Opinião
Manter uma rotina de exercício físico é fundamental para a prevenção de doenças crónicas, para o bem

Os estudos científicos demonstram que os diferentes períodos do dia têm vantagens e desvantagens. Descubra, neste artigo, como escolher o momento que melhor se adapta a si.

Manhã

As manhãs são, para muitas pessoas, o momento ideal para fazer exercício.

Prós:

  • Consistência: Treinar de manhã pode ajudar a criar um hábito estável, já que há menos interferências e imprevistos do dia a dia.
  • Ativa o metabolismo: O exercício matinal pode ativar o metabolismo desde cedo e contribuir para o controlo de peso.
  • Foco mental: Estudos sugerem que treinar de manhã melhora o foco e a sensação de energia ao longo do dia.

Contras:

  • Mais rigidez corporal: Depois de acordar, os músculos e articulações podem estar “frios”, o que exige um aquecimento mais intenso para evitar lesões.
  • Menos força muscular: O desempenho máximo no momento do treino pode ser ligeiramente inferior em comparação com horários mais tardios do dia, especialmente em exercícios de alta intensidade.

 

Meio do dia ou tarde

Treinar entre o meio da manhã e o final da tarde é considerado o momento em que o corpo está mais preparado fisicamente.

Prós:

  • Melhor desempenho: Para muitas pessoas o corpo está mais desperto e a temperatura muscular é mais elevada, o que favorece a força, a resistência e a capacidade de treino intenso.
  • Menos risco de lesões: A flexibilidade muscular está melhor ao longo da tarde, o que reduz a probabilidade de contraturas.

Contras:

  • Imprevistos do dia: Para muitas pessoas, o trabalho, os estudos ou outros compromissos fazem com que seja mais difícil arranjar tempo para uma sessão de treino neste período.
  • Pico de fadiga: Algumas pessoas sentem uma queda de energia depois do almoço, o que pode afetar a motivação e intensidade do treino.

Noite

Treinar à noite pode ser uma boa opção para quem tem rotinas mais ocupadas durante o dia.

Prós:

  • Alívio do stress: Uma sessão de exercício no final do dia pode reduzir a tensão acumulada e melhorar o humor.
  • Maior força muscular: Para algumas pessoas, os níveis máximos de força e desempenho físico geralmente ocorrem ao final da tarde ou no início da noite.

Contras:

  • Impacto no sono: Fazer exercício muito intenso perto da hora de dormir pode causar insónias a algumas pessoas.
  • Energia reduzida: Depois de um longo dia de trabalho ou estudo, a fadiga pode afetar a qualidade do treino, tornando-o menos eficaz.

Contudo...

Não existe um momento de treino ideal para toda a gente. O mais importante para atingir os seus objetivos é escolher um horário que lhe permita manter consistência ao longo do tempo. Algumas pessoas preferem a energia da manhã, outras o fim da tarde, e muitos combinam diferentes horários conforme a sua agenda.

 

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
ULS da Cova da Beira
Teve lugar, no passado dia 22 de janeiro, na ULS da Cova da Beira (ULSCBEIRA), um procedimento neurocirúrgico inovador para a...

A cirurgia foi liderada pelo Dr. Bruno Lourenço Costa, neurocirurgião da ULS da Cova da Beira, e consistiu na remoção completa da neoplasia, assegurando que não permanecem vestígios tumorais no doente. Concluída a excisão, procedeu-se à reconstrução do osso frontal do crânio, garantindo simultaneamente a proteção do cérebro e um resultado estético harmonioso da face.

Tradicionalmente, este tipo de cirurgia implica um grande corte no couro cabeludo, associado a maior perda de sangue, risco acrescido de infeção, dor pós-operatória significativa e à presença de uma cicatriz definitiva, com impacto físico e emocional para o doente.

Ao optar por uma abordagem minimamente invasiva, através de um pequeno corte discretamente localizado na sobrancelha, totalmente oculto e sem necessidade de pontos cirúrgicos externos, é possível reduzir de forma significativa os riscos e o desconforto associados à cirurgia tradicional, proporcionando uma recuperação mais rápida e um resultado estético claramente superior.

Do ponto de vista técnico, destaca-se ainda neste procedimento, o recurso a tecnologia de neuronavegação, um sistema comparável a um verdadeiro “GPS cirúrgico”, que permite localizar o tumor com precisão milimétrica e confirmar, no final do procedimento, a sua remoção total. Apesar de se tratar de uma técnica exigente, que requer formação especializada e elevada experiência clínica, oferece vantagens claras para o doente, assegurando a mesma eficácia das técnicas clássicas, com uma recuperação mais rápida, menos dolorosa e mais confortável.

De acordo com o Dr. Bruno Lourenço Costa, “estas inovações são utilizadas de forma rotineira em centros internacionais de referência em cirurgia minimamente invasiva do crânio e do cérebro, um conjunto de técnicas que revolucionou positivamente a neurocirurgia moderna. A sua notoriedade internacional ganhou particular visibilidade quando figuras públicas, como o antigo senador norte-americano John McCain, foram submetidas a intervenções recorrendo a estas abordagens”.

Para a equipa envolvida, este avanço “representa mais do que um feito técnico. É, acima de tudo, o reflexo de um esforço concertado do Conselho de Administração e das equipas clínicas em proporcionar aos doentes cuidados de saúde diferenciados, sustentados nas tecnologias mais inovadoras, com o objetivo último de criar valor em saúde, reforçar a segurança clínica e melhorar a qualidade de vida dos doentes”, conclui o neurocirurgião.

A equipa cirúrgica integrou ainda o neurocirurgião, Dr. Inácio Reis, o que evidencia a complexidade deste procedimento.

A ULS da Cova da Beira reafirma, assim, o seu compromisso com a excelência clínica, a inovação cirúrgica e a centralidade no doente, posicionando-se na linha da frente da neurocirurgia moderna em Portugal.

UMinho
A cientista Sara Calafate, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da...

O seu projeto irá explorar como diferentes tipos de células de suporte no cérebro, chamadas glia, interagem com as conexões entre os neurónios (conhecidas como sinapses) no hipocampo, uma região essencial para a memória. Durante o sono, estas interações são ajustadas, um processo crítico para transformar experiências em memórias duradouras. Sendo o sono frequentemente alterado em doenças neurodegenerativas como a de Alzheimer, Sara Calafate sugere que aquelas interações podem ser prejudicadas, por isso pretende desenvolver esta nova linha de investigação.

O seu trabalho centra-se assim em compreender como os neurónios formam circuitos precisos e estáveis e como o cérebro mantém o equilíbrio necessário para que estes circuitos funcionem corretamente na formação da memória. Em estudos anteriores, Sara Calafate investigou o papel de um péptido, uma pequena molécula mensageira do cérebro envolvida na regulação do sono e da comunicação neuronal, e identificou alterações precoces neste sistema na doença de Alzheimer.

Sara Calafate nasceu há 36 anos e é natural de Póvoa de Varzim. Fez a licenciatura em Biologia Aplicada pela UMinho, o mestrado em Biologia Molecular e Celular pela Universidade de Coimbra e, também em parceria com a Janssen Pharmaceutica, o doutoramento e pós-doutoramento pela Universidade Católica da Lovaina (Bélgica). Regressou a Portugal em 2023 com uma bolsa Marie Curie para um pós-doc no ICVS, em Braga, onde é atualmente investigadora auxiliar. Soma várias distinções, como o recente Prémio Maria de Sousa, atribuído pela Fundação Bial e Ordem dos Médicos. Tem obtido financiamentos internacionais altamente competitivos, como da Organização Europeia de Biologia Molecular.

 

Causas, dados e soluções
Para quem desconhece o termo, importa clarificar do que se trata.

Por aqui já pode ver que não algo incomum. Mas nada tema. Há um tratamento confiável da impotência que lhe apresentaremos mais à frente. Antes disso, importa olhar para as causas e para os dados. Só assim conseguirá compreender os tratamentos, depois. Venha daí que explicamos-lhe tudo. 

Prevalência real em Portugal: números alarmantes do SNS

Apesar de ainda ser um tema rodeado de silêncio, os números mostram que a disfunção erétil é mais comum do que se imagina em Portugal. Estudos nacionais indicam que a prevalência global ronda os 19,2% nos homens entre os 25 e os 70 anos, mas a incidência aumenta de forma significativa com a idade. Nos homens mais jovens, a taxa situa-se nos 2,3%, enquanto nos mais idosos pode ultrapassar os 53%.

Quando se analisa a gravidade, cerca de 25% dos casos são considerados moderados e 10% severos, o que significa um impacto real na qualidade de vida e nas relações pessoais. Entre os homens com diabetes, a prevalência sobe para 23,8%, confirmando a forte ligação entre doenças metabólicas e impotência.

Ainda assim, há um problema que agrava o cenário: a baixa procura de ajuda médica. Estima-se que cerca de 30% dos homens evite falar do problema por vergonha ou estigma, adiando o diagnóstico e o tratamento. O paradoxo é simples: mais de 90% dos casos são tratáveis quando acompanhados de forma adequada. Ou seja, não estamos perante um destino inevitável, mas sim perante um problema de saúde com solução.

Principais causas da impotência masculina

Na maioria dos casos, a origem da disfunção erétil é física. As chamadas causas orgânicas representam cerca de 80% dos diagnósticos, estando frequentemente associadas a doenças crónicas como diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado e tabagismo. Em Portugal, dados indicam que 65,7% dos homens com disfunção erétil apresentam três ou mais fatores de risco cardiovascular, o que reforça a ligação entre saúde sexual e saúde do coração.

O consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e a obesidade também contribuem para o problema, ao afetarem a circulação sanguínea e os níveis hormonais. Por outro lado, cerca de 20% dos casos têm origem psicológica, estando relacionados com stress, ansiedade, depressão ou problemas de autoestima.

