Opinião
Em tempos de pandemia, o confinamento e o incremento do teletrabalho estão a alterar as nossas vidas

O inevitável aumento do uso de telemóvel, tablet, computador, a alteração das rotinas associada a um aumento da ansiedade e stress provocado pela pandemia, estão a levar ao atraso de fase do sono (adiamento da hora de início do sono) da maioria dos indivíduos. Dito de outra forma, as pessoas demoram mais tempo a adormecer, passam mais tempo na cama, mas pioram a qualidade do seu sono. Nos indivíduos mais sensíveis, estes fatores desencadeiam frequentemente insónia crónica.

Esta alteração de comportamento, ganha contornos preocupantes, quando verificamos que está a haver um aumento generalizado do consumo de medicamentos para dormir, por toda a Europa. Mas, o mais dramático, do meu ponto de vista, é o facto destas alterações se estarem a instalar num “terreno já de si pandémico”. As doenças do sono são uma verdadeira “pandemia” na nossa população, dada a sua elevada prevalência. Apenas a título de exemplo, a síndroma de apneia do sono tem uma incidência de 9-24% da população, a insónia crónica atinge 5-11% das pessoas ao longo da vida e as pernas inquietas 2-6% ... e a pandemia atrasou ainda mais o seu diagnóstico e tratamento.

No início da pandemia registou-se uma diminuição da procura de consultas e exames de sono. Para agravar a situação, as nossas recomendações eram no sentido do encerramento dos laboratórios do sono e da redução dos estudos feitos no domicílio. Na base desta medida esteve o desconhecimento dos modos de transmissão do vírus e o desvio de recursos materiais e humanos para o combate na doença aguda.

Neste momento, o nível de conhecimento, já nos permite garantir a segurança tanto nos exames do sono como nas consultas. Mas, a atividade diagnóstica continua limitada, pois os dispositivos utilizados apesar de serem desinfetados, não podem ser utilizados nas 72 horas seguintes. Deste modo a produção de exames reduziu-se de forma avassaladora, mais de 50% a nível europeu.

O tratamento também esteve condicionado pela pandemia. O caso da síndroma de apneia do sono, em que o tratamento mais eficaz é o CPAP (aparelho que proporciona pressão positiva na via aérea) é um bom exemplo disso: suspenderam-se os novos tratamentos, o apoio domiciliário foi interrompido, pois estes dispositivos podem provocar dispersão de partículas em aerossol, dos doentes ou portadores assintomáticos, contaminando desta forma os conviventes e os próprios prestadores de cuidados respiratórios domiciliários.

Na nossa opinião, um dos pontos a melhorar nesta fase é a higiene do sono. Que temos verificado estar comprometida na maior parte dos indivíduos. Assim, apesar de todos os constrangimentos podemos minimizar o problema:

  • adotando um horário regular de sono, deitar e levantar aproximadamente à mesma hora.
  • deve ser evitada a atividade física nas duas horas que precedem o sono.
  • nos trinta minutos que antecedem a ida para a cama deve procurar uma rotina que inclua atividades calmas e pouca luz, evitando écrans.

A Pandemia alterou a medicina do sono de uma forma multifatorial e nas três frentes: doença, diagnóstico e tratamento. Neste momento pode dizer-se que os serviços de saúde souberam adaptar-se e que é seguro procurar ajuda para este problema.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Projeto de promoção e educação para a saúde pública
A Secção do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos lançou uma plataforma de capacitação que permite, a todos os...

Inserida no âmbito do Projeto Geração Saudável, um projeto de promoção e educação para a saúde pública que tem como objetivo estimular a adoção de estilos de vida saudáveis, alertar para a ocorrência de possíveis patologias e dar a conhecer a importância da prevenção em saúde, a iniciativa conta com parceiros como a Novo Nordisk na temática da diabetes, o Centro de Ciência Viva, a Associação Nacional das Farmácias (ANF), a Associação de Farmácias de Portugal (AFP), a Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (APAC), o Colégio de Especialidade de Farmácia Comunitária da Ordem dos Farmacêuticos e a AstraZeneca na temática das doenças cardiovasculares.

“O aumento de literacia em Saúde e a promoção da consciencialização dos cidadãos para a tomada de decisões em saúde mais informadas, são um desafio de saúde pública em Portugal. Os farmacêuticos estão à altura deste desafio que pretende, para além, da valorização da profissão, reforçar o seu papel como agentes da saúde próximos da população. Assim, a Secção do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos, alinhada com os objetivos do Plano Nacional de Saúde, disponibiliza esta plataforma de capacitação do farmacêutico com o intuito de potenciar a literacia em saúde da sociedade civil”, explica Luís Lourenço, Presidente da Direção da Secção do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos

Na plataforma Geração Saudável Sénior, que conta atualmente com cerca de 100 utilizadores, todos os farmacêuticos têm disponíveis gratuitamente cursos sobre a diabetes e sobre o Uso Seguro e Responsável do Medicamento. No futuro vão ser lançados cursos relacionados com temáticas como doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, doenças endócrinas e saúde mental. O acesso aos cursos, bem como a todos os materiais desenvolvidos, apenas é possível através do registo na plataforma.

 

 

 

 

De 30 de abril a 2 de maio
O Congresso Português de Cardiologia (CPC) é um dos maiores eventos científicos da área médica em Portugal e realiza-se entre...

No CPC21 poderá contar com oradores de todas as áreas da cardiologia, mas também da medicina interna, intensivismo, medicina geral e familiar. Um evento focado na disseminação de conhecimento.

“O CPC é um espaço de partilha e inovação e tudo isso contém o potencial de salvar vidas. É um momento de desenvolvimento profissional para todos os participantes e um passo em frente na proteção da saúde pública”, afirma Regina Ribeiras, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que preside ao CPC2021. “O CPC2021 não é apenas para médicos cardiologistas. É para todos os profissionais da área da saúde que queiram fazer parte da criação e disseminação da melhor de evidência científica”, adianta.

O CPC 2021 terá também espaço para uma especial homenagem a duas mulheres cardiologistas que ocorrerá na cerimónia de encerramento: Fernanda Sampaio e Júlia Maciel. Duas mulheres cardiologistas, com um trajeto profissional ímpar e que constituem um estímulo para as mulheres cardiologistas de hoje e do futuro.

Além do impacto da Covid-19 no doente cardiovascular, destaque para o tema das Cardiopatias Congénitas, que estarão representadas em três sessões, incluindo uma conferência que alia a fisiologia à abordagem clínica dos doentes com circulação de Fontan.

