Novo fármaco inovador
Um fármaco inovador demonstrou eficácia na redução do melanoma e suas metástases, segundo dados de um ensaio retrospectivo de...

“O melanoma permanece uma doença devastadora e difícil de tratar, e o talimogene laherparepvec continua a demonstrar resultados neste setting”, referiu Sean E. Harper, Vice-presidente Executivo de I&D da Amgen. Uma análise retrospectiva de um ensaio com uma imunoterapia oncolítica em desenvolvimento pela Amgen, em doentes com melanoma metastizado, demonstrou que o novo fármaco, denominado talimogene laherparepvec (TVEC), reduziu significativamente a dimensão do tumor.

Os resultados preliminares deste ensaio de fase 3 permitiram observar a resposta tumoral de 295 doentes tratados com T-VEC (injecção directa sobre a lesão), com melanomas não ressecáveis de estadio IIIB, IIIC ou IV, comparativamente ao tratamento com factor estimulante de colónias de granulócitos-macrófagos- (GM-CSF). Foram monitorizadas perto de 4 mil lesões tumorais para esta análise. Metade das lesões foram injectadas directamente com T-VEC pelo menos uma vez, enquanto as restantes não foram injectadas, incluindo lesões tumorais viscerais (metástases envolvendo órgãos sólidos, como o pulmão e o fígado).

Os resultados demonstraram uma redução da dimensão do tumor igual ou superior a 50%, em 64% das lesões injectadas. Além disso, um terço dos tumores não-viscerais não injectados e 15 % das metástases viscerais também sofreram uma redução de pelo menos 50 %. Durante o estudo foram realizadas 35 cirurgias relacionadas com melanoma, em 30% das quais foi possível remover com sucesso toda a doença residual.

Activar a resposta imunitária anti-tumoral

O T-VEC é uma imunoterapia oncolítica experimental, desenhada para se replicar selectivamente no tecido tumoral onde é injectado directamente e iniciar posteriormente uma resposta imunitária sistémica anti-tumoral. O fármaco injectado directamente no tecido tumoral replica-se preferencialmente nas células tumorais causando a morte destas células, libertando ainda uma variedade de antigénios derivados de tumores capazes de desencadear uma resposta imunitária. O T-VEC foi ainda desenvolvido para expressar o factor estimulante das colónias dos macrófagos-granulócitos (GM-CSF), um factor de crescimento das células brancas do sangue que contribuem para a actividade do sistema imunológico. O objectivo desta combinação de acções é iniciar uma resposta imunitária anti-tumoral sistémica que tem como alvo células tumorais disseminadas no organismo (as metástases).

 

Sobre o melanoma

É um tipo de cancro da pele caracterizado por um crescimento descontrolado dos melanócitos, as células responsáveis pela pigmentação da pele. É um dos cancros da pele mais agressivos e graves.

Actualmente surgem 132.000 novos casos de melanoma no mundo por ano, cerca de 1.100 novos casos em Portugal por ano (dados Globocan 2012) e tem vindo a aumentar nos últimos anos. O melanoma representa 3,1% dos casos de cancro na Europa (União Europeia a 28), tem uma incidência estimada de 10,2 novos casos por 100 mil habitantes por ano (taxa ajustada pela idade) e é o cancro da pele que causa maior número de mortes relacionadas com a doença. A incidência de melanoma em Portugal é de 6,7 novos casos por 100 mil habitantes por ano (taxa ajustada pela idade), representa 2,2% dos novos casos de cancro e tem maior incidência no sexo feminino (1,6% no sexo masculino e 3,1% no sexo feminino).

 

África:
Uma equipa de arqueólogos britânicos descobriu arteriosclerose em esqueletos africanos com 3 mil anos, o que, a seu ver,...

Os esqueletos - de três homens e duas mulheres - foram encontrados numa sepultura de uma comunidade agrícola que vivia perto do rio Nilo, numa zona que hoje corresponde ao Sudão, noticia o Diário Digital.

Entre os ossos preservados na areia, em Amara West, a 750 quilómetros a norte de Cartum, a equipa liderada pela bioarqueóloga Michaela Binder, da Universidade de Durham, identificou indícios de arteriosclerose, pequenas amostras de placa calcificada, que terá forrado as artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo.

“As placas arteriais calcificadas nestes esqueletos com 3 mil anos demonstram que a arteriosclerose não é só um problema causado pelo nosso actual estilo de vida, mas também pode estar relacionada com a inflamação, o historial genético e o envelhecimento em geral”, sustentou Michaela Binder.

Os esqueletos analisados eram de pessoas entre os 35 e os 50 anos - relativamente idosas para a época - e de diferentes classes sociais. Não se sabe se a arteriosclerose, que pode originar doenças cardiovasculares graves, contribuiu para a sua morte.

Os investigadores defendem que o fumo pode ter desempenhado um papel importante no desenvolvimento da arteriosclerose, uma vez que os nativos usavam grandes fogueiras para cozinhar ou fabricar objectos de cerâmica e metal.

Para os peritos, a pouca saúde dental revelada pelos esqueletos pode estar relacionada com a doença, tal como hoje problemas nas gengivas podem ser indicadores de doenças cardiovasculares.

Charlotte Roberts, que também participou na investigação, destacou a importância do cemitério de Amara West “para a preservação de provas sobre doenças”.

Anteriormente, a equipa de Michaela Binder descobriu num outro esqueleto enterrado no mesmo sítio, datado de 1.200 a.C., indícios de cancro com metástases.

“O mais importante nestas descobertas é que demonstram que os factores que levam a estas doenças não são só produto da vida moderna, mas também de factores ambientais que podem ter existido durante milhares de anos”, assinalou Michaela Binder.

Os resultados da descoberta da sua equipa foram publicados na revista International Journal of Palaeopathology.

A arteriosclerose, definida pelo endurecimento progressivo da parede das artérias, difere da aterosclerose, caracterizada pela formação de ateromas, constituídos sobretudo por lípidos e tecido fibroso, nos vasos sanguíneos.

 

Director-Geral assegurou:
O director-geral da Saúde assegurou que Portugal está preparado para lidar com um eventual caso de Ébola que chegue ao país,...

“Desde o início do alerta da Organização Mundial da Saúde mandámos dizer a todas as regiões do país para estarem preparadas para a eventualidade de um doente que tenha estado nas últimas três semanas nas zonas onde o vírus está em actividade e que tenham em atenção as normas de isolamento. Estamos inteiramente preparados para tal”, disse Francisco George.

Um caso suspeito de vírus do Ébola, num português que esteve recentemente na Libéria, foi registado em Portugal nos últimos dias, mas as análises laboratoriais afastaram já essa hipótese. “Foi a única situação portuguesa que impôs estudos especializados”, adiantou o director-geral da Saúde, acrescentando que, em conjunto com o INEM, já estava a ser preparado todo o circuito em termos de isolamento para o doente.

Mas, entretanto mais resultados revelaram-se negativos para o vírus do Ébola.

O cidadão português tinha estado na Libéria, um dos países com casos suspeitos de febre hemorrágica, alguns mortais, com contaminações originárias da Guiné Conacri, onde o surto do vírus Ébola já fez 86 vítimas mortais.

De acordo com Francisco George, a preocupação das autoridades “tem a ver com a facilidade de viagens” de países como a Guiné ou a Libéria : “Em pouco menos de quatro horas um cidadão pode estar em Lisboa. É necessário criar medidas de urgência para impedir a actividade do vírus a partir de um eventual caso que tenha chegado. E estamos preparados. Há um plano para tal e que é activado quando for necessário”.

 

Investigadores descobrem
Uma equipa internacional de investigadores descobriu que uma determinada alteração cromossómica aumenta em 2700 vezes o risco...

O estudo publicado na revista Nature descreve os mecanismos cromossómicos que estão subjacentes a um subtipo de leucemia aguda com mau prognóstico, caracterizada pelo aumento do número de cópias (amplificação) de genes do cromossoma 21.

A investigação internacional teve a participação do Serviço de Genética do IPO-Porto e revela que “os indivíduos que são portadores de uma fusão entre os cromossomas 15 e 21 têm uma predisposição muito aumentada (2700 vezes) para aquele tipo de leucemia”.

“Este risco aumentado relaciona-se com o facto de aquele cromossoma alterado ter dois centrómeros, o que faz com que possa ser puxado simultaneamente para as duas células filhas durante a divisão celular. Este processo origina várias quebras cromossómicas que resultam em alterações genéticas mais complexas que depois originam a leucemia”, explicou o director do Serviço de Genética do IPO/Porto, Manuel Teixeira.

Esta descoberta “ajuda a perceber que quem tem estas alterações cromossómicas, que são herdadas, tem maior predisposição para este tipo de leucemia, permitindo, assim, que as pessoas fiquem mais atentas e possam fazer uma vigilância mais apertada”, disse Manuel Teixeira.

Os portadores dessa anomalia genética, “poderão fazer uma espécie de rastreio (uma análise ao sangue) regularmente para garantir que a doença é detectada o mais cedo possível, permitindo-lhes iniciar o tratamento precocemente”. O investigador Manuel Teixeira salientou que “não é certo que todos os indivíduos com esta alteração cromossómica venham a sofrer de leucemia, embora o risco seja muito elevado”.

Este trabalho mostra ainda que as pessoas que não têm aquela alteração cromossómica podem também desenvolver este tipo de leucemia por um mecanismo cromossómico ligeiramente diferente, mas a probabilidade de tal ocorrer é muito inferior.

A leucemia linfoblástica aguda é o tipo de cancro mais comum em crianças e o subtipo de leucemia associada a amplificação de genes do cromossoma 21 representa cerca de 2% dos casos.

Os tipos de leucemia mais comuns em crianças estão associados a outras alterações cromossómicas identificadas anteriormente e apresentam taxas de sobrevivência acima de 90%, mas o subgrupo causado por amplificação de genes do cromossoma 21 têm ainda relativamente mau prognóstico. Por não ser uma alteração muito comum, o investigador explicou que foi necessário reunir vários casos, envolvendo a participação de laboratórios do Reino Unido, França, Bélgica, EUA e Portugal.

A doença causada por parasitas
A malária é uma doença infecciosa, causada por parasitas, transmitida por mosquitos.
Malária

A malária, ou paludismo, é uma infecção dos glóbulos vermelhos causada pela picada do mosquito Anopheles fêmea infectado, por uma transfusão de sangue contaminado ou então por uma injecção dada com uma agulha previamente utilizada numa pessoa infectada.

Existem quatro espécies de parasitas - Plasmodium vivaxPlasmodium ovalePlasmodium falciparum ePlasmodium malariae - que podem infectar os humanos e causar paludismo. O Plasmodium vivax e o Plasmodium falciparum são as formas mais comuns, sendo o Plasmodium falciparum o tipo mais mortífero da infecção.

O ciclo de vida do parasita começa quando um mosquito fêmea pica um indivíduo infectado. O mosquito aspira sangue que contém parasitas do paludismo, os quais chegam às suas glândulas salivares. Quando o mosquito pica outra pessoa, injecta parasitas com a sua saliva. Uma vez dentro da pessoa, os parasitas depositam-se no fígado, onde se multiplicam. Amadurecem no decurso de 2 a 4 semanas e depois abandonam o fígado e invadem os glóbulos vermelhos. Os parasitas multiplicam-se dentro dos glóbulos vermelhos, o que finalmente faz com que eles rebentem.

Plasmodium vivax e o Plasmodium ovale podem permanecer nas células do fígado enquanto vão, periodicamente, libertando parasitas maduros para a corrente sanguínea, provocando ataques com os sintomas do paludismo. Já o Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae não permanecem no fígado. Contudo, se a infecção não for tratada ou receber um terapêutica inadequada, a forma madura do Plasmodium falciparum pode persistir na corrente sanguínea durante meses e a forma madura do Plasmodium malariae durante anos, provocando ataques repetidos com os sintomas do paludismo.

Actualmente, a malária é endémica em mais de 100 países, sobretudo nos continentes Africano, Asiático e Sul-Americano, visitados anualmente por mais de 125 milhões de viajantes. Por isso, cerca de 3 mil milhões de pessoas – principalmente nos países mais pobres – encontram-se em risco permanente de contrair a malária.

Sabe-se que, por ano, cerca de 30.000 viajantes adoecem por malária após o regresso a casa, e um número indeterminado adoece na própria viagem. Provoca mais de 500 milhões de casos agudos e pelo menos 2 milhões de mortes por ano. É também a principal causa de febre no viajante. 

Sintomas
Os sintomas surgem aproximadamente 9 a 14 dias após a picada do mosquito, embora este intervalo possa variar com o tipo de Plasmodium.

Os sintomas típicos da infecção pela malária são febre, dores de cabeça, vómitos e outros sintomas idênticos aos da gripe. Se não for tratada, a infecção poderá progredir rapidamente e colocar em risco a vida do doente. Os sintomas subsequentes e os padrões que a doença segue variam para cada tipo de paludismo.

A malária pode matar ao infectar e destruir os glóbulos vermelhos (anemia) e bloquear os capilares que transportam sangue para o cérebro (malária cerebral) ou outros órgãos importantes. 

Diagnóstico
O médico suspeita que um indivíduo apresenta malária quando este tem ataques periódicos de calafrios e febre sem causa aparente. A suspeita é maior se, durante o ano anterior, a pessoa visitou alguma zona na qual o paludismo é frequente e se, além disso, o seu baço aumentou de volume.

O facto de se identificar o parasita numa amostra de sangue confirma o diagnóstico. É possível que sejam necessárias mais do que uma amostra para estabelecer o diagnóstico, porque a taxa de parasitas no sangue varia com o passar do tempo. O resultado do laboratório deve identificar a espécie de Plasmodium encontrado no sangue, porque o tratamento, as complicações e o prognóstico variam conforme a espécie. 

Complicações
Em geral, se a malária não for tratada, aparece icterícia ligeira e o fígado e o baço aumentam de volume. É frequente que a concentração de açúcar no sangue (glicose) diminua ainda mais nas pessoas que têm uma grande quantidade de parasitas. Os valores de açúcar no sangue podem descer posteriormente naqueles que são tratados com quinina.

Se um indivíduo não receber tratamento, os sintomas da malária por Plasmodium vivax, por Plasmodium ovale ou por Plasmodium malariae regridem espontaneamente em 10 a 30 dias, mas podem recorrer com intervalos variáveis. No entanto, no paludismo por Plasmodium vivax pode haver delírio quando a febre estiver alta, mas, se não for esse o caso, os sintomas cerebrais não são frequentes.

Na malária por Plasmodium falciparum pode verificar-se uma alteração da função cerebral, complicação denominada por malária cerebral. Os sintomas consistem em febre de pelo menos 40ºC, dor de cabeça intensa, vertigens, delírio e confusão. O paludismo cerebral pode ser mortal. Em geral afecta as crianças, as mulheres grávidas e os turistas que se dirigem para zonas de alto risco. O paludismo por Plasmodium falciparum é mortal, chegando a 20 por cento dos afectados.

A febre hemoglobinúrica é uma complicação rara do paludismo causada pela ruptura de uma grande quantidade de glóbulos vermelhos. Em seguida liberta-se um pigmento vermelho (hemoglobina) na corrente sanguínea. A hemoglobina, que é logo excretada com a urina, faz com que esta apresente uma cor escura. Esta febre ocorre quase exclusivamente nos doentes com malária crónica por Plasmodium falciparum, especialmente nos que foram tratados com quinina. 

Prevenção
A prevenção da malária é feita à base de medicação profiláctica, indicada pelo seu médico da Consulta de Aconselhamento ao Viajante. O medicamento começa a ser tomado antes e continua depois de se abandonar a zona. Esta medida terapêutica profiláctica previne apenas a infecção do agente mais perigoso, o Plasmodium falciparum. As outras espécies não são prevenidas pelos esquemas quimioprofiláticos utilizados. No entanto, nenhum regime é 100% eficaz, mesmo para o Plasmodium falciparum. Portanto, as medidas gerais têm um papel fundamental na prevenção da doença, e devem ser sempre realizadas, mesmo com uso de medicamentos.

Os turistas que tenham febre entre o 7º dia de estadia em país endémico ou até 3 meses após, deverão ser examinados de imediato por um médico. Atrasos de mais de 24h no diagnóstico e tratamento podem ser fatais. 

Medidas gerais
- Evitar exposição nos períodos de maior actividade do mosquito - ao amanhecer e ao entardecer;
- Usar roupas compridas evitando áreas de pele descoberta e usar calçado fechado;
- Evite as cores escuras que atraem os mosquitos;
- Utilizar repelentes de insectos (de preferência com DEET, IR3535 ou icaridina) na pele e roupa, reaplicando várias vezes ao longo do dia);
- Aplicar rede mosquiteira na cama, se possível impregnada com insecticida;
- Utilize redes de protecção de portas e janelas, especialmente concebidas para impedir os mosquitos de entrar nas casas;
- O ar condicionado (quando possível) é um método bastante eficaz de afastar os mosquitos do quarto. 

Dados para recordar acerca da malária
- Os medicamentos preventivos não são 100 por cento eficazes.
- Os sintomas podem começar um mês ou mais depois de o indivíduo ter sido infectado por uma picada de mosquito.
- Os primeiros sintomas são inespecíficos e costumam confundir-se com o da gripe.
- É importante estabelecer um diagnóstico rapidamente e começar o tratamento, particularmente para a malária por P. falciparum, que é mortal, chegando a 20 por cento das pessoas infectadas. 

