Investigação
A descoberta é de uma equipa de investigadores do Wellcome Sanger Institute, que conseguiu desmantelar “peça por peça” células...

A equipa por detrás deste estudo esta entusiasmada com a possibilidade de poder vir a contribuir para, num futuro que se espera próximo, o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados.

Fiona Behan, uma das investigadoras, revela que esta descoberta “é muito importante porque hoje em dia quando estamos a tratar o cancro estamos afetar todo o corpo do paciente. Não atingimos apenas as células cancerígenas”. 

“Este estudo permitiu-nos identificar os pontos fracos das células cancerígenas, o que possibilitará o desenvolvimento de fármacos que atinjam única e exclusivamente o cancro sem afetar tecido saudáveis”, explica em entrevista à BBC

O cancro é causado por mutações que ocorrem dentro das nossas próprias células e que alteram a informação no nosso código genético.

Durante esta investigação, os cientistas conseguiram aceder à informação de cerca de 20 mil genes, em mais de 300 tumores criados em laboratório feitos a partir de 30 tipos diferentes de cancro, e, para além de conseguirem desativar informação alterada, conseguiram identificar os genes cruciais para a sobrevivência.

Para tal, utilizaram a mesma tecnologia genética que foi usada o ano passado por um especialista chinês para alterar geneteticamente dois bebés – o Crisp. Uma ferramenta relativamente nova, barata e fácil para manipular o ADN.

Os resultados da investigação foram já publicados na revista científica Nature.  

Proposta em debate
Miguel Guimarães, lamentou ontem, em Coimbra, que a Assembleia da República (AR) não tenha avançado com a regulamentação do ato...

"A legislação sobre ato médico, que devia ser da responsabilidade da AR, tal como está definido na atual Lei de Bases da Saúde, e da responsabilidade também do próprio ministério, infelizmente, por interesses que desconhecemos, provavelmente económicos, das terapêuticas não convencionais," não avançou, salientou o responsável.

Miguel Guimarães, que falava à entrada para um debate sobre o Regulamento do Ato Médico, elaborado pela OM e que está em discussão pública, promovido pela secção regional do Centro, alertou para o perigo das terapêuticas não convencionais (alternativas) nas pessoas.

"Uma das principais questões é a segurança dentro do serviço público de saúde. É as pessoas saberem com quem estão a lidar e que funções e responsabilidades a pessoa que as pratica tem", disse o bastonário, salientando que é necessário definir claramente a diferença entre a medicina convencional e as terapêuticas não convencionais.

Segundo Miguel Guimarães, as pessoas "devem estar devidamente identificadas - os médicos, os outros profissionais de saúde e os terapeutas que não sejam da área convencional da saúde para, claramente, as pessoas saberem com o que contam".

O regulamento do ato médico "permite claramente às pessoas perceberem o que são atos próprios dos médicos, em termos daquilo que é o diagnóstico, o tratamento, prevenção e podem ter uma informação melhor que os protege relativamente a outras situações", frisou.

"Os médicos não precisam do ato médico, já são responsáveis pelo que fazem, mas há muita gente que não sabe o que é responsabilidade", sublinhou Miguel Guimarães, acrescentando que o regulamento permite que os próprios médicos atuem e façam a sua medicina de acordo com as competências, especialidades e subespecialidades que têm atribuídas na OM.

Na proposta final da nova Lei de Bases da Saúde, que está para discussão na AR, Miguel Guimarães espera que as terapêuticas não convencionais não constem da futura lei "por não terem evidência científica".

O bastonário da OM disse também que a aprovação de uma nova Lei de Bases só vale a pena se tiver em conta o papel dos cuidadores informais, da ciência na evolução da medicina, que devia estar claramente bem definida, o acesso à inovação tecnológica e terapêutica e tudo o que é previsível para os próximos cinco anos.

"Ou se tem em conta estes aspetos ou não vale a pena estar a fazer outra Lei de Bases da Saúde, porque a que temos deu perfeitamente para os vários Governos, sejam do PS ou do PSD, liderarem a saúde da forma que melhor entendem, portanto, ou vamos mais longe e fazemos uma legislação que contemple matérias que são absolutamente essenciais para a saúde do nosso país ou então não vale a pena", sublinhou.

A proposta do Regulamento do Ato Médico está em debate público, devendo o documento final, depois de aprovado pela Assembleia de Representantes da OM, estar concluído dentro de dois meses.

Comunicado
A Ordem dos Enfermeiros (OE) acusa a Ordem dos Médicos (OM) de ultrapassar competências e contesta o projeto de regulamento que...

A 28 de março foi publicado no Diário da República um projeto de regulamento da OM que define o ato médico (atos próprios dos médicos) que está em consulta pública por 30 dias.

Num comunicado,  a OE disse que contestou o regulamento junto dos médicos e explica que “a redação apresentada pela Ordem dos Médicos contraria normas legais em vigor e fere o primado do direito europeu”.

Tal acontece, acrescentam os enfermeiros, porque no regulamento se está a atribuir apenas aos médicos “competências legalmente atribuídas a outras profissões, nomeadamente os enfermeiros”.

No comunicado a OE considera que “a Ordem dos Médicos ultrapassa as suas competências ao determinar que a coordenação de equipas multidisciplinares em cuidados de saúde” é feita por médicos, “o que cria uma dependência funcional entre profissões tecnicamente autónomas e cientificamente independentes, que devem atuar em complementaridade e não em dependência”.

Diz a OE que o reconhecimento e a necessidade de aquelas equipas terem uma composição multidisciplinar não pode ser confundido com haver “qualquer subordinação hierárquica ou técnica entre profissões cientificamente autónomas”.

A pronúncia da OE vai no sentido “de não concordar com a formulação de ato médico apresentada no projeto de regulamento”, a qual “se afirma através do esvaziamento dos atos das demais profissões hoje diretamente envolvidas na prestação de cuidados de saúde”, diz a Ordem dos Enfermeiros no comunicado.

 

 

Novo Regulador
O novo diploma atualizou o regime jurídico que regula as atividades que envolvem a utilização de radiações ionizantes, em todos...

De acordo com a nota da Direção Geral da Saúde a principal mudança ao regime anterior passa por existir uma só autoridade competente e uma só autoridade inspetiva que concentrará as competências de autoridade reguladora em matéria de proteção contra radiações que se encontravam dispersas por diversas entidades de vários ministérios, permitindo ainda uma maior eficiência da execução das competências reguladora.

A DGS deixa assim de ser a entidade do sistema regulador responsável pela autorização das práticas. “No novo sistema regulador, as competências associadas à autoridade reguladora serão concentradas na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que passa a ser a autoridade competente para a regulação da proteção radiológica. A APA consolida, assim, as competências anteriormente atribuídas à DGS e às demais entidades do sistema regulador criado pelo Decreto-Lei nº 165/2002, que é revogado”, pode ler-se.

Quanto à responsabilidade inspetiva do cumprimento do novo regime jurídico, esta passa agora para Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) sucedendo nas competências das Administrações Regionais de Saúde e do IAPMEI cometidas pelo Decreto-Lei nº 165/2002. “A IGAMAOT passa a exercer o poder de inspeção em todas as disposições do diploma, em todos os sectores de atividade, designadamente na área da medicina, da indústria, da investigação e ensino”, avança a DGS.

Segundo a DGS, as licenças emitidas pela entidade, ao abrigo do regime jurídico atual mantêm-se válidas até ao final do seu prazo de validade original. “No entanto, com a entrada em vigor do novo regime, o titular das mesmas fica obrigado ao cumprimento das novas obrigações, devendo ajustar-se em conformidade”. Ao terminar o prazo de validade das licenças emitidas pela DGS, o titular deverá solicitar novo licenciamento ou registo, conforme aplicável, à APA. Licenciamentos em curso na DGS Os pedidos de licenciamento em curso transitarão da DGS para a APA nos próximos 30 dias. Estes pedidos aproveitarão os atos administrativos já praticados até ao momento, como por exemplo, o pagamento das taxas já efectuado, e serão decididos ao abrigo do novo regime. Caso necessário, a APA solicitará informações adicionais.

Outra mudança assinalada diz respeito ao licenciamento de prestadores de serviços. “A prestação de serviços de proteção radiológica deixa de estar sujeita a licenciamento, como previsto no Decreto-Lei nº 167/2002 e passa a estar abrangida por um reconhecimento prévio da APA. As licenças emitidas pela DGS, ao abrigo do regime jurídico atual convertem-se automaticamente em reconhecimentos e mantêm o seu prazo de validade original. No entanto, após esta data, as empresas ficam obrigadas ao cumprimento das novas obrigações, devendo ajustar-se em conformidade. Ao terminar o prazo de validade das licenças emitidas pela DGS, o titular deverá solicitar novo reconhecimento ou registo, conforme aplicável, à APA”, descreve a nota da DGS.

Os pedidos de licenciamento de prestadores de serviços em curso à data de entrada em vigor do novo regime transitarão da DGS para a APA nos próximos 30 dias. Estes pedidos aproveitarão os atos administrativos já praticados até ao momento, como é o caso do pagamento das taxas já, sendo decididos ao abrigo do novo regime.

Doença Alérgica
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as doenças alérgicas ocupam o quarto lugar das doenças
Alergias

A alergia caracteriza-se por uma resposta inadequada e exagerada do sistema imunitário a substâncias, habitualmente, inofensivas e que às quais designamos de alérgenos. Apesar de serem substâncias de origem natural, estas podem induzir a uma reação de hipersensibilidade em indíviduos mais suscetíveis.

O que acontece é que o corpo “reconhece” o agente alérgeno como uma substância estranha e alheia ao organismo no primeiro contato e, sempre que há uma exposição “excessiva”, o sistema imunitário reage com a libertação de substâncias que alteram a homeostase do organismo desencadeando a alergia.

O fenómeno alérgico encontra-se, deste modo, dividido em duas fases: a fase de sensibilização e a fase da reação alérgica.

Durante a primeira fase o indíviduo que se está a “sensibilizar” a um agente alérgeno não apresenta sintomas. As manifestações alérgicas, como olhos vermelhos, dificuldade respiratória, eritema ou prurido cutâneo, por exemplo, surgem no contato seguinte, designado de fase de reação alérgica. O que acontece é que, neste segundo contato, a informação se propaga ao resto do organismo, desencadeando a amplificação do fénomeno.

Entre os alérgenos mais comuns encontram-se os pólens, ácaros, pó, pêlo de animais e algumas substâncias alimentares.

Os tipos mais comuns de alergias são as alergias alimentares (provocadas pelo leite de vaca, ovos, amendoim, soja, peixes e frutos do mar ou nozes, por exemplo); alergias da pele (provocando lesões dermatológicas com prurido, habitualmente, intenso); alergias nasais (conhecida como rinite alérgica); alergias respiratórias (devido a alérgenos e irritantes das vias aéreas) e as  alergias oculares, das quais a conjuntivite alérgica é a mais comum.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, 25% da população portuguesa sofre de rinite alérgica, 10% de asma e 10% de urticária.

Embora a alergia seja uma patologia sem cura, desde que se conheçam as suas formas e agentes causadores, é possível controlá-la.

Estudos ao longo do tempo têm demonstrado que alguns indíviduos possuem uma predisposição genética para desenvolver reações alérgicas. Esta predisposição denomina-se atopia.

Existe, deste modo, ainda, um risco hereditário comprovado. Através do perfil “atópico” é possível determinar o risco de sintomas alérgicos nas crianças.  

Na realidade, o risco de desenvolver uma alergia respiratória é superior em famílias alérgicas, apresentando 50% de hipóteses quando ambos os pais são alérgicos. Caso os pais sofram da mesma doença alérgica a probabilidade de hereditariedade sobe para os 80%.

Por outro lado, também as alterações do meio ambiente e do estilo de vida – como poluíção, tabagismo ou urbanização crescente –, bem como dos hábitos alimentares são fatores que potenciam o desenvolvimento de alergias.

Apesar de não estarem na origem de fenómenos alérgicos, a poluição atmosférica contribui para o agravamento do problema.

Vários estudos demonstram a relação entre os poluentes atmosféricos e a asma e provaram que o risco de morte associada a doenças respiratórias é três vezes maior nas grandes cidades, onde existem grandes concentrações de ozono.

Manifestação e agravamento da doença

De acordo com vários especialistas, e baseado no resultado de vários estudos epidemiológicos, pode dizer-se que a vida do doente alérgico tem início na primeira infância.

Na realidade, um lactente atópico – que apresente um risco elevado de desenvolvimento de alergias, devido a antecedentes familiares e à exposição a substâncias alérgenas - começa por se mostrar sensível a determinados alimentos.

Estas alergias acabam, grande parte das vezes, por desaparecer dando lugar à uma maior sensibilidade aos alérgenos inalados que provocam alergias respiratórias, como a asma ou a rinite.

A dermatite atópica  (ou eczema) em lactentes pode manifestar-se a partir dos três meses de idade. Surgindo numa fase muito prematura da vida do bebé, caracteriza-se pelo endurecimento da pele, o que a torna muito áspera. Habitualmente surge eritema e prurido.

O eczema afeta sobretudo as virilhas, axilas ou concavidades dos joelhos, rosto e couro cabeludo.

Se não for tratada pode conduzir à desidratação da pele. Pensa-se que as proteínas do leite de vaca estejam na origem deste eczema.

A rinite alérgica corresponde a uma inflamação da mucosa nasal que apresenta como principais sintomas a sensação de nariz entupido, corrimento nasal, comichão e espirros.

Quando estas manifestações ocorrem apenas em determinadas épocas do ano trata-se de uma rinite alérgica, podendo ser reflexo de uma alergia aos pólens.

Uma rinite persistente, ao longo do ano, é conhecida como rinite peranual e resulta da sensibilização a uma ou mais substâncias alérgenas presentes em permanência no ambiente – como é o caso dos ácaros, pêlos de animais ou bolores interiores.

A asma alérgica caracteriza-se por uma obstrução variável e reversível das vias respiratórias, com inflamação e hiper-reactividade bronquial.

Os episódios de crise caracterizam-se por contrações dos brônquios, edemas e excesso de mucosidade, contribuindo para a obstrução da entrada de ar desde o exterior.

Os sintomas característicos são:

  • tosse
  • sibilos ou silvos quando se respira
  • sensação de sufoco
  • dor ou pressão no peito
  • secreções ou mucosidade
  • fadiga
  • sensação de falta de ar

Estima-se que entre 5 a 15% da população europeia sofra de asma alérgica e vários estudos revelam que quem sofre desta doença tem três vezes mais probabilidades de vir a sofrer de asma.

Apesar de apresentarem diferenças, a rinite e a asma resultam de um processo inflamatório comum, que afeta não só as vias respiratórias superiores como as inferiores.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Relatório
O número de eutanásias aprovadas na Holanda em 2018 caiu 7% em relação ao ano anterior. Esta é primeira descida em 13 anos, de...

Divulgado na quinta-feira, o documento especificou que, em 2018, os médicos holandeses aprovaram 6.126 pedidos, menos 459 do que em 2017.

O ministro da Saúde holandês, Hugo de Jonge, que enviou este documento para o parlamento, anunciou uma investigação à descida.

Um relatório da Clínica para o Final da Vida (Levenseindekliniek) atribuiu esta redução a um “aumento de cautela dos médicos”, por receio de serem alvo de processos penais.

A Procuradoria levou a tribunal um geriatra, em novembro de 2018, pela primeira vez desde que entrou em vigor a lei da eutanásia, em 2002, por suspeitas de ter praticado a morte assistida a uma idosa com demência avançada sem a sua autorização expressa.

Do total de 12.711 eutanásias aplicadas em 2017 e 2018, as Comissões Regionais para a Eutanásia detetaram em 18 casos (0,15% do total) que o processo não foi seguido corretamente.

Não obstante, estas mesmas comissões consideraram que 15 destas situações não foram graves o suficiente para processar os médicos envolvidos.

“Para os clínicos é inegavelmente tenso terem as suas ações revistas”, constatou o presidente das RTE, em comunicado.

Das 6.126 eutanásias de 2018, quase dois terços (4.013) deveram-se a cancro, enquanto as outras patologias mais comuns foram transtornos do sistema nervoso, doenças cardiovasculares ou uma combinação de várias.

No fim das razões, em termos quantitativos, estão “acumulação de problemas de velhice”, com 205 casos (3,35%), demência, com 146 (2,38%) e transtornos psiquiátricos, com 67, equivalentes a 1,09%.

