Avaliação dos sistemas de acesso a cuidados de saúde
A Administração do Sistema de Saúde “limpou” doentes das listas de espera para consultas, numa altura em que era presidida pela...

Estas são conclusões do relatório, a que a Lusa hoje teve acesso, do grupo técnico independente criado pelo Governo em outubro de 2017 para avaliar os sistemas de gestão das listas de espera para consultas e cirurgias, após um relatório do Tribunal de Contas que apontava para a “eliminação administrativa” de utentes, “falseando os indicadores” que são divulgados.

O grupo, que foi coordenado pelo bastonário da Ordem dos Médicos, avaliou os sistemas de acesso a cuidados de saúde no SNS, como os sistemas das listas de espera para consultas e cirurgias no triénio 2014-2016, concretamente a atuação da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que em 2016 era presidida pela atual ministra Marta Temido.

Segundo o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, foram tomadas medidas de limpeza ou expurgo de listas de espera de consultas, sem que tenha sido, contudo, possível perceber o real impacto que “o expurgo” teve sobre a redução efetiva do tempo médio de espera.

A dificuldade de ter o impacto real dessa limpeza de listas acontece, segundo o documento, porque a ACSS não forneceu elementos que permitissem avaliar algumas questões fundamentais, como por exemplo quantos doentes em concreto foram “simplesmente eliminados das listas de espera”.

Em 2017 o Tribunal de Contas já tinha apontado para a “limpeza das listas de espera para primeiras consultas de especialidade hospitalar do universo das unidades hospitalares do SNS”, que incluía “a eliminação administrativa de pedidos com elevada antiguidade, falseando os indicadores de desempenho reportados".

Em relação ao cumprimento dos tempos máximos de resposta para cirurgias, o grupo independente identificou situações “em que os tempos de espera são superiores ao registado”.

O relatório aponta como “especialmente preocupante” o uso “indevido” de mecanismos para suspender os tempos máximos de resposta nas listas de espera para cirurgias.

O documento refere-se ao uso “indevido do expediente de pendência de inscrição” dos doentes para cirurgias “como forma de suspender os tempos máximos de resposta garantidos aplicáveis”.

Refere também a “utilização abusiva do expediente de não inscrição imediata em lista de inscritos para cirurgia, na data da consulta” em que foi identificada a necessidade de operação.

Em algumas unidades de saúde verificou-se mesmo um “lapso de tempo anormal entre a última consulta e a data de inscrição para cirurgia”.

Em resposta à agência Lusa, fonte oficial da ACSS explica que o expurgo da lista de utentes para consultas “é um processo administrativo de correção de erros” e que não tem impacto no utente.

“Não é uma limpeza, não são apagados ou varridos para debaixo do tapete. Desenvolveram-se até procedimentos para ficar mais claro e transparente como funciona esse expurgo, que no fundo é um processo de correção de erros”, explicou fonte oficial da ACSS.

Quanto ao uso de expediente na colocação de doentes em lista de espera para cirurgia, a ACSS indica que essa gestão respeita aos hospitais.

A mesma fonte explica que há um mecanismo para que o doente fique pendente na lista de espera, não contando logo o tempo em que espera para cirurgia, mas que esse mecanismo tem a ver com questões clínicas, sendo essas questões identificadas nos hospitais.

Contudo, o relatório aponta para um uso abusivo deste mecanismo no triénio 2014/2016. Em resposta, a ACSS garante que foi melhorada a monitorização e o controlo para “evitar o uso abusivo de um mecanismo que, em si, é legítimo”.

No conjunto de 45 recomendações que deixa ao Ministério da Saúde, o grupo técnico sugere que sejam adotadas medidas que garantam que a informação sobre o acesso a cuidados de saúde “não seja resultado de medidas de limpeza ou expurgo de listas de espera, das quais resulte, como aconteceu no passado, a eliminação de doentes/utentes das listas de espera”.

É também sugerido que seja avaliado, periodicamente, por entidade externa a qualidade dos indicadores de acesso.

As conclusões do grupo técnico criado pelo Governo vêm assim corroborar algumas das conclusões do relatório divulgado pelo Tribunal de Contas em outubro de 2017 e que punha em causa a fiabilidade de dados sobre as listas de espera e contrariava os números oficiais que apontavam para menos tempo de espera nas consultas hospitalares nos hospitais públicos.

Mais tempo de espera para uma consulta hospitalar e mais utentes a aguardarem por uma cirurgia entre 2014 e 2016 foram alguns dos aspetos identificados na altura pelo Tribunal.

Relatório
Os critérios “políticos” para definir os tempos máximos de resposta em consultas e cirurgias podem penalizar os hospitais do...

A conclusão é de um grupo técnico independente criado pelo Governo em outubro de 2017 para avaliar os sistemas de gestão das listas de espera e que entregou o seu relatório no verão do ano passado, documento a que a agência Lusa hoje teve acesso.

O relatório entende que a definição dos tempos máximos de resposta garantidos (tempos limite em que os doentes devem ter consulta ou cirurgia) “terá sido política” e não com base em critérios clínicos, sem que tenha havido um “aumento proporcional na capacidade de resposta dos vários hospitais do SNS”.

A diminuição dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) não correspondeu a um aumento da capacidade dos hospitais e a estratégia terá passado, refere o relatório, apenas pelo aumento da emissão de vales de cirurgias ou notas de transferência, que permitem aos utentes ser atendidos numa unidade privada ou do social quando é ultrapassado o tempo definido.

Quando uma consulta ou cirurgia ultrapassa o tempo máximo de resposta o utente recebe um vale ou uma nota de transferência e pode recorrer a um privado ou a uma unidade do setor social com convenção com o Estado.

“Esta é uma política de saúde centrada na circulação do doente entre o setor público e o setor privado e social convencionado”, entende o grupo técnico independente, coordenado pelo bastonário da Ordem dos Médicos e que era também integrado pelo atual secretário de Estado Adjunto e da Saúde, na altura enquanto representante da Associação dos Administradores Hospitalares.

