Perturbação de Personalidade
O transtorno de Borderline é considerado por muitos como “a doença do século”.

O psicólogo e hipnoterapeuta, Romanni Souza, respondeu a 5 das principais dúvidas sobre o transtorno. Confira:

  1. Transtorno bipolar e borderline são a mesma coisa?

Não. O psicólogo afirmou que o transtorno borderline é diferente do transtorno de bipolaridade. No entanto, e uma vez que a instabilidade emocional é um dos principais sintomas, eles podem ser confundidos, mas existem diferenças. “As alterações de humor acontecem mais rapidamente. Diferente do transtorno bipolar, onde as alterações de humor podem levar até meses para acontecerem, entre uma e outra, na pessoa com borderline é perceptível que, às vezes, no mesmo dia, já existam estados maníacos, estados de euforia e de agressividade, por exemplo”, disse.

  1. A pessoa com borderline é de difícil convivência?

Sim. Para o especialista, a pessoa com esse transtorno tende a ter uma dependência emocional ainda mais forte, se comparado a outras doenças. “Muitas vezes, o ‘borderliner’ pode conhecer um novo amigo num dia e já dizer que aquele é o seu melhor amigo e depois simplesmente desaparecer. Ele também se sente rejeitado por pessoas próximas, como se o outro tivesse que suprir aquele vazio que ele sente. Diante disso, esses picos e oscilações de humor dificultam ainda mais a convivência”, afirmou.

  1. É possível ajudar uma pessoa próxima com esse tipo de transtorno?

Sim. De acordo com Romanni, é necessário entender que a pessoa com borderline não tem os comportamentos característicos porque ele quer ou porque gostaria de ser assim, pois se trata de um transtorno psicológico. “As amídalas, uma estrutura dentro do nosso cérebro, no transtorno borderline, é uma estrutura menor do que em outros cérebros. Percebe-se ainda, que outras regiões do cérebro também são menores do que as de um cérebro saudável. Esse pico de oscilações das emoções não são só uma questão de fazer isso porque quer, e sim a condição daquela pessoa. O principal é ajudar a pessoa a procurar ajuda especializada”, contou.

  1. O transtorno de boderline é genético?

Conforme Souza, alguns casos têm a ver com genética e outros, com o histórico de vida da pessoa. “Percebe-se que pessoas que sofreram traumas ou abusos durante a infância têm maiores chances de desenvolver o transtorno. Assim como pessoas que têm parentes com a síndrome, também têm uma suscetibilidade maior. Se a pessoa tem um irmão com borderline, por exemplo, ela tem até cinco vez mais probabilidades de também desenvolvê-lo”, explicou.

  1. Pessoas com borderline são mais suscetíveis a desenvolver vícios?

Sim. De acordo com o hipnoterapeuta, pela alta impulsividade, a pessoa com esse transtorno acaba tendo atitudes extremas, como se envolver com drogas ou outros vícios, como o de depender de outra pessoa.  

Por fim, Romanni Souza reforçou que o transtorno tem tratamentos eficazes e que a pessoa que o possui pode viver normalmente e com sintomas controlados, desde que procure o autoconhecimento e, claro, apoio médico/terapêutico. 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Curso de ecocardiografia em formato B-learning
Numa sinergia entre a Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI), a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e a CUF...

O “Echo Crit Level I” está especialmente desenhado para quem está a dar os primeiros passos nesta área, com um plano curricular que permite a aquisição de ferramentas para a gestão do doente crítico, seja em contexto de urgência médica, de cuidados intensivos, de diagnóstico ou perante a necessidade de monitorização hemodinâmica. 

Os módulos on-line são constituídos por aulas teóricas curtas e vídeos de demonstração da metodologia de aquisição da imagem. Após conclusão das aulas teóricas os formandos podem realizar a sessão Hands-on (componente prática) - um dia de treino intensivo, agendado para 16 de setembro, no Centro de Simulação da CUF Academic Center, no Hospital CUF Tejo.

As inscrições podem ser realizadas através deste link, onde também é possível consultar o programa. 

 

Maior a ameaça, maior a sintonia
Quem diria que as moscas que volta e meia aparecem a zanzar junto da taça da fruta são animais sociais! Quem diria que, quando...

Investigadores do Laboratório de Neurociência Comportamental na Fundação Champalimaud, em Portugal, dedicam-se ao estudo de como o contexto social influencia a resposta do indivíduo a uma ameaça.

No passado, demonstraram que, quando em grupo, as moscas-da-fruta confrontadas com uma ameaça inescapável diminuem as suas defesas relativamente a quando estão sós. Observaram ainda que se as outras moscas páram, o indivíduo também pára; quando o grupo começa novamente a mover-se, o indivíduo também volta a mexer-se. Estar em sintonia com as outras moscas à sua volta parece assim trazer segurança.

No seu mais recente artigo, agora publicado na Frontiers in Ecology and Evolution, investigadoras deste laboratório revelam que, face a uma ameaça, as reações de uma mosca- da-fruta, no seio de um grupo, dependem do nível da ameaça. No início do estudo as opiniões dividiam-se: por um lado, havia quem achasse que na presença de uma ameaça maior, a mosca prestaria menos atenção ao grupo, porque iria focar a sua máxima atenção na evidência direta da ameaça; por outro, havia quem considerasse que, perante uma ameaça maior as moscas prestariam mais atenção ao meio que as rodeia, incluindo o comportamento das outras moscas.

Para conseguirem medir a resposta de uma mosca, na presença das mesmas pistas sociais, mas sob níveis de ameaça diferentes, Clara Ferreira e Marta Moita, investigadora de pós-doutoramento e investigadora principal, respetivamente, desenharam uma engenhosa experiência.

Esta experiência envolveu, por um lado, um conjunto de moscas manipuladas geneticamente por forma a não conseguirem ver o estímulo que foi usado como ameaça (um círculo escuro que se vai aproximando do indivíduo) e, por outro, um grupo de moscas com um tipo de neurónios do sistema visual que tinha sido ativado através da optogenética (uma técnica que combina a luz e a genética, capaz de ativar e desativar neurónios). Isto permitiu submeter a mosca a diferentes estímulos sociais sem que estes fossem afetados pelo nível da ameaça.