 

Opinião
Desconhece-se a causa ou como a prevenir.

A doença de Parkinson é uma patologia neurológica degenerativa do sistema nervoso central, de evolução progressiva e que afeta o movimento. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum e atinge cerca de 20 000 portugueses. Com o aumento da esperança média de vida e o melhor conhecimento e diagnóstico da doença, estima-se que esse número possa vir a aumentar nos próximos anos. Foi descrita pela primeira vez no século XVIII pelo médico inglês James Parkinson, sendo o nome da doença em sua homenagem.

Os sinais e sintomas da doença de Parkinson podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Os tremores nas mãos, inicialmente quase impercetíveis, são os sintomas mais precoces e comuns. Com a evolução da doença os sintomas pioram e aparecem também rigidez, descoordenação motora, lentificação dos movimentos, dificuldades na marcha, alteração da postura corporal e da expressão facial. Em alguns casos, podem ainda aparecer outras alterações como depressão, perturbações do sono, dificuldade em engolir ou perturbações da micção.

A causa desta patologia é desconhecida, mas pensa-se que seja multifactorial, resultante de fatores genéticos e ambientais. Sabe-se que existe diminuição da produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, e que é produzido pelas células cerebrais, os neurónios. No entanto, não se sabe porque é que umas pessoas desenvolvem a doença e outras não. Fatores de risco como o envelhecimento, hereditariedade e ser do género masculino, potenciam o aparecimento da doença de Parkinson.

Dado não se saber a causa, não existe um teste específico para diagnosticar a doença. O diagnóstico é baseado nas queixas do doente e nas alterações ao exame neurológico realizado pelo médico. Serão pedidos exames complementares, mas sobretudo para excluir a presença de outras patologias neurológicas potencialmente reversíveis. Caso a suspeição clínica seja elevada e os sintomas melhorem com os fármacos que aumentam os níveis de dopamina, podemos confirmar o diagnóstico de doença de Parkinson.

Não existe cura para a doença de Parkinson. No entanto existem medicamentos que controlam os sintomas, atrasando a progressão da doença e assim melhorando a qualidade de vida dos doentes. Os medicamentos usados têm como função repor, aumentar a produção ou diminuir a degradação de dopamina no cérebro e assim melhorar os sintomas e o prognóstico da doença. Além da terapêutica medicamentosa, a fisioterapia e terapia ocupacional podem ajudar o doente a melhorar a sua atividade funcional diária.

Não se sabem quais as atitudes a tomar para evitar o aparecimento desta doença. No entanto sabemos que a prática de exercício físico e uma alimentação equilibrada ajudam a melhorar o status funcional do doente e assim a aumentar a capacidade de resposta e adaptação do organismo aos sintomas característicos da doença de Parkinson. Seja mais activo a prevenir a doença.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Proposta do Governo Regional
O Governo dos Açores estima que esteja aprovado no primeiro semestre deste ano o regime jurídico de apoio ao cuidador informal,...

“Esta proposta vem estabelecer um conjunto de apoios, direitos do cuidador informal, que vão desde o acesso à informação e formação, ao apoio psicológico, ao apoio na adaptação das habitações ou ao apoio financeiro, entre outros”, afirmou a secretária regional da Solidariedade Social.

Andreia Cardoso falava, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na apresentação do Estatuto do Cuidador Informal, tendo acrescentado aos jornalistas que “o diploma vai ser remetido ainda hoje à Assembleia Legislativa Regional”, seguindo depois para a comissão especializada.

"É expectável que até final do primeiro semestre deste ano seja levado a plenário” no parlamento dos Açores, adiantou ainda a governante, frisando que o projeto "concretiza um apoio estruturado aos cuidadores informais de pessoas idosas e dependentes, traduzindo-se em mais uma medida de política social ativa".

Além de informação, formação, apoio psicossocial, psicológico e apoio na prestação de cuidados, o Governo Regional propõe-se, por via regulamentar, a definir um apoio financeiro aos cuidadores informais que terá em conta aspetos como o número de pessoas cuidadas e o grau de dependência e a condição socioeconómica da família.

Andreia Cardoso explicou que não se trata de um salário, lembrando “o princípio de cuidador informal ser uma pessoa que não recebe retribuição pelos cuidados”.

“Não estamos a faltar de uma retribuição, mas sim de um apoio financeiro”, salientou a secretária regional da Solidariedade Social.

Será também garantido ao cuidador a integração em grupos de autoajuda e atendimento prioritário nos serviços públicos regionais.

O cuidador informal terá um sistema de folgas, podendo ser substituído por períodos diurnos até ao limite de oito horas/mês, assim como um período de descanso anual que se traduz no acolhimento temporário da pessoa cuidada em estruturas residenciais, acolhimento familiar e na Rede de Cuidados Continuados Integrados da região, até ao limite máximo de 90 dias por ano, disse Andreia Cardoso.

O gabinete de apoio ao cuidador informal será também uma realidade que irá funcionar como estrutura de apoio aos cuidadores, sendo constituído por profissionais das áreas da ação social, da saúde, das respostas sociais e dos cuidados continuados integrados.

"E porque há milhares de açorianos doentes em casa e outros tantos a cuidar deles sem ninguém os ter ensinado a fazê-lo, teremos também em conta o apoio psicossocial e psicológico ao cuidador", referiu, indicando que "será disponibilizada informação sobre os recursos e respostas existentes".

Está ainda previsto um apoio para intervenção habitacional que visa, entre outros objetivos, eliminar barreiras que condicionem a autonomia da pessoa cuidada e a realização de pequenas obras de adaptação.

Este regime jurídico contempla ainda a integração do cuidador informal em grupos de autoajuda e será estabelecido um plano de cuidados entre o cuidador, os profissionais dos serviços públicos de saúde e da ação social e a pessoa cuidada.

O cuidador informal será portador de cartão de identificação.

Registo Oncológico
O nível de sobrevivência global ao cancro na Madeira é de 57%, indicou hoje o secretário regional da Saúde, alertando para a...

"Os resultados são bons em muitas áreas. Há outras em que temos de progredir, mas no que diz respeito mesmo à sobrevivência global do cancro é da ordem dos 57% e isso é muito bom e vai ao encontro das sobrevivências globais do cancro em geral", disse Pedro Ramos na primeira reunião anual do Registo Oncológico da Região Autónoma da Madeira, que decorreu no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal.

"Estou muito satisfeito, há muita coisa que vamos começar a fazer porque agora temos dados", acrescentou.

O Registo Oncológico incide entre 1998 e 2017, com os últimos dois a anos a merecerem "uma maior reflexão e estudo".

Pedro Ramos considerou os valores obtidos um resultado do investimento que o Governo Regional tem feito na área da saúde, em particular nos cuidados primários.

"Este relatório vai permitir caracterizar a população oncológica da Madeira dos últimos 20 anos, sendo que os últimos dois anos apresentam estudos com reflexão mais profunda e a mensagem é a prevenção, apelando a que a população faça a sua adesão às campanhas de sensibilização, porque o rastreio é, de facto, o mais importante na prevenção em oncologia", disse.

Pedro Ramos anunciou ainda que em 31 de maio será apresentada a estratégia regional para a doença respiratória na Região Autónoma da Madeira.

A coordenadora regional do Registo Oncológico da região, Carolina Camacho, referiu, por seu lado, que os tumores malignos têm aumentado nos últimos anos, mas "têm sido acompanhados por taxas de mortalidade e de sobrevivência cada vez mais prolongadas".

Em 2017, a região registou 1.339 novos registos, 62% dos quais disseram respeito ao sexo masculino. Os cancros da mama, da próstata, do cólon, do reto, do pulmão, da cabeça e do pescoço foram os mais frequentes.

A coordenadora indicou ainda que o linfoma não-Hodgkin tem vindo a aumentar no sexo feminino e lamentou que as pessoas acorram aos serviços de saúde já numa fase adiantada do cancro.

Estudo
Assume-se, com alguma frequência, que os sumos de fruta não são saudáveis. No entanto, estudos recentes vêm ajudar-nos a...

Na realidade um pequeno copo de sumo de laranja (150 ml) representa apenas 3% da nossa ingestão diária de calorias - baseado numa alimentação de 2000 calorias (uma média considerada adequada para o dia alimentar de um adulto). Este copo de sumo para além de energia também nos fornece nutrientes vitais.

