Reunião Científica
Numa era de avanços tecnológicos em vários campos, também o da radiologia promete novidades, nomeadamente para o diagnóstico...

A radiologia é uma das especialidades presentes, destacando-se com “um papel central no diagnóstico” destas doenças, explica Diana Penha, consultora de Radiologia Cardiotorácica no Liverpool Heart and Chest Hospital e Membro da Comissão Científica do congresso.

“Estamos sem dúvida já na era da inteligência artificial e, nesse campo, a radiologia, através de novos softwares e algoritmos ‘machine learning’, será certamente pioneira nos próximos anos a poder oferecer novas técnicas de imagem para a deteção e a quantificação destas doenças”, refere a especialista.

Os avanços técnicos permitem hoje “uma interpretação e leitura do exame com muito maior precisão para a patologia pulmonar fibrosante”, confirma, explicando que “a radiografia de tórax é frequentemente o exame inicial, onde muitas vezes são já evidentes sinais da doença. A tomografia computorizada (TC) torácica é um método mais sensível para o diagnóstico destas doenças e é considerado central no diagnóstico. Em até 50% dos casos pode dar o diagnóstico da doença através da leitura das alterações pulmonares detetáveis no exame de TC”.

A especialista confirma que o radiologista trabalha diariamente em parceria com várias especialidades médicas e cirúrgicas “e recebe a referenciação dos doentes por parte dos colegas das diferentes especialidades, que partem já de um contexto clínico sintomático, que poderá fazer suspeitar de patologia pulmonar subjacente”. Assim, “o papel do radiologista é sem dúvida muito importante, não só enquanto elemento parceiro das equipas multidisciplinares, mas como elemento crucial na leitura dos exames pulmonares radiológicos, sendo muitas vezes o elemento que avança com a hipótese diagnóstica de doença pulmonar intersticial e os seus padrões de apresentação radiológica”.

Edson Marchiori, professor titular de radiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e orador do evento, concorda. Salienta, por isso, a importância por parte do radiologista, de se consciencializar “que o diagnóstico dessas doenças deve ser feito não isoladamente, mas por uma equipa multidisciplinar, formada basicamente por clínicos (pneumologistas), radiologistas e patologista. A reunião dos conhecimentos destes especialistas, em uma discussão multidisciplinar, aumenta muito a chance de um diagnóstico correto”.

Para o especialista, o papel do radiologista, “não só nas doenças intersticiais, como na sua atividade profissional rotineira, precisa de ser discutido. Estamos a viver numa era de vertiginosos avanços tecnológicos, com telemedicina, inteligência artificial aplicada à medicina, entre outros. Contudo, acredito que o principal requisito para o bom médico, o médico de excelência, continua a ser o estudo e aprendizagem contínuos. O radiologista competente precisa conhecer basicamente as múltiplas facetas da doença, estudando não só a imagem como também a clínica, o laboratório, a anatomia patológica e as ciências correlatas”.

E ainda que o futuro traga muitos avanços e novidades, Edson Marchiori realça que “o que nunca mudará são as características clínicas e morfológicas das doenças. Só o amplo conhecimento dessas características poderá tornar o radiologista preparado para os avanços da especialidade, e para exercer a sua função primordial: fazer diagnósticos”.

Encontros como este, que se vai realizar em Cascais, permitem, por isso, “a troca de experiências e a aproximação de novos médicos com profissionais experientes e consagrados, possibilitando a transmissão tanto de conhecimentos teóricos como de sua vivência prática”.

Dar a conhecer a doença
A exposição “A Minha Esclerose Múltipla Invisível” é uma exposição itinerante que apresenta 12 painéis sobre os sintomas...

No dia 30 de setembro a exposição inaugurou na Loja do Cidadão de Santarém e onde permanecerá até ao dia 4 de outubro. A sua viagem vai continuar para a região do Alentejo, no distrito de Beja, que inaugura de 14 a 16 de outubro no Hospital José Joaquim Fernandes, seguindo para a Escola Superior de Saúde de Beja, entre 17 e 18 de outubro e termina entre 23 a 25 de outubro no Fórum Municipal de Castro Verde.

Os 12 painéis da exposição representam os sintomas desta patologia que por um lado são possíveis de atenuar e controlar e por outro podem provocar grandes constrangimentos na vida do doente e que têm impacto na sua qualidade de vida. Com o objetivo de sensibilizar e dar a conhecer esta doença à sociedade e os desafios que os doentes enfrentam, as associações de doentes – Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM), Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), e Todos com Esclerose Múltipla (TEM) – uniram-se nesta iniciativa.

A exposição desde que inaugurou já passou por Lisboa, Algarve e Viseu, contando com centenas de visitantes. “Os visitantes dos vários locais por onde a exposição já passou têm apreciado as várias experiências que permitem ao cidadão comum perceber as principais dificuldades de um doente com Esclerose Múltipla” afirma o Presidente da SPEM, Alexandre Guedes da Silva.

 

Especialista explica
Será que o consumo de determinados alimentos favorece a fecundação?
Casal a segurar e par de sapatos de bebé

O exercício intenso pode prejudicar a fertilidade.

O tema do exercício físico e da fertilidade tem sido amplamente debatido, sem resultados unânimes entre os diversos autores. É, no entanto, globalmente reconhecido que o exercício físico moderado é benéfico na melhoria da fertilidade em todas as mulheres. O exercício vigoroso pode melhorar a fertilidade nas mulheres obesas, mas pode ser prejudicial nas mulheres com peso normal.

Obesidade e stress interferem com a fertilidade.

Existe uma clara e robusta evidência científica do efeito nefasto da obesidade na fertilidade, quer feminina quer masculina. Este efeito manifesta-se também no prognóstico da gravidez e neonatal.

O impacto do stress na fertilidade não é tão claro. Investigadores não entendem o papel que este desempenha na fertilidade uma vez que as mulheres podem engravidar sob situações de stress intenso. Mais demonstrados estão os efeitos positivos dos fatores que reduzem o stress, como o exercício físico e as práticas de relaxamento na ajuda a superar a infertilidade.

Doenças sexualmente transmissíveis causam infertilidade.

Sim. A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma doença sexualmente transmissível que afeta a fertilidade. Resulta de uma infeção por Chlamydia ou Gonorrhea, maioritariamente assintomática, que em 10-15% dos casos origina lesão permanente do trato genital superior: útero, trompas e cavidade pélvica, com correspondente infertilidade.

Alguns alimentos ajudam a fecundação.

Não existe o alimento “mágico” da fecundação/implantação. De uma forma geral, na fase de pré-conceção, como na gravidez, uma mulher deve fazer uma dieta equilibrada. Deve comer muitos frutos e legumes, ricos em antioxidantes que melhoram a qualidade ovocitária, fazer um bom aporte de fibras e de complexos de carbohidratos e proteínas.

É também importante a suplementação de cálcio e outras vitaminas e minerais, com particular foco em ómega -3.

Não esquecer ainda uma boa hidratação.

A pílula e o DIU não interferem com a fertilidade.

Verdade. Os métodos de contraceção reversíveis atualmente disponíveis são seguros na prevenção da gravidez durante o seu uso, e não têm nenhum efeito, a longo prazo, na capacidade reprodutiva, quando abandonados. Por isso, facilmente se compreende que algumas situações de esquecimento pontual de contracetivos orais (pílula) resultem em gravidez indesejada.

Vários estudos científicos, com elevado número de participantes, demonstraram que a probabilidade de engravidar ao fim de um mês e ao fim de um ano era idêntica em mulheres que usavam pílula e DIU em comparação com as que usavam métodos naturais de contraceção (método do calendário).

É possível evitar o envelhecimento dos óvulos, se tiver uma vida saudável.

Falso. O envelhecimento ovárico é um processo irreversível e inevitável, que resulta de um declínio progressivo do número de folículos ováricos e da qualidade dos ovócitos. Muitas mulheres de idade mais avançada mantêm uma aparência física jovial, não espelhada nos seus ovários e óvulos, que envelhecem com o passar dos anos, refletindo a real idade cronológica.

