Doença Alérgica

20 por cento da população mundial sofre de alergias

Atualizado: 
27/05/2019 - 11:40
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as doenças alérgicas ocupam o quarto lugar das doenças crónicas que mais afetam a população, estimando-se que, em todo o mundo, 500 milhões de pessoas sofram de rinite alérgica. Neste artigo explicamos-lhe o que é a alergia e como se manifesta.
Alergias

A alergia caracteriza-se por uma resposta inadequada e exagerada do sistema imunitário a substâncias, habitualmente, inofensivas e que às quais designamos de alérgenos. Apesar de serem substâncias de origem natural, estas podem induzir a uma reação de hipersensibilidade em indíviduos mais suscetíveis.

O que acontece é que o corpo “reconhece” o agente alérgeno como uma substância estranha e alheia ao organismo no primeiro contato e, sempre que há uma exposição “excessiva”, o sistema imunitário reage com a libertação de substâncias que alteram a homeostase do organismo desencadeando a alergia.

O fenómeno alérgico encontra-se, deste modo, dividido em duas fases: a fase de sensibilização e a fase da reação alérgica.

Durante a primeira fase o indíviduo que se está a “sensibilizar” a um agente alérgeno não apresenta sintomas. As manifestações alérgicas, como olhos vermelhos, dificuldade respiratória, eritema ou prurido cutâneo, por exemplo, surgem no contato seguinte, designado de fase de reação alérgica. O que acontece é que, neste segundo contato, a informação se propaga ao resto do organismo, desencadeando a amplificação do fénomeno.

Entre os alérgenos mais comuns encontram-se os pólens, ácaros, pó, pêlo de animais e algumas substâncias alimentares.

Os tipos mais comuns de alergias são as alergias alimentares (provocadas pelo leite de vaca, ovos, amendoim, soja, peixes e frutos do mar ou nozes, por exemplo); alergias da pele (provocando lesões dermatológicas com prurido, habitualmente, intenso); alergias nasais (conhecida como rinite alérgica); alergias respiratórias (devido a alérgenos e irritantes das vias aéreas) e as  alergias oculares, das quais a conjuntivite alérgica é a mais comum.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, 25 por cento da população portuguesa sofre de rinite alérgica, 10 por cento de asma e 10 por cento de urticária.

Embora a alergia seja uma patologia sem cura, desde que se conheçam as suas formas e agentes causadores, é possível controlá-la.

Estudos ao longo do tempo têm demonstrado que alguns indíviduos possuem uma predisposição genética para desenvolver reações alérgicas. Esta predisposição denomina-se atopia.

Existe, deste modo, ainda, um risco hereditário comprovado. Através do perfil “atópico” é possível determinar o risco de sintomas alérgicos nas crianças.  

Na realidade, o risco de desenvolver uma alergia respiratória é superior em famílias alérgicas, apresentando 50 por cento de hipóteses quando ambos os pais são alérgicos. Caso os pais sofram da mesma doença alérgica a probabilidade de hereditariedade sobe para os 80 por cento.

Por outro lado, também as alterações do meio ambiente e do estilo de vida – como poluíção, tabagismo ou urbanização crescente –, bem como dos hábitos alimentares são fatores que potenciam o desenvolvimento de alergias.

Apesar de não estarem na origem de fenómenos alérgicos, a poluição atmosférica contribui para o agravamento do problema.

Vários estudos demonstram a relação entre os poluentes atmosféricos e a asma e provaram que o risco de morte associada a doenças respiratórias é três vezes maior nas grandes cidades, onde existem grandes concentrações de ozono.

Manifestação e agravamento da doença

De acordo com vários especialistas, e baseado no resultado de vários estudos epidemiológicos, pode dizer-se que a vida do doente alérgico tem início na primeira infância.

Na realidade, um lactente atópico – que apresente um risco elevado de desenvolvimento de alergias, devido a antecedentes familiares e à exposição a substâncias alérgenas - começa por se mostrar sensível a determinados alimentos.

Estas alergias acabam, grande parte das vezes, por desaparecer dando lugar à uma maior sensibilidade aos alérgenos inalados que provocam alergias respiratórias, como a asma ou a rinite.

A dermatite atópica  (ou eczema) em lactentes pode manifestar-se a partir dos três meses de idade. Surgindo numa fase muito prematura da vida do bebé, caracteriza-se pelo endurecimento da pele, o que a torna muito áspera. Habitualmente surge eritema e prurido.

O eczema afeta sobretudo as virilhas, axilas ou concavidades dos joelhos, rosto e couro cabeludo.

Se não for tratada pode conduzir à desidratação da pele. Pensa-se que as proteínas do leite de vaca estejam na origem deste eczema.

A rinite alérgica corresponde a uma inflamação da mucosa nasal que apresenta como principais sintomas a sensação de nariz entupido, corrimento nasal, comichão e espirros.

Quando estas manifestações ocorrem apenas em determinadas épocas do ano trata-se de uma rinite alérgica, podendo ser reflexo de uma alergia aos pólens.

Uma rinite persistente, ao longo do ano, é conhecida como rinite peranual e resulta da sensibilização a uma ou mais substâncias alérgenas presentes em permanência no ambiente – como é o caso dos ácaros, pêlos de animais ou bolores interiores.

A asma alérgica caracteriza-se por uma obstrução variável e reversível das vias respiratórias, com inflamação e hiper-reactividade bronquial.

Os episódios de crise caracterizam-se por contrações dos brônquios, edemas e excesso de mucosidade, contribuindo para a obstrução da entrada de ar desde o exterior.

Os sintomas característicos são:

  • tosse
  • sibilos ou silvos quando se respira
  • sensação de sufoco
  • dor ou pressão no peito
  • secreções ou mucosidade
  • fadiga
  • sensação de falta de ar

Estima-se que entre 5 a 15 por cento da população europeia sofra de asma alérgica e vários estudos revelam que quem sofre desta doença tem três vezes mais probabilidades de vir a sofrer de asma.

Apesar de apresentarem diferenças, a rinite e a asma são resultam de um processo inflamatório comum, que afeta não só as vias respiratórias superiores como as inferiores.

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Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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