Os resultados foram claros, para níveis de ameaça mais elevados, as moscas respondem mais à evidência social, transmitida pelo grupo. Para Clara Ferreira, isto faz todo o sentido: “Sabemos que a resposta de imobilização perante a ameaça é energeticamente dispendiosa, pelo que é da máxima importância limitar esta resposta ao estritamente necessário. A sintonia com os outros animais permite que o indivíduo responda rapidamente à ameaça e consiga regressar à normalidade o quanto antes.”

Marta Moita conclui, “No futuro gostaríamos de explorar melhor esta ideia. Ou seja, perceber de que forma a sintonia entre animais num grupo permite uma resposta mais ajustada à ameaça e quais os mecanismos neuronais subjacentes a essa sintonia."


Imagem e legenda: O engenhoso set up que permitiu responder à pergunta - Qual a resposta da mosca ameaçada (ponto azul) quando rodeada por moscas que não vêem a ameaça e continuam a mover-se (cruz vermelha) e moscas que são imobilizadas com recurso à optogenética (círculo vermelho)?

Manuel Abecasis
As jornadas anuais da APCL, este ano na sua 3ª edição, terão lugar a 24 de junho de 2022.

Aliás, desde a 1ª edição tem sido esta a nossa via de comunicação pelo que os intervenientes e os nossos participantes não estranharão que assim seja.

Preparámos um programa que será certamente muito atraente para todos, doentes, familiares, amigos e cuidadores e seguramente para aqueles que connosco nelas colaboram.

Os temas abordados são abrangentes, abordando o mieloma múltiplo, linfomas no geral e linfomas cutâneos em particular, leucemias agudas e leucemia mieloide crónica.

Haverá um debate com representantes da Direção Geral de Saúde, na pessoa do Director Nacional para as Doenças Oncológicas, Dr. José Dinis, do Infarmed com a Dr.ª Margarida Oliveira (projecto INCLUIR) e do Dr. Fernando Leal da Costa, director do Departamento de Hematologia do IPO de Lisboa, sobre o impacto da pandemia nos cuidados de saúde aos doentes hemato-oncológicos.

Haverá ainda uma apresentação dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) sobre a transformação digital no Serviço Nacional de Saúde, feita pelo seu presidente Dr. Luís Goes Pinheiro.

Uma novidade é a sessão do Dr. Jorge Coutinho sobre a importância de uma abordagem motivacional como suporte para ajudar os doentes e cuidadores no lidar diariamente com o desafio do diagnóstico.

Contamos com a participação ativa de vários doentes nas diversas sessões e com a colaboração da Dr.ª Luisa Ameida, assistente social no IPO de Lisboa.

A sessão sobre mieloma terá apresentações pelas Profªs Catarina Geraldes e Cristina João (Hospitais da Universidade de Coimbra e Fundação Champalimaud) e Dr. Rui Bergantim (Hospital de S. João).

Nas leucemias agudas destacamos a colaboração do Dr. Manuel Brito (H. Pediátrico de Coimbra) e Dr.ª Fernanda Trigo (H. S. João), e na leucemia mieloide crónica com a Dr.ª Francesca Pierdomenico (IPO Lisboa). Já nos linfomas contamos com a Dr.ª Mariana Cravo (IPO Lisboa) nos linfomas T cutâneos e a Dr.ª Daniela Alves (H. Santa Maria) nos linfomas em geral.

Em diversas sessões participam doentes que nos transmitem as suas experiências e nunca é demais realçar essa participação, afinal são a razão de ser da APCL.

Finalmente, a encerrar uma apresentação sobre novas terapias celulares, focada no tratamento com células “CAR T”, já disponíveis em Portugal, a ser feita pela Dr.ª Gilda Teixeira (IPO Lisboa), contando ainda com a colaboração de uma doente.

Uma palavra de agradecimento aos nossos patrocinadores da indústria farmacêutica cujo apoio desinteressado mais uma vez permite a realização deste evento.

À semelhança dos anos anteriores, o programa detalhado pode ser consultado no site da APCL, sendo as inscrições gratuitas, mas necessárias para o acesso aos conteúdos.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Agilizar o trabalho médico e de enfermagem
O Serviço de Urgência Pediátrica em colaboração com o Serviço de Medicina Intensiva Pediátrica e o apoio do Serviço de Sistemas...

"A aplicação sugere as doses dos fármacos de emergência adaptadas ao peso do doente, as diluições para os respetivos fármacos, fornece os valores normais dos sinais vitais tendo em conta a idade e indica os dispositivos médicos que melhor se poderiam adaptar ao doente.", explica Ruben Rocha, diretor do Serviço de Urgência Pediátrica do CHUSJ.

Segundo o médico especialista, "a aplicação fornece, ainda, aos profissionais uma lista de algoritmos para as situações mais frequentes encontradas na Emergência Pediátrica. Funciona com recurso a dois ecrãs, onde são projetadas as doses dos fármacos, os sinais vitais normais e os algoritmos."

A implementação deste projeto contou com a oferta de dois televisores e um computador por parte da Associação de Voluntariado do Hospital São João (AVHSJ).

 

P.O.L.C.I. – O Abecedário da liderança
Nelson Ferreira Pires, CEO da Jaba Recordati, lança livro sobre liderança, um manual que compila uma série de artigos e...

Com a adaptação de pensar na liderança pós-pandemia, em que o paradigma mudou. Evoluímos do POLC ao POLCI e nem nos apercebemos. Passamos do Planear, Organizar, Liderar, Controlar ao Planear, Organizar, Liderar, Controlar e Integrar e a gestão não estava preparada! E integrar porque o mundo se tornou BANI e cada vez mais as organizações têm de repensar o seu papel dos colaboradores nas mesmas como profissionais, mas também como cidadãos. Mas de forma organizada, refletindo o pensamento e reflexão, mas também a prática e a experiência de mais de 30 anos de gestão de pessoas e organizações, recursos humanos e financeiros de Nelson Ferreira Pires. Sempre sabendo que o melhor dos líderes reconhece o valor individual e da equipa, portanto é aquele que gerindo recursos humanos e financeiros, reúne á sua volta, pessoas melhores e mais competentes que ele!

