Estudo revela
Cirurgias de redução do estômago curaram, pelo menos durante cinco anos, metade dos doentes com diabetes do tipo 2 que...

Com base em 60 voluntários, os cientistas concluíram que não é possível curar-se da diabetes apenas através de uma dieta restritiva combinada com medicamentos. Somente a cirurgia consegue melhorar os sintomas da doença a longo prazo, tal como a perda de peso, escreve o Sapo.

Os especialistas consideram os resultados do estudo "notáveis" e alertam para a necessidade de mais pessoas terem acesso à cirurgia bariátrica, que reduz o tamanho do estômago e deixa o intestino menos exposto à comida, escreve a BBC.

As equipas do King's College London e da Universitá Cattolica, em Roma, compararam os resultados da cirurgia com o obtido através de terapias tradicionais.

"A cirurgia é capaz de produzir uma remissão prolongada em 50% dos casos, em que pacientes apresentam níveis normais de glicose no sangue por cinco anos. E 80% deles conseguiram manter sob controlo estes níveis usando apenas um medicamento ou mesmo nada", explicou Francesco Rubino, médico da instituição italiana, que conduziu as cirurgias, cita a referida estação de televisão.

Os pacientes submetidos a cirurgia também mostraram menor tendência para desenvolver problemas cardíacos, talvez pela necessidade de menor prescrição de medicação.

"A cirurgia parece ser segura, eficiente em termos de controle glicémico. Temos agora de saber se a cirurgia está ou não associada a uma redução de mortalidade", explicou o cirurgião.

Em Nelas
O responsável das Termas da Felgueira, Adriano Ramos, disse que há cada vez mais crianças a fazerem tratamentos para as vias...

"Tem havido um grande aumento de crianças a fazer tratamentos em termas, talvez pela maior incidência de um certo tipo de patologias como as alergias e as asmas brônquicas. Sentimos que há cada vez mais crianças a procurar estas terapias porque não têm contraindicações", explicou.

Em declarações, o responsável pela estância termal do concelho de Nelas, no distrito de Viseu, sublinhou que os efeitos dos tratamentos com água mineral são seguros: não provocam sono e não agridem outro órgão.

"Sempre tivemos uma atenção especial para o termalismo pediátrico - entre o um ano e os 18 anos - que é uma das nossas apostas. Temos uma sala específica para tratar as vias respiratórias de crianças, com técnicas que usamos especificamente nestas idades", informou.

Adriano Ramos destacou a insuflação tubo-timpânica, "uma técnica médica, aplicada por um médico, que é usada sobretudo nas situações de otites crónicas ou de repetição, e que tem efeitos excelentes".

"Essa é uma das razões de sermos muito procurados por crianças. Somos líderes em Portugal no segmento pediátrico: cerca de 25% das crianças que fazem tratamento em termas fazem-no nas Caldas da Felgueira", avançou.

Para além dessa técnica, as Termas da Felgueira dispõem de "uma outra técnica que também é muito apreciada pelos meninos: a nebulização coletiva".

"Esta técnica consiste numa grande câmara de vapor de água mineral, que aproveita toda a mineralização da água. Não é um banho turco, saliento bem a diferença, pois no banho turco o vapor é feito por evaporação, enquanto na nebulização coletiva o vapor é água mineral pulverizada", explicou.

Por ano, passam pelas Termas da Felgueira "entre 900 a mil crianças", num universo de mais de 4.500 aquistas com estadia mínima de sete dias.

"No primeiro ano de tratamento, as pessoas notam logo grande melhoria. Porém, isto é uma terapêutica que não é imediata: não é como um comprimido que uma pessoa toma e o sintoma desaparece. É um tratamento natural, cuja terapêutica tem o seu ritmo", sustentou.

No seu entender, o tratamento deve ter entre sete a 21 dias - dependendo da patologia e da situação do doente - e deve ser repetido vários anos: pelo menos três anos.

As recomendações de tratamento nesta estância termal chegam por parte de termalistas ou amigos, mas "principalmente por parte de médicos".

"Somos a estância termal em Portugal que provavelmente tem o maior índice de prescrição médica. Os nossos clientes são referenciados por médicos, sobretudo por otorrinos que nos conhecem bem, sabem as aplicações médicas que nós temos e que nos distinguem dos nossos concorrentes", frisou.

A pequena Mariana Gaspar, de seis anos, veio de Lisboa pelo terceiro ano consecutivo para estar duas semanas nas Termas da Felgueira "a curar as otites".

"Agora tenho poucas otites e, como vou para o primeiro ano, não vou precisar de faltar à escola por estar doente", descreveu.

De acordo com a avó, Célia Franco, a criança de seis anos ficava todos os meses doente com uma infeção nos ouvidos.

"Tomou sempre muitos antibióticos, mas agora está francamente melhor e, no último ano, só teve uma otite. Já os meus filhos mais velhos fizeram cá tratamentos com ótimos resultados às vias respiratórias", concluiu.

Universidade de Coimbra
Um estudo liderado pela Universidade de Coimbra concluiu que o cérebro dos surdos congénitos se pode modificar, alojando no...

“Os surdos congénitos apresentam uma grande neuroplasticidade (capacidade do cérebro se modificar) de longo prazo, fazendo com que o seu córtex auditivo aloje propriedades visuais típicas do córtex visual”, acaba de revelar uma investigação internacional, afirma a Universidade de Coimbra (UC).

Liderado pelo investigador Jorge Almeida, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC, o estudo vai ser publicado na Psychological Science, “revista internacional de referência na área da psicologia”.

Os resultados da pesquisa poderão ser determinantes para “explorar novas abordagens terapêuticas para tratar lesões cerebrais e doenças neurodegenerativas baseadas na neuroplasticidade, e serão centrais para o desenvolvimento de novas gerações de implantes cocleares mais eficazes”, sustenta Jorge Almeida.

Isto porque, explica o investigador, “os atuais dispositivos estão pensados para explorar a organização típica do córtex auditivo, mas o estudo provou alterações na estrutura”, passando o córtex auditivo a deter informação relativa à visão.

“Será assim necessário repensar a conceção dos implantes cocleares de modo a que estes explorem também a nova organização cerebral”, afirma o coordenador da investigação.

Financiado pela Fundação BIAL e por uma bolsa Marie-Curie (na primeira fase), o estudo, que foi desenvolvido durante os últimos quatro anos, envolveu um grupo de surdos congénitos e um grupo de normo-ouvintes (pessoas sem surdez) chineses, refere a UC.

“Para perceber os mecanismos de receção e reação do córtex auditivo, ambos os grupos foram sujeitos a diferentes estímulos visuais durante a realização de uma ressonância magnética, tendo os investigadores verificado que, no caso dos surdos, o córtex auditivo herda o tipo de processos e potencialmente organização que vemos no córtex visual dos normo-ouvintes”, afirma a UC na mesma nota.

Estas modificações neuroplásticas “deverão ser responsáveis pela perceção visual periférica superior normalmente apresentada por surdos congénitos”, admite Jorge Almeida, citado pela UC.

Entender os mecanismos que “o sistema nervoso central dispõe para se “reprogramar”, modificando o funcionamento do cérebro, é essencial para o desenvolvimento de modelos que expliquem o fenómeno de neuroplasticidade a longo prazo”, sustenta Jorge Almeida.

Isto é, “a compreensão do modo como o cérebro se transforma e adapta a longo prazo, e para a aplicação de terapias baseadas nestes modelos”, explicita o líder do estudo.

