Doença infeciosa

Malária ainda mata 1 criança a cada 2 minutos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a malária matou mais de 400 mil pessoas no ano passado. As crianças com menos de 5 anos são aquelas que mais riscos correm. Neste artigo, o especialista em Medicina Intensiva e Medicina Interna, António Pereira de Figueiredo, explica que doença é esta e quais os cuidados a ter se for viajar para os continentes mais afetados.

A malária é uma doença infeciosa causada por um conjunto de parasitas denominados plasmódios, e transmitida aos humanos através da picada de um inseto, mosquito, da espécie anófeles que está presente em áreas tropicais da África, Sudeste Asiático, Índia, Venezuela, Brasil (Amazónia), Centro América, Nova Guiné, China e Turquia.

É uma das doenças que representa um grande risco para os viajantes no estrangeiro. No ano de 2018 a Organização Mundial para a Saúde (OMS) reportou 219 milhões de casos de malária a nível mundial. Do total de casos de malaria do ano de 2018, 92 % dos foram reportados na região africana, 5 % no sudeste asiático e 2 % na região do mediterrâneo oriental.

Esta doença foi responsável por um total de 435 mil mortes, sendo as crianças com menos de 5 anos a mais afetadas, isto correspondeu à morte de uma criança cada 2 minutos por uma doença que pode ser objeto de medidas de prevenção e de tratamento.

A doença

Como referi no início deste artigo, a malária é uma doença infeciosa causada por parasitas denominados plasmódios os quais estão divididos em cinco espécies: Plasmódium falciparum, Plasmodium ovale, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium knowlesi.

O Plasmodium falciparum é responsável pela maior parte dos casos, este agente está presente na África subsaariana, Nova Guiné, Haiti e República Dominicana; seguido pelo Plasmodium vivax, que é mais comum no continente Americano e na região do pacífico ocidental. Na India estão presentes ambos os agentes (Plasmodium falciarum e Plasmodium vivax).

A transmissão da doença ocorre através da picada de um inseto que, neste caso em particular, trata-se de um mosquito da espécie anófeles, que existe em áreas tropicais da África, Sudeste Asiático, Índia, Venezuela, Brasil (Amazónia), Centro América, Nova Guiné, China e Turquia.

Para que aconteça a transmissão da doença é necessário que o mosquito se alimente previamente do sangue de uma pessoa infetada pelo parasita e posteriormente transmita o mesmo à uma pessoa saudável através de uma picada.

Uma vez que o parasita entra em contacto com o sangue, viaja através do sistema circulatório até as células hepáticas (fígado) onde se multiplica para posteriormente ser libertado desde o fígado para a corrente sanguínea onde invadem os glóbulos vermelhos (eritrócitos) que utilizam novamente para multiplicar-se e produzir mais parasitas que são transportadas até outros hospedeiros pelo mosquito.

Período de incubação

Após a picada por mosquitos infetados, a doença tem um período de incubação que pode variar entre sete até trinta e cinco dias.

Sintomas

  • Febre: este é o sintoma mais característico.
  • Cefaleia
  • Dor muscular, dor articular
  • Calafrios e sudorese
  • Fadiga
  • Dor abdominal. Vómitos e por vezes diarreia
  • Nos casos graves estes sintomas podem estar acompanhados de:
  • Anemia grave
  • Convulsões
  • Urina escura ou com presença de sangue

A malária pode apresentar-se de forma grave ou complicada afetando o cérebro (malaria cerebral), rins, pulmões e fígado, condicionando sequelas graves e inclusivamente a morte.

Pessoas em risco

O risco de contrair esta doença ocorre ao viajar, por trabalho ou lazer, para as regiões onde o mosquito e a doença estão presentes, sem cumprir com algumas medidas de prevenção.

Esta doença pode ser particularmente grave em crianças com idade inferior a cinco anos, grávidas e doentes imunossuprimidos (por tratamentos oncológicos, doenças autoimunes, HIV, etc)

Como prevenir a malária?

A Direção-Geral da Saúde recomenda:

  1. A marcação de consulta do viajante ou com o médico assistente, pelo menos quatro semanas antes da partida para países ou regiões onde existe a doença.
  2. A adoção das seguintes medidas de proteção individual contra a picada de mosquitos:
  • Aplicar repelentes em adultos e crianças, ao longo do dia, de acordo com as instruções do fabricante e tendo em conta a duração do efeito repelente.
  • Se utilizar protetor solar juntamente com repelente, deverá aplicar primeiro o protetor solar e depois o repelente;
  • Proteger as crianças em carrinhos de bebé e berços com redes mosquiteiras;
  • Optar por alojamento com ar condicionado ou, em alternativa, utilizar redes mosquiteiras nas camas;
  • Utilizar vestuário preferencialmente largo, de cores claras, fibras naturais e que diminua a exposição corporal à picada dos mosquitos (camisas de manga comprida, calças e calçado fechado).

Para mais informações consulte

Locais de consulta do Viajante

Almada
Centro de Saúde de Almada
Rua António Vernay, 35 r/c, 2800 Almada
Tel.‐ 212721630/35/36   

Lisboa 
Centro de Saúde de Sete Rios
Largo Prof. Arnaldo Sampaio 1549‐1010 Lisboa.
Tel.‐ 217211836  Horário ‐ 9h ‐ 12.30h e 13.00h ‐ 15.30h 

Hospital de D. Estefânia (crianças)
Consulta e vacinação
Rua Jacinto Marto, 1169-045 Lisboa
Tel.‐ 213126690   

Hospital Egas Moniz
Consulta e vacinação
Rua da Junqueira, 126 Lisboa Tel.‐ 210432000 

Hospital Curry Cabral
Consulta e vacinação
Rua da Beneficência, nº 8, 1069-066 Lisboa
Tel.‐ 217924322

Hospital Sta. Maria
Consulta e vacinação
Av. Prof. Egas Moniz 1649-035 Lisboa
Tel.‐ 217805000 ext. 52113   

Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Consulta e vacinação
Rua Junqueira, 96/110, 1349‐008 Lisboa
Tel.‐ 213652600

Setúbal 
Consulta e vacinação
Hospital de São Bernardo
Rua Camilo Castelo Branco, 290‐446 Setúbal
Tel.‐ 265549085   

Referências:
UpToDate: Clinical manifestations of malaria in nonpregnant adults and children.  2019
UpToDate: patient education: Malaria (The Basics)
Global technical strategy for malaria 2016-2030. World Health Organization. 2015
SIXTIETH WORLD HEALTH ASSEMBLY. World Health Organization. 23 May 2007
Comunicado: Malária (paludismo) em Cabo verde. Direção-Geral da Saúde. 2017

Autor
Dr. António Manuel Pereira De Figueiredo

Médico Especialista em Medicina Intensiva e Medicina Interna
Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Cascais Dr. José de Almeida – Grupo Lusíadas

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
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