O objectivo do livro é demonstrar o fluxo de propósito profissional simplificado (POLCI) para orientar a acção dos líderes das organizações, dando a visão simplista da mesma. Ao longo das 5 fases, partilhar, dar sugestões, reflexões, chamadas de atenção e dicas de forma a poder sempre olhar para “o copo meio cheio” e ter sucesso. Não existe um modelo perfeito de sucesso na liderança. Existem sim evidências de que seguirmos um processo adequado, sendo genuínos, podemos diminuir o risco do insucesso e aumentar a probabilidade de sucesso.

Inclui ainda 6 testemunhos de líderes empresariais e académicos de sucesso: Clara Raposo (Presidente do ISEG e Chairwoman da Greenvolt), Marta Ferreira (Presidente do Conselho de Administração do Grupo CA Seguros), Jorge Rebelo de Almeida (Presidente do Conselho de Administração do Grupo Vila Galé Hotéis), Ricardo Florêncio (CEO do Grupo Mulitpublicações), Eduardo Rangel (Presidente do Conselho de Administração do Grupo Rangel Logistic Solutions) e Fernando Neves de Almeida  (Partner Boyden Executive search). O livro será apresentado dia 21 no Clube do Monsanto Secret Spot por Paulo Macedo (CEO da CGD) e estará á venda a partir de dia 28 de junho. Um livro para líderes do Século XXI.

 

Dia Mundial do Microbioma assinala-se a 27 de junho
Assinala-se segunda-feira, dia 27 de junho, o Dia Mundial do Microbioma, que tem como objetivo sensi

Uma das microbiotas mais importantes do corpo humano é a intestinal. Mais de 90% dos microrganismos que nos protegem estão no intestino e são tantos triliões que podem pesar até dois quilos. Estes microrganismos, na sua maioria bactérias, ajudam na absorção dos nutrientes e a prevenir e regular infeções em todo o corpo humano. A microbiota é crucial nos primeiros 1000 dias de vida, o período crítico do crescimento e desenvolvimento na primeira infância. Qualquer interferência no estabelecimento da microbiota intestinal nesta fase pode impactar de forma irreparável a saúde na fase adulta. 

O desenvolvimento da microbiota e o seu equilíbrio durante a fase adulta são, por isso, importantes para garantir o bom funcionamento do sistema imunitário e prevenir doenças. Como há uma comunicação complexa e bidirecional entre sistema nervoso central e trato gastrointestinal – eixo intestino-cérebro – qualquer desequilíbrio (disbiose) nesta comunidade de microrganismos pode ser um “gatilho” para o desencadear de alterações metabólicas, não só associadas à obesidade, como a doenças neurodegenerativas, diabetes, cancro, doenças inflamatórias e cardiovasculares, do trato urinário e até do próprio intestino, como é o caso da síndrome do intestino irritável. 

Apesar de haver ainda muito por descobrir sobre a microbiota – única em cada pessoa, como uma impressão digital – existem estudos que permitem aferir que podemos, através da dieta e da suplementação com probióticos, modular a comunidade de bactérias “boas” que habitam no nosso intestino. É, por isso, uma área com elevado potencial de investigação e aplicação clínica nas mais variadas especialidades médicas. 

O que nos diz a investigação? 

Dois investigadores da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Ana Faria e Fernando Pimentel-Santos, estão a desenvolver um projeto de investigação que visa identificar perfis específicos de microbiota e metabolitos para prever melhores terapêuticas para os doentes com espondilartrite e a artrite reumatoide. Este estudo, que está a ser desenvolvido ao abrigo de uma bolsa atribuída pela Biocodex Microbiota Foundation (BMF), pretende ser um contributo para um melhor entendimento de alguns mecanismos fisiopatológicos relacionados com o início da doença e verificar se existe um perfil de microbiota que possa estar associado à resposta terapêutica.  

Fernando Pimentel-Santos reconhece que há um interesse crescente pela microbiota. “A associação de uma microbiota modificada, menos abundante e menos rica, com a doença, trouxe à tona e motivou estudos científicos que estabeleceram e destacaram a importância da microbiota, como no caso das doenças reumáticas”, sublinha. 

Na Universidade do Porto, uma equipa de investigadores do i3S está a desenvolver o projeto PRIMING, que tem como objetivo compreender o impacto da obesidade materna na ativação e estimulação do sistema imunitário da criança induzido pela microbiota intestinal ao longo do primeiro ano de vida. Benedita Sampaio Maia, investigadora principal deste estudo, também em desenvolvimento com uma bolsa da BMF, afirma que os resultados da investigação podem abrir caminhos para o desenvolvimento de meios de diagnóstico precoce e de estratégias terapêuticas inovadoras e personalizadas. 

Como podemos cuidar dos nossos micróbios? 

Tanto Fernando Pimentel-Santos como Benedita Sampaio Maia defendem que a melhor forma de cuidar da nossa microbiota é através de hábitos alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea. “Há também evidências crescentes da possibilidade de se modular a microbiota, o que representa uma opção terapêutica fantástica”, refere o investigador da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. Benedita Sampaio Maia reforça a importância da variedade: “Comer uma grande variedade de alimentos para se poder ter também uma grande diversidade nos micróbios que vivem no nosso intestino”. 

Como reforçar o nosso exército de bactérias protetoras? 

A composição da microbiota, além de evoluir ao longo de toda a nossa vida, desde o nascimento até a velhice é também o resultado de diferentes influências externas. Uma dieta diversificada, associada a hábitos de vida saudável, terá um impacto positivo no aparelho digestivo e no resto do organismo. Quando a alimentação não é suficiente, a suplementação com probióticos é uma alternativa terapêutica comprovada cientificamente para modular a microbiota ou restabelecer o seu equilíbrio. 

Os probióticos são microrganismos que conferem benefícios para a saúde, desde o conforto digestivo à regulação do sistema imunitário, compensando agressões externas como o stress, a má alimentação ou toma de antibióticos, que matam, sem distinção, as bactérias nocivas e as que têm funções importantes para o normal funcionamento do organismo. A disbiose associada à toma de antibióticos, além de poder causar efeitos secundários indesejáveis limitados no tempo, como é o caso da diarreia, aumenta também o risco de desencadear outras doenças do aparelho digestivo e fora dele: asma, obesidade, doenças alérgicas, etc. 