Importa ainda sublinhar que a disfunção erétil pode ser um sinal de alerta para doenças mais graves, como problemas cardiovasculares ou alterações da próstata. Ignorar os sintomas pode significar perder uma oportunidade de diagnóstico precoce.

Sintomas, diagnóstico e quando procurar ajuda no SNS

O principal sintoma é a dificuldade persistente em obter ou manter uma ereção durante pelo menos três meses. Episódios pontuais são normais, mas quando o problema se torna frequente, é aconselhável procurar ajuda médica.

O diagnóstico é geralmente feito através de questionários clínicos validados, como o IIEF (International Index of Erectile Function), complementado por análises laboratoriais e avaliação clínica. Em Portugal, a primeira abordagem pode ser feita no médico de família, que encaminha o doente para um urologista ou andrologista.

O Serviço Nacional de Saúde cobre tanto o diagnóstico como o acompanhamento, o que significa que não há razão para adiar a consulta por motivos financeiros. Quanto mais cedo for feita a avaliação, melhores serão os resultados do tratamento.

Tratamentos eficazes para disfunção erétil: medicação e cirurgia

O tratamento da disfunção erétil evoluiu bastante nas últimas décadas. A primeira linha terapêutica passa geralmente pelos inibidores da PDE5, medicamentos orais com uma taxa de eficácia entre 70% e 90%, dependendo da causa subjacente.

Quando a medicação oral não é suficiente, existem alternativas como injeções intracavernosas, dispositivos de vácuo (bombas penianas) ou, em casos mais graves, próteses penianas, que apresentam taxas de satisfação superiores a 90% em Portugal.

Nos casos em que a origem é psicológica, a terapia sexual ou psicológica desempenha um papel fundamental, muitas vezes em combinação com tratamento farmacológico. O importante é perceber que não existe uma solução única, mas sim abordagens adaptadas a cada situação.

Prevenção e mudanças de estilo de vida para evitar a impotência

A boa notícia é que muitas situações de disfunção erétil podem ser prevenidas. Estudos indicam que mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco entre 30% e 50%. A adoção de uma dieta mediterrânica, rica em frutas, legumes, azeite e peixe, aliada à prática regular de exercício físico, tem efeitos comprovados.

Manter um peso saudável, reduzir ou eliminar o consumo de álcool e deixar de fumar são passos decisivos. Para quem já sofre de doenças crónicas, o controlo rigoroso da glicemia, tensão arterial e colesterol é essencial não só para a saúde sexual, mas para o bem-estar geral.

Mitos e verdades sobre a DE em Portugal

Mito: “A disfunção erétil só afeta homens idosos.”

Verdade: Cerca de 2,3% dos jovens adultos já apresentam o problema.

Mais do que uma questão física, a impotência pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a perceção de masculinidade. Falar sobre o tema é parte da solução.

A disfunção erétil é comum, tratável e não deve ser vivida em silêncio. Em Portugal, o SNS oferece diagnóstico e acompanhamento, e mais de 90% dos homens recuperam com o tratamento adequado. Quebrar o tabu é o primeiro passo. Se há sinais, marque consulta e trate da sua saúde; sem vergonha.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Utilizando ADN de indivíduo pré-histórico de há mais de 12 mil anos
Um novo estudo, liderado por Daniel Fernandes, investigador do Centro de Investigação de Antropologia e Saúde (CIAS) da...

Através da combinação de técnicas de vanguarda na análise de ADN antigo e genética clínica contemporânea, uma equipa de investigação internacional e multidisciplinar estabeleceu o diagnóstico de ADN mais antigo de uma patologia genética num indivíduo pré-histórico, datado de há mais de 12 mil anos.

Publicado na revista New England Journal of Medicine, o estudo demonstra que os avanços nas técnicas de ADN antigo vão além do mapeamento de populações e migrações humanas, permitindo, igualmente, estabelecer diagnósticos genéticos raros em restos ósseos de indivíduos que viveram há vários milénios.

Esta investigação centra-se num notável enterramento do Paleolítico Superior, com mais de 12 mil anos, descoberto em 1963 na Grotta del Romito, uma gruta no sul de Itália. Dois indivíduos foram depositados em conjunto, num abraço. Um adolescente com encurtamento severo dos membros (Romito 2), jazia envolvido pelos braços de um adulto (Romito 1).

De acordo com os investigadores, não foram encontrados sinais de trauma em nenhum dos esqueletos. O esqueleto de Romito 2 apresentava uma estatura severamente reduzida (110 cm), sugerindo uma patologia esquelética rara denominada displasia acromesomélica. Contudo, tal diagnóstico não poderia ser confirmado de forma definitiva apenas através da análise osteológica. Curiosamente, a estatura da adulta Romito 1 (145 cm) era também inferior à média da altura adulta daquela era.

A equipa extraiu ADN do ouvido interno, uma das fontes mais fiáveis de preservação de ADN em esqueletos antigos. As evidências genéticas esclareceram, inicialmente, duas questões fulcrais. Contrariamente às hipóteses anteriores, comprovou-se que tanto Romito 1 como Romito 2 eram do sexo feminino. Num achado que acrescenta uma perspetiva crucial à interpretação do enterramento, a análise de ADN revelou, também, que eram familiares de primeiro grau — possivelmente, mãe e filha.

Em Romito 2, foi identificada uma variante homozigótica (duas cópias) no gene NPR2, que desempenha um papel vital no crescimento ósseo. Este achado genético confirmou o diagnóstico de displasia acromesomélica do tipo Maroteaux, uma condição hereditária raríssima caracterizada por uma deficiência de crescimento severa e um encurtamento acentuado dos membros.

Os dados de Romito 1 sugerem que esta era possivelmente portadora de uma cópia anómala do gene NPR2, o que constitui uma causa genética de baixa estatura moderada. Estas descobertas em indivíduos pré-históricos coincidem perfeitamente com as características clínicas de doentes modernos com uma ou duas cópias anómalas do referido gene.

«Podemos agora aplicar a ciência da análise de ADN antigo para confirmar mutações específicas e, por extensão, variantes genéticas particulares. Esta abordagem e estes métodos podem não só fornecer uma cronologia confirmada para a idade mínima de certas condições genéticas raras, como também levar à descoberta de variantes anteriormente desconhecidas. Espero que este seja o início de um novo campo de investigação que combine a especialização da genética médica, da paleogenómica e da antropologia biológica», considera Ron Pinhasi, investigador da Universidade de Viena, Áustria.

Daniel Fernandes, investigador do CIAS/FCTUC e primeiro autor do estudo, ressalva que «revelar que estes indivíduos eram ambos do sexo feminino e familiares de primeiro grau transforma este enterramento num estudo genético familiar. Embora a cobertura de ADN para o indivíduo mais velho fosse limitada, a sua estatura mais baixa reflete provavelmente um estado heterozigótico da mutação NPR2 — proporcionando uma perspetiva rara sobre como um único gene afetou diferentes membros da mesma família pré-histórica».

Do ponto de vista médico, os resultados lançam uma nova luz sobre o campo das doenças raras na história humana. Para além do feito técnico, as descobertas transmitem uma mensagem humana. Apesar das severas limitações físicas, Romito 2 sobreviveu até ao final da adolescência ou idade adulta — sugerindo cuidados sociais contínuos numa comunidade de caçadores-recoletores há mais de doze milénios.

O estudo destaca como as ferramentas desenvolvidas para a genética clínica moderna podem iluminar a história humana, unindo a medicina, a genómica e a arqueologia — e lembrando-nos de que as doenças raras, e as pessoas que com elas vivem, sempre fizeram parte da narrativa humana.

 

Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares [APAH], em parceria com a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central,...

Dedicada ao tema “Gestão Colaborativa da Saúde: A Eficiência da Proximidade", esta edição abordará temas cruciais para a evolução da gestão hospitalar, nomeadamente a integração de cuidados primários e hospitalares, a melhoria da acessibilidade e qualidade dos serviços de saúde e a implementação de modelos de gestão baseada na proximidade. 

Conheça o PROGRAMA. Mais informações sobre a iniciativa estão disponíveis aqui.

“Caminho dos Hospitais” é, desde julho de 2016, uma iniciativa da APAH que constitui uma aposta na proximidade à comunidade hospitalar para atenuar situações de periferia através de visitas e reuniões programáticas às unidades do SNS, de forma descentralizada, dando especial enfoque a temas da atualidade. A par da articulação com os Administradores Hospitalares locais, estão na sua génese a comunicação, a cooperação e a excelência no contacto com os Conselhos de Administração, para conhecimento da realidade e dos desafios de cada hospital e para a promoção da qualidade da gestão hospitalar. Em paralelo, a APAH convida todos os seus associados e, em geral, a comunidade hospitalar e da saúde a participarem nas conferências e debates sobre múltiplas temáticas que decorrem no âmbito da iniciativa.

Mau tempo
Na sequência do mau tempo que afetou várias regiões do país, com impactos na mobilidade e na segurança, a ULS de Santo António...

1) Em primeiro lugar: quando ligar 112

Ligue 112 de imediato em situações graves ou de risco de vida, como:

  • Dificuldade em respirar, engasgamento grave ou cianose;
  • Dor no peito intensa, suspeita de AVC (alterações súbitas na fala/face/força);
  • Perda de consciência, convulsões;
  • Hemorragia abundante/incontrolável;
  • Traumatismo significativo resultante de queda, projeção de objetos ou colisão.

O 112 é o número europeu de emergência e deve ser usado apenas em situações urgentes. A chamada é gratuita e o serviço está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.

2) Em situações não emergentes, como posso esclarecer dúvidas clínicas?

Para situações não emergentes, antes de se deslocar, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) para triagem, aconselhamento e encaminhamento para o local mais adequado. Sempre que possível, tenha consigo o seu número de utente e a lista da medicação habitual.

3) Inundação em casa: cuidados de saúde e segurança

  • Desligue a eletricidade e o gás, se for seguro fazê‑lo;
  • Se houver risco elétrico (água perto de tomadas ou cabos), não intervenha e contacte as entidades competentes;
  • Evite o contacto com água potencialmente contaminada sempre que possível; se tiver feridas, proteja‑as adequadamente e lave‑as com água limpa.

4) Inalação de água / “quase afogamento”: sinais de alarme

Após submersão/inalação de água, mesmo que a pessoa pareça bem, podem surgir complicações respiratórias nas horas seguintes. Procure ajuda com urgência se houver:

  • Falta de ar, respiração rápida/ofegante, pieira;
  • Tosse persistente, dor no peito;
  • Sonolência marcada, confusão ou agravamento do estado geral.

5) Traumatismo na cabeça / queda de objetos: quando não esperar

Depois de uma queda ou impacto na cabeça, ligue 112 ou recorra à urgência se existir:

  • Perda de consciência (mesmo breve), confusão, convulsões;
  • Vómitos repetidos, dor de cabeça intensa e crescente;
  • Fraqueza num braço/perna, alteração da fala, sonolência fora do normal.

6) Em deslocações que sejam estritamente necessárias:

  • Cumpra as indicações da Proteção Civil relativamente a vias condicionadas ou interditas;
  • Leve consigo identificação, medicação crónica, água e telefone carregado;
  • Em caso de agravamento de doença crónica, contacte em primeiro lugar o SNS 24.

Acompanhe os avisos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e cumpra as recomendações das autoridades competentes.

Num cenário de mobilidade condicionada, recomendamos que a população recorra aos canais adequados: 112 nas emergências e SNS 24 para triagem clínica e orientação. Esta utilização responsável contribui para a segurança de todos e para a resposta aos casos mais urgentes.

 

Estudo da GS1 Portugal
A GS1 Portugal anunciou esta quarta-feira os vencedores da 10.ª edição do Estudo de Benchmarking de Saúde, uma ferramenta que...
O estudo, que contou com a participação de mais de 500 interlocutores (23 laboratórios, 4 parafarmácias de retalho, 7 armazenistas - incluindo ilhas, 480 farmácias, e 12 grupos de farmácias), mediu a qualidade do serviço em áreas como a logística e a relação comercial, revelando as tendências que estão a moldar o setor.
A análise aprofundada às respostas dadas pelos laboratórios conclui que a evolução do setor assenta em sete tendências: otimização logística, colaboração na cadeia de valor, desenvolvimento do portfólio, ativação do ponto de venda, sustentabilidade, transformação digital e a exploração de novos segmentos de mercado.
Já o diagnóstico feito pelas farmácias, parafarmácias, armazenistas e grupos de farmácias à performance dos laboratórios revela os seguintes pontos fortes e desafios:
 
  • Parafarmácias: a comunicação diária e a clareza das faturas são um ponto forte. O desafio está em melhorar as etiquetas de logística e resolver problemas mais rapidamente.
  • Armazenistas: as entregas chegam completas e a comunicação funciona bem. Onde há espaço para melhorar é nos prazos de pagamento e nas condições comerciais.
  • Farmácias: a força das suas marcas e a boa receção dos produtos são muito valorizadas. Falta, no entanto, mais inovação e realização de mais atividades no ponto de venda.
  • Grupos de farmácias: a boa relação comercial é um trunfo. A oportunidade está em oferecer mais formação e partilhar mais informação sobre as tendências de mercado.
 
Vencedores da 10ª Edição do Benchmarking de Saúde
 
Laboratórios premiados:
 
  • Melhor Performance com Parafarmácias: Perrigo
  • Melhor Performance com Armazenistas: Perrigo
  • Melhor Performance com Farmácias: Generis
  • Melhor Performance com Grupos de Farmácias: Perrigo
 
Parceiros de negócio premiados:
 
  • Parafarmácia do Ano (Visão dos Laboratórios): Wells
  • Armazenista do Ano (Visão dos Laboratórios): Alliance Healthcare
  • Armazenista do Ano (Visão das Farmácias): Cooprofar
  • Grupos de Farmácias do Ano (Visão dos Laboratórios): Mais Saúde
"Os resultados deste ano não só distinguem os vencedores, como também nos oferecem um roteiro claro sobre os desafios do setor. O nosso objetivo é fornecer estes insights para que as empresas possam adaptar-se e crescer", explica Paulo Gomes, Diretor-Geral da GS1 Portugal.
O Estudo de Benchmarking de Saúde da GS1 Portugal consolida-se, assim, como uma ferramenta indispensável para a melhoria contínua e para o desenvolvimento estratégico das empresas que operam na cadeia de valor da saúde em Portugal.

 

Nova campanha VALORMED
Depois de, em 2025, ter convidado os portugueses a refletir sobre a pegada ambiental do medicamento, a VALORMED dá continuidade...

Sob o mote «Há escolhas que deixam marcas no futuro do planeta», a nova campanha nacional da VALORMED reforça a importância de adotar comportamentos responsáveis no descarte de medicamentos fora de uso e de prazo, mostrando que um gesto simples – como entregar estes resíduos nas farmácias e parafarmácias – pode ter um impacto positivo   no ambiente.

A campanha parte da ideia de que as escolhas do dia a dia não desaparecem: deixam marcas nos solos, na água, nos ecossistemas e, em última instância, na nossa própria saúde. Quando os medicamentos são descartados incorretamente no lixo comum ou nos esgotos domésticos, os seus resíduos regressam ao nosso quotidiano sob a forma de poluição ambiental. Em sentido inverso, o encaminhamento correto através do sistema VALORMED permite reduzir a Pegada EcoMED - a pegada ecológica do medicamento - tornando-a tão pequena quanto possível,  evitando impactos negativos no ambiente ao mesmo tempo que protege a saúde presente e futura.

Em 2026, a VALORMED pretende continuar a consciencializar envolver e a mobilizar todos os cidadãos, comunidades, farmácias, municípios e parceiros institucionais, reforçando a necessidade de mudança. A campanha aposta numa comunicação mais emocional e realista, tornando visível o impacto das más práticas e, em simultâneo, o valor coletivo das boas escolhas.

A campanha estará presente em múltiplos canais ao longo do ano - rádio, televisão, meios digitais, redes sociais, mupis, ações de proximidade - e será acompanhada por iniciativas educativas e de sensibilização, como o reforço da Pegada EcoMED, conteúdos informativos sobre o destino dos resíduos de medicamentos e ativações que convidam à participação ativa da população.

« A VALORMED quer mostrar que, ao   entregar os medicamentos fora de uso e de prazo no local certo, cada cidadão está a deixar uma marca positiva no planeta e na saúde, garantindo o futuro das próximas gerações», sublinha Luís Figueiredo, diretor-geral da VALORMED.

Ao longo dos seus 26 anos de atividade, a VALORMED tem vindo a promover a recolha e valorização de resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso e de prazo,  dando-lhes um destino e tratamento adequado. A campanha de 2026 reforça este compromisso, apelando à mudança de comportamentos e à incorporação deste gesto simples como uma rotina essencial no nosso dia a dia.

Porque o planeta de amanhã constrói-se com as marcas que deixamos hoje, deposite os resíduos de medicamentos e embalagens num ponto de recolha VALORMED. 

Pelo futuro da investigação Cardiovascular
As candidaturas da edição de 2026 do Prémio de Risco Cardiovascular Dr. Pedro Marques da Silva estão abertas. Esta iniciativa...

A distinção, com um valor de 5000 € para o trabalho vencedor, representa o reconhecimento e apoio à comunidade científica em Portugal, graças à colaboração entre a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e o Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular (NEPRV), que conta com o patrocínio da Bayer, empresa multinacional que tem vindo a focar-se na investigação e desenvolvimento de medicamentos inovadores destinados à prevenção e tratamento de um amplo espetro de doenças cardiovasculares, tais como a doença renal crónica associada à diabetes tipo 2, a doença coronária, o enfarte agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral, a fibrilhação auricular, a hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, entre outras. 

A iniciativa homenageia a memória e o legado do Dr. Pedro Marques da Silva, a quem foi atribuído o Prémio Nacional de Medicina Interna 2020, cuja dedicação e contributo continuam a inspirar a comunidade médica.

Podem concorrer ao prémio trabalhos de investigação desenvolvidos na área do risco cardiovacular, desde que os resultados ou progressos mais relevantes tenham sido obtidos entre o início de novembro de 2025 e 28 de fevereiro de 2026. As candidaturas devem ser enviadas para a sede da SPMI, através do e-mail [email protected], dentro do prazo estabelecido.

Os trabalhos serão avaliados por um júri, constituído por dois membros nomeados pela Direção da SPMI e outros dois pelo NEPRV. O anúncio do vencedor e a entrega do prémio acontecerão este ano, na Sessão de Encerramento do 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI), que se realizará de 21 a 23 de Maio de 2026, em Portimão, no Algarve.

Para mais informações, consulte o regulamento em: https://www.spmi.pt/premio-de-risco-cardiovascular-dr-pedro-marques-da-silva/.

 

Veterinária explica
O inverno traz consigo baixas temperaturas, humidade elevada e menos horas de luz, fatores que podem afetar significativamente...

“Os meses frios exigem atenção redobrada, não só ao calor e conforto, mas também à segurança dentro de casa, à prevenção de doenças e à manutenção de rotinas adequadas,” explica Elena Díaz, médica veterinária na Kivet, clínicas veterinárias da Kiwoko.

 

"Pequenos gestos diários, muitas vezes subtis, podem fazer uma enorme diferença na qualidade de vida dos nossos companheiros de quatro patas,” conclui a veterinária.

 

Ajustar o ambiente doméstico às necessidades térmicas do animal

Nem todos os animais toleram o frio da mesma forma. Cães de porte pequeno, raças de pelo curto, animais seniores e gatos tendem a perder calor corporal com maior facilidade. Para além de camas confortáveis e mantas, é importante posicionar os locais de descanso longe de portas, janelas e correntes de ar. Sempre que possível, as camas devem estar ligeiramente elevadas do chão, evitando a perda de calor por contacto com superfícies frias.

 

Repensar a rotina de passeios e o impacto do frio nas articulações

O frio intenso pode causar rigidez muscular e agravar problemas articulares, especialmente em cães mais velhos ou com histórico de artrose. Reduzir a duração dos passeios nos horários mais frios do dia e optar por saídas mais curtas e frequentes ajuda a minimizar o impacto das baixas temperaturas. O aquecimento gradual antes do exercício e o regresso a casa com secagem adequada das patas e do pelo são cuidados frequentemente desvalorizados, mas essenciais.

 

Atenção ao estado da pele, do pelo e das almofadas plantares

O ar frio e seco pode provocar pele seca, descamação e maior sensibilidade cutânea. Escovagens regulares ajudam a remover pelos mortos e a estimular a circulação sanguínea, promovendo um pelo mais saudável. As almofadas plantares merecem atenção especial, uma vez que o contacto com superfícies frias ou húmidas pode causar fissuras e desconforto. A aplicação de produtos específicos para hidratação das patas pode ser benéfica, sobretudo em cães que saem diariamente à rua.

 

Ler o comportamento como indicador de conforto ou desconforto

No inverno, muitos animais alteram o comportamento de forma discreta. Dormir mais horas, reduzir a atividade, evitar certos movimentos ou procurar constantemente fontes de calor podem ser respostas normais ao frio, mas também sinais de desconforto físico. A rigidez ao levantar, a dificuldade em subir escadas ou a relutância em sair à rua devem ser interpretadas com atenção, especialmente em animais seniores. A observação diária é uma das ferramentas mais importantes para detetar precocemente situações que justificam ajustes na rotina ou avaliação veterinária.

 

Cuidar da saúde urinária durante o inverno

Durante o inverno, muitos animais diminuem a ingestão de água devido ao frio ou à menor atividade, o que aumenta o risco de problemas urinários, como infeções do trato urinário e formação de cristais ou cálculos. Este risco é especialmente relevante em gatos, que tendem a beber menos água e a urinar com menor frequência quando permanecem mais tempo no interior. Manter a hidratação adequada através de alimentação húmida, água fresca disponível em vários pontos da casa e incentivo regular à ingestão de líquidos ajuda a prevenir complicações. Para além disso, observar a frequência de micção, a cor da urina e sinais de desconforto permite detetar problemas precocemente, garantindo intervenções rápidas e evitando complicações graves.

 

Ajustar a iluminação e a exposição solar

A redução das horas de luz natural durante o inverno pode afetar o comportamento, o humor e o bem-estar dos animais, interferindo nos seus ciclos de sono, na regulação hormonal e na atividade física. É importante garantir que cães e gatos têm acesso a zonas iluminadas dentro de casa, como perto de janelas ou varandas protegidas do frio, permitindo a exposição ao sol direto sempre que possível. A luz solar contribui para o conforto térmico, estimula a atividade e favorece a síntese de vitamina D, essencial para ossos e articulações.

 

Lareiras, salamandras e recuperadores de calor

Lareiras e salamandras representam um risco elevado, sobretudo para gatos e cães jovens, que podem aproximar-se por curiosidade ou para procurar calor. A utilização de proteções físicas é essencial para impedir o acesso direto às chamas e superfícies quentes. Deve ainda ter-se em atenção que estas estruturas mantêm temperaturas elevadas durante várias horas após serem apagadas, pelo que o risco persiste mesmo quando não estão ativas.

 

Atenção ao sobreaquecimento em ambientes fechados

Embora o frio seja a principal preocupação, o sobreaquecimento também pode ocorrer, sobretudo em espaços pequenos, mal ventilados ou com vários equipamentos de aquecimento em simultâneo. Animais que utilizam roupa ou que passam muito tempo junto a fontes de calor devem ter sempre a possibilidade de se afastar e escolher zonas mais frescas da casa.

 

Opinião
Há palavras que fazem mais barulho do que uma bomba. C-a-n-c-r-o. Cancro.

As reações vão da negação ao “modo resolução de problemas ativado”, passando, muitas vezes, por longos períodos de dissociação e confusão. Porquê a mim? Porquê aos meus? Questionamos a medicina, a fé, a bondade e as certezas. Repetimos credos e crenças, agarramo-nos ao visível e invisível, e o caminho dá luta a quem tem e a quem acompanha. Não há fórmulas certas; depois da zanga, é preciso aceitar. Não normalizar nem entrar em falsos otimismos, mas aceitar a inevitabilidade da luta e a necessidade de resiliência e suporte, num caminho sinuoso, mas sempre com os olhos postos numa esperança incerta sobre um desfecho esperado, mas nem sempre encontrado.

 

A Incidência do Cancro em Portugal

O cancro é uma realidade para cada vez mais pessoas, não só em Portugal, mas no mundo inteiro. O impacto que esta doença tem a nível físico, psicológico e social, tanto para o doente como para a sua família e amigos pode ser avassalador. Atualmente, percebe-se que os fatores emocionais e comportamentais podem ser fundamentais para o início, progressão e prognóstico da doença.

Segundo dados divulgados pela Liga Portuguesa Contra o Cancro e publicados pelo The Global Cancer Observatory (GCO) em 2024, no ano de 2022 foram registados 69.567 novos casos de cancro em Portugal (31.702 mulheres e 37.865 homens), dos quais foram registadas 33.762 mortes (14.252 mulheres e 19.510 homens), o que corresponde a quase 50% dos casos. Apesar dos evidentes avanços na medicina e na ciência, segundo dados da OCDE, prevê-se que haja um aumento de 20% na incidência do cancro até 2040.

Com base nos mesmos dados relativos ao ano de 2022, no caso das mulheres, as três principais localizações tumorais são: a mama (com 8.954 casos e mortalidade de, cerca de um terço dos mesmos), colorretal (com 4.438 e mortalidade de cerca de metade dos casos, 2.141 pessoas) e o pulmão, traqueia e brônquios (com 1.902 casos e respetiva mortalidade de 1.391 desses casos).

No caso dos homens, por sua vez, as três principais localizações tumorais são: a próstata (com 7.529 casos e mortalidade de 2.083 dos mesmos), colorretal (com 6.092 e mortalidade de 2.668 dos casos) e o pulmão, traqueia e brônquios (com 4.253 casos e uma mortalidade bastante elevada: 3.686 desses casos).

Para estes números podem contribuir fatores como alguns associados ao processo de envelhecimento, predisposição genética, epigenética (como o nosso corpo “liga” e “desliga” genes ou ajusta o volume com que eles se expressam) e/ou fatores contextuais, como hábitos alimentares e de atividade física deficitários), exposição a determinados químicos/substâncias, álcool e tabaco, entre outros. Por outro lado, temos também fatores protetores como a adoção de um estilo de vida equilibrado (alimentação, exercício físico, exposição ao stress, entre outros) análises e exames regulares, diagnóstico e intervenção precoce.

 

O Impacto no Doente, na Família e nas Relações Interpessoais

O cancro é uma doença que desorganiza e impacta uma série de dimensões da vida da pessoa e de quem o rodeia. Dados recentes indicam que mais de metade dos doentes oncológicos manifestam sofrimento emocional significativo, o que parece ter um impacto direto nos sintomas e efeitos secundários inerentes aos tratamentos. Adicionalmente, mais de um quarto dos mesmos (cerca de 25 a 30%) têm sintomas psicopatológicos com relevância clínica (e.g. perturbações de ansiedade, depressivas e de adaptação).

O artigo publicado por Marzorati et al, em 2025, que teve como objetivo resumir sistematicamente os fatores psicológicos e sociais associados positiva ou negativamente à qualidade de vida de pacientes com cancro em tratamento, com base nos estudos de dezoito revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2023 em plataformas de investigação científica de referência, concluiu que os principais fatores psicológicos com impacto na qualidade de vida do doente são a depressão, as estratégias de coping (formas que usamos para lidar com stress, dor emocional, ameaça, mudança ou dificuldades), a ansiedade e o sofrimento psicológico. Por outro lado, no que respeita aos fatores sociais, o suporte social tem um peso preponderante: quando o doente tem uma boa rede de apoio social, isso tem uma influência positiva na sua qualidade de vida, e ao invés, quando existe um apoio social reduzido e comprometimento do funcionamento social (interações e limitações de papéis), isso parece estar associado a um prejuízo da qualidade de vida e bem-estar geral.

Não obstante, no que respeita ao impacto do cancro nos cuidadores, a revisão integrada levada a cabo por Sarika Ratish em 2025, que sintetizou a literatura existente sobre este assunto em plataformas cientificamente validadas, e incluiu 15 estudos publicados entre 2010 e 2024, pretendeu compreender quais os fatores que contribuem para o stress significativo que estes frequentemente vivenciam e que tem impacto na sua saúde mental e física. Os principais stressores identificados incluem sobrecarga emocional, dificuldades financeiras, restrições de tempo e falta de apoio social. Os efeitos do stress do cuidador foram associados à diminuição da qualidade de vida, problemas de saúde mental (e.g. depressão e ansiedade), e também mostraram ter um impacto negativo na sua saúde física.

De facto, os cuidadores (incluindo os profissionais de saúde) confrontam-se com imensas exigências físicas e emocionais. Cuidar do doente oncológico pressupõe a prestação de cuidados de forma humanística e compassiva, e isto pode levar à experiência de fadiga por compaixão, que é uma consequência de auxiliar (ou do desejo de auxiliar) alguém em sofrimento. Por outro lado, também existem sentimentos positivos de satisfação por compaixão, que representa o contentamento com o seu papel de cuidador.

Compreende-se, hoje, que as intervenções ao nível psicológico e social devem ser uma parte integrante dos cuidados médicos prestados ao doente, e que as mesmas devem estender-se ao seu núcleo familiar e interpessoal.

 

Estratégias de Intervenção e Ajustamento

No cuidador

À semelhança do que acontece nos vários domínios de intervenção em saúde mental, não há estratégias universais, isto é, que sirvam a todos. No entanto, podemos sempre ter em mente algumas linhas orientadoras que facilitem a gestão emocional e o impacto da doença no doente e nos seus cuidadores.

No caso dos cuidadores, em primeiro lugar, e considerando a já referida fadiga por compaixão como consequência natural da compaixão pela pessoa cuidada, o autocuidado e a autocompaixão são fundamentais para o seu bem-estar. Kristin Neff é uma autora de referência nesta área que tem uma plataforma onde disponibiliza alguns exercícios de autocompaixão, de forma gratuita, que podem ser um excelente recurso para o cuidador da pessoa com doença oncológica, e até para o próprio doente (estes exercícios – por exemplo, a pausa compassiva e o exercício de cuidar do cuidador – e outros recursos importantes podem ser diretamente consultados em https://self-compassion.org/).

Além disso, as intervenções direcionadas para o desenvolvimento de competências (por exemplo, através da psicoeducação), sobretudo no que se refere a ter informação fidedigna e ajustada, aumentam a perceção de controlo por parte dos cuidadores e diminuem alguns sintomas psicopatológicos que possam advir do papel de cuidador.

Não obstante, por muita que seja a necessidade de ajudar a pessoa cuidada, é fundamental não relativizar o problema nem entrar em “falsos otimismos”, validando e criando espaço para as emoções negativas. Frases como “tens de ter força”, “agarra-te ao que tens de bom” e “tudo acontece por uma razão, vais ver que tu consegues”, apesar de ter uma boa intencionalidade implícita, muitas vezes, têm o efeito contrário e soam a incompreensão por parte do doente.

Ser e estar presente é essencial, respeitando o espaço quando necessário. No fundo, transmitir segurança na relação é um elemento facilitador do processo é uma das melhores estratégias; sentir-se acompanhado no caminho e amado durante o processo é mais significativo do que ouvir “frases feitas” que podem, no limite, fazer o doente sentir-se mais pressionado a reagir de determinada forma.

 

No doente

Por sua vez, no caso do doente, ao longo do processo da doença, o apoio dos cuidadores e dos profissionais de saúde é fundamental para compreender e gerir as situações, emoções e pensamentos à medida que eles vão surgindo.

As intervenções psicoeducativas também se revelam fundamentais, na medida em que os impactos acontecem em múltiplos contextos, e que isto pode facilitar que o doente compreenda, faça uma gestão e integração de forma minimamente adaptativa dos pensamentos, sentimentos e emoções inerentes ao processo, desde o diagnóstico, passando pelo tratamento e, por fim, pelas consequências do mesmo (seja na readaptação à vida “normal” ou à gestão dos processos de luto antecipatório de si mesmo).

Além disso, o acompanhamento psicológico individual e, sempre que necessário, incluindo o contexto familiar/social, é estrutural a vários níveis: pode facilitar a adesão aos tratamentos, incentivar práticas diárias que facilitem os processos adaptativos e de bom prognóstico, melhorias na comunicação com a família, nas relações interpessoais e com os profissionais de saúde. Não obstante, este tipo de intervenção também pode facilitar a gestão da dor e do desconforto que acontecem como efeitos secundários dos tratamentos, a manutenção da qualidade de vida ao longo dos mesmos, adaptação ao luto da imagem corporal e o impacto na sua autoestima, e no fundo, à gestão ou diminuição do sofrimento psicológico/emocional. Também pode revelar-se preponderante haver um acompanhamento direcionado para a gestão do processo de luto e resoluções de fim de vida para o próprio doente, sempre que se revele necessário.

O apoio psicológico é fundamental em todas as etapas do cancro, não apenas para quem recebe o diagnóstico, mas também para familiares e amigos que acompanham de perto o impacto emocional da doença. O acompanhamento especializado permite trabalhar pensamentos, emoções e desafios associados ao diagnóstico, ao tratamento e à recuperação, assim como as dificuldades vividas pela rede de suporte.

Artigo escrito pela Dr.ª Liliana Marques, psicóloga e co-fundadora da clínica de psicologia em Coimbra, O Teu Lugar

 

Refs. Bibliográficas:

  • Azad, M. A., Shariat, S., Farhadi, T., & Shahidi, L. (2018). The Prediction of Psychological Well-Being Based on Self-Compassion and Self-Esteem in Caregivers of People with Physical, Mental, and Multiple Disabilities in the Welfare Organization. Social Behaviour Research & Health, 2(1), 164–173.
  • Liga Portuguesa Contra o Cancro. (2024, 11 de novembro). Incidência e mortalidade por cancro. https://www.ligacontracancro.pt/incidenciamortalidade/
  • Marzorati, C., Voskanyan, V., Sala, D., Grasso, R. M., Borgogni, F., Pietrobon, R., van …, Heide, I., Engelaar, M., Bos, N., Caraceni, A. T. G., Couspel, N., Ferrer, M., Groenvold, S., Kaasa, S., Lombardo, C., Sirven, A., Vachon, H., Gilbert, A., Brunelli, C., & Apolone, G. (2025). Psychosocial factors associated with quality of life in cancer patients undergoing treatment: An umbrella review. Health and Quality of Life Outcomes, 23, 31. https://doi.org/10.1186/s12955-025-02357-z
  • Ratish, S. (2025). Stress among caregivers of cancer patients: An integrated review. International Journal of Psychiatric Nursing, 11(1), 5-12. https://doi.org/10.37506/pb6grh65
  • Teva Portugal. (s.d.). Cancro: Um guia para cuidadores. Teva Portugal. https://www.teva.pt/cuidadores/cancro/

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
O ano de 2025 marcou a entrada nos 75 anos da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR),

Os dados mais recentes do ACNUR revelam que, no final de 2025, havia cerca de 135 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado em todo o mundo - um número sem precedentes na história contemporânea. Ao longo do último ano, o ACNUR respondeu a emergências que explodiram ou se agravaram na República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Afeganistão e Myanmar, enquanto mantinha apoio em crises prolongadas como Sudão, Ucrânia e Colômbia. Em paralelo, geriu 24 declarações de emergência ativas em 16 países, muitas impulsionadas por conflitos, fenómenos climáticos extremos e retornos forçados, com o continente africano a permanecer no epicentro deste mapa de dor e resiliência. A estas somaram‑se os terramotos devastadores e a violência renovada em partes da Ásia e do Médio Oriente, que empurram para a beira do abismo comunidades já fragilizadas por anos de pobreza, discriminação e ausência de respostas estruturais.

A leitura destes números impõe um duplo exercício: compreender o presente e antecipar o futuro. As emergências humanitárias, longe de serem conjunturais, tornaram-se estruturais. Para 2026, o cenário que se desenha é tudo menos tranquilizador: mais pessoas precisarão de ajuda, sobretudo em regiões já fragilizadas, como a África Ocidental e o Corno de África, onde as alterações climáticas e a instabilidade política se sobrepõem. Também situações marcadas por conflito não resolvido ou instabilidade crónica - como no Irão, República Democrática do Congo, Sudão, Sudão do Sul, Ucrânia e Venezuela – requerem particular atenção ao longo deste ano, pois produzem ou acolhem mais de um terço de todas as pessoas forçosamente deslocadas no mundo, concentrando cerca de um terço das necessidades financeiras globais do ACNUR em 2026. Perante um contexto tão desafiante, o Global Appeal do ACNUR projeta para 2026 um novo crescimento para 136 milhões de pessoas deslocadas à força e apátridas, das quais mais de 31 milhões serão pessoas refugiadas sob o seu mandato e mais de 66 milhões viverão deslocadas dentro dos seus próprios países, em resultado de conflitos prolongados, colapsos climáticos e violações sistemáticas dos Direitos Humanos.

Mas há um paradoxo doloroso: apesar de a necessidade aumentar, os recursos disponíveis diminuem. E não podemos nunca esquecer que por trás de cada número estão rostos, histórias, vidas suspensas entre a memória de casa e a incerteza sobre o futuro. Cada novo corte no financiamento obriga a escolhas impossíveis: que operação manter, que programa reduzir, que comunidade ficará à espera de uma ajuda que talvez não chegue. Falar de cortes e percentagens é, na verdade, falar de crianças sem escola, de famílias sem abrigo digno, de mulheres sem acesso a serviços de proteção e de comunidades inteiras empurradas para viagens ainda mais perigosas em busca de segurança. Perante este panorama, o apelo à sociedade é simples, mas essencial: olhar para além das fronteiras, compreender que estas crises são parte de um mundo interligado e que a solidariedade não é um luxo moral, mas uma necessidade coletiva.

E se há algo que a experiência de 75 anos do ACNUR evidencia é a importância de uma abordagem preventiva e solidária: fortalecer comunidades de acolhimento, investir na resiliência e interligar a ação humanitária ao desenvolvimento sustentável. Portugal, pela sua história de compromisso com os Direitos Humanos, pode assumir aqui um papel relevante, construindo uma solidariedade baseada em parcerias e gestos concretos, que vá para além da filantropia.

