Cuidados primários para a saúde da visão são inexistentes "por escolha"
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) lamenta a "total ausência de soluções e mudanças de...

Em comunicado enviado ao Ministério da Saúde e à Assembleia da República, o Presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), Raúl de Sousa, manifestou a sua preocupação pelo facto de os Cuidados Primários para a Saúde da Visão não constarem, aparentemente, das prioridades do Governo para os próximos anos. De acordo com a Associação, nem no Plano de Recuperação e Resiliência nem nas Grandes Opções do Plano 2021-2025, tornados públicos recentemente pelo Executivo, é possível identificar propostas concretas para a resolução dos problemas de visão dos portugueses.

Segundo Raúl de Sousa, "na área da saúde da visão, os problemas e as soluções estão por demais identificados, e as recomendações e recursos estão presentes e disponíveis. Os cuidados primários para a saúde da visão são inexistentes em Portugal por escolha, não por desconhecimento ou falta de informação", sustenta.

Na base destas afirmações estão os dados oficiais relativos à deficiência visual em Portugal. Mais de 163 mil portugueses sofrem de deficiência visual e cegueira legal, fazendo desta a maior causa de deficiência em Portugal entre os recenseados no ano de 2001. Paralelamente, o Inquérito Nacional de Saúde de 2014 concluiu que um em cada dois maiores de 65 anos descreve dificuldades em ver, mesmo usando óculos, e que nove em cada dez casos de deficiência visual ou cegueira se deve a causas evitáveis.

Para a APLO, os números demonstram que é urgente tomar medidas – em linha, de resto, com as recomendações da Organização Mundial da Saúde – e a solução reside numa estratégia efetiva para os Cuidados Primários para a Saúde da Visão, com a integração do Optometrista no Serviço Nacional de Saúde como garante de mais e melhor saúde visual e, simultaneamente, de poupança para os cofres do Estado.

 

Medicamento imunossupressor
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês) deu início a uma avaliação para incluir o uso de baricitinib no...

De acordo com a EMA trata-se de imunossupressor - um medicamento que reduz a atividade do sistema imunitário - que, atualmente, está autorizado a ser utilizado em adultos com artrite reumatoide moderada a grave ou dermatite atópica (eczema). “A sua substância ativa, baricitinib, bloqueia a ação de enzimas chamadas Janus quinases que desempenham um papel importante nos processos imunitários que levam à inflamação. Pensa-se que isto também poderá ajudar a reduzir a inflamação e os danos nos tecidos associados à infeção Covid-19 grave”, esclarece em comunicado.

O Comité de Medicamentos Humanos da EMA (CHMP) irá proceder a uma avaliação acelerada dos dados apresentados pela empresa que comercializa o baricitinib, incluindo os resultados de dois grandes estudos aleatórios em doentes hospitalizados com COVID-19, a fim de recomendar o mais rapidamente possível se a extensão da indicação deve ou não ser autorizada. O parecer do CHMP será então reencaminhado para a Comissão Europeia, que emitirá uma decisão definitiva juridicamente vinculativa aplicável em todos os Estados-Membros da UE.

“A EMA comunicará sobre o resultado da sua avaliação, que deverá chegar a um parecer até julho, a menos que sejam necessárias informações suplementares”, informa.

Este medicamento foi autorizado pela primeira vez na UE em fevereiro de 2017.

 

Estes podem surgir em qualquer idade
A Associação de Investigação e Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO), em parceria com o Centro de Reabilitação Profissional...

“Ao associarmo-nos a este tipo de iniciativas internacionais de consciencialização estamos também a dar um contributo na melhoria dos cuidados globais que prestamos a estes doentes. Os profissionais de saúde têm uma responsabilidade acrescida de formar e informar os pares e a população que servem”, explica Andreia Capela, presidente da AICSO e oncologista do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho. 

De acordo com a especialista, os tumores cerebrais compreendem os tumores primitivos do cérebro, mas também as metástases cerebrais de outros tumores. Os tumores primitivos do cérebro são raros e incluem mais de 120 tipos diferentes. Podem atingir qualquer idade e são a principal causa de morte por doença oncológica em crianças e jovens com menos de 20 anos. Os prognósticos são muito variáveis, podendo ser condicionado pelas localizações em regiões nobres e pela agressividade histológica. As metástases de tumores de outras localizações são o principal tumor do cérebro e podem ocorrer em até 20-40% dos doentes com tumores.  

 Os tumores que mais frequentemente apresentam metástases cerebrais são os da mama, pulmão e o melanoma. Também nas metástases cerebrais o prognóstico é muito variável. Em 2020, mundialmente foram registados mais de 300 mil novos casos de tumores cerebrais e 250 mil mortes, sendo que Portugal contribuiu com 1100 novos casos e 930 mortes. 

Sintomas mais comuns 

As manifestações dos tumores cerebrais estão relacionadas com a sua localização no cérebro ou com o compromisso que causam. Andreia Capela revela que podem manifestar-se por “dores de cabeça frequentes, vómitos, convulsões, desequilíbrios, alteração de força ou sensibilidade num segmento do corpo, alteração de memória, alteração de comportamento, alteração de personalidade, alteração da fala ou alteração dos sentidos de visão, audição e olfato”. 

A investigação pode passar por uma TAC, ressonância magnética, PET e biópsia. As abordagens podem ser muito diferentes, quer pelas localizações quer pelos variados prognósticos. Quanto aos tratamentos podem passar por cirurgia, radioterapia ou tratamentos sistémicos (quimioterapia ou agentes alvo), ou uma combinação de vários tratamentos. 

Treinar o físico e a mente 

As sequelas são frequentes e podem ser mais ou menos graves conforme as localizações e os tratamentos. “Essas sequelas podem passar por défices motores, défices cognitivos, défices de memória, dificuldade em expressar-se e comunicar, alteração da imagem corporal e do comportamento e personalidade, alterações sensoriais”, refere a médica. 

Daí que considere fundamentais “as abordagens de reabilitação física e neurocognitiva ao longo de toda a jornada de doença e mesmo para além dos tratamentos”. Sublinha ainda que “o apoio de estruturas e mecanismos sociais e de familiares e amigos se reveste de extrema importância em várias fases da doença”. Na sua opinião, os cuidadores assumem nesta doença um papel essencial, vendo-se confrontados com desafios enormes a nível físico e emocional”. 

Por essa razão deixa alguns conselhos a quem sofre desta patologia: “é importante que se tornem ativos na sua doença, que questionem os profissionais, que se envolvam no seu processo terapêutico e que percebam as suas prioridades e ajudem os profissionais e a instituição a implementar os projetos que promovam uma melhor resposta”.  

Ugur Sahin
O cofundador da farmacêutica alemã BioNTech, Ugur Sahin, lembrou esta quinta-feira que a eficácia máxima do seu medicamento -...

Numa reunião virtual com representantes dos meios de comunicação estrangeiros na Alemanha, lembrou ainda que seis meses após essa imunidade máxima, após segunda dose, a imunidade começa a declinar. De acordo com as suas estimativas atuais, isto implicaria que, entre nove meses e o ano seguinte, uma terceira dose terá de ser inoculada para garantir a manutenção da imunidade máxima.

Segundo o jornal El Mundo, o cientista turco está ainda confiante de que a vacina desenvolvida pelo seu laboratório e distribuída em conjunto com o seu parceiro norte-americano, Pfizer, é "eficaz" também contra a variante indiana.

"O nosso método baseia-se em experiências adquiridas com o cancro. Experimentamos muitas variantes e, até agora, em todas conseguimos bons resultados", disse Sahin. "Estou confiante de que também conseguiremos bons resultados contra a variante indiana", acrescentou, a propósito desta mutação muito mais agressiva do que as anteriormente detetadas.

Até agora, insistiu, a sua vacina tinha demonstrado ser eficaz "em praticamente todas" as mutações conhecidas.

 

Encontro virtual
A Cimeira dos Prémios Nobel sobre as Alterações Climáticas terminou ao fim de três dias com um apelo à ação na sociedade pós...

"Estamos num momento importante para um novo e arrojado mundo ", disse Muhammad Yunus, laureado com o Prémio Nobel da Paz em 2006 pelo seu trabalho com microcréditos. "Vamos aproveitar esta oportunidade para reconfigurar a sociedade pós-Covid e impulsionar um futuro mais justo e verde. Podemos construir um mundo onde os pobres não continuem a ser vítimas do aquecimento global. A tecnologia existe, o desejo das pessoas existe e o mundo espera que os chefes de Estado ajam."

"Cada vez mais países declaram as alterações climáticas um problema de segurança nacional", alertou Jody Williams, laureada com o Prémio Nobel da Paz em 1997, alertando para a sua campanha para proibir as minas antipessoais. "Precisamos de substituir este quadro de segurança nacional - que significa armas e guerra - pelo da segurança humana, onde responder às necessidades básicas, incluindo um ambiente saudável, é primordial."

"Precisamos de um conceito de unidade para os mais de 7 mil milhões de humanos", disse o Dalai Lama. "Vivemos no mesmo planeta, o nosso modo de vida é basicamente o mesmo e devemos pensar mais como "nós, a humanidade", que como "a minha nação" ou "o meu país".

O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore falava na abertura da cimeira e afirmou sentir-se "mais otimista do que nunca" desde que iniciou a sua cruzada pessoal com «Uma Verdade Desconfortável». "Tenho uma legítima esperança de estarmos à beira do ponto de viragem definitivo das alterações climáticas que esperamos há tanto tempo", disse Gore.

"Estamos, de facto, na primeira fase de uma verdadeira revolução de sustentabilidade", acrescentou o Prémio Nobel da Paz em 2007. "Em 90% dos países as energias renováveis já são mais baratas do que os combustíveis fósseis, e certamente chegaremos a 100% ao longo da década, e isso servirá para deslocar permanentemente o carvão e o gás. Isto era impensável quando o acordo de Paris foi assinado."

 

 

Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, uma morte e 470 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos desceu.

Segundo o boletim divulgado, o Alentejo foi a única a registar uma morte, desde o último balanço. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não têm mortes a assinalar nas últimas 24 horas. 

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 470 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 143 novos casos e a região norte 213. Desde ontem foram diagnosticados mais 49 na região Centro, nove no Alentejo e 13 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais 23 infeções e nos Açores 20.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 324 doentes internados, menos oito que ontem. No entanto, as unidades de cuidados intensivos passaram a ter mais um doente internado. Atualmente, estão em UCI 89 pessoas.

O boletim desta quinta-feira mostra ainda que, desde ontem, 545 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 795.326 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 23.733 casos, menos 76 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância menos 397 contactos, estando agora 24.315 pessoas em vigilância.

 

Iniciativa
O mês de abril foi definido como o mês internacional da Prevenção dos Maus Tratos na Infância, o mês do Laço Azul. Com o...

Esta equipa, “constituída pela Assistente Social e Coordenadora do NHACJR Filomena Freitas, a Psicóloga Anabela Fazendeiro, a Pediatra Marta Machado, a Enfermeira Patrícia Lourenço e a Pediatra Beatriz Vale”, contou com o apoio da Direção do Departamento de Pediatria do CHUC, para produzir “uma mensagem de promoção do Bom Trato, a que todas as crianças e jovens têm direito, convictos de que a ação de cada um pode fazer a diferença na vida de crianças e jovens utentes deste hospital”. A mensagem "Por tua causa ... serei melhor Pessoa" e "Bom Trato", pretende consciencializar os cidadãos de que as ações de cada um podem ser determinantes no processo de crescimento de uma criança e na sua formação como Pessoa.

“O NHACJR tem várias competências, entre elas: detetar, sinalizar, acompanhar e dar o devido encaminhamento às situações em que existe suspeita ou confirmação de situação de risco/perigo de maus tratos ou negligência numa criança/jovem. Promover a proteção da criança/jovem, desencadeando as ações necessárias à sua proteção e defesa dos seus direitos, são uma prioridade. Para este efeito é fundamental efetuar uma articulação permanente com a rede de estruturas intervenientes da área da saúde, justiça, segurança social, educação, entre outras”, escreve o CHUC em comunicado.

Por isso, este núcleo participa “em campanhas de prevenção na área dos Maus Tratos na infância, tendo o privilégio de integrar a Rede de Parceiros da ARS Centro, da qual fazem parte relevantes Instituições da cidade e onde se dinamizam e divulgam múltiplas ações de prevenção conjuntas ou se promovem as que são desenvolvidas por cada uma das instituições nos seus âmbitos de intervenção próprios”.

 Contando com cada vez mais entidades parceiras, o Centro Hospitalar acredita que “a prevenção e alerta é uma responsabilidade de cada um de nós, de cada cidadão, e a melhor forma de tentar evitar a ocorrência do mau trato na infância”. Por isso, apela a que seja dada “atenção e primazia ao Bom Trato e Respeito pelas crianças e jovens e assegurada a efetiva concretização dos seus Direitos fundamentais”.

Segundo o do Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco do Hospital Pediátrico, do CHUC, “o azul, tal como refere Bonnie Finney, «funciona como um constante alerta para lutar pela proteção das crianças». Por isso, a história de Bonnie Finney demonstra como a preocupação de um único cidadão pode fazer toda a diferença, pode ser eficaz no despertar das consciências da população relativamente aos maus tratos contra as crianças, na sua prevenção e na promoção e proteção dos seus direitos”.