Muitos probióticos são provenientes de bactérias tradicionalmente usadas para fermentar alimentos. Estes microrganismos podem ser encontrados em iogurtes e leites fermentados, ou em suplementos/medicamentos.  

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Curso tem uma duração total de 30h e decorre até dezembro
A Grünenthal, companhia farmacêutica líder no tratamento da dor crónica, lança, pelo quinto ano consecutivo, o webinar “E-DOR”,...

As temáticas que vão ser exploradas durante esta 5.ª edição têm em vista responder às necessidades transmitidas pelos participantes ao longo do projeto. Assim, os módulos irão focar questões da prática clínica relacionadas com cefaleias, dor em ortopedia, dor em doentes oncológicos ou o tratamento farmacológico da dor. O último módulo, em dezembro, será dedicado à discussão de casos clínicos enviados pelos participantes.

O webinar é transmitido na página Dr. Share, uma plataforma de acesso exclusivo a médicos, e é composto por seis módulos interativos, distribuídos ao longo do ano – com 3h de formação e 2h de exercícios complementares entre módulos.

O curso tem uma duração total de 30h e termina a 10 de dezembro. A avaliação final é feita sob a forma de questionário de escolha múltipla, com duração máxima de 2 horas. Todos os formandos que obtiverem avaliação final positiva, cumpram a assiduidade e o envio dos exercícios complementares entre módulos, recebem um certificado de conclusão do curso.

As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias, e devem ser efetuadas em www.drshare.pt. Programa completo disponível em: https://www.mgfamiliar.net/curso-e-dor-2022/

 

 

 

Efeito reparador
A aplicação de células estaminais do tecido do cordão umbilical pode vir a ser um tratamento inovador para a osteoartrite -...

Um estudo recente atesta a possibilidade de tratamento da artrose do joelho com recurso à administração de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical. Os dezasseis doentes envolvidos revelaram melhorias nos sintomas de osteoartrite do joelho a quatro anos.

Globalmente, a osteoartrite afeta mais de 500 milhões de pessoas com especial impacto nas articulações do joelho, mão e a anca.  A osteoartrite do joelho caracteriza-se pelo desgaste progressivo das estruturas que compõem esta articulação, com uma importante componente inflamatória, que reduz significativamente a qualidade de vida dos doentes.

As opções de tratamento disponíveis auxiliam no alívio da dor, mas não promovem a regeneração das estruturas afetadas. Para alcançar este objetivo, a aplicação de células estaminais mesenquimais tem sido amplamente investigada. “O seu efeito anti-inflamatório e o potencial que têm demonstrado para regenerar cartilagem danificada, aliados à facilidade com que podem ser obtidas, nomeadamente a partir do tecido do cordão umbilical, são fatores que levam a que estas células sejam vistas como uma opção de tratamento inovadora para esta condição”, explica Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

Neste estudo mais recente, em que 16 doentes foram monitorizados durante quatro anos, o tratamento experimental consistiu na administração de duas injeções de células estaminais de tecido do cordão umbilical, diretamente no joelho, com um mês de intervalo. O objetivo principal foi determinar a segurança desta intervenção a longo prazo, não tendo sido registados quaisquer efeitos adversos severos decorrentes do tratamento experimental, que foi considerado seguro, em consonância com resultados de estudos anteriores.

Os participantes do estudo foram submetidos a questionários sobre o estado do joelho e foram comparadas imagens obtidas por ressonância magnética, antes e depois do tratamento. Um ano depois, ambos os métodos de avaliação revelaram melhorias significativas nos doentes, sugerindo que a aplicação direta de células estaminais do cordão umbilical no joelho é capaz de promover a sua regeneração.

Para aceder aos estudos científicos mais recentes sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o Blogue de Células Estaminais.

Simpósio conta com a participação de Filipe Froes e Carlos Aguiar
Abordar a importância da vacinação contra a gripe na prevenção do risco cardiovascular e desmistificar alguns conceitos e...

O simpósio promovido pela Sanofi contará na sua abertura com Alberto Mello e Silva, presidente das jornadas, e com Filipe Froes, pneumologista e coordenador do gabinete de crise covid-19 da Ordem dos Médicos (OM), e Carlos Aguiar, cardiologista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental/ Hospital Santa Cruz e Instituto do Coração.

Os dois especialistas irão desafiar mutuamente conceitos e preconceitos, sobre o papel fundamental da vacinação contra a gripe enquanto promotor de uma vida mais saudável e livre de doença grave a nível cardiovascular, bem como desmistificar e apresentar alguns factos sobre os diferentes tipos de vacinas e a importância da vacinação contra a gripe, como ferramenta de saúde publica.

 

Tratamento para a carcinomatose peritoneal
A partir do dia 23 de junho, o Serviço de Cirurgia Geral do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) vai iniciar, a...

Denominada PIPAC – Pressurized Intraperitoneal Aerosol Chemotherapy, esta técnica consiste na aplicação de um aerossol na cavidade peritoneal que permite uma distribuição mais homogénea e concentrada do fármaco de quimioterapia, por cirurgia minimamente invasiva, mantendo a concentração plasmática baixa de forma a minimizar os efeitos colaterais e a toxicidade.

De acordo com a diretora do Serviço de Cirurgia Geral do CHUSJ, Elisabete Barbosa, “este tratamento permitirá eventualmente avançar para uma cirurgia de citorredução e numa perspetiva paliativa, aliviar os sintomas da carcinomatose peritoneal. Trata-se de uma esperança no tratamento da doença metastática quer no aumento da sobrevivência, quer no alívio de sintomas”.

 

Dia Internacional de Sensibilização para a Escoliose
A propósito do Dia Internacional de Sensibilização para a Escoliose, que este ano se assinala a 25 d

O teste de Adams, que consiste na flexão da coluna para a frente, é uma forma eficaz para detetar se a criança está a desenvolver alguma deformidade na coluna ou não. Através deste teste de observação, é possível detetar qualquer assimetria (corcunda) na região torácica (costelas e ombros) e observar um lado mais alto que o outro (devido a rotação vertebral e das costelas).