O grupo conclui ainda que a redução dos tempos máximos de resposta sem que antes fosse aumentada a capacidade do SNS origina um aumento do incumprimento que só pode ser atenuado com recurso ao setor convencionado, no caso de os doentes aceitarem realizar as suas cirurgias, por exemplo, no privado ou no setor social.

“Esta situação poderá penalizar financeiramente os hospitais do SNS no que aparenta ser uma subversão do sistema”.

Nas recomendações, o relatório sugere que os tempos máximos de resposta sejam baseados em critérios clínicos e que possam ser introduzidos “mais níveis de estratificação de prioridades nos TMRG”, baseados em mais critérios qualitativos.

Infarmed
o Infarmed informou hoje que a segurança do medicamento Lemtrada, para a esclerose múltipla surto-remissão, está a ser revista...

Numa informação publicada no seu ‘site’, a Autoridade do Medicamento diz ainda que a revisão de segurança deste fármaco foi iniciada pela Agência Europeia do Medicamento após notificação de novos casos de doenças imunitárias, cardíacas e circulatórias, alguns dos quais fatais.

Enquanto durar esta revisão de segurança, o Infarmed aconselha a que o Lemtrada (alemtuzumab) apenas seja iniciado em adultos com esclerose múltipla surto-remissão muito ativa e que já tenham sido previamente tratados com pelo menos duas terapêuticas modificadoras da doença ou em casos em que não possam ser usados outros medicamentos.

A esclerose múltipla surto-remissão é uma doença que afeta o sistema nervoso central, na qual a inflamação destrói a bainha protetora que envolve as células nervosas.

A indicação ‘surto-remissão’ significa que o doente tem exacerbações dos sintomas (surtos), seguidas por períodos de recuperação (remissões).

 

 

Estudo
Um estudo realizado por estudantes da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP)...

Em entrevista à agência Lusa, Pedro Cunha, um dos responsáveis pela investigação, explicou que o estudo, intitulado 'Food choices and body mass index among University students', surgiu da "falta de informação" sobre a autoperceção de saúde dos estudantes universitários.

"A maioria dos estudos sobre este tópico concentra-se em idosos e não em jovens adultos", afirmou, acrescentando que o estudo teve como objetivo “perceber quais os principais determinantes das escolhas alimentares” dos estudantes e como é que essas escolhas se relacionavam com o índice de massa corporal (IMC) e a autoperceção de saúde.

O estudo, que envolveu cerca de 400 estudantes da Universidade do Porto (UP), entre os 17 e 36 anos, concluiu que 47% dos participantes determinam as suas escolhas tendo em conta "um padrão alimentar saudável", 44% pelo sabor dos alimentos, 38% pela qualidade ou frescor, 37% pelo preço e 35% por questões associadas à rotina.

"A ingestão alimentar é passível de ser associada à auto perceção do estado de saúde, ou seja, não se trata de uma variável independente. O que nós comemos pode moldar a forma como nos sentimos e vice-versa", apontou.

De acordo com Pedro Cunha, o estudo avança ainda que os “maiores valores” de autoperceção do estado de saúde no seio dos universitários está associado à ingestão frequente de peixes, legumes, fruta e hortaliças.

À Lusa, o estudante adiantou que o estudo permitiu também concluir que os valores mais altos de IMC se relacionam com a "apresentação dos alimentos e das embalagens", seguindo-se de uma "dieta prescrita", o que fez o grupo "levantar a hipótese de que pode existir uma espécie de ciclo".

"A motivação para uma melhor perceção do estado de saúde pode diretamente modelar a alimentação dos jovens para um padrão mais saudável", referiu, adiantando que o objetivo do grupo passa agora por tentar "definir uma estratégia para melhorar a alimentação dos estudantes".

"O nosso pretexto é tentar definir uma estratégia para melhorar a alimentação através de parâmetros tão imediatos de se ligar à alimentação, neste caso, da perceção do estado de saúde", frisou.

A investigação, apresentada por Pedro Cunha e Rita Lourenço durante o Encontro de Investigação Jovem da Universidade do Porto (IJUP), foi recentemente “submetida” para ser apresentada no XVIII Congresso da Associação Portuguesa de Nutrição, que decorre de 16 a 17 de maio, no Porto.

Vacinómetro faz 10 anos
De acordo com os dados finais da época de vacinação contra a gripe, no último ano, mais pessoas foram vacinadas. No entanto,...

Assinala-se, este ano, o 10.º aniversário do Vacinómetro – um projeto pioneiro em Portugal que permite monitorizar, em tempo real, a taxa de cobertura da vacinação contra a gripe em grupos prioritários recomendados pela Direção Geral de Saúde. Para assinalar este aniversário, e no âmbito da Semana Europeia da Vacinação - que decorre de 24 a 30 de abril -, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), responsáveis pelo projeto, com o apoio da Sanofi, vão realizar, no dia 22 de abril, a sessão “10 anos de Vacinómetro: lições aprendidas e projeções para o futuro”.

A decorrer na sede da SPP, com início às 11h00, esta reunião tem como objetivo “celebrar os 10 anos do Vacinómetro com todos os intervenientes no projeto. Pretendemos avaliar os resultados de uma década de monitorização da vacinação antigripal em Portugal e, principalmente, antecipando a Semana Europeia da Vacinação, sensibilizar para a necessidade de continuar com este percurso que, no geral, tem sido bastante satisfatório” afirmam Filipe Froes e Cátia Caneiras, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Os dados finais da época de vacinação contra a gripe em 2018/2019, divulgados no passado mês de março, revelaram que foram vacinados contra a gripe sazonal 65,9% dos índividuos com 65 anos ou mais (+4,1% do que no anterior), 55,8% dos individuos portadores de doença crónica (+3,7% do que no ano anterior), 37,3% dos portugueses com idades compreendidas entre os 60 e os 64 anos (+1,6% do que no ano anterior) e 52% dos profissionais de saúde com contacto direto com os doentes (-3,2% do que no ano anterior). Os profissionais de saúde têm um papel fundamental na vacinação, uma vez que “por um lado, enquanto prestadores de cuidados de saúde estão bastante expostos aos agentes infecciosos podendo, eles mesmo, promover a transmissão de infeções e, por outro lado, são decisivos para que a população em geral e as pessoas com doença crónica se vacinem”, reforçam ambos os representantes da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

“É fundamental clarificar mitos e crenças associados à vacinação”, afirmam Filipe Froes e Cátia Caneiras, no contexto da Semana Europeia da Vacinação que decorre no âmbito da Semana Mundial da Vacinação preconizada pela Organização Mundial de Saúde. “A hesitação na vacinação - a relutância ou a recusa em vacinar, apesar da disponibilidade de vacinas - ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis e é uma das 10 principais ameaças à Saúde Global em 2019, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. A vacinação é uma das formas mais eficazes de se evitar doenças - atualmente, previnem-se 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outros 1,5 milhões poderiam ser evitados se a cobertura global de vacinação melhorasse”, concluem.

