Medicamentos
O mercado dos medicamentos vendidos em farmácias sofreu uma redução de 640 milhões de euros numa década, o que corresponde a...

A análise foi encomendada pela Associação de Distribuidores Farmacêuticos, que se manifesta preocupada com “a sustentabilidade da cadeia de valor do medicamento”.

Os dados do estudo elaborado pela consultora Deloitte indicam que entre 2008 e 2018 o mercado dos medicamentos vendidos em ambulatório caiu 642 milhões de euros, sendo uma redução de 22,8%.

Em termos de embalagens, tanto de medicamentos sujeitos a receita como de venda livre, em 2018 venderam-se menos 11 milhões de unidades do que em 2008, uma redução de 4%, ainda assim bem menor do que a redução em valor.

“O mercado atual de medicamentos [em ambulatório] é comparável ao mercado em 2003, evidenciando a forte queda registada desde 2008”, indica o estudo, que hoje será apresentado no Congresso de Distribuição Farmacêutica, em Lisboa, e a que a agência Lusa teve acesso.

O presidente da Associação de Distribuidores Farmacêuticos, Diogo Gouveia, sublinha que “a degradação do preço dos medicamentos coloca em risco o serviço público prestado pelos distribuidores farmacêuticos de serviço completo”.

Em declarações à agência Lusa, Diogo Gouveia defende que a política de definição do preço dos medicamentos deve ser revista, sublinhando que Portugal tem dos fármacos “a preços mais baixos da Europa”.

“Houve uma forte contração do mercado entre 2008 e 2014, por redução administrativa do preço dos medicamentos e por redução das margens de comercialização, e essa contração teve um forte impacto no setor da distribuição”, afirmou o responsável à Lusa.

Para a Associação de Distribuidores esta “degradação do mercado” põe em causa a sustentabilidade do setor e ameaça os “propósitos” que os distribuidores assumem como agentes de saúde pública.

Os distribuidores farmacêuticos de serviço completo entendem que desempenham um serviço de interesse público, porque asseguram diariamente o acesso ao medicamento, com fornecimento às farmácias de todo o território nacional sem introdução de custos adicionais para as farmácias mais distantes ou menos centralizadas.

Além de medicamentos sujeitos a receita e dos de venda livre, os distribuidores também levam à farmácia toda a gama de outros produtos de saúde.

Aliás, o estudo mostra que o negócio dos distribuidores teria “rentabilidade negativa” se dependesse exclusivamente dos medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM).

“Conclui-se que cumprindo o seu dever de serviço público apenas com o abastecimento de MSRM, a sustentabilidade da distribuição farmacêutica estaria comprometida no longo prazo”, refere o documento, a que a Lusa teve acesso.

Além da revisão dos preços dos medicamentos e da sua fórmula de cálculo, a Associação dos Distribuidores Farmacêuticos sugere como medida importante para o setor a passagem para as farmácias de mais medicamentos até agora exclusivos de uso hospitalar.

Diogo Gouveia lembra o exemplo do projeto em curso com dispensa de medicamentos hospitalares para a infeção por VIH nas farmácias comunitárias, entendendo que pode ser alargado a outros fármacos.

“É uma oportunidade para o futuro a transferência de medicamentos do canal hospitalar para o canal de ambulatório”, sugere e considera que traria vantagens para os cidadãos, para as farmácias e para o setor da distribuição.

O estudo que hoje será apresentado veio ainda mostrar que os distribuidores farmacêuticos têm uma margem líquida de 1,8% do preço final de venda ao público. Isto significa que num medicamento que custe 10 euros, a margem líquida é de 0,18 euros.

 

Hospitais
Cerca de 40% dos atendimentos em urgência nos hospitais públicos no ano passado foram considerados pouco ou nada urgentes,...

Os números das urgências por triagem de Manchester, que determina o grau de prioridade clínica, indicam que quase 2,2 milhões dos atendimentos receberam pulseira verde ou azul, sendo considerados pouco urgentes ou não urgentes, segundo dados do portal da Transparência do SNS analisados pela agência Lusa.

A Lusa recupera estes dados que analisou em fevereiro, que reportam a 2018, num dia em que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros denunciou na comissão parlamentar de Saúde da Assembleia da República que os enfermeiros estão a recusar-se a participar num projeto-piloto nas urgências do Hospital de Barcelos que pretende que os profissionais mandem para os centros de saúde os doentes triados com pulseira verde e azul.

A bastonária Ana Rita Cavaco entende que essa não é uma responsabilidade dos enfermeiros e que as pessoas procuram as urgências hospitalares porque têm um problema para resolver e que o sistema não aposta o suficiente nos cuidados de saúde primários.

A Ordem dos Enfermeiros considera a situação grave e diz que não compete aos enfermeiros mandarem embora da urgência os doentes.

A atribuição das cores verde e azul como prioridade clínica significa que os utentes poderiam, à partida, ser vistos noutros serviços de saúde, como os cuidados primários.

Os 40% de atendimentos em urgência hospitalar que em 2018 não foram considerados realmente urgentes aquando da triagem estão em linha com a proporção que se tem verificado nos últimos anos.

A análise da agência Lusa aos dados do portal do SNS sobre a proporção na atribuição de prioridades teve em conta os 5,5 milhões de atendimentos com uma das cinco cores da triagem de Manchester, uma vez que há casos sem pulseira atribuída e outros com pulseira branca (recebidos por razões administrativas ou casos clínicos específicos).

As cores da triagem de Manchester são vermelho (emergente), laranja (muito urgente), amarelo (urgente), verde (pouco urgente) e azul (não urgente).

Os dados de 2018 mostram que a cor amarela foi a pulseira mais vezes atribuída nas urgências no ano passado, com 2,6 milhões de atendimentos.

A atribuição de prioridade laranja – casos muito urgentes – foi dada a menos de 600 mil atendimentos num total de 6,3 milhões, enquanto a vermelha foi atribuída em 20.500 casos.

De acordo com os números do portal do SNS, houve ainda no ano passado mais de 700 mil atendimentos sem triagem de Manchester efetuada e cerca de 160 mil casos com atribuição de pulseira branca.

Efeitos colaterais
As autoridades de saúde dos Estados Unidos informaram que estão a investigar a possibilidade de os cigarros eletrónicos...

A Food and Drug Administration (FDA), agência federal da área da saúde e segurança alimentar, divulgou que está a analisar 35 relatos de convulsões entre utilizadores de cigarros eletrónicos, especialmente de jovens.

A entidade informou que ainda não é claro se os cigarros eletrónicos estão ou não na origem das convulsões, e pede que a população relate qualquer informação sobre o assunto.

A maioria dos cigarros eletrónicos funciona com o aquecimento de uma solução aromatizada que contém nicotina e que produz um vapor inalável.

O envenenamento por nicotina pode causar convulsões, vómitos e danos cerebrais. A FDA já tinha alertado para o envenenamento por nicotina em crianças que acidentalmente engoliram as soluções usadas para os cigarros eletrónicos.

 

Prémio Nacional de Saúde
Na próxima sexta-feira, dia 5 de abril, o Ministério da Saúde organiza um evento a propósito do Dia Mundial da Saúde ...

