Fenómeno que circula nas redes sociais é alarmante e fatal
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), enquanto entidade científica dedicada à promoção da saúde hepática,...

De acordo com Mónica Sousa, membro da direção da APEF, “os profissionais na área do transplante hepático testemunham diariamente consequências devastadoras da insuficiência hepática aguda (destruição do fígado irreversível), provocada por vários motivos. O que para muitos jovens pode parecer uma brincadeira inofensiva pode, em poucas horas, transformar-se numa emergência médica com desfecho fatal ou na necessidade de um transplante de fígado”.

“É imperativo que a sociedade compreenda a gravidade deste fenómeno. O paracetamol, embora seguro nas doses recomendadas, possui uma margem terapêutica estreita. Uma sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves, irreversíveis e potencialmente fatais”, alerta Mónica Sousa.

Os sintomas iniciais, como náuseas ou dor abdominal, são muitas vezes ligeiros ou inexistentes. “Esta ausência de sinais cria uma falsa sensação de segurança nas primeiras 24 a 48 horas, enquanto o fígado sofre danos progressivos e, por vezes, irreversíveis. Quando os sinais clínicos se tornam evidentes, pode já ser demasiado tarde”, explica a especialista.

E acrescenta: “uma conversa hoje pode salvar uma vida amanhã. Se suspeitar que alguém ingeriu uma dose excessiva de paracetamol, procure ajuda médica de emergência de imediato, mesmo que não existam sintomas aparentes. A administração precoce de um antídoto disponível, é tanto mais eficaz quanto mais cedo for iniciada. O fígado é um órgão vital. Não permitamos que uma tendência irresponsável das redes sociais destrua o futuro dos nossos jovens”.

O consumo concomitante de álcool agrava significativamente a toxicidade do paracetamol, um risco acrescido particularmente relevante na população adolescente, onde a experimentação com bebidas alcoólicas é frequente.

A APEF apela aos pais e educadores, para que falem abertamente com os jovens sobre os perigos reais dos desafios das redes sociais; que guardem os medicamentos em locais seguros e inacessíveis, e que estejam atentos a alterações comportamentais que possam indicar a participação neste tipo de atividades; aos profissionais de saúde, para que reforcem a vigilância na dispensa de medicamentos a menores e que mantenham um elevado índice de suspeição perante quadros de intoxicação em adolescentes, mesmo na ausência de sintomas evidentes; e às plataformas digitais, de forma a que assumam a sua responsabilidade na monitorização e remoção efetiva de conteúdos que incentivem comportamentos autolesivos, especialmente junto dos utilizadores mais jovens.

O fenómeno que circula nas redes sociais na Europa e no mundo é alarmante. Nas últimas semanas, as autoridades sanitárias de diversos países europeus têm vindo a emitir alertas urgentes. Em Espanha, o Hospital Materno-Infantil de Málaga reportou a admissão de vários adolescentes entre os 11 e os 14 anos com quadros de intoxicação grave por paracetamol. Em França, a Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) emitiu um alerta formal aos profissionais de saúde e aos pais, recordando que a sobredosagem de paracetamol é a primeira causa de transplante hepático de origem medicamentosa naquele país. Na Alemanha, o Ministério da Saúde declarou estar a acompanhar a situação com grande preocupação. A Bélgica, a Suíça e a Eslovénia emitiram igualmente comunicados conjuntos alertando para esta tendência perigosa. No Reino Unido, onde já existem restrições à venda de paracetamol sem receita, foram reportados casos de jovens entre os 15 e os 17 anos hospitalizados após participarem neste tipo de desafio. Nos Estados Unidos, registou-se a morte trágica de um adolescente de 13 anos em 2023 na sequência de um desafio semelhante.

A APEF saúda e subscreve integralmente o alerta emitido pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Carlos Cortes, o perigo desta intoxicação é o seu silêncio, reforçando as orientações sobre doses seguras e limites de toxicidade.

 

Fadiga, reabilitação oncológica e cardíaca, desporto em idade pediátrica
A fadiga, a reabilitação oncológica e cardíaca, a prática de desporto em idade pediátrica estão entre as temáticas a abordar...

“A nova era da Reabilitação” será o tema central, destacando o papel essencial desta especialidade médica na melhoria da funcionalidade e na reabilitação de pessoas com condições incapacitantes.

A Medicina Física e de Reabilitação (MFR) é essencial em inúmeros momentos, nomeadamente na recuperação pós-AVC, após um acidente de viação, uma queda, ou na reabilitação de diversas doenças crónicas, razão pela qual a SPMFR defende a adoção de um Plano Nacional de Reabilitação, que assegure o acesso dos doentes aos cuidados necessários, garantindo-lhes o apoio de equipas multiprofissionais.

De acordo com o diagnóstico feito pelos médicos fisiatras, há uma carência generalizada de recursos nesta área nos cuidados de saúde primários que é importante inverter, afetando a continuidade da reabilitação para quem sofreu um AVC, um trauma, entre outras situações de doença.

Também se registam assimetrias regionais que dificultam o acesso dos doentes. Segundo os últimos dados da ERS, apresentados esta semana, esta realidade agravou-se entre 2022 e 2025. Em cerca de um terço dos municípios de Portugal continental (84, no total) não existe este serviço. Só no Alentejo são 27 – este número representa 57% dos concelhos, fazendo desta a região de saúde com maior número de concelhos sem estes estabelecimentos. Em contraste, é em Lisboa e Vale do Tejo (Lisboa, com 68 unidades) e no Norte (Porto, com 32 unidades) que existe maior oferta.

Estas assimetrias prejudicam os doentes e a sua reabilitação. A Medicina Física e de Reabilitação deve acompanhar toda a cadeia de cuidados do doente, desde o primeiro dia de entrada do doente, seja por um AVC, um acidente ou outra situação aguda ou crónica, e tem de acompanhá-lo e estar nos centros especializados de reabilitação, na rede nacional de cuidados continuados integrados e também nas estruturas da comunidade”, refere o presidente da SPMFR, Renato Nunes.”

É para cumprir esses objetivos que a SPMFR definiu o Plano Nacional de Reabilitação, que vem sendo apresentado e discutido junto das autoridades nacionais na área da saúde há já mais de um ano. “A reabilitação é um direito fundamental das pessoas, é obrigatório que ela se torne uma prioridade de saúde pública, assumindo a linha da frente nos cuidados de saúde”, sublinha Renato Nunes.

Daí a atualidade do tema do congresso – “A nova era da Reabilitação” – que contará com a presença de especialistas nacionais e internacionais e que dará a conhecer as mais recentes abordagens para o coração geriátrico, a dor pélvica crónica, as perturbações funcionais do movimento, o doente crítico e internamento em cuidados intensivos, entre muitos outras temáticas.

O congresso pretende também reforçar a ligação entre diferentes gerações de fisiatras, através da participação ativa dos médicos internos da SPMFR, promovendo o diálogo entre a MFR e outras especialidades, como a Ortopedia, Medicina Desportiva, Reumatologia, Neurologia e Medicina Intensiva.

Programa completo do congresso está disponível aqui.

 

Exercício de 2025
O Conselho de Administração da Recordati S.p.A. analisou e aprovou as demonstrações financeiras consolidadas preliminares...

Rob Koremans, CEO da Recordati, comentou: “2025 foi mais um ano de progresso sólido em toda a organização, refletindo a força da nossa execução. Cumprimos novamente as nossas metas financeiras, apesar de um contexto macroeconómico desafiante, incluindo maiores dificuldades cambiais. Durante o ano, reforçámos o nosso portefólio através de parcerias estratégicas nas áreas de Doenças Raras e em Cuidados Primários & Especialidades. As Doenças Raras continuam a apresentar um excelente dinamismo, sendo um motor fundamental de crescimento e criação de valor para o Grupo. Estamos entusiasmados com a oportunidade de expansão do Isturisa® no tratamento mais alargado da síndrome de Cushing, com uma aceleração da sua adoção nos EUA. Com uma base tão sólida, esperamos que 2026 seja mais um ano de execução disciplinada, à medida que continuamos a cumprir os nossos objetivos estratégicos, a manter margens líderes no setor e a criar valor sustentável para todas as partes interessadas”.

 

Destaques Financeiros

 

  • A Receita Líquida Consolidada para o ano inteiro de 2025 foi de 2.618,4 milhões de euros, um aumento de 11,8% face a 2024, ou 8,3% numa base comparável(3) a taxas de câmbio constantes (CER). Este crescimento foi impulsionado pela sólida contribuição tanto da área de Cuidados Primários & Especialidades como da área de Doenças Raras. O impacto adverso das taxas de câmbio para o ano completo de 2025 foi de 64,2 milhões de euros (-2,7%).