Ao perspetivarmos este novo ano, a pergunta que se impõe é: que papel queremos desempenhar num mundo em deslocação? O futuro das emergências humanitárias não será decidido apenas nos campos de refugiados ou nas sedes das agências internacionais, mas também nas decisões de cada país e de cada cidadão. É aqui que a Portugal com ACNUR entra, não apenas como ponte entre uma realidade distante e o dia a dia em Portugal, mas como voz que insiste em lembrar que a solidariedade não é um luxo retórico.

 

Nota: 
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O novo programa do Iscte Executive Education
O Iscte Executive Education realiza um novo programa executivo de curta duração dedicado à Inteligência Artificial (IA)...

O programa, de livre acesso, decorre em regime presencial no próximo dia 3 de fevereiro, das 17h30 às 19h30, tendo como oradores Ricardo Baptista Leite, Arlindo Oliveira e Rogério Canhoto.

Este curso foi desenhado para contribuir para a formação contínua de líderes, profissionais de saúde, gestores hospitalares, decisores públicos, investigadores e atores da indústria tecnológica, oferecendo uma base sólida para que os participantes compreendam o papel estratégico da IA no setor. Tem como principais objetivos: apresentar os conceitos essenciais da IA e das suas aplicações no contexto da saúde; explorar o impacto da IA na prática clínica, na gestão hospitalar e na tomada de decisões estratégicas; analisar oportunidades, riscos, limitações e implicações éticas das soluções emergentes e promover um pensamento crítico sobre a implementação responsável da IA em diferentes contextos organizacionais e sociais.

O programa inclui momentos de debate interativo e oportunidades de networking estruturadas durante os intervalos, incentivando a troca de experiências entre participantes e um corpo docente com experiência académica e prática.

O lançamento deste programa reflete o compromisso do Iscte Executive Education em antecipar e responder à crescente necessidade de formação avançada na convergência entre inovação digital, gestão e cuidados de saúde, numa altura em que as tecnologias de IA transformam profundamente modelos de prestação de serviços, políticas públicas e processos decisórios no setor.

 

A inscrição é gratuita, mas sujeita aos lugares existentes.

 

Opinião
Fala-se cada vez mais de inclusão, de modernização do Estado e de políticas públicas centradas nas p

A perda auditiva — seja leve, moderada, severa ou profunda — é uma condição crónica que acompanha milhares de pessoas ao longo de toda a vida. Não surge apenas na velhice, não afeta apenas “alguns”, nem se resolve com uma consulta pontual ou com a compra isolada de um dispositivo. Evolui, agrava-se, exige acompanhamento clínico contínuo, reabilitação especializada e acesso regular a tecnologia que permita às pessoas comunicar, trabalhar e viver com dignidade.

Apesar disso, Portugal continua sem um verdadeiro Programa Nacional de Saúde Auditiva. Não existe uma estratégia integrada, não existe acompanhamento ao longo da vida e, talvez mais grave, não existe sequer um retrato fiável do número de pessoas com perda auditiva no país. Sem dados, planeia-se mal. Sem planeamento, perpetua-se a desigualdade.

Hoje, uma pessoa com perda auditiva pode passar anos sem qualquer seguimento estruturado. Pode depender da sorte, da capacidade financeira, do conhecimento da burocracia ou da persistência pessoal para aceder a próteses auditivas, implantes cocleares, processadores ou simples equipamentos de apoio à escuta. O sistema é fragmentado, lento e profundamente injusto.

O atual modelo de apoio, muito centrado em mecanismos como o SAPA, baseia-se em processos morosos, autorizações prévias, avaliações repetidas e critérios administrativos que pouco ou nada dizem sobre as reais necessidades das pessoas. A exigência de uma percentagem de incapacidade igual ou superior a 60% é um exemplo paradigmático de como o sistema falha: penaliza quem beneficia da tecnologia e ignora que, no caso da surdez, a funcionalidade recuperada não elimina a dependência permanente de dispositivos dispendiosos e com vida útil limitada.

Uma pessoa pode ser totalmente surda, depender exclusivamente de implantes cocleares e, ainda assim, não reunir os critérios administrativos para apoio consistente. Isto não é apenas um paradoxo — é uma falha estrutural.

É tempo de mudar o paradigma. Em vez de um sistema reativo e burocrático, precisamos de um Programa Nacional de Saúde Auditiva assente em princípios simples, mas eficazes: diagnóstico registado, acompanhamento ao longo da vida e direitos claros associados à condição clínica, não a percentagens abstratas.

A criação de uma base de dados nacional de saúde auditiva permitiria finalmente conhecer a realidade do país. O acompanhamento articulado entre hospitais, cuidados de saúde primários e centros especializados garantiria continuidade de cuidados. E a atribuição de um plafond individual, renovável de acordo com a vida útil dos dispositivos, permitiria às pessoas planear, prevenir falhas, substituir ou atualizar equipamentos sem períodos prolongados de privação auditiva.

Esse plafond poderia ser operacionalizado através de um código associado ao número de identificação da Segurança Social, utilizável de forma imediata em Centros de Reabilitação Auditiva devidamente credenciados. Sem meses de espera, sem pedidos sucessivos de autorização, sem a angústia de ficar sem ouvir enquanto a burocracia decide.

Esses centros deveriam ser credenciados e fiscalizados, com critérios técnicos rigorosos, transparência de preços e proteção efetiva dos consumidores. Um sistema com controlo não é incompatível com agilidade; pelo contrário, é condição para a confiança pública.

Importa também sublinhar que, em Portugal, continuam a não existir seguros de saúde que cubram de forma adequada dispositivos auditivos. Um modelo público com plafond flexível poderia funcionar como catalisador para o desenvolvimento desses seguros, reduzindo custos diretos do Estado e aumentando as opções disponíveis para as pessoas.

Investir na saúde auditiva não é um luxo nem um favor social. É investir na participação cívica, no emprego, na saúde mental, na produtividade e na coesão social. Cada pessoa que fica isolada por falta de acesso à audição funcional representa um fracasso coletivo — e um custo que mais tarde será pago de outras formas.

Portugal precisa de começar a ouvir melhor quem vive com perda auditiva. Não com discursos, mas com políticas públicas modernas, integradas e humanas. Um verdadeiro Programa Nacional de Saúde Auditiva não é apenas desejável. É urgente!

Há ambições que se anunciam como estratégia — e há obsessões que se mascaram de destino. Donald Trump parece ter escolhido viver na segunda categoria: a do homem que confunde reconhecimento com legitimidade, prémio com mandato, aplauso com razão de Estado. E é aqui que a metáfora de Smeágol deixa de ser piada e passa a ser chave de leitura: quando o “Anel” é o Nobel da Paz, tudo o resto — alianças, soberanias, tratados, vidas — se torna cenário secundário, mero terreno para a caça ao brilho.

O episódio recente é tão simbólico quanto inquietante: Trump ligou a sua pressão sobre a Gronelândia — com ameaças e chantagem económica sobre países europeus — ao facto de não ter recebido o Nobel da Paz de 2025. Numa mensagem que circulou em círculos diplomáticos, terá mesmo afirmado que já não se sente obrigado a “pensar puramente na paz” por não ter sido distinguido. A frase é mais do que birra: é uma confissão política. A paz, para ele, não é princípio; é moeda. Não é dever; é transacção. 

E como em Tolkien, a lógica do “meu precioso” não tolera limites. A Gronelândia surge como objecto de desejo antigo — mas agora reaparece embrulhada em linguagem de segurança global, competição no Árctico e “interesses nacionais”. Só que o método não é o da diplomacia; é o da pressão. A ideia de condicionar parceiros europeus com tarifas e exigências relacionadas com a compra/controlo de um território autónomo sob soberania dinamarquesa aproxima-se menos da negociação e mais do ultimato. Se a paz é prémio, então o conflito é ferramenta. Se o Nobel não vem, a contenção deixa de “compensar”.

O detalhe mais perverso desta narrativa é a inversão moral: Trump apresenta-se como credor de gratidão universal (“eu terminei guerras”, “eu mereço”), e transforma a recusa do prémio numa espécie de quebra de contrato… como se o mundo lhe devesse, por defeito, um troféu. Ora, o Nobel da Paz não é um selo de propriedade sobre a virtude — e muito menos um mecanismo de remuneração retroactiva. Em 2025, o prémio foi atribuído a María Corina Machado, e o próprio debate público sublinhou que Trump não foi distinguido, apesar de insistir que o merece. 

Aqui, a comparação com Smeágol não é apenas estilística — é estrutural. Tal como a criatura, Trump parece aprisionado por uma ideia fixa que corrói tudo o resto: relações externas, coerência estratégica, até a noção elementar de responsabilidade. A frase “sem prémio, não tenho dever de zelar pela paz” (no espírito do que foi reportado) é um rasgão no verniz civilizacional. Porque um Presidente não é um concorrente a galardões; é o depositário temporário de poder real — e o poder real tem consequências reais. 

E há ainda outro sinal preocupante: a forma como alguns discursos paralelos desvalorizam “as minudências do direito internacional” em favor da força e da necessidade, como se soberania fosse uma etiqueta negociável e não um pilar de ordem. Quando esta mentalidade se cruza com uma obsessão por consagração pessoal, o resultado é perigoso: não se toma decisões para reduzir riscos — toma-se decisões para construir narrativa. E, depois, exige-se que o mundo aplauda.

No fim, sobra a pergunta que Tolkien colocaria sem cerimónia: quem governa, afinal — o homem ou o Anel? Se a paz depende de um prémio, então nunca foi paz: foi encenação. Se a estabilidade europeia pode ser posta a render numa disputa de ego, então estamos perante uma política externa feita de impulsos, onde o centro não é a segurança colectiva, mas a auto-imagem.

