Estudo
As pessoas vacinadas que foram infetadas pelas primeiras subvariantes Ómicron têm uma proteção quatro vezes superior do que à...

O estudo agora publicado foi liderado por Luís Graça, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) e professor catedrático da Faculdade de Medicina da ULisboa, e por Manuel Carmo Gomes, professor associado com agregação da Ciências ULisboa. Ambos os investigadores integram a Comissão Técnica de Vacinação contra a COVID-19 (CTVC) da Direção Geral de Saúde (DGS).

Este é um dos primeiros estudos a nível mundial que analisa, em pessoas vacinadas, a probabilidade de se infetarem com a subvariante atualmente em circulação, estimando o grau de proteção conferido por infeções com variantes anteriores e utilizando dados do mundo real.

“As pessoas vacinadas que foram infetadas pelas subvariantes Ómicron BA.1 e BA.2 têm uma proteção contra a infeção com a subvariante BA.5, em circulação desde Junho, cerca de quatro vezes superior a pessoas vacinadas que não foram infetadas em nenhuma ocasião”, começa por explicar Luís Graça, colíder do estudo. “As infeções em 2020 e 2021, que ocorreram pela infeção com variantes anteriores do vírus SARS-CoV-2 (linhagem ancestral, variante Alfa e Delta) também conferem proteção contra a infeção para a variante Ómicron mais recente, embora essa proteção não seja tão elevada quanto a dos indivíduos infetados com as variantes BA.1 e BA.2, no início de 2022”, reforça Luís Graça.

“Estes resultados são muito importantes porque as vacinas adaptadas que estão em que estão em desenvolvimento clínico e avaliação, são baseadas na subvariante BA.1, que foi dominante em janeiro e fevereiro de 2022. Até agora, não se sabia qual o grau de proteção que esta subvariante conferia contra a subvariante que está neste momento em circulação. Estes resultados mostram que a proteção é muito significativa e permitem antecipar o benefício das vacinas adaptadas”, acrescenta Luís Graça sobre a relevância do estudo.

“Na realização deste estudo usámos o registo nacional de casos de COVID-19 para obter a informação de todos os casos de infeções por SARS-CoV-2 na população com mais de 12 anos residente em Portugal. A variante do vírus de cada infeção foi determinada tendo em conta a data da infeção e a variante dominante nessa altura. Considerámos as infeções causadas pelas primeiras variantes de Ómicron BA.1 e BA.2 em conjunto”, explica Manuel Carmo Gomes.

“Com estes dados, analisámos a probabilidade de uma pessoa voltar a ser infetada pela variante atual, o que nos permitiu calcular a percentagem de proteção conferida pelas infeções prévias”, explica João Malato, estudante de doutoramento do grupo de Luís Graça e primeiro autor do estudo.

“Este estudo demonstra, no período analisado, que a infeção prévia em pessoas vacinadas (a chamada imunidade híbrida) continua a conferir proteção para variantes que são conhecidas pela capacidade de evadir a resposta imunitária, como a atualmente dominante”, salienta Válter Fonseca, coautor deste estudo e coordenador da CTVC da DGS.

Setembro, Mês de consciencialização para a Síndrome do Ovário Poliquístico
A Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP) é uma doença que afeta 10 a 15% das mulheres e pode provocar

De acordo com a médica, que se dedica à medicina da reprodução no IVI Lisboa, um diagnóstico precoce e um acompanhamento médico especializado e multidisciplinar são fundamentais para as mulheres que pensam engravidar, uma vez que esse acompanhamento pode ajudar a escolher o tratamento mais adequado para facilitar uma gravidez e prevenir complicações no estado de saúde da mãe e do bebé que está a ser gerado.

A Síndrome do Ovário Poliquístico é mais comum nas mulheres obesas ou com excesso de peso. Apesar de a doença não ter cura, pode ser tratada e controlada.  Catarina Godinho explica que a SOP é o resultado de “um conjunto de sinais e sintomas causados por um desequilíbrio hormonal dos ovários, que pode ser ligeiro ou grave, causando, por exemplo, irregularidade dos ciclos menstruais, crescimento de pelos em zonas mais comuns nos homens, aparecimento de acne entre outras alterações hormonais”.

Não engravide sem falar com o médico!

Quando uma mulher com SOP pretende engravidar deve falar previamente com o seu médico ginecologista. No caso de a mulher ter excesso de peso, o primeiro passo é perder peso. Se não pretender engravidar é recomendado o uso da pílula anticoncecional para que os ciclos menstruais sejam mais regulares. A médica acrescenta que, no caso de existir resistência à insulina associada a esta síndrome “é importante controlar o nível de açúcar no sangue com uma dieta específica e ou com alguma medicação, uma vez que este desequilíbrio pode originar mais tarde a diabetes”.

Para além do controlo do peso pode ser necessário induzir a ovulação recorrendo a alguns medicamentos que estimulem o crescimento do folículo até à ovulação e que requerem controlo ecográfico. “Se após algumas tentativas de indução de ovulação não acontecer a desejada gravidez, ou se não se conseguir uma resposta ovárica adequada, pode haver necessidade de recorrer à fertilização in vitro onde é possível aumentar a probabilidade de uma gravidez e avaliar a qualidade dos óvulos e embriões”, sublinha a médica ginecologista.

Embora as mulheres com SOP, quando engravidam, tenham um risco aumentado de hipertensão arterial e de diabetes, “se seguirem as recomendações médicas a probabilidade de a gravidez ser bem-sucedida é elevada”, garante a médica ginecologista.

O diagnóstico depende de critérios médicos específicos que incluem sintomas, ecografia e análises. Segundo Catarina Godinho, “para o diagnóstico deve ser tido em conta os antecedentes pessoais relevantes como diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, aumento de peso e obesidade; deve ser feita uma avaliação dos níveis hormonais de androgénios (hormonas masculinas) e resistência à insulina”. Adicionalmente é feita uma ecografia ginecológica transvaginal para avaliar a dimensão e as características dos ovários.

Perguntas e Respostas sobre SOP

Quais os sinais e sintomas mais comuns?

As mulheres com (SOP) apresentam geralmente um desequilíbrio hormonal (alterações nos ciclos menstruais, crescimento de pelos, acne, aumento de peso, etc.). As primeiras alterações surgem na puberdade.

Qual a diferença entre a Síndrome do Ovário Poliquístico e quistos nos ovários?

As mulheres com SOP têm múltiplos folículos de pequeno tamanho (quistos) na periferia dos ovários. É este número anormal de folículos que levam ao desequilíbrio hormonal. Os quistos nos ovários são bolsas de líquido que se desenvolvem nos ovários em cada período menstrual. São comuns e geralmente são benignos e não causam dor.

Como é que se diagnostica a SOP?

O diagnóstico da doença é feito por ecografia ginecológica transvaginal, aliado a exames de sangue, historial clínico e avaliação dos sintomas que a mulher apresenta.

Como é feito o tratamento?

Não havendo uma cura, é recomendado um estilo de vida saudável, com uma dieta equilibrada e atividade física, como forma de controlar o peso e prevenir doenças cardiovasculares e diabetes. O exercício físico pode ajudar a regular os ciclos menstruais. Cabe ao médico decidir, em cada caso, a prescrição de medicamentos.

Não estou a pensar engravidar. Mesmo assim devo ser acompanhada?

Sim, mesmo que a mulher não esteja a pensar em engravidar a doença deve ser diagnosticada e vigiada por um médico. As mulheres com SOP têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares e também maior prevalência de cancro do endométrio em idade precoce.

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Congresso marca a comemoração 25+2 anos da APCP
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) organiza entre os dias 22 e 24 de setembro, na Faculdade de Medicina...

“Cuidar o nosso Legado” é o lema deste congresso, que marca a comemoração dos 25+2 anos da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos que, por força da pandemia, viu adiada em dois anos a comemoração deste importante marco na existência da APCP. No âmbito do aniversário da associação, será feita uma homenagem ao seu primeiro presidente, Prof. Doutor José Ferraz Gonçalves e dinamizar-se-á uma sessão com os presidentes da APCP, na qual estes partilharão as suas reflexões quanto ao desenvolvimento dos cuidados paliativos no nosso país, contributo da APCP e desafios para o futuro.

Ao longo dos três dias de congresso, debater-se-ão os desafios que os cuidados paliativos em Portugal estão a enfrentar como a clarificação de conceitos, a reflexão em torno de uma intervenção precoce ou atempada, a integração de cuidados paliativos noutras áreas de cuidados dentro do sistema nacional de saúde, o reconhecimento dos cuidados paliativos como uma área de especialidade médica e de enfermagem, entre outros. Destaca-se ainda a apresentação, análise e reflexão, bem como a assinatura da “Declaração Europeia Cuidados Paliativos 2020, que é baseada nas recomendações para o desenvolvimento de políticas de saúde resultantes da evidência produzida por dois projetos europeus (IMPACT e Euro-IMPACT).

O Dia Internacional do Congresso será um dos pontos altos do congresso. Este dia conta com a presença de doze convidados internacionais oriundos de oito países europeus (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Irlanda, Itália, Noruega e Reino Unido). Estes convidados são de reconhecido mérito internacional em cuidados paliativos e partilharão a sua experiência e saber em várias áreas temáticas. Para concretizar este dia internacional, a APCP contou com o apoio da European Association for Palliative Care (EAPC).

Ainda no âmbito do X Congresso Nacional de Cuidados Paliativos e do I Congresso Internacional da APCP, serão atribuídos os Prémios de Investigador Júnior e Investigador Clínico da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, que foram criados com o intuito de enaltecer o trabalho de investigadores juniores e investigadores clínicos de cuidados paliativos em Portugal, reconhecendo, dessa forma, a importância da investigação como parte integrante e essencial do desenvolvimento de cuidados paliativos.

As inscrições encontram-se abertas até ao próximo dia 16 de Setembro no link: https://bit.ly/3AnpzCx.

A importância de sensibilizar
A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença neuromuscular hereditária rara que resulta na diminuição gr

Considerada a principal causa de morte de origem genética, estima-se que a Atrofia Muscular Espinhal afete 1 em 10 mil nados vivos. De acordo com o médico neurologista, Miguel Oliveira Santos, a Atrofia Muscular Espinhal (AME) “é uma doença genética causada por deleções e/ou mutações pontuais no gene SMN1. Para que seja transmitida, o erro genético terá que ser herdado de ambos os progenitores, ou poderá surgir espontaneamente de novo no embrião”. “Fraqueza muscular, podendo envolver os músculos da fala, deglutição, respiração e/ou dos membros superiores e inferiores”, constam das principais manifestações físicas, no entanto, o especialista chama a atenção para o facto de que a “gravidade das manifestações é tanto maior quanto mais precoce for a idade de início da doença”.

Segundo o especialista a AME pode ser classificada em quatro tipos, consoante as características e idade do diagnóstico: do tipo 1 (0-6 meses), 2 (7-18 meses), 3 (>18 meses) e 4 (adultos). “O tipo 1 são formas mais graves – bebés hipotónicos (“moles”), com dificuldade na sucção, deglutição, respiração. Tem elevada taxa de mortalidade nos primeiros 2 anos de vida”, adianta revelando que os tipos 3 e 4 são os mais indolentes. “Os doentes do tipo 3 podem perder a marcha algures no decurso da evolução da doença (tornam-se dependentes de cadeira de rodas), enquanto os tipo 4 têm essencialmente alguma dificuldade para andar, mas sem perda de marcha. Têm sobrevida praticamente igual à da população geral dita saudável”, explica.

“As complicações da doença advém sobretudo do atingimento respiratório, sendo o prognóstico mais reservado nas formas tipo 1 e sucessivamente melhor até ao tipo 3 e 4, onde a esperança média de vida não difere da população dita saudável”, acrescenta adiantando que a confirmação da doença deve passar por um estudo genético.

Muito embora, se trate de uma doença rara, explica o médico que quanto mais cedo for referenciada junto de Centros dedicados à consulta de doenças neuromusculares maiores são hipóteses de melhorar a qualidade de vida destes doentes. Deste modo, sublinha: “sintomas como dificuldade a falar, engolir, atraso na aquisição de etapas do desenvolvimento, dificuldade em andar, subir/descer escadas, levantar de uma cadeira ou do solo sem apoio, devem levar a rápida referenciação a consulta de neurologia, nomeadamente neuromusculares, para uma rápida abordagem diagnóstica e terapêutica”.

Atualmente, existem dois tratamentos aprovados em Portugal com indicações específicas mediante as formas clínicas de AME. “Um dos tratamentos tem por base a “correção genética” de um gene semelhante ao SMN1, designado por SMN2. Isto promove o aumento da proteína SMN2 e, desse modo, uma melhoria ou estabilidade da doença. Outro tratamento consiste num vetor viral que irá corrigir a alteração genética precisamente no genoma humano, mas esse só é passível para as formas tipo 1 da doença”, explica o neurologista.

«A palavra de ordem dessa nossa vida é: adaptação constante»

Ana Isabel Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares, sofre de Atrofia Muscular Espinhal do tipo 2, dando voz aos jovens adultos que convivem com a doença.

“Viver com a doença é viver naturalmente… eu não me lembro de não ter a doença”, começa por contar explicando que foi diagnosticada com AME aos 16 meses de idade. “Tive marcha até perto dos 10 ou 11 anos, mas não era uma marcha muito normal, sempre apoiada com canadianas”, até que aos 12, e após uma cirurgia à coluna para tratar uma escoliose que desenvolveu ao longo dos anos, ficou dependente de uma cadeira de rodas. Um momento muito impactante porque, diz, viu “liberdade” por poder gozar de alguma autonomia. “A minha família não viu dessa forma com certeza”, comenta.

Tratando-se de uma doença progressiva, Ana Isabel Gonçalves, desde cedo aprendeu que é fundamental focar-se no presente. “Saber o que eu consigo fazer hoje, usá-lo a meu favor e não pensar muito naquilo que eu posso ou não vir a deixar de fazer”, afirma.