 

  • A área de Cuidados Primários & Especialidades registou receitas de 1.477,9 milhões de euros no ano completo de 2025, um aumento de 2,0% ou 3,8% em termos comparáveis(3) a taxas de câmbio constantes (+1,6% excluindo a Turquia). Isso reflete o desempenho positivo contínuo de todas as áreas terapêuticas principais (índice de evolução do produto promovido de 105), apesar de uma ligeira desaceleração no crescimento do mercado relevante. Em particular, as áreas de Urologia e Cardiovascular cresceram 2,5% e 2,8%, respetivamente, enquanto a área Gastroenterologia cresceu 9,9%, impulsionada pelo forte desempenho no mercado de vários produtos do portfólio, tanto de prescrição médica como de venda livre.

 

  • A área de Doenças Raras registou receitas de 1.081,4 milhões de euros no ano completo de 2025, um aumento de 29,7% em comparação com o ano completo de 2024, ou 16,6% em termos comparáveis(3) a taxas de câmbio constantes, impulsionada pelo forte crescimento do volume em todas as três áreas. A área de Endocrinologia alcançou uma receita líquida de 394,1 milhões de euros, um aumento de 22,5%, refletindo uma aceleração na adesão de novos doentes ao Isturisa® nos EUA no segundo semestre de 2025, com aproximadamente 1.400 doentes ativos líquidos no final do ano, bem como um crescimento de dois dígitos do Signifor®. A área Hema-Oncologia alcançou uma receita líquida de 414,9 milhões de euros, crescendo 63,8%, refletindo a contribuição da Enjaymo® de 146,3 milhões de euros (+26,7% em relação ao ano completo de 2024 proforma(6)), e impulsionada pelo forte crescimento da Sylvant® e da Qarziba®. A área Metabólica alcançou uma receita líquida de 272,5 milhões de euros, mantendo um crescimento médio de um dígito de 5,2%, impulsionado pelo Carbaglu® e pelo Panhematin®.

 

  • O Resultado Operacional Ajustado(7) foi de 774,9 milhões de euros para o ano inteiro de 2025, um aumento de 13,2% face ao ano inteiro de 2024, representando 29,6% da receita líquida, comparado com 29,2% no ano anterior. O resultado operacional foi de 670,8 milhões de euros para o ano inteiro de 2025, um aumento de 5,0% em relação ao ano inteiro de 2024, absorvendo encargos não monetários relacionados com a margem bruta no montante de 66,8 milhões de euros, comparados com 37,5 milhões de euros no ano completo de 2024, decorrentes da reversão do ajustamento ao justo valor das existências adquiridas na área de Doenças Raras, incluindo 62,5 milhões de euros relativos a Enjaymo®. Os custos não recorrentes ascenderam a 37,3 milhões de euros no ano inteiro de 2025, face a 8,0 milhões de euros no completo de 2024. Estes custos refletem principalmente a continuação da otimização da organização comercial de Specialty and Primary Care, sobretudo em Itália e Espanha. Os custos não recorrentes incluem igualmente uma provisão extraordinária de 12,8 milhões de euros(8) relacionada com o acordo de resolução de um litígio com a AIFA relativo ao payback de anos anteriores do Urorec®. Adicionalmente, os itens não recorrentes incluem o impacto da liquidação voluntária em curso da subsidiária de Doenças Raras na China, na sequência da rejeição da aprovação para inclusão do Isturisa® na National Reimbursement Drug List. A disponibilização de Qarziba® e Sylvant® no território continua a ser assegurada através de um distribuidor local.

 

  • O EBITDA(1) foi de 991,1 milhões de euros no ano inteiro de 2025, um aumento de 14,5% face ao ano inteiro de 2024, com uma margem sobre a receita líquida de 37,8%. A melhoria face ao ano anterior foi impulsionada por um mix de negócio favorável e por um forte desempenho operacional em ambas as unidades de negócio, apesar do significativo impacto cambial negativo e do aumento do investimento para apoiar o lançamento, nos EUA, da indicação alargada de Isturisa®, o desenvolvimento contínuo de Enjaymo® e a expansão geográfica em curso na área de Doenças Raras.

 

  • Os Encargos Financeiros ascenderam a 89,5 milhões de euros para o ano completo de 2025, uma redução de 2,1 milhões de euros em comparação com o ano completo de 2024. Novos financiamentos obtidos em 2024, relacionados com a aquisição de Enjaymo®, e em 2025 conduziram a um aumento dos encargos com juros de 17,4 milhões de euros. Os ganhos cambiais líquidos no período foram de 15,0 milhões de euros (maioritariamente não realizados e impulsionados pela desvalorização do dólar norte-americano), comparados com perdas cambiais líquidas de 9,3 milhões de euros no ano fiscal de 2024. Este efeito foi parcialmente compensado por perdas monetárias líquidas de 5,3 milhões de euros decorrentes da contabilização da hiperinflação (comparadas com uma perda de 6,7 milhões de euros no ano fiscal de 2024), principalmente resultantes do efeito líquido da reavaliação dos itens do balanço na Turquia.

 

  • O Resultado Líquido Ajustado foi de 651,1 milhões de euros, representando 24,9% da receita, um aumento de 14,5% em relação ao ano completo de 2024. Este crescimento reflete a melhoria do resultado operacional ajustado, bem como a redução dos encargos financeiros, parcialmente compensadas por um aumento do imposto sobre o rendimento.

 

  • O Resultado Líquido foi de 443,6 milhões de euros, representando 16,9% da receita, um aumento de 6,5% em relação ao ano de 2024, impulsionado principalmente pelo maior resultado operacional e pela redução dos encargos financeiros.

 

  • O Free Cash Flow(4) foi de 558,8 milhões de euros para o ano de 2025, um aumento de 23,7 milhões de euros em relação ao ano de 2024, com um EBITDA forte parcialmente compensado por maior absorção de capital circulante (principalmente devido ao aumento dos níveis de inventário nos EUA), bem como por maiores juros e imposto sobre o rendimento pagos.

 

  • A Dívida Líquida(5) em 31 de dezembro de 2025 era de 2.037,3 milhões de euros, correspondendo a um rácio de alavancagem ligeiramente inferior a 2,1x EBITDA, comparado com uma dívida líquida de 2.154,3 milhões de euros em 31 de dezembro de 2024, após o pagamento de dividendos no montante de 267,6 milhões de euros, a aquisição de ações próprias no valor de 112,5 milhões de euros (líquido das receitas provenientes do exercício de opções sobre ações), o pagamento inicial de 25 milhões de dólares pelos direitos de Vazkepa® e o pagamento inicial de 11 milhões de dólares pelos direitos de Inrebic®.

 

  • O Capital Próprio dos acionistas era de 1.919,8 milhões de euros.

 

Atualização do Pipeline

Em 15 de abril de 2025, a U.S. Food and Drug Administration (FDA) aprovou o pedido suplementar de novo medicamento (sNDA) para Isturisa® (osilodrostat) para o tratamento da hipercortisolemia endógena em adultos com síndrome de Cushing para os quais a cirurgia não é uma opção ou não foi curativa. Esta aprovação representou uma expansão da indicação anterior para o tratamento de doentes com doença de Cushing, que é um subtipo da síndrome de Cushing. A expansão da indicação de Isturisa® foi suportada pelo extenso programa de desenvolvimento clínico de Isturisa®, que incluiu mais de 350 doentes. Adicionalmente, durante o segundo trimestre de 2025, Isturisa® obteve aprovação regulamentar no Canadá e na Rússia. Prevê-se o início, em 2026, de um estudo de Fase IV para avaliar a eficácia e segurança do osilodrostat em adultos com hipercortisolemia ligeira e hipertensão não controlada (HTA) devido à síndrome de Cushing.

Durante o segundo trimestre de 2025, foi iniciado um ensaio clínico promovido por investigador (IST) para investigar a segurança, dose e sinais precoces de eficácia do dinutuximab beta (Qarziba®) em combinação com quimioterapia no tratamento de doentes com sarcoma de Ewing positivo para GD2.

Em 28 de julho de 2025, a Comissão Europeia emitiu uma decisão positiva e concedeu autorização de introdução no mercado, em circunstâncias excecionais, para Maapliv®, uma solução de aminoácidos destinada ao tratamento da doença da urina com odor a xarope de ácer (MSUD) que se apresenta com episódio de descompensação aguda em doentes desde o nascimento que não são elegíveis para uma formulação oral e entérica isenta de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA).

A Empresa concluiu o recrutamento para o ensaio de Fase 2 com pasireotida para o tratamento da hipoglicemia pós-bariátrica em agosto de 2025. Esperam-se resultados preliminares no segundo trimestre de 2026.

Na sequência da reunião com a U.S. Food and Drug Administration (FDA) no início de setembro, foi estabelecida com a FDA uma potencial via para apresentação de um pedido de licença biológica (BLA) nos EUA para Qarziba®, exigindo um conjunto adicional de dados clínicos provenientes do ensaio BEACON-2 em curso, promovido por investigador. Espera-se que os resultados da análise intercalar estejam disponíveis no primeiro semestre de 2028 e que constituam, juntamente com os dados clínicos existentes, a base para um potencial pedido regulamentar.

Em 5 de janeiro de 2026, a UK Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) concedeu autorização de introdução no mercado para Eligard® para o tratamento do cancro da próstata avançado hormono-dependente e para o tratamento do cancro da próstata localizado de alto risco e localmente avançado hormono-dependente em combinação com radioterapia.

Os restantes programas de gestão do ciclo de vida estão a progredir de acordo com o planeado.

 

Desenvolvimento Corporativo

Em 24 de junho de 2025, a Recordati anunciou um acordo de licenciamento e fornecimento com a Amarin para comercializar o medicamento cardiovascular já comercializado Vazkepa® (icosapent etil) em 59 países, com foco na Europa. Vazkepa® está indicado para reduzir o risco de eventos cardiovasculares em doentes adultos sob tratamento com estatinas, com elevado risco cardiovascular, triglicéridos elevados e doença cardiovascular estabelecida ou diabetes com pelo menos um outro fator de risco cardiovascular. Prevê-se que Vazkepa® atinja receitas superiores a 40 milhões de euros em 2027 e que contribua positivamente para o EBITDA a partir de 2026. Nos termos do acordo, a Recordati pagou à Amarin um montante inicial de 25 milhões de dólares.

Em 17 de dezembro de 2025, a Recordati anunciou um acordo de licença exclusiva com a Impact Biomedicines, Inc., subsidiária da Bristol Myers Squibb, e o respetivo acordo de fornecimento com a Celgene Logistics Sàrl para comercializar Inrebic® (fedratinib dihidrocloreto monohidratado) no Japão. A Impact Biomedicines, Inc. manterá os direitos exclusivos para desenvolver e comercializar Inrebic® no resto do mundo. Inrebic® é um inibidor oral de quinases com atividade contra JAK2 de tipo selvagem e mutacionalmente ativado, destinado a suprimir as características patológicas da mielofibrose.

Inrebic® recebeu aprovação regulamentar do Ministry of Health, Labour and Welfare (MHLW) no Japão em junho de 2025 para o tratamento da mielofibrose e prevê-se o seu lançamento em meados de 2026. Nos termos do acordo, a Recordati pagou à Impact Biomedicines, Inc. um montante inicial de 11 milhões de dólares.

Em 29 de janeiro de 2026, a Recordati anunciou um acordo de colaboração e licença com a Moderna para desenvolver e comercializar a nível mundial o mRNA-3927, um produto em investigação para o tratamento da acidemia propiónica (PA). Nos termos do acordo, a Moderna continuará a liderar o desenvolvimento do mRNA-3927, em colaboração com a Recordati, e, caso seja aprovado, a Recordati liderará a comercialização global. O mRNA-3927 é um produto em investigação, pós prova de conceito, destinado a restaurar a atividade da enzima propionil-CoA carboxilase (PCC) em doentes com acidemia propiónica. Caso seja aprovado, poderá constituir a primeira opção terapêutica modificadora da doença disponível no mercado para esta patologia grave. O mRNA-3927 encontra-se atualmente a ser avaliado num potencial estudo clínico registável. O recrutamento de doentes-alvo foi concluído, prevendo-se a divulgação de dados até ao final de 2026.

Nos termos do acordo, a Recordati pagará à Moderna um montante inicial de 50 milhões de dólares e até 110 milhões de dólares adicionais relacionados com marcos de desenvolvimento e regulamentares de curto prazo. A Moderna poderá ainda receber marcos comerciais e de vendas, bem como royalties escalonados sobre as vendas líquidas anuais. A Recordati não prevê qualquer impacto significativo no seu EBITDA antes de um eventual lançamento.

 

Perspetivas de Negócio

Os objetivos financeiros para o ano completo de 2026 são os seguintes:

 

  • Receita líquida entre 2.730 e 2.800 milhões de euros, com impacto cambial negativo estimado em ~-3,5%
  • EBITDA(1) entre 995 e 1.030 milhões de euros; margem aproximada de +/- 36,5%
  • Resultado líquido ajustado(2) entre 655 e 685 milhões de euros; margem aproximada de +/- 24,0%

 

Os objetivos para o ano completo de 2027(9) permanecem inalteradas, com forte crescimento orgânico complementado por operações bolt-on de desenvolvimento de negócio (BD) e fusões e aquisições (M&A).

 

NOTAS:

(1) Resultado líquido antes de impostos sobre o rendimento, resultados financeiros (rendimentos e gastos), depreciações, amortizações e imparidades de ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis e goodwill, itens não recorrentes e encargos não monetários decorrentes da afetação do preço de aquisição às existências adquiridas, refletidos na margem bruta, conforme previsto pelas IFRS.

(2) Resultado líquido excluindo amortizações e imparidades de ativos intangíveis (exceto software) e goodwill, itens não recorrentes, encargos não monetários decorrentes da afetação do preço de aquisição às existências adquiridas, refletidos na margem bruta, conforme previsto pela IFRS 3, ganhos/perdas monetários líquidos decorrentes da hiperinflação (IAS 29), líquidos de efeitos fiscais.

(3) Crescimento proforma calculado excluindo as receitas de Vazkepa® no exercício de 2025 (Specialty & Primary Care) e de Enjaymo® nos exercícios de 2025 e 2024 (Doenças Raras).

(4) Fluxo de caixa total excluindo itens de financiamento, pagamentos por marcos contratuais (milestones), dividendos e aquisições de ações próprias, líquido das receitas provenientes do exercício de opções sobre ações.

(5) Caixa e equivalentes de caixa, deduzidos de dívidas bancárias e empréstimos, incluindo a mensuração ao justo valor de derivados de cobertura.

(6) Comparação das receitas do exercício de 2025 (que incluem igualmente a margem retida pela Sanofi nas vendas no mercado nos países onde ainda detinha a Autorização de Introdução no Mercado – AIM) com as receitas proforma do exercício de 2024, incluindo também as vendas integralmente realizadas pela Sanofi.

(7) Resultado líquido antes de impostos sobre o rendimento, resultados financeiros (rendimentos e gastos) e itens não recorrentes, bem como encargos não monetários decorrentes da afetação do preço de aquisição às existências adquiridas, refletidos na margem bruta, conforme previsto pela IFRS 3.

(8) A provisão foi revista desde setembro para refletir os termos do acordo final de resolução celebrado com a AIFA.

(9) Objetivos para o exercício de 2027: Receita líquida entre 3.000 e 3.200 milhões de euros, EBITDA entre 1.140 e 1.225 milhões de euros, Resultado Líquido Ajustado entre 770 e 820 milhões de euros, excluindo o potencial impacto de tarifas e/ou políticas de preços de “nação mais favorecida” nos EUA.

 

Universidade de Coimbra
Um estudo internacional – liderado pelo Grupo de Envelhecimento do Cérebro do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA...

Nesta investigação, publicada na revista Nature Communications, a equipa de cientistas descobriu que as células sem dinaminas – mais conhecidas pelo seu papel como “pinças” moleculares que cortam as vesículas recém-formadas da membrana celular – apresentam defeitos profundos na arquitetura nuclear.

O núcleo celular funciona como o centro de comando da célula, albergando e salvaguardando o genoma. Para o bom funcionamento celular, o núcleo deve manter a integridade estrutural, preservar a integridade da membrana nuclear e reparar eficientemente os danos no ADN. A perturbação de qualquer um destes processos está intimamente associada ao envelhecimento.

A investigadora do MIA-Portugal, Célia Aveleira, partilha que “foi possível descobrir que as dinaminas são fundamentais para manter a integridade da membrana nuclear e a estabilidade do genoma”. “Quando estas proteínas estão ausentes, a estrutura do núcleo torna-se irregular, os sistemas de reparação de ADN são afetados e o ADN danificado acumula-se na célula, representando uma ameaça à estabilidade celular”, acrescenta a também primeira autora do estudo.

A equipa de investigação conseguiu demonstrar também que as dinaminas exercem o seu papel protetor através de interações com o citoesqueleto, particularmente com os microtúbulos – o suporte interno e rede de transporte da célula. “Pode-se pensar nos microtúbulos como os alicerces da célula e as dinaminas trabalham em conjunto com essas estruturas para manter a estabilidade nuclear e apoiar a manutenção do genoma”, explica a cientista.

Para além de atribuir um novo papel às dinaminas, os resultados deste estudo permitem também compreender melhor a base celular do envelhecimento e das doenças relacionadas com a idade. “Ao identificar as dinaminas como reguladoras da integridade nuclear e da estabilidade do genoma, o nosso trabalho oferece novas perspetivas sobre os mecanismos que previnem patologias relacionadas com o envelhecimento”, avança a investigadora principal do Grupo de Envelhecimento do Cérebro do MIA-Portugal, Ira Milosevic, que é também investigadora da Universidade de Oxford (Reino Unido).

“As descobertas do nosso estudo têm implicações para a investigação sobre o envelhecimento e para doenças causadas pela instabilidade genómica, tais como doenças neurodegenerativas e cancro”, sublinha Ira Milosevic.

Para além do MIA-Portugal e da Universidade de Oxford, a investigação envolveu ainda a Universidade de Sheffield (Reino Unido), a Universidade Tecnológica de Nanyang (Singapura) e a Universidade Estadual da Pensilvânia (Estados Unidos).

O artigo científico Dynamins maintain nuclear membrane homeostasis and genome stability (As dinaminas mantêm a homeostase da membrana nuclear e a estabilidade do genoma, em português) está disponível em www.nature.com/articles/s41467-025-68130-4.

 

Sociedade Portuguesa de Hipertensão e Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular
Consenso de especialistas clarifica acesso a procedimento inovador para doentes com hipertensão não controlada, uma condição...

Os maiores especialistas em hipertensão em Portugal uniram-se para definir novas regras que prometem melhorar o acesso a um tratamento diferenciador para a hipertensão arterial (HTA) de difícil controlo. A publicação de um novo documento de consenso, apresentado no Congresso Português de Hipertensão pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), visa otimizar e uniformizar a abordagem à hipertensão resistente, uma condição em que a pressão arterial permanece perigosamente elevada apesar da medicação.

A hipertensão é um dos mais sérios desafios de saúde pública em Portugal, onde se estima que afete 42,6% da população adulta. A condição, caracterizada por uma pressão sanguínea cronicamente elevada (≥140/90 mmHg), é um fator de risco primário para doenças graves como o acidente vascular cerebral (AVC), o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a insuficiência renal. Dados revelam que, dos doentes diagnosticados no país, menos de metade estão medicados e apenas 11,2% têm a sua condição efetivamente controlada.

"A hipertensão é um inimigo silencioso que contribui de forma massiva para a mortalidade global. Com este consenso, pretendemos criar um caminho mais claro e eficaz para os doentes que mais precisam", afirma Luís Nogueira Silva, representante da Sociedade Portuguesa de Hipertensão. "O nosso objetivo é garantir que os tratamentos mais avançados cheguem a quem já esgotou as opções convencionais, melhorando a sua qualidade e esperança de vida."

O consenso foca-se na Desnervação Renal (RDN), um procedimento minimamente invasivo destinado a doentes com hipertensão resistente. Esta terapia inovadora é uma opção quando a medicação já não é suficiente para controlar a pressão arterial.

"A Desnervação Renal é uma ferramenta terapêutica com provas dadas. O que este consenso faz é estabelecer um enquadramento clínico robusto em Portugal, uniformizando os critérios de referenciação e otimizando a prática clínica", explica Manuel Almeida, especialista em Cardiologia de Intervenção.

O documento reforça ainda a importância crescente do envolvimento dos doentes no seu próprio tratamento, apoiando a monitorização da pressão arterial em casa. Esta prática tem demonstrado ser mais eficaz para detetar variações da doença, como a "hipertensão da bata branca" ou a "hipertensão mascarada", e para prever eventos cardiovasculares.

As novas diretrizes agora apresentadas representam um marco na luta contra as doenças cardiovasculares em Portugal, alinhando a prática clínica nacional com a melhor evidência científica.

Opinião
As queratites são inflamações da córnea, a parte transparente do olho, e podem causar olho vermelho,

As causas são variadas mas têm em comum a interrupção da integridade da superfície da córnea que pode ser causada por 1. infeções (particularmente virais, mas também por bactérias e outros microrganismos), 2.  uso de lentes de contacto que representa uma agressão ao bem-estar da córnea, 3. traumatismo direto e 4. alteração da lágrima. No entanto, é o diagnóstico de "olho seco" a causa atualmente mais frequente de queratite.

Nos últimos anos tem havido um aumento do diagnóstico de queratites, muito associado aos hábitos do dia a dia. O uso prolongado de ecrãs — como telemóveis, computadores e tablets — faz com que pestanejemos menos e, muitas vezes, de forma incompleta, o que contribui para o aparecimento de olho seco.

Quando o olho está seco, a córnea fica mais exposta e vulnerável, facilitando inflamações e pequenas lesões que podem evoluir para queratites. Este fenómeno é cada vez mais frequente em pessoas que passam muitas horas em frente a ecrãs, utilizadores de lentes de contacto e em ambientes com ar condicionado.

A boa notícia é que muitas queratites podem ser prevenidas com medidas simples, como fazer pausas regulares dos ecrãs, pestanejar conscientemente e procurar observação médica sempre que há dor ocular persistente ou alteração da visão.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Risco grave para a saúde pública
A Ordem dos Médicos, através do Colégio de Farmacologia Clínica e do Colégio de Pediatria, alerta que a ingestão deliberada de...

O paracetamol é um fármaco eficaz e seguro quando usado corretamente, mas a sobredosagem pode provocar lesão hepática grave, por vezes irreversível, com necessidade de internamento urgente, cuidados intensivos e, nos casos mais extremos, transplante hepático.

É crucial sublinhar que, nas primeiras horas, e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. Essa aparente normalidade é enganadora e leva a atrasos perigosos no tratamento.

Doses usuais e limites de segurança (regra geral):

Adultos e adolescentes: 500 mg a 000 mg por toma, com intervalos mínimos de 4 a 6 horas. Nunca ultrapassar a dose máxima diária indicada no folheto do medicamento. Em muitas apresentações o máximo é 4 g/24h. Deve evitar-se a duplicação inadvertida com antigripais e combinações analgésicas que também contêm paracetamol, assim como a ingestão de bebidas alcoólicas.

Crianças: a dose deve ser sempre ajustada ao peso e à formulação pediátrica. Como referência clínica comum, 15 mg/kg por toma, a cada 4–6 horas, com máximo de 60 mg/kg/dia.

A partir de que ponto é perigoso?
Considera-se potencialmente tóxica uma ingestão única na ordem de ≥150 mg/kg (aproximadamente 7,5–10 g num adulto) e também a sobredosagem faseada (várias tomas acima do recomendado num curto período), sobretudo em pessoas com doença hepática, doença renal, consumo de álcool, baixo peso, jejum prolongado ou desnutrição.

Consequências possíveis: insuficiência hepática aguda, alterações graves da coagulação, hipoglicemia, encefalopatia, lesão renal aguda e morte.

O que fazer perante suspeita de excesso?
Não esperar por sintomas. Contactar imediatamente o CIAV INEM 800 250 250 (gratuito) e, em situação de emergência, ligar 112 e recorrer ao Serviço de Urgência.

A Direção Executiva do SNS (DE-SNS) e Unidades Locais de Saúde (ULS) devem estar alertadas e preparadas para responder a qualquer quadro clínico.

A Ordem dos Médicos apela a pais, autoridades, escolas e plataformas digitais para sinalizarem e removerem estes conteúdos, reforçarem a literacia em segurança do medicamento e protegerem especialmente os mais jovens.

Prémio de Mérito Científico e Prémio de Mérito na Docência
A Universidade do Minho entregou esta quarta-feira, na cerimónia do seu 52.º Aniversário, o Prémio de Mérito Científico a...

"Sermos reconhecidos pela nossa ‘casa’ motiva-me, a mim e à equipa, a prosseguir estas duas décadas dedicadas aos biomateriais e à engenharia de tecidos, procurando melhorar a vida das pessoas”, disse Miguel Oliveira. O seu grupo tem-se focado no tratamento de lesões músculo-esqueléticas e no diagnóstico e terapias do cancro. Aliás, já patenteou dispositivos de diagnóstico para o cancro colorretal (um dos mais letais) e pondera criar uma start-up para levar a inovação ao mercado. “Sempre fui curioso, desde criança queria as ciências, sobretudo quando perdi a minha mãe na luta contra um cancro; hoje tenho o privilégio de trabalhar onde cresci, surgiram aí o parque tecnológico AvePark e o I3Bs, que é uma referência mundial nesta área científica”, acrescentou.

