
A Organização Mundial de Saúde considera possível acabar com a epidemia de Ébola na África Ocidental antes do final do ano, mas...

"O maior risco é mostrar uma euforia irracional ou criar expetativas irreais", afirmou Bruce Aylward, máximo responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) pela resposta à epidemia, citado pela agência espanhola EFE.

O também diretor-geral adjunto da organização assumiu que embora os dados recolhidos no terreno demonstrem que o trabalho feito nos últimos 18 meses tem dado resultados, ainda é irrealista dizer que se alcançará o objetivo de ter "zero casos" a curto-prazo.

Na semana passada registaram-se apenas dois casos entre os três países afetados, e pela primeira vez não se registaram falecimentos entre as comunidades, sendo contada uma morte apenas, de um doente internado.

"Dois casos não são zero, e não vão ser zero nas próximas semanas", acrescentou o especialista, alertando que os serviços de saúde ainda não contam totalmente com o apoio das comunidades, uma vez que há quem oculte o seu estado, fuja e infete outros.

"Há muita gente ainda com medo, que sabem que não vão sobreviver e que querem morrer na sua terra, com a sua gente", explicou.

O responsável apelou a ter paciência, a não baixar a guarda e a continuar a acreditar que é possível "acabar" com o vírus, mas sem criar nenhuma expetativa a curto prazo.

"Parar a transmissão do vírus este ano é um objetivo realista, mas ninguém deve anunciar um prazo, porque ainda há muitos desafios a ultrapassar", concluiu.

Há atualmente 1.900 pessoas internadas e em quarentena por terem tido contacto com infetados.

O primeiro caso do surto recente de Ébola terá sido na Guiné-Conacri em dezembro de 2013, e o vírus rapidamente chegou aos países vizinhos, Libéria e Serra Leoa.

Em apenas um ano e meio, o vírus infetou 27.787 pessoas, causando 11.294 mortes.

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