Opinião
Miguel Durães, Presidente da Recovery IPSS, hoje escreve sobre aquele que se considera ser "um
Caro leitor,
Vamos abordar, na minha opinião, um dos quadros clínicos mais intrigantes e excitantes da psicopatologia! Alguns dos seus sintomas são, ainda hoje, herméticos à luz do conhecimento científico e têm tanto de antigo como de atual.
A esquizofrenia é uma doença mental crónica que afeta 1% da população mundial, sendo que se manifesta entre os 15 e 35 anos. A incidência maior surge na passagem da adolescência/juventude para a fase adulta, entre os 18 e os 25 anos. 

Existindo, de igual modo, casos de incidência “tardia” na etapa de desenvolvimento comummente conhecida como “meia idade”, por volta dos 30 anos, assim como são, ainda, reportados casos de esquizofrenia infantil (em menor número e mais raros). Estima-se que existam cerca de 25 milhões de pessoas portadoras de esquizofrenia.

Em Portugal, e um pouco como em todo o mundo, para sermos corretos, existe ainda pouco conhecimento sobre a prevalência, custos ou impacto socioeconómico de uma doença crónica que afeta as pessoas ao nível da sua funcionalidade executiva, ou seja, capacidade para trabalhar, para estudar, para viver de forma independente ou até para cuidarem de si mesmos.

Segundo alguns dos estudos que foram realizados no nosso país nos últimos anos, podemos estimar que existam, devidamente diagnosticados, cerca de 50 mil pessoas portadoras de esquizofrenia, sendo que se sabe que nem todos têm, quer no setor público, quer no setor social/convencionado ou setor privado, qualquer tipo de acompanhamento médico e/ou especializado. Aliás, um estudo sério, realizado em 2015 por várias entidades credíveis no nosso país, concluiu que cerca de 16% não eram, sequer, seguidos por um médico.

Existem vários tipos de esquizofrenia – p.e. paranoide, catatónico, desorganizado, indiferenciado, entre outros. Não teríamos espaço neste artigo para nos debruçarmos, convenientemente, sobre todas as particularidades dos tipos de esquizofrenia existentes, porque são todos muito diferentes entre eles, apesar de manterem sintomatologias que são comuns.

As Esquizofrenias são perturbações mentais graves que se aproximam umas das outras muito pela designação de «psicose» ou «psicótico», ou seja, todas elas apresentam «sintomas psicóticos». Por essa razão, para que possamos compreender estas perturbações, necessitamos, primeiramente, de nos debruçar sobre o termo «psicose».

Caro leitor, o termo «psicose» não é consensual na comunidade científica (sem consenso/aceitação universal) e pode/deve ser percecionado por diversos prismas de entendimento. No entanto, pode dizer-se que «psicose» é um estado mental que se caracteriza pelo “corte com a realidade”, ou seja, “pela perda dos limites do eu”. Normalmente, os indivíduos com perturbações psicóticas apresentam «ideias delirantes», «alucinações», assim como, «comportamento e discurso desorganizado». Pode existir, ainda, um marcado défice da capacidade funcional para a realização de atividades do quotidiano dos indivíduos. Uma variedade muito grande de stressores do sistema nervoso, orgânicos e/ou funcionais, são capazes de despoletar um surto psicótico. Pode ter como causa a predisposição genética e orgânica, assim como, a ambiental/psicossocial (desempenho de papeis, comunicação, autocontrole, memória, etc.).

No entanto, é importante relembrar que a «Esquizofrenia» não é passível de ser identificada pela prova anatómica e/ou biológica, o seu diagnóstico é feito tendo por base a análise clínica dos sintomas, por vezes numerosos e muito complexos, estando estes divididos em sintomas positivos – ou agudos (disfunções das funções cerebrais) - e sintomas negativos – ou crónicos (perda ou diminuição dessas funções). Ora, muitas vezes, o que acontece é que os subtipos de Esquizofrenia se diferenciam entre si apenas quanto à sintomatologia positiva.

Os sintomas negativos apresentam-se como sendo relativamente comuns em todos os subtipos, ou seja, surgem como consequência da doença na vida das pessoas e no seu mundo envolvente. Por causa desta doença, é frequente que percam o emprego, se divorciem ou separem, se tornem novamente dependentes dos pais, se isolem e reduzam, significativamente, o seu número de contactos sociais e relacionais. E para este tipo de problemas não há “comprimido” que resulte, a não ser a intervenção e os programas de reabilitação psicossocial ou da metodologia recovery.

Pela experiência que tenho, e que temos na RECOVERY, muitos são os relatos dos doentes e seus familiares/cuidadores informais que se resumem à seguinte frase: «parece que assisti à morte da pessoa tal como a conheci!».

Na RECOVERY (www.recovery.pt), o tratamento e a reabilitação de pessoas portadoras de esquizofrenia e seus familiares/cuidadores são, de facto, uma das nossas maiores especialidades. É uma perturbação que tantas “pessoas fantasma” afeta e com a qual muitas famílias desamparadas sofrem “em silêncio”, sem compreensão, sem compaixão, sem apoio.

Sabemos, de antemão, que é necessária uma intervenção combinada, ou seja, medicamentosa para controlar os sintomas positivos (atividades delirantes, alucinações, etc.) e de reabilitação psicossocial para trabalhar a sintomatologia negativa e crónica, devolvendo a esperança e o controle novamente sobre as suas vidas.

Estamos cientes de que esta é uma doença que afeta a autonomia das pessoas e com uma elevada taxa de incapacidade psicossocial. No entanto, sabemos, de igual modo, que quanto mais cedo esta é identificada e quanto mais cedo a ajuda especializada é alcançada, maior é a probabilidade de prognóstico e sucesso no futuro destas pessoas.

Sabemos, com propriedade, que a recuperação (clínica e pessoal) é possível! As pessoas podem atingir o recovery com este tipo de perturbação, podendo sentir-se novamente úteis na sociedade, quer a nível profissional, quer educacional, familiar ou outros.

O sucesso da superação desta doença depende muito de caso para caso e depende sempre de muitos fatores, nomeadamente, da sociedade em que vivemos estar ou não sensível e direcionada para a inclusão destas pessoas e dos seus cuidadores de uma forma verdadeiramente justa, equitativa e dignificadora dos seus direitos, liberdades e garantias!

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, três mortes e 572 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos...

Segundo o boletim divulgado, a região norte foi a única a registar três óbitos, desde o último balanço. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não têm mortes a assinalar nas últimas 24 horas. 

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 572 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 186 novos casos e a região norte 261. Desde ontem foram diagnosticados mais 61 na região Centro, dois no Alentejo e 31 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais nove infeções e nos Açores 22.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 332 doentes internados, menos 14 que ontem. No entanto, as unidades de cuidados intensivos passaram a ter mais dois doentes internados. Atualmente, estão em UCI 88 pessoas.

O boletim desta quarta-feira mostra ainda que, desde ontem, 576 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 794.781 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 23.809 casos, menos sete que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância menos 299 contactos, estando agora 24.712 pessoas em vigilância.

 

Prevenção do Cancro Cutâneo
No próximo dia 3 de maio, pelas 12h, a Campeã Mundial de Bodyboard, Joana Schenker e o médico dermatologista Paulo Morais,...

Com o verão a chegar, explicarão também algumas estratégias sobre como beneficiar da sua exposição. A conversa terá lugar na plataforma Check-up virtual, num espaço exclusivo e dedicado à prevenção do cancro cutâneo, que poderá visitar aqui.

A exposição solar tem inúmeros benefícios, tornando-o um aliado para a saúde da população. No entanto, uma exposição solar incorreta é perigosa e pode acarretar diversos riscos, entre eles, o desenvolvimento de cancro cutâneo – em Portugal, de acordo com os dados mais recentes, surgem cerca de 12 mil novos casos por ano. Paulo Morais, médico dermatologista, participa nesta conversa online para explicar os sinais aos quais devemos estar alerta e quais os principais cuidados e estratégias de prevenção para possamos beneficiar do sol, garantindo o mínimo de danos para a pele.

São já sete os títulos consecutivos de campeã nacional de bodyboard que Joana Schenker coloca no currículo do desporto nacional, a que se somam anos de treino e trabalho, sempre acompanhada pela luz e calor do sol algarvio. No próximo dia 3 de maio, a bodyboarder irá revelar algumas das suas estratégias e conselhos para quem, como ela, tem uma profissão com exposição solar direta.

A Check-Up estará no ar até ao final deste ano e tem como objetivo proporcionar uma experiência de navegação imersiva, dispondo de um programa de sessões virtuais abertas ao público, para assegurar o envolvimento com a audiência, bem como vídeos informativos, questionários, dicas, sugestões para uma vida mais saudável e recomendações dadas por médicos especialistas em cada uma das áreas. As iniciativas são realizadas em colaboração com profissionais médicos, sociedades médicas, associações e outras entidades do setor.

Aceda ao webinar em  https://checkup.com.pt/cancro-cutaneo/participe-na-conversa  e  https://www.facebook.com/checkup.pt

Crianças e jovens auscultados
A promoção do bem-estar físico e psicológico, a educação para a sexualidade, a prevenção do tabagismo e do consumo de álcool, a...

O documento Agenda da Juventude para a Saúde na Próxima Década 2020-2030 tem por base um questionário e grupos focais com jovens e a participação de crianças e jovens em idade escolar em debates em meio escolar e webinares, e está aberto, agora, à discussão pública até ao dia 14 de maio. Pode ser consultado AQUI e os jovens podem deixar os seus contributos num formulário disponível no site do CNS. A versão final será apresentada ao Governo e aos deputados da Assembleia da República e constitui um contributo para a elaboração do Plano Nacional de Saúde 2021-2030. 

“As crianças e as pessoas jovens são fundamentais na construção da sociedade; substituirão as gerações atualmente em idade ativa, influenciarão os comportamentos das próximas gerações e, também, das gerações mais velhas. São, inequivocamente, as mais ativas defensoras da luta contra as mudanças climáticas e contra as iniquidades vividas na sociedade de hoje, afirma-se no documento onde é sublinhado que “a saúde das crianças e jovens é não só um direito humano como um recurso fundamental para uma sociedade mais saudável e justa - agora e no futuro”.  

A vice-presidente do CNS, Isabel Loureiro, lembra que a pandemia de COVID-19 tem colocado desafios sem precedentes às crianças, aos jovens, e às suas famílias. “Interrupções do ensino presencial e confinamentos prolongados têm vindo a limitar o seu desenvolvimento intelectual, mental, físico e social. A pandemia e as medidas implementadas para a sua contenção têm vindo a afetar todos, mas ainda mais as crianças e jovens que vivem em situações mais vulneráveis, como em casas sobrelotadas, com más condições estruturais, de aquecimento ou ventilação, sem acesso a meios digitais ou a alimentação em quantidade e qualidade adequada, ou expostas a violência doméstica”. 

Planeamento na perspetiva da juventude

Isabel Loureiro argumenta que estão demonstradas as vantagens da participação na identificação e resolução dos problemas por quem é afetado por eles: “para além de serem capazes de apontar as soluções mais adequadas à sua situação, ao sentir-se protagonistas do seu próprio destino, as crianças e os jovens poderão tornar-se determinantes na implementação das medidas por eles propostas”.  

Um dos méritos desta Agenda é o garantir, desde o primeiro momento, o planeamento de serviços e de políticas de saúde na perspetiva dos próprios jovens. “Importa conhecer as necessidades de saúde nestes grupos e importa, com eles, definir estratégias adequadas para as mitigar. Estes processos devem incluir os jovens, desde o seu desenho até à sua avaliação, passando pela implementação das estratégias ou a provisão dos serviços”, salienta.  

De acordo com a vice-presidente do CNS, os jovens “olham para a escola de forma muito positiva”, mas pedem mudanças. “Acham que existe uma carga letiva excessiva e uma cultura muito centrada nos resultados e no perfil do bom aluno. Por isso pedem um maior equilíbrio e incentivo para o convívio, partilha de experiências e projetos que estimulem o associativismo, e a presença de mais técnicos de saúde na escola, como psicólogos. Também identificam a necessidade de se fiscalizar melhor o cumprimento da legislação em vigor para proteção dos comportamentos de risco – como o a venda de tabaco e álcool a menores”. 

A auscultação revelou ainda preocupações relacionadas com a cooperação e o envolvimento das autarquias, por exemplo, na gestão dos transportes para as atividades físicas, desporto e apoio económico aos alunos carenciados. Os jovens sugerem ainda que sejam dinamizados os Conselhos Municipais da Juventude, criados em 2009, mas que não estão a funcionar em pleno no país. 

A Agenda da Juventude para a Saúde para a década 2020-2030 que entra agora em fase de consulta pública é o resultado de uma ampla participação das crianças e dos jovens, alcançada através de um conjunto de iniciativas destinadas a identificar as suas preocupações, prioridades e sugestões de resolução. Foram auscultadas centenas de crianças e jovens através de grupos focais, questionários, debates em meio escolar e debates públicos em webinares.  

As propostas das várias centenas de crianças e jovens que participaram neste processo foram integrados em quatro níveis de atuação, para uma infância, juventude e sociedade futura mais saudável: o acesso a informação e formação em saúde promotora de comportamentos saudáveis,  a garantia de acesso a cuidados de saúde, o fomento de ambientes saudáveis, e a participação das crianças e jovens na definição e avaliação de intervenções em saúde. 

 

Comemorações realizam-se pela primeira vez em formato online
A Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) vai promover, pela primeira vez na sua história, as comemorações do mês de maio em...

O acesso à plataforma “Maio no Coração” vai estar disponível já a partir do dia 1 de maio e estão já agendados vários eventos, nomeadamente a já conhecida Sessão Solene da FPC, no dia 3 de maio, onde serão apresentados os resultados de um estudo sobre Covid-19 e onde será dada a conhecer a campanha de Maio, Mês do Coração.

Para os dias 13 e 14 de maio está também marcado um Summit para profissionais de saúde, com foco na temática da Covid-19 e o seu impacto no coração e na atividade física. Esta iniciativa é exclusiva para profissionais de saúde, estando sujeita a uma inscrição prévia numa área específica da plataforma.

