Nutricionista explica
Atualmente, as guidelines nutricionais indicam que a quantidade de hidratos de carbono ingerida pelas pessoas com Diabetes tipo...

É neste sentido que a dieta low carb, baseada numa ingestão reduzida de hidratos de carbono, até 130g por dia, tem vindo a ganhar alguma importância na alimentação de pessoas com Diabetes. Quem o afirma é Vera Ruivo Dias, nutricionista da Associação Diab(r)etes e autora do blog Deveras Nutritivo (https://deverasnutritivo.wordpress.com/), uma plataforma em que partilha a sua experiência profissional, aliada ao seu dia-a-dia enquanto pessoa com Diabetes Mellitus Tipo 1 desde os 17 anos.

“Temos verificado que algumas pessoas têm obtido muitos benefícios no controlo da glicemia e pode ser uma alternativa, quer a nível de controlo da Diabetes, quer a nível do controlo de peso. Não digo para as pessoas com Diabetes fazerem uma alimentação exclusiva low carb, mas pelo menos algumas refeições que tenham mais dificuldade em controlar o tipo de alimentos a ingerir, como são exemplo as refeições ao final da tarde ou à hora de almoço. Este tipo de alimentação não deve ser extremo e só deve ser realizado no caso do seu médico concordar e de não existirem conta-indicações”, explica a nutricionista Vera Ruivo Dias.

A dieta low carb tem como base a ingestão de uma maior quantidade de gordura e proteína, restringindo a quantidade de hidratos de carbono, com o objetivo de moderar os picos de glicemia. Vera Ruivo Dias recorda que a glicemia aumenta com a ingestão de hidratos de carbono sendo que a sua redução tornará os níveis de glicemia mais estáveis e diminuindo a quantidade necessária de insulina diária, com consequente menor variabilidade glicémica.

Alimentação equilibrada e polifraccionada é a melhor opção

Apesar da dieta low carb ser uma alternativa para um melhor controlo da doença, os hidratos de carbono não devem ser completamente excluídos da alimentação de uma pessoa com Diabetes. Vera Ruivo Dias salienta que se deve fazer uma alimentação com o máximo de fibra possível, como optar por opções integrais (por exemplo, no caso das massas e arroz), favorecendo a ingestão de fruta e leguminosas, por terem maior quantidade de fibra e, consequentemente, ter um menor pico de glicemia no processo de digestão.

“A nossa alimentação deve ser saudável e equilibrada. Devemos fazer uma dieta com o mínimo de alimentos processados e com o máximo de fibra, fazendo sempre uma alimentação polifracionada. Não devemos, tal como qualquer pessoa saudável, comer quantidades muito exacerbadas de alimentos, sendo que devemos privilegiar o consumo de legumes, leguminosas e também frutas”, acrescenta Vera Ruivo Dias.

Com efeito, em 2016 a FAO (Food and Agriculture Organization) definiu que seria o Ano Internacional das Leguminosas, salientando a importância do seu consumo: “Ao monitorizarmos a variação da glicemia quando ingerimos a mesma quantidade de hidratos de carbono provenientes de uma batata (mesmo que seja de batata doce), comparativamente com o consumo de uma leguminosa (por exemplo, a ervilha), verificamos que o pico de glicemia é muito menor quando ingerimos leguminosas”, explica a nutricionista. 

Apps de monitorização da Diabetes podem ajudar a uma alimentação mais saudável

Para uma pessoa com Diabetes, a monitorização e o controlo da alimentação são essenciais. Existem já aplicações de monitorização da Diabetes que surgem como complemento no controlo da doença e até no apoio a uma alimentação mais saudável.

Vera Ruivo Dias refere que “Existem muitas pessoas que preferem alienar-se ao facto de terem esta doença e mantêm persistentemente valores de glicemia muito elevados, o que pode ter consequências nefastas na saúde, as complicações da diabetes. As apps de monitorização da Diabetes conseguem ajudar a controlar a Diabetes, ao permitirem conhecer a variação da glicemia a cada momento e ajudarem na minimização das causas que lhe são inerentes”.

Do ponto de vista do profissional médico, estas apps apoiam a análise da evolução do doente, pois possibilitam o registo fotográfico dos alimentos ingeridos em todas as refeições, o que permite ao nutricionista estabelecer uma correlação entre a ingestão de determinados alimentos e o seu impacto direto na variação da glicemia. “Isto permite fazer uma educação com o utente acerca da quantidade e tipo de alimentos ingeridos e, assim, promover uma melhor compreensão, controlo e aceitação da doença” afirma Vera Ruivo Dias.

Estudo
O cancro é a doença que mais preocupa os portugueses. Uma esmagadora maioria (86%) confirma esse receio num estudo, realizado...

O estudo, apresentado no âmbito da comemoração dos 10 anos da Pulmonale, realizado pela GFK com o apoio da Roche, pretendeu aferir o nível de conhecimento da população portuguesa sobre avanços na área da saúde, através de inquéritos a maiores de 18 anos residentes em Portugal Continental, que revelaram ainda um desconhecimento generalizado face à imunoterapia, considerada um dos maiores avanços na luta contra o cancro: apenas dois em cada dez portugueses já ouviram falar nesta forma de tratamento.

Estes e outros dados são apresentados hoje, na cerimónia que assinala os 10 anos da Pulmonale - Associação Portuguesa de Luta contra o Cancro do Pulmão, Pulmonale (10 anos de Esperança), no Myriad Crystal Center, em Lisboa, a partir das 09h30, e onde será feito o balanço de uma década de trabalho na prevenção e sensibilização para o cancro do pulmão, assim como os 10 anos de evolução no tratamento deste tipo de tumores.

O estudo, cuja divulgação faz parte da agenda do encontro, confirma que a saúde (78%), a justiça (45%) e a educação (40%) são, sem surpresa, os temas que merecem maior atenção por parte dos portugueses. No que diz respeito à primeira, a maior parte dos entrevistados (39%) considera que existe aqui o mesmo nível de inovação que noutras áreas, ainda que 21% defenda que é maior a inovação na área da saúde. Inovação essa que consiste precisamente no aparecimento de terapêuticas mais eficazes (21%), com especial enfoque na área oncológica (18%).

No que diz respeito à imunoterapia, existe ainda muito desconhecimento por parte dos portugueses. Dos 20% que conhecem ou já ouviram falar desta forma de tratamento, aproximadamente um terço tem dificuldade em explicar o que é e no que consiste, enquanto os restantes continuam a associá-la a patologias oncológicas (60%). Ou seja, no geral, a imunoterapia continua a ser um tratamento desconhecido para a grande maioria dos portugueses (80%). No entanto, 86% dos inquiridos considera importante obter mais informação sobre o mesmo e o médico (88%) é o interlocutor mais habilitado para aprofundar esse conhecimento, sobretudo para os entrevistados com 65 anos ou mais (95%).

Um quarto dos portugueses entrevistados considera que o cancro do pulmão é o tipo de cancro mais preocupante e a quase totalidade (91%) refere a quimioterapia como o tratamento utilizado normalmente para tratar não só o carcinoma do pulmão, como qualquer tipo de cancro. A radioterapia surge em segundo lugar com 42% das referências.

Ainda assim, dois terços consideram que as novas terapias têm tido um impacto positivo, ou muito positivo, na vida destes doentes. Acreditam, no entanto, que existe uma disparidade no que diz respeito ao nível de acesso a novas terapias, como a imunoterapia, entre doentes oncológicos portugueses e doentes de outros países da União Europeia (UE). A falta de inovação e o “atraso” tecnológico, assim como a reduzida capacidade financeira para investir em novos equipamentos, são as principais razões apontadas para a existência desta Ainda assim, dois terços consideram que as novas terapias têm tido um impacto positivo, ou muito positivo, na vida destes doentes. Acreditam, no entanto, que existe uma disparidade no que diz respeito ao nível de acesso a novas terapias, como a imunoterapia, entre doentes oncológicos portugueses e doentes de outros países da União Europeia (UE). A falta de inovação e o “atraso” tecnológico, assim como a reduzida capacidade financeira para investir em novos equipamentos, são as principais razões apontadas para a existência desta desigualdade entre Portugal e os restantes países da UE.

