Estudo
Trinta e cinco anos após a criação do Serviço Nacional de Saúde, e apesar dos “progressos assinaláveis em todos os indicadores...

O estudo “Evolução dos indicadores de saúde ao longo dos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, realizado pela geografa Paula Santana, da Universidade de Coimbra, vai ser apresentado quinta-feira no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, numa cerimónia para assinalar a efeméride.
De acordo com esta investigação sobre a saúde dos portugueses, “a transição epidemiológica não aconteceu da mesma forma em todo o país”, registando-se “alguns contrastes inter-regionais e intra-regionais, bem como as oposições norte-interior/norte-litoral, sul-interior/sul-litoral”.
“A análise regional e distrital da evolução, entre 1974 e 2012, das taxas de mortalidade infantil, neonatal, perinatal e específica de um a quatro anos demonstra ganhos em todo o território, embora a ritmos ainda diferentes, em função da evolução da demografia, das acessibilidades e das condições económicas e sociais dos distritos”, lê-se no estudo.
Em declarações à agência Lusa, Paula Santana disse que estas assimetrias persistem 35 anos depois da criação do SNS e, “em alguns casos, agravaram-se”.
“Apesar dos progressos assinaláveis em todos os indicadores de saúde dos portugueses, existirão sempre assimetrias em alguns indicadores, independentemente das medidas que possam ser tomadas”, refere.
Para Paula Santana, “tais assimetrias podem resultar, por exemplo, da composição etária das populações - populações mais envelhecidas apresentam piores de resultados em saúde do que populações mais jovens - ou de problemas de escala e acesso, já que pequenas povoações tendem a ser menos dotadas com equipamentos de saúde ou apoio social do que grandes aglomerações populacionais”.
“O que importa é que a variação dos indicadores seja cada vez mais explicada por este tipo de causas e menos por efectivos problemas de acesso a cuidados de saúde e existência de condições habitacionais degradadas”, prosseguiu.
A autora ressalva que “muito foi feito pelo poder local após o 25 de abril de 1974 e muitas das melhorias estão associadas à melhoria das condições de saneamento e fornecimento de água potável e electricidade, por exemplo, e, ainda, aos cuidados de saúde de proximidade (cuidados de saúde primários”).
Questionada sobre o impacto no SNS dos constrangimentos associados ao ajustamento financeiro que Portugal sofre, Paula Santana considera que “ainda não se pode identificar, com exatidão, o impacte da crise financeira e dos ajustamentos que Portugal sofreu na saúde das populações”.
“O que se sabe é que esse impacto tem sentido diverso, com alguns indicadores podendo melhorar por causa da crise e outros podendo piorar”, indicou, exemplificando: “A redução de circulação rodoviária ou a redução do consumo de calorias (dentro de certos limites, claro) podem ter efeitos benéficos sobre a mortalidade rodoviária ou sobre as doenças cardiovasculares”.
“Já o desemprego está claramente associado a piores estados de saúde e é crível que o seu aumento determine a deterioração do estado de saúde dos cidadãos”, adiantou.
A propósito do aumento de emigrantes portugueses, a autora prevê que “o estado geral de saúde dos portugueses residentes piore, uma vez que aumenta a proporção de idosos na população total”, isto tendo em conta que “os efectivos populacionais que têm emigrado mais são os jovens”.

Maior reunião de sempre em Portugal
Os serviços dos psicólogos precisam de ser cada vez mais usados em diferentes áreas, algo que está por acontecer, diz o...

Com a sessão de abertura marcada para hoje, ao 2.º Congresso Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses junta-se o IX Congresso Ibero-Americano de Psicologia, o que faz com que até ao fim de semana estejam mais de 2.000 profissionais (de 11 países) no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com cerca de 1.650 intervenções previstas.
O objectivo é afirmar os psicólogos no espaço ibero-americano e reflectir sobre a psicologia, embora o bastonário já faça um diagnóstico: há psicólogos mas falta formas de eles chegarem mais a quem precisa.
“Nós temos de facto um conjunto muito apreciável de gente formada em psicologia, na Ordem temos inscritas cerca de 20 mil pessoas”, mas “a correspondência entre a produção dos psicólogos “ e a sua utilização nos serviços “tem de ser aumentada”, diz o bastonário, Telmo Mourinho Baptista, em declarações à Lusa.
E acrescenta: há uma necessidade, quanto a nós premente, de que se utilize mais os serviços dos psicólogos nas várias áreas. Isso ainda não esta totalmente feito e teremos de fazer todo um trabalho para que isso cresça nas várias áreas, da saúde, da educação, das organizações, do desporto, da justiça… há espaço para que haja uma maior utilização dos psicólogos.
Telmo Mourinho Baptista cita as estatísticas para dizer que uma em cada cinco pessoas pode vir a ter uma perturbação, de depressão a ansiedade, de perturbações decorrentes do stress, de consumo ou familiares. Todas com um “impacto muito grande na vida das pessoas” e para as quais “há respostas psicológicas muito claras”.
O bastonário não tem dúvidas de que há o reconhecimento da classe mas também não tem dúvidas de que é preciso encontrar formas de os psicólogos chegarem “mais às pessoas”. “Porque há muita gente a trabalhar no privado mas isso limita o acesso, e para garantir o acesso temos de ter soluções públicas de acesso mais próximo das pessoas”, diz.
Segundo o responsável há desemprego na classe (quatro mil licenciados registados nos Centros de Emprego) mas a psicologia tem mais do que as áreas tradicionais, como a psicologia comunitária, do desporto ou da justiça, que são “de excelência” para o futuro da profissão, que começa hoje a ser discutido por quase 2.200 psicólogos.

Estudo
O uso prolongado de uma droga prescrita por norma para a ansiedade e a insónia está associado a um aumento de risco de...

Se o uso crónico de benzodiazepinas causa de facto a doença cerebral é desconhecido, mas a associação é tão flagrante que a questão deveria ser examinada, defendem os autores.
A demência afecta cerca de 36 milhões de pessoas no mundo, uma quantidade que se prevê que duplique de 20 em 20 anos à medida que a esperança de vida aumenta e os nascidos na bolha demográfica do ‘baby boom’ envelhecem.
Investigadores na França e no Canadá, usando uma base de dados no Quebeque, identificaram 1.796 pessoas com a doença de Alzheimer, cuja saúde foi monitorizada durante pelo menos até seis anos antes de a doença ter sido diagnosticada.
Cada indivíduo foi comparado, por três vezes, com outros, agrupados por idade e género, para procurar alguma anormalidade.
A investigação apurou que os pacientes com um registo de uso intensivo de benzodiazepinas, durante pelo menos três meses, têm uma probabilidade de 51% de serem diagnosticados com Alzheimer. O risco aumenta com o uso daquela droga.
Os investigadores admitiram que o quadro é confuso.
As benzodiazepinas são usadas para tratar a falta de sono e a ansiedade – sintoma que também são comuns entre as pessoas no período anterior ao diagnóstico de Alzheimer.
Por outras palavras, mais do que causar Alzheimer, a droga esteve a ser usada para aliviar os seus sintomas iniciais, o que poderia explicar a associação estatística, relativizaram.
“As nossas descobertas são da maior importância para a saúde pública” e suscitam mais investigação, adiantou a equipa de investigação.
O estudo, publicado pelo British Medical Journal (BMJ), foi liderado por Sophie Billioti de Gage, da Universidade de Bordéus, no sudoeste de França.
Em comentário, Eric Karran, investigador da doença, considerou que o estudo reuniu informação com apenas cinco anos, quando os sintomas de Alzheimer frequentemente aparecem numa década ou mais antes do diagnóstico.
“Precisamos de investigação mais prolongada no tempo para perceber esta proposta associação e quais as razões subjacentes que possam existir”, adiantou.

Ébola
A epidemia do vírus Ébola ameaça a existência da Libéria, afirmou ontem o ministro da Defesa liberiano, ao discursar perante o...

“A existência da Libéria está ameaçada”, disse o governante Brownie Samukai deste país da África Ocidental, o mais afectado pela doença.
A doença “propaga-se como um fogo florestal, devorando tudo na sua passagem”.
O país “não tem suficientes infraestruturas, capacidades logísticas, experiência profissional e recursos financeiros para enfrentar a epidemia de maneira eficaz”, salientou.
A epidemia, a mais grave desde a identificação desta febre hemorrágica em 1976, já causou 2.296 mortos entre os 4.293 casos identificados, 1.224 morreram na Libéria, quantificou a Organização Mundial de Saúde num balanço que fez, relativo a 06 de setembro. Cerca de metade destes casos mortais foram assinalados nas últimas três semanas.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pretende convocar a reunião internacional sobre o Ébola no final de setembro, em Nova Iorque, por ocasião da Assembleia-Geral da organização, para suscitar contribuições para lutar contra a epidemia por parte dos governos, das organização não-governamentais e do sector privado, indicou o seu porta-voz Stéphane Dujarric.
Na segunda-feira, Ban Ki-moon falou ao telefone com o Presidente dos EUA, Barack Obama, que poderia participar na reunião, sublinhando “a necessidade de aumentar a urgência dos esforços internacionais”.
A embaixadora norte-americana na ONU, Samantha Power, que preside ao Conselho de Segurança em setembro, estimou que “ninguém pode hoje dizer que a resposta internacional ao Ébola é suficiente”.
Samantha Power apelou a uma cooperação entre a ONU, os bancos Mundial e Africano de Desenvolvimento e os governos para “examinar como intensificar esforços” para controlar a epidemia.
Defendeu ainda a “discussão do papel que o Conselho de Segurança pode ter” neste domínio, que é para os EUA “uma prioridade em termos de segurança nacional”.

Nos Açores
O responsável pela Ordem dos Médicos nos Açores assegurou ontem que todas as denúncias e processos que recebeu da Inspecção...

Jorge Santos sublinhou, em declarações à agência Lusa, que a Ordem actua do ponto de vista "ético", podendo sancionar médicos apenas desse ponto de vista, mas as ilegalidades e a "função policial" cabem a outras instâncias do "Estado democrático", como o Ministério Público, a quem cabe actuar a esse nível.
O responsável pela secção dos Açores da Ordem dos Médicos falava a propósito de declarações proferidas ontem por um deputado do PS no parlamento regional.
Num debate sobre baixas médicas, o deputado José San-Bento afirmou que "toda a gente sabe que há abusos" e referiu o caso de dois consultórios privados que têm "uma tabela de preços" para passar atestados sem sequer verem os doentes.
"E são fiscalizados, são levantados os processos e a Ordem dos Médicos nada faz", assegurou o deputado socialista.
Jorge Santos admitiu a possibilidade de "alguns atrasos" na reposta do Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos aos processos que lhe são encaminhados de estruturas da Ordem de todo o país, mas rejeitou as críticas do deputado socialista.
O responsável pela Ordem nos Açores garantiu que além de encaminhar todas as denúncias e processos para o Conselho Disciplinar, tem também denunciado "casos suspeitos" à própria Inspecção Regional de Saúde.

OMS
O vírus do Ébola matou perto de 2.300 pessoas na África Ocidental desde o início da epidemia, anunciou ontem a Organização...

A febre hemorrágica Ébola fez 2.296 mortos em 4.293 casos (confirmados, prováveis e suspeitos), segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), referente a dados verificados até 06 de setembro.
O balanço anterior, publicado na sexta-feira, dava conta de 2.105 mortos em 3.967 casos assinalados na África Ocidental.
De acordo com os dados ontem divulgados, a OMS registou 1.224 vítimas mortais na Libéria, 555 na Guiné-Conacri e 509 na Serra Leoa.
A agência das Nações Unidas referiu ainda oito mortos na Nigéria em 21 casos (confirmados, prováveis e suspeitos). A OMS relatou igualmente três casos no Senegal, entre os quais está um doente confirmado.
Nos três países mais afectados pela epidemia, 47% dos casos mortais e 49% dos novos casos foram assinalados nos últimos 21 dias.
“A progressão dos casos continua a aumentar nos países onde a contaminação acontece em larga escala e de forma intensa: Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa”, indicou a organização.
Na segunda-feira, a OMS alertou que a Libéria deverá ver-se a braços com “muitos milhares de novos casos” nas “próximas três semanas”.
Com esta previsão, a OMS pretendeu alertar os parceiros internacionais que estão a tentar ajudar a Libéria para a necessidade de se prepararem para “aumentar os esforços actuais em três ou quatro vezes”.
O Ébola tem fustigado o continente africano regularmente desde 1976, sendo o actual surto o mais grave desde então.
A OMS decretou, a 08 de agosto, o estado de emergência de saúde pública mundial.