“A pandemia de Covid-19 obrigou à reestruturação de vários setores de atividade e mudou a forma como as pessoas interagem entre si e, neste sentido, a Fundação Portuguesa de Cardiologia não podia deixar passar mais um ano sem marcar aquele que é o mês mais importante em termos de sensibilização para as doenças cardiovasculares. Assim, acreditamos que, este ano, vamos conseguir ultrapassar este desafio e reunir num espaço virtual as principais atividades que costumávamos realizar em formato presencial e continuar a fazer a diferença na vida das pessoas”, salienta Manuel Oliveira Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

“Este será um espaço inovador, onde as pessoas vão poder consultar informação extremamente útil sobre as doenças cardiovasculares. Vamos trazer também diversas novidades e convidamos, por isso, todas as pessoas a estarem atentas à nova plataforma para acompanharem as atividades que preparámos para todo o mês de maio”, conclui.

 

"Especial Grávida" realiza-se já no próximo dia 1 de maio
Para assinalar o Dia Da Mãe, a academia Mamãs sem Dúvidas, realiza no próximo dia 1 de maio uma nova edição do evento online ...

A 7.ª edição do evento 100% online “Especial Grávida”, que vai decorrer entre as 15h30 e as 18h00, vai contar com a participação de vários especialistas das áreas da saúde feminina e da puericultura para abordar os temas programados:

“Primeiros 3 meses: exterogestação”, com Inês Claudino, médica pediatra e fundadora do projeto Dona Bebé, que vai explicar e partilhar dicas sobre o período gestacional realizado fora do útero, após o parto do bebé, de forma a recriar o ambiente uterino fora do corpo da mulher para aumentar o conforto da criança, bem como contribuir para o seu desenvolvimento de forma adequada.

“Células Estaminais: Para que servem? Vale mesmo a pena guardar?”, com o contributo de Diana Santos, formadora do laboratório português de criopreservação BebéVida, que vai abordar os benefícios terapêuticos da recolha do sangue do cordão umbilical do bebé na altura do parto.

“Amamentação: dicas e conselhos práticos”, temática que vai ser explorada pela Enfermeira Sónia Ferreira, especialista em saúde materna e obstetrícia, com sugestões úteis para as recém mamãs.

E, ainda, “6 exercícios de Yoga para ajudá-la na gravidez”, com as recomendações da Enfermeira Telma Cabral, fundadora da Academia Telma Cabral.

A participação no evento é gratuita, mas requer inscrição no site da Mamãs sem Dúvidas aqui. Ao inscreverem-se, as futuras mamãs habilitam-se a receber um cabaz de ofertas no valor de 400€ que inclui: uma bomba elétrica Nuvita, uma almofada Nuvita 10 em 1, uma mala de maternidade da Bioderma, um kit pré-mamã da Elifexir, uma ecografia 4D – Eco MyBaby Essencial da BebéVida.

Para mais informações sobre a academia Mamãs sem Dúvidas, próximos eventos e conteúdos informativos consulte o website mamassemduvidas.pt . 

Estudo
Os efeitos secundários mais frequentes das vacinas contra a Covid-19 são a dor no local da injeção. No entanto, cerca de uma em...

Os investigadores do ZOE Covid Symptom Study analisaram os sintomas reportados por 627.383 pessoas nos oito dias após terem sido vacinadas.

Cerca de 70% das pessoas que foram inoculadas com a vacinada Pfizer relataram reações como dor, vermelhidão ou inchaço, no local da injeção. 60% daqueles que foram vacinados com a vacina da AstraZeneca apresentaram as mesmas reações.

A tendência foi invertida para as reações que afetam todo o corpo em vez de apenas o local da injeção. Assim, avançam os especialistas, do que receberam a vacina da AstraZeneca, 34% reportou alguma reação "sistémica" (corpo inteiro) como dor de cabeça, cansaço ou calafrios. Já entre aqueles que receberam a vacina da Pfizer, 14% apresentou manifestações semelhantes após a primeira dose, e 22 % após a segunda.

O sintoma mais comum foi a dor de cabeça, sublinha a equipa de investigação.

Segundo o autor principal do estudo, Tim Spector, do King’s College London, estas descobertas devem tranquilizar as pessoas uma vez que os efeitos secundários da vacina são "geralmente leves e de curta duração".

No entanto, o investigador ressalvou que existe uma grande variedade de respostas à vacina, tal como acontece para o vírus, e que dependem da idade e do sexo, entre outros fatores.

Entre todos os utilizadores vacinados da aplicação de sintomas ZOE, um em cada quatro (25%) teve uma destas reações corporais e dois terços (66%) teve uma reação local.

As mulheres, as pessoas com menos de 55 anos e as que tiveram uma infeção Covid no passado eram mais propensas a sofrer efeitos secundários.

Na fase final dos ensaios clínicos da vacina da Pfizer, cerca de 77% das pessoas tiveram dor no local da injeção em comparação com pouco menos de 30% neste estudo, enquanto a proporção de pessoas que sofrem de fadiga e dor de cabeça era três a cinco vezes menor.

Para AstraZeneca, cerca de metade das pessoas tiveram uma reação corporal como febre ou fadiga, tal como foi registrado em ensaios clínicos.

Isto pode ser explicado pelo facto de as pessoas nos ensaios clínicos serem mais jovens e saudáveis, ou porque estarem mais nervosas por participarem ensaio de uma vacina experimental podem estar mais nervosas, estando por isso mais propensos a identificar sintomas, sugeriu Tim Spector.

Estudo
De acordo com um estudo realizado por especialistas, no Reino Unido, é possível reduzir em metade o risco de transmissão do...

Neste estudo, a proteção contra a Covid foi avaliada 14 dias após a vacinação, registando níveis de proteção semelhantes, independentemente da idade de casos ou contactos, referiu a agência governamental em comunicado.

Além disso, refere a BBC,  a proteção estava acima do risco reduzido de uma pessoa vacinada desenvolver infeção sintomática, - que é de cerca de 60 a 65% - quatro semanas após uma dose de qualquer uma das vacinas.

Segundo Mary Ramsay, chefe da imunização da PHE, "as vacinas são vitais para nos ajudar a voltar a um modo de vida normal. Não só as vacinas reduzem a gravidade da doença e previnem centenas de mortes todos os dias, como vemos agora que também têm um impacto adicional na redução da probabilidade de passar a Covid-19 para os outros."

No entanto, apesar de ter dito que as descobertas eram "encorajadoras",  a especialista ressalvou que era importante que as pessoas continuassem a agir como se tivessem o vírus, "praticassem uma boa higiene das mãos e seguissem orientações de distanciamento social".

As famílias são configurações de alto risco para a transmissão, o que significa que o estudo fornece evidências precoces sobre o impacto das vacinas na prevenção da transmissão em diante, disse a PHE.

Resultados semelhantes podem ser esperados noutras configurações com riscos de transmissão semelhantes, como alojamento partilhado e prisões, acrescentou.

O epidemiologista da Universidade de Warwick, Mike Tildesley, disse que as descobertas eram significativas, mas pressionou as pessoas a continuarem a aceitar ofertas de vacinação.

"Temos de nos lembrar que estas vacinas não são 100% eficazes, quer para prevenir sintomas graves, quer para permitir que sejam infetadas, mas as evidências sugerem que estão a fornecer pelo menos algum nível de proteção para transmitir o vírus se você ficar infetado", disse citado pela BBC.

Para o epidemiologista, este estudo é uma evidência extra de que o maior número possível de pessoas precisava de ser vacinado, mesmo que não estejam em risco de desenvolver sintomas graves, de modo a obter níveis de proteção muito mais elevados em toda a população e reduzir o número de pessoas que adoecem gravemente e morrem da doença.