Este natural envelhecimento pode, no entanto, ser acelerado pela presença de hábitos pouco saudáveis de vida, como o abuso de substâncias tóxicas (cigarro, álcool, drogas), stress, exercício físico exagerado e hábitos alimentares inadequados.

A mulher pode engravidar com os seus próprios óvulos facilmente até à idade que quiser.

Falso. Como descrito acima o envelhecimento ovárico é um processo contínuo que se inicia no nascimento e se estende até à menopausa, traduzido no esgotamento progressivo do pool folicular. A idade da mulher é, assim, o fator primordial na determinação da fertilidade, com o pico aos 25 anos e um declínio gradual posterior, muito marcado a partir dos 35 anos. Este declínio da fertilidade com a idade é também acompanhado de um aumento das taxas de anomalias cromossómicas do produto de conceção, com correspondente aumento do número de abortamentos.

Traduzido em números, isto significa que a probabilidade de uma mulher de 30 anos engravidar por mês é de cerca de 20-25%, probabilidade esta que se reduz para menos de 5% aos 40 anos, sendo praticamente nula depois dos 45 anos.

Sémen congelado tem prazo de validade.

Não. Especialistas referem que os espermatozoides podem estar criopreservados por muitos, muitos anos (a -196ºC) sem perderem a sua capacidade de fertilização, após descongelação. Esta capacidade é uma mais-valia inegável e importantíssima nos casos de criopreservação por causas oncológicas, particularmente em idades jovens.

Em alguns países o tempo de criopreservação de espermatozoides é determinado exclusivamente por diretivas legais.

A melhor opção para casais inférteis é a fertilização in vitro.

Falso. Não existe o melhor nem o pior tratamento de fertilidade.

O tratamento da infertilidade depende de múltiplos fatores: da causa e da duração da infertilidade, da idade da mulher, da existência de tratamentos prévios e também da preferência do casal. Não podemos esquecer que o tratamento da infertilidade envolve um enorme compromisso físico, psicológico, financeiro e de tempo por parte do casal, pelo que estes devem ser envolvidos na sua decisão.

A opção de tratamento deve sempre ser personalizada. Embora em algumas situações seja possível obter uma gravidez com terapêuticas médicas simples, outras há em que se torna necessário recorrer a tratamentos cirúrgicos ou de procriação medicamente assistida. Nestes, a fertilização in vitro é a que oferece as melhores taxas de gravidez.

A fertilização in vitro pode ser usada para prevenir doenças hereditárias.

Sim. É possível com o recurso à fertilização in vitro e ao diagnóstico genético pré-implantatório (DGPI) avaliar o estado do embrião no que se refere a uma anomalia genética específica (da qual um dos progenitores é portador), sendo que apenas os embriões não afetados por essa anomalia são transferidos para o útero materno, impedindo assim a transmissão da doença genética ao recém-nascido.

Inseminação artificial e fertilização in vitro são o mesmo tratamento.

Não. A inseminação artificial é um tratamento mais simples, de primeira linha, que consiste na introdução de espermatozoides, previamente preparados, no útero da mulher, após estimulação da ovulação, com uma taxa média de sucesso de 10 a 12%.

A fertilização in vitro, é um tratamento de segunda linha, mais complexo, que compreende quatro etapas: estimulação controlada dos ovários, punção folicular, técnica de laboratório (manuseamento dos ovócitos e espermatozoides) e transferência embrionária, com uma taxa de sucesso média de 30 a 35%.

De notar que as taxas de sucesso associadas a estes tratamentos estão muito claramente relacionadas com a idade da mulher, com reduções marcadas com o avançar da idade, podendo atingir os 5 a 10% em mulheres por volta dos 40 anos.

O tratamento de fertilidade garante a gravidez.

Falso. Tendo em conta a natural taxa de fecundabilidade – probabilidade de engravidar por ciclo menstrual – e a sua franca redução com a idade, em muitas situações o tratamento de fertilidade não resulta em gravidez.

A taxa máxima de gravidez é conseguida nos tratamentos de fertilização in vitro com recurso a ovócitos de dadora, nos quais é cerca de 60%.

O casal não pode ter relações sexuais durante o tratamento de fertilidade.

Falso. A atividade sexual é segura durante a estimulação ovárica nos tratamentos de inseminação ou de fertilização in vitro. No entanto, esta pode tornar-se ligeiramente desconfortável à medida que os ovários vão ficando maiores com o desenvolvimento multi-folicular.

A abstinência sexual é apenas recomendada nos dois a três dias que antecedem a colheita de esperma para a realização da técnica propriamente dita (inseminação ou fertilização in vitro) e após a transferência embrionária, até à realização do teste de gravidez.

Todos os tratamentos resultam em gravidez múltipla.

Falso. A incidência de gravidez múltipla, considerada uma das complicações iatrogénicas dos tratamentos de fertilidade, tem vindo a diminuir nos últimos anos graças à tendência crescente da transferência eletiva de um só embrião.

A maioria das gravidezes múltiplas resulta dos tratamentos de indução de ovulação, para coito programado, não controlados e das inseminações intrauterinas.

Infertilidade é sempre tratável.

Falso. Há situações em que não é possível reverter ou tratar a causa da infertilidade, por exemplo: malformações congénitas do sistema reprodutor (ausência de útero ou ovários), menopausa precoce, incapacidade de produção de espermatozoides, entre outras.

Em algumas destas situações a gravidez é possível com recurso a técnicas de procriação medicamente assistida, como a gestação de substituição e o uso de gâmetas de dadores.

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Estudo
Um estudo recentemente publicado na revista científica Stem Cells and Development demonstrou que é possível melhorar a...

Os investigadores trataram um conjunto de animais com isquémia crítica do membro inferior injetando células estaminais diretamente no músculo da perna afetada, tendo estes apresentado uma recuperação significativa da irrigação sanguínea comparativamente aos do grupo controlo, que apenas receberam solução salina.

Ambos os tipos de células estaminais testadas neste estudo - da medula óssea e do tecido do cordão umbilical - induziram melhorias significativas nos animais tratados, tendo as células do cordão umbilical apresentado eficácia superior, potencialmente devido à sua maior capacidade proliferativa, migratória e de indução da formação de vasos sanguíneos, tal como demonstrado em estudos in vitro.

Bruna Moreira, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, afirma que “esta terapia celular pode vir a representar uma esperança no tratamento de doença arterial periférica, sobretudo para doentes em estado grave.”

“É fundamental dar continuidade a este trabalho, nomeadamente através da realização de ensaios clínicos, com o objetivo de avaliar a segurança e eficácia da terapia com células estaminais do tecido do cordão umbilical nestes doentes, acrescenta a investigadora.

A doença arterial periférica é causada pelo estreitamento das artérias que irrigam o corpo, na maioria das vezes pela acumulação de placas de gordura nas paredes dos vasos (aterosclerose), caracterizando-se pelo aporte insuficiente de oxigénio aos membros afetados. Tem como principal sintoma dor nas pernas ao caminhar, que alivia com o repouso. Estima-se uma prevalência de 3-10%, com um aumento significativo para 15-20% na população com mais de 70 anos. A progressão desta doença pode levar à isquémia crítica dos membros, uma condição muito grave, em que a irrigação sanguínea está seriamente comprometida. Os doentes apresentam dor mesmo em repouso e feridas que não cicatrizam, podendo levar a consequências devastadoras, como a amputação dos membros afetados.

A abordagem terapêutica inicial inclui o controlo dos fatores de risco, como o tabagismo, hipertensão, diabetes e colesterol, e a realização de exercício físico. Outras medidas, farmacológicas e cirúrgicas, poderão ser tomadas em quadros mais graves da doença. Nos doentes acamados ou em cadeira de rodas, que não tenham a possibilidade de se levantar, está contraindicada a revascularização por via cirúrgica, deixando estes doentes sem alternativas terapêuticas e em risco de amputação.