Menos de 40% dos hipertensos estão controlados
A Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) associa-se pelo segundo ano consecutivo, ao maior registo mundial de hipertensão...

Alguns dos centros previstos para esta iniciativa são o Centro de Saúde São João da Madeira, Hospital Egas Moniz do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Hospital Garcia da Orta, Hospital Pêro da Covilhã do Centro Hospitalar Cova da Beira, Centro Hospitalar Entre Vouga e Douro e o Centro Hospitalar de Gaia e Espinho. Para o presidente da SPH, Dr. Vítor Paixão Dias, “o objetivo este ano é conseguir mais de 1000 rastreios de HTA, a juntar aos restantes países que por todo o mundo colaboram com a Sociedade Internacional de Hipertensão. Em dois anos já foram realizadas medições de PA a mais de 2.7 milhões de pessoas por todo o mundo - em 2017 os 1.2 milhões de rastreios identificaram mais de 150 mil pessoas com HTA previamente desconhecida, e mais de 100 mil com HTA mal controlada; em 2018 foram rastreadas mais 1.5 milhões de pessoas, tendo em Portugal sido feitos mais de 900 registos. Para colaborar no rastreio basta contactar a SPH por email ou telefone. Pode ainda ser consultado o link www.maymeasure.com.

Especialmente neste mês, a SPH relembra a importância de medir a PA frequentemente, cujos valores devem ser inferiores a 140/90. Para além disso, a importância de adotar hábitos de estilo de vida saudável e cumprir a toma da medicação prescrita são as principais mensagens que a SPH quer transmitir.

“Em Portugal, apesar de quase 75% dos hipertensos estar sob medicação, o controlo chega a pouco mais de 40%, e numa grande fatia este problema é causado pelo incumprimento da terapêutica” refere o presidente da SPH e explica “infelizmente, muitos doentes não cumprem a medicação ou abandonam a mesma o que, por conseguinte, vai dificultar o controlo da doença. Abandonar a medicação porque já se está bem ou porque não se sentiu bem com os comprimidos ou ainda porque se sente bem com a tensão alta são alguns do mitos e equívocos responsáveis pela descontinuação do tratamento para a HTA. Deve existir, cada vez mais, a preocupação de promover terapêuticas e posologias simples e, simultaneamente eficazes, para aumentar a taxa de adesão ao tratamento. Nunca é demais reforçar a velha máxima de que um comprimido só faz efeito quando é tomado”.

 

Vendidos através da internet
A Autoridade do Medicamento alertou hoje os consumidores que os produtos Gold Max Blue e Gold Max Pink, para tratamento de...

Num comunicado divulgado na sua página da internet, o Infarmed diz que os produtos foram detetados na alfândega e terão origem em vendas através da internet, não tendo sido detetados no circuito legal de venda de medicamentos.

“Após análise no laboratório do Infarmed, verificou-se que estes produtos contêm a substância ativa sildenafil, que se destina à melhoria do desempenho sexual”, explica o Infarmed, acrescentando que não está garantida a sua qualidade, segurança e eficácia e, por isso, a utilização é proibida em Portugal.

O Infarmed informa as entidades que dispõem destes produtos que não os podem vender, dispensar ou administrar, devendo comunicar de imediato com à Autoridade do Medicamento.

“Os utentes que disponham destes produtos não os devem utilizar, devendo entregar as embalagens em causa na farmácia para posterior destruição, através da Valormed”, refere a nota.

 

Falta de médicos
A Ordem dos Médicos vai apresentar uma queixa à Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) sobre a situação da urgência...

Em entrevista à agência Lusa, o bastonário insiste que os médicos do Garcia de Orta, em Almada, distrito de Setúbal, “estão desesperados” com a falta de profissionais, situação que está a fazer com que não seja possível cobrir as necessidades da urgência pediátrica.

Já há dois meses que o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, tem alertado para a falta de condições de segurança clínica adequadas naquela urgência e lembra que “está em causa a saúde das crianças” e a composição do serviço de urgência, “tal como estabelece a lei”.

“Não existem médicos para cobrir as necessidades do serviço de urgência. E o presidente do conselho de administração diz publicamente coisas que não são verdade”, lamenta o bastonário, referindo-se ao facto de o responsável do Garcia de Orta ter afirmado que tinha as escalas da urgência pediátrica todas preenchidas “num momento em que não estavam”.

A queixa à Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) visa, segundo o bastonário, que se “investigue o que está a acontecer na urgência pediátrica” do Garcia de Orta.

“Se devem estar três médicos de urgência e só está um médico, tem de se perceber porquê. E o conselho de administração tem de ser responsabilizado diretamente por isso”, argumenta Miguel Guimarães, frisando que é preciso atuar quando as escalas das equipas de urgência não são cumpridas.

O bastonário lamenta que os problemas sejam levantados sem que nada seja resolvido e entende que está na altura de começar a responsabilizar publicamente quem tem competências nas matérias da Saúde, como o Ministério, nomeadamente através das “instâncias competentes”, como a IGAS ou os tribunais.

Apesar de considerar que a Inspeção tem tido uma atitude “que deixa muito a desejar” quando o Estado está envolvido, Miguel Guimarães diz esperar que “faça alguma coisa” em relação à urgência pediátrica do Garcia de Orta.

Sobre as equipas que devem estar devidamente constituídas nas urgências, o bastonário anuncia que já pediu aos colégios das várias especialidades para redefinirem essas equipas tipo.