 

Apenas uma minoria inclui fruta
O estudo de Avaliação da Composição do Pequeno Almoço de Crianças dos 3 aos 10 anos em Portugal, desenvolvido pela Keypoint e...

O estudo agora apresentado mostra que a quase totalidade (99,6%) das crianças inquiridas toma o pequeno-almoço diariamente, 95% das quais em casa e 90,5% com companhia. Em 82% dos casos, as crianças são envolvidas na escolha daquilo que vão comer, mas 53% não participa na sua preparação. É, contudo, notório o aumento da participação na escolha do pequeno-almoço e no auxílio da sua preparação com o aumento da faixa etária.

Quando chega a hora de fazer escolhas, os alimentos mais frequentemente consumidos ao pequeno almoço pelas crianças entre os 3 e os 10 anos incluídas no estudo são leite (57,2%), pão (47,2%) e cereais (31,3%). O alimento mais frequentemente consumido pelas crianças entre os 3 e os 5 anos é leite (67,1%), seguido de pão (38,1%). Já as crianças entre os 6 e os 10 anos consomem mais frequentemente pão ao pequeno-almoço (53,4%) e em seguida leite (50,6%). Em ambos os grupos etários, cereais é o terceiro alimento consumido com mais frequência (22,4% no grupo [3-5] anos e 36,3% no grupo [6-10] anos).

Verifica-se ainda que menos de um quinto das crianças (17%) consome fruta ao pequeno-almoço e o consumo de fruta é mais frequente nas crianças cujo pequeno almoço habitual é apenas leite simples (22%).

Por outro lado, as crianças avaliadas cujo pequeno almoço habitual inclui pão (leite simples e pão, ou leite com chocolate e pão), consomem maioritariamente carcaça ou semelhante (74% e 78%, respetivamente), habitualmente com manteiga.

Constata-se ainda que os hábitos de pequeno-almoço não mudam ao longo da semana, pelo que no caso da maior parte das crianças incluídas no estudo (71%), o pequeno-almoço que comem durante a semana é igual ao que comem ao fim de semana ou nas férias.

De salientar pela positiva que, no que toca à atitude dos pais/cuidadores relativamente à alimentação e à importância atribuída ao pequeno-almoço, os inquiridos atribuem importância máxima – numa escala de 1 a 6 – à primeira refeição do dia, tanto no que diz respeito à saúde (81%), como ao crescimento (79%) e à atenção/concentração da criança (74%). A importância do pequeno-almoço para a atenção/concentração da criança parece ser mais valorizada por pais/cuidadores de crianças em idade de ensino básico (grupo etário dos 6 aos 10 anos de idade).

“Através deste estudo, percebemos que os pais e cuidadores nem sempre fazem as melhores opções relativamente à composição do pequeno almoço das suas crianças, apesar de a maioria conseguir reconhecer a importância desta refeição para a saúde, crescimento e nível de atenção dos mais pequenos”, explica Ana Leonor Perdigão, nutricionista e responsável pelo programa.

Fique a conhecer
Estima-se que cerca de 30% das mulheres experienciam alguma perturbação de ansiedade ao longo da vid
Grávida com as mãos na barriga

A ansiedade é algo que todos nós experienciamos no nosso dia a dia e ao longo das nossas vidas. Sentir medo, tensão ou preocupação – os estados que caracterizam a ansiedade – é normal, funcionando como espécie de motor que nos faz avançar perante o perigo ou o desconhecido. Na medida certa, este é um sentimento essencial para a nossa evolução. O problema é quando este estado persiste ao longo do tempo - habitualmente por mais de três meses -, em determinados contextos, e interfere negativamente com a capacidade de desenvolvermos as nossas atividades diárias, infligindo um sofrimento físico e/ou emocional significativo. Quando isto acontece, estamos perante uma perturbação de ansiedade.

Para além da dificuldade em gerir as suas emoções, a pessoa que sofre de ansiedade está em constante estado de alerta, convivendo com elevados níveis de stress. Stress esse que pode despoletar uma reação física difícil de controlar. Palpitações, dores no peito, falta de ar, suores frios, tensão muscular ou insónia são alguns dos sintomas físicos associados às perturbações de ansiedade.

As fobias, os ataques de pânico, a perturbação de ansiedade generalizada, o stress pós-traumático, ou a perturbação de social são consideradas Perturbações de Ansiedade. Apesar de diferentes, todas têm em comum um sentimento de ansiedade exacerbado.

O período perinatal pode despoletar ou intensificar uma perturbação de ansiedade

O que para muitas mulheres é considerado um período rico em experiências positivas, para outras a gravidez pode ser o gatilho para o desenvolvimento ou a exacerbação de uma perturbação de ansiedade.

Apesar de este ser um tema menos abordado e menos estudado, quando comparado com a depressão, alguns estudos dão conta de que cerca de 21% das grávidas apresentam sintomas de ansiedade e que destas, mais de metade mantêm a sintomatologia no período pós-parto. Algumas convivem ainda com depressão.

Entre os poucos estudo realizados, foi possível identificar os tipos de perturbação de ansiedade mais prevalentes durante esta fase da vida: perturbação de ansiedade generalizada, ansiedade/fobia social e perturbação obsessivo-compulsiva.

A história pessoal de depressão ou ansiedade, história familiar de perturbações de ansiedade, baixo nível económico, baixa autoestima, gravidez não planeada ou não desejada, bem como a existência de conflitos entre o casal, são apontados como os principais fatores de risco. No entanto, não podemos esquecer que durante este período a mulher está sujeita a enormes alterações fisiológicas e seus efeitos podem condicionar o desenvolvimento destas perturbações.

Perturbação de ansiedade generalizada

De acordo com os especialistas, não é fácil diagnosticar este tipo de perturbação pelo facto de ser normal, durante a gravidez, a mulher estar mais ansiosa e preocupada, não só com a sua saúde como com a do seu bebé.

No entanto, quando existe ansiedade ou preocupação excessiva, de forma persistente e durante mais de metade dos dias, é provável que sofra deste tipo de perturbação.

Habitualmente, este estado faz-se acompanhar de inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, insónia e, em alguns casos, náuseas e/ou diarreia.

O seu diagnóstico deve consistir numa avaliação cuidadosa e multidisciplinar.

Ansiedade Social

Estima-se a ansiedade social afete entre 2,3% a 7% da população, no entanto, no período perinatal, este quadro clínico tem sido pouco estudado. Um estudo reportou, contudo, uma incidência de 4,1% no período pós-parto, diminuindo progressivamente ao longo do ano.

Quem sofre de ansiedade social sente nervosismo ou desconforto em situações sociais, habitualmente devido ao medo de causar má impressão, de ser julgado, criticado ou avaliado negativamente por outras pessoas. Deste modo, e embora este quadro possa variar da pessoa para pessoa, há a tendência para evitar as situações sociais ou enfrentá-las com elevados níveis de stress.

Durante a gravidez, as preocupações com a alteração da imagem corporal, com a maternidade ou com o julgamento dos outros em relação ao seu desempenho como mãe, podem levar a grávida a evitar o contacto social. Embora os traços da personalidade possam representar um fator de risco (de um modo geral, a introversão, timidez ou perfeccionismo estão mais associados a este quadro clínico), outros fatores como ser muito jovem, solteira, ter uma situação económica precária e um nível educacional baixo, parecem precipitar esta perturbação.