No âmbito da Hipertensão Pulmonar vão estar contemplados os novos horizontes na abordagem diagnóstica e terapêutica com reputados especialistas internacionais, e vai ser possível assistir a várias sessões multidisciplinares sobre Cirurgia Cardíaca, nas quais diversos cirurgiões de renome irão partilhar experiências e importantes avanços na área.

“Participar no CPC é participar no principal evento de cardiologia em Portugal. É presenciar apresentações e discussões de líderes de opinião sobre as mais recentes abordagens no diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas”, finaliza a presidente do CPC2021, cuja comissão organizadora inclui cardiologistas de reconhecido mérito científico e de todas as áreas de subespecialização da cardiologia.

O programa científico já está finalizado e pode ser consultado no microsite do CPC 2021 em https://cpc2021.appdoevento.pt/.

Alternativa sustentável
Uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), com a colaboração da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), desenvolveu um...

Na prática, estas embalagens comestíveis são filmes obtidos a partir de resíduos de diferentes alimentos, nomeadamente cascas de batata e de marmelo, fruta fora das características padronizadas e cascas de crustáceos, que, além de revestirem os alimentos, prolongando a sua vida útil na prateleira do supermercado, também podem ser ingeridos.

As embalagens desenvolvidas pelas investigadoras Marisa Gaspar, Mara Braga e Patrícia Almeida Coimbra, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foram pensadas essencialmente para revestir frutas, legumes e queijos, incorporando na sua matriz compostos bioativos/nutracêuticos, tais como antioxidantes e probióticos, com potenciais efeitos benéficos para a saúde.

Podemos imaginar, por exemplo, cozinhar brócolos ou espargos sem ser necessário retirar a embalagem, uma vez que a película que os envolve é composta por nutrientes naturais com benefícios para a saúde.

«Produzimos composições diferenciadas de filmes, usando os resíduos quase integralmente, que contêm compostos com propriedades diferentes. Por exemplo, a casca de batata tem mais amido e a casca de marmelo mais pectina, ou seja, temos dois materiais poliméricos estruturais que, combinados, vão gerar um filme simples, sem processamentos complexos», explicam Marisa Gaspar, Mara Braga e Patrícia Almeida Coimbra.

No entanto, antes de conseguir obter filmes/revestimentos quer na forma de película quer na forma de spray (aplicado na fase líquida e seca no alimento), a equipa, que juntou vários grupos de investigação da UC e da ESAC, teve de superar várias fases. «O maior desafio é encontrar os materiais ideais para que as formulações tenham as características desejadas. Por isso, foi necessário estudar os filmes do ponto de vista físico, como por exemplo as propriedades mecânicas, de forma a servirem de embalagem/ revestimento; estudar as propriedades bioativas dos filmes, ou seja, se alguns compostos apresentam benefícios para a saúde quando ingeridos; avaliar as reações quando se juntam diferentes compostos; análise microbiológica e sensorial dos filmes selecionados; e avaliar a compatibilidade do alimento com o sistema comestível produzido», resumem as três investigadoras da FCTUC.

Marisa Gaspar, Mara Braga e Patrícia Almeida Coimbra consideram que a solução proposta pela sua equipa pode ser «muito vantajosa tanto para indústria como para o consumidor. É uma abordagem centrada na economia circular. Não só aumenta a vida útil do produto na prateleira, como também evita o desperdício, reduz a produção de lixo plástico, um grave problema ambiental, e gera um novo produto que confere um adicional nutritivo ao alimento», concluem.

Iniciada em 2018, no âmbito do projeto “MultiBiorefinery”, financiado pelo COMPETE 2020, esta investigação foi recentemente distinguida com um prémio de 20 mil euros pelo programa “Projetos Semente de Investigação Interdisciplinar - Santander UC”, atribuído a equipas multidisciplinares lideradas por jovens investigadores na Universidade de Coimbra. Foi ainda premiada no concurso de ideias LL2FRESH, que visa procurar novas soluções de embalagem, métodos de tratamento de alimentos e aditivos de última geração.

No âmbito deste projeto foi publicado um artigo científico na revista Food Packaging and Shelf Life, disponível: aqui.

Efeitos anti-inflamatórios
Uma equipa multidisciplinar de investigadores da Duke-NUS Medical School e da Agência para a Ciência, Tecnologia e Investigação...

A inflamação crónica e excessiva dos vasos sanguíneos, conhecida como inflamação vascular, pode levar a danos nos tecidos e doenças cardiovasculares, como a aterosclerose e a fibrose. Embora algumas terapias tenham mostrado resultados promissores em ensaios clínicos, têm efeitos colaterais consideráveis, tais como a imunossupressão, levando a um aumento do risco de infeção e eficácia limitada.

"Neste estudo, pretendemos identificar novos alvos para combater a inflamação no revestimento dos vasos sanguíneos. Especificamente, quisemos direcionar pequenos péptidos naturalmente produzidos que não foram estudados antes", explicou a Professora Assistente Lena Ho, do Programa de Distúrbios Cardiovasculares e Metabólicos da Duke-NUS, que liderou a equipa.

A equipa Duke-NUS, em colaboração com colegas do Instituto de Biologia Molecular e Celular da A*STAR Singapura, investigou um grupo de péptidos chamados Mito-SEPs que se localizam nas mitocôndrias, organelas celulares bem conhecidas pelo seu papel na produção de energia celular. Depois de observarem que os Mito-SEPs parecem estar envolvidos na regulação da inflamação, rastrearam as células do revestimento dos vasos sanguíneos da aórtica humana para descobrir peptídeos envolvidos neste processo.

Eles encontraram um novo peptídeo, ao qual chamaram MOCCI - abreviatura para Modulador do Citocromo C oxidase durante a inflamação - que é feito apenas quando as células são submetidas a inflamação e infeção.

Para sua surpresa, descobriram que o MOCCI é um componente até agora desconhecido do Complexo IV, parte de uma série de enzimas nas mitocôndrias responsáveis pela produção de energia, chamada cadeia de transporte de eletrões. Durante a inflamação, o MOCCI incorpora no Complexo IV para atenuar a sua atividade. Com este estudo os investigadores descobriram que este amortecimento é necessário para reduzir a inflamação após infeção viral. 

"A nossa constatação de que a composição da cadeia de transporte de eletrões muda em resposta à inflamação é novidade. O MOCCI, na sua essência, reutiliza parte do centro de produção de energia na célula para regular a inflamação", disse Cheryl Lee, autora principal do estudo.

Os investigadores também descobriram que o MOCCI é feito juntamente com uma molécula de micro-ARN chamada miR-147b. As duas moléculas são feitas de diferentes secções do mesmo gene. O MOCCI origina-se da sequência do gene que codifica as proteínas, enquanto o miR-147b é feito a partir da secção de não codificação.