Grupo de Estudos de Cancro e Trombose alerta para os riscos
Uma em cada quatro mortes no mundo está relacionada a uma doença silenciosa com diagnóstico clínico difícil: a trombose, o que...

Celebrado anualmente a 13 de outubro, o World Thrombosis Day é um movimento global, liderado pela Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH – International Society on Thrombosis and Haemostasis), que em Portugal conta com o apoio do Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESCAT) para promover a consciencialização sobre a trombose, doença pouco conhecida, mas potencialmente letal, aumentando o conhecimento e compreensão sobre os riscos e a importância da sua prevenção.

Para Sérgio Barroso, médico oncologista e presidente do GESCAT o primeiro passo para a prevenção é entender como a trombose se manifesta no corpo. “A trombose consiste na formação de um coágulo de sangue (trombo), numa veia localizada profundamente que dificulta ou impede o fluxo normal de sangue. Nos casos em que o trombo é formado no interior da coxa ou da perna (também pode acontecer no braço ou noutras partes do corpo), caracteriza-se por trombose venosa profunda (TVP). O maior problema é quando o coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, correndo-se o risco deste viajar até aos pulmões e originar a embolia pulmonar (EP). Tanto a TVP como a EP podem levar à morte por tromboembolismo venoso (TEV)”. Apesar da gravidade, a grande parte da população desconhece os problemas relacionados com esta patologia silenciosa.

Na verdade, segundo a ISTH, as ocorrências de TEV causam mais mortes por ano na Europa e nos Estados Unidos da América do que todos os casos de SIDA, cancro da mama, cancro da próstata e acidentes de viação. Com uma em cada quatro pessoas a morrer diariamente em todo o mundo, devido a uma doença relacionada com a trombose, o foco do Dia Mundial de Combate à Trombose em 2019 é a hospitalização, a trombose associada ao cancro e a incidência da doença nas mulheres devido à exposição a fatores de risco adicionais, como a pílula anticoncecional e a gravidez.

“A hospitalização constitui um fator de risco significativo para o desenvolvimento de um TEV, porque os hospitais ainda não adotaram protocolos obrigatórios para ajudar a evitar problemas trombóticos que ocorrem geralmente, após uma cirurgia, corte ou falta de movimento por muito tempo, sendo mais frequente após procedimentos cirúrgicos ortopédicos, oncológicos e ginecológicos. Até 60% dos casos de TEV ocorrem durante a hospitalização ou dentro de 90 dias, no pós-alta. Daí que um doente bem informado sobre a sua condição pode permitir maior sucesso nos tratamentos e garantir/exigir melhores cuidados durante a hospitalização. E se tiver alguma dúvida com algum dos sintomas deve procurar ajuda junto do médico assistente” explica o presidente do GESCAT.

“Apesar de ser um problema que geralmente afeta mais mulheres, os homens também correm o risco de sofrer uma trombose. Em números, quando é avaliada apenas a faixa entre 20 a 40 anos, a incidência de trombose é um pouco maior nas mulheres pela maior exposição a fatores de risco, como os anticoncecionais e a gravidez. E, tal como associados a grande parte das doenças, temos outros fatores de risco como, a obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool que contribuem fortemente para aumentar os riscos de formação de um coágulo nas veias levando ao seu entupimento e impedindo que o sangue circule normalmente. A população oncológica, devido à quimioterapia, radioterapia, hospitalização e imobilidade têm um risco acrescido de desenvolver um TEV”, esclarece o médico oncologista.

Sintomas e prevenção

Sendo o acesso aos cuidados de saúde fundamental, é importante que as pessoas estejam atentas à realidade desta doença e a prestar a devida atenção aos sinais do seu corpo. A TVP (trombose venosa profunda) manifesta-se habitualmente através de um dos seguintes sintomas: dor na barriga da perna (porque as veias da perna têm maior dificuldade de transportar o sangue para o coração), calor, inchaço, sensação de pele esticada e vermelhidão evidente na perna ou no braço. Já os sinais de EP (embolia pulmonar) contemplam: falta de ar inexplicável, dor no peito (especialmente quando respira profundamente), vertigens/tonturas e/ou desmaios e tosse com sangue.

Atitudes simples do dia a dia como evitar ficar muito tempo sentado sem se movimentar, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico regularmente, manter o peso, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, principalmente se associado ao cigarro e ao uso de anticoncecionais e fazer uso de meias elásticas caso tenha algum histórico pessoal ou familiar de formação de coágulos sanguíneos.

Diagnóstico e tratamento 

O Presidente do GESCAT alerta que, ao identificar os principais sintomas da trombose, é necessário procurar imediatamente ajuda médica para confirmar o diagnóstico da trombose suspeita e começar rapidamente o tratamento da doença. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento da trombose venosa profunda deve começar imediatamente para impedir o crescimento do coágulo sanguíneo, impedir que o coágulo avance para outras regiões do corpo e, assim, evitar uma possível embolia pulmonar. O tratamento pode contemplar anticoagulantes para impedir que os coágulos sanguíneos se desloquem para os pulmões e meias de compressão para melhorar o edema causado pela trombose.

Procedimento estético
É um processo natural ao qual todos estamos sujeitos - o envelhecimento.

“Nos últimos dois anos, este procedimento tornou-se um dos mais comuns, até porque o rosto, mais do que qualquer outra parte do corpo, mostra os sinais do envelhecimento”, explica Luiz Toledo, cirurgião plástico que acrescenta: “um facelift não vai parar o envelhecimento, mas permite uma aparência mais jovem”. 

Dependendo do objetivo, a intervenção pode durar de uma a quatro horas, sob anestesia local ou geral. “Um dos aspetos mais importantes do facelift é a reposição do volume perdido. Isto pode ser obtido suturando as estruturas profundas ou pela injeção de gordura, que é aspirada de outra área”, explica o especialista. As cicatrizes, uma das maiores preocupações de quem procura este procedimento, não são visíveis, uma vez que, no caso de ser necessária, a incisão é feita à frente ou atrás da orelha, pelo que é escondida nas dobras naturais ou pelo cabelo. 

Por vezes, é necessário ajustar também os músculos do pescoço, para obter um resultado mais harmonioso, para uma aparência natural. “Neste caso, uma pequena incisão sob o queixo pode ser usada. Se necessário, os tecidos profundos do rosto e do pescoço podem ser reposicionados. A pele é levantada e o excesso é removido.” Para melhorar o contorno, a cirurgia do pescoço pode envolver ainda uma lipoaspiração ou lipoescultura. 

No facelift, as complicações não são frequentes, o que aumenta a confiança de quem o procura. “Normalmente, o paciente volta ao trabalho ao fim de dez a catorze dias, embora com algumas restrições, pois as atividades que envolvem maior esforço físico devem ser retomadas, apenas, após duas a três semanas, além da exposição solar, que deve ser evitada por dois meses”, explica o especialista.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Alerta SPEO e Adexo
A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade e a Adexo - Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal unem-se para...

“A obesidade tem um enorme impacto na saúde, estando associada a múltiplas patologias, como diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, apneia do sono, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, incontinência urinária, determinados tipos de cancro, alterações musculoesqueléticas, infertilidade, depressão, diminuição da qualidade de vida e mortalidade aumentada, o que faz com que tenha também um enorme impacto económico na sociedade, pelos seus custos diretos e indiretos. É, portanto, urgente agir no sentido de tratar os casos de obesidade já instalada e prevenir os novos casos, através de estratégias de educação alimentar, prática de exercício físico e incentivo à modificação comportamental”, destaca Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO).