“A prioridade deve ser sempre a deteção precoce da doença e a sensibilização das famílias. Ao ser detetado algum dos principais sinais é crucial procurar ajuda junto do médico assistente para que seja realizado o devido e atempado diagnóstico e, caso se justifique, seja adotado o tratamento adequado precocemente”, explica João Lameiras Campagnolo, ortopedista no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e coordenador da campanha.

No caso das crianças e dos adolescentes com antecedentes familiares, a urgência é ainda maior. Segundo o estudo japonês “Pontuação de risco genético de escoliose idiopática do adolescente para potencial uso clínico", publicado no Journal of Bone and Mineral Research em junho de 2021, através de um “score de risco” é possível prever o aparecimento e a evolução deste tipo de escoliose em crianças e jovens. Desta forma, seria possível prever o desenrolar desta doença e evitar a cirurgia nos casos com menor risco de desenvolvimento da doença. No entanto, trata-se ainda de estudos preliminares.

O objetivo da campanha passa assim por “incentivar a realização do diagnóstico precoce, que permite a existência de um melhor acompanhamento e da adoção do melhor tratamento possível”, acrescenta.

A escoliose é a principal deformidade da coluna em crianças e adolescentes. É mais comum a partir dos 10 anos, o que corresponde a uma idade crítica de crescimento, sendo mais frequente no sexo feminino (8 em cada 10 casos dizem respeito a raparigas). Pode ter várias causas, mas na generalidade (70 a 80% dos casos) a causa não é conhecida, designando-se de escoliose idiopática.

Contrariamente ao que se pode pensar, esta doença, geralmente, não provoca dor. No entanto, provoca uma deformidade visível em forma de “S”, tendo um impacto devastador na autoestima dos afetados.

Pode afetar 2 a 3% das crianças e jovens, mas são menos de 1% os casos que necessitam de tratamento, que pode incluir, em casos menos graves, o uso de colete de correção ou, em casos mais graves, a cirurgia.

“O avanço tecnológico ao longo dos últimos anos permitiu alcançar uma elevada segurança e eficácia aquando da realização destas cirurgias e os resultados têm sido muito positivos”, conclui João Campagnolo.

 

Nota: 
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Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021
O projeto tem como base uma plataforma de síntese de novas moléculas com atividade anticancerígena, destacando-se a molécula ...

O projeto, liderado por Marta Costa, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, é o vencedor do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021, e consiste numa nova solução para os doentes oncológicos, sendo um tratamento menos agressivo e com o potencial de aumentar a taxa de sobrevivência destes doentes.

O tratamento baseia-se na molécula SM001, que tem um modo de ação inovador, diferente de todos os outros medicamentos atualmente em uso no cancro, e demonstrou uma atividade notável em cancros agressivos e com mau prognóstico, como o carcinoma de células renais (CCR).

A SM001, já testada em modelos animais, inibe a proliferação e a capacidade de invasão das células malignas, incluindo as resistentes à terapêutica, e induz a sua morte. Esta molécula reduz significativamente o tamanho dos tumores e os vasos sanguíneos que o suportam, apresentando um excelente perfil de segurança.

O CCR é o cancro mais letal do sistema urológico e é frequentemente diagnosticado em fases avançadas da doença. A mortalidade aos 5 anos [após o diagnóstico] é alta: 47% e 92% para os estádios III e IV, respetivamente. Os doentes com carcinoma de células renais apresentam baixas taxas de resposta à terapêutica, alta frequência de recidiva e resistência às terapias, o que reforça a necessidade de novas soluções terapêuticas. O CCR é ainda considerado uma doença rara, pelo que a SM001 pode ainda beneficiar das vantagens associadas à designação de “medicamento órfão”, tornando o processo de desenvolvimento do medicamento mais rápido.

O grupo de investigação da Universidade do Minho, que inclui as investigadoras Fátima Baltazar (Escola de Medicina) e Maria Fernanda Proença (Escola de Ciências), acredita ter descoberto uma molécula segura e eficaz, com um modo de ação inovador, que tem o potencial de aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes oncológicos.

O projeto vencedor vai receber um prémio monetário de 20 mil euros, que no futuro poderá ainda traduzir-se num investimento suplementar de 30 mil euros. O júri do Prémio, constituído por alguns dos melhores investigadores do país, destaca a sua originalidade, inovação e potencial criação de valor para a sociedade, razão pela qual lhe atribuiu o primeiro lugar entre os 13 projetos concorrentes.

A cerimónia de entrega do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021 realizou-se esta quarta-feira, dia 22 de junho, na Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra (UC).

 

Shaping the Future of Health
As oportunidades e os desafios do setor da Saúde em Portugal são discutidos em Shaping the Future of Health, uma iniciativa da...

Durante três dias, especialistas nacionais e estrangeiros das várias vertentes da Saúde reúnem-se para analisar, discutir e perspetivar o papel da transformação digital no setor, os desafios da nutrição e da medicina dentária, bem como a criação de valor nesta área.

As inscrições estão disponíveis em info.europeia.pt/shaping-future-health.

 

Cefaleias, feridas e lesões ostearticulares foram frequentes
No primeiro fim de semana de Rock in Rio, a Lusíadas Saúde, que assegura o serviço médico do Rock in Rio Lisboa, assistiu 353...

As cefaleias (relacionadas com a exposição solar e algum grau de desidratação), as feridas (decorrentes de quedas e calçado desadequado ao recinto) e as lesões osteoarticulares foram as ocorrências diagnosticadas mais frequentes.

A Equipa de coordenação clínica do Rock in Rio 2022 é constituída por profissionais de saúde do Hospital Lusíadas Lisboa: Sofia Lourenço, médica coordenadora da Unidade de Atendimento Urgente de adultos, Rui Dias, enfermeiro coordenador do Internamento Médico-Cirúrgico e Cirurgia de Ambulatório, e Bruno Matos, enfermeiro diretor. Um dos coordenadores da Lusíadas Saúde integra o Posto de Comando Tático do Rock in Rio.

Ao longo de todo o evento, o Hospital do Rock conta com a colaboração de cerca de 200 profissionais de saúde em representação de todas as unidades Lusíadas, de Norte a Sul do País. Estes profissionais integram as 11 Equipas distribuídas pelo Parque da Bela Vista e as infraestruturas de assistência fixas do dispositivo médico: um centro médico e um posto de saúde. Das 11 Equipas no terreno, oito incluem suporte básico de vida e três acautelam suporte avançado de vida. Contam ainda com o apoio de quatro ambulâncias que estão estrategicamente posicionadas para suportarem a ação das Equipas no terreno.

“Estes primeiros dois dias de evento decorreram com tranquilidade, tendo as ocorrências sido na sua maioria de baixa complexidade. Aproveitamos para uma vez mais relembrar algumas dicas básicas de prevenção e preparação para o próximo fim de semana, tais como não descurar os cuidados de hidratação e de proteção solar, e utilização de calçado adequado”, afirma Sofia Lourenço, Coordenadora do Serviço Médico do Rock in Rio 2022.

Entrevista - Dra. Carolina Camacho
Segundo os dados do Globocan, em 2020, foram diagnosticados, em Portugal, 561 novos casos de cancro

Embora seja pouco frequente, o cancro do ovário é, de entre as neoplasias que afetam as mulheres, a que apresenta a mais elevada taxa de mortalidade. Começo por isso por lhe perguntar, em que consiste a doença e como se classifica? Quais os subtipos mais frequentes?

O cancro do ovário engloba um conjunto heterogéneo de neoplasias malignas, com origem em diferentes tipos de células constituintes deste órgão do aparelho ginecológico. As células aberrantes, que se multiplicam de forma descontrolada, desenvolvem uma formação tumoral cujo potencial maligno é determinado pela capacidade de migrar por diferentes vias (hematogenica, linfática e transcelómica) e se propagar à distância (metastização). O cancro do ovário pode ainda referir-se a diferentes topografias:  ovário, trompas de Falópio ou peritoneu.

Existem diferentes tipos de classificação, existindo dois grandes grupos: tumores epiteliais e os não-epiteliais. Este segundo grupo refere-se a tipos histológicos heterogéneos, mais raros e associados frequentemente a mulheres mais jovens, que inclui: T. Células Germinativas e T Células dos Cordões Sexuais e do Estroma. Cerca de 90% são tumores epiteliais que se classificam em serosos, endometrioides, mucinosos, células claras, seromucinosos e de Brenner. Os subtipos mais frequentemente diagnosticados são o carcinoma seroso de alto grau e, em segundo, o carcinoma endometrioide do Ovário.

Qual a incidência do cancro do ovário e seu prognóstico?

O Cancro do Ovário representa a 9ª causa de tumor maligno (excluindo cancro de pele não melanoma) segundo dados apresentados pelo GLOBOCAN 2020, com uma taxa de incidência padronizada de 6,6/100.000 mulheres em todo o mundo. Relativamente às neoplasias malignas do tracto ginecológico, os tumores do cancro do ovário correspondem a cerca de 30%. Nas últimas décadas a taxa de incidência de cancro do ovário tem vindo a aumentar em especial nos países ocidentais. Permanece o tumor maligno de origem ginecológica com taxa de mortalidade mais elevada em todo o mundo com taxa de 4,2/100.000.

Existem fatores de risco associados? É verdade que, por exemplo, a utilização de contracetivos orais ou a amamentação pode prevenir o seu desenvolvimento?

As causas para o desenvolvimento do cancro do ovário não estão totalmente esclarecidas, sendo que envolve diferentes fatores como genéticos, reprodutivos e ambientais.

De todos os fatores de risco estudados os que reúnem maior robustez de evidência estão relacionados com a história familiar e a predisposição genética. A ocorrência de familiares de 1º e 2º grau com história de cancro do ovário e de mama, em especial em idades mais jovens, prediz risco pessoal acrescido que, apesar de ser difícil de quantificar, deve ser orientado a consulta de avaliação de risco familiar. As síndromes de cancro hereditário identificadas estão associadas a mutações genéticas como mutação BRCA no Síndrome hereditário de cancro de mama/ovário ou o Síndrome de Lynch.

Outros fatores que determinam o aumento de risco de desenvolver cancro do ovário ao longo da vida incluem o envelhecimento, a obesidade, idade de início de menstruação precoce e/ou menopausa tardia (relação de risco não totalmente esclarecido com o numero de ovulações ao longo da vida), uso de terapêuticas hormonais de substituição, a ausência de história pessoal de gravidez (nuliparidade), infertilidade, a endometriose, e ainda alterações genéticas hereditárias (linhagem germinativa) e história familiar de cancro do ovário.

Por outro lado, são hipóteses associadas a prevenção da carcinogénese do ovário o uso de contracetivos orais, a amamentação, a multiparidade e a laqueação tubar.

Como é que se relaciona a presença de uma mutação genética de BRCA com o diagnóstico do cancro do ovário?

Os genes BRCA são genes responsáveis por funções oncosupressoras. São genes que codificam proteínas que normalmente reparam danos ocorridos no ADN, no ciclo celular e na transcrição de outros genes. Se estes genes (BRCA1 e BRCA2) estiverem mutados não serão capazes de corrigir esses danos, e as anomalias perduram na multiplicação celular.  A presença de mutação BRCA aumenta a probabilidade de desenvolver cancro de ovário ao longo da vida de 25-50%, enquanto que o risco da população geral é de 1,4%.

Qual ou quais as faixas etárias mais atingidas pela doença?

Segundo os últimos dados nacionais disponíveis – RON 2018 – as faixas etárias mais atingidas com o diagnostico de cancro de ovário em Portugal situam-se em mulheres com idades entre os 60 e 84 anos, todas com taxas de incidência superiores a 10/100.000. Entre os 75-79 anos a taxa de incidência é a mais elevada com 17,29/100.000 mulheres. Para este pico de incidência relacionam-se mais frequentemente os carcinomas de tipo epitelial.

Por outro lado, os tumores do ovário que afetam faixas etárias mais jovens, entre 15-30 anos, são tumores de Células Germinativas, Células dos Cordões Sexuais ou do Estroma Gonadal.

Apesar de se tratar de uma doença frequentemente assintomática em estádios iniciais, a que sinais devemos estar atentos? Quais os principais sintomas?