A investigação contou ainda com a participação de investigadores da Universidade do Minho, de duas universidades chinesas e uma dos Estados Unidos da América.

A equipa de investigadores pretende agora avançar com novos estudos em Portugal para explorar mais aprofundadamente a neuroplasticiadade na surdez, nomeadamente como forma de compensação da modalidade sensorial afetada, adianta a UC.

Apresentado hoje
Um quarto da população adulta dos municípios da Grande Lisboa, Alto Trás-os-Montes, Lezíria do Tejo e Frente Atlântica vão ser...

Estes serão os primeiros cidadãos rastreados no âmbito deste projeto, embora preveja que toda a população venha a ser abrangida por esta medida preventiva.

Trata-se do Desafio Gulbenkian “Não à Diabetes!”, que junta autarquias e instituições de saúde locais, regionais e nacionais, e tem dois objetivos: evitar que 50 mil pré-diabéticos desenvolvam a doença nos próximos cinco anos e identificar, no mesmo período, 50 mil diabéticos que desconheçam ser portadores da doença.

Os indivíduos identificados no rastreio como potencialmente diabéticos ou pré-diabéticos serão encaminhados para os centros de saúde, onde serão desenvolvidos programas educativos para promover a adoção de estilos de vida saudáveis.

Este projeto – que será coordenado pela Associação Protetora dos Diabéticos em Portugal - decorre do estudo “Um Futuro para a Saúde – Todos temos um papel a desempenhar”, apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2014.

Portugal é o país europeu com a taxa de prevalência de diabetes mais alta: 13% da população com idade entre os 20 e os 79 anos, segundo o relatório de Saúde de 2014, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

OMS
A resistência aos antibióticos pode custar 10 milhões de vidas e 100 biliões de dólares até 2050 se não forem tomadas medidas...

Os dados foram compilados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que se mostra cada vez mais preocupada com o crescente problema dos 'supermicróbios' e do seu impacto nos sistemas de saúde.

"O custo da inação nesta matéria pode representar uma queda de entre 2 e 3,5% do PIB mundial", disse Swarup Sarkar, diretor do Departamento de Doenças Contagiosas do escritório regional do Sudeste Asiático da Organização Mundial de Saúde (OMS), num encontro com jornalistas em Díli.

"Estamos perante a maior ameaça nos esforços de combate às doenças contagiosas", explicou, referindo que até 2050 a resistência aos antibióticos pode matar mais pessoas que o cancro: 4,15 milhões em África, 4,73 milhões na Ásia e cerca de 400 mil nos Estados Unidos e Europa.

E os dados são "muito preocupantes" com, por exemplo, uma criança a morrer em cada cinco minutos na India, Paquistão, Afeganistão, Nepal e Bangladesh devido a septicemia.

O tema da Resistência Anti microbial (AMR, na sua sigla em inglês) faz parte da agenda de debate da 68ª sessão do Comité Regional do Sudeste Asiático da OMS, que decorre entre hoje e sexta-feira em Díli com delegações de 11 países.

Depois de nos anos 50 do século XX se ter chegado a antecipar o fim das doenças contagiosas, o uso indiscriminado e inadequado de antibióticos e a capacidade de sobrevivência dos micróbios alterou a situação.

Hoje, explicou Swarup Sarkar, a proliferação dos 'supermicróbios' está a aumentar com alguns a resistirem a praticamente todos os antibióticos disponíveis.

Só na União Europeia, destaca, a estimativa é que o custo anual seja de 1,5 mil milhões de dólares por ano, com mais de 25 mil mortes.

"Quando há resistência o impacto na saúde pública é imenso. Tratamentos mais longos, mais hospitalizações, maior mortalidade. Tratar um paciente com tuberculose resistente, por exemplo, custa o mesmo que tratar 100 pacientes com tuberculose não resistente", explica.

No caso da febre tifoide, por exemplo, a mortalidade antes dos antibióticos era de 12 a 13% e agora, porque antibióticos como a penicilina já não são suficientes, em alguns regiões a mortalidade já ultrapassa os 10%.

Na Tailândia 69% de algumas das formas da pneumonia já resistem à penicilina e em vários pontos do planeta mais de metade dos pacientes infetados com variantes mais resistentes de dois dos supermicróbios hospitalares (Staphylococcus aureus e Acinetobater baumannii) morrem.

"Pessoas que são admitidas para cirurgias ou outras intervenções médicas, que não têm doenças infeciosas e que acabam por morrer, vitimas de bactérias endémicas e resistentes nos hospitais", explicou Sarkar.

O problema é "complexo", devendo-se a questões biológicas e técnicas, mas particularmente a questões comportamentais, como o excessivo consumo de antibióticos, o seu uso inadequado (automedicação e dosagem desadequada) ou até o seu uso no setor veterinário, na carne para consumo humano.

Produzir novos antibióticos, recordou, é um processo complexo, com custos elevados e resultados demorados: "a última classe de antibióticos descoberta data de 1987".

"Daí que é necessário alterar o comportamento. Temos que promover um uso racional de antibióticos que são um recurso precioso que todos temos que preservar", afirmou Sarkar.

"Mas também temos que reduzir a pressão das doenças melhorando as condições que as causam. Estamos fascinados sobre novos avanços e menos sobre as coisas mais simples, como saneamento, melhoria básica das condições de vida", afirmou.

DGS
A Direção-Geral de Saúde disse que a saúde das duas pessoas internadas com a Doença dos Legionários na região Norte continua a...

No último mês e meio foram registados 12 casos da Doença dos Legionários em pessoas residentes na região de saúde do Norte e duas delas estão hospitalizadas.

No sábado transato, o hotel da Boa-Vista, na Foz do Porto, desencadeou um tratamento da rede predial de águas por suspeita de contaminação pela bactéria da Doenças dos Legionários, todavia, a iniciativa não tem relação com os casos registados recentemente na região Norte, referiu a Direção-Geral de Saúde (DGS).

Em declarações, o diretor-geral da Saúde, Francisco George, adiantou que as duas pessoas que foram internadas por causa da Doença dos Legionários continuam a evoluir de forma positiva.

Continuam a evoluir de forma positiva, mais num caso do que noutro”, acrescentou.

Francisco George vai estar hoje no Porto para dar uma conferência de imprensa sobre os casos que têm sido registados com a Doença dos Legionários na região Norte do país.

A conferência de imprensa está marcada para as 17:30h, na sede da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) e com a presença da delegada da ARSN, Maria Neto.

Dos 12 casos identificados, e de acordo com a informação epidemiológica disponível, há duas pessoas que estiveram fora do país durante o período provável de ocorrência da infeção.

Os restantes dez casos com a Doença dos Legionários ocorreram em pessoas residentes na região do Grande Porto.

Em novembro de 2014, um surto de ‘legionella’ em Vila Franca de Xira causou 12 mortes e infetou 375 pessoas.

De acordo com o balanço feito na altura, as vítimas mortais tinham entre 43 e 89 anos e eram nove homens e três mulheres. A taxa de letalidade do surto foi de 3,2%.

O surto teve início a 7 de novembro e foi controlado em duas semanas.

Câmara de Lisboa quer avançar
A Câmara de Lisboa debate na quarta-feira a celebração de um protocolo com a Estamo e a Administração de Saúde de Lisboa e Vale...

Prometido há vários anos, o centro de saúde do Martim Moniz terá “capacidade para prestar cuidados de saúde primários a cerca 20.900 mil utentes de centros de saúde circundantes, alguns dos quais sem condições ideais de atendimento, pretendendo contribuir para a oferta de boas instalações na cidade, com vista à prestação de cuidados de saúde primários de qualidade à população”, indica a proposta assinada pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado.

Em abril deste ano, o vereador dos Direitos Sociais do município de Lisboa, João Afonso, disse à agência Lusa esperar que a unidade de saúde familiar prevista para o Martim Moniz esteja a funcionar em 2016.

De acordo com a proposta, o centro de saúde será instalado em duas frações autónomas das Residências do Martim Moniz que pertenciam à Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL), extinta no final do ano passado e cuja gestão passou para a Câmara de Lisboa, por se tratar de uma zona com vantagens como a “centralidade e acessibilidade para cidadãos de mobilidade reduzida”.

Em 2012, a EPUL celebrou um contrato promessa de compra e venda com a Administração de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para alienação dessas frações, com vista a instalar o centro de saúde, mas tal venda ficou condicionada à “autorização formal expressa dos Ministros das Finanças e da Saúde”, bem como à “obtenção de visto prévio favorável do Tribunal de Contas (TdC)”, refere o documento.

Apesar de o prazo ter sido alargado para março de 2013, as autorizações e o visto prévio do TdC não chegaram, pelo que “as obrigações assumidas pelas partes caducaram”.

Acresce que, adianta a proposta, a Estamo (empresa pública gestora das participações imobiliárias do Estado) é credora do município em mais de 17,8 milhões de euros, valor a que acrescem juros de perto de 727 mil euros devido à aquisição do Convento do Desagravo e do Complexo Desportivo da Lapa.

A Estamo disponibilizou-se, entretanto, a reduzir o valor do crédito sobre o município após a receção das frações autónomas (no valor de 2,5 milhões de euros) que irão acolher o centro de saúde do Martim Moniz, “uma vez que a ARSLVT irá tomá-las de arrendamento ou permutá-las” por edifícios situados nos números 120 a 122 da Avenida 24 de Julho e no 147 a 155 da Rua da Madalena.

De acordo com o documento, que ainda terá de ser submetido à Assembleia Municipal, estas frações foram entregues à Estamo no passado dia 17 de agosto, “para o início imediato das obras”, que têm um custo estimado de 1,2 milhões de euros.

Especialista
Os filhos têm, por vezes, perceção de que os pais preferem um dos irmãos, o que pode ser falso, mas é decisivo que os adultos...

"Se não houver uma comunicação direta, aberta, honesta entre pais e filhos, se os pais tiverem a perceção de que podem transmitir essa ideia e não conversarem com os filhos sobre isso, se não desmistificarem a questão da preferência, é provável que haja alguns comportamentos e atitudes de ambas as partes que vão refletir-se na relação familiar", disse a psicóloga Fátima Almeida.

Por isso, salientou, é essencial falar sobre o assunto independentemente da idade da criança.

"O diálogo é a base de tudo, se a comunicação com as crianças for simples, franca e honesta elas percebem, muitas vezes mais cedo do que nós achamos", apontou Fátima Almeida, referindo que, "mesmo essa falsa perceção de preferência, pode iniciar-se muito cedo, no primeiro ou segundo ano de vida da criança" e depois vai juntando mais informação ao longo do tempo.

A psicóloga é autora, juntamente com Laura Alho, do livro "O Filho Preferido", lançado na semana passada, e que tentou responder à questão da existência, ou não, de preferência por um dos filhos da parte dos pais, um assunto "tabu" de que não se gosta de falar.

A obra foi construída a partir da análise de vários estudos científicos e trabalhos publicados, dividindo-se em 12 capítulos, com outros tantos temas, desde a gravidez, à relação entre os pais, a forma como geriram o nascimento do filho e o seu crescimento.

"Não podemos concluir se existe ou não um filho preferido, porque não foi feito um estudo científico sobre isso, o que podemos concluir efetivamente é que tanto pais como filhos têm perceções diferentes e tipos de personalidades diferentes que levam a que tenham alguma tendência para se identificar mais com um filho do que com outro", explicou Fátima Almeida.

Tendo em conta as personalidades e características de pais e filhos, pode acontecer uma maior empatia entre uns e outros, mas identificar-se mais com uma criança do que com outra "não é considerado ter uma preferência, mas os filhos podem percecioná-la como uma preferência e é ai que reside o foco da questão", resumiu.

E pode ter consequências na sua ligação com os pais, com os irmãos e ter mesmo implicações no seu desenvolvimento, e a especialista avançou que a própria relação entre os irmãos vai ser influenciada, "de forma profunda", por esta perceção, tornando-a "mais conflituosa, até de rivalidade".

"Se uma criança alimentar a ideia de que há um filho preferido que não seja ele próprio, o que acontece muitas vezes é afastar-se da família, vai procurar outros adultos, alguém com quem se identificar", se for da mesma idade e os pais não considerarem adequado, pode vir a criar atritos cada vez maiores, alertou.

A especialista resumiu: "No fundo, é como se se sentisse a mais na família e acaba por procurar apoio fora da família".

Questionada acerca da frequência da existência desta questão da preferência dos pais, Fátima Almeida disse: "É mais comum do que pensávamos, praticamente todas as famílias com mais do que um filho já pensaram ou já falaram sobre o assunto ou, pelo menos, já experimentaram alguma situação constrangedora, porque nem sempre as famílias e os próprios filhos gostam ou sentem-se confortáveis a abordar" o tema.

Estudos
Os polícias portugueses apresentam bom estado psicológico no primeiro ano de serviço, mas à medida que vão para o terreno...

Estudos realizados pela investigadora Cristina Queirós, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, em conjunto com psicólogos da Divisão de Psicologia da PSP, sobre o “Burnout e indicadores psicopatológicos em polícias”, revelam que os jovens agentes da PSP, no seu primeiro ano de serviço efetivo e colocados em Lisboa, apresentam “valores baixos de 'burnout'”, “bom estado psicológico” e “realização profissional boa”.

O “Burnout e indicadores psicopatológicos em polícias” e outros estudos científicos vão ser apresentados no III Congresso Internacional sobre Condições de Trabalho, evento que vai decorrer na quinta e na sexta-feira, no Porto.

A investigadora alertou, contudo, que a progressão do mal-estar psicológico, cansaço emocional e stresse crónico no trabalho aumentam à medida que os polícias vão sendo colocados no terreno, principalmente no atual momento de crise, em que são confrontados com “mais exigências emocionais" e "cada vez menos recursos”.

Os polícias enfrentam pessoas que também lidam com mais dificuldades e se tornam mais exigentes e, também por isso, vão “piorando do ponto de vista psicológico”, pois diminui a realização profissional e a motivação para as tarefas, aumentando a exaustão emocional, proporcionando o aparecimento do Síndrome do 'Burnout'.

O Síndrome de 'Burnout' é uma reação ao stresse crónico no trabalho e caracteriza-se por três grandes dimensões. A primeira é a exaustão ou cansaço emocional do sujeito que se levanta já cansado para o trabalho, está cada vez mais desmotivado, mais triste e que no limite pode conduzir ao suicídio.

Nos polícias, o suicídio é um “problema dramático, porque eles têm uma arma”. “Num momento de desespero, um polícia pega na arma e é muito mais eficaz”, alerta a investigadora, reforçando a ideia da importância de “prevenir os sintomas”, porque o polícia em stresse tem um acesso fácil a armas, o que não acontece tão facilmente noutras profissões num momento de desespero no trabalho.

A segunda dimensão é a “despersonalização” ou “frieza”. O sujeito para se defender dos sintomas anteriores começa a tratar os outros mal, de forma indiferente e reagindo de forma agressiva.

Quando a exaustão ultrapassa um determinado limite, a realização profissional diminui e o cinismo aumenta, explica Cristina Queirós, observando que, nesse estado, a pessoa não tem forças para se controlar.

“Não se acorda em burnout, é um processo lento”, conta a investigadora, que considera urgente alertar as pessoas que sofrem de ‘burnout’ a conhecerem as fontes de stresse e a aprenderem a reagir, “não centrando as energias todas no trabalho”.

O ‘burnout’ acontece, por norma, a meio da carreira, entre os dez a 15 anos de atividade e não se nota no fim da carreira, porque quando as pessoas entram em 'burnout', muitas mudam de profissão.

É típico em pessoas altruístas que se dedicam muito ao emprego e pode ser afetado por outras características individuais, como por exemplo o estado civil, sendo mais propensos os não casados ou sem relação afetiva estável.

Os sintomas psicológicos do ‘burnout’ podem ser um cansaço extremo, falta de paciência para atender os outros, o que é grave em profissões de ajuda como os bombeiros, polícias ou médicos.

Sintomas depressivos, irritabilidade, auto-agressividade ou hetero-agressividade, sensação de vazio e cansaço físico e emocional extremo são outros sintomas.

Os sintomas físicos são mais difusos, normalmente são doenças físicas, alergias, problemas respiratórios, mais facilidade em ter doenças como constipações ou gripes, problemas gastrointestinais, dores de cabeça, diarreias, aperto no peito ou dores musculares.

O congresso internacional arranca na quinta-feira com a conferência de abertura intitulada Fundações Europeias para a Melhoria de Vida e das Condições de Trabalho: 40 anos (1975-2015”, agendada para as 09:50.

“Condições de trabalho e liberdade religiosa”, “Bullying e stress em enfermeiros”, “Stresse Ocupacional e Burnout em Professores Universitários” ou “Absentismo no trabalho versus presentismo” são outros temas do evento internacional.

OMS
O planeta está a enfrentar desafios globais de saúde sem precedentes com as doenças não contagiosas a ultrapassarem, na maioria...

Uma situação, explicou Vismita Gupta-Smith, do escritório regional do sudeste asiático da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é agravado por novos fatores de pressão como populações mais envelhecidas, os desafios da crescente e rápida urbanização e "uma significativa população móvel e migrante".

Gupta-Smith falava num encontro com jornalistas em Díli de antecipação da 68ª sessão do Comité Regional do Sudeste Asiático da OMS que começa hoje na capital timorense, com delegações de 11 países.

Nos próximos dias, ministros ou representantes de ministérios de 11 países - Bangladesh, Butão, Coreia do Norte, India, Indonésia, Maldivas, Myanmar, Nepal, Sri Lanka, Tailândia e Timor-Leste - estarão em Díli para "definir a agenda de saúde para a região".

"As regiões na OMS são diferentes das regiões geográficas. E as pessoas definem a que região a que querem pertencer", explicou.

"Os membros definem a agenda de saúde para a região e o que pretendem que o escritório regional da OMS destaque. Serão aprovadas várias resoluções sobre a agenda, que foi definida pelos estados membros", sublinhou Gupta-Smith.

Na reunião os delegados presentes deverão analisar questões como o consumo do tabaco, doenças contagiosas, doenças tropicais e prevenção da tuberculose.

O encontro debaterá ainda uma gama variada de assuntos relacionados com a saúde nesta região do planeta, incluindo respostas a desastres, prevenção de contágios, combate a doenças tropicais e ao sarampo, poliomielite e rubéola, bem como esforços para a prevenção da tuberculose e de várias formas de cancro.

Resistência a antibióticos e estratégias para a implementação de cobertura alargada dos sistemas de saúde estarão igualmente em debate.

Médicos de família dizem
Representantes de diversas organizações médicas concluíram, no final de um encontro, em Lisboa, que a proposta de projeto de...

O II Fórum Médico de Medicina Geral e Familiar (MGF), promovido pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) debateu "A evolução da reforma dos CSP – dimensão da lista de utentes do médico de família" com representantes de diversas organizações médicas.

Rui Nogueira, presidente da APMGF, disse que no encontro, foi manifestada a oposição à proposta do Governo, e esse consenso vai ser enviado na próxima semana em carta ao Ministério da Saúde, "antes que o projeto de lei vá a Conselho de Ministros".

Em causa está uma proposta que recompensa monetariamente os médicos de família que aumentem as respetivas listas de utentes em regiões geográficas especialmente carenciadas no rácio entre especialistas clínicos e doentes.

A adesão dos médicos é voluntária e temporária - dois anos - visando complementar sobretudo as regiões do Algarve, Alentejo litoral, e Grande Lisboa (Loures, Amadora, Sintra e Cascais).

Para Rui Nogueira, o projeto "não é razoável porque, com o aumento de consultas diárias corre-se o risco de má prática, e será inconsequente na redução esperada, iludindo as pessoas".

Quando a medida foi anunciada, o Governo disse que esperava que mais 200 mil pessoas pudessem vir a beneficiar destes profissionais de saúde.

"Não é possível aumentar mais o número de consultas quando os médicos já estão muito acima do padrão", comentou ainda o presidente da APMGF.

Na opinião de Rui Nogueira, só o aumento do número de unidades e de médicos poderá reduzir os 1,2 milhões de utentes que em Portugal não têm atualmente médico de família.

7 de setembro - Dia Mundial para a Sensibilização e Consciencialização da Distrofia Muscular de Duchenne
No dia 7 de setembro celebra-se o Dia Mundial para a Sensibilização e Consciencialização da Distrofia Muscular de Duchenne. A...

A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença neuromuscular, hereditária e degenerativa, altamente incapacitante, que afeta, principalmente, indivíduos do sexo masculino. Rara e muito grave, a DMD ainda não tem cura. Há, no entanto, tratamentos que têm como principal objetivo suavizar os sintomas e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao seu portador. Na Europa, o primeiro medicamento destinado a um tipo específico de mutação, já recebeu aprovação condicional por parte da Agência Europeia do Medicamento (EMA).

A DMD caracteriza-se pela degeneração da membrana que envolve a célula muscular. Trata-se de uma doença progressiva que afeta todos os músculos do corpo e que atinge mais de 250 mil pessoas em todo o mundo. A esmagadora maioria são crianças do sexo masculino.

Não sendo detetável aquando do nascimento, a DMD é a mais comum do grupo das distrofias musculares já conhecidas. É causada por uma falha no ADN que impede o organismo de produzir uma proteína chamada de distrofina. Esta proteína é importante para as fibras musculares, e sua ausência resulta em fraqueza muscular que piora ao longo do tempo.

“Os doentes com DMD precisam de um bom acompanhamento, não só a nível médico, como na globalidade das suas vidas. É fundamental que os doentes com Duchenne sejam integrados na sociedade, seja a nível da educação, que passa por um apoio mais efetivo que os ajude a superar os obstáculos, seja na melhoria das condições de acessibilidade, que lhes permitam uma vida o mais ativa possível, ou mesmo através da revisão das políticas de reembolso e comparticipação de cuidados médicos, medicamentos e equipamentos de apoio”, explica Joaquim Brites, presidente da Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares (APN).

Primeiras manifestações e tratamentos
As primeiras manifestações aparecem no início da infância e as crianças afetadas apresentam algum atraso ao nível motor ou no seu desenvolvimento. Habitualmente, as crianças portadoras de uma miopatia de Duchenne raramente atingem uma capacidade evidente de correr ou de saltar.

Os portadores da DMD vêm alteradas as suas capacidades de marcha durante a infância, perdendo, na adolescência, a aptidão de usar os braços, o que os impede de realizar normalmente atividades diárias, como apanhar objetos, escrever e alimentar-se. A capacidade de respirar também se adultera e, à medida que crescem, estes jovens sentem cada vez mais dificuldades em respirar. A estas dificuldades, juntam-se outras complicações possíveis que invariavelmente acabam por afetar a maioria dos doentes com Duchenne, nomeadamente: cardiomiopatia, deformidades, arritmias cardíacas, pneumonia e a diminuição da capacidade de cuidar de si autonomamente.

Apesar de não ter cura, há medidas que podem ser tomadas para ajudar pacientes e famílias. Existem tratamentos que têm como principal objetivo suavizar os sintomas e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao doente.

Entre os 5 e os 7 anos, idade em que as capacidades motoras da criança começam a ser afetadas, os portadores de DMD podem ser submetidos a um tratamento que inclui a administração de corticosteróides. Para além disso, e exclusivamente para a mutação “Non Sense”, já é possível iniciar um tratamento que visa obter uma melhoria significativa da função muscular. Este tratamento é, unicamente, de administração e acompanhamento hospitalar.

A Alemanha foi o primeiro país do mundo a comercializar o produto e, em Espanha, já existem cerca de 20 doentes em tratamento, estando também a ser implementado em países com a Grécia, Itália ou Irlanda.

“É curioso perceber como os países em crise económica como a Grécia, a Itália ou a Irlanda estão entre os primeiros a implementar este tratamento. As autoridades locais perceberam a importância de conferir a maior qualidade de vida a estas crianças, independentemente dos custos. São, sem dúvida, um exemplo a seguir”, acrescenta o presidente da APN.

O medicamento ainda não é comparticipado em Portugal, onde se supõe existirem cerca de 20 crianças aptas a receber o tratamento. O processo é moroso e passa pela submissão de um pedido de utilização especial, o que acaba por complicar ainda mais a vida do doente. A comparticipação do medicamento seria uma boa solução. "Cada dia que passa, é um dia que se perde. E no caso destas crianças qualquer atraso compromete, irremediavelmente, a sua qualidade de vida", conclui Joaquim Brites.

No Algarve
A Administração Regional de Saúde do Algarve anunciou a contratação de 16 médicos de Medicina Geral e Familiar, que devem...

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve refere que oito daqueles médicos, que concluíram o grau de especialista na primeira época do internato médico de 2015, vão ser distribuídos de forma equitativa pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) Central e do Barlavento (oeste algarvio).

Seis do conjunto de 16 médicos que agora iniciam funções nos centros de saúde algarvios foram contratados ao abrigo do regime excecional de contratação de médicos aposentados, prevendo-se que continuem a assegurar a prestação de cuidados de saúde por mais três anos nas respetivas unidades funcionais dos agrupamentos de centros de saúde da Região.

O grupo de médicos fica completo com um profissional contratado através de um concurso nacional lançado em março, que vai ser colocado no ACES do Barlavento, e com outro recrutado através do regime de mobilidade, que exercerá funções no ACES Central, acrescenta a ARS/Algarve.

"Estas contratações encontram-se integradas na estratégia assumida pela ARS/Algarve com vista a colmatar a carência de médicos de família na região, através da sucessiva abertura de concursos para recrutamento destes profissionais, complementada pela reorganização dos serviços e racionalização dos recursos humanos existentes", lê-se no comunicado.

Por outro lado, aquele organismo refere que tem apostado na formação, "com o aumento significativo do número de médicos internos a realizar a sua formação na região", na perspetiva de que no final do internato, e após concurso, estes profissionais prossigam a sua carreira no Algarve.

Mulheres e idosas mais doentes
Os portugueses estão a consumir mais medicamentos antidepressivos, principalmente as mulheres e com mais de 65 anos, de acordo...

O estudo dá conta do consumo de antidepressivos e estabilizadores do humor, de tranquilizantes e de hipnóticos e sedativos.

Em relação aos antidepressivos e estabilizadores de humor, foram vendidos nos primeiros seis meses do ano 4.022.626 unidades destes medicamentos: mais 95.981 unidades do que em 2014 e mais 303.380 do que em 2013.

De acordo com a análise da IMS Health à prescrição de antidepressivos e estabilizadores do humor, tranquilizantes, hipnóticos e sedativos, as mulheres são quem mais consume antidepressivos e estabilizadores do humor.

Entre janeiro e junho deste ano, foram prescritas 3.977.659 unidades de antidepressivos a mulheres e 1.349.523 unidades a homens.

No mesmo período, a tendência de prescrição de tranquilizantes e hipnóticos e sedativos foi no mesmo sentido, uma vez que de 70% do número de prescrições destes fármacos se destinou a mulheres.

A faixa etária acima dos 65 anos é a que regista o maior número de prescrições deste tipo de medicamentos, seguindo-se a faixa etária entre os 40-54 anos.

“O número de embalagens prescritas deste tipo de medicamentos, desde o início do ano, a pessoas acima dos 65 anos gira em torno do 40 a 50% do total de prescrições”, seguindo-se a faixa etária entre os 40-54 anos (17 a 25% do número total de embalagens prescritas).

Apesar do aumento de unidades de antidepressivos e estabilizadores de humor ter aumentado, a despesa dos doentes diminuiu.

Nos primeiros seis meses de 2014, a despesa com estes fármacos foi de 27.380.757 euros, baixando para os 26.366.481 euros no mesmo período deste ano.

A IMS Health apurou ainda que os antidepressivos e estabilizadores de humor são os medicamentos da categoria dos psicoativos onde os europeus (Reino Unido, França, Itália, Espanha e Alemanha) mais dinheiro gastam.

Entre julho de 2014 e junho de 2015, o consumo em valor na Alemanha de medicamentos antidepressivos atingiu os 1.087.151.269 euros, seguido por Espanha (687.353.460 euros) e Reino Unido (500.222.924 euros).

França, Itália e Portugal gastaram com estes medicamentos 367.856.333 euros, 291.961.233 euros e 67.608.020, respetivamente.

Em Portugal, cada pessoa consome, em média, 37 comprimidos por ano.

Itália é o país onde menos antidepressivos se consomem (17 comprimidos por pessoa durante o ano). No lado oposto, os alemães (49 comprimidos por ano) e os espanhóis (59 unidades por ano) são os que mais antidepressivos consomem.

DGS
Das 12 pessoas residentes na região Norte que têm a Doença dos Legionários, duas estão internadas, não há mortes a registar e a...

A Direção-Geral da Saúde (DGS), em comunicado, informa que neste momento estão internadas duas pessoas e não se registou a ocorrência de “nenhum óbito”.

A DGS informa também que a situação notificada “não é comparável ao surto que ocorreu em novembro de 2014 em Vila Franca de Xira, quer pela magnitude e gravidade, quer ainda pela expressão rápida que caracterizou a curva epidemiológica”.

No último mês e meio registaram-se 12 casos da Doença dos Legionários em pessoas residentes na região Norte de Portugal, ou seja, mais cinco pessoas do que no período homólogo de 2014.

“Desde a última semana de julho foram diagnosticados 12 casos (…). Em período homólogo do ano anterior verificaram-se sete casos ocorridos na mesma região”, lê-se no mesmo comunicado de imprensa.

A DGS acrescenta que foi notificada pela delegada de Saúde Regional do Norte de que a “informação epidemiológica disponível indica que dois daqueles casos estiveram fora de Portugal durante o período provável de ocorrência da infeção, podendo, assim, estar associados a viagens”.

Os restantes dez casos ocorreram em pessoas residentes no Grande Porto.

A investigação epidemiológica está a ser conduzida, incluindo a georreferenciação, de forma a caracterizar com detalhe os locais e os percursos que os doentes fizeram durante os 14 dias antes do início da sintomatologia a fim de identificar a fonte de infeção.

Em novembro de 2014, um surto de legionela em Vila Franca de Xira causou 12 mortes e infetou 375 pessoas com a bactéria da legionella.

De acordo com o balanço feito na altura, as vítimas mortais tinham entre 43 e 89 anos e eram nove são homens e três mulheres. A taxa de letalidade do surto foi de 3,2%.

O surto teve início a 7 de novembro e foi controlado em duas semanas.

Em Coimbra
Às mãos de António Travassos chegam doentes de todo o mundo, à procura de um tratamento para os seus casos considerados sem...

Cinco horas e 18 minutos foi o tempo que três médicos do Centro Cirúrgico de Coimbra levaram a fazer uma cirurgia inédita, a primeira em todo o mundo, que ao doente valeu a luz do dia, escreve o jornal Público. A troca de uma parte do olho foi feita como uma simples mudança peças de uma engrenagem que já não funciona… mas de um olho para o outro. Dois dias após a intervenção, o doente a quem tinha sido diagnosticada uma cegueira irreversível já conseguia contar os cinco dedos de uma mão à distância de um metro.

“Se a cegueira é curável, só há uma solução: é fazer tudo aquilo que podemos para curar o doente. Essa é a nossa missão”, diz António Travassos, cirurgião oftalmologista fundador do Centro Cirúrgico de Coimbra, que não pousou o bisturi quando, em Dezembro de 2014, Martinho Santos Martins ali entrou com uma cegueira bilateral. “Estava completamente deprimido quando chegou, e hoje só consegue sorrir. Mesmo com os olhos ainda tapados, o senhor só sorria.”

O doente de Bragança, com 69 anos, foi submetido, no final de Julho deste ano, a uma translocação (ou deslocação) do segmento anterior do olho, uma cirurgia nunca realizada com sucesso até hoje. António Travassos, o cirurgião principal, conseguiu o “enxerto perfeito”. Ou seja, recortou um círculo perfeito para poder transplantar toda a córnea (a parte da frente do olho que cobre a íris e a pupila) e ainda uma coroa circular de esclera (a região branca do olho) do olho esquerdo para o olho direito.

O resultado surpreendeu até o médico, que nunca deu certezas de cura ao doente. Depois da cirurgia, Martinho Santos Martins, que ao entrar no bloco operatório não controlava as lágrimas, percorria então os corredores do Centro Cirúrgico de Coimbra de forma autónoma, e com a visão recuperada no olho direito de 1/10 (do ponto de vista legal, a cegueira existe quando o melhor olho tem uma acuidade inferior a esse valor).

Apesar de todas as dificuldades ao longo do tempo, a esperança nunca abandonou o doente que desde cedo conviveu com a cegueira. O olho direito, se não o atraiçoam as memórias da infância, nunca tinha tido visão. A zona da córnea encontrava-se esbranquiçada (leucocórnea), o que impedia Martinho Santos Martins de ver desse olho. Mais tarde na vida, uma trombose no olho esquerdo roubou-lhe a única janela para o mundo.

Foi operado em França, onde esteve emigrado, e tentou ainda tratamentos em Espanha, mas nada trouxe a visão a Martinho Santos Martins. A cegueira era irreversível para os médicos que o observavam – com a excepção de António Travassos, a quem recorreu, já quase sem esperança, no final de 2014.

“Com o exame de visometria, concluímos que o olho direito do doente, embora estando cego, tinha uma acuidade de visão de 2/10, porque as estruturas da parte posterior estavam funcionais”, diz António Travassos. Este foi o motivo que levou o médico a avançar confiante para a cirurgia, mas sempre com a ameaça de ter de extrair o olho.

Houve uma primeira cirurgia em Coimbra, que consistiu em trocar a córnea do olho esquerdo – o olho que estava também cego pela trombose mas que tinha a córnea saudável – para o olho direito, com a córnea esbranquiçada desde a infância. E para o olho esquerdo transplantou-se a córnea de um dador. “Conseguimos resultados, do ponto de vista anatómico, para o olho esquerdo, e do ponto de vista funcional para o olho direito [que conseguiu agora recuperar a visão]”, diz António Travassos. “Nada fazia prever o que aconteceu depois”, diz ainda o médico.

Após esta primeira cirurgia, o inesperado por todos surgiu: o doente teve uma rejeição da sua própria córnea no olho direito. “Ninguém esperava que o melting da córnea acontecesse após a cirurgia. O doente tinha recuperado a visão e voltou a perdê-la.” O melting da córnea é uma reação auto-imune rara, que consiste na inflamação da córnea, como se derretesse até à sua perfuração.

“Em vez de retirarmos o olho, resolvemos esperar que tudo estabilizasse, para encontrar uma solução.” E foi isto que a equipa de médicos fez. Após algum tempo, surgiu então a hipótese de uma nova cirurgia devolver a visão a Martinho Santos Martins.

A técnica nunca tinha sido realizada em parte nenhuma do mundo, mas António Travassos, famoso por resolver situações aparentemente sem solução, avançou para a sala de operações. “Nunca pude dar esperanças ao doente. Mesmo antes de entrar em cirurgia tive de lhe dizer que havia a hipótese de ter de se eviscerar o olho. Entrou no bloco sem controlar as lágrimas.”

A segunda cirurgia, na qual participaram ainda os oftalmologistas José Galveia e Sofia Travassos, filha de António Travassos, teve os seguintes passos: transportou-se toda a córnea (que o doente já tinha recebido de um dador) e a coroa circular de esclera do olho esquerdo para o olho direito, aquele que tinha tido a reação auto-imune. Por isso se designa translocação. Quanto à córnea que foi rejeitada, voltou para o olho esquerdo, aquele que se mantém cego.

A coroa de esclera funcionou como uma espécie de aba para se deslocar toda a córnea, sem se alterar o ângulo da câmara anterior. A manutenção do ângulo da câmara anterior evitou complicações, como o desenvolvimento de hipertensão ocular, que levariam ao insucesso da intervenção.

“Esta cirurgia prova que nunca devemos desistir de fazer o melhor por cada doente e, neste caso específico, tínhamos de tentar proporcionar melhor qualidade de vida, porque este era um caso em que a alternativa era deixar manter o doente na cegueira”, diz António Travassos. “É uma verdadeira lição. A lição de que não devemos retirar um olho que tenha ainda perceção luminosa. É sempre possível pensar de maneira diferente.”

Geralmente, os doentes com a córnea esbranquiçada ficam sem tratamento, ou são submetidos a uma cirurgia para substituir parte da córnea por matéria orgânica inerte e transparente (queratoprótese). Mas esta nunca foi uma hipótese ponderada por António Travassos: “Em toda a minha vida, vi quatro doentes com queratoprótese. Todos eles sofreram inúmeras complicações e voltaram a cegar.”