Enquanto a molécula miR-147b também exerce efeitos anti-inflamatórios, impedindo ativamente que os vírus se reproduzam ao mesmo tempo. Isto implica que o MOCCI e o miR-147b funcionem em conjunto para ajudar a controlar a infeção viral e suprimir a inflamação.

"Esta estratégia de dupla vertente é um mecanismo elegante que o corpo criou para prevenir inflamações excessivas e potencialmente prejudiciais ao tecido durante a infeção, como a tempestade de citocina vista na infeção provocada pela Covid-19, e colite", disse um dos investigadores. "O MOCCI de codificação genética é um dos primeiros genes descritos como tendo funções de codificação e não codificação. O facto de estas duas funções serem coordenadas para alcançar um resultado biológico concertado é uma descoberta significativa na biologia celular."

Patrick Casey, Vice-Reitor Sénior para a Investigação na Duke-NUS, comentou: "A medicina e os cuidados de saúde avançam com a ajuda de novas descobertas em investigação fundamental. Este estudo fornece uma visão valiosa sobre a inflamação e imunidade - um tópico que se tornou ainda mais importante no contexto da Covid-19."

Os investigadores dizem que o próximo passo é descobrir como desenvolver novos tratamentos farmacológicos direcionados que imitem os efeitos anti-inflamatórios do MOCCI e miR147b. Também planeiam investigar o papel do MOCCI em doenças inflamatórias crónicas comuns, como a colite e a psoríase.

Mas mesmo após vacinação, pessoas podem espalhar o vírus
Um estudo de vigilância comunitária de grande escala, realizado pela Universidade de Oxford demonstrou que as infeções...

Utilizando dados do Inquérito à Infeção Covid-19, os investigadores analisaram pouco mais de 1,6 milhões de resultados dos testes de amostras de nariz e garganta recolhidos de mais de 373.400 participantes, entre 1 de dezembro de 2020 e 3 de abril de 2021. Os resultados enviados sexta-feira como pré-impressão no medRxiv mostraram que as probabilidades de re-re-infeção foram reduzidas em 65% no total, em 21 ou mais dias após as pessoas receberem a primeira dose de vacina. Foi possível concluir ainda que as infeções sintomáticas diminuíram 72%, enquanto as infeções assintomáticas diminuíram 57%.

No entanto, ainda é possível que as pessoas vacinadas espalhem o vírus

Entretanto, uma segunda dose reduziu a taxa de infeção global em 70%, com casos sintomáticos reduzidos em 90%, que os investigadores compararam aos efeitos da imunidade natural obtida com a contração do próprio vírus. "Não havia evidências de que estes benefícios variassem entre as vacinas AstraZeneca e Pfizer/BioNTech", acrescentam.

No entanto, a taxa de infeções assintomáticas diminuiu apenas 49% após uma segunda dose de vacina. Pouwels alertou que "o facto de termos visto reduções menores nas infeções assintomáticas do que infeções com sintomas evidencia o potencial para os indivíduos vacinados voltarem a obter Covid-19, e para uma transmissão contínua limitada de indivíduos vacinados, mesmo que esta seja a um ritmo mais baixo". Os cientistas de Oxford também observaram que os benefícios das vacinas na redução de novas infeções foram observados em grupos etários, incluindo aqueles com mais de 75 anos, e foram vistos independentemente de as pessoas terem condições de saúde a longo prazo.

 

Semana Europeia da Vacinação
Na Semana Europeia da Vacinação, o MOVA lembra que “a vacinação representa ganhos quantitativos e qualitativos, transversais à...

“Seja através do PNV ou de vacinas recomendadas pelos médicos assistentes, a prevenção de doenças graves deve ser uma prioridade em todas as faixas etárias, uma preocupação que devemos começar a ter logo nos primeiros meses e que só deve terminar no final de vida”, avança o MOVA em comunicado, destacando que já são muitas as doenças graves que já podemos prevenir através da vacinação. “Mortes, morbilidades e sequelas desnecessárias, evitáveis por imunização”, acrescenta.

É o caso da Pneumonia. Grave e potencialmente fatal, mata uma média de 16 pessoas por dia no nosso País, de acordo com os dados recolhidos no Pneumoscópio.  “Podemos preveni-la em qualquer idade e em qualquer época do ano”, sublinha o MOVA.

“Nunca, como hoje, se falou tanto de prevenção. Grupos de risco como pessoas a partir dos 65 anos e quem, independentemente da sua idade, sofre de doenças crónicas, devem estar particularmente protegidos”, alerta em comunicado.

A vacinação antipneumocócica está recomendada pela Direção Geral da Saúde a todos os adultos pertencentes aos grupos de risco – pessoas com doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC, outras doenças respiratórias crónicas, doença cardíaca, doença hepática crónica, doentes oncológicos, portadores de VIH e doentes renais. É gratuita para as crianças e alguns segmentos de adultos, para quem já se encontra em PNV, e é comparticipada pelo estado em 37% para a restante população. A sua eficácia está comprovada em todas as faixas etárias, incluindo na prevenção das formas mais graves da doença.

“Quatro anos passados sobre a sua fundação, o Movimento Doentes pela Vacinação tem proteção dos grupos de risco através de imunização uma das suas grandes causas. Composto por especialistas e associações de doentes, o movimento de cidadania apela à acessibilidade da vacina a pessoas que se encontrem em situações de maior fragilidade”, pode ler-se.

 

Capacidade de resposta
Ao abrigo do protocolo com a ARSLVT, o Hospital Cruz Vermelha já tratou mais de uma centena de doentes agudos de várias...

Em comunicado, esta unidade hospitalar faz saber que, "desde finais de dezembro do ano passado” realizou vários procedimentos cirúrgicos “sempre em articulação com a ARSLVT e com as equipas clínicas dos hospitais de origem da grande Lisboa, principalmente Hospital Garcia de Orta (HGO), Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) e Hospital Vila Franca de Xira (HVFX)”.

“O Hospital Cruz Vermelha (HCV) continua empenhado na luta nacional contra a pandemia COVID-19 e as suas consequências, e pretende reforçar a sua participação nesta nova fase de recuperação assistencial necessária para fazer face aos efeitos da pandemia na saúde dos portugueses”, refere

De acordo com O HCV, “o reforço assistencial passa por manter o protocolo celebrado com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para tratamento de doentes agudos internados nos hospitais do SNS, e manter também a resposta diária e atempada a todos os doentes que acedem ao HCV, aumentando a capacidade a nível das cirurgias, das consultas e dos meios complementares de diagnóstico, ao mesmo tempo que contribuímos de forma ativa para a realização de centenas de testes COVID e para a atividade cirúrgica de doentes do SNS”.