“As equipas tipo, em muitos hospitais, não são cumpridas em serviço de urgência. Por isso decidimos fazer uma reavaliação e iremos publicá-la em regulamento e assim passam a ter existência legal atualizada aos dias de hoje, tendo de ser cumpridas pelos hospitais públicos ou privados”, explicou.

Ordem, Associações e Sindicatos
O Fórum Médico, plataforma que reúne todas as associações e estruturas médicas, reúne-se hoje para discutir a “crise” no setor,...

A Ordem dos Médicos (OM) convocou o Fórum a pedido do Sindicato Independente dos Médicos, da Federação Nacional dos Médicos e de outras associações profissionais, depois de uma reunião, em 03 de abril, dos dois sindicatos com a ministra da Saúde, Marta Temido, ter resultado na manutenção do desacordo e com os representantes dos médicos a considerarem que “o Ministério da Saúde parece querer empurrar os médicos para uma greve que não desejam”.

Quando anunciou, em 05 de abril, a convocação do Fórum, o bastonário da OM, Miguel Guimarães, disse que da reunião de hoje podem sair recomendações à tutela ou “ações concretas para serem implementadas na defesa da qualidade da Medicina, mas sobretudo na defesa dos doentes”.

“Nós sentimos que os profissionais de saúde estão a ser completamente desprezados pela atual tutela, pela senhora ministra da Saúde, as deficiências que existem a nível do Serviço Nacional de Saúde não estão a ser corrigidas e nós estamos a falar de deficiências complexas a nível de capital humano, de equipamentos, que têm levado a que vários hospitais e centros de saúde estejam numa situação dramática”, disse o bastonário na altura.

“Não podemos continuar a permitir que o poder político faça dos profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos, os bodes expiatórios do sistema em várias áreas, nomeadamente quando não existem condições adequadas para a segurança clínica”, sustentou.

 

Ordem dos Médicos
Centenas de denúncias chegaram no último ano à Ordem dos Médicos sobre falta de condições de trabalho, de segurança clínica ou...

Há cerca de um ano, a Ordem dos Médicos criou um email próprio para que os profissionais pudessem denunciar situações que consideram pôr em causa a segurança ou qualidade dos cuidados prestados, uma ferramenta que já recebeu cerca de uma centena de denúncias.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, explica em entrevista à agência Lusa que, apesar deste email específico, os profissionais continuam também a usar outros meios para fazer chegar queixas à Ordem.

“Na prática, no último ano, tivemos centenas de denúncias de várias origens, desde os cuidados de saúde primários aos hospitais, envolvendo várias situações diferentes e tivemos também denúncias de doentes”, afirma o bastonário.

Entre as denúncias estão recursos humanos insuficientes ou condições de segurança clínica ou física que não são asseguradas.

“Vários médicos queixaram-se desta situação [de segurança física]. O nível de agressões a médicos é muito superior ao que está reportado, e falo de agressão física”, lamenta Miguel Guimarães.

Segundo os dados oficiais, no ano passado houve mais de 950 registos de violência contra profissionais de saúde, sendo 2018 o ano com mais casos registados. Contudo, nestes registos oficiais, a maioria dos casos (62%) diz respeito a assédio moral.

Nas denúncias dos médicos que chegam à Ordem surgem também situações que apontam para ‘burnout’, com desgaste profissional seja a nível físico ou emocional, bem como queixas relativas à carreira e às remunerações.

Mas “a maioria” dos profissionais “queixa-se das condições de trabalho”, como a falta de materiais, de equipamentos e as más condições climáticas das unidades em que trabalham, refere o bastonário.

Persistem também as queixas em relação aos sistemas informáticos, sobretudo por parte dos médicos de medicina geral e familiar.

Múltiplos sistemas e lentidão são algumas das principais queixas dos médicos em relação aos sistemas informáticos.

Miguel Guimarães afirma que a “ministra da Saúde se tem mostrado completamente incapaz de resolver estes problemas”, que se vêm arrastando e para os quais os profissionais têm vindo a alertar há largos meses.

Quanto aos atestados médicos para as cartas de condução, atualmente mais exigentes e passados eletronicamente, o bastonário assume que tem havido menos queixas, mas que continuam a existir.

“Não percebo como é que o Ministério não resolveu isto ainda”, lastima Miguel Guimarães, lembrando que se aguarda a criação de serviços específicos para fazer avaliação médica e psicológica de condutores.

Saúde
O bastonário dos Médicos considera que a mudança de ministro da Saúde foi pior para o setor, acusando o Ministério de andar...

“A ministra da Saúde tem de ser responsabilizada pelo que está a fazer e pelo que não está a fazer. Os médicos não podem continuar a ser o bode expiatório do Ministério, que não funciona, que não se interessa pelos profissionais e pelos doentes. Isto já ultrapassou a linha vermelha”, declara o bastonário em entrevista à agência Lusa.

Miguel Guimarães diz que “são vários meses a tentar empatar as situações, graves, que fazem com que os doentes continuem a estar demasiado tempo à espera de cirurgia, de consulta, que fazem com que os doentes não tenham acesso a médico de família”.

“Temos uma situação complexa e temos promessas da ministra para resolver algumas situações depois de outubro, depois das eleições, o que não é sério”, lamenta.

Miguel Guimarães assume ainda que a mudança de ministro na área da Saúde, que ocorreu em outubro de 2018, não foi benéfica e que a situação piorou.

“Tínhamos acordado várias questões importantes e matérias fundamentais para a qualidade da Medicina com o anterior ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. A maior parte dessas coisas que tinham sido acordadas, de repente, voltou à estaca zero. Isto não é possível. Até parece que mudou o Governo. É extraordinariamente difícil trabalhar sem qualquer estabilidade”, queixa-se o bastonário, em dia de Fórum Médico, reunião que hoje junta em Lisboa a Ordem, sindicatos e associações do setor.

O representante dos médicos assume o “desconforto em relação à mudança de ministro”, com Marta Temido a substituir Campos Fernandes, alegando que passados “meses largos de atividade” a nova ministra não tem resolvido problemas nem dado andamento a processos que estavam em curso.