Com a cirurgia da translocação de uma parte dos olhos feita há mais de um mês, o doente não teve até agora qualquer tipo de complicações. “Em oftalmologia também se fazem milagres”, diz Martinho Santos Martins, citado num comunicado do centro. E o prognóstico é que possa ir recuperando gradualmente alguma visão. “Conseguimos ainda manter o olho esquerdo que, apesar de não ter visão, de um ponto de vista anatómico e estético era importante”, diz o médico. “Se nesta fase não tivermos complicações, a probabilidade de as termos no futuro é mínima.”

“Continuar a sonhar”
António Travassos fundou o Centro Cirúrgico de Coimbra há 16 anos, e hoje recebe lá doentes de pelo menos 44 países. “As pessoas andam por todo o lado e quando começam a ficar desesperadas chegam aqui ao centro.”

Dos países árabes chega uma grande parte destes doentes, geralmente pessoas com um estatuto económico e social muito elevado. “Uma vez operei uma irmã de um rei sem saber quem era. Mas, para mim, o que interessava era que tinha ali uma doente como todos os outros”, conta António Travassos. “Há pouco tempo tive também o caso de um doente árabe que não recebeu um visto de Portugal para vir ao centro tratar-se. Isto é muito estranho, sobretudo quando se quer desenvolver o turismo de saúde.”

A tecnologia de ponta que usa, como bisturis de diamante, permite-lhe aperfeiçoar cada vez mais a sua arte. A gravação em 3D das cirurgias é outro aspeto inédito do seu trabalho. “Em Dezembro de 2009 só se falava no filme 3D ‘Avatar’, e eu pensei: por que não aplicar isto na cirurgia?” Com a ajuda da empresa Sony, que cedeu o equipamento, começou a filmar todas as intervenções cirúrgicas, o que resulta hoje em mais de três milhões e meio de imagens. “Hoje temos memória futura. Não podemos chegar a conclusões científicas [só] com o que os outros escreveram. Temos de documentar, é assim que se faz ciência.”

Com mais de 60.000 cirurgias realizadas, o médico de 65 anos fez parte da sua formação nos Estados Unidos, onde praticou cirurgia em macacos. “Foi na altura um privilégio, porque os macacos eram muito caros.” Quando, em 1981, regressou a Portugal para integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, encontrou casos complicadíssimos para começar a sua carreira. “São hoje os meus grandes amigos, os doentes daquela época, pelos quais lutei para lhes devolver a visão.”

Hoje, no Centro Cirúrgico de Coimbra, António Travassos salva da escuridão os milhares de doentes que todos os anos lhe chegam ao consultório. “Há sempre uma aprendizagem contínua. Esta é a luta contra a cegueira. E a possibilidade de pormos os doentes a ver é que nos faz andar nesta loucura constante de continuar a sonhar.”

Unidade Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa alerta
Os batidos à base de frutos e vegetais estão na moda e são vistos como a solução ideal para uma alimentação saudável e uma...

“O termo detox surgiu de desintoxicante, sendo esta uma dieta que promete ajudar a eliminar as toxinas do organismo, que diariamente se acumulam. Contudo, não existe evidência científica que o comprove, além dos já conhecidos benefícios dos vegetais quando consumidos nas formas mais comuns (em sopas, cozinhados ou crus)”, explica Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa, ao Sapo.

“A integração dos batidos detox num plano alimentar diversificado e completo pode ser uma medida saudável e um importante contributo para o aumento da ingestão diária de frutos e vegetais. Contudo, a alimentação jamais deve ser composta exclusivamente por batidos, uma vez que necessitamos diariamente de outros macro e micronutrientes obtidos através do consumo de outros grupos alimentares”, alerta a especialista.

“As pessoas que apreciam os batidos detox não devem deixar de os consumir, especialmente se não gostam muito de vegetais e encontraram nestas bebidas a forma ideal de os ingerir”, revela Ana Rita Lopes, explicando ainda que “podem ser incluídos um a dois destes batidos na alimentação diária mas nunca como substitutos de refeições completas e muito menos como alimentação exclusiva diária”.

A nutricionista salienta ainda que “se as pessoas têm problemas ao nível da coagulação sanguínea ou tomam medicação anticoagulante, estes batidos não são recomendados, pelo seu elevado teor em vitamina K”.

A longo prazo
Uma terapia de combate ao cancro que programa as células do sistema imunitário do doente para limpar a leucemia linfoide...

Especialistas disseram que o tratamento é a vanguarda da imunoterapia, que consiste em persuadir o corpo a matar o cancro e pode um dia revolucionar a oncologia ao acabar com o uso da quimioterapia, um tratamento com muitos efeitos secundários, escreve o Sapo.

O tratamento, conhecido como CTL019, foi desenvolvido pelo Abramson Cancer Center da Universidade da Pensilvânia e a Perelman School of Medicine, que agora reportam os primeiros resultados a longo-prazo num grupo de 14 pacientes.

Oito dos adultos envolvidos no estudo (57%) responderam ao tratamento: quatro apresentaram remissão de longo prazo e quatro com resposta parcial, segundo os resultados publicados na revista Science Translational Medicine.

A primeira pessoa a receber tratamento recentemente celebrou cinco anos livre de cancro. Outras duas chegaram à marca dos quatro anos sem qualquer sinal de recidiva. A quarta estava em remissão há 21 meses, mas acabou por morrer devido a uma infeção após a cirurgia, sem relação com a leucemia.

Células modificadas permanecem no corpo
"Os nossos testes com pacientes que viveram remissões completas mostraram que as células modificadas permanecem nos corpos durante anos após as infusões, com nenhum sinal de células cancerígenas ou linfócitos B", explicou Carl June, principal autor do estudo, professor de imunoterapia no departamento de patologia e medicina laboratorial da Universidade da Pensilvânia.

"Isso sugere que pelo menos algumas das células CTL019 retêm as habilidades de caçarem células cancerígenas".

Os investigadores relataram resultados em três pacientes adultos em 2011, mostrando que dois dos três entraram em remissão no primeiro ano de tratamento.

A terapia experimental é feita a partir das células do sistema imunitário dos próprios pacientes, também conhecidas como células T, recolhidas pelos investigadores e reprogramadas para procurar e matar o cancro.

Normalmente, o sistema imunitário tenta atacar o cancro mas não consegue, porque o tumor pode iludir as defesas do organismo.

As células T são modificadas para conter uma proteína conhecida como um recetor quimérico antigénico (CAR), que tem como alvo a proteína CD19 encontrada na superfície de células B cancerígenas.

Depois das células imunes serem recolhidas e reprogramadas, o paciente é submetido a quimioterapia para limpar o sistema imunitário antes de receber as novas células imunes.

Jacqueline Barrientos, oncologista do North Shore-LIJ Cancer Institute que não participou neste estudo, descreveu o tratamento como "revolucionário" pela sua capacidade de eliminar a leucemia linfoide crónica (LLC) durante anos.

"Estas notícias são muito animadoras", comentou Barrientos à AFP, afirmando também que muitos especialistas acreditam que Carl June deve receber o prémio Nobel algum dia por iniciar uma era no tratamento do cancro.

Ineficácia
O tratamento não funcionou em toda a gente. Quatro dos pacientes (29%) responderam à terapia durante sete meses, mas o cancro voltou a aparecer.

Seis das 14 pessoas do grupo não responderam ao tratamento e os investigadores estão a trabalhar para descobrir por que motivo as células modificadas não se alastraram pelo corpo da mesma forma que nos outros pacientes que apresentaram remissão de longo prazo.

Desde 2012
Clínicos de outras nacionalidades representam 7% do total, mas espanhóis caíram para metade em dez anos. Dos 1867 médicos...