Sintomas e tipos de malária 

Malária por P. vivax e por P. ovale
Um ataque pode começar bruscamente com um calafrio intenso, seguido de sudação e febre que aparece e desaparece. No decurso de uma semana, fica estabelecido o padrão típico de ataques intermitentes. Um período de dor de cabeça e mal-estar pode ser seguido de arrepios intensos. A febre dura de 1 a 8 horas. Uma vez que ela regride, a pessoa sente-se bem, até aparecerem os calafrios seguintes. No caso do paludismo por P. vivax, os ataques costumam surgir todas as 48 horas. 

Malária por P. falciparum
Um ataque pode começar por calafrios. A temperatura sobe gradualmente, para depois baixar de forma brusca. O ataque pode durar de 20 a 36 horas. A pessoa pode sentir-se mais doente do que com o paludismo por P. vivax, além de sofrer de uma dor de cabeça intensa. Entre os ataques, durante intervalos que oscilam entre as 36 e as 72 horas, podem sobrevir sintomas depressivos e manifestar-se um pouco de febre. 

Malária por P. malariae
Um ataque costuma começar bruscamente. O referido ataque é semelhante ao do paludismo por P. vivax, mas aqui repete-se cada 72 horas.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Doença hemorrágica viral
Saiba se o país para onde vai viajar se inclui na lista dos afectados por esta doença potencialmente
Febre-amarela

A febre-amarela é uma doença hemorrágica viral de elevada mortalidade causada por um vírus do género Flavivírus que é transmitido através da picada de um tipo de mosquito (Aedes) infectados.

Esta doença existe endemicamente nas regiões tropicais da América do Sul e África Sub Saariana e frequentemente ocorrem epidemias que podem infectar mais de 20 por cento da população não vacinada. Por isso, a taxa de mortalidade desta doença varia entre 15 e mais de 50 por cento, sendo que metade dos doentes infectados com a forma mais grave da doença morre dez a 14 dias após a infecção.

Os sintomas surgem 3 a 6 dias depois da picada do mosquito infectado. As manifestações da doença são muito variadas, daí a dificuldade em reconhecer precocemente a doença, e vão desde o indivíduo sem sintomas até disfunção orgânica generalizada.

Febre alta, calafrios, mau estar geral, dores de cabeça e dores musculares, vómitos e falta de apetite são os sintomas predominantes na fase inicial da infecção; estes sintomas duram 4 ou 5 dias e na maioria das pessoas passam espontaneamente. Num pequeno número de pessoas, a infecção progride para um quadro de falência de diversos órgãos, com icterícia e insuficiência hepática, hemorragias, insuficiência renal, alterações do estado de consciência, convulsões, coma e morte. O termo "amarela” vem da cor que a pele e os olhos adquirem nas situações mais graves, devido à icterícia.

Não há tratamento específico para esta doença, contudo existe uma vacina eficaz na prevenção da infecção e deve ser aplicada no mínimo 10 dias antes da viagem para zonas de risco, devendo ser feito um reforço da mesma a cada dez anos. Esta vacina protege contra um vírus transmitido, em África, pela picada do mosquito do género Aedes e, na América do Sul, também por mosquitos do género Haemagogus.

A vacina da febre-amarela está indicada para pessoas que viajem para zonas endémicas, mas não deve ser administrada nos seguintes casos:

- Se estiver doente com febre superior a 38ºC;
- Se teve uma reacção alérgica muito grave a uma dose anterior ou se é alérgico a uma substância que se sabe estar presente na vacina. Neste caso, pessoas com alergia às proteínas do ovo não devem tomar esta vacina;
- Grávidas;
- Se tiver o sistema imunitário debilitado, nomeadamente doentes com VIH, em fase avançada;
- Crianças com idade inferior a nove meses. Os casos de crianças entre os seis e oito meses que não possam evitar ou adiar a viagem para zonas endémicas deve ser avaliada por um especialista em medicina do viajante;
- Pessoas com mais de 65 anos devem também avaliar a hipótese de vacinação com o seu médico em função do risco de exposição ao vírus.

Após a vacinação, pode surgir febre e um nódulo duro, avermelhado ou doloroso no local de aplicação da vacina. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, apenas 2 ou 5 por cento dos vacinados apresentam outras reacções como dores de cabeça ou dores musculares. Em casos raros, pode provocar encefalite ou insuficiência hepática.

Caso, após a sua toma, surjam sintomas como febre elevada ou sintomas característicos de uma reacção alérgica grave como falta de ar, fraqueza, ritmo cardíaco acelerado, palidez, tonturas ou urticária, deve procurar ajuda médica.

São também aconselhadas medidas gerais, como a aplicação de repelente e uso da rede mosquiteira, para diminuir a exposição aos mosquitos.

Lista de países onde existe risco de transmissão desta doença.
África: Angola, Benin, Burkina-Faso, Burundi, Camarões, Chade, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Quénia, Ruanda, República Central Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Tanzânia, Togo, Trinidad e Tobago, Uganda, América do Sul e Central: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Doença transmitida por mosquitos
A encefalite japonesa é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos, e apesar de a maioria das i

A encefalite japonesa é uma doença inflamatória do sistema nervoso central, causada por um vírus (da família dos Flaviviridae) transmitido por mosquitos. A doença é transmitida ao homem, pela picada de um mosquito, que pica no exterior das habitações, desde o anoitecer ao amanhecer, sendo a picada dolorosa. O mosquito usa como locais de postura as zonas alagadas dos campos de cultivo de arroz, zonas pantanosas e pequenas colecções de águas paradas.

Segundo dados disponíveis (consultaviajante.ufp.edu.pt), o vírus da encefalite japonesa é responsável por cerca de 45.000-50.000 casos reportados anualmente, sendo também a forma de encefalite epidémica e esporádica mais importante, nas regiões tropicais da Ásia. Nas regiões temperadas, o risco é maior nas zonas rurais, durante a época das chuvas e no início da estação seca. Na Indonésia e, provavelmente, em Timor Loro´sae, a transmissão ocorre todo o ano, sendo o risco de doença mais elevado de Novembro a Março.

Nos locais onde a doença é endémica é, sobretudo, uma doença pediátrica, embora quando contraída no decurso de uma viagem, qualquer grupo etário pode ser afectado. No entanto, o risco para os viajantes é extremamente baixo (1 para 1 milhão) dependendo da estação do ano, do destino, da duração e do tipo de actividades durante a viagem, mas a taxa de mortalidade é elevada, situando-se entre os 15-40 por cento.

Não existe tratamento específico, apenas sintomático, por isso a prevenção é fundamental e consiste na evicção da picada do mosquito e na administração da vacina. 

Sintomas
As manifestações clínicas variam de um simples episódio febril a meningite asséptica ou encefalite grave, com morte. Quando sintomática, a taxa de mortalidade é de 10 a 70 por cento, com muitos dos sobreviventes a apresentarem sequelas neurológicas.
Contudo, a maioria dos casos (cerca de 90 por cento) não manifesta sintomas. Caso ocorram, nas infecções ligeiras, verificam-se dores de cabeça acompanhadas por febre, dores no corpo e fraqueza. Quando sintomáticas, o período de incubação é de 4-14 dias

Nos casos mais graves, a infecção progride rapidamente com febre alta e sinais de meningite. A encefalite desenvolve-se durante uma fase mais avançada da doença e pode resultar em coma, lesões neurológicas permanentes ou morte. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), cerca de 30 por cento dos casos graves são fatais. 

Prevenção
A vacina está recomendada a viajantes com estadias prolongadas em área endémica, sobretudo se incluir a época de maior transmissão ou estadias de curta duração se o destino inclui áreas rurais, durante a monção, em que se preveja um grande número de actividades fora de casa.

A vacina é constituída por vírus inactivado, e são fornecidas 3 doses, segundo o esquema 0, 7 e 28 dias (ou quando o tempo de espera assim não o permite, aos 0, 7 e 14 dias); duas doses fornecem imunidade em 80 por cento dos casos, enquanto o esquema completo de 3 doses, 95 por cento. Recomenda-se que a vacina seja feita cerca de dez dias antes de partir em viagem. O reforço é feito 1 ano após e, subsequentemente, de 3 em 3 anos quando for necessária uma protecção continuada.

Geralmente, as vacinas não causam reacções secundárias significativas, podendo verificar-se apenas febre, dores de cabeça, náuseas e vómitos e o aparecimento de um nódulo duro, avermelhado e doloroso no local de aplicação da vacina. Em casos mais graves, pode causar hipotensão e colapso.

Caso, após a sua toma, surjam sintomas como febre elevada ou sintomas característicos de uma reacção alérgica grave como falta de ar, fraqueza, ritmo cardíaco acelerado, palidez, tonturas ou urticária, deve procurar ajuda médica.