Esta é a mais recente prova que indica que as vacinas estão a atrasar a transmissão do vírus, bem como a salvar vidas, salientou.

 

Lançamento acontece por forma a assinalar o Mês do Coração
Numa lógica de consolidar a missão que abraça há 40 anos, a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) prepara-se para lançar a...

Com uma periodicidade trimestral, a revista funcionará como um apelo para a população investir mais na prevenção da doença cardiovascular, através da redução dos fatores de risco comuns e da promoção do bem-estar físico e mental.

“Decidimos dar este passo, com o propósito de dar continuidade ao compromisso de promover a saúde pública e de aumentar a literacia em saúde. Ao longo das várias edições da revista, vamos publicar artigos pedagógicos e partilhar atividades que a Fundação desenvolve, com vista a combater os fatores de risco evitáveis como o tabaco, o álcool, uma dieta desequilibrada e a inatividade física”, explica o editor do primeiro número da revista, Paulo Monteiro.

Em formato papel e digital, “Coração Em Forma” terá uma tiragem/distribuição média de 80.000 exemplares, dividida entre os assinantes do Jornal Económico (10.000 exemplares) e a newsletter deste órgão (45.000).  Para além deste universo, a revista será também distribuída a todos os profissionais de saúde constantes da Base de Dados da SaúdeOnline (25.000).

“Esta revista pretende ser um veículo de informação atual e rigorosa, com vista à prevenção das patologias que afetam o coração. Enquanto parceiros responsáveis pela redução do aumento da mortalidade por acidentes cardiovasculares cerebrais e enfartes do miocárdio, fez-nos sentido dar corpo a este projeto, e lançar um suporte de comunicação útil para a sociedade”, remata Manuel Carrageta, presidente da FPC.

 

Sessão decorre no dia 29 de abril
Prosseguem as conversas organizadas pela Escola de Medicina da Universidade do Minho em torno da saúde e do futuro da saúde em...

Este é um debate da maior importância, não apenas pelo delicado contexto de saúde pública que atravessamos, mas também pela elevada procura por cuidados de saúde que se adivinha no futuro próximo, quando o final da pandemia permitir a retoma do normal funcionamento dos serviços hospitalares e das várias especialidades médicas.

Novamente em formato webinar, a discussão terá lugar no próximo dia 29 de abril, às 21h30, e contará com as contribuições de Céu Mateus (Economista da Saúde e Professora na Universidade de Lancaster, no Reino Unido), Nuno Sousa (Médico e Professor Catedrático na Escola de Medicina da UMinho) e Sandra Ribeiro (Presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género). A conversa será moderada pela estudante de Medicina Cátia Seabra.

Para acompanhar a sessão, basta aceder ao link disponibilizado pela Escola de Medicina da UMinho.

 

Opinião
O conhecimento científico adquirido nas últimas décadas conduziu a um avanço significativo no chamad

A Anestesiologia é uma especialidade médica com atividade hospitalar transversal em diferentes áreas, dispondo na atualidade de técnicas seguras e adequadas à especialidade dos novos desafios.

A “governance” clínica do perioporatório anestésico é da responsabilidade do anestesiologista, que se rege por protocolos aprovados por “consensus” em reuniões internacionais. Assim no pré-operatório a avaliação do paciente deve contemplar o estado físico (classificação ASA (I a V) segundo a American Society of Anaesthesiology) e o estado funcional (história clínica do paciente e estudo pré-operatório). Definido o risco anestésico-cirúrgico passa-se à estratégia anestésica do intra e pós-operatório personalizando-a para cada paciente.

Equipas multidisciplinares experientes e treinadas são determinantes na minimização de riscos inerentes, salvaguardando assim a segurança do paciente (Safe Anaesthesic/ Sedation).

A Cirurgia Estética é uma valência diferenciada e tecnicamente exigente da Cirurgia Plástica, a que habitualmente recorrem jovens mal identificados com a sua imagem corporal, ou adultos para correção de deformidades ou lesões deformantes pós trauma ou neoplasia, ou ainda para reversão dos nefastos e indesejáveis efeitos do envelhecimento ou obesidade. Articula-se com outras valências da estética que contribuem na total recuperação do paciente.

A Cirurgia Estética pode ser considerada uma cirurgia de risco potencialmente minor, por haver um envolvimento quase exclusivo de procedimentos de extensão variável na superfície corporal sem invasão de cavidades anatómicas ou envolvimento de órgãos da economia dos pacientes.

Assim e desde que se verifiquem determinados pressupostos, podemos considerar que em contexto não hospitalar de cirurgia estética, a associação das técnicas de sedação e anestesia local ou local tumescente ser considerada técnica anestésica de eleição. Procedimentos estes que se complementam na diminuição dos estímulos dolorosos, o que se traduz num evidente benefício para o paciente, pois ao bloquear o estímulo doloroso periférico, reduz-se assim o nível de sedação necessária.

Os critérios de elegibilidade dos doentes para a técnica de sedação, assentam em critérios anestésicos, clínicos e sociais de ambulatorização bem definidos limitando-os neste contexto ainda de forma mais estrita a doentes ASA I/II, sem comorbilidades ou patologia minor compensada. Excluem-se os pacientes com estado físico superior a ASA II, polimedicados, com va (via aérea) potencialmente de acesso difícil, BMI>35, cirurgia demorada e sangrativa, e sempre que os posicionamentos cirúrgicos interfiram com a eficácia na dinâmica ventilatória, e assim representar um risco potencial para os pacientes.

Fatores de caráter individual, como os que descreveremos influenciam definitivamente na escolha desta técnica. Trata-se, pois, de pacientes jovens e saudáveis propostos para cirurgia eletiva minor que apresentam frequentemente renitência na aceitação de outras técnicas anestésicas mais invasivas, pois pretendem retoma rápida e sem restrições de normal atividade e ainda por considerarem a Anestesia Geral um risco elevado tendo em conta experiências negativas anteriores.

A sedação anestésica tem como objetivos a indução de um estado de hipnose com diminuição variável do grau de consciência, complementada com analgesia, ansiolíse e amnésia de maior ou menor intensidade (deep or moderate sedation). A anestesia local tumescente, obtém-se injetando um volume apreciável de Lidocaína na dose de 45mcg/Kg diluído em soro fisiológico que produz uma anestesia local profunda e duradoura de pele e gordura subcutânea. Associa-se epinefrina com intenção de prolongar a ação analgésica e reduzir os efeitos sistémicos da Lidocaína.

Não havendo um fármaco ideal para atingir um grau de “sedação cirúrgico desejável”, recorre-se ao uso de fármacos com mecanismos de ação diferentes, aproveitando algum sinergismo de ação na obtenção de um nível ideal e personalizado de sedação.

Os fármacos administram-se de acordo com o peso e idade do paciente, em “bolus” endovenosos repetidos ou de modo contínuo em seringa infusora, com o objetivo de manter níveis plasmáticos terapêuticos estáveis. Assim previnem-se os riscos de hipo ou hipersedação e as consequentes reações adversas que podem ser um dos fatores de aumento da morbimortalidade perioperatória.