Miguel Oliveira, de 48 anos, doutorou-se em Ciência e Tecnologia de Materiais pela UMinho, em parceria com o AIST (Osaka, Japão). É investigador principal com agregação do Grupo 3B’s – Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, vice-presidente do I3Bs e editor-chefe de várias revistas científicas, destacando-se a “In vitro models”. É Fellow em Ciência de Biomateriais e Engenharia pelo ICF-BSE (une as dez sociedades mundiais de Biomateriais), pelos seus contributos extraordinários nesta área. Foi membro da Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC), nomeado pela tutela. Tem mais de 400 publicações científicas, de 140 capítulos, de 20 edições como editor convidado, além de 24 patentes e marcas, e 13 livros. Participou ainda em mais de 700 conferências, sendo 110 como palestrante principal ou plenário, e em diversos projetos científicos internacionais, como o “OncoScreen” e “Renovate” do Programa Horizonte Europa da UE, e agora coordena o “EngVIPO” financiado pelo programa Marie Skłodowska-Curie Actions.

Já Sónia Caridade referiu sentir “uma enorme honra” pelo Prémio de Mérito na Docência: “Recebo este prémio com profunda gratidão, responsabilidade e humildade, consciente de que outros colegas, pelos seus percursos pedagógicos inovadores, legitimamente também o mereceriam”. “Entendo esta distinção como um processo coconstruído com várias pessoas, desde os meus estudantes, que diariamente me desafiam a repensar e a rever práticas pedagógicas, a inovar e a promover aprendizagens mais significativas e inclusivas, até aos docentes da minha Escola e de outras unidades orgânicas e instituições com quem tenho interagido no âmbito do consórcio EPIC – Excelência Pedagógica em Inovação e Cocriação, cujo envolvimento, partilha e entusiasmo tornaram este caminho possível e sustentado”, realçou.

Sónia Caridade é doutorada em Psicologia da Justiça pela UMinho, onde é professora auxiliar, vice-presidente para a Educação e Inovação Pedagógica e presidente do Conselho Pedagógico da EPsi. Integra o Centro de Investigação em Psicologia, a Associação de Psicologia e, ainda, a comissão do Centro IDEA-UMinho. Coordenou o projeto COLAB_FeedBack, criando uma Comunidade de Prática em Avaliação Formativa e Feedback, e participa em diversos espaços de experimentação e disseminação de práticas de inovação pedagógica, como os consórcios UNorte e EPIC. É, desde 2004, perita forense na área da psicologia e dinamiza formações para os diversos agentes do sistema de justiça. 

O Prémio de Mérito Científico surgiu em 2009 e já foi atribuído a 19 investigadores da UMinho: Nuno Peres, Rui L. Reis, Carlos Mendes de Sousa, Odd Rune Straume, Nuno Sousa, Armando Machado, José António Teixeira, Moisés de Lemos Martins, Paulo Lourenço, José González-Méijome, Leandro Almeida, Patrícia Jerónimo, António Vicente, Helena Machado, Fernando Alexandre, António Salgado, Isabel Soares, Maria Manuel Oliveira e, agora, Miguel Oliveira. O Prémio de Mérito na Docência surgiu em 2025, tendo sido entregue ao professor Rui Lima e, este ano, a Sónia Caridade.

 

14 de março | Lisboa
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e a Família Batazu vão organizar a 3ª conferência sobre imunoterapia,...

O encontro, que terá lugar no Hotel Lumen, é dedicado a profissionais de saúde e reunirá especialistas de renome para debater os avanços mais recentes no tratamento de doenças hemato-oncológicas.

O programa da conferência incidirá sobre os progressos mais significativos em imunoterapias celulares, com especial destaque para as terapias de células CAR T. Serão promovidos o debate e a partilha de conhecimento sobre como expandir o seu impacto clínico e melhorar o acesso a estes tratamentos inovadores em Portugal.A sessão de boas-vindas será conduzida por Manuel Abecasis, presidente da APCL.

O painel de oradores conta com reputados especialistas internacionais, como Pablo Menendez, do Centro de Oncologia Pediátrica de Barcelona, que abordará o desenvolvimento de terapias CAR T para a leucemia aguda, e Luis Rodriguez-Lobato, do Hospital Clínico de Barcelona, que se focará nos novos alvos e desafios no tratamento do mieloma múltiplo com esta tecnologia.

Outros aspetos inovadores em terapia celular, nomeadamente a utilização de linfócitos T específicos para vírus e de células T reguladoras no contexto da transplantação de medula óssea, serão discutidos respetivamente, por Eduardo Espada e João Lacerda, ambos da ULS Santa Maria e do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine.

A experiência nacional estará em grande destaque numa sessão dedicada à partilha de resultados com terapias CAR T em centros portugueses de referência, incluindo o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa e do Porto, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria, a ULS de Coimbra, a ULS de São João e a unidade de Pediatria do IPO de Lisboa.

Outros momentos importantes do programa incluem a apresentação da iniciativa SHARP, um "think tank" focado em propostas para melhorar a acessibilidade, e a discussão sobre estratégias de produção local para expandir o acesso às terapias CAR T em Portugal.

O evento destina-se a todos os médicos, enfermeiros, farmacêuticos, investigadores e outros profissionais de saúde, representando uma oportunidade de excelência para aprofundar conhecimentos numa área da hemato-oncologia em constante evolução.

A inscrição tem um custo de 10€ e pode ser feita através do preenchimento deste formulário online.

A iniciativa conta com a Sociedade Portuguesa de Hematologia e da Batazu Family como parceiros, e é desenvolvida com o apoio da Johnson & Johnson Innovative Medicine, Gilead/Kite e Novartis.

 

Ispa lidera
Projeto BEJUST quer identificar barreiras e propor mudanças concretas no contacto entre pessoas autistas, pessoas com...

Em Portugal, não existem dados sistemáticos sobre a forma como as pessoas autistas e/ou com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) experienciam o contacto com o sistema de justiça. As dificuldades associadas à comunicação, à compreensão dos procedimentos e à participação efetiva em processos judiciais permanecem pouco estudadas e raramente integradas na reflexão institucional.

Para responder a esta lacuna que o Ispa – Instituto Universitário lidera o projeto BEJUST – Breaking Barriers to Enhance Criminal Justice Interactions and Safeguards for ASD in Portugal, o primeiro estudo nacional dedicado à análise estruturada das interações entre pessoas neurodivergentes e o sistema de justiça, incluindo forças e serviços de segurança e tribunais.

O BEJUST pretende compreender de que forma estas interações são vividas por pessoas autistas e/ou com PHDA - enquanto vítimas, testemunhas, suspeitos ou partes em processos não penais - e identificar obstáculos comunicacionais, institucionais e processuais que possam comprometer o exercício pleno dos seus direitos.

O projeto foi selecionado entre 428 candidaturas internacionais, sendo um dos 16 financiados no âmbito da Social Research Call 2024 da Fundação “la Caixa”.

Esta investigação constitui o primeiro estudo abrangente em Portugal nesta área e reforça o papel do Ispa na produção de conhecimento científico com impacto direto na melhoria de práticas institucionais e na formulação de políticas públicas.

O projeto é coordenado pela investigadora Telma Sousa Almeida, do William James Center for Research (Ispa), e integra as investigadoras Patrícia de Oliveira Gonçalves e Beatriz Dias Almeida, reunindo uma equipa especializada nas áreas da psicologia, justiça e neurodiversidade, em articulação com peritos nacionais e internacionais.

Segundo Telma Sousa Almeida, “este projeto nasce de uma preocupação genuína com as dificuldades que ainda marcam o contacto entre pessoas autistas e/ou com PHDA e o sistema de justiça em Portugal - dificuldades que afetam quem procura proteção ou resposta, mas também quem tem a responsabilidade de decidir e intervir”.

A coordenadora acrescenta: “Queremos compreender, com base em evidência científica e em testemunhos reais, onde surgem as principais dificuldades, que ajustamentos produzem efeitos concretos e como podemos contribuir para interações mais claras, mais seguras e mais justas para todos os envolvidos”.

O estudo combina questionários dirigidos à comunidade neurodivergente e a profissionais das forças e serviços de segurança, magistrados e advogados, bem como entrevistas qualitativas aprofundadas.

A partir desta análise, a equipa desenvolverá recomendações concretas para a melhoria de procedimentos, o reforço de garantias legais e o desenho de programas de formação baseados em evidência, dirigidos aos profissionais do sistema de justiça.

“Este projeto não parte de uma lógica de crítica, mas de responsabilidade partilhada. Ao participar, cidadãos e profissionais estão a contribuir para transformar experiência em conhecimento e conhecimento em melhoria prática. O objetivo é claro: um sistema de justiça mais preparado, mais informado e mais justo. Trata-se de um contributo real para mudanças que podem ter um impacto duradouro”, conclui a investigadora.