A vacina não deve ser administrada nos seguintes casos:
- Se estiver doente com febre superior a 38º;
- Se tiver uma reacção alérgica muito grave a uma dose anterior ou a uma substância que se sabe estar presente na vacina;
- Pessoas com o sistema imunitário debilitado;
- Grávidas e crianças menos de 12 meses – No caso de se verificar a impossibilidade de evitar ou adiar a viagem, a aplicação da vacina deve ser discutida com o médico especialista em Medicina do Viajante;

Para além da vacina é aconselhável a adopção de medidas gerais preventivas, mesmo estando vacinado, como evitar a exposição nos períodos de maior actividade do mosquito - ao amanhecer e ao entardecer; usar roupas compridas evitando áreas de pele descoberta e usar calçado fechado; utilizar repelentes de insectos com aplicações regulares ao longo do dia; usar rede mosquiteira na cama, se possível impregnada com insecticida; usar o ar condicionado, sempre que possível, pois é um método bastante eficaz para afastar os mosquitos do quarto. 

Zonas do mundo afectadas
A encefalite japonesa é a principal causa de encefalite viral na Ásia e ocorre na maioria dos países asiáticos. Dados revelados pela Organização Mundial de Saúde indicam que a incidência da doença tem diminuído no Japão, na Península Coreana e em algumas regiões da China.

Os países com mais casos e com maior índice de transmissão da encefalite japonesa são a Índia, Nepal, Paquistão, Vietname, norte da Tailândia, Indonésia e Timor. A infecção ocorre principalmente em zonas de clima tropical, nas épocas de chuva, nomeadamente durante o Verão e o Outono.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Sem vacina ou terapêutica preventiva
Segundo os especialistas, a dengue será, no futuro, a principal doença tropical emergente nos países
Dengue

A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus transmitido ao homem pela picada do mosquito do género Aedes (sendo o mais importante vector o Aedes aegypti) e que pode conduzir à morte. O mosquito pica durante o dia, sobretudo no período do amanhecer e antes do pôr-do-sol. Não existe transmissão pessoa a pessoa.

Na maioria dos casos a doença é auto-limitada, com os doentes a recuperar após alguns dias sem necessidade de tratamento, podendo até não originar sintomas. No entanto, em situações mais grave, a dengue hemorrágica, pode conduzir à morte.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, actualmente, entre 2,5 a 3 biliões de pessoas vivem em áreas com risco de infecção por dengue. A dengue existe nas regiões tropicais e subtropicais da América Central e do Sul, África e sudeste da Ásia, e mais recentemente em certas regiões da Austrália e do continente Norte-Americano, acarretando, por isso, risco de transmissão ao viajante.

Actualmente não existe vacina ou terapêutica preventiva disponíveis. Por isso, a prevenção da doença em áreas de risco baseia-se exclusivamente nas precauções gerais. O diagnóstico rápido e fiável é hoje possível graças ao Teste de Imunocromatografia para a Dengue. Através da centrifugação de uma amostra de sangue é obtido o soro que é colocado neste kit de teste, juntamente com um reagente que se vai ligar ao soro. Em apenas 15 a 20 minutos obtém-se o resultado que é indicado por linhas coloridas. 

Diferentes manifestações
Na primeira vez que se é infectado é possível observar um quadro clínico que pode ir de assintomático até uma crise aguda, com febre elevada, intensas dores ósseas, dores musculares e articulares e cansaço intenso. A recuperação é normalmente lenta, podendo passar semanas ou meses até um completo restabelecimento da doença.

Quando se é infectado pela segunda vez, pode acontecer não desenvolver a doença, ganhar imunidade, promovida pela infecção anterior, caso tenha sido infectado pelo mesmo tipo (ou serotipo) de vírus da dengue - existem quatro serotipos. O problema maior surge quando se é infectado novamente mas por um serotipo de vírus do dengue diferente do anterior, podendo desenvolver uma doença muito mais grave, com manifestações hemorrágicas e possibilidade de evolução fatal: a dengue hemorrágica.

Ou seja, os sintomas da dengue clássica podem assemelhar-se aos de uma gripe intensa e incluem febre alta de início súbito, dores de cabeça, dores retro-oculares, dores musculares e articulares, náuseas e vómitos, manchas na pele e erupção cutânea. Já na dengue hemorrágica, os principais sintomas são dores abdominais severas e contínuas, dor no fígado (debaixo das costelas, do lado direito), tonturas, desmaio, pele fria e pegajosa, suores frios, hemorragias, sangramentos do nariz, boca ou gengivas, pulso fraco e rápido e sede excessiva. Com tratamento de suporte adequado e atempado, a mortalidade com esta forma de dengue pode ser inferior a 1 por cento. 

Prevenção
Não existe, actualmente, nenhuma vacina, medicação profiláctica ou tratamento específico para a dengue. Por isso, todos os tratamentos possíveis são apenas para alívio dos sintomas: o repouso, a hidratação, os antipiréticos e os analgésicos (sempre paracetamol, porque a aspirina e derivados estão contra-indicados, pelo risco de agravarem possíveis hemorragias).

Para evitar a doença deve manter-se distância dos locais habituais de reprodução do mosquito, ou seja, qualquer recipiente usado para juntar ou armazenar água. Alguns locais frequentes são pratos e vasos de plantas, panelas cisternas, garrafas, latas, pneus abandonados e calhas de telhado. A fêmea do mosquito coloca os seus ovos nesses recipientes com água e em redor de casas, escolas e outras áreas urbanas.

Deve também adoptar as medidas habituais para evitar picadas de mosquitos, nomeadamente:
- Aplicar regularmente repelente de insectos nas partes do corpo expostas (cara, mãos, pescoço, orelhas, pés, tornozelos, etc.), particularmente a partir do entardecer. Os repelentes com a substância DEET são os mais eficazes.
- Usar roupas claras com mangas e pernas compridas. Pode-se também aplicar um repelente em spray directamente na roupa.
- Permanecer em locais com ar condicionado e/ou redes protectoras nas porta e janelas. Pode-se também aplicar o repelente do lado exterior das portas e janelas e utilizar um difusor eléctrico.
- Dormir debaixo de uma redes mosquiteiras, garantindo que nenhuma parte do corpo fica encostada à rede (redes rectangulares são mais seguras que triangulares).
- Eliminar quaisquer recipientes/reservatórios/locais de água parada (como os pratos dos vasos, baldes, caixotes do lixo abertos, entre outros) perto do local de estadia - locais onde se desenvolve o mosquito.

Em áreas endémicas para o dengue, em caso de aparecimento de sintomatologia suspeita - nomeadamente febre, até 15 dias após o último dia de viagem - o viajante deverá procurar imediatamente assistência médica. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde:
- Cerca de 2,5 bilhões de pessoas, ou dois quintos da população mundial, estão agora em risco de contágio com a dengue.
- A doença é agora endémica em mais de 100 países.
- A dengue hemorrágica é uma das principais causas de doença grave e morte entre crianças em alguns países asiáticos.
- Em 2007, havia mais de 890.000 casos notificados de dengue nas Américas, dos quais 26.000 casos foram de febre hemorrágica da dengue.
- As taxas de infecção da dengue entre as pessoas que não tenham sido anteriormente expostos ao vírus são geralmente 40 a 50 por cento durante as epidemias, mas podem, por vezes atingir os 80 a 90 por cento.
- Cerca de meio milhão de pessoas com dengue hemorrágica são hospitalizadas por ano, muitas das quais são crianças. Cerca de 2,5 por cento destes pacientes morrem.
- A fatalidade em relação à febre hemorrágica da dengue, pode exceder os 20 por cento se não tratada. Se houver acesso ao atendimento médico com profissionais de saúde treinados no tratamento da doença, a taxa de mortalidade pode ser inferior a 1 por cento.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Conheça as diferenças
Enquanto a dor aguda pode ser, geralmente, considerada como um sintoma de doença ou lesão, a dor cró
Dor crónica e dor aguda

A dor, e nomeadamente a dor crónica, pode ter um impacto significativamente negativo na qualidade de vida dos doentes e dos seus familiares.

Desde 2001, ano em que foi concebido o Plano Nacional de Luta Contra a Dor, que existem ou estão a ser criadas Unidades de Dor em hospitais de todo o país. O controlo eficaz da dor é um direito dos doentes que dela padecem, um dever dos profissionais de saúde e um passo fundamental na efectiva humanização das unidades de saúde.

A dor tem muitas faces. Pode ser pulsátil, contínua, cortante, difusa e até perfurante. A diferenciação destas formas diversas de manifestação é crucial para o tratamento, pois providencia pistas acerca da causa da dor e do local onde tem origem. É por essa razão que a dor também é dividida em subtipos de dor. Ou seja, pode ser classificada como dor nociceptiva, neuropática e psicossomática com base na sua causa e local de origem (ver abaixo).

Antes de poder ser realizado um diagnóstico, todas as causas orgânicas, isto é, todas as causas fisicamente detectáveis, devem ser primeiramente excluídas. Para o doente, isto significa frequentemente um percurso longo e frustrante até ao diagnóstico correcto e, assim, um longo percurso até ao tratamento da dor.

Habitualmente distingue-se a dor aguda da dor crónica, porque esta última inicia-se de maneira lenta e persiste mais do que seis meses. Em contraste com a dor aguda, a dor crónica foi desprovida da sua função protectora e de alerta e torna-se uma doença em si mesma.

Dor crónica

A Direcção-Geral da Saúde define dor crónica como uma dor prolongada no tempo, normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, que causa sofrimento, podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos.

Esta dor pode ser neuropática, nociceptiva, psicossomática (psicológica) e idiopática. É uma dor destrutiva, degrada a qualidade de vida do doente, altera as suas capacidades funcionais, afecta o bem-estar psicológico e espiritual, as relações interpessoais, promove o afastamento social, perturba o sono, altera o apetite, ocasiona depressão e perturbações psicomotoras. A dor crónica pode ser maligna ou não maligna e pode ser contínua ou intermitente.

Na Europa, atinge um em cada cinco adultos (19 por cento), e a sua prevalência está a aumentar. Um terço dos doentes europeus com dor crónica têm dor grave e quase metade têm dor constante.

Para estes doentes, a dor significa uma deficiência física, social e psicológica:
- Dois terços dos doentes com dor têm menor capacidade ou são incapazes de dormir;
- Cerca de 60 por cento dos doentes com dor crónica têm menor capacidade ou são incapazes de trabalhar fora das suas casas;
- A um em cada cinco doentes com dor crónica foi diagnosticada depressão em consequência da sua dor;
- Até 50 por cento dos doentes com dor crónica referiram uma capacidade reduzida para manter relacionamentos familiares e relações sexuais.

Além do impacto na qualidade de vida dos doentes, a dor crónica é também um fardo financeiro substancial para a sociedade, uma vez que constitui uma das formas de sofrimento de mais elevado custo nos países industrializados. Em toda a Europa, a dor crónica representa aproximadamente 500 milhões de dias de trabalho perdidos em cada ano, custando à economia europeia cerca de 34 mil milhões de euros. Um em cada 5 doentes com dor crónica perdeu um emprego em consequência da sua dor.

Dor Nociceptiva

A dor provocada por uma lesão ou dano tecidular é classificada como dor nociceptiva. Os receptores conhecidos como nociceptores são activados neste processo. Os nociceptores são “sensores da dor” que detectam estímulos da dor e transmitem-nos ao sistema nervoso central.

Sensação de dor que emana da pele, músculos, articulações, ossos ou tecido conjuntivo é classificada como dor somática. É de natureza cortante e, habitualmente, fácil de localizar. Se a dor tem origem nos órgãos internos, como no caso de ataque biliar ou apendicite, é conhecida como dor visceral. A dor visceral é frequentemente vaga, contínua e bastante difícil de localizar.

Dor neuropática

Em contraste com a dor nociceptiva, a dor neuropática não é provocada por dano tecidular, mas por lesão ou perturbação funcional no próprio nervo. A dor é descrita como queimadura, cortante e tipo choque eléctrico. Os factores que provocam a dor neuropática incluem perturbações metabólicas como a diabetes ou doenças infecciosas como a zona.

Dor psicossomática

Esta forma de dor não é baseada em causas orgânicas. A dor psicossomática é provocada por problemas psicológicos. Mas isto pode ser difícil de detectar.

Dor idiopática

Utiliza-se o termo “dor idiopática” para indicar que se desconhece a causa; o médico não encontra provas que sugiram uma doença nem uma causa psicológica.

Dor aguda

É uma dor que surge após uma lesão, é auto limitada e desaparece com a lesão. Uma dor aguda pode ser considerada como benéfica por constituir um alerta. Associa-se a uma resposta ao stress, com elevação da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, midríase e frequentemente a uma contracção muscular local. Quando uma dor aguda não é tratada conduz a uma resposta hormonal com alterações metabólicas e circulatórias, manifestando-se taquipneia, taquicardia, alargamento da pressão de pulso e aumento da actividade do sistema nervoso simpático (SNS), conduzindo ainda à libertação de corticosteróides e à alteração da resposta imunológica. Esta dor é frequentemente agravada pela ansiedade que gera e por espasmos musculares reflexos secundários. Há recomendações para que as dores agudas sejam tratadas energicamente.

A dor aguda é a resposta fisiológica normal e previsível a um estímulo prejudicial (nocivo). Pode ser claramente localizada e a sua intensidade correlaciona-se com o estímulo. Em contraste com a dor crónica, é de duração limitada e diminui com o fim da lesão ou com a cura. A dor aguda tem uma função protectora e de alerta. Indica que existem lesões e previne lesões adicionais, pois desencadeia reacções de evitação.

Tratamento da dor

A Organização Mundial de Saúde (OMS) salienta que na terapêutica da dor deve ser considerada a situação clínica para a selecção do tratamento a utilizar com ajuste em função das necessidades do doente.

Assim, a terapêutica da dor crónica deve ser efectuada "pelo relógio", isto é, com intervalos de tempo regulares, administrando-se uma dose adicional quando surge a dor eruptiva, isto é, quando surge um agravamento ocasional da dor.

O objectivo da terapêutica da dor crónica tem de ser a supressão da dor ou, se tal for impossível, iniciar o tratamento suficientemente cedo para prevenir o desenvolvimento da denominada “memória da dor”. A designação “memória da dor” descreve o fenómeno da persistência da dor apesar de a lesão já estar curada.

Devido à sua complexidade, a dor crónica requer abordagens diferenciadas e complementares, como tratamento físico e psicológico e terapêutica farmacológica. Isto inclui uma gama alargada de medicamentos para alívio da dor (analgésicos).

Dependendo da gravidade da dor, estão disponíveis tipos diferentes de analgésicos. São utilizados medicamentos não-opióides para o tratamento da dor ligeira. Estes são também denominados “analgésicos de acção periférica”, pois apresentam predominantemente efeitos periféricos.

Para os casos de dor mais grave, podem ser utilizados medicamentos opióides, também são denominados “analgésicos de acção central” (CAA), uma vez que apresentam principalmente efeito central (no cérebro ou medula espinal). Além disso, são utilizados analgésicos adjuvantes, quando tal for adequado. Os analgésicos adjuvantes são medicamentos cuja indicação principal não é o alívio da dor, contudo demonstram alguns efeitos analgésicos (por exemplo, antidepressores).

Já os casos de dor aguda pós-operatória podem ser tratados com opióides sendo a redução da dose efectuada posteriormente. Os Anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) estão indicados na dor ligeira a moderada. Idealmente, o alívio da dor aguda consiste na remoção o agente causal, no entanto são muitas as situações em que a abordagem analgésica deve ser instituída imediatamente antes do diagnóstico etiológico e de ser possível a remoção do agente causal.

Adicionalmente, o controlo da dor pode ser apoiado por abordagens não farmacológicas como estimulação nervosa eléctrica transcutânea (TENS), acupunctura ou hipnose.

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Associados a agentes biológicos
Saiba como prevenir as doenças profissionais causadas por agentes biológicos, como as bactérias, vír

Os factores de risco associados a agentes biológicos relacionam-se com a presença no ambiente de trabalho de microrganismos como vírus, bactérias, fungos, parasitas, germes, etc., normalmente presentes em alguns ambientes de trabalho, como hospitais, laboratórios de análises clínicas, recolha de lixo, indústria do couro ou locais de tratamento de efluentes líquidos.

No entanto, embora sejam frequente nas áreas de trabalho mencionadas, eles podem estar presentes em todo o tipo de trabalho, quer seja este efectuado ao nível produtivo e industrial, quer ao nível dos serviços.

Define-se como microrganismo qualquer entidade microbiológica, celular ou não celular, capaz de replicação ou de transferência de material genético, incluindo vírus, viróides e células animais e vegetais.

Também os microrganismos geneticamente modificados se apresentam como factor de risco associado a agentes biológicos e alvo de uma atenção particular. Podem penetrar no organismo do homem por via digestiva, respiratória, olhos e pele, e são responsáveis por diversas doenças profissionais graves como a hepatite, meningite ou a SIDA, mas também menos graves como infecções intestinais ou simples gripes

Prevenção
Como estes microrganismos se adaptam melhor e se reproduzem mais em ambientes sujos, as medidas preventivas a tomar terão de estar relacionadas com:

• A rigorosa higiene dos locais de trabalho e dos trabalhadores;
• Destruição destes agentes por processos de elevação da temperatura (esterilização) ou uso de cloro;
• Uso de equipamentos individuais de protecção para evitar contacto directo com os microrganismos;
• Ventilação permanente e adequada;
• Manutenção e limpeza dos sistemas de ventilação;
• Manutenção e limpeza dos equipamentos de trabalho;
• Controle médico constante;
• Vacinação sempre que possível;
• Formação e informação dos trabalhadores;
• Sinalização de segurança, etc.

