São Tomé e Príncipe
Os parceiros de vacinação da Organização Mundial de Saúde apelaram para a renovação dos esforços para melhorar o acesso a...

No lançamento da nona Semana de Vacinação em África, que se realizou quarta-feira em São Tomé e Príncipe e que tem como tema "Todos Protegidos: As Vacinas Funcionam!", a Organização Mundial de Saúde (OMS) destacou "o poder das vacinas de salvar vidas e manter todos saudáveis".

"A Semana da Vacinação em África, que decorre de 22 a 28 abril, celebra, também, os heróis da vacinação que ajudam a expandir a cobertura dos serviços de vacinação por todas as regiões de África, desde pais e líderes comunitários a profissionais de saúde e inovadores", lê-se num comunicado hoje difundido pela OMS.

No documento, a OMS referiu o crescente aumento de surtos de doenças prevenidas por vacinação, como o sarampo que se verificou em pelo menos nove países nos últimos 12 meses: Chade, Camarões, República Democrática do Congo, Libéria, Guiné-Conacri, Madagáscar, Mali, Nigéria e Uganda, sendo que no caso de Madagáscar foram registados 122.000 casos entre outubro de 2018 e abril de 2019.

A OMS refere que o sarampo, uma doença altamente contagiosa, representa 13% dos óbitos de crianças com até cinco anos que podiam ser prevenidos por vacinação em território africano e afeta nove em cada dez pessoas não vacinadas.

A agência das Nações Unidas aponta que até 2017, apenas 16 países africanos alcançaram mais de 90% da cobertura da vacinação da primeira dose.

"Devemos trabalhar em conjunto para melhorar a distribuição da vacinação, de modo que todas as crianças estejam protegidas de doenças preveníveis. Os recentes surtos da doença, a nível do continente, chamam a atenção para a urgência deste objetivo", referiu a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti.

A responsável realçou que os "surtos de sarampo em Madagáscar e de Ébola na República Democrática do Congo destacam a necessidade de maior investimento na vacinação como parte fundamental do fortalecimento dos sistemas de cuidados de saúde primários".

Anualmente, a OMS estima que as doenças prevenidas por vacinação afetam 30 milhões de crianças africanas com menos de cinco anos e que os custos com a contração destas doenças alcançam os 13 mil milhões de dólares (11,64 mil milhões de euros).

Evaristo Carvalho, Presidente de São Tomé e Príncipe, país que acolhe o lançamento da Semana de Vacinação em África, considerou que "todos têm um papel a desempenhar para garantir que as crianças e as comunidades tenham acesso aos serviços de vacinação que necessitam".

Entre as doenças prevenidas por vacinas encontram-se cancro do colo do útero, cólera, difteria, encefalite japonesa, febre-amarela, febre tifoide, hepatite B, gripe, meningite, papeira, pneumonia, pólio, raiva, rubéola, rotavírus, sarampo, tétano, tosse convulsa e varicela.

Boletim de avaliação regional
As metas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) estão a ser cumpridas no Centro do país, com percentagens iguais ou superiores...

"De uma maneira geral, as coberturas vacinais na infância, nas coortes [conjunto de pessoas que têm em comum um evento que se deu no mesmo período] avaliadas, são elevadas, com percentagens iguais ou superiores a 96%", pode ler-se nas conclusões do boletim.

Estas coberturas vacinais atingem "os níveis necessários para conferir imunidade de grupo e para cumprir os objetivos dos programas prioritários de erradicação da poliomielite e de eliminação do sarampo e da rubéola, na componente da vacinação", frisa o boletim.

O documento divulgado pela Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) adverte, no entanto, para a necessidade de ter em atenção as assimetrias a nível local, havendo necessidade de investir nas unidades de saúde com menores taxas de cobertura vacinal.

O boletim destaca os valores atingidos para a vacina contra o vírus do papiloma humano em todas as coortes, dizendo que "são uma vez mais reveladores do trabalho efetuado".

"A alteração para a idade alvo de vacinação para 10 anos obrigou a uma reformulação da avaliação da cobertura vacinal de modo a acautelar a vacinação nas outras idades, mantendo-se a necessidade de um esforço acrescido dos profissionais para a manutenção das coberturas já alcançadas".

Os objetivos dos programas prioritários de erradicação da poliomielite e de eliminação do sarampo e da rubéola, na componente da vacinação, estão também a ser atingidos.

"Em relação à vacinação contra o sarampo, deverá ser dado um enfoque nos nascidos após 1970 e com mais de 18 anos, conforme preconiza a Norma da Campanha de Vacinação de Repescagem contra o Sarampo - Crianças e Adultos", refere o boletim.

O documento foi divulgado a propósito da Semana Europeia da Vacinação 2019, que tem como tema central deste ano #VaccinesWork, as vacinas resultam.

"Em Portugal, país da Europa com os mais altos níveis de aceitação das vacinas, esta iniciativa visa celebrar os ‘Heróis da Vacinação’ que, diariamente, contribuem para a proteção de milhares de vidas através da vacinação: profissionais de saúde, que asseguram a administração de vacinas, pais/cuidadores, que vacinam os seus filhos, políticas de vacinação, que asseguram o acesso equitativo à vacinação, investigadores e todos os que partilham informações baseadas na melhor evidência científica sobre vacinas", refere a ARSC.

Tumores
Investigadores do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da Universidade do Algarve (UAlg) participaram na descoberta de...

Em comunicado, a UAlg adianta que a equipa, liderada por Patrícia Madureira, descobriu que a proteína anexina A2 (ANXA2) desempenha um papel importante na regulação de uma das principais vias de sinalização celular - a via PI3K/AKT - envolvida no desenvolvimento e promoção de diversos tipos de tumores.

Segundo os investigadores, a pesquisa permite desvendar novos mecanismos moleculares e celulares que regulam as células cancerígenas, uma vez que a via PI3K/AKT se encontra hiperativa numa grande variedade de tumores, como o cancro da mama, do pulmão, do cólon, melanoma e o glioblastoma (o mais mortífero tumor cerebral).

“Este trabalho assume-se, assim, como um importante passo para a identificação de novos alvos terapêuticos e pode conduzir, no futuro, ao desenvolvimento de novas terapias contra o cancro”, indica a universidade do Algarve.

Os investigadores descobriram que a interação entre as proteínas ANXA2 e PTEN funciona como inibidor da via PI3K/AKT, tendo a equipa demonstrado ainda que a proteína ANXA2 regula, de forma inversa, uma outra proteína, a peroxiredoxina 2 (PRDX2), o que permite evitar o stress oxidativo que pode levar à morte celular ou provocar mutações a nível do ADN, causando a formação desenvolvimento de tumores.

De acordo com a UAlg, o trabalho dos investigadores foi escolhido como capa da revista científica Cancers, uma das principais publicações internacionais na área da investigação do cancro.

 

Comissão Europeia
A nova lei que introduz um limite à utilização de gorduras transgénicas em alimentos da União Europeia (UE) entra em vigor em...

Em comunicado, a Comissão dá conta de que adotou hoje este regulamento, que será aplicável a todos os países da UE a partir de 02 de abril de 2021, dando tempo a que as empresas se adaptem às novas regras.

Essas regras incluem um limite de dois gramas de gorduras transgénicas por cada 100 gramas de gordura nos alimentos destinados ao consumidor final e ao abastecimento do retalho na UE.

