UNICEF
Especialistas e agências internacionais têm alertado para as consequências que uma pandemia, como a atual, pode ter sobre a...

"O sul da Ásia é o lar de quase 2.000 milhões de pessoas e mais de um quarto das crianças do mundo. A região agora é responsável por metade das novas infeções do coronavírus [...] Temos de agir agora, depressa, para salvar vidas. Mas também precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para manter os serviços críticos de saúde de que as crianças e mães dependem tanto", alertou no passado dia 25 de maio o diretor regional da Unicef para o Sul da Ásia, George Laryea-Adjei, durante uma conferência de imprensa da ONU na sua sede em Genebra.

Segundo os dados divulgados, estima-se que 228.000 crianças e 11.000 mães no sul da Ásia morreram devido a graves perturbações nos serviços essenciais de saúde devido à pandemia, de acordo com o relatório da UNICEF “Efeitos Diretos e Indiretos da Pandemia COVID-19 e da Resposta no Sul da Ásia”. O estudo, que se centra nos países do Afeganistão, Nepal, Bangladesh, Índia e Sri Lanka, confirma que, juntamente com os adolescentes, estas são as principais vítimas desta situação.

O mesmo relatório assinala que, durante a pandemia, o número de crianças que recebem tratamento para a desnutrição grave diminuiu mais de 80% no Bangladesh e no Nepal, tendo a imunização diminuído 35% e 65 por cento na Índia e no Paquistão, respetivamente. Por seu lado, o Sri Lanka é o país da região onde as mortes maternas foram as que mais aumentaram: 21,5%, seguido de 21,3% no Paquistão.

O mesmo estudo confirma ainda que a mortalidade infantil atingiu o pico na Índia em 2020, atingindo os 15,4%, seguido do Bangladesh com 13%. "Com 27 milhões de nascimentos e 30 milhões de gravidezes por ano, os serviços essenciais para ajudar as mulheres a dar à luz são cruciais na Índia. No entanto, como as unidades de saúde continuam sobrelotadas para tratar doentes, chegam-nos notícias de que as mulheres grávidas estão a lutar para encontrar o apoio necessário para dar à luz", disse Yamin Ali Haque, representante da Unicef no país, numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, em Genebra, no início de maio, citada pelo El País. 

 

 

Coleção imaginária para angariar 150 mil euros
Dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram-nos que mais de 50% das doenças mentais têm início durante a...

Assim, a Clínica do Gil surge no âmbito do projeto de Desenvolvimento da Fundação do Gil, e pretende acompanhar crianças e famílias, com dificuldades de integração social, devido a problemas do foro físico, emocional ou comportamental. O espaço será aberto a toda a comunidade, com preços sociais e de mercado, e com o apoio de uma equipa técnica de terapeutas especialistas e permitirá uma intervenção especializada e integrada, no plano familiar, social, psicopedagógico e terapêutico.

Localizada no jardim da Fundação do Gil, em Lisboa, a Clínica disponibilizará terapias nas áreas da Psicologia Clínica, Psicopedagogia, Terapia da Fala, Educação Especial, Terapia Ocupacional e Terapias das Artes.

Os problemas de saúde mental nem sempre são fáceis de identificar e, segundo a OMS, mais de 30% dos jovens têm sintomas depressivos, mais de 16% dos jovens sofrem com ansiedade e, Portugal é o 2º país da Europa com a maior prevalência de doenças psiquiátricas. É essencial agir.

Patrícia Boura, Presidente Executiva da Fundação do Gil, explica que “os problemas de saúde mental afetam cerca de 20% dos jovens e verificamos uma maior prevalência nos grupos mais desfavorecidos da população. A par disto, e quando pensamos que é na infância que a personalidade se forma e que o acompanhamento adequado permitirá às crianças tirar o melhor partido dela, compreendemos que soluções como a Clínica do Gil são urgentes. Ambicionamos que todos tenham acesso aos melhores cuidados, através de uma forte equipa de especialistas, e que as crianças de hoje se tornem adultos mais confiantes amanhã”.

No ano em que celebra 25 anos ao lado das famílias portuguesas, a Zippy procura sensibilizar e promover uma discussão saudável sobre este tema que afeta tantas crianças. Para isso, apresenta a Coleção Imaginária, em que 100% das vendas líquidas das peças revertem para a construção da Clínica do Gil. A marca portuguesa inspirou-se nos amigos imaginários das crianças, que muitas vezes aparecem para ajudar a solucionar problemas, e criou uma coleção com peças que efetivamente não existem.

“No momento em que tivemos conhecimento do projeto (ainda imaginário) da Clínica do Gil, foi imediata a nossa vontade de nos envolvermos e ajudar a dar vida ao mesmo, com unhas e dentes. Enquanto marca que atua junto de pais e filhos, sentimos que o nosso papel deve ser muito maior do que o propósito comercial. Queremos ser um agente ativo e presente na sociedade em que vivemos, que promove discussões sobre temas nem sempre fáceis, mas de extrema importância. Queremos envolver a sociedade, promover a discussão e evolução, encontrar soluções ou, no limite, ajudar uma família que seja, a identificar um problema que até então era desconhecido. Todos atuamos quando sentimos uma dor física, mas a reação não é a mesma quando se trata de emoções. Certo?

Nunca tanto como agora a problemática da saúde mental está na ordem do dia, principalmente junto de crianças, e isso exige que estejamos alertas e atuemos o quanto antes.

O nosso compromisso é estar ao lado das famílias, nos bons e maus momentos. Esta iniciativa está em tudo alinhada com o propósito da marca – we go together – sem deixar ninguém para trás, e especialmente no ano em que celebramos 25 anos, não podíamos estar mais orgulhosos de podermos, de facto, fazer a diferença.”, partilha Filipa Bello, Head of Brand & Creative da Zippy.

Metade das crianças com asma não tem doença controlada
A asma é uma das doenças crónicas mais frequentes em idade pediátrica.

De acordo com os dados nacionais, cerca de metade das crianças com asma não terá a sua doença controlada. Um dos maiores obstáculos para alcançar o controlo resultará da fraca perceção do impacto real da asma na qualidade de vida da criança, e das limitações que advêm da ausência de controlo, em atividades características desta faixa etária, como rir, correr e brincar. A má perceção dos sintomas por parte das crianças e dos pais, origina subdiagnóstico, subtratamento e não adesão à terapêutica.

A asma não controlada associa-se com faltas escolares da criança, laborais dos pais, mais consultas médicas, mais idas aos serviços de urgência, maior número de internamentos hospitalares, e potencialmente, com maior mortalidade por asma.

Uma preocupação dos efeitos a longo prazo é que a asma esteja associada com obstrução fixa das vias aéreas, anos mais tarde, já na idade adulta. Na criança, este risco associa-se sobretudo com a asma não controlada, que contribuirá para o um crescimento pulmonar anormal.

Controlar a asma implica tratá-la de forma adequada. O tratamento da asma compreende dois tipos de medicamentos: a medicação de controlo (especialmente anti-inflamatórios – corticosteroides inalados) que deve ser tomada de forma regular para prevenir o aparecimento dos sintomas, melhorar a função pulmonar e prevenir as crises; e a medicação de alívio (broncodilatadores de ação rápida) para o tratamento das crises.

Neste dia da criança, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), alerta para a necessidade de que todas as crianças com suspeita de asma sejam avaliadas e tratadas de acordo com as recomendações internacionais da Global Initiative for Asthma (GINA). O tratamento adequado da asma contribuirá para uma melhor qualidade, e constituirá um investimento na saúde futura da criança.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investidor europeu especializado na área da saúde
Empresa de capital de risco portuguesa nomeia um reputado grupo internacional de cientistas e executivos como Conselheiros...

Os membros deste novo órgão consultivo trazem uma larga experiência e conhecimento adquiridos em várias empresas farmacêuticas e de biotecnologia internacionais, e aconselharão a Bionova Capital nos seus novos investimentos em start-ups do setor da saúde por toda a Europa. Estes membros irão permitir à Bionova Capital aceder a novas oportunidades de investimento e também apoiarão o desenvolvimento das empresas do seu portefólio.

 Assim, fazem parte do Conselho Consultivo Científico José Luis Cabero, Dr. Med Sc, Consultor na Symbiokraft em Espanha. Anteriormente vice-presidente de investigação cardiovascular e gastrointestinal na AstraZeneca na Suécia, tendo liderado várias empresas de biotecnologia por toda a Europa. Foi, até recentemente, CEO da AELIX Therapeutics em Espanha.

Kristina Beeler, PhD, Diretora de Negócios da Biognosys na Suíça. Principal na empresa de capital de risco Suíça Nextech Invest e investigadora na Universidade de Oxford e de Zurique.

Mark Wilson, PhD, Consultor na Strategic Technology Bioconsulting no Reino Unido, que antes havia sido diretor de licenciamento de tecnologia na GlaxoSmithKline e na SR One (braço de investimento da GlaxoSmithKline), ambas no Reino Unido.

Riccardo Camisasca, MD, Vice-Presidente de Desenvolvimento Clínico da Syneos Health em Portugal. Anteriormente foi Diretor de Desenvolvimento Clínico na BIAL em Portugal, tendo também sido Diretor Médico do grupo Takeda no Reino Unido e Novartis na Suíça.

 “Temos a honra de integrar estes especialistas mundialmente reconhecidos no nosso novo Conselho Consultivo Científico", afirmou Peter Villax, Chairman da Bionova Capital. "Os membros deste novo órgão consultivo partilham a visão da Bionova Capital de impactar positivamente a inovação biomédica na Europa e apoiar os empreendedores no desafiante processo de trazer novos tratamentos aos doentes que deles necessitam".

 “O nosso novo Conselho Consultivo Científico vai expandir a nossa já extensa rede de contatos, permitindo que as start-ups do nosso portefólio consigam aceder às maiores empresas farmacêuticas e de biotecnologia do mundo", disse Ricardo Perdigão Henriques, CEO da Bionova Capital. "Ao serem especializados em várias áreas médicas e estando localizados em vários países, os nossos Conselheiros Científicos dão-nos um acesso único a oportunidades de investimento na vanguarda da inovação médica por toda a Europa".

Autoridades dizem que é um caso isolado
As autoridades sanitárias chinesas anunciaram hoje a deteção do primeiro caso de gripe aviária H10N3 em humanos.

Em comunicado, a Comissão Nacional de Saúde diz que até agora nunca tinha sido detetada uma transmissão humana do vírus. Por outro lado, revela que esta se trata de uma transmissão "acidental" e que o risco de propagação em larga escala é "muito baixo".

O doente é um homem de 41 anos da província de Jiangsu oriental que no dia 23 de abril começou a apresentar febre e outros sintomas, tendo sido hospitalizado cinco dias depois e após o seu estado se ter agravado.

As autoridades locais salientam que o estado da pessoa infetada melhorou ao ponto de atingir os requisitos para receber alta hospitalar

Por se tratar de um caso novo, as autoridades procederam à avaliação de todos os contactos próximos na província e não encontraram "anormalidades".

Segundo os especialistas, trata-se de um caso isolado, sendo que o vírus H10N3 “não tem a capacidade de infetar eficazmente os seres humanos”.

Pelo sim, pelo não, a Comissão exortou os cidadãos a evitarem o contacto com as aves mortas ou vivas, a prestarem atenção à higiene alimentar e a procurarem imediatamente apoio médico no caso de manifestarem sintomas como febre ou problemas respiratórios.

 

Estudo
O calor pode matar e o aumento das temperaturas devido às alterações climáticas é já responsável por mais de um terço das...

Esta é a principal conclusão um estudo internacional publicado esta segunda-feira na revista Nature Climate Change após ter recolhido dados de 732 populações em 43 países. De acordo com estimativas globais feitas pela equipa de investigação responsável pelo estudo, durante os anos de 1991 e 2018, 37% das mortes ligadas à exposição ao calor são uma consequência do aquecimento global devido às atividades humanas.

De acordo com a informação avançada no jornal El Mundo, estima-se que, desde o início da era industrial, a temperatura global da Terra já tenha aumentado, em média, um grau Celsius devido à acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera. Agora, com este estudo, sabe-se que já houve um aumento da mortalidade por esta mesma razão. No entanto, devido à falta de dados disponíveis, salienta a publicação, “não foi possível incluir grandes áreas da África e do Sul da Ásia”.

Em declaração a este jornal, a epidemiologista ambiental Ana María Vicedo-Cabrera, investigadora da Universidade de Berna, na Suíça, e primeira autora deste estudo, revela que por base em estudos anteriores, sabe-se que “o calor funciona como um gatilho para eventos cardiovasculares e respiratórios, como enfartes do miocárdio, isquemias e insuficiências respiratórias, além de outras patologias como doenças renais e doenças mentais”.

Segundo o estudo, as percentagens de mortes adicionais associadas às alterações climáticas recolhidas nesta investigação variam de acordo com a área geográfica, atingindo 76% em países da América do Sul, como o Equador ou a Colômbia, e variando entre 48% e 61% nos países do Sudeste Asiático.

O estudo inclui também uma estimativa do número de mortes adicionais devido ao calor ligado às atividades humanas em algumas cidades.

Em Santiago do Chile, por exemplo, registaram-se mais 136 mortes (44,3%), 189 em Atenas (26,1%), 172 em Roma (32%), 156 em Tóquio (35,6%), 82 em Londres (33,6%), 141 em Nova Iorque (44,2%) ou 137 em Ho Chi Minh City (48,5%).

 

Investigação internacional
Num estudo realizado com 11 doentes, uma equipa internacional de investigação descobriu uma nova e singular forma de esclerose...

"A ELA é uma doença paralisante e muitas vezes fatal que geralmente afeta pessoas de meia-idade. Descobrimos que uma forma genética da doença também pode ameaçar as crianças. Os nossos resultados mostram pela primeira vez que a Esclerose Lateral Amiotrófica pode ser causada por mudanças na forma como o corpo metaboliza os lípidos", disse Carsten Bönnemann, investigador sénior do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Acidente Vascular Cerebral (NINDS) do NIH e autor sénior do estudo publicado na Nature Medicine.

"Esperamos que estes resultados ajudem os médicos a reconhecer esta nova forma de ELA e a levar ao desenvolvimento de tratamentos que melhorem a vida destas crianças e jovens adultos. Esperamos também que os nossos resultados possam fornecer novas pistas para compreender e tratar outras formas da doença”, afirmou.

Bönnemann lidera uma equipa de investigadores que usa técnicas genéticas avançadas para resolver algumas das mais misteriosas doenças neurológicas da infância em todo o mundo. Neste estudo, a equipa descobriu que 11 destes casos tinham ELA que estava associada a variações na sequência de ADN do SPLTC1, um gene responsável pelo fabrico de uma classe diversificada de gorduras conhecidas por esfingolipídios.

O estudo começou com Claúdia Digregorio, uma jovem mulher italiana a quem o Papa Francisco deu bênção pessoalmente antes de partir para os Estados Unidos para ser examinada pela equipa de Bönnemann no Centro Clínico do NIH.

Como muitos outros pacientes, Claúdia precisava de uma cadeira de rodas e de tubo de traqueostomia implantado cirurgicamente para ajudar na respiração. Exames neurológicos realizados pela equipa revelaram que ela e os outros tinham muitas dos traços da ELA, incluindo músculos severamente enfraquecidos ou paralisados. Além disso, os músculos de alguns pacientes mostraram sinais de atrofia quando examinados sob um microscópio ou com scanners não invasivos.

