Suspenso desde 2012
O programa de troca de seringas, suspenso desde 2012, vai ser retomado em Janeiro, começando pelo distrito de Setúbal, anunciou...

“Começaremos de forma progressiva a partir do início do ano, em Setúbal, depois progressivamente Lisboa, até atingir todo o país”, explicou Paulo Macedo. Também em declarações à Lusa o presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Paulo Duarte, precisou que ainda em Janeiro o programa de troca de seringas será estendido ao distrito de Lisboa. “Acreditamos que em três ou quatro meses poderemos ter todos os distritos envolvidos”, disse o responsável.

A retoma do programa de troca de seringas nas farmácias já tinha sido anunciada mas até agora não fora concretizada. Desde 2012 que estava suspenso, quando cessou o contrato entre a ANF e o Ministério da Saúde.

Desde então a troca de seringas, como lembrou Paulo Macedo, era feita apenas nos centros de saúde e em instituições de solidariedade social, tendo só este ano sido trocadas “mais de um milhão de seringas”, disse.

“Mas sem dúvida que, quer com a malha geográfica que as farmácias cobrem, quer com a colaboração activa das farmácias, podemos fazer melhor do que temos vindo a fazer”, sublinhou o ministro.

Paulo Macedo explicou ainda que o protocolo com a ANF estabelece que se faça uma avaliação ao final de um ano, para aferir custos e ganhos, ganhos que o governante espera “obviamente” ter. Depois dessa avaliação as farmácias deverão ser remuneradas pelo serviço, que no primeiro ano é prestado gratuitamente.

Paulo Macedo desvalorizou o facto de o acordo com a ANF só agora se ter concretizado (depois de várias vezes anunciado), explicando que o Ministério e a ANF estão a debater outros acordos, sobre temas como a adesão terapêutica, a diabetes ou o aumento dos genéricos. “Quisemos dar algum tempo, avançar nos diversos programas em paralelo”, disse.

Paulo Duarte explicou que este tipo de acordos não é simples e que há “questões técnicas e operacionais que demoram mais tempo”. Certo é que a partir de Janeiro farmácias do distrito de Setúbal reiniciam o programa, nos mesmos moldes que existia em 2012.

O programa “Diz não a uma seringa em segunda mão” começou em 1993, tendo como mentora Odette Ferreira, então presidente da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida.

Devendo durar três meses, o sucesso foi tal que só terminou em 2012. Nesse período foram recolhidos 50 milhões de seringas, dos quais 33 milhões nas farmácias.

Destinado a utilizadores de drogas injectáveis, segundo uma avaliação da empresa Exigo Consultores evitou sete infecções de VIH/Sida por cada 10 toxicodependentes.

Nos primeiros oito anos o Estado poupou entre 400 milhões e 2.000 milhões de euros em tratamentos e outros custos com os doentes evitados, segundo o estudo.

Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares
A presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Marta Temido, considerou que o aumento de capital dos...

Marta Temido comentava o despacho assinado pelos Ministérios da Saúde e das Finanças, de aumento de capital dos hospitais públicos “de norte a sul” do país e que envolve mais de 450 milhões de euros (não relacionados com as verbas do Orçamento do Estado). As verbas começam a ser disponibilizadas ainda este ano.

“Esta notícia é muito bem recebida, muito bem acolhida (…). Este reforço vai permitir retirar alguns hospitais da falência técnica e por outro lado vai permitir pagar dívidas em atraso”, disse à Lusa a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Marta Temido lembrou que o reforço vai permitir pagar dívidas vencidas ainda este ano, nomeadamente ao grande credor que é a indústria farmacêutica.

“A verba vai permitir encerrar o exercício económico de uma forma mais limpa. Só à indústria farmacêutica estamos a falar de dívidas de mais mil milhões de euros até Agosto deste ano e prazos de pagamentos que ultrapassam um ano”, adiantou.

Apesar de a notícia ser bem-vinda, a responsável considerou que a grande questão mantém-se: como evitar em 2015 acumulação de nova divida vencida.

“Enquanto presidente da APAH, já comentei esta notícia no ano passado. A questão é como é que para o ano não vamos estar a comentar esta notícia novamente. Que reestruturação, que reorganizações, que eficiências estão a ser trazidas para as estruturas hospitalares de forma a evitar que periodicamente haja necessidade de injectar dinheiros públicos”, disse.

Na opinião de Marta Temido, é necessária “coragem política e envolver todos os agentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para fazer uma reorganização que permita mantê-lo nos seus princípios constitucionais".

“Devemos dotar o SNS de estruturas que permitam responder às necessidades das populações, que se alteraram radicalmente”, concluiu.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse que a verba vai permitir “uma mudança radical na Saúde em termos de equilíbrio dos hospitais e da possibilidade de fazerem novas encomendas, de fazer face à lei dos compromissos e da sua postura perante os fornecedores”.

Paulo Macedo referiu que há hospitais em situações muito difíceis, “designadamente em termos de falência técnica” e que este dinheiro vai permitir a regularização de dívidas, a diminuição do passivo e o equilíbrio da situação financeira.

Estudo
Quase um quinto dos jovens portugueses entre os 10 e os 20 anos magoaram-se a eles próprios, segundo um estudo realizado este...

Para este estudo foram inquiridos mais de 6 mil alunos do 6.º, 8.º e 10.º ano de uma amostra aleatória de escolas de várias regiões de Portugal, com uma média de idades de 14 anos. De acordo com os dados preliminares deste estudo que hoje são apresentados, 20% dos jovens inquiridos referem ter-se magoado a eles próprios pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

A coordenadora do estudo em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, explicou que estes jovens infligem lesões a eles próprios como forma de descompressão, para tentar controlar o stress, para se acalmarem ou mesmo vencerem a monotonia das aulas.

“Mas estes comportamentos auto-lesivos acabam por não ser um alívio. É uma tentativa frustrada de descompressão”, referiu a especialista.

Mais de metade dos jovens indicou que se sentia triste (59%) e farto (52,3%) durante o comportamento auto-lesivo, sendo as raparigas que referem mais frequentemente que já se magoaram de propósito.

Margarida Gaspar de Matos considera que é necessário olhar com atenção para a saúde mental dos jovens e procurar medidas: “o decréscimo global desde 2010 da sua saúde percebida, tanto a nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente”.

Além do aumento da percepção de sintomas físicos e psicológicos no que se refere à saúde destes jovens, cresceram também os comportamentos de ‘bullying’/ provocação que vinham a baixar desde 2006.

Quanto aos sintomas psicológicos, embora a maioria dos adolescentes indique que raramente os sente, há mais de 8% dos inquiridos que dizem sentir-se nervosos quase todos os dias, enquanto 5,9% refere irritação numa base diária e 5,1% admite estar triste ou deprimido.

Como positivo, os resultados do “Health Behaviour in School-aged Children” mostram um decréscimo no uso de álcool, tabaco e outras substâncias ilegais.

“É positivo que estes consumos tenham descido. Mas devemos lembrar-nos que estas substâncias eram associadas a uma descompressão. E temos a saúde mental e física a piorara, tal como a violência interpessoal e a auto-lesão. Temos de encontrara formas de perceber como estes jovens podem descomprimir”, comentou Margarida Gaspar de Matos.

 

Adolescentes portugueses gostam da escola, mas não das aulas nem da comida da cantina

A grande maioria dos adolescentes portugueses gosta da escola, sobretudo dos colegas e dos intervalos, com as aulas e a comida da cantina a serem os pontos apontados como mais negativos. O mesmo estudo indica que 73% dos jovens afirmam gostar da escola, com as raparigas a surgirem como gostando mais do que os rapazes.

Os colegas e os intervalos são apontados como os preferidos dos alunos portugueses neste estudo, seguindo-se as actividades extracurriculares e os professores.

Em último lugar aparece a comida servida nos refeitórios escolares, antecedida das aulas propriamente ditas.

Nos estudos anteriores feitos em vários países para o mesmo projecto da OMS foi identificada uma fragilidade na relação dos adolescentes portugueses com a escola, surgindo como os que têm pior percepção da sua competência escolar, mas mesmo assim sendo os que mais mencionam gostar da escola.