Miguel Guimarães recorda que a Ordem era também crítica do anterior ministro, mas estabelece diferenças:

“Apesar de tudo, quando [Campos Fernandes] tinha intervenções públicas, respeitava as pessoas. Raramente assumiu uma posição de falta de respeito perante os médicos ou enfermeiros. Esta ministra não. É muito complicado quando as pessoas que fazem o SNS todos os dias ouvem insinuações de que os médicos nem por 500 euros à hora trabalham, o que é uma falsidade, ou ouvem insinuações sobre vencimentos ou sobre os médicos serem responsáveis pelo que está a acontecer na saúde”.

Em relação aos médicos internos, o bastonário considera que Marta Temido criou uma “situação inédita no país” ao conseguir “tê-los a todos revoltados”.

Aliás, Miguel Guimarães estima que os médicos internos (jovens médicos em formação de especialidade) “vão ter um papel muito importante” no Fórum Médico de hoje.

“Estão com muita energia e querem fazer qualquer coisa mais forte”, disse.

A propósito dos jovens médicos, a Ordem decidiu que vai avançar com uma auditoria aos processos de atribuição de vagas para especialidade e de capacidade formativa dos serviços de saúde.

Lembrando que há médicos que em Portugal não têm acesso à especialidade, muito porque há jovens formados noutros países que tiram a especialidade em hospitais portugueses, o bastonário entende que é importante fazer uma auditoria sobre todo o processo que envolve a formação dos médicos para ver onde é possível melhorar.

Este era um dos projetos que a Ordem já tinha negociado com o anterior ministro da Saúde, mas que entretanto não avançou, lembra ainda Miguel Guimarães na entrevista à Lusa.

Consultas de especialidade
Numa carta aberta, enviada a Marcelo Rebelo de Sousa, a Ordem dos Psicólogos alerta para períodos de espera por uma consulta de...

“Os utentes chegam a esperar mais de quatro anos por uma consulta de psicologia em algumas zonas do país”, afirma a carta aberta a que a Lusa teve acesso.

Na carta, enviada no dia do nono aniversário da posse do primeiro bastonário, Telmo Mourinho Baptista, é apontada a existência de cerca de mil psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que no setor dos cuidados primários há um rácio de apenas 2,5 profissionais por cem mil habitantes.

Este indicador, diz o atual bastonário, Francisco Miranda Rodrigues, resulta “em situações dramáticas para acesso aos serviços de psicologia, nomeadamente no que se refere às perturbações psicológicas mais comuns”.

A Ordem dos Psicólogos refere a existência de estudos internacionais que apontam para 50% a 70% das consultas dos médicos de família relacionadas com fatores psicológicos, como a ansiedade, a depressão e o 'stress', e de dados da OCDE de 2018 que colocam Portugal como o quinto país da União Europeia com maior prevalência de problemas de saúde mental (18,4%).

O bastonário afirma que a Ordem propôs ao Governo em 2017 a realização de um programa nacional de prevenção da depressão, mas, que, “com exceção de um projeto-piloto a decorrer na região autónoma dos Açores, quer por falta de recursos, quer por preconceitos relativos ao modelo a implementar, o mesmo continua sem aplicação em Portugal”.

Francisco Miranda Rodrigues Lembra que em 2018 houve um concurso para recrutamento de 40 psicólogos e, pela primeira vez na história, apenas para os cuidados de saúde primários, “após mais de 20 anos sem qualquer concurso de ingresso na área clínica e da saúde do SNS”.

“Todavia, só terá efeitos práticos se fizer parte de uma estratégia continuada de reforço da prestação de cuidados de saúde psicológica à população, que garanta a efetiva admissão de novos profissionais no SNS e o seu rejuvenescimento”, diz ainda o bastonário.

DGS
A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que não foram identificadas causas que expliquem o aumento da mortalidade...

Graça Freitas foi ouvida na comissão parlamentar de Saúde a pedido do PSD para "um esclarecimento cabal sobre as causas do aumento da taxa de mortalidade infantil verificado em 2018” e sobre “as eventuais medidas tomadas para contrariar o referido aumento”.

Dados da Direção-geral da Saúde (DGS) indicam que a taxa de mortalidade infantil foi no ano passado de 3,28 mortes por cada mil nados vivos, quando em 2017 tinha sido de 2,69 e em 2016 de 3,24.

Segundo Graça Freitas, os dados foram analisados por peritos que não identificaram causas para este aumento.

“Todos os peritos que foram consultados foram unânimes, olhando para todos os dados não conseguiram identificar nenhuma associação causal e tudo indica que o fenómeno da mortalidade infantil será multifatorial e que os perfis da grávida e das gravidezes parecem estar a sofrer alterações no nosso país”, afirmou.

Para a diretora-geral da Saúde, isto implica “uma pressão evidente sobre os próprios limites biológicos bem como sobre os recém-nascidos e os cuidados da mulher”.

Graça Freitas explicou que um recém-nascido poderá apresentar-se “mais frágil e mais vulnerável porque vem de condições que à partida serão menos favoráveis”, o que faz parte de uma mudança cultural.

“Os serviços de saúde têm que olhar para isto e tentar encontrar respostas adequadas como fomos capazes com os perfis que tínhamos no passado”, sustentou.

Perante esta realidade, a Direção-Geral da Saúde vai fazer recomendações, com o objetivo de identificar estes perfis e adequar cuidados às novas necessidades.

“Se está a emergir uma nova realidade temos de exercer uma vigilância ativa e mais apertada sobre estes novos perfis no sentido de confirmar se estão a ocorrer e de melhor os entender”, disse.

Para Graça Freitas, a saúde sexual reprodutiva materno-infantil tem que se ajustar aos diferentes perfis que estão a emergir seja em cuidados de vigilância pré-natal e perinatal.

No passado dia 25 janeiro, a DGS anunciou a constituição de um grupo de trabalho para estudar a mortalidade infantil com o objetivo de “melhor estudar a mortalidade infantil e as suas componentes”.

Em declarações anteriores, Graça Freitas adiantou que 194 dos 289 óbitos infantis registados em 2018 ocorreram na fase neonatal, ou seja, até aos 28 dias de vida.

Dessas 194 mortes neonatais, 100 tinham sido bebés prematuros de gestações com menos de 28 semanas, que são considerados os “grandes prematuros” e apresentam maior risco de mortalidade e de complicações associadas.

 

Paliativos devem ser uma prioridade
Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), afirma que são precisas “800 a 1.000 camas”...

Atualmente existem 360 camas no país, aumentaram em 14 nos últimos dois anos, mas “a Associação Europeia de Cuidados Paliativos afirma claramente que em Portugal são precisas 800 a 1.000 camas de cuidados paliativos em Portugal”, disse Duarte Soares numa audiência na Comissão Parlamentar da Saúde.

O mesmo se passa em relação aos cuidados paliativos domiciliários, com a associação europeia a apontar a necessidade de 100 equipas para o país e a haver apenas 19 equipas.

“Somos otimistas, somos resilientes, queremos participar”, mas “achamos que temos décadas de atraso em relação a esta matéria” e que “há melhorias que devem ser feitas”, que a associação quer que “aconteçam o mais rapidamente possível”.

Para o médico, é preciso melhorar nos recursos humanos, no envolvimento das políticas dos cuidados paliativos nas políticas de saúde atuais e a nível comunitário com “melhores políticas de saúde pública”.

“Os cuidados paliativos devem ser considerados uma prioridade”, disse, considerando que “é a maior urgência clínica e social das próximas décadas para o país”, que precisa de ser refletida no Orçamento do Estado.

São precisas “mais camas, mais equipas na comunidade, um melhor relacionamento com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados” e hospitais centrais com resposta de internamento de cuidados paliativos, defendeu.

Duarte Soares disse que “faz todo o sentido” haver uma “partilha de responsabilidade e competências” entre os vários setores.

“Eu não consigo acreditar que o Serviço Nacional de Saúde tenha capacidade para absorver e cuidar de todas as pessoas que precisam de cuidados de fim de vida”, sustentou, adiantando que é preciso deixar que os médicos desta especialidade sejam “uma prioridade” no terreno.

“Não vale a pena estar a dizer que há 68 médicos, que são poucos, quando na verdade destes médicos haverá 30 ou 40 que nem sequer estão a trabalhar nas suas tarefas e para aquilo que estudaram”, sublinhou.

Duarte Soares deu o seu próprio exemplo. “Se eu estudei para o efeito, se eu quero dedicar-me àqueles doentes, e se estão a colocar-me em serviços de urgência, alguma coisa de errado está a acontecer na organização dos sistemas de saúde”.

Presente na audiência, a médica Cândida Cancelinha, da APCP, alertou para a situação dos cuidados paliativos pediátricos, afirmando que se estima existirem 7.000 crianças a necessitarem destes cuidados e cerca de 30 mil pessoas a cuidarem delas.

Neste momento não há qualquer tipo de resposta para a morte em casa. Noventa por cento das crianças morrem nos hospitais e 90% destas mortes devem-se a doença crónica complexa e isto “tem implicação não só na dinâmica familiar destas crianças, mas também nos custos hospitalares”, salientou.

Cândida Cancelinha alertou que há crianças a viverem anos com necessidades paliativas, às vezes décadas, e lembrou que as licenças de assistência à terceira pessoa se esgotam em quatro anos, o que leva muitas vezes o pai ou a mãe a desempregar-se para cuidar dos filhos.

Programa de apoio
O Centro Hospitalar de Leiria anunciou hoje a criação da Unidade de Saúde Mental Comunitária do Serviço de Psiquiatria e Saúde...

"O PsiCom é um programa de apoio orientado para as necessidades do doente de psiquiatria e saúde mental, ao favorecer o retorno a uma vida o mais normal possível, longe do internamento hospitalar, e ‘fugir' do modelo hospitalocêntrico e rumar a uma abordagem voltada para os recursos comunitários", explicou o diretor do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do CHL, Cláudio Laureano, citado numa nota de imprensa.

Segundo o psiquiatra, durante o ano 2018 foram realizadas 53 consultas de intervenção em crise na comunidade de doentes graves, 114 consultas domiciliárias multidisciplinares e consultadoria psiquiátrica com os Agrupamentos dos Centros de Saúde Oeste Norte e Pinhal Litoral.

Realizaram-se ainda "reuniões todos os meses nos Centros de Saúde de Alcobaça, Pombal, Arnaldo Sampaio e Gorjão Henriques", em Leiria, "para discussão de mais de 110 situações clínicas complexas", acrescentou o especialista.

O próximo passo é avançar com reuniões de consultadoria com os cuidados de saúde primários às unidades locais da Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós e Nazaré.

"A nova unidade integra uma das mais prementes áreas da saúde mental, que é a da psiquiatria comunitária, e pretende desenvolver, melhorar e otimizar os cuidados prestados na área da saúde mental aos utentes adultos da área de influência do CHL, com especial incidência sobre a população com doença mental grave", precisou a vogal do Conselho de Administração do CHL, Alexandra Borges, citada no mesmo comunicado.

O PsiCom prevê diversas áreas de intervenção, nomeadamente funcionando "como programa de acompanhamento por terapeuta de referência" e apoio domiciliário.

As atividades são realizadas através do agendamento de cuidados clínicos a ocorrer no hospital, centro de saúde, domicílio ou em outras estruturas comunitárias e através da realização de contactos telefónicos periódicos e frequentes entre o terapeuta de referência e os doentes/família dos cuidados de saúde primários.

A intervenção em crise também está contemplada, prevenindo "uma maior deterioração de um episódio agudo de doença" e "evitando idas ao Serviço de Urgência e internamentos, ou promovendo o acesso o mais precoce possível aos cuidados de saúde hospitalares, se necessário".

A consultadoria psiquiátrica com os cuidados de saúde primários fomenta a articulação entre as estruturas parceiras e evita a utilização inadequada dos serviços de saúde, nomeadamente evitando-se episódios frequentes de urgência e encaminhamentos à consulta externa por motivos passíveis de orientação a nível comunitário.