Mito 1 - Deve consumir-se sumo de laranja apenas ao pequeno-almoço

Os resultados de um estudo recente1 revelaram que a ingestão de sumo de laranja 100% à refeição conduziu a uma ligeira redução na massa gorda média de -0.3 kg em duas semanas enquanto que entre as refeições conduziu a um pequeno aumento na massa gorda média de 1.0 kg. Foi ainda possível concluir que a estrutura convencional de três refeições diárias acompanhadas de sumo de laranja 100% teve um impacto mais favorável no balanço energético e na massa gorda do que o consumo entre refeições.

Mito 2 – Sumo acabado de espremer é melhor que o sumo embalado

É um equívoco comum considerar-se que o sumo espremido na hora é mais saudável do que o sumo de fruta 100% pré-embalado e produzido industrialmente, uma vez que o sumo pré-embalado geralmente contém baixos níveis de vitaminas. Assim, muitos assumem que é nutricionalmente menos benéfico do que o sumo fresco. No entanto, estudos científicos2 revelam que o sumo de laranja embalado apresenta um desempenho tão bom como o sumo de laranja espremido na hora, quando se trata da absorção e metabolismo das flavanonas.

Mito 3 – Sumos de fruta têm alto índice glicémico

Alguns profissionais de saúde evitam recomendar sumo de fruta aos seus pacientes devido a preocupações com índice glicémico (IG). No entanto, uma publicação de 2017 do Journal of Nutritional Science3, mostrou que o consumo de sumo de fruta 100 % tem um efeito neutro no controle glicémico, graças à presença de frutose, um açúcar que está naturalmente presente na fruta e nos sumos de fruta. Ao contrário da glicose, quando os alimentos e bebidas ricos em frutose são absorvidos pelo intestino, o impacto sobre a glicose no sangue é mínimo. Por este motivo, os alimentos que contêm frutose, como os sumos naturais, tendem a ter um baixo índice glicémico4.

Mito 4 – Os sumos de fruta contêm muito açúcar

Os sumo de fruta 100% podem ser uma excelente fonte de vitaminas (incluindo as vitaminas A e C), bem como folatos, carotenóides, antioxidantes e minerais. Alguns profissionais negam estes benefícios devido aos açúcares naturalmente presentes nos sumos de fruta. Na realidade, estudos científicos têm demonstrado que os sumos de fruta 100% não têm um impacto negativo no perfil de açúcar no sangue e não aumentam o risco de diabetes tipo25. De acordo com os estudos científicos, isto resulta do facto dos sumos de fruta 100%, como o sumo de laranja, terem um baixo índice glicémico (IG) e uma carga glicémica baixa a moderada (CG).

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Sobre o Programa Fruit Juice Matters

O Fruit Juice Matters é um Programa pan-Europeu da AIJN (Associação Europeia de Sumos de Fruta) que disponibiliza informação credível e científica sobre os benefícios dos sumos de fruta 100% na saúde.

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1 Hägele FA et al. (2018) High orange juice consumption with or inbetween three meals a day differently affects energy balance in healthy subjects. Nutr Diab 8: 19-27.

2 Silveira JQ et al. (2014): Pharmacokinetics of flavanone glycosides after ingestion of single doses of fresh-squeezed orange juice versus commercially processed orange juice in healthy humans. J Agric Food Chem 62: 12576-84

3 Murphy et al. (2017) 100 % Fruit juice and measures of glucose control and insulin sensitivity: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. J Nutr Sci. 2017; 6: e59

4 Brand-Miller J et al. (2009) Glycaemic index, postprandial glycemia, and the shape of the curve in healthy subjects: analysis of a database of more than 1000 foods. Am J CIin Nutr 89: 97-105

5 Xi B. et al. (2014) Intake of fruit juice and incidence of type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. PLoS ONE 9: e93471

3 médicos asseguram serviço
O Hospital Garcia de Orta, em Almada, garantiu que estão a ser tomadas medidas para combater a falta de médicos na urgência...

“O serviço sempre tem mantido a qualidade, mesmo com esta diminuição de recursos. O que tem havido naturalmente é uma sobrecarga de recursos porque são menos, mas a qualidade nunca esteve nem estará em causa”, afirmou o presidente do conselho de administração do hospital, Daniel Ferro.

Em declarações aos jornalistas no Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, também a diretora clínica, Paula Breia, explicou que atualmente existem três médicos pediatras na urgência, o número mínimo que permite que o serviço se mantenha em funcionamento.

Ainda assim, garantiu que “a segurança será sempre mantida com três médicos”, o que significa apenas que, se fossem mais, “o trabalho seria diluído pelas pessoas e seria menos exaustivo”.

“A qualidade é garantida porque são pessoas do quadro, muitas delas formadas aqui e a qualidade não tem propriamente a ver com o número, mas com a capacidade que se tem para prestar os cuidados”, explicou.

A Comissão de Utentes da Saúde do Conselho do Seixal realizou hoje uma conferência de imprensa à porta do Hospital Garcia de Orta, com o objetivo de alertar para a falta de médicos pediatras nesta unidade, que faz com que a urgência desta especialidade “esteja em risco de fechar a partir de dia 13 de abril”.

Por outro lado, a administração do hospital disse que estão a ser tomadas medidas para impedir o fecho da urgência, inclusive uma que é transitória, com a contratação de profissionais em regime de prestação de serviços.

Além desta, segundo Daniel Ferro, existem duas outras medidas definitivas, que incluem a integração de “três a quatro pediatras no quadro permanente já em maio” e, posteriormente, o lançamento de um concurso para outros “três ou quatro pediatras”, para que entrem em agosto ou setembro.

Ainda assim, na visão de José Lourenço, da comissão de utentes, os profissionais não estão a concorrer aos concursos lançados pelo hospital devido às condições que são oferecidas.

“No caso concreto da pediatria, saíram entre sete a oito profissionais e foi aberto um concurso para três profissionais. Naturalmente que quem está no meio entende que saindo sete ou oito e abrindo um concurso para três, esses três iriam fazer o trabalho dos outros oito”, frisou.

Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), João Proença, criticou a administração do hospital por “não conseguir atrair nem fidelizar pessoas para trabalharem no hospital” e que “90% da população médica que trabalha na urgência no Garcia de Orta são de trabalhos temporários”.

No entanto, o Garcia de Orta indicou que “a contratação de empresas apresenta neste serviço 2%” e que “não é um drama se no mês de abril for de 3 ou 4%”, visto que se está a “garantir o atendimento com qualidade” na urgência pediátrica.

No final de maio, a Ordem dos Médicos alertou para o “cenário muito grave” da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, avisando que o serviço poderá encerrar alguns dias ou em alguns períodos do mês de abril.

Já nessa altura, a administração do Garcia de Orta garantiu estar a tomar medidas, contudo, na semana passada, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertou que o hospital continuava em “risco de encerrar” a partir de dia 13 de abril, por “falta de médicos”.

Doença Neurodegenerativa
É uma perturbação degenerativa crónica do sistema nervoso central que afeta principalmente a coorden

A Doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que se deve à perda de neurónios dopaminérgicos da substância negra cerebral. Estes neurónios encarregam-se de controlar o movimento corporal através de um neurotransmissor conhecido como dopamina. Ao diminuir as concentrações de dopamina, afetam-se os movimentos da pessoa.

Trata-se de um parkinsonismo o que significa que, clinicamente, se manifesta como uma doença que afeta ao sistema motor, apresentando assim tipicamente lentidão nos movimentos, rigidez muscular, tremor de repouso e instabilidade postural.

A Doença de Parkinson é tipicamente assimétrica, o que quer dizer, que os sintomas inicialmente afetam só um lado do corpo. Os doentes podem apresentar:

  • Tremor de repouso: afeta inicialmente um lado do corpo, aparece quando o membro está descontraído e desaparece quando se faz algum movimento. Aumenta com o nervosismo, ansiedade, bebidas estimulantes e a privação de sono. Aparece aproximadamente no 70 % dos doentes ao longo da doença.
  • Bradicinésia: provoca diminuição da destreza e lentificação dos movimentos, dificultando a escrita, feche de botões, barbear... Na face ocasiona uma diminuição das expressões, com diminuição do pestanejo, hipersialorreia e discurso monótono.
  • Rigidez: aumenta o tono muscular, os músculos estão mais tensos e pode provocar dor
  • Instabilidade postural: de aparição mais tardia e provoca quedas.
  • Sintomas não motores: entre os que se destacam, sintomatologia depressiva, dor, perturbações do sono, disautonomia (obstipação, hipotensão ortostática), entre outros.

A fala torna-se monótona, arrastada e pouco percetível.

Afeta-se a marcha, apresentando tronco flexionado, passos curtos e dificuldades ao mudar de direção, que ocasionam quedas frequentes.

Com progressão da doença, o quadro torna-se bilateral, isto é, afeta os dois lados do corpo. As pessoas apresentam então afetação das atividades da vida diária, como o vestido, uso de talheres, levantar-se da cadeira e sair do carro, virar no leito.

Em fases mais avançadas o paciente começa a apresentar dificuldades em engolir, tossir e incluso pode chegar ao acamamento. Pode desenvolver-se uma demência associada, mas habitualmente em estádios avançados e com caraterísticas clinicas diferentes da Doença de Alzheimer. Existe uma lentidão na resposta as perguntas, dificuldades na planificação, na execução e alterações visuoespaciais.

Desconhece-se a causa da doença. Sabemos que é ligeiramente mais frequente no sexo masculino. A idade de início são os 50 – 60 anos, com um aumento gradual da prevalência a partir dos 60 anos. Existem casos muito pouco frequentes de doença de início precoce e estima-se que ronda o 5% dos doentes.

Ao desconhecer a causa, não existe prevenção possível nem cura definitiva.

Recomenda-se um estilo de vida saudável, com a realização de exercício físico regular e uma alimentação variada.

Existem vários tratamentos:

Médico: trata-se de repor por medio de medicamentos a dopamina que está em falta. Existem diversas classes de fármacos, que serão utilizados segundo o critério do neurologista e o estadio da doença. Destacam-se levodopa, agonistas dopaminergicos, inibidores da MAO-B e da COMT, amantadina e anticolinérgicos.

Podem ser precisos outros medicamentos, como antidepressivos, laxantes, antidemenciais, entre outros, segundo os sintomas que surgirem ao longo da evolução da doença

Cirúrgico: pode ser preciso em fases moderadas a graves, apesar do tratamento médico optimizado. Consiste na implantação de um eletrodo cerebral ou na lesão de determinadas estruturas para controlo dos sintomas da doença (tipicamente o tremor e a rigidez)

Fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional: fundamentais e complementares ao tratamento médico.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Medicamentos
Este é o primeiro e único tratamento aprovado pela FDA para a Esclerose Múltipla Surto-Remissão e e secundária progressiva ...

A Agência Reguladora de Alimentos e Medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration - FDA) aprovou Cladribina comprimidos para o tratamento de adultos com esclerose múltipla surto-remissão (EMSR) e secundária progressiva (EMSP) ativa. A aprovação teve por base um programa clínico composto por mais de 9.500 doentes-ano de dados de cladribina e até 8 anos de tempo em estudo.

“A esclerose múltipla é a principal causa de incapacidade não traumática em adultos jovens e de meia-idade,” disse Belén Garijo, Diretora Executiva da Healthcare e Membro do Conselho Executivo da Merck. “Sentimo-nos privilegiados por introduzir a Cladribina na prática clínica nos EUA. MAVENCLAD abre um novo caminho para tratar a EM – um tratamento que requer um máximo de 20 dias de terapêutica oral. Esta aprovação é um testemunho do nosso compromisso de longa data para com as pessoas que vivem com EM.”

“Como investigador no programa de estudos clínicos, é com extrema satisfação que vejo a Cladribina ficar agora disponível para os doentes nos EUA. Com ciclos de tratamento de curta duração, com comprimidos tomados por não mais de 10 dias por ano e sem injeções nem perfusões, é uma nova opção de tratamento eficaz para a EM,” disse Thomas Leist, M.D., PhD, Diretor no Comprehensive Multiple Sclerosis Center nos Jefferson University Hospitals, Filadélfia, EUA. “Só nos EUA, cerca de 1 milhão de pessoas sofrem de EM, de acordo com um estudo recente patrocinado pela National MS Society. Esta é uma nova opção de tratamento oral há muito esperada para esta doença heterogénea e, muitas vezes, imprevisível.”

85% das pessoas que vivem com EM são inicialmente diagnosticadas com EMSR, caracterizada por surtos de sintomas neurológicos novos ou crescentes. A maioria das pessoas com EMSR acabará por transitar para uma forma secundário progressiva em que ocorre um agravamento progressivo da função neurológica ao longo do tempo. A EMSP pode também ser caracterizada em diferentes etapas como ativa (com surtos e/ou evidência de nova atividade em imagiologia por ressonância magnética) ou não ativa.

“A aprovação pela FDA é uma excelente notícia para as pessoas que vivem com EMSR e EMSP ativa.  A Cladribina oferece uma nova e eficaz opção para alguns desses doentes, com uma posologia oral, diferente de qualquer outro tratamento atualmente existente,” disse June Halper, Diretor Executivo do Consortium of MS Centers. “As pessoas que vivem com EM devem ter a possibilidade de cooperar com o seu médico para escolherem um tratamento com uma posologia adequada ao seu estilo de vida” 

A aprovação nos EUA segue-se à sua aprovação em mais de 50 países, incluindo a União Europeia em agosto de 2017.

Na Europa, está indicada para o tratamento de doentes adultos com esclerose múltipla (EM) com surtos muito ativa, conforme definida por características clínicas e imagiológicas. Em Portugal, está aprovado pelo Infarmed I.P. desde Maio de 2018.

Hábitos alimentares
O relatório do primeiro ano de trabalho da Estratégia Integrada para Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS) é hoje divulgado,...

O documento, que será publicado no ‘site’ do Ministério da Saúde, destaca também a definição de um plano para reformulação dos teores de açúcar, sal e ácidos gordos e a revisão do cabaz de alimentos distribuído às famílias mais carenciadas no âmbito do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O grupo interministerial de trabalho da estratégia é constituído pelos ministérios da Saúde, Educação, Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Economia, Administração Interna, Mar e Finanças.

O relatório aponta a iniciativa de desenvolvimento de um exercício de Health Impact Assessment sobre rotulagem nutricional, que prevê ser um apoio à tomada de decisão política no que diz respeito à implementação de um sistema de rotulagem simplificado na parte da frente dos produtos alimentares, bem como a publicação das novas orientações sobre ementas e refeitórios escolares pela Direção-Geral da Educação.

O documento a ser hoje apresentado refere ainda o desenvolvimento de materiais de comunicação e de apoio às medidas de acompanhamento do Regime Escolar de distribuição de leite, fruta e hortícolas.

Em comunicado, a Direção-Geral de Saúde (DGS) sublinha que esta é a primeira estratégia do setor da saúde verdadeiramente intersetorial, que pretende colocar a alimentação saudável e a saúde em todas as políticas tal como defende a Organização Mundial da Saúde.

A DGS integra esta estratégia pioneira a nível europeu na área da promoção da alimentação saudável, estando em funcionamento há pouco mais de um ano.

A implementação das medidas previstas nesta estratégia a nível local tem sido uma das áreas de trabalho da EIPAS, nomeadamente através da realização de um mapeamento de boas práticas na área da promoção da alimentação saudável por parte dos municípios e através da celebração de protocolos de colaboração. Durante este primeiro ano foram celebrados 41 protocolos para implementação a nível local da EIPAS.

Estes relatórios identificam também um conjunto de áreas prioritárias de intervenção futura para reduzir o peso que os hábitos alimentares inadequados representam na saúde da população portuguesa.

O grupo de trabalho está também a desenvolver um manual com orientações para a alimentação saudável em eventos organizados pelas instituições do Estado e ainda a desenvolver um manual com orientações para uma alimentação saudável nas creches, locais que asseguram uma grande parte da oferta alimentar nos primeiros mil dias de vida.

Em paralelo às medidas que visam modificar a oferta alimentar, este relatório também descreve um conjunto de medidas na área da literacia alimentar que pretendem promover o consumo de alimentos saudáveis, nomeadamente a construção de um portal para a valorização do consumo de pescado.