E alerta: “Mas não basta intervir nos casos mais graves de obesidade, promovendo o acesso às cirurgias bariátrica ou metabólica, que é o que o Governo tem feito, também é preciso promover o acesso ao tratamento farmacológico para os casos de obesidade de grau I e II e também facilitar o acesso a estes medicamentos para os doentes em lista de espera para a cirurgia, pois os estudos comprovam que perdas de peso de 5% a 10% do peso têm benefícios, na redução do risco anestésico e cirúrgico para aqueles que estão propostos para cirurgia e também na redução do risco ou regressão da diabetes mellitus, na redução de todos os fatores de risco cardiovasculares, como a hipertensão arterial e dislipidemia, melhoria na gravidade de apneia do sono e na qualidade de vida. O investimento no tratamento da obesidade ainda é muito desigual, pois quem tem indicação para cirurgia tem a ajuda do Estado para se tratar, mas as pessoas com obesidade sem indicação para a cirurgia têm de pagar do seu bolso 100% do valor do tratamento farmacológico, o que significa que as pessoas de classes mais desfavorecidas, nas quais a prevalência da obesidade é maior, não serão tratadas, pois não têm capacidade financeira para fazer o tratamento. Ainda pouco é feito pelos casos menos graves de obesidade. Mas, se nada for feito, irão evoluir para formas mais graves de obesidade com toda a panóplia de comorbilidades associadas. Como referi, mesmo os doentes que esperam pela cirurgia poderiam beneficiar do tratamento farmacológico, mas muitos não têm essa possibilidade.”

O presidente da Adexo, Carlos Oliveira, concorda que “ainda há muito que pode ser feito pelas mais de 2000 pessoas com obesidade a aguardar pela cirurgia de obesidade. Além de aumentar o número de cirurgias realizadas por hospital, de forma a reduzir os tempos de espera, que atualmente rondam os oito meses, também o acesso ao tratamento farmacológico antes da cirurgia poderia beneficiar não só a saúde, como a motivação dos doentes, que devem iniciar o seu processo de tratamento o quanto antes”. De destacar, recorda Carlos Oliveira, que “a perda de peso pré-cirurgia é muito importante para diminuir os riscos associados à intervenção.”

A obesidade é um dos principais problemas do século XXI, tendo já atingindo proporções epidémicas. No contexto nacional, o estudo mais recente revela que 22% dos portugueses têm obesidade e 34% pré-obesidade (estado em que um indivíduo já se encontra em risco de desenvolver obesidade), ou seja, cerca de 60% da população nacional tem obesidade ou vive em risco de desenvolver esta condição. E a obesidade não é só uma doença per se, pois além de ser complexa e multifatorial, pode estar associada a mais de 200 outras doenças, nomeadamente, cerca de 13 cancros.

Estima-se que mais de 20% da população mundial será obesa em 2025 se nada for feito para travar esta evolução. A incidência crescente da obesidade infantil na Europa é particularmente preocupante uma vez que é um forte preditor de obesidade na idade adulta antecipando o risco e as consequências desta doença - diabetes, hipertensão arterial, apneia do sono, acidentes vasculares cerebrais, enfarte agudo do miocárdio, determinados tipos de cancro ou depressão.

Dor Crónica
A plataforma SIP Portugal vai ser oficialmente apresentada, no próximo dia 18 de outubro, pelas 17 horas, na Fundação Calouste...

“A nossa prioridade, para este primeiro ano de atividade, é identificar e combater os principais problemas relacionados com as pessoas com dor crónica, em contexto laboral/profissional, de forma a permitir o retorno e a manutenção da atividade laboral. Estamos empenhados no desenvolvimento de um conjunto de medidas de atuação que possam ser implementadas e que resultem numa melhoria efetiva da qualidade de vida das pessoas”, explica Ana Pedro, presidente da APED. 

Em Portugal a prevalência da dor crónica permanece elevada, estimando-se que afete cerca de 36,7% da população, com um impacto significativamente negativo na vida não só do doente e família, mas também na sociedade em geral. A reforma antecipada, o absentismo laboral, as mudanças de emprego e as pensões por incapacidade são consequências frequentes da dor crónica e da incapacidade associada.

Na iniciativa, moderada por Isabel Stilwell, serão apresentados testemunhos de doentes relacionados com os obstáculos e desafios da empregabilidade, assim como boas práticas das empresas portuguesas.

“Pretende-se fomentar a partilha de experiências, promover o diálogo, com os participantes, para a necessidade do desenvolvimento de medidas de atuação urgentes que possam combater os principais problemas relacionados com as pessoas com dor crónica, em contexto laboral/profissional e debater soluções práticas que possam ser implementadas, no imediato, para os problemas identificados”, conclui Ana Pedro. 

A SIP Portugal é uma plataforma nacional com a coordenação científica da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e o apoio da empresa Grünenthal, constituída por representantes de organizações, sociedades científicas e associações de doentes que, em conjunto, partilham a mesma missão: reduzir o impacto social da dor crónica nos portugueses.

 

 

Perguntas e respostas com a Nutricionista Maria João Campos
Têm vindo a ser revelados novos dados sobre o valor nutricional do sumo de laranja 100%, rico em vit

Para além da vitamina C, que outro tipo de nutrientes podemos encontrar no sumo de laranja 100%?

Curiosamente, o sumo de laranja 100% é uma das poucas fontes naturalmente ricas em hesperidina que é um polifenol que existe na casca branca e na membrana das frutas cítricas. Estudos recentes1 demonstram que a hesperidina e os seus metabolitos apresentam características anti-inflamatórias e podem ter impacto favorável sobre a função microvascular humana (elasticidade e tonicidade dos vasos sanguíneos). Normalmente, 100 ml de sumo de laranja fornecem aproximadamente 52 mg de hesperidina, ou numa porção maior, 150 ml fornecem aproximadamente 78 mg.

No caso do sumo de laranja 100%, quais os três principais nutrientes com interação no

normal funcionamento da saúde metabólica?

Tem sido correntemente evidenciado que o sumo de laranja 100% é um bom fornecedor de vitamina C mas também de folato e potássio. Estes micronutrientes estão presentes em teores que permitem fazer alegações nutricionais. De acordo com as alegações autorizadas pela União Europeia2 podemos afirmar que:

A Vitamina C

Aumenta a absorção de ferro e contribui para o normal funcionamento do sistema imunitário; para além disso, ajuda a proteger as células do stress oxidativo e contribui para a redução do cansaço e da fadiga;

O Folato

Ajuda à normalização da função psicológica e contribui para o normal funcionamento do  sistema imunitário; ajuda ainda a reduzir o cansaço e a fadiga;

O Potássio

Contribui para a manutenção de uma pressão arterial normal, para o normal funcionamento dos músculos e do sistema nervoso central;

Persistem ainda algumas dúvidas sobre o processo de pasteurização e embalamento do sumo de laranja 100%. Neste caso, o valor nutricional desta bebida mantém-se estável?

Efetivamente persiste ainda alguma confusão sobre o processo de produção do sumo de laranja 100% e o seu teor de nutrientes nas fases de produção e embalamento. Quem já teve oportunidade de acompanhar a produção de sumo de laranja 100%, verifica que se trata de um processo muito semelhante ao que se verifica em nossas casas. De forma muito simplista podemos dizer que esprememos a laranja e obtemos o sumo que é sujeito a um tratamento térmico (tal como acontece com o leite) mas que permite conservar o seu valor nutricional.

Um estudo recente3 confirma que os níveis de vitamina C nos sumos de laranja 100% encontram-se bem acima do nível legal estabelecido de 12 mg por 100 ml, mesmo após uma refrigeração de 56 dias. A hesperidina é ainda mais resistente à degradação pelo oxigénio ou pela temperatura do que a vitamina C4. Isto confirma que o sumo de laranja 100% espremido na hora ou embalado continua a conter uma matriz nutritiva complexa que é relevante para a saúde.

O que é verdadeiramente um sumo de fruta 100%? Significa que nada mais é adicionado ao sumo?

Os sumos de fruta 100% são sumos de fruta espremida, obtidos a partir da extração do sumo da fruta, sem qualquer adição de açúcar ou conservantes, tal como determina a regulamentação europeia5. Os sumos de fruta 100% são apenas fruta e nada mais, com uma composição nutricional e energética muito semelhante à fruta que lhe dá origem. Assim, por exemplo, quando um rótulo indica “Sumo de laranja 100%”, apenas sumo de laranja puro feito de laranjas inteiras se encontrará dentro da embalagem. As vitaminas, os minerais, o teor de água e os açúcares naturais refletirão o que havia nas frutas originais usadas para fazer o sumo.

*A nutricionista Maria João Campos colabora com o programa Fruit Juice Matters da AIJN – Associação Europeia das Indústrias de Sumos de Fruta. Todos os esforços foram assegurados para garantir que as informações contidas neste artigo são confiáveis. A informação destina-se a profissionais de saúde e não constitui aconselhamento dietético.

Referências bibliográficas
Morand C et al. (2011) Hesperidin contributes to the vascular protective effects of orange juice: a randomized crossover study in healthy volunteers. Am J Clin Nutr 93: 73–80.
http://ec.europa.eu/food/safety/labelling_nutrition/claims/register/public/?event=register.home
Kindly provided by Dr Mari Cruz Arcas, AMC, Murcia, Spain.
Klimczak I et al. (2007) Effect of storage on the content of polyphenols, vitamin C and the antioxidant activity of orange juices. J Food Compos Anal 20: 313-322.
European Parliament and of the Council (2012) Fruit juice directive. http://eurlex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2012:115:0001:0011:EN:PDF

 

Fonte: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Recomendações
A Federação Internacional da Diabetes (IDF) lançou um manual recomendações da sobre edema macular, para apoiar os profissionais...

As recomendações clínicas surgiram de um processo colaborativo, que contou com a participação de Luís Gardete Correia, presidente da Fundação Ernesto Roma e médico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), e de  Marco Medeiros, oftalmologista da APDP, baseado em evidências que refletem os últimos avanços na gestão do edema macular diabético.

A retinopatia diabética, complicação da diabetes que afeta cerca de uma em cada três pessoas com diabetes, é a principal causa de perda de visão e cegueira em pessoas com idades entre os 20 e os 65 anos. O edema macular diabético é uma complicação potencial da retinopatia diabética, mais propenso em pessoas com diabetes. Atualmente, o edema macular diabético afeta mais de 21 milhões de pessoas com diabetes.

“Muitos profissionais de saúde referem a necessidade de treino adicional no diagnóstico, tratamento e encaminhamento de doenças oculares relacionadas com a pessoa com diabetes. Devido à sua ameaça à visão, os sinais clínicos do EMD justificam o encaminhamento imediato a um oftalmologista e este manual poderá constituir um importante contributo para auxiliar os profissionais no seu dia-a-dia.” refere Luís Gardete Correia.

O manual recomendações da IDF subdivide-se em informação sobre as doenças, fatores de risco, rastreio, tratamento e gestão sistémica edema macular diabético, dedicando ainda um capítulo à educação terapêutica e comunicação com o doente.

 

 

Lesões cutâneas
A Urticária Crónica Espontânea é um tipo de urticária na qual não existe um fator desencadeante espe
Homem com babas nas costas devidas a urticária

A urticária crónica é uma doença que afeta entre 8 a 22% da população em algum momento da vida, sendo mais frequente em mulheres entre os 20 e 40 anos de idade. É classificada como espontânea (anteriormente designada idiopática) quando não existe um fator desencadeante identificado para o seu surgimento.

Sintomas 

A urticária crónica espontânea (UCE) caracteriza-se pelo aparecimento súbito de lesões avermelhadas com relevo na pele (“babas”), que provocam prurido (comichão) ou, menos frequentemente, sensação de queimadura. As lesões podem surgir em qualquer parte do corpo, ter dimensões variáveis e confluir dando origem a lesões maiores. Cada lesão individual tem uma duração entre 1 a 24 horas, desaparecendo posteriormente sem deixar marca, enquanto novas lesões surgem noutros locais.

As lesões cutâneas podem ou não ser acompanhadas de angioedema, que consiste no edema (tumefação) das camadas mais profundas da pele, que em casos graves pode dificultar a respiração e deglutição.

Por definição, a UCE tem uma duração superior a 6 semanas (quando inferior a 6 semanas, a urticária é classificada como aguda). Na maioria dos casos, a doença desaparece espontaneamente após 1 a 5 anos.

A UCE pode afetar significativamente a qualidade de vida, não só pelo prurido (“comichão”) que provoca, mas também pela ansiedade causada pelos surtos recorrentes e imprevisíveis e a ausência de uma causa específica identificada.

Tratamento

O tratamento da UCE tem como objetivo o alívio dos sintomas, sendo os fármacos de eleição os medicamentos anti-histamínicos H1 não sedativos (que não provocam sonolência). Nos casos mais persistentes, outros grupos de medicamentos podem ser necessários (ex: ciclosporina, montelucaste, omalizumab).

O tratamento sintomático deve ser continuado até se atingir o controlo completo dos sintomas.

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Campanha
Campanha “saBeR mais ContA” chega a Lisboa no mês de sensibilização para o cancro da mama, para esclarecer dúvidas sobre as...

Depois de Coimbra e Porto, a campanha “saBeR mais ContA”, lançada no mês de maio, chega agora à capital, com a realização da sessão de esclarecimento “As mutações genéticas BRCA e o cancro”, no próximo dia 17 de outubro, pelas 15 horas, no Auditório do IPO Lisboa. O que são as mutações genéticas BRCA? Qual a sua relação com o cancro, em particular com o cancro do ovário e mama? O que é o teste genético e quem deve fazê-lo? Estas e outras questões serão respondidas, numa conversa moderada por Adelaide de Sousa, que contará com especialistas na área da oncologia e genética humana, associações de doentes e testemunhos reais. 

Cerca de 72% das mulheres portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA1 e cerca de 69% das mulheres portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA2 irão desenvolver cancro da mama até aos 80 anos [1]. No cancro do ovário,  o cenário é idêntico, cerca de 44% das mulheres portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA1 e cerca de 17% das portadoras de mutações patogénicas no gene BRCA2 irão desenvolver este tumar até aos 80 anos [1]. Saber como podem ser identificadas as mulheres portadoras destas mutações, antes ou durante a doença, que tipo de respostas podem ser conseguidas através desta identificação ou como encarar a mutação enquanto doente e enquanto portadora saudável serão também alguns dos tópicos que irão alimentar a sessão, para a qual as inscrições (gratuitas), poderão ser feitas para [email protected]

A campanha “saBeR mais ContA”, uma iniciativa da Evita, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Sociedade Portuguesa de Genética Humana, a Sociedade Portuguesa de Ginecologia, a Sociedade Portuguesa de Senologia e a Sociedade Portuguesa de Oncologia e a AstraZeneca, conta ainda com uma exposição fotográfica, com testemunhos de famílias onde houve diagnóstico de cancro da mama e/ou ovário, associados à mutação BRCA, e outros que realizaram o teste genético, que poderá ser vista de 7 a 21 de outubro na estação de metro do Marquês de Pombal (junto ao acesso à linha amarela). 

 

 

Saúde sénior
Os nossos pés são constituídos por uma complexa rede de músculos, ligamentos e articulações, que, ao

Estas situações são um contributo para a diminuição da mobilidade do idoso e para uma série de outras consequências a nível psíquico e social. A intervenção da Podologia pode ajudar na recuperação da funcionalidade do pé e contribuir significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos idosos.

Entre as principais causas para o surgimento de alterações podológicas no idoso estão a presença de traumas e problemas anatómicos do pé, que com o tempo acabam por ir danificando a sua estrutura; o uso de calçado desadequado ao longo do tempo; o facto da pessoa ter permanecido muito tempo da sua vida em pé; o sedentarismo; e a obesidade.

Além disto, condições como a diabetes ou a doença arterial periférica, que contribuem para a má circulação sanguínea, estão também entre os fatores de grande influência para o aparecimento de doenças dos pés nos idosos.