 

Comunicado
A Agência Europeia do Medicamento aprovou esta sexta-feira um aumento da capacidade de produção de vacinas da BioNTech/Pfizer e...

O regulador europeu aprovou um aumento do tamanho do lote e da escala de processos associados no local de fabrico de vacinas da Pfizer em Puurs, Bélgica.

Esta recomendação do comité de medicamentos humanos da Agência (CHMP) deverá ter um impacto significativo no fornecimento de Comirnaty, a vacina COVID-19 desenvolvida pela BioNTech e pela Pfizer na UE, refere a EMA em comunicado

No que respeita à Moderna, foi aprovada uma nova linha de enchimento de produtos acabados da Moderna, em Rovi, Espanha.

Segundo a EMA, “a nova linha permitirá um aumento das atividades de enchimento de produtos acabados, sincronizando-se com o processo de escala de substâncias ativas no local de fabrico de substâncias ativas (Lonza, Visp) aprovado no mês passado.

Todas as alterações descritas serão incluídas na informação publicamente disponível sobre estas vacinas no site da EMA.

 

Covid-19 em Portugal
Portugal registou, nas últimas 24 horas, uma morte e 506 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos...

Segundo o boletim divulgado, a região norte foi única a registar um óbito desde o último balanço. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não têm mortes a assinalar nas últimas 24 horas. 

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 506 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 126 novos casos e a região norte 247. Desde ontem foram diagnosticados mais 69 na região Centro, sete no Alentejo e 33 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais nove infeções e nos Açores 15.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 384 doentes internados, menos 11 que ontem. As unidades de cuidados intensivos passaram a ter também menos seis doentes internados. Atualmente, estão em UCI 98 pessoas.

O boletim desta sexta-feira mostra ainda que, desde ontem, 580 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 791.751 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 24.689 casos, menos 75 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância mais 675 contactos, estando agora 23.111 pessoas em vigilância.

Impacto na família
Culpa, vergonha, medo são alguns dos sentimentos com que convivem muitas das famílias onde existe do

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, estima-se que a doença mental grave afete 4% da população adulta em Portugal. Neste grupo enquadram-se doenças como a esquizofrenia, a perturbação bipolar, a depressão major e formas graves de ansiedade, que “têm implicações significativas na vida do doente, chegando até a ser necessários cuidados hospitalares”.

Importam sublinhar que a doença mental pode “afetar qualquer pessoa, independentemente da sua idade, sexo, estatuto social, rendimentos, raça/etnia, religião, orientação sexual, personalidade ou qualquer outro aspeto relacionado com a identidade cultural”, no entanto, a maioria dos casos surge no início da idade adulta.

A Esquizofrenia, cujos primeiros sinais costumam surgir durante a adolescência ou no início da idade adulta, é uma perturbação mental complexa e grave que afeta a capacidade de pensar do doente, a sua vida emocional e o seu comportamento em geral.

Embora não seja conhecida uma causa única para a esquizofrenia, “pensa-se que diferentes fatores, como os genéticos, ambientais ou uso de drogas e substâncias ilícitas, contribuem para o desenvolvimento [da esquizofrenia], como acontece com outras doenças crónicas, como a diabetes e as doenças cardíacas”.

Caracterizada por sintomas positivos, como alucinações (por exemplo ver ou ouvir coisas que não existem) e delírios (ter crenças de natureza bizarra ou paranoide que não se enquadram no senso comum), sintomas negativos como a diminuição ou perda da vontade, a apatia, o embotamento emocional e afetivo e sintomas afetivos, como ansiedade, depressão e alterações emocionais em geral, esta patologia é acompanhada ainda de défices cognitivos que dificultam a sua interação e integração social.

Mal compreendida, no passado, muitos eram os que associavam as suas manifestações a problemas espirituais e acreditavam tratar-se de possessões demoníacas. Uma crença, enraizada, sobretudo, entre aqueles com menores níveis de escolaridade ou cultura.

“Embora a sociedade tenha evoluído, e hoje se fala cada vez mais sobre estas doença, ainda há muitas pessoas que não a compreendem”, começa por dizer “Alda”, mãe e cuidadora de um doente com esquizofrenia.

“Há 20/30 anos, não se falava de doença mental. Não se falava em depressão, muito menos em psicose ou esquizofrenia. Havia muito desconhecimento sobre estes temas…”, adianta lamentando que também ela tenha sido vítima da falta de informação.

“O meu filho sempre foi uma criança sossegada. Metida no seu mundo. Mas era alegre, tinha uns olhos vivos…”, recorda adiantando, que sempre havia tido dificuldade em fazer amigos.

“Nunca nos deu nenhuma dor de cabeça, como às vezes ouvimos outros pais contar… teve um percurso académico razoável”, acrescenta admitindo que com a chegada da adolescência o comportamento sofreu algumas alterações “que, admito, às quais não demos muita importância na altura”.  “Passou a ter uma atitude errante, por vezes exagerada, mas eu e o pai trabalhávamos muito e achávamos que era uma fase que iria passar…”, conta admitindo que durante anos se sentiu culpada por não perceber que o seu comportamento poderia já indicar que alguma coisa não estava bem.

“Passou a ser desleixado, a zangar-se facilmente com as coisas… falava sozinho, gritava como se estivesse a discutir com alguém. Mas depois, tão depressa se alterava, como ficava em silêncio, horas a fio”, recorda acrescentando que nesses momentos achava “melhor deixá-lo a só”.

Alda recorda ainda que o filho passou a ter “manias”. “Sentia-se observado, dizia que ouvia as pessoas a dizerem mal dele”, e o contacto com os outros foi-se perdendo. “Até me custa dizê-lo, mas eu tinha vergonha de falar sobre o que se estava a passar com quem quer que fosse, mesmo com a família. Optava por deixar de estar com os meus irmãos e com os meus sobrinhos, recusava todos os convites”, conta. Não porque temesse comparações, mas porque sabia que ninguém ia compreender o comportamento do filho, tal como ela não o compreendia.

“Muitas vezes cheguei a questionar o que teria feito eu de errado para meu filho estar assim. Teria sido alguma coisa que fiz ou não fiz? Alguma coisa que disse e não devia?”, recorda.

A luta passou a ser diária, e a par da frustração que sentia por não saber como ajudar o filho vieram as discussões entre o casal. “O meu marido dizia que estava a ser branda e complacente com o comportamento do nosso filho… eu sentia-me impotente e sentia-me cada vez mais responsável pelo que estava a acontecer”, comenta acrescentando que quando ganhou coragem para falar pela primeira vez com alguém sobre o que se estava a passar foi confrontada com as tais crenças: “o teu filho tem algum problema espiritual…”.

“Alda” não sabia em que acreditar. “Confesso que a decisão de o levar ao médico se calhar chegou muito depois do que devia, mas foi quando já não aguentava mais. Acho que, no fundo, sempre quis acreditar que era uma fase e que tudo ia passar”.

O filho de Alda tinha 19 anos quando foi diagnosticado com esquizofrenia. Hoje tem 45.

“Foi muito difícil aceitar que o meu filho tinha esta doença”, tal como foi difícil fazê-lo aceitar que tinha de medicado. “Era uma luta constante… Mas se queria que ele melhorasse tinha de conseguir explicar-lhe com a maior calma do mundo que ele tinha de tomar a medicação…”, recorda adiantando que o filho passou a ser acompanhado por um psiquiatra e mais tarde por um terapeuta com o qual reaprendeu algumas aptidões sociais.

Hoje, lamenta que não tenha recebido mais apoio. “Hoje em dia as famílias são integradas no tratamento… eu não tive apoio nenhum…”, comenta acrescentando que muitos anos mais tarde foi diagnosticada com depressão. “Foram anos a lutar para sair da escuridão onde entrara. Por mim e pelo meu filho”, recorda. “As feridas saram, mas as marcas continuam cá, por isso é preciso muita atenção, muita compreensão e apoio para conseguir ir em frente”, refere adiantando que agradece o apoio dos médicos e dos terapeutas que, hoje, a rodeiam e que ajudaram a ter novamente algum “equilíbrio na vida”.  

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Formato b-learning
O Centro de Formação em Medicina Interna (FORMII) da SPMI acaba de abrir as inscrições para o “Curso de Investigação Clínica em...

“Esta formação, com certificação DGERT, a par de conceitos básicos de Epidemiologia, vai abordar questões éticas e de aplicabilidade da investigação clínica à realidade portuguesa e os fundamentos para a utilização de ferramentas em investigação, procurando que os conceitos ministrados se adaptem a um projeto de investigação clínica concreto, que será desenvolvido, em grupos, pelos formandos”, afirma Nuno Bernardino Vieira, Coordenador do FORMI.

A coordenação do curso estará a cargo de José Mariz, Andreia Vilas-Boas e Nuno Bernardino Vieira e, conta ainda com Nadine Santos e Firmino Machado como formadores convidados. Para além desta equipa de formadores, o curso terá ainda um painel de peritos para a avaliação dos projetos de investigação apresentados.

O curso terá uma duração de 80 horas, 24 presenciais, 32 em e-learning e 24 em projeto de investigação e é da responsabilidade do Núcleo de Estudos de Formação em Medicina Interna e insere-se no Plano Anual de Formação do FORMI.

 

Distúrbio do espectro da Neuromielite ótica
A Agência Europeia de Medicamentos recomendou a concessão de uma autorização de introdução no mercado na União Europeia (UE) de...

O distúrbio do espectro da neuromielite ótica (NMOSD) é uma condição e de risco de vida que afeta mais frequentemente os nervos óticos e a medula espinhal. Este transtorno pode levar à redução ou perda de visão, perda de sensação, perda de controlo intestinal e da bexiga, fraqueza e paralisia dos braços e pernas. Pensa-se que o NMOSD seja causado por uma reação anormal do sistema imunitário que causa danos às células nervosas saudáveis. Caracteriza-se por ataques recaídos, com sintomas que voltam periodicamente. Estima-se que o NMOSD afete cerca de 1-2 em 100.000 pessoas na UE. 

Segundo a Agência Europeia de Medicamentos, o satralizumab é um anticorpo concebido para bloquear os efeitos inflamatórios do recetor interleukin-6 (IL-6), que está envolvido na patogénese do NMOSD.

“O fármaco estará disponível como seringa pré-cheia e será administrada como solução através de uma injeção sob a pele do paciente (subcutânea). As três primeiras injeções são administradas com duas semanas de intervalo, seguidas de uma injeção a cada quatro semanas. Pode ser usado por si só ou em combinação com medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunitário (terapia imunossupressora)”, pode ler-se em comunicado.

Este parecer do Comité de Medicamentos Humanos (CHMP) da EMA baseia-se principalmente em dois estudos clínicos aleatórios que envolveram um total de 184 doentes. “Os estudos clínicos mostraram que a probabilidade de uma recaída acontecer em 119 pacientes que eram AQP4+ e receberam Enspryng sozinho ou em combinação com a terapia imunossupressora foi um quarto do que no grupo de controlo recebendo placebo sozinho ou em combinação com outra terapia imunossupressora”, revela.

Entre os efeitos secundários mais comuns, “observados nos ensaios clínicos”, estão a dor de cabeça, a dor nas articulações, a contagem de glóbulos brancos diminuiu e as reações no local da injeção.

De acordo com a EMA, o parecer será agora enviado à Comissão Europeia para a adoção de uma decisão sobre uma autorização de introdução no mercado à escala da UE. “Uma vez concedida uma autorização de introdução no mercado, as decisões sobre o preço e o reembolso terão lugar ao nível de cada Estado-Membro, tendo em conta o papel potencial ou a utilização deste medicamento no contexto do sistema nacional de saúde desse país”, sublinha.

 

 

Critérios de vacinação
Pessoas com diabetes, dos 16 aos 60 anos, tipo 1 ou 2, passam a estar incluídas na fase de vacinação que agora avança. Esta era...

Como explica José Manuel Boavida, Presidente da APDP, “estudos realizados em todo o mundo já demonstraram, que existe maior risco de formas mais graves da covid-19 em pessoas com diabetes.  A diabetes tipo 1 como aparece, maioritariamente, na idade infantil e juvenil, faz com que os anos de vida com doença sejam potencialmente mais gravosos, fragilizando-as perante a covid-19. É realmente uma ótima notícia que sejam integrados na população prioritária”, ressalvando que “estamos muito satisfeitos pelo rumo da negociação realizada pela APDP junto do Ministério da Saúde. Foi um processo demorado, mas os resultados são muito satisfatórios. Conseguimos que a diabetes fosse considerada prioritária.”

Na fase em vigor há dois critérios de vacinação a considerar: o critério da idade continua a prevalecer, incluindo todos os cidadãos com mais de 60 anos, onde estão a maioria das pessoas com diabetes; e o critério de doenças listadas como de risco acrescido, onde se enquadram as pessoas com diabetes com mais de 16 anos, tipo 1 ou 2.