O grupo de trabalho faz ainda uma proposta para a integração de novos ministérios nesta estratégia, nomeadamente os da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Ambiente e ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Laser de espetro largo
Um grupo de investigadores portugueses desenvolveu um "novo método de diagnóstico celular" que, através de um laser ...

De acordo com Hélder Crespo, investigador e docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), o "novo método" surgiu da necessidade de criar um laser que não "matasse" as células e que permitisse produzir imagens biomédicas de melhor resolução.

"Os lasers convencionais facilmente matam as células, não permitindo observar o seu comportamento nem, por exemplo, a evolução de um tratamento, uma vez que estas morrem devido à exposição a um laser intenso", apontou Hélder Crespo.

O estudo, intitulado 'SyncRGB-FLIM' e publicado recentemente na revista científica Biomedical Optics Express, estava a ser desenvolvido há mais de um ano por investigadores do Departamento de Física e Astronomia da FCUP, da spin-off Sphere Ultrafast Photonics e do INL - Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga.

Com o objetivo de produzir imagens clínicas "facilmente observáveis" durante um período de tempo mais alargado, a equipa desenvolveu um laser que, com um "espetro extremamente largo" e um flash "muito rápido", permite "excitar" as células e fazê-las emitir sinais.

"Conseguimos fazer isso de forma eficiente e rápida, sem matar as células, com o laser a incidir na amostra”, disse, adiantando que essa incidência “faz com que as diferentes partes da célula emitam, ao mesmo tempo, a sua luz, cujas cores são diferentes".

Rosa Romero, co-autora do estudo, acrescentou que através da emissão destes sinais, "qualquer célula pode ser vista dinamicamente" durante vários dias, sem que seja "danificada".

"Conseguimos ter imagens durante vários dias da mesma célula e perceber como é que, por exemplo, uma célula cancerígena vai evoluindo ou reage ao tratamento", frisou a presidente da spin-off Sphere Ultrafast Photonics.

Os investigadores, que já validaram a técnica recorrendo a células suínas e, consequentemente provaram a sua "eficiência", encontram-se agora a aplicar o método desenvolvido a um sistema "de grande relevância no contexto da terapia do cancro", onde acreditam que o "impacto vai ser forte" entre a comunidade biomédica.

Segundo Hélder Crespo, esta ferramenta, cuja submissão a patente foi entregue em abril de 2018, vai permitir "a quem está a fazer investigação em novos métodos terapêuticos de cancro poder ver como é que um método",

"É uma ferramenta que vai permitir aferir o comportamento de um método, porque muitas vezes ouvimos falar em efeitos secundários que só se conhecem a longo prazo. Aqui temos uma técnica que permite efetivamente ver como é que um tratamento funciona nomeadamente em termos presenciais e efeitos secundários ao nível celular", concluiu.

Estudo
Cerca de quatro milhões de crianças em todo o mundo desenvolvem asma anualmente devido a causas relacionadas com a poluição...

Investigadores do Instituto de Saúde Pública (Milken Institute SPH) da universidade norte-americana basearam-se em dados de 2010 a 2015 para estimarem que 64% destes novos casos de asma ocorrem em áreas urbanas.

A universidade afirma, em comunicado, que o estudo é o primeiro a quantificar o peso mundial de novos casos pediátricos de asma ligados à poluição causada pelo tráfego, usando um método que tem em conta elevadas exposições a este poluente (dióxido de azoto), junto a estradas muito movimentadas.

Susan C. Anenberg, professora associada de ambiente e saúde ocupacional no Milken Institute e autora principal do estudo, publicado hoje na revista especializada The Lancet Planetary Health, disse que as descobertas sugerem que “milhões de novos casos pediátricos de asma podem ser prevenidos nas cidades” em todo o mundo, reduzindo a poluição do ar.

“Melhorar o acesso a formas mais limpas de transporte, como transportes públicos elétricos e impulsionar as vias cicláveis e pedonais, não só baixaria os níveis de poluição (NO2), como poderia reduzir a asma, melhoraria a aptidão física e reduziria a emissão de gases com efeito de estufa.

Os investigadores trabalharam dados sobre poluição em 194 países e nas 125 maiores cidades do mundo para estimarem as taxas de incidência de asma nas crianças.

Entre as 125 cidades, a contabilização de NO2 vai de 6% em Orlu, na Nigéria, a 48% em Shangai, China, na incidência de asma pediátrica, de acordo com o documento.

Oito cidades da China e Moscovo (Rússia) e Seul (Coreia do Sul) estão entre as mais afetadas, mas o problema atinge também cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Las vegas e Milwaukee, que estão no top 5 norte-americano, com o maior número de casos de asma pediátrica.

Por países, as maiores cifras relacionadas com a poluição do ar foram encontradas na China, com 760.000 casos de asma por ano, seguindo-se a Índia, com 350.000 e os Estados Unidos, com 240.000.

A asma é uma doença crónica que dificulta a respiração e ocorre quando as vias respiratórias estão inflamadas. Estima-se que 235 milhões pessoas no mundo tenham atualmente asma, que pode causar falta de ar, bem como ataques que ameaçam a vida.

A Organização Mundial de Saúde considera a poluição “um grande risco para a saúde” e estabeleceu metas de qualidade para o NO2 e outros poluentes do ar.

Investigação
A proteção que o leite materno proporciona permite reduzir os custos hospitalares dos tratamentos de doenças neonatais. No...

A proteção única que o leite materno proporciona aos bebés nasce da interação dos seus componentes, entre eles e com o recém-nascido. As moléculas que compõem o leite materno - muitas ainda por descobrir -, não trabalham de forma individual, mas em conjunto para criar relações simbióticas que respondam às necessidades de cada criança. Este sistema de interações é o responsável pela capacidade do leite materno em reforçar o sistema imunitário do bebé e impedir as infeções. Potenciar a investigação dos componentes do leite materno no seu conjunto explicaria o mecanismo por detrás destes benefícios para os recém-nascidos.

Assim expuseram os investigadores e médicos oradores no XIV Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, organizado pela Medela em Londres a 4 e 5 de abril, que contou com a participação dos principais investigadores nos temas relacionados com o aleitamento e o leite humano a nível mundial. Durante estes dois dias, mais de 450 pediatras, neonatologistas, enfermeiros especialistas e responsáveis de UCIN (Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais) de todo o mundo ficaram a conhecer as novas descobertas científicas relacionadas com os benefícios do leite humano.

Nas relações simbióticas entre os diferentes componentes do leite materno também há que ter em conta a interação entre a mãe e o recém-nascido, ou seja, como atuam os componentes do leite materno no organismo do bebé. Face a um cenário tão variável, onde cada aleitamento é único, os especialistas reclamam uma maior investigação para definir estas complexas interações e identificar como atuam os componentes imunológicos do leite materno. Assim como esclarecer que fatores ambientais podem afetar o correto desenvolvimento do sistema de defesa dos bebés. Os investigadores concordam que ainda lhes falta um longo caminho para descobrir o potencial do aleitamento materno.

Aleitamento como mecanismo de defesa face às alergias

Um dos ramos de investigação vigente com mais intensidade dentro do estudo do sistema imunitário do bebé é aquele que trata de identificar o papel do leite materno na proteção face às alergias. Até ao momento, conhece-se o potencial do leite materno para prevenir as alergias, mas não o seu mecanismo de ação. Uma vez que as doenças alérgicas são as patologias crónicas mais comuns entre as crianças de diversos países, Daniel Munblit, Professor Associado da Universidade Estatal de Medicina de Moscovo Sechenov (Rússia), insistiu, durante o simpósio, na importância de ampliar a investigação neste campo, estudando a interrelação entre os diferentes componentes do leite materno implicados.

Segundo o especialista, o objetivo é estudar um grande conjunto de biomarcadores em vez de pequenos grupos ou cada um de forma independente. Devido à alta concentração de possíveis moléculas com actividade imunológica no leite materno, o estudo de um limitado leque de componentes daria lugar a resultados contraditórios ou erróneos. “Os componentes do leite materno estabelecem continuamente relações simbióticas, trabalhando juntas, ou antagónicas, anulando os efeitos do contrário. São estas intrincadas interações, que estamos perto de descobrir, as que desempenham um papel chave na capacidade do aleitamento em proteger os recém-nascidos face às alergias”.