Caso este limite seja excedido, as empresas de produção alimentar terão de, obrigatoriamente, informar as empresas a quem vendem tais produtos.

Na nota, o executivo da UE vinca que a medida tem como objetivo “proteger a saúde dos consumidores e fornecer opções alimentares mais saudáveis aos cidadãos europeus”.

A Comissão Europeia recorda que vários estudos científicos, incluindo da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, recomendam a redução das gorduras transgénicas nos alimentos.

 

Doença infeciosa
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a malária matou mais de 400 mil pessoas no ano passado

A malária é uma doença infeciosa causada por um conjunto de parasitas denominados plasmódios, e transmitida aos humanos através da picada de um inseto, mosquito, da espécie anófeles que está presente em áreas tropicais da África, Sudeste Asiático, Índia, Venezuela, Brasil (Amazónia), Centro América, Nova Guiné, China e Turquia.

É uma das doenças que representa um grande risco para os viajantes no estrangeiro. No ano de 2018 a Organização Mundial para a Saúde (OMS) reportou 219 milhões de casos de malária a nível mundial. Do total de casos de malaria do ano de 2018, 92 % dos foram reportados na região africana, 5 % no sudeste asiático e 2 % na região do mediterrâneo oriental.

Esta doença foi responsável por um total de 435 mil mortes, sendo as crianças com menos de 5 anos a mais afetadas, isto correspondeu à morte de uma criança cada 2 minutos por uma doença que pode ser objeto de medidas de prevenção e de tratamento.

A doença

Como referi no início deste artigo, a malária é uma doença infeciosa causada por parasitas denominados plasmódios os quais estão divididos em cinco espécies: Plasmódium falciparum, Plasmodium ovale, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium knowlesi.

O Plasmodium falciparum é responsável pela maior parte dos casos, este agente está presente na África subsaariana, Nova Guiné, Haiti e República Dominicana; seguido pelo Plasmodium vivax, que é mais comum no continente Americano e na região do pacífico ocidental. Na India estão presentes ambos os agentes (Plasmodium falciarum e Plasmodium vivax).

A transmissão da doença ocorre através da picada de um inseto que, neste caso em particular, trata-se de um mosquito da espécie anófeles, que existe em áreas tropicais da África, Sudeste Asiático, Índia, Venezuela, Brasil (Amazónia), Centro América, Nova Guiné, China e Turquia.

Para que aconteça a transmissão da doença é necessário que o mosquito se alimente previamente do sangue de uma pessoa infetada pelo parasita e posteriormente transmita o mesmo à uma pessoa saudável através de uma picada.

Uma vez que o parasita entra em contacto com o sangue, viaja através do sistema circulatório até as células hepáticas (fígado) onde se multiplica para posteriormente ser libertado desde o fígado para a corrente sanguínea onde invadem os glóbulos vermelhos (eritrócitos) que utilizam novamente para multiplicar-se e produzir mais parasitas que são transportadas até outros hospedeiros pelo mosquito.

Período de incubação

Após a picada por mosquitos infetados, a doença tem um período de incubação que pode variar entre sete até trinta e cinco dias.

Sintomas

  • Febre: este é o sintoma mais característico.
  • Cefaleia
  • Dor muscular, dor articular
  • Calafrios e sudorese
  • Fadiga
  • Dor abdominal. Vómitos e por vezes diarreia
  • Nos casos graves estes sintomas podem estar acompanhados de:
  • Anemia grave
  • Convulsões
  • Urina escura ou com presença de sangue

A malária pode apresentar-se de forma grave ou complicada afetando o cérebro (malaria cerebral), rins, pulmões e fígado, condicionando sequelas graves e inclusivamente a morte.

Pessoas em risco

O risco de contrair esta doença ocorre ao viajar, por trabalho ou lazer, para as regiões onde o mosquito e a doença estão presentes, sem cumprir com algumas medidas de prevenção.

Esta doença pode ser particularmente grave em crianças com idade inferior a cinco anos, grávidas e doentes imunossuprimidos (por tratamentos oncológicos, doenças autoimunes, HIV, etc)

Como prevenir a malária?

A Direção-Geral da Saúde recomenda:

  1. A marcação de consulta do viajante ou com o médico assistente, pelo menos quatro semanas antes da partida para países ou regiões onde existe a doença.
  2. A adoção das seguintes medidas de proteção individual contra a picada de mosquitos:
  • Aplicar repelentes em adultos e crianças, ao longo do dia, de acordo com as instruções do fabricante e tendo em conta a duração do efeito repelente.
  • Se utilizar protetor solar juntamente com repelente, deverá aplicar primeiro o protetor solar e depois o repelente;
  • Proteger as crianças em carrinhos de bebé e berços com redes mosquiteiras;
  • Optar por alojamento com ar condicionado ou, em alternativa, utilizar redes mosquiteiras nas camas;
  • Utilizar vestuário preferencialmente largo, de cores claras, fibras naturais e que diminua a exposição corporal à picada dos mosquitos (camisas de manga comprida, calças e calçado fechado).

Para mais informações consulte

Locais de consulta do Viajante

Almada
Centro de Saúde de Almada
Rua António Vernay, 35 r/c, 2800 Almada
Tel.‐ 212721630/35/36   

Lisboa 
Centro de Saúde de Sete Rios
Largo Prof. Arnaldo Sampaio 1549‐1010 Lisboa.
Tel.‐ 217211836  Horário ‐ 9h ‐ 12.30h e 13.00h ‐ 15.30h 

Hospital de D. Estefânia (crianças)
Consulta e vacinação
Rua Jacinto Marto, 1169-045 Lisboa
Tel.‐ 213126690   

Hospital Egas Moniz
Consulta e vacinação
Rua da Junqueira, 126 Lisboa Tel.‐ 210432000 

Hospital Curry Cabral
Consulta e vacinação
Rua da Beneficência, nº 8, 1069-066 Lisboa
Tel.‐ 217924322

Hospital Sta. Maria
Consulta e vacinação
Av. Prof. Egas Moniz 1649-035 Lisboa
Tel.‐ 217805000 ext. 52113   

Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Consulta e vacinação
Rua Junqueira, 96/110, 1349‐008 Lisboa
Tel.‐ 213652600

Setúbal 
Consulta e vacinação
Hospital de São Bernardo
Rua Camilo Castelo Branco, 290‐446 Setúbal
Tel.‐ 265549085   

Referências:
UpToDate: Clinical manifestations of malaria in nonpregnant adults and children.  2019
UpToDate: patient education: Malaria (The Basics)
Global technical strategy for malaria 2016-2030. World Health Organization. 2015
SIXTIETH WORLD HEALTH ASSEMBLY. World Health Organization. 23 May 2007
Comunicado: Malária (paludismo) em Cabo verde. Direção-Geral da Saúde. 2017

Autor
Dr. António Manuel Pereira De Figueiredo

Médico Especialista em Medicina Intensiva e Medicina Interna
Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Cascais Dr. José de Almeida – Grupo Lusíadas

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Inspeção
A ministra da Saúde justificou a decisão de determinar uma sindicância à Ordem dos Enfermeiros (OE) com “intervenções públicas...

Num comunicado divulgado pelo gabinete de Marta Temido é referido que a ministra determinou à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) que realize uma sindicância à OE “com o objetivo de indagar indícios de eventuais ilegalidades resultantes das intervenções públicas e declarações dos dirigentes” e das atividades realizadas pela Ordem e correspetivas prioridades de atuação, e eventuais omissões de atuação delas decorrentes, em detrimento da efetiva prossecução dos fins e atribuições que lhe estão cometidos por lei”.

Outra das questões prende-se com “a gestão da OE no que respeita às suas contas”.

Em declarações aos jornalistas à margem da recondução dos órgãos sociais da direção da Associação Nacional de Farmácias, dirigida por Paulo Cleto Duarte, a ministra disse que “são vários aspetos relacionados com o comportamento, com a postura, com a atuação da Ordem dos Enfermeiros e com aquilo que são os limites das intervenções das associações públicas profissionais, relativamente aos quais o ministério tem de estar vigilante e quando tem dúvidas tem de encaminhar para as entidades competentes”.

Marta Temido afirmou que existe “um conjunto de atuações relacionadas com a Ordem dos Enfermeiros que suscitam dúvidas do ponto de vista do seu enquadramento e o Ministério reportou às entidades competentes e estas entenderam que a melhor forma de fazer um apuramento concreto era através de um inquérito mais profundo”.

A governante sublinhou que este “é um processo que deve decorrer com a maior tranquilidade”.

“Havendo dúvidas sobre o enquadramento de alguns comportamentos e algumas atitudes e havendo entidades com competências específicas na matéria, o Ministério da Saúde incumbe-as (…) de fazer o reporte. Não vou, não devo, pronunciar-me e entrar em detalhes sobre essas averiguações e devemos deixá-las decorrer com normalidade e com tranquilidade”, declarou a ministra.

Questionada sobre qual poderá ser o desfecho desta sindicância, Marta Temido respondeu que “só depois de se saber o resultado é que se poderá perceber em que é que o processo irá concluir”.

“Cabe à IGAS verificar se há ou não factos para mais consequências e só depois desse trabalho feito, com a necessária ponderação e respeito e até recato, é que haverá mais comentários relativamente ao tema”, declarou.

Questionada sobre um eventual fim das Parcerias Público Privadas (PPP) na Saúde, Marta Temido respondeu que é um assunto sobre o qual não se pronuncia, pois atualmente “a discussão sobre quilo que venha a ser a Lei de Bases da Saúde decorre na Assembleia da República e deve deixar-se os deputados fazerem o seu trabalho, não interferindo nessa discussão".

A ministra adiantou que estará, no entanto, sempre disponível para "ajudar a fazer pontes, diálogos, discussões para esclarecer aspetos técnicos", referindo que o resto é trabalho dos deputados.

No dia da tomada de posse da direção da ANF para o triénio 2019-2021, a ministra deixou como mensagem a “reafirmação do papel das farmácias em Portugal no contexto do sistema de saúde português e do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“As farmácias têm sido e são um exemplo ímpar daquilo que é o papel do setor privado na construção do sistema de saúde e um parceiro impar no reforço do SNS e, portanto, continuamos a contar com as farmácias e com os farmacêuticos para garantirem a capilaridade de respostas e serviços cada vez mais diversificados e mais próximos das pessoas”, disse Marta Temido.

Federação
A federação sindical dos trabalhadores em funções públicas afirma que os inspetores veterinários ficam mais prejudicados com a...

“É uma carreira que consegue ser mais prejudicial, do ponto de vista salarial, para os trabalhadores do que a própria carreira geral”, disse à agência Lusa o coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), Orlando Gonçalves.

A federação esteve ontem reunida, em Lisboa, com o secretário de Estado das Florestas, Miguel João de Freitas, em substituição do secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira.

Segundo a FNSTFPS a reunião “serviu apenas” para a entrega do diploma que foi publicado, esta segunda-feira, no Boletim do Trabalho e Emprego, que “tem as carreiras todas de uma forma generalista”, integrando quatro artigos relativos à inspeção veterinária.

A federação tem agora dez dias para apresentar a sua posição relativamente ao documento.

Porém, no encontro de hoje com o Governo, teve já oportunidade de demonstrar o seu desagrado quanto à carreira especial proposta.

Orlando Gonçalves indicou que com esta proposta o Governo “cria um nível remuneratório virtual”, o que faz com que na próxima progressão os trabalhadores em causa “em vez de terem um salto, na tabela remuneratória, como teriam na carreira geral têm só de 50 euros”.

Desta forma, os inspetores ficam penalizados em 150 euros, uma vez que a progressão na carreira geral corresponderia a uma subida salarial de 200 euros, apontou o responsável.

“Isto é inadmissível. Uma carreira especial nunca poderá ser menos favorável para os trabalhadores do que a própria carreira geral”, notou.

Por outro lado, a proposta continua a por de lado uma “parte significativa” dos médicos veterinários da Direção-Geral de Alimentação e veterinária (DGAV): “Eles insistem […] em só integrar na carreira os que desempenham funções nos matadouros e nas salas de desmancha da caça e insistem que os inspecionam as lotas e o pescado e os aeroportos não têm um trabalho de inspeção, mas de fiscalização ou controlo”.

O terceiro ponto da proposta, que também mereceu a recusa da federação, está relacionado com o facto de a carreira ser considerada “de trabalho permanente”, o que prevê disponibilidade aos sábados, domingo e feriados, mas sem uma compensação salarial.

“Não há qualquer tipo de suplemento ou compensação remuneratória, mas a disponibilidade paga-se”, referiu.

Por último, a federação garantiu estar em desacordo quanto à definição do domicílio profissional.

“Este decreto vem dizer que o domicílio é o [correspondente] ao distrito em que o trabalhador está a serviço. Até aí tudo bem, mas [prevê] que a título extraordinário e, sempre que se justifique, que o domicílio pode ter o matadouro […], ou seja, é para poupar nas ajudas de custo. Entendemos que é ilegal, porque o matadouro é privado”, vincou.

Posto isto, a FNSTFPS vai reunir com os trabalhadores para deliberar se estes “querem esperar a resposta do Ministério à posição [da federação]” ou se vão já “encetar ações de luta”.

Para já, os trabalhadores permanecem em greve ao trabalho extraordinário até ao final de julho, bem como ao trabalho noturno.

Na segunda-feira, Orlando Gonçalves já tinha avançado à Lusa que os inspetores veterinários estão dispostos a começar uma nova greve, com o objetivo de parar o abastecimento de carne aos talhos.

Os veterinários e inspetores sanitários da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) estiveram em greve entre 16 e 20 de abril, reivindicando, entre outros pontos, a criação desta carreira especial, mesmo após o Governo ter anunciado a sua aprovação, na generalidade, em Conselho de Ministros.

Na base do protesto, conforme indicou a federação, esteve o facto de o Governo ter aprovado esta carreira especial, sem ter negociado com os sindicatos e sem lhes ter remetido qualquer documentação sobre a proposta.

Entre as reivindicações dos inspetores encontra-se também o fim da municipalização das competências da DGAV e a aplicação do despacho que define como são pagas as deslocações em serviço.

Contactado pela Lusa, na altura, o Ministério da Agricultura remeteu esclarecimentos para o Ministério das Finanças que, por sua vez, indicou que foi publicada, no próprio dia, no Boletim do Trabalho e Emprego a versão discutida da proposta.

Reforço de profissionais
O Secretário Regional da Saúde dos Açores anunciou que vai ser feito um reforço de recursos humanos na Unidade de Saúde de Ilha...

Rui Luís, que reuniu ontem com o Conselho de Administração da Unidade de Saúde de Ilha de Santa Maria, afirmou que “o Governo Regional, a Unidade de Saúde de Ilha e os hospitais da região estão fortemente empenhados em garantir uma cada vez melhor acessibilidade dos marienses aos cuidados de saúde”.

O governante apontou a admissão de nove pessoas, “até ao final deste ano”, para a unidade, entre os quais enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais, um cardiopneumologista e um médico de família, que irão responder às questões levantadas pelo Conselho de Ilha, como a dificuldade na marcação das consultas.

Sobre a deslocação de doentes, o responsável pela tutela garantiu que o “processo já está estabilizado” e que “irá melhorar”, com o gabinete do utente deslocado já em funcionamento no Hospital de Santo Espírito, na Terceira, e que será implementado nos outros dois hospitais da região até ao final deste ano.

O gabinete presta apoio aos doentes que se deslocam a outras ilhas, permitindo conciliar vários atos médicos na mesma deslocação.

A melhoria do acesso dos marienses aos cuidados de saúde será garantida também através do reforço da deslocação de especialistas à ilha.

“Aquilo que está a ser preparado pelo Hospital do Divino Espírito Santo, neste momento, é, através dos serviços das várias especialidades, a verificação de todas as consultas que estão marcadas até ao final deste ano, e, para aquelas em que há uma maior deslocação de utentes de Santa Maria, que seja possível que esse especialista venha aqui a Santa Maria”, esclareceu Rui Luís.

Em 2018, registaram-se “cerca de 8.300 doentes e acompanhantes a deslocarem-se aqui de Santa Maria para a ilha de São Miguel”, cerca de 22 deslocações diárias, avançou o governante.

 

Abortos e cirurgias
O Governo do Japão pediu hoje desculpas a dezenas de milhares de vítimas de esterilização forçada, ao abrigo de uma lei já...

O secretário-chefe do gabinete nipónico, Yoshihide Suga, apresentou um "sincero arrependimento e desculpas" às vítimas. As declarações de Suga surgem depois do parlamento ter promulgado hoje medidas legislativas de compensações, incluindo uma indemnização de 3,2 milhões de ienes (25.550 euros) para cada vítima.

Estima-se que 25.000 pessoas foram esterilizadas sem consentimento enquanto a lei esteve em vigor entre 1948 e 1996, entre as quais pessoas com deficiências.

A legislação agora aprovada reconhece que muitas pessoas foram sujeitas a cirurgia para remover os seus órgãos reprodutivos ou a tratamento com radiação, causando-lhes uma tremenda dor mental e física.

O ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Takumi Nemoto, disse que, como chefe do departamento encarregado das compensações, fará o máximo possível para providenciar o mais rápido possível o dinheiro para as vítimas, muitas delas idosos e deficientes.

O primeiro-ministro Shinzo Abe, num comunicado divulgado horas depois, disse esta situação não deve repetir-se: "Faremos tudo o que pudermos para alcançar uma sociedade onde ninguém seja discriminado, tenha doenças ou deficiência", respeitando "a personalidade e a individualidade de cada um".

Até recentemente, o Governo alegara que as esterilizações eram legais na época.

O pedido de desculpas e a nova legislação aprovada seguem-se a uma série de ações judiciais das vítimas que quebraram décadas de silêncio, o que levou a que deputados de partidos do poder e da oposição a redigirem um pacote de compensações.

As vítimas exigem cerca de 30 milhões de ienes em ações legais que continua a crescer um pouco por todo o país, alegando que a implementação da lei pelo Governo violou o direito das vítimas à autodeterminação, saúde reprodutiva e igualdade.

Por outro lado, defendem que as medidas de compensação do Governo são muito pequenas, comparadas com o sofrimento infligido.

Além das esterilizações forçadas, mais de 8.000 outras pessoas foram esterilizadas com consentimento, embora provavelmente sob pressão, enquanto quase 60.000 mulheres fizeram abortos por causa de doenças hereditárias.

No entanto, a legislação não cobre os casos de abortos, de acordo com a Federação Japonesa de Associações de Advogados.

Promoção da literacia
A Direção-Geral da Saúde vai criar uma rede de municípios embaixadores da vacinação para reforçar a mensagem de que as vacinas...

A criação desta rede é, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), “uma iniciativa pioneira” que visa “articular e otimizar” a colaboração dos municípios na promoção da literacia para a vacinação, arrancando de “forma piloto” na Área Metropolitana de Lisboa, através da assinatura de uma Carta de Compromisso.

O objetivo é criar uma rede de parceiros da DGS, das Administrações Regionais de Saúde e dos serviços de saúde a nível local para promover a vacinação, disse à agência Lusa a coordenadora do Programa Nacional de Vacinação da DGS, Teresa Fernandes.

“No fundo, é para transmitir a mais pessoas, a mais parceiros, a mais áreas da sociedade e a novas instituições a mensagem de que a vacinação é um direito das pessoas, um dever, um ato de cidadania, uma responsabilidade e um ato de solidariedade para com aqueles que não podem mesmo ser vacinados”, explicou.

A iniciativa visa também informar cada vez mais a população da necessidade e dos benefícios da vacinação, explicando as doenças que se estão a prevenir e as que já foram prevenidas ao longo dos anos como a poliomielite, que foi erradicada com a vacinação.

Na Semana Europeia de Vacinação, promovida pela Organização Mundial da Saúde, que tem início hoje e termina no próximo dia 30, Teresa Fernandes realçou a importância de promover a vacinação numa altura em que se assiste ao aumento de casos de sarampo no mundo, segundo a OMS.

“O sarampo está de volta em muitos países onde as pessoas começam a desvalorizar a vacinação e surgem movimentos anti vacinação”, porque as pessoas esqueceram-se do impacto que doenças como a tosse convulsiva, a poliomielite, o sarampo e a rubéola tinham na vida das pessoas, na sociedade e na comunidade.

Estas doenças provocavam uma elevada mortalidade infantil e até sequelas para o resto da vida, no caso da poliomielite, mas as pessoas “esqueceram-se disso e agora dão mais importância às pouco frequentes reações adversas às vacinas, como acontece com outros medicamentos, e acabam por atrasar a vacinação, por decidir que não querem vacinar os seus filhos” e a si próprias, frisou.

Segundo Teresa Fernandes, esta situação está a começar a ter “uma grande expressão” nos Estados Unidos, que está a ter grandes surtos de sarampo, e em vários países da Europa, onde tem havido surtos de sarampo e de rubéola.

“Felizmente em Portugal não temos esse problema porque a população ainda se lembra como eram estas doenças e exige a vacinação”, adiantou, lembrando um estudo da Comissão Europeia, divulgado em outubro, em que Portugal surge como o país com maior percentagem de população a encarar as vacinas como seguras, eficazes e importantes na infância.

Por outro lado, as autoridades também têm feito “um bom trabalho” com o Programa Nacional de Vacinação, “um dos programas de saúde pública mais bem-sucedidos em Portugal”.

“O que temos feito ultimamente para evitar que as pessoas comecem a deixar de se vacinar é alertar e informar, informar, informar”, vincou.