A APDP recorda que, neste momento, entre 300 a 400 mil pessoas, isto é, cerca de 30% a 40% das pessoas com diabetes, já foram vacinadas na primeira fase devido à idade ou a comorbilidades associadas. Esta percentagem corresponde ao grupo de pessoas com diabetes e mais de 80 anos, ou com mais de 50 e que tenham, além da diabetes, insuficiência respiratória, cardíaca ou renal, uma população que representa um risco ainda maior de complicações graves.

“É para nós importante que seja reconhecido o risco associado à diabetes independentemente das complicações que lhe possam estar associadas”, refere João Filipe Raposo, Diretor Clínico da APDP. “As pessoas com diabetes sabem desde há 1 ano que são um grupo de risco e como tal é muito importante que a comunicação da vacinação nesta fase seja clara para quem tem diabetes e para os profissionais de saúde”, conclui.

A maioria dos espaços continua a não ser acessível a todas as pessoas
A Associação Salvador acaba de lançar uma Campanha de sensibilização a nível nacional, com o objetivo de apelar à...

Numa fase em que o país volta novamente a desconfinar, a Campanha “Confinados até quando?” pretende alertar para o facto de, infelizmente, nem todos terem essa oportunidade. As pessoas com deficiência motora continuarão confinadas às suas casas, à sua rotina, aos espaços que frequentam habitualmente. A maioria dos espaços continua a não ser acessível, impedindo que vivam uma vida livre, sem barreiras.

Através de uma carta fechada ao país e de uma presença forte nas redes sociais, a Campanha pretende promover mais um momento de sensibilização para a necessidade de tornar Portugal mais acessível, justo e inclusivo para todos. Desenvolvida pela CARMEN, agência criativa do YoungNetwork Group, a Campanha estará presente nas redes sociais a partir de dia 26 de abril.

“Vivemos permanentemente confinados. Quem consegue identificar uma rua no nosso país onde não encontremos um obstáculo à mobilidade? Este é o panorama em pleno século XXI: degraus no acesso aos restaurantes, uma escadaria à porta de casa, calçada portuguesa sem manutenção, passadeiras não rebaixadas”, explica Salvador Mendes de Almeida, Presidente da Associação Salvador. “Enquanto não existir uma revisão do Decreto-Lei 163/2006, enquanto a fiscalização não atuar, enquanto não existir sensibilidade por parte dos proprietários para tornar os seus espaços acessíveis, viveremos esta realidade. O Governo e as Câmaras

são os principais responsáveis e, por isso, as principais entidades que poderão fazer a diferença. Foi neste sentido que decidimos lançar esta carta ao país, para voltar a relembrar à sociedade que estas são situações com que as pessoas com deficiência motora se deparam diariamente. “Confinados até quando?” chama a atenção para um problema que, infelizmente, apenas quem passa por ele está mais sensibilizado. Queremos que comecem a existir mudanças efetivas significativas nesta área. Não podemos continuar permanentemente à espera”, conclui Salvador.

“Confinados até quando?” está assim inserida num dos grandes eixos de atuação da Associação Salvador – a Sensibilização. A Associação tem vindo a trabalhar diariamente para promover uma maior acessibilidade para todos, um dos principais fatores de exclusão social das pessoas com deficiência motora.

 

 

Dia Mundial da Malária assinala-se a 25 de abril
Investigadores da Universidade de Oxford apresentaram hoje os resultados de um ensaio de fase IIb de um fármaco candidato à...

As conclusões, publicadas hoje na revista The Lancet, mostram que esta vacina é a primeira a cumprir o objetivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece pelo menos 75% de eficácia para uma vacina.

Segundo a OMS, 46 dos 87 países da malária registaram menos de 10.000 casos de malária em 2019, contra 26 países em 2000. Até ao final de 2020, 24 Estados tinham reportado a suspensão da transmissão da malária durante três anos ou mais, dos quais 11 foram certificados por países livres de doenças.

Os autores indicam que alcançaram 77% de eficácia num ensaio IIb de fase aleatória, controlada e duplamente cega realizada na Unidade de Investigação Clínica Nanoro/Instituto de Investigação em Ciências da Saúde (Burkina Faso), com 450 participantes entre 5 e 17 meses recrutados no departamento de Burkinakin de Nanoro, abrangendo 24 aldeias e uma população de aproximadamente 65.000 pessoas.

Os participantes foram divididos em três grupos. Os dois primeiros receberam a vacina R21/Matrix-M (com uma dose baixa ou uma dose elevada do adjuvante Matrix-M) e a terceira recebeu uma vacina anti-raiva como grupo de controlo. As doses foram administradas entre o início de maio de 2019 e o início de agosto desse ano, antes da época alta da malária.

A eficácia foi de 77% no grupo de adjuvantes em doses mais elevadas e de 71% no grupo de adjuvantes em doses mais baixas, durante 12 meses de seguimento e sem que se observassem episódios adversos graves relacionados com a vacina.

Como resultado, o ensaio phase IIb, financiado pelo programa EDCTP2 apoiado pela UE, foi alargado um ano, com uma vacina de reforço dada antes da próxima temporada de malária.

 

Para população acima dos 65 anos
O Portal do Autoagendamento para Vacinação contra a Covid-19 entra funcionamento esta sexta-feira. Esta funcionalidade está...

De acordo com a nota publicada hoje, os utentes podem ainda escolher a data para receber a vacina. No entanto, “no caso de não haver vagas disponíveis, os utentes podem optar por ficar em lista de espera naquele ponto de vacinação ou escolher uma data, noutro ponto de vacinação”.

Após o agendamento, receberá uma sms com a data e a hora precisa em que será vacinado no ponto de vacinação escolhido.

“O envio da sms referida está dependente de o utente não ter sido ainda convocado para vacinação ou não ter contraído COVID-19 (enquanto estes pressupostos se mantiverem)”, sublinha a nota informativa.

 

 

Fundamental garantir aos casais apoio psicológico
A deputada Cristina Rodrigues submeteu, em Assembleia, um projeto de resolução que visa a adoção de medidas de reforço dos...

“A perda de alguém, em particular nas situações em que é inesperada ou violenta, tem um elevado impacto na vida das pessoas, mudando-a de forma permanente. A morte inicia uma resposta natural de adaptação, tanto à perda como a uma nova realidade. Sabemos que a perda gestacional representa a interrupção abrupta de um projeto de vida, com consequências para os envolvidos.”, refere a parlamentar.

Em comunicado sublinha que, tal como sustenta a OMS, “vivenciar uma perda gestacional é uma tragédia insuficientemente abordada, pelo que esta entidade tem vindo a alertar para a necessidade de integrar, nas agendas nacionais e globais, medidas que previnam a ocorrência de perdas gestacionais e que garantam a prestação de cuidados de saúde de alta qualidade”.