No entanto, esta forma de Esclerose Lateral Amiotrófica parecia-lhes ser diferente. A maioria dos doentes, esclareceram os especialistas, é diagnosticada por volta dos 50 ou 60 anos de idade. A doença agrava-se tão rapidamente que os pacientes normalmente morrem dentro de três a cinco anos de diagnóstico. Em contraste, os sintomas iniciais, como alterações na caminhada e a espasticidade, nestes doentes, desenvolveu-se por volta dos quatro anos de idade. Além disso, no final do estudo, estes tinham vivido entre cinco a 20 anos mais.

"Estes jovens pacientes tinham muitos dos problemas do neurónio motor neuronais que são indicativos de ELA", disse Payam Mohassel, um investigador clínico do NIH e o principal autor do estudo. "O que tornou estes casos únicos foi a idade precoce do início e a progressão mais lenta dos sintomas. Isto fez-nos pensar o que estava subjacente a esta forma distinta de ELA."

As primeiras pistas vieram da análise do ADN dos pacientes. Os investigadores usaram ferramentas genéticas de próxima geração para ler os exomas destes doentes, ou seja, as sequências de ADN que guardam as instruções para a produção de proteínas. Eles descobriram que todos tinham alterações visíveis na mesma parte estreita do gene SPLTC1. Quatro dos pacientes herdaram estas mudanças de um dos progenitores. Enquanto os outros seis casos pareciam ser o resultado do que os cientistas chamam de mutações "de novo" no gene. Estes tipos de mutações podem ocorrer espontaneamente à medida que as células se multiplicam rapidamente antes ou pouco depois da conceção.

Mutações no SPLTC1 também são conhecidas por causar uma desordem neurológica diferente chamada Neuropatia autonómica e sensitiva hereditária tipo 1 (HSAN1). A proteína SPLTC1 é uma subunidade de uma enzima, chamada SPT, que catalisa a primeira de várias reações necessárias para fazer esfingolipídios. As mutações HSAN1 fazem com que a enzima produza versões atípicas e nocivas de esfingolipídios.

No início, a equipa pensou que as mutações causadoras de ELA que descobriram podem produzir problemas semelhantes. No entanto, as análises ao sangue dos pacientes não mostraram sinais dos esfingolipídios nocivos.

"Naquele momento, sentimos que não conseguíamos entender completamente como as mutações observadas nos pacientes com ELA não mostravam as anomalias esperadas do que se sabia sobre as mutações do SPTLC1", disse Bönnemann. "Felizmente, a equipa Teresa M. Dunn tinha algumas ideias."

Durante décadas, a equipa de Teresa M. Dunn, da Universidade de Zurique, estudou o papel dos esfingolipídios na saúde e na doença. Com a ajuda a ajuda da sua equipa os investigadores reexaminaram amostras de sangue dos doentes com ELA e descobriram que os níveis de esfingolipídios típicos eram anormalmente altos. Isto sugeriu que as mutações de ELA aumentaram a atividade SPT.

Resultados semelhantes foram vistos quando os investigadores programaram neurónios cultivados em placas de Petri para transportar as mutações causadoras de ELA no gene SPLTC1. Os neurónios mutantes que transportam neurónios produziram níveis mais altos de esfingolipídios típicos do que as células de controlo. Esta diferença foi melhorada quando os neurónios foram alimentados com a serina de aminoácidos, um ingrediente chave na reação do SPT.

Estudos anteriores sugeriram que a suplementação de serina pode ser um tratamento eficaz para o HSAN1. Com base nos seus resultados, os autores deste estudo recomendaram evitar a suplementação de serina no tratamento dos pacientes com ELA.

Em seguida, realizaram uma série de experiências que mostraram que as mutações causadoras de ELA impedem outra proteína chamada ORMDL de inibir a atividade do SPT.

"Os nossos resultados sugerem que estes doentes com esclerose lateral amiotrófica vivem essencialmente sem travão na atividade do SPT. O SPT é controlado por um ciclo de feedback. Quando os níveis de esfingolipídios são altos, então as proteínas ORMDL ligam-se e abrandam o SPT. As mutações que estes doentes carregam entram em curto-circuito neste ciclo de feedback", explicou. "Achámos que restaurar este travão pode ser uma boa estratégia para tratar esta nova forma da doença."

Para testar esta ideia, a equipa de Bönnemann criou pequenas vertentes de ARN que interferem para desligar os genes SPLTC1 mutantes encontrados nestes doentes. Experiências nas células cutâneas dos pacientes mostraram que estes fios de ARN reduziram os níveis de atividade genética SPLTC1 e restabeleceram os níveis de esfotina ao normal.

"Estes resultados preliminares sugerem que podemos ser capazes de usar uma estratégia de silenciamento de genes de precisão para tratar pacientes com este tipo ELA. Além disso, estamos também a explorar outras formas de pisar o travão que retarda a atividade do SPT", disse Bonnemann. "O nosso objetivo final é traduzir estas ideias em tratamentos eficazes para os doentes que atualmente não têm opções terapêuticas."

 

SPO esclarece
Para assinalar o Dia Mundial da Criança, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) elaborou 10 mi
  1. Até a criança falar, não é preciso ir ao oftalmologista.

Existem exames simples, capazes de quantificar a visão nos bebés desde tenra idade, como por exemplo o teste do olhar preferencial em que, através do interesse demonstrado pelo bebé por padrões de riscas com larguras diferentes, se consegue obter o valor da acuidade visual de cada um dos olhos. Para cada idade existem, nas consultas de oftalmologia, testes adaptados com complexidade crescente até às escalas de visão dos adultos. É crucial o exame dos olhos nos primeiros dias de vida pelo mé dico Assistente, um rastreio de erros refrativos entre os 2 e os 3 anos de idade e uma consulta de Oftalmologia em qualquer idade em que se suspeite de alterações oculares ou dificuldades visuais.

  1. As crianças não podem usar óculos de sol.

As medidas que se aplicam à proteção da pele estendem-se à proteção ocular: evitar a exposição direta ao sol entre as 11h e as 15h, no verão ou onde houver maior radiação. Os óculos de sol não são obrigatórios, mas ao escolher uns para os seus filhos, certifique-se de que as lentes têm filtro UV (ultravioleta) próximo dos 100% e que são de boa qualidade ótica (sem distorção) - nunca devem estar riscadas ou com falhas. A cor escura não é sinónimo de maior proteção! A luz natural é aliada de uma boa saúde ocular, mas com precauções. Usar um chapéu de abas largas também ajuda.

  1. Ler dentro de um veículo em movimento é perigoso para os olhos.

Qualquer focagem em movimento implica um esforço acrescido porque é constante a necessidade de fixação/refixação do objeto que não está fixo, seja um livro, um tablet ou qualquer outro. Não sendo necessariamente perigoso, algumas crianças podem sentir-se enjoadas, irritadas ou com dor de cabeça, sendo desaconselhada a leitura nestas circunstâncias.

  1. Os ecrãs fazem mal aos olhos.

Os dispositivos digitais quando bem utilizados podem ser importantes ferramentas educativas e de lazer. É importante vigiar os conteúdos apresentados para estarem de acordo com o escalão etário e monitorizar o tempo de uso.  O uso não regrado e muito perto dos olhos pode levar a queixas de cansaço visual, de olho seco e de perturbação da focagem. Assim, devem ser instituídos períodos regulares de pausa como a regra dos 20/20/20, que quer dizer, a cada 20 minutos, um mínimo de 20 segundos de pausa a uma distância não inferior a 20 pés (6 metros).

  1. Os olhos mais claros sofrem mais com a luz.

A cor clara dos olhos é determinada pela quantidade de pigmento presente na íris (“menina dos olhos”), sendo maior nos tons mais escuros, o que teoricamente confere maior proteção. No entanto, a sensibilidade à luz é condicionada por vários fatores que não dependem da presença de pigmento como a existência de erros refrativos (de focagem) como o astigmatismo, o tipo de lubrificação, o tamanho das pestanas e o formato dos olhos. Assim, sensibilidade à luz varia de pessoa para pessoa.

  1. O estrabismo na criança cura-se automaticamente à medida que a ela cresce.

Não é verdade: qualquer alteração do alinhamento dos eixos visuais, mesmo que não permanente, presente após os seis meses de idade não é normal e a criança deve ser observada em consulta. Por outro lado, há formas de estrabismo que aparecem mais tarde, nomeadamente as que estão associadas ao esforço acomodativo (de focagem), que tipicamente surgem pelos 3-4 anos de idade, em crianças até aí sem qualquer alteração aparente. O tratamento do estrabismo é diferente conforme o tipo de apresentação, as características do mesmo e a idade de aparecimento, podendo englobar medidas médicas como o uso de óculos ou de oclusão (“tapar”) e medidas cirúrgicas. Mais do que existir uma “cura” simples, o tratamento do estrabismo é um processo de reabilitação exigindo um trabalho em conjunto do oftalmologista, da criança e dos pais.

  1. É natural as crianças coçarem os olhos.

Natural é, mas isto não significa que seja benéfico! Coçar os olhos de maneira repetitiva constitui um traumatismo físico que pode levar ao adelgaçamento e deformação da córnea (parte transparente do olho que se situa à frente da íris) e condicionar o aparecimento de queratocone na adolescência ou início da idade adulta. Adicionalmente o coçar podem induzir inflamação ocular e mesmo infeção, quando as mãos são portadoras de agentes infeciosos. Assim, apesar do estímulo que as crianças, nomeadamente as que sofrem de alergias, sentem, o coçar dos olhos deve ser desincentivado.

  1. As crianças não podem usar lentes de contacto.

A primeira ferramenta na correção das perturbações da focagem (erros refrativos) nas crianças são os óculos com lentes graduadas. No entanto, em caso selecionados as lentes de contacto também são uma opção, podendo ser adaptadas em qualquer idade. O uso de lentes de contacto neste escalão etário exige maior vigilância pelo oftalmologista e uma monitorização contínua diária por parte dos pais.

  1. Lacrimejar é comum e normal nos mais novos.

A obstrução do canal nasolacrimal (que leva as lágrimas do olho ao nariz) é frequente nos bebés, acabando por se resolver nos primeiros meses de vida na grande maioria dos casos só com recurso a massagem no canto interno do olho. No entanto, na presença de lacrimejo constante que condicione episódios repetidos de infeção ocular (conjuntivite) e/ou na ausência de resolução até aos 6 meses, o bebé deve ser observado por um oftalmologista.

  1.  Devemos poupar os olhos das crianças.

Errado - devemos cuidar dos olhos dos nossos filhos, sempre com a ajuda do Oftalmologista!

 

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Neurocientista explica como a nicotina vicia e quais os seus efeitos no organismo
Dados da Organização Mundial da Saúde apresentados no final de 2020 revelam que o tabaco mata mais de 8 milhões em todo o mundo...

Para chamar a atenção para as mortes que causam, o Dia Mundial sem Tabaco é celebrado anualmente no dia 31 de maio. Nessa oportunidade, a OMS promove uma série de campanhas para informar o público sobre os perigos do uso do tabaco, as estratégias da indústria do tabaco e as ações para o controle do tabagismo.

 Mas afinal, o que é o tabaco?

 Conforme explica o, neurocientista, neuropsicólogo e biólogo Fabiano de Abreu, o tabaco é uma planta (Nicotiana tabacum) “cujas folhas são utilizadas na confeção de diferentes produtos que têm como princípio ativo a nicotina, que causa dependência. No mercado se encontram diversos produtos derivados de tabaco: cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, cigarrilha, bidi, tabaco para narguilé, rapé, fumo-de-rolo, dispositivos eletrônicos para fumar e outros”.

Nicotina: "A molécula de Nicotina, considerada uma droga psicoativa, ela imita o papel de um neurotransmissor chamado acetilcolina, que está relacionado com o movimento muscular, respiração, frequência cardíaca, apetite, humor, no aprendizado e na memória. Inclusive tem relação com o tratamento da doença de Alzheimer no retardamento da degeneração do sistema nervoso central. Pessoas com a Doença de Alzheimer têm níveis baixos de acetilcolina no cérebro”.

Além disso, quando a nicotina chega no cérebro, “ela se junta aos recetores de acetilcolina imitando suas ações assim como ativa áreas do cérebro envolvidas com o prazer e gratificação aumentando os níveis de dopamina, outro neurotransmissor, relacionado ao vício”. A título de curiosidade, isso explica de forma científica como o jogo também vicia, devido a ativação constante deste neurotransmissor da recompensa.

 Fabiano revela que a nicotina também induz a liberação de mais um neurotransmissor, "o glutamato, que é excitatório e está envolvido com a plasticidade sináptica. Por isso a nicotina pode melhorar na memória, mas não pela forma de tabaco, já que é um redutor da oxigenação cerebral”.

Vale lembrar que pequenas doses de nicotina "pura" agem como estímulo e subsequentemente como depressor. “Já as altas doses têm efeito rápido de estímulo, mas também tem um efeito depressor duradouro e tóxico”, e isso pode ser percebido por qualquer pessoa que tenha contato com fumantes, observa Fabiano. “Sabe quando as pessoas ficam nervosas quando param de fumar? Isso acontece porque o cérebro recebe menos dopamina. Por não absorver nicotina, outro neurotransmissor é produzido, na exigência de resposta para a liberação de dopamina, a noradrenalina”.

Além da nicotina, Fabiano lembra que há outras substâncias químicas que são prejudiciais para o cérebro e o organismo em geral. Para quem não sabe, “o tabagismo pode levar ao aumento da ansiedade, depressão e esquizofrenia. Assim como aumentam os riscos para a pessoa desenvolver a doença de Alzheimer”, completa.

Plataforma para profissionais
O Neurodiem pretende apoiar a prática clínica de profissionais de saúde na área da Neurologia através da disponibilização de...

Graças a esta nova plataforma digital, cada profissional de saúde poderá a partir de amanhã, dia 1 de junho, e num só espaço, aceder a notícias sobre Neurologia – nomeadamente resumos diários das principais publicações em Neurociências, artigos exclusivos desenvolvidos por peritos internacionais, e manuscritos publicados em mais de 25 revistas científicas especializadas – assim como à cobertura online e destaques dos congressos mais relevantes em Neurologia, e a palestras ministradas por médicos e cientistas reconhecidos internacionalmente.

Os utilizadores têm ainda a possibilidade de personalizar o portal consoante os temas que mais lhes interessam, podendo selecionar entre 18 tópicos das Neurociências, desde Esclerose Múltipla, Doenças Neuromusculares, passando pela Imagiologia, Cognição, Genética, Demências, entre outros.

Além destes recursos, os subscritores poderão usufruir de uma cobertura especial da Covid-19, que inclui resumos de literatura acerca de manifestações neurológicas desta doença, comentários e recomendações relativos à Covid-19 e à gestão dos doentes com patologias neurológicas, e destaques de sessões em congressos dedicadas a este tema.

“Como parte do seu compromisso para com as Neurociências, a Biogen pretende agora reforçar a sua parceria com os profissionais de saúde através do lançamento do Neurodiem, proporcionando recursos científicos que facilitem a atualização contínua sobre os avanços científicos em Neurologia a nível internacional”, refere Rita Lau Gomes, Head of Medical Western, Central and Eastern Europe da Biogen. Ainda sobre este portal, a responsável médica nacional destaca a objetividade da informação disponibilizada: “O ponto forte desta plataforma está na informação, que para além de ser fundamental para a prática clínica, vence pela sua isenção, uma vez que todos os conteúdos são desenvolvidos por autores independentes e colaboradores editoriais com comissões científicas próprias, existindo sempre uma revisão científica prévia.”