A criação da rede pretende “reforçar esta mensagem para que isso não se perca e dizer também que os surtos que têm surgido de sarampo” em Portugal são “muito pequenos, autolimitados e controlados em um, dois meses, porque a população está imunizada” devido à elevada taxa de vacinação.

Por esta razão, Portugal nunca perdeu o estatuto conferido pela OMS em 2015 de país com eliminação do sarampo e da rubéola, salientou.

A rede é formalizada na próxima terça-feira no evento “Vacinas, um compromisso para a vida”, promovido pela DGS em parceria com a Câmara Municipal da Amadora e com o ACES da Amadora.

Ana Jorge
A antiga ministra da Saúde Ana Jorge defendeu na terça-feira que o “desafio primordial” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são...

“Não vamos ter SNS se não tivermos recursos humanos, que são, de facto, o principal desafio primordial do Serviço Nacional de Saúde”, disse.

Ana Jorge, que foi ministra da Saúde nos governos socialistas liderados por José Sócrates, participou terça-feira numa sessão pública sobre o SNS, organizada pelo Bloco de Esquerda.

Na iniciativa que decorreu em Lisboa, a antiga governante defendeu que da “resolução destas questões dependerá a qualidade e a eficácia da prestação dos cuidados de saúde aos portugueses”.

Para a antiga ministra, sente-se “nos profissionais uma certa desilusão com o serviço público, sem reconhecerem esses mesmos profissionais que a sua formação e a capacidade de serem excelentes profissionais se deve às características do Serviço Nacional de Saúde”.

“Não basta aumentar o financiamento. Os profissionais – médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos, todos – têm de voltar a ter orgulho a trabalhar no SNS”, salientou, reforçando que a questão crucial é “aquilo que é a vontade e a fixação dos profissionais ao sistema”.

Na ótica da médica, “é um erro e é grave aquilo que acontece”, referindo que “o afastamento precoce dos profissionais das equipas estruturadas leva a médio prazo a um empobrecimento da sua diferenciação, com as consequências na qualidade dos cuidados prestados e na formação de novos profissionais”.

“Estamos em risco de não ter capacidade interna, dentro das instituições, de formar novos profissionais, e não é nem o setor privado, nem o setor das PPP [parcerias público-privadas], que vai garantir a formação de qualidade dos novos profissionais”, alertou, notando que “isso é de facto preocupante”.

Ana Jorge falou ainda na exclusividade dos profissionais de saúde, referindo que “ninguém pôs em causa” esta questão aplicada ao setor privado.

“Hoje não há ninguém que trabalhe em grandes hospitais do setor privado que não tenha obviamente uma exclusividade com aquele empregador, e isso no publico não está garantido e não é bem visto”, vincou a antiga governante.

Assim, salientou, “o espírito de equipa tem de ser reconstruído com profissionais que estejam em carreiras que valorizem a competência, a produtividade, os resultados”, e “a inovação pela qualidade tem de ser uma constante”, pelo que “as práticas têm de ser recompensadas e reconhecidas”.

Ana Jorge advogou ainda que a dedicação exclusiva ao SNS é algo que “tem de voltar a ser reinventado”.

Inquérito
94,3% dos portugueses acredita ter as suas vacinas em dia e 89,1% considera-as fundamentais na prevenção de doenças graves. No...

As celebrações da Semana Europeia da Vacinação (24 a 30 de abril), este ano sob o tema "heróis da vacinação”, servem, mais uma vez, de mote para que o MOVA se dirija à população, aos profissionais de saúde e aos governantes, para os sensibilizar sobre a importância da vacinação.

"A vacinação deve ser uma preocupação de todos, e deve estar presente em todas as fases das nossas vidas", explica Isabel Saraiva, fundadora do MOVA, vice-presidente da Respira e presidente da Fundação Europeia do Pulmão. "Para ajustarmos as ações do MOVA às necessidades da população, propusémo-nos a avaliar as perceções da comunidade sobre vacinação, através de um inquérito aos nossos seguidores e seus contactos. Os resultados falam por si: começamos, como comunidade, a ter uma boa consciência da importância da vacinação, não só nos mais novos, mas em todas as faixas etárias. Continua a haver, no entanto, algum desconhecimento entre quem devia estar mais informado, no caso, os grupos em maior risco".

Entre os inquiridos mais vulneráveis à Pneumonia (quem sofre de doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC, doença respiratória crónica, doença cardíaca, doença hepática crónica, é doente renal ou portador de VIH ou tem mais de 65 anos), apenas 44,62% tinha sido aconselhado pelo seu médico a vacinar-se contra a doença. 55,38%, apesar de ter maior probabilidade de a contrair, não tinha sido aconselhado. Isto apesar de, do total dos inquiridos, 94,3% das pessoas acreditar ter as suas vacinas em dia, e de existir, desde 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (011/2015) que recomenda a vacinação de grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica (DIP).

Dados que casam com os resultados apurados quando foi solicitado que os inquiridos selecionassem as patologias para as quais sabiam haver vacina. A Pneumonia ficou na última posição. A Gripe foi a que mais se destacou (98,6%), seguida do Tétano (97,3%). Bastante mediáticos, o Sarampo registou 94,7%, a Meningite 91,1%, e o HPV 90,3%. Varicela (84,6%), Hepatite (82,1%), Poliomielite (81,4%) ocuparam as posições seguintes. A lista fechou com a Raiva (69,3%) e com a Pneumonia (66,9%).

Vacinas são fundamentais para 89,1%

Para 89,1% dos inquiridos, as vacinas são fundamentais na prevenção de doenças graves. 8,5% considerou-as importantes e 2% úteis. Boas notícias: apenas 0,5% as classificou como dispensáveis.

94,3% dos inquiridos acredita ter as suas vacinas em dia e 87,4% afirmou saber para que doenças deve estar vacinado na sua idade. Isto apesar de, nas idas ao médico, apenas 48% falar sobre vacinação. Esta discrepância pode explicar-se pela existência de outras importantes e fidedignas fontes de conhecimento e aconselhamento, como os profissionais de saúde.

A partir da adolescência, 16,3% dos adultos inquiridos afirma não lhe ter sido recomendada qualquer vacina. Números em linha com o que acontece com os inquiridos com filhos a partir dos 10 anos: entre os inquiridos com filhos com mais de 10 anos, 88,95% já tinha sido aconselhado a fazer reforço vacinal. 9,39% referiu que não e 1,66% não sabia.

Dos inquiridos com mais de 65 anos, 58% afirmou vacinar-se todos os anos contra a Gripe. 19,81% fá-lo de forma pontual e 21,62% referiu nunca o ter feito.

96,5% considera que a vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida mas, quando questionados sobre que faixas etárias se devem vacinar, apenas 87% selecionou todas as opções: bebés, crianças, adolescentes, jovens adultos, adultos e idosos. Uma percentagem alta mas, ainda assim, com margem para melhorar.

A vacinação ao longo da vida é uma das bandeiras do MOVA. Fundado há dois anos pela Respira, durante a Semana Europeia da Vacinação, com o apoio da Fundação Portuguesa do Pulmão e do GRESP, e no seguimento de entradas de referência como a Liga Portuguesa Contra a Sida, a Associação Portuguesa de Asmáticos e a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, o MOVA deu, recentemente as boas-vindas à FPAD – Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes.