A verificação da presença de agentes biológicos em ambientes de trabalho é feita por meio de recolha de amostras de ar e de água, que são depois analisadas em laboratórios especializados. 

Microrganismos geneticamente modificados
Com a evolução científico-tecnológica que se tem processado ao nível da biologia, mais precisamente com a introdução dos microrganismos geneticamente modificados no âmbito do trabalho, torna-se fundamental estudar qual o grau de perigosidade que estes representam para o ser humano.

Um microrganismo geneticamente modificado (MGM) define-se por um microrganismo cujo material genético foi modificado de uma forma que não ocorre naturalmente por reprodução sexuada e ou por recombinação natural.

Tal como nos restantes agentes biológicos o modo de penetração dos microrganismos geneticamente modificados no organismo do homem pode ocorrer por via digestiva, respiratória, olhos e pele, podendo originar, igualmente, algumas das doenças já mencionadas. No entanto, a perigosidade elevada deste género de microrganismos advém, exactamente, do tipo de doenças desconhecidas que estes podem provocar no homem, e que este não tem ainda conhecimento suficiente para as controlar, ou até mesmo detectar.

A melhor maneira de assegurar o confinamento deste tipo de microrganismos será a adopção de boas práticas de trabalho microbiológicas, formação, equipamento de confinamento apropriado, concepção de instalações especiais e princípios de higiene e segurança no local de trabalho, tais como:

• Manutenção do nível de exposição a quaisquer MGM, quer no local de trabalho, quer no ambiente envolvente, o mais baixo possível;
• Adopção de medidas de controlo na fonte;
• Formação adequada do pessoal;
• Elaboração de procedimentos operacionais de forma a garantir a segurança;
• Elaboração de procedimentos específicos de desinfecção e disponibilização de desinfectantes eficazes para situações de disseminação de MGM;
• Implementação de sistemas seguros de armazenagem de equipamento e material de laboratório contaminados;
• Interdição da pipetagem à boca, entre outros.

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Conheça:
Registos arqueológicos revelam que, os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo Homem datam

O consumo de álcool deve ser tão antigo como a própria humanidade, já que até os primatas tentam ou, inclusivamente, conseguem fermentar fruta, com que produzem leves intoxicações. O álcool – etanol - pode ser produzido pela fermentação do açúcar existente em produtos de origem vegetal, frutos, caules e raízes ou produzido por destilação.

A emergência do álcool em (quase) todas as civilizações parece ser uma consequência da revolução neolítica da produção massiva de matérias-primas, como a cevada, uvas e outros frutos, e do avanço das novas tecnologias de fermentação, em especial a dorna com separadores.

A técnica para produzir álcool destilado deve-se aos árabes, mas o seu desenvolvimento industrial começou nos países cristãos do mediterrâneo a partir do século XII, ficando a tecnologia perfeitamente desenvolvida e implantada no resto da Europa no século XIV.

Quando, posteriormente, se inicia a expansão europeia, o álcool torna-se num produto comercial de primeira ordem, seguramente dos que mais lucro produz no momento da criação de um mercado mundial. Isto é possível porque os produtos destilados europeus (aguardente, rum e genebra em especial) são produtos muito estáveis, que não são afectados pelo transporte nem pelo tempo e que concentram um enorme potencial psicoactivo que lhes permite substituir, dado os baixos custos, as produções locais de fermento. Os destilados convertem-se, assim, num dos primeiros mercados mundiais.

Mais tarde, já no século XIX, fenómenos como a industrialização, o desenvolvimento das comunicações e das tecnologias, que permitiram a estabilidade dos destilados, expandem ainda mais este mercado, que alcança um protagonismo definitivo, ao mesmo ritmo em que se vai desenvolvendo a sociedade de consumo no século XX.

No entanto, à medida que cresce o consumo, aumentam os problemas relacionados com estes produtos, e é neste mesmo século que surgem tentativas para a redução da sua presença na sociedade, a proibição nos Estados Unidos, nos anos 20, e as campanhas de prevenção, a partir dos anos 60, nos países desenvolvidos.

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Grupo de trabalho
Mais equidade fiscal, alterações no IRS e no IMI e incentivos em serviços básicos são algumas das medidas sobre a mesa.

Reúne-se esta semana, pela primeira vez, o grupo nomeado pelo Governo para debater incentivos à natalidade. A Renascença ouviu algumas das personalidades que o integram para saber que hipóteses vão estar em cima da mesa.

“As famílias com filhos são prejudicadas no âmbito da conciliação trabalho/família, porque uma família com filhos tem um dia-a-dia muito mais exigente e precisa de todo um olhar diferente. Na questão da fiscalidade, é preciso olhar não só para o rendimento como para o número de pessoas que esse rendimento sustenta. É essencial em termos de IRS e de IMI quantas pessoas vivem numa habitação; é essencial olhar para as questões da água e de outros serviços básicos”, afirma Ana Cid Gonçalves, da Associação de Famílias Numerosas.

A fiscalista Maria Luísa Anacoreta Correia, por seu lado, sublinha que o aumento da dedução fiscal pelo número de filhos é outra possibilidade.

“Tem-se debatido o aumento da dedução fiscal por número de filhos, mas há também uma medida que já foi avançada noutros países e que é o coeficiente familiar, que permite aos escalões mais elevados baixar a taxa de IRS. Mas são medidas que têm ainda de ser debatidas em grupo de trabalho”, refere.

O grupo de trabalho para estudar incentivos à natalidade foi anunciado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final do congresso do PSD, em Fevereiro. Vários estudos apontam para o decréscimo da população portuguesa, com sérios efeitos na economia.

 

Em dois anos
Os hospitais públicos fizeram menos 44 milhões de actos complementares de diagnóstico (análises e exames) e menos 2,6 milhões...

Dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) avançam que s hospitais públicos fizeram menos 44 milhões de actos complementares de diagnóstico (análises e exames) e menos 2,6 milhões de actos complementares de terapêutica (radioterapia, fisioterapia, quimioterapia), entre 2010 e 2012. Pelo contrário, no mesmo período as unidades privadas aumentaram a sua actividade nas duas áreas, avança o SAPO Saúde. Nestes dois anos, o número total de exames e análises caiu 26,5%.

Entre 2002 e 2010, o número de actos complementares de diagnóstico cresceu nos hospitais públicos, tendência que se perdeu em 2010, quando o número baixou substancialmente (menos 44 milhões de exames e análises).

Nos hospitais privados, que em 2012 asseguravam 7,9% do total das análises e exames (contra apenas 1,1% em 2002), esta actividade aumentou substancialmente com a realização de mais um milhão de actos em 2010 para 9,6 milhões em 2012.

Em 2012, nos 214 hospitais que existem no país (110 são públicos) realizaram-se 122 milhões de actos complementares de diagnóstico e 22 milhões de actos complementares de terapêutica.

Também os atendimentos em urgência duplicaram numa década, passando de 460 mil, em 2002, para 800 mil, em 2012. Mesmo assim, o sector público foi responsável por 88% das urgências em 2012.

Ao longo desta década, os hospitais públicos perderam cerca de três mil camas, enquanto os privados passaram a dispor de mais 1400 camas. As grandes e médias cirurgias, depois de terem crescido até 2010, diminuíram em 2011 e 2012 no sector público, refere o INE.

Por outro lado, aumentaram as consultas médicas externas (16,5 milhões em 2012), um acréscimo de 69% numa década, e há mais dez mil médicos e 23 mil enfermeiros.

Na mortalidade, morre-se cada vez menos devido a doenças cardiovasculares (menos 21% em dez anos), mas aumentaram os óbitos por tumores malignos (mais 14,1% entre 2002 e 2012).

Quanto à esperança média de vida com saúde, esta cifra-se nos 58,6 anos, em média, para as mulheres, enquanto nos homens se situa nos 60,7 anos.

 

Diagnósticos de cancro tardios
Grande parte dos doentes são diagnosticados tardiamente e numa fase adiantada da doença. O tempo que lhes resta para viver é,...