Península de Setúbal
Os presidentes dos centros hospitalares de Setúbal, Barreiro/Montijo e Hospital Garcia de Orta pretendem diminuir a dependência...

"Acho que as três instituições da Península têm potencialidades e estruturas que respondem com qualidade às necessidades, sem prejuízo de haver uma ou outra situação de carência. Estas três estruturas têm capacidade para dar assistência com qualidade às pessoas da Península, cerca de 800 mil, em parceira com os Agrupamentos de Centro de Saúde (ACES)", disse à Lusa Alfredo Lacerda Cabral, presidente do Centro Hospitalar de Setúbal.
Os conselhos de administração dos Centros Hospitalares de Setúbal, Barreiro/Montijo e Hospital Garcia de Orta, realizaram hoje uma viagem em barco tradicional do Sado, em Setúbal, para assinalar os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde.
Joaquim Ferro, presidente do Hospital Garcia de Orta, em Almada, defendeu que o hospital tem respondido "de uma forma exemplar" às necessidades da população, referindo que existe o objectivo de diminuir a dependência dos hospitais de Lisboa.
"Do ponto de vista da capacidade que temos instalada, poderia se diminuir a dependência dos hospitais de Lisboa em algumas especialidades. Temos feito um caminho, estamos melhores mas ainda existem doentes que vão para Lisboa. Entre os três hospitais temos que ter um reforço, numa ou outra área, de modo a conseguir mais autonomia de intervenção", afirmou.
Já Silveira Ribeiro, presidente do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, referiu que o número de profissionais existentes nos hospitais é suficiente, explicando que o problema está relacionado com algumas especialidades.
"Acho que até teremos profissionais a mais em número, agora a distribuição tem problemas em algumas especialidades médicas e também nos enfermeiros. A situação da anestesia é crítica. O nível de atendimento dos hospitais é razoável e temos que tentar resolver o máximo de situações de pessoas da Península", frisou.
Os responsáveis foram unânimes em considerar que a capacidade operatória não é aproveitada, devido à falta de anestesistas.
Em relação aos tempos de espera, em especial nos serviços de urgência, os responsáveis defendem que estão dentro do aceitável, apesar de destacarem alguns problemas que afectam os serviços.
"Temos os serviços estruturados para dar prioridade, nas urgências, a quem tem necessidade de uma resposta imediata. De um modo geral, os tempos de atendimento são aceitáveis", explicou Alfredo Lacerda Cabral.
Já Joaquim Ferro, do Garcia de Orta, rejeitou a ideia que o hospital esteja perto da rotura, referindo que o atendimento está "muito perto do recomendado" pela triagem de Manchester.
"Temos um atendimento nas urgências muito perto do recomendado pela triagem de Manchester. Temos dois meses de experiência com os cuidados de saúde primários para que os cuidados menos urgentes aí possam ter resposta e isso diminuiu a pressão na urgência", disse.
O responsável lembrou ainda que os hospitais têm várias camas ocupadas por pessoas com alta clínica, devido ao facto de não existirem camas suficientes na área dos cuidados continuados, o que depois provoca problemas nas urgências.
"Hoje temos um grau de sustentabilidade nas instituições que não existia e penso que não existem motivos de preocupação. As instituições da Península vivem um bom momento", concluiu.

Presidente da ARS de Lisboa diz
O presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, afirmou ontem que a carência de...

"Temos uma carência clara e óbvia em recursos humanos, em especial de médicos. Temos carência de médicos de família, o que é grave e preocupante, não tendo uma solução fácil. Não é um problema de dinheiro ou vontade", disse em declarações à agência Lusa. Luís Cunha Ribeiro participou ontem numa viagem num barco tradicional do Sado, em Setúbal, organizada pelos conselhos de administração dos Centros Hospitalares de Setúbal, Barreiro/Montijo e Hospital Garcia de Orta, para assinalar os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde. "A nível hospitalar existem especialidades deficitárias, como a anestesia e a anatomia patológica. A anestesia é responsável por grande parte das listas de espera. Não adianta ter cirurgiões, enfermeiros ou blocos se não tivermos anestesistas. Formar não se faz em dois meses ou dois anos, mas temos que encontrar soluções, porque as pessoas não podem ficar anos à espera", defendeu. Quanto aos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde, Luís Cunha Ribeiro defendeu que é o maior êxito da democracia em Portugal. "O SNS já passou a infância, adolescência e é um adulto jovem, entrando na sua maturidade. O serviço é o maior êxito da democracia portuguesa. É um serviço que tem 10 milhões de potenciais clientes e os indicadores demonstram que é uma organização de sucesso", defendeu, apesar de referir que a crise tem reflexo no serviço.

Câmara de Lisboa
A Câmara de Lisboa quer pôr em marcha um plano de combate ao desperdício alimentar na cidade, pretendendo criar uma rede entre...