Vacinação
A Direção-Geral da Saúde vai submeter dentro de poucas semanas os relatórios técnicos sobre as três vacinas aprovadas pelo...

“Dentro de muitos poucos dias, semanas no máximo, a DGS submeterá à tutela informação sobre as várias opções de vacinação e as respetivas estratégias, de acordo com a melhor evidência científica disponível”, afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, na Comissão Parlamentar da Saúde, onde foi ouvida a pedido do PSD.

Graça Freitas adiantou que a comissão técnica de vacinação já entregou o relatório sobre a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) para os rapazes e “dentro de dias” vai entregar os relatórios finais sobre as vacinas contra a meningite B e rotavírus.

Na audição, Graça Freitas lembrou que “quando se vacinam grandes grupos de pessoas”, está-se “a mudar a dinâmica das doenças”.

“Se todas estas vacinas fossem boas nós não teríamos dúvida nenhuma em lutar e vir pedir aqui a esta Assembleia que lutasse connosco”, só que há vacinas que apresentam limitações, sublinhou.

Segundo Graça Freitas, a vacina contra a meningite B, que já é administrada a grupos de risco, ainda apresenta limitações e a primeira advém do conteúdo da vacina.

“A concordância estimada da vacina com as estirpes circulantes em Portugal é de 67.9, o que não é uma boa concordância”, disse Graça Freitas, sublinhando que, “até à data, não há nada que evidencie que esta vacina influencie o estado do portador”.

Também não mostrou imunidade de grupo ou proteção individual, disse, ressalvando, no entanto, que a decisão da sua inclusão no PNV “será política”.

O mesmo se aplica à vacina contra o rotavírus, uma vez que a carga da doença em Portugal e nos países desenvolvidos não é relevante

Em relação à vacina contra o HPV, Graça Freitas afirmou que “não se pode ter expectativas que a vacina pode fazer milagres nos rapazes”.

“Faz milagres para o cancro do colo do útero nas raparigas. Isto tem que ser dito, independentemente das decisões que forem tomadas”, sustentou.

Estima-se que em Portugal o número de cancros atribuíveis a HPV em homens, seja na ordem dos 160 a 180 casos por ano, enquanto quase todos os cancros do colo do útero são imputáveis ao vírus do papiloma humano

“Portanto, as contas têm que ser feitas”, rematou.

Ressalvando que são “estimativas grosseiras” com base no seu conhecimento, Graça Freitas estimou que o custo da inclusão das três vacinas no Programa Nacional de vacinação represente quase metade do que custa todo o PNV.

“Costumo dizer são contas de merceeiro da diretora-geral da Saúde, mas que costuma acertar mais ou menos” e estas contas indicam que “a entrada das três vacinas no mesmo ano em regime universal poderia ter um custo direto na ordem 15 milhões de euros por ano”.

DGS
A identificação de crianças de risco para serem vacinadas com a BCG vai ser feita nas maternidades, uma medida tomada na...

A estratégia nacional de vacinação com BCG mudou em 2016, deixando de ser dada a todas as crianças. Passaram a ser vacinadas apenas as que pertencem a grupos de risco para a tuberculose ou as que vivem numa determinada comunidade, com uma elevada incidência da doença.

Para isso, existe uma ‘check list’ que permite identificar os meninos elegíveis para vacinação, explicou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas na Comissão Parlamentar de Saúde, onde foi ouvida a pedido do PSD.

Contudo, as estratégias vacinais dirigidas “só a quem precisa” são difíceis de realizar: “Percebemos que a pulverização de meninos fora da maternidade dificultava muito a sua captação e identificação” e “se não são identificados nem captados não são vacinados”, reconheceu.

“Como nós aprendemos com as coisas e como houve um ligeiro aumento de casos de tuberculose na infância temos que refazer essa estratégia”, disse a diretora-geral da Saúde.

Segundo Graça Freitas, a “estratégia de risco” vai manter-se, o que vai mudar é a sua operacionalização, com as crianças a ser captadas nas maternidades, através da aplicação de “um questionário seletivo”.

Com esta medida, salientou, será possível “encontrar todos os meninos que quando nascem já têm o risco, mas sem perder de vista que este questionário tem de ser repetido ao longo da vida destes meninos em todos os contactos com os serviços de saúde até aos seis anos”.

Vai ser também encetada “uma nova luta” para ter vacinas BCG, que desta vez vêm da Dinamarca.

“Todo a gente tem direito a vacinas com altos padrões de qualidade e isso está a criar nos próximos cinco anos dificuldades de disponibilidade de vacinas em todo o mundo”, afirmou.

Por exemplo, no ano passado para ter a BCG em Portugal foi preciso importá-la do Japão e desta vez será da Dinamarca.

Tanto em 2017 como em 2018 os casos de tuberculose nas crianças aumentaram, mas as autoridades não estabelecem ainda nenhuma relação direta com o facto de a vacina BCG ter deixado de ser dada de modo universal.

Os 30 novos casos de tuberculose registados em crianças menores de seis anos em 2018 chegaram a ser ultrapassados em anos em que ainda era dada a vacina de forma universal.

Quanto às formas graves de tuberculose em crianças com menos de seis anos, em 2018 voltou a haver quatro novos casos, tal como em 2017, sendo os anos com mais casos desde 2008, segundo dados divulgados pelo Programa Nacional para a Tuberculose

Portugal continua a ter uma redução anual de 5% no número de novos casos de tuberculose, mas precisava de duplicar esta diminuição para cumprir as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo dados oficiais a taxa de incidência foi em 2018 de 15,4 casos por 100 mil habitantes, com um total de 1.703 casos notificados.

Dados AnimalhealthEurope
Seja por falta de informação, pelos custos associados ou pela adesão a terapêuticas alternativas, a verdade é que, segundo a...

Esta realidade coloca não só em causa a saúde dos animais, mas também das pessoas que com eles convivem. Por isso mesmo, e no âmbito do Dia Mundial da Vacinação Animal, assinalado a 20 de abril, a organização pretende consciencializar a população europeia para a importância de vacinar cães e gatos, mensagem repercutida em Portugal pela voz da APIFVET - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica de Medicamentos Veterinários.