Em Portugal, o Laço Azul, é o que simboliza as múltiplas ações de sensibilização e alerta para esta realidade.

Tedros Ghebreyesus pede apoio à investigação e desenvolvimento
Arrancou esta manhã a Conferência Internacional “3A’s: Disponibilidade, Acessibilidade e Sustentabilidade dos Medicamentos e...

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou na sua intervenção que uma Europa mais forte é “essencial para a estabilidade social, económica e política” a nível global. Depois de saudar as iniciativas europeias de reforma, Tedros Ghebreyesus elencou “3 áreas específicas onde é necessária ação”: a primeira referida foi uma “colaboração mais próxima” de maneira a “encurtar distâncias” entre países e apoiar mais investigação e desenvolvimento. O diretor-geral solicitou também um maior empenho para atingir uma “nomenclatura consistente” mais acessível aos “utentes”. Por último, defendeu uma política de “preço transparente” capaz de promover a competitividade e assegurar a cadeia de fornecimento.

Na abertura da conferência, a ministra da Saúde, Marta Temido, frisou a importância da cooperação e solidariedade entre países para enfrentar a pandemia de covid-19. “Esta pandemia deixou bem claro que, embora estejamos no caminho certo, ainda há muito trabalho a ser feito para mitigar as desigualdades sociais evidentes no acesso à saúde”, afirmou a governante.

Marta Temido lembrou que quando a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia apresentou as suas prioridades no domínio da Saúde “a questão da igualdade de acesso e disponibilidade de medicamentos e dispositivos médicos foi colocada em primeiro plano”, sublinhando que, com esta opção, se reconheceu "a necessidade de fazer face a um dos desafios mais urgentes que a Europa enfrenta: as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde”.

A Comissária Europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, focou a sua intervenção na Estratégia Farmacêutica para a Europa. Depois de elencar as medidas já tomadas, como a reforma do sistema de incentivos e o acelerar dos procedimentos de autorização, Stella Kyriakides afirmou que o sucesso desta iniciativa dependia da colaboração e coordenação entre as entidades europeias e nacionais. E rematou que a Conferência 3’As fazia “parte desse processo” e “exatamente o que precisamos” para “cumprir o que devemos aos nossos cidadãos”.

Dolors Monserrat, que participou na qualidade de eurodeputada da Comissão do Ambiente e Saúde Pública, elogiou o esforço de cooperação e colaboração no seio da União Europeia, apresentando como exemplo o programa de vacinas e lembrando que esta semana seriam distribuídas 29 milhões de unidades, o que representava um “recorde”. A eurodeputada destacou ainda as iniciativas do Parlamento Europeu no âmbito do Pacote da União Europeia da Saúde, destacando a aprovação nos últimos dias do Mecanismo de Proteção Civil.

Por seu turno, o presidente do INFARMED agradeceu a adesão dos participantes à Conferência e manifestou a esperança de que o evento permitisse “identificar medidas concretas” que pudessem vir a transformar-se em propostas da Presidência Portuguesa para Conclusões do Conselho.

A importância da vacinação
Embora o país tenha evoluído muito nesta matéria, deixando a cauda da Europa no que diz respeito ao

Embora o cancro do colo do útero seja uma das principais complicações associadas à infeção do HPV, este pode ser responsável pelo aparecimento de múltiplas lesões. “O Papiloma vírus (HPV) é um vírus muito prevalente na sociedade contemporânea. São um vasto grupo de vírus que pode infetar a pele e mucosas. Alojam-se e replicam-se nos seres humanos e são transmitidos através dos contactos sexuais”, começa por explicar Daniel Pereira da Silva sublinhando que “todas as mucosas de contacto sexual podem ser sede de lesão pelo HPV em homens e mulheres: genitais, orofaringe e ânus”.

Deste modo, o especialista chama a atenção para a falsa ilusão de que só as relações desprotegidas são as que correm mais riscos. “O uso do preservativo não resolve o problema desta infeção porque não impede o contacto de zonas além da recoberta pelo preservativo e basta um contacto para que a infeção seja possível. A estratégia da prevenção da infeção tem de ser vacinar, vacinar ... vacinar”, afirma.

Com evidências de eficácia e segurança até aos 26 anos nos homens e os 45 nas mulheres, não há, no entanto, um limite de idade para que a vacina contra o HPV possa ser utilizada, sendo os seus benefícios amplamente difundidos. “Neste momento, os rapazes adolescentes já estão a ser vacinados no âmbito do plano nacional de vacinação, mas os que têm neste momento mais de 17 anos não têm direito à vacina pelos serviços públicos e devem fazê-la”, e quanto mais cedo, melhor! “O benefício será deles e com quem se relacionam”, reforça o médico.

No que diz respeito às mulheres, “todas as mulheres com menos de 29 anos de idade tiveram oportunidade de se vacinarem gratuitamente nos serviços públicos. Falta vacinar as que têm mais de 29 anos e, ao contrário do que se diz, elas têm muito a beneficiar com a vacina”. É que, de acordo com o especialista, ao longo da vida, é possível surgir uma nova infeção ou reativar uma antiga. “Um estudo nacional mostra que cerca de 6% das mulheres entre os 50-60 anos tem uma infeção ativa. Não é só um problema das mais jovens! Hoje temos uma vacina nonavalente, muito abrangente e com uma larga proteção. Há demostração de eficácia e segurança da vacina em mulheres até aos 45 anos, mas não há limite de idade para serem vacinadas”, sublinha reforçando a importância da vacinação.

Por outro lado, aconselha a realização do rastreio do cancro do colo do útero, relembrando que só assim é possível identificar lesões. “A infeção é sempre assintomática! Não dá qualquer sinal ou sintoma que leve ao seu diagnóstico. Só as lesões quando estão avançadas é que dão sintomas, como corrimento, hemorragia ou dor”, alerta.

No contexto da pandemia, torna-se ainda mais premente falar sobre este tema. “Esta patologia pode atingir a todos, mas são sobretudo as faixas da população com mais carência de recursos que são as mais atingidas – não fazem a vacina e não fazem o rastreio! Temos de ter uma estratégia para essa faixa da população, especialmente as mulheres”, diz deixando “um apelo às empresas, às instituições de solidariedade social, a todos nós”. “Nós sabemos que a pandemia tornou essas populações muito mais vulneráveis, têm muitas necessidades, mas esta não é menos importante, porque lhes pode roubar o futuro”, reforça.

Por último, Daniel Pereira da Silva, deixa uma mensagem que é transversal a toda a sociedade e que diz respeito aos mitos que ainda persistem sobre este tema: este não é um problema que só acontece aos outros! Não acontece só às mulheres! “O problema é nosso, de mulheres e homens, independentemente da nossa orientação sexual”, conclui.  