De qualquer forma, admite que não é fácil conviver com esta doença. “Toda a gestão que preciso fazer, seja a nível familiar, seja de apoio para os banhos, para me deitar, para me levantar, para preparar o almoço ou o jantar, para ajudar nas deslocações, as idas à casa de banho, portanto, tudo aquilo que nós fazemos, de manhã à noite, até nos deitarmos e, às vezes, até durante a noite, exige estar connosco uma terceira pessoa”, revela, o que pode se encarado pelo próprio doente como um fardo a causar no outro. “A nível emocional há fases que não são fáceis…”, lamenta dando como exemplo, o facto de, para poder continuar a estudar, a mãe ter de a acompanhar na deslocação para uma grande cidade. “Eu saio de uma pequena vila e vou para o Porto estudar. A minha mãe veio comigo, na altura, porque não havia serviços para nos apoiar, não havia assistentes sociais, residências que fossem suficientemente acessíveis e, portanto, eu sozinha não fazia nada”, recorda. “E levar a minha mãe e deixar duas irmãs adolescentes mais novas é algo que nós carregamos durante o nosso percurso. São as necessidades que nos são impostas e às quais temos de dar resposta, e é por isso que a adaptação é constante. Não é fácil, mas a palavra de ordem desta nossa vida é: adaptação constante”, sublinha.

Assim, ainda no que diz respeito ainda às dificuldades, Ana Isabel Gonçalves, admite que viver com AME é quase como que viver entre a espada e a parede por não saber o que vai acontecer. “Temos de olhar para nós e aproveitar o dia de hoje com a maior leveza que conseguirmos”, aconselha.

“Eu tenho especial cuidado com a gestão do cansaço”, revela quantos aos cuidados diários. “Porque é esse cansaço em demasia que me pode prejudicar. Tenho a minha logística pensada quase de semana a semana para que o meu cansaço não ultrapasse determinados limites”, revela.

Tratando-se esta de uma doença que exige bastantes cuidados, a presidente da APN, reforça a importância da existência de equipas multidisciplinares nos hospitais para acompanhar estes doentes.

“É preciso termos cuidado com a alimentação, não podemos esquecer que estamos a falar de doenças que afetam a força muscular, portanto existe a perda de força musculas de forma progressiva”, comenta. “Tudo em nós em músculo”, portanto, explica que o doente com AME tem de ter particular cuidado com o sistema respiratório, com o sistema gastrointestinal, “com a forma como a nossa mastigação é feita, se a estamos a conseguir fazer ou não”.

   
Ana Isabel Gonçalves, presidente a APN    

Sensibilizar para a doença é assim vital. “Pretendemos trazer ao conhecimento da sociedade, na primeira pessoa, as diferente necessidades e dificuldades que o jovem adulto que tem a doença sente”, explica referindo-se à campanha de sensibilização para a AME que decorreu ao longo deste mês de agosto.

Ana Isabel Gonçalves alerta ainda que, apesar de existirem alguns apoios a que podem recorrer estes não são pensados especificamente para esta doença e que o processo burocrático não acompanha a urgência na atribuição dos mesmos.

“Existem diversos apoios que não são específicos à AME, mas são tidos em conta para as pessoas com deficiência, no quais nós nos podemos enquadrar. Seja a nível dos produtos de apoio, de apoio para a formação e frequência do trabalho, neste último caso apoio aos empregadores, portanto, há aqui uma série de apoios que existem efetivamente a nível social para que a pessoa se torne mais ativa”, explica. Não obstante, há muito ainda para mudar.

“No caso dos produtos de apoio, na AME no jovem adulto, que é o foco desta campanha, nós não podemos permitir enquanto instituição, não podemos compactuar enquanto sociedade civil com o facto de um doente necessitar de cadeira de rodas elétrica, todo esse direito estar contemplado na legislação, e ter de esperar dois anos para que esse pedido tenha um sinal verde. Toda esta burocracia de submissão de pedidos, avaliação dos produtos, pedidos de orçamento, isso faz tudo parte do processo, mas a segurança social não pode demorar dois anos a dar uma resposta, sobretudo porque a doença é progressiva e quando eu tenho a resposta provavelmente aquilo que eu avaliei já não vai estar adaptado às minhas necessidades.  Para além de que isto traz ansiedade à pessoa, traz uma angústia, à família também. É sempre uma pressão que está a acontecer porque a necessidade existe e se ela existe tem de ser colmatada rapidamente. E esta morosidade na resposta aos produtos de apoio é algo que, neste momento, os doentes com AME estão a viver”, revela.

Por outro lado, sublinha que “é preciso que o empregador tenha consciência de que não deve dar trabalho às pessoas com deficiência, e aqui aos doentes neuromusculares que têm de gerir o seu cansaço diário, para cumprir quotas. Têm de dar valor, mais valia daquilo que vai acrescentar à empresa e tem de respeitar as necessidades daquelas pessoas”.

“Eu não consigo cumprir um dia de trabalho, de oito horas, porque eu vou terminar a semana exausta. Eu tenho de gerir a questão da valorização pessoal no trabalho, mas também tenho de conseguir gerir o meu cansaço que é isso que me vai permitir ter qualidade de vida. Porque quanto mais me cansar mais rapidamente deixarei de fazer algumas coisas por perder as capacidades que tenho ou acelerar um bocadinho a evolução da doença por gestão de cansaço”, dá como exemplo.

“Há outras coisas que devem mudar: o acesso à fisioterapia, nós temos de olhar para os serviços e perceber que não estão de todo adaptados à realidade das doenças neuromusculares, à realidade da AME. Nós precisamos que o fisioterapeuta esteja connosco durante aqueles 50 minutos, a trabalhar constantemente connosco, e não a trabalhar connosco e com mais cinco ou seis pessoas na mesma hora. Isto acontece muito nos serviços convencionados. Depois nós temos também de ter uma fisioterapia regular, não podemos ter períodos de 20 sessões durante um mês e só depois é que temos acesso a nova credencial para outra série de sessões. A nossa fisioterapia deve ser regular, constante, e dedicada em tempo e qualidade”, salienta ainda.

Neste contexto, a existência da Associação Portuguesa de Neuromusculares é fundamental. “Primeiro porque temos um papel de sensibilização da sociedade. Depois porque dentro do mundo institucional, tentamos proporcionar aos nossos associados o que sabemos que é importante que estes tenham no dia-a-dia e que nos outros serviços têm maior dificuldade de acesso, ou às vezes não existem”, explica adiantando que a APN dispõe de uma equipa multidisciplinar constituída por fisioterapeutas, terapia ocupacional, serviço social, psicologia, dispondo ainda de um centro de apoio.

“E temos outro papel fundamental que é o de chegar às entidades decisoras, entidades de topo que tomam decisões essenciais que podem ser fundamentais para a qualidade de vida das pessoas com doenças neuromusculares. Temos o papel de negociação, discussão, intervenção e também de sensibilização para a AME e doenças neuromusculares na sua generalidade”, conclui.

Nota: 
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Posição da Federação Europeia de Medicina Interna
A Federação Europeia de Medicina (EFIM) Interna divulgou hoje um documento com a posição sobre a responsabilidade dos médicos...