Segundo Jorge Moreira da Silva, Presidente da APIFVET, “esta é uma mensagem que tem que ser passada, porque a saúde animal anda de ‘mãos dadas’ com a saúde humana. Garantir o bem-estar e saúde dos nossos animais é garantir a saúde das nossas famílias. Doenças que até então eram comuns, são atualmente raras, graças ao uso da vacinação. Importa, por isso, que todas as pessoas continuem a vacinar os seus animais de estimação.” Jorge Moreira da Silva destaca especialmente a importância de vacinar animais até aos seis meses, “particularmente suscetíveis a doenças, porque o seu sistema imunitário não está totalmente desenvolvido até então”.

Apesar da maioria dos donos de animais de estimação esteja consciente para a importância da vacinação, seguindo os conselhos dos médicos veterinários, existe ainda uma parte da população que não compreende o seu funcionamento ou que, pelos custos associados, opta por não vacinar. Segundo o Presidente da APIFVET, estes fatores acabam por contribuir para a redução na taxa de vacinação em muitos países europeus, referida pela AnimalhealthEurope. Torna-se, assim, fundamental “alertar para a importância das vacinas como método preventivo, até porque os custos de prevenir são sempre menores do que os custos associados a tratamentos” e acrescenta: “os médicos veterinários têm um papel crucial na consciencialização dos donos e devem, sempre que possível, lembrar as doenças graves que podem ser evitadas em cães e gatos se os seus donos apostarem na prevenção, vacinando os seus animais.”

 

Reabilitação respiratória
A eficácia da reabilitação respiratória nos doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) está comprovada, no entanto,...

A DPOC é uma doença pulmonar grave e bastante incapacitante que afeta 800 mil pessoas no nosso país e que é, atualmente, a terceira causa de morte no mundo. 3 em cada 4 pessoas com DPOC moderada têm capacidade limitada para desempenharem as suas rotinas diárias. Esta doença produz uma série de modificações que conduzem a uma progressiva alteração da qualidade de vida, sendo algumas tarefas quotidianas, como subir escadas ou tomar duche, impossíveis de concretizar para os doentes com DPOC.

Perante esta realidade, uma parte fundamental para a gestão da doença é a reabilitação respiratória, permitindo, esta terapêutica, reduzir os sintomas e melhorar a capacidade para participar nas atividades quotidianas.

As sessões de reabilitação respiratória podem, inclusivamente, decorrer no domicílio, com o acompanhamento e material devidos. Sendo a DPOC uma doença progressiva, esta terapia permite devolver alguma qualidade de vida aos doentes com o objetivo de recuperar ao máximo a sua capacidade funcional e promovendo a sua reintegração social e/ou profissional e minimizando os efeitos da doença e invalidez. 

 

Petição
As farmácias reuniram 120 mil assinaturas para “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS”, a maior petição dirigida à Assembleia da...

Em comunicado, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) recorda que quase 680 farmácias enfrentam processos de penhora e insolvência e que, com esta petição, querem mostrar ao Governo que pretendem um “acordo profissional” para garantir acesso igual a medicamentos e a serviços farmacêuticos.

A petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS” contou com a adesão das ordens profissionais da Saúde (médicos, dentistas, farmacêuticos e enfermeiros) e de representantes do setor do medicamento como a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) e a Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA).

A Plataforma Saúde em Diálogo, que reúne associações de doentes e de consumidores, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e o presidente do SAMS Quadros - Serviço de Assistência Médico-Social do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários também se associaram a esta iniciativa.

Nomes como os das escritoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, dos atores Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho, do maestro Rui Massena, da fadista Cuca Roseta e da piloto Elisabete Jacinto fazem igualmente parte das personalidades que assinaram a petição.

No texto da petição, as farmácias recordam que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) comemora 40 anos e que a melhor forma de o celebrar é “garantir a sua sobrevivência no século XXI”.

“O SNS não pode encolher, nem se afastar das pessoas. Tem de garantir o direito à saúde a todos os portugueses, independentemente da sua condição económica, residência, ideologia, raça ou religião. Tem de resistir aos terríveis problemas da desertificação e do encerramento desmedido de serviços de proximidade”, escrevem os promotores da iniciativa.

Recordam que as farmácias “aproximam o SNS dos cidadãos, garantindo o primeiro apoio na doença, acesso seguro aos medicamentos e aconselhamento em saúde” e que, com mais de três farmacêuticos por farmácia, “a rede portuguesa é uma das cinco melhores do mundo”.

“As farmácias sempre combinaram inovação tecnológica e inovação em saúde pública. Implementaram programas de saúde pública pioneiros no mundo, como o Programa Troca de Seringas”, acrescentam.

“Ainda há uma farmácia próxima de cada português, mesmo nas terras onde fechou a extensão do centro de saúde, a escola, o tribunal e outros serviços públicos. É isso que está em risco”, alertam os promotores, sublinhando que, neste momento, 675 farmácias enfrentam processos de penhora e insolvência, o que corresponde a quase 25% da rede.

Os signatários desta petição pedem à AR que assuma um programa legislativo com o objetivo de garantir a igualdade e a equidade de todos os portugueses no acesso aos medicamentos, atribuir incentivos e melhores condições de funcionamento às farmácias mais frágeis, evitando o seu encerramento, e proibir a concentração de farmácias e a sua instalação dentro dos hospitais.

Querem ainda que este programa ajude a combater as falhas de medicamentos, garantindo aos doentes o acesso na farmácia a todos os fármacos receitados pelos médicos, promova o uso racional dos medicamentos, proibindo “qualquer prática que incentive o seu consumo, como os descontos nos medicamentos com preço fixado pelo Estado”.

Entre os objetivos deste programa legislativo que a AR deveria assumir estão ainda a fixação de um critério de remuneração igual para todos os agentes do setor do medicamento, “que permita uma remuneração justa e adequada do serviço farmacêutico, sem pôr em causa o processo de consolidação das contas públicas”.

As farmácias querem ainda que se promova a dispensa nestes locais de medicamentos oncológicos e para o VIH-sida, a vacinação contra a gripe e outras intervenções em saúde pública, com particular atenção aos doentes crónicos.

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