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Diabetes

A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia.
Diabetes

Infelizmente a diabetes é uma doença em crescimento, que atinge cada vez mais pessoas em todo o mundo e em idades mais jovens. No entanto, há grupos de risco com fortes probabilidades de se tornarem diabéticos, nomeadamente pessoas com familiares directos com diabetes; homens e mulheres obesos; homens e mulheres com tensão arterial alta ou níveis elevados de colesterol no sangue; mulheres que contraíram a diabetes gestacional na gravidez; crianças com peso igual ou superior a quatro quilogramas à nascença; doentes com problemas no pâncreas ou com doenças endócrinas.

Para a diabetes tipo 2 concorrem vários factores como os genéticos, ambientais, anomalias na insulina, produção aumentada de glucose pelo fígado, aumento da ingestão de lípidos, secreção hormonal insuficiente pelos intestinos, obesidade, entre outros.

Os indivíduos com hiperglicemia intermédia ou pré diabetes apresentam risco aumentado de desenvolver diabetes, devendo esta situação, ser encarada como factor de risco para a diabetes e para doença cardiovascular por se associar à obesidade visceral, dislipidemia e hipertensão.

Principais sintomas
Nos adultos a diabetes é, geralmente, do tipo 2 e manifesta-se através da frequência em urinar, especialmente durante a noite (poliúria); sede constante e intensa (polidipsia); fome constante e difícil de saciar (polifagia); fadiga; comichão (prurido) no corpo, designadamente nos órgãos genitais; visão turva.

Nas crianças e jovens a diabetes é quase sempre do tipo 1 e aparece de maneira súbita, sendo os sintomas muito nítidos, dos quais se destacam a frequência em urinar, podendo voltar a urinar na cama; ter muita sede; emagrecer rapidamente; grande fadiga, associada a dores musculares intensas; comer muito sem nada aproveitar; dores de cabeça, náuseas e vómitos.

De salientar que os sintomas da diabetes nas crianças e nos jovens são muito nítidos, no entanto nos adultos, a diabetes não se manifesta tão claramente, sobretudo no início, motivo pelo qual pode passar despercebida durante alguns anos. Habitualmente os sintomas surgem com maior intensidade quando a glicemia está muito elevada e, nestes casos, podem já existir complicações (na visão, por exemplo) quando se detecta a doença.

Tipos de diabetes
A diabetes resulta de alterações dos processos pancreáticos, estando classificada em quatro tipos: tipo 1 - requer insulina para sobreviver; tipo 2 - por resistência tecidular à insulina associada à produção insuficiente da hormona; tipo 3 – gestacional e o tipo 4 - agrega diferentes tipos de diabetes.

A Diabetes Tipo 2 é designada por não insulino-dependente e é a mais frequente - 90 por cento dos casos. O pâncreas produz insulina, mas as células do organismo oferecem resistência à acção da insulina. O pâncreas vê-se, assim, obrigado a trabalhar cada vez mais, até que a insulina produzida se torna insuficiente e o organismo tem cada vez mais dificuldade em absorver o açúcar proveniente dos alimentos.

Este tipo de diabetes aparece normalmente na idade adulta e o seu tratamento, na maioria dos casos, consiste na adopção duma dieta alimentar, de forma a normalizar os níveis de açúcar no sangue. Ou seja, estes doentes podem não necessitar de insulina para sobreviver mas cerca de 30 por cento beneficiam da sua administração.

A Diabetes Tipo 1 designada por insulino-dependente e é mais rara. O pâncreas produz insulina em quantidade insuficiente ou em qualidade deficiente ou ambas as situações. Como resultado, as células do organismo não conseguem absorver, do sangue, o açúcar necessário, ainda que o seu nível se mantenha elevado e seja expelido para a urina.

Conforme já referimos a diabetes tipo 1 aparece com maior frequência nas crianças e nos jovens. Não está directamente relacionada, como no caso da diabetes tipo 2, com hábitos de vida ou de alimentação errados, mas sim com a manifesta falta de insulina. Os doentes necessitam de uma terapêutica com insulina para toda a vida, uma vez que o pâncreas deixa de a produzir, devendo ser acompanhados em permanência pelo médico e outros profissionais de saúde.

Este tipo de diabetes subdivide-se em dois conforme a causa é imune ou idiopática. O primeiro caso é mais comum e, embora o seu início seja mais frequente antes dos 30 anos, pode ocorrer em qualquer idade existindo alguma susceptibilidade familiar em que 10-15 por cento dos doentes apresentam história familiar.