"Somos, neste momento, compostos por sete entidades. Todas distintas nas patologias e nas causas que defendem, mas todas unidas num objetivo comum: a promoção dos direitos dos doentes", explica Isabel Saraiva, vice-Presidente da Respira e fundadora do MOVA. "No caso da vacinação antipneumocócica, causa que originou o nosso Movimento, todas as associações de doentes representam grupos de risco, e todas têm indicação para a fazer", conclui.

 

Ensaio Clínico
Um ensaio clínico pioneiro revelou a segurança e a eficácia da transplantação de células estaminais mesenquimais (MSC) da...

Os investigadores da Universidade de Valladolid, em Espanha, responsáveis pelo trabalho desenvolvido e divulgado na revista científica Translational Research, analisaram os dados relativos a 28 transplantes realizados em doentes com insuficiência límbica severa ou total referenciados para cirurgia, sendo que 17 casos foram tratados com MSC e os restantes 11 com células estaminais do olho. Ambos os procedimentos se revelaram seguros e a taxa de sucesso foi estatisticamente semelhante, o que indica que, para o tratamento desta patologia, o transplante de MSC de medula óssea de um dador é tão eficaz como o transplante de células estaminais do olho.

“Estes resultados são encorajadores e podem abrir portas para mais avanços na investigação médica nesta área, com benefício para os doentes”, menciona Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.

As técnicas mais recentes para o tratamento desta patologia envolvem o transplante de células estaminais de um olho saudável para o olho doente. No entanto, este método apresenta algumas limitações.

“Além das MSCs serem mais fáceis de obter e cultivar em laboratório do que as células estaminais do olho, segundo os autores, estas não causam rejeição imunológica, podendo ser transplantadas sem o uso de imunossupressores. A vasta experiência já documentada relativamente ao transplante de MSC também se apresenta como uma vantagem deste tipo de células”, acrescenta a investigadora.

Frequentemente causada por traumatismo ocular térmico ou químico, a insuficiência límbica caracteriza-se pela ausência parcial ou total das células estaminais do olho responsáveis pela renovação da córnea, processo essencial para manter uma visão saudável. Podendo levar à cegueira em casos extremos, esta doença começa por originar sintomas como dor, visão turva, irritação ocular ou intolerância às lentes de contacto.

 

Listas de espera
Cerca de 70% dos doentes que morreram enquanto estavam em lista de espera para cirurgia em 2016 encontravam-se dentro dos...

Os números oficiais são recordados hoje pela ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista à agência Lusa, depois de o bastonário da Ordem dos Médicos ter na semana passada lamentado que nunca se tivesse esclarecido a situação dos mais de 2.600 doentes que morreram enquanto aguardavam uma cirurgia, apurando as causas concretas.

“Setenta por cento correspondiam a situações que estavam dentro do tempo máximo de resposta garantido [para cirurgia]. E desses 2.605 doentes mais de metade tinham uma patologia do tipo oftalmologia, ortopedia, hérnias, ou seja, situações que correspondiam a necessidade de cirurgias, mas que relativamente às quais exorbitar qualquer relação entre o motivo em que estavam em lista de espera e o óbito será uma situação sem cabimento”, afirma Marta Temido.

“Se nisso houvesse qualquer suspeição, certamente que as entidades competentes já teriam feito essa avaliação. Não cabe ao Ministério da Saúde outra atitude a não ser a de fazer a sua própria análise e qual o melhor encaminhamento. Feita a análise pelos serviços, não se mostrou haver qualquer razoabilidade em utilizar outra medida”, entende a governante.

A ministra sublinha que foi feita a análise aos dados dos doentes que morreram enquanto estavam em lista de espera em 2016 e acrescenta que o número de cirurgias canceladas por óbito tem apresentado uma “percentagem relativamente constante” nos últimos anos.

“De entre as causas de cancelamento de doentes inscritos em lista de espera, os óbitos têm representado uma percentagem relativamente constante em 2016, 2015, 2014 e anos pretéritos. Se pegarmos nos números, o que verificamos é que entre 2010 e 2016 os números de episódios cancelados por óbito oscilam entre 1% e 2%”, explica a ministra.

Aliás, Marta Temido diz mesmo que o cancelamento de cirurgias por morte de doentes com cancro (neoplasias malignas) foi em 2016 mais baixo do que nos dois anos anteriores: em 2014 foram 237, em 2015 foram 260 e em 2016 foram 231.

A questão dos doentes que em 2016 morreram enquanto estavam em lista de espera para cirurgia foi novamente suscitada na semana passada pelo bastonário Miguel Guimarães, que foi o coordenador do grupo técnico criado pelo Ministério para avaliar o sistema de gestão das listas de espera no SNS, cujo relatório foi divulgado na semana passada.

Este grupo técnico independente avaliou várias questões técnicas na sequência de um relatório do Tribunal de Contas de 2017, que identificou falhas na gestão nos sistemas de gestão das listas de espera e apontava que mais de 2.600 morreram enquanto estavam em lista de espera a aguardar cirurgia.

Apesar de esta questão não se enquadrar no âmbito do grupo técnico que coordenou, o bastonário dos Médicos lamentou que não tenha sido até hoje um assunto devidamente avaliado e esclarecido.

Para Miguel Guimarães, era importante avaliar o caso de todos esses doentes, para perceber se morreram por um enfarte ou um acidente, por exemplo, ou se morreram "por evolução da sua própria doença enquanto esperavam por cirurgia".

"Era uma matéria que devia ser avaliada numa auditoria, vendo doente a doente, o que não aconteceu. Parece que passou em branco. (...) Eu acho que obrigatoriamente era matéria de intervenção do Ministério Público para esclarecer a situação. Não é que haja crime, seria para esclarecer a situação", afirmou na semana passada à agência Lusa.

Investigação
Sabia que 20 por cento dos acidentes rodoviários têm origem no cansaço do condutor? Para diminuir as estatísticas, uma equipa...

Desenvolvida com uma técnica que permite integrar dispositivos eletrónicos à base de grafeno diretamente em fibras têxteis mantendo o especto, a flexibilidade e o toque do tecido, a capa do volante permite medir nas mãos dos condutores durante qualquer viagem – e, em especial, as viagens mais longas – a resposta galvânica da pele.

Por outras palavras, os sensores acoplados na capa registam a condutividade elétrica da pele, uma propriedade que funciona como um indicador do estado psicológico e fisiológico dos indivíduos, permitindo identificar o indivíduo, alterações na condutividade e relaciona-las com padrões de comportamento humano.

Captados pela capa desenvolvida no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (uma das unidades de investigação das UA), os sinais são analisados em tempo real por um algoritmo desenvolvido no Instituto Superior Técnico e no Instituto de Telecomunicações, no polo de Lisboa, pela equipa da investigadora Ana Fred. Este, ao analisar os dados, reconhece ou não sinais associados à fadiga. Havendo cansaço, o sistema espoleta um alerta para o telemóvel ou para o smartwatch do condutor.

Atualmente, explica a investigadora Helena Alves, “o protótipo transmite os dados via bluetooth, o que permite a emissão de notificações, por exemplo, para um telemóvel ou smartwatch”. A coordenadora do projeto antevê que, num futuro próximo, “será possível convergir para cenários em que o sistema está ligado diretamente ao veículo e é o próprio computador de bordo a apresentar as notificações ou a alterar o comportamento do mesmo”.