Luís Campos, Ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Presidente da Comissão de Qualidade dos Cuidados e Assuntos Profissionais da EFIM, é o primeiro subscritor deste documento.

Os autores advertem que os dados atuais sobre as alterações climáticas e a degradação ambiental são dramáticos. “As consequências destas alterações já estão a ter um impacto significativo na saúde das pessoas. Os médicos - como defensores dos doentes, mas também como cidadãos - têm a obrigação ética de se envolverem nos esforços para travar estas mudanças” afirma Luís Campos.

A Federação Europeia de Medicina Interna (EFIM) encoraja fortemente as sociedades de Medicina Interna e os internistas de toda a Europa a desempenharem um papel ativo em assuntos relacionados com as alterações climáticas e a degradação ambiental.

A nível nacional, isto inclui a defesa da adoção de medidas que reduzam as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e a degradação ambiental e, contribuam para as decisões políticas relacionadas com estas questões. A nível hospitalar e na prática clínica, é vital apoiar as ações do setor da saúde para reduzir a sua pegada ecológica.

A EFIM e as sociedades internas associadas, defendem a promoção de atividades educativas e o desenvolvimento de um conjunto de ferramentas para preparar os internistas para melhor cuidar dos cidadãos que sofrem as consequências das alterações climáticas.

Para além de defender e implementar ações eficazes para reduzir a pegada ecológica da indústria da saúde, recomenda ainda a introdução destes temas em programas científicos de reuniões e congressos de Medicina Interna e na formação médica de pré e pós-graduação.

A nível pessoal, os internistas devem ser agentes ativos na defesa de práticas sustentáveis para o ambiente, aumentando a consciência da comunidade sobre os riscos para a saúde das alterações climáticas e da degradação ambiental, e devem ser modelos na adoção de comportamentos amigos do ambiente.

A Federação Europeia de Medicina Interna compreende 36 sociedades nacionais de 34 países membros e representa mais de 50.000 internistas na Europa e no Médio Oriente.

Consulte o artigo em - https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0953620522002734?dgcid=author

 

Projeto de investigação pretende melhorar a vida dos pacientes com síndrome de angelman
Os investigadores Simão da Rocha e Evguenia Bekman, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa foram os grandes...

Das 15 propostas apresentadas inicialmente a concurso, de várias nacionalidades, três portugueses foram selecionados para ir à final e Simão da Rocha foi o português vencedor bolsa de 175 mil euros atribuída pela ASA.

Este projeto pretende explorar a disfunção do cerebelo, uma região específica do cérebro, e a possibilidade da sua influência significativa nos sintomas de coordenação motora dos pacientes com síndrome de Angelman. Para isso, serãp criados mini-cerebelos em laboratório usando células estaminais pluripotentes de pacientes e de controlos geneticamente semelhantes, para identificar os problemas neuronais subjacentes a estes sintomas. Este modelo de cerebelo facilitará a descoberta de novos fármacos que visam melhorar a qualidade de vida dos pacientes com síndrome de Angelman.

O projeto de investigação vencedor tem três anos para ser trabalhado.

Após ter sido o vencedor da bolsa de investigação no valor de 175 mil euros atribuída e financiada pela ASA, Simão da Rocha, Investigador Principal no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, será um dos oradores da 7ª Conferência Científica Internacional da Síndrome de Angelman, em Viena, entre os dias 15 e 17 de setembro.

Este congresso bianual é organizado pela Angelman Syndrome Alliance (ASA), organização que tem como objetivo fomentar avanços no conhecimento científico sobre a Síndrome de Angelman.

A ASA organizou a primeira conferência científica em 2012 e desde então já atribuiu mais de 1.000.000€ em bolsas de investigação. O seu grande objetivo é alcançar avanços no conhecimento científico desta doença desconhecida, através da atribuição de bolsas de investigação e da organização de conferências científicas bianuais.

Também a ANGEL tem tido um forte contributo nesta área, sendo que desde 2016 atribuiu bolsas terapêuticas que apoiaram 31 familiares ou pessoas que têm Síndrome de Angelman e permitiu também ajudar 21 cuidadores.

Iniciativa da UC e AIBILI
No dia 16 de setembro, a Universidade de Coimbra (UC) e a Associação para Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem ...

A iniciativa foi criada para cumprir três objetivos centrais: dinamizar a troca de boas práticas entre investigadores e o tecido empresarial regional; promover tecnologias, produtos e serviços inovadores; e estimular o estabelecimento de novas parcerias estratégicas na Região Centro, na área da saúde.

O certame vai contar com a exposição de tecnologias, produtos e serviços inovadores, e também com duas mesas redondas. Em discussão vão estar os temas “De Big Data a Good Data: Desenvolvimento de Modelos Clínicos Confiáveis de IA" e “Medicina Personalizada: Desafios da Cadeia de Valor”.

A iniciativa decorre no âmbito das atividades do consórcio INOVC+: Ecossistema de Inovação Inteligente da Região Centro, liderado pela Universidade de Coimbra, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

As inscrições na iniciativa são gratuitas e decorrem até 14 de setembro, em www.uc.pt/ucbusiness/inovacao-em-saude/inscricao-evento/.

A chamada para apresentação de tecnologias na mostra está aberta também até ao dia 14 de setembro, em www.uc.pt/ucbusiness/inovacao-em-saude/inscricao-mostra/.

 

Recolha de sangue
2022 assinala a 20.ª edição de Recolha de Sangue nos shoppings da Mundicenter, que este ano tem o mote “Braços dados por uma...

Entre as 10h e as 19h, a população é convidada a fazer a diferença e a dirigir-se a estes shoppings num ato de generosidade e solidariedade, num espaço onde todas as contribuições são importantes e ajudam a salvar vidas. Para participar, as pessoas deverão ter idades compreendidas entre os 18 e 65 anos, peso superior a 50 Kg e hábitos de vida saudável.

Sabendo que os shoppings são locais cuja proximidade com a população permite sensibilizar aqueles que passam diariamente nestes espaços a poderem tornar-se dadores de sangue, o Grupo Mundicenter e o IPST voltam a unir forças numa iniciativa solidária que pretende alertar as pessoas para a importância das reservas de sangue e da saúde e, desta forma, contribuir para um bem maior para a sociedade.

 

Com chancela digital da editora Ponteditora
A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), em parceria com a agência de comunicação ‘Miligrama – Comunicação em Saúde...

Intitulado “A Literacia em Saúde e os Jovens”, o livro digital, apresenta-se como uma ferramenta de promoção e reflexão acerca de desafios e estratégias para aumentar a literacia em saúde dos jovens portugueses, especificamente na sua relação com o acesso, compreensão e uso dos recursos de saúde.

“Este e-book reúne um conjunto vasto de especialistas que debateram várias alternativas, intervenções e reflexões direcionadas aos jovens. É útil para o segmento a quem se dirige, os jovens, como material académico de partilha nas Universidades, mas também para os pais, para outros educadores, para os que legislam”, refere a Presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, Cristina Vaz de Almeida.