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), “a atribuição do prémio ao Professor Castro Lopes teve em conta, além da excelência do seu percurso profissional, clínico e académico, o seu contributo para a obtenção de ganhos em saúde na área da doença vascular cerebral, com incessante atividade de difusão de princípios e terapias, com resultados na redução da morbilidade e mortalidade desta patologia tão grave e significativa em termos de saúde pública”. Fundador e presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) desde a sua criação até à atualidade, José Castro Lopes dedicou todo o seu percurso académico, clínico e científico ao estudo, tratamento e combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“Tem sido líder indiscutível de uma causa no nosso país: a de diminuir a incidência e prevalência do AVC em Portugal, lutando pelo acesso aos melhores tratamentos para os doentes com AVC e também para os sobreviventes”, afirma Patrícia Canhão, vice-presidente da SPAVC, referindo-se a Castro Lopes.

Em representação dos elementos que compõem a Direção desta sociedade científica, a médica neurologista acrescenta: “O Prof. Castro Lopes, ao longo do seu percurso, tem intervindo energeticamente em todas as vertentes possíveis: 1) na clínica, com os melhores cuidados para os seus doentes; 2) na sociedade, convocando e informando a população sobre AVC, com enfoque nas medidas de prevenção e no reconhecimento dos sinais de alerta; 3) na ciência, impulsionando grupos de estudo e projetos de investigação, promovendo a internacionalização dos nossos profissionais e investigadores; 4) na SPAVC, criando e dinamizando esta sociedade ao longo dos seus 14 anos de existência, nomeadamente com a organização de congressos, reuniões e outros eventos para divulgar o conhecimento de todos os profissionais, sempre com a melhor qualidade”.

“Dedicado, persistente, inovador e de uma lucidez invulgar”, adjetiva a especialista referindo-se ao caráter do colega que com orgulho vê distinguido com este “tão importante reconhecimento”. “É sem dúvida o exemplo junto de todos os que o acompanham nesta virtuosa causa!”, afirma Patrícia Canhão, deixando a todos o convite para aplaudir presencialmente esta distinção na próxima sexta-feira.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto – Hospital de Santo António, presidido por Paulo Barbosa, salienta que se trata de “uma homenagem justa ao trabalho de criação, liderança e desenvolvimento da SPAVC, mas seguramente também à sua longa carreira no Hospital de Santo António, como interno, neurologista, chefe de equipa do Serviço de Urgência, diretor de serviço, diretor de departamento, diretor clínico, professor catedrático convidado de Neurologia, além de outras funções institucionais neste hospital”.

A DGS termina sublinhando que “as atividades promovidas, direta ou indiretamente, pelo Professor José Castro Lopes contribuíram para a significativa redução da morbilidade e mortalidade associada ao AVC que se tem verificado no nosso país nos últimos anos”, aludindo ao seu extenso currículo e atividade de difícil enumeração na íntegra.

Cancro
Cientistas criaram em Portugal 'transportadores' de medicamentos contra o cancro com compostos derivados de...

O trabalho, cujos resultados foram publicados recentemente na revista científica Nanoscale, foi realizado por investigadores da Universidade do Porto e do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga.

Em concreto, os cientistas geraram em laboratório, a partir da síntese de moléculas derivadas de um composto orgânico, o aminoácido serina, lipossomas - pequenas vesículas esféricas que existem no organismo e que 'transportam' por exemplo moléculas que propagam o sinal nervoso nas células nervosas, sendo apontadas como um excelente veículo para a libertação controlada de medicamentos.

Na sua constituição natural, os lipossomas são formados por camadas de lípidos (que são igualmente compostos orgânicos).

Em vez de criarem lipossomas com lípidos, que "são caros e muitas vezes não são estáveis quimicamente", os cientistas da Universidade do Porto geraram lipossomas com base em duas moléculas semelhantes aos lípidos, mas que são derivadas do aminoácido serina e mais versáteis, explicou à Lusa um dos investigadores, Eduardo Marques, que estudou a formação dos lipossomas.

Os lipossomas são "uma das estratégias para transportar" a 'doxorrubicina', medicamento usado na quimioterapia para tratar cancro da bexiga, da próstata e do sangue (leucemia) e que foi utilizado no estudo, acrescentou.

A partir das moléculas sintetizadas por uma outra equipa da Universidade do Porto, liderada pela investigadora Luísa do Vale, os cientistas verificaram que formavam lipossomas "estáveis e robustos".

Um grupo de trabalho do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, coordenado pela investigadora alemã Jana Nieder, passou à aplicação prática, ao 'encapsular' o medicamento anti-cancro 'doxorrubicina' nos lipossomas (vesículas esféricas ou nanoesferas que são aquosas no interior) e testar o seu desempenho em culturas de células cancerígenas.

O resultado foi que os lipossomas se mantiveram intactos com a droga, penetraram nas células, libertaram o medicamento e mataram os tumores. O efeito do medicamento foi observado nas células devido às suas propriedades fluorescentes (as moléculas que o compõem emitem luz depois de serem excitadas com uma fonte de luz).

Em declarações à Lusa, Jana Nieder, que lidera o Departamento de Nanofotónica do INL, referiu que as vesículas esféricas permitiram que o medicamento chegasse "em grandes quantidades" às células cancerígenas, com a droga a ficar "confinada nas vesículas durante um período prolongado".

Para a cientista, o método poderá ser usado no futuro como "uma estratégia" para eliminar cirurgicamente e "em segurança" os tumores malignos, "reduzindo drasticamente os efeitos secundários da quimioterapia", que mata as células cancerígenas afetando as células normais, e "melhorando significativamente a qualidade de vida dos doentes".

De acordo com o investigador Eduardo Marques, da Universidade do Porto, a "aplicação prática" dos lipossomas gerados em laboratório com novos compostos no transporte de medicamentos contra o cancro "deu resultados promissores", mas foi um "pequeno passo".

Numa próxima fase da investigação há que testar o efeito dos lipossomas com as moléculas derivadas de serina noutras concentrações e com moléculas adicionadas que os conduzam no organismo para atacar os tumores sem serem destruídos pelo caminho por macrófagos, células que protegem o organismo contra corpos estranhos. No final, o medicamento terá de ser libertado de forma controlada para ser eficaz.

Doença Rara
A Paramiloidose Familiar ou Polineuropatia Amiloidótica Familiar atinge, em todo o mundo, cerca de 1

A “doença dos pezinhos” é uma doença hereditária rara, de evolução lenta e que costuma dar os primeiros sinais entre os 25 e os 40 anos. Em casos muito raros, as suas manifestações surgem depois dos 50.

Esta patologia degenerativa “está associada à deposição nos tecidos, em particular nos nervos, de uma substância fibrilar insolúvel designada amiloide”. Tratando-se de uma doença de transmissão autossómica dominante, significa que apenas uma cópia do gene mutado, herdada de um dos progenitores, é suficiente para se manifestar. “Assim, se o progenitor for portador, a probabilidade de um filho ser portador da mutação é de 50%”, explica Carlos Figueiras, presidente da Associação Portuguesa da Paramiloidose.

Foi identificada junto da população portuguesa, na zona da Póvoa do Varzim, pelo neurologista Corino de Andrade, através da observação de vários doentes com um quadro clínico que tinha como característica comum a perda de sensibilidade, “que se iniciava nos pés e progredia de forma ascendente”, e que, frequentemente, dava origem a feridas nos membros inferiores.

“Apesar de progressiva, pode considerar-se de evolução lenta e está associada a uma diminuição da sobrevida. Sem tratamento, a esperança média de vida depois do aparecimento dos sintomas ronda os 10-15 anos”, acrescenta o enfermeiro Carlos Figueiras.

Os primeiros sintomas, descritos como diminuição ou perda da sensibilidade à temperatura, sensações de formigueiro ou dormência e dor intensa, surgem, habitualmente, entre os 25 e os 40 anos. “Estes sintomas iniciam-se, normalmente, nos pés e pernas, daí ser vulgarmente conhecida por «doença dos pezinhos», e, gradualmente, ao longo dos anos, vão subindo para os membros superiores”, descreve o responsável pela Associação Portuguesa de Paramiloidose.

No entanto, em alguns casos, as manifestações iniciais da doença podem caracterizar-se por perda de peso involuntária, alterações ao trânsito intestinal, problemas digestivos e urinários ou um quadro de disfunção sexual. “Numa fase mais avançada da doença, a atrofia muscular acaba por impedir o doente de se movimentar”, acrescenta.

Perturbações visuais, como visão turva, olho seco, glaucoma ou diminuição da acuidade visual também podem ocorrer no decurso da doença. Sabe-se ainda que um terço dos doentes manifesta insuficiência renal e que podem surgir outros problemas como insuficiência cardíaca.

Tratando-se esta de uma doença degenerativa, que acomete indivíduos em idade ativa, traz grande impacto na sua qualidade de vida, sendo que, não raras as vezes, a mobilidade e autonomia acabam por ficar comprometidas.

“Foi muito doloroso conhecer e aceitar o diagnóstico”

Vítor Afonso, hoje com 53 anos, teve os primeiros sintomas da doença há cerca de 30 anos. Perda de sensibilidade nos membros inferiores e perda de força nos músculos das pernas foram as primeiras manifestações.

“Estava a viver no Canadá na altura em que foi confirmado o diagnóstico, através dos resultados de uma biopsia do nervo sural (no calcanhar direito) ”, recorda, admitindo que apesar de a doença não lhe ser totalmente desconhecida – o pai já havia sido diagnosticado -, sabia pouco além do nome pelo qual ficou conhecida: «doença dos pezinhos». “Vivíamos em Toronto e lá a informação sobre a doença era escassa. Não fazia ideia de que se tratava de uma doença hereditária e que a probabilidade de eu ser portador era de 50%”, explica admitindo, por isso, que foi difícil aceitar o diagnóstico. “Tinha 25 anos… fiquei sem chão, sem saber como seria a minha vida dali para a frente”, revela.

Com a progressão da patologia acabou por ser submetido a um transplante de fígado aos 30 anos.

Atualmente é reformado por invalidez. “Sinto dificuldade em realizar algumas tarefas de casa, como por exemplo, preparar as minhas refeições ou apertar botões”, explica acrescentando que para se manter ativo tem de fazer fisioterapia regularmente.

Tratamento: em Portugal só há duas opções

Sem cura, os doentes têm acesso apenas a duas opções terapêuticas numa fase precoce da doença: o transplante hepático ou a terapêutica oral estabilizadora da TTR.

“O transplante hepático é um procedimento invasivo que ajuda a retardar a evolução dos sintomas, embora sem recuperação dos danos causados no organismo”, explica Carlos Figueiras acrescentando que é por esse motivo que apenas é considerado em fases iniciais da doença. “Os resultados são mais eficazes em pessoas mais jovens e nos doentes em que a doença está menos avançada e que têm uma boa condição física”, refere.

Quanto ao estabilizador da TTR – a proteína transtirretina que sofre mutação -, este permite controlar a progressão da neuropatia e melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose, há ainda outros tratamentos já aprovados pela Agência Europeia do Medicamento mas que aguardam aprovação no nosso país. “Dois fármacos que permitem, através da clivagem do RNAi, impedir a produção da TTR, mutada e selvagem, permitindo estabilizar ou mesmo melhorar a neuropatia”, revela.

Para uma doença que não tem cura, diz, “o desenvolvimento de novas terapêuticas significa uma nova esperança para uma doença que, até à data, dispõe de escassas opções”.

Diagnóstico é um dos grandes desafios desta doença

“Infelizmente, alguns doentes percorrem um longo caminho até a um diagnóstico definitivo”, revela Carlos Figueiras. Não só pela diversidade dos sintomas apresentados, a verdade é que, tratando-se esta de uma doença rara, os doentes recorrem a vários especialistas, o que torna o processo de diagnóstico bastante complexo e, por vezes, “moroso”.

“Outro fator que acaba por dificultar o diagnóstico é o facto de, uma vez que a doença se manifesta normalmente no jovem adulto, nas situações em que se manifesta no idoso, os sintomas apresentados acabam por ser associados a comorbilidades naturais da idade e não lhes é dada a devida importância”, acrescenta.

O diagnóstico é realizado através da confirmação da mutação do gene da TTR por meio de teste genético, “presença de sintomas e sinais relacionados com a doença”. Em alguns casos é necessária a realização de biopsia que confirme a deposição da substância amiloide em qualquer tecido.

Após a identificação da doença, o doente é acompanhado por uma equipa interdisciplinar composta por neurologistas, geneticistas, cardiologistas, nefrologistas, oftalmologistas, entre outros, de acordo com o envolvimento de outros órgãos que possa surgir no decurso da doença.

“Em Portugal, existem dois centros de referência para o acompanhamento e tratamento da doença: no Centro Hospitalar do Porto - Hospital de Santo António e no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria”, avança o responsável pela associação.

A par da dificuldade do diagnóstico, quer Carlos Figueiras quer Vítor Afonso admitem que a sociedade está pouco sensibilizada para esta doença e suas consequências, não estando preparada para facilitar o dia-a-dia destes doentes.

“A nível de cuidados de saúde e acompanhamento médico, no meu caso, a perspectiva é muito positiva. As principais preocupações diárias estão relacionadas, sobretudo, com a mobilidade e acessibilidade que, na maioria dos locais, ainda não estão garantidas”, justifica Vítor Afonso que diz depender de alguém para o acompanhar na rua. “A ausência de rampas de acesso para cadeiras de rodas ou o número reduzido de passadeiras para peões, por exemplo, continua a ser uma realidade que condiciona muito a comodidade e a qualidade de vida de pessoas com paramiloidose, além de que nos expõe mais ao perigo”, explica o doente.

“Na Associação, trabalhamos diariamente para contrariar estas barreiras, visando melhor integração na sociedade dos doentes portadores de Paramiloidose e fomentando os meios adequados ao seu tratamento e recuperação”, afiança Carlos Figueiras, presidente da associação de doentes.

No entanto, ambos deixam um apelo: “seria importante que as entidades decisoras avaliassem as necessidades da comunidade de doentes com Paramiloidose. Estamos a falar de um universo de quase duas mil pessoas em Portugal que poderiam ser mais apoiadas e ver suas vidas mais facilitadas. A questão da mobilidade é fundamental!”.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Parkinson
Mais de 500 doentes de Parkinson em Portugal são tratados com uma terapia de estimulação elétrica do cérebro, que está a...

O neurocirurgião António Gonçalves Ferreira, do Hospital de Santa Maria, afirmou a jornalistas à margem do encontro que "a taxa de sucesso é variável, mas situa-se acima dos 60 por cento" nos casos de pessoas que sofrem da doença degenerativa do cérebro.

Circunstâncias como a greve cirúrgica dos enfermeiros e "a falta de anestesistas" significam que desde o ano passado que não são colocados os elétrodos no cérebro necessários para aplicar a terapia.