Ao abordar de forma estruturada a relação entre justiça e neurodiversidade, o BEJUST pretende contribuir para um sistema mais inclusivo e alinhado com os direitos fundamentais, posicionando Portugal na linha da frente da investigação nesta área emergente.

 

Regulação Farmacêutica em Contexto Internacional: Implicações para o SNS
Na Europa, as decisões nacionais sobre preços e acesso a medicamentos inovadores não são tomadas isoladamente. Pelo contrário,...

A mais recente nota informativa do Observatório da Despesa em Saúde Regulação Farmacêutica em Contexto Internacional: Implicações para o SNS, analisa a forma como os países europeus definem preços e negociam o acesso a medicamentos inovadores, dando especial atenção ao impacto no Serviço Nacional de Saúde português.

O estudo desenvolvido no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social (uma parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE) e da autoria dos investigadores da Nova SBE Pedro Pita Barros (detentor da Cátedra BPI | Fundação ‘la Caixa’ em Economia da Saúde), Carolina Santos e Giovanni Righetti parte da análise da experiência alemã (após a reforma de 2011 AMNOG que obriga à negociação de preços) que revela reduções médias de cerca de 16% nos preços de medicamentos oncológicos após negociação (com quebras mais acentuadas nos medicamentos com benefício terapêutico adicional limitado), atrasos no lançamento de novos medicamentos e trade-off entre preços mais baixos e acesso mais rápido.

Num contexto europeu em que muitos países utilizam o sistema ERP (preço de referência externa) os preços praticados num país podem ser usados como referência noutros, transmitindo sinais de preço além-fronteiras. Assim, as decisões nacionais sobre preços listados, descontos confidenciais ou regras de transparência podem alterar os incentivos das empresas farmacêuticas noutros mercados, influenciando tanto os preços como o momento de lançamento dos medicamentos.

Para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) português, estas interdependências significam que decisões sobre preços listados, transparência e calendários de avaliação não afetam apenas a despesa pública, mas também o momento em que os doentes têm acesso a novos medicamentos e o poder negocial do sistema público face à indústria farmacêutica. Num mercado europeu interligado, escolhas aparentemente domésticas podem traduzir-se em atrasos no acesso, maior resistência à negociação ou preços mais elevados no médio prazo.

O relatório revela ainda que ser um país referenciado por grandes mercados pode exercer pressão ascendente sobre os preços. Os países incluídos no cabaz de referência utilizado pela Alemanha registaram, em média, preços de entrada cerca de 6,6 pontos percentuais mais elevados após a introdução do AMNOG do que países não referenciados. Portugal integra várias redes de referenciação internacional, o que significa que os preços listados no país podem funcionar como um sinal de preço não intencional no exterior, afetando negociações e estratégias de lançamento noutros países - efeitos que, por sua vez, regressam a Portugal sob a forma de maior resistência negocial ou adiamentos no acesso.

Dentro deste âmbito, o relatório sublinha a importância de Portugal recorrer de forma estratégica a instrumentos assentes no preço líquido (acordos de acesso geridos confidenciais e componentes baseadas em resultados) evitando que o preço listado se torne uma âncora rígida com efeitos adversos além-fronteiras. Em paralelo, destaca a necessidade de reforçar a avaliação precoce, a previsibilidade dos processos e a capacidade de distinguir rapidamente as inovações que justificam acesso célere daquelas em que uma negociação mais exigente é compatível com um benefício adicional modesto.

Em termos práticos, o relatório conclui que o caminho não passa por abandonar instrumentos como a avaliação baseada em valor, o ERP ou os acordos confidenciais, mas por utilizá-los com uma consciência explícita das interdependências entre países e dos incentivos transfronteiriços que esses instrumentos geram. ‘Neste sentido, importa clarificar que dimensões Portugal pretende otimizar (previsibilidade orçamental, rapidez, equidade, incentivos à inovação), definir processos e calendários alinhados com esses objetivos e promover ações coordenadas internacionalmente sempre que uma ação unilateral possa produzir efeitos contraproducentes’, concluem os investigadores.

 

Opinião
A rinoplastia é uma das cirurgias mais frequentes no âmbito da cirurgia facial e tem tido uma consta

Desde o início da realização de rinoplastias foram usados os instrumentos de corte disponíveis da forma mais adequada possível, para conseguir o objetivo sempre desejado de eliminar as irregularidades do dorso nasal, afinar a pirâmide nasal ou reduzir assimetrias, referindo as mais frequentes.

Recentemente, foi introduzido o conceito de rinoplastia ultrassónica, que é assim denominada porque se baseia no recurso a um sistema cirúrgico ultrassónico, que envolve um instrumento eletrónico sofisticado cujo funcionamento radica na produção de ondas ultrassónicas, possibilitando o corte e a modelação de estruturas compactas como o osso. 

Este processo, também denominado cirurgia piezoelétrica, que também se aplica a outras áreas cirúrgicas, como por exemplo, a odontologia e a cirurgia maxilo-facial, é introduzido numa era em que se buscam recursos menos invasivos.

Numa abordagem simples, o que está em causa é a utilização de vibrações piezoelétricas no processo de corte do tecido ósseo. Esta alternativa é considerada menos traumática, uma vez que o corte é mais seletivo e cria condições que permitem melhorar o conforto dos pacientes no período pós-operatório, preservar tecidos moles, cartilagem e vasos sanguíneos, reduzir o sangramento, as equimoses, o edema e tornando mais rápida a recuperação e, por consequência, um regresso mais célere às atividades quotidianas.

Trata-se, portanto, de um aporte técnico significativo, que, certamente, continuará a ser alvo de estudo e desenvolvimento. Contudo, não é possível considerar prescindir completamente do uso dos equipamentos tradicionais para situações específicas.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos manifesta a sua preocupação com a Portaria n.º 170/2025/1 que condiciona a prescrição de sensores de...

Embora reconheça a intenção de promover a utilização racional de recursos, a formulação atual da medida cria barreiras desnecessárias no acesso dos doentes, fragiliza a continuidade assistencial e introduz constrangimentos organizacionais num sistema já sob forte pressão.

Limitar a prescrição apenas a determinadas especialidades impede que doentes clinicamente estabilizados possam ter renovação terapêutica no âmbito do seu seguimento regular, gera atrasos evitáveis e sobrecarrega serviços hospitalares e consultas especializadas.

Acresce que obrigar a referenciações formais para efeitos meramente administrativos não reforça a qualidade nem a segurança clínica, apenas aumenta a burocracia e prolonga percursos assistenciais.

O Ministério da Saúde é um fator de sobrecarga para o SNS, ao invés de implicar e aumentar o acesso.

A prescrição constitui um ato médico, assente na avaliação individual e na responsabilidade científica do médico. A sua restrição genérica, sem fundamentação técnico-científica robusta, representa uma limitação injustificada da autonomia clínica e não serve o superior interesse do doente, antes o prejudica.

A Ordem dos Médicos apela à revisão urgente desta Portaria, salvaguardando a sustentabilidade do sistema sem comprometer o acesso, a qualidade e a segurança dos cuidados. Está disponível para colaborar tecnicamente na definição de soluções equilibradas e centradas nas pessoas com diabetes.

Opinião
O exercício físico é absolutamente fundamental em qualquer idade, quer para a saúde física e mental,

Nas décadas dos 20 e 30 anos:

 

O objetivo é construir a maior base possível de força, massa muscular e capacidade aeróbia /cardiovascular, isso será o “cofre de longevidade” para as décadas seguintes.

 

 Melhor combinação

  1. Treino de força estruturado (3–5x/semana): musculação ou calistenia, para garantir uma “reserva muscular” para o futuro.
  2. HIIT, treino de alta intensidade intervalado (1–2x/semana): sprint na bicicleta, corrida, circuito metabólico, para otimização VO₂ máximo – marcador de longevidade.
  3. Desporto de grupo + mobilidade
  • Futebol, basquetebol, voleibol, lutas, dança, escalada, entre muitos outros
  • 10–15 min de mobilidade para prevenção de lesões

 

O que evitar:

  1. Demasiada carga sem técnica – elevado risco de lesão
  2. Overtraining e falta de descanso

Jovens suportam volume, mas não são invencíveis — excesso pode causar stresse crónico, queda hormonal e lesões de sobrecarga.

  1. Só fazer cardio e negligenciar força

Perde a oportunidade de construir uma boa reserva muscular para a vida.

  1. Treinos aleatórios demais

A ausência de progressão compromete ganhos de longo prazo.

 

Nas décadas dos 40 e 50 anos:

O objetivo é manter massa muscular, proteger articulações, manter saúde cardiovascular e uma adequada composição corporal (controlar gordura corporal).