Com chancela digital da editora Ponteditora, e design ‘Miligrama – Comunicação em Saúde’, o e-book, com coordenação de Cristina Vaz de Almeida, [Vaz de Almeida, C. (2022). Os Jovens e a literacia em saúde. Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. Miligrama. ISBN 978-989-99820-8-6], materializa-se no seguimento do webinar “Os Jovens e a Literacia em Saúde: Que Desafios?”, realizado a 16 de maio, no âmbito da European Public Health Week 2022 (Semana Europeia da Saúde Pública), que decorreu de 16 a 20 de maio.

“A saúde dos jovens é uma saúde que deve ter em conta o perfil destas gerações Millenial, Gen.Z e Alpha para enquadrar os jovens dos 12 aos 25 anos. São gerações que nasceram dentro do mundo plenamente digital, navegam muito facilmente, acedem facilmente, mas têm questões e problemas relacionados com a seleção, triagem, reconhecimento de fontes credíveis. Esta realidade é trazida à colação neste e-book, agora lançado. Devemos reconhecer os perfis destes públicos para depois avançarmos para estratégias e políticas, e, por isso, a Literacia em saúde é fundamental”, frisa ainda a responsável.

“O trabalho em parceria resulta sempre melhor. Em boa hora associamo-nos à ‘Miligrama – Comunicação em Saúde’ para este projeto e a especialistas em literacia em saúde e interessados na temática. Concentramos, assim, neste e-book, muitas pistas válidas e sólidas que nos apresentam esta geração de pessoas mais novas e a sua relação com a saúde”, completa ainda a especialista em literacia em Saúde Cristina Vaz de Almeida.

Por sua vez, Eduardo Leite, presidente da Ponteditora, refere que a sinergia estabelecida, com a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, na promoção do E-Book, visa promover mais conhecimento em Literacia em Saúde no país.

“A Ponteditora tem por missão a produção e difusão de investigação técnica e científica em língua portuguesa. Para o efeito, edita em formato de revistas, jornais, livros, entre outras publicações impressas e em linha. É neste âmbito que surge a parceria entre a SPLS e a Ponteditora, no sentido de divulgar conhecimento numa área de significativa importância para a sociedade como é a literacia em saúde”, afirma o responsável.

Patrícia Martins, enfermeira e vice-presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde; Diogo Franco Santos, médico de Medicina Geral e Familiar do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Central e sócio da SPLS, ambos especialistas em literacia em saúde, e Paula Taborda, enfermeira do USCP de Alcochete, encabeçam alguns dos profissionais de saúde e investigadores portugueses que participam no e-book.

O livro digital encontrar-se-á disponível no site da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde www.splsportugal.pt e no site da Ponteeditora em https://ponteditora.org/loja/.

Estrutura sindical não se mostra surpreendida
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros – SE, Pedro Costa considera que a demissão de Marta Temido de Ministra da Saúde “deve...

Pedro Costa não se mostra surpreendido com a demissão da ministra e salienta que era algo anunciado, depois da surpresa que, na verdade, foi a sua recondução no cargo. “É de consenso geral que a grande marca de Marta Temido é a gestão da crise de COVID-19, algo reconhecido até internacionalmente, mas, infelizmente, antes e depois disso, foi incapaz de resolver um único problema no SNS, apenas de apresentar remendos atrás de remendos”, salienta.

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros espera que “a substituição de Marta Temido não se arraste no tempo, até porque os enfermeiros têm vindo a negociar com o Ministério a resolução de um conjunto significativo de problemas, alguns deles com décadas”. “Esperamos e desejamos que a mudança de titular da pasta da Saúde não afete estas negociações, que duram há quatro meses”, acrescenta Pedro Costa.

No entender do Sindicato dos Enfermeiros – SE, é desejável que o sucessor de Marta Temido seja “uma figura de consensos, conhecedora do Serviço Nacional de Saúde, dos seus reais problemas e com motivação para dialogar com as diferentes estruturas profissionais e com efetiva vontade de resolver os problemas que afetam o SNS, os seus profissionais e a forma como tudo isto condiciona a prestação de cuidados de saúde”. "O primeiro-ministro deveria ter a capacidade de substituir Marta Temido de imediato, de forma a minimizar a instabilidade crescente no SNS", refere Pedro Costa.

O Sindicato dos Enfermeiros, assegura o seu presidente, “está disponível para dialogar com o próximo titular da pasta da Saúde e para ser uma força mobilizadora para a resolução dos problemas que afetam os enfermeiros portugueses”.

Orquestra Médica Ibérica realiza concerto a 11 de setembro
A Orquestra Médica Ibérica, grupo musical composto por médicos e estudantes de medicina de Portugal e Espanha, vai realizar o...

Partilhando a paixão pela música e pela medicina, cerca de 70 médicos e estudantes de medicina sobem a palco sob a direção do médico e maestro Sebastião Martins. Projeto pioneiro a nível ibérico, o grupo pretende aliar o amor pela medicina a boas causas através de outra grande paixão em comum: a música. “A arte e a música são os veículos para, a par da ciência, construirmos um mundo mais justo e solidário, enquanto criamos pontes entre profissionais de saúde de Portugal e Espanha”, refere Sebastião Martins.

Trata-se de uma orquestra comprometida ainda com o bem-estar físico, psicológico e mental dos profissionais de saúde que a compõem, bem como do seu público. Neste contexto, “a música pretende ser um escape ao stress do dia a dia, através de um espaço que contribua para um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal”, explica o maestro.

Para o concerto de estreia da Orquestra Médica Ibérica, a APCL foi a associação escolhida para apoiar. “Esperamos conseguir encher a sala com entusiastas por música clássica e boas causas, de forma a que o concerto se traduza num apoio significativo para a associação”, indica o médico que dirige o grupo musical.

“Ficamos muito gratos à Orquestra Médica Ibérica pela iniciativa, sobretudo com contornos tão simbólicos: ciência, arte e música ligadas em prol de boas causas”, afirma Manuel Abecasis, presidente da APCL. “Este tipo de iniciativas são, sem dúvida, fundamentais para dar continuidade à missão e aos projetos em curso da associação”.

Durante cerca de 90 minutos, a orquestra irá interpretar obras icónicas da música clássica e ibérica de compositores como Dvorak, Eurico Carrapatoso e Manuel Falla.

Os bilhetes têm o valor unitário de 10,00€ e podem ser adquiridos na Ticketline, aqui. O montante angariado através do concerto reverterá integralmente para a APCL, associação fundada em 2022 com a missão de contribuir, a nível nacional, para aumentar a eficácia do tratamento das leucemias e outras neoplasias hematológicas afins.

 

Concurso promovido pela Universidade Católica no Porto
O que podemos fazer para combater a escassez da água? É este o mote que servirá para alunos do secundário, provenientes de 80...

“O concurso está em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Água Potável e Saneamento (ODS6) e Ação Climática (ODS13) – e pretende suscitar nos estudantes do secundário a vontade de aliarem as suas competências de comunicação e vídeo com este tema tão pertinente: a preservação de um bem escasso como é a água,” salienta Célia Manaia, vice-presidente da Universidade Católica no Porto.

De acordo com o site das Nações Unidas, "a água é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico, para a produção de energia e alimentos, para a construção de ecossistemas saudáveis e para a sobrevivência da espécie humana. A água é também essencial para fazer frente às alterações climáticas, servindo como elo crucial entre a sociedade e o meio ambiente." Neste sentido, é importante combater a sua escassez e por essa razão, até 2050 existirá um aumento da população mundial, em paralelo com uma maior procura do setor industrial e doméstico das economias emergentes.

O concurso “Não fiques à seca!” foi pensado para dar oportunidade a todos os estudantes do secundário, do 10º, 11º e 12º ano e de qualquer área científica, que através da sua criatividade, realizem um vídeo que não deverá ultrapassar os 3 minutos e que através de uma mensagem clara, baseada em informação credível e rigorosa, e igualmente criativa e assertiva, cumpra o objetivo de sensibilização. Este concurso constitui assim uma campanha inclusiva, que pretende chegar a todos os cidadãos, de todas as idades com o objetivo de todos juntos podermos contribuir para mudar comportamentos e hábitos de consumo,

no sentido de promover uma crescente e coletiva eficiência hídrica com vista à preservação deste recurso.

As submissões dos trabalhos deverão ser efetuadas através do preenchimento do formulário online disponível no website da Universidade Católica no Porto até 29 de outubro. Para mais informações e participação no concurso, consultar: https://www.porto.ucp.pt/pt/concursonaofiquesaseca

 

 

 

De 6 outubro a 3 de março de 2023
O Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) está a colaborar com a OMS...

Coordenado pelo Gabinete Europeu da OMS para a Prevenção e Controlo de Doenças Não Transmissíveis (DNT) e desenvolvido em conjunto com os vários Centros Colaborativos da OMS e organizações parceiras, este curso, em formato online, é desenvolvido para profissionais que atuam na área das DNT, incluindo investigadores, decisores políticos e estudantes. De acordo com INSA, esta formação visa dotar os profissionais de “conhecimentos e ferramentas fundamentais para atuar com sucesso na área da Saúde Pública, compreendendo os novos desafios e trabalhando em abordagens orientadas para a prevenção das DNT”.

Os interessados em participar neste curso devem inscrever-se gratuitamente  até 30 de agosto através do site da OMS-Europa. “A seleção dos participantes será feita com base no curriculum vitae e numa breve declaração apresentada por cada candidato, a qual deverá incluir uma descrição (máximo de 150 palavras) de como o curso pode contribuir para aumentar a capacidade em DNT e melhorar a prática de vigilância no país do participante, e como as habilidades adquiridas podem contribuir para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3”, pode ler-se na nota publicada pelo INSA.

O INSA é, desde julho de 2015, Centro Colaborativo da OMS para a Nutrição e Obesidade Infantil. Esta colaboração estende-se a várias áreas de trabalho, sobretudo ao nível da vigilância e prevenção, e inclui ações de vigilância do estado nutricional infantil e divulgação de resultados nesta área, a organização de eventos técnico-científicos relacionados com a obesidade infantil e a monitorização da ingestão alimentar e da composição de alimentos, entre outras iniciativas.

 

Saúde da mulher
A endometriose é uma doença crónica que afeta mulheres em idade reprodutiva.

Existem vários tipos de endometriose.

A endometriose é uma doença crónica, benigna, que se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora do seu local habitual, que é a cavidade uterina. Estes focos vão colonizar a cavidade abdominal e também os órgãos vizinhos.

Esta pode classificar-se como:

Endometriose superficial ou peritoneal caracterizada por lesões disseminadas na superfície (peritoneu) do interior do abdómen, podendo atingir o diafragma.

Endometriose ovárica com implantes na face externa dos ovários cuja retração conduz à formação de quistos (endometriomas).

Endometriose infiltrativa profunda “em que os implantes alcançam uma profundidade superior a 5 mm e envolvem o septo reto-vaginal e espaço vesico-uterino, atingindo vários órgãos pélvicos como o reto, vagina, cólon sigmoide, uréteres, bexiga e nervos superficiais e profundos”. Esta pode ainda envolver outros órgãos mais distantes como o apêndice, diafragma e pulmão.

Em 80% dos casos a dor é a sua principal manifestação.

Os sintomas mais frequentes incluem a dismenorreia (dor menstrual) intensa e incapacitante, dispareunia (dor nas relações sexuais), dor rectal e desconforto na bexiga. Esta sintomatologia dolorosa pode afetar significativamente a qualidade de vida da mulher.

“Alguns casos de infeções urinarias de repetição com uroculturas negativas e síndromes de cólon irritável de agravamento progressivo podem estar relacionados com situações de endometriose urinaria e intestinal não diagnosticadas”, esclarece Fátima Faustino, ginecologista, coordenadora da Unidade Integrada de Endometriose do Hospital Lusíadas Lisboa.

A origem da endometriose ainda não é plenamente conhecida.

Desconhece-se ainda o que pode estar na origem da doença. Segundo especialista em ginecologia, embora se tenham discutido muitas teorias sobre a sua génese, nenhuma é satisfatória. “No entanto, parece certo haver uma causa multifatorial onde estão implicados fatores hormonais (estrogénios), genéticos, imunológicos e ambientais”, refere.

O método ideal de diagnóstico é a laparoscopia.

O diagnostico da doença começa pela clínica. “Ouvir estas doentes e observá-las com atenção é fundamental, pois permite-nos colocar uma hipótese de diagnostico, posteriormente confirmada com exames complementares”, explica Fátima Faustino.

A ecografia pélvica com sonda vaginal e rectal, bem como a ressonância magnética nuclear são, de acordo com a coordenadora da Unidade Integrada de Endometriose do Hospital Lusíadas Lisboa, imprescindíveis para o diagnóstico. No entanto, sublinha “um exame negativo não exclui a doença, porque o diagnostico definitivo só é possível por laparoscopia, que nos permite a visualização e biópsia das lesões”.

Não é possível curar a endometriose. A terapêutica médica pode aliviar a sintomatologia associada à doença.

Sem cura, o tratamento é orientado para o alívio da dor e dos outros sintomas, e possível controlo da progressão da doença. Podem ser utilizados analgésicos, anti-inflamatórios ou terapêutica hormonal.

Quanto ao tratamento cirúrgico, este está indicado nas mulheres que associam dor pélvica intensa e infertilidade. “Os principais objetivos da cirurgia são a excisão das lesões e a reposição da anatomia pélvica, tendo em consideração que se tratam habitualmente de mulheres jovens que querem engravidar, pelo que teremos de optar por uma cirurgia que conserve a integridade do útero, ovários e trompas. Para isso, a abordagem deverá ser, sempre que possível, por via laparoscópica, por ser minimamente invasiva, permitir uma melhor visão e acesso ao espaço pélvico e reduzir a incidência de novas aderências”, explica a especialista.

Não é possível prevenir o desenvolvimento da endometriose.

Uma vez que as causas da doença permanecem desconhecidas, não existe uma forma efetiva de prevenir o seu desenvolvimento. No entanto, sublinha Fátima Faustino, “um estilo de vida saudável, a atividade física, o controlo do peso e uma dieta equilibrada podem ter um efeito benéfico na evolução da doença”.

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Endometriose: “Uma em cada 10 mulheres sofre da doença e muitas só são diagnosticadas quando não conseguem engravidar”

“É preciso desconstruir esse mito com que as mulheres vivem de que é normal sofrer na menstruação”

Mitos e verdades sobre a Endometriose 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Distinção
A Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar, foi reconhecida como parceira de educação pelo Committee for Tactical...

O Committee for Tactical Emergency Casualty Care foi originalmente convocado para acelerar a transição das lições médicas militares aprendidas no campo de batalha para orientação médica operacional com base em evidências e melhores práticas para resposta médica e tratamento de feridos durante cenários operacionais civis atípicos e de alto risco.

As diretrizes Tactical Emergency Casualty Care (TECC) são um conjunto de recomendações das melhores práticas para a gestão de vítimas durante operações civis táticas e de resgate.

Com base nos princípios do Tactical Combat Casualty Care (TCCC), o TECC considera as diferenças no ambiente civil, recursos, população de pacientes e escopo de prática do ambiente de combate militar do TCCC. 

O Committee for Tactical Emergency Casualty Care (C-TECC) é modelado após o Committee for Tactical Combat Casualty Care (CoTCCC) e é composto por uma ampla gama de líderes operacionais e acadêmicos interagências na prática de medicina de alta ameaça e incêndio/resgate de em todo o país, incluindo membros da medicina de emergência, serviços médicos de emergência, polícia, bombeiros e a comunidade militar de operações especiais.

Levando em conta que os padrões de ferimentos e os mecanismos de lesão podem ser semelhantes em incidentes civis envolvendo ferimentos balísticos e explosivos, o TECC recomenda modalidades de tratamento com base na situação e nos recursos disponíveis. 

Os principais desígnios do TCCC são fornecer cuidados médicos oportunos e fazer a coisa certa na hora certa também são fundamentais nas diretrizes do TECC.

Assim como no TCCC, o TECC é dividido em três fases de atendimento com base na relação do provedor, da vítima e da ameaça.

Considerável experiência e esforço foram dedicados ao desenvolvimento de um padrão médico operacional civil em paralelo às diretrizes bem-sucedidas de Atendimento Tático a Vítimas de Combate. 

Conhecido como Tactical Emergency Casualty Care, este novo padrão utiliza dados e experiências dos militares e leva em conta as diferenças de atuação no setor civil. 

As diretrizes do TECC continuarão a ser atualizadas usando as melhores práticas médicas baseadas em evidências e permanecerão sob a custódia do Comitê de Atendimento Tático de Emergências em Vítimas.

Campanha para o Dia Internacional do Gamer | 29 de agosto
“Não jogue com a sua vida” é o alerta do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP) a propósito do Dia Internacional do Gamer,...

“Aproveitamos esta data menos habitual para sensibilizar o público em relação ao impacto e consequências do cancro do pulmão”, afirma Daniel Coutinho, membro da Comissão Científica do GECP. “Importa salientar que a incidência do cancro do pulmão aumenta a um ritmo de 0.5% por ano em todo o mundo e, em Portugal, é a principal causa de morte por doença oncológica”.

O tabagismo, a falta de programas de rastreio e o diagnóstico tardio, o qual compromete a eficácia dos tratamentos em fases avançadas da doença, são algumas das razões para o peso do cancro do pulmão em Portugal e no mundo. “A forma mais eficaz de prevenir o cancro do pulmão é não fumar e, se é fumador, parar o consumo tabágico, uma vez que existe uma relação intrínseca entre o tabaco e o desenvolvimento de cancro do pulmão”, refere o médico pneumologista. “Além do tabagismo, a poluição ambiental e a exposição a substâncias carcinogéneas são outros fatores a ter em conta, sem esquecer os de ordem genética”.

Daniel Coutinho reforça que o “cancro do pulmão não é um jogo”, pelo que todos podemos (e devemos) ter um papel ativo na prevenção, monitorização e ação, face à necessidade de um diagnóstico precoce da doença. “O cancro do pulmão pode crescer durante muito tempo sem qualquer sintoma, o que dificulta o seu diagnóstico nas fases iniciais. Este fator contribui, sem dúvida, para o peso desta patologia no panorama das doenças oncológicas”.

Assim, “os doentes que se encontram dentro dos grupos de risco devem consultar o seu médico regularmente para monitorizar a sua saúde”. Adicionalmente, é importante consciencializar a sociedade para o reconhecimento dos sinais e sintomas sugestivos de cancro do pulmão. “São vários e muitos são comuns a doenças benignas, o que dificulta ainda mais o diagnóstico. No entanto, sintomas como tosse irritativa e persistente ou com sangue; dor torácica, no ombro e braço; dificuldade respiratória; pieira ou chiadeira no peito; dificuldade em engolir; fadiga e perda de apetite/emagrecimento; rouquidão/alteração da voz; ou dor óssea, devem suscitar a procura imediata de assistência médica.”

O representante do GECP deixa uma mensagem final nesta data: “Não se esqueça, um diagnóstico atempado aumenta a probabilidade de um tratamento bem-sucedido. Não arrisque, não jogue com a sua vida”.

 

Uso da tecnologia para responder às necessidades das pessoas ao longo da pandemia por COVID-19
A app SNS 24 foi destacada como exemplo de boas práticas no uso de soluções digitais para promover cuidados de saúde de...

Esta menção surgiu, de acordo com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, “no âmbito da primeira reunião de mentores sobre a qualidade dos cuidados de saúde”, organizada pelo departamento de Qualidade de Cuidados e Segurança do Utente da OMS (Europa), e que se centrou no uso adequado da tecnologia para responder às necessidades das pessoas ao longo da pandemia por COVID-19.

Portugal é destacado como bom exemplo, através da aplicação SNS 24, referida como uma solução móvel que simplifica a transformação digital em saúde e melhora a experiência dos utentes.

“Com a app SNS 24, que já registou cerca de 7,6 milhões de downloads, o cidadão pode aceder facilmente a vários serviços digitais do SNS, tais como realizar uma teleconsulta, renovar a medicação habitual, consultar o Boletim de Vacinas, as receitas, as requisições, os resultados de exames médicos, entre outros serviços”, refere a nota dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. 

 

Dia Internacional das Lesões na Coluna Vertebral assinala-se a 5 de setembro
Todos os anos, em todo o mundo, mais de 500 mil pessoas sofrem uma lesão na coluna e diariamente cer

De um acidente ou trauma na coluna vertebral resultam, em especial, deformidades secundárias ao traumatismo, potencialmente dolorosas e incapacitantes, e a paralisia. Os sinais e sintomas de lesão na coluna vão depender da gravidade da situação, mas podem incluir dor e rigidez no pescoço, ombros e costas, eventualmente irradiada para os membros, náuseas, cefaleias ou tonturas; alterações da sensibilidade como formigueiros, dormência, diminuição da força nos braços ou pernas; estado de consciência alterado, dificuldades respiratórias e de concentração; perda de controle da bexiga e intestinos.

As medidas de prevenção podem fazer toda a diferença na saúde da nossa coluna vertebral, visto que estas lesões podem levar à incapacidade ou à morte. É, assim, muito importante que as pessoas modifiquem alguns comportamentos e apostem na prevenção.