Segundo a parlamentar, “o nosso país possui, ainda, lacunas no que diz respeito ao tratamento e acompanhamento dos casais em caso de perda gestacional”.

Assim, afirma que é fundamental garantir aos casais apoio psicológico para os ajudar a ultrapassar o período de luto e a lidar com a perda.

“Desde logo é necessário reforçar o SNS para garantir apoio psicológico. Normalmente é apenas disponibilizado em casos de perda no 3.º trimestre de gravidez, mas, mesmo nestes casos, demora bastante tempo a iniciar-se o acompanhamento. Esta situação obriga os casais a procurar apoio psicológico no sector privado, o qual não está acessível a todos”, revela.

Portanto, Cristina Rodrigues entende que a primeira consulta deve ocorrer num curto espaço de tempo, garantindo que os pais iniciam este acompanhamento logo após a perda.

“Depois, nas instituições hospitalares, em muitos casos, estas mães são internadas nas mesmas enfermarias/quartos que parturientes em situação de parto normal, sendo confrontadas com bebés recém-nascidos durante todo o seu internamento. Consideramos que esta situação não protege nem respeita estas mulheres, sendo desejável que estes casos fossem tratados em alas separadas.”, afirma a deputada.

Ainda, a Associação Projecto Artémis tem denunciado que a notícia da perda gestacional nem sempre é dada aos casais da forma mais humanizada, sendo, em muitos casos, principalmente nas perdas de 1º trimestre, desvalorizada a perda deste bebé por parte dos técnicos de saúde, verbalizando, inclusive, em diversos casos, frases desumanas, o que cria uma revolta mais acentuada nestes pais.

Para além disto, é já reconhecido à mulher grávida internada em estabelecimento de saúde o direito de acompanhamento, durante todas as fases do trabalho de parto, por qualquer pessoa por si escolhida. No entanto, nos casos de perda gestacional, é frequente a mulher estar sozinha, situação que pode agravar a sua vulnerabilidade. Sendo que se trata de um momento particularmente difícil para o casal, é importante que o pai possa estar presente para prestar apoio, devendo, por isso, ser criadas as condições necessárias que permitam à mulher ter acesso a este acompanhamento.

Por outro lado, refere que “muitos pais têm denunciado que nem sempre lhes é prestada toda a informação legal necessária, nomeadamente em relação às condições de acesso à licença e subsídio por interrupção da gravidez, se o pai tem ou não algum direito, bem como à necessidade ou não de certificado de óbito ou de funeral”.

Finalmente, “os dados estatísticos existentes no que se refere às perdas até às 22 semanas de gestação — clinicamente consideradas como abortos espontâneos — estão inseridos no Relatório Anual das Complicações das Interrupções da Gravidez, situação com a qual não concordamos, dado que minimiza as perdas gestacionais e desrespeita os pais que perderam os seus bebés sem vontade própria. Para além disso, os dados que dizem respeito às perdas após as 22 semanas de gestação não são rigorosos, uma vez que nem todos os hospitais reportam estes números”.

Para a parlamentar, “estas recomendações seguem os apelos que têm sido feitos pela OMS e pela UNICEF para acabar com as perdas gestacionais evitáveis e que se traduzem, em suma, no aumento da consciencialização e combate ao estigma, o reforço do apoio às mulheres e famílias em caso de perda gestacional e, ainda, a criação de mecanismos para monitorização dos casos de perda gestacional que garantam um melhor conhecimento destas situações”.

Estudo
Investigadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein conceberam um medicamento experimental que inverteu os sintomas-chave...

"As descobertas em ratos nem sempre se traduzem para os seres humanos, especialmente na doença de Alzheimer", disse a líder do estudo Ana Maria Cuervo, professora de biologia do desenvolvimento molecular e co-diretora do Instituto de Investigação do Envelhecimento de Einstein. "Mas fomos encorajados a descobrir no nosso estudo que a entrega na limpeza celular que contribui para o Alzheimer em ratos também ocorre em pessoas com a doença, sugerindo que o nosso medicamento também pode funcionar em humanos." Na década de 1990, Ana Maria Cuervo descobriu a existência deste processo de limpeza celular, conhecido como autofagia mediada (CMA) e publicou 200 artigos sobre o seu papel na saúde e na doença.

A CMA torna-se menos eficiente à medida que as pessoas envelhecem, aumentando o risco de que proteínas indesejadas se acumulem em aglomerados insolúveis que danificam as células. De facto, todas as doenças neurodegenerativas caracterizam-se pela presença de agregados de proteínas tóxicas no cérebro dos pacientes. O artigo revela uma interação dinâmica entre a CMA e a doença de Alzheimer, com a perda de CMA nos neurónios que contribuem para o Alzheimer e vice-versa. As descobertas sugerem que os fármacos para a recuperação da CMA podem oferecer esperança para o tratamento de doenças neurodegenerativas.

A equipa de investigação analisou, em primeiro lugar, se uma CMA deficiente contribui para o Alzheimer. Para tal, criaram geneticamente um rato para ter neurónios cerebrais excitatórios que não tinham CMA. A ausência de CMA num tipo de célula cerebral foi suficiente para causar perda de memória a curto prazo, caminhadas deficientes, e outros problemas frequentemente encontrados em modelos roedores da doença de Alzheimer. Além disso, a ausência de CMA perturbou profundamente a proteostase - a capacidade das células de regular as proteínas que contêm. Normalmente, as proteínas solúveis tinham-se transformado em insolúveis e estavam risco de se agruparem em agregados tóxicos.

De seguida, estudaram um modelo de rato com Alzheimer precoce em que os neurónios cerebrais foram feitos para produzir cópias defeituosas da proteína TAU. As evidências indicam que cópias anormais desta proteína se agrupam para formar emaranhados neurofibrilares que contribuem para o Alzheimer. A equipa de pesquisa focou-se na atividade da CMA dentro dos neurónios do hipocampo - a região cerebral crucial para a memória e aprendizagem. Eles descobriram que a atividade da CMA nesses neurónios foi significativamente reduzida em comparação com o controlo dos animais.

E quanto a Alzheimer precoce nas pessoas? Para descobrir, os investigadores analisaram dados de sequenciação de ARN de uma única célula a partir de neurónios obtidos após a morte a partir do cérebro dos pacientes de Alzheimer e de um grupo de comparação de indivíduos saudáveis. Os dados de sequenciação revelaram o nível de atividade da CMA no tecido cerebral dos pacientes. Com certeza, a atividade da CMA foi um pouco inibida em pessoas que estavam em estágios iniciais de Alzheimer, seguidas por uma inibição muito maior da CMA no cérebro de pessoas com Alzheimer avançado.