Perturbação Obsessivo-Compulsiva

A perturbação obsessivo-compulsiva é uma patologia psiquiátrica relativamente comum, estimando-se que atinja cerca de 2% da população. Caracterizada por obsessões recorrentes (como pensamentos e imagens intrusivos, indesejados e incontroláveis) e comportamentos ou rituais repetidos de forma compulsiva, estima-se que a sua prevalência varie entre 0,2% e 5,2% durante a gravidez.

Neste caso, as obsessões podem ser pensamentos ou imagens mentais relacionadas com o bebé e podem ir desde preocupações com o seu bem-estar até a impulsos de o prejudicar.

De acordo com os especialistas, algumas mulheres reportam ideias de que o bebé morre enquanto dorme, que o afogam ou atiram de um lugar alto. No entanto, estes pensamentos obsessivos agressivos são mais frequentes no pós-parto.

Por outro lado, as compulsões mais frequentes são a limpeza e a confirmação. Com medo de ficar contaminada com microrganismos ou químicos, a grávida realiza rituais de limpeza e desinfeção. Depois do bebé nascer, é frequente evitar o bebé para não o contaminar com germes ou confirmar repetidamente se está a respirar.

História de aborto espontâneo ou de complicações gestacionais e história familiar de Perturbação Obsessivo-Compulsiva apresentam-se como os principais fatores de risco para o aparecimento deste quadro clínico durante a gravidez.

No pós-parto parece estar associada a quadros ansiosos ou depressão.

Outras fobias

A fobia é um tipo de perturbação da ansiedade caracterizado por medo ou aversão persistente a um objeto ou uma situação. Durante o período perinatal (período entre as 22 semanas de gestação e 7 dias após o nascimento), existem dois tipos de fobia que importa discutir: a tocofobia e a fobia focada na criança.

Embora existam poucos estudos sobre fobias específicas na grávida, estima-se que a tocofobia afete 5,5% das grávidas. Caracterizada por um medo intenso do parto, esta fobia pode levar a mulher a evitar uma gravidez, a abortar ou a exigir uma cesariana. Em alguns casos pode surgir associada à depressão ou ao stress pós-traumático.

Entre os fatores que podem influenciar esta fobia estão a experiência prévia de um parto ou um exame ginecológico traumático, história de abuso físico ou sexual e mitos associados ao nascimento.

Quanto à fobia focada no bebé, esta traduz-se num medo exagerado no que toda à saúde da criança. De acordo com os especialistas, o medo mais frequente é o da síndrome de morte súbita do lactente. Nestes casos, a mãe verifica múltiplas vezes se o filho está a respirar podendo acordá-lo 20 a 30 vezes durante a noite para verificar se está vivo.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Congresso
A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) representou Portugal no 2.º Congresso Nacional de Diabetes da...

“É gratificante podermos contribuir com o nosso exemplo e com o trabalho que desenvolvemos em Portugal para ajudar outros países a combater aquela que é uma das principais causas de morte, a diabetes. Parte da missão da APDP é a partilha de conhecimento e colaboração com outros intervenientes para garantir a qualidade e eficácia dos programas de combate a esta doença a nível global”, explica o diretor clínico da APDP, João Filipe Raposo, palestrante no congresso.

A participação da APDP, a mais antiga associação de diabetes do mundo, no congresso moldavo, aconteceu na sequência do trabalho desenvolvido pelo diretor clínico da APDP, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, na avaliação e desenvolvimento do programa da diabetes na República da Moldávia.

Na sessão presidida por João Filipe Raposo, discutiu-se o programa da diabetes moldavo e definiram-se indicadores, incluindo de qualidade, para garantir a sustentabilidade e eficácia do programa no país.

 

MOVA
Numa altura em que a Comissão Técnica de Vacinas pondera a introdução de vacinas pediátricas no Programa Nacional de Vacinação,...

As  crianças já têm a gratuitidade da vacina antipneumocócica conjugada 13 valente desde 2015. Pela eficácia comprovada em todas as faixas etárias, e enorme potencial na redução das formas mais graves da doença, o MOVA considera que as pessoas com mais de 65 anos também devem ser vacinadas sem custos.

Segundo um estudo recente que avaliou a eficácia da vacina antipneumocócica conjugada 13 valente na população adulta, o simples ato de imunização pode reduzir o risco de hospitalização por Pneumonia em 73%. Sem dúvida, excelentes notícias num País onde em média, por semana, morrem 161 pessoas, vítimas da doença, e se gastam mais de 1.5 milhões de euros, só em tratamentos e internamentos. Ficam por contabilizar os custos indiretos e intangíveis.

«Qualquer investimento que façamos em prevenção é preferível aos custos da cura, até porque, no caso da Pneumonia, corremos riscos de mortes, morbilidades e sequelas graves», explica Isabel Saraiva, fundadora do MOVA, vice-Presidente da Respira e Presidente da Fundação Europeia do Pulmão.  «Ao vacinarmos pessoas com mais de 65 anos, estamos a investir na sua saúde, a prevenir eventuais internamentos e, no limite, a reduzir significativamente o número de mortes».

Existe, desde junho de 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (DGS), que recomenda a vacinação antipneumocócica a todos os adultos (pessoas com mais de 18 anos) pertencentes aos grupos de risco, nomeadamente idosos, diabéticos, doentes oncológicos, pessoas com asma, DPOC ou doença cardíaca crónica.

«A vacinação deve ser uma preocupação de todos, e deve estar presente em todas as fases das nossas vidas, sobretudo naquelas em que estamos mais fragilizados – casos de doença ou de envelhecimento do nosso organismo. A implementação da gratuitidade da vacina antipneumocócica conjugada a partir dos 65 anos fará toda a diferença e está associada a ganhos quantitativos e qualitativos», conclui Isabel Saraiva.

Movimento de cidadania, o MOVA foi fundado há pouco mais de dois anos pela Respira, com o apoio da Fundação Portuguesa do Pulmão e do GRESP. Seguiu-se a entrada da Liga Portuguesa Contra a Sida, da Associação Portuguesa de Asmáticos, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais e da FPAD – Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes, a quem agora se junta a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca e Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação.

Diabetes
Dois anos foram suficientes para a Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes (FPAD

Emiliana Querida não esconde o orgulho que sente no percurso da federação que preside. Se há cerca de um ano, a Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes (FPAD) trabalhava para “fortalecer os seus pilares de ação”, hoje assume-se como uma instituição ativa e reconhecida na área da diabetes. “Em dois anos conseguimos colocar a FPAD no mapa das instituições que têm uma palavra a dizer na Diabetes”, revela a presidente acrescentando que, apesar dos desafios e dos obstáculos com que se depararam ao longo deste percurso, esta federação passou a ser um parceiro relevante no diálogo com as entidades decisoras.

O último ano foi, aliás, particularmente relevante na área da intervenção, tendo a FPAD contribuído para o acesso a terapêuticas inovadoras e participado em vários estudos sobre a Diabetes em Portugal.

Por outro lado, sendo a formação e literacia em saúde um dos pilares da FPAD, esta foi uma área que contou com bastante trabalho. “Participámos em campanhas de sensibilização e estamos a desenvolver projetos de divulgação e desmistificação da Diabetes na Comunidade, quer através de contribuições com entidades nacionais para a integração dos jovens nas escolas, quer com projetos institucionais para a comunidade em geral”, explica Emiliana Querido acrescentando que, tendo em vista este grande objetivo, desenvolveram uma parceria com a companhia de teatro Estupendo Enuendo para fazer chegar a Diabetes “às escolas, associações e instituições locais”.

Já no início deste ano, a realização do primeiro Congresso Nacional das Associações de Pessoas com Diabetes, assumiu-se como um “marco histórico” para a Federação. “Tendo em conta os parcos recursos financeiros que a FPAD dispõe, e o facto de trabalhar somente com voluntários, ter conseguido realizar um Congresso aberto a toda a comunidade e levado a Diabetes ao interior do país (a Mêda, no distrito da Guarda) foi muito importante”, afirma Emiliana Querido. A iniciativa levou a debate temas como o associativismo na Diabetes e as redes comunitárias na saúde, e abordou questões essenciais como a gestão e terapêutica da Diabetes, “as tecnologias, o desporto, a alimentação, a psicologia ou a figura dos cuidadores informais”. Segundo Emiliana Querido, este foi “o primeiro grande debate nacional sobre o papel fundamental das associações locais na vida quotidiana das pessoas com Diabetes”.

Desmistificar a ideia de que o diabético não pode, não deve ou não consegue praticar desporto

De acordo com Emiliana Querido, tem sido uma das principais missões da FPAD “combater a ideia de que a pessoa com Diabetes não pode ou não deve exercer qualquer atividade física”. “O desporto e atividade física são fundamentais na terapêutica da Diabetes”, reforça explicando que depois de ter levado uma comitiva de atletas com Diabetes a um evento desportivo europeu em 2018, este ano a FPAD decidiu criar a Diabetes Team Portugal.

“Este projeto consiste em divulgar e incentivar a prática da atividade física por pessoas com Diabetes, mas também envolver as suas famílias e a comunidade”, explica Emiliana Querido.

Para o futuro, a presidente promete continuar a “trabalhar pela capacitação e afirmação das associações de pessoas com Diabetes e assim dar cada vez mais voz a esta comunidade”.

É sua intenção ainda reforçar os projetos em curso e participar cada vez mais ativamente junto da comunidade para dar a conhecer uma patologia que atinge mais de 1 milhão de portugueses, “promovendo hábitos de vida saudáveis.

“Na área do desporto e da educação para a saúde teremos algumas novidades e já estamos a trabalhar no nosso segundo Congresso, a realizar em 2021”, avança Emiliana Querido.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
6ª edição
Pela primeira vez em seis edições, o Prémio Healthcare Excellence foi atribuído a uma associação de solidariedade social: a...

Criada em 2017, a associação Aldeias Humanitar pretende combater o isolamento e abandono provocado pela desertificação demográfica nas regiões do interior através da integração de cuidados de saúde e da prestação de apoio social. Implementado em Sernancelhe e Penedono, distrito de Viseu, o projeto tem a ambição de estender-se a outras regiões do interior do país.

A atuação das Aldeias Humanitar começa com a identificação das necessidades das pessoas em situação de carência e com uma avaliação do seu grau de dependência e do seu estado de solidão. Numa segunda fase, a organização desenvolve um plano de intervenção individual e mobiliza as respostas já existentes na comunidade, nomeadamente as instituições, o município e o próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Nos casos necessários, são prestados cuidados ao domicílio, que envolvem por exemplo a gestão do regime terapêutica e da doença crónica, formação sobre alimentação adequada e estratégias de prevenção de quedas. O projeto, que pretende envolver profissionais de saúde e comunidade,  sugere ainda a criação da figura de auxiliar comunitário, que teria como função apoiar pessoas sozinhas, mas também cuidadores.

A primeira menção honrosa foi para o projeto “C-Free Team na Microeliminação da Hepatite C” do Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria). Trata-se de uma equipa multidisciplinar que tem levado o hospital para a comunidade, tendo em mente a eliminação da hepatite C até 2030, meta da Organização Mundial de Saúde. Além do trabalho feito com várias organizações de base comunitária, a “C-Free Team” desenvolveu também uma parceria com o Estabelecimento Prisional de Lisboa.  Ao levar os cuidados de saúde para a prisão, o projeto tem permitido poupar nas deslocações ao hospital, limitar a exposição dos reclusos, combater o estigma e aumentar a adesão ao tratamento numa população onde a incidência da hepatite C continua a ser elevada.

Houve ainda a atribuição de uma segunda menção honrosa para o Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central (Hospital Dona Estefânia), que apresentou o projeto “Huddle Meeting” implementado no bloco operatório. A ideia é aparentemente simples: ao longo da semana os profissionais de saúde registam num quadro os problemas que afetam o fluxo de trabalho. Numa reunião semanal são posteriormente selecionados os três problemas com maior benefício e menor dificuldade de resolução e são definidas medidas de melhoria. Este processo já permitiu melhorar diversos aspetos, como a prescrição de anestesia antes da cirurgia, a limpeza das salas operatórias e o transporte dos doentes para o bloco operatório.

“Todos os projetos apresentados são um exemplo de resiliência e de capacidade de implementação dos profissionais de saúde no nosso país. O grande passo em frente será agora poder replicar estes projetos noutras instituições”, afirmou Alexandre Lourenço, presidente da APAH, na cerimónia final do Healthcare Excellence, que decorreu em Braga.

“Continuar a prestar cuidados de qualidade aos utentes sem comprometer a sustentabilidade da saúde é um dos maiores desafios da atualidade. Felizmente, têm emergido soluções alternativas como aquelas que conhecemos no Healthcare Excellence, com resultados comprovados no terreno e um verdadeiro impacto”, declarou Carlo Pasetto, diretor-geral da AbbVie Portugal.

A 6.ª Edição do Prémio Healthcare Excellence recebeu um total de 12 candidaturas. Entre os finalistas estiveram também projetos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Centro Hospitalar e do Hospital de Vila Franca de Xira.

Impacto na Saúde Pública
Avaliar as principais preocupações das pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2 na gestão da sua doença e os fatores mais...

O protocolo de colaboração para a implementação do estudo foi assinado recentemente e pretende evidenciar as principais preocupações de quem vive com a doença, comparando com o ponto de vista dos médicos. O impacto da diabetes no dia-a-dia da pessoa com a doença e o grau de envolvimento desta nas decisões de saúde e tratamento serão outros dos aspetos a avaliar.

Esta iniciativa irá permitir conhecer, através de abordagens qualitativa e quantitativa, a comunicação entre o médico e a pessoa com Diabetes Mellitus tipo 2, nomeadamente no que diz respeito à transferência de informação e partilha da decisão em saúde, um determinante importante para a gestão da doença, adesão à terapêutica e, em última análise, para os resultados em saúde.

Dada a importância e o impacto destas questões no panorama de Saúde Pública, a Escola Nacional de Saúde Pública tem vindo, ao longo dos anos, a dedicar com sucesso parte da sua investigação e ensino a estas temáticas.

Para João Valente Cordeiro, coordenador do estudo, "a participação das pessoas com doença, em particular com Doença Crónica, na tomada de decisão referente aos cuidados de saúde que lhe são prestados constitui um vetor essencial para uma melhoria significativa dos resultados em saúde e para que esses mesmos cuidados sejam prestados de uma forma mais justa, inclusiva e equitativa”.

Para esse fim, adianta o docente da ENSP-NOVA, “é essencial conhecer o impacto da doença na vida quotidiana das pessoas, identificar os fatores que a pessoa com DM2 mais valoriza nos cuidados de saúde, nas consultas e nos tratamentos e perceber se estas dimensões estão alinhadas com as perceções que os médicos têm sobre os mesmos temas”.

Carla Fernandes, Diretora Médica e Regulamentar da AstraZeneca, considera que “os resultados deste estudo irão permitir fornecer informação nova e relevante sobre a forma como doentes e médicos encaram esta patologia”.

De acordo com a responsável, “este projeto materializa a ambição da AstraZeneca, enquanto empresa líder científica nesta área, na procura de respostas a importantes lacunas de conhecimento e na compreensão da gestão desta doença pelos profissionais de saúde e pelos doentes”.