A insaciabilidade não é apenas querer mais. É a incapacidade de reconhecer limites. E quando o “meu precioso” é um Nobel — e a Gronelândia aparece como peça de tabuleiro para provar grandeza — o risco maior não é Trump não ganhar o prémio. O risco é o mundo pagar a factura da sua frustração.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Conferência A.N.D.A.R.
As vacinas salvam vidas. Mas para quem vive com artrite reumatóide, esta proteção assume contornos ainda mais essenciais. &quot...

Mais do que prevenir doenças, as vacinas representam um pilar essencial de literacia em saúde: evitam internamentos desnecessários, reduzem a sobrecarga nos serviços de saúde e devolvem qualidade de vida a quem mais precisa. O desafio? “As vacinas convencionais podem ser menos eficazes em pessoas imunocomprometidas, pelo que a inovação científica e novas plataformas vacinais, mais potentes, mais seguras e mais adaptadas, estão a ser desenvolvidas especificamente para estas populações vulneráveis.”

A Professora Paula Pinto, Pneumologista e Diretora do Serviço de Pneumologia da ULS Santa Maria, outra das oradoras, vai reforçar a importância da vacinação em doentes imunocomprometidos e com comorbilidades, destacando várias vacinas essenciais. Além da vacina da gripe e da COVID-19, já estabelecidas e comparticipadas, chama a atenção para a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que protege contra infeções respiratórias graves e sequelas debilitantes, sobretudo nas pessoas com mais de 60 anos e com doenças crónicas, assim como a vacina do herpes-zoster, que previne a Zona, e ainda a vacina contra a pneumonia.

“Não podemos esquecer que, atualmente, está bem estabelecido que as infeções, nomeadamente as pneumonias, se associam a estados inflamatórios sistémicos. Essa inflamação pode promover a lesão de órgãos vitais, em particular do coração, levando a enfartes, do cérebro, causando acidentes vasculares cerebrais (AVC), bem como induzir estados de hipercoagulabilidade, com risco acrescido de tromboembolismo, incluindo embolia pulmonar. É, aliás, cada vez mais frequente observar doentes que, apesar de apresentarem melhoria da infeção viral, acabam por desenvolver, na sequência da doença, eventos como AVC ou enfarte”, acrescenta.

O importante é: “Ensinar a população que estas armas de defesa existem e que são fundamentais para a prevenção e proteção da nossa saúde. Costuma dizer-se que é melhor prevenir do que remediar - sobretudo porque, por vezes, não há remédio e podem ficar sequelas graves ou ocorrer a morte. Quanto à alegada ineficácia das vacinas apontada por alguns, é importante esclarecer: as vacinas não impedem totalmente a infeção, porque vivemos expostos aos microrganismos, mas evitam que a doença evolua para formas graves. As vacinas são como um guarda-chuva: se o usarmos podemos apanhar apenas algumas gotas de água, mas não ficamos encharcados, que é o equivalente a poder evoluir para uma infeção grave, sequelas ou mesmo a morte”.

Outro ponto em destaque no encontro será a necessidade de um calendário vacinal ao longo de todo o ciclo de vida - um verdadeiro boletim de vacinas com recomendações para cada fase. Para além da idade, importa ainda considerar as comorbilidades, que obrigam a uma adaptação individual do calendário. Por exemplo, uma pessoa de 50 anos com artrite reumatoide não deve aguardar até aos 65 anos para ser vacinada contra a gripe.

É sobre este presente e futuro da imunização que vai incidir o encontro, um espaço de reflexão, partilha e esperança para todos os que vivem com doenças reumáticas inflamatórias.

 

Programa:

14h00 · Recepção dos convidados

1 · Vacinação em Doentes Imunocomprometidos e Doenças Reumáticas

15h00 . Eficácia e segurança das vacinas em doentes sob terapias biológicas ou imunossupressoras

· Calendário vacinal adaptado e doenças reumáticas inflamatórias

· Casos práticos e recomendações das principais sociedades (EULAR e ACR)

Prof.ª Doutora Paula Pinto - H.S.M.

2 . Novas fronteiras da Imunização: Vacinas de RNA e Perspetivas para doentes com doenças reumáticas inflamatórias

15h30 . Impacto das vacinas de RNA (como COVID-19) em doentes com doenças reumáticas

· Novas plataformas de vacinação e seu potencial para uso em populações autoimunes

· Dados emergentes sobre imunogenicidade, segurança e risco de reativação da doença

Prof. Doutor Luís Graça - GIMM Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular

3 . Painel de debate com Peritos

16h00 · Direção Geral da Saúde – Enfermeira Natália Pereira (Chefe de Equipa da Unidade de Vacinas, Imunização e Produtos Biológicos da DGS)

. Dra. Catarina Dias Santos - INFARMED

. Dra. Ana Paula Mendes - Ordem dos Farmacêuticos

. Dra. Ana Tenreiro - ANF

. Prof. Doutor Fernando Pimentel - Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia

Moderador - Dr. Antonio Vilar

17h00 . Coffee Break

 

Mais informações e inscrições no site da A.N.D.A.R: https://andar-reuma.org/

 

Veterinário revela
Com o início de um novo ano, é o momento ideal para refletir sobre os cuidados que cães e gatos necessitam para se manterem...

Planear de forma estruturada ajuda a garantir que todos os aspetos da saúde do animal são cumpridos no momento certo, evitando esquecimentos e prevenindo doenças graves. Pensar com antecedência nas vacinas, desparasitações e check-ups necessários permite que os tutores mantenham os seus animais protegidos, confortáveis e com bem-estar durante todo o ano.

“A vacinação adequada, a desparasitação interna e externa e os check-ups regulares são a base de uma prevenção eficaz. Consultar o veterinário permite ajustar os cuidados à idade, exposição e estilo de vida de cada animal, promovendo bem-estar e longevidade”, explica António Dias, médico veterinário na Clinicanimal, clínicas veterinárias da Tiendanimal.

 

Plano de vacinação

A vacinação é a forma mais eficaz de proteger cães e gatos contra doenças graves, prevenindo infeções que podem colocar em risco a sua vida.

Nos cães jovens, o plano inicia-se geralmente aos 45 dias com a primeira dose da vacina bivalente, que protege contra a esgana e parvovírus, doenças altamente contagiosas e potencialmente fatais. Aos dois meses e meio aplica-se a vacina pentavalente, que confere proteção contra esgana, Parvovírus, hepatite infeciosa, leptospirose e parainfluenza que será reforçada aproximadamente a cada 4 semanas até as 16 semanas, passado aproximadamente um mês deverá ser realizada a vacina antirrábica.

Nos cães adultos, a vacina antirrábica deve ser repetida anualmente ou de três em três anos, conforme legislação e laboratório que produz a vacina, enquanto a pentavalente é aplicada anualmente para garantir proteção contínua contra os principais agentes patogénicos. De forma opcional, podem ainda ser administradas vacinas adicionais, como tosse do canil, doença de Lyme, leishmaniose ou coronavírus, dependendo do risco, da exposição e do estilo de vida do animal.

Nos gatos jovens, a vacinação começa às oito semanas com a primeira dose da vacina trivalente contra a panleucopenia felina, uma doença grave e altamente contagiosa, e contra o complexo respiratório felino, causado pelo herpesvírus e pelo calicivírus, responsável pela chamada “gripe dos gatos”. Esta vacina deverá ser reforçada duas vezes com um intervalo de 3 a 4 semanas e depois de forma anual. A vacina contra a raiva não é obrigatória em gatos em Portugal, porem deverá ser feita se for esperado que o animal saia do país.

Além das vacinas essenciais, podem ser administradas vacinas adicionais, como leucemia felina, clamídia felina ou peritonite infeciosa felina (PIF), dependendo do risco e do estilo de vida do gato. Nos gatos adultos e seniores, os reforços continuam a ser necessários, ajustando-se a frequência à exposição e aos hábitos do animal, sendo mais próximos para aqueles que têm acesso ao exterior.

 

Desparasitação interna

A desparasitação interna previne infeções por vermes intestinais, que podem causar diarreia, vómitos, anemia, atraso no crescimento e comprometer o sistema imunológico.

Nos cães jovens, a desparasitação deve iniciar-se nas primeiras semanas de vida e repetir-se a cada duas a três semanas até aos três meses, depois mensalmente até completar seis meses. Nos adultos, a frequência varia de acordo com o risco, sendo recomendada trimestral ou semestralmente, especialmente em animais com acesso ao exterior, contato com outros cães ou passeios em zonas públicas. Nos cães seniores, os produtos devem ser escolhidos tendo em conta a função renal e hepática, mantendo a proteção sem comprometer a saúde.

Nos gatos jovens, tal como nos cães, a desparasitação interna começa nas primeiras semanas, repetindo-se a cada me até às 12 semanas e depois mensalmente até aos seis meses. Nos adultos e seniores, a periodicidade deve ser trimestral, podendo ser adaptada ao risco de exposição, especialmente em gatos que circulam no exterior, entram em contacto com outros animais ou vivem em casas com múltiplos patudos.

 

Desparasitação externa

O controlo de pulgas, carraças, mosquitos e outros parasitas externos é essencial durante todo o ano, uma vez que estes podem provocar irritações, alergias e transmitir doenças graves, incluindo leishmaniose em cães e toxoplasmose em gatos.

Nos cães e gatos jovens, a proteção deve iniciar-se por volta das oito semanas, com produtos adequados à idade e peso. Nos adultos, deve ser contínua, mesmo nos meses mais frios. Para os patudos seniores, a escolha do produto deve equilibrar eficácia e segurança, considerando fragilidade ou doenças crónicas.

 

Check-up veterinário

As consultas regulares permitem avaliar o estado de saúde, detetar alterações precoces e atualizar o plano preventivo.