"Quando as pessoas atingem os 70 ou 80 anos, a atividade da CMA geralmente diminuiu cerca de 30% em comparação com quando eram mais jovens", revelou Ana Maria Cuervo. "O cérebro da maioria das pessoas pode compensar este declínio. Mas se adicionarmos doenças neurodegenerativas, o efeito na composição normal da proteína dos neurónios cerebrais pode ser devastador. O nosso estudo mostra que a deficiência de CMA interage sinergicamente com a patologia de Alzheimer para acelerar muito a progressão da doença."

Um novo fármaco «limpa» os neurónios e inverte sintomas

Numa descoberta encorajadora, esta equipa de investigação desenvolveu um novo fármaco que mostra potencial para tratar Alzheimer. "Sabemos que a CMA é capaz de digerir a proteína TAU defeituosa, bem como outras proteínas", disse Ana Maria Cuervo. "Mas a quantidade de proteína defeituosa no Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas sobrecarrega a CMA e essencialmente esta deixa de funcionar corretamente. O nosso fármaco revitaliza a eficiência da CMA aumentando os níveis de um componente-chave da CMA."

Na CMA, as proteínas chamadas acompanhantes ligam-se a proteínas danificadas ou defeituosas nas células do corpo. As acompanhantes transportam a sua carga para os lisossomas das células — organelas ligadas à membrana cheias de enzimas, que digerem e reciclam resíduos. No entanto, para conseguir colocar a sua carga em lisossomas, os acompanhantes devem primeiro fixar o material num recetor proteico chamado LAMP2A que brota das membranas dos lisossomas. Quanto mais recetores LAMP2A, maior o nível de atividade da CMA. O novo fármaco, chamado CA, funciona aumentando o número desses recetores LAMP2A.

"Produz-se a mesma quantidade de recetores LAMP2A ao longo da vida", disse a investigadora "Mas esses recetores deterioram-se mais rapidamente à medida que envelhecemos, por isso os idosos tendem a ter menos destes recetores disponíveis para entregar proteínas indesejadas em lisossomas. A AC restaura o LAMP2A para níveis juvenis, permitindo à CMA livrar-se de tau e outras proteínas defeituosas para que não possam formar esses aglomerados proteicos tóxicos." (Também este mês, a equipa do Dr. Cuervo informou na Nature Communications que, pela primeira vez, tinham isolado os lisossomas do cérebro dos doentes com Alzheimer e observou que a redução do número de recetores LAMP2A causa a perda de CMA em humanos, tal como acontece em modelos animais de Alzheimer.)

Os investigadores testaram a AC em dois modelos diferentes de rato da doença de Alzheimer. Em ambos os modelos de rato da doença, as doses orais de CA administradas ao longo de 4 a 6 meses levaram a melhorias na memória, depressão e ansiedade que fizeram com que os animais tratados se assemelhassem ou se assemelhassem a ratos saudáveis e de controlo. A capacidade de caminhada melhorou significativamente no modelo animal em que era um problema. E nos neurónios cerebrais de ambos os modelos animais, o fármaco reduziu significativamente os níveis de proteína tau e aglomerados proteicos em comparação com animais não tratados.

"Os animais em ambos os modelos já apresentavam sintomas de doença, e os seus neurónios estavam entupidos com proteínas tóxicas antes de os medicamentos serem administrados", explicou a investigadora. "Isto significa que o fármaco pode ajudar a preservar a função neuronal mesmo nas fases mais tardias da doença”

O tratamento com AC não parece ter prejudicado outros órgãos mesmo quando dado diariamente por longos períodos de tempo. O fármaco foi desenhado por Evripidis Gavathiotis, professor de bioquímica e de medicina e co-autor do estudo.

Inovação de tratamento
A Comissão Europeia (CE) aprovou recentemente a autorização de introdução no mercado da forma subcutânea do natalizumab, um...

A nova via de administração oferece um perfil de eficácia e segurança comparáveis à formulação intravenosa (IV) do fármaco, com base nos dados de longo prazo da terapêutica, benefícios clínicos e perfil de segurança bem estabelecidos.

“A administração subcutânea de natalizumab aumenta as opções terapêuticas para controlar a esclerose múltipla muito ativa”, explica Sven G. Meuth, Professor de Neurologia e Diretor do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Dusseldorf. “Acredito que a formulação subcutânea apresenta uma oportunidade para os doentes com esclerose múltipla receberem um medicamento com eficácia e segurança comparáveis à via intravenosa, mas com um tempo de administração reduzido, o que pode ser significativo para os doentes.”

A aprovação da Comissão Europeia da via de administração subcutânea de natalizumab é baseada nos dados dos estudos DELIVER e REFINE, cujos resultados demostraram ser comparáveis à administração intravenosa de 300 mg de natalizumab a cada 4 semanas, relativamente ao perfil de eficácia, farmacocinética e farmacodinâmica. A segurança deste fármaco, em ambos os estudos, foi geralmente consistente com o perfil de benefício-risco bem estabelecido em outros estudos clínicos e em contexto de pós-comercialização, com exceção da dor no local da injeção que pode ocorrer com as injeções.

“Esta é uma terapêutica de alta eficácia com um perfil de segurança bem estabelecido para doentes que vivem com esclerose múltipla. Quase 15 anos de experiência de mundo real ajudam a reforçar a sua efetividade na redução da atividade da doença, mostrando que o tratamento precoce leva a melhores resultados clínicos”, afirma Rita Lau Gomes, Diretora Médica da Biogen Portugal. “Com doenças crónicas como a Esclerose Múltipla, devemos continuar a procurar inovações que possam ajudar os doentes a integrar melhor as suas preferências de tratamento nas suas vidas. Esta aprovação reflete o nosso compromisso em explorar novas possibilidades e atender às necessidades crescentes das pessoas que vivem com Esclerose Múltipla.”

A Esclerose Múltipla Surto-Remissão é a forma mais comum de Esclerose Múltipla (EM) – estima-se que represente cerca de 85% dos doentes com EM. Esta forma caracteriza-se pela ocorrência sucessiva de surtos, ou seja, períodos em que existe uma manifestação mais acentuada da sintomatologia da doença. A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crónica que afeta o sistema nervoso central e que, em consequência, poderá dar origem a sintomas neurológicos causadores de incapacidade progressiva. Os números mais recentes apontam para perto de 8 mil pessoas em Portugal com Esclerose Múltipla

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