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Novo projeto online permite recolher mais informação
A farmacêutica Takeda lança mais um projeto que pretende consciencializar e sensibilizar a população e os profissionais de...

Este projeto, que conta com o contributo de diversos profissionais de saúde especialistas nesta patologia, está a partir de hoje disponível em www.mielomanavidareal.pt e permite também que doentes e cuidadores tenham acesso a diversas informações sobre a patologia, podcasts, informações sobre associações de doentes, entre outros.

Segundo Sérgio Chacim “é fundamental tentar perceber o que um fármaco, quando é introduzido na prática clínica, vai oferecer. Só se formos sistemáticos a recolher os dados de Vida Real e produzirmos esse conhecimento de uma forma contínua, é que vamos perceber de facto os resultados obtidos.”

Os ensaios clínicos são um tipo de pesquisa que estuda novos testes e tratamentos, e avalia os seus efeitos na saúde humana. Estes são cuidadosamente elaborados, revistos e necessitam de ser aprovados pelas autoridades reguladoras, sendo também altamente criteriosos na seleção de doentes, de centros de recrutamento, no acompanhamento médico e na monitorização da doença.

Após a publicação dos resultados dos ensaios clínicos e a aprovação das autoridades reguladoras, o medicamento fica acessível para utilização na indicação aprovada, tornando-se fundamental fazer o acompanhamento e monitorização da sua efetividade. A efetividade de um tratamento é possível de ser conhecida através de estudos com dados de Vida Real, estudos que são realizados com dados de doentes reais e numa população mais heterogénea.

Para potenciar a recolha de dados de vida real no futuro, e na opinião de Fernando Leal da Costa, a “solução passa por criar bases de dados de âmbito nacional que permitam a consulta por parte dos investigadores, de uma forma rápida e simples. É também fundamental que aqueles que estão envolvidos na prática clínica e de farmacoterapia insiram os registos de forma criteriosa. Além disso, seria também importante que exista, desde logo, um consentimento explícito e imediato por parte dos doentes para que os seus dados possam vir a ser utilizados para análises prospetivas ou alvo de revisão sempre que necessário”.

Segundo Cristina João, “para garantir a recolha de dados em vida real, é necessário que todos os hospitais usem os mesmos sistemas informáticos, que obtenham o consentimento por parte dos doentes e que haja, acima de tudo, uma uniformização nacional no processo de recolha de dados. Acredito mesmo que esta deveria ser uma meta do Ministério da Saúde.”

Balanço de atividade
Segundo nota divulgada no portal, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e os seus parceiros dos Sistema Integrado de...

De acordo com o balanço semanal agora divulgado, os meios afetos à Delegação Regional do Sul foi a que mais transportes realizou: 875. Seguiu-se a Delegação Regional do Norte (DRN) com 760 transportes e os meios afetos à Delegação Regional do Centro (DRC) com 436.  Transportas. Na Delegação Regional do Sul – Algarve foram registados 93 transportes de utentes com suspeita de infeção com o novo coronavírus.

No mesmo período, as Equipas de Enfermagem de Intervenção Primária do INEM recolheram 575 amostras biológicas para análise à Covid-19. A equipa da DRS efetuou 460 colheitas, a equipa da DRN recolheu 51 amostras, a da DRC 27 amostras e a da DRS-Algarve 13 amostras.

 

iscriminação no local de trabalho deve ser reconhecida e sancionada
No âmbito do Dia do Trabalhador, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), alerta para os direitos das pessoas...

“Há pessoas com diabetes em quase todas as áreas de trabalho: na maioria das vezes são profissionais bem-sucedidos e valorizados, mas ainda encontramos exemplos de discriminação no acesso a determinadas profissões e nas condições de trabalho. A sociedade ainda não está, muitas vezes, preparada para a inclusão na sua plenitude, o que prejudica o dia a dia das pessoas com diabetes e a sua inclusão no meio profissional. Prova disso são os casos onde as pessoas acabam por não ver reconhecidas as suas qualidades, não progridem profissionalmente ou mesmo desistem do seu emprego porque os seus direitos não foram respeitados. Os portadores de uma doença crónica estão protegidos pela lei n.º 7/2009 do Código de Trabalho e podem estar sujeitos a regras distintas dos restantes colaboradores se as condições assim o exigirem”, realça José Manuel Boavida, presidente da APDP.

A falta de flexibilidade no trabalho não é o único problema que as pessoas com diabetes têm de enfrentar. Continuam a ter acesso limitado ou inexistente a algumas profissões como, condutores de transportes coletivos, controladores de tráfego aéreo, bombeiros, forças militares, policiais e de segurança ou pilotos profissionais de aviões e até para a entrada em algumas escolas profissionais ou universidades. Esta limitação é justificada com o potencial perigo para si ou para outras pessoas sob sua responsabilidade direta, em caso de uma hipoglicemia. Mas, na verdade, os meios de tratamento atuais permitem um controlo rigoroso da diabetes e apresentam soluções para eventuais dificuldades (como os sensores contínuos de glicemia com alarmes e as bombas de insulina), que abrem outras possibilidades de acesso a empregos em áreas até aqui mais dificultadas às pessoas com diabetes.

“A discriminação é uma realidade para as pessoas com diabetes. Ainda se verifica o estigma de empregar uma pessoa com uma doença crónica. Os receios passam pelas eventuais faltas devido a consultas periódicas ou pela necessidade de ter mais pausas do que os outros trabalhadores durante o horário de trabalho”, afirma João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP.

A solução para o combate à discriminação passa por formar a sociedade sobre os direitos e deveres explícitos para todos os empregadores e trabalhadores. A APDP defende que deveria existir mais informação sobre a legislação e os direitos do trabalhador com doença crónica, em particular com diabetes, fazendo jus à frase proclamada no início da atividade da APDP: “as pessoas com diabetes devem viver e trabalhar como se não tivessem doença sendo cidadãos ativos da sociedade”, reafirma José Manuel Boavida.

Resposta reforçada em todo o país
Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) já foi reforçado com 3.619 profissionais em 2021,...

A informação foi avançada durante a apresentação e discussão do relatório sobre a aplicação da declaração do estado de emergência no período de 17 a 31 de março de 2021, na Assembleia da República.

“São números impressionantes, que dependem dos portugueses, das escolhas que fizeram, das escolhas em serviços públicos, e das escolhas em serviços públicos de saúde que não servem por si só: servem para servir as portuguesas e os portugueses”, referiu a governante.

A Ministra da Saúde sublinhou ainda que, ao longo deste período, Portugal conseguiu “encontrar no Serviço Nacional de Saúde um serviço mais robusto que respondeu melhor às necessidades assistenciais dos portugueses”

“O Estado teve a capacidade de ser responsável por todos os indivíduos, porque é essa a sua função: proteger os mais frágeis e os que mais dele necessitam”, sublinhou Marta Temido.

 

Equipa coordenada por Teresa Coelho
O Prémio BIAL de Medicina Clínica 2020 distinguiu uma equipa coordenada por Teresa Coelho, Diretora do Serviço de...

O trabalho vencedor resultou de uma colaboração entre os dois centros de referência nacionais para a Paramiloidose Familiar. Isabel Conceição, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Mónica Inês, docente de Econometria da Saúde no Instituto Superior Economia e Gestão e de Farmacoeconomia na Universidade Lusófona, Mamede de Carvalho, Subdiretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e João Costa, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa compõem a equipa liderada por Teresa Coelho. 

O estudo premiado traça a evolução da paramiloidose desde que foi identificada pelo neurologista português Mário Corino de Andrade na década de 50, a partir do estudo clínico e patológico de um grupo de doentes oriundo predominantemente da região da Póvoa do Varzim e Vila do Conde, até aos nossos dias.

A paramiloidose, conhecida como doença dos pezinhos, é uma patologia neurodegenerativa rara e de transmissão genética. Estima-se que afete cerca de 10.000 pessoas em todo o mundo e que o maior grupo de pacientes se encontre em Portugal - com cerca de 20% do total global de doentes.

Para o presidente do júri do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2020, Manuel Sobrinho Simões, “o trabalho vencedor conta uma história que diz muito aos portugueses e que ainda esperamos venha a ter um final feliz. Um diagnóstico de paramiloidose equivalia a uma sentença de morte. A descoberta de novos medicamentos permitiu salvar muitas vidas e diminuir os impactos negativos da doença que, apesar dos progressos registados, ainda hoje são enormes”. 

O desenvolvimento de tratamentos modificadores transformou esta doença progressiva e fatal, numa doença crónica com terapias associadas a ganhos de sobrevivência e de qualidade de vida. A contribuição portuguesa para o desenvolvimento destes tratamentos modificadores foi determinante e resultou na aprovação de três medicamentos pela EMA - Agência Europeia do Medicamento.

Por serem tratamentos relativamente recentes, ainda não é possível avaliar todo o seu impacto, mas os autores estimam que os novos medicamentos e os transplantes hepáticos tenham reduzido o excesso de mortalidade de dez para quatro vezes mais do que a população em geral. 

Pelas contas da equipa coordenada por Teresa Coelho, o custo total da paramiloidose é de cerca de 52 milhões de euros, equivalente a um custo médio anual por doente de 28 mil euros. Os custos diretos representaram 79% e os indiretos 21%. Menos de 1% dos custos totais foram gastos com prevenção e aconselhamento genético. Foram perdidos 2.056 anos de vida ajustados pela incapacidade em 2016, 26% devido a incapacidade e 74% devido a morte prematura.

Ainda assim, as conclusões mostram que os custos e a carga desta doença são relevantes, mas os gastos com a prevenção e aconselhamento genético são ainda residuais. A maioria da carga da patologia resulta ainda da morte prematura. 

Os autores sublinham que os resultados reportados permitem concluir que estratégias clínicas focadas na preservação da qualidade de vida - como o acompanhamento frequente dos portadores assintomáticos, um diagnóstico atempado e tratamento adequado logo na fase inicial - modificam significativamente a sobrevida e qualidade de vida dos doentes a longo prazo. No entanto, também salientam que os tratamentos existentes não dão resposta a todos os portadores da doença dos pezinhos, pelo que será essencial realizar mais estudos clínicos para que se desenvolvam novas opções terapêuticas.

Duas Menções Honrosas para trabalhos sobre o cancro e a COVID-19

O júri do Prémio BIAL de Medicina Clínica decidiu ainda atribuir duas Menções Honrosas, no valor de 10 mil euros cada uma.

Sobrinho Simões realça a atualidade das obras galardoadas com Menção Honrosa, destacando “o Júri distinguiu também dois trabalhos que evidenciam a pertinência e urgência da investigação em medicina, por um lado o cancro e as novas terapias personalizadas que marcam a pesquisa que se está a fazer neste campo e, por outro lado, a pandemia que marcou o ano de 2020.”

 “Zebrafish Avatars, Towards Personalized Cancer Treatment, a multidisciplinary venture” é um trabalho coordenado por Rita Fior, da Fundação Champalimaud. A investigação recorre a peixes-zebra para tentar desenvolver um teste que determine a melhor opção terapêutica para cada paciente de cancro.

Atualmente, as diretrizes internacionais para a terapia do cancro fornecem opções terapêuticas com base nas taxas médias de resposta de grandes ensaios clínicos. Uma abordagem “tamanho único” que não serve todos os pacientes, já que os tratamentos podem ser eficazes para alguns doentes, mas não para outros. 

Por isso, muitas vezes os doentes passam por abordagens de tentativa e erro para encontrar a melhor terapia, sujeitos a toxicidades desnecessárias e perdendo “tempo terapêutico”. Assim, um teste capaz de prever as respostas individuais antes do tratamento é uma necessidade crítica para um tratamento personalizado e dirigido. 

Este trabalho resulta de uma colaboração de esforços de uma equipa multidisciplinar de biólogos, oncologistas, cirurgiões, imagiologistas, radio-oncologistas e patologistas da Fundação Champalimaud e do Hospital Fernando da Fonseca para desenvolver o modelo Avatar do peixe-zebra. Os resultados são promissores já que este modelo oferece velocidade, resolução celular e a capacidade de realizar um grande número de transplantes. Permite também a avaliação de características cruciais do tumor, como o seu potencial metastático e angiogénico, apenas possível devido à alta conservação genética entre o genoma humano e o do peixe-zebra. 

O projeto inicial começou pelo cancro colorretal e de mama e está agora a ser alargado a mais tipos de cancro. 

A outra Menção Honrosa premiou o estudo “Abordagem do doente crítico com COVID-19”, coordenado pelo médico João Mendes, do Hospital Fernando da Fonseca, que analisa a resposta da medicina intensiva à primeira vaga da COVID-19. 

A equipa vencedora desta Menção Honrosa reúne profissionais de saúde dos centros hospitalares de referência no combate à pandemia: José Artur Paiva, Roberto Roncon e Mário Branco do Centro Hospitalar Universitário de São João, Filipe Gonzalez do Hospital Garcia de Orta, Paulo Mergulhão do Hospital Lusíadas Porto, Filipe Froes do Hospital Pulido Valente e João Gouveia do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte.