 

 Melhor combinação

  1. Treino de força (3–4x/semana) — agora é obrigatório

 

  • Menos carga máxima e mais técnica
  • Priorizar grandes grupos musculares

 

  1. Treino funcional ou Pilates (1–2x/semana)

 

  • Melhora core, postura, mobilidade e reduz dor lombar

 

  1. Cardio contínuo de meia intensidade (2–3x/semana)

 

  • Caminhada rápida, bike, elíptica
  • Melhora saúde metabólica e reduz estresse

 

O que evitar:

  1. Elevada carga sem supervisão

Aqui as articulações já não recuperam tão rápido quanto aos 20 anos. Técnica impecável passa a ser prioridade.

  1. Corridas de alto impacto sem preparação

Principal causa de tendinite, fasciite plantar e lesões do quadríceps.

  1. Treinar sempre como aos 20 anos

O corpo muda: ignorar isso leva a dor lombar, lesão no ombro e queda de performance.

  1. Sedentarismo intercalado com “picos” de exercício intenso

A combinação mais lesiva possível.

  1. Negligenciar mobilidade e core

Maior causa de dor na lombar e má postura.

 

 A partir dos 60 anos:

Preservar independência, força, equilíbrio e função cognitiva, além de prevenir sarcopenia.

 

 Melhor combinação

  1. Musculação leve a moderada (2–3x/semana)

 

  • Prioridade: pernas, core, costas
  • Cargas progressivas e supervisão quando necessário

 

  1. Treinos de equilíbrio (diariamente)

 

  • Caminhada em linha, apoio unipodal, Tai Chi - Reduz risco de quedas, fator crítico nesta idade

 

  1. Cardio leve a moderado (3–5x/semana)

 

  • Caminhada, bicicleta, natação
  • Mantém condicionamento e melhora função cognitiva

 

  1. Alongamento e mobilidade (diário)

 

  • 5–10 minutos/dia já fazem diferença

 

O que evitar:

  1. Treinos de alto impacto

Saltos, corrida intensa ou desportos com mudanças bruscas de direção aumentam risco de quedas e fraturas.

  1. Cargas muito altas sem progressão e supervisão

Musculação é fundamenta, mas deve ser controlada.

  1. Exercícios no chão difíceis de levantar sem apoio

Risco de quedas ao levantar e tensão na lombar.

  1. Sedentarismo (o maior inimigo)

Depois dos 60, ficar parado faz perder força e equilíbrio muito rápido.

  1. Alongar em excesso articulações já frágeis

Mobilidade deve ser cuidadosa e nunca dolorosa.

 

Resumo rápido

 

O que fazer:

  • 20–30: força + HIIT + desportos coletivos → construir reserva funcional
  • 40–50: força + funcional/Pilates + cardio moderado → manutenção + prevenção
  • 60+: força + equilíbrio + cardio leve/moderado → autonomia e longevidade

 

O que não fazer:

  • 20–30: evitar overtraining, má técnica, treinos sem estrutura.
  • 40–50: evitar alto impacto, cargas excessivas, ignorar dor e falta de mobilidade.
  • 60+: evitar risco de quedas, cargas exageradas, movimentos no chão sem segurança e sedentarismo.

 

O dia tem 24h e uma hora nas 24 deve ser dedicada a esta verdadeira pílula da juventude, não é possível envelhecer bem sem exercício diário!

De uma forma estruturada e com o devido acompanhamento, em qualquer idade, e independentemente das patologias já adquiridas, o exercício é possível e fundamental, e é um fator determinante para a longevidade com qualidade de vida!

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Doença Coronária
No âmbito do Dia Mundial da Doença Coronária, que se assinala a 14 de fevereiro, a Associação Protectora dos Diabéticos de...

Recentemente, o Prof. João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP e Chair-Elect da IDF Europa, destacou, no Parlamento Europeu, o enorme peso que a diabetes e a obesidade representam para as pessoas e para os sistemas de saúde. No debate, apelou a uma maior ambição por parte dos decisores políticos, sublinhando que oportunidades como o "Safe Hearts Plan" devem ser aproveitadas para enfrentar a diabetes, a obesidade e o seu impacto na doença cardiovascular, através de uma melhor prevenção e de cuidados de saúde mais eficientes.

Em linha com este compromisso, a APDP manifesta o seu apoio à iniciativa "Pulsar Portugal", um projeto conjunto da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que vai acompanhar e caracterizar a saúde metabólica e cardiovascular da população portuguesa, e à petição lançada esta semana pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que reforça a importância do acesso aos fármacos agonistas do recetor GLP-1 para a prevenção cardiovascular em pessoas com obesidade.

"A diabetes e as doenças cardiovasculares, incluindo a doença coronária, partilham uma ligação perigosa que não pode ser ignorada", afirma o Prof. João Filipe Raposo, acrescentando que "precisamos de estratégias de saúde pública que não tratem estas condições de forma isolada, mas que reconheçam a sua sobreposição."

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, e os dados indicam que uma elevada percentagem da população está em risco. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), Portugal apresenta uma das mais altas taxas de prevalência de diabetes na Europa, condição que multiplica o risco de desenvolver eventos cardiovasculares. Esta dupla ameaça exige uma resposta robusta e coordenada por parte de todo o sistema de saúde, desde a prevenção primária até ao acesso a terapêuticas que comprovadamente reduzem o risco cardiovascular.

"Encarar a diabetes como um fator de risco major para as doenças do coração é o primeiro passo para uma estratégia de prevenção eficaz. Na APDP, defendemos que a luta contra estas patologias crónicas tem de ser uma prioridade nacional", frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP. "Acreditamos que, trabalhando em conjunto com as autoridades de saúde, sociedades científicas e outros parceiros, podemos reverter as estatísticas preocupantes e melhorar significativamente a saúde e o bem-estar dos portugueses. Estamos disponíveis para contribuir ativamente para a construção de soluções sustentáveis."

A APDP apela, assim, a que o Dia Mundial da Doença Coronária sirva de catalisador para uma reflexão séria e para a implementação de políticas que abordem de forma integrada a diabetes e o risco cardiovascular, construindo um futuro mais saudável para as próximas gerações.

 

21 de março | Lisboa
As 5as Jornadas do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica (NEMO) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) realizam...

Segundo a internista, a edição deste ano foi estruturada para refletir os principais desafios atuais. “Definimos 10 temas prementes pela importância que representam na mortalidade materna e pelas novas recomendações”, explica. A manhã será dedicada à área cardiovascular, morbimortalidade e saúde mental; a tarde foca-se na autoimunidade, fertilidade e perdas gestacionais, culminando com a discussão de casos clínicos complexos e uma reflexão sobre o futuro da Medicina Obstétrica. O programa inclui ainda apresentação de posters e a atribuição do Prémio Dr.ª Augusta Borges.

Inês Palma Reis sublinha que a pertinência das Jornadas é reforçada pelo contexto atual: “Com o desenvolvimento da Medicina Obstétrica surgem novas questões, e o recente aumento da mortalidade materna, associado aos desafios de acessibilidade, torna estas jornadas especialmente relevantes.”

A coordenadora destaca também o caráter multidisciplinar do encontro, apontando-o como determinante para a abordagem de casos complexos. “A multidisciplinaridade é a chave para lidar com grávidas doentes. Por isso, reunimos internistas, obstetras, psiquiatras, endocrinologistas, intensivistas e outros profissionais. Acreditamos que esta partilha vai multiplicar o conhecimento e aumentar a segurança das grávidas.”

Entre os temas estruturantes das Jornadas está uma das lacunas mais sentidas na prática clínica: a segurança dos fármacos durante a gravidez. “A segurança da farmacoterapia continua a ser um desafio. Teremos um curso inteiramente dedicado a este tema, procurando transmitir fundamentos e ferramentas para uma utilização mais segura de medicamentos na gravidez e amamentação”, afirma.

Com esta edição comemorativa, o Núcleo pretende reforçar a confiança e o apoio aos profissionais que lidam diariamente com a complexidade da Medicina Obstétrica. “Os participantes levarão para a prática clínica mais conhecimento, atualizações e a certeza de que não estão sós nas angústias das zonas cinzentas da ciência”, conclui Inês Palma Reis, expressando o desejo de que o encontro contribua para “maior segurança e tranquilidade nos cuidados prestados às mulheres grávidas”.

Inscrições em - https://www.spmi.pt/5as-jornadas-do-nucleo-de-estudos-de-medicina-obstetrica/

 

14 de fevereiro | Dia Nacional do Doente Coronário
A propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala a 14 de fevereiro, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC)...

Dados do relatório "10 Anos de Doença Cérebro Cardiovascular em Portugal" da DGS mostram que, enquanto a taxa de mortalidade geral por doença coronária diminuiu, esta não se alterou nos grupos mais jovens, sinalizando uma falha crítica na prevenção precoce.