Atualmente, a investigação do médico Munblit está centrada numa revisão sistemática de todos os estudos prévios sobre a forma como o leite materno influencia no funcionamento e reforço do sistema imunitário dos recém-nascidos. O passo seguinte seria passar o conhecimento do seu mecanismo de ação a práticas clínicas que melhorassem a saúde dos neonatos.

Maior proteção, maior benefício económico

Com estes novos dados, os investigadores têm insistindo na questão de que um bebé que não seja alimentado com leite materno estará mais exposto a infeções e doenças, tanto em criança como na idade adulta. Isto pressupõe um aumento dos custos em saúde que os Sistemas Nacionais de Saúde têm de assumir para o tratamento de doenças graves, tais como as patologias do foro respiratório, sépsis ou enterocolite necrosante (ECN). Por esta razão, o médico Subhash Pokhrel da Universidade Brunel de Londres (Reino Unido) frisou, durante a sua apresentação no simpósio, a importância de incentivar as mães a prolongar o aleitamento pelo menos até aos seis meses de idade para reduzir os custos em saúde pública. A sua investigação está centrada em calcular o retorno que teriam os governos e os centros de saúde se houvesse uma maior promoção do aleitamento materno. Mais concretamente, no Reino Unido, quantificou-se que, se cerca de 80% das mães amamentassem os seus filhos durante pelo menos seis meses, o sistema de saúde pouparia 40 milhões de libras anuais. Esta poupança não proviria somente da prevenção de doenças infantis, mas a investigação também teve em conta a possível redução de casos de cancro da mama graças aos benefícios do leite materno também para as mães.

“Sabemos com certeza que, nos países desenvolvidos, oito em cada dez mulheres inicia o aleitamento após o parto. O problema é que a abandona entre uma a seis semanas depois. No Reino Unido, apenas cerca de um por cento das mães mantém o aleitamento durante 6 meses” expôs o médico Pokhrel. Prolongar o aleitamento permitiria ao sistema de saúde destinar um orçamento maior à resolução de outros problemas emergentes. “Além disso, trata-se de um objetivo realizável, basta apoiar as mães desde o momento do parto e ajudá-las a compreender as vantagens para elas e para os seus filhos de dar mama".  

Forte peso da investigação em bebés prematuros

Ao longo do simpósio também esteve em foco a investigação em torno da saúde mais frágil dos bebés prematuros e o papel do leite materno no desenvolvimento completo do seu organismo. O médico Daniel Klotz da Universidade de Freiburg na Alemanha insistiu na importância de implicar o pessoal das Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) no aleitamento das mães, facilitando a alimentação dos bebés pré-termo com leite materno. Esta postura é reforçada por estudos recentes que demonstram o forte potencial do colostro na prevenção de doenças crónicas.

Por sua vez, a médica Janet Berrington da Universidade Brunel de Londres salientou a importância que a nutrição dos bebés prematuros tem ao impactar diretamente sobre o risco de infeções, o possível desenvolvimento de doenças crónicas, intolerâncias alimentares, assim como o desenvolvimento de problemas posteriores, como obesidade ou asma. Com base no que foi exposto, é deveras importante compatibilizar nas UCIN o leite da própria mãe com a alimentação por via entérica. Também se deram a conhecer os últimos estudos sobre aditivos pré e probióticos com os quais se pode reforçar o leite materno para os bebés com um estado de saúde mais delicado.

O XV Simpósio Internacional de Aleitamento Materno da Medela realizar-se-á em Lisboa (Portugal) nos dias 26 e 27 de março de 2020.

Causas e tratamento
Ligada sobretudo ao envelhecimento, a perda de audição atinge cerca de 17% da população adulta mundi

A perda de audição ocorre quando temos alguma ou total incapacidade em ouvir, sendo que as causas mais comuns “estão relacionadas com o envelhecimento das células do ouvido interno, seja pelo normal avançar da idade, seja de forma precoce, essencialmente por excesso de exposição a ruído industrial ou de lazer”, estimando-se que, até 2050, o número de pessoas com perda de audição incapacitante possa atingir cerca de 900 milhões de pessoas.

De acordo com João Ferrão, audiologista responsável pela formação e desenvolvimento na Widex – Centros Auditivos, falamos de perda de audição incapacitante quando “há um comprometimento funcional das capacidades comunicacionais e de escuta permanente”.

A par do envelhecimento, a perda auditiva congénita, a hereditariedade ou a ototoxicidade – que corresponde à perda auditiva como consequência de medicação -, são ainda, de acordo com este especialista, causas bastante comuns.

No entanto, a perda auditiva não é toda igual, classificando-se consoante o tipo e o grau e é esta classificação que permite determinar o tratamento adequado.

“Por tipos de perda de audição entendemos a Hipoacusia de Condução, a Hipoacusia Neurossensorial e a Hipoacusia Mista”, começa por explicar João Ferrão.

“A perda condutiva dia respeito à componente mais mecânica da audição e deriva de um comprometimento da função do ouvido externo e/ou ouvido médio”, sendo na maioria das situações resolvida com uma intervenção médico-cirúrgica.

A perda neurossensorial “ou sensório-neural” afeta a função do ouvido interno e/ nervo auditivo e é, frequentemente, irreversível.

Quanto à perda mista, João Ferrão, explica que esta refere-se a situações em que se tem os dois tipos de perda.

“Quando falamos de perda por envelhecimento ou envelhecimento precoce, referimo-nos geralmente à Hipoacusia Neurossensorial, ou seja, a uma perda de carácter irreversível”, esclarece.

Deste modo, e muito embora o envelhecimento seja uma das principais causas de surdez, sabe-se que a exposição constante ao som de alta intensidade, “seja ele ruído industrial/laboral ou recreativo em concertos, discoteca ou o uso de auscultadores a uma intensidade não controlada”, eleva o risco de sofremos desta condição. “É por isso importante respeitar as leis preventivas de higiene e segurança no trabalho sobre a audição, assim como utilizar proteção auditiva em concertos e discotecas”, reforça o especialista.

No âmbito da prevenção, João Ferrão, refere outro aspeto importante e muitas vezes ignorado: a prevenção dos resíduos auditivos e das valências comunicações. “Se, como referimos, a perda de audição é de certa forma uma inevitabilidade, a intervenção precoce é uma escolha decisiva não só para os resultados que se obtém do tratamento ou do processo de reabilitação, mas também porque há vários estudos que correlacionam a perda auditiva com o aceleramento do envelhecimento cognitivo e a perda de memória. Por isso, agira rapidamente sobre a perda auditiva, principalmente quando esta atinge o nível de incapacidade (+40dB), é fundamental para evitar um envelhecimento precoce das funções cognitivas e degeneração da memória”, justifica.

Quais os sinais de alerta? E quando procurar ajuda especializada?

Tal como explica o audiologista, são vários os sinais que chamam a atenção para o problema e que podem ser detetados pela própria pessoa e/ou familiares. “Situações como não ouvir ou demorar mais tempo a ouvir alguns sons como campainhas, toques de telemóveis ou outros sons mais agudos”, começa por enumerar.

Outro dos sinais comuns consiste em aumentar o som da televisão ou do rádio; numa conversa, pedir para repetir ou ter a sensação de que a outra pessoa fala de forma “abafada” e pouco clara. “Em pessoas socialmente mais ativas poderá igualmente haver a sensação de cansaço sempre que se está exposto a uma situação mais exigente do ponto de vista auditivo, como acompanhar uma conversa num restaurante ou em língua estrangeira”, acrescenta João Ferrão.

Em situações extremas, a falta de audição pode conduzir ao isolamento ou situações de depressão. “Há estudos que demonstram que após reabilitação auditiva, 58% das pessoas com perda auditiva e depressão melhoram o seu quadro depressivo”, revela o especialista.

Em matéria de prevenção, o rastreio é a principal arma contra a condição e não deve ser descurada em nenhuma das etapas da vida. “Há várias faixas etárias que, por diferentes razões, devem fazer o rastreio auditivo: o rastreio neonatal, que deve ser feito nos primeiros dias após o nascimento; o rastreio pré-escolar, entre os 4 e os 6 anos, para despistar perdas condutivas por otites do ouvido médio, que são muito frequentes nesta faixa etária e que, geralmente, se revolvem por intervenção médico-cirúrgica, mas que podem comprometer a aprendizagem e audição futura crianças, se não for detetada precocemente; por fim o rastreio auditivo em adultos com mais de 55 anos, uma vez que a probabilidade de ter problemas auditivos aumenta significativamente a partir desta idade”, explica.