Os doentes recebem os elétrodos através de cirurgias planeadas - "habitualmente, três por semana" -, e o facto de não serem cirurgias urgentes faz com que sejam remetidas para segundo plano.

Acresce a isso o facto de serem cirurgias muito demoradas, que requerem um dia inteiro, fazendo com que não tenha o caráter de emergência de outras cirurgias, como operações a tumores, hemorragias ou traumatismos.

Em Santa Maria (Lisboa) e São João (Porto), surgem "30 a 40 novos casos por ano" em que se aplica através do Serviço Nacional de Saúde esta terapia "muito eficaz e válida" que compensa mecanismos cerebrais que estão avariados.

"Há 10 anos, só se usava em casos em que se tinham esgotado as possibilidades de tratar com medicamentos, mas hoje usa-se cada vez mais antes disso", referiu.

O neurologista alemão Jens Wolkmann afirmou que se trata de usar "correntes elétricas muito pequenas" para se estimular e influenciar neurónios em áreas medidas em milímetros cúbicos.

A terapia, que tem cerca de 30 anos, permite em alguns casos que pessoas que já tinham tremores ou contrações involuntárias associadas à distonia regressem ao trabalho.

Quando lhes é aplicada a estimulação cerebral profunda, os doentes são operados para lhes ser instalado um elétrodo com 1,2 milímetros de diâmetro no cérebro e uma ligação através da qual recebem os estímulos a partir de um controlo remoto.

O novo caminho da tecnologia utilizada é usar elétrodos que conseguem dirigir melhor o impulso elétrico às zonas do cérebro doentes, sem ter impacto nas outras que não estão afetadas.

"É fácil provocar efeitos adversos", reconheceu o clínico alemão, acrescentando que é possível medir as melhoras ao nível do movimento, mas que também pode ser usada em casos de distúrbios psiquiátricos como o distúrbio obsessivo-compulsivo ou a síndroma de Tourette.

Os especialistas frisam que a estimulação cerebral profunda não ataca as causas das doenças degenerativas, mas alivia os sintomas.

Cirurgia Cardiotorácica
O primeiro coração artificial total foi implantado há 50 anos num homem com insuficiência cardíaca terminal, funcionou 64 horas...

Foi em 04 de abril de 1969 que o cirurgião cardiotorácico norte-americano Denton Cooley colocou o primeiro coração artificial num doente - Haskell Karp, de 47 anos - como uma medida temporária até receber um coração de um dador.

A cirurgia realizada no St Luke’s Hospital, no Texas, ficou na história por ser o primeiro coração artificial total implantado em seres humanos, mas levou a um desentendimento entre Denton Coley e o seu mentor, o cirurgião Michael DeBakey, que tinha realizado dois anos antes a primeira aplicação bem-sucedida de um dispositivo de assistência ventricular.

DeBakey acusou Cooley de o ter traído, afirmando que o coração que colocou em Karp tinha sido retirado do seu laboratório sem a sua aprovação para se tornar o primeiro médico a fazer um implante de coração artificial.

Cooley defendeu o implante como um ato desesperado para salvar uma vida. O desentendimento durou 40 anos, só tendo terminado um ano antes de DeBakey morrer em 2008, aos 99 anos. Na altura, Cooley tinha 87 anos.

Embora o dispositivo projetado por Domingos Liotta e aplicado por Cooley tenha funcionado corretamente, uma nova implantação só ocorreu 12 anos depois, um coração artificial de outro modelo (Akutsu-III), que assegurou a sobrevivência do doente durante seis horas, até ser encontrado um dador compatível.

Em 1982, DeVries, da Universidade do Utah, colocou o primeiro implante de um coração artificial total e permanente (modelo Jarvik-7) num doente que sobreviveu 112 dias após a cirurgia.

Outros modelos se seguiram destes aparelhos que podem reduzir os sintomas e prolongar a vida de doentes com insuficiência cardíaca por anos, permitindo-lhes esperar por um transplante em casa ou até mesmo servir de solução permanente.

Apesar destes avanços, “os corações artificiais completos são menos de 1%” dos dispositivos implantados no mundo, disse à agência Lusa o diretor do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, José Neves.

“Para a comunidade geral, o coração artificial é um tema que pegou e parece que tudo é coração artificial, mas na verdade não são os mesmos conceitos”, disse o cirurgião cardiotorácico.

O coração artificial é um dispositivo que substitui totalmente o coração, mas o que existe e tem sido desenvolvido ao longo dos anos são dispositivos de assistência ventricular que ajudam o coração a bater, não tirando o coração do doente, explicou.

"A evolução ao longo dos anos tem sido imensa e atualmente o dispositivo de assistência ventricular já pode estar inserido dentro do corpo do doente durante meses ou anos”, adiantou José Neves.

Esta evolução também foi assinalada à Lusa pelo diretor do serviço de cardiologia do Hospital Santa Marta, em Lisboa, José Fragata, que há dois anos implantou pela primeira vez em Portugal um destes dispositivos (HeartMate3) num doente de 64 anos que sofria de insuficiência cardíaca e não podia receber um coração transplantado devido aos danos que a medicação para a imunodepressão lhe provocaria nos rins.

Este doente, que "está bem e a sua qualidade de vida melhorou bastante", juntou-se aos cerca de 1.200 que em todo o mundo receberam o HeartMate3, um dispositivo de apoio ao ventrículo esquerdo que permite aos doentes saírem do hospital e fazer uma vida o mais normal possível, à exceção de tomar um banho de imersão.

Sobre o que mudou em meio século, José Fragata disse que “mudou tudo”.

Mas o princípio é sempre o mesmo: "colocar tubos dentro do coração e assistir a circulação com uma bomba que fica implantada, na altura por fora e agora por dentro do corpo”, rematou o cirurgião pioneiro em várias intervenções na área cardiotorácica em Portugal.

Investigação
A investigadora Mariana De Niz obteve uma bolsa de 180 mil dólares (160 mil euros) para estudar o parasita que provoca a doença...

A bolsa, que servirá para pagar o seu salário durante três anos e os custos do seu trabalho, é concedida pelo programa internacional de apoio à investigação em ciências da vida "Human Frontier Science Program".

Mariana De Niz é pós-doutorada do Laboratório de Biologia do Parasitismo do IMM, dirigido pela cientista Luísa Figueiredo, tendo sido a única investigadora em Portugal a ser contemplada este ano com esta bolsa, destinada a jovens pós-doutorados.

Na sua investigação, a jovem "irá explorar a dinâmica e as propriedades biofísicas" do parasita "Trypanosoma brucei" nos "tecidos dos animais vivos", refere o IMM em comunicado.

O parasita, que se transmite pela picada da mosca tsé-tsé, causa nos humanos a tripanossomíase africana, mais conhecida por doença do sono, e a tripanossomíase animal ou nagana, que afeta o gado. Ambas as doenças atingem países da região da África Subsariana.

Num estado mais avançado, a doença apresenta nas pessoas sintomas como confusão, descoordenação do corpo, formigueiro e dificuldade em dormir e, se não for tratada, pode levar à morte.

A doença do sono é uma das patologias tropicais negligenciadas, assim chamadas por estarem associadas a falta de interesse das autoridades e de investimento em novos tratamentos ou na cura.