“Estes números são um claro sinal de alerta. Estamos a ser bem-sucedidos no tratamento e na resposta ao evento agudo, mas estamos a falhar na prevenção junto da população em idade ativa”, declara Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. “Com o apoio da nossa campanha ‘Corações Acesos’, queremos usar esta data para chamar a atenção para esta realidade e mobilizar a sociedade para uma cultura de prevenção cardiovascular mais robusta.”        

Apesar de uma redução de 20,7% nos internamentos por enfarte agudo do miocárdio (EAM) entre 2017 e 2023, os dados revelam que os doentes internados apresentam uma elevada carga de comorbilidades, nomeadamente hipertensão (52,2%) e diabetes (25,9%).

Face a este cenário, e relembrando a petição pública que lançou no início da semana, a SPC defende que a sensibilização deve ser acompanhada por políticas de saúde concretas, como a comparticipação de medicamentos para a obesidade em doentes com doença cardiovascular mesmo sem diabetes e a implementação de um rastreio de risco cardiovascular.

“Tratar a obesidade não é uma questão estética; é uma questão metabólica com consequências graves. A comparticipação destes medicamentos é um investimento que reduzirá a despesa futura com as complicações da doença cardiovascular. Por outro lado, rastrear o risco cardiovascular é uma medida que nos poderá ajudar a salvar muitas vidas e a dar mais qualidade de vida à população.”, reforça Cristina Gavina.

A SPC defende, por isso, que a prioridade estratégica para a próxima década deve focar-se na integração de cuidados, no reforço da prevenção em idade ativa e na melhoria contínua dos tratamentos, baseada em dados nacionais auditados.

 

Saiba mais sobre a campanha em https://coracaoaceso.pt/

 

Estudo
Um estudo recente, desenvolvido no Instituto Superior de Serviço Social do Porto, investigou a relação entre o ambiente...

Os resultados evidenciaram que os jovens do sexo masculino reportaram níveis mais elevados de perpetração de agressões diretas online e também maior vitimação por controlo – com 42,2% dos participantes a responderem que o(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já controlou as atualizações no meu perfil da rede social.

 

As tipologias mais identificadas de abuso cibernético no namoro foram: 

O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já controlou as atualizações no meu perfil da rede social (26,9%).

O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já utilizou as novas tecnologias para controlar onde é que eu estive e com quem (26,2%).

O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já utilizou as novas tecnologias para controlar onde é que eu estive e com quem (29,7%).

O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já controlou as minhas amizades das redes sociais (31,5).

 

Observou-se ainda que a duração das relações amorosas está associada a diferenças significativas: jovens em relações entre 1 e 3 anos reportaram mais experiências de abuso, sugerindo que a exposição prolongada pode aumentar a probabilidade de reconhecer ou vivenciar comportamentos abusivos, o que vai ao encontro da literatura.

Outro dado relevante foi o impacto das dinâmicas familiares. Jovens que cresceram em ambientes marcados por violência revelaram maior propensão para reproduzir padrões abusivos nas suas próprias relações. A escolaridade paterna também surgiu como um fator a considerar: assinalando-se uma possível relação entre níveis mais baixos de instrução e maior incidência de contextos familiares coercivos.

Em síntese, a investigação, coordenada por Madalena Sofia Oliveira e Hélder Alves, confirma que o abuso cibernético no namoro não pode ser dissociado das experiências familiares, reforçando a importância da intervenção precoce e da educação para relações saudáveis. O trabalho sublinha a necessidade de políticas públicas que integrem a prevenção da violência digital, incluindo campanhas de sensibilização e programas de apoio a jovens, famílias e escolas.

 

Opinião
Dados recentes ajudam a perceber porque continua a ser tão importante falar de doença coronária: em

Apesar disso, a doença coronária continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal e no mundo. Mais de 10 mil portugueses morrem anualmente devido a enfarte ou complicações relacionadas, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima que, globalmente, a doença cardíaca isquémica representa cerca de 13% de todas as mortes. São números que impressionam, mas que também ajudam a perceber a importância da prevenção e do acompanhamento regular.

Nos últimos anos, tem-se promovido uma mudança importante na forma como falamos sobre a doença cardíaca. Em vez de “doente coronário”, cada vez mais se usa a expressão “pessoa que vive com doença coronária”. O conceito não é novo. Esta abordagem faz parte do movimento internacional “person-first”, iniciado na década de 70 no contexto dos direitos das pessoas com deficiência e depois alargado a muitas áreas da medicina. A ideia é simples: a pessoa vem sempre antes da doença. Quem vive com doença coronária não é definido apenas pelo diagnóstico — continua a ter projetos, rotinas, relações e autonomia.

Compreender os fatores de risco é fundamental. Tabagismo, pressão arterial elevada, colesterol alto, diabetes, obesidade e sedentarismo aumentam a probabilidade de desenvolver doença coronária. Por outro lado, hábitos de vida saudáveis — alimentação equilibrada, atividade física regular, cessação tabágica e controlo adequado das doenças crónicas — são o primeiro passo para prevenir ou atrasar a doença. Algumas mudanças têm efeitos particularmente rápidos: deixar de fumar após o diagnóstico de doença coronária pode reduzir de forma marcada o risco de novos eventos cardiovasculares, mostrando que nunca é tarde para melhorar o prognóstico.

Ter doença coronária não significa uma sentença de morte. Mesmo em situações como enfarte, angina ou insuficiência cardíaca, os avanços médicos permitem hoje tratamentos eficazes que melhoram a qualidade de vida e reduzem o risco de complicações. Seguir as recomendações médicas e cumprir corretamente a terapêutica prescrita é essencial para tirar o máximo benefício destes tratamentos. Uma relação de confiança com o médico assistente é também fundamental ao longo deste percurso, facilitando a adesão ao tratamento, o esclarecimento de dúvidas e a tomada de decisões partilhadas.

Falar de doença coronária é, na verdade, falar de vida quotidiana: do que comemos, do tempo que temos para caminhar, do stress com que vivemos e até das horas que dormimos. A saúde cardiovascular constrói-se muito antes do primeiro sintoma e muito para além da alta hospitalar. Cada pequena escolha — subir escadas, caminhar mais alguns minutos, manter consultas e tomar a medicação — pode parecer discreta isoladamente, mas ao longo dos anos traduz-se numa diferença real em anos e qualidade de vida.

No Dia Nacional do Doente Coronário, vale a pena recordar uma ideia simples: prevenir, acompanhar e tratar atempadamente continua a ser a melhor forma de proteger o coração e viver mais e melhor.
 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Os seus olhos também precisam de proteção
Ainda estamos em época de férias na neve e, para muitos, este é o momento ideal para subir à montanha, praticar desportos, ou...

As baixas temperaturas, o vento e as mudanças bruscas entre o frio do exterior e o calor dos espaços interiores podem provocar desconforto ocular, como secura, comichão e sensação de ardor. Quando se juntam atividades ao ar livre, sobretudo desportos de inverno como ski ou snowboard, o risco para os olhos aumenta.

A neve reflete mais de 80% da luz solar, intensificando a exposição aos raios ultravioleta. Esta reflexão faz com que a agressão ocular seja, muitas vezes, superior à sentida noutros ambientes como a praia ou o campo. Sem a proteção adequada, os olhos podem sofrer consequências a curto e longo prazo.

A GrandOptical reforça a importância da prevenção através de dicas simples:

  • Usar óculos de sol com proteção UV: escolher lentes de qualidade com proteção contra raios UVA e UVB é essencial, mesmo em dias nublados ou com temperaturas baixas. Para atividades ao ar livre, recomenda-se o uso de lentes polarizadas com filtros de categoria 3 ou 4.
  • Optar por lentes polarizadas: ajudam a reduzir o encandeamento provocado pela reflexão da luz na neve, melhorando assim, o conforto visual.
  • Manter os olhos bem hidratados: o ar frio e seco pode provocar secura ocular. O uso de gotas oculares ajuda a aliviar o desconforto.
  • Redobrar cuidados no uso de lentes de contacto: sempre que possível, alternar com óculos e garantir uma boa higiene e hidratação para evitar irritações.
  • Pestanejar com frequência: este gesto simples estimula a produção natural de lágrimas e ajuda a proteger a superfície ocular.
  • Evitar exposição prolongada sem proteção: mesmo durante pausas ou caminhadas, é importante manter os olhos protegidos, pois a reflexão dos raios UV pode causar lesões oculares.
  • Cuidar da alimentação: uma dieta equilibrada, rica em ómega-3, frutas e vegetais, pode ajudar a combater o chamado “olho seco”, comum nos meses mais frios.

 

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