O Neurodiem poderá ser acedido através do website www.neurodiem.pt, mediante um registo gratuito prévio.

 

Doença afeta mais de um milhão de portugueses
A alimentação é uma das formas mais comuns e mais simples de gerir alguns dos sintomas da Síndrome d

“O farmacêutico tem um papel muito importante no acompanhamento destes doentes, muitas vezes frustrados por tratamentos que não estão a corresponder às suas expectativas”, reforça. 

“A nossa primeira recomendação é que os doentes se informem sobre todas as possibilidades de tratamento com o médico, inclusive sobre como melhorar o seu estilo de vida, e que se aconselhem também com um nutricionista, de preferência com experiência no tratamento e acompanhamento da SII”, explica.  

Carolina Ferreira salienta que a Síndrome do Intestino Irritável é um distúrbio gastrointestinal funcional que afeta 10 a 25% das pessoas em todo o mundo e que, no nosso país, deve atingir mais de um milhão de portugueses. É duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. Os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são a dor, inchaço abdominal, excesso de gases e períodos de prisão de ventre ou diarreia.  

De acordo com a farmacêutica, as causas da Síndrome do Intestino Irritável não estão ainda totalmente clarificadas.  “Alguns estudos demonstram que o risco de desenvolver SII é cinco vezes maior após uma infeção bacteriana. Outros também sugerem uma possível interrupção na comunicação entre o cérebro e o intestino em conjunto com um desequilíbrio da microbiota intestinal”, esclarece. Daí a importância que determinados probióticos específicos podem ter na gestão dos sintomas associados à SII. 

Na sua opinião, “é muito importante intervir na alimentação para identificar e excluir da dieta os alimentos que são mais propensos a desencadear crises” e, por isso, a farmacêutica e uma das impulsionadoras do Movimento Intestino Feliz partilha sete conselhos que podem aumentar a qualidade de vida dos doentes e atenuar os efeitos indesejáveis desta doença. E explica ainda que nem todas as fibras são benéficas para quem sofre de SII. 

Conselhos gerais para pacientes com SII: 

  1. Faça refeições regulares e coma devagar. Evite saltar refeições ou ficar períodos longos sem comer. 
  2. Beba pelo menos 8 copos de água (ou outro líquido, sem cafeína ou álcool) por dia. 
  3. Restrinja o consumo de chá e café a três por dia. Não convém tomar 3 cafés e 3 chávenas de chá num só dia, embora o consumo ideal de café e chá possa variar de pessoa para pessoa. 
  4. Reduza o consumo de álcool e bebidas gaseificadas. 
  5. Ajuste o seu consumo de fibras – fale com o seu nutricionista para saber qual a quantidade e que tipo de fibras é o mais adequado. 
  6. Limite o consumo de fruta a três porções por dia. 
  7. Tente evitar os açúcares e adoçantes, de forma geral. 

Nem todo os tipos de fibra são benéficos para pessoas com SII

A fibra da fruta, dos vegetais, frutos secos, legumes e grãos integrais são o melhor combustível para a microbiota intestinal, ajudando a proteger a barreira intestinal, a melhorar a função imunitária e a prevenir a inflamação. Mas, para quem tem SII, nem todos os tipos de fibra podem ser benéficos.  

Carolina Ferreira explica que as fibras alimentares podem ser divididas entre solúveis e insolúveis, entre hidratos de carbono de cadeia curta ou de cadeia longa, do tipo fermentável ou não fermentável.  

A fibra insolúvel encontra-se principalmente nas hortaliças e outros hortícolas e nos cereais inteiros e seus derivados integrais. “Estas fibras ajudam a dar volume às fezes e a que estas retenham água suficiente para serem suaves e fáceis de passar, estimulando ainda a motilidade intestinal. Esta estimulação faz com que o tempo de exposição da parede do cólon a agentes potencialmente nocivos seja menor”, frisa. 

A fibra solúvel encontra-se sobretudo nos frutos, hortícolas, leguminosas e alimentos contendo aveia, cevada ou centeio. Aumenta o tempo de absorção dos nutrientes no intestino delgado e a saciedade, e contribui para a redução do total de glicose e de colesterol absorvidos pelo intestino. 

“Não comer fibra suficiente, ou comer em demasia pode piorar os sintomas da SII. O nutricionista pode recomendar o aumento da ingestão de fibra de forma a regular as fezes, reduzir dor abdominal e a presença exacerbada de gases no intestino. O aumento gradual da ingestão de fibra pode modificar, melhorar e, em algumas pessoas, eliminar os hábitos intestinais anormais e sintomas dolorosos associados à SII”, remata. 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
No âmbito do Dia Mundial da Criança
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), em parceria com a Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)...

No dia 1 de junho, pelas 15 horas, terá lugar o lançamento do vídeo da campanha, em direto no Facebook da APLO, que contará com a presença de Raúl de Sousa, Presidente da APLO, e com dois elementos da ESCS que integraram a equipa que desenvolveu a campanha. O vídeo conta com a participação da Foca Bia, a mascote que dá cara à campanha.

A campanha foi desenvolvida por cinco alunas do 3.º ano do curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial da ESCS: Inês Matias, Liliana Santos, Margarida Tordo, Mariana Aniceto e Mariana Marreiros.

A miopia carateriza-se por uma visão desfocada dos objetos situados ao longe e visão mais nítida dos objetos próximos. Este processo ocorre devido ao aumento do globo ocular, em relação à sua normal morfologia, ou ao aumento da curvatura da córnea, o que leva a que as imagens dos objetos situados a mais de cinco metros fiquem desfocadas, uma vez que o foco é feito antes da retina.

O relatório da OMS – Instituto de Visão Brien Holden contabilizou, em 2010, quase dois mil milhões de pessoas que sofriam de miopia (27 por cento da população mundial), sendo que 2,8 por cento sofre de miopia elevada. É projetado, para o ano 2050, um aumento para quase cinco mil milhões de míopes, representando 52 por cento da população mundial, dos quais cerca de mil milhões serão altos míopes, ou seja, 10 por cento da população mundial.

Este vídeo de consciencialização para a saúde da visão será divulgado em estabelecimentos escolares por todo o país e estará disponível no canal de Youtube da APLO: https://youtu.be/3X_zKgT491E

 

Doença mal compreendida
Falar de esquizofrenia ainda assusta.

De acordo com o especialista, “a esquizofrenia, assim chamada desde o início do século XX, nome proposto pelo psiquiatra suíço E. Bleuler, tem sido paradigma da clássica «loucura»”. Para nos levar a perceber o porquê de esta doença mental ser de tão difícil aceitação, o psiquiatra mostra-nos o seguinte cenário: “Um(a) jovem inteligente, promissor nos estudos, que começa a afastar-se dos amigos, a faltar às aulas sem razão, a andar estranho e pouco falador, a meter-se isolado no seu quarto, a falar para as paredes, a ouvir vozes etc. Este jovem em poucos meses tinha-se isolado, deixado a namorada e os estudos, enfim um falhado para a vida, por perda da socialização importante na adolescência e na passagem para a idade adulta… – Eis pois a dificuldade de aceitar esta doença que leva um jovem à deterioração da sua vida e ao afastamento do mundo circundante”.

Segundo António Palha, a perda de juízo crítico, característico da patologia, é o que despoleta o medo nos outros. Entre as principais manifestações clínicas, o especialista em psiquiatria destaca as alucinações e os delírios como a face mais visível da doença. No entanto, salienta que há um conjunto de comportamentos que compõem este quadro clínico, como é o caso da “desorganização de pensamento, o autismo, ambivalência afetiva e o embotamento afetivo”.

