Até 20% da população pode ser afetada por esta doença
No próximo dia 1 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Urticária, uma doença que pode afetar até uma em cada cinco pessoas ao...

De acordo com a médica imunoalergologista Sofia Campina, da SPAIC (Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica), a urticária é uma condição clínica caraterizada pelo “aparecimento de manchas ou pápulas avermelhadas, elevadas em relação à pele normal, que provocam prurido intenso (comichão) e que desaparecem momentaneamente quando pressionadas. As manifestações da urticária podem surgir em todo o corpo ou apenas em alguns locais, tendo cada mancha/pápula, a duração de alguns minutos a várias horas (não mais de 24 horas) e não deixando marcas na pele”.

Relativamente à sua classificação, distingue-se entre urticária aguda ou crónica. A urticária aguda – que se carateriza por ter uma duração máxima de seis semanas – “é a mais frequente, podendo ocorrer em 10 a 20% da população pelo menos uma vez na vida e, na maioria destes casos, pode estar associada a um quadro infecioso”, refere Sofia Campina.

No caso da urticária crónica – com as lesões da pele e o prurido a aparecerem e desaparecerem diariamente por mais de seis semanas seguidas – esta pode ser dividida em dois tipos: indutível e espontânea. A urticária crónica indutível é desencadeada por um estímulo específico (como, por exemplo, o frio, a fricção, o aumento da temperatura, o exercício) e no caso da urticária crónica espontânea as lesões na pele surgem sem um estímulo específico identificado. “Um indivíduo pode ter mais do que uma forma de urticária, ou seja, ter manifestações espontâneas e também manifestações com fatores físicos específicos”, explica a especialista.  

Entre as principais causas do desenvolvimento e agravamento da urticária, Sofia Campina esclarece que “está uma resposta exagerada de algumas células que existem na pele e que libertam, de forma frequente e imprevisível, substâncias que causam comichão (histamina e outras substâncias inflamatórias). Na maioria das vezes, a causa é desconhecida, podendo envolver uma reação do sistema imunitário. Situações de stress, infeções, alguns fármacos (como anti-inflamatórios) e até variações hormonais podem levar a episódios de agravamento da urticária crónica espontânea”.

O diagnóstico da urticária é clínico, baseado na observação das lesões na pele: manchas, pápulas e/ou inchaços e na história de sintomas caraterística, “uma vez que não existem testes específicos para confirmar a doença”, refere a imunoalergologista que acrescenta ainda a importância de, perante a suspeita de urticária crónica espontânea,  “existir o acompanhamento em consulta de Imunoalergologia”.

Quanto ao tratamento, este é feito através de anti-histamínicos: medicamentos que bloqueiam a ação da histamina que é libertada em excesso. No entanto, nos casos mais difíceis de controlar,  “é necessário fazer ajuste de dose de anti-histamínicos e até tratamentos mais específicos que diminuem a atividade exagerada do sistema imunológico, sempre de acordo com o médico especialista”, conclui Sofia Campina.

APIC
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) volta a comemorar o Dia Mundial do Coração, que se assinala...

A caminhada nacional “Rehab for life – Passo a passo por um coração saudável” é uma iniciativa da APIC, que teve início em 2023, e que conta com o apoio do Grupo de Estudo da Reabilitação Cardíaca (GEFERC), da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC). Desta farão parte todos os hospitais públicos que integram a via verde coronária e que têm programas de reabilitação cardíaca ativos, nomeadamente a ULS Trás-os-Montes e Alto Douro (Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro), a ULS de Braga (Hospital de Braga), a ULS de Santo António (Hospital de Santo António), a ULS da Região de Leiria (Hospital de Santo André), a ULS do Alentejo Central (Hospital do Espírito Santo de Évora), a ULS de Coimbra (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra), a ULS de São José (Hospital Santa Marta), e a ULS Almada-Seixal (Hospital Garcia de Orta).

De acordo com Joana Delgado Silva, presidente da APIC, “esta iniciativa é uma oportunidade para reforçarmos junto da população a importância da prevenção das doenças cardiovasculares. As últimas edições foram muito participadas, pelo que nesta terceira edição vamos voltar a reunir doentes, famílias e profissionais de saúde em torno de um objetivo comum: reduzir o impacto das doenças cardiovasculares em Portugal, ao falar da atuação correta da população em caso de sintomas sugestivos de Enfarte Agudo do Miocárdio, bem como da importância da Reabilitação Cardíaca pós-Enfarte Agudo do Miocárdio”.

Os participantes serão sobretudo doentes pós-Enfarte Agudo do Miocárdio, porém, a iniciativa está aberta a todos os doentes cardíacos que integram programas de reabilitação.

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e no mundo. Após um enfarte, o comportamento e os cuidados pós-enfarte são cruciais para a recuperação e prevenção de futuros problemas cardíacos.

 

Estudo do ISPUP revela
O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) coordenou o primeiro estudo em Portugal a analisar a evolução das...

A investigação – “Education, occupation and income inequalities in obesity among Portuguese women and men: Evidence from national health surveys (1998–2019)” – publicada recentemente na revista Social Science & Medicine, revela que a obesidade continua mais concentrada em pessoas com menor escolaridade, rendimentos baixos e qualificações profissionais menos diferenciadas, sendo este padrão mais acentuado nas mulheres.

Mais escolaridade não diminuiu desigualdades

Apesar da democratização do ensino e da obrigatoriedade até ao 12.º ano, a diferença na prevalência de obesidade entre quem não completou qualquer nível de escolaridade e quem concluiu o ensino superior aumentou entre 1998 e 2019: de 18 a 21 pontos percentuais nas mulheres e de 7 a 12 pontos percentuais nos homens. Quem estuda mais tende a ter melhores rendimentos, maior literacia em saúde e hábitos alimentares mais saudáveis — fatores que reduzem o risco de obesidade.

Obesidade é mais comum em profissões menos especializadas

Trabalhadores em profissões menos diferenciadas — como operários não qualificados, operadores de máquinas ou trabalhadores manuais — registam maior prevalência de obesidade do que profissionais em cargos executivos ou de chefia. Entre 1998 e 2021, a diferença variou de 14 a 13 pontos percentuais nas mulheres e aumentou de 9 para 12 pontos percentuais nos homens, sobretudo desde 2014. Condições como stress elevado, pouca autonomia, apoio social reduzido e trabalho físico exigente podem contribuir para estas diferenças.

Rendimento influencia menos a obesidade

A desigualdade na obesidade entre mulheres mais ricas e mais pobres atingiu o pico em 2014 (9 pontos percentuais) durante as medidas de austeridade após a crise económica de 2008 e diminuiu em 2019 (7 pontos percentuais). Nos homens, as diferenças ao longo do tempo foram mínimas. Rendimentos mais elevados facilitam o acesso a alimentos saudáveis, espaços para atividade física e cuidados de saúde, associando-se a menor prevalência de obesidade.

Mulheres continuam a ser as mais afetadas

As desigualdades socioeconómicas da obesidade foram consistentemente mais acentuadas nas mulheres. Em Portugal, à semelhança da Europa, as mulheres apesar de terem níveis de escolaridade superiores aos homens, estão mais presentes em setores laborais menos valorizados, com salários mais baixos e menos oportunidades de progressão.

Investigadores insistem que é preciso agir sobre as desigualdades

Segundo a equipa do ISPUP, a obesidade continua concentrada nos grupos mais pobres, sobretudo mulheres, evidenciando a acumulação de desvantagens sociais, económicas e de saúde. Para além de estratégias individuais, são essenciais estratégias que melhorem as condições de vida da população.

“A redução das desigualdades socioeconómicas na obesidade exige estratégias eficazes de prevenção e gestão, desenvolvidas com a participação ativa da sociedade civil, da comunidade científica e dos decisores políticos. É fundamental colocar a saúde no centro de políticas que vão além da esfera do Ministério da Saúde — como educação, emprego, habitação e proteção social. Esta abordagem integrada e multissetorial pode ser decisiva para promover a saúde da população e travar a perpetuação de desigualdades preveníveis”, afirma Berta Valente, investigadora do ISPUP e primeira autora do estudo.

Opinião
Enquanto psicóloga clínica, reconheço que a promoção de uma vivência sexual saudável, informada e li

1. O que é, afinal, a saúde sexual?

A saúde sexual é definida pela Organização Mundial da Saúde como um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade.

2. Porque é que tantas mulheres têm dificuldade em falar sobre este tema?

Em várias culturas, é possível verificar que a sexualidade feminina foi sempre muito silenciada. A vergonha, os tabus e a ideia de que o prazer da mulher é secundário ainda persistem. Do ponto de vista psicológico, essas inibições podem estar ligadas a padrões inconscientes e à forma como cada uma internalizou a sexualidade na infância e adolescência. Por exemplo, por vezes observo em contexto clínico que ambientes familiares mais conservadores, onde falar sobre sexualidade sempre foi tabu, muitas mulheres acabam por ter muita dificuldade em falar disso com os seus parceiros, e como consequência, a ter problemas a esse nível, como se “fosse incorreto por parte da mulher sequer falar sobre aquil que não gosta, ou que não gosta”, como se não tivesse esse “direito”, e o prazer fosse para ser exclusivamente mais masculino.

3. O desejo sexual é suposto ser algo constante?

Não. O desejo sexual é dinâmico e flutua com as fases da vida, o ciclo menstrual, o estado emocional, a qualidade da relação e até o stress diário. Muitas mulheres sentem culpa ou preocupação com a “falta de desejo”, mas é importante normalizar estas variações e procurar compreender o que o desejo quer comunicar, em vez de forçar respostas rápidas. Para além disso, muitos casais acabam por se esquecer que ao longo dos anos de relação, é importante ir mudando as rotinas, ou melhor dizendo, sair da própria rotina que por vezes se instala, é preciso fazer um plano diferente, dedicar tempo a dois, conversar mais, elogiar mais, e não tomar nada por garantido. Muitas vezes ouço: “Mas ela/ele já sabem que são bonitos e que me sinto apaixonada/o, eu costumo dizer, que o óbvio precisa de ser dito, sim o parceiro já pode saber isso, mas para se manter a “chama” ao longo do tempo, é importante também manter aquilo que ajudou a que ela se acendesse.

4. O que pode causar dor nas relações sexuais?

A dor pode ter causas físicas, ou também psicológicas, como ansiedade, trauma ou falta de desejo. O vaginismo, por exemplo, é uma contração involuntária dos músculos vaginais muitas vezes associada a medo ou experiências negativas. O primeiro passo é procurar um ginecologista e, se necessário, apoio psicológico. Já observei, que em alguns casos, que este se deve a questões emocionais, onde se a pessoa provinha de famílias onde a sexualidade era tabu e onde a mentalidade era mais conservadora.

5. É comum não alcançar o prazer pleno apenas com a relação íntima?

Sim. Muitas mulheres não alcançam o prazer pleno apenas com a relação íntima tradicional. O corpo feminino tem zonas muito sensíveis, que desempenham um papel essencial na vivência do prazer. Por falta de informação, algumas mulheres sentem-se inseguras ou acreditam que algo não está bem consigo, mas é importante saber que cada corpo é diferente e que explorar o que lhe traz bem-estar faz parte de uma sexualidade saudável, e mais importante ainda, é não ter medo nem vergonha disso, e poder falar abertamente com o parceiro, para uma vida sexual mais satisfatória.

6. Como posso melhorar a minha vida sexual?

Comece por si mesma: conheça o seu corpo, explore o que lhe dá prazer, sem pressa. Com o parceiro(a), a comunicação é essencial,  falar sobre o que gosta ou não gosta pode ser libertador. Reduzir o stress, dormir melhor e trabalhar a autoestima também têm impacto direto na libido. Em alguns casos, sessões de terapia podem ajudar a desbloquear medos e inibições.

7. Que papel têm as emoções na sexualidade?

Tem um papel enorme. O prazer não é só físico, depende da capacidade de entrega e conexão. Emoções como medo, culpa ou vergonha podem bloquear o desejo. Trabalhar estas questões em psicoterapia pode permitir uma vivência mais plena da sexualidade e ajudar a resgatar a espontaneidade entre o casal.

8. O que é a “carga mental” e como afeta o desejo feminino?

A carga mental refere-se ao peso das responsabilidades diárias, geralmente acumuladas pelas mulheres como cuidar da casa, dos filhos, da carreira. Este estado constante de alerta e fadiga afeta diretamente o desejo sexual. É fundamental dividir tarefas e criar espaços de autocuidado, para que o corpo e a mente possam entrar em estado de disponibilidade.

9. A pornografia influencia a sexualidade?

A pornografia pode criar expectativas irrealistas sobre o corpo, o desempenho e o próprio prazer. Muitas mulheres sentem-se pressionadas a corresponder a padrões que não têm nada a ver com o desejo autêntico. A chave está em consumir com consciência crítica e não permitir que substitua a exploração real e íntima com o parceiro(a) ou consigo mesma.

10. Quando devo procurar ajuda profissional?

Sempre que sentir sofrimento ou dificuldades persistentes na vida sexual como dor, ausência de desejo, dificuldades de comunicação com o parceiro(a), traumas passados (procurar um psicólogo, sexólogo ou terapeuta sexual).

Muitas vezes a questão não é só nem apenas física, é muitas vezes emocional. Falta de conexão, as discussões diárias e conflitos mal resolvidos que se deixam passar, podem ter realmente uma influência direta no desejo sexual e na vida sexual do casal. Comunicar sem medos, não acumular mágoas de conflitos mal resolvidos, não pensar que “ com o tempo isto resolve-se sozinho”, porque não, efetivamente não resolve, e tende até a piorar ao longo do tempo. Cuidar da sexualidade é cuidar de si como um todo, e também, da saúde mental.

Conclusão

Promover a saúde sexual é promover dignidade, liberdade e bem-estar. Ao longo do ciclo de vida, a sexualidade acompanha-nos como uma dimensão fundamental da experiência humana, influenciando não só a forma como nos relacionamos connosco próprios, mas também com os outros. O Dia da Saúde Sexual relembra-nos que é essencial cultivar espaços seguros para o diálogo aberto, onde se possam abordar dúvidas, medos e expetativas sem julgamento ou preconceito.

Enquanto profissionais de saúde, temos a responsabilidade de ajudar a desconstruir mitos, combater estigmas e oferecer orientação baseada no conhecimento científico e no respeito pela diversidade. A saúde sexual não se limita à prevenção de doenças ou disfunções, envolve também o direito a relações afetivas saudáveis, ao prazer, ao consentimento e à autodeterminação. É um direito humano básico que deve ser garantido a todas as pessoas, independentemente da idade, do género, orientação sexual ou condição de saúde.

Este dia convida-nos, portanto, a refletir e a agir: a reforçar a educação para a sexualidade desde cedo, a facilitar o acesso a cuidados especializados e a empoderar cada indivíduo para viver a sua sexualidade de forma informada, segura e satisfatória. Que possamos, juntos, trabalhar para uma sociedade onde falar de saúde sexual seja natural, inclusivo e transformador, contribuindo para o bem-estar integral de cada pessoa, deixando de ser um tabu e levando tantas pessoas a deixar de comunicar o que realmente sentem.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Regresso às aulas e ao trabalho
O final das férias marca o regresso à escola e ao trabalho, uma fase em que a visão é mais exigente: longas horas de estudo,...
A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para a importância de acautelar os cuidados visuais neste período de transição, reforçando que a prevenção é essencial para proteger a saúde ocular e garantir o sucesso escolar e profissional.
 
“Depois das férias, muitas vezes desvalorizamos sinais de desconforto visual. No entanto, pequenos sintomas podem indicar a necessidade de correção ótica, atualização de graduação ou mesmo a existência doenças oculares que beneficiam de diagnóstico precoce”, salienta Pedro Menéres, médico oftalmologista e presidente da SPO.
 
Durante o verão, os olhos estão sujeitos a fatores como radiação solar intensa, água do mar e piscinas, bem como maior exposição ao ar livre. Já no regresso à rotina, o esforço muda de cenário: ambientes fechados, ar condicionado e utilização intensiva de computadores e tablets podem aumentar a pressão sobre a visão.
 
Recomendações da SPO:
• Realizar avaliações oftalmológicas de rotina, incluindo as crianças e jovens em idade escolar ou esforços prolongados em écrans;
• Fazer pausas regulares durante o uso de computadores e outros dispositivos digitais;
• Garantir iluminação adequada em espaços de estudo e trabalho;
• Manter hábitos saudáveis, como hidratação frequente, dieta equilibrada e uso correto de óculos graduados ou lentes de contacto.
 
A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia reforça a importância de cuidar da visão é investir na qualidade de vida, no bem-estar e no desempenho académico e profissional, lembrando que a prevenção é o caminho mais eficaz para evitar complicações futuras.
Doença de Machado-Joseph
O investigador Jorge Diogo da Silva, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Escola de Medicina da...

As boas-vindas incluem intervenções da presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Madalena Alves, do presidente da Fundação Francisco Pulido Valente (FFPV), Rui Pulido Valente – as entidades promotoras do prémio –, bem como do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, e do presidente da EMUM, Jorge Correia-Pinto, que vai também abordar a evolução da investigação biomédica nesta academia.

De seguida, é a vez de Jorge Diogo da Silva apresentar o seu trabalho distinguido, “Glucocorticoid receptor-dependent therapeutic efficacy of tauroursodeoxycholic acid in preclinical models of spinocerebellar ataxia type 3”. Publicado no “The Journal of Clinical Investigation”, o estudo abre caminho a ensaios clínicos na doença de Machado-Joseph (ou ataxia espinocerebelosa tipo 3), uma doença rara que afeta o equilíbrio e os movimentos, ainda sem tratamento eficaz. A pesquisa demonstrou em ratinhos que o fármaco TUDCA, já existente e seguro, pode proteger células nervosas e atrasar a progressão daquela doença, segundo o autor, que é professor da EMUM e médico interno da ULS de Santo António, no Porto.

A cerimónia prossegue com a evocação de João Monjardino, conduzida por Maria do Carmo Fonseca, vogal do conselho de administração da FFPV, culminando com a entrega do diploma ao investigador premiado. O encerramento fica a cargo de Madalena Alves e de Manuel Sobrinho Simões, do conselho consultivo da FFPV.

O Prémio João Monjardino distingue anualmente, com 10 mil euros, um/a investigador/a até 35 anos a trabalhar em Portugal que assinou o melhor artigo científico do último ano num tema específico das ciências biomédicas e da saúde. Criado em 2010, homenageia o médico e investigador João Monjardino, pioneiro em virologia e oncologia no país, sendo uma das distinções mais prestigiadas para jovens cientistas nacionais.

 

Opinião
O cancro é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em todo o mundo.

Para reduzir a incidência e mortalidade destes tumores, é fundamental a prevenção, por meio da redução dos fatores de risco, e o diagnóstico precoce, alcançado através de programas de rastreio eficazes. O rastreio pode ser organizado e monitorizado, dentro de programas estruturados, ou realizado de forma oportunística durante consultas clínicas.

Em Portugal, existem três programas de rastreio oncológico de base populacional: cancro da mama, cancro do colo do útero e cancro do cólon e reto, que é o cancro digestivo mais frequente. No rastreio do cancro colorretal, são elegíveis todos os adultos assintomáticos entre os 50 e 74 anos. O processo inclui inicialmente a realização de um teste imunoquímico para pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF). Se o resultado for negativo, o teste é repetido passados dois anos. Se o teste for positivo, o utente deve ser rapidamente submetido a uma colonoscopia para detetar e, quando possível, remover lesões precursoras (também designados de pólipos) ou cancro em fase inicial.

Dados de 2022 indicam que o programa de rastreio do cólon e reto está implementado em todas as regiões de saúde, mas a taxa de cobertura populacional foi de apenas 33%, com uma adesão de 41%. Entre os que realizaram o rastreio, 5,9% tiveram PSOF positivo, mas só 35% deste grupo fizeram colonoscopia. Das colonoscopias realizadas, 36% evidenciaram lesões precursoras ou cancro precoce. Embora o programa esteja quase totalmente implementado, a baixa cobertura e adesão limitam a eficácia da deteção precoce, o que resulta na perda de muitas oportunidades de diagnóstico e, por conseguinte, em bastantes mortes que poderiam ser evitadas.

Quando instituído de forma oportunística, é habitual que o exame de rastreio do cancro colorretal escolhido seja a colonoscopia, visto ser o único exame que, para além de diagnóstico é também terapêutico, permitindo a excisão das lesões percursoras num único momento. Pela remoção dos pólipos, a colonoscopia reduz em 76-90% a incidência e em 53-92% a mortalidade por cancro colorretal. Se forem detetados pólipos, o intervalo até à próxima colonoscopia depende do número e tipo histológico dos mesmos. Se não forem detetados pólipos, a colonoscopia só terá que ser repetida no espaço de 10 anos. A colonoscopia é realizada com apoio anestésico e é comparticipada pelos diferentes sistemas de saúde, estando à disposição de todos os portugueses.

O World Cancer Research Fund aponta que 47% dos cancros colorretais podem ser prevenidos pela alteração de fatores de risco, que são: a obesidade, o sedentarismo, o elevado consumo de carne vermelha e/ou processada, a baixa ingestão de frutas e vegetais e os hábitos de consumo de álcool e tabaco.

Para o cancro do estômago, os fatores de risco incluem a infeção por Helicobacter pylori, o álcool, o tabaco, o consumo excessivo de sal e a baixa ingestão de frutas e vegetais. Em Portugal, existe uma prevalência muito elevada da infeção por Helicobacter pylori, estimando-se que entre 60% a 70% dos adultos estejam infetados, o que coloca o país entre os que apresentam maior prevalência na Europa Ocidental. Estudos demonstram que a erradicação do Helicobacter pylori em indivíduos saudáveis reduz a incidência do cancro gástrico. Em Portugal, foi demonstrado que a combinação da endoscopia digestiva alta com a colonoscopia a partir dos 50 anos tem uma relação custo-benefício positiva, razão pela qual todos os gastrenterologistas adicionam a endoscopia digestiva alta à prescrição da primeira colonoscopia de rastreio.

Os cancros do fígado e do pâncreas também apresentam fatores de risco modificáveis. No cancro do fígado, destacam-se a infeção pelos vírus das hepatites B e C e os hábitos alcoólicos. Em ambos os cancros, a obesidade e o tabagismo são fatores importantes.

O cancro digestivo é mais prevalente em adultos com mais de 50 anos, no entanto, a sua incidência em idade inferior a 50 anos tem vindo a aumentar de forma consistente nas últimas décadas a nível mundial. Esta tendência é particularmente evidente no cancro colorretal, mas também se observa no cancro gástrico. Atualmente, cerca de 10% dos novos casos de cancro colorretal ocorrem em indivíduos com menos de 50 anos, sendo que aproximadamente 75% destes diagnósticos surgem entre os 40 e os 49 anos. Este aumento de incidência tem sido atribuído à exposição em idade jovem a fatores de risco relacionados com estilos de vida pouco saudáveis, como padrões alimentares inadequados, excesso de peso e alterações da microbiota intestinal. Face a esta realidade, as recomendações de rastreio do cancro colorretal foram revistas nos Estados Unidos, passando a iniciar-se aos 45 anos. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia defende igualmente esta posição.

No Dia Mundial do Cancro Digestivo, as recomendações fundamentais são:

  • Adotar uma dieta rica em frutas e vegetais e pobre em sal e em carne vermelha e/ou processada
  • Reduzir o consumo de álcool e tabaco
  • Praticar exercício físico regularmente
  • Participar no rastreio, seja pelo programa nacional ou de modo oportunístico pela realização de colonoscopia e endoscopia digestiva alta a partir dos 45 anos.

Estas medidas são essenciais para a prevenção e diagnóstico precoce, contribuindo para a redução do impacto dos cancros digestivos na população portuguesa.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo revela
Entre 2015 e 2021, 13,2% das mortes que ocorreram em Portugal tiveram lugar nos serviços de urgência, revela um estudo liderado...

A equipa de investigação – coordenada por Bárbara Gomes, que analisou dados relativos a locais de morte em 35 países – sublinha que estes dados demonstram que “os serviços de urgência não são apenas locais para tratamento de situações agudas, mas também locais onde pessoas, de todas as idades, passam as suas últimas horas de vida – muitas vezes com necessidades de cuidados paliativos, sejam elas físicas, psicológicas, sociais e/ou espirituais”. 

Por exemplo, em Portugal, entre 2015 e 2021, “15,7% das pessoas com demência faleceram no serviço de urgência, sendo esta percentagem mais elevada que a registada nas pessoas que morreram por cancro”, avança a investigadora coordenadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB). “O contexto de um serviço de urgência é particularmente desafiante para pessoas com demência, especialmente se não devidamente acompanhadas”, acrescenta.

Os dados agora publicados na Annals of Emergency Medicine, uma das revistas científicas com maior impacto a nível mundial na área da emergência médica, sublinham “a relevância dos serviços de urgência enquanto locais onde as pessoas são cuidadas no seu final de vida, que permanece em grande parte invisível no debate sobre as urgências em Portugal e nos estudos desenvolvidos até ao momento”, revela a especialista em cuidados paliativos, detentora da Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da FMUC.

Entre os 35 países analisados, apenas Portugal (com base em dados cedidos pela Direção-Geral da Saúde e recolhidos através do SICO – Sistema de Informação dos Certificados de Óbito) e, em certa medida, os Estados Unidos da América e a África do Sul registam o serviço de urgência como local de falecimento. Nestes últimos países, 6,4% e 1,9% das pessoas morreram no serviço de urgência e ambulatório, respetivamente. Bárbara Gomes acredita que o conhecimento destes dados “coloca Portugal numa posição privilegiada para conhecer a realidade dos serviços de urgência enquanto local de morte e atuar sobre essa realidade, para que os cuidados em fim de vida estejam cada vez mais alinhados com as preferências de doentes e suas famílias.”

“É crítico assegurar que as equipas dos serviços de urgência estão devidamente preparadas para reconhecer pessoas com necessidades paliativas e que as instituições dispõem dos recursos para responder adequadamente às necessidades dos doentes e dos seus familiares neste contexto”, partilha a investigadora. “Por outro lado, importa prevenir, sempre que possível, este recurso a serviços de urgência, com o devido apoio no domicílio”, acrescenta.

A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto de investigação EOLinPLACE  Escolha de onde morremos: uma reforma da classificação para discernir a diversidade nos percursos individuais de fim de vida, liderado por Bárbara Gomes e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação. Este artigo científico, intitulado “Morrer no serviço de urgências não pode ser ignorado” contou com a participação da estudante de doutoramento da FMUC, Beatriz Sanguedo, e da docente da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Sílvia Lopes.

Já em 2024, a mesma equipa de investigação publicou estudos com dados sobre a percentagem de pessoas que prefere morrer em casa e a percentagem que realmente morre no domicílio. Neste novo artigo, as investigadoras sublinham a necessidade de “a nível global, incluir o serviço de urgência como um dos locais de morte registados no certificado de óbito, enquadrado num esforço de harmonização mundial da forma como são registados os locais de morte”. 

Com o projeto e os vários estudos publicados, a equipa de investigação pretende contribuir para melhorar a prestação dos cuidados de saúde em fim de vida, ambicionando transformar a forma como se classificam os locais onde as pessoas são cuidadas no final da sua vida e onde acabam por morrer, criando uma pioneira classificação internacional dos locais de morte, que contemple serviços de urgência, algo que não acontece atualmente na grande maioria dos países. 

O artigo está disponível em https://www.annemergmed.com/article/S0196-0644(25)00303-8/fulltext.

 

 

Em Coimbra
Coimbra recebe este ano a VI Reunião Anual do Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca (NEIC) da Sociedade Portuguesa de...

Para Irene Marques, coordenadora do NEIC, “o principal objetivo desta reunião é mostrar quais as implicações do conhecimento científico para a classificação, abordagem e gestão dos doentes com IC na prática clínica diária. Este ano, terminaremos o encontro com a apresentação de trabalhos de investigação realizados em Serviços de Medicina Interna portugueses, reforçando o carácter nacional da investigação nesta área.”

A edição de 2025 distingue-se das anteriores por ser realizada pela primeira vez em Coimbra e por incluir momentos únicos, como a primeira edição do curso ECO-ACUA (ECOgrafia na Avaliação da Congestão na Insuficiência Cardíaca), que se realiza na véspera do evento. Durante a manhã da reunião, o cardiologista de renome internacional Professor John Cleland, fundador do European Journal of Heart Failure e autor das primeiras guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia sobre IC, partilhará a sua experiência e visão sobre a IC.  À tarde, será apresentada a proposta do NEIC para a certificação de programas estruturados de organização e gestão da IC (PRESTIGE-IC), aberta a todos os Serviços de Medicina Interna portugueses.

Quanto aos temas centrais do evento, Irene Marques destaca que “vamos abordar desde o papel dos biomarcadores no diagnóstico, a epidemiologia da IC em Portugal, a gestão da IC aguda, até à síndrome cardio-reno-metabólica e à miocardiopatia amiloide. Exploraremos também perspetivas inovadoras, como novos alvos terapêuticos, o tratamento baseado em valor e a valorização da qualidade de vida e dos resultados pelos doentes.”

O programa contará com especialistas de diversas áreas, incluindo Medicina Interna, Cardiologia, Nefrologia e Medicina Geral e Familiar. Entre os convidados estão o Prof. Paulo Matafome, investigador e co-coordenador do projeto Horizon Europe PAS GRAS, e o Dr. Filipe Costa Filipe, especialista em Medicina Baseada em Valor.

A coordenadora sublinha a importância da reunião para a disseminação de conhecimento: “Ao longo do encontro iremos divulgar documentos de consenso e recomendações portuguesas elaboradas com a colaboração do NEIC, com o objetivo de melhorar os cuidados aos doentes com IC. Esperamos inspirar os participantes a levar estas ideias para os seus locais de trabalho e a envolverem-se em projetos de investigação.”

Para encorajar a participação, Irene Marques deixa uma mensagem clara: “Esta VI Reunião do NEIC será um momento privilegiado para criar uma rede de contactos entre todos os internistas portugueses interessados em IC. Estamos seguros de que os participantes sairão com novidades, ideias para projetos inovadores e talvez com a motivação e a energia que nos invadem quando sabemos que contribuímos para um mundo melhor.”

 

‘Existem palavras certas?’
No âmbito do Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) relança a...

Esta campanha parte da premissa de que o diagnóstico de cancro do sangue gera, muitas vezes, um bloqueio na comunicação, para apresentar diferentes visões desta realidade e procurar pistas para uma comunicação mais eficaz e empática. 

Com a APCL desde o primeiro momento tem estado a Johnson & Johnson Innovative Medicine. Há dois anos que as duas entidades têm caminhado no sentido de aprofundar a reflexão sobre o impacto da comunicação no decurso de quem vive com doença hemato-oncológica.  

"A resposta que tivemos em 2024 provou que este é um diálogo urgente e necessário," afirma Manuel Abecasis, Presidente da APCL. "Este ano, queremos ir mais longe. Não se trata apenas de encontrar as palavras certas, mas de construir pontes de comunicação que combatam o isolamento. A empatia e a escuta ativa são ferramentas terapêuticas poderosas que toda a comunidade pode oferecer”. 

Esta será ainda uma campanha agregadora, reunindo no mesmo objetivo os diversos parceiros e escutando outros públicos, para além da pessoa com cancros do sangue.  

“Já ouviu falar de Cancros do Sangue?” será esta a questão central da campanha de 2025, permitindo explorar aspetos tão complexos quanto a credibilidade e o alcance da informação sobre saúde; a literacia sobre cancros do sangue; a importância do momento do diagnóstico; as consequências pessoais e sociais de se viver com uma doença hemato-oncológica; entre outros.  

“Os avanços na hematologia têm sido extraordinários, mas a excelência do tratamento não se mede apenas pela inovação terapêutica. A forma como comunicamos o diagnóstico, como explicamos o tratamento e como ouvimos as dúvidas e preocupações do doente é, em si mesma, uma ferramenta terapêutica. A Sociedade Portuguesa de Hematologia apoia esta campanha por ser uma forte aposta na capacitação da sociedade para uma comunicação mais empática e no reforço da rede de suporte do doente, tornando-a uma aliada fundamental no sucesso do tratamento”, reforça Maria Gomes da Silva, Presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH). 

A campanha foi lançada no dia 4 de setembro, Dia Mundial da Leucemia, num evento que decorreu na sede da WPP, em Lisboa, e contou com a mesa-redonda “Literacia em Saúde e Comunicação em Hematologia: O Papel das Campanhas e dos Profissionais de Saúde”, com a participação da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), e Grupo de Estudos de Hematologia da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). Ao longo deste mês dedicado às doenças hemato-oncológicas, a campanha assinalará outras datas-chave como o Dia Mundial do Linfoma (15/09), o Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crónica (22/09) e o Dia Europeu do Mieloma Múltiplo (27/09). A campanha será divulgada no site e redes sociais da APCL (Facebook; Instagram; LinkedIn; YouTube) e seus parceiros. 

Reconhecendo que o percurso de alguém com doença oncológica vai muito além da esfera clínica, a campanha desafia-nos a refletir sobre a rede de apoio que rodeia o doente, começando pela forma como se comunica. O seu propósito é defender uma comunicação mais empática e informada, que complemente o tratamento médico com um suporte emocional robusto, fundamental para enfrentar os desafios da doença. 

A campanha “Existem Palavras Certas? O Sangue que há em mim!”  concretiza-se graças aos seguintes apoios e parceiros: 

 

  1. Apoio: Johnson & Johnson Innovative Medicine / Amgen, AstraZeneca, Novartis, Takeda / Kyowa Kirin, Lilly, Roche, Sebia, Thermo Fisher Scientific / AOP, GSK, Sanofi, Servier. 
  2. Parceiros Científicos: Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH); Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), Grupo de Estudos de Hematologia da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). 
  3. Apoios Institucionais: Câmaras Municipais de Alcobaça, Alijó, Angra do Heroísmo, Barcelos, Batalha, Cascais, Coimbra, Constância, Fafe, Lagoa, Lisboa, Loulé, Marinha Grande, Mértola, Mogadouro, Montemor-o-Velho, Oeiras, Oleiros, Portimão, Porto e Santarém. 
  4. Parceiros de divulgação: Atlas, El Corte Inglés, JCDecaux, MOP, Time Out  

 

Evento integra o calendário comemorativo do bicentenário da instituição
A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) vai organizar a conferência “Global Medical Education at the...

“Com esta conferência queremos reforçar a nossa missão enquanto instituição de referência global, promovendo a inovação científica, a partilha de conhecimento e a cooperação internacional que o ensino médico do século XXI exige. Este será mais um momento simbólico das comemorações do nosso bicentenário, onde vamos continuar a celebrar o papel da investigação no percurso da FMUL”, afirma João Eurico da Fonseca, diretor da FMUL.

Entre os destaques do programa está a conferência principal de Paul Peter Tak (Candel Therapeutics e FMUL), dedicada ao tema “Viral Immunotherapy: A New Therapeutic Strategy to Induce Systemic Anti-Tumor Immunity”.

A conferência contará ainda com intervenções de académicos provenientes de Macau, Brasil, Moçambique, Angola e da Harvard Medical Faculty Physicians, incluindo: Han-Ming Shen (University of Macau), Alberto Shanaider (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Donald Donahue (Harvard Medical Faculty Physicians), Jahit Sacarlal (Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique), Paulo Pego (Universidade de São Paulo), Ema Fernandes (Universidade Agostinho Neto, Angola), bem como Manson Fok e Billy Chan (Macau University of Science and Technology).

Além da sua dimensão científica, o evento será também um espaço de diálogo, partilha de experiências e fortalecimento de redes internacionais de colaboração.

Para mais informações, consulte: https://www.ulisboa.pt/evento/global-medical-education-bicentennial

Veterinário explica sinais, causas e cuidados
O linfoma é uma patologia oncológica do sistema imunitário que pode afetar diferentes órgãos, inclui
Para esclarecer este tema, o médico veterinário António Dias, da Clinicanimal, clínicas veterinárias da Tiendanimal, explica: “O linfoma pode manifestar-se de forma silenciosa nas fases iniciais, mas a deteção precoce é fundamental. Observar mudanças no comportamento, no apetite ou no estado físico do animal pode fazer toda a diferença no diagnóstico e tratamento.”
 
“O linfoma não é contagioso e não surge por culpa do tutor. Trata-se de uma doença complexa do sistema imunitário, que pode afetar cães e gatos de todas as idades, embora certas raças tenham predisposição genética,” acrescenta António Dias.
 
O que é o linfoma
O linfoma é um tumor maligno que se origina nos linfócitos, células fundamentais do sistema imunológico. Nos cães, as formas mais comuns incluem linfoma multicêntrico (afeta gânglios linfáticos), linfoma mediastinal (torácico), linfoma gastrointestinal e linfoma cutâneo. Nos gatos, além destas formas, há também o linfoma associado a vírus, como o FeLV (vírus da leucemia felina).
 
Sinais de alerta
Os sinais de linfoma podem variar conforme o tipo e a localização do tumor, mas existem alguns indícios que os tutores devem observar atentamente. Entre os mais comuns estão o aumento de gânglios linfáticos palpáveis, perda de apetite e emagrecimento progressivo, assim como fadiga, letargia e menor interação com a família. Em casos de linfoma gastrointestinal, podem surgir vómitos ou diarreia, enquanto o linfoma torácico pode causar dificuldades respiratórias. Nos casos de linfoma cutâneo, os animais podem apresentar lesões na pele ou feridas que não cicatrizam. Reconhecer estes sinais atempadamente é fundamental para procurar avaliação veterinária e garantir um diagnóstico precoce, aumentando as hipóteses de sucesso do tratamento.
 
Fique a saber que…
  • O linfoma representa entre 5% a 7% de todas as neoplasias diagnosticadas em cães.
  • Nos gatos, os animais positivos para FeLV ou FIV apresentam uma probabilidade significativamente maior de desenvolver linfoma, especialmente na forma mediastinal.
 
Diagnóstico
O diagnóstico do linfoma exige uma avaliação veterinária cuidada e detalhada. Para tal, recorrem-se a análises sanguíneas, punções ou biópsias de gânglios e órgãos afetados, bem como ecografias e radiografias, que permitem determinar a extensão da doença e avaliar o dos órgãos internos. Estes procedimentos são essenciais para identificar o subtipo de linfoma e o estádio da patologia, informação determinante para definir a estratégia de tratamento mais adequada.
 
Tratamento
O tratamento do linfoma varia consoante o tipo e a gravidade da doença. Pode incluir quimioterapia, cirurgia em casos específicos ou medidas de apoio destinadas a controlar sintomas e a preservar a qualidade de vida do animal. O acompanhamento regular por um médico veterinário permite ajustar a estratégia de tratamento consoante a resposta do animal, garantindo cuidados individualizados e promovendo o bem-estar dos patudos.
 
Cuidados e bem-estar
Além do tratamento indicado pelo veterinário, os tutores podem contribuir para o bem-estar do animal mantendo uma alimentação equilibrada, proporcionando conforto, reduzindo stress e observando de perto qualquer alteração de comportamento ou saúde. O suporte emocional, aliado à monitorização regular, ajuda a garantir qualidade de vida durante todo o processo.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Coimbra
O programa Neurasmus, um mestrado europeu de referência em Neurociência lecionado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da...

Criado em 2010, o Neurasmus tem vindo a evoluir para responder às crescentes exigências do ensino superior em neurociência, oferecendo uma formação interdisciplinar de excelência em várias universidades de topo a nível europeu.

A nova edição do programa destaca-se pela integração de áreas emergentes, como a neurocomputação, a inteligência artificial (IA) e a ética em investigação científica, preparando os estudantes para os desafios complexos da neurociência moderna. Ao promover a ligação entre investigação académica e necessidades sociais, o Neurasmus tem como missão desenvolver profissionais altamente qualificados e conscientes do seu impacto na sociedade.

Este programa resulta da colaboração entre seis universidades com programas de investigação pioneira em neurociências, nomeadamente a Universidade de Bordéus (França), Universidade de Coimbra, Universidade de Galway (Irlanda), Universidade Georg-August de Göttingen (Alemanha), Universidade Humboldt de Berlim (Alemanha) e Universidade Laval (Canadá).

A estrutura interdisciplinar do Neurasmus permite a aquisição de competências em áreas como neurofarmacologia, neurofisiologia e neurociência computacional, complementadas com formação em empreendedorismo, liderança e competências transferíveis. Os estudantes participam em períodos de mobilidade académica entre, pelo menos, duas universidades parceiras, beneficiando ainda de experiência prática em investigação, workshops especializados e graus conjuntos.

O programa destaca-se ainda pela estreita colaboração com líderes da indústria, laboratórios de investigação e instituições académicas de renome, assegurando acesso privilegiado a projetos de ponta e experiências no mundo real. A adoção de princípios de ciência aberta e ética científica reforça o compromisso do Neurasmus com uma formação responsável e globalmente relevante.

A equipa que colaborou na candidatura Neurasmus 4.0 inclui João Peça e Carlos Duarte, professores do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC.

As candidaturas da primeira edição do programa estão abertas até dia 1 de dezembro e podem ser efetuadas aqui.

 

Em Coimbra
No próximo dia 20 de setembro, o Convento São Francisco, em Coimbra, recebe o I Encontro CUIDARaro, uma conferência nacional...

A sessão de abertura contará com a presença da Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, e da Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, sublinhando a relevância do tema na agenda pública nacional.

O programa da conferência inclui a apresentação do estudo “Qualidade de Vida do Cuidador Informal de Pessoa com Doença Rara”, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública, bem como mesas-redondas com testemunhos de cuidadores e debates sobre o futuro das políticas públicas de apoio nesta área. Estão igualmente previstas sessões dedicadas ao bem-estar e ao autocuidado, como a terapia do riso, reforçando a importância de cuidar também de quem cuida.

O CUIDARaro é um projeto pioneiro em Portugal, criado pela RD-Portugal, que tem como missão mitigar a desigualdade e a discriminação sentida pelos cuidadores informais de pessoas com doenças raras. Através de uma plataforma digital, o projeto assegura a substituição do cuidador informal por cuidadores formais, garantindo até 20 horas de descanso por mês durante um período de 12 meses. Esta resposta permite que os cuidadores tenham tempo para si, para a sua saúde física, mental e emocional, ao mesmo tempo que assegura cuidados de qualidade às pessoas com doença rara. Para além deste apoio direto, o CUIDARaro aposta na capacitação de profissionais de saúde e do setor social para melhorar o acompanhamento das famílias e no apoio específico a cuidadores em situação de cuidados paliativos, criando condições para um luto estruturado e para a sua reintegração na vida ativa.

“Os cuidadores informais são pilares invisíveis do sistema de saúde e, no caso das doenças raras, enfrentam uma realidade ainda mais exigente pela complexidade dos cuidados e pela falta de respostas adequadas. O CUIDARaro nasceu para dar descanso e dignidade a estas famílias, oferecendo-lhes apoio e esperança. Com esta conferência queremos dar voz a quem cuida, sensibilizar a sociedade e reforçar a urgência de criar respostas que coloquem os cuidadores no centro das políticas de saúde e sociais”, afirma Paulo Gonçalves, presidente da RD-Portugal.

A conferência CUIDARaro terá início às 14h00 e é de participação gratuita, mediante inscrição no site oficial https://cuidararo.vost.pt.

 

= PROGRAMA =

14h00 – Receção dos Participantes

14h30 – Sessão de Abertura

· Secretária de Estado da Ação Social e Inclusão (a confirmar)

· Ana Povo, Secretária de Estado da Saúde

14h45 – Painel “CUIDARaro, do Sonho à Esperança”

Moderação: Luísa Bernardes, Portugal Inovação Social

· Catarina Costa Duarte, Vice-Presidente da Angel Portugal

· Raquel Marques, Presidente da Sanfilippo Portugal

· Palmira Martins, Assistente Social RD-Portugal e Coordenadora CUIDARaro

15h15 – Apresentação do Estudo da Qualidade de Vida dos Cuidadores Informais de Pessoa com Doença Rara | Avaliação de Impacto Social do CUIDARaro

· Ana Rita Goes, Escola Nacional de Saúde Pública

15h40 – Sessão: “Terapia do Riso: os benefícios de terapias complementares”

· Marta Martins, Enfermeira e líder de yoga do riso

16h00 – Painel “O Desafio de Cuidar de quem Cuida”

Moderação: Paula Guimarães, Embaixadora CUIDARaro

· Herman Medina, Cuidador de substituição CUIDARaro

· Carla Sofia dos Santos, Cuidadora de substituição CUIDARaro

· Maria de Fátima Pereira, Cuidadora Informal – CUIDARaro

· Berta Augusto, Enfermeira ULS Coimbra

16h30 – Apresentação do Plano de Ação para as Doenças Raras, da Estratégia à PESSOA

· Maria do Céu Machado, Coordenadora do Grupo de Trabalho para as Doenças Raras

16h50 – Sessão de Encerramento

· Ana Cortez Vaz, Vereadora da Câmara Municipal de Coimbra

· Paulo Gonçalves, Presidente da RD-Portugal

17h00 – Lanche convívio

 

Voltar a treinar com motivação, mas também com cuidado
Setembro marca o regresso de muitos adultos à prática desportiva regular.

QUANDO O ENTUSIASMO SE TRANSFORMA EM LESÃO

Com menor força, coordenação e resistência muscular, o sistema músculo-esquelético torna-se mais vulnerável. Sem preparação adequada, a retoma pode traduzir-se em:

  • Tendinites (joelho, ombro, Aquiles)
  • Lesões musculares (isquiotibiais, gémeos)
  • Lombalgias agudas por sobrecarga
  • Entorses e instabilidade articular
  • Síndromes de sobrecarga (como fascite plantar)

Estas lesões são frequentes nas primeiras duas a três semanas após a pausa e têm um impacto clínico relevante, sobretudo se forem desvalorizadas no seu início.

 

O PERFIL TÍPICO DO “ATLETA DE FÉRIAS”

A prática clínica confirma-o: adultos aparentemente saudáveis, sem treino de base ou com histórico de lesões mal recuperadas, que retomam atividade física de forma intensa e pouco estruturada. O denominador comum? Falta de reforço técnico, ausência de progressão e desvalorização da fadiga ou da dor.

Mesmo em modalidades como corrida, padel, ginásio ou caminhadas prolongadas, a combinação de motivação elevada e ausência de preparação pode gerar consequências sérias.

 

OS 5 ERROS MAIS COMUNS NA RETOMA

  1. Perda de força e proprioceção
  2. Fadiga precoce e desidratação
  3. Calçado ou pisos inadequados
  4. Treino sem aquecimento ou recuperação
  5. Ausência de avaliação médica

Ignorar estes fatores, potencia lesões e aumenta o risco de evolução para quadros crónicos ou reincidentes.

 

PREVENIR É MAIS FÁCIL DO QUE RECUPERAR

Enquanto especialista em medicina desportiva, reforço um conjunto de princípios simples — mas clinicamente eficazes:

  • Retome de forma progressiva
  • Dê prioridade à técnica e à mobilidade
  • Reforce a musculatura e alongue após o treino
  • Hidrate-se bem e inclua pausas
  • Escute os sinais do corpo

 

CONSULTE ANTES DE REGRESSAR

A consulta de medicina desportiva permite identificar desequilíbrios, avaliar articulações vulneráveis e adaptar a retoma ao seu perfil. Um plano de treino individualizado pode fazer a diferença entre regressar com segurança ou parar por lesão.

Se já há dor, o diagnóstico precoce é essencial para evitar agravamentos.

 

CONCLUSÃO: VOLTAR SIM, MAS COM RESPONSABILIDADE

Voltar a treinar depois das férias é uma excelente decisão. Mas deve ser feita com inteligência clínica, progressividade e respeito pelos sinais do corpo.

 

Voltar ao exercício é positivo. Mas voltar com critério é essencial.

Como costumo dizer: a melhor forma de tratar… continua a ser prevenir.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
Vivemos numa era em que cada detalhe da nossa rotina parece estar sob a lente de uma câmara.

Uma pesquisa recente mostra que a Geração Z está a abraçar um novo estilo de vida: o low-profile. Longe dos holofotes digitais, esta geração prefere resguardar-se, partilhar menos e viver mais. O excesso de exposição deixou de ser sinal de modernidade para se tornar, muitas vezes, um peso — ou até um motivo de vergonha. Para muitos jovens, publicar cada detalhe já é visto como ultrapassado, um hábito do qual procuram afastar-se.

E há uma razão profunda para isso: a saturação. As redes sociais, com a sua constante exigência de presença, criaram uma atmosfera de comparação, ansiedade e pressão para corresponder a padrões irreais. Ao recusar-se a alimentar esse ciclo, quem escolhe o estilo low-profile encontra uma forma de proteção emocional, mas também uma afirmação de liberdade.

No fundo, trata-se de um regresso ao essencial: viver sem a necessidade de provar, mostrar ou justificar cada passo. Ser discreta deixou de ser sinónimo de invisibilidade e passou a ser símbolo de autocontrolo, sofisticação e autenticidade.

Para as mulheres, sobretudo, esta tendência pode ser libertadora. Libertar-se do julgamento externo, do olhar constante dos outros, é um convite para reencontrar a própria voz — e cultivá-la em silêncio, se assim o desejar.

Adotar uma vida low profile não é desaparecer. É escolher com consciência aquilo que realmente merece ser partilhado. E, muitas vezes, a vida ganha mais valor justamente naquilo que se guarda só para si.

Gostaria de deixar um plano prático e inspirador, em forma de “menu do dia”, que pode acompanhar o artigo:

Menu Diário Low​-Profile

Entrada

  • Acorde sem correr para o telemóvel. Respire fundo, alongue-se, sinta o corpo acordar.
  • Um chá ou café quente, saboreado em silêncio, sem pressa nem notificações.

Prato Principal

  • Viva o momento em vez de o publicar. Guarde pelo menos um instante só para si, um passeio, uma refeição, uma conversa.
  • Pratique a arte do “não responder já”. Nem tudo exige urgência. Dê-se o direito de viver no seu ritmo.

Sobremesa

  • Escreva três pequenas gratidões do dia num caderno (em vez de as partilhar online).
  • Permita-se desligar do digital uma hora antes de dormir — escolha um livro, uma música suave ou apenas o silêncio.

Digestivo

Lembre-se: menos exposição não significa menos vida. Significa uma vida mais sua.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Alzheimer Portugal lança a campanha
A Alzheimer Portugal assinala o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer - 21 de setembro- , com o lançamento da campanha ...

Com o objetivo de aumentar a literacia em saúde na área das Demências e de combater o estigma em torno da doença, cada vez mais relevante do ponto de vista social e de saúde pública no nosso país, a associação dirige-se este ano a um público-alvo determinante: as crianças e os jovens.

Tendo em conta o facto de um número cada vez mais significativo de famílias se confrontar com os desafios relacionados com a experiência de viver com Demência, importa também capacitar os adultos, cuidadores informais e profissionais para que saibam explicar aos mais novos o que se está a passar com os seus familiares, de um modo claro, tranquilo e adaptado a cada faixa etária.

“Acreditamos que ao capacitar os adultos para explicarem a Demência às crianças, estamos a construir uma sociedade mais empática e inclusiva” afirma Rosário Zincke dos Reis, Presidente da Direção Nacional da Alzheimer Portugal. E acrescenta: “O objetivo geral desta campanha é contribuir para aumentar a literacia na área das Demências, visando capacitar os adultos para ajudar os mais novos a compreenderem o modo como a doença e as suas manifestações interferem na vida dos seus entes queridos e nas dinâmicas familiares.

Com maior conhecimento seremos mais capazes de empatizar com a perspetiva das Pessoas que vivem com Demência e, consequentemente, estaremos mais perto de uma sociedade que verdadeiramente as integre, respeite e promova os seus direitos.

Para tal, é imprescindível quer a participação ativa da Pessoa com Demência, quer o envolvimento das crianças e dos jovens que são veículos privilegiados para combater o estigma e promover a inclusão”.

Desde 2014 a trabalhar o público mais jovem

Entre as várias iniciativas realizadas pela associação ao longo do tempo, destaca-se o desenvolvimento do projeto chamado “Memo e Kelembra nas Escolas” que consistiu na realização de sessões de dramatização/leitura/apresentação do livro bilingue “O Pequeno Elefante Memo” em escolas do 1º, 2º, 3º ciclos e secundário, com a participação de mais de 20.000 alunos, professores e auxiliares de todo o País, entre 2014 e final de 2020, tendo este projeto sido agraciado com o Prémio Maria José Nogueira Pinto em 2015.

Saiba mais sobre o tema: “A Demência Explicada às Crianças” em:

https://alzheimerportugal.org/categoria/informacao/explicar-demencia-cri...

 

22 de setembro | Dia Mundial da Narcolepsia
O Dia Mundial da Narcolepsia celebra-se a 22 de setembro e tem como principal objetivo aumentar a consciencialização sobre esta...

Apesar de rara, a narcolepsia tem um impacto profundo e debilitante na vida dos doentes. “A narcolepsia é uma doença neurológica crónica que afeta os mecanismos cerebrais de regulação do sono e da vigília. A característica principal é a sonolência excessiva durante o dia, mesmo após um sono noturno aparentemente adequado”, explica a Dr.ª Ana Catarina Brás, membro da Direção da APS e neurologista na ULS de Coimbra.

Entre os sintomas mais comuns encontram-se ataques súbitos e incontroláveis de sono durante atividades quotidianas, perda súbita de força muscular desencadeada por emoções fortes (designada por cataplexia), alucinações ao adormecer ou acordar, e paralisia do sono. Estes episódios podem ocorrer em momentos triviais do dia a dia, aumentando o risco de acidentes como, por exemplo, em piscinas, a atravessar a rua , na condução, na operação de máquinas, entre outras.

O impacto estende-se ao desempenho escolar e profissional, em que a dificuldade em manter a atenção e a vigília pode levar a falsas interpretações da atitude/postura do aluno, ao absentismo, à queda do rendimento e da produtividade, bem como incompreensão por parte de colegas e superiores. Na vida social, o medo de adormecer subitamente ou de sofrer episódios de cataplexia contribui para o isolamento e para um aumento do risco de depressão e ansiedade.

A doença geralmente manifesta-se na adolescência ou no início da vida adulta, mas o diagnóstico, com frequência, ocorre tardiamente. Segundo a Dr.ª Marta Rios, membro da Direção da APS e pediatra na ULS Santo António/Centro Materno-Infantil do Norte, “o atraso no diagnóstico deve-se tanto à falta de conhecimento geral sobre a condição quanto à semelhança dos seus sintomas com os de outras  doenças do sono, neurológicas ou psiquiátricas”.

Embora não tenha cura, os sintomas de narcolepsia podem ser controlados  através da aplicação de estratégias comportamentais, como realização de sestas programadas e higiene do sono rigorosa, e de terapêutica farmacológica que ajuda a reduzir a sonolência diurna e os episódios de cataplexia. “Diagnosticar precocemente é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos doentes e prevenir complicações”, acrescenta a Dr.ª Marta Rios.

Para a APS, esta data representa uma oportunidade para sensibilizar a população sobre a existência da narcolepsia. “Queremos que esta condição deixe de ser invisível. O conhecimento é o primeiro passo para promover a inclusão e garantir apoio efetivo”, sublinha a Dr.ª Ana Catarina Brás.

Para assinalar a data, a APS vai lançar uma campanha nas redes sociais intitulada “Uma palavra sobre narcolepsia”, em que desafia a comunidade a partilhar aquilo que a narcolepsia representa para cada um. A iniciativa pretende criar um espaço de reflexão e de partilha, dando voz tanto a doentes como a familiares, profissionais de saúde e à população em geral. Através desta campanha, a APS espera reunir múltiplas perspetivas sobre o impacto da doença, contribuindo para aumentar a empatia, reduzir o estigma e reforçar a necessidade de inclusão e apoio às pessoas que vivem com narcolepsia.

2 de outubro | Universidade de Lisboa, Cidade Universitária (Auditório TCC)
No próximo dia 2 de outubro, a Universidade de Lisboa recebe o evento internacional “Exploring Biosignals & Human Behavior”...

Numa organização conjunta da Plux, iMotions, Academia Portuguesa de Neuroarquitetura (APN) e do projeto europeu eMOTIONAL Cities, este encontro vai reunir ciência, tecnologia e design com o intuito de demonstrar como os biossinais podem ser aplicados em áreas tão diversas como no neuromarketing, na experiência do utilizador (UX), na arquitetura e no planeamento urbano.

Dirigido a investigadores, arquitetos, designers, profissionais de UX e de marketing, neurocientistas, urbanistas, especialistas em ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) e a todos os interessados na interseção entre comportamento humano, design e tecnologias de biossinais, o evento terá também no seu programa uma componente prática. Este é um aspeto que a organização considera “ser essencial, pois permite levar a experiência além da teoria. Os participantes podem experimentar biossensores, desenhar experiências simples e observar, em tempo real, a recolha de dados. Isto é algo que torna a tecnologia tangível, que desenvolve competências práticas e que reforça como os biossinais podem ser aplicados diretamente nos seus contextos profissionais”.

No que diz respeito às expetativas, a organização pretende que este seja um momento de troca de conhecimentos, que permita não só o contacto direto com as mais recentes tecnologias de biossinais, mas também a construção de uma comunidade colaborativa de investigadores. “No final do dia, esperamos que cada participante leve consigo: uma nova compreensão sobre como os biossinais revelam o comportamento humano, inspiração para aplicar estas ferramentas nas suas áreas profissionais, conhecimento prático no uso de biossensores e uma rede de contactos com especialistas e pares comprometidos com a inovação assente na experiência humana”.

Universidade de Coimbra promove
Na próxima quinta-feira (18), vai ter lugar na Casa das Caldeiras, entre as 18h00 e as 20h00, o evento Ciência à Medida:...

A atividade de comunicação de ciência Ciência à Medida: Diálogos sobre ELA tem o objetivo de juntar crianças, adolescentes, jovens, adultos, cientistas e médicos para falar sobre a ELA, uma doença neurodegenerativa rara, permitindo que públicos diversos coloquem perguntas e aprofundem conhecimentos sobre a doença e os seus impactos. 

Vai contar com a presença da líder do projeto Cross-3DTool-4ALS e investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), Elisabete Ferreiro, da médica especialista em Neurologia e Neurofisiologia, Anabela Matos, e do diretor técnico da APELA – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, Filipe Gonçalves. A sessão vai ser moderada pela coordenadora do Gabinete de Comunicação de Ciência do CNC-UC/CiBB, Sara Amaral.

O evento é de acesso livre, sendo necessária inscrição prévia aqui. Vai ser também transmitido em direto no canal de YouTube do Cross-3DTool-4ALS:  www.youtube.com/@Cross3DTool4ALS

O projeto Cross-3DTool-4ALSliderado pelo CNC-UC, pretende melhorar o conhecimento sobre a ELA, uma doença neurodegenerativa rara que, devido à deterioração dos neurónios motores, responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos, provoca a perda progressiva de controlo muscular. É financiado com mais de 750 mil euros (757 895,46 euros) pela Comissão Europeia – no âmbito do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). 

Atualmente, o conhecimento científico sobre os mecanismos que causam a doença continua limitado e não existem tratamentos eficazes – apenas o fármaco Riluzol está autorizado na Europa, oferecendo um efeito modesto no abrandamento da progressão da doença. Em paralelo são utilizadas terapias não farmacológicas (como reabilitação física e da fala, apoio psicológico, nutricional e respiratório) para atenuar os sintomas e preservar a qualidade de vida das pessoas portadoras da doença.

Mais informações sobre o projeto Cross-3DTool-4ALS estão disponíveis em https://cross3dtool4als.com/

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