A existência de dores nos pés é frequente, no entanto, não pode ser considerada normal. Uma correta avaliação e estudo da sintomatologia permite, na maior parte dos casos, reduzir significativamente as queixas apresentadas.

Um cuidado adequado dos pés dos idosos é essencial. Esta é a única parte do corpo que nos permite caminhar. A incapacidade de deslocação acarreta consequências não apenas para o pé, mas para a saúde em geral.

Cuidados essenciais a ter com os pés dos idosos:

  1. Examinar e lavar os pés diariamente
  2. Secar bem os pés, especialmente entre os dedos
  3. Cuidado com a água muito quente
  4. Cortar as unhas em forma reta
  5. Estar atento a eventuais alterações do aspeto da unha, como espessura, cor, forma, entre outros
  6. Manter os pés sempre hidratados
  7. Evitar a aplicação de creme hidratante entre os dedos, para não provocar maceração (pele fragilizada, branca)
  8. Adaptar o calçado, optando por um sapato com uma base ampla
  9. Os sapatos deformados devem ser substituídos
  10. Usar meias de algodão, lã ou derivados, para facilitar a transpiração do pé e evitar a sudação e o odor

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O que dizem os estudos
Entre muitos fatores ambientais, a exposição ao sol como fonte de vitamina D, desempenha um papel vi

"A vitamina D pode afetar drasticamente o sistema imunológico e tornar as pessoas mais suscetíveis a doenças como a esclerose múltipla” descobriram os cientistas.

Mais de 25.000 funções celulares dependem dos níveis adequados de vitamina D, incluindo a função que esta vitamina desempenha na modulação do sistema imunológico. Quando os níveis de vitamina D são suficientes, as nossas células funcionam corretamente. Mas quando os nossos níveis são baixos, muitas destas funções não se realizam.

Em 2009, um estudo apresentado no congresso anual da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que altas doses de vitamina D reduzem drasticamente a taxa de recaída em pessoas com esclerose múltipla.

Segundo Pierrot-Deseilligny C e Souberbielle JC, artigo publicado em 2017, “Vitamin D and multiple sclerosis: An update” as interações da hipovitaminose D com outros factores de riscos genéticos e ambientais, como o alelo HKA DRB1 *15, a infeção pelo vírus Epstein Barr, obesidade, tabagismo, hormonas sexuais, podem existir na Esclerose múltipla. A insuficiência e suficiência de vitamina D podem ser um fator de risco e de proteção, respetivamente, entre muitos outros fatores possíveis que modulam continuamente o risco global de EM.

Os principais mecanismos de ação da vitamina D na EM parecem ser imunomoduladores envolvendo categorias de linfócitos T e B no sistema imune geral, mas os mecanismos neuroprotetores e neurotroficos também poderiam ser exercidos a nível do sistema nervoso central. Além disso, vários estudos imunológicos controlados e realizados em pacientes com EM confirmam que a suplementação com vitamina D tem múltiplos efeitos imunomoduladores benéficos. 

A Vitamina D parece desempenhar um papel importante do Sistema Nervoso Central e a hipótese defendida por muitos investigadores é que esta vitamina esteja envolvida na remielinização. A compreensão dos mecanismos básicos da vitamina D na mielinização é necessária para o acompanhamento dos doentes com EM.

O corpo produz vitamina D em resposta à luz solar e os cientistas investigaram como isso afeta um mecanismo do sistema imunológico - a capacidade das células dendríticas de ativar as células T. Os pacientes que receberam altas doses de vitamina D no decorrer do estudo tiveram uma taxa de recaída mais baixa e a atividade das células T reduziu significativamente comparando como grupo suplementado com doses mais baixas. 

Os linfócitos T desempenham um papel crucial no combate a infeções e na eficácia do sistema imunitário. No entanto, na doença autoimune os linfócitos perdem a capacidade de distinguir o que atacar e combatem células do próprio corpo. No caso da EM o alvo é a mielina do sistema nervoso.

O estudo de populações de linfócitos em EM revelou a acumulação de linfócitos B, indicando o papel fundamental das células B, anticorpos e o seu complemento no processo de desmielinização. 

Estudando células de ratos e humanos, descobriu-se que a vitamina D produz células dendríticas que ajudam a produzir mais de uma molécula chamada CD31 em sua superfície, e isso impede a ativação das células T.

Observou-se que o CD31 impediu que os dois tipos de células fizessem um contacto estável - uma parte essencial da ativação do ataque autoimune, portanto a reação imunológica resultante foi muito reduzida.

Até há pouco tempo não havia evidência científica que permitisse afirmar que os baixos níveis de vitamina D pudessem espoletar doenças autoimunes. No entanto, após a publicação de um estudo em 25 de agosto de 2015 no PLOS Medicine, começou a surgir alguma correlação entre défices de vitamina D e a causa da EM. Este estudo, Esclerosis Múltiple Genetics Consortium, envolveu 14.498 pessoas com esclerose múltipla e 24.091 pessoas controlo sãs, permitiu criar alguma associação entre níveis de vitamina D reduzidos por variações genéticas e a susceptibilidade de esclerose múltipla entre os participantes do estudo.  

Os resultados mostram que se um bebé nasce com a variação genética associada ao receptor da vitamina D tem o dobro das possibilidades dos outros em desenvolver EM, caso não suplemente eficazmente.

O professor Richard Mellanby, do Centro para Pesquisa de Inflamação da Universidade de Edimburgo, disse: "O baixo nível de vitamina D tem sido implicado como um fator de risco significativo para o desenvolvimento de várias doenças autoimunes. O nosso estudo revela uma das vias em que os metabólitos da vitamina D influenciam drasticamente o sistema imunológico."

No entanto, no fim de 2010, apesar da deficiência generalizada de vitamina D, a OMS (Organização Mundial de Saúde) decidiu manter a mesma recomendação relativamente às doses a suplementar em crianças de 1 ano, adolescentes, mulheres grávidas e adultos com mais de 70 anos (600Ui/ dia). 

Contrariamente, Michael Holick, o principal investigador mundial da vitamina D, afirma que “Todos os adolescentes e adultos podem tolerar facilmente 10.000 UI de vitamina D ao dia sem risco de toxicidade.

Se pensarmos que com a exposição solar por um período apenas de 20 minutos é possível produzir as 10 000UI, é fácil perceber que esta suplementação por dia é segura. Para obtermos vitamina D3 é necessário apanhar sol, cerca de 20 minutos diários (pele clara) ou 30 minutos (pele morena) sem proteção e em alturas do dia em que a nossa sombra seja menor que a nossa altura (normalmente entre as 11h e as 17h). Esta exposição permite a síntese de cerca de 10 000 UI desta vitamina. 

Para Dr. Cícero G. Coimbra, os níveis atuais recomendados pelas organizações de saúde de todo o mundo não são suficientes para que a maioria das pessoas possam sair dos níveis deficitários.

Diz que: “ para pessoas que sofrem de doenças autoimunes, 10 000UI proporcionará um alívio parcial, mas não eliminará o problema. Nestes casos é necessário usar doses mais altas, mas sempre sob vigilância médica.” 

Bibliografia

https://www.sbs.com.au/news/vitamin-d-deficiency-linked-toms?fbclid=IwAR3SCUk0hwmtsudfU1FWVjGYjYz1bD6QJ5u6cbLeGZRy1oUfWD2YlwkdRik

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2019.00600/full

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Mokry, Lauren E.; Ross, Stephanie; Ahmad, Omar S.; Forgetta, Vincenzo; Smith, George D.; Leong, Aaron; Greenwood, Celia M.T.; Thanassoulis, George; Richards, J. Brent. “Vitamin D and Risk of Multiple Sclerosis: A Mendelian Randomization Study.” PLOS Journal, 25 Aug. 2015. DOI: 10.1371/journal.pmed.1001866.