Embora a taxa de letalidade global pelo vírus SARS-CoV-2 não seja elevada (<4%), encontra-se desproporcionalmente aumentada no doente crítico, com mortalidade descrita entre os 39% e os 72%, dependendo do estudo e das características da população de doentes. Em Portugal, e reportando à primeira vaga, os autores concluem que a taxa de letalidade foi baixa. Numa análise preliminar, a mortalidade hospitalar dos internados em Medicina Intensiva na primeira vaga da COVID-19 foi inferior a 20%.

Os autores apresentam algoritmos consolidados pela experiência para as diferentes formas de terapêutica de suporte de órgão, dedicando especial interesse às diferentes, e por vezes complexas, formas de suporte ventilatório e hemodinâmico. Em relação à terapêutica específica centram a análise nos antivirais, nos imunomodeladores e anticoagulantes, entre outros, com benefícios já comprovados por ensaios clínicos, e referem outras com potencial eficácia, ainda que com utilização restrita no âmbito de protocolos de utilização clínica ou integradas em ensaios clínicos. 

Nas conclusões, os autores consideram imperativa a construção de uma infraestrutura nacional no âmbito da medicina intensiva para recolher e trabalhar todos os dados obtidos pela prática, mas também para promover a colaboração interinstitucional para maximizar o acesso e recrutamento de doentes para ensaios clínicos pragmáticos que possam dar resposta às questões clínicas.

Investigação em curso
Foi descoberto um novo tratamento que pode ajudar reduzir a gravidade da síndrome respiratória aguda grave causada pela gripe,...

Testes em ratos infetados com altas doses de gripe mostraram que o tratamento poderia melhorar a função pulmonar em ratos muito doentes e prevenir a progressão da doença em ratos que foram tratados preventivamente após serem expostos à gripe.

A esperança é que também possa ajudar os seres humanos infetados com a gripe, e potencialmente outras causas da síndrome respiratória aguda grave (SARS, sigla em inglês) como a infeção SARS-CoV-2.

As células específicas em ratos são menos capazes de fazer moléculas-chave após a gripe invadir os pulmões, reduzindo a sua capacidade de produzir uma substância chamada surfactante que permite aos pulmões expandir e contrair. A escassez de tensioativo está ligada à SARS, uma doença tão grave que normalmente requer ventilação mecânica numa Unidade de Cuidados Intensivos.

Os investigadores contornaram o processo bloqueado em ratos, reintroduzindo as moléculas em falta sozinhas ou em combinação como um tratamento injetado ou oral. Os resultados: níveis normalizados de oxigénio no sangue e inflamação reduzida nos pulmões do rato.

"A coisa mais importante e impressionante neste estudo é o facto de termos benefícios mesmo quando tratamos a doença tarde. Se pudéssemos desenvolver um medicamento baseado nestas descobertas, podíamos pegar em alguém que vai ter de ir para um ventilador e ter como o evitar", disse Ian Davis, professor de biociências veterinárias na Universidade Estadual de Ohio e autor sénior do estudo. "Não há nada lá fora agora que possa fazer isso para a SARS, e certamente para a gripe."

A SARS também pode resultar de infeções, cancro, trauma e muitas outras doenças. Embora esta terapia tenha sido testada no contexto da gripe, Davis disse que a sua dependência em corrigir uma função celular quebrada no hospedeiro, em vez de matar o vírus, sugere que tem potencial para tratar praticamente qualquer lesão pulmonar.

O estudo foi publicado online recentemente no American Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology.

O tratamento experimental consiste em moléculas conhecidas como liponucleótidos, que são essenciais para produzir surfactante pulmonar. Davis analisou as células pulmonares de ratos infetados pela gripe e determinou que o caminho para a produção de tensoactivos foi interrompido, com um dos dois liponucleótidos necessários completamente indetetável.

"O pensamento anterior era que a razão pela qual havia menos surfactante em ratos com SARS relacionado com a gripe era porque as células estariam a morrer. Este defeito é, de certa forma, melhor -- se as células estão a morrer, não há muito que se possa fazer, mas se houver um problema com o metabolismo da célula, talvez possa consertá-lo", disse Davis.

E corrigi-lo em ratos, desenvolveu terapias que contêm apenas a molécula de liponucleótido em falta ou combinadas com uma ou duas outras.

Davis e a sua equipa inocularam ratos com doses elevadas de gripe H1N1 e depois trataram alguns ratos com liponucleótidos uma vez por dia, durante cinco dias, e outros apenas uma vez cinco dias após a exposição. Os ratos que recebem tratamento diário estavam protegidos de ficar gravemente doentes, e os ratos muito doentes tratados no quinto dia, cuja perda severa de oxigénio e inflamação pulmonar causaram SARS, mostraram melhorias significativas.

"Obviamente é disso que se precisa em alguém com gripe severa -- queremos pegar em alguém que já está na UCI e ajudá-lo a sair mais rápido, ou prevenir a sua entrada nestas unidades.", disse Davis.

"Sempre me interessei em encontrar novas terapias para tratar lesões pulmonares", disse. "O problema com as drogas antivirais é que provavelmente precisas de um medicamento diferente para cada vírus. Além disso, muitos vírus podem rapidamente sofrer mutações para se tornarem resistentes a estes fármacos”.

Estudos até agora têm sido baseados em descobertas em um único tipo de célula pulmonar, mas os cientistas não confirmaram que essas células são as que respondem à terapia - qualquer número de outras células no sistema imunitário, vasos sanguíneos ou coração também podem desempenhar um papel neste processo.

A Fundação de Inovação estatal de Ohio registou patentes que cobrem o âmbito das descobertas de Davis.

O trabalho foi apoiado pelo National Heart Lung and Blood Institute.

Estudo internacional
Apesar de cada vez mais vacinas contra o coronavírus estarem a ser administradas em todo o mundo, muitos países continuam a...

Atualmente a enfrentar uma segunda vaga, tem sido inevitável o colapso os sistemas de saúde. A cidade de Manau, por exemplo, tem sido uma das mais atingidas. As estimativas apontam para que 75% da população da cidade tenha sido infetada até ao início da primavera.

Agora, um novo estudo publicado na Revista Science que conta com a colaboração de especialistas do Brasil, do Reino Unido e da Universidade de Copenhaga veio esclarecer porque está cidade está novamente a enfrentar um novo e devastador surto.

"A nossa principal explicação é que há uma variante agressiva do coronavírus chamado P.1 que parece ser a causa dos problemas. O nosso modelo epidemiológico indica que o P.1 é suscetível de ser mais transmissível do que as estirpes anteriores do coronavírus e suscetível de escapar à imunidade obtida por infeções com outras estirpes", diz o autor correspondente do estudo, Samir Bhatt, investigador do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhaga.