Nos cachorros e gatos bebés, as consultas devem ser frequentes nos primeiros meses para acompanhar crescimento, desenvolvimento, vacinação e desparasitação. Nos adultos, recomenda-se pelo menos uma consulta anual, incluindo exame físico completo e análises laboratoriais quando necessário. Nos seniores, os controlos devem ser mais frequentes (duas vezes ou mais por ano), permitindo monitorizar órgãos vitais, articulações e funções metabólicas, e detetar precocemente doenças crónicas.

 

RIDAI – Registo Nacional Informático de Doenças Autoimunes
O Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) anuncia a reativação e...

Após um processo de atualização tecnológica e metodológica, o RIDAI já recuperou doentes previamente registados, conta com 40 centros de autoimunidade de norte a sul do país e ilhas e mais de 6.500 doentes registados, consolidando-se como um dos maiores registos nacionais ativos na área. Esta nova plataforma permite ainda alargar a abrangência a patologias complexas, como o Lúpus Eritematoso Sistémico, Esclerose Sistémica, Miopatias Inflamatórias, Síndrome de Sjögren, entre outras.

“A reformulação do RIDAI nasceu da necessidade imperiosa de dotarmos a Medicina Interna de uma ferramenta robusta para gestão e estudo das doenças autoimunes — capaz de integrar PROs, seguir a eficácia e segurança dos tratamentos e identificar preditores de resposta,” afirma Dr. Carlos Carneiro, Coordenador do NEDAI.      E acrescenta: “Com uma visão nacional e multidisciplinar, o RIDAI permite comparar perfis de doença e terapêuticas entre centros, gerar alertas clínicos e apoiar decisões que melhoram a qualidade de vida dos doentes.”

A nova infraestrutura digital foi desenvolvida em parceria com a TonicApp, a IQVIA e a Is4science e assegura elevados padrões de qualidade e confidencialidade, através da encriptação dos dados e da recolha de informação validada sobre características clínicas, laboratoriais, terapêuticas e de estilo de vida. O registo de comorbilidades, vacinação, eventos adversos, escalas de atividade da doença e dados de estilo de vida é padronizado e validado a cada consulta.

O processo de recolha é realizado com consentimento informado, devidamente autorizado pela Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC), e encontra-se sincronizado com o INFARMED para notificação de reações adversas, reforçando o papel do registo na farmacovigilância e na monitorização pós-comercialização dos medicamentos utilizados em doenças autoimunes.

Os dados reunidos pelo RIDAI permitem caracterizar a população portuguesa com doenças autoimunes, avaliar o impacto das diferentes estratégias terapêuticas e identificar fatores de prognóstico e de resposta ao tratamento. Esta informação é também essencial para a produção científica nacional e para a integração de Portugal em redes internacionais de investigação. Segundo o Dr. Carlos Carneiro, “o objetivo é tornar o RIDAI uma plataforma de referência nacional e internacional, aberta à colaboração com outras especialidades e capaz de incorporar, num futuro próximo, ferramentas de inteligência artificial para análise preditiva e apoio à decisão clínica”.

O projeto é coordenado pelo NEDAI/SPMI e representa uma evolução natural do trabalho iniciado com o RIAR – Registo Informático de Artrite Reumatoide – criado em 2003 e posteriormente expandido a outras patologias. Desde então, o registo tem contribuído para melhorar a vigilância clínica, a uniformização de critérios diagnósticos e a avaliação de resultados em saúde, consolidando a posição da Medicina Interna portuguesa como pilar fundamental no estudo e no tratamento das doenças autoimunes.

 

Do diagnóstico precoce à terapêutica personalizada
Sob o mote “do diagnóstico precoce ao tratamento personalizado: a evolução da Pneumologia”, decorre entre os dias 4 e 6 de...

De acordo com a Comissão Organizadora - Patrícia Mota (presidente), Raquel Marçôa (vice-presidente), David Coelho (secretário) e Eduarda Tinoco (secretária) – esta edição visa “dar continuidade e reforçar o legado deste evento, uma referência da Pneumologia nacional, reconhecido pela sua qualidade crescente, refletida tanto na relevância e diversidade dos temas abordados, como no elevado nível dos palestrantes nacionais e internacionais convidados ao longo dos anos”.

Com este legado como ponto de partida, a escolha do tema pretende sublinhar “a notável evolução observada nas últimas décadas no diagnóstico e tratamento da patologia respiratória, com impacto direto na qualidade de vida e no prognóstico dos doentes. O diagnóstico precoce tem-se afirmado como um elemento central em várias áreas da Pneumologia, nomeadamente na Oncologia, nas Doenças Obstrutivas e nas Doenças Pulmonares Intersticiais, beneficiando mais recentemente do contributo da Inteligência Artificial. Paralelamente, com a abordagem da terapêutica personalizada pretendemos evidenciar a eficácia e segurança de novos fármacos e moléculas dirigidos a vias e alvos específicos, ampliando o arsenal terapêutico disponível para estas patologias”.

Para concretizar estes objetivos, o programa definido é descrito como “abrangente, atual e alinhado com as necessidades da prática clínica em Pneumologia”. No entanto, apesar de incluir as principais áreas da especialidade, haverá um enfoque particular nos avanços mais recentes nas Doenças Obstrutivas, nas Doenças Pulmonares Intersticiais, na Oncologia Pneumológica e na Pneumologia de Intervenção. A Inteligência Artificial terá também um papel de relevo, desde a sua aplicação no diagnóstico até áreas mais específicas, como o transplante pulmonar.

Antes das sessões científicas, o Congresso arranca com quatro cursos cujos temas “foram escolhidos tendo em conta áreas de formação essenciais e muito relevantes para a prática pneumológica”: (1) Doenças Pulmonares Intersticiais: Diagnóstico Diferencial e Estratégias Terapêuticas, (2) Desafios da Broncoscopia Terapêutica, (3) Hipertensão Pulmonar na Prática Pneumológica e (4) Urgências Pneumológicas: do Reconhecimento à Intervenção Precoce.

A par da vertente formativa, a colaboração interdisciplinar assume também um lugar central nesta XXXIII edição com a organização a destacar que “o programa espelha a relevância dada à colaboração interdisciplinar, quer através de sessões onde contamos com a presença de médicos de outras especialidades, quer pela participação ativa de outros grupos de profissionais”. No que respeita às especialidades médicas envolvidas, o Congresso contará com a presença da Radiologia, Anatomia Patológica, Cirurgia Torácica, Fisiatria, Infeciologia, Medicina Geral e Familiar, Medicina do Trabalho, Otorrinolaringologia e Cirurgia Geral. Estão ainda previstas uma sessão organizada por cardiopneumologistas e outra por enfermeiros.

Com esta combinação entre atualização científica, formação e partilha multidisciplinar a Comissão Organizadora acredita que “será uma edição que manterá a excelência e qualidade que caracterizam este congresso e o afirmam como uma referência na Pneumologia, agora num local icónico da cidade do Porto”.

Para mais informação sobre o evento: https://pneumologiadonorte.com/

 

Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência
Chega às livrarias a 27 de janeiro Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência, de Luís Portela, o livro que está na origem da...

Aparentemente, a Humanidade tem feito uma grande progressão no domínio tecnológico, mas, mantendo-se embriagada com a exploração material e distraída com um mar de futilidades, tem deixado para segundo plano a exploração do espiritual. O ter tem-se sobreposto ao ser. E, recentemente, parece que já nem faz falta ter, basta parecer.

Tendo assumido a ilusão tal dimensão, parece oportuno procurar recentrar o Homem no âmago do ser. Foi o que Luís Portela procurou fazer neste livro, cruzando os saberes tradicionais com os resultados da investigação científica recente e sugerindo um prévio despojamento de conceitos e preconceitos, uma grande abertura a uma perspetiva diferente dos conhecimentos aceites pela cultura vigente. Ou seja, uma real abertura do leitor a perspetivar o Universo a partir do seu eu espiritual.

A obra tem sido amplamente elogiada por figuras de referência do meio académico e cultural. Maria de Sousa (1939 – 2020) já havia sublinhado que “A melhor bagagem para iniciar a viagem da leitura deste livro é uma mala vazia de tudo menos da surpresa de se deixar conduzir pela visão de um homem mais conhecido pela sua vida empresarial de êxito […]”.

Para Mário Cláudio, “Luís Portela oferece o visível a quem já vê, levantando do mesmo passo, a quem aspira a ver um pouco mais, a cortina que esconde paisagens por enquanto não de todo evidentes”.

Também Mário Simões, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, destaca o impacto desta obra: “Após a sua leitura, fica-se com um sentimento de coerência do sentido da vida, mas também com um conhecimento que nos desperta uma paz inquieta, para querer saber mais”.

Este livro serviu de inspiração à série documental dedicada ao tema da ciência e espiritualidade, que contou com o apoio da Fundação Bial. Para Além do Cérebro procura desafiar tabus, ao explorar a forma como a ciência encara questões que, durante muito tempo, foram consideradas marginais, tais como a telepatia, a mediunidade, as experiências de quase morte e as alegadas memórias de vidas passadas.

Filmada em vários países e apresentada por Luís Portela, presidente da Fundação Bial, e pelo jornalista da RTP, Mário Augusto, a série conta com a orientação científica do neurocientista Nuno Sousa e integra testemunhos de cerca de 50 cientistas e especialistas de instituições internacionais de referência, como o King’s College London, a Universidade de Liège, a Universidade de San Diego e a Universidade da Virgínia, entre outras.

Com Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência, Luís Portela propõe não respostas fechadas, mas um caminho de questionamento informado e aberto, onde ciência e espiritualidade deixam de ser domínios opostos para se tornarem partes complementares de uma mesma procura: a compreensão mais profunda do que significa ser humano.

 

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