O laboratório coordenado por Luísa Figueiredo está a estudar "os mecanismos celulares e moleculares usados pelo 'T. brucei' para ser um parasita eficaz".

No seu trabalho, a jovem cientista Mariana De Niz propõe-se "investigar como os parasitas se movem entre os órgãos".

Para isso, vai socorrer-se de "imagens, da genética e de medidas biofísicas para identificar as moléculas do parasita e do hospedeiro que formam a base da mobilidade do parasita", descreve, citada no comunicado do IMM, especificando que a espécie que provoca a doença do sono vive no sangue e em "espaços extravasculares de vários órgãos, como o tecido adiposo".

Diabetes
A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) acaba de inaugurar o seu primeiro núcleo funcional na cidade do Porto, com...

O núcleo do Porto inicia a sua atividade no dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde e, à semelhança do de Lisboa, organizará ao longo de todo o ano várias atividades como caminhadas e workshops de informação nas escolas e instituições interessadas, para proporcionar mais informação a docentes, estudantes e pessoas interessadas. A inauguração decorre às 14h30 no Centro Hípico do Porto e Matosinhos e na Quinta da Conceição em Leça da Palmeira. Para além de poderem ter uma experiência equestre e montar a cavalo, o dia será ainda preenchido com um piquenique e jogos em equipa. A inscrição para as atividades é gratuita e deverá ser feita atá ao dia 6 de abril, sendo que as vagas são limitadas, através do email [email protected] ou do telemóvel 919 380 284.

Há 23 anos a apoiar jovens com diabetes e respetivas famílias, a AJDP expande-se para a zona norte do país com o objetivo de se aproximar das pessoas que já recorriam à associação, mas que por se encontrarem mais deslocadas, não conseguiam participar em todas as atividades, bem como chegar a quem vive com diabetes e ainda não tinha contacto com a associação.  “É com satisfação que iniciamos este projeto e nos juntamos à família AJDP que tanto nos ajudou quando mais precisámos. A decisão de criar este núcleo é uma forma de retribuir todo o apoio e de nos associarmos ainda mais à missão da associação”, refere Bárbara Yu Belo, uma das responsáveis pela criação do núcleo, que conta ainda com o apoio de Cátia Geraldes e Marco Geraldes. 

“Os meus dois filhos vivem com diabetes e vi na AJDP uma grande ajuda para aprender a lidar com a doença. É muito importante que mais crianças e famílias possam ter esse apoio, e se puder ser na sua cidade, ainda melhor. Era uma pena ver que muitos jovens gostariam de participar em algumas atividades e não o faziam devido a uma questão geográfica”, comentou.

Todas as atividades desenvolvidas terão o apoio da direção da AJDP de Lisboa, que ajudou na criação e desenvolvimento deste núcleo. “Ficámos muito contentes com a proposta para a criação deste núcleo no Porto, pois reflete o trabalho realizado pela associação ao longo dos anos. Esta iniciativa, que se junta ao núcleo funcional da AJDP em Santarém, criado em 2018, mostra que o nosso trabalho está a chegar cada vez mais longe e que as pessoas se identificam com o que fazemos, querendo levar as mensagens e as atividades da associação a cada vez mais jovens com diabetes e respetivas famílias”, refere Paula Klose, presidente da AJDP.

 

Iniciativa
Portugal é o país com maior comunidade de doentes, estimando-se que a Paramiloidose afete cerca de 2 mil pessoas. Envolver a...

No seguimento do Dia Mundial das Doenças Raras, a Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), convida os doentes a aderirem ao desafio de partilharem fotografias da sua autoria que retratem como é viver com a doença. O desafio “Living with Amyloidosis” mantém-se até ao dia 15 de maio de 2019.

A iniciativa pretende que os doentes retratem como é viver com esta doença genética, rara e debilitante, promovendo a sua inclusão na sociedade. Ao mesmo tempo, pretende envolver a sociedade, ao contribuir para aumentar a sensibilização em torno da doença e de histórias reais.

“Este é um desafio lançado a pensar nos doentes e em quem os rodeia, as suas famílias e os cuidadores. Queremos continuar a alertar para esta doença, para a forma como impacta a vida de cada um e para as necessidades específicas desta comunidade”, afirma Carlos Figueiras, enfermeiro e presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP).

“Apesar de ser uma doença rara, o principal foco da doença é em Portugal, onde existem mais de dois mil doentes e muitas famílias afetadas”, acrescenta.

As fotografias submetidas podem ilustrar temas e situações diversas, desde que o tema principal seja a amiloidose e a forma como cada doente a encara no seu dia-a-dia. Podem enviar fotografias doentes, familiares, cuidadores, amigos ou qualquer pessoa que mantenha relação próxima com a doença.

As fotografias devem ser submetidas para o endereço de e-mail , divulgado na página da associação, até ao dia 15 de maio de 2019. O objetivo é que as fotografias sejam expostas no âmbito do Dia Nacional da Paramiloidose, que se assinala, anualmente, a 16 de junho.

Para mais informações consulte o site da Associação Portuguesa de Paramiloidose em www.paramiloidose.com

Insuficiência cardíaca
A falta de dadores é, de acordo com cirurgião cardiotorácico, José Fraga, um “problema emergente” em Portugal e, muito em breve...

“Hoje em dia deparamo-nos com um problema grave que é a redução muito marcada de dadores adequados para transplantação cardíaca e isso vai levar inexoravelmente ao aumento exponencial de dispositivos” como o ‘HeartMate3’, implantado há dois anos num doente de 64 anos que sofria de insuficiência cardíaca e não podia receber um coração transplantado, numa cirurgia pioneira em Portugal realizada por José Fragata.

Tendo em conta a atual situação, o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, defende a criação de um programa específico de financiamento para estes dispositivos de assistência ventricular.

"Hoje em dia, no mundo, há dezenas de milhares de pessoas ligadas a dispositivos destes", no entanto, "Portugal neste aspeto não está numa boa posição e era muito importante que a tutela, na primeira ocasião que fosse possível, criasse um programa específico" porque "não é justo estar a pedir às administrações hospitalares o dispêndio de 100 mil euros por cada dispositivo", reforça o especialista.

Também o diretor do serviço do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, José Neves, partilha desta opinião, afirmando que “em Portugal, há um constrangimento grande aos custos desta terapia”.

“É uma terapia que está em desenvolvimento, cara e complexa, mas é uma terapia a que o país não pode fechar os olhos”, defende José Neves.

O cirurgião do Hospital de Santa Cruz, onde também já foi realizada a intervenção para colocação do ‘HeartMate3’, explicou que estes aparelhos se destinam a “doentes que não têm dadores” e cuja saúde se está a deteriorar.

Apesar de muitos doentes precisarem deste tratamento, o especialista adianta que, no entanto, não há autorização para o fazer. De acordo com José Neves, ao contrário do que acontece com outros, estes dispositivos não têm financiamento próprio, pelo que os hospitais ficam constrangidos pelo financiamento destes aparelhos.

E explica: quando há dispositivos o financiamento leva algum tempo até aparecer.

Para além da questão do financiamento, o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, José Fragata, salienta que a “falta de dadores é um problema emergente em toda a Europa, nos Estados Unidos, mas muito concretamente” em Portugal, onde se vive com “uma escassez enorme de dadores”.

De acordo com os dados do Instituto Português do Sangue e Transplantação, em 2018, existiam 30 doentes em lista de espera para um transplante do coração. 16 acabaram por morrer.