Após validação anestésica da proposta cirúrgica, o anestesiologista deve informar o paciente sobre a técnica anestésica, esclarecer eventuais dúvidas e desvalorizar mitos e convicções responsáveis de “medos” injustificados. Cabe ainda ao anestesiologista tranquilizar os pacientes, garantindo-lhes sedações seguras, controlo eficaz da dor, ausência de “awareness”, acordares confortáveis e recobro rápido das funções cognitivas e mentais. Esta atitude reduz a ansiedade habitual perante o desconhecido do ato anestésico e as suas possíveis intercorrências.

As “Escalas de Sedação” definem graus de sedação que devem ser monitorizados por sinais clínicos, “scores de sedação” que deverão ser alvo de vigilância contínua clínica e instrumental.

Seja qual for o tipo de sedação, a monitorização dos parâmetros clínicos é obrigatória e definida por protocolos internacionais. Assim, eletrocardiograma (ECG) contínuo com deteção de arritmias, frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR), pressão arterial não invasiva (NIBP), oximetria do pulso (Sa O2 %), curva de análise de dióxido de carbono expirado (Et CO2), são os parâmetros clínicos mínimos a monitorizar e devem ser objeto de vigilância contínua.

Podemos considerar que em Cirurgia Estética, a técnica de sedação e anestesia local com tumescência apresenta vantagens em relação à Anestesia Geral, desde que se verifiquem os critérios referidos na seleção dos doentes. Esta técnica permite níveis de segurança elevados e boa exequibilidade cirúrgica, doses farmacológicas menores e consequentemente redução das ações adversas, manutenção de eficácia na dinâmica ventilatória, sem invasão da via aérea e risco de infeção respiratória, dispensa o uso de relaxantes musculares e de ações nefastas destes fármacos. Esta técnica é também do agrado dos pacientes e da equipa cirúrgica dada a possibilidade de acordares rápidos e altas precoces, sem internamentos desnecessários, o que permite reinserção familiar, social e profissional muito mais precoce.

Os bons resultados dependem da experiência do anestesiologista e equipa, da correta avaliação e seleção dos pacientes, do grau adequado de sedação, da vigilância dos parâmetros, bem como do controlo de dor, infeção e emese.

No recobro/UCPA, o pós-operatório imediato deve garantir analgesia adequada, estabilidade cardiovascular, eficácia ventilatória e recuperação mental superior. Após a validação dos critérios pré-estabelecidos de alta para o domicílio, dever-se-á manter contacto no pós-operatório imediato nas 24/48 horas seguintes, para deteção e correção de eventuais complicações.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em fase de ensaios
A farmacêutica norte-americana Pfizer avança a investigação sobre um medicamento oral contra a Covid-19. De acordo com The...

“Lidar com a pandemia requer prevenção com vacina e tratamento direcionado para aqueles que contraem o vírus. Tendo em conta a forma como o SARS-CoV-2 está a sofrer mutações e o impacto global contínuo da Covid-19, parece essencial ter acesso imediato, e para além da pandemia, de outras opções terapêuticas ", disse Mikael Dolsten, Diretor Científico e Presidente de centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Medicina Global da Pfizer, num comunicado divulgado pela empresa.

O medicamento em fase de teste tem duas vantagens: poder prescrito ao primeiro sintoma de infeção e poder ser realizado sem a necessidade de o paciente estar internado ou em Terapia Intensiva.

O candidato a antiviral oral PF-07321332 é um inibidor da protease SARS-CoV2-3CL que demonstrou atividade potente contra SARS-CoV-2 e atividade contra outros coronavírus em testes de laboratório. Por isso, além de ser utilizado na atual crise de saúde, teria potencial contra futuras ameaças do mesmo tipo.

Os inibidores da protease evitam que o vírus se replique na célula. Até agora, eles mostraram ser eficazes contra outros patógenos, como HIV e hepatite C, isoladamente ou em combinação com outros antivirais. Este tipo de tratamento geralmente não gera toxicidade e por isso pode ser bem tolerado pelos pacientes quando usado ​​contra a Covid-19.

Segundo o The Telegraph , a fase 1 do ensaio clínico teria justamente o objetivo de estudar "como é tolerado com o aumento da dose, sozinho ou com ritonavir, se há efeitos colaterais importantes e como as pessoas se sentem após tomá-lo", assegura citando os documentos fornecidos aos participantes do estudo. O papel do ritonavir, um antiviral usado para tratar o HIV, seria aumentar a quantidade de PF-07321332 no sangue dos participantes.

Na fase 2 seria testada a administração de "doses múltiplas", enquanto na fase 3 seria testada a administração em comprimidos e em líquido e sua possível interação com a ingestão de alimentos. No total, os testes durarão 145 dias, com mais 28 para se aprofundar em "deteção e dosagem", e incluem algumas estadias para todos os participantes a serem monitorados também durante a noite.

 

Espera-se que 70% da população esteja vacinada até ao verão
O Secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, esteve ao início desta tarde no Centro de Vacinação do Barreiro, a...

Na ocasião o secretário de Estado, revelou que, entre maio e junho, o país vai receber mais vacinas, pelo que considera que vai ser possível começar a passar a administrar cerca de 100 mil vacinas por dia.

Sobre o portal de auto-agendamento das vacinas, o governante considera que se trata de uma ferramenta muito importante, permitindo ganhos de tempo, o que se traduz numa melhoria do processo.

Diogo Serras Lopes acrescentou que o auto-agendamento está a decorrer sem dificuldades e que as vacinas agendadas, através do portal criado para o efeito, vão começar a ser administradas esta quarta-feira, dia 28 de abril.

O governanda sublinhou que caso as vacinas cheguem ao ritmo a que está previsto, é provável que se consiga atingir os 70% de população vacinada no início ou meio do verão.

 

Parceria na área da formação clínica
O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, e o Selecionador Nacional, Fernando Santos, visitaram,...

A Unidade de Medicina Desportiva e Performance, criada no Hospital CUF Tejo no âmbito da parceria com a FPF, e que é espelho da Unidade criada na Cidade do Futebol, foi hoje visitada por Fernando Gomes e Fernando Santos. Esta Unidade espelha a assistência dada às necessidades das seleções no âmbito da parceria em curso com a FPF, seja ao nível da emergência médica, imagiologia ou cuidados de diferentes especialidades clínicas. Valências estas, que, nesta Unidade do Hospital CUF Tejo, estão disponíveis para toda a população, independentemente do nível de prática desportiva ou idade.

“Nesta Unidade, todos podem ter acesso aos equipamentos e serviços médicos que disponibilizamos aos atletas de elite das Federações e Clubes de quem a CUF é parceiro oficial no apoio médico”, explicou Paulo Beckert, Coordenador Unidade de Medicina Desportiva e Performance do Hospital CUF Tejo e Coordenador da Unidade de Saúde e Performance da FPF, numa breve apresentação efetuada sobre a Unidade. 

A possibilidade, de qualquer pessoa poder ter os mesmos cuidados disponibilizados aos atletas de elite, reflete o posicionamento da CUF enquanto promotor da prática do exercício físico: “Acreditamos que o adequado acompanhamento e orientação médica são fatores essenciais para um estilo de vida saudável e um bom rendimento, capazes de trazer ganhos em saúde na população em geral”, refere o especialista em medicina Desportiva, Paulo Beckert.

A visita estendeu-se, ainda, a outros espaços do Hospital, essenciais à assistência da CUF às necessidades de cuidados médicos e de prevenção das seleções nacionais, nomeadamente o Centro de Ortopedia e Músculo-Esquelética, o Bloco Operatório e, ainda, o Centro de Simulação CUF.

Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, destacou que “a CUF e a FPF são muito mais do que parceiros na área da saúde. São duas instituições amigas que fazem da lealdade, solidariedade e respeito a trave mestra de uma relação que se iniciou em 2014 e não cessou de evoluir. Acredito que a nova Unidade de Medicina e Performance da CUF espelha o trabalho conjunto com a Federação Portuguesa de Futebol e vai tornar ainda mais robusta a prestação de serviços, quer aos atletas das nossas mais de 25 seleções, quer a todos os desportistas que queiram ter acesso à excelência na área dos cuidados médicos que a CUF tem como sua própria marca de água.”

O Presidente da Comissão Executiva da CUF, Rui Diniz, reconheceu, com orgulho, perante a Comitiva da FPF, o trabalho que tem sido efetuado no âmbito da parceria entre as duas entidades, frisando o desejo de que “continue a permitir o desenvolvimento da saúde e performance dos atletas nacionais, a contribuir para o sucesso das Seleções Nacionais e a gerar o apelo pela prática desportiva junto de todos os portugueses”.

CUF e FPF preparam formação de simulação em emergência e trauma

Em sinergia, a CUF Academic and Research Medical Center e a Portugal Football School da FPF formam um Centro de Investigação & Desenvolvimento na área formativa, dando suporte a cursos da UEFA e desenvolvendo cursos de Trauma e Emergência Médica quer para as equipas da FPF, quer para equipas médicas de outras federações e clubes.

Esta parceria entre a CUF e a FPF, está a permitir criar um plano de cursos de formação em Trauma e Emergência Médica para as equipas clínicas das 23 seleções. Trata-se de um plano de treino clínico simulado e em cenário real, preparado pelas equipas clínicas da CUF para as equipas médicas da FPF, com o objetivo de prevenir e prestar cuidados de saúde aos atletas em situações de emergência e trauma.

Estas formações irão decorrer no Centro de Simulação da CUF Academic Center, um dos espaços visitados no Hospital CUF Tejo pela comitiva da FPF esta manhã.  Este centro, que incorpora um ginásio de simulação clínica, está dotado de meios técnicos de elevada especialização tecnológica que garantem, através da utilização de modelos e ambientes simulados, um treino intensivo em condições muito próximas à da realidade. Em paralelo, estas formações terão também lugar na Cidade do Futebol, onde o treino será feito em contexto de jogo.

Primeiro medicamento biológico aprovado que atua especificamente na citoquina IL-13
O Comité dos Medicamentos de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) emitiu um parecer positivo e...

Estima-se que esta decisão final aconteça nos próximos meses e, se autorizado, tralocinumab será o primeiro anticorpo monoclonal totalmente humano disponível para neutralizar especificamente a citoquina IL-13, elemento-chave da inflamação crónica na Dermatite Atópica. O Tralocinumab tem como alvo específico, com alta afinidade, a IL-13 e foi desenvolvido para melhorar os sintomas da DA, uma doença inflamatória crónica da pele.

“A dermatite atópica é caracterizada pela sua imprevisibilidade, podendo revelar-se um desafio para os doentes, que costumam sentir desconforto físico e efeitos emocionais que podem prolongar-se durante décadas”, afirma Jörg Möller, Vice-Presidente Executivo de Investigação e Desenvolvimento Global da LEO Pharma. “O parecer positivo do CHMP permite que a LEO Pharma esteja mais perto de poder disponibilizar tralocinumab como uma nova opção terapêutica para os doentes da UE que vivem com dermatite atópica moderada a grave”.

A opinião do CHMP baseia-se, essencialmente, nos dados de três ensaios clínicos aleatorizados, com dupla ocultação, controlados por placebo (ECZTRA 1, 2 e ECZTRA 3), que avaliaram a segurança e eficácia de tralocinumab em monoterapia e em tratamento concomitante com corticosteroides tópicos (TCS) em mais de 1.900 adultos com DA moderada a grave. O fármaco alcançou os endpoints primários, conforme avaliado na pontuação da Avaliação Global pelo Investigador de pele limpa ou quase limpa (IGA 0/1) e, pelo menos, uma melhoria de 75% na pontuação do Índice de Extensão e Gravidade do Eczema (EASI-75).

Os endpoints secundários, incluindo a extensão e gravidade das lesões cutâneas, prurido (comichão), sonolência e pontuações de melhoria da qualidade de vida relacionadas com a saúde, foram medidos por alterações nas seguintes pontuações: EASI-90, Classificação da Dermatite Atópica (SCORAD), Escala de Classificação Numérica de Prurido (NRS), Escala de Classificação Numérica do Sono relacionado ao Eczema e Índice Dermatológico de Qualidade de Vida (DLQI). Os ensaios clínicos demonstraram que tralocinumab alcançou o endpoint primário e secundário e foi geralmente bem tolerado.

Pendente da decisão final da Comissão Europeia do Medicamento, a Autorização de Comercialização no Mercado será válida em todos os Estados-Membros da União Europeia, Islândia, Noruega e Liechtenstein. Estão ainda em curso outros procedimentos regulamentares [com a FDA, nos EUA] e com outras autoridades de saúde em países de todo o mundo.

Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, cinco mortes e 353 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos...

Segundo o boletim divulgado, a região centro foi aquela que registou maior número de mortes, três das cinco registadas em todo o território português. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com duas mortes. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não têm mortes a assinalar nas últimas 24 horas. 

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 353 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 81 novos casos e a região norte 154. Desde ontem foram diagnosticados mais 47 na região Centro, 28 no Alentejo e dez no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais 20 infeções e nos Açores 13.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 346 doentes internados, menos 19 que ontem. As unidades de cuidados intensivos passaram a ter também menos cinco doentes internados. Atualmente, estão em UCI 86 pessoas.

O boletim desta terça-feira mostra ainda que, desde ontem, 1.194 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 794.205 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 23.816 casos, menos 846 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância mais 200 contactos, estando agora 25.011 pessoas em vigilância.

Reunião de peritos
Após reunião no Infarmed, que juntou por videoconferência especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para a...

Segundo a ministra, a redução da letalidade da Covid-19 em Portugal é o “o aspeto mais positivo de todos aqueles resultados que foram alcançados nesta longa luta”.

Relativamente à vacinação, Marta Temido realçou o cumprimento de objetivos mais imediatos, nomeadamente a vacinação de todas as pessoas com “mais de 60 anos na terceira semana” e a entrega antecipada de vacinas anteriormente contratadas à Pfizer/BioNTech anunciada pela Comissão Europeia.

A Ministra considera que “se mantém uma situação em que o país está a controlar a pandemia”, apesar de ter reiterado a necessidade de “continuar a compensar o aumento dos contactos e da transmissibilidade, porventura também pelas novas variantes, mantendo as regras básicas” de vigilância epidemiológica.

 

Doentes transplantados não têm a mesma resposta imune
Um pequeno estudo realizado por investigadores da Mayo Clinic sugere que alguns pacientes transplantados podem ter uma resposta...

De acordo a carta agora publicada, sete recetores de transplante de órgãos diagnosticados com Covid-19 na Clínica Mayo, na Flórida, seis a 44 dias após receberem uma das vacinas de mRNA que foram autorizadas para uso de emergência pela Food and Drug Administration (FDA). Dois pacientes receberam uma dose e cinco pacientes receberam ambas as doses.