Os resultados deste projeto serão apresentados em congressos e reuniões científicas ao longo dos próximos dois anos.

 

Alteração no ritmo da fala
Nos últimos meses tem-se ouvido falar muito sobre gaguez, ou mais correctamente sobre a perturbação

Em Portugal, a perturbação da fluência afecta cerca de 1% da população adulta e segundo a Organização Mundial da Saúde é definida como uma alteração no ritmo da fala, na qual o indivíduo sabe exactamente o que deseja dizer contudo, é incapaz de o fazer. O discurso apresenta prolongamentos, bloqueios, palavras partidas e/ou repetições que tanto podem ser de sons ou de sílabas de uma palavra. Para além destes sinais, o discurso pode ter associado movimentos involuntários da face e do corpo. Estes movimentos podem ser piscar de olhos, levantamento dos ombros, balançar do corpo e/ou tremor à volta dos lábios, por exemplo, contudo, ressalva-se que estes movimentos não devem ser confundidos com tiques.

Esta perturbação não se manifesta da mesma maneira em todas as pessoas. Não há assim uma gaguez. É, ainda, característico da gaguez a sua variabilidade, ou seja, a mesma pode variar durante o dia, a semana ou o mês.

Actualmente, sabe-se que a etiologia pode ser hereditária, isto é, genética, neurológica e psicossocial, esta última relacionada com a pressão exercida pela família após o surgimento da “gaguez”, por exemplo, para que a pessoa fale corretamente, desencadeando emoções negativas como ansiedade, medo e stress no momento de falar. Sabe-se, ainda, que a causa genética é a causa mais frequente, uma vez que 60% das pessoas que gaguejam tem um familiar com gaguez. A causa neurológica está relacionada com o aparecimento da gaguez após um Acidente Vascular Cerebral, Traumatismo Cranioencefálico ou demência, por exemplo.

É importante ressalvar que a insegurança, timidez, baixa autoestima, frustração, ansiedade, estado depressivo e pressão exercida pela família para que a pessoa fale correctamente não são as causas, mas as consequências de gaguejar sendo que desencadeiam emoções negativas.

A perturbação da fluência pode surgir em qualquer idade, dependendo da sua etiologia. Contudo, estudos recentes indicam-nos que 5% da população infantil, entre os 2 e os 5 anos, é comum existir uma gaguez transitória. Ou seja, a criança apresenta alguns sinais já referidos e estes não devem durar mais de 6 meses, nesse período “máximo” a gaguez deverá desaparecer em dois terços na percentagem acima indicada. No caso em que os sinais não desaparecem, estamos perante uma gaguez crónica e esta deve ser avaliada e intervencionada por um Terapeuta da Fala. A intervenção precoce é essencial nestes casos.

Infelizmente não existe cura para esta perturbação contudo, um Terapeuta da Fala com experiencia na área tem conhecimentos e competências para ensinar métodos e técnicas que facilitem a fluência do discurso em qualquer situação do dia-a-dia, assim como eliminar o medo de comunicar perante determinados interlocutores e/ou situações sociais.

Há comportamentos a evitar quando lidamos com uma pessoa que gagueja, desta forma, não diga à pessoa para “falar mais devagar” ou para “ter calma”. Dizer à pessoa que gagueja para “respirar fundo” ou para “pensar antes de falar” não a ajuda. Trata-se de um mito. Estes “conselhos” fazem com que a pessoa se sinta mais consciente das disfluências e quando tenta colocar em prática os “conselhos” que ouve, fica frustrada porque não resultam.

Não termine as palavras nem fale pela pessoa; espere a sua vez para falar e ouça o outro, uma vez que para a pessoa que gagueja é mais fácil falar quando tem poucas interrupções e a atenção dos outros. Devemos sempre manter o contacto visual e esperar que a pessoa acabe de falar. Não devemos interromper a pessoa que gagueja porque muitas vezes tal pode levá-la a voltar atrás no assunto, demorando mais tempo e causando frustração. Fale com a pessoa com calma, fazendo pausas frequentes. Mostre que está atento ao conteúdo da mensagem e não à forma como é dita. Neste ponto ressalvo para a necessidade do cuidado com a expressão facial quando estamos a falar com uma pessoa que gagueja, pois esta pode subentender que estamos desinteressados no assunto levando à inibição de comunicar. Por fim, não faça da gaguez algo de que se deva ter vergonha.

Há vários mitos associados a esta perturbação, sendo o mais comum o da causa ser um susto, sendo que não há qualquer evidência científica para tal. Como já mencionado, a sua etiologia pode ser hereditária, neurológica ou psicossocial.

Quer estejamos perante uma gaguez transitória ou crónica é muito importante que todas as pessoas que convivem com as crianças e/ou adultos com gaguez entendam que uma atitude positiva origina mudanças durante o processo comunicacional. Mudança de comportamentos por parte de todos, equipa escolar e família, é essencial para o sucesso da intervenção.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Projeto “Diabetes no Bairro”
Três bairros de Lisboa vão contar com o apoio da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) para a prevenção e...

Nos bairros Horizonte, Alto da Eira e Quinta do Lavrado, na freguesia da Penha de França, serão realizados rastreios e identificados grupos em risco acrescido de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, o projeto “Diabetes no Bairro” conta com ações de formação destinadas a equipas escolares e cuidadores formais e informais, com o objetivo de promover a literacia em saúde e a capacitação das pessoas com diabetes e pré-diabetes, dos seus familiares e respetivos cuidadores, através de uma estratégia de intervenção comunitária. Serão ainda realizadas formações em cuidados preventivos ao pé diabético e organizados treinos da modalidade sweet-football.

“A diabetes, um dos maiores problemas de saúde pública, está associada a fatores socioeconómicos e, em Portugal, as desigualdades socioeconómicas na prevenção da diabetes estão essencialmente relacionadas com o baixo rendimento e a baixa escolaridade. Tendo em conta esta realidade, o projeto Diabetes no Bairro tem como objetivo prevenir a diabetes tipo 2 junto das populações que têm um risco mais elevado de a desenvolver e garantir a melhoria da qualidade de vida daqueles que já vivem com a doença, através de uma abordagem de proximidade”, explica o presidente da APDP, José Manuel Boavida.

O projeto “Diabetes no Bairro” é uma parceria entre a APDP e a Junta de Freguesia da Penha de França, a Associação Ares do Pinhal, o Centro Social e Paroquial da Penha de França, o Centro Social e Paroquial São João Evangelista e a Associação Médicos do Mundo, em articulação com o ACES Lisboa Central, Gebalis e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A diabetes tipo 2 é a forma mais comum desta doença, sendo que a sua incidência e prevalência verifica-se essencialmente na população urbana com mais de 45 anos. Os grupos menos favorecidos, como as minorias étnicas, os desempregados, os imigrantes, as pessoas com deficiência, dependentes de drogas e pessoas idosas, apresentam um maior risco relativamente à doença e desvantagem no acesso aos serviços de saúde.  Portugal é o país da União Europeia que tem mais pessoas com diabetes. Mais de um milhão de portugueses têm diabetes, um número que sobe para um milhão e 300 mil pessoas, quase 14% da população, quando se soma o número de pessoas por diagnosticar.

“Com a promoção de ações de rastreio que possibilitem o diagnóstico precoce da diabetes estamos a capacitar as pessoas e a educá-las para a prevenção da diabetes e, desta forma, conseguimos evitar a sua progressão ou retardar o surgimento das complicações que lhe estão associadas”, conclui José Manuel Boavida.

A diabetes tipo 2 tem como principais fatores de risco a obesidade, o sedentarismo e a predisposição genética. Neste tipo de diabetes existe um défice de insulina e resistência à insulina, o que significa que é necessária uma maior quantidade de insulina para a mesma quantidade de glicose no sangue. Por isso, as pessoas com maior resistência à insulina podem, numa fase inicial, apresentar valores mais elevados de insulina e valores de glicose normais. À medida que o tempo passa, o organismo vai tendo maior dificuldade em compensar este desequilíbrio e os níveis de glicose sobem. Embora tenha uma forte componente hereditária, este tipo de diabetes pode ser prevenido controlando fatores de risco modificáveis.

Ação de sensibilização
O tromboembolismo venoso (TEV) é considerado de difícil diagnóstico pelos especialistas, mas muito frequente, especialmente, em...

O tromboembolismo venoso (TEV) é a causa número 1 em mortes evitáveis em hospitais e 60% dos casos ocorrem durante ou após o internamento. No dia 13 de outubro, assinalou-se o Dia Mundial de Combate à Trombose. A data também reforça a importância da prevenção do Tromboembolismo Venoso (TEV), em hospitais - causa número um em mortes hospitalares que poderiam ser evitadas, de acordo com a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH – International Society on Thrombosis and Haemostasis), que em Portugal conta com o apoio do Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESCAT) para promover a consciencialização para esta doença.

Estes números reforçam a necessidade de aumentar a consciencialização da população, doentes, seus familiares e cuidadores, decisores institucionais e políticos para os riscos e importância da prevenção do tromboembolismo venoso (TEV), uma vez que o primeiro passo para a prevenção é entender como este se manifesta no corpo. Para ir ao encontro das pessoas e ajudá-las a estar atentas à realidade desta condição médica perigosa e potencialmente mortal, o GESCAT organizou uma tour de “Trombos” (mascote em forma de coágulo de sangue) que, ao longo de uma semana, andaram a distribuir folhetos informativos em vários Hospitais do país.

Sérgio Barroso, médico oncologista e presidente do GESCAT, explica que “a hospitalização constitui um fator de risco significativo para o desenvolvimento de um TEV, porque os hospitais ainda não adotaram protocolos obrigatórios para ajudar a evitar problemas trombóticos que ocorrem geralmente, após uma cirurgia, corte ou falta de movimento por muito tempo, sendo mais frequente após procedimentos cirúrgicos ortopédicos, oncológicos e ginecológicos. Até 60% dos casos de TEV ocorrem durante a hospitalização ou dentro de 90 dias, na pós-alta. Daí que um doente bem informado sobre a sua condição pode permitir maior sucesso nos tratamentos e garantir/exigir melhores cuidados durante a hospitalização. E se tiver alguma dúvida com algum dos sintomas deve procurar ajuda junto do médico assistente”.

 A trombose consiste na formação de um coágulo de sangue (trombo), numa veia localizada profundamente que dificulta ou impede o fluxo normal de sangue. Nos casos em que o trombo é formado no interior da coxa ou da perna (também pode acontecer no braço ou noutras partes do corpo), caracteriza-se por trombose venosa profunda (TVP). O maior problema é quando o coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, correndo-se o risco deste viajar até aos pulmões e originar a embolia pulmonar (EP). Tanto a TVP como a EP podem levar à morte por tromboembolismo venoso (TEV). Apesar da gravidade, a grande parte da população desconhece os problemas relacionados com esta patologia silenciosa.

O Presidente do GESCAT alerta que, atitudes simples do dia a dia como evitar ficar muito tempo sentado sem se movimentar, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico regularmente, manter o peso, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, principalmente se associado ao cigarro e ao uso de anticoncecionais e fazer uso de meias elásticas caso tenha algum histórico pessoal ou familiar de formação de coágulos sanguíneos.

Terapia celular
O artigo científico “Prolonged intracellular accumulation of light-inducible nanoparticles in leukemia cells allows their...

Neste trabalho foi desenvolvimento de um sistema de transporte e entrega de fármacos que possibilita um maior controlo e precisão de terapias focadas na medula óssea. Utilizando a leucemia mieloide aguda como modelo de estudo foi possível produzir uma formulação quimioterapêutica mais eficiente e que permite diminuir os fortes efeitos secundários. Além disso, demonstrou-se que é possível tirar vantagem do sistema de “GPS natural” de células leucémicas, utilizando-as como “cavalo de troia” para transportar a formulação quimioterapêutica até ao local exato da medula óssea onde se encontra o reservatório das células responsáveis pela resistência e propagação da doença.

Segundo o investigador Emanuel Quartin, presentemente cientista visitante no Imperial College, London, “atualmente, esta tecnologia está a ser estudada para futuras aplicações, não só no tratamento de leucemia, mas também em medicina regenerativa, como é o caso do transplante de medula óssea”.

O Prémio de "Investigação em Medicina Regenerativa", lançado este ano pela Crioestaminal e a SPCE-TC, tem como propósito distinguir a melhor publicação de índole básica ou aplicada na área da Medicina Regenerativa. A este Prémio podem candidataram-se investigadores nacionais ou estrangeiros, com projetos total ou parcialmente realizados em instituições portuguesas e publicados no biénio anterior à sua atribuição.

Este ano, as áreas que concorreram ao prémio foram essencialmente de drug delivery, importância das condições de cultura das células para a sua diferenciação e uso das células estaminais para o screening e avaliação toxicológica de fármacos.

 

Diagnóstico precoce
A Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve fez saber que decorrem, até ao dia 31 de outubro, atividades no Centro de...

A iniciativa de sensibilização à população abrange atividades como uma exposição inspirada na «Onda Rosa», ideia lançada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro da Mama, situada na entrada principal do Centro de Saúde de Olhão, com testemunhos de mulheres que tiveram cancro de mama.

A ação de sensibilização conta também com a distribuição panfletos alusivos à autopalpação da mama, nas salas de espera da Unidade de Saúde Familiar (USF) Mirante, USF Âncora e Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Olhão, e entregues laços rosa, simbólico da data.

A equipa da UCC Olhar+ realizará, ainda, no dia 28 de outubro, pelas 11 horas, na sala de reuniões do Centro de Saúde, em colaboração com médicos da USF Mirante, uma sessão de esclarecimento sobre o diagnóstico e a prevenção do cancro da mama.

A «Onda Rosa» da UCC Olhar+ assinala-se de 15 a 30 de outubro em virtude da existência de duas datas comemorativas, dia 15 é o «Dia Mundial da saúde da Mama» e dia 31 é o «Dia Nacional da Luta contra o Cancro da Mama».

Esta é uma atividade programada no Plano de Atividades da Unidade Funcional da UCC Olhar+, sendo que é realizada também em articulação com juntas de freguesia, a Associação Oncológica do Algarve e a Liga Nacional da luta contra o Cancro.

 

 

Restrições
A publicidade a alimentos com elevado teor de açúcar, sal e gordura como os chocolates, barras energéticas e refrigerantes,...

A tabela que define o perfil dos alimentos e bebidas com publicidade dirigida a menores de 16 anos foi publicada dia 21 de agosto de 2019, em Diário da República, num despacho que entra hoje, dia 21 de outubro, em vigor.

As novas regras para a publicidade dirigida a menores de 16 anos também abrangem os anúncios emitidos nos 30 minutos anteriores e posteriores a programas infantis ou com um mínimo de 25% de audiência de menores de 16 anos.

Aplicam-se igualmente à publicidade emitida em salas de cinema em filmes destinados a menores de 16 anos e, na internet, em sites, páginas ou redes sociais, com conteúdos destinados a esta faixa etária.

As multas para quem violar a lei variam entre os 1.750 a 3.750 euros, em caso de pessoa singular, ou de 3.500 a 45 mil euros, se as infrações forem cometidas por empresas, cabendo à Direção Geral do Consumidor fiscalizar o cumprimento das regras.