As lesões da coluna vertebral podem constituir emergências médicas que requerem tratamento imediato para minimizar os danos. Cuide da sua coluna vertebral, não adote comportamentos de risco e em caso de lesão ligue para o 112!

No âmbito das comemorações do Dia Internacional das Lesões na Coluna Vertebral, em todo o mundo, realizam-se iniciativas de consciencialização, dirigidas à sociedade, para alertar para as consequências negativas deste problema e apelar à sua prevenção, relembrando que algumas complicações das lesões na coluna podem ser evitadas ou minoradas com tratamento adequado. Para mais informações consulte: http://worldsciday.org/

 

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Post vacation blues
O fim do mês de agosto significa também o fim das férias e o regresso à rotina – o que, para muitos, pode ser motivo de stress....

Esta síndrome caracteriza-se por sintomas como falta de motivação para realizar tarefas de rotina, fadiga e alterações de sono, que surgem com o fim das férias.

Portugal é o terceiro país com maior nível de stress da Europa, segundo um estudo desenvolvido pela Eachnight, que avalia três fatores (stress financeiro, pessoal e laboral) na população europeia. Para evitar esta propensão, Catarina Lucas, psicóloga especialista em desenvolvimento pessoal, deixa quatro conselhos para um retorno à rotina sem stress:

1. Caso vá de viagem, regresse um ou dois dias antes para organizar a rotina e as tarefas domésticas antes do regresso ao trabalho – Este tempo pode servir até para "descansar" das férias que possam ter sido mais atribuladas e para não haver um choque grande da passagem direta das férias para a semana de trabalho;

2. Não tenha pressa – A readaptação deve ser feita de forma gradual, dando tempo para ajustar-se à nova rotina;

3. Programe o recebimento de e-mails apenas para um dia após o regresso – Antes de ir de férias, deixe a resposta automática ativa até ao dia seguinte ao de regresso de férias. Assim, o seu primeiro dia será mais tranquilo e poderá tratar dos assuntos mais urgentes primeiro. Desta forma, será menos perturbado nesse dia com novos assuntos e poderá mais tranquilamente dar resposta aos assuntos mais recentes;

4. Chegue mais cedo – Para iniciar o primeiro dia de volta com calma, chegue um pouco mais cedo ao trabalho.

“As férias ajudam-nos a repor energias e retomar a vida normal pode ser bastante desafiador. O essencial é que as pessoas se lembrem de que é natural haver alguma irritação, cansaço e alterações de humor nesta fase, daí ser tão importante adotar estratégias para minimizar sentimentos mais negativos”, sublinha Catarina Lucas.

Hipertiroidismo
A intolerância ao calor pode ser normal durante o verão, sobretudo quando a temperatura está mais al

A intolerância ao calor pode ser uma manifestação de uma disfunção da glândula tiroideia, mais concretamente o hipertiroidismo. “As hormonas tiroideias (T3 e T4) controlam todas as funções do organismo, no qual se inclui a regulação da temperatura corporal. Ao funcionar corretamente, a tiroide é capaz de responder às mudanças de temperatura, ajustando de forma apropriada a taxa metabólica basal e libertando hormonas para promover a libertação de energia ou a retenção de calor, mantendo assim o corpo com uma temperatura confortável e funcional. No entanto, quando a tiroide não está a funcionar adequadamente, o corpo perde muita da sua capacidade de regular a temperatura”, começa por explicar Sara Correia do serviço de Endocrinologia do centro hospitalar Gaia / Espinho.

No hipertiroidismo, acrescenta, “ocorre uma libertação excessiva de hormonas tiroideias, o que provoca um metabolismo celular acelerado, resultando em múltiplos sintomas, incluindo a sensibilidade ao calor, que é independente da época do ano e persistente, caso não seja realizado o tratamento adequado”.

No entanto, há outros sinais aos quais deve estar atento e que compõe o quadro desta disfunção, como é o caso das alterações do humor, irritabilidade, agitação, perda inexplicada de peso apesar de aumento do apetite, tremor, suores, palpitações, diarreia, irregularidades menstruais e aumento do volume cervical (bócio). “Quando a intolerância ao calor é mais exagerada que o habitual, prolongada e principalmente se surgir acompanhada de outros sintomas, deve aumentar a suspeita de puder tratar-se de um hipertiroidismo, pelo que dirigir-se ao seu médico assistente”, aconselha a médica especialista.

Afetando maioritariamente as mulheres, de qualquer idade, o Hipertiroidismo surge, em grande parte dos casos, na sequência de uma doença autoimune da tiroide, designada de Doença de Graves e cujo o pico de incidência se situa entre os 30 e os 60 anos. Esta doença caracteriza-se pela presença de “anticorpos produzidos pelo organismo que atuam na tiroide e estimulam o aumento da síntese das hormonas tiroideias”.

“Outra causa relaciona-se com nódulos na tiroide que autonomamente podem produzir excesso de hormonas tiroideias. Com um excesso de T3 e T4, o organismo fica “acelerado”, podendo causar “exaustão” em alguns dos órgãos, nomeadamente no coração”, explica Sara Correia, advertindo para o facto do seu diagnóstico ser realizado o mais atempadamente possível.

Quanto ao seu tratamento, diz a especialista, este deve ser adequado a cada caso. “A escolha do tratamento varia, dependendo das características clínicas e eventuais preferências do doente”, afirma.

Deste modo, refere que “no caso da Doença de Graves, o tratamento pode incluir: uso de fármacos antitiroideus de síntese, como o metibasol, utilizados para normalizar a produção de T3 e T4, e em casos refratários pode-se realizar tratamento com iodo radioativo ou cirurgia de remoção da tiroide”.

Por sua vez, “o tratamento dos nódulos autónomos quase sempre obriga a terapêutica com iodo”, acrescenta referindo que “há ainda fármacos (bloqueadores beta adrenérgicos) que podem ser utilizados temporariamente para controlar os sintomas de hipertiroidismo”.

Para quem já tem o diagnóstico desta disfunção da tiroide, Sara Correia deixa alguns conselhos para que evite outros problemas associados a esta época do ano:

“Com o aumento do calor, o organismo procura baixar a temperatura do corpo através da transpiração. Mas se este objetivo não for alcançado, pode haver golpes de calor, esgotamento devido ao calor, cãibras e desidratação”, por isso é fundamental manter-se hidratado, fazer refeições ligeiras, proteger-se do calor, evitar a exposição solar direta e prolongada, sobretudo nos períodos de maior calor (entre as 11 e as 17 horas), usar roupa fresca e leve e sempre que possível preferir locais climatizados.

“O excesso de hormonas tiroideias em circulação provoca um aumento no metabolismo, ou seja, na velocidade a que o organismo funciona. O metabolismo acelerado provoca uma maior libertação de calor, o hipotálamo (termóstato do nosso corpo) também está desregulado para uma temperatura superior, tornando todo o corpo mais quente. A pele torna-se mais quente, avermelhada (por aumento da circulação sanguínea) e suada.  Assim, os doentes com hipertiroidismo têm grande intolerância ao calor”, estando mais sujeitos aos efeitos nefastos do calor.

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