O cancro do pâncreas é uma doença silenciosa, que evolui frequentemente sem sintomas. É a quarta causa de morte e a sétima neoplasia mais frequente na Europa, segundo os especialistas. Em Portugal, estima-se que surjam 1225 novos casos por ano, dos quais 693 em estádio IV, ou seja, com um tumor inoperável e metástases. “O número de casos tem vindo a aumentar e é com muita preocupação que assistimos a este cenário. Surgem, por ano, cerca de 280 mil novos casos deste cancro no mundo”, explicou ao Correio da Manhã Online Manuela Machado, oncologista no IPO do Porto.

A doença afecta ligeiramente mais o sexo masculino. O tabagismo, a obesidade, a diabetes e uma alimentação rica em gorduras são alguns dos factores de risco. “O pico ocorre na faixa etária dos 65 aos 80 anos. Um familiar de um doente com cancro do pâncreas tem risco 2,5 vezes maior de contrair a doença. É um tumor pouco conhecido”, refere a responsável. Em Portugal a taxa de mortalidade é de 6,8 por 100 mil habitantes.

 

Dia Mundial da Saúde
O Dia Mundial da Saúde, que hoje se comemora é dedicado às doenças transmitidas por vectores.

Os vectores são, sobretudo, artrópodes que transmitem a infecção através de picada quando eles próprios são portadores de agentes patogénicos, como vírus e parasitas. Os mais comuns são os mosquitos (de várias espécies), mosca da areia (flebótomos) e carraças (ixodídeos). Apenas uma picada pode transmitir doenças tais como malária, dengue, chikungunya, febre do Nilo Ocidental, leishmaniose, doença de Lyme, febre-amarela, encefalite japonesa, entre outras.

A Organização Mundial da Saúde considera que as doenças transmitidas por vectores como a malária (paludismo), dengue, febre-amarela, entre outras, são de preocupação para a saúde a nível mundial, pois mais de metade da população está em risco. Apesar de estas doenças ocorrerem habitualmente em áreas tropicais e subtropicais (ou em locais em que o acesso à água potável ou o saneamento básico possam constituir um problema), nos últimos anos tem-se assistido à sua disseminação para outras áreas geográficas.

Esta propagação pode ser facilitada por vários factores, nomeadamente o aumento das viagens e comércio internacional, a introdução de novas práticas agrícolas, o aumento da mobilização da população da região rural para urbana e sobretudo as alterações climáticas, em particular as questões ligadas ao aquecimento global.

A possibilidade de (re)introdução de algumas destas doenças na Europa tornou-se evidente com o recente surto de dengue que ocorreu em finais de 2012 na Ilha da Madeira, que obrigou a uma resposta integrada das autoridades de saúde daquela Região. As doenças transmitidas por vectores podem ser graves, levando muitas vezes à morte.

A investigação sobre a prevenção e o tratamento destas doenças tem preocupado, por isso, governos e cientistas a nível mundial, com progressos assinaláveis nalgumas delas. O lema da OMS ”medidas simples para se proteger a si e à sua família” pretende promover o uso de repelentes ou roupas que cubram a maior parte do corpo, o uso de redes protectoras nas janelas e portas, a eliminação de possíveis criadouros de mosquitos, tais como recipientes com água, ou a administração de vacina, quando adequado e disponível (febre amarela, principalmente).

A divulgação de informação específica relativa a medidas de protecção individual e prevenção da multiplicação de vectores (mosquitos) é uma das estratégias da OMS para o Dia Mundial da Saúde.

 

Programa:

Auditório INFARMED

10h15 – Abertura

10h20 – Enfermeira Ana Clara Silva (IA Saúde, RAM) – Apontamento sobre a Febre de Dengue na Madeira

10h40 – Professora Maria Mota (Prémio Pessoa 2013, Instituto de Medicina Molecular) - Apontamento sobre Malária

11h00 – Atribuição do Colar Prémio Nacional de Saúde ao Prof. Levi Guerra

11h30 – Atribuição de Medalhas de Serviços Distintos do Ministério da Saúde

12h15 – Alocução do Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo

 

Mais de 1 milhão morre de doenças causadas por insectos

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que mais de 1 milhão de pessoas no mundo inteiro morrem todos os anos de doenças transmitidas por insectos, nomeadamente malária, dengue, febre-amarela, encefalite, mal de Chagas e leishmaniose, entre outras. Ban, que falava a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala hoje, disse que todas essas doenças acabam por gerar sofrimento a centenas de milhões de pessoas, explicando que as mudanças climáticas, a alteração dos habitats naturais e o aumento do comércio e das viagens internacionais estão a expor cada vez mais pessoas aos insectos.

Salientou que aqueles insectos representam um risco para todas as regiões, inclusivamente para países onde a ameaça já tinha sido erradicada. Sublinhou que os mais afectados são os mais pobres, sobretudo os que vivem em áreas rurais longe dos serviços de saúde e também nas favelas das grandes cidades.

Ban disse que ao mesmo tempo que todos trabalham para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e para definir a agenda pós-2015, é importante investir no controlo de insectos e na prevenção de doenças. Deu como exemplo as operações que decorrem em África, onde mais de 700 milhões de mosquiteiros com insecticida já ajudaram a reduzir drasticamente os casos de malária, principalmente entre crianças e gestantes. Um compromisso político sustentável pode salvar milhões de vidas e gerar grandes retornos sociais e económicos.

Ban sublinhou ainda que todos têm um papel a desempenhar na luta contra os insectos que transmitem doenças, incluindo governos, organizações internacionais, sector privado, sociedade civil e as comunidades.

Neste Dia Mundial da Saúde, o secretário-geral pediu aos países que façam do controlo de insectos uma prioridade para acabar com uma ameaça séria mas que pode ser evitada.

 

Na última década
Número de consultas médicas nos hospitais portugueses cresceu quase 70% em 10 anos. Já o número de médicos por mil habitantes...

A propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala na segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou estatísticas referentes à área da saúde na década de 2002 a 2012. O aumento de clínicos inscritos na Ordem dos Médicos teve, nesses 10 anos, um saldo positivo de 10 mil profissionais. A par do crescimento de médicos, houve igualmente um aumento contínuo dos enfermeiros em Portugal, num acréscimo total de 23 mil profissionais na década analisada. O rácio de enfermeiros por mil habitantes passou de quatro em 2002 para 6,2 em 2012.

Ao longo dos dez anos, o número de enfermeiros nos hospitais públicos portugueses “registou um claro reforço”, refere o boletim do INE, enquanto nas unidades privadas se verificou uma estabilização. Aliás, mais de 90% dos enfermeiros em Portugal estavam, em 2012, afectos aos hospitais públicos.

O número de consultas médicas nos hospitais portugueses cresceu quase 70% em 10 anos, uma tendência comum a unidades públicas e privadas, mas mais marcada nos hospitais particulares.

Na década analisada, entre 2002 e 2012, as consultas externas nos hospitais foram registando aumentos sucessivos: mais de nove milhões em 2002, mais de 13 milhões em 2007, 15 milhões em 2008 e mais de 16 milhões a partir de 2011.

O boletim do INE mostra que a tendência de aumento das consultas é comum tanto aos hospitais da esfera estatal como aos privados. Cerca de sete em cada 10 consultas externas são realizadas pelos hospitais oficias, mas tem aumentado a percentagem de consultas nas unidades privadas em relação ao total.

Em 2002, os privados asseguravam 16,5% de todas as consultas e, dez anos mais tarde, passaram a ser responsáveis por 27,7%.

No último ano analisado pelo INE, 2012, as especialidades de oftalmologia, ginecologia-obstetrícia e cirurgia geral eram as que registavam maior número de consultas nos públicos. Nos privados, lideravam a ortopedia e a oftalmologia.

Tal como as consultas, também o número de grandes e médias cirurgias cresceu de forma contínua entre 2002 e 2010, registando apenas uma diminuição em 2011 e 2012.

Situação idêntica viveu a área dos meios complementares de diagnóstico, com uma redução dos actos nos últimos dois anos analisados.

Contudo, o decréscimo a partir de 2011 é apenas registado nos hospitais públicos, com os privados a reforçarem o seu papel na realização de exames de diagnóstico: em 2002 realizavam 1,1% do total e em 2012 já representavam quase 8%.

 

Estão a diminuir
Em 2012 Portugal era o terceiro país europeu com maior taxa de novos casos de sida, a seguir à Estónia e à Letónia.

Os números ainda não são definitivos mas já permitem estimar que o diagnóstico tardio da infecção por VIH/SIDA terá diminuído cerca de dez por cento entre 2012 e 2013.

Ou seja, o diagnóstico em fase SIDA (o estado mais avançado da doença) representava cerca de 20% no ano passado, referiu ao Público Online o director do Programa Nacional para a Infecção VIH/SIDA, António Diniz, quando em 2012 era de 31,8%. Quanto ao número de novos casos de infecção no seu todo, parece confirmar-se uma tendência de descida. A médica Maria José Campos considera que é demasiado cedo no ano para “bater palmas”.

