Esclerose Múltipla
“Ver alEM”, o concurso de pintura promovido em parceria pelas associações de doentes SPEM, ANEM e TEM, com o apoio da Merck,...

O objetivo desta iniciativa é revelar histórias que não chegam à esfera pública e mostrar que mesmo perante as limitações desta condição de saúde, mantém-se formas profundas de imaginação, criatividade e liberdade.

Para isso, “Ver alEM” desafia pessoas com Esclerose Múltipla, familiares e amigos, maiores de 18 anos, a criarem uma pintura original que represente o seu mundo interior: as emoções, os medos, os sonhos, as motivações e as vivências que marcam o percurso com a doença.

O júri que vai avaliar as obras a concurso é composto por representantes das três associações, por um representante da Merck e pelo artista plástico convidado, Nuno Miles. As melhores pinturas serão apresentadas, a partir de maio, numa exposição itinerante em centros comerciais e hospitais de norte a sul do país. Estas obras selecionadas serão posteriormente vendidas, revertendo as receitas a favor das associações de doentes.

As associações pretendem, com este concurso, sensibilizar a sociedade para as múltiplas dimensões da Esclerose Múltipla e reforçar a necessidade de políