O que deve saber
Estima-se que, em Portugal, a Hipertensão Pulmonar afete cerca de 300 pessoas.

Trata-se de uma disfunção que surge devido à alteração da circulação sanguínea nas artérias nos pulmões e que surge associada a outras doenças que afetam os sistemas cardiorrespiratórios. A Hipertensão Pulmonar é uma condição grave e sem cura, cujos sintomas são facilmente confundidos com os de outras patologias.

De acordo com Fabienne Gonçalves, Assistente Hospitalar Graduada de Medicina Interna da Unidade de Doença Vascular Pulmonar do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), a Hipertensão Pulmonar caracteriza-se por “uma dificuldade na passagem do sangue que é bombeado pelo coração para a circulação pulmonar, para ser oxigenado”, resultando, a longo prazo, em dilatação e insuficiência cardíaca, podendo conduzir à morte.

Entre as causas mais frequentes da Hipertensão Pulmonar encontra-se a insuficiência cardíaca esquerda que pode ocorrer em pessoas com doença arterial coronária ou hipertensão arterial. Sempre que o lado esquerdo do coração não consegue bombear o sangue normalmente para o corpo, o mesmo reflui para os pulmões, dando origem a um aumento da pressão arterial no local.

Por outro lado, as doenças pulmonares, como é o caso da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, que condicionam a função pulmonar, exigindo um esforço maior para bombear o sangue através dos pulmões, também podem estar na origem da Hipertensão Pulmonar.

Segundo a especialista em Medicina Interna, há ainda “determinados grupos de doenças em que está provado um maior risco de desenvolvimento de hipertensão pulmonar, como algumas doenças autoimunes ou a infeção pelo VIH”. Nestes casos, explica, falamos de Hipertensão Arterial Pulmonar.

“Outra causa relativamente frequente de Hipertensão Pulmonar são as embolias pulmonares, em que se forma um coágulo sanguíneo que vai entupir a circulação pulmonar”, explica. Na grande maioria dos casos, o coágulo é dissolvido e não deixa sequelas, no entanto, por vezes resulta na obstrução das artérias pulmonares conduzindo a uma Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crónica.

Apesar de poder surgir em qualquer idade, “dependendo da doença subjacente”, é extremamente rara durante a infância.

“Os principais sinais de alerta consistem na presença de um cansaço ou falta de ar anormais na realização de esforços que, habitualmente, não desencadeavam esses sintomas”, começa por enumerar a internista. Dor no peito, batimentos cardíacos irregulares, pernas inchadas ou desmaios podem ainda ser associados a esta disfunção.

Uma vez que os sintomas são pouco específicos, podendo ser facilmente confundidos com outros problemas de saúde, a especialista aconselha a que procure o médico sobretudo “no caso de surgir uma falta de ar inexplicável quando realiza tarefas do dia-a-dia que habitualmente fazia sem dificuldade”.

Um dos principais desafios da Hipertensão Pulmonar é, efetivamente, o seu diagnóstico, sendo que este chega, muitas vezes, em fase avançadas da doença quando os tratamentos disponíveis já são menos eficazes.

Embora existam vários exames para determinar a presença da doença, “o diagnóstico definitivo apenas pode ser estabelecido através de um cateterismo cardíaco direito”, realizado em centros com experiência. São eles o Centro Hospitalar e Universitário do Porto (no norte), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (na região Centro), e dois na região de Lisboa: o Centro Hospitalar Lisboa Norte e Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Quanto ao seu tratamento, a terapêutica aconselhada depende da causa associada. “Nalguns tipos de Hipertensão Pulmonar podemos administrar medicamentos ditos «específicos». No entanto, se forem utilizados de forma inapropriada, podem mesmo agravar a condição do doente. Daí a importância de serem seguidos em centros com experiência no seu manuseamento”, explica Fabienne Gonçalves.

Em caso de Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crónica, “os doentes devem ser orientados para uma avaliação cirúrgica, para desobstruir as artérias. Cirurgia, essa, que é potencialmente curativa”. No entanto, esta opção terapêutica está apenas disponível fora do país. “Os doentes são enviados para centros no estrangeiro com grande experiência nesta cirurgia complexa”, explica.

O transplante pulmonar é, de acordo com a internista, o tratamento “fim de linha”. A única opção quando todas as outras opções terapêuticas falham.

Os cuidados alimentares, bem como o cumprimento do plano terapêutico estabelecido devem ser seguidos “à risca” por forma a evitar complicações. E na grande maioria dos casos, os doentes podem realizar atividade física moderada.

Artigos relacionados

AVC e Hipertensão pulmonar entre os quadros mais graves da Drepanocitose

Combater as Doenças Cardiovasculares

Alimentos que protegem o coração

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Um estudo recentemente publicado demonstrou a eficácia das células estaminais mesenquimais (MSC) do tecido do cordão umbilical...

Os autores do estudo procuraram entender se a aplicação local de MSC do tecido do cordão umbilical era mais eficaz no alívio dos sintomas de osteoartrite do joelho do que o tratamento com ácido hialurónico, um dos tratamentos atualmente usados para esta condição. Assim, dividiram 29 doentes em três grupos para realizarem tratamentos diferentes ao longo de seis meses. O primeiro grupo recebeu um tratamento com MSC, o segundo grupo recebeu dois tratamentos com MSC e o terceiro grupo recebeu dois tratamentos com ácido hialurónico. Os resultados revelaram que os doentes do primeiro e segundo grupos, que receberam MSC, melhoraram ao nível da função e da dor na articulação, comparativamente ao seu estado inicial. Os doentes que mais melhoraram foram os do segundo grupo, com uma redução de 86% na dor relativamente ao seu estado inicial, em contraste com a redução de apenas 38% observada para o terceiro grupo.

Não foram observados efeitos adversos, pelo que os autores consideram que este novo procedimento é seguro e que as melhorias observadas se devem ao efeito anti-inflamatório e regenerativo das MSC.

“Os resultados deste estudo sugerem que a administração repetida de MSC no joelho com osteoartrite é segura e reduz a dor de forma mais eficaz e duradoura do que o tratamento com ácido hialurónico, podendo vir a tornar-se numa opção terapêutica viável no futuro.”, menciona Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.

A osteoartrite, ou osteoartrose, é uma das principais causas de incapacidade na população adulta e estima-se que haja atualmente mais de 30 milhões de pessoas afetadas por este problema. Caracteriza-se pela destruição progressiva da cartilagem das articulações afetadas, originando dor, rigidez e dificuldade de movimentos. A terapêutica disponível atualmente inclui anti-inflamatórios, que podem ser tomados oralmente ou injetados localmente, infiltrações de ácido hialurónico, ou mesmo cirurgia para substituição da cartilagem danificada. Embora não exista cura para a osteoartrite, tem-se assistido, nos últimos anos, ao desenvolvimento de tratamentos inovadores, à base de células estaminais, com potencial para aliviar os sintomas e até travar a progressão da doença.

Referências:
Matas J, et al. Umbilical Cord-Derived Mesenchymal Stromal Cells (MSCs) for Knee Osteoarthritis: Repeated MSC Dosing Is Superior to a Single MSC Dose and to Hyaluronic Acid in a Controlled Randomized Phase I/II Trial. Stem Cells Transl Med. 2019 Mar;8(3):215-224.

Relatório
Nos primeiros três meses do ano registaram-se quase quatro mil casos de sarampo na Europa, de acordo Centro Europeu do Controlo...

Entre 1 de abril de 2018 e 31 de março de 2019 foram registados mais de 11 mil casos da doença em cerca de 30 países europeus. Destes, 3790 casos dizem respeito aos primeiros três meses deste ano, avança a notícia do jornal Público.  

Itália, França, Roménia, Grécia e Reino Unido surgem como os cinco países com maior número de casos no último ano analisado.

No que diz respeito ao primeiro trimestre deste ano, alguns países continuam a registar uma tendência crescente de infeção, sendo a França, Lituânia, Polónia e Bulgária os países que registam maiores aumentos.

Todos os países analisados pelo ECDC reportaram casos de sarampo entre Abril de 2018 e Abril deste ano, incluindo Portugal, com um total de 68 casos, 60 deles confirmados laboratorialmente.

No caso português, a grande maioria dos casos diz respeito aos três surtos verificados no final do ano passado, que, entretanto, a Direção-geral da Saúde já declarou como extintos.

Portugal surge assim como um dos países com mais reduzido número de casos por milhão de habitantes (6,6), ao contrário de países como França, Itália ou Luxemburgo, todos com mais de 30 casos por milhão de habitantes e também longe da média dos 30 países, com uma taxa de 22 casos por milhão de habitantes.

Dos 11 mil casos notificados num ano, 30% ocorreram em crianças com menos de cinco anos e 53% em crianças com mais de 15 anos.

A maior taxa de notificação aconteceu em crianças com menos de um ano (255 casos por milhão) e entre os 12 meses e os quatro anos (95,8 casos por milhão).

A vacina do sarampo, principal forma de prevenção da doença, é dada geralmente aos 12 meses. O Programa Nacional da Vacinação em Portugal estabelece que a primeira dose da vacina deve ser dada aos 12 meses e a segunda aos cinco anos.

De acordo com a Direção-geral da Saúde, 14% das crianças com 13 meses não estavam em 2018 protegidas contra o sarampo.

No caso europeu, dos 9300 casos com idade e estado vacinal conhecidos, quase 76% não estavam vacinados, 14% apenas tinham uma dose da vacina, 9% duas ou mais doses e 1% um número indeterminado de tomas.

Em pessoas vacinadas, a doença apresenta um quadro clínico que as autoridades de saúde descrevem como “mais ligeiro e com muito baixa probabilidade de contágio (conhecida como sarampo modificado)”.

A forma clássica surge em pessoas não vacinadas e caracteriza-se por um quadro clínico que pode ser grave, podendo ter complicações e até levar à morte.

Estudo
Estudo da Food and Drug Administration (FDA) revela que as substâncias químicas que compões os protetores solares entram no...

Para chegar a esta conclusão, foram testados quatro protetores solares diferentes, escolhidos aleatoriamente. Durante quatro dias, 25 voluntários tiveram de colocar os cremes quatro vezes por dia em 75% do seu corpo.

De seguida foram sujeitos a análise e foi possível concluir que ingredientes, como a avobenzona, oxibenzona, octocrylene ou ecamsule presentes nestas loções, cremes ou sprays estavam presentes no sistema sanguíneo dos participantes em doses acima das recomendadas.

No entanto, os investigadores admitem que estes resultados podem não ser fiáveis, uma vez que este estudo foi feito num ambiente fechado, sem a presença de calor ou humidade “o que poderá pôr em causa a taxa de absorção”.  Por outro lado, admitem que não foram feitas avaliações depois dos produtos terem sido removidos pelo banho ou pelo suor.

Defendem assim a continuação da investigação e, para já, não aconselham a deixar de lado a utilização dos protetores solares. "Só porque os ingredientes são absorvidos não quer dizer que estes não sejam seguros. É por isso que estamos a pedir dados adicionais", disse Theresa Michele, diretora da divisão de medicamentos não prescritos da FDA.

Também a Academia Norte-Americana de Dermatologia partilha da mesma opinião, reforçando a ideia de que os riscos associados aos raios ultravioletas são superiores aos dos ingredientes que compõem os protetores.

De salientar que, em Portugal, a oxibenzona - um dos ingredientes absorvidos em excesso  - não é utilizada na produção de protetores solares.

 

Diagnóstico precoce
O teste do pezinho foi realizado pela primeira vez há 40 anos e desde então já evitou que milhares de crianças tivessem atrasos...

A técnica desenvolvida na década de 60 pelo médico e investigador Robert Guthrie de colheita de sangue sobre papel de filtro foi responsável por “uma das mais belas revoluções da medicina preventiva”, possibilitando o rastreio sistemático de doenças genéticas, disse o médico Rui Vaz Osório, um dos impulsionadores do rastreio neonatal em Portugal, em entrevista.

Desde aí que os programas de rastreio neonatal foram desenvolvidos em todo o mundo, tornando-se parte fundamental dos programas de saúde pública.

Em Portugal, o programa arrancou em 1979 com o rastreio da fenilcetonúria, uma doença que provoca um atraso mental profundo, irreversível, sem cura, mas que se pode evitar se o bebé fizer uma dieta especial.

A primeira colheita foi feita no dia 14 de maio de 1979 na maternidade Júlio Dinis, no Porto. “Em princípio estávamos com muito receio, não sabíamos como o rastreio iria ser recebido em Portugal”, contou o médico, de 88 anos.

“Há sempre velhos do Restelo” que na altura diziam que “as mulheres em Portugal não tinham cultura” para perceber o porquê de fazer análises num bebé saudável e que o programa nunca iria ter uma taxa de cobertura suficiente.

A verdade é que poucos anos depois do arranque do programa a cobertura já era de 80% e atualmente é de quase 100%, salientou.

“Enfim, tivemos de vencer todas essas objeções mostrando claramente que ficava muito mais barato ao Estado prevenir doenças que provocam atraso mental do que suportar depois os custos do doente” ao longo da vida, afirmou.

De acordo com o especialista, “o dinheiro que se gastava com o rastreio era dez ou vinte vezes mais barato” do que suportar o encargo do doente.

“A partir daí arrancámos. A região centro inicialmente foi muito renitente, porque achava que havia outras prioridades, mas tudo isso se venceu”, contou.

O primeiro caso de fenilcetonúria detetado pelo rastreio aconteceu em 1980 e três anos depois já havia 10 doentes em tratamento que necessitavam de uma dieta especial.

No entanto, recorda, na altura era “tudo muito complicado”: os bebés não tinham apoios e os únicos alimentos que existiam eram dois leites especiais sem fenilalanina, que eram muito caros.

“As primeiras situações foram dramáticas”, disse Vaz Osório, contando o caso de uma mãe que vivia no Alentejo e que teve de ir trabalhar para Lisboa para poder comprar o leite.

Rapidamente se conseguiu que o Governo comparticipasse em 50% os leites e os produtos dietéticos pobres em fenilalanina que foram aparecendo e melhoraram a qualidade de vida dos doentes.

Porém, algumas mães tinham dificuldades em utilizar corretamente estes alimentos e para as ajudar foi montada, em 1992, uma cozinha experimental no Instituto de Genética, e editado o primeiro livro com receitas feito pelas nutricionistas do instituto.

Em 1981, o rastreio neonatal passou a abranger o hipertiroidismo congénito, mas a “grande revolução” aconteceu em 2001 com o aparecimento do equipamento Tandem Mass, que consegue diagnosticar dezenas de doenças apenas com uma gota de sangue colhida através da picadinha no pé.

O problema era o preço, custava cerca de 50 mil euros, um problema que foi ultrapassado com a ajuda do projeto “Saúde XX1”. Em 2004, o Tandem Mass já estava a trabalhar em Portugal e a cobrir mais doenças, 26 atualmente, 25 das quais de origem genética.

“Fomos dos primeiros países europeus a avançar com esta tecnologia e isso foi uma revolução muito grande”, disse Rui Vaz Osório, adiantando que ao longo das quatro décadas foram rastreadas cerca de 3,8 milhões de crianças e detetados mais de 2.000 casos.

O médico realçou que “se não fosse o rastreio todas estas doenças eram diagnosticadas tardiamente” e “as crianças já teriam tido morte ou atrasos neurológicos irreversíveis”.

“O tratamento das doenças genéticas não cura, unicamente evita que a doença progrida. Portanto, o objetivo é começar a fazer o tratamento antes de a doença ter feito lesões e é por isso que tem de ser feito nos primeiros dez dias de vida”, sublinhou.

Para acompanhar os doentes, foram criados centros específicos de tratamento nos principais hospitais do país que trabalham em colaboração com a Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, do Instituto Dr. Ricardo Jorge.

Apesar do teste não ser obrigatório, “os pais aderiram por saberem que é um projeto com pés e cabeça, com utilidade grande e com custos mínimos de fazer uma picada no pezinho, que não custa nada”.

Opinião
No ano de 2018, a palavra do ano foi Enfermeiro.

De facto, a primeira referência a um Enfermeiro aparece no ano de 1268, num documento associado à Ordem de Avis, porém a sua profissionalização surge em 1860 quando Florence Nightingale funda a Escola de Enfermagem do Hospital de St. Thomas em Inglaterra. Por outro lado, segundo estudos recentes (2017) a profissão de Enfermeiro é a profissão mais confiável para a população adulta, afirma o estudo que 94% das pessoas confiam que os Enfermeiros lhe dizem a verdade.

Estes dados conferem ao Enfermeiro uma responsabilidade e uma oportunidade para marcar a singularidade e a contribuição significativa dos profissionais de enfermagem para o desenvolvimento e manutenção do sistema de saúde português.

Um dos grandes desafios colocados na atualidade é de reorganizar os cuidados domiciliários dado às alterações demográficas (inversão da pirâmide etária), altas hospitalares precoces, aumento de doenças crónico-degenerativas e o maior grau de dependência das pessoas. 

É consensual a necessidade de incrementar os cuidados de saúde domiciliários. Deste modo, qual o papel do Enfermeiro nos cuidados prestados no domicílio? O Enfermeiro assume-se como mediador entre as necessidades e os recursos e o apoio técnico-científico e emocional da pessoa e da família. O cuidar no domicílio requer do Enfermeiro: a enfâse na educação para a saúde da pessoa e família; a avaliação da casa, para criar um ambiente favorável; a compreensão dos recursos da comunidade; a utilização da evidência para se adaptar aos cuidados em casa; a assunção de um papel de advogado para capacitar a pessoa e a família; e que seja uma influência no sistema de cuidados de saúde.

Olhando para o futuro, o Enfermeiro terá, também, um papel preponderante no Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal. Está no ADN do Enfermeiro colocar o cliente no centro do sistema de saúde e obter os melhores resultados e aumento de qualidade de vida de todos indivíduos, famílias e comunidades.”

João Rombo - enfermeiro, diretor da IberSaúde

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Doença atinge mais mulheres
Estima-se que em Portugal, o Lúpus Eritematoso Sistémico afete cerca de 10 mil pessoas.

O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença que ocorre com maior frequência em mulheres jovens em idade fértil e pode atingir vários órgãos. A pele, articulações, coração e rim são frequentemente afectados.

A designação abreviada de “Lupus” deriva do latim que significa “lobo” e isto pelo facto de alguns doentes apresentarem uma mancha avermelhada na face que cobre as rosetas e aparenta a expressão daqueles animais (figura 1).

É uma doença multifactorial com expressão sistémica, isto é, pode afectar vários órgãos e sistemas como dissemos, pelo que os sintomas são muito variados ao longo do tempo e do tratamento.

A frequência em Portugal foi estimada, pelo estudo epidemiológico da sociedade portuguesa de reumatologia, em 0,1% o que daria cerca de 10 000 doentes em Portugal.


Mancha avermelhada na face, característica da doença (figura 1)

As suas causas permanecem desconhecidas mas devem-se a uma interação complexa entre factores genéticos, ambientais e hormonais que induzem uma desregulação do nosso sistema imunitário com produção de anticorpos que atacam os nossos órgãos.

É bem conhecida a frequência muito aumentada nas mulheres pré menopausa, mais reduzida na puberdade e após a menopausa. O efeito dos estrogénios e da prolactina explicam em parte os surtos e agravamento da doença na gravidez das mulheres com LES.

Alguns destes fenómenos são já conhecidos cientificamente, como os que ocorrem com a radiação ultravioleta (UV) nos doentes com Lupus, em que a exposição solar pode desencadear uma crise e até causar graves problemas de saúde.

Neste caso, até a exposição à luz UV das discotecas (a conhecida luz negra estroboscópica) pode causar a conhecida “febre de sábado à noite” dos reumatologistas, assim chamada por poder ocorrer nos doentes com Lupus após exposição prolongada aos UV nas discotecas.

Outros factores ambientais conhecidos são alguns agentes infecciosos (particularmente vírus), o tabaco, alguns medicamentos e a exposição à sílica.

A sobrevivência nos doentes com LES melhorou muito nos últimos 40 anos, mas mesmo assim têm uma mortalidade duas a quatro vezes maior que a população geral.

No início da doença são as manifestações graves nos rins, sistema nervoso central e infeções a principal causa dos óbitos. Nas formas tardias são principalmente a toxicidade medicamentosa, as lesões de órgão e as tromboses.

Manifestações clinicas

Os sintomas e os sinais são muito diversos no início da doença colocando grande dificuldade no diagnóstico, já que ao poder afectar a pele, as articulações, o coração, os rins, o pulmão, o cérebro e até o intestino, acompanhado de manifestações gerais como fadiga, febre e até queda do cabelo pode percorrer várias especialidades.

As manifestações articulares são as mais frequentes e atingem principalmente as pequenas articulações, nas mãos, punhos e joelhos.

As manchas na pele podem ser típicas como vimos na figura 1(face) ou dispersas no corpo, couro cabeludo ou ainda nas extremidades dedos e em redor das unhas (de pior significado).

A fadiga intensa, com ou sem febre ou a perda de peso estão habitualmente presentes.

Alteração da cor dos dedos em resposta ao frio conhecida como fenómeno de raynaud é muito evocadora do diagnóstico de LES.


Fenómento de Raynaud 

Manifestações neurológicas como convulsões, acidente vascular cerebral e psiquiátricas como psicose ou comportamentais podem ocorrer.

Pneumonia ou pleurisia podem aparecer no decurso da doença, assim como no coração, com inflamação de qualquer das suas estruturas (válvulas, pericárdio e músculo) ou das artérias coronárias.

Os sintomas do rim são tardios, em fase avançada da doença e já em insuficiência renal, devendo ser vigiados através da análise periódica da urina e em casos selecionados com biopsia renal.

O laboratório pode ser decisivo no início da doença evidenciando a presença de auto anticorpos específicos ou associados ao LES, permitindo avaliar a evolução e a resposta ao tratamento e ainda as complicações, como no caso das infeções.

O tratamento

É muito individualizado e á medida de cada caso, das suas manifestações, dos órgãos afectados e do grau de lesão e compromisso da função.

Assim os anti-inflamatórios nas manifestações gerais e articulares, os antipalúdicos também nas lesões cutâneas e os corticoesteroides em muitas lesões de órgãos são necessários.

Os medicamentos imunossupressores são hoje um complemento importante no controlo de doença grave de órgão e no “poupar“ da dose de corticoesteroides.

Finalmente chegaram medicamentos inovadores ao tratamento do LES, depois de muitos ensaios, promessas e expectativas temos novos recursos para tratar o LES e as suas manifestações.

Uma palavra especial para a gravidez.

O risco de uma mulher com LES ter um filho com a doença é muito baixo. Mais de 95% têm filhos normais!

Dito isto, é sabido que o Lupus pode reativar ou agravar durante a gravidez, que o risco de parto prematuro é grande, bem como o risco neonatal, pelo que o planeamento familiar deve ter em conta a fase da doença daquela doente em concreto e os medicamentos que podem e devem ser mantidos durante a gravidez.

O prognóstico do LES é hoje muito diferente, mas devemos lembrar que no Lupus a remissão é possível após 3 anos em cerca de 20% dos doentes, mas recaídas podem ocorrer mesmo após 10 anos de remissão.

A vigilância não deve nunca terminar!

Dr. António Vilar - Reumatologista, Coordenador da Unidade de Reumatologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Dor generalizada
Caraterizada por dor músculo-esquelética generalizada, geralmente acompanhada de cansaço extremo, distúrbios do sono, dores de...

“Pretende-se com esta campanha chamar à atenção da Sociedade Civil para a necessidade de prevenir o isolamento e fomentar a educação destes doentes, de forma a melhorar a sua qualidade de vida e a diminuir o estigma relacionado com a Fibromialgia, uma doença invisível, mas real para todos os que vivem com ela”, afirma Ricardo Fonseca, presidente da MYOS.

E acrescenta: “para sensibilizar mais doentes, familiares e profissionais de saúde, a campanha vai chegar a diversos serviços de reumatologia hospitalares, centros de saúde, clínicas, farmácias e juntas de freguesia de norte a sul do país, incluindo ilhas”.

A iniciativa será lançada no âmbito do Dia Mundial da Fibromialgia, que se assinala a 12 de maio, data do aniversário da Associação.

A direção da MYOS prevê ainda lançar o seu novo site no dia 17 de maio. Carolina Lopes, vice-presidente da associação, salienta que este “será um portal de referência de informação credível e fidedigna sobre Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica, onde serão também publicados periodicamente artigos de várias temáticas relacionadas com a convivência com as doenças”. A apresentação pública deste projeto terá lugar em Gandra (concelho de Paredes), no dia 18 de maio, durante a primeira edição do Congresso da MYOS.

Apesar de não ter cura, a qualidade de vida do doente fibromialgico pode melhorar se houver um tratamento adaptado.

 

Associação mais antiga do mundo
A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) assinala o seu 93.º aniversário a 13 de maio, segunda-feira, com um...

A comemoração destes 93 anos é marcada pela entrega de medalhas a pessoas que vivem com diabetes há 50 ou mais anos, contando com alguns testemunhos sobre como era viver com diabetes em 1969.

A sessão conta com uma palestra de Maria Augusta Sousa, ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros, dedicada ao tema “Cuidar ontem e hoje”, e inclui ainda “Uma conversa à volta dos livros”, onde os participantes poderão conhecer várias obras dedicadas à área da diabetes e promovidas pela APDP.

“Somos a associação de pessoas com diabetes mais antiga do mundo. É com grande alegria que celebramos mais um aniversário, marcado por um trabalho intenso junto das pessoas com diabetes, com vista à melhoria da sua qualidade de vida e acesso a cuidados de saúde adequados”, afirma José Manuel Boavida, presidente da APDP, reforçando que “a educação e os autocuidados nos quais a APDP é pioneira são fundamentais para o reforço da autonomia das pessoas com diabetes no controlo da sua doença”.

“Com 1 milhão de portugueses com diabetes e centenas de pessoas ainda não diagnosticadas, a diabetes é uma condição grave, à qual deve ser dada a devida importância, quer pelo sistema de saúde, quer pela sociedade em geral. Neste contexto, o papel da APDP é incontornável no desenvolvimento de políticas públicas para o controlo e prevenção da diabetes”, acrescenta João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP.

 

 

Estigma ainda existe
Apesar de todos os avanços, as pessoas com hemofilia continuam a ter de enfrentar muitas dificuldades e desafios. Estudo da...

Dor, esperança de vida reduzida, falta de mobilidade, hospitalização frequente, estigma social elevado. Para as pessoas de hemofilia, era assim a realidade, num passado não muito distante. Hoje, os avanços científicos permitiram  mais e melhores tratamentos, que mudaram a vida destas pessoas. Mas o estigma permanece e as dificuldades antigas deram lugar a outras, como revela o estudo etnográfico ‘O dia-a-dia da pessoa com Hemofilia’, um trabalho da Associação Portuguesa de Hemofilia e outras Coagulopatias Congénitas (APH) e da Roche, apresentado hoje, dia 10, na conferência Hemofilia em Portugal, um Retrato dos Nossos Dias, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Realizado com pessoas com hemofilia de diferentes grupos etários, das regiões de Lisboa e Porto, o estudo confirma que os desafios da hemofilia, ainda que diferentes, não desapareceram, mantendo-se momentos de angústia e momentos de muita esperança. E mudam consoante as fases da vida. “Falar da hemofilia é muito importante porque há ainda muito estigma à volta da doença, que continua a ser incompreendida”, afirma Miguel Crato, presidente da APH. “Apesar de todos os avanços, as pessoas com hemofilia continuam a ter de enfrentar muitas dificuldades e desafios, identificados neste estudo, que procura também apontar soluções para melhorar o seu futuro.”

Tudo começa na infância, considerada para muitos a fase mais difícil da doença, dada a fragilidade da criança e a necessidade de preparação dos pais, ou ainda antes desta, no momento de engravidar quando, cientes da existência do gene da hemofilia no histórico familiar, se instala a apreensão entre o casal devido à possibilidade do filho também poder vir a ser portador.

Mas a doença pode surgir de surpresa, como acontece em muitos dos casos. Por isso, ao receber o diagnóstico, os pais vivem um processo de radical transformação: o filho saudável passa a ser alguém que possui uma doença crónica, com as condições em que a notícia é dada a nem sempre serem as ideais.

Uma série de adaptações são necessárias na logística e na dinâmica afetiva da família que convive com hemofilia. Os novos desafios trazem novas exigências: de tempo, de afeto, de recursos. É o tratamento (a administração do fator ao bebé), o receio de quedas, uma vez que os acidentes podem ter consequências graves, o tempo despendido no tratamento ou a vida do casal afetada. Aqui, o estudo identifica necessidades que precisam de ser colmatadas, como a falta de apoio aos pais, uma rede capaz de os ajudar a lidar com as surpresas, mais informação e uma equipa de saúde bem preparada.

Na adolescência surgem novos desafios. Ainda que a família já se encontre adaptada às rotinas e exigências da hemofilia, há um adolescente em busca das suas próprias conquistas e vitórias, que podem colidir quer com a vontade dos pais, quer com os cuidados necessários. Nesta fase da vida, os momentos de maior tensão passam pela aprendizagem da auto-administração e pelo descuido com o tratamento. É que, ao contrário das anteriores, esta geração desconhece as consequências de não fazer o fator, porque têm menos hemorragias e consequentemente menos dores. Assim, deixar de administrar poderá ser uma tentação.

O estudo identifica ainda a dificuldade de aceitação da doença, que se pode fazer acompanhar por alguma revolta, o aumento da vontade de experimentar atividades com mais adrenalina, mas que geralmente acarretam riscos ou a imposição de limites por terceiros, nem sempre fácil de aceitar, que tornam necessária a promoção de condições de responsabilidade.

Na vida adulta, a hemofilia já não apresenta tanta novidade. A maioria das pessoas já está adaptado ao tratamento e geralmente possui uma atitude segura e de aceitação da doença e são autónomos nas suas tarefas. No entanto, também esta fase não está isenta de desafios ou tensões. A falta de tratamento adequado e o desconhecimento da doença no passado deixaram sequelas físicas que implicam ainda lidar com a reação dos outros. Isto traduz-se num aumento das limitações físicas e num impacto laboral, com faltas no trabalho.

Instala-se a apreensão com o futuro. Ao mesmo tempo que são testemunhas da grandiosa evolução do tratamento, sentem-se inseguros e ávidos para usufruir desses avanços. É, por tudo isso, necessária a criação de condições de integração social, com personalização dos cuidados, disseminação de informação e conhecimento para a sociedade, com destaque para as empresas.

O entendimento da realidade dos seniores com hemofilia é recente e ainda pouco conhecida, dado que a expectativa de vida antes dos tratamentos atuais era muito mais baixa. Mas atualmente, a expectativa de vida é praticamente a mesma das pessoas sem a doença, sendo os problemas também semelhantes, exceto pelo fato da hemofilia dificultar o tratamento de outras doenças típicas da idade.

Algumas pessoas relatam a dificuldade de conhecer os seus direitos e de receber por eles, de manter a autonomia e conseguir viver com a dor, mais frequente, já que contrariamente às crianças de hoje não tiveram acesso à mesma qualidade e prontidão de opções de tratamento. Para estes, é preciso fácil acesso a informação sobre os seus direitos, aumentar a informação acerca dos cuidados sobre outras doenças, ter equipas de saúde centrada nas necessidades da pessoa portadora de hemofilia e que intervêm de modo holista e personalizado.

“Contamos com todos na apresentação e discussão deste tudo, quer pessoas ou não da doença, pois ainda há muito que não se sabe sobre a mesma e isso tem de mudar”, acrescenta o presidente da APH.

Saber agir em caso de paragem cardiorrespiratória
No último ano, mais de 4700 pessoas já foram sensibilizadas para a importância da cardioproteção através do projeto de...

Liderado pela Almas Industries e com a sua patente DOC (Desfibrilhador Operacional Conectado), o DOC+Vida é um projeto que pretende englobar toda a sociedade, seja através de empresas, associações ou em nome particular, transmitindo a importância da Cardioproteção e, de forma cívica, melhorar a saúde pública em Portugal através de: seminários de sensibilização e esclarecimento sobre a cardioproteção; formações e workshops de Suporte Básico de Vida (SBV) e de DAE (Desfibrilhador Automático Externo); conferências sobre hábitos de vida saudáveis a empresas e jornadas sobre alimentação para um coração saudável nas escolas.

Ao todo, foram feitas sete ações de sensibilização, nomeadamente com a Junta de Freguesia de Figueiró da Granja (Fornos de Algodres), com o Centro de Alto Rendimento das Caldas da Rainha e Federação Portuguesa de Badminton, com o Agrupamento de Escolas n.º1 de Elvas, na Douro Cup2018, nas III Jornadas da Solidariedade (Guarda), no Bairro da Abrunheira (Portalegre), e no Torneio Internacional de Basquetebol da Associação de Basquetebol do Porto.

Ao todo, 4710 pessoas foram sensibilizadas para a importância das manobras de Suporte Básico de Vida e de Desfibrilhação Automática Externa.

O projeto DOC+Vida é uma iniciativa da Almas Industries, no âmbito da sua patente DOC (Desfibrilhador Operacional Conectado)..

O DOC é o único desfibrilhador inteligente no mercado, sendo o único que incorpora monitorização remota 24 horas por dia, teleassistência com a Cruz Vermelha Portuguesa, chamada automática para os serviços de emergência e geolocalização, via GPS, do local exato da vítima.

A tecnologia DOC é segura e eficaz já que integra um cartão SIM que conecta automaticamente a um operacional treinado da Cruz Vermelha que ajuda durante todo o processo.

O DOC é também o desfibrilhador mais fácil de usar, bastando colocar os elétrodos no peito da vítima (ver vídeo).

Quando o DOC é retirado da caixa de proteção, uma vez confirmado que é uma emergência real, o operacional treinado enviará as coordenadas exatas para os serviços de emergência.
 
Para Miguel Martins, responsável pelo projeto DOC na Almas Industries, “dotar as pessoas de ferramentas que possam salvas vidas é um imperativo”.

“Todos os anos, morrem cerca de dez mil pessoas em Portugal devido a paragem cardiorrespiratória. Saber como agir num momento de emergência é crucial. Esperamos, por isso, dar continuidade ao projeto DOC+Vida em Portugal e chegar a cada vez mais pessoas. É nosso dever sensibilizar e é o dever de todos estarem aptos a ajudar”, sublinha.

Até final do ano, o projeto DOC+Vida deverá chegar a cerca de mais mil pessoas

Doença renal
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) vai promover duas aulas abertas sobre a doença renal nos dias 10 de maio,...

“Esperamos com esta campanha de consciencialização sobre a doença renal crónica contribuir para incentivar, principalmente, os mais seniores para a importância de cuidarem e protegerem os seus rins, com a adoção de um estilo de vida mais saudável. Está demonstrado que a melhor forma de reduzir a incidência da doença renal crónica é a promoção de programas de prevenção, onde se inclui a nossa campanha” explica Jaime Tavares, presidente da ANADIAL.

A campanha “A vitória contra a doença renal começa na prevenção” conta com o apoio da Associação de Doentes Renais de Portugal, da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e da Sociedade Portuguesa de Transplantação.

A doença renal crónica carateriza-se pela deterioração lenta e irreversível da função dos rins. Como consequência da perda desta função, existe retenção de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, resultando na acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). Os doentes com diabetes, hipertensão arterial, obesidade e historial familiar de doença renal podem estar em risco de desenvolver a doença.

Para prevenir a doença renal crónica, é necessário: vigiar o peso; ter uma alimentação saudável, com redução do consumo de gorduras e de sal, bem como das porções; deixar de fumar (os fumadores têm uma probabilidade três vezes maior de apresentar uma função renal diminuída); fazer exercício físico; controlar a hipertensão e a diabetes; não beber álcool; não proceder a automedicação; e fazer rastreios regulares.

 

Informar, aconselhar e sensibilizar
Com o objetivo de criar um espaço de intercâmbio de conhecimentos e experiências entre profissionais de saúde, doentes e...

Pedro Mendes Bastos, dermatologista CUF, refere que “existe necessidade dos cuidadores e das pessoas com dermatite atopica se exprimirem acerca do impacto da doença e, é comum, procurarem respostas junto de profissionais de saúde e de pessoas que passam pelos mesmos desafios. Atendendo a estas necessidades e valorizando a importância de aproximar e capacitar as pessoas que vivem, direta ou indiretamente, esta doença, lançamos de forma pioneira em Portugal a Escola da Atopia”.

A Escola da Atopia é uma iniciativa que já decorre em vários países, gerando espaços de partilha de informação e promovendo a troca de experiências sobre esta doença. Pedro Mendes Bastos revela que “a ambição da organização é que a médio prazo possam abrir mais Escolas da Atopia em Portugal”.

A Fundação para a Dermatite Atópica  tem por objetivo dar aos pacientes, aos pais de crianças com atopia bem como aos profissionais de saúde, informações sobre a natureza da dermatite atópica, os seus tratamentos, as suas repercussões na vida dos pacientes e das suas famílias e as melhores maneiras de aliviar o peso que constitui esta doença.

Joana Camilo, Presidente da ADERMAP, com diagnóstico de dermatite atópica desde criança, com mãe e filho de 9 anos também com a mesma doença, acolhe com entusiasmo o lançamento da Escola de Atopia, revelando que “a limitação de tratamentos específicos para a doença, a frustração e ansiedade pela falta de controlo, a limitação de conhecimento sobre a doença e o isolamento que esta doença despoleta são motivos frequentes de desespero das pessoas que vivem com dermatite atópica, que tendem muitas vezes a silenciar o seu sofrimento. Partilhar as preocupações e frustrações e adquirir novos conhecimentos é uma forma ativa de procurarmos melhor compreender a doença e desenvolver ou aperfeiçoar estratégias para melhor lidar com ela”.

Nesta Escola estão dermatologistas, pediatras, psicólogos, enfermeiros, cuidadores e pessoas com dermatite atópica motivadas a partilhar informações sobre a natureza desta doença crónica e o impacto físico e psicológico que acarreta. As inscrições para a sessão: “O que fazer na Dermatite Atópica” são gratuitas e limitadas ao número de vagas disponíveis.

Durante a ação de sensibilização para adultos, decorrem atividades paralelas, adaptadas por faixa etária, para crianças e adolescentes com dermatite atópica, acompanhadas em grupos por enfermeiras.

Aproximadamente 4,4% da população europeia vive com dermatite atópica. O dermatologista da CUF explica que “esta doença crónica manifesta-se em manchas e placas de pele vermelhas, com descamação. Estas lesões estão associadas a uma comichão intensa. Para além do impacto físico, as pessoas com dermatite atópica tendem a sentir um forte impacto psicológico, existindo maior propensão para a depressão, ansiedade ou perturbação do sono”.