Concretamente em relação às aulas, os alunos portugueses referem, no estudo deste ao, que a sua principal preocupação é o facto de a matéria ser difícil, demasiada e aborrecida.

Embora a maioria continue a planear frequentar o ensino universitário, diminuíram os que o pretendem fazer em relação ao estudo de 2010.

Margarida Gaspar de Matos, considera que esta diminuição está relacionada com a crise económica, frisando que se trata de uma geração com “falta de expectativas”.

A responsável sublinhou ainda à agência Lusa que o estudo revelou também que um quinto dos jovens sentem pressão dos pais para serem bons alunos e que essa pressão não os ajuda a melhorar.

 

Mais de um quarto dos adolescentes dorme menos de oito horas por noite

Mais de um quarto dos jovens portugueses, entre o 6.º e o 10.º ano, dorme menos de oito horas por noite e a maioria refere que sente dificuldade em acordar de manhã, segundo o estudo sobre os comportamentos dos jovens em idade escolar.

Ainda estão em maioria os adolescentes e jovens que dizem dormir oito ou mais horas por noite durante a semana, mas são quase 30% os que referem ter noites de sono com menos de oito horas. À medida que a escolaridade avança as horas de sono diminuem, já que são os jovens mais velhos (do 10.º ano) que mais frequentemente indicam dormir menos de oito horas por noite.

Mais de um terço dos jovens diz que todos os dias sente dificuldades em acordar de manhã, enquanto 14% refere ter sono durante as aulas diariamente.

Sobre outros hábitos ligados à saúde, o estudo mostrou que a maioria dos adolescentes toma o pequeno-almoço todos os dias, mas há 16% que referem que não é habitual tomarem esta primeira refeição, um dado que preocupa a coordenadora desta análise, Margarida Gaspar de Matos.

Quanto ao desporto, metade dos adolescentes indicam que praticam actividade física três ou mais vezes por semana, mas apenas 15% refere fazê-lo todos os dias.

Em relação aos comportamentos sexuais, mais de 87% dos adolescentes inquiridos dizem que ainda não tiveram relações sexuais, sendo os rapazes quem mais frequentemente admite já ter iniciado a vida sexual.

Analisando apenas os jovens do 10.º ano, 22% dizem que já tiveram relações sexuais. Ainda neste universo, 76% indicam que iniciaram a actividade sexual depois dos 14 anos, mas há sete por cento que afirmam ter começado aos 11 anos ou antes.

De acordo com a coordenadora do estudo, o número de adolescentes que já teve relações sexuais dentro das idades consideradas tem vindo a diminuir desde 2006.

Contudo, regista-se este ano uma diminuição do uso do preservativo e um aumento das relações sexuais associadas ao consumo de álcool.

O preço dos preservativos, não terem pensado no assunto ou não trazer um consigo foram os principais motivos apontados pelos que indicaram não recorrer ao preservativo (mais de 21%).

“É preocupantes a associação do não uso ao elevado preço dos preservativos, nomeadamente em tempos de recessão económica”, refere a análise feita pelos autores.

Margarida Gaspar de Matos salientou ainda, em declarações à agência Lusa, que considera também preocupante que nem todos os adolescentes que já tiveram relações sexuais o tenham feito na altura que quiseram e decidiram, o que aconteceu só com 45% dos inquiridos.

“Nesta altura esperaríamos que a quase totalidade nos indicasse que teve relações sexuais pela primeira vez quando queria”, referiu a investigadora, admitindo que alguns jovens se sintam condicionados pelo parceiro.

“Esta situação remete para a necessidade de a educação sexual sair do âmbito da prevenção do risco sexual e passar a abordar a sexualidade em termos de competências pessoais, de relações interpessoais, de equidade de género e de direitos humanos”.

Em Moçambique
O Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra realizou mais uma “missão cirúrgica...

Para a missão, que foi a 14.ª missão anual do Centro de Cirurgia Cardiotorácica de Coimbra (CCC) no Instituto do Coração de Maputo, deslocou-se a Moçambique, durante uma semana, uma “equipa constituída por nove profissionais de saúde”, liderada pelo director daquele centro, Manuel Antunes.

A equipa de especialistas de Coimbra “desenvolveu diversificadas actividades cirúrgicas e prosseguiu a formação do pessoal clínico pertencente” ao instituto moçambicano, “integrando os quadros cirúrgicos locais nos actos operatórios e com eles repartindo experiências e saberes técnico-científicos”, refere uma nota do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

“Neste aspecto, trabalharam, a par com o pessoal da missão, dois cirurgiões, um anestesista e um técnico de perfusão moçambicanos, sempre coadjuvados pelo demais pessoal do Instituto do Coração”, acrescenta o CHUC.

Durante a missão foram realizadas, “em duas salas operatórias, 18 intervenções cirúrgicas em 18 doentes”, tendo sido, “à semelhança das missões anteriores”, a maior parte das cirurgias efectuada em 16 crianças e doentes jovens, “com valvulopatias reumáticas, com maior incidência da válvula mitral, tendo dois dos doentes agora operados sido previamente submetidos a intervenção cirúrgica cardíaca”.

Aquelas intervenções abrangeram “quatro crianças com idades inferiores a três anos, com cardiopatias congénitas”, sublinha o CHUC, referindo ainda que “todos os doentes tiveram pós-operatórios favoráveis, não se tendo registado qualquer caso de mortalidade ou morbilidade significativa”.

Com esta missão, “as equipas do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC já realizaram no Instituto do Coração de Maputo, desde 2001, 287 intervenções cirúrgicas, das quais 264 se fizeram sob circulação extracorpórea, com uma mortalidade operatória inferior a 1%”, conclui a mesma nota, salientando que esta percentagem é “idêntica à registada” no Centro de Coimbra.

O projeto exigiu, “em precedência de vários meses, um planeamento para angariação de material e equipamento necessários às previsíveis intervenções cirúrgicas, em tempo transportado para Maputo por via marítima, estimando-se que o custo global da missão, incluindo equipamento e consumíveis doados, terá sido de cerca de 90 mil euros”.

Colaboraram com o Centro de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC, para esta missão, a TAP Portugal, o grupo Visabeira, várias empresas de tecnologia e o Instituto Camões, entre outras entidades.

Ministro da Saúde diz
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou que o Serviço Nacional de Saúde responderá exemplarmente à falta de médicos, para as...

“Não tenho dúvida nenhuma que, como todo os anos, haverá resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), como tem havido uma resposta exemplar durante estes anos de crise, face ao esforço dos profissionais, que se têm desmultiplicado e, portanto, que darão reposta também”, afirmou Macedo.

O ministro Paulo Macedo fez estas declarações à margem da apresentação do Governo português na contribuição de um laboratório móvel para despistagem do Ébola para a Guiné-Bissau, numa conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, em Lisboa.

Segundo o jornal Diário de Notícias, na sua edição de quinta-feira, pelo menos 12 hospitais não têm médicos suficientes para preencher as escalas de urgência do período do Natal e Ano Novo. Médicos de várias especialidades estariam a ser contactados para o preenchimento de turnos neste período festivo.

De acordo com o jornal, os médicos dos hospitais recusam-se a fazer mais horas extras do que as legalmente permitidas, e as unidades hospitalares admitem que têm de recorrer às empresas, culpando-as por não terem capacidade de recrutamento de pessoal para as escalas, apesar de terem ganhado os concursos previstos.

“O que sabemos, é que, no final de ano, temos sempre, todos os anos, sem excepção [uma maior dificuldade], quer por motivos de férias, quer porque houve um número de horas extraordinárias utilizadas durante o ano que chega ou às vezes ultrapassa as 200 horas, que estão estipuladas”, referiu ainda Paulo Macedo.

Alguns dos hospitais que têm ainda estas escalas por preencher são Caldas da Rainha, Torres Vedras, Barcelos, Ovar, Garcia de Orta, Santa Cruz e Egas Moniz.

Paulo Macedo disse ainda que “anteontem [quarta-feira], foi divulgada a abertura do internato médico para mais de 1.640 médicos” e que serão contratados “mais de 1.700 médicos daqui a 15 dias”.

Em 2013
Um total de 792 crianças, dos mais de 81 mil nascimentos registados em Portugal em 2013, nasceram fora de estabelecimentos de...

De acordo com os Anuários Estatísticos Regionais de 2013, no capítulo relativo aos partos por município de residência da mãe, segundo o local de parto, dos 81.737 nascimentos registados em Portugal 602 ocorreram no domicílio e 190 noutros locais não indicados.

Os dados indicam que foi na região Norte - a segunda do país com mais nascimentos registados (26.339) depois de Lisboa (26.811) - que mais crianças nasceram fora de hospitais e maternidades: 190 ao domicílio e 67 em locais não indicados, cerca de 1% do total de nascimentos.

Em 2013, a região Centro registou 15.535 partos (165 fora de unidades de saúde), o Alentejo 5.240 nascimentos (52 em casa e outros locais) e o Algarve 3.676 (39).

Nos Açores, o número de partos ascendeu aos 2.137 (26 no domicílio e outros locais) e na Madeira 21 crianças nasceram fora de estabelecimentos de saúde, para um total de partos de 1.817.

De acordo com o mesmo documento, Lisboa foi o município onde nasceram mais crianças em 2013 (5.265), seguido de Sintra (3.553) e Vila Nova de Gaia (2.414). Seguem-se, nos concelhos com maior número de nascimentos, Loures (2.069), Cascais (1.969) e Porto (1.829).

No extremo oposto, o município que registou menos nascimentos em 2013 foi o Corvo (Açores) com três, seguido de Lajes das Flores (na ilha das Flores, na mesma região autónoma) com seis nascimentos.

Alcoutim (Faro) e Gavião (Portalegre) seguem-se na lista, com sete e nove nascimentos, respectivamente.

Estudo diz
Para evitar uma gripe há algo muito fácil que pode fazer diariamente: mostrar que gosta de alguém e dar-lhe um abraço, indica...

Um estudo do jornal Psychological Science desenvolvido por um grupo de investigadores da Carnegie Mellon University conta que um abraço ajuda a prevenir o aparecimento de uma gripe.

Uma ligação social pode proteger-nos da ansiedade, do stress e da depressão e segundo o estudo, estes factores influenciam a prevenção de uma gripe, escreve o Notícias ao Minuto.

Os observadores analisaram 400 pessoas e tentaram perceber os níveis de interacção e apoio social. Perguntavam a cada um se tinham sido abraçados naquele dia e se tinham tido algum problema familiar.

De seguida, administram gotas nasais com o vírus da gripe e os voluntários foram colocados num hotel durante uma semana. Os sintomas iam sendo monitorizados.

As pessoas que recebiam mais abraçam e tinham um maior apoio por parte dos familiares tinham menos sintomas. “Há várias evidências que mostram que o toque pode proteger as pessoas de vários sintomas”, revela o professor de psicologia da Carnegie Mellon.

E a dose ideal? “Um por dia é o suficiente”. Para evitar uma gripe há algo muito fácil que pode fazer diariamente – mostrar que gosta de alguém.

Em 2014
O ministro da Saúde estimou que no próximo ano Portugal fique pela primeira vez abaixo dos 20 casos de infecção por tuberculose...

Falando na abertura da sessão de apresentação pública do documento da Direcção-Geral da Saúde, Paulo Macedo apontou os “dados sobre a diminuição de novos casos de Sida”, o que demonstra o “bom comportamento de números de população heterossexual e dos profissionais do sexo”.

O relatório revela que o número de novos casos de VIH e de Sida diminuíram acentuadamente em 2013, assim como o número de mortes associadas à infecção, e que a transmissão através de relações sexuais entre homens foi a única que aumentou.

Mas também os resultados relativos à tuberculose foram motivo de satisfação para o ministro, que sublinhou o facto de Portugal estar agora a pouco mais de 21 casos por 100 mil habitantes, “a caminho da meta dos 20 por 100 mil”.

“O número de casos novos em 2013 baixou 7% quando comparado com 2012 e as nossas expectativas para o ano de 2014 são de que podemos ficar pela primeira vez abaixo dos 20 casos por 100 mil habitantes”, afirmou o ministro.

Paulo Macedo reconheceu contudo haver ainda indicadores que precisam de ser muito melhorados, ao nível de prevalências em muitas áreas, que estão “acima do que é desejável”. “Comparamo-nos internacionalmente, em áreas como a Diabetes, a Sida e as pneumonias, ainda mal com outros países”, sublinhou.

As cidades do Porto e, em particular, de Lisboa foram as que registaram maior incidência de casos de tuberculose e também de novos casos de VIH, o que levou o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde a lançar algumas críticas ao presidente da autarquia, pela sua ausência.

No final da apresentação do relatório, Fernando Leal da Costa considerou que seria importante a presença de “elementos da Câmara Municipal de Lisboa”.

“Compreendemos bem que agora as obrigações do presidente da Câmara serão porventura outras também, e por isso mesmo, se calhar, não pode dar tanta atenção a estes assuntos. Mas considerando as ambições entendíveis do presidente da Câmara de Lisboa, seria bom que ele também aproveitasse estas oportunidades para começar a aprender um pouco mais sobre o país que o rodeia e sobre a sua cidade”, afirmou.

Dados do INE
O município de Coimbra possui 28,7 médicos por mil habitantes, um valor mais de seis vezes superior à média nacional (4,3),...

De acordo com os Anuários Estatísticos Regionais relativos a 2013, o indicador de médicos por mil habitantes - que tem como referência o local de residência daqueles profissionais - apresenta valores superiores à média nacional em municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e capitais de distrito.

Para além de Coimbra, a lista de municípios com mais médicos por mil habitantes inclui o Porto (19,7), Lisboa (16,1), Oeiras (9,1), Faro (9,0) ou Matosinhos (7,9).

No extremo oposto e de acordo com os dados do INE, os municípios de Oleiros (Castelo Branco), Pampilhosa da Serra (Coimbra) e Lajes das Flores (Açores) não possuem qualquer médico residente e 72 dos 308 municípios do país (23,3%) apresentam médias inferiores a um clínico por mil habitantes.

Por regiões NUTS II, Lisboa é a única acima da média nacional, com 5,9 médicos por mil habitantes. Todas as restantes apresentam valores abaixo da média nacional: Norte (4,1), Centro (3,9), Algarve (3,4), Madeira (3,0), Açores (2,6) e Alentejo (2,4) - apesar das capitais de distrito de Évora (7,1) e Beja e Portalegre (ambos com 4,9 médicos por mil habitantes) estarem acima do valor médio nacional.

Já nos enfermeiros por 1.000 habitantes, Coimbra volta a liderar a lista com 25,5 - quatro vezes a média nacional que se situa em 6,3 - seguida do Porto (22,3) e Lisboa (18,9).

Os municípios com enfermeiros superiores em duas vezes a média nacional são maioritariamente capitais de distrito ou das regiões autónomas da Madeira e Açores - Portalegre (16,6), Bragança (15,9), Faro (15,5) ou Funchal (15,0), entre outros - mas a lista inclui ainda Barrancos, com 18,1 enfermeiros por mil habitantes, o quarto valor mais elevado a nível nacional.

Em 2012, ainda de acordo com o INE, realizaram-se em Portugal cerca de 7,8 milhões de atendimentos em serviços de urgência dos hospitais públicos e dos centros de saúde.

A região Norte registou aproximadamente 2,5 milhões atendimentos enquanto as regiões Centro e de Lisboa situaram-se próximo dos 2 milhões de atendimentos em serviços de urgência.

Na Guiné-Bissau
O Governo português anunciou uma contribuição de 550 mil euros para a instalação de um laboratório móvel de despistagem do...

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) irá contribuir com uma ajuda de 550 mil euros, destinada a financiar a instalação e o funcionamento de um laboratório móvel para o diagnóstico de infecções”, disse o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, numa conferência de imprensa no Palácio das Necessidades, em Lisboa, em conjunto com o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

Segundo Machete, esta é uma “acção extraordinária de política externa executada em colaboração com o Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)”.

O ministro Paulo Macedo referiu que o laboratório móvel deverá estar pronto a funcionar "no final de Janeiro". “Estamos nos procedimentos de concursos para a aquisição do laboratório”, referiu Macedo, indicando que o processo será rápido, pois já existe o financiamento.

Para Rui Machete, esta contribuição “tem por objectivo colmatar as dificuldades de diagnóstico da doença na Guiné-Bissau, dotando o país de um laboratório que irá permitir o acesso a informação de carácter epidemiológico, e dessa forma viabilizar uma resposta de grande importância às vertentes de prevenção e de combate a esta ameaça”.

Machete esclareceu que Portugal, através do instituto Camões, e com o apoio do INFARMED e de empresas farmacêuticas, enviou recentemente mais de 20 toneladas de medicamentos para a Guiné-Bissau e que, “de igual forma, o Camões tem mantido uma estreita colaboração com a câmara municipal de Bissau, numa campanha de higienização das ruas da capital guineense”.

“Ao capacitar a Guiné-Bissau com o laboratório móvel, diminui-se a possibilidade de má despistagem de casos, reforça-se os mecanismos de prevenção e controlo necessários para uma resposta coordenada e adequada a eventual actividade viral”, afirmou Paulo Macedo.

O ministro da Saúde agradeceu o apoio do MNE para a instalação do laboratório na Guiné-Bissau e confirmou a posição do Governo português de trabalhar em conjunto com as autoridades internacionais nos esforços de combate à doença. Referiu ainda que esta contribuição soma-se a outros envios de materiais de limpeza, saúde, medicamentos e outros tipos de ajudas já fornecidas para a prevenção do Ébola na Guiné-Bissau.

Sobre os emigrantes portugueses, o ministro Rui Machete disse que “o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem vindo a prestar particular atenção à situação dos portugueses que residem ou trabalham actualmente nos países afectados (pelo Ébola), e são cerca de 100 compatriotas nestas condições, mantendo uma constante actualização da informação sobre a sua situação, através de contactos regulares com os próprios”.

“Ao nível multilateral, Portugal irá também contribuir, até ao final deste ano, com 200 mil euros para os esforços que estão a ser desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate a esta doença”, sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros, referindo que a ajuda vai ao encontro de um pedido das autoridades norte-americanas.

A epidemia de febre hemorrágica Ébola na África Ocidental já fez 6.841 mortos, num total de 18.464 casos identificados nos três países mais afectados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

De 2012 para 2013
O número de novos casos de VIH e de Sida diminuíram acentuadamente em 2013, em relação a 2012, assim como o número de mortes...

Segundo o documento da Direcção-Geral da Saúde, em 2013, por comparação com o ano anterior, verificou-se um “decréscimo acentuado” de 13,7% no número de novos casos de infecção por VIH, de 21,2% no número de novos casos de Sida, e de 8,6% no número de óbitos associados à infecção por VIH.

A transmissão mãe-filho ocorreu apenas em dois dos 197 recém-nascidos de mães infectadas por VIH, acrescenta o relatório.

O meio de transmissão da infecção mais frequente foram as relações sexuais, sendo a transmissão entre homens a única que aumentou, ao passo que a transmissão entre toxicodependentes continua a diminuir.

“A transmissão da infecção através de relações sexuais correspondeu a mais de 90% do total de casos notificados em 2013, sendo a transmissão em Homens que têm Sexo com Homens (HSH) a única que aumentou nos últimos 10 anos”, revela o relatório.

Ao invés, a transmissão em Utilizadores de Drogas Injectáveis (UDI) acentuou a tendência de decréscimo anterior, tendo sido inferior a 7% do total de casos notificados.

Quanto à distribuição geográfica dos novos casos, ocorreram de forma desigual ao longo do país, com a maioria dos casos concentrados na região de Lisboa, mantendo uma tendência já verificada em anos anteriores.

As regiões da Grande Lisboa e da Península de Setúbal concentraram mais de 55% do total de casos notificados e o concelho de Lisboa apresentou uma taxa de incidência de novos casos de infecção por VIH mais de três vezes superior à média nacional (13.6/100.000 habitantes).

“Aliás, é nos grandes centros urbanos que se verificaram as taxas de incidência de novos casos mais elevadas: além de Lisboa, Porto, Loures, Amadora, Setúbal, Sintra, Oeiras, Faro”, sublinha o relatório.

Entre as recomendações preconizadas pela DGS, está o reforço do diagnóstico precoce, designadamente através da sua generalização à população, através dos cuidados de saúde primários.

O Programa Nacional para o VIH/Sida recomenda também que se promovam novas abordagens de prevenção, diagnóstico e tratamento, de forma a dar resposta mais rápida e eficaz à infecção por VIH.

Para fazer face à concentração de casos nos grandes centros urbanos, é recomendada a definição de uma estratégia de actuação que envolva os diferentes parceiros, nomeadamente as estruturas da saúde, autárquicas e da comunidade, dirigida ao controlo da infecção VIH e da tuberculose.

Tuberculose também diminuiu em 2013

A taxa de incidência de tuberculose em Portugal diminuiu 7% em 2013, face ao ano anterior, com as cidades do Porto e de Lisboa a registarem a maior incidência de todo o país, segundo o mesmo relatório. De acordo com o relatório “Portugal – Infecção VIH, SIDA e Tuberculose”, foram notificados no ano passado 2.195 novos casos, o que representa uma taxa de incidência de 21,1/100.000 habitantes.

Cerca de 38% dos doentes com tuberculose tinham ‘co-morbilidades’ reconhecidas como de risco para tuberculose, sendo a mais significativa a infecção por VIH (14,5%).

A proporção de doentes com tuberculose e doença oncológica, com diabetes ou patologia inflamatória articular tem aumentado nos últimos anos.

O documento indica ainda que perto de 30% dos doentes tinha factores de risco sociais, entre os quais o consumo de álcool e o consumo de drogas ilícitas.

Dos 1.114 casos com tuberculose confirmada e tratamento terminado, 931 tiveram sucesso terapêutico, o que representa uma taxa de sucesso de 83,6%.

Em contrapartida, 32 interromperam o tratamento (2,9%) e 113 morreram no decorrer do tratamento para tuberculose (10,1%).

A Direcção-Geral da Saúde recomenda a identificação e correcção das barreiras ao diagnóstico célere da tuberculose e a definição de protocolos com vista ao rastreio e detecção precoce nos grupos de maior risco.

Edição especial da revista Enfermagem e o Cidadão
Outras Cidadanias é o tema de uma edição especial da revista Enfermagem e o Cidadão que hoje é distribuída gratuitamente na...

Publicação periódica da Secção Regional do Centro (SRC) da Ordem dos Enfermeiros (OE), dirigida aos cidadãos, nesta edição revela enfermeiros que em contextos inóspitos levam mais longe a prática da enfermagem, ou a interligam com outras formas de intervir na sociedade, nomeadamente à frente de juntas de freguesia e câmaras municipais.

Com uma tiragem de 5 mil exemplares, é oferecida aos cidadãos nos transportes urbanos de Coimbra, Viseu e Leiria, e pode também ser encontrada na sede da SRC, em instituições e serviços de atendimento ao público dos seis distritos do Centro de Portugal.

O fundador há 35 do Serviço Nacional de Saúde, Dr. António Arnaut, testemunha na rubrica “Como o cidadão vê a Enfermagem” através de um artigo intitulado “Enfermagem e Cidadania”. Nela apresenta uma experiência pessoal para concluir que, embora todos os profissionais de saúde cuidem do doente, “quem cuida presencialmente, quem toca com a mão na mão é o enfermeiro”. O sentido de permanência no cuidar, essa função tão absorvente do enfermeiro, pode, na perspectiva do Dr. António Arnaut, não excluir a cidadania, mas o exercício de um outro cargo, ou de um cargo político permanente.

Armando Mourisco é enfermeiro e preside à Câmara Municipal de Cinfães. Tânia Cameira e Marlene Lopes conciliam o exercício quotidiano da enfermagem com o cuidar dos cidadãos nas presidências das juntas de freguesia de Marmeleiro (Guarda) e Germil (Penalva do Castelo).

Todos eles levaram para as autarquias o saber e a sensibilidade do cuidar na dimensão humana, inerente à enfermagem. As enfermeiras-autarcas Tânia e Marlene tanto ajudam os cidadãos das suas aldeias nos problemas sociais ou de obras públicas, como dão conselhos sobre alimentação, toma dos medicamentos ou vacinação.

A Ana Luísa Campos é enfermeira, mas a sua vida é preenchida com outra paixão, a música. Ao piano, no canto ou no ensino de crianças encontra as “forças necessárias para descansar e recuperar energias” para uma profissão como a Enfermagem, tão absorvente física e psicologicamente.

Com relatos na primeira pessoa, a Márcia Martins revela uma lição de vida no Chade. A Joana Sá desvenda as andanças como enfermeira em contextos de conflito, pelo Paquistão, Congo, Líbia, Líbano, Sudão do Sul e Gaza. O Daniel Martins divulga o dia-a-dia de um enfermeiro numa plataforma petrolífera no Mar de Angola. O Pedro Cabeleira mostra como levou a Enfermagem em viagem pelo planeta, por Coimbra, Porto, Espanha, Itália, Brasil, Congo, Colômbia, Etiópia, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Mauritânia.

A Márcia Martins partilha como um ligeiro toque de mão e um olhar sumido lhe suplicaram: “não desistas de mim”. Cinco meses depois Hafiz, pastor nómada, partia de sorriso rasgado pelo deserto do Sahara. A guerra tirara-lhe toda a família, mas ele ia prosseguir com a sua vida.

A Joana Sá conta que uma mulher do Congo lhe pediu para levar consigo a família, para escapar a um dia em que um grupo armado lhe entrasse em casa para chacinar e violar as filhas.

“A cidadania materializa-se no exercício dos direitos e deveres sociais e políticos de cada um de nós. Há cidadãos que se destacam pela elevação e dignidade que conferem ao mesmo. São esses cidadãos que são o farol da sociedade e o exemplo do verdadeiro exercício da cidadania”, afirma, no editorial, a presidente do Conselho Directivo Regional da SRC.

No entendimento da Enf.ª Isabel Oliveira, “uma profissão existe e concorre para a construção da sociedade e também ela contribui para o efectivo exercício da cidadania. A profissão aprende-se na escola e a cidadania exercita-se na vida”.

A directora de Enfermagem e o Cidadão convida o leitor a mentalmente esquecer a Enfermagem e a focar-se no Cidadão, e assim poder desfrutar dos escritos das Cidadãs Tânia Cameira, Marlene Lopes, Márcia Martins, Joana Sá e Ana Luísa Campos, e dos Cidadãos António Arnaut, Armando Mourisco, Daniel Almeida e Pedro Cabeleira.

Investigação
Uma investigação recente poderá ter descoberto a chave para se viver mais anos e com mais saúde.

Segundo revela o site Europress, citado pelo Notícias ao Minuto, cientistas norte-americanos verificaram que os organismos vivos a quem são administradas doses baixas de ibuprofeno vivem mais tempo. Ou seja, caso se comprove o mesmo efeito em humanos poderemos vir a viver até mais 12 anos. O ibuprofeno é um medicamento de venda livre, que o ajuda a recuperar de dores e inflamações. Pois bem, investigadores norte-americanos acham que se tomarmos regularmente este medicamento poderemos viver mais alguns anos e com mais saúde.

Os testes iniciais foram conduzidos por Michael Polymenis, da Universidade do Texas A&M, que afirma que apesar de serem necessários mais testes a droga provou que ajuda a prolongar a vida de diversos organismos.

Os cientistas descobriram que o ibuprofeno interfere com a capacidade das células de levedura, o primeiro organismo que foi testado, para atrair o triptofano, um aminoácido encontrado em todos os organismos.

Posteriormente, os investigadores fizeram os mesmos testes, mas desta feita com moscas e com minhocas, verificando que não só fazia os sujeitos viverem mais tempo, como também lhes melhorava as condições globais de saúde. Tanto as moscas como as minhocas viveram 15% mais do que o tempo médio de vida estabelecido para estas espécies.

Para já, ainda não tem motivos para ir a correr a farmácia, até porque os cientistas ainda terão de testar os efeitos em seres humanos e porque em doses erradas este medicamento pode ser nocivo para a sua saúde.

Remédio Santo:
Os 18 arguidos do processo "Remédio Santo", acusados de burlar o Serviço Nacional de Saúde em 4 milhões de euros,...

Os arguidos são suspeitos de pertencerem a uma alegada rede criminosa, composta pelos grupos do Norte e do Centro/Sul, a qual terá levado a cabo um suposto esquema de uso fraudulento de receitas, que terá lesado o Serviço Nacional de Saúde (SNS) em cerca de 4 milhões de euros, valor reclamado pelo Estado no pedido de indemnização civil.

Entre os 18 envolvidos estão seis médicos, dois farmacêuticos, sete delegados de informação médica, uma esteticista (ex-delegada de acção médica), um empresário brasileiro e um comerciante de pão.

O médico Luíz Renato Basile, suspeito de prescrever 1,7 milhões de euros em receitas, em apenas dois meses, recebendo em troca um valor correspondente a 17,5% do preço de venda ao público dos medicamentos, é o único arguido em prisão preventiva. Nove outros elementos estão com pulseira electrónica e os restantes encontram-se em liberdade.

Nas alegações finais, o procurador do Ministério Público pediu “penas exemplares” para 15 dos arguidos, na maioria superiores a cinco anos de prisão efectiva, e penas suspensas para os outros três suspeitos, por considerar que a sua colaboração com a suposta rede criminosa foi menos gravosa e directa.

João Paulo Rodrigues disse ter ficado provado, no essencial, a acusação e os crimes de associação criminosa, burla qualificada e falsificação de documento.

Em relação aos 4 milhões de euros reclamados pelo Estado a título indemnizatório, o procurador sublinhou que é necessário fazer o acerto de contas, pois algumas das receitas que constam do processo são verdadeiras e não falsas. Razão pela qual, os montantes dos prejuízos teriam de ser novamente contabilizados e apurados.

Os advogados dos arguidos pediram, por seu lado, penas suspensas por entenderem que não ficou provada a associação criminosa, sustentando que cada um dos elementos agiu por si mesmo, desconhecendo a existência de uma organização.

O julgamento começou em Fevereiro e decorreu no Tribunal de Monsanto, mas a leitura do acórdão, inicialmente prevista para 30 de Outubro, está marcada para as 14:00 na Instância Central Criminal de Lisboa, Juiz 7, no Campus da Justiça.

A alegada fraude, que durava pelo menos desde 2009, passava pela obtenção, com a conivência de médicos, de receitas passadas em nome de utentes do SNS que beneficiavam da prescrição de medicamentos que tinham elevadas comparticipações do Estado (entre os 69 e os 100%).

Com as receitas falsas, os arguidos compravam os medicamentos em diversas farmácias, onde apenas era paga, no ato da compra dos medicamentos, a parte do preço que cabia ao utente. Depois, o SNS pagava à farmácia o valor relativo à comparticipação.

Os medicamentos assim obtidos eram posteriormente revendidos no mercado internacional, designadamente na Alemanha e em Angola, sendo os lucros distribuídos entre os membros da suposta associação criminosa.

Hospital da ilha Terceira
As ordens dos enfermeiros e dos médicos estão a averiguar as queixas feitas no início do ano sobre o funcionamento da unidade...

Os representantes regionais das duas ordens foram convocados para audições na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores, no âmbito de um requerimento do CDS-PP sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.

O representante da Ordem dos Médicos explicou por escrito os motivos que o levaram a não comparecer, hoje, na comissão e o representante da Ordem dos Enfermeiros foi ouvido, em Angra do Heroísmo, mas acrescentou pouco de novo.

Em causa está um abaixo-assinado dos enfermeiros da unidade de cuidados intensivos entregue, em Fevereiro, à administração do hospital, e divulgado pela comunicação social local no início de Outubro, em que é denunciada "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras queixas.

Na comunicação, enviada ao presidente da comissão dois dias antes da audição, o representante da Ordem dos Médicos nos Açores, Jorge Santos, justificou a sua recusa com o facto de o processo estar a ser avaliado pelo conselho disciplinar e pelo colégio da especialidade da secção regional do sul da Ordem dos Médicos, acrescentando que uma delegação da ordem viria à Região em Janeiro.

Por sua vez, o representante regional da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, aceitou ser ouvido pelos deputados, mas sempre que as questões foram específicas sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos respondeu de forma semelhante, alegando que está a decorrer um processo interno no conselho jurisdicional regional da ordem.

Esse processo é feito, segundo Tiago Lopes, com base no relatório do inquérito interno realizado no hospital, a pedido da secretaria regional da Saúde, e com base numa visita que a Ordem dos Enfermeiros realizou à unidade de cuidados intensivos a 14 de Outubro deste ano. O representante da Ordem dos Enfermeiros explicou que não podia revelar detalhes sobre a visita de acompanhamento à unidade de cuidados intensivos por "dever de sigilo".

Tiago Lopes não adiantou uma data para a conclusão do processo realizado pela Ordem dos Enfermeiros, alegando que será necessário ouvir "todas as partes" e que as diligências terão de ser feitas "de forma concertada", porque decorre em simultâneo um processo no Ministério Público.

Na audição, o representante da Ordem dos Enfermeiros disse que solicitou, em Fevereiro e em Abril, uma visita à unidade de saúde, para acompanhar o funcionamento do bloco operatório, e que na primeira vez o pedido foi adiado e na segunda não obteve resposta.

Decorreu também, em Angra do Heroísmo, na Comissão de Assuntos Sociais, a audição prévia da presidente indigitada do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira, Paula Moniz. Esta foi a primeira vez que alguém indicado para uma empresa com mais de 50% de participação do Governo Regional foi ouvido previamente à sua nomeação, no âmbito de uma legislação nova aprovada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Ébola:
O risco de fome nos próximos um a dois anos é uma das consequências do Ébola para as populações dos países mais afectados pela...

“O impacto do Ébola vai muito para além do controlo da epidemia e, evidentemente, vai ter um impacto bastante grande nos próximos 12 a 24 meses na segurança alimentar dessas populações, especialmente daquelas que estão fora dos centros urbanos”, declarou à agência Lusa Carlos Veloso, coordenador regional de emergências para a África Ocidental do Programa Alimentar Mundial (PAM)

O português, de 61 anos, que trabalha para agências da ONU desde 1985 falava um dia depois do alerta feito pelo PAM e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) de que a fome pode ameaçar até Março de 2015 mais de um milhão de pessoas nos três países da África Ocidental mais afectados pelo Ébola: Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa. A epidemia daquela febre hemorrágica já causou mais de 6.900 mortos, essencialmente nos três países referidos.

Carlos Veloso explicou que a estigmatização em relação às pessoas com o vírus e a progressão da doença foram impedindo a livre circulação de pessoas e bens, afectando o comércio e a produção de alimentos.

“Visitei uma ilha na Serra Leoa que não teve nenhum caso de Ébola (…) as pessoas tinham peixe, mas não tinham o resto (…) as autoridades do continente recusavam-se a fazer qualquer intercâmbio com eles. Não tiveram casos de Ébola, mas estavam a entrar num período de insegurança alimentar bastante grande”, disse.

“A longo prazo houve um abrandamento, para não dizer estagnação nalguns casos, da actividade económica. Não se plantou, nalguns sítios a colheita não foi feita”, disse.

Além de prestar assistência imediata “às pessoas em isolamento, às famílias das pessoas internadas”, aos sobreviventes quando regressam a casa, o PAM vai trabalhar em colaboração com a FAO na recuperação da produção de alimentos.

“Dá-se as sementes e os utensílios agrícolas e para as pessoas não comerem as sementes garante-se comida durante o período em que a semente é plantada, germina e cresce até à colheita”, disse sobre um dos programas a aplicar nos países em causa Carlos Veloso, que assinalou que a recuperação da capacidade produtiva demora tempo e precisa de apoio exterior.

O responsável do PAM apontou os casos da República Centro Africana, Sudão do Sul e Somália como outras situações de emergência a nível alimentar em África actualmente. Estas são “crises causadas pelo homem, originadas por conflitos”, existindo outras “mais brandas”, mas também com impacto significativo, motivadas pelas condições climatéricas como são os casos do Níger e do Mali.

“Em todos esses países é praticamente da mão para a boca que nós trabalhamos (…) para a comida chegar à boca no dia 01 de Junho, nós temos de receber o dinheiro no dia 01 de Janeiro, porque senão a comida não chega”, adiantou.

Em relação aos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), a presença do PAM é “muito reduzida, porque não há necessidade, são mais problemas de apoio a longo prazo” e a agência concentra-se “fundamentalmente na educação e na nutrição”, disse Carlos Veloso, evocando programas em Moçambique e “um programa muito pequeno" em São Tomé e Príncipe.

Em Cabo Verde, o PAM teve durante cerca de 30 anos um programa de apoio às escolas que terminou quando o governo assumiu a responsabilidade de o continuar. “É um dos programas que em África é apresentado como um caso de estudo”, referiu.

Relatório da Direcção-Geral da Saúde
Os maus hábitos alimentares são o principal factor de risco responsável pelos anos de vida saudáveis perdidos em Portugal,...

“Os hábitos alimentares inadequados em Portugal foram responsáveis por 11,96% do total de anos de vida prematuramente perdidos, ajustados pela incapacidade, no sexo feminino, e por 15,27% no sexo masculino”, refere o relatório, citando dados compilados no ano passado, mas recolhidos em Portugal em 2010.

No caso das mulheres, logo depois dos maus hábitos alimentares surgem como principais causas para anos de vida saudáveis perdidos a hipertensão, o índice de massa corporal elevado e a inactividade física.

Já nos homens, depois da inadequada alimentação vem o fumo do tabaco, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool.

“Todas as acções de prevenção das principais doenças crónicas devem ter em conta que a alimentação inadequada é a principal responsável pelos anos de vida saudáveis perdidos em Portugal”, refere o relatório “Portugal – Alimentação em Números 2014”.

O documento volta a apontar para uma estimativa de metade da população adulta a sofrer de excesso de peso: cerca de um milhão de adultos são obesos e 3,5 milhões pré-obesos. O relatório aponta ainda para uma melhoria na avaliação ou notificação dos casos de pré-obesidade e obesidade, já que aumentou em 150 mil o número de pessoas registadas como obesas nos cuidados de saúde primários entre 2011 e 2013.

 

65% das crianças com 4 anos comem doces todos os dias

Cerca de 65% das crianças de quatro anos comem bolos e doces pelo menos uma vez por dia e a quase totalidade ingere sal a mais, segundo dados de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

Estes dados, revelados hoje num relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS), reflectem o acompanhamento dos hábitos alimentares de mais de 8 mil crianças de quatro anos, nascidas em todos os hospitais e maternidades públicas do Porto em 2005 e 2006.

“Verifica-se uma ingestão de sódio acima do nível máximo recomendado em praticamente todas as crianças observadas (99%)”, refere o relatório.

Aliás, nos questionários de frequência alimentar sobre as crianças em idade pré-escolar, 73% consome uma a quatro vezes por semana ‘snacks’ salgados (como pizza, hambúrguer, batatas fritas).

Quanto aos doces, 65% das crianças consome-os numa base diária, sendo os doces e pastéis os alimentos que mais contribuem, depois do leite e da carne, para a ingestão de ácidos gordos saturados.

“De referir o contributo dos doces e pastéis, com baixo valor nutricional, mas fornecendo 14,7% da gordura saturada consumida por estas crianças”, refere o documento da DGS.

Também mais de metade das crianças de quatro anos avaliadas consome diariamente refrigerantes e néctares.

Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, considera que estes dados vêm mostrar que “a carga da responsabilidade que foi durante muito tempo atribuída à escola tem de ser retirada”.

“Estes hábitos inadequados começam muito cedo, em idade pré-escolar e no seio da família. É uma situação de preocupação”, referiu.

Aliás, o relatório da DGS avisa que os hábitos alimentares não saudáveis começam praticamente desde o nascimento: “depois de instalados parecem prevalecer e condicionar toda a juventude e idade adulta, o que demonstra a necessidade de intervir cada vez mais cedo junto de grávidas e famílias”.

 

Idosos portugueses estarão em situação alimentar de elevado risco

Os idosos portugueses estarão numa situação alimentar e nutricional de elevado risco, segundo o mesmo relatório que defende a necessidade de uma avaliação nacional do estado nutricional da população mais velha.

O estudo que avaliou o estado nutricional dos idosos que frequentam centros de dia e de convívio no concelho de Paços de Ferreira mostra que mais de 50% apresentavam obesidade e que 31,8% estavam em risco de desnutrição.

“Dados agora apresentados pela primeira vez, embora não ainda de âmbito nacional, parecem indiciar uma situação alimentar e nutricional de elevado risco nas populações mais idosas, o que demonstra a necessidade de monitorizar o seu estado nutricional”, refere o relatório “Portugal – Alimentação Saudável em Números 2014”.

No estudo feito em Paços de Ferreira, 2,1% dos idosos analisados estavam já desnutridos e 15,1% tinham sarcopenia (perda de força e massa muscular).

O relatório da DGS reforça dados já conhecidos que apontam para que metade dos adultos portugueses tenha excesso de peso, com um milhão a ter já obesidade.

Fique a saber
No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com o diagnóstico de cancro.
Mulher sem cabelo devido a quimioterapia

A palavra cancro vem do termo gregos carcinos, utilizado por Hipócrates (460-370 A.C.) e que significa caranguejo. A adopção do termo deve-se ao aspecto que alguns tumores apresentavam semelhante a esse animal. As primeiras evidências de cancro datam de 1600 A.C. descritas pelos egípcios. Desde então, o estudo da oncologia tornou-se uma das áreas de maior interesse na medicina, e cada vez se sabe mais sobre as suas causas, a forma como se desenvolve e cresce, bem como novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro, durante e após o tratamento.

É sabido que um tumor surge a partir de uma só célula com mutações no ADN. Ou seja, em vez de cumprir o ciclo celular normal - amadurecer e morrer e ser substituída por uma nova célula - as células cancerígenas dividem-se de forma descontrolada e amadurecem. O fenómeno pode acontecer em qualquer parte do organismo, incluindo no sangue e nos órgãos de formação do sangue, sendo que neste caso os tumores não são sólidos.

Embora seja um só termo, existem vários tipos de cancro de acordo com a sua localização no corpo, cada um deles com características diferentes. Geralmente recebem o nome em função do tecido ou do órgão em que se originam. Por exemplo, o cancro da mama tem inicio na mama, o linfoma é um cancro que tem início no sistema linfático e a leucemia que tem início nas células brancas do sangue (leucócitos).

Contudo, as células cancerígenas podem "viajar" para outros órgãos, através do sistema linfático ou da corrente sanguínea. Quando o cancro metastiza, o novo tumor tem o mesmo tipo de células anormais do tumor primário. Por exemplo, se o cancro da mama metastizar para os ossos, as células cancerígenas nos ossos serão células de cancro da mama. Neste caso, estamos perante um cancro da mama metastizado, e não um tumor ósseo, devendo ser tratado como cancro da mama.

Tipos de tumor

De uma maneira geral, são considerados dois grandes tipos grandes de tumores: tumores benignos, que geralmente são de tratamento simples, e os tumores malignos, que representam um risco mais grande para a saúde.

No tumor benigno, as células tumorais permanecem na área em que o crescimento anormal foi originado. Os tumores benignos raramente voltam a surgir uma vez que são completamente eliminados. O tratamento habitual consiste em sua extirpação através de cirurgia.

Tumores benignos

  • Raramente põem a vida em risco;
  • Regra geral, podem ser removidos e, muitas vezes, regridem;
  • As células dos tumores benignos não se "espalham", ou seja, não se disseminam para os tecidos em volta ou para outras partes do organismo (metastização à distância).

Os tumores malignos são formados por células cancerígenas que têm a capacidade abandonar o seu local "primário” de crescimento tumoral e disseminar-se aos órgãos circundantes ou a tecidos do organismo. Nesta situação, as células cancerígenas separam-se do tumor original e viajam através do sangue ou dos vasos linfáticos a zonas do organismo distantes da área inicial do tumor. Aí começam a crescer e a substituir o tecido normal formando novos tumores denominados metástases, ou tumores secundários.

Tumores malignos

  • Regra geral são mais graves que os tumores benignos;
  • Podem colocar a vida em risco;
  • Podem, muitas vezes, ser removidos, embora possam voltar a crescer;
  • As células dos tumores malignos podem invadir e danificar os tecidos e órgãos circundantes;
  • Podem, ainda, libertar-se do tumor primitivo e entrar na corrente sanguínea ou no sistema linfático – e dá-se o processo de metastização das células cancerígenas, formando novos tumores noutros órgãos.

Factores de risco

Ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos do cancro, no entanto, sabe-se que existem determinados factores de risco que aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver cancro.

Cada vez mais se associam os estilos de vida como principais causas de cancro. Entre estes factores destacam-se o consumo do tabaco, a exposição a carcinogéneos relacionados com actividades profissionais, a radiação ultravioleta, a radiação ionizada e a dieta ocidental. Ao mesmo tempo, a prática habitual de exercício físico ou a adopção de uma dieta saudável parecem exercer o efeito contrário. Contudo, na maioria dos casos os tumores devem-se a causas muito mais complicadas e heterogéneas.

Existem muitos factores de risco que podem ser evitados, uma vez que com o passar do tempo, vários factores podem agir conjuntamente para fazer com que células normais se tornem cancerígenas. Contudo, o facto de ter um ou mais factores de risco, não quer dizer que venha a ter cancro, pois a maior parte das pessoas que têm factores de risco nunca irá desenvolver cancro.

As investigações desenvolvidas revelam que entre 5 a 10 por cento de todos os cancros se devem a um defeito em diversos genes individuais. Estes cancros são hereditários e ocorrem em membros de uma mesma família. O cancro "familiar" é raro. No entanto, alguns tipos de cancro (por exemplo, o melanoma e o cancro da mama, ovário, próstata, e cólon) ocorrem mais frequentemente em algumas famílias do que no resto da população. Na maioria das vezes, os casos de múltiplos tumores na mesma família, são apenas coincidência. No entanto, actualmente, podem ser investigadas certas alterações genéticas hereditárias, que aumentam a probabilidade de desenvolver cancro, ainda que, herdar uma alteração genética não significa, necessariamente, que vai desenvolver cancro: significa que tem maior probabilidade de desenvolver a doença.

Por outro lado, aproximadamente 20 por cento dos cancros estão associados a infecções crónicas como as causadas pelo vírus da hepatite, da Helicobacter pylori ou do vírus do papiloma humano.

Principais factores de risco

  • Envelhecimento
  • História familiar
  • Tabaco
  • Luz solar
  • Radiação ionizante
  • Determinados químicos e outras substâncias
  • Alguns vírus e bactérias
  • Determinadas hormonas
  • Álcool
  • Dieta pobre, falta de actividade física ou excesso de peso

Detectar o cancro

Um cancro pode ser suspeitado a partir de várias pistas: as queixas que o doente refere, a observação médica, diversos exames médicos (análises, TAC - tomografias axiais computorizadas e muitos outros – a definir consoante a circunstância) ou as achadas numa cirurgia. Geralmente, o tratamento do cancro é mais eficaz quando a doença é detectada precocemente.

A confirmação do diagnóstico de cancro é habitualmente feita através da amostra do tumor (biópsia). A análise dessa amostra permite determinar se a lesão é um cancro ou não. Este estudo dos tecidos (análise histológica) permite classificar e saber, na maioria dos casos, quais são os tecidos e as células das quais provém o tumor e quais são as características das mesmas.

Por vezes é possível diagnosticar ou suspeitar de um cancro através da análise de células colhidas em locais de acesso superficial (citologia exfoliativa de, por exemplo, o colo do útero) ou por punção com aspiração das células (citologia aspirativa) Estes factores são fundamentais para determinar o tratamento mais adequado em cada caso.

Consoante o tipo de tumor existem exames que podem permitir uma detecção precoce de alguns cancros - rastreios. Para alguns tumores justifica-se a realização de exames de rotina a toda a população em risco para a detecção precoce de neoplasia. O tipo de exame varia consoante o tumor que se procura.

Por exemplo, mamografia (radiografia das mamas) para o cancro da mama feminina ou citologia (exame das células) do colo do útero ou, ainda, pesquisa de sangue nas fezes para o cancro do intestino grosso (cólon). Nem todos os tumores justificam exames de rotina para a sua detecção em população sem sintomas ou sinais de suspeição.

De acordo com uma Recomendação do Conselho da União Europeia à Comissão e aos Estados Membros, devem ser feitos os seguintes testes de rastreio:
- Rastreio do cancro do colo do útero: realização do Teste de Papanicolau - a iniciar entre os 20 e os 30 anos;
- Rastreio do cancro da mama: realização de mamografia nas mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 69 anos;
- Rastreio do cancro colorectal: pesquisa de sangue oculto nas fezes em homens e mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos.

Os exames de rastreio são muito usados para despistar o cancro da mama, do colo do útero, do cólon e do recto. Antes de sugerir um exame de rastreio o profissional de saúde considera diversos factores, relacionados com o teste e com o tumor que esse teste pode detectar. É, ainda, dada especial atenção ao risco pessoal para desenvolver certos tipos de tumores. Exemplo de factores a considerar: idade, história clínica, saúde geral, história familiar e estilo de vida.

Mama

A mamografia é a melhor forma para detectar o tumor em estadio inicial. A mamografia é uma imagem da mama, feita com raios-X. É recomendável que as mulheres, a partir dos 40 anos, façam uma mamografia anual ou de 2 em 2 anos; mulheres que tenham risco aumentado para ter cancro da mama, devem falar com o médico para saber qual a frequência com que devem fazer a mamografia.

Colo do útero

O teste de Papanicolau, também chamado de esfregaço do colo do útero ou do cérvix, é usado para observar as células do colo do útero. É feito o rastreio de células cancerígenas ou de alterações que possam levar a cancro, incluindo alterações causadas pelo papiloma vírus humano (factor de risco mais importante para cancro do colo do útero). Este teste deverá ser repetido, pelo menos, uma vez de 3 em 3 anos.

Cólon e recto

São usados vários testes de rastreio (sigmoidoscopia, colonoscopia, clister opaco de duplo-contraste, toque rectal) para detectar polipos (massas), tumores, ou outras alterações no cólon e no recto. A partir dos 50 anos, deverá ser feito o despiste do cancro do cólon e recto. Se tiver risco aumentado de ter cancro do cólon e recto, deve falar com o médico, para saber qual a frequência com que deve fazer os exames de rastreio.

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A amigdalite deve-se geralmente a uma infecção bacteriana ou viral. A localização das amígdalas faz com que exista contacto por parte dos microrganismos presentes nos alimentos e no ar. Este é um factor que pode levar a que aconteça uma infecção, embora o factor mais comum da amigdalite seja a propagação de microrganismos devidos a uma constipação ou laringite.

Normalmente a amigdalite aguda acontece de forma súbita e desaparece após sete dias, após tratamento adequado. Os sintomas caracterizam-se por dores de garganta e dificuldade na deglutição devido ao tamanho que adoptam devido à infecção. Frequentes são a febre, a sensação de mal-estar e dores de cabeça. As dores também se podem sentir nos ouvidos devido aos nervos que são partilhados com a garganta.

Quando a amigdalite aguda acontece com muita frequência poderá já ser um caso de amigdalite crónica, em que os microrganismos se encontram de forma permanente nas amígdalas causando repetidas infecções.

Tratamento
O tratamento é feito com a administração de analgésicos e antipiréticos que têm uma acção de redução dos sintomas. No caso da origem da infecção ser bacteriana, o médico poderá prescrever um antibiótico.

Já na amigdalite crónica, não sendo eficazes o mesmo tipo de tratamentos, poderá ser necessário recorrer a uma cirurgia para remoção das amígdalas.

Fazer uma alimentação rica em Vitamina C, evitar apanhar ar frio e não partilhar o mesmo ar com uma pessoa com amigdalite, são tudo formas que podem ajudar a prevenir este tipo de infecções.

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Pode ainda ser causada por vírus, bactérias e, especialmente, por gérmenes semelhantes às bactérias, como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia.

A doença é, geralmente, ligeira e costuma curar-se totalmente. No entanto, a bronquite pode ser grave em pessoas com doenças crónicas que sofrem de afecções cardíacas ou pulmonares e também em pessoas de idade avançada.

Esta inflamação é acompanhada de tosse persistente, dificuldade respiratória e abundância de fleumas (mucosisades). Às vezes torna-se crónica, afectar os pulmões e, se não for tratada a tempo, pode degenerar em pneumonia.

A bronquite aguda é mais comum e mais grave nas crianças e adolescentes devido a peculiaridade da estrutura pulmonar relacionada à idade e ao crescimento e manifesta-se com maior frequência durante o Inverno.

Sintomas da bronquite

O sintoma principal da bronquite aguda é a tosse. Esta pode ser seca ou produtiva, isto é, acompanhada de expectoração, uma substância semelhante ao muco que é eliminada dos pulmões. A expectoração pode ser transparente, turva, acastanhada, amarelada ou esverdeada.

A pieira, uma sensação de aperto ou de dor no tórax, a falta de ar, a odinofagia (dor de garganta), a congestão nasal, a febre e o cansaço são outros possíveis sintomas. Quando a laringe e a traqueia ficam comprometidas ocorre rouquidão ou mesmo afonia. Em muitos casos, devido ao edema da mucosa e acúmulo de secreções, os doentes queixam-se de chiado e falta de ar.

A maior parte dos casos de bronquite aguda regridem sem tratamento ao fim de cinco dias, embora a tosse se prolongue geralmente por sete a 10 dias. Em alguns casos, a tosse persiste durante semanas ou mesmo meses depois de a infecção ter desaparecido pelo facto do revestimento brônquico ainda permanecer irritado e poder ficar estreitado, tal como acontece na asma.

Diagnóstico da bronquite

Habitualmente, o diagnóstico da bronquite baseia-se nos sintomas, especialmente no aspecto da expectoração. Se os sintomas persistirem, é necessário efectuar uma radiografia do tórax para se ter a certeza de que a pessoa não evoluiu para uma pneumonia.

Tratamento da bronquite

A maior parte dos casos de bronquite aguda não requer tratamento médico. As pessoas a quem é diagnosticada uma bronquite aguda são aconselhadas a efectuar repouso e a ingerir bastantes líquidos para manter o muco fluido, aquoso e fácil de eliminar com a tosse. O ar quente e húmido pode igualmente libertar a expectoração e tornar a tosse e a respiração mais fáceis. Por este motivo, muitos médicos recomendam pelo menos uma das seguintes medidas para as pessoas com bronquite:

  • Utilização de um vaporizador ou humidificador
  • Tomar banho de chuveiro com água quente ou permanecer algum tempo nesse ambiente
  • Beber chá quente ou ingerir sopa quente
  • Respirar vapor de um lavatório ou bacia cheios de água quente.

Se o doente tiver febre, a maior parte dos médicos irá recomendar a administração de um antipirético para reduzir a febre. As pessoas que fumam devem evitar este hábito durante a doença para reduzir a irritação das vias aéreas.

Se a bronquite for causada por uma infecção bacteriana e não melhorar espontaneamente, pode ser prescrito um antibiótico. Estes medicamentos são administrados apenas quando existe uma forte suspeita de que a bronquite é causada por uma infecção bacteriana.

Em alguns casos, os médicos podem prescrever um broncodilatador, isto é, um medicamento inalado que ajuda a manter a permeabilidade das vias aéreas. Estes medicamentos são idênticos aos utilizados por algumas pessoas com asma para facilitar a respiração durante um acesso da doença.

Não existe forma de prevenir todos os casos de bronquite aguda. No entanto, o risco de bronquite e de complicações pode ser reduzido pela abstinência tabágica e pela vacinação contra a gripe para reduzir o risco de contrair esta doença, a qual pode conduzir a uma bronquite aguda.

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