Esta variante surgiu em novembro

Os investigadores usaram múltiplos dados referentes a Manaus para caracterizar o P.1 e as suas propriedades, incluindo 184 amostras de dados de sequenciação genética. Eles descobriram que o P.1 é , geneticamente falando, diferente das estirpes anteriores do coronavírus. Adquiriu 17 mutações, incluindo um importante trio de mutações na proteína do pico (K417T, E484K e N501Y).

"A nossa análise mostra que o P.1 surgiu em Manaus por volta de novembro de 2020. Passou de não ser detetável nas nossas amostras genéticas para representar 87% das amostras positivas em apenas sete semanas. Desde então, espalhou-se por vários outros estados do Brasil, bem como a muitos outros países do mundo", diz Samir Bhatt.

Os investigadores usaram então um modelo epidemiológico para estimar o quão transmissível o P.1 parecia ser. Além de estimar sinais de imunidade obtida por infeção anterior.

"Grosso modo, o nosso modelo incorpora muitas fontes de dados, como a contagem de mortalidade e sequências genéticas e compara duas estirpes de vírus diferentes para ver qual explica melhor o cenário que se desenrola em Manaus. Um era o 'coronavírus normal' e o outro foi ajustado dinamicamente usando aprendizagem automática para melhor nos adaptarmos aos eventos reais no Brasil", diz Samir Bhatt.

Esta modelo permitiu que os investigadores concluíssem que P.1 é provável que seja entre 1,7 e 2,4 vezes mais transmissível do que as outras linhagens do coronavírus.

Também concluem que p.1 é suscetível de escapar entre 10 e 46 por cento à imunidade obtida de infeção com coronavírus não-P.1.

"Como investigadores, temos de ter cuidado para que estes resultados sejam aplicáveis em qualquer outro lugar do mundo. No entanto, os nossos resultados sublinham que é necessária mais vigilância das infeções e das diferentes estirpes do vírus em muitos países para controlar totalmente a pandemia", remata Samir Bhatt.

Investigação
Quando funciona corretamente, o von Willebrand Fator (vWF) – uma glicoproteína responsável pelo processo de coagulação - ajuda...

Segundo X. Frank Zhang, professor associado do Departamento de Bioengenharia da Universidade de Lehigh, existe apenas um medicamento aprovado pela FDA para atingir o vWF e tratar a trombose, ou distúrbios excessivos de coagulação sanguínea: o Caplacizumab. Este fármaco funciona ligando-se ao vWF bloqueando-a sua ligação às plaquetas. No entanto, ainda ninguém compreendeu o mecanismo específico que está por trás deste feito.

Agora, e pela primeira vez, Zhang e a equipa de investigação da Emory University School of Medicine e da Universidade de Nottingham identificaram o elemento estrutural específico do vWF que lhe permite ligar-se às plaquetas dando início ao processo de coagulação. A equipa diz que a unidade específica, a que chamam módulo autoinibitório descontínuo, ou AIM, é um local privilegiado para o desenvolvimento de novos fármacos. O trabalho é descrito num artigo publicado na semana passada na Nature Communications, "Ativação do fator von Willebrand através do desdobramento mecânico do seu módulo autoinibitório descontínuo."

"O módulo AIM permite que a molécula vWF permaneça não reativa no sangue circulante normal, e ativa o vWF instantaneamente após a hemorragia", diz Zhang. "Na nossa investigação, identificámos que o Caplacizumab trabalha vinculando a região AIM da VWF e reforçando o limiar de força para remover mecanicamente as estruturas autoinibitórias do vWF, abrindo uma nova via para o desenvolvimento de fármacos antitrombóticos direcionados para as estruturas AIM."

Uma característica essencial do vWF é que permanece não reativo em relação às plaquetas a maior parte do tempo em circulação, diz Zhang. No entanto, em locais de hemorragia, o vWF pode ser ativado quase instantaneamente para alcançar a adesão de plaquetas e a formação de coágulos sanguíneos. Nesta pesquisa, a equipa identificou um elemento estrutural, o AIM, localizado em torno da parte do vWF, denominado domínio A1, que é responsável pela ligação às plaquetas.

"Em sangue circulante normal", explica Zhang "o AIM envolve a A1 e impede que a A1 interaja com as plaquetas. No entanto, no local de ligação, a alteração do padrão de fluxo sanguíneo leva a uma força hidrodinâmica suficiente para esticar o AIM e retirá-lo da A1, permitindo que o A1 agarre as plaquetas ao local da hemorragia."

Zhang, que estuda vWF há anos, é especialista em espectroscopia de força de molécula única e mecanosenização, ou como as células respondem a estímulos mecânicos. Ele usa uma ferramenta especializada chamada pinça ótica, que utiliza um raio laser focado para aplicar força a objetos tão pequenos quanto uma molécula.

"As pinças óticas podem agarrar objetos minúsculos", explica Zhang. "Podemos agarrar o vWF e, ao mesmo tempo, aplicamos força para ver como a proteína muda de forma, para ver como as proteínas são ativadas quando há uma perturbação mecânica ou uma força mecânica."

Zhang diz que antes de realizar o estudo, a equipa suspeitava que iria encontrar um módulo autoinibitório, dada uma pesquisa anterior.

"No entanto, não esperávamos que este módulo inibidor desempenhasse um papel tão importante na vWF", diz Zhang. "Não só controla a ativação vWF para a interação com a plaqueta, como desempenha um papel no desencadear de alguns tipos de doença de von Willebrand, uma doença hemorrágica hereditária que afeta 1% da população humana."

Grupo de risco
O aumento acentuado das mortes de grávidas infetadas com Covid-19 está a preocupar as autoridades brasileiras, que no meio de...

As mortes médias de grávidas e puérperas infetadas com Covid-19 duplicaram no Brasil em 2021 face a 2020, um aumento que os especialistas atribuem à disseminação de novas variantes e às frágeis políticas de saúde do país.

Só entre janeiro e abril deste ano, pelo menos 433 mulheres grávidas ou mulheres que deram à luz recentemente morreram em resultado da Covid-19, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Além disso, um relatório do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19, mantido por investigadores de três universidades brasileiras, mostrou que o número médio semanal de mortes aumentou 62% este ano na população em geral, enquanto entre grávidas e puérperas esse crescimento foi de 186%.

"As mulheres grávidas que ficam infetadas têm um risco acrescido de sofrer de doença grave e de necessitar de cuidados intensivos, intubação, o que também se torna um risco para a gravidez", disse à agência Efe Rossana Pulcineli Vieira Francisco, uma das responsáveis pelo observatório.

A investigadora explicou que, devido às alterações fisiológicas no corpo durante a gravidez, as grávidas estão mais expostas a riscos de infeção e desenvolvem complicações, mas notou que o perigo é "agravado" por um "sistema de saúde que já tem muitas fraquezas nos cuidados de gravidez e pós-parto".