“O stress é efetivamente um perigo potencial na estrada. No entanto, os principais riscos que se pretendem prevenir com este trabalho são as distrações e, em especial, a fadiga ao volante”, explica a investigadora.

Nesse sentido, “sistemas que contribuam para avaliar o estado dos condutores no que diz respeito a cansaço e outros parâmetros biomédicos poderão ter um grande valor acrescentado ao nível da segurança rodoviária”. A estes sistemas, desvenda Helena Alves, “podem ser acopladas outras medidas de segurança adicionais, tais como feedback sob a forma de áudio ou vibrações para recuperar a atenção do condutor ou até mesmo provocar a imobilização do veículo”.

Doença inflamatória ou autoimune
Importantes para a manutenção de uma microbiota saudável, os probióticos, presentes em alguns alimen

Descritos como “bactérias boas”, os probióticos são na realidade microrganismos que habitam no nosso intestino e que, para além de ajudarem na absorção dos nutrientes, ajudam a fortalecer o nosso sistema imunitário. Daí que há muito se oiça falar no seu contributo no combate a certas doenças ou alergias.

Para compreendermos a sua importância e como atuam, é importante explicar que é no intestino que se encontra uma importante linha de defesa do nosso organismo. Constituída por mais de 100 mil milhões de bactérias, a flora intestinal tem um papel importantíssimo na manutenção da saúde em geral. Estas bactérias, além de servirem de barreira contra a adesão e desenvolvimento de agentes patogénicos, contribuem ainda para diminuir a inflamação da mucosa, induzir a produção de muco protetor e fornecer energia às células da mucosa intestinal para que esta cresça e se renove.

Hoje sabe-se que o stresse, a alimentação e alguns medicamentos podem provocar o desequilíbrio da microbiota, contribuindo para o desenvolvimento de algumas doenças.

Entre as patologias que podem resultar deste desequilíbrio encontram-se a asma, diabetes, obesidade e as doenças cardiovasculares, inflamatórias e autoimunes.

De acordo com investigações levadas a cabo pelo Canadian Centre for Human Microbiome and Probiotics, a suplementação com probióticos pode ser benéfica no tratamento de doenças crónicas incluindo alguns tipos de artrite.

No caso da artrite inflamatória, os probióticos podem mesmo ajudar a reduzir a inflamação. Segundo a Academia americana de Nutrição e Dietética, os doentes com artrite inflamatória apresentam uma inflamação do trato intestinal que resulta no aumento da “permeabilidade” das paredes do intestino. Quer isto dizer que, quanto mais permeáveis estas forem, mais bactérias nocivas atravessam a barreira intestinal, chegando à corrente sanguínea, dando origem a uma resposta inflamatória generalizada.

Uma vez que contribuem para o aumento das bactérias que protegem a flora intestinal, os probióticos ajudam a combater a inflamação. No caso da artrite, dizem os especialistas que a combinação de uma alimentação saudável com a suplementação de probióticos ajuda a manter as articulações sem inflamação.  

Um estudo publicado na revista Nutrition, em 2014, conseguiu demonstrar esta relação. Para tal, os investigadores avaliaram dois grupos de doentes com artrite reumatoide, ao longo de oito semanas. Um dos grupos fez suplementação de probióticos e foi possível, no final, assistir à redução dos marcadores inflamatórios neste conjunto de doentes.

No entanto, apesar das evidências admite-se que os seus benefícios para a saúde ainda não estão completamente compreendidos e alguns especialistas alertam para o facto de os suplementos não serem devidamente regulados. Quer isto dizer que nem todos os suplementos são seguros, pelo que se aconselha cautela.

Ainda que se tenha conseguido provar que favorecem o estado de saúde destes doentes, nunca é demais recomendar que fale com o seu médico antes de se decidir pela toma de probióticos.

Quais os alimentos ricos em probióticos?

  • Iogurte natural
  • Quefir
  • Leite fermentado
  • Kombucha
  • Chucrute
  • Kimchi (um condimento típico da culinária da Coreia, com base em acelgas e temperado com especiarias)
  • Miso (pasta feita à base de soja fermentada)
  • Ervilhas e azeitonas verdes
  • Chocolate negro
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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Paragem Cardíaca
32 vidas por dia, 970 por mês e 11.640 por ano. Estas são as vidas perdidas por morte súbita cardíaca, em Portugal. Das 12.000...

Os dados são da Sociedade Portuguesa de Cardiologia que promove, no próximo dia 27 de abril, o maior treino de Suporte Básico de Vida de sempre, no nosso país. «Porque ser reanimado é um direito cívico, porque não podemos ter a nossa vida vetada à sorte e porque salvar vidas pode estar nas nossas mãos, aprender Suporte Básico de Vida (SBV) é um passo para não vivermos com “o coração nas mãos”», é a mensagem que esta sociedade científica pretende transmitir aos portugueses, numa ação que quer ir mais além do que apenas sensibilizar para o flagelo da morte súbita.

«Aprender Suporte Básico de Vida é um direito e um dever cívico que todos temos. Um direito porque cada português que sofre uma paragem cardíaca tem o direito a ser reanimado, mas, para que esse direito seja uma realidade, todos temos o dever de saber aplicar as manobras de reanimação, ou seja, fazer Suporte Básico de Vida.»  Para a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a prevenção da morte súbita cardíaca está longe de ter uma resposta adequada, havendo ainda muito por fazer e onde é possível obter enormes ganhos em saúde. Apesar da Lei estar a ser melhorada e de existir um Serviço de Emergência Médica Pré-Hospitalar de qualidade e que cobre todo o território nacional, um cidadão que sofra um episódio de morte súbita ainda está vetado à sorte: à sorte quanto ao local onde ocorre o episódio e à sorte de ter alguém por perto que saiba atuar de forma adequada. 

De acordo com o Registo Nacional de Paragem Cardiorrespiratória Pré-hospitalar partilhado pelo INEM, em 2016, dos 12 mil casos de tentativas de ressuscitação em que as manobras de reanimação cardiopulmonar foram aplicadas, apenas 681 cidadãos chegaram vivos ao hospital, ou seja, há uma mortalidade de 95% na rua. Em mais de metade dos casos (57%) não foi realizada qualquer manobra de reanimação até à chegada do doente ao hospital e apenas 3% das vítimas sobrevive, dando nota do trabalho que temos por fazer para melhorar o sistema de socorro pré-hospitalar. 

Assim, cumprindo um dos seus grandes objetivos, o de sensibilizar para a prevenção da morte súbita cardíaca, a SPC lança uma iniciativa inédita em Portugal: reunir 1200 pessoas para treinar manobras de suporte básico de vida.  O evento integra o maior congresso nacional de Medicina Cardiovascular, o Congresso Português de Cardiologia, e é dirigido aos congressistas, mas também aos media, tutela e sociedade civil. Terá lugar no Centro de Congressos do Algarve em Vilamoura, no dia 27 de abril, às 18h00, seguido da Corrida do Coração, que todos os anos se realiza no primeiro dia do congresso, e conta com a parceria da AstraZeneca, da Câmara Municipal de Loulé, do Hospital da Luz e da Multicare e ainda do grupo TVI, como Media Partner. Será fornecido gratuitamente a cada participante um kit de reanimação cardiovascular, que inclui um manequim de reanimação e instruções que poderão depois levar para casa para treinar com a família e amigos.