Quando uma neoplasia do ovário de desenvolve pode não causar incómodos relevantes para a mulher, pelo que se diz estar assintomática. Com o seu desenvolvimento e crescimento pode vir a apresentar condições que devem servir de alerta, com a observação célere da mulher pelo medico assistente/ginecologista. Comumente são atribuídas outras causas aos incómodos ligeiros, desvalorizando a gravidade e essa observação é retardada.

Esse conjunto de sinais e sintomas incluem: aumento de volume abdominal (“barriga inchada”), sensação de enfartamento precoce, perda de peso não explicada, desconforto na área pélvica, fadiga ou cansaço, dor a nível lombar, alternância dos hábitos intestinais como obstipação, ou alteração do padrão de micção (“vontade de urinar mais vezes”, urgência miccional).  

Tendo em conta algumas das suas manifestações clínicas, com que outras patologias se pode confundir o cancro do ovário?

Perante o quadro clínico mais frequentemente observado, impõe-se o diagnóstico diferencial outras massas anexiais, sendo estas situações sobretudo benignas como quistos do ovário. Estes podem apresentar um crescimento local indolente e exuberante provocando alguns sintomas semelhantes ao crescimento de um tumor maligno. Outras situações benignas acometem alguns tumores (adenomas ou papilomas), abcesso pélvico, endometriose, doença pélvica inflamatória. Situações de tumor maligno que se podem confundir com o cancro do ovário são o carcinoma uterino, pâncreas, gástrico, do colon ou do apêndice, por exemplo.

Como é feito o seu diagnóstico? E qual a importância do diagnóstico precoce?

O diagnostico é geralmente realizado após o início dos sintomas acima descritos. O desenvolvimento de ascite leva ao aumento de volume abdominal, condiciona dor e sintomas compressivos dos órgãos adjacentes, e leva à procura ativa dos serviços de saúde, muitas vezes em ambiente de urgência hospitalar. Menos frequente também podem ser detetadas as alterações anexiais (quistos complexos e suspeitos) ao exame objetivo ou em exames de imagem, realizados por rotina ou por outros motivos clínicas.

Na avaliação inicial é realizada a colheita de história clínica completa e exame objetivo. Os exames complementares de diagnostico incluem a ecografia abdominal, a tomografia axial computorizada e por vezes, a ressonância pélvica. Outros exames podem ser requisitados de forma a excluir outra origem tumoral, principalmente em situações de doença avançada. A avaliação analítica avalia o atingimento funcional dos órgãos vitais e é complementada pela determinação serológica de marcadores tumorais (Ca 125 e ratio Ca125/CEA).

Dependendo da fase da doença ao diagnostico pode ser realizada biopsia de lesão tumoral (guiada por ecografia ou TC). A laparoscopia exploradora é uma possibilidade se necessário avaliar critérios de irressecabilidade, e nesse caso, é realizada colheita de tecido tumoral e iniciado tratamento de quimioterapia neoadjuvante. Se a avaliação determina uma neoplasia ressecável o diagnostico, o tipo de tumor é determinado com a cirurgia de cito-redução completa.

Como referido, a deteção precoce da lesão maligna do ovário (em exames de rotina, por exemplo) permite a remoção cirúrgica total do tumor com maiores probabilidades de cura. A taxa de sobrevivência aos 5 anos, quando a doença está confinada aos ovários é de 80-90%. Por outro lado, se a doença é determinada em fases avançadas, a taxa pode reduzir para cerca de 10-30% aos 5 anos.

Qual o padrão atual de tratamento de primeira linha?

A escolha do tratamento primário do cancro de ovário depende de fatores de prognostico incluindo a presença de critérios de irressecabilidade. Se considerada a abordagem cirúrgica inicial com cito-redução ótima, é geralmente proposto o tratamento adjuvante de quimioterapia com dupleto: carboplatino e paclitaxel, 6 ciclos, com intervalo de 3 semanas cada.

Em casos selecionados, e avaliados em sede multidisciplinar, pode ser proposta o tratamento primário de quimioterapia de modo a reduzir o tamanho e a extensão do tumor, aumentando a probabilidade de cito-redução máxima que constitui o mais forte fator de prognóstico no cancro do ovário. A menor extensão cirúrgica possibilita também uma menor morbi/mortalidade peri-operatória. Depois da cirurgia é retomada a quimioterapia completado o total de 6 ciclos (3 após a cirurgia).

Em matéria de prevenção, o que pode ser feito? Faz sentido a existência de um rastreio para o diagnóstico precoce?

Apesar da importância da deteção precoce do cancro do ovário e de reconhecermos que muitas vezes é uma patologia maligna silenciosa, não existem testes com especificidade e sensibilidade suficientes para serem implementados na população geral. Assim não existe nenhum exame de rastreio eficaz.

Os meios de prevenção também não são consensuais, mas relacionam-se com os fatores protetores como o uso de contracetivos orais, a paridade.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
29 de junho
Com a chegada do verão, a Academia Mamãs Sem Dúvidas vai organizar uma nova edição do “Especial Grávida” no dia 29 de junho,...

O primeiro tópico em destaque vai ser a alimentação da grávida e da recém-mamã no verão, com as explicações e conselhos da nutricionista Ana Rita Lebreiro, permitindo às participantes perceber quais os alimentos que devem dar preferência e os que devem evitar e porquê.

Os cuidados ao recém-nascido que nasce no verão e os benefícios terapêuticos das células estaminais são outras das temáticas da sessão, com o contributo da Enfermeira Cátia Costa, especialista em saúde materna e obstetrícia, e Maria Costa, formadora do laboratório de criopreservação BebéVida, respetivamente.

A participação na sessão é gratuita, embora a inscrição seja obrigatória no site da Mamãs Sem Dúvida, aqui.

Ao participar as grávidas ficam habilitadas a receber um cabaz de produtos no valor de mais de 350€ que contém: um intercomunicador Alecto; um estojo de higiene BébéConfort; um ninho Voski; um tapete atividades; e ainda um conjunto de peluches das Mascotes BebéVida. A vencedora será revelada no dia 30 de junho, no Instagram da Mamãs Sem Dúvidas.

Para saber mais sobre a Academia Mamãs Sem Dúvidas, conteúdos informativos ou eventos visite o website mamassemduvidas.pt .