“Este conjunto de sintomas significa o progressivo fechamento do individuo e um afastamento do mundo exterior (autismo) – família, escola, amigos; uma perda da sua capacidade de expressar, transmitir e sentir emoções positivas para com os outros (embotamento afetivo), com comportamentos de gostar/não gostar, comunicar/ não comunicar, (ambivalência afetiva) e, no todo da vida mental, existir uma desorganização do pensamento, com o aparecimento de conteúdos delirantes e atividade alucinatória”, explica o Professor.

Surgindo, em geral, aos 17/18 anos, a Esquizofrenia parece afetar mais os jovens do sexo masculino, apresentado maior incidência nas zonas urbanas.

“Há vários fatores que podem contribuir para o aparecimento ou desenvolvimento da doença”, esclarece o psiquiatra começando por indicar o fator genético: “havendo maior risco em familiares de esquizofrénicos (nos gémeos, cerca de 50% quando são monovitelinos). São sobretudo genes que regulam o sistema dopaminérgico (dopamina é um neurotransmissor)”.

“São também apontados fatores relativos ao período pré e pós-natal, complicações de gestação da mãe (infeções, hemorragias, diabetes, desnutrição) e do parto (Hipoxia, traumatismos, baixo peso ao nascer)”, acrescenta adiantando que alguns fatores do desenvolvimento infantil, como “atrasos, abusos físicos e sexuais” podem ter alguma relevância neste processo.

“Gostaria de acrescentar que o uso e abuso de “drogas” tóxicas e ilegais, nomeadamente canábis, cocaína e anfetaminas, pode ser um forte ativador de perturbações mentais da área da esquizofrenia”, sublinha.

Perante isto, António Palha reforça a necessidade do diagnóstico o mais precocemente possível. “Perante o aparecimento num jovem dos sintomas estranhos (…) é importante uma consulta de um especialista para a possível deteção de doença psíquica grave. Na presença de uma esquizofrenia se a mesma for convenientemente tratada logo de início, o prognostico é, geralmente, bom”, afiança.

Isto significa que, embora a esquizofrenia seja uma doença grave que interfere com toda a atividade da pessoa, é possível alcançar-se a remissão dos sintomas, levando o doente a adaptar-se novamente à sociedade. “Como é uma doença produzida por alterações do funcionamento cerebral e como há medicamentos que podem reverter esse desequilíbrio biológico, é natural que retomado esse equilíbrio possa haver reversão de sintomas com a ajuda, também, da intervenção psicoterápica e de ocupação (ação multidisciplinar), que pode levar à integração numa vida equilibrada”, salienta o psiquiatra.

No entanto, e uma vez que sucesso do tratamento “depende também de fatores do ambiente, da família, e do trabalho, que podem ter um papel importante no não atingimento da remissão dos sintomas (cura clínica) ou na recaída”, é essencial, em primeiro lugar acreditar no êxito da intervenção e, após o correto diagnóstico, seguir “um programa farmacológico que integra o apoio de enfermeiros, de psicólogos, de ocupadores e, também, do fomento do exercício físico e de reabilitação”.

De acordo com António Palha, “com os novos fármacos antipsicóticos, a remissão dos sintomas permite que mais de metade dos doentes possam ter uma vida normal”.

“Devo salientar, de forma clara, que o tratamento continuado é fundamental (como sucede, em geral, com o tratamento diário por exemplo do doente diabético que ele, ou um seu familiar, não esquecem). No caso da esquizofrenia o doente e, infelizmente por vezes a família, pensa que os medicamentos ao fim de um curto período de tempo não são necessários, e colocam dúvidas quando surgem efeitos colaterais, abandonando o tratamento. Sucede que tem de haver, durante o longo período inicial de um programa terapêutico, um contacto próximo com o médico e equipa terapêutica, para um controlo periódico dos possíveis efeitos colaterais, das dúvidas e das dificuldades”, alerta.

“Felizmente o uso de cada vez mais frequente de modernos antipsicóticos de ação longa (15,30,90 dias), numa única injeção, vem melhorar a adesão ao tratamento. Daí que o apoio de uma equipa multidisciplinar, com ação psicoterapêutica complementar, ação de psicoeducação e de reabilitação social, seja necessária para que esta doença grave seja controlada para sempre”, sublinha mostrando que apesar da sua gravidade, a Esquizofrenia pode, assim que se desconstruam os mitos associados, ser considerada uma doença crónica, passível de estar sob controlo, como qualquer outra.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Situação Epidemiológica
Desde ontem que morreram mais duas pessoas com Covid-19 em Portugal, tendo os óbitos sido registados um na região Norte e outro...

Quanto ao número de infetados, segundo o boletim divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde, foram diagnosticados 435 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 240 novos casos e a região norte 113. Desde ontem foram diagnosticados mais 12 na região Centro, dez no Alentejo e 16 no Algarve. Quanto às regiões autónomas, no arquipélago da Madeira foram identificadas mais 13 infeções e 31 nos Açores.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 283 doentes internados, mais 12 que ontem.  No entanto, as unidades de cuidados intensivos contam com menos dois doentes, estando agora 52 pessoas na UCI.

O boletim desta segunda-feira mostra ainda que, desde ontem, 322 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 809.135 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 22.933 casos, mais 111 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância mais 279 contactos, estando agora 24.126 pessoas em vigilância.

Justiça, paz, igualdade, tolerância e solidariedade
Caminhamos para um Mundo Melhor é o slogan da campanha realizada no âmbito da terceira edição da Caminhada Global, evento...

A AIDGLOBAL ― Ação e Integração para o Desenvolvimento Global reuniu jovens estudantes, professores e professoras do concelho de Vila Franca de Xira tendo em vista a criação de uma campanha de comunicação referente à terceira e última edição da Caminhada Global ―  ação constante do projeto europeu Walk the Global Walk, que procura aumentar o envolvimento dos jovens na reflexão, defesa e promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que representam as prioridades globais para a Agenda 2030, assinada por mais de 190 países, no contexto das Nações Unidas. Neste ano de 2021, a terceira Caminhada Global é dedicada ao 16º ODS: Paz, Justiça e Instituições Eficazes.

Subordinada ao tema “Caminhamos para um Mundo Melhor”, a campanha parte da premissa de que a construção de um mundo mais justo, igualitário e sustentável é indissociável não só de uma Educação para a Cidadania Global, mas também da criação de momentos de partilha e de diálogo em torno de matérias como a justiça, a paz, a igualdade, a tolerância e a solidariedade.

“É crucial envolver a comunidade educativa e os nossos jovens em momentos de reflexão e debate em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sensibilizando-os para o papel que podem assumir na construção de um mundo mais justo, igualitário, solidário e sem quaisquer formas de violência. O caso mais recente de bullying em contexto escolar, em que uma criança é atropelada ao fugir de colegas que a estariam a agredir, é demostrativo de quão premente é destacar este tema em agenda e envolver os jovens em ações que os responsabilizem e os tornem parte integrante da mudança, como é o caso da iniciativa que vai decorrer na tarde do próximo dia 2 de junho: a Caminhada Global”, referiu Susana Damasceno, Fundadora e Presidente da AIDGLOBAL.

Com hora marcada entre as 14h30 e as 17h30, a terceira e última edição da Caminhada Global desenvolve-se em dois momentos: um reúne alunos, professores e restantes caminhantes que a eles se queiram juntar, num encontro virtual dinamizado pelo humorista Pedro Luzindro, e o outro decorre, presencialmente, no Município de Vila Franca de Xira ao som da Banda Sebastião Antunes e Quadrilha. O público é convidado a caminhar com estes jovens, assistindo, em direto, ao evento do próximo dia 2 de junho, a partir das 14h30, através da página do Youtube da AIDGLOBAL.