Niino M., Sato S., Fukazawa T., Masaki K., Miyazaki Y., Matsuse D., Yamasaki R., Takahashi E., Kikuchi S., Kira J. Decreased serum vitamin d levels in japanese patients with multiple sclerosis. J. Neuroimmunol. 2015;279:40–45.

Nunes, Branca. “Cícero Galli Coimbra, o médico que trata a esclerose múltipla sem remédio.” Veja, 25 Jun. 2014.

Pierrot-Deseilligny, Souberbielle JC. Vitamin D and multiple sclerosis: An update. Mult Scler Relat Disord. 2017 May;14:35-45.

Rolf L, Muris AH, Bol Y, Damoiseaux J, Smolders J, Hupperts RVitamin D3 supplementation in multiple sclerosis: Symptoms and biomarkers of depression. J Neurol Sci. 2017 Jul 15;378:30-35.

Smith, Philip. “Michael F. Holick, PhD, MD The Pioneer of Vitamin D Research.” Life Extension Magazine Sep. 2010.

Wahls TL, Chenard CA, Snetselaar LG.Review of Two Popular Eating Plans within the Multiple Sclerosis Community: Low Saturated Fat and Modified Paleolithic. Nutrients. 2019 Feb 7;11(2). pii: E352.

Dra. Alexandra Vasconcelos
Farmacêutica, Naturopata e Fitoterapeuta
Especialista em Medicina Natural Integrativa, Biorressonância e Medicina Bioreguladora
Pós graduada em Nutrição Oncológica, Nutrição Ortomolecular e Medicina Integrativa e Humanista 

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Iniciativa
A partir de amanhã, dia 1 de outubro, 240 cuidadores informais do norte do país poderão ter acesso a formação, capacitação e...

Portugal é o país europeu com maior taxa de cuidadores informais. Existem, em todo o país, cerca de 800 mil pessoas que cuidam, a tempo inteiro ou parcial, de um familiar ou amigo dependente, com um custo de trabalho estimado em quatro mil milhões de euros ao ano.

Os cuidadores informais trabalham sem horário definido nem remuneração, férias, folgas, acesso a subsídios ou outro tipo de apoios, estando mais expostos à exaustão física e psicológica. A sua condição está geralmente associada a maior risco de pobreza, isolamento, problemas físicos e mentais e à dificuldade em se manterem no mercado de trabalho. Além do mais, exercem a função sem terem obtido formação específica para prestar cuidados continuados a pessoas com doenças crónicas, incapacidades ou outra condição de saúde de longa duração que as coloca numa situação de dependência.

É neste contexto que surge o Cuidar de Quem Cuida, um projeto promovido e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela José de Mello Saúde e implementado pelo Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de Sanguêdo (CASTIIS), em parceria com a Administração Central do Sistema de Saúde I.P. (ACSS), a MAZE e o CINTESIS, que pretende formar, capacitar e acompanhar 240 cuidadores informais da região Norte do país. Para o efeito, o projeto prevê o envolvimento dos municípios para a realização de sessões de formação e workshops e o estabelecimento de um serviço de assistência mútua e de um gabinete de atendimento permanente ao cuidador informal.

Neste momento, já confirmaram a sua participação os municípios de Amarante, Fafe, Gondomar, Guimarães, Matosinhos, Ponte de Lima, Santa Maria da Feira e Vila Verde. Estão a ser identificados outros interessados em integrar o projeto, que será implementado até ao final de março de 2022.

Um projeto financiado através de Títulos de Impacto Social

O projeto Cuidar de Quem Cuida é financiado através de Títulos de Impacto Social, um instrumento promovido pela Estrutura de Missão Portugal Inovação Social, criada no âmbito do Portugal 2020 e que tem 150 milhões de euros disponíveis para dinamizar o investimento social em Portugal.

Neste âmbito, os investidores de impacto (neste caso a Fundação Calouste Gulbenkian e a José de Mello Saúde) financiam projetos inovadores validados por entidades públicas (a ACSS, no domínio da saúde). A ser alcançado o resultado definido – a meta de melhorar, em 5%, a qualidade de vida de 240 cuidadores informais –, os investidores são reembolsados, podendo reinvestir esse montante noutros projetos com impacto social.

Os Títulos de Impacto Social são um mecanismo inovador que permite financiar projetos que alcançam resultados sociais positivos junto dos seus beneficiários. Testados no Reino Unido em 2010, existem, neste momento, cerca de 140 Títulos de Impacto Social em todo o mundo, oito dos quais lançados em Portugal. O projeto Cuidar de Quem Cuida é o primeiro Título de Impacto Social na área da saúde em Portugal e o primeiro em todo o mundo no apoio a cuidadores informais.

Opinião
Assinala-se no dia 30 de Setembro o Dia Mundial do Cancro Digestivo.

Alguns dos tumores deste grupo encontram-se ainda entre aqueles que apresentam uma incidência mais elevada, como o carcinoma colorectal que constitui cerca de 17% de todos os tumores.

Estes dados tornam muito importante que todos nós tomemos as medidas necessárias para reduzir a possibilidade de desenvolver um cancro digestivo, ou, pelo menos, de o diagnosticar precocemente.

Acredita-se hoje que muitos dos tumores do aparelho digestivo estão, de alguma forma, relacionados com a alimentação, para além de fatores genéticos e outros ambientais. Aliás considera-se que as alterações do tipo de dieta da população portuguesa produziram ao longo das três últimas décadas uma enorme redução da incidência do tumor gástrico. Em 1985 este último era a principal causa de morte por cancro, quer em homens, quer em mulheres, mas hoje já não constitui uma ameaça tão frequente, situando-se na 4ª ou 5ª posições. Esta redução, infelizmente não se verificou noutros tipos de tumor digestivo.

Se a prevenção primária, promovendo-se hábitos de vida saudáveis, em especial, nutricionais, pode ser muito importante para a redução da incidência da doença, é, no entanto, difícil para algumas das doenças deste espectro, determinar quais na realidade são os fatores de risco a evitar. Como para a maioria das doenças oncológicas, torna-se assim fundamental tentar conseguir um diagnóstico precoce, quer através dos programas de rastreio populacionais recomendados, quer através dos exames disponíveis para esse efeito.

A endoscopia digestiva alta, em relação ao esófago e estômago, e a colonoscopia total em relação ao reto e ao cólon, são, sem dúvida, dois dos exames que apresentam uma muito boa rentabilidade no despiste de lesões precoces de tumores que se encontrem no seu campo de visualização.

Falar com o seu médico assistente, falar com o seu nutricionista, falar com um gastroenterologista ou um oncologista é necessário para poder ser aconselhado da melhor forma de enfrentar as suas preocupações.

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Projeto Europeu
14 instituições europeias juntam-se num projeto para desenvolver estratégias terapêuticas inovadoras para recuperação da...

O iBET (Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica) é a única entidade portuguesa a participar neste projeto, coordenado pela Universidade de Navarra, e será responsável por produzir as células do tecido cardíaco a serem usadas nas impressões 3D dos ventrículos. É também da responsabilidade do iBET a caracterização e validação destas células para uso clínico.

Recentes desenvolvimentos na área da medicina regenerativa indicam que um maior conhecimento sobre os mecanismos de comunicação celular irá permitir desenvolver abordagens terapêuticas mais eficazes na estimulação da autorregeneração de tecidos e órgãos.

A estratégia diferenciadora do projeto BRAV3 permitirá uma ação terapêutica de longa duração e mais eficiente na recuperação de tecido cardíaco. Espera-se que esta abordagem tenha ainda um carácter universal isto é, permita regenerar lesões cardíacas originadas por diferentes tipos de agressões e diferentes doenças.

Nas palavras de Margarida Serra, investigadora do iBET envolvida no projeto, “acreditamos que esta investigação e as soluções provenientes da mesma, poderão contribuir para uma melhoria significativa da saúde e qualidade de vida dos pacientes através da redução da dependência de medicação e do acompanhamento médico de proximidade.”