 

 

 

Bolsa no valor de 35 mil euros
A Comissão de Avaliação do ‘Prémio Faz Ciência’, composta por cinco especialistas na área da Oncologia, já concluiu a difícil...

A iniciativa da Fundação AstraZeneca, que este ano celebra 20 anos, e da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), que distingue projetos de investigação nacionais na área da Oncologia desenvolvidos em Portugal, contou este ano com um número recorde de candidaturas: 26 no total. O vencedor irá receber uma bolsa no valor de 35 mil euros.

A cerimónia será também o primeiro ato público da Professora Maria do Céu Machado enquanto nova Presidente da Fundação AstraZeneca.

 

Opinião
O verão é sinónimo de férias e descontração, no entanto, o aumento da intensidade e exposição à radi

Em doses baixas, a radiação UV tem efeitos benéficos por conduzir à produção de vitamina D, essencial para a fixação de cálcio nos ossos, por exemplo. A exposição à luminosidade em espaços abertos tem efeitos preventivos na incidência e desenvolvimento da miopia. Contudo, a exposição direta e prolongada à radiação solar, incluindo a UV, tem efeitos nocivos tanto para a pele como para os olhos e anexos oculares.

A exposição à radiação UV está associada ao desenvolvimento de alterações oculares que dependem da duração e intensidade da exposição. A exposição curta e intensa pode causar foto queratite, pterígio, pinguécula.

A queratite é uma inflamação da córnea, normalmente aguda quando causada pela radiação UV, que pode ser acompanhada de alguma hiperémia conjuntival, vulgo olho vermelho.

A pinguécula e o pterígio são alterações da conjuntiva bulbar, sito na parte branca externa e visível a olho nu do globo ocular, de cor amarelada que podem estar vascularizadas, apresentando crescimento e comprometendo a visão, ou podem ser avascularizadas, sem crescimento nem envolvimento da córnea e da visão, para além do aspeto estético, não necessitando de tratamento. No caso do pterígio, é tratável através de procedimento cirúrgico.

A exposição prolongada à radiação UV está associada ao desenvolvimento de catarata e degeneração macular. A catarata é o nome dado à condição ocular caraterizada pela apresentação de opacidades no cristalino, a lente que está por detrás da pupila. A degeneração macular é uma alteração degenerativa da retina afetando a mácula, zona da retina com um poder de resolução de imagem mais elevado. Ambas as condições são causa de cegueira, sendo que a catarata tem tratamento cirúrgico simples e eficaz. A degeneração macular, dependendo do tipo, ou tem tratamento para atrasar a progressão ou pode não ser tratável de todo, comprometendo significativamente a visão em ambos os casos. Portanto, proteger os olhos é essencial, devendo esta prática ter início na infância.

Uma das formas mais comuns de proteger os olhos da radiação ultravioleta é a utilização de óculos de sol, no entanto, há certos requisitos que os mesmos devem ter, tais como: bloquear entre 99 a 100 % da radiação UVA e UVB; filtrar entre 75 a 90 % da luz; não ter qualquer distorção ou imperfeição; e ter lentes que permitam um reconhecimento de cor apropriado. De notar que o nível de filtragem da luz não tem qualquer relação com a filtragem de radiação invisível ao olho humano, como é o caso da radiação UV. Por este motivo, é essencial o aconselhamento e apoio técnico na avaliação do que as lentes possam conter, os filtros pretendidos, o nível de escurecimento adequado à situação pretendida, entre outras especificações técnicas como a resistência física e química. Recorde-se de que um óculo de sol é equipamento de proteção individual e que deve cumprir normas de qualidade, como garantia de segurança e eficácia para a sua função.

Além disso, há outras formas de proteger a saúde da visão, como a utilização de um chapéu de sol com abas largas; utilização de óculos de sol mesmo quando se usam lentes de contacto com proteção UV; evitar a luz solar nos períodos do dia maior intensidade solar; e consultar anualmente o optometrista é fundamental.

A Organização Mundial de Saúde lança o SunSmart Global UV App para IOs e Android para sensibilizar e ajudar a proteger dos perigos da radiação solar, em particular a pele e os olhos. A aplicação indica o nível do Índice UV para os próximos 5 dias, de um até onze. A partir de um valor de três, as atividades ao ar livre devem ser adaptadas à necessidade de proteção dos olhos e da pele.

Estes hábitos e práticas promovem a saúde da visão e previnem deficiência visual e cegueira. Devem ser implementados durante todo o ano, com principal atenção durante a época do verão, no caso de Portugal. Nesta altura, tenha cuidados redobrados com os seus olhos.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Com o objetivo de rastrear e informar a comunidade
A DaVita Rio Maior, recentemente a funcionar neste município, vai marcar presença na Festa da Saúde de Rio Maior, uma...

“A participação da DaVita consiste na realização de testes à glicémia, na avaliação da tensão arterial e na consciencialização da comunidade para a doença renal crónica. Estamos focados em disponibilizar tratamentos de alta qualidade, com tecnologia inovadora aos doentes do município, mas consideramos também muito importante fazer um trabalho de literacia para a saúde junto da população, explicando o que é a doença renal e quais as suas formas de prevenção”, afirma Paulo Dinis, diretor-geral da DaVita Portugal.

E continua: “A DaVita Rio Maior é recente no município. Está a funcionar desde o passado dia 23 de março, como resposta a uma necessidade que era premente, uma vez que o concelho não dispunha, até à data, de nenhuma infraestrutura para a realização de hemodiálise, tendo os doentes de se deslocar para instalações fora do município. O projeto foi desenvolvido em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior.”

A DaVita Rio Maior tem capacidade para dar assistência a um total de 84 doentes por semana, distribuídos por seis turnos de tratamento, e, tal como todas as clínicas do grupo, está equipada com tecnologia inovadora. Com a abertura desta unidade foram também criados 14 postos de trabalho.

A doença renal crónica é provocada pela deterioração lenta e irreversível da função renal. Como consequência, existe retenção no sangue de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, resultando na acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). Nas fases mais avançadas as pessoas com esta doença necessitam de realizar regularmente um tratamento de substituição da função renal que poderá ser a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal.

 

 

 

 

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