“Em Portugal, nos melhores anos, fizemos quase 50 transplantes cardíacos, ou seja, 4,5 por milhão de habitantes”, disse José Fragata.

Tendo em conta o número de doentes e estimando que só haverá corações para cerca de metade, José Fraga admite que são necessários, no mínimo, 20 ou 25 dispositivos que, habitualmente, são utilizados em doentes com insuficiência cardíaca terminal que necessitam de um transplante de coração mas que não podem tomar os medicamentos associados ao procedimento ou que estão à “espera de um coração que nunca mais aparece”.

Cancro
A nova solução para a deteção do gene de fusão NTRK (1-2-3), habitualmente associado ao cancro de pulmão de não pequenas...

As fusões do gene NTRK envolvendo NTRK1, NTRK2 ou NTRK3 são alterações genéticas oncogénicas que podem estar presentes em vários tipos de tumores, como glioblastoma pediátrico, cancro de tiroide e cancro de pulmão, e podem ser encontradas em adultos e crianças. Independentemente do tipo de tumor, os doentes com essa peculiaridade apresentam altas taxas de resposta a inibidores específicos da TRK de primeira geração, como o larotrectinibe ou o entrecetinibe, acima de 75%.

OncoNTRK tornou-se o primeiro estudo comercial disponível para os perfis de fusão dos genes NTRK 1, 2 e 3 com base no sequenciamento de RNA. "As fusões NTRK podem estar presentes em vários tipos de tumores adultos e pediátricos e com maior frequência, em relação aos demais, em doentes com sarcoma infantil, cancro de tiroide, gliomas pediátricos e cancro de pulmão", explica Adriana Terrádez, diretora da OncoDNA para a Espanha e Portugal.

De acordo com Jean François Laes, diretor científico da OncoDNA, "as evidências clínicas que têm aparecido nos últimos meses sobre a grande taxa de resposta dos inibidores NTRK de primeira geração criaram uma necessidade médica clara: realizar um teste diagnóstico para identificar os doentes com uma fusão NTRK de forma rápida e segura".

Estudos publicados indicam que um ensaio imuno-histoquímico com um anticorpo pan-TRK pode ser útil na deteção de fusões dos genes NTRK1 e NTRK2. Menos eficaz é a deteção do gene NTRK3 (aproximadamente 45% destes casos oferecem falsos negativos), da mesma forma que os resultados baseados na análise de ADN não eram tão confiáveis, "devido à alta complexidade da área não-codificante entre o gene NTRK e a região 5 'do parceiro de fusão". "Esta é a razão pela qual desenvolvemos uma solução única de sequenciamento baseada em RNA que alcança alta sensibilidade reduzindo o risco de falsos negativos", explica Laes.

Do ponto de vista de Jean-Pol Detiffe, CEO da OncoDNA, "o lançamento do OncoNTRK demonstra a velocidade com que a nossa companhia é capaz de responder quando se trata de desenvolver soluções inovadoras para oferecer maior precisão aos oncologistas". De facto, além de realizar o teste de forma independente, a OncoDNA inclui automaticamente a análise NTRK no seu teste de biópsia sólida OncoDEEP para NSCLC, glioblastoma pediátrico de alto grau e cancro de tiroide.

Além disso, pode ser agregado para outros tipos de doenças oncológicas, seja em OncoDEEP, ou no seu estudo específico em biópsia líquida não invasiva: OncoSELECT NTRK. "Baseando-se no sequenciamento de RNA, torna-se a ferramenta perfeita para identificar a fusão NTRK, minimizando os resultados falso-negativos, inerentes às análises baseadas em ADN", recomenda Adriana Terrádez.

O OncoDEEP NTRK faz o perfil de amostras de tumores sólidos por sequenciamento de 313 genes ligados a terapias direcionadas aprovadas, combinadas com testes IHQ, para detetar proteínas envolvidas no processo oncológico. Mas também com testes MSI; fusão génica; metilação promotora; e fusões NTRK.

O painel NGS é baseado numa análise precisa de biomarcadores específicos de cancro associados à resposta a tratamentos, adaptados às necessidades dos oncologistas quando as opções dos doentes são reduzidas. Este é atualizado anualmente levando em consideração as novidades médicas e farmacológicas e os estudos científicos publicados, com o objetivo de oferecer a cada doente e de forma personalizada as soluções mais eficazes para sua doença. De facto, o OncoDEEP fornece informações sobre terapias hormonais aprovadas ou em desenvolvimento, imunoterapias (através de um imunograma personalizado), quimioterapias e terapias direcionadas.

Estudo
Cerca de metade do valor investido no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2018 retornou, no próprio ano, para a Economia graças...

Apesar da descida do índice de sustentabilidade, dos 103.0 pontos para os 100.7, o estudo realça o incremento da satisfação e confiança dos utentes e o aumento considerável da atividade do SNS em 2,5%. Para a queda do indicador, contribuiu o aumento da despesa (2,9%) e uma redução na qualidade global (a qualidade percecionada pelos cidadãos manteve-se estável, mas a técnica diminuiu). “Houve de facto um aumento da despesa e uma ligeira diminuição da qualidade do SNS, que acabaram por ditar a redução do índice de sustentabilidade da saúde. No entanto, olhando para os vários parâmetros que compõem este índice, existem também aspetos francamente positivos como a redução da dívida do SNS, o aumento da atividade e uma qualidade percecionada pelos utentes que se mantém estável”, explica Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e coordenador principal do projeto Índice de Saúde Sustentável.

Além de medir a sustentabilidade do sistema, o estudo calculou também o impacto do SNS no absentismo laboral e na produtividade dos utentes. Em média, os portugueses faltaram quase 6 dias (5,9) ao trabalho em 2018, o que resultou num prejuízo de 2,2 mil milhões de euros. No entanto, a prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de outros dois dias (2,4), representando uma poupança de 894 milhões de euros. Também foi analisada a redução na produtividade tendo em consideração situações de doença que poderão ter influenciado o desempenho de uma pessoa num dia normal de trabalho. Por motivos de saúde terá existido uma perda de produtividade equivalente a 12,3 dias de trabalho, o que se traduz num prejuízo de 4,6 mil milhões de euros. Porém, conclui-se também que o SNS permitiu evitar outros 6,8 dias de trabalho perdidos em produtividade, resultando numa poupança de 2,5 mil milhões de euros.

Totalizando o impacto no absentismo laboral e o impacto na produtividade, o SNS permitiu uma poupança total de 3,4 mil milhões de euros. Considerando o impacto dessa poupança por via dos salários e a relação entre a produtividade/remuneração do trabalho (valores referência do INE), é possível concluir que os cuidados prestados pelo SNS permitiram um retorno para a economia que ronda os 5,1 mil milhões de euros. “Estes números comprovam que o SNS tem um impacto extremamente positivo quer no absentismo laboral, como na produtividade, permitindo não só poupanças significativas, mas também um importante retorno para a economia nacional”, salienta Pedro Simões Coelho.