Diabetes Gestacional - Surge durante a gravidez e, habitualmente, desaparece quando concluído o período de gestação. No entanto, é fundamental que as grávidas diabéticas tomem medidas de precaução para evitar que a diabetes do tipo 2 se instale mais tarde no seu organismo. Este tipo de diabetes requer muita atenção, sendo fundamental que, depois de detectada a hiperglicemia, seja corrigida com a adopção duma dieta apropriada. Uma em cada 20 grávidas pode sofrer desta forma de diabetes.

Outros tipos de Diabetes - Existem outros tipos de diabetes além do Tipo 1, Tipo 2 e Gestacional, mas esses ocorrem com muito menor frequência. São eles:
a) Diabetes Tipo LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) - Conhecido como Diabetes Tipo 1.5, a LADA costuma ser confundido com a diabetes do tipo 2.A maior incidência concentra-se em pacientes entre 35 e 60 anos. A manutenção do controle de glicemia é o principal objectivo do tratamento do portador da diabetes tipo LADA. Um aspecto que deve ser levado em conta, refere-se a progressão para a necessidade de terapia com insulina.
b) Diabetes Secundário ao Aumento de Função das Glândulas Endócrinas (Ex: doença de Cushing, acromegalia ou gigantismo)
c) Diabetes Secundário a doenças pancreática (Exemplos: pancreatite crónica, Destruição pancreática por depósito de ferro denominado hemocromatose, Retirada cirúrgica de 75% do pâncreas)
d) Resistência Congénita ou Adquirida à Insulina
e) Diabetes Associado a Poliendocrinopatias Auto-Imunes
f) Diabetes Relacionados à Anormalidade da Insulina (Insulinopatias)

Complicações da Diabetes
Quando o controlo da diabetes não é feito correctamente, para além das descompensações agudas imediatas, podem surgir complicações em diferentes órgãos que evoluem progressiva e silenciosamente (sem sintomas). Estas complicações podem ocorrer nos dois tipos de diabetes (tipo I e tipo II) e surgem fundamentalmente como resultado de um mau controlo metabólico, ainda que alguns factores genéticos também possam estar na sua origem.

- Retinopatia - lesão da retina;
- Nefropatia - lesão renal;
- Neuropatia - lesão nos nervos do organismo;
- Macroangiopatia - doença coronária, cerebral e dos membros inferiores;
- Hipertensão arterial;
- Hipoglicemia - baixa do açúcar no sangue;
- Hiperglicemia - nível elevado de açúcar no sangue;
- Lípidos no sangue - gorduras no sangue;
- Pé diabético - arteriopatia, neuropatia;
- Doenças cardiovasculares - angina de peito, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais;
- Obstrução arterial periférica - perturbação da circulação, por exemplo nas pernas e nos pés:
- Disfunção e impotência sexual - a primeira manifesta-se de diferentes formas em ambos os sexos;
- Infecções diversas e persistentes - boca e gengivas, infecções urinárias, infecções das cicatrizes depois das cirurgias.

Complicações Agudas
Importa vigiar os doentes para que sejam detectadas e tratadas de imediato. Para além das infecções e outras complicações, são consideradas como agudas a hipoglicemia e a hiperglicemia. A hiperglicemia grave pode ocasionar coma hiperosmolar, situação que coloca a vida em risco, assim como a hipoglicemia não tratada ou tratada tardiamente.

Hipoglicemia
Surge quando a glicemia é <50 mg/dL, embora os sintomas possam começar a manifestar-se com valores superiores.

A fome, palidez, cefaleias, suores frios, taquicardia, náuseas, cansaço, tremor, nervosismo, irritabilidade, visão turva são alguns dos principais sintomas para a hipoglicemia e podem progredir para confusão, sonolência, dificuldade em andar, convulsões e perda de consciência. As principais causas para se chegar ao ponto de hipoglicemia é o atraso na ingestão de alimentos ou ingestão de pequena quantidade, aumento da actividade física, toma de dose mais elevada de antidiabéticos, ou interacções medicamentosas.

Assim, o tratamento deve ser imediato ao aparecimento dos primeiros sinais. Ingerir de imediato 1-2 pacotes de açúcar (sacarose) em água ou sumo de laranja seguido da ingestão de outro alimento doce para manter a glicemia. O alimento deve ser isento de gordura ou possuir o menor teor possível para não demorar a absorção da glucose. Hipoglicemia grave com confusão, dificuldade em deglutir ou inconsciência: obriga a conduzir o doente urgentemente ao hospital por estar impedido da ingestão.

Hiperglicemia
A hiperglicemia caracteriza-se pelo elevado nível de glicose no sangue. Considera-se como complicação valores mais elevados que> 126mg/dl.

Esta condição pode ser assintomática quando não muito grave. As principais causas para a hiperglicemia são a falta de diagnóstico da diabetes, alimentação excessiva, erros no tratamento, stress metabólico, infecções, doenças agudas e gravidez. Em consequência, e na diabetes tipo 2, pode desenvolver-se coma hiperosmolar e na diabetes tipo 1 pode desencadear cetoacidose metabólica.

Complicações Crónicas
Para evitar as complicações crónicas da diabetes, que se consideram irreversíveis, é fundamental a prevenção da manutenção dos valores da diabetes. As principais complicações podem resumir-se nos seguintes tipos: neuropáticas e vasculares (macroangiopatia e microangiopatia).

Entre as complicações cónicas também se observa hipertensão e anomalias lipoproteicas (lípidos e proteínas). Os doentes com diabetes correm risco acrescido de desenvolverem doença cardiovascular, vascular cerebral e arterial periférica. Outra das complicações frequentes e graves da diabetes é o pé diabético como consequência de alterações ao nível da neuropatia, vasculopatia e infecções.

Tratamento

Diabetes tipo 1 – Os doentes podem ter uma vida saudável, plena e sem grandes limitações, bastando que façam o tratamento prescrito pelo médico correctamente.

O objectivo do tratamento é manter o açúcar (glicose) no sangue o mais próximo possível dos valores considerados normais (bom controlo da diabetes) para que se sintam bem e sem nenhum sintoma da doença. Serve ainda para prevenir o desenvolvimento das manifestações tardias da doença e ainda para diminuir o risco das descompensações agudas, nomeadamente da hiperglicemia e da cetoacidose (acidez do sangue).

O tratamento, que deve ser acompanhado obrigatoriamente pelo médico, engloba três vertentes fundamentais: adopção de uma dieta alimentar adequada, prática regular de exercício físico e o uso da insulina.

Diabetes tipo 2 - O tratamento é semelhante ao do tipo 1 mas, devido à menor perigosidade da doença, a maioria das vezes basta que a alimentação seja adequada e que o exercício físico passe a fazer parte da rotina diária para que, com a ajuda de outros medicamentos específicos (que não a insulina), a diabetes consiga ser perfeitamente controlada pelo doente e pelo médico.

Os medicamentos usados no tratamento deste tipo de diabetes são geralmente fármacos (comprimidos) que actuam no pâncreas, estimulando a produção de insulina.

Seguindo uma alimentação correcta e adequada, praticando exercício físico diário e respeitando a toma dos comprimidos indicada pelo médico, um doente com diabetes tipo 2 garante a diminuição do risco de tromboses e ataques cardíacos; a prevenção de doenças nos olhos e nos rins e da má circulação nas pernas e nos pés, factor que diminui significativamente o risco de amputações futuras.

Recomendações nutricionais
As recomendações nutricionais destinam-se a prevenir ou atrasar o desenvolvimento de diabetes, a reduzir o peso e o índice de massa corporal (IMC) e a melhorar o controlo glicémico e lipídico para redução da glucose da lipotoxicidade. Para a obtenção dos melhores resultados, os doentes devem ser seguidos por um nutricionista.

Desde a publicação do estudo Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) conduzido pelo United States National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK) em 1993, a alimentação passou a ser considerada como a parte central da terapêutica da diabetes para o controlo glicémico, tendo havido múltiplos avanços quanto a alterações comportamentais dos indivíduos com diabetes.

1. Redução de peso: nos indivíduos com excesso de peso, obesos ou com insulinorresistência, a redução ponderal, ainda que não marcada, melhora a resistência à insulina;
2. Ingestão calórica para redução ponderal: redução da ingestão em hidratos de carbono e em gorduras por um período até 1 ano sendo mantido se necessário;
3. Monitorização dos doentes com baixo teor calórico: perfil lipídico, função renal e ingestão proteica (para os doentes com nefropatia) e ajustar as necessidades de terapêutica hipoglicemiante;
4. Actividade física e modificação comportamental: para auxílio na perda de peso e melhoria da insulinorresistência;
5. Medicamentos para perda de peso: pode ser adequada auxiliando a perda de 5-10% do seu peso;
6. Cirurgia bárica: pode ser considerada na diabetes tipo 2 com IMC> 35 kg/m2, o que pode melhorar o controlo glicémico.

Apesar da necessidade de individualização da alimentação há regras recomendadas que se podem sumarizar quanto ao teor diário a ingerir:
- Calorias em hidratos de carbono de 50 a 60 por cento do total;
- Calorias proteicas de 12 a 20 por cento do total;
- Calorias lipídicas em 30 por cento ou menos do total, com <10 por cento de saturadas;
- Menos de 200 mg colesterol;
- Ingestão moderada de sódio (<300 mg/d);
- Ingestão moderada de álcool com alimentos;
- Ingestão de 20-35 g de fibras;
- Variar muito o tipo de alimentos e micronutrientes.

Fonte: 
Manual de Diabetes
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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