A infeção por Covid-19 foi confirmada em todos os pacientes com um teste de zaragatoa. A equipa de estudo, liderada por Hani Wadei, um nefrologista do Centro de Transplante da Mayo Clinic, revela que cinco dos pacientes tiveram uma infeção suficientemente grave para serem hospitalizados e três necessitaram de oxigénio após a alta.

A equipa de investigação testou a presença de anticorpos da proteína de pico do novo coronavírus em seis doentes transplantados. Dos seis pacientes que foram testados, os anticorpos da proteína do pico foram encontrados em apenas um. O paciente tinha recebido ambas as doses da vacina mRNA 44 dias antes e apresentava um nível baixo de anticorpos. Usando os dados disponíveis da vacinação, Wadei e a sua equipa estimaram que a taxa de infeção nos recetores de transplante de órgãos sólidos vacinados era 10 vezes superior à população em geral, 0,6% contra 0,05%.

"Este estudo abre os olhos à comunidade de transplantes", disse o investigador. "O nosso estudo sugere que os doentes transplantados não têm a mesma resposta imune que a população em geral. Ficaram infetados depois de serem vacinados e de levantarem medidas de proteção, pensando que eram imunes ao vírus."

Os investigadores notam que os doentes transplantados foram excluídos dos estudos atuais da vacina. Outra vacina, baseada em torno de um vetor de adenovírus e autorizada a ser usada pela FDA, não foi revista por investigadores da Mayo neste estudo, uma vez que não estava disponível para os seus pacientes.

"Os cuidados devem continuar a ser implementados em doentes imunossuprimidos vacinados até termos melhores estratégias de vacinação", acrescentou. "Todos os indivíduos, especialmente os doentes transplantados, devem continuar a seguir medidas de proteção, tais como o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene regular das mãos."

Estudantes universitários
“Take Care of Yourself – Os jovens, a vida universitária e a Saúde Mental” realiza-se na próxima quinta-feira, dia 29 de abril,...

A pandemia trouxe mudanças aos diversos setores da sociedade e a academia não foi exceção. Aulas à distância, exames adiados, festas por realizar, tradições académicas em pausa e os convívios e criação de laços reduzidos ao contacto virtual, associado a esta mudança de paradigma, a incerteza predomina em todas as esferas. Neste sentido, a U-Qualify realiza já na próxima quinta-feira, dia 29 de abril pelas 21h00 o webinar “Take Care of Yourself – Os jovens, a vida universitária e a Saúde Mental” com o objetivo de contribuir para uma nova forma de olhar e de estar na vida. Reeducar as rotinas e mudar comportamentos são um fator chave para desenvolver uma mente sã.

José Soares, Professor de Fisiologia na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Marta Carvalho Araújo, Diretora Não-Executiva da Castelbel e João Pereira Leite, coach e especialista em mindfulness, abordarão o “triplo impacto” da pandemia: a visão de quem já passou por um burnout e uma depressão; os efeitos da pandemia na saúde mental e os desafios, aprendizagens e ferramentas para regular os estados emocionais e devolver aos jovens o bem-estar.

“Este é mais um webinar que consideramos que aborda um tema essencial para os estudantes universitários no contexto em que vivemos. Recorde-se que no lançamento da U-Qualify, em dezembro, tivemos uma conferência sobre a Gestão de Stress em tempo de Covid-19’. Estes eventos fazem parte da nossa missão, além de disponibilizarmos formação complementar à académica e o serviço de development advisory, queremos ir mais além,  pretendemos estar mais próximos da comunidade académica e facultar-lhes as ferramentas necessárias para que tenham sucesso no futuro enquanto pessoas e profissionais”, explica Elisabeth Ribeiro, Manager da U-Qualify, acrescentando que todos os meses promovem webinares com temas importantes para os jovens e que estes poderão subscrever a newsletter e consultar a agenda em www.u-qualify.pt para se manterem atualizados e realizarem as melhores escolhas para o seu desenvolvimento.

A inscrição no webinar é gratuita através do link: https://u-qualify.pt/formacao/webinars/take-care-of-yourself.

Recorde-se que a U-Qualify é a unidade de formação da U-World, que foi lançada no final do ano passado e pretende ser um complemento à formação académica não só dos estudantes, mas de todo o universo académico.

Principais conclusões
A GS1 promoveu, nos passados dias 20, 21 e 22 de abril, em suporte digital, a segunda edição da GS1 Healthcare Online Summit,...

Esta iniciativa teve por objetivo a promoção do debate sobre temas relevantes para o setor, em particular, a importância e benefícios da aplicação dos standards GS1 na criação de uma cadeia de abastecimento única e uniforme, a nível global, para todo o setor da saúde.

A pandemia deixou a descoberto algumas das dificuldades sentidas no setor da saúde, muitas delas com impacto transversal, afetando de igual modo países desenvolvidos e algumas das regiões mais pobres do planeta. Algumas das dificuldades apontadas relacionam-se com a distribuição de vacinas, com a necessidade de serialização dos medicamentos, o combate à respetiva contrafação e manipulação, a não uniformização do mercado global ou, simplesmente, a capacidade de assegurar a saúde e o bem-estar, tanto dos pacientes, como das próprias equipas de saúde.

Para debater estes aspetos, a GS1 reuniu representantes de entidades e Governos de todo o mundo, desde a Etiópia aos E.U.A, passando pelo Japão, numa análise a estes desafios. Foram partilhados casos de sucesso relativos à forma como alguns países têm vindo a aplicar os standards GS1 como resposta determinante no aumento da segurança, eficiência e rastreabilidade, explicando como e com que impacto direto na gestão da pandemia e efeito estrutural na criação de uma cadeia global de abastecimento no setor.

Combate à contrafação e manipulação de medicamentos

A implementação de um sistema de Track & Trace foi a solução apresentada por vários speakers para um combate mais eficaz à contrafação e manipulação de medicamentos. Yudha Bramanti, representante da Biofarma – o maior fabricante de vacinas da Ásia do Sul –, implementou um sistema de Track & Trace de vacinas baseado na colocação de códigos GS1 Datamatrix nos frascos de vacinas, nas cartonagens secundárias e nas embalagens terciárias de transporte com GTIN, Lote, Data de Validade e Número de Série. Este sistema, juntamente com a criação de uma plataforma para registo da informação de produto, permitiu, antes de mais, a identificação das unidades primárias, secundárias e terciárias; para além disso, estabelecer as ligações de agregação para transporte; e, por fim, a integração desta informação na base de dados que, por sua vez, integra a base de dados do Regulador. Também Lindsay Tao, da Johnson & Johnson, revelou o trabalho que a farmacêutica tem vindo a desenvolver, culminando num projeto piloto de implementação de standards GS1 – aplicação de GS1 Datamatrix com GTIN – e de uma solução de Track & Trace, end-to-end, com resultados claros para melhor gestão do stock e distribuição de vacinas contra a Covid-19. A J&J pretende, agora, implementar esta solução a larga escala e alargá-la à gestão de todos os seus produtos.

