Opinião

Cancro digestivo responsável por 10% da mortalidade em Portugal

Atualizado: 
30/09/2019 - 11:37
Assinala-se no dia 30 de Setembro o Dia Mundial do Cancro Digestivo. Esta efeméride destina-se a alertar a população, em geral, e cada um de nós, em particular, para um grupo de doenças que, apesar dos enormes avanços verificados, ainda hoje é responsável por cerca de 10% da mortalidade no nosso país.

Alguns dos tumores deste grupo encontram-se ainda entre aqueles que apresentam uma incidência mais elevada, como o carcinoma colorectal que constitui cerca de 17% de todos os tumores.

Estes dados tornam muito importante que todos nós tomemos as medidas necessárias para reduzir a possibilidade de desenvolver um cancro digestivo, ou, pelo menos, de o diagnosticar precocemente.

Acredita-se hoje que muitos dos tumores do aparelho digestivo estão, de alguma forma, relacionados com a alimentação, para além de fatores genéticos e outros ambientais. Aliás considera-se que as alterações do tipo de dieta da população portuguesa produziram ao longo das três últimas décadas uma enorme redução da incidência do tumor gástrico. Em 1985 este último era a principal causa de morte por cancro, quer em homens, quer em mulheres, mas hoje já não constitui uma ameaça tão frequente, situando-se na 4ª ou 5ª posições. Esta redução, infelizmente não se verificou noutros tipos de tumor digestivo.

Se a prevenção primária, promovendo-se hábitos de vida saudáveis, em especial, nutricionais, pode ser muito importante para a redução da incidência da doença, é, no entanto, difícil para algumas das doenças deste espectro, determinar quais na realidade são os fatores de risco a evitar. Como para a maioria das doenças oncológicas, torna-se assim fundamental tentar conseguir um diagnóstico precoce, quer através dos programas de rastreio populacionais recomendados, quer através dos exames disponíveis para esse efeito.

A endoscopia digestiva alta, em relação ao esófago e estômago, e a colonoscopia total em relação ao reto e ao cólon, são, sem dúvida, dois dos exames que apresentam uma muito boa rentabilidade no despiste de lesões precoces de tumores que se encontrem no seu campo de visualização.

Falar com o seu médico assistente, falar com o seu nutricionista, falar com um gastroenterologista ou um oncologista é necessário para poder ser aconselhado da melhor forma de enfrentar as suas preocupações.

Autor: 
Dr. Ricardo Luz – Oncologista Hospital Lusíadas Lisboa
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock