Ao coelho-bravo
A Secretaria da Agricultura e Ambiente dos Açores anunciou hoje a proibição da caça nas ilhas das Flores e S. Jorge devido ao ...

A 11 de Dezembro, o Governo dos Açores proibiu a caça na Graciosa face ao "surgimento de um grande número de coelhos-bravos mortos" naquela ilha "indiciando a ocorrência da Doença Hemorrágica Viral (DHV)".

Hoje, a tutela adianta, numa nota, que a interdição da caça ao coelho-bravo nas Flores e São Jorge “é uma medida apropriada e que deve ser tomada a nível preventivo antes da confirmação da doença”, acrescentando que a patologia, “apesar de muito contagiosa para os coelhos (bravos e domésticos), não é de modo algum transmissível aos seres humanos ou a outras espécies animais”.

Enquanto se espera pelos resultados das análises para apurar as causas da mortandade entre os coelhos nestas ilhas, a Direcção Regional dos Recursos Florestais tem em curso iniciativas destinadas a informar a população sobre os comportamentos a adoptar, nomeadamente no que se refere à promoção de boas práticas para impedir a disseminação do vírus, caso se confirme tratar-se da Doença Hemorrágica Viral dos coelhos.

Em locais públicos, como portos e aeroportos, têm sido colocados editais informativos proibindo o trânsito de coelhos e seus derivados para o restante arquipélago.

O Governo Regional assegura que a implementação de todas estas iniciativas tem permitido “uma evolução positiva na contenção dos efeitos do surto” da virose hemorrágica detectada na ilha Graciosa.

Além do controlo e da realização diária de vistorias, recolha e eliminação dos cadáveres com o apoio da Câmara Municipal das Lages das Flores, como forma de eliminar potenciais focos infecciosos, está a ser distribuído um folheto informativo sobre a forma de actuar perante a detecção de animais mortos, apelando-se a que os Serviços Florestais locais sejam imediatamente avisados para a sua recolha e registo.

A tutela revela, ainda, que também já foram registados dois animais mortos na ilha Terceira, tendo-se igualmente procedido à recolha de amostras para análise no Laboratório Regional de Veterinária, que determinará eventuais medidas adicionais.

É desaconselhado o consumo humano de carne de coelhos eventualmente infectados.

Direcção-Geral da Saúde reforça
Apesar de correspondência com uma das três estirpes não ser total, responsáveis afirma que esta é melhor protecção contra a...

Entre centros de saúde e farmácias, ainda há cerca de 200 mil vacinas - entre doses gratuitas disponíveis nos centros de saúde e vacinas à venda nas farmácias - contra a gripe disponíveis para serem tomadas pelos grupos de risco. Apesar da correspondência não ser total com uma das estirpes contempladas, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) reforça a recomendação para que as pessoas com 65 ou mais anos, doentes crónicos e profissionais de saúde a tomem de forma a proteger-se. A actividade gripal está a aumentar e o pico de infecções deverá acontecer entre o final deste mês e início de Fevereiro.

Segundo Graça Freitas, sub-directora-geral da Saúde, já terão sido administradas nos centros de saúde cerca de 930 mil vacinas contra a gripe. Doses que estão a ser dadas gratuitamente às pessoas com 65 e mais anos nos centros de saúde, sem necessidade de pagamento de taxa moderadora ou receita do médico, a residentes em lares de idosos, doentes que estão colocados na rede de cuidados continuados e a crianças e adolescentes com doenças crónicas que estejam institucionalizados

Ponto de situação
O acesso aos serviços de urgências de alguns hospitais do país complicou-se nos últimos dias, com tempos de espera que chegam a...

No Grande Porto, os serviços de urgência dos hospitais de Gaia, Santo António e São João (Porto) estavam hoje ao final da manhã com uma afluência acima do normal, mas, contactados pela Lusa, todos referiram que a situação não é caótica.

No Hospital de Gaia o principal problema é a falta de camas para internamento. De acordo com uma fonte hospitalar, os doentes são obrigados a permanecer horas em observação no serviço de urgência até que seja possível transferi-los.

A mesma fonte referiu que se encontram nesta situação cerca de meia centena de doentes.

No Hospital de Santo António, a urgência regista também uma procura acima da média, mas o serviço “não está caótico”.

Fonte hospitalar referiu que foi decidido reforçar o número de camas de internamento, o que tem permitido encaminhar os doentes sempre que necessário. Na passada sexta-feira, que foi considerado “um dos piores dias”, foram atendidas 424 pessoas, quando a média é de 300.

No Hospital de São João, de acordo com o director do Serviço de Urgência, João Sá, “a situação é idêntica” ao que se está a passar a nível nacional.

“Nos últimos dias, tivemos doentes urgentes que esperaram, em média, quatro horas para serem atendidos”, lamentou o responsável.

João Sá considerou que “o aumento da procura é tradicional desta época, mas o aumento da procura interligado ao problema da escassez de recursos humanos faz com que a situação se agrave. Aconteceu agora e vai continuar a acontecer, se não se mudarem as regras de contratação de profissionais para as urgências”.

No Hospital Padre Américo, em Penafiel, interior do distrito do Porto, a segunda maior urgência médico-cirúrgica do norte do país, a situação é considerada “normal para a época”, confirmando-se uma forte afluência de doentes.

Barros da Silva, director clínico, disse à Lusa que nos últimos dias foram reforçadas as equipas nas urgências “para fazer face aos picos de afluência que já eram esperados”.

Fonte da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) disse à Lusa que “apesar de um aumento do número de admissões no serviço de urgência, a situação ainda não compromete significativamente os tempos de espera para a primeira observação médica”.

“Comparando com o período homólogo de 2013 (correspondendo aos dados aproximados da última semana de 2014 e início de 2015) constatou-se globalmente um aumento do número de admissões no serviço de urgência da ULSAM”, explicou.

A ULSAM integra os hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima, além de 13 centros de saúde.

No Centro Hospitalar da Cova da Beira, que agrega os hospitais da Covilhã e do Fundão, tem havido um ligeiro aumento da procura do serviço de urgências e, logo, um maior tempo de espera para o atendimento.

O presidente da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, Vieira Pires, disse à Lusa que o serviço de urgência do Hospital Amato Lusitano (HAL) está a funcionar "sem problemas", apesar de uma afluência de doentes "acima da média", tendo o serviço de urgência sido reforçado com mais médicos desde o dia 01 de Janeiro".

Já em Loures, segundo fonte hospitalar, hoje de manhã havia 30 doentes para internar e, apesar de estar a 100%, ainda havia capacidade para internamentos devido às altas de outros doentes.

Na segunda-feira havia 18 médicos na urgência devido a um "reforço normal que acontece às segundas-feiras, enquanto hoje estão 17 médicos ao serviço”.

A maior parte dos casos de urgência são doenças respiratórias, pessoas mais velhas, doenças crónicas que se agravam, acrescentou a fonte.

No hospital de Abrantes, unidade que agrega as urgências dos hospitais de Tomar e Torres Novas, do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), distrito de Santarém, os bombeiros debatem-se "de forma recorrente" com o problema da falta de macas.

Em declarações à Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, António Jesus, disse que as ambulâncias, e respectiva tripulação, ficam "retidos no hospital por falta de macas durante várias horas e de forma recorrente, comprometendo o socorro às populações".

Questionado pela agência Lusa, o Conselho de Administração do CHMT, através da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, disse que, no período entre o dia 1 e 4 de Janeiro, o número de atendimentos no Serviço de Urgência Médico Cirúrgica do CHMT foi de 607 episódios, com um tempo médio de espera entre a triagem e o atendimento médico de uma hora e 23 minutos.

No Centro Hospitalar do Baixo Vouga, que integra as unidades de Estarreja, Aveiro e Águeda, a Urgência do Hospital de Aveiro registou na manhã de hoje alguns picos de afluência, que obrigaram a um reforço de meios e à transferência de alguns doentes para o Hospital de Águeda, que socorreu a unidade de Aveiro também em macas.

“Para já, ainda não está nenhum cenário grave e temos conseguido dar resposta aos bombeiros. Estava uma corporação em espera, mas nós já providenciamos mais quatro marcas, que fomos buscar a Águeda, e esse problema vai deixar de existir”, disse a responsável pela comunicação.

Segundo descreveu à Lusa, verificaram-se alguns picos de afluência, sobretudo de pessoas idosas, adiantando que três doentes foram transferidos para o Hospital de Águeda, para conseguir libertar camas, dada a dificuldade de escoamento, sentida sobretudo na área da Medicina.

No Hospital de Aveiro permanecem dezenas de doentes à espera de vaga nos cuidados continuados, cujas camas são necessárias para escoar os doentes da urgência e, segundo Rosa Aparício, “foi pedido ao serviço social para fazer novo contacto com essas unidades”.

Já no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, a principal unidade, o Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, a situação foi descrita como normal para a época do ano pelas relações públicas.

Nos últimos dias, a afluência ao Serviço de Urgência do Hospital de Beja também “tem sido normal para a época" e o atendimento aos doentes tem acontecido "dentro dos tempos previsíveis”, segundo fonte oficial da unidade hospital.

O mesmo não aconteceu em Évora, onde, entre sexta-feira e sábado, houve "um aumento do tempo de espera" por parte dos utentes, ultrapassando o recomendado", devido à falta de médicos, segundo reconheceu o gabinete de comunicação.

Entre sexta-feira e sábado, utentes das urgências do hospital alentejano esperaram mais de 18 horas para serem atendidos, disseram à agência Lusa fontes da unidade de saúde, apontando como um dos motivos a falta de médicos.

Nas urgências do Centro Hospitalar do Algarve, que engloba as unidades de Faro, Portimão e Lagos, não tem havido registo de problemas e os tempos de espera estão “dentro do aceitável” para a época, segundo o director do departamento de Urgência, Emergência e Cuidados Intensivos.

De acordo com Luís Pereira, o tempo de espera para os doentes urgentes não ultrapassava os 60 minutos hoje de manhã no hospital de Faro, o maior dos três.

Segundo o médico, começaram hoje a ser integrados nas urgências do centro hospitalar 121 médicos internos, que vão contribuir para “agilizar procedimentos” e para um atendimento mais rápido.

Ruptura temporária
Um antibiótico com a substância activa benzilpenicilina, pertencente ao grupo das penicilinas, está esgotado em várias...

Em causa está o fármaco com o nome comercial Lentocilin, cuja substância activa é a benzilpenicilina benzatínica, um antibiótico usado para o tratamento de infecções do trato respiratório superior, sífilis, febre reumática ou difteria, entre outras doenças.

Segundo a autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed), a ruptura do medicamento foi motivada “por constrangimentos no processo de fabrico relacionados com a falta da substância activa”.

O laboratório Atral, titular da Autorização de Introdução no Mercado (AIM), divulgou, a 12 de Novembro, uma comunicação dirigida aos profissionais de saúde sobre a ruptura temporária no abastecimento dos referidos medicamentos.

Na altura, o laboratório previa que o abastecimento destes medicamentos fosse retomado a partir de 08 de Dezembro do ano passado, o que não aconteceu.

Eduardo Oliveira, director dos assuntos regulamentares do Laboratório Atral, confirmou a ruptura do fármaco, que já se sente em “várias farmácias e hospitais”.

Este responsável sublinhou que este é um fármaco “essencial em algumas situações”, embora existam alternativas terapêuticas, as quais devem ser escolhidas pelos médicos.

O antibiótico em questão pode ser administrado através de uma injecção de dose única, ou em mais doses.

Segundo Eduardo Oliveira, o laboratório solicitou autorização ao Infarmed para um novo fabricante da substância activa - o North China Pharmaceutical Group Corp (NCPC) – aguardando ainda resposta do Infarmed.

O instituto confirmou este pedido: “Com o objectivo de obter a substância activa em falta junto de um outro fabricante, os Laboratórios Atral, em cumprimento com as obrigações legais, submeteram um pedido de alteração aos termos da AIM para substituir o fabricante de substância activa autorizado”.

O Infarmed “tem agilizado a gestão deste processo, para que a avaliação desta alteração aos termos da AIM seja concluída com a máxima brevidade”.

“Do ponto de vista regulamentar, é fundamental garantir o cumprimento dos requisitos e normas nacionais e europeias, garantindo assim que a qualidade, a segurança e a eficácia destes medicamentos continuam asseguradas”, esclarece o Infarmed.

Associação de Administradores Hospitalares
A Associação de Administradores Hospitalares considera que a falta de recursos humanos nos cuidados de saúde é um dos...

“Temos olhado para esta situação com natural preocupação e especial consternação, atendendo a alguns desfechos fatais de doentes em espera nos serviços de urgência”, declarou a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.

Marta Temido avisa que se trata de uma “situação cíclica”, já que há alturas do ano, como nos meses de inverno, em que é habitual haver relatos de elevadas esperas nas urgências ou congestionamentos nos hospitais.

“Não se pode dizer que são situações imprevistas. São situações para as quais os serviços deveriam estar capacitados para responder, até porque não são grande emergências nem situações de catástrofe, são apenas picos de afluência”, referiu.

Marta Temido não crê, por isso, que seja apenas um problema de falta de planeamento, mas antes de dotação dos recursos necessários em função da afluência previstas.

“Era possível ter previsto estas situações e acautelá-las, designadamente tendo reforços de recursos que estivessem previamente disponíveis para entrar caso houvesse necessidade. Obviamente que isso tem um custo”, afirmou.

A responsável apontou o caso das urgências do hospital Amadora-Sintra, para o qual acabaram por ser contratados mais profissionais, mas só depois de “se terem verificado situações de espera além dos tempos de referência”.

O problema não está só nos hospitais, considera a presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, lembrando que chegam às urgências várias situações de agravamento de doenças crónicas que deveriam ter tido resposta noutros níveis, nomeadamente nos centros de saúde.

A Ordem dos Médicos salienta que Portugal perdeu num só ano mais de 400 camas hospitalares, considerando que este problema, aliado à falta de planeamento, contribui para relatos sobre congestionamento nos hospitais “de norte a sul do país”.

O Ministério da Saúde admite que a afluência às urgências é maior nesta altura do ano “um pouco por todo o lado”, mas adianta que “há serviços que estão a responder muito bem”, enquanto outros “têm maior dificuldade”.

“Os que têm maior dificuldade estão nos grandes centros urbanos, mas nem todos nos centros urbanos se deparam com problemas”, afirmou fonte oficial do Ministério.

Sindicatos dos médicos e enfermeiros
Os sindicatos dos médicos e enfermeiros atribuem as dificuldades que se vivem em algumas urgências hospitalares à falta de...

Para o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, o problema não são as falsas urgências, até porque estas “não devem ser assim apelidadas”.

“Ninguém vai de ânimo leve a um hospital para tratar um problema de saúde”, disse, considerando que estas idas se devem a “falta de alternativas”.

Para a dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Guadalupe Simões, muitos dos casos que são atendidos nas urgências hospitalares só são ali tratados porque encerraram extensões de centros de saúde.

Mais do que o fecho destas extensões, foi a diminuição de profissionais nesses centros de saúde, que impediu o tratamento dessas pessoas mais perto das suas casas.

Guadalupe Simões atribui ainda à diminuição do número de camas nos hospitais o congestionamento que se vive em algumas instituições, acrescentando que “não existe qualquer fundamento para a criação de centros hospitalares”, a qual se traduziu em menos camas.

“Não houve outra estratégia, à excepção da questão economicista”, disse. Para a dirigente sindical, o problema agrava-se em épocas com maior afluência de doentes, já que as camas entretanto desactivadas não são reabertas. Guadalupe Simões alerta ainda para o estado de exaustão em que se encontram os profissionais de saúde, que em muitos casos “trabalham em condições terceiro-mundistas”.

Roque da Cunha atribui a situação que se vive em algumas urgências a uma má organização e à falta de profissionais. O médico defende a existência de “equipas coesas e adequadamente constituídas”, uma solução que “é muito melhor, até financeiramente, do que a contratação de empresas de prestação de serviços".

Segundo este sindicalista, cabe aos conselhos de administração “organizar as escalas anuais” e levar em conta “os aumentos de procura esperados”.

“Os planos de contingência não devem ser a situação normal”, adiantou. Roque da Cunha alertou para as consequências de uma sobrecarga do trabalho dos médicos, nomeadamente “uma maior possibilidade de erro”.

Por isso, defendeu “uma investigação com todo o detalhe” aos casos em que dois doentes morreram, um no Hospital de São José, em Lisboa, e outro no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, após horas à espera nas urgências. “Estas situações têm de ser investigadas com todo o detalhe, saber o que aconteceu, qual a responsabilidade”, declarou.

Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos salientou hoje que Portugal perdeu num só ano mais de 400 camas hospitalares, considerando que este...

O Ministério da Saúde admite que a afluência às urgências é maior nesta altura do ano “um pouco por todo o lado”, mas adianta que “há serviços que estão a responder muito bem”, enquanto outros “têm maior dificuldade”.

“Os que têm maior dificuldade estão nos grandes centros urbanos, mas nem todos nos centros urbanos se deparam com problemas”, afirmou fonte oficial do Ministério.

Para a Ordem dos Médicos, os problemas de congestionamento nos hospitais estão a ocorrer um pouco por todo o país, com o bastonário a estimar que a situação se vai agravar quando Portugal entrar num período de maior epidemia de gripe.

“Isto é consequência inevitável das medidas tomadas por este governo por razões economicistas, porque a saúde está a ser gerida como uma repartição de finanças”, afirmou à Lusa o bastonário José Manuel Silva, criticando a falta de planeamento para preparar o inverno e o maior afluxo previsível de doentes aos hospitais e centros de saúde.

O bastonário lamenta que só no período depois do natal tenham sido tomadas algumas medidas ao nível dos centros de saúde, que é onde considera que tem origem a maior parte dos problemas.

“Enquanto a reposta dos cuidados de saúde primários não for a adequada, as urgências hospitalares vão estar permanentemente congestionadas em períodos de maior procura. O Ministério da Saúde devia ter feito planeamento para reforçar os horários de abertura dos centros de saúde e reforçar as equipas hospitalares, mas por razões economicistas não o fez”, disse.

Uma das soluções para os cuidados primários seria, segundo o bastonário, a contratação de médicos de família que se aposentaram precocemente. Nas contas da Ordem, nos últimos cinco anos reformaram-se 1.400 médicos de família, a maioria por antecipação.

Para os médicos, outro problema central é a falta de camas nos hospitais, já que, segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal tem quatro camas por cada mil habitantes.

Esta questão tem-se vindo a agravar, sublinha José Manuel Silva, dado que só entre Março de 2013 e Março de 2014 se perderam 420 camas hospitalares.

Na altura do Natal foram relatados problemas nas urgências do hospital Amadora-Sintra, que chegou a ter mais de 20 horas de espera, devido a problemas com os médicos escalados e a uma afluência maior do que o normal.

Depois desta situação, o Ministério decidiu determinar aos centros de saúde da Grande Lisboa para alargarem os seus horários de funcionamento nos dias 30 e 31 de Dezembro e 02 de Janeiro.

Já hoje foi noticiado que corporações de bombeiros de concelhos do Oeste, servidos pela urgência de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste, denunciaram que há ambulâncias a ficarem retidas no hospital por falta de macas, comprometendo o socorro às populações.

Tão importante ao convívio humano…
A voz humana consiste no som produzido pelo ser humano usando as suas cordas vocais para falar, cant
Voz

A voz é uma característica humana intimamente relacionada com a necessidade do homem se agrupar e comunicar. Ela é produto da sua evolução, um trabalho em conjunto do sistema nervoso, respiratório e digestivo e de músculos, ligamentos e ossos, actuando harmoniosamente para ser possível obter uma emissão eficiente.

As cordas vocais, primordialmente, não foram feitas para o uso da voz. Esta foi uma função na qual a laringe (local onde se encontram as cordas vocais) se especializou, mas estes músculos foram desenvolvidos, em primeiro lugar, para as funções de respiração, alimentação e esficteriana.

De modo geral, o mecanismo para gerar a voz humana pode ser subdividido em três partes: os pulmões, as pregas (cordas) vocais (que se encontram dentro da laringe) e os responsáveis pela articulação: lábios, língua, dentes, palato duro, véu do palato e mandíbula.

Os pulmões geram um fluxo de ar, que é o "combustível da voz”. O diafragma expulsa este ar, que passa pelas pregas vocais, fazendo-as vibrar, transformando o ar em impulsos sonoros. Os músculos da laringe ajustam a duração e a tensão das pregas vocais para adequar a altura e o tom podendo sugerir emoções variadas (raiva, felicidade…). Isto é particularmente importante para quem trabalha com a voz.

As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, o número de ciclos vibratórios é de cerca de 125 vezes por segundo. Na mulher, que tem voz, geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por segundo. A esta característica damos o nome de frequência. As pregas vocais do homem têm mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no violão, as cordas mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas mais graves).

O mau uso da voz é responsável por grande número de doenças do aparelho vocal.

A voz está associada à fala, na realização da comunicação verbal, e pode variar quanto à intensidade, altura, inflexão, ressonância, articulação e muitas outras características.

Frequência
A mais baixa frequência que pode dar a audibilidade a um ser humano é mais ou menos de 20 hertz (vibrações por segundo), enquanto a mais alta se encontra entre 10.000 e 20.000 hertz, dependendo da idade/capacidade do ouvinte (quanto mais idoso menores as frequências máximas ouvidas).

A frequência comum de um piano é de 40 a 4.000 hertz e a da voz humana encontra-se entre os 60 e os 7.000 hertz.

Eufonia e disfonia
Eufonia é o nome dado à emissão de uma voz saudável. O contrário, ou seja, uma voz doente com uma ou mais características alteradas é denominada de disfonia.

A disfonia pode ser orgânica, funcional ou mista (orgânica e funcional). Não é propriamente uma doença, mas o sintoma, uma manifestação do mau funcionamento de um dos sistemas ou estruturas que actuam na produção da voz. Por exemplo a rouquidão, (quando está constipado) é um tipo de disfonia. Já à incapacidade de produzir a voz o nome dado é de afonia.

Existe tratamento para a disfonia e o profissional habilitado e responsável pela intervenção das disfonias é o fonoaudiologista. Habitualmente este profissional trabalha em conjunto (no caso da voz) com o otorrinolaringologista ou o laringologista.

As várias doenças da voz:

- Fuga glótica;
- Utilização de bandas ventriculares;
- Disfonia psicogénica;
- Paralisia das cordas vocais;
- Pólipos, nódulos, quistos;
- Refluxo;
- Papiloma;
- Laringite crónica, leucoplasias e queratoses;
- Cancro da laringe.

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Conheça
Quase todas pessoas sentem, por vezes, uma certa rouquidão.
Mulher com dor de garganta

A rouquidão representa um mau funcionamento da actividade normal do canal vocal, ou laringe, localizado na garganta.

A laringe é um conjunto de cartilagens, músculos e membranas mucosas que constituem a entrada para a traqueia.

Contém as cordas vocais - dois conjuntos de membranas mucosas que cobrem músculos e cartilagens.

Em condições normais, as cordas abrem-se e fecham-se suavemente, formando sons através dos seus movimentos vibratórios. Mas quando o ar se escapa por entre as cordas vocais, quando tal não devia ocorrer, a voz torna-se rouca.

São várias as causas de rouquidão e todas elas têm uma justificação. Por isso, é necessário perceber o que está por trás de cada uma:

Cansaço

Falar ou cantar muito alto ou por muito tempo pode resultar numa laringite, situação em que as cordas vocais ficam inflamadas ou irritadas e incham, provocando a rouquidão. O excesso frequente do uso das cordas vocais pode provocar chagas (úlceras de contacto) ou a aparição de nódulos nas cordas vocais, o que provoca a rouquidão.

Doença

Uma vulgar gripe ou outras doenças do tracto respiratório podem provocar uma laringite.

Pólipos

O excesso do uso das cordas vocais pode provocar pólipos. Os pólipos - pequenas excrescências na membrana da mucosa - podem interferir com o movimento normal das cordas vocais, provocando rouquidão.

Tabaco

Fumar pode provocar uma inflamação crónica das cordas vocais. Pode igualmente levar à formação de nódulos cancerígenos. Um fumador com rouquidão permanente deverá sempre consultar o médico.

Acidez (refluxo esofágico)

Regurgitações frequentes dos sucos estomacais para o esófago ou para a garganta podem provocar úlceras de contacto nas cordas vocais.

Idade

À medida que se envelhece, as cordas vocais podem perder a tensão. Com menor tensão, as cordas deixam de funcionar como o faziam anteriormente.

Paralisia vocal

Ferimentos ou pressões sobre os nervos dos músculos que fazem mover as cordas vocais, podendo levar a uma paralisia vocal.

Procurar auxílio

Felizmente, na maioria dos casos, a rouquidão pode ser atribuída a ligeiras afecções do tracto respiratório ou a irritação provocada por um uso indevido ou excessivo da voz, que tendem a desaparecer ao cabo de alguns dias.

Contudo, uma rouquidão que se prolongue por mais de duas ou três semanas exige uma consulta médica. Uma consulta que deve ser imediata se a pessoa, além da rouquidão, tem hemorragias quando tosse, dificuldade em engolir ou respirar amplamente ou se constata a existência de algum nódulo estranho na garganta.

Não há tempo a perder, pois a rouquidão pode ser sinal de algo de grave, incluindo o cancro da laringe.

Para a rouquidão provocada pelo cansaço ou infecções respiratórias, o descanso é o único tratamento necessário. Se os pólipos são a causa da rouquidão, fazê-los extrair pode solucionar o problema. Frequentemente, os médicos recomendam a terapia vocal para evitar o reaparecimento dos pólipos.

Se a rouquidão é provocada por um afrouxamento das cordas vocais, uma intervenção cirúrgica pode torná-las mais tensas.

Como tratar (ou evitar) a rouquidão:

  • Não fume e evite o "fumo em segunda mão";
  • Evite falar muito alto e durante muito tempo. Se tem necessidade de falar perante grupos muito numerosos, use um microfone ou um megafone;
  • Evite o álcool e a cafeína que desidratam o organismo, tornando a garganta mais seca;
  • Beba muita água;
  • Humidifique a sua casa;
  • Evite as comidas muito picantes;
  • Evite cochichar, que exige ainda maior força das cordas vocais do que a fala normal;
  • Faça educar a sua voz, se se trata de um cantor ou de pessoa em que a qualidade da voz seja importante;
  • Inale vapor durante alguns minutos antes de se deitar. Enquanto dormir, faça funcionar um humidificador no seu quarto;
  • Chupe rebuçados expectorantes, gargareje com água salgada ou masque uma pastilha para manter a garganta húmida;
  • Evite clarificar a garganta e pigarrear. Faz mais mal do que bem e provoca vibrações anormais das cordas vocais, ao mesmo tempo que pode aumentar um eventual inchaço.

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O sonho de um viajante
Cheguei a África para cumprir o sonho pessoal de ser um viajante.
Enfermeiros África

Nunca pensei em ir para África para salvar pessoas ou salvar o mundo. Ser Enfermeiro é algo que viajou comigo. A minha profissão ajudou-me a derrubar muitas barreiras, pois deixa-me de cara com o mais profundo do ser humano: saúde, vida ou morte... Cheguei a África para cumprir o sonho pessoal de ser um viajante. O meu amigo Fábio, que por lá tinha nascido, iniciou-me com a magia desse continente. Apresentou-me a R. Kapuscinski que me guiou em muitas histórias. Foi também lá que reencontrei a minha mulher…

Guiné Bissau, Novembro de 2005
Estávamos há 2 dias em Canchungo (zona rural do Noroeste da Guiné), onde a presença de casos de cólera na região tinha-nos obrigado a isolar uma área no hospital e a formar pessoal sanitário capaz de dar uma correta resposta à epidemia. Levávamos semanas a repetir o mesmo procedimento em diferentes localizações do norte da Guiné. Eram 22h00 e o Abdul (o nosso motorista) já tinha acabado de jantar e ido dormir. Eu decidi ficar com Marlene a beber uma cerveja. O Miguel entra no restaurante, aproxima-se de mim e diz que a Mãe dele está muito doente, e se podemos ir buscá-la. O Miguel trabalha connosco como Agente de IEC (Informação, Educação, Comunicação). Ele diz que ela “fica” numa aldeia muito perto e que alguém que chegou de lá lhe falou que ela estava com muito vómito e diarreia. Saltando as regras de segurança, em que o motorista é o único autorizado a conduzir, decido pegar no carro e sair com ele em busca da Mãe. Seguimos por uma picada no escuro da noite africana. Depois de duas horas começo a sentir incómodo e a pensar que devia ter acordado o Abdul para nos acompanhar. A cada vez que pergunto ao Miguel se falta muito ele diz: “é já ali”. Antevemos na estrada um aglomerado de pessoas que rodeiam um corpo. A Mãe do Miguel morreu no caminho quando se dirigia para o Hospital de Canchungo. A primeira visão de um cadáver de cólera dá-te a impressão de uma morte que já aconteceu há muito tempo. O corpo desidratado adquire contornos de múmia.

Luanda, Angola, Maio de 2006
Outra vez a Cólera (doença intestinal aguda, provocada por uma bactéria (Vibrio cholerae). Os principais sintomas são vómitos e diarreia aquosa aguda (tipo água de arroz), provocando a morte por desidratação. O tratamento é muito simples e consiste na reidratação (oral ou IV, dependendo do estado de desidratação) dos pacientes com solução salina. O grande problema surge com a falta de infraestruturas de saúde, a existência de rede de águas contaminadas e o difícil acesso a água potável, ausência de sistemas de saneamento, e o desconhecimento da doença por parte da população, que acode tarde aos centros de saúde, muitas vezes em estado de desidratação severa…

A Angola das mil riquezas e ostentações e a sua Capital sofria um dos maiores surtos de cólera da sua história. Os primeiros casos foram detetados no mês de Fevereiro no bairro da Boavista. Estávamos em Maio e os Médicos Sem Fronteiras (MSF) tinha instalado 5 Centros de Tratamento de Cólera (CTC) em Luanda. A Incidência era de 500 casos novos cada dia. Na minha chegada ao projeto disseram-me que seria o responsável pelas atividades do CTC do Bairro da Boavista. Este centro tinha uma equipa de 25 Enfermeiros, 2 Médicos, 20 auxiliares e mais 20 trabalhadores não sanitários (pessoal IEC, Logística e Cozinha). Tinha de organizar os turnos, formar o pessoal, e supervisionar a qualidade das atividades. Recebíamos nesta fase entre 150 a 200 casos novos ao dia, muito dos quais com desidratação severa. Uma das grandes dificuldades que encontrei nos primeiros dias foi a necessidade de instalar capacidade de atuação rápida nos casos de desidratação severa. Lembro-me que muitos enfermeiros tinham dificuldades na colocação de cateteres venosos, o que se complica nos casos de cólera devido à hipovolémia inerente à patologia, e de sobremaneira em crianças. Depois de semanas de frustração em que morreram vários pacientes, já tínhamos alguns “craques em encontrar veias”. Era com orgulho que me mostravam que todas as crianças tinham a sua perfusão de Lactato de Ringer (solução salina mais comum utilizada no tratamento de Cólera) já estavam salvas da “terrível” doença. No seu afã de perfundir mais e mais, algo de extraordinário acontece. Começo a encontrar crianças “redondas” com edemas na face e nos braços, sintoma nada característico de um quadro de Cólera. Seguinte passo: Revisão de protocolo de tratamento de cólera, cálculo de perfusão e prevenção de edema agudo de pulmão em crianças em tratamento de Cólera!!!....

Shamwana, RD Congo, 2014
“A Malária mata cada minuto uma criança em África”. Sempre ouvi esta frase mas nunca antes de chegar ao Congo tinha tido sentido para mim.

 A República Democrática do Congo tem uma área de 30 vezes a de Portugal, é considerado um dos países com mais recursos naturais do mundo e ocupa o penúltimo posto no Índice de Desenvolvimento Humano (só à frente do Níger). Foi propriedade privada do Rei Leopoldo II da Bélgica, que espoliou o país até 1908 e durante 20 anos provocou a morte de 8 milhões de Congoleses (na II guerra mundial morreram 6 milhões de Judeus). O Congo consegue a independência da Colónia em 1960 e desde então diferentes interesses estrangeiros financiam diferentes grupos rebeldes que provocam instabilidade e violência. Os contínuos movimentos de refugiados internos traduzem uma população doente, arruinada, violentada.

Cheguei a Shamwana, no início de Janeiro de 2014. Quase todas as aldeias tinham sido queimadas e a população tinha fugido para os grandes centros populacionais onde conseguiam ter acesso a cuidados básicos de saúde. Médicos Sem Fronteiras suportava neste momento 1 hospital em Shamwana e 4 Centros de Saúde periféricos a Shamwana (o mais distante a 80 km), que estavam diariamente abarrotados de pacientes. A principal morbilidade era a Malária. Complicações como anemia severa, desidratação, convulsões, hipoglicémia, associadas à desnutrição crónica da população, traduziam uma alta mortalidade. A impossibilidade de transfusão sanguínea devido à ausência de banco de sangue nos Centros de Saúde obrigava a transferir os pacientes para Shamwana. As longas horas de caminho, a ausência de transportes, a insegurança da zona, contribuíam para que os pacientes chegassem muitas vezes “demasiado tarde”. Muitas vezes quando nos dirigíamos aos Centros de Saúde encontrávamos pelo caminho pais com os filhos às costas, com horas de marcha por caminhos enlodados. Acenavam-nos e parávamos os carros. Depois de uma avaliação inicial do estado da criança decidíamos dar meia volta e transportá-la ao hospital. Os pais suspiravam, pois sabiam que dessa vez era provável que o seu filho ganhasse a luta à Malaria…

 

Nota Biográfica
Pedro Cabeleira, Enfermeiro
Nascido a 26 de Dezembro de 1976, obteve a licenciatura em Enfermagem em 2001 e o Mestrado em Saúde Internacional e Medicina Tropical na Universidade Autónoma de Barcelona em 2008.
Trabalhou como enfermeiro em serviços de psiquiatria e ortopedia em Barcelona (Espanha), Milão e Pádua (Itália).
Entre 2000 e 2004 exerceu em serviços de cirurgia e unidade de cuidados intensivos no Hospital da Universidade de Coimbra e no Hospital de São João.
Foi Supervisor de Actividades Outreach em projeto de Atenção Primaria e Acesso á Saude a vítimas de conflito armado, na província do Katanga, RD Congo.
Gestor de Atividades Sanitárias em projeto de Atenção Primaria e Acesso á Saude a vítimas de conflito armado, na província de Nariño, Colombia.
Enfermeiro de Terreno em projeto de Emergência de desnutrição, em Liben, região Somali, Etiópia.
Gestor de Atividades Sanitárias em projeto de Atenção Primaria de Saúde nos distritos de Macomia, Ancuabe e Meluco, em Cabo Delgado Moçambique.
Enfermeiro de Terreno de "Prevenção, Diagnostico e tratamento de paludismo na comunidade Rural de Tekane", Rosso, Mauritânia.
Enfermeiro de Terreno de emergência de cólera em Angola.
Enfermeiro de Terreno em projeto de emergência de cólera em Guiné-Bissau.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
Deputado PCP alerta
O deputado Jorge Machado alertou, em Penafiel, que em algumas freguesias do concelho ligadas à indústria da pedra encontra-se o...

"Na reunião que tivemos com o Agrupamento de Centros de Saúde e com o Centro de Diagnóstico Pneumológico de Penafiel, foi-nos dado esse dado que é assustador", afirmou o deputado.

Jorge Machado, acompanhado de dirigentes locais comunistas, visita algumas empresas daquele concelho do distrito do Porto que se dedicam à extracção de granitos, nas freguesias de Luzim e Boelhe.

De acordo com o deputado, a elevada prevalência de tuberculose e outras doenças do foro respiratório, que afectará centenas de trabalhadores, está ligada à actividade de extracção da pedra, sobretudo a inalação de sílica durante vários anos.

"A maior incidência de casos de tuberculose na Europa regista-se aqui, nomeadamente nas freguesias de Luzim e Boelhe e outras limítrofes", acentuou, sublinhando a sua preocupação.

Por isso, adiantou o parlamentar, o PCP vai "exigir uma intervenção por parte do Governo para que se crie um plano de emergência". O deputado defende que o plano deve ser acompanhado do reforço de clínicos na região, recordando os 4 mil utentes sem médico de família no concelho de Penafiel são todos das freguesias onde prevalecem os casos de tuberculose.

Por isso, para o PCP, impõe-se o reforço de médicos, nomeadamente nas freguesias de Peroselo e Rio de Moinhos, acompanhado de equipas na área de enfermagem.

Além disso, sinalizou, impõe-se "uma intervenção global para acudir não só às questões da saúde, mas também que envolva a Autoridade para as Condições de Trabalho".

Sensibilização junto das comunidades locais, incluindo no meio escolar, com o apoio de assistentes sociais, são outras medidas que aquele partido vai exigir ao Governo.

Luzim, Boelhe, Rio de Moinhos e Cabeça Santa são as freguesias de Penafiel com maior prevalência de casos de tuberculose.

Segundo o PCP, todos os anos têm sido sinalizados e internados dezenas de novos casos de tuberculose pelo Hospital Padre Américo, em Penafiel.

Sindicato Independente dos Médicos defende
O Sindicato Independente dos Médicos defendeu que a falta de médicos nas urgências hospitalares resolve-se com o recrutamento...

Em comunicado, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) sustenta que "a solução para este problema terá de passar por um planeamento adequado" dos médicos com idade para trabalhar nas urgências, "o que só se conseguirá com a abertura de concursos públicos, para recrutamento de recém-especialistas, e pela criação de condições remuneratórias e de trabalho motivadoras e atractivas".

A RTP Informação noticiou que um homem morreu nas urgências do hospital de Santa Maria da Feira enquanto esperava para ser atendido. O Correio da Manhã adianta que o homem, de 57 anos, morreu no domingo, pelas 22:00, com a família a avançar que a vítima perdeu a vida por falta de assistência médica, após mais de seis horas à espera para ser atendida. O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, ao qual pertence a unidade de Santa Maria da Feira, anunciou a abertura de um "processo de averiguações". O caso surge relatado dois dias depois da notícia de utentes das urgências do hospital de Évora terem aguardado mais de 18 horas para serem atendidos, devido à falta de médicos.

Uma semana antes, na madrugada de 27 de Dezembro, um idoso morreu no Hospital São José, em Lisboa, vítima de um Acidente Vascular Cerebral, alegadamente por ter esperado mais de seis horas nas urgências por assistência médica. O Centro Hospitalar de Lisboa Central, do qual faz parte a unidade, decidiu abrir um inquérito.

A polémica em torno da carência de médicos nas urgências dos hospitais voltou a surgir depois de, no Natal, o Hospital Amadora-Sintra ter registado esperas de 20 horas, devido a um elevado número de doentes com doença mais grave e à falta de clínicos escalados por razões de saúde.

Posteriormente, para colmatar a situação, o Ministério da Saúde autorizou os hospitais que necessitem de reforço de equipas a contratarem excepcionalmente mais médicos, com um valor acima do que está definido na tabela, ou seja, além dos 30 euros à hora.

Desde ontem
A região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo tem agora mais 168 médicos de medicina geral e familiar, um aumento de 22% face a...

Segundo um comunicado da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que tutela a região na qual os 168 novos profissionais iniciaram o internato médico, os centros de saúde das zonas de Almada/Seixal, Loures/Odivelas e Sintra são as que recebem um maior reforço de médicos em termos absolutos.

A medida, diz-se no comunicado, irá permitir à ARSLVT, no final do internato, assegurar médico de família a mais 319.200 utentes, distribuídos por 15 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) da Região de Lisboa.

O internato médico realiza-se após a licenciatura em Medicina e corresponde a um processo de formação médica especializada, teórica e prática. Depois do curso os médicos candidatam-se a um concurso nacional para admissão no Internato Médico, que se destina à escolha dos locais e das áreas de formação (especialidades) e que terá a duração de 4 anos.

A região de Lisboa e Vale do Tejo envolve 3,6 milhões de utentes, distribuídos por 4 distritos e 15 Agrupamentos de Centros de Saúde. A falta de médicos nas urgências dos hospitais tem sido notícia nas últimas semanas, depois de relatos de muitas horas de espera, nalguns casos de 20 horas, e de dois casos de mortes de doentes enquanto esperavam para ser atendidos.

 

Hospitais de Coimbra admitiram mais 207 médicos em formação

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) admitiu 207 novos médicos em formação, aumentando assim para 641 o número de clínicos em actividade formativa, que representam anualmente um encargo de 21,4 milhões de euros.

"Trata-se de um importante investimento no conhecimento e na formação de especialistas que irão substituir as gerações anteriores", disse o presidente do conselho de administração Martins Nunes, na cerimónia de recepção.

Segundo o responsável dos CHUC, foram admitidos 207 médicos que pela primeira vez têm acesso ao emprego, sendo 93 internos de especialidade da formação específica e 114 médicos internos do ano comum.

Os novos médicos em formação representam um encargo anual de 6,8 milhões de euros, embora o investimento anual em formação do centro hospitalar, considerado por Martins Nunes o maior do país, atinja os 21,4 milhões de euros.

"O nosso hospital dará por muito bem empregue este investimento, pois confia na sua capacidade de formação e investigação e confia que os futuros especialistas não vão decepcionar os nossos cidadãos e que colocarão na sua formação toda a sua inteligência, toda a sua capacidade de trabalho e toda a sua ambição", salientou Martins Nunes.

Na sua intervenção, o presidente do conselho de administração dos CHUC referiu que o hospital "mudou nos seus conceitos e nos seus fundamentos", passando a ser "um palco de alta tecnologia ao serviço dos cidadãos, que ficou mais complexo e que exige mais de todos nós".

"O nosso Serviço Nacional de Saúde tem conseguido enfrentar exigentes condições de financiamento, através da realização de ajustamentos que levaram a ganhos de eficiência e a ganhos de gestão clínica e operacional", frisou Martins Nunes.

Dados da Organização Mundial de Saúde
O total de mortos resultantes do surto de Ébola na África Ocidental subiu para 8.153, com 20.656 casos registados, anunciou a...

Quase todos os casos de infecção e mortos foram registados nos três países mais afectados, Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri. Há também registo de oito mortos na Nigéria, declarada entretanto livre do Ébola em Outubro, seis no Mali e um nos EUA. A Espanha e o Senegal, que já foram declarados países livres do Ébola, têm um caso cada, mas não registo de mortos.

Na última semana, o Reino Unido noticiou o seu primeiro caso confirmado de Ébola, uma enfermeira regressada da Serra Leoa cujo estado foi considerado crítico.

A Serra Leoa, que ultrapassou a Libéria no número de pessoas infectadas, tem registo de 9.772, das quais 2.915 faleceram, com referência a 03 de Janeiro.

Na Libéria, que foi o país mais afectado, tem-se assistido a uma clara melhoria da situação nas últimas semanas. Em relação a 31 de Dezembro, o balanço é de 8.115 casos e 3.471 mortes.

No país onde o surto começou há um ano, a Guiné-Conacri, há registo de 2.769 casos, dos quais 1.767 terminaram em morte, com referência a 03 de Janeiro.

O Ébola, um dos vírus mais mortais conhecidos do homem, transmite-se apenas através de contactos directos com os fluidos corporais de uma pessoa infectada e tem como sintomas mais comuns a febre e o vómito.

As pessoas que cuidam dos doentes ou lidam com os corpos dos infectados com Ébola estão especialmente expostas.

Em relação a 28 de Dezembro, há 678 profissionais de saúde infectados, dos quais 382 morreram, adiantou a Organização Mundial de Saúde.

Bombeiros do Oeste
Corporações de bombeiros de concelhos do Oeste, servidos pela urgência de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste,...

"A situação é mesmo caótica e tem retido várias ambulâncias dos corpos de bombeiros. Não estamos a falar numa ou duas ambulâncias, mas cinco por exemplo no dia de ontem [segunda-feira], por falta de macas no hospital. Todos os doentes transportados de emergência para a urgência do hospital de Torres Vedras ficam em cima da maca dos bombeiros horas esquecidas até serem atendidos, paralisando as ambulâncias", denunciou o comandante dos bombeiros da Lourinhã, Carlos Pereira.

Contactado pela Lusa, o administrador do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), Carlos Sá, justificou que a falta de macas se deve ao "período de gripes em que houve um aumento de doentes na urgência, o que leva a um atraso na entrega de macas".

O "caos", que os bombeiros dizem que se arrasta desde há um mês, é também confirmado pelo comandante dos bombeiros de Torres Vedras, Fernando Barrão. No caso de Torres Vedras, só não se tem agravado porque a corporação dispõe de algumas macas suplentes.

A situação está a ter menos impacto junto das corporações do Cadaval e de Mafra, cujos concelhos são também servidos pelo hospital de Torres Vedras. Ainda assim, os respectivos comandantes confirmam que no último mês já "houve casos de ambulâncias retidas".

As corporações alertam que o socorro às populações "está a ser posto em causa", uma vez que algumas já ficarem sem ambulâncias disponíveis nos quartéis e tiveram de pedir ajuda a outras corporações.

"No domingo tivemos de recorrer aos bombeiros do Bombarral para responder a uma situação de socorro na Moita dos Ferreiros, na zona de fronteira, e hoje tivemos de recorrer aos bombeiros de Torres Vedras para se deslocarem ao Vimeiro para outro pedido de socorro porque tínhamos quatro ambulâncias paradas na urgência do hospital, situação que se mantém até agora às 20:00 horas", exemplificou Carlos Pereira.

Dados disponibilizados à Lusa por esta corporação apontam diferentes casos em que as ambulâncias estiveram à espera entre as três e as seis horas.

Apesar de tudo, o administrador hospitalar esclareceu que "os tempos de espera têm vindo a aumentar na urgência, mas continuam dentro dos valores recomendados".

No domingo, os doentes com pulseira amarela (urgentes) esperaram em média 56 minutos para serem atendidos, enquanto o tempo para os da pulseira verde (pouco urgentes) foi de duas horas e 09 minutos, valores semelhantes aos de hoje [terça-feira].

Para melhorar o atendimento, o CHO decidiu aumentar 10 camas de internamento na Unidade de Peniche e transferir doentes da urgência para os serviços de internamento, onde existem camas disponíveis.

O CHO vai também reunir na quarta-feira com os bombeiros para avaliar melhor o problema.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, e abrange, para além destas, as populações de Óbidos, Bombarral, Cadaval, Lourinhã e parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra, servindo mais de 292.500 pessoas.

Torres Vedras, Mafra, Lourinhã e Cadaval são os concelhos servidos em primeira linha pela unidade de Torres Vedras.

Infarmed
Na sequência da notícia do jornal Público de hoje, conclui-se que apenas 67 doentes foram ou estão a ser tratados com...

Foram, até ao final de 2014, autorizados para os hospitais portugueses 408 tratamentos com os novos fármacos para doentes com hepatite C. Destes tratamentos, 70 correspondem a AUE (autorizações de utilização especial) com esquemas posológicos contendo sofosbuvir ou suas combinações e 185 com um esquema posológico com medicamento inovador alternativo, através de ensaios clínicos ou de esquemas de acesso sem custos para o SNS. Adicionalmente, 153 doentes estão autorizados para tratamento com Boceprevir.

De notar que o panorama do tratamento da Hepatite C crónica conheceu uma evolução significativa com a disponibilização recente de novos fármacos, todos eles com elevadas taxas de cura. Para além dos diversos medicamentos que possuem já autorização de introdução no mercado, espera-se que surjam, nos próximos meses, novos medicamentos e esquemas terapêuticos.

No que respeita especificamente às AUE, ao INFARMED compete autorizar os pedidos solicitados pelos hospitais de acordo com os critérios estabelecidos pela Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica (CNFT). Dos pedidos efectuados foram autorizados 91%. Os restantes não cumpriam os critérios estabelecidos pela CNFT.

Hospitais de Coimbra
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra admitiu hoje 207 novos médicos em formação, aumentando assim para 641 o número...

"Trata-se de um importante investimento no conhecimento e na formação de especialistas que irão substituir as gerações anteriores", disse hoje o presidente do conselho de administração Martins Nunes, na cerimónia de recepção.

Segundo o responsável dos Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), foram admitidos 207 médicos que pela primeira vez têm acesso ao emprego, sendo 93 internos de especialidade da formação específica e 114 médicos internos do ano comum.

Os novos médicos em formação representam um encargo anual de 6,8 milhões de euros, embora o investimento anual em formação do centro hospitalar, considerado por Martins Nunes o maior do país, atinja os 21,4 milhões de euros.

"O nosso hospital dará por muito bem empregue este investimento, pois confia na sua capacidade de formação e investigação e confia que os futuros especialistas não vão decepcionar os nossos cidadãos e que colocarão na sua formação toda a sua inteligência, toda a sua capacidade de trabalho e toda a sua ambição", salientou Martins Nunes.

Na sua intervenção, o presidente do conselho de administração dos CHUC referiu que o hospital "mudou nos seus conceitos e nos seus fundamentos", passando a ser "um palco de alta tecnologia ao serviço dos cidadãos, que ficou mais complexo e que exige mais de todos nós".

"O nosso Serviço Nacional de Saúde tem conseguido enfrentar exigentes condições de financiamento, através da realização de ajustamentos que levaram a ganhos de eficiência e a ganhos de gestão clínica e operacional", frisou Martins Nunes.

Ébola
Portugal registou sete casos suspeitos de Ébola, que as análises revelaram negativos à doença, disse o presidente do Instituto...

Este laboratório, que é o de referência para o diagnóstico do vírus do Ébola, realizou nove análises, provenientes de sete amostras.

A maioria dos casos, todos negativos ao Ébola, revelou malária, existindo também um caso de salmonela.

Fernando Almeida sublinhou que, quando da realização destas análises, são também rastreadas outras doenças: malária, vírus de Marburg e febre de Lassa.

Os testes efectuados no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) demoram cerca de três horas, mais duas para a sequenciação.

No caso de a análise der resultado positivo, uma das duas amostras colhidas será enviada para um laboratório de máxima segurança na Alemanha, com o qual o INSA tem um protocolo de colaboração.

O balanço mais recente da Organização Mundial de Saúde (OMS), datado de quarta-feira passada, indica que mais de 20 mil pessoas foram infectadas com o vírus Ébola, nos três países da África Ocidental mais afectados, e 7.890 morreram.

Os dados registados até 28 de dezembro de 2014 apontam a Serra Leoa como o país com mais casos, um total de 9.446, sendo 2.758 mortais.

A Libéria registou, por seu lado, um abrandamento do ritmo de propagação do vírus, contando 8.018 casos, 3.423 deles mortais.

Na Guiné-Conacri, a OMS registou 2.707 casos, 1.708 deles mortais.

Além destes três países mais atingidos, o balanço de casos mortais mantém-se igual ao anterior - seis no Mali, um nos Estados Unidos e oito na Nigéria -, mas há mais um país com um caso declarado de infecção, o Reino Unido.

4 de Janeiro – Dia Mundial do Braille
Foi em 1827 que Louis Braille inventou o Braille.
Braille

Comemorou-se no passado dia 4 de Janeiro o Dia Mundial do Braille. Este dia é celebrado com o objectivo de despertar a atenção da sociedade para os problemas dos cidadãos invisuais. O alfabeto convencional Braille, processo de escrita em relevo para leitura táctil inventado por Louis Braille em 1827, em Paris, compõe-se de 63 sinais formados por pontos de alto relevo. A partir dos seis pontos relevantes, é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, pontuações, números, sinais matemáticos e notas musicais.

Este método veio permitir aos invisuais o desenvolvimento de um vasto número de actividades até então difíceis de manter. De salientar que a invenção do Braille teve um papel muito importante na inclusão de invisuais na sociedade, que até ali não tinham acesso à leitura e ficavam confinadas em sua própria casa ou internadas em asilos para pessoas com problemas mentais.

Com o Braille as pessoas deficientes invisuais passaram a ter acesso ao conhecimento, à cultura, ao lazer, à informação e, a partir desse conhecimento, elas puderam desenvolver a própria consciência, a pensar por si mesmas, e passaram a ter uma vida de cidadãos.

Apesar desta invenção ter vindo facilitar a vida dos invisuais em muitos aspectos do quotidiano são ainda muitas as dificuldades que esta população tem. Em Outubro do ano passado (2014) a presidente da Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal (ACAPO), Ana Sofia Antunes, em entrevista ao jornal digital Observador, alertou para o facto de perto de 45% das pessoas invisuais estarem desempregadas. A dirigente chamou ainda a atenção para “lacunas ao nível do apoio educacional, seja ele na escolaridade regular como depois na escolaridade superior, as questões de acessibilidade na via pública e aos meios de informação”.

Ana Sofia Antunes alertou igualmente para o facto de esta ser uma população fortemente discriminada. Exemplo disso são as dificuldades no acesso ao emprego, mas também uma simples deslocação, em que uma pessoa cega tem de conseguir ultrapassar uma série de barreiras, principalmente arquitectónicas.

Deficiência Visual
A deficiência visual caracteriza-se pela existência de um dano do sistema visual na sua globalidade ou parcialmente, podendo variar quanto às suas causas, e traduz-se numa redução ou numa perda de capacidade para realizar tarefas visuais. Ou seja, podemos considerar uma pessoa cega como sendo aquela que não possui potencial visual mas que pode, por vezes, ter uma percepção da luminosidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a deficiência visual engloba duas grandes categorias: a cegueira e a amblíopia, diferenciadas em função dos critérios "acuidade visual" (do melhor olho após correcção) e "campo visual".

De um ponto de vista do desenvolvimento da pessoa com deficiência visual, a cegueira pode ser de três tipos:

- Congénita - se surge dos 0 ao 1 ano de idade. Neste tipo de deficiência, a pessoa não tem qualquer referência visual – imagem mental. Apenas possui uma representação intelectualizada do ambiente - cores, perspectivas, volumes, relevos -, uma vez que existe ausência do conceito visual.

- Precoce - se surge entre o 1º e o 3º ano de idade;

- Adquirida - se surge após os 3 anos de idade. Também designada de cegueira tardia ou recente. A pessoa possui toda a riqueza do património visual anterior à cegueira. Ao contrário da congénita, existe representação de um objecto ou de um ambiente por analogia.

Principais causas da cegueira
As principais causas de cegueira no mundo não são as mesmas que afectam os portugueses. Em Portugal, como noutros países do Mundo Ocidental, as principais causas de baixa visão e/ou cegueira são a degenerescência macular ligada à idade (DMI), a retinopatia diabética e o glaucoma.

“Em Portugal, embora sem dados concretos, poderemos afirmar que serão poucos os casos de cegueira total por causas passíveis de tratamento médico e ou cirúrgico. No entanto, em consequência do estilo de vida e do aumento da esperança de vida nos países desenvolvidos, temos vindo a assistir a um aumento dos casos de baixa visão por retinopatia diabética e DMI”, explicou Paulo Torres, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia por ocasião do Dia Mundial da Visão, a 9 de Outubro.

Vigiar a saúde dos olhos é a única forma de manter a qualidade da visão. Por isso, Paulo Torres defendeu que “as visitas periódicas ao oftalmologista são fundamentais, assim como a observação dos olhos nas várias fase da vida, como por exemplo nas crianças para despiste da ambliopia, vulgo “olho preguiçoso”, das mulheres grávidas ou em menopausa, cujas alterações hormonais possam provocar doença ocular, de todos os indivíduos na faixa etária dos 40 aos 50 anos em que surge a presbiopia, vulgo “vista cansada”, e nas faixas etárias mais avançadas para despiste de catarata e DMI. E, obviamente, a SPO recomenda vigilância apertada naqueles que têm doença ocular conhecida”.

Alguns factos sobre a cegueira e baixa visão no Mundo

  • Cerca de 285 milhões de pessoas em todo o mundo são cegas ou sofrem de baixa visão. Destes, 39 milhões são cegos e 246 milhões têm deficiência visual moderada ou grave;
  • 90% dos cegos vivem em países pobres;
  • 80% da deficiência visual é evitável, sendo tratável ou passível de prevenção;
  • As estratégias de reparação da visão e prevenção da cegueira são das intervenções em saúde com melhor relação custo-benefício;
  • O número de cegos por doença infecciosa foi bastante reduzido nos últimos 20 anos;
  • Estima-se que haja 19 milhões de crianças com deficiência visual em todo o mundo;
  • Cerca de 65% das pessoas com deficiência visual têm 50 anos ou mais, grupo etário que corresponde a 20% da população mundial;
  • O envelhecimento da população em muitos países significa que há cada vez mais pessoas em risco de desenvolver deficiência visual relacionada com a idade.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
À chegada ao Gana
O novo chefe da missão da ONU contra o Ébola afirmou que acabar com o mais mortífero surto da epidemia é difícil, mas possível,...

"Esta é uma crise global. Temos tempos difíceis pela frente, mas podemos conseguir", declarou Ismail Ould Cheikh Ahmed, o novo chefe da Missão das Nações Unidas de Resposta à Emergência do Ébola (UNMEER), à chegada ao Gana.

Ahmed, um mauritano, que chegou a Acra para assumir oficialmente o cargo, substituindo o norte-americano Anthony Banbury, realçou que “não há um plano B”.

“O trabalho à frente continua a ser muito difícil, mas nós realmente não temos outra escolha”, acrescentou, num comunicado.

A UNMEER, com sede na capital de Gana, está a liderar os esforços internacionais na luta contra o Ébola.

De acordo com os últimos dados da Organização Mundial de Saúde, existem mais de 20.200 casos confirmados, prováveis ou suspeitos de Ébola e pouco mais de 7.900 mortes relatadas. Os três países mais afectados são a Serra Leoa, Libéria e Guiné.

Ahmed visitará esta semana a Libéria e a Serra Leoa e a Guiné pouco depois "para reforçar as prioridades estratégicas da UNMEER e ver em primeira-mão a resposta ao Ébola", é referido no texto.

Nas visitas será acompanhado pelo enviado especial das Nações Unidas sobre Ébola, David Nabarro.

Antes de sua nova nomeação, Ahmed foi Representante Especial Adjunto e Chefe Adjunto da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL).

Numa conferência de imprensa na semana passada, no Gana, na véspera da sua partida para Nova Iorque, Banbury tinha dito estar confiante de que o número de casos de Ébola iria começar a diminuir no início de 2015.

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