Principais mitos
O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), comumente conhecido apenas como Lúpus, é uma conectivite (doenç

O LES é sempre uma doença grave com diminuição da sobrevida.

Felizmente a maioria dos doentes com Lúpus Eritematoso Sistémico têm a doença limitada à pele e articulações, de fácil controlo e sem impacto significativo no seu futuro. Para que isso se mantenha existem regras básicas, nomeadamente cumprir a medicação e ter hábitos de vida saudáveis, em particular a evicção (privação) da exposição solar e do consumo de tabaco.

O tratamento é difícil, pouco eficaz e inclui doses elevadas de corticoides.

Existem doentes com LES que necessitam de corticoides (grupo de hormonas esteroides) em altas doses, nomeadamente nas manifestações renais, hematológicas e neuropsiquiátricas. No entanto, os esquemas têm doses cada vez menores e por um período de tempo mais curto. Por outro lado, nas formas ligeiras de Lúpus, as doses são baixas ou até podem ser dispensadas. É necessário salientar que a maioria das dificuldades de controlo da doença estão relacionadas com a baixa adesão à medicação, uma vez que muitos doentes não tomam os corticoides nas doses prescritas, não tomam hidroxicloroquina (um dos medicamentos utilizados para o tratamento do LES), e não cumprem as restrições necessárias. É nossa obrigação salientar que o incumprimento da medicação é a principal causa do mau controlo da doença.

A hidroxicloroquina é muito tóxica.

De uma forma geral, a hidroxicloroquina deveria ser prescrita a todos os doentes com Lúpus. Previne as suas formas graves, é eficaz no controlo articular e cutâneo, reduz o risco vascular e globalmente aumenta a sobrevida dos doentes com esta doença. O medo da toxicidade oftalmológica é infundado desde que se usem doses até 5 mg/kg/dia (por exemplo, se o paciente pesar 50 quilos, deverá tomar até 250 miligramas do medicamento por dia). Os estudos demonstram uma clara relação dos surtos graves com o facto de não se cumprir o antimalárico hidroxicloroquina.

A gravidez no lúpus é de risco muito elevado e a medicação deve ser suspensa.

Efetivamente a gravidez em mulheres com Lúpus Eritematoso Sistémico pode, por vezes, ser um desafio complicado. Porém, se a gravidez ocorrer numa fase calma da doença, esta pode ser totalmente segura, desde que acompanhada por equipas multidisciplinares experientes. Um dos erros comuns é pensar que as medicações devem ser suspensas, contudo deve ocorrer o oposto: estas devem ser mantidas, pois aumentam o sucesso de uma gravidez bem-sucedida, em especial a hidroxicloroquina.

Anticoncepção com estroprogestativo é contraindicada.

A pílula convencional só deve ser contraindicada em doentes com anticorpos positivos para a síndrome anti fosfolipídico, pois aumenta o risco trombótico.

Existem novos tratamentos inovadores muito eficazes.

A maioria dos tratamentos ditos convencionais são muito eficazes e apenas um tratamento inovador foi aprovado nos últimos 30 anos, o Belimumab. No entanto, este só está aprovado para formas específicas de Lúpus em alta atividade.

Dr. António Marinho - Internista e Coordenador do NEDAI

Fonte: 
Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investigação
A descoberta foi feita durante uma análise que pretendia avaliar a exposição de animais selvagens, como o camarão de água doce,...

Para o investigador do King’s College, Leon Barron, esta descoberta é surpreendente, principalmente porque as amostras colhidas dizem respeito a uma zona rural. Os testes avaliaram amostras de 15 locais diferentes dos rios Alde, Box, Deben, Gipping e Waveney, em Suffolk. “Poderíamos esperar encontrar o que encontrámos em áreas urbana como Londres, mas não em bacias menores e mais rurais”, disse com preocupação.

Mas a verdade é que neste estudo, os investigadores dizem que “pela primeira vez” encontraram “um conjunto diversificado de produtos químicos, incluindo drogas ilícitas e pesticidas na vida selvagem do Reino Unido”. Acrescentando que “a cocaína estava presente em todas as amostras”.

De acordo com o principal autor do estudo, o aspeto mais preocupante é mesmo o facto de terem sido as drogas ilícitas as que mais foram detetadas nesta análise. Para além da cocaína, foram detetadas ainda a cetamina e um pesticida proibido, o fenuron.

Nic Bury, um dos autores deste estudo, afirma que é “preciso investigar se a presença de cocaína em animais aquáticos é um problema apenas na região de Suffolk, ou uma ocorrência mais generalizada no Reino Unido”.

“A saúde do meio ambiente tem atraído muita atenção do público devido aos desafios associados às mudanças climáticas e à poluição por microplástico. No entanto, o impacto da poluição química «invisível», como as drogas, na saúde dos animais selvagens precisa ser levada mais a sério”, acrescenta.

A presença de pesticidas que há muito foram proibidos no país também representa, de acordo com os cientistas, um desafio especial uma vez que a origem destes materiais não foi possível de determinar.

O estudo realizado em colaboração com a Universidade de Suffolk foi publicado, no início deste mês, na revista científica Environment international.

O papel da Nutrição Ortomolecular
Quer envelhecer em pleno e com saúde?

Envelhecer em pleno e com saúde, mantendo as capacidades, habilidades, funcionalidades e a satisfação pessoal é “desejo de todos mas sabedoria de poucos” e “saber envelhecer é um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver”, segundo Hermann Melville.

Como envelhecer sem ficar envelhecido? Aqui entra o papel da nutrição ortomolecular que significa usar os nutrientes ao serviço da saúde do indivíduo, como um método preventivo e eventualmente terapêutico, com a pretensão de estender qualidade de vida. Os dados demográficos do INE, relativamente à dinâmica da população portuguesa desde 1960 até à estimativa de 2055, mostram uma autêntica inversão da pirâmide demográfica, sendo o grupo etário dos 75 anos o que mais cresce.

O incremento da esperança média de vida confronta-nos com outro problema: o aumento da morbilidade e da malignidade. Como muitos dos mecanismos biológicos intrínsecos ao envelhecimento são comuns aos do cancro, promover o envelhecimento saudável é como prevenir o cancro. As estatísticas europeias dizem que ¼ dos idosos acumulam 5 ou mais doenças concomitantes, o que se traduz num envelhecimento com acumulação de farmacoterapia e baixa qualidade de vida.

Weinert e Timiras teorizaram o envelhecimento mas na prática este depende do equilíbrio oxidação versus proteção antioxidante já que são as espécies reativas do oxigénio as mediadoras dos danos celulares e moleculares que se acumulam aleatoriamente e progressivamente ao longo da vida do indivíduo. A célula tem as suas defesas naturais, as enzimas antioxidantes, todas elas dependentes de micronutrientes. Falamos da glutationa peroxidase, que contém selénio, e da superóxido dismutase, que contém zinco, cobre e manganês, entre outros exemplos.

A teoria dos radicais livres encaixa na teoria mitocondrial do envelhecimento: as mitocôndrias usam oxigénio para produzir adenosina trifosfato (ATP), mas produzem espécies reactivas do oxigénio. Estudos mostram que existe um ciclo vicioso entre a produção destes e as lesões no genoma mitocondrial. Estas lesões acumulam-se durante a vida do indivíduo, reduzindo a capacidade da mitocôndria produzir ATP, predispondo a célula ao envelhecimento e ao cancro.

O que caracteriza uma célula degenerada ou cancerosa em termos energéticos é a perda da capacidade aeróbica de produzir ATP na mitocôndria. Assim sendo, um dos segredos para um envelhecimento saudável e prevenção do cancro passa por manter saudáveis as nossas mitocôndrias, “centrais energéticas” ubiquitárias das células eucariotas, em maior abundância nos órgãos de maior exigência metabólica com por exemplo, o miocárdio.

Como pode a nutrição ortomolecular, com suplementação, favorecer um envelhecimento mais saudável? Seguem exemplos de nutrientes benéficos para um envelhecimento saudável, com suporte científico. A coenzima Q10 é o mais poderoso antioxidante da mitocôndria e potente protetor de todas as membranas celulares, evitando a sua lipoperoxidação. Estudos comprovam o benefício da suplementação com coenzima Q10 nos idosos, nas patologias crónicas associadas ao stress oxidativo 

e nos doentes que tomam medicamentos inibidores da produção de Q10 (estatinas inibem a enzima HMG-CoA redutase, responsável pela síntese hepática de coenzima Q10).

Estudos mostram ainda que a coenzima Q10 protege da miopatia induzida pelas estatinas e ainda que o seu défice é um factor preditivo de mortalidade na insuficiência cardíaca congestiva. Adicionalmente, verifica-se que os sobreviventes do enfarte agudo do miocárdio têm concentrações mais elevadas de coenzima Q10. A coenzima Q10 tem um perfil de segurança altíssimo e sem efeitos adversos descritos, mesmo estudado com doses dez vezes superiores à dose terapêutica recomendada. A relação metabólica entre o Q10 e o selénio explica-se pelo ciclo de regeneração da molécula coenzima Q10 (Ubiquinona/Ubiquinol – forma oxidada/reduzida). Selénio e coenzima Q10 são nutrientes sinérgicos, intervenientes em robustos estudos com dupla suplementação.

Nos últimos 10 anos, a descoberta de polimorfismos associados aos genes das selenoproteínas deu mais relevância ao selénio como antioxidante e anti-inflamatório. O baixo status em selénio tem sido associado ao aumento do risco de mortalidade, baixa função imunológica, risco de doença autoimune da tiroide e ao declínio cognitivo. Um bom status em selénio é essencial para a reprodução bem-sucedida. O benefício da suplementação em selénio está comprovado, especialmente em casos de deficiência.

O KiSel-10 foi um interessante estudo realizado na área da saúde cardiovascular, envolvendo um grupo de 443 idosos suecos suplementados durante 4 anos com 200 µg de selénio e 200 mg de coenzima Q10, em conjunto. Este estudo prospectivo, randomizado, controlado e duplamente cego, resultou de um trabalho conjunto de universidades nórdicas. Demonstrou-se que a intervenção reduziu significativamente a mortalidade cardiovascular, melhorou a função cardíaca ecográfica e bioquímica, com redução do parâmetro NT-proBNT. Seguiu-se um período de follow up de 10 anos sem suplementação, para avaliar os efeitos tardios da intervenção. Para espanto dos investigadores veio-se a demonstrar que se manteve a redução da mortalidade, mesmo 10 anos depois de terminada a suplementação.

Noutras subanálises, foram estudados parâmetros de atividade fibrogénica, para explicar o mecanismo de ação da suplementação na melhoria da função cardíaca, e foram encontradas melhorias significativas na fibrose. Outros estudos confirmam os efeitos benéficos da suplementação com coenzima Q10 nos marcadores inflamatórios: PCR, IL-6 e TNF-α.

Pela sua versatilidade e a segurança, a coenzima Q10 torna-se um sério candidato à prevenção primária cardiovascular. Lembrando outros nutrientes que protegem dos efeitos do envelhecimento, dá-se ênfase aos efeitos da melatonina na homeostase redox e na dinâmica mitocondrial. A vitamina D será um dos mais importantes nutrientes envolvidos no envelhecimento estando descritos os seus efeitos na diferenciação celular, prevenção do cancro e regulação do telómero com efeito na longevidade. O status do magnésio decresce linearmente com a idade podendo predizer a capacidade funcional. Depois destas reflexões nutricionais, fica outra reflexão: quando envelhecer é inevitável, ficar velho será opcional?

O processo evolutivo do stress oxidativo depende da capacidade imune de fazer a clearence das células senescentes e degeneradas: pode evoluir para envelhecimento e cancro ou homeostase com regressão tumoral e rejuvenescimento. Como profissionais de saúde, sensibilizados para esta capacidade regenerativa e como educadores pró-saúde, temos obrigação de passar esta mensagem.

Um cenário ideal de prevenção ativa com nutrição ortomolecular inclui um padrão de alimentação saudável, prática de exercício regular, vigilância analítica regular e, por fim, uma eventual suplementação individual.

Dra. Ana Paula Marum - médica especialista em Nutrição Clínica e Funcional, Medicina Bioreguladora e Ortomolecular.

Referências: 

  • Alehagen U, Johansson P, Björnstedt M, Rosén A, Dahlström U. Cardiovascular mortality and N-terminal-proBNP reduced after combined selenium and coenzyme Q10 supplementation: A 5-year prospective randomized double-blind placebo-controlled trial among elderly Swedish citizens. Int J Cardiol. 2013;167(5):1860-1866.
  • Alehagen U, Aaseth J, Johansson P. Reduced cardiovascular mortality 10 years after supplementation with selenium and coenzyme q10 for four years: Follow-up results of a prospective randomized double-blind placebo-controlled trial in elderly citizens. PLoS One. 2015;10(12):1-16.
  • Johansson P, Aaseth J, Svensson E, Lindahl TL, Alehagen U. Levels of sP-selectin and hs-CRP Decrease with Dietary Intervention with Selenium and Coenzyme Q10 Combined: A Secondary Analysis of a Randomized Clinical Trial. PLoS One. 2015;10(9):e0137680.
  • Johansson P, Dahlström, Dahlström U, Alehagen U. Improved health-related quality of life, and more days out of hospital with supplementation with selenium and coenzyme Q10 combined. Results from a double blind, placebo-controlled prospective study. J Nutr Heal Aging. 2015;19(9):870-877.
  • Alehagen U, Aaseth J, Alexander J, Johansson P. Still reduced cardiovascular mortality 12 years after supplementation with selenium and coenzyme Q10 for four years: A validation of previous 10-year follow-up results of a prospective randomized double-blind placebo-controlled trial in elderly. PLoS One. 2018;13(4):1-15.
  • Alehagen U, Aaseth J, Alexander J, Svensson E, Johansson P, Larsson A. Less fibrosis in elderly subjects supplemented with selenium and coenzyme Q10—A mechanism behind reduced cardiovascular mortality? BioFactors. 2018;44(2):137-147.    
  • Opinion S. Scientific Opinion on the substantiation of health claims related to coenzyme Q 10 and contribution to normal energy-yielding metabolism ( ID 1508 , 1512 , 1720 , 1912 , 4668 ), maintenance of normal blood pressure ( ID 1509 , 1721 , 1911 ), protection of. EFSA J. 2010;8(1924):1-27.
  • Qu H, Guo M, Chai H, Wang WT, Ga ZY, Shi DZ. Effects of coenzyme Q10 on statin-induced myopathy: An updated meta-analysis of randomized controlled trials. J Am Heart Assoc. 2018;7(19):1-11.
  • Pella D, Kumar A, Rosenfeldt F, et al. The Effect of Coenzyme Q 10 on Morbidity and Mortality in Chronic Heart Failure. JACC Hear Fail. 2014;2(6):641-649.
  • Potgieter M, Pretorius E, Pepper MS. Primary and secondary coenzyme Q10 deficiency: The role of therapeutic supplementation. Nutr Rev. 2013;71(3):180-188.
  • Ezekowitz JA. Time to Energize Coenzyme Q 10 for Patients With Heart Failure? ∗. JACC Hear Fail. 2014;2(6):650-652.
  • Shen DD, Linke L, Ahmad S, et al. Coenzyme Q10 dose-escalation study in hemodialysis patients: safety, tolerability, and effect on oxidative stress. BMC Nephrol. 2015;(1):2-9
  • Stoffaneller R, Morse NL. A review of dietary selenium intake and selenium status in Europe and the Middle East. Nutrients. 2015;7(3):1494-1537.
  • Galinha C, Sánchez-Martínez M, Pacheco AMG, et al. Characterization of selenium-enriched wheat by agronomic biofortification. J Food Sci Technol. 2014;52(7):4236-4245.
  • Rosado C, Miranda A, S. A, R. Tavares N, Costa S. Zinc intake and serum levels in Portuguese women living in Lisbon area. J Biomed Biopharm Res. 2017;11(2):201-206.
  • Pavão ML, Nève J, Santos MC, et al. Trace Element Status (Se, Cu, Zn) in Healthy Portuguese Subjects of Lisbon Population: A Reference Study. Biol Trace Elem Res. 2004;101(1):01-18.
  • Rayman MP. Selenium and human health. Lancet. 2012;379(9822):1256-1268.
  • Esteves C, Neves C, Carvalho D. O selénio e a tiróide. Arq Med. 2012;26(4):149-153.
Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Medicamentos
Em 2018, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde gastaram 342 milhões de euros em medicamentos para o cancro, avança a edição...