Na esfera pública, a realidade não é muito diferente. Mohd Azuwan Bin Mohd Zubi, da National Pharmaceutical Regulation Authority da Malásia, revela que, naq    uele país, foi o Regulador quem avançou para uma solução complexa de Track & Trace para combater a falsificação e manipulação de medicamentos no mercado nacional. Um sistema assente em quatro pilares fundamentais - Proteção, Cadeia de Abastecimento, Visibilidade e Segurança dos Pacientes - e que, à data de hoje, já conta com uma base de dados central onde estão registados todos os produtos com recurso a GS1 Datamatrix, prevendo, no futuro, a adoção de GDSN – Global Data Synchronization Network. O Ministro da Saúde do Japão, Masayuki Muraoka, trouxe o exemplo do seu país que, de momento, tem 100% das embalagens primárias e secundárias de medicamentos e quase 100% das embalagens terciárias identificadas com GTIN.

Finalmente, Ramy Guirguis, Ph.D., Senior Information Technology Advisor, da US Agency for International Development (USAID), destaca alguns dos problemas que, no caso da USAID, a cadeia registava: fragmentação, duplicação e inexistência de sistema, pelo que se tornava extremamente desafiante ligar todos os elos da cadeia de valor. Esta era uma dificuldade transversal aos vários fornecedores, uma vez que cada um detinha uma identificação própria que não estava alinhada com as dos demais – impedindo a identificação e, naturalmente, a comunicação entre as partes. Por essa razão, em 2014, a USAID iniciou a adoção dos standards GS1 e, desde então, já assistiu a um progresso gigante em termos de supplier compliance, com a maioria dos fornecedores a obedecerem a esta regulamentação e a maioria das encomendas já identificadas com o GTIN.

Colaboração e entreajuda

Apesar dos excelentes resultados trazidos pelos vários representantes a esta cimeira, Xinbing Wang, da Mindray Biomedical, na China, alerta para a dificuldade de os produtores cumprirem todos os requisitos dos diferentes enquadramentos jurídicos adotados nos diferentes mercados, sendo a adoção de sistemas que assegurem o cumprimento dos requisitos regulamentares diferenciados dos vários países, a chave para uniformizar todo o processo.

Essa uniformização anda de mão dada com um outro aspeto reforçado por Leigh Verbois, Ph.D., US Food and Drug Administration, Offi­ce of Drug Security, Integrity, and Response: a colaboração e envolvimento entre os vários atores do setor. Nos E.U.A., muitos produtos acabam por ser distribuídos online, o que os coloca fora da rede legítima de distribuição, daí a relevância da serialização, ressalva. Por outro lado, apenas uma verdadeira uniformização e colaboração entre os demais stakeholders da cadeia de abastecimento, será capaz de facilitar este processo, através daquele que é o bem mais precioso da atualidade: informação, partilhada e acessível.

Assegurar a proteção e o bem-estar dos pacientes e das equipas clínicas

Vários representantes focaram a sua análise na urgência de adoção de mecanismos capazes de assegurar o bem-estar e a segurança dos pacientes e equipas clínicas. Heran Gerba, Director-General, Ethiopia FDA, revela que a segurança do paciente é a prioridade do seu Governo, num país onde a contrafação de medicamentos é um problema com consequências muito graves: 170 000 crianças morrem de pneumonia e 160 000 pessoas de malária. A EFDA é a entidade responsável por um plano estratégico a 10 anos para a implementação de standards globais como mecanismo contra a contrafação. Por outro lado, Anne Snowdon, Director of Clinical Research, HIMSS Analytics, Canadá, reforçou que a adoção dos standards GS1 contribuíram para uma maior agilidade na gestão da pandemia. Um dos aspetos-chave, era o impacto das dificuldades na gestão de stocks de medicamentos e na capacidade de resposta aos pacientes, sentida pelos profissionais de saúde. Note-se que, em 2020, 20% das enfermeiras que trabalhavam no combate à pandemia, no Canadá, despediram-se dos seus locais de trabalho, o que revelou um sentimento de medo e mal-estar entre os profissionais. Nesse sentido, a HIMSS implementou ferramentas de amadurecimento da cadeia de abastecimento clínica integrada que, graças às plataformas digitais, permite a disponibilização de um sistema de informação de saúde para todos os cidadãos – no fundo, é o caminho de futuro da cadeia de abastecimento, com vista à prestação de cuidados de saúde personalizados e precisos, com recurso a codificação GS1.

Restabelecer e reforçar a confiança na indústria farmacêutica

Greg Reh, Global Life Sciences & Health Care Leader, Deloitte, dedicou a sua apresentação ao tema da confiança no setor da saúde. Em concreto, sobre como podemos prever e sustentar um bom nível de confiança no setor, apresentando a adoção de standards e de tecnologia como potenciadores-chave de confiança. Ao longo dos anos, a confiança na indústria farmacêutica – mas, também, nos Governos e entidades como ONG’s –, tem vindo a decrescer. Um cenário que a pandemia reverteu com o desenvolvimento das vacinas, no caso das farmacêuticas, e da forma como Governos e outras entidades foram capazes de unir forças para responder ao desafio. Greg Reh apresentou dados que revelam que logo após a vacina da J&J ter sido suspensa no mercado Norte Americano, mais de 90% da população sabia da suspensão, com 80% a considerar que a FDA estava a agir de forma responsável. Já Peter Lachman, CEO ISQua, reforça, ainda, que para desenvolver confiança é necessário implementar sistemas confiáveis e seguros. Parte desses sistemas assenta na adoção e implementação de standards, que permite homogeneizar os procedimentos e, com isso, melhorar a confiança e articular com rigor a utilização de recursos humanos e científicos. Peter Lachman refere expressamente que o sistema de standards GS1 permite alcançar a confiança através da identificação (de empresas, produtos, localizações, fornecedores, pacientes, etc.), da captura de dados (como códigos de barras e EPCs) e, finalmente, da partilha de informação sensível na prestação de cuidados de saúde ao paciente e na gestão das relações comerciais e institucionais subjacentes, inerentes aos serviços e produtos contratados. Se tomarmos a pandemia como exemplo, verificamos que a aplicação de standards permitiu, por exemplo, aceder a informação global, concreta e fiável sobre a vacina, facilitando a sua gestão, stock e distribuição.

Sobre um próximo cenário pandémico, hipotético, todos os representantes presentes na cimeira deste ano afirmaram unanimemente que, nessa eventualidade, estaremos mais bem preparados e seremos capazes de uma resposta mais rápida e eficaz. Em concreto, a uniformização da cadeia de abastecimento virá permitir uma maior troca de informação, em tempo real, entre os vários pontos dessa cadeia e assegurar um maior volume e qualidade de informação a ser disponibilizada a todas as equipas técnicas.

As conclusões dos painéis dos três dias desta cimeira foram unânimes quanto ao potencial da adoção de standards na cadeia de abastecimento da saúde. A possibilidade de as entidades e Governos disporem, na gestão de uma pandemia, do acesso a uma informação unívoca e global, permitiu combater aspetos concretos tão diversos como a contrafação das vacinas e de medicação chave no combate aos efeitos clínicos resultantes do vírus, ou reforçar a confiança num setor que era maioritariamente entendido como focado no lucro, pouco acessível e caro. Além disso, tornou clara a importância da colaboração entre os vários elos da cadeia de abastecimento e de uma partilha global de informação entre os vários países e entidades. Apenas estando assegurada a confiança no sistema e a comunicação entre as partes, pode o mundo responder a uma crise de dimensão idêntica.

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