Ao abrigo deste projeto, já foram desenvolvidas ações como a Formação de Professores, os Cursos Educativos para Alunos, Workshops de Liderança Juvenil e outras atividades de sensibilização entre pares (de jovens para jovens), com o objetivo de promover a liderança juvenil, para que, através da sua formação enquanto líderes, possam inspirar a mudança que o mundo precisa de ver acontecer.

A campanha Caminhamos para um Mundo Melhor procura, por todas as razões, reforçar a importância de nos mobilizarmos ― todas e todos ― para a reflexão crítica em torno dos desafios globais descritos na Agenda 2030 e para a procura ativa de valores e atitudes que nos permitam dar passos rumo a uma vida mais sustentável, equitativa e pacífica para as gerações atuais e vindouras. A resposta educacional que propusemos, ao abrigo do projeto Walk the Global Walk, representa um passo na construção deste caminho.”, concluiu Susana Damasceno.

O Walk the Global Walk é cofinanciado pela Comissão Europeia ― Linha de Educação para o Desenvolvimento ― e pelo Camões ― Instituto da Cooperação e da Língua I.P. Estão envolvidos 12 países: Itália, França, Chipre, Reino Unido (País de Gales e Escócia), Portugal, Grécia, Croácia, Bulgária, Roménia, Bósnia e Herzegovina, Albânia, 11 organizações da sociedade civil e 20 entidades parceiras, incluindo a AIDGLOBAL, em parceria com o Município de Vila Franca de Xira.

A AIDGLOBAL ― Acção e Integração para o Desenvolvimento Global é uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), sem fins lucrativos, que desenvolve e promove projetos no âmbito da Educação para o Desenvolvimento e Cidadania Ativa, em Portugal, incluindo na Região Autónoma da Madeira, onde tem uma Delegação em Porto Santo e, ainda, no âmbito da Literacia, em Moçambique, na Província de Gaza, em colaboração com a equipa da sua Delegação no Chibuto.  A sua Missão visa Agir, Incluir e Desenvolver através da Educação, porque acredita que a Mudança acontece pela Educação.

Novas formas de tabaco são uma preocupação para o Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP)
Entre 85% a 90% dos novos casos de cancro do pulmão são detetados em fumadores e “somente com uma redução dos hábitos tabágicos...

“Com o conhecimento atual inegável sobre os malefícios do tabagismo, surgiram novas alternativas que têm vindo a ganhar popularidade. Existem em várias formas, tamanhos e com múltiplos sabores, e tem sido alegado que são mais seguras e até inócuas”, explica Daniel Coutinho, pneumologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e membro do GECP. “No entanto, estes produtos contêm químicos e toxinas (cancerígenas) com malefícios comprovados para a saúde”, afirma o especialista, lembrando que “a verdadeira dimensão dos seus efeitos só será conhecida daqui a muitos anos, como aconteceu com os cigarros, uma vez que os efeitos se vão acumulando no corpo ao longo dos anos e só mais tarde se traduzem em doenças”, fazendo assim o paralelismo do que aconteceu com o tabaco tradicional.

Por esse motivo, no dia em que se assinala o Dia Mundial Sem Tabaco, o GECP lança o alerta através das suas redes sociais, especialmente dirigido às camadas mais jovens, sob o mote “A única forma segura de fumar... é não fumar”, colocando a tónica na força de vontade e na decisão consciente, longe das ilusões que estes novos produtos procuram criar nos seus consumidores. “Não deixes que as cores e sabores se transformem em tumores” é uma das frases mais marcantes da campanha de sensibilização constituída por cartazes digitais e vídeos curtos, para alertar os jovens para os riscos destes novos produtos.

“As novas formas de tabaco continuam a ser muito prejudiciais e altamente indutores de dependência”, rematou o especialista, acrescentando que “os fumadores devem falar com o seu médico para esclarecer todas as dúvidas e procurar ajuda especializada no processo de cessação tabágica”.

 

 

Para ajudar os casais a explicarem o processo aos filhos
“Como é que se fazem os bebés?” É aquela questão que pode ser desconfortável quando são as crianças a colocá-la, mais ainda...

A APFertilidade escolheu o dia 1 de junho,  Dia Mundial da Criança, para apresentar “Na nossa história há… uma fada!” e “Na nossa história há… uma semente mágica”, através de um live na sua página do Facebook, a partir das 18h00. O evento, uma das iniciativas que decorre no âmbito dos 15 anos da fundação da APFertilidade, vai ser moderado por Íris Bravo, médica ginecologista no Centro de Infertilidade e Procriação Medicamente Assistida do Hospital Garcia de Orta, e conta com a participação de Ana Galhardo, psicóloga clínica, professora auxiliar no Curso de Psicologia do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) e coordenadora da rede de apoio psicológico da associação, e Pedro Xavier, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR).

Ana Galhardo e Pedro Xavier vão falar da doação de gâmetas e de que forma estes livros podem ajudar os casais a simplificar a forma de explicarem o processo aos filhos.

Ana Galhardo explicará como surgiu a ideia de adaptar e criar a versão em português dos livros da autoria da Associação MAIA, congénere francesa da APFertilidade. Através destes livros, “os pais saberão como adaptar a conversa e revelar de forma calma e assertiva os moldes em que decorreu a sua conceção, isto é, o recurso a gâmetas de doador para concretizarem o seu sonho de ser pais”, refere a psicóloga, que esteve envolvida na tradução dos livros. A idade da criança é outro fator importante e determina como deve ser explicado o processo consoante a maturidade.

Pedro Xavier apresentará as situações em que os casais recorrem à doação de gâmetas e de que forma é feita essa doação, esclarecendo onde é que os potenciais candidatos se podem dirigir e quais os critérios obrigatórios para podeem candidatar-se. Outro ponto importante que o presidente da SPMR irá abordar é a falta de dadores no Serviço Nacional de Saúde e quais as possibilidades para aumentar o seu número.

O evento contará ainda com a leitura dos livros por Vera Fernandes e Elsa Teixeira, animadoras da Equipa das Manhãs da Rádio Comercial.

Cláudia Vieira, presidente da APFertilidade, sublinha a importância da iniciativa, a primeira com este objetivo a nível nacional, e considera que é possível alertar para a necessidade de mais pessoas doarem os seus gâmetas, dentro dos critérios obrigatórios, “através da informação e sensibilização da sociedade de que doar neste caso é ajudar a gerar vida, um ato de um imenso altruísmo que permite a uma família terem um filho”.

Para adquirir os livros basta enviar email para [email protected] e efetuar o pagamento por transferência bancária (IBAN PT50 0035 0882 00086578430 49), ou dirigir-se àss instalações da APFertilidade, na Rua de São Bento, 69, em Lisboa. O valor de cada livro é 5 euros, mais custos de envio.

Investigação europeia
Uma equipa internacional e multidisciplinar liderada por investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Glasgow e...

A informação genética do SARS-CoV-2 está codificada numa molécula de ARN em vez de ADN. Este ARN deve ser multiplicado, traduzido e embalado em novas partículas virais para produzir descendência viral. Apesar da complexidade destes processos, a SARS-CoV-2 apenas codifica um punhado de proteínas capazes de se envolver com ARN viral. Para contornar esta limitação, o SARS-CoV-2 sequestra proteínas celulares e reutiliza-as para seu próprio benefício. No entanto, a identidade destas proteínas permaneceu desconhecida até agora.

Investigadores da Universidade de Oxford em colaboração com outros laboratórios do Reino Unido e da Europa desenvolveram uma nova abordagem para descobrir de forma abrangente as proteínas que 'colam' o ARN SARS-CoV-2 a células infetadas. Com este método, os autores descobriram que o ARN SARS-CoV-2 sequestra mais de uma centena de proteínas celulares, que parecem desempenhar papéis críticos no ciclo de vida viral.