“A câmara de Lisboa deu aqui o primeiro passo enquanto primeiro município do país que terá uma estratégia de combate ao desperdício alimentar”, afirmou o comissário municipal do combate ao desperdício alimentar, João Gonçalves Pereira.
O também vereador centrista falava aos jornalistas à margem de um almoço de apresentação dos contributos daquele comissariado ao Governo, no plano nacional contra o desperdício alimentar.
Em maio, foi aprovado por unanimidade na reunião de câmara a criação deste comissariado, encarregue de criar um plano para a cidade.
Segundo João Gonçalves Pereira, “este comissariado não se pretende substituir a nenhuma outra instituição: nem aos restaurantes nem às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que recolhem. Cada um terá o seu papel”.
De acordo com o autarca, “o papel da Câmara Municipal será, no fundo, criar uma rede e congregar esforços” para que em toda a cidade haja recolha das refeições a mais, que depois serão “canalizadas para os que mais precisam”, defendeu.
João Gonçalves Pereira espera que o plano seja aprovado pela câmara até dezembro, para que em janeiro esteja em condições de ser executado.
Também presente, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa explicou que a autarquia, através deste comissariado (do qual também faz parte), já contactou várias entidades, organizações, organismos de Estado, tendo enviado 64 cartas no total.
João Afonso referiu que o contacto com os restaurantes é feito através de estruturas organizativas do sector.
O encontro contou ainda com a presença do secretário de Estado da Alimentação, Nuno Vieira e Brito que, em declarações aos jornalistas, defendeu que “Lisboa tem já uma tradição e um trabalho de rigor” nesta área.
O governante adiantou que “este ano, o Governo estabeleceu (...) um compromisso entre diferentes entidades”, como autarquias, confederações de agricultores, indústrias e universidades, no combate ao desperdício alimentar.
O resultado desse compromisso será apresentado a 16 de outubro, abrangendo vários sectores, como a produção, a comercialização, a distribuição, o ensino e as autarquias.
Uma das medidas a adoptar assenta nos mercados de proximidade e na “fruta feia”, que apesar de não ter o aspecto desejado, está apta para consumo, e poderá ser vendida a um preço mais baixo, exemplificou Nuno Vieira e Brito.
O encontro decorreu no Restaurante Laurentina, em Lisboa, que é considerado um exemplo no que toca ao aproveitamento das sobras.
O proprietário, Marco Pereira, foi um dos criadores do projecto ‘Re-food’, tendo lembrado que já anteriormente havia pessoas que faziam fila à porta do seu estabelecimento para ter uma refeição, por volta das 23:00.
O responsável admitiu que “sobra sempre” comida sendo que se trata de um restaurante de cozinha tradicional portuguesa, “com panela e tacho”, tornando-se “difícil” calcular as quantidades.
Entre os alimentos mais doados estão os pastéis de bacalhau, a sopa, o pão, o arroz e a batata cozida.
Actualmente, o desperdício alimentar em Portugal situa-se nos 17%, valor que está abaixo da média da União Europeia, de 30%.
Um dos objectivos do comissariado municipal é, ainda, criar uma plataforma nacional de conhecimento sobre o desperdício alimentar, para ter números mais actualizados e dados sobre os estabelecimentos.

Centro Hospitalar Barreiro/Montijo
O presidente do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, Silveira Ribeiro, anunciou ontem alterações no serviço de urgência, de modo...

"Vão ser feitas alterações físicas no serviço de urgência e algumas ao nível organizacional para agilizar melhor a transferência de doentes para os internamentos, diminuindo a pressão nas urgências", afirmou Silveira Ribeiro.
O responsável explicou também que por mais soluções que sejam encontradas, vão sempre haver problemas.
A Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros disse que existem doentes que permanecem no serviço de urgência do Hospitalar do Barreiro durante "dias ou semanas", depois de ter efectuado uma visita ao local.
O maior problema é a ineficiência dos circuitos de transferência interna dos doentes. Mesmo havendo vagas nos serviços de internamento os doentes permaneçam no serviço de urgência durante vários dias, nalguns casos várias semanas", refere em comunicado.
O enfermeiro Alexandre Tomás, presidente do Conselho Directivo Regional, referiu que estavam mais de 30 pessoas num serviço com capacidade para sete doentes, defendendo que a realidade encontrada é "muito adversa" para a prestação de cuidados de saúde e pode colocar em causa a segurança dos doentes.

Lamego
A Câmara de Lamego anunciou ontem que os doentes oncológicos vão ter pela primeira vez consultas gratuitas de acompanhamento...

Segundo a autarquia, este apoio é “alargado aos familiares dos doentes e a profissionais de saúde” e prestado “por técnicos de psicologia e serviço social que, em regime de voluntariado, serão responsáveis por um minucioso acompanhamento ao longo de todas as fases da doença”.
“Funcionando como complemento dos tratamentos médicos, esta terapêutica, segundo estudos científicos, permite minorar as elevadas taxas de perturbações psicopatológicas que dificultam bastante o processo de recuperação integral dos pacientes”, explica, em comunicado.
A criação na cidade de Lamego deste novo centro de recursos para a prestação de cuidados de psico-oncologia surgiu de uma vontade conjunta da Câmara, do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro e do Projecto +SER (cuja entidade coordenadora local é o Centro Social Paroquial de Penude).
A autarquia sublinha que “Lamego junta-se assim ao grupo restrito de cidades portuguesas que acolhem este serviço”.
Além da “melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes e dos seus familiares”, este apoio irá contribuir para “a diminuição do tempo de recuperação clínica, uma adesão terapêutica mais adequada e a redução dos índices de perturbações depressivas e ansiosas”, acrescenta.
O centro de apoio funcionará na rua Marquês de Pombal, durante os dias úteis, estando aberto a todas as pessoas, independentemente da unidade de saúde onde estão a realizar o tratamento médico.

Na Ucrânia
A Organização Mundial de Saúde alertou hoje para o reaparecimento de diversas doenças na Ucrânia devido à ausência de vacinas e...

“Actualmente não existem vacinas armazenadas na Ucrânia. Existem alguns centros que ainda possuem algumas doses mas quando estas terminarem não haverá mais. Tememos sobretudo um surto de poliomielite no país", afirmou em conferência de imprensa a representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Ucrânia, Dorit Nitzan.
“Quando a crise surgiu, o sistema sanitário do país já era muito débil e estava a ser reconstruído. Não garantia serviços de saúde adequados. O conflito piorou ainda mais a situação”, acrescentou, numa referência aos confrontos no leste do país entre o exército de Kiev e forças rebeldes pró-russas.
Nitzan revelou que a cobertura imunológica das crianças ucranianas não atinge os 50%, quer devido ao débil sistema de saúde, quer pelo facto de uma criança ter morrido em 2008 após ter sido administrada com uma vacina durante uma epidemia de sarampo “e que originou uma rejeição generalizada à imunização”.
Desde o início do conflito, no início da primavera, “o sistema sanitário foi submetido a muita pressão, e o ministério, simplesmente, não pôde fazer o necessário para obter mais vacinas”.
Perante a actual situação, a OMS receia um surto de poliomielite, sobretudo por poder deixar total ou parcialmente paralisado quem contrair esta doença.
“Claro que podem ocorrer casos de sarampo ou de rubéola, mas a poliomielite é muito perigosa. E sabe-se que após o primeiro caso confirmado de polio, haverá outros 200 infectados que passaram despercebidos”, acrescentou.
A vacina contra o tétano, necessária para as pessoas feridas no conflito, também entrou em ruptura, disse.
A OMS, em colaboração com o ministério da Saúde ucraniano, já estabeleceu contacto com diversos organismos internacionais para tentar garantir o envio das principais vacinas.
Nesse sentido, solicitou 14 milhões de dólares (10,8 milhões de euros) para adquirir vacinas e reequipar o sistema de saúde, mas até ao momento a petição apenas recolheu 40.000 dólares (31.000 euros).
Nitzan também referiu que 32 hospitais das zonas afectadas pelo conflito apenas funcionam parcialmente, e que outros 17 estão destruídos após terem sido alvo de bombardeamentos.
No total, cerca de quatro milhões de pessoas foram afectadas pelo conflitos no leste do país, e perto de um milhão foi forçada a abandonar as suas casas.

Farmacêutica Bluepharma
A farmacêutica Bluepharma, de Coimbra, que tem mais de 60 medicamentos no mercado, foi eleita a melhor empresa exportadora...

Na primeira fase da competição participaram, em todas as categorias, mais de 24 mil empresas de 33 países europeus. A Bluepharma passa assim à fase seguinte, na qual será eleita a melhor empresa europeia nesta categoria.
O presidente executivo da Bluepharma, Paulo Barradas, citado em nota de imprensa da sua assessoria de comunicação, mostrou-se muito orgulhoso por a empresa ir representar Portugal “nesta importante competição europeia, que reconhece o dinamismo das melhores empresas a actuar no mercado”.
“Esta nomeação é também o reconhecimento europeu da nossa forte aposta e presença no mercado internacional”, sublinhou.
A Bluepharma exporta para mais de 30 países, o que representa mais de 80% do seu volume de negócios.
Paulo Barradas sublinhou que, “apesar do clima económico ainda muito desfavorável, os bons resultados financeiros obtidos pela Bluepharma são um forte indício da capacidade que esta demonstra em se adaptar à difícil conjuntura e de abraçar grandes projectos à escala internacional”.
“O resultado do investimento que tem vindo a realizar - 17,5 milhões de euros entre 2010 e 2013 -, consubstanciou-se num ganho de capacidade e competitividade em termos industriais, que se traduziu na cativação de cerca de 160 clientes internacionais, traduzindo-se no maior índice de exportação de sempre” - 84% da sua faturação resultou directamente de actividades de exportação, acrescentou.
Segundo o responsável, a estratégia implementada e os investimentos contínuos “contribuíram para um volume de negócios da Bluepharma Indústria na ordem dos 35 milhões de euros, em 2013, um crescimento de 20,5% em relação ao ano anterior”.
A Bluepharma tem um laboratório próprio de Investigação e Desenvolvimento e é a primeira empresa do sector da indústria farmacêutica em Portugal com certificação integrada.
Para continuar nesta competição, vai agora submeter um vídeo, que posteriormente será analisado por um painel de júris. Os vencedores finais dos European Business Awards são conhecidos em junho de 2015.
Criados em 2007, os European Business Awards têm como objectivo reconhecer e premiar a excelência, boas práticas e inovação em empresas da União Europeia.

Em África
O Instituto Angolano de Controlo de Câncer, criado este mês por decreto presidencial, vai integrar o Serviço Nacional Saúde de...

O objectivo consta do estatuto orgânico do Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC), aprovado por decreto presidencial de 02 de setembro, ao qual a Lusa teve hoje acesso. Assume o propósito de "transformar" o IACC "numa instituição de referência em prevenção, diagnóstico e tratamento de alta complexidade das doenças oncológicas em Angola e nas regiões central e austral de África".
No despacho que cria a instituição, é definido que se tratará de um estabelecimento público de saúde da rede hospitalar de referência nacional, "integrado no Serviço Nacional de Saúde para a prestação de assistência no domínio da prevenção e diagnóstico precoce do câncer (cancro)", bem como "do tratamento especializado e complexo" dos pacientes oncológicos.
Entre as atribuições do IACC conta-se a de assegurar a assistência médica e medicamentosa em oncologia, a implementação de políticas, programas e planos nacionais de prevenção, bem como o tratamento especializado.
Deverá ainda assegurar a reabilitação de doentes, quer internos quer em consultas externas e a prestação de serviços de ação social ou a promoção da investigação científica na área da medicina preventiva e curativa em especialidades como oncologia clínica, cirurgia oncológica geral, radioterapia e anatomia patológica.
O novo instituto angolano, sob tutela do Ministério da Saúde, terá igualmente a missão de "colaborar" com as províncias no apoio à implantação dos Centros Oncológicos Locais.
Os cancros da mama e do colo do útero lideram os novos casos de problemas oncológicos diagnosticadas em Angola, de acordo com dados do Centro Nacional de Oncologia revelados em junho.
Aquela unidade recebeu em Luanda, provenientes de todo o país, durante o ano de 2013, um total de 1.329 novos casos de cancro. Destes, 314 (23,6%) dizem respeito a novos casos de cancro da mama diagnosticados e 180 (13,5%) referem-se ao diagnóstico de cancro do colo do útero.
Uma tendência que se repetiu entre janeiro e maio de 2014, período em que foram registados 406 novos casos de cancro no país.

Mais de 15 mil por ano
Entre 15 a 18 mil portugueses tentam todos os anos o suicídio, segundo estimativas dos especialistas reveladas pela nova...

A EUTIMIA conta, por enquanto, com apenas 30 associados, estando no início do seu percurso, como contou à agência Lusa o psiquiatra Ricardo Gusmão, adiantando que a organização pretende dar “abrigo, voz e suporte clínico aos sobreviventes e pessoas em risco de suicídio”.
Para cada pessoa que morre por suicídio em Portugal, cerca de 15 outras cometem um acto autoagressivo suicidário, refere o especialista, em vésperas do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, que se assinala na quarta-feira.
Desta forma, por cada mil a 1.200 suicídios por ano em Portugal, cerca de 15 a 18 mil tentarão cometer suicídio.
Além de dar apoio e suporte clínico aos que sobrevivem, a organização não governamental EUTIMIA pretende servir também de suporte para os familiares dos que se mataram ou dos que tentaram fazê-lo.
“Os que morrem deixam entre 2.000 a 6.000 familiares traumatizados, em luto, vulnerabilizados para a doença mental. Precisam de grupos de autoajuda, assistência clínica e informação”, refere Ricardo Gusmão, psiquiatra e dirigente da organização.
Estes familiares e amigos próximos precisam essencialmente de “psicoeducação”: saber como reconhecer e agir perante situações de risco.
A EUTIMIA – nome que significa “humor normal” – mostra-se ainda preocupada com o aumento do suicídio e crescimento dos problemas de saúde mental nos países em vias de desenvolvimento, nomeadamente nos africanos e lusófonos.
De acordo com Ricardo Gusmão, a organização pretende realizar acções de cooperação e desenvolvimento nestes países na área da saúde mental.

Arquipélago dos Açores
A oposição no parlamento dos Açores condenou hoje as novas regras das baixas médicas na região, considerando que dificultam o...

O tema foi levado ao plenário açoriano, que está reunido na Horta, pelo CDS-PP, através de um voto de protesto em que considerou a adopção de um novo regime para as baixas médicas "uma atitude maquiavélica" por parte do Governo dos Açores.
"É maquiavélico, porque com esta decisão introduz burocracia, obrigando as pessoas a recorrerem às unidades públicas de saúde que o Governo (Regional) sabe não terem capacidade de resposta, seja por falta de médicos de família para todos os açorianos seja por longas listas de espera para uma consulta", disse o presidente do CDS-PP/Açores, Artur Lima.
Referindo-se à portaria que entrou em vigor a 01 de setembro, Artur Lima considerou que os doentes açorianos passaram a ser "forçados a recorrer ao calvário das unidades públicas de saúde para validarem a baixa médica" que lhes passou um médico numa consulta privada e, assim, "conseguirem receber o subsídio de doença a que têm direito".
Todos os cinco partidos da oposição (CDS-PP, PCP, PPM, PSD e BE) se uniram nas críticas ao novo modelo das baixas, que reproduz o regime nacional, sublinhando que os Açores têm autonomia exactamente para adoptarem soluções diferentes para uma realidade própria.
Apelidando a portaria do Governo Regional de "infeliz" e insistindo no "grande défice" de médicos na região (com o PSD a reiterar que 40 mil açorianos não têm médico de família), a oposição considerou que esta não é a forma de responder às fraudes nas baixas e questionou "para que serve" a Inspecção Regional de Saúde.
Para a oposição, é através da fiscalização e denúncia que se resolve o problema da fraude e não "descredibilizando" ou lançando a suspeita de "atitude fraudulenta" sobre a generalidade dos médicos e da população.
Na resposta, o deputado do PS José San-Bento afirmou que "toda a gente sabe que há abusos" nas baixas médicas e referiu o caso de dois consultórios privados que têm "uma tabela de preços" para passar atestados sem sequer verem os doentes.
"E são fiscalizados, são levantados os processos e a Ordem dos Médicos nada faz", assegurou o deputado socialista, sublinhando que a nova portaria introduz "rigor" e combate "os abusos" através da "melhoria da capacidade inspetiva", além de tornar o acesso ao subsídio de doença mais "transparente" para os doentes.
San-Bento rejeitou ainda que o Serviço Regional de Saúde não tenha capacidade de resposta, dizendo que em sete ilhas há "cobertura integral" de médico de família. No caso das outras duas (São Miguel e Terceira), lembrou que existem serviços de atendimento permanente e "consultas de recurso" para quem não tem médico.
O socialista criticou ainda a "absoluta incoerência" de Artur Lima, dizendo que o "vice-presidente do CDS" nacional apoia este modelo, mas "o presidente do CDS/Açores" rejeita-o.
O Governo Regional não pode intervir nos debates de votos de protesto, tendo o PS lamentado a figura escolhida para levar o tema ao plenário, considerando que não permitiu o "debate aprofundado" que o assunto merecia.

Faculdade de medicina
A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto está a estudar o perfil psicológico dos seus estudantes para “reduzir o...

Em comunicado, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) adianta que o projecto ‘To be a doctor (Medical education: a longitudinal study of students’ satisfaction, performance and psychosocial profile)’ vai seguir um grupo de estudantes ao longo dos seis anos de curso e nos três primeiros anos de prática clínica, avaliando-o regularmente através de entrevistas e resposta a questionários.
A avaliação incluirá ainda um “estudo laboratorial com doseamento de substâncias que se sabe serem marcadores de níveis elevados de stresse” e que “sinalizará o risco para algumas doenças”.
De acordo com a professora da FMUP e investigadora responsável pelo projeto, Margarida Braga, “o objectivo é avaliar a experiência que o curso de Medicina vai representar para os estudantes em função de características pessoais (género, personalidade, experiência pessoal, capacidade de comunicação, forma de lidar com o stresse) e do contexto (exigências curriculares, actividades de lazer, relacionamentos afectivos e suporte social), a performance académica e a satisfação”.
Segundo o comunicado, estão actualmente já a ser seguidos os estudantes que transitaram para o 2.º e 3.º anos do mestrado integrado em Medicina da FMUP, mas ao longo desta semana vão ser recrutados os “caloiros” da faculdade.
“Ser estudante do ensino superior não é fácil. Sair de casa, criar uma nova rede de amigos e dar resposta a um nível de exigência académica elevado pode ser difícil de gerir”, refere a FMUP, salientando que “ser estudante de medicina pode ser ainda mais complicado, quer pelo esforço que permitiu ao estudante ter notas para ingressar neste curso, quer pelos desafios que se lhe vão apresentar nos anos subsequentes”.
De acordo com a fonte, sabe-se hoje que uma “percentagem elevada” de estudantes do ensino superior tem, por exemplo, níveis de ansiedade altos, sendo objectivo dos investigadores do Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da FMUP “saber porquê, em que medida essa ansiedade está relacionada com as características pessoais de cada um e com a vida académica e se há algum risco importante para a saúde dos estudantes”.
Com o projecto os investigadores pretendem ainda “conhecer quais os fatores que protegem os estudantes e contribuem para manter o seu bem-estar”, pelo que lhes vai ser pedido que “indiquem o seu grau de satisfação com o curso e com a sua vida pessoal e social ao longo dos anos”.
Segundo a FMUP, os resultados do trabalho vão “contribuir para o conhecimento científico de modo a melhorar a compreensão da experiência académica e profissional dos estudantes de medicina, do impacto pessoal e profissional dessa experiência”.
“Sabe-se que a saúde dos estudantes de medicina tem impacto no seu desempenho escolar, e na qualidade da sua prática clínica. Em última análise, as conclusões deste estudo vão permitir intervir, minimizando o stresse dos estudantes e melhorando a sua qualidade de vida”, frisa Margarida Braga.
Embora esteja actualmente apenas a analisar os estudantes da FMUP, a equipa de investigação – que colabora com estudos que estão a ser desenvolvidos noutras universidades do país, do Reino Unido e do Brasil - diz pretender “em breve” incluir estudantes de outras faculdades.
Em preparação está também a avaliação dos padrões do sono dos futuros médicos, que deverá ser realizada com a colaboração de uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro e de Braga.

Em Vila Real
Vila Real vai ser o palco para as “24 horas a nadar”, entre sábado e domingo, um evento que quer entrar para o Guinness e que...

A ideia é por o máximo de pessoas a nadar na piscina municipal de Vila Real ao longo de 24 horas, com cada uma a poder fazer apenas uma piscina (25 metros).

Para entrar para o Livro dos Recordes Guinness, o “24 horas a nadar” precisa de juntar pelo menos 5.029 pessoas e ultrapassar o recorde italiano que contou com 5.028 participantes.

Raquel Marinho, da organização da prova, afirmou hoje que as inscrições estão a chegar de todo o país e, em muitos casos, estas são feitas através de equipas e grupos.

O vereador da Câmara de Vila Real José Maria Magalhães enalteceu a importância desportiva do evento e a homenagem que presta aos bons resultados conquistados por jovens locais em competições internacionais, mas também destacou os fins solidários.

Os participantes têm que pagar quatro euros de inscrição e doar um bem alimentar, que será entregue à Câmara Amiga, iniciativa do município que apoia famílias carenciadas.

Parte do valor das inscrições será doado à causa da Joaninha, uma menina de cinco anos que possui um atraso psicomotor grave.

O pai da menina, Luis Lopes, referiu que a doença da filha “não foi diagnosticada” e que é “precisa toda a ajuda possível” para a menina poder fazer os diversos tratamentos a quem tem sido sujeita.

Este evento vai ajudar, segundo Luís Lopes, a dar a conhecer a Joaninha e a sua causa a nível nacional.

E porque os banhos públicos gelados estão na moda, a iniciativa quer ainda bater o recorde de “maior número de banhos gelados em 24 horas”.

Assim, os participantes, no local de entrada para a piscina onde decorrerá a tentativa de recorde do World Guinness, em vez de passarem no chuveiro, irão receber um banho de água gelada.

Desta forma, a organização pretende racionar o consumo de água, proporcionando um banho rápido de balde em vez de uso descontrolado dos chuveiros.

A todos será pedido o donativo de um euro para apoiar a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA).

Raquel Marinho referiu ainda que paralelamente à prova vão decorrer inúmeros eventos durante o fim de semana, os quais foram designados de arenas.

Na arena World Guinness, para além da prova, serão ainda feitas apresentações de natação sincronizada e dadas aulas de aquafitness, depois na arena saúde decorrerão rastreios gratuitos a todos os participantes.

Ao desporto alia-se ainda a gastronomia, que junta os pratos e doces típicos aos vinhos do Douro, bem como o lazer, com esta arena a ser organizada pela Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD).

Há ainda espaços dedicados ao fitness, aos desportos radicais, às crianças e outro onde se poderão adoptar animais que estão ao cuidado da Plataforma Proanimal.

A prova é uma iniciativa que junta a Câmara de Vila Real, a Federação Portuguesa de Natação (FPN), a Associação Regional de Natação do Nordeste (ARNN), a Clínica Médica dos Descobrimentos e pelo Instituto Português da Juventude (IPDJ).

Médicos Veterinários
Integrado na oferta de cursos de 2014, promovidos pelo Hospital Veterinário Montenegro, o Curso de Anestesia e Analgesia Loco...

Santiago Fuensalida, médico veterinário e docente da cadeira de Anestesia e Analgesia na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, é o formador deste curso, contemplando no programa os seguintes temas:

  • Anestesia Loco-Regional Central (epidural e espinal) e bloqueios da face.
  • Bloqueios dos Nervos nos Membros Anteriores e Posteriores.

Luís Montenegro, director clínico do Hospital Veterinário Montenegro (HVM) refere que “o Curso de Anestesia e Analgesia Loco-Regional surge no âmbito de uma osmose de conhecimento entre um especialista de Buenos Aires, perito na área, e o HVM. Integrar esta área inovadora da medicina veterinária nos cursos do HVM concebe a partilha de conhecimentos, potencia o desenvolvimento das competências dos profissionais de medicina veterinária e impulsiona a qualidade dos serviços prestados”.

O recurso a Anestesia e Analgesia Loco-Regional permite evitar anestesias gerais e analgesias com opióides sistémicos.

As inscrições estão abertas a estudantes de veterinária, profissionais e especialistas da área.

Para mais informações sobre o curso ou para inscrições, contactar Marta Pinto através do correio electrónico [email protected] ou telefone 938589458.

Pode consultar o programa deste curso aqui.

15 a 21 de Setembro - Semana das Doenças da Próstata
A Associação Portuguesa de Urologia celebra a Semana das Doenças da Próstata com uma mensagem de ale

De 15 a 21 de Setembro a Associação Portuguesa de Urologia (APU) celebra a Semana das Doenças da Próstata com o principal objectivo de alertar todos os homens acima dos 45 anos da importância de uma vigilância médica periódica essencial para despistar estas doenças.

Esta semana insere-se na semana europeia de divulgação de informação relativa a doenças urológicas. “Os principais objectivos são informar e promover uma discussão aberta entre urologistas, médicos de família e público em geral sobre este tema”, conta Miguel Ramos, urologista e membro da Associação Portuguesa de Urologia.

Pretende-se durante esta semana divulgar informação nos meios de comunicação social e no portal da Associação Portuguesa de Urologia – www.apurologia.pt – como forma de também ajudar a desmistificar alguns preconceitos que ainda comportam estas doenças. Para além disso, durante esta semana “alguns hospitais promovem dias de consulta aberta”.

Na opinião do especialista “cada vez mais portugueses recorrem ao seu médico por causa de doenças da próstata. Há inclusive, em Portugal, dados que sugerem uma diminuição da mortalidade por cancro da próstata por uma melhoria no diagnóstico precoce”. Contudo, há ainda o reverso da medalha e alguns homens têm receio do impacto que a doença ou os tratamentos possam ter na actividade sexual. “Na realidade os tratamentos para a Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) têm um efeito mínimo na actividade sexual e alguns podem até ter um efeito benéfico”, alerta o urologista sublinhando que, os tratamentos para o cancro da próstata podem ter um impacto negativo, mas cada vez menor na função sexual.

É sobre essa área que os homens mais temem que as doenças da próstata os afectem. Tal como explica Joaquim da Cruz Domingos, doente com carcinoma da próstata, “continua a haver preconceito porque a próstata está muito ligada na mente do homem à masculinidade, impotência, incontinência, etc. É comum os homens não falarem deste assunto nem a familiares ou amigos/as. Mas este preconceito está lentamente a mudar”.

As doenças mais prevalentes
A prostatite, a Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) e o cancro da próstata são os tipos de doença da próstata mais frequentes, sendo que conforme explica Miguel Ramos, “as mais frequentes são as duas últimas, cuja prevalência aumenta com a idade”. Também a incidência da HBP e do carcinoma tem sido maior nas últimas décadas, devido não só ao aumento da esperança média de vida, mas porventura também devido às alterações dos hábitos alimentares e pelos novos métodos de diagnóstico.

Embora o cancro da próstata seja usualmente a doença mais falada, a HBP é a doença prostática mais frequente, dando origem a cerca de 10 mil cirurgias por ano e atingindo metade dos portugueses com 60 anos e 90% com 80 anos.

“A HBP é muito prevalente, cerca de um quarto dos homens na sexta década de vida e cerca de um terço dos homens com mais de 70 anos, têm sintomas urinários relacionados com a HBP. Se olharmos apenas para o volume da próstata a prevalência é ainda maior cerca de 60% aos 60 anos e de 80% aos 80 anos”, explica Miguel Ramos sublinhando que, apesar de benigna pode causar sintomas urinários importantes com um grande impacto na qualidade de vida dos doentes.

“O cancro da próstata é o tumor visceral mais comum no homem. A incidência deste tumor varia muito de país para país por causa das diferentes políticas de rastreio e por questões étnicas, mas ronda os 150 novos casos por 100 000 habitantes/ ano nos EUA e na Europa”, refere o especialista, acrescentando que a probabilidade de um homem vir a ter um cancro da próstata diagnosticado ao longo da vida é cerca de 15%.

Joaquim da Cruz Domingos conta que quando o médico o informou do diagnóstico, reagiu com muita preocupação. “A partir daí, a próstata, o cancro, os exames, as intervenções, etc. passaram a ter um papel relevante no meu dia-a-dia”. Há 15 anos acompanhado pelo mesmo especialista, “em 2012 o urologista achou necessário repetir alguns exames e pedir uma biopsia. Confirmou-se assim a existência de um carcinoma na próstata”, conta Joaquim.

É nessa medida que um dos objectivos da Semana das Doenças da Próstata é alertar os homens para não ficarem à espera que surjam os sintomas – por exemplo dificuldade em urinar ou retenção urinária - para procurarem o seu médico. Devem fazer uma vigilância médica periódica, essencial para despistar o cancro, pois apesar de ser a segunda causa de morte por cancro no homem nos países ocidentais, a sua possibilidade de cura é de 85% quando detectado precocemente. Em Portugal, segundo os dados estatísticos disponíveis, o cancro da próstata atinge anualmente 3.500 a 4 mil portugueses, sendo que 1800 acabam por morrer.

O quotidiano de Joaquim alterou-se essencialmente porque “agora está sempre presente no meu espírito a preocupação pelo evoluir da doença, a expectativa pelo resultado das intervenções médicas feitas, medo do que venha pela frente seja ainda pior. Aquilo de que gostava antes mantém-se, mas a tranquilidade e gosto pela vida diminuíram”.

Causas e diagnóstico
Segundo explicou Miguel Ramos ao Atlas da Saúde, “as causas do cancro da próstata não são conhecidas, mas sabe-se que o factor hereditariedade e idade têm um grande peso”.

O diagnóstico, diz o especialista, “pode ser feito com o doseamento do PSA (antigénio específico da próstata), uma análise ao sangue que doseia uma substância libertada pela próstata para a corrente sanguínea. A subida deste valor levanta a suspeita da doença, devendo ser complementada com o exame do toque rectal”.

Quanto ao cancro da próstata, não estão definidas estratégias de prevenção, mas sim de diagnóstico precoce. O urologista explica que “o rastreio provou diminuir a incidência de cancro da próstata avançado e a mortalidade por cancro na próstata, no entanto também envolve riscos que devem ser discutidos com o doente”.

Tratamento
Actualmente existem várias modalidades terapêuticas que podem curar o cancro da próstata localizado. Inclusive, “nas situações de carcinoma avançado, existem soluções terapêuticas que aumentam a sobrevida”. Pena é que, “existam algumas dificuldades no acesso a novos fármacos extremamente caros”, lamenta o especialista. Opinião corroborada por Joaquim da Cruz Domingos que sabe, por conversas com outros doentes que recorrem às unidades de saúde pública, que o acesso a cuidados de saúde “são mais difíceis e morosos”.

Em jeito de conclusão, Miguel Ramos refere que “os exames de rastreio do cancro da próstata são simples e deverão ser considerados em homens entre os 45 e os 70 anos. Os homens com familiares directos com carcinoma da próstata têm risco aumentado de o desenvolverem, por isso quando diagnosticado precocemente pode ser curado na grande maioria dos casos”.

Joaquim vê com muito interesse a existência de uma semana dedicada a estas doenças: “espero que a Comunicação Social mostre ainda mais as questões ligadas às doenças da próstata para levar os homens a acompanhar o estado de saúde da sua próstata regularmente todos os anos depois do 45 a 50 anos de idade”. 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.

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