Serviço não recebe mais doentes
Alguns utentes e profissionais do Hospital dos Marmeleiros, no Funchal, foram afetados pela escabiose, doença vulgarmente...

"Foi decidido não haver novas admissões de doentes [no serviço afetado] e foram reforçadas as medidas de precaução básicas", refere o Sesaram em comunicado de imprensa, sublinhando que as medidas incluem a "limpeza aprofundada e desinfeção dos espaços, bem como o reforço na higiene".

No sábado, 20 de abril, um caso de sarna foi identificado num utente que, por outros motivos clínicos, foi internado no 3.º piso do Hospital dos Marmeleiros e, após o diagnóstico da situação, foram implementadas as medidas de segurança e controlo preconizadas, de forma a minimizar os efeitos junto dos utentes internados e dos profissionais.

A escabiose atingiu, no entanto, profissionais e utentes daquela unidade hospitalar e o Sesaram decidiu avançar com o "tratamento preventivo" a todo o pessoal e doentes "com e sem a doença".

As autoridades de saúde recordam que a escabiose "não é uma doença grave", explicando que se trata de uma lesão cutânea contagiosa, causada por um parasita, que tem como principais sintomas comichão, prurido e erupções cutâneas.

O Sesaram refere que as situações de sarna podem ocorrer em qualquer espaço público e, quando identificadas em utentes da Região Autónoma da Madeira, o serviço está "plenamente preparado para tomar as medidas de segurança necessárias para o controlo da situação".

 

 

Inquérito
Mais de metade dos inquiridos num estudo acredita que a taxa de sobrevivência da insuficiência cardíaca é alta e apenas 15%...

O inquérito os “Portugueses e a insuficiência cardíaca”, integrado na campanha anual da Fundação Portuguesa e de Cardiologia “Maio, mês do coração”, que será apresentada hoje, decorreu em março e envolveu 1.012 indivíduos.

Apesar de a maioria dos inquiridos (89%) considerarem que esta doença ameaça a vida das pessoas, apenas 51% consideram que a taxa de sobrevivência é alta ou, pelo menos, não tão baixa como em casos oncológicos.

Mais de sete em cada 10 inquiridos (71%) disseram saber que se trata de uma doença cujo número de casos vai aumentar nos próximos anos e 63% afirmaram que é uma doença que afeta tanto novos como mais velhos, mas apenas 19% sabia que a taxa de sobrevivência é baixa e 29% que a taxa é semelhante à dos cancros mais graves.

A grande maioria (83%) disse que na insuficiência cardíaca ocorrem muitas mortes prematuras, porque os doentes não valorizam os sintomas da doença, que são principalmente falta de ar, cansaço fácil, edema nas pernas e perda de peso.

Segundo o estudo, 72% associa o cansaço fácil à insuficiência cardíaca, 69% a falta de ar, mas apenas 15% reconhece o edema das pernas e 5% a perda de peso.

Também existe desconhecimento face a aspetos “mais técnicos” da doença e respetivo tratamento, como por exemplo são mais os que consideram que não deve haver restrição no consumo de água (45%) do que os que entendem que deve ser bebida moderadamente.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta, afirmou que “os portugueses ainda reconhecem pouco os sintomas da insuficiência cardíaca” e a gravidade desta doença, uma “epidemia que vai aumentar” e que atinge 15 milhões de europeus.

O cardiologista sublinhou que o desconhecimento que ainda existe sobre esta doença mostra que é “necessário aumentar a literacia das pessoas em relação ao tema”.

Nesse sentido, defendeu, as campanhas são “extremamente importantes” para sensibilizar a população para esta doença “ainda um pouco esquecida, subvalorizada”, mas que é “uma das grandes epidemias do século pelo que deve ser considerada uma prioridade nacional”.

“A insuficiência cardíaca deve ser considerada uma prioridade nacional com consultas de especialidade em articulação com o médico de família, porque é a única maneira de ter uma resposta capaz para uma patologia que está a aumentar e que mata muito”, defendeu Manuel Carrageta.

A campanha que é hoje lançada pretende passar a mensagem de que viver com insuficiência cardíaca é como estar numa prisão, porque o doente está “manietado pelos sintomas”.

O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para esta situação e explicar que, através do tratamento e da mudança de estilo de vida, é possível libertar o doente, disse, lamentando que as pessoas ainda recorram tardiamente aos serviços de saúde.

Isto acontece porque é uma doença que também está associada ao envelhecimento e as pessoas atribuem o cansaço à idade, não recorrendo ao médico e acabando por morrer, justificou.

Autorização pendente
O Observatório Português de Canábis Medicinal (OPCM) lamentou hoje, em Vila Nova de Poiares, que os produtos derivados desta...

“Há aqui claramente um problema”, disse aos jornalistas a presidente da nova associação, Carla Dias, após ter sido celebrada a escritura de constituição da OPCM, num cartório notarial daquele município do distrito de Coimbra.

A lei 33/2018, publicada em 18 de julho no Diário da República, que regula a utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base da canábis para fins medicinais, “supostamente, devia vir facilitar tudo”, garantindo a segurança dos doentes no acesso àqueles produtos, “o que não aconteceu”, afirmou.

Entretanto, o decreto-lei 8/2019, que regulamenta a utilização daqueles medicamentos, preparações e substâncias, entrou em vigor em 15 de janeiro e, nas farmácias, “ainda não estão dispensados os produtos de que os pacientes necessitam”, criticou.

“Não existe nenhuma autorização de colocação no mercado”, acrescentou a presidente do Observatório Português de Canábis Medicinal, responsabilizando pela situação o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

O Infarmed “está a bloquear este procedimento” e o OPCM, que passa a ter sede na Lousã, “vem questionar esta regulamentação” e a suposta omissão daquele organismo do Estado.

“O Observatório está aqui para dialogar”, para que o Infarmed “arranje uma solução que ajude os pacientes, cuja segurança está em causa”, alertou Carla Dias, mãe de uma menina de três anos, Isa, à qual é ministrada uma substância à base da planta “Cannabis sativa l.”.

O tratamento “melhorou a qualidade de vida” e diminuiu o número de crises de encefalopatia epitética de que a criança padece, referiu.

Professora do ensino secundário, Carla Dias acompanha diariamente as terapias da filha numa instituição de Braga, tendo publicado, em 2018, o livro “Uma mãe de FIRES”, alusão ao diagnóstico da pequena Isa: Febrile Infection-Related Epilepsy Syndrome (FIRE, Síndrome de Epilepsia Relacionada à Infeção Febril).

A advogada Liliana Santos, que tem dado apoio jurídico no processo de criação do OPCM, disse aos jornalistas que o Infarmed “não está a cumprir” o artigo 11º da lei 33/2018.

A norma consagra uma disposição transitória segundo a qual este instituto público, “após a publicação da presente lei, determina quais os medicamentos preparações e substâncias à base da planta da canábis, atualmente existentes, que estão em condições de ser utilizados para fins terapêuticos e medicinais”.

Contactado pela Lusa, o Infarmed, na sexta-feira, remeteu para a informação publicada no seu ‘site’, segundo a qual a colocação no mercado de preparações ou substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais está sujeita a uma autorização de colocação no mercado, que lhe deve ser submetida.

“O pedido deve ser acompanhado das propostas da rotulagem e das instruções de utilização (…) e da documentação que demonstre a qualidade da preparação”, segundo o organismo.

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