Este trabalho, publicado na Molecular Cell, identifica muitos potenciais alvos terapêuticos com centenas de fármacos disponíveis que os visam. Numa experiência de prova de princípio, os autores selecionaram quatro fármacos direcionados para quatro proteínas celulares diferentes. Estas drogas causaram efeitos moderados a fortes na replicação viral.

"Estes resultados emocionantes são apenas o início", disse Alfredo Castello, um dos investigadores que liderou o trabalho. "Com centenas de compostos que visam estas proteínas celulares críticas, será possível identificar novos antivirais. Os nossos esforços, juntamente com os da comunidade científica, devem concentrar-se agora em testar estes fármacos em células infetadas e modelos animais para descobrir quais são os melhores antivirais."

Uma observação inesperada deste estudo é que vírus de diferentes origens, tais como SARS-CoV-2 e Sindbis, sequestram um repertório semelhante de proteínas celulares. Esta descoberta é muito importante, uma vez que as proteínas celulares com papéis importantes e difundidos na infeção do vírus têm potencial como alvo para tratamentos antivirais de largo espectro.

"Nesta fase da pandemia em que as vacinas provaram o seu valor", acrescentou Alfredo Castello, "torna-se fundamental desenvolver uma nova abordagem terapêutica para contrariar variantes emergentes resistentes à vacina ou novos vírus patogénicos com potencial pandemia."

Shabaz Mohammed acrescenta que "estes novos métodos para descobrir os interlocutores do ARN viral baseiam-se em quase 6 anos de esforço entre os laboratórios usando o vírus Sindbis como modelo de descoberta. Este trabalho pré-existente permitiu-nos reagir rapidamente no início da pandemia COVID-19 e estudar as interações entre a SARS-CoV-2 e a célula hospedeira num prazo reduzido. A nossa metodologia estará agora pronta para responder rapidamente aos futuros fios virais."

O artigo "A análise global das interações proteína-ARN em células infetadas SARS-CoV-2 revela os principais reguladores da infeção" é publicado na revista Molecular Cell. O trabalho foi liderado por Wael Kamel e Marko Noerenberg, investigadores de pós-doutoramento em Glasgow e Oxford, e Berati Cerikan, bolseiro de pós-doutoramento na Universidade de Heidelberg.

“Tabagismo e Saúde Mental – Retrato de uma pandemia”
Como forma de assinalar o Dia Mundial sem Tabaco, a 31 de maio, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) divulga os...

Já após o primeiro confinamento, entre maio e julho de 2020, a SPP realizou um primeiro questionário sobre este mesmo tema (e que obteve 1008 respostas) tendo, este ano, entre os meses de abril e maio, lançado um novo inquérito online (que obteve 1232 respostas) com o mesmo intuito de avaliar o impacto da pandemia e do isolamento social no consumo de produtos de tabaco, mas considerando também as consequências deste período na saúde mental.

Os dados obtidos este ano, e a comparação com os do ano anterior, serão apresentados hoje, pelas 21h00, num webinar com o tema “Tabagismo e Saúde Mental – retrato de uma pandemia” e que vai decorrer sob moderação de António Morais, presidente da SPP, e Paula Rosa, coordenadora da Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP, e onde vão participar o pneumologista José Pedro Boléo-Tomé e o psiquiatra Gustavo Jesus.

Paula Rosa destaca, fazendo uma breve antevisão dos resultados, que “apesar da amostra não ser representativa da população, os grupos são homogéneos entre si e, no último inquérito, houve mais fumadores a referir aumento do consumo - provavelmente refletindo o impacto de um confinamento tão prolongado sobre a saúde mental e também a diminuição do número de consultas de apoio ao fumador que se verificou durante este período”.

A sessão decorre hoje, dia 31 de maio, pelas 21h00, e pode ser assistida no Facebook da SPP ou através da plataforma https://pneumologia-elearnings.pt/

 

Mais eficaz que vacina da gripe sazonal
Uma vacina experimental contra a gripe, composta por biliões de pequenos sacos esféricos que transportam proteínas de combate a...

Descrita num estudo publicado a 24 de maio pela Proceedings of the National Academy of Sciences, esta vacina tem o potencial de, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, melhorar a eficácia das vacinas contra a gripe sazonal, que normalmente funcionam 40 a 60% das vezes.

Por outro lado, dizem os investigadores, é possível produzir grandes quantidades desta vacina em tempo recorde uma vez que, ao contrário da maioria das vacinas contra a gripe sazonal, esta não é criada em ovos de galinha embrionados. Além disso, são utilizadas doses mais pequenas aumentando o fornecimento de vacinas, explica,

Segundo Jonatha Lovell, coautor do estudo, estes "resultados são muito encorajadores”.

"Tipicamente, as vacinas contra a gripe contêm micróbios desativados que causam a gripe, ou baseiam-se em formas enfraquecidas da doença. A vacina que estamos a desenvolver é uma vacina de nanopartículas de proteína recombinante que estimula uma forte resposta imunológica", diz Lovell.

A chave para o sucesso da vacina é um lipossoma chamado cobalto-porfirina-fosfolipídeo, ou CoPoP, criado pela equipa de investigadores de Universidade de Bufalo.

Estes pequenos sacos esféricos, que são pequenos o suficiente para serem considerados nanopartículas, formam a espinha dorsal do que é conhecido como uma plataforma farmacêutica, que é qualquer tecnologia subjacente usada para desenvolver múltiplas vacinas.

Sozinhos, estes lipossomas não combatem doenças. Mas possuem um talento especial. Convertem espontaneamente proteínas do vírus que levam as respostas imunes a um formato de nanopartícula mais potente.

"Esta conversão é vantajosa porque as proteínas dissolvidas se ligam à superfície dos lipossomas, onde as proteínas melhoram a resposta do sistema imunitário à doença", diz o autor sénior Matthew Miller, professor associado de bioquímica e ciências biomédicas na Universidade McMaster.

No estudo, os investigadores introduziram um grupo de proteínas conhecidas como hemaglutinina às lipossomas CoPop. Uma hemaglutinina em particular, conhecida como tricotar H3 HA, desencadeou uma forte resposta imunológica em ratos.

"As nanopartículas transportam o tricomérico H3 HA para as células imunitárias do corpo, e provocam essas células imunitárias para responder mais vigorosamente à gripe", diz o autor principal Zachary Sia, um candidato a doutoramento no laboratório de Lovell.

Em experiências que envolvam a estirpe do vírus da gripe H3N2, o soro sanguíneo de ratos vacinados foi injetado em ratos não vacinados. A injeção forneceu proteção contra h3N2. Em experiências com furões envolvendo uma estirpe H3N2 mais moderna, a vacina reduziu a quantidade de vírus no sistema respiratório superior dos animais.

Mesmo com doses tão baixas como 2 nanogramas, a vacina forneceu um nível de proteção semelhante às vacinas com doses tipicamente medidas em microgramas, ou cerca de 1.000 vezes mais.

"O efeito de poupar a dose é importante porque significa que podemos criar muitas mais doses usando menos materiais", diz o coautor sénior Bruce Davidson, professor associado de investigação de anestesiologia na Escola de Medicina e Ciências Biomédicas da UB. "Simplificando, o CoPoP provavelmente fornecerá uma maior proteção imunitária com menos hemaglutinina do que as vacinas atuais."

A plataforma da vacina também é versátil.

Os investigadores conseguiram simultaneamente ligar 10 proteínas recombinantes que representam estirpes distintas do vírus da gripe para gerar uma nanopartícula altamente multivalente. Uma dose de 5 nanogramas em ratos ofereceu proteção contra a estirpe da gripe H5N1, mais conhecida como gripe aviária, um vírus que os epidemiologistas dizem ter o potencial de desencadear uma pandemia.

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