Chocolates, gomas e outras guloseimas, sobremesas doces, produtos de pastelaria, pipocas doces e salgadas, sumos, leites achocolatados e bebidas vegetais, refrigerantes, gelados, cereais de pequeno almoço, queijos, refeições pré-preparadas e molhos são alguns dos alimentos que verão a publicidade restringida.

O perfil nutricional surge no seguimento da lei aprovada em abril, destinada a restringir determinada publicidade dirigida a crianças. A lei então aprovada incumbia a Direção-Geral da Saúde (DGS) de identificar os produtos alimentares com elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos ‘trans’.

A lei tem como objetivo limitar o estímulo ao consumo de alimentos menos saudáveis, ou não saudáveis

O Perfil Nutricional foi feito pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) no seguimento da aprovação da lei 30/2019, que introduz restrições à publicidade dirigida a menores de 16 anos de géneros alimentícios e bebidas que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, e gorduras, alterando o Código da Publicidade.

Retrato estatístico
Portugal continua a ter uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da Europa, avançam hoje as notícias, tendo em conta o...

A taxa de mortalidade, que em 1960 se aproximava dos 90 casos por cada mil habitantes, está hoje em 2,7 por mil, abaixo da média europeia de 3,6%.

Para assinalar o Dia Europeu da Estatística, que se comemorou onte, dia 20 de outubro, a Pordata lançou um retrato de Portugal na Europa – 2019, uma comparação com os outros Estados-membros em 11 áreas da sociedade.

O relatório mostra ainda que, em média, cada mulher portuguesa tem 1,38 filhos, abaixo dos 1,59 da média europeia. Portugal o 23.º lugar entre os 28 países membros da União Europeia onde a idade média para ter filhos se situa nos 31,2 anos.

 

 

Doenças profissionais
Embora a utilização do amianto esteja, hoje, praticamente proibida na União Europeia, esta substância continua a ser detetada...

As fibras de amianto podem afetar gravemente a saúde quando inaladas, podendo provocar a amiantose (ou asbestose), o cancro do pulmão ou o mesotelioma e a verdade é que quanto mais exposto se estiver, maior é o risco de se desenvolver uma doença relacionada com o amianto, cujos primeiros sintomas podem levar até 30 anos para se manifestar. Estudos provam que na Grã-Bretanha morrem, por ano, cerca de 3 mil pessoas vítimas de doenças causadas por exposição ao amianto no passado, sendo que 25% trabalharam nos setores da construção civil ou da manutenção de edifícios.

Para assinalar a Semana Europeia da Segurança e Saúde no Trabalho, a APSEI – Associação Portuguesa de Segurança alerta para a utilização de substâncias nocivas à saúde, nomeadamente o amianto, nas áreas da construção civil, manutenção e limpeza de edifícios e deixa alguns conselhos:

"Antes de começar a trabalhar, pergunte se foi verificada a presença de amianto e se suspeitar da sua presença suspenda o trabalho, procure aconselhamento. E lembre-se: nunca remova material de amianto se não estiver autorizado e não tiver tido formação específica para esse fim", pode ler-se na nota enviada à imprensa. 
Por outro lado, se é responsável pela gestão ou controlo de um edifício, deve saber em que locais das suas instalações existe amianto. "Para este efeito, deve consultar o projeto do edifício, verificar o que foi feito em obras anteriores (através das faturas dos empreiteiros, por exemplo), efetuar a sua própria inspeção sem retirar amostras e consultar outras pessoas como, por exemplo, arquitetos, fiscais de obras, delegados para a segurança ou outros empregados que possam dar-lhe mais informação", aconselha. 

Teve um acidente de trabalho? Saiba como o deve reportar à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)
 
“Todos os acidentes de trabalho mortais ou graves sofridos por um trabalhador, trabalhador independente que trabalhe em instalações alheias ou pessoa terceira da relação de emprego, deverão ser comunicados à ACT por correio eletrónico para o ponto local da ACT no prazo máximo de 24 horas após a ocorrência”, diz em comunicado a APSEI.

No entanto, existem setores de atividade económica aos quais é aplicável legislação específica. Assim, devem ser comunicados:

No mais curto prazo possível, não podendo exceder vinte e quatro horas: os acidentes ocorridos nos estaleiros de construção de que resulte a morte ou lesão grave de trabalhador, bem como os que assumam particular gravidade na perspetiva da segurança, desde que provoquem lesão física no trabalhador;

No mais curto prazo possível: os acidentes ocorridos a bordo dos navios de pesca de que resulte a morte ou lesão de trabalhadores ou que, independentemente da produção de danos pessoais, evidenciem uma situação particularmente grave para a segurança ou a saúde dos trabalhadores;

No prazo de vinte e quatro horas: os acidentes ocorridos nas indústrias extrativas por perfuração a céu aberto ou subterrâneas de que resulte a morte ou lesão grave de trabalhadores, ou que, independentemente da produção de tais danos pessoais, evidenciem uma situação particularmente grave para a segurança ou a saúde dos trabalhadores.
 

A comunicação deve ser feita através de formulário próprio disponível na página da ACT ou por qualquer outro meio, preferencialmente no serviço desconcentrado do local de ocorrência do acidente de trabalho. Se o acidente tiver ocorrido em viagem ou em trajeto, esta deve ser dirigida ao serviço desconcentrado da ACT da área de jurisdição da sede da entidade empregadora.

 

 

Amiga do ambiente
A sustentabilidade alimentar consiste em práticas que permitem garantir a satisfação das necessidade

Este conceito envolve por exemplo, a compra de produtos alimentares a produtores locais ou nacionais, preferindo sempre que possível, alimentos frescos e de época. O modelo da dieta Mediterrânica constitui um dos melhores exemplos de uma alimentação sustentável, uma vez que aqueles alimentos que apresentam menor impacto ambiental constituem a base desta alimentação. Em comparação com a carne, os ovos, os produtos lácteos e os alimentos processados, uma dieta à base de vegetais, fruta, cereais integrais e leguminosas requer muito menos recursos hídricos e apresenta menor impacto na emissão de gases com efeito de estufa.

A preferência por alimentos de origem biológica contribui ainda para redução do impacto ambiental da indústria alimentar. Os alimentos biológicos são obtidos através de práticas agrícolas que não recorrem a agroquímicos com efeito nocivo para o ambiente, preservando a biodiversidade e os recursos naturais, para além, de originarem alimentos mais saborosos e nutritivos.

Para além do mencionado, existem ainda estratégias conscientes que visam a redução do desperdício alimentar e que fazem parte de uma alimentação sustentável. A confeção das refeições de ser realizada em quantidades adequadas de forma a evitar a produção em excesso, sendo que, caso aconteça, o ideal é reaproveitar as sobras para outra refeição. A conservação adequada dos alimentos é também importante para prolongar o seu tempo de vida útil, por isso, deve verificar se as temperaturas do frigorífico (até +5ºC) e do congelador (-15 a -18ºC) estão bem reguladas. Deve ser dada atenção aos prazos de validade dos produtos que adquire e armazená-los de acordo com a prioridade de consumo, isto é, os de maior validade na parte de trás, e os de menos validade na frente da prateleira. Quanto às atitudes no supermercado, opte por comprar alimentos a granel, quando possível, e leve o seu próprio saco reutilizável para embalar os produtos que adquirir.

Neste sentido, o consumo de uma alimentação sustentável assenta nas bases do modelo Mediterrânico com alimentos de origem biológica, envolvendo atitudes conscientes dos consumidores em relação à aquisição, confeção e conservação dos mesmos.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Osteoporose
200 milhões é o número de mulheres que sofrem de osteoporose a nível mundial e estima-se que ocorra uma fratura por fragilidade...