O Brasil, com quase 400.000 mortos e 14,4 milhões de infeções por coronavírus, viu o seu sistema de saúde à beira do colapso, com grande parte das unidades de cuidados intensivos a transbordar e com falta de medicamentos para manter os doentes entubados.

A situação agravou-se ainda mais com a disseminação de novas variantes da Covid, que já eram mais contagiosas do que a estirpe original e levou a uma rápida escalada da doença, especialmente entre a população mais jovem, que é também a que mais engravida.

Face a esta situação, revela o jornal El Mundo, o Ministério da Saúde recomendou recentemente que as mulheres brasileiras, se possível, adiem os seus planos de gravidez. Além disso, as mulheres grávidas e puérperas foram incluídas, esta semana, no grupo prioritário de vacinação, uma vez que "têm um elevado risco obstétrico independentemente da idade".

Nas áreas da fibrilhação auricular e tromboembolismo venoso
Está a decorrer o processo de Submissão de Propostas a um Programa Competitivo de Bolsas promovido pela Pfizer, em colaboração...

Com a missão de apoiar a inovação na formação independente para profissionais de saúde, as bolsas atribuídas através desta colaboração serão financiadas pela Pfizer, mas revistas e aprovadas por ambas as empresas.

Estas bolsas estão inseridas no programa Pfizer Global Medical Grants (GMG), criado para apoiar iniciativas independentes, com o objetivo de melhorar os resultados em saúde e responder a necessidades médicas não satisfeitas, alinhadas com a estratégia científica da Pfizer.

O GMG Competitive Grant Program da Pfizer é divulgado através deste Request for Proposal (RFP) que detalha as áreas de interesse e estabelece prazos de revisão e aprovação. Os projetos de educação médica submetidos serão analisados por um painel de revisores da Pfizer, que irão selecionar os projetos para financiamento. A Pfizer não tem influência sobre nenhum aspeto dos projetos e apenas solicita relatórios sobre os resultados e sobre o impacto dos projetos para compartilhá-los publicamente.

Mais informações em: Fibrilhação auricular e Tromboembolismo venoso

 

 

 

Famílias monoparentais
As clínicas IVI, que fazem parte do maior grupo de medicina reprodutiva do mundo, acabam de lançar um Guia Prático para...

Embora exista hoje uma maior diversidade de famílias, as mulheres ainda sentem algum estigma em relação à maternidade independente. “Continuam a ser comuns sentimentos de culpa ou egoísmo, alguns medos associados à decisão de ter um filho sem pai. Para algumas mulheres esta decisão implica renunciar a um modelo de família idealizado no passado. É importante que partilhem esta decisão com as pessoas que lhes estão mais próximas e que tenham algum suporte”, explica Filipa Santos.

O lançamento do Guia Prático é um dos complementos da consulta de psicologia, onde é explorada e apoiada a tomada de decisão da maternidade independente, para que a gravidez possa ser vivida de forma serena, confiante e segura. “Apesar de chegarem até nós com a decisão tomada e de terem toda uma equipa de suporte para esclarecer todas as dúvidas e receios, sentimos que era necessário ir mais além. Daí a ideia de criar um guia”, afirma a psicóloga.

Decidir ter um filho no contexto de um projeto de maternidade independente é uma decisão que implica liberdade, coragem, mas muitas vezes, esta decisão também pode estar associada a alguns medos. “A diferença é que estas mulheres que se sentem livres para escolher, também têm medos, mas escolhem desafiá-los”, sublinha.

Em Portugal, a alteração à lei da Procriação Medicamente Assistida, em 2017, permitiu o acesso de mulheres sem companheiro aos tratamentos de reprodução. A partir dessa altura, começaram a surgir em Portugal famílias monoparentais desde a sua origem. É possível ser mãe recorrendo a uma inseminação artificial ou fecundação in vitro (FIV) com sémen de dadores, mas também se podem utilizar os óvulos de uma dadora se for necessário, ou recorrer à doação de embriões. Todas estas opções ajudam a mulher a conseguir realizar o sonho de ter um filho.

De acordo com Filipa Santos, as mulheres que optam pelos tratamentos de procriação medicamente assistida, em vez da adoção, por exemplo, “fundamentam a sua decisão sobretudo pelo desejo de viver o lado biológico da maternidade, isto é, a gravidez, o parto e a parentalidade desde o primeiro momento”. Acrescenta que os estudos publicados a respeito referem que no processo de tomada de decisão influem vários fatores como a estabilidade laboral e a estabilidade financeira, um desejo prévio de maternidade cuja satisfação se tenha adiado, a não existência de um companheiro com quem partilhar a maternidade e a consciência de existir uma idade limite para ser mãe.

Ultrapassar comentários desagradáveis

Um dos maiores receios das mulheres que optam pela maternidade independente está relacionado com a comunicação da decisão à família. “Aconselhamos que a comunicação seja feita de uma forma explicita e aberta. Estas pessoas fazem parte da esfera mais íntima e os comentários que poderão fazer, à partida não serão mal-intencionados, por vezes os outros também têm o seu caminho a fazer”, refere Filipa Santos.

Outro momento que causa inquietação prende-se com a forma e o momento de falar com a criança. “É natural questionar-se quando e como é que se deve começar a falar sobre o assunto. O momento é escolhido por cada mãe. Há mães que desde a gravidez ou quando trocam fraldas aos seus bebés lhes começam a contar a forma como vieram ao mundo. O como, é bem fácil: sempre a partir do amor, do carinho e da ternura que um filho desperta numa mãe”. Para a psicóloga, a melhor solução “é lidar com o tema com normalidade e transmitir desde o princípio que o desejo sempre foi que ele estivesse na vida da mãe”.

A história de Neuza: Sorrisos superam ansiedades e cansaço

Neuza Soares tem 41 anos e é uma das muitas mulheres que optou pela maternidade independente. A filha tem hoje 14 meses e é fruto de um sonho tornado realidade. “Tinha algum receio de como a família iria reagir, mas estiveram comigo a 100% desde o início e são o meu pilar. Por mais que consigamos dar conta de criar o nosso filho sozinhas por vezes precisamos do apoio de alguém”, revela esta mãe.

Embora admita que nem sempre é fácil encontrar tempo para tudo, apesar do apoio familiar, encontra forças para vencer o cansaço “em cada sorriso e em cada passo que dá, em cada nova conquista”. Conta ainda que mesmo as pessoas mais velhas a quem vai revelando como a sua família foi criada têm reagido de forma muito positiva.

“O caminho pode ser difícil, com obstáculos e a ansiedade por vezes toma conta de nós, mas quando vemos o nosso sonho realizado é um sentimento inexplicável. Não há no mundo amor como aquele que sentimos pelo nosso filho. Não desistam do vosso sonho”, remata Neuza Soares.

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