De acordo com os últimos dados disponíveis (de 2013), houve 1087 notificações de novos casos de infecção por VIH/sida, uma diminuição de 448 casos face ao ano anterior, em que tinham sido 1535, refere António Diniz. Outra boa notícia é precisamente a descida da proporção dos casos de SIDA, que passaram a ser cerca de um quinto das notificações, diz.

Segundo os dados oficiais, em 2012 esta proporção era de quase um terço. Quando a detecção da infecção já é feita em fase SIDA isso significa que são pessoas com pelo menos uma doença associada, indiciadora de um sistema imunitário deprimido e sinal de diagnóstico tardio. António Diniz explica que todos estes novos números parecem reforçar a tendência de descida dos últimos anos. Mas, “apesar de haver progressos, há ainda um caminho a percorrer para alcançar outros países europeus”, nomeadamente na aposta ao nível da prevenção, sendo considerados prioritários os programas de distribuição de preservativos e de troca de seringas. Este último, soube-se esta semana, atingiu o seu mínimo histórico desde que a troca deixou de ser feita pelas farmácias.

Face aos dados de 2012, Portugal era o terceiro país europeu com maior taxa de novos casos de sida, segundo o relatório do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças e a Organização Mundial de Saúde da Região Europeia. Tinha 2,4 novos casos por 100 mil habitantes, a seguir à Letónia (6,8 por 100 mil habitantes) e à Estónia (2,7). Face aos números de 2013 ainda não é possível dizer que melhorámos em termos comparativos, uma vez que os dados dos outros países ainda não estão fechados, explica António Diniz.

 

Mais de mil milhões de euros por ano
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, realçou que o valor das exportações portuguesas na área da saúde supera os mil milhões de...

“Aparentemente um exportador improvável, a saúde tem-se afirmado com solidez no sector da exportação”, disse Paulo Macedo, no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). O ministro da Saúde intervinha na iniciativa “A Nobel Day @ CHUC - Ciência e Medicina ao seu serviço”, que decorreu em Coimbra, com a presença de três investigadores laureados com o Prémio Nobel, Bruce Beutler (Medicina), Tim Hunt (Medicina) e Jean-Marie Lehn (Química).

“Soubemos há poucas semanas que a saúde ultrapassou os mil milhões de euros de valor exportado. Mais do que exportamos, por exemplo, no sector dos vinhos e no sector da cortiça”, sublinhou Paulo Macedo.

O governante anunciou que o Ministério da Saúde “decidiu distinguir o CHUC com a medalha de ouro de serviços distintos prestados à saúde” em Portugal, reconhecendo o que este conjunto de unidades de saúde de Coimbra “tem feito nas vertentes assistencial, do ensino e da investigação”.

“Um núcleo que nos orgulha, que, pela sua dimensão e pela sua diferenciação, não temos qualquer dúvida que se deve desenvolver dentro na esfera pública no nosso país, deve ser motivo de apreço e de registo”, acrescentou. Paulo Macedo salientou a acção dos cientistas portugueses, em especial na área da saúde, designadamente os que trabalham no estrangeiro. “Há uma diplomacia da ciência que ultrapassa - e ainda bem - a diplomacia politica” disse, frisando que “a comunidade científica não se resigna e não desiste”, além de “olhar para longe - e não apenas para o imediato - em áreas onde o Governo dificilmente poderia intervir”.

 

Doenças passadas por insectos
Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde dedicado às doenças passadas por insectos. Doença das Chagas são problema ignorado,...

Portugal pode ter pelo menos mil casos de doenças de chagas adormecidos entre os imigrantes latino-americanos. Jorge Seixas, especialista na infecção causada pelo parasita Trypanosomacruzi e transmitido por um insecto parecido com uma barata conhecido no Brasil como barbeiro, defende ao iOnline estar na hora de as autoridades despertarem para o problema de saúde pública que nos últimos dez anos começou a afectar países de destino de emigrantes de zonas endémicas como Brasil e Venezuela.

Apesar de o insecto não existir em Portugal, as mães infectadas que têm filhos no país estão a passar a doença às suas crianças e poderiam ser alvo de tratamentos preventivos. Por outro lado, o facto de não existir um teste de rastreio de chagas nos programas de doação faz com que esta população seja excluída de dádivas de sangue apenas com base num questionário, o que não é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que defende testes para optimizar as colheitas e manter a segurança.

No caso dos transplantes de órgãos, a situação é mais problemática, avisa o especialista e director da Unidade Clínica Tropical do Instituto de Higiene e Medicina Tropical: “o teste devia ser obrigatório pois quem recebe um órgão de um portador infectado corre o risco de ser infectado, mas também devia ser implementado nos casos de doentes latino- -americanos à espera de transplante. Se forem chagáticos e começarem a fazer a medicação imunossupressora poderão ter maiores riscos de a doença acordar e terem complicações”.

Este ano o Dia Mundial de Saúde é dedicado às doenças transmitidas por répteis e insectos, vectores de agentes infecciosos como vírus e parasitas e que todos os anos afectam mil milhões de pessoas e matam um milhão. Jorge Seixas, que há duas décadas estuda a doença de chagas, explica que esta infecção, pelas suas características, acaba por ser das mais negligenciadas.

Em vez de o parasita ser transmitido pela saliva do insecto como acontece com a malária, entra no organismo quando a pessoa mordida esfrega a ferida e empurra as fezes depositadas pelo insecto na pele, onde está o parasita. Neste primeiro momento, há uma infecção que por regra fica resolvida em quatro a oito semanas, como uma mononucleose, mas em alguns casos é fatal. Mas depois desta fase, o parasita aloja-se no músculo do coração e em gânglios e chega a estar décadas sem dar sinal de vida.

Como o paradigma tem sido não fazer desparasitação nesta fase assintomática, muitos dos infectados continuam a ser portadores sem fazer qualquer tratamento e três em cada 10 acabam, 10 a 15 anos mais tarde, por ter manifestações crónicas graves como insuficiência cardíaca ou problemas no esófago e cólon. Os restantes continuarão assintomáticos mas as mulheres durante a gravidez podem transmitir a doença ao feto através da placenta e, em situação de dádiva de sangue e órgãos, já houve reporte de transmissões na Europa e EUA.

Em Portugal, diz o especialista, não são conhecidos casos destes e apenas foram declarados 10 casos crónicos, o primeiro há 15 anos e o último em 2013. Mas os estudos do Instituto de Higiene e Medicina Tropical sugerem que o problema deverá ser maior e pode estar sub-notificado. Tendo em conta os fluxos migratórios e a incidência da doença nos principais países de origem, em 2010 podia pensar-se em 1200 a 3000 casos adormecidos, 54 em mulheres grávidas, o que permite estimar dois recém-nascidos infectados.

O especialista sublinha que nos últimos anos tem aumentado a evidência de que há benefícios na desparasitação sem ser na fase aguda e por isso defende um trabalho de sensibilização dos médicos e de identificação dos portadores da doença, muitas vezes ligada ao estigma de ser uma doença de zonas pobres e rurais. “Temos de inverter esta ideia e chegar junto das comunidades que não falam de chagas para explicar que hoje a tendência aponta para ser vantajoso o tratamento”, diz, sublinhando que esta abordagem pode evitar que a infecção crónica evolua para situações mais graves a longo prazo.

 

Em Portugal
Mais de metade das mortes em Portugal são causadas por cancros e por doenças cardiovasculares, com os tumores malignos a...

O boletim do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre saúde, divulgado a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala hoje, mostra que, entre 2002 e 2012, os casos de cancro aumentaram e ultrapassaram os 23% no total das causas de morte.

Só em 2012, morreram uma média de 70 pessoas por dia em Portugal por tumores malignos e, em 10 anos, a taxa bruta de mortalidade aumentou 14,1%.

Já as doenças do aparelho circulatório representaram no último ano analisado mais de 30% do total dos óbitos no país. Ainda assim, a taxa bruta de mortalidade destas doenças diminuiu 21%.

Com peso relevante no total de mortes surgem também as doenças respiratórias e a diabetes., representando, respectivamente, 13% e 4,5% dos óbitos totais.

Nestes dois tipos de doenças, Portugal regista uma “situação mais grave do que a observada ao nível da União Europeia a 28”.

Aliás, na década estudada, as doenças respiratórias apresentaram um crescimento continuado no total de óbitos: 8,6% entre 2002 e 2004 e 11% entre 2005 e 2010.

Comparativamente, ao nível europeu verificou-se uma estabilização da proporção destas mortes entre 2002-2010, numa variação entre 7,5% das mortes e os 8%.

O mesmo boletim do INE mostra que o atendimento em serviço de urgência quase duplicou numa década nos hospitais privados, que registaram também um reforço do número de camas de internamento, ao contrário dos hospitais públicos que perderam três mil camas.

 

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