Para assinalar o Dia Mundial da Osteoporose, a Associação Nacional Contra a Osteoporose (APOROS), a Sociedade Portuguesa de Osteoporose e Doenças Ósseas Metabólicas (SPODOM), e a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), com o apoio da Amgen, uniram-se, mais uma vez, para alertar a população portuguesa para o risco associado às fraturas nas pessoas com osteoporose.

A osteoporose, apesar de ser uma doença conhecida, apresenta uma elevada taxa de subdiagnóstico e está a ser tratada tardiamente. Além disso, em Portugal, está na origem de cerca de 40 mil fraturas por ano, com um impacto na qualidade de vida dos doentes e que podem ter como consequência a redução da sua sobrevivência.

“80% dos doentes apresentam alguma limitação na realização das atividades da vida diária um ano depois de uma fratura da anca, 40% não são capazes de caminhar de forma autónoma, 30% apresentam limitação funcional significativa e permanente. E, pelo menos, uma em cada dez pessoas que sofrem uma fratura do fémur morre no ano seguinte ao acidente” afirma Luís Cunha Miranda, presidente da SPR, no âmbito desta campanha de sensibilização.

Para alertar para esta problemática, a iniciativa “Impeça a Osteoporose de Quebrar a sua Rotina” procura, mais uma vez, sensibilizar a população portuguesa e fornecer a informação necessária para aumentar a literacia sobre a osteoporose com uma constante atualização de conteúdos na plataforma: www.ossosfortes.pt

Viviana Tavares, presidente da APOROS, refere que “queremos deixar um alerta para o impacto das fraturas osteoporóticas pelo simples facto de que os doentes que já tiveram algum tipo de fratura relacionada à osteoporose têm três vezes mais risco de ter uma nova, nos dois primeiros anos após a ocorrência”.

António Tirado, presidente da SPODOM, gostaria ainda de destacar que “as fraturas por fragilidade são cada vez mais frequentes nos países civilizados, muito devido, ao envelhecimento progressivo da população, à alteração do estilo de vida com menos exercício físico, à menor exposição solar diária e à modificação para os hábitos alimentares menos saudáveis. Os profissionais de saúde das diferentes áreas devem unir esforços e colaborar para inverter esta tendência. “

Para dar vida a esta campanha de sensibilização vai ainda ser realizada uma performance artística que procura ser uma representação da fragilidade óssea, a decorrer entre as 10h e as 13h30 na estação de Metro de São Sebastião, em Lisboa, e das 14h30 às 18h, na praça Novo Mundo, no Centro Comercial Colombo.

Tiago Amieiro, Diretor-Geral da Amgen, declara que “tendo em conta a elevada mortalidade associada às fraturas nas pessoas com osteoporose e o seu impacto na qualidade de vida destes doentes, é importante aumentar a consciencialização para a importância de identificar os casos de Osteoporose pós-menopáusica nas mulheres, sobretudo nas de maior risco. ”

 

Fragilidade óssea
A doença consiste numa diminuição da massa óssea global.

A osteoporose é uma doença do nosso esqueleto caraterizada por uma baixa densidade óssea e defeitos da microarquitetura do tecido ósseo. Consiste numa diminuição da massa óssea global com perda da sua resistência e força com suscetibilidade elevada de fraturas.

Estas fraturas, quando ocorrem, são conhecidas como as fraturas por fragilidade. Podem ocorrer espontaneamente ou após traumatismos menores como pequenas quedas e/ou apenas desequilíbrios momentâneos.

Os locais mais comuns destas fraturas por fragilidade são a coluna vertebral (compressão vertebral) fémur e punho. As fraturas por fragilidade também ocorrem no úmero, costelas e bacia.

Quais as pessoas mais atingidas?

O auge ou pico de massa óssea atinge-se por volta dos 20 anos de idade. A partir de então há uma diminuição progressiva com o envelhecimento. Estima-se que na Europa afeta 1 mulher em cada 2 e 1 homem em cada 5. O risco é maior para as mulheres com mais de 50 anos e para os homens com idades superiores a 65 anos.

Que sintomas ocorrem?

Nenhum até à existência de fraturas. As complicações das fraturas são as dores, deformações ósseas, perda de estabilidade na postura ou marcha, e nas idades mais avançadas envolvem mesmo a perda da vida na sequência das múltiplas complicações em cascata (pneumonias, acidentes vasculares etc.) todos como consequência da perda da mobilidade.

Como se diagnostica?

Em consulta médica e com exames auxiliares de diagnóstico. Para além do exame clínico, o teste com a maior importância é a densitometria óssea. O resultado deste exame é o chamado T-score. O seu valor consiste no desvio que existe comparativamente a uma pessoa do mesmo sexo e idade que tem a densidade óssea normal. Nos indivíduos com valores de desvio T ≤-2,5 têm o maior risco de fratura. Não devemos esquecer, no entanto, que existem mais fraturas em doentes com valores T entre -1 e -2,5, porque estas pessoas são em maior número.

Tem tratamento?

Sim. Com diagnóstico precoce, os médicos têm à sua disposição diversas linhas de fármacos. Usam-nas em função da gravidade e tolerância individuais. São de primeira linha os conhecidos Alendronatos, 25-hydroxyvitamin D, Calcium, e Hormonas. Outros de segunda e terceira linhas, mais recentes em fase final de testes, conhecidos como terapêuticas alvo (que atuam em locais moleculares muito específicos das células)

É prevenível?

Sim. Com medicamentos e minimizando ou eliminando alguns fatores de risco associados.

Para além de consultas médicas regulares recomendam-se hábitos de vida saudáveis: dieta diversificada, exercício físico regular, abandono do tabagismo e álcool, controlo adequado das doenças crónicas, e nas idades mais avançadas minimizar o risco de quedas.

Este risco pode reduzir-se com os seguintes cuidados:

Ao ar livre:

  • Use uma bengala pois ao andar ela aumenta-lhe a estabilidade.
  • Use sapatos com sola de borracha para tração.
  • Ande nas bermas quando os pavimentos estiverem escorregadios.
  • No inverno, leve sal para os pavimentos com gelo ou nas calçadas escorregadias.

No interior das habitações:

  • Mantenha os quartos arrumados, principalmente nos pisos onde passa mais tempo.
  • Mantenha os pavimentos limpos, mas não escorregadios.
  • Use sapatos de saltos baixos, mesmo em casa.
  • Evite andar de meias, ou chinelos de meia.
  • Certifique-se de que os tapetes são antiderrapantes e se estão fixos ao pavimento Verifique se as escadas estão bem iluminadas e se têm corrimãos nos dois lados.
  • Instale barras de apoio nas paredes da casa de banho perto da banheira, chuveiro e sanita
  • Use um tapete de banho de borracha no chuveiro ou na banheira antiderrapante, de preferência, fixo. Se tiver dificuldades de equilíbrio considere usar mesmo um banco no chuveiro.
  • Mantenha uma lanterna com pilhas novas ao lado de sua cama.
  • Se usar uma escada para áreas de difícil acesso, não se esqueça de usar os corrimãos
  • Adicione luminárias de teto às salas iluminadas por lâmpadas.
  • Considere comprar um telefone sem fios ou um telemóvel para que não precise de atender apressadamente quando ele tocar, ou para que possa pedir ajuda se cair. Coloque-o, de preferência, na sua mesa de cabeceira.
  • Tenha cuidado com pavimentos altamente polidos que se tornam escorregadios e perigosos quando molhados.
  • Não use passadeiras ou carpetes que não estejam fixas ao pavimento
  • Não suba a árvores ou telhados ou escadotes sem se certificar que o pode fazer sem risco de queda.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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