Pela primeira vez, o estudo desenvolveu um índice de atuação preferencial, que resulta da avaliação que os utentes fazem dos determinantes da qualidade dos cuidados de saúde e da importância que atribuem a cada um deles. Com uma avaliação de 78,3, numa escala de 1 a 100, a qualidade dos profissionais de saúde é, na ótica dos utentes, o ponto mais forte do SNS e um ponto que deve ser valorizado. Por outro lado, a facilidade de acesso aos cuidados (59 pontos) e os tempos de espera entre a marcação e a realização de atos médicos (54 pontos) são encarados como os dois aspetos mais negativos. Desta análise, resultou o índice de atuação preferencial, que estabelece prioridades e distribui a percentagem de investimento para cada determinante: qualidade dos profissionais de saúde (31%), facilidade de acesso aos cuidados (27%), tempos de espera entre a marcação e a realização de atos médicos (17%), qualidade da informação fornecida pelos profissionais (14%) e infraestruturas/equipamentos (10%).

Curiosamente, apesar dos utentes se mostrarem mais críticos em relação à adequação dos preços, nomeadamente do preço das taxas moderadoras (27% dos inquiridos consideram-nas inadequadas vs 24% em 2017), a atividade não realizada devido aos custos baixou. Em 2018, devido aos custos das taxas moderadoras terão ficado por realizar 503.749 episódios de urgência, valor que no ano anterior ultrapassava os 900 mil. Se às taxas moderadoras se acrescentarem também as despesas de deslocação, a conclusão é idêntica: os custos têm cada vez menos impacto. No caso da consulta externa/especialidade num hospital público, por exemplo, não foram realizadas 637.132 consultas, valor que representa uma redução de 3,4% na atividade perdida face a 2017, ano em que ficaram por realizar mais de um milhão de consultas.

Por fim, o estudo avaliou também o índice global do estado de saúde dos portugueses, que se encontra nos 74,4 pontos – numa escala de 0 a 100, em que 100 corresponde ao estado de saúde ideal. Se a este índice fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria apenas pelos 54,6 pontos, o que comprova que o SNS contribui fortemente para a perceção do estado de saúde dos cidadãos. 

Posição conjunta
São doze as entidades que mostram preocupação com o surgimento de novos produtos de tabaco aquecido e com as alegações da...

Os Produtos de Tabaco Aquecido (PTA) são dispositivos electrónicos com um pequeno cigarro contendo tabaco, que produzem aerossóis com nicotina e outros químicos que são inalados pelo utilizador e que, nos últimos anos, têm surgido como alternativa aos cigarros.

E, embora, se venda a ideia de que são menos prejudiciais, algumas organizações vêm agora desmontar as alegações da indústria do tabaco.

Para alertar para os malefícios destes dispositivos 12 Organizações da Saúde e Sociedades Científicas Portuguesas assumem uma posição conjunta sobre o tema.

De acordo com o documento divulgado à imprensa, os produtos de tabaco aquecido contêm nicotina causando dependência nos seus utilizadores. “O uso dos PTA permite imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar”, pode ler-se no comunicado.
Por outro lado, “constituem uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos”.

Ao contrário do que alega a indústria do tabaco, que considera que já uma redução de 90% de substâncias tóxicas nestes produtos, foram encontradas nocivas – alcatrão, acetaldeído, acrilamida e um metabolito da acroleína – em altas concentrações. “Alguns estudos independentes encontraram concentrações mais elevadas de formaldeído em produtos de tabaco aquecido do que em cigarros convencionais”, escrevem. E dão exemplos: a acroleína é reduzida apenas em 18%, o formaldeído em 26%, o benzaldeído em 50% “e o nível de nitrosaminas específicas do tabaco é um quito do nível encontrado nos cigarros de combustão convencionais”.

Além disso, o acenafteno – uma substância potencialmente carcinogénica – é quase três vezes mais alta que nos cigarros convencionais. Já os níveis de nicotina e alcatrão são idênticos.

Quanto aos risco para a saúde, estas entidades revelam que “o primeiro estudo experimental” que comparou diretamente os efeitos do fumo do cigarro, vapor de e-cig e aerossol do iQOS (tabaco aquecido) “mostrou que este último provoca o mesmo tipo de danos nas células pulmonares que o fumo do tabaco, mesmo em baixas concentrações”.

A posição das Sociedades Científicas Portuguesas chama ainda a atenção para os riscos do fumo passivo, sobretudo nas crianças. “No caso das crianças esta exposição pode ser ainda mais prejudicial por serem particularmente suscetíveis aos efeitos do fumo passivo, devido a respirarem depressa, a uma maior área de superfície do pulmão e relativa imaturidade dos mesmos”, escrevem. “Esta mensagem deve ser clara e explícita para todos os pais e cuidadores”, acrescentam.

“Não devemos permitir que o debate em torno dos novos produtos do tabaco nos distraia do principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que sabemos serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar. Em conclusão, as sociedades médicas e científicas aqui representadas não recomendam a utilização de produtos de tabaco aquecido, alertam para os seus riscos e mantêm a firme convicção de que a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo e o apoio médico para cessação tabágica” é a posição defendida pelo conjunto das organizações.

Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar/Grupo de Estudo de Doenças Respiratórias, Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular, Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, Sociedade Portuguesa de Oncologia, Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Sociedade Portuguesa de Pediatria são as entidades signatárias desta posição conjunta.

Estágios no estrangeiro
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), em parceria com o seu Grupo de Trabalho de Apoio à Pediatria, vai...

Prosseguindo o seu trabalho de dinamização dos cuidados paliativos a nível nacional, e indo ao encontro dos objetivos do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, a APCP anuncia a criação de incentivos financeiros à realização de estágios na área dos Cuidados Paliativos Pediátricos, no estrangeiro.

“A fim de facilitar a obtenção destes estágios, o Grupo de Apoio à Pediatria da APCP elaborou uma lista de possíveis locais na Europa, já tendo sido efetuados os contactos preliminares com os responsáveis, que prontamente manifestaram a sua disponibilidade a curto e médio prazo. Cada candidato deverá posteriormente contactar o serviço de sua escolha e tratar de toda a burocracia.

Infelizmente, dada a atual ausência de serviços especializados no nosso país, estes estágios terão que ser realizados em instituições no estrangeiro”, explica Duarte Soares, Presidente da APCP.

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, com o apoio de Samuel Levy, lança a atribuição de dois tipos de financiamento:

Atribuição direta de subsídios aos elementos das Equipas Intra Hospitalares De Cuidados Paliativos – Pediatria Dos Centros Hospitalares Universitários consideradas prioritárias (CHU Porto, São João, Coimbra, Lisboa Norte, Lisboa Central, de forma a atingirem o nível especializado e passarem a poder ser local de estágio a nível nacional). Neste momento, já se encontra assegurado financiamento para os estágios programados em 2019-20 de elementos das equipas do CHUC e do CHULN.

Candidaturas à Bolsa de Formação Isabel Correia de Levy, edição 2019 - poderão candidatar-se a estas bolsas os sócios da APCP com as quotas em dia (à exceção dos sócios que tenham recebido um dos subsídios da alínea anterior). A atribuição destas bolsas (a até seis candidatos) dependerá da apreciação por um júri do mérito do candidato e do projeto apresentado, assim como do seu impacto esperado.

“A APCP espera que esta iniciativa contribua para a rápida implementação de serviços de Cuidados Paliativos Pediátricos a nível nacional, com o rigor e a qualidade que as crianças e suas famílias merecem. Não podemos deixar de agradecer, uma vez mais, a Samuel Levy pela sua generosidade e entusiasmo por esta causa”, conclui Duarte Soares.

Os regulamentos para as bolsas poderão ser consultados através do site da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos: https://www.apcp.com.pt/

 

 

Investigação
E se a vacina da gripe fosse substituída por pastilhas efervescentes? A ideia nasceu na Universidade de Aveiro (UA). À base de...