No total, as unidades hospitalares públicas tiveram uma despesa total com medicação de mais de 1.207 milhões de euros em 2018, mas foram os fármacos oncológicos que ocuparam a maior fatia, representando 28% dos gastos.

Segundo a notícia do JN, o Infarmed aprovou 43 substâncias para a especialidade de Oncologia nos últimos três anos. “É necessário combater a ideia de que a Saúde é apenas sinónimo de despesa e de que o medicamento é a sua principal causa”, contrapõe João Almeida Lopes, presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

O relatório de monitorização do consumo de medicamentos dá conta ainda de que a despesa com os fármacos para o VIH desceu 15,8 milhões de euros em apenas ano, graças aos medicamentos genéricos.

 

Distinção internacional
O Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) passou a integrar a rede de Centros de...

A WAO é uma organização mundial que integra sociedades nacionais de alergia e organizações internacionais que colaboram com a Organização Mundial da Saúde no âmbito das doenças alérgicas.

“Este é o tipo de reconhecimento com que queremos atravessar a espessura do tempo futuro, porque é expressão da melhoria continuada da qualidade, da segurança e da diferenciação que nos caracterizam, assim reforçando a confiança dos doentes nos profissionais do CHUC e a sua afirmação a nível nacional e internacional”, congratulou-se o Presidente do Conselho de Administração do CHUC, Fernando Regateiro.

No início de 2019, apenas 27 centros de todo o mundo integravam esta rede de excelência na área das doenças alérgicas, que tem como objetivo “intensificar e acelerar a inovação, a educação, a investigação básica e clínica em todo o mundo na área da alergia, asma e imunologia clínica”.

O critério principal para integrar a rede de centros de Excelência da WAO é o de realizar atividade clínica diferenciada, atividade educativa e formativa, investigação e, finalmente integrar grupos envolvidos em trabalho dirigido à comunidade.

Para a Diretora do Serviço de Imunoalergologia do CHUC, Ana Todo Bom, “o serviço de Imunoalergologia do CHUC que já era, em Portugal, o único a integrar a Rede Ga2len – Global Allergy and Asthma European Network, teve [agora] esta nova distinção que constitui mais um importante reconhecimento internacional da sua qualidade, na área clínica e na área da investigação”.

Fernando Regateiro congratula-se com o sucesso da candidatura do Serviço de Imunoalergologia a Centro de Excelência da Organização Mundial de Alergia (Center of Excellence, World Allergy Organization) e felicita vivamente o Serviço e os seus profissionais por esta distinção.

 

Hospitais
O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) contratou 65 médicos nos últimos 3 anos, o que representou um...

De acordo com o Presidente do Conselho de Administração, João Oliveira, o centro hospitalar «está a crescer, a diferenciar-se» e a tornar-se «mais atrativo» para os profissionais.

Com sede social em Vila Real, o CHTMAD agrega ainda os hospitais de Chaves e Lamego.

O responsável revela que, entre 2015 e 2018, período que corresponde ao mandato do atual Conselho de Administração, o CHTMAD contratou 65 médicos, o que representou um aumento de 26% e ajudou a solucionar o problema da listas de espera em algumas especialidades. Adianta que se verificou também um aumento de «81 prestadores de serviço» nestes últimos anos.

Com este reforço da equipa médicam foi possível ainda melhorar os tempos de acesso nas urgências, aumentar a produtividade dos blocos operatórios, reduzir algumas listas de espera e tratar mais doentes.

Segundo João Oliveira, o centro hospitalar possui sete especialidades «mais complicadas» e nas quais os tempos de espera para primeira consulta são mais elevados. É o caso dos serviços de Urologia, Dermatologia, Pneumologia, Cirurgia Vascular, Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Ortopedia.

Em Urologia o tempo de espera para a primeira consulta chega a ultrapassar os quatro anos e a lista de espera abrange mais de 3.000 utentes. Para tentar contornar o problema, o centro hospitalar arrancou em março com consultas adicionais em dois sábados por mês respeitando os critérios de «prioridade e antiguidade».

João Oliveira ressalva, no entanto, que os tempos de espera estão a ser cumpridos para doentes prioritários e muito prioritários.

Esta especialidade possui quatro médicos em Vila Real e, segundo o responsável, «não há especialistas de Urologia disponíveis para serem contratados».

Já o serviço de Dermatologia contava com cerca de 2000 pedidos para consulta. No final do ano passado, entrou em funcionamento a nível nacional a teledermatologia, que está a ajudar a combater a lista de espera nesta especialidade, refere o Presidente do Conselho de Administração.

O responsável garante que, nas restantes especialidades, estão ser cumpridos os tempos máximos.

Ensaio Clínico
Expansão, ou multiplicação, das células em laboratório antes do transplante mostrou ser segura e eficaz em caso de...

Segundo os dados do estudo, recentemente publicado no Journal of Clinical Oncology, 36 doentes transplantados que sofriam de doenças hemato-oncológicas, como leucemias e linfomas, apresentaram resultados positivos, após a seleção de uma unidade de sangue do cordão umbilical compatível, que foi depois expandida em laboratório e enviada para um dos 11 centros de transplantação nos EUA, Europa e Ásia.

O processo de expansão laboratorial, desenvolvido pela empresa israelita Gamida Cell, baseia-se na utilização de uma molécula, a nicotinamida, que permite cultivar as células estaminais em laboratório sem que elas se diferenciem, tendo o produto final sido designado NiCord.

O tempo médio para a recuperação de neutrófilos após um transplante de medula óssea de um dador compatível é de 20 dias e de 21 dias para transplantes convencionais com sangue do cordão umbilical. Com o NiCord, os autores observaram uma redução eficaz para 11.5 dias, diminuindo, assim, o período em que os doentes estão mais vulneráveis e, consequentemente, a ocorrência de infeções e do tempo de internamento hospitalar nos primeiros 100 dias pós-transplante.

Segundo Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal, “para além da possibilidade de transplantar doentes com maior peso corporal, uma das grandes vantagens da expansão celular é poder escolher unidades de sangue do cordão umbilical com o melhor grau de compatibilidade e assim aumentar o perfil de segurança do transplante”.

“Estes resultados indicam que o sangue do cordão umbilical está um passo mais perto de se tornar numa fonte de células estaminais acessível a todos os que precisam de um transplante hematopoiético”, reforça a investigadora.

Nos últimos 30 anos, o sangue do cordão umbilical tem permitido que doentes com imunodeficiências, doenças metabólicas e doenças do sangue que necessitam de um transplante hematopoiético (transplante de células estaminais hematopoiéticas, i.e., capazes de originar células do sangue) e não têm dador de medula óssea compatível possam ter uma hipótese de cura. O maior desafio na área da transplantação com sangue do cordão umbilical é o tratamento de doentes com maior peso corporal, que tem sido ultrapassado usando duas unidades de sangue do cordão umbilical, quando necessário. No entanto, esta modalidade de tratamento está associada a custos e tempos de recuperação superiores. Por esse motivo, têm sido estudadas outras alternativas, nomeadamente a expansão, ou multiplicação, das células em laboratório antes do transplante.

Páginas