Médico, espanhol, especializado em medicina geral e familiar, com uma idade entre os 35 e os 45 anos e a trabalhar na região Norte. Este é o perfil mais comum dos 1867 clínicos estrangeiros que estavam a trabalhar em Portugal em 2014. Depois de vários anos em queda, o número de médicos estrangeiros que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a crescer desde 2012. Os espanhóis continuam a representar a maior fatia e subiram ligeiramente desde há três anos, mas mesmo assim o número de clínicos que atravessaram a fronteira ibérica para Portugal caiu para metade em dez anos.

Os dados fazem parte do Boletim informativo - Recursos Humanos Estrangeiros no Ministério da Saúde da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), a que o jornal Público teve acesso. O documento traça a evolução dos médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde estrangeiros a trabalhar em Portugal na última década. No final de 2014, o sector público da saúde contava com um total de 3074 profissionais estrangeiros – um número bastante inferior aos 4490 identificados em 2004, mas que mesmo assim cresceu em 117 pessoas em relação a 2013. O valor, regra geral, caiu ao longo da última década, mas existe “uma tendência para a estabilização a partir de 2008”, salienta a ACSS.

Destas 3000 pessoas, 1296 vêm de países da União Europeia, em 952 dos casos de Espanha. Seguem-se quase 700 profissionais dos países africanos de língua oficial portuguesa (com Angola a encabeçar a lista com 279 pessoas) e há ainda 360 brasileiros. No total, 2,54% das mais de 121 mil pessoas que trabalham no Ministério da Saúde são estrangeiras. Mas o peso dispara para 7% se tivermos em consideração só o peso dos médicos estrangeiros no total de mais de 26 mil clínicos. No caso dos enfermeiros, só 1,5% dos mais de 38.000 profissionais não são portugueses. A região de Lisboa e Vale do Tejo é a que concentra mais pessoas (1444), seguida pelo Norte (710). Mas, por exemplo, no caso dos médicos espanhóis é o Norte que atrai mais trabalhadores. Quanto a diferenças por sexo, as mulheres estão em maioria e representam 61,8% do total.

Um quinto a recibos verdes
Depois dos 1867 médicos, os enfermeiros surgem como a profissão com mais peso, com 577 profissionais estrangeiros. No final de 2014 estavam também contabilizados 393 assistentes operacionais de outros países e 113 assistentes técnicos, além de técnicos superiores de saúde, técnicos de diagnóstico e terapêutica, informáticos e investigadores, entre outras profissões na área. Em termos de vínculo, a esmagadora maioria tem contratos de trabalho por tempo indeterminado, mas ainda há quase 18% de pessoas em regime de recibos verdes.

Regressando só aos médicos, há dez anos existiam 2113 estrangeiros em Portugal e no final de 2014 apenas 1867, o que representa uma quebra de cerca de 12%. No entanto, desde 2012 que o valor tem estado em recuperação. Só entre 2013 e o final do ano passado o número de clínicos cresceu quase 9%. Nesse mesmo ano, os dados da Ordem dos Médicos apontam para que 400 portugueses tenham emigrado.

“O número de médicos espanhóis a trabalhar em Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos (609 médicos em 2012 para 663 médicos em 2014)”, especifica a ACSS, que adianta que 280 estão no Norte, 132 em Lisboa e Vale do Tejo, 96 no Algarve, 85 no Alentejo e 70 no Centro. No entanto, se a comparação for feita no período de dez anos constata-se que em 2004 o país era muito mais atrativo para os clínicos de Espanha que chegaram a ser 1128 nesse ano. Pelo contrário, é de salientar a evolução da presença de médicos cubanos, que passaram de 18 em 2012 para 79 em 2014. Pelo valor total, sobressai, ainda, a presença de 163 ucranianos, 159 brasileiros, 109 angolanos, 77 colombianos e 88 guineenses. Aliás, a contratação de médicos, sobretudo cubanos, para colmatar as necessidades dos centros de saúde tem levado a Ordem dos Médicos a criticar o Ministério da Saúde.

Do total de médicos, há 1431 que registaram a sua especialidade, sendo 301 deles internos. “As especialidades onde se encontram mais médicos estrangeiros são a Medicina Geral e Familiar, com 548 médicos, a Medicina Interna, com 237 profissionais, a Cirurgia Geral, com 82 médicos e a Anestesiologia com 69 profissionais”, adianta a ACSS. No caso dos médicos de família, tem-se assistido a uma redução do seu peso nos últimos anos, de 603 em 2012 para 548 no ano passado. Ao todo, somando portugueses e estrangeiros, há quase 8000 em todo o país. Em sentido contrário estão os hospitais, que tinham 764 clínicos estrangeiros em 2012 e passaram para 848 no mesmo período. Porém, só 282 dos médicos de família trabalham em centros de saúde, desempenhando os restantes as suas funções em hospitais e unidades locais de saúde.

Se o número de médicos caiu 12% em dez anos, a descida na proporção de enfermeiros estrangeiros foi muito mais esmagadora. Eram 1730 em 2004 e apenas 577 no ano passado - um mínimo histórico nestes dez anos. Ou seja, praticamente menos 67%. Portugal perdeu, sobretudo, enfermeiros de países da União Europeia, que passaram de 1355 para 338. No caso dos espanhóis, a descida foi de 1238 para 261, que na maior parte dos casos estão em Lisboa e Vale do Tejo (150). Há também menos profissionais dos países africanos de língua portuguesa e do Brasil. “Os enfermeiros de nacionalidade estrangeira baixaram de 612 em 2013, para 577 no ano passado”, diz a ACSS.

Em dois meses
O investigador português Noel de Miranda, ex-aluno de Biologia Aplicada da Universidade do Minho, recebeu, em pouco mais de...

Primeiro, foi a bolsa da Associação Norte-Americana de Estudo do Cancro, que concedeu 93 mil euros durante o período de dois anos; agora, a notícia do prémio Bas Mulder, 430 mil euros atribuídos pela Sociedade Holandesa de Cancro (SHC) e por uma fundação não-governamental de estudo da doença, a Alpe d'HuZes.

Noel de Miranda, de 33 anos, diz sentir-se ainda mais estimulado a prosseguir a sua investigação na área do cancro intestinal. "Com este dinheiro o projeto consegue sustentar-se de forma independente. Consigo executar a investigação toda que propus", afirma, em entrevista à Renascença.

O cancro intestinal é a segunda causa de morte por doença oncológica em Portugal e afeta cada vez mais pessoas com menos de 50 anos.

A investigação de Noel de Miranda tem como principal objetivo o desenvolvimento de estratégias que estimulem o sistema imunitário de doentes com cancro colo-rectal para que as células tumorais possam ser identificadas e eliminadas pelo mesmo.

O estudo propõe utilizar as proteínas que se encontram modificadas nas células tumorais para estimular uma resposta imunitária contra as mesmas, algo semelhante ao que é feito através da vacinação contra certas doenças.

Noel de Miranda é natural da Póvoa de Varzim, no Porto. Depois da licenciatura em Biologia Aplicada na Escola de Ciências da UMinho, ingressou no Centro Médico da Universidade de Leiden (Holanda) para desenvolver um doutoramento relacionado com o cancro colo-rectal. Realizou um pós-doutoramento no Instituto Karolinska (Suécia).

É investigador no Centro Médico da Universidade de Leiden, onde se dedica ao estudo de genética e imunologia em cancro colo-rectal. Já publicou 27 artigos em revistas científicas internacionais.

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