 

Alerta a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia
Um terço das mortes por cancro em Portugal estão relacionadas com tumores do aparelho digestivo, números preocupantes avançados...

Esófago, estômago, pâncreas, fígado, cólon e reto, são o conjunto dos cinco principais órgãos do aparelho digestivo onde incide o cancro digestivo que mata mais de 10 000 portugueses por ano (cerca de 30 por dia). Dois destes cancros, pâncreas e fígado, são dos mais mortais com esperança média de vida inferior a um ano.

O cancro do pâncreas nalguns países já ultrapassou o cancro da mama e em Portugal aproxima-se. Aumentou 30% nos últimos 30 anos. A esperança média de vida é inferior a um ano.

No Dia Nacional do Cancro Digestivo a SPG alerta para uma atitude preventiva dos cidadãos. A deteção precoce destas patologias é essencial. O médico gastrenterologista tem um papel fundamental na deteção e tratamento do cancro digestivo. A atividade do Gastrenterologista é, muitas vezes, única e preciosa no diagnóstico atempado, com a realização dos necessários exames endoscópicos que podem ser curativos e preventivos da evolução para cancro, como é o caso do cancro do cólon.

Optar por um estilo de vida saudável, pautado pelo exercício físico e pela alimentação equilibrada, controlar o excesso de peso e evitar o consumo excessivo de álcool pode realmente reduzir o risco de cancro. O consumo de tabaco é totalmente desaprovado pelos especialistas, esta adição é a primeira causa de morte prematura.

O presidente da SPG, Professor Rui Tato Marinho, esclarece que “o cancro do aparelho digestivo mais frequente, o cancro do cólon e reto, com o diagnóstico precoce traduz-se num melhor prognóstico e na redução da mortalidade” e acrescenta que “um terço dos 10 milhões de novos casos de cancro diagnosticados todos os anos, a nível mundial, podem ser prevenidos e outro terço curado, se forem detetados e tratados numa fase precoce. Para isso e no caso do cancro digestivo, dispomos de meios de diagnóstico e tratamento para fazê-lo”.

 

O que precisa saber
Ter dentes brancos, harmoniosos e bonitos é objetivo de todos nós.

O branqueamento dentário consiste na aplicação de um gel/agente branqueador, normalmente o peroxido de hidrogénio ou peroxido de carbamida, sobre o dente. Este agente, após decomposição em oxigénio e subprodutos, possuí a capacidade de penetrar na matriz do dente e libertar as moléculas internas que provocam o escurecimento do dente. Desta forma simples o dente automaticamente obtém uma cor mais clara.

O branqueamento dentário é dos tratamentos mais populares e solicitados pelos pacientes aos seus dentistas. No entanto, existem diversas dúvidas e mitos que importam esclarecer. Uma das questões mais referidas é se o branqueamento danifica o esmalte do dente. A resposta é simples, quando realizado por um médico dentista em ambiente controlado e com os produtos corretos, um branqueamento dentário é totalmente seguro e inócuo para o dente.

Existem duas formas distintas de executar o branqueamento externo. No consultório aplicando concentrações mais elevadas (normalmente 35%) durante um curto período (cerca de 15-30min), usando por vezes uma fonte de luz (habitualmente chamada de laser) para ativar ou acelerar a ação do agente de branqueamento. Em casa (ou em ambulatório) onde o paciente usa moldeiras adaptadas à sua dentição para a aplicação de um gel com concentração mais baixa (10 ou 16%) durante cerca de 4h diárias durante uma a 2 semanas. Em ambos os casos o resultado é a obtenção de um dente mais branco, se bem que a primeira opção é mais rápida mas menos duradora e a segunda mais lenta mas com um resultado mais estável. Importante não esquecer que apesar de ser um processo químico é totalmente neutro para os tecidos dentários.

No entanto, é importante esclarecer diversos outros mitos sobre o tratamento. Logo desde o início é importante referir que nem todos os pacientes podem realizar branqueamento, assim como existem pacientes que não possuem qualquer indicação para realizar este procedimento cosmético.

Assim, é importante que seja feita uma avaliação cuidadosa para que todo o tratamento seja seguro. Por exemplo existem pacientes que possuem dentes claros mas que os mesmos estão recobertos por pigmentos ou calculo. Nestes casos uma consulta de higiene oral com jacto de bicarbonato é suficiente para devolver a cor clara da dentição. Igualmente, paciente com cáries ativas e periodontite não podem realizar este tratamento até que estas doenças estejam controladas.

Outro mito a esclarecer é o facto de o branqueamento apenas atuar sobre o dente natural. Pessoas que possuem restaurações extensas nos dentes anteriores, coroas ou pontes têm de ter atenção especial, uma vez que poderá ser necessário a sua substituição no final do branqueamento para que a cor volte a ser homogénea.

Outro erro comum neste procedimento cosmético por parte dos pacientes é o recursos a pastas de branqueamento existentes no mercado sem serem cientificamente comprovadas e que atuam à base de agentes ácidos e agentes de abrasão que riscam e desmineralizam o esmalte de forma irreversível.

O conselho que fica é que realize este procedimento sempre em segurança e que se aconselhe com o seu médico dentista. No instituto dentário do alto dos moinhos iniciamos sempre este procedimento com uma consulta de avaliação, diagnóstico e planeamento onde é discutido com o doente qual o melhor tipo de branqueamento em função da dentição e do objetivo do doente. Segue-se uma consulta de Higiene oral para remoção de todos os pigmentos e cálculo e só após isto o tratamento de branqueamento em si.

Importante não esquecer que este procedimento não é eterno e obrigará a manutenção contínua para que os resultados sejam mais duradouros.

Dr. Carlos Almeida
Medico Dentista no Instituto Dentário do Alto dos Moinhos
Prática exclusiva na área da Implantologia e Reabilitação Oral

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Doenças Cardiovasculares
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal e em toda a Europa, bem como

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, com perto de 18 milhões de mortes por ano. Em Portugal, e apesar do decréscimo registado nas últimas décadas, continuam a ser a principal causa de morte, representando 30% das causas de morte, ainda mais do que as mortes por causa oncológica. Contudo, no último ano, temos assistido a uma inversão da curva descendente da mortalidade de causa cárdica, que pela primeira vez em muitos anos aumentou. Muitas explicações podemos encontrar para o facto, mas seguramente que o aumento da longevidade, o aumento da obesidade e sedentarismo e consequentemente dos restantes fatores de risco, como a diabetes, hipertensão arterial e a elevações das gorduras do sangue, e mesmo a poluição ambiente, podem contribuir para o aumento das doenças cardiovasculares. Por outro lado, parece haver algum desinvestimento na saúde e investigação cardiovascular em detrimento de outras áreas igualmente importantes como a oncologia, mas que continuam a ser a segunda causa de morte. Por ano, temos cerca de 13.000 internamentos por enfarte do miocárdio e 18.000 internamento por insuficiência cardíaca, com elevado peso em termos de custos diretos do internamento, mas também custos indiretos.

Assim, o Dia Mundial do Coração alerta-nos para a importância da prevenção, reforçando a importância do combate ao tabaco, da prática de exercício físico, de uma alimentação equilibrada e saudável e do controlo rigoroso dos diversos fatores de risco quando estes surgem. Contudo, neste dia, a SPC quer também transmitir uma mensagem de “Coração de Esperança”. Esperança não apenas na melhoria da prevenção das doenças cardiovasculares, mas também de que o seu tratamento é possível, bem como conseguir uma qualidade de vida boa após o diagnóstico de uma doença cardíaca.

Para celebrar este dia, a SPC vai promover uma iniciativa em Oeiras, em que um “coração doente” em tamanho gigante será pintado por crianças com doença do coração e transformado num colorido “Coração de Esperança” que é o lema da SPC para este dia. Teremos também uma ação de promoção e educação para a saúde cardiovascular em Belém com rastreios e atividade física.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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