O rastreio é a primeira ferramenta de diagnóstico, uma vez que permite perceber se existe ou não perda de audição. Segue-se a avaliação audiológica detalhada e que passa genericamente “pela realização de uma audiometria para se avaliar com precisão o grau e o tipo de perda de audição”. “Muitas vezes também é solicitada a avaliação da função do ouvido médio – timpanograma e os reflexos estapédicos”, adianta.

O tratamento depende do tipo de perda de audição encontrado e se esta apresenta um carácter reversível ou irreversível.

“No caso de a perda de audição ser irreversível, o tratamento passará para um encaminhamento para reabilitação auditiva”, revela João Ferrão. Durante este processo, para além da avaliação audiológica, é feita uma análise exaustiva das implicações que a incapacidade terá na qualidade de vida do doente. Embora sem cura, é possível encontrar uma solução que não agrave o problema.

Primeiro aparelho auditivo com recurso a fonte de energia renovável chega este verão a Portugal

Apresentando-se com uma solução ecológica, já que não são necessárias pilhas, o Widex Evoke, que irá chegar ao mercado português este verão, possui uma tecnologia inovadora – a "Energy Cell"- que permite renovar a energia do equipamento em apenas 20 segundos, para uma utilização de 24 horas. Além disso, é o primeiro aparelho a recorrer à inteligência artificial com a promessa de revolucionar a experiência dos seus utilizadores.

No entanto, embora seja uma tecnologia de referência em aparelhos auditivos, todas as vantagens deste equipamento “devem ser enquadradas dentro de um processo clínico a que chamamos reabilitação auditiva”, adverte João Ferrão.

“Este é um processo multidisciplinar que envolve o médio otorrino e o audiologista, e para sermos bem-sucedidos, não basta apenas termos a melhor tecnologia, é também fundamental efetuar o melhor diagnóstico e intervenção técnica”, começa por explicar João Ferrão, reforçando que o principal objetivo da reabilitação auditiva é otimizar a qualidade de vida “para que a audição seja o mais próxima possível do normal”.

E é a este nível que este aparelho promete revolucionar o mercado. “É o primeiro aparelho auditivo do mundo com recurso a inteligência artificial e aprendizagem em tempo real, permitindo ao utilizador ouvir melhor ou sem esforço nas diferentes situações do dia-a-dia”, explica.

Para tal, adapta-se aos diferentes ambientes e “graças à capacidade de aprender com as preferências do utilizador, o Widex Evoke vai ficando cada vez mais automatizado e personalizado à medida que vai sendo utilizado”. E João dá o exemplo: não só consegue distinguir se uma conversa decorre num restaurante, num jardim ou numa biblioteca, como na próxima vez que estiver num ambiente semelhante, ele vai automaticamente ajustar-se às preferências anteriores”.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Auditorias detetam falhas
A Ordem dos Médicos considerou hoje que as falhas de segurança nas maternidades detetadas pela Inspeção-Geral das Atividades em...

Problemas nos sistemas de videovigilância e nas portas de fecho automático nos serviços de obstetrícia e pediatria e insuficiente controlo no acesso às instalações, nomeadamente aos pisos de internamento, foram algumas das falhas detetadas pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) em auditorias realizadas aos centros hospitalares e universitários de Coimbra, Porto, Algarve e Évora, e hoje divulgadas pelo jornal Público.

Para o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, estas falhas de segurança são “o espelho do desinvestimento de sucessivos Governos” no Serviço Nacional da Saúde e, “infelizmente, vão ao encontro do que a Ordem dos Médicos tem vindo a dizer sucessivas vezes”.

“O Serviço Nacional de Saúde trabalha na linha vermelha em todas as frentes. As deficiências são gritantes nas várias áreas, dos recursos humanos, aos equipamentos, passando pelo clima de insegurança que se sente nos nossos hospitais e centros de saúde”, lamenta em comunicado o bastonário da Ordem dos Médicos.

Miguel Guimarães sublinha que, “se o Ministério da Saúde não está a cumprir uma legislação que soma mais de dez anos e que diz respeito à segurança dos recém-nascidos na maternidade, não é difícil imaginar o que estará a acontecer de forma transversal, ainda mais em áreas que por ventura não tenham legislação específica”.

No seu entender, “a insegurança nas maternidades é a ponta do icebergue” e questiona: “se não zelamos pela segurança das nossas crianças por quem zelamos?”

As auditorias da IGAS foram realizadas em 2018 a um serviço de internamento de adultos, às urgências, à obstetrícia, à pediatria e à neonatologia dos quatro centros hospitalares e universitários

“Da análise de todos os processos conclui-se que as irregularidades apresentadas são, de modo geral, comuns à maioria das unidades hospitalares auditadas”, afirma a IGAS citada pelo Público.

Uma das questões que a IGAS quis avaliar foi o cumprimento de um despacho de 2008 que impõe novas regras a partir de 2009, depois de dois bebés terem sido raptados no Hospital de Penafiel, mas que foram devolvidos às famílias.

Contudo, nem todas as regras estão a ser devidamente cumpridas. No Hospital de Faro, por exemplo, não estão formalizados os procedimentos para situações de desaparecimento de doente e rapto de criança e nos serviços de pediatria e neonatologia não existiam pulseiras eletrónicas, sistemas de alarme e portas de encerramento automático,

Na Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, as pulseiras eletrónicas não acionam o encerramento automático das portas como devia acontecer e no Hospital Santo António e Centro Materno-infantil, no Porto, o sistema de videovigilância tem várias avarias.

A OM lembra que, em fevereiro, “condenou veementemente” mais uma agressão a um cirurgião, que foi esfaqueado em pleno bloco operatório, enquanto realizava uma intervenção, sem ninguém que tivesse impedido que um doente ali entrasse.

Na altura, Miguel Guimarães pediu que “o Ministério da Saúde tenha uma intervenção rápida e urgente, com medidas e políticas concretas que permitam devolver aos profissionais e aos utentes um Serviço Nacional de Saúde de confiança, segurança e qualidade em todas as suas vertentes”.

Os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde, referentes a 2018, indicam que foram notificados mais de 950 casos de incidentes de violência contra profissionais de saúde, tornando-se 2018 no ano com mais situações reportadas.

Em cerca de um quarto das situações as agressões ocorreram contra médicos.

Medicamentos
O Upadacitinib, um fármaco oral em investigação, inibidor seletivo de JAK1, está a ser estudado como terapêutica de toma diária...

A Food and Drug Administration (FDA) americana aceitou para revisão prioritária o pedido de autorização de upadacitinib no tratamento de doentes adultos com artrite reumatoide moderada a grave.

Upadacitinib é um inibidor oral seletivo de JAK1, de toma diária única, em investigação, que está a ser estudado para o  tratamento de diversas doenças imunomediadas.

O pedido de autorização (New Drug Application - NDA) é sustentado por dados resultantes do programa SELECT, um programa global de fase 3 de upadacitinib na artrite reumatoide, que avaliou mais de 4000 doentes com artrite reumatoide moderada a grave em cinco estudos de fase 3. Em todos os estudos publicados até à data, upadacitinib alcançou todos os objetivos primários e secundários. Os acontecimentos adversos graves mais frequentes foram infeções. Os principais resultados destes estudos clínicos foram já anunciados anteriormente. Upadacitinib não está ainda aprovado e a sua segurança e eficácia não foram avaliadas pelas autoridades regulamentares. Upadacitinib está também a ser avaliado pela Agência Europeia do Medicamento para o tratamento de doentes adultos com artrite reumatoide moderada a grave.

Acerca do programa do estudo SELECT

O robusto programa de fase 3 na artrite reumatoide - SELECT - avalia mais de 4900 doentes com artrite reumatoide moderada a grave em seis estudos. Os estudos incluem avaliações de eficácia, segurança e tolerância em diferentes populações de doentes com artrite reumatoide. As principais avaliações de eficácia incluíram as respostas ACR, o Índice de Atividade da Doença (DAS28-PCR) e a inibição da progressão radiográfica. Pode encontrar mais informação acerca destes ensaios em www.clinicaltrials.gov (NCT02706847, NCT03086343, NCT02629159, NCT02706873, NCT02706951, NCT02675426).

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