Os anticorpos IgY – assim se chamam os ingredientes chave das pastilhas efervescentes - são produzidos exclusivamente por aves, estando concentrados nas gemas dos ovos. Proteínas que atuam no sistema imunológico como defensoras do organismo, apontam os investigadores do Departamento de Química (DQ) da UA, é possível manipulá-los de forma a torná-los armas eficazes no combate ao Influenza, o vírus causador da gripe.

A ideia de incorporar os anticorpos IgY em pastilhas efervescentes foi desenvolvida por Marguerita Rosa, Emanuel Capela e Mariam Kholany, estudantes do Doutoramento em Engenharia Química do DQ e do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro da UA.


Os investigadores Marguerita Rosa, Emanuel Capela e Mariam Kholany 

“Espera-se que estes anticorpos não espoletem reações inflamatórias no sistema imunitário humano, diminuindo passivamente a carga viral da pessoa afetada”, explicam os investigadores que deixam uma garantia: “Uma pastilha por dia é o que desejamos alcançar para manter a proteção ao longo do tempo de maior incidência do vírus da gripe”.

Com a tecnologia e os conhecimentos científicos necessários para acabarem com o Influenza, os jovens investigadores querem criar um produto nutracêutico revolucionário e inovador para combater o vírus da gripe. “A nossa ideia passa por desenvolver pastilhas efervescentes contendo anticorpos da gema do ovo específicos para as proteínas membranares constantes do vírus, e suplementadas com vitamina C e outros minerais para reforçarem o sistema imunitário”, explicam.

“Trata-se de um método passível de ser utilizado por toda a população e não apenas por doentes de risco, tendo a vantagem de ser não-invasivo quando comparado com a vacinação tradicional”, garantem.

O projeto dos estudantes da UA foi mesmo um dos doze finalistas selecionados para apresentação de um pitch no decorrer da V IMFAHE's International Conference 2019 - Innovation Camp, que decorreu em março na Universidade de La Laguna em Tenerife (Ilhas Canárias). No final, venceram o segundo prémio no concurso, arrecadando 2 mil euros para trabalharem na proposta ao longo do próximo ano.

 

Défice de ferro
De acordo com o estudo EMPIRE, realizado em 2015, um em cada cinco portuguese adultos tem anemia, o que faz desta uma condição...

Para António Robalo Nunes, presidente do Anemia Working Group Portugal, “estamos perante um problema de saúde pública”. É ainda de referir que mais de metade de todos os casos de anemia é provocada por défice de ferro.

O ferro é um nutriente essencial para o organismo, para a saúde física e mental e para manter os níveis de energia adequados à atividade. Fadiga, tonturas, falta de ar, maior suscetibilidade para infeções, aftas, dores de cabeça, queda de cabelo ou intolerância ao frio são alguns do principais sintomas provocados pelo aporte deficiente de ferro no organismo.  

A anemia causada por deficiência de ferro tem um impacto significativo na saúde, aumentando o risco de morbilidade e mortalidade por agravamento de outras doenças subjacentes. Os doentes com anemia apresentam sintomas de fadiga e têm uma qualidade de vida reduzida quando comparados com doentes não-anémicos, tendo um impacto negativo na sua produtividade.

Para Robalo Nunes “é essencial sensibilizar a população para este tema, pois normalmente subvalorizam um dos sintomas mais comuns - a fadiga - associando-o a outras situações. No entanto, a deficiência de ferro ou a anemia, quando não é tratada poderão ter implicações sérias na qualidade de vida do doente”.

Perante o diagnóstico o tratamento depende do que é mais adequado a cada situação e a cada doente, reforça o médico.

 

Investigação
Entre milhares de bactérias no nosso intestino, quase 2000 eram, até agora, desconhecidas. Investigador do Porto faz descoberta...

Da autoria de Alexandre Almeida, mestre em Genética Forense pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto  (FCUP) e investigador no Instituto Europeu de Bioinformática do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL-EBI), a investigação permitiu identificar um total de 1952 bactérias novas para a ciência. Os resultados do estudo foram recentemente publicados na prestigiada revista Nature.

Através da análise das bactérias intestinais de indivíduos de várias partes do mundo, os investigadores do EMBL-EBI e do Instituto Wellcome Sanger criaram um mapa de espécies bacterianas do microbioma intestinal humano, o que representa um importante avanço nesta área. Se certas bactérias, até agora por identificar, estão associadas a determinadas doenças, com este estudo poderá ser mais fácil identificá-las.

A equipa de Alexandre Almeida, que é também licenciado em Bioquímica pela Universidade Porto,  quer agora perceber quais, entre estas bactérias, são as mais importantes para a saúde humana e quais as interações entre elas no intestino, tendo em vista melhorar o tratamento de doenças como o cancro intestinal.

Depois de terminar o mestrado em Genética Forense, Alexandre Almeida concluiu os estudos em Paris, onde se doutorou em Genómica microbiana. Este estudo insere-se na continuação do seu pós-doutoramento no Instituto Europeu de Bioinformática, que passou da análise de genes num número reduzido de amostras para uma análise da ecologia de comunidades microbianas.

 

Dor Crónica
Em pessoas com dor crónica, a prática de exercício físico, personalizado e acompanhado, é benéfica tanto do ponto de vista...

No âmbito do Dia Mundial da Atividade Física, que se assinala a 6 de abril, a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) lembra a importância da atividade física na maioria das condições álgicas músculo-esqueléticas, incluindo cervicalgias, osteoartrite, artrite reumatoide, fibromialgia, dor miosfacial e lombalgia.

Segundo a Ana Pedro, Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), “No alívio dos diversos tipos de dor, a manutenção da mobilidade desempenha um papel de grande importância. No Dia Mundial da Atividade Física, importa reforçar que a adoção de um estilo de vida saudável, como uma simples caminhada, o fortalecimento dos músculos e das articulações, sempre na medida permitida pela dor, são a chave para uma boa recuperação.”

Independentemente da idade, género ou capacidade física, os benefícios de um estilo de vida ativo para a saúde são indiscutíveis e o ponto de partida para o seu controlo eficaz passa pela prevenção. A atividade física permite manter os músculos, as articulações e os ossos saudáveis, ao mesmo tempo que aumenta a força, a resistência, a energia, diminui o stress e melhora a saúde mental.

Com o objetivo de sensibilizar a população para a adoção de comportamentos saudáveis e incentivar o movimento como forma de prevenção e tratamento de estados de dor ligeira a moderada, a APED tem a decorrer a campanha “Movimento para o Futuro”, uma campanha nacional que conta com o apoio de várias associações de doentes e sociedades científicas e que, de uma forma simples e acessível a todos, pretende promover a atividade física como meio de  prevenir e melhorar os estados de dor.

A dor é um fenómeno extraordinariamente complexo que vai além dos sintomas físicos. Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), a dor é uma experiência sensorial e/ou emocional desagradável associada a lesão tecidular, real ou potencial, ou descrita em função dessa lesão. Esta pode ser um sinal de aviso para uma lesão (iminente ou real), desempenhando um papel importante de prevenção e de recuperação das funções normais do organismo. Diz-se que a dor é crónica quando, de modo geral, persiste após o período estimado para a recuperação normal de uma lesão. A dor é a causa mais comum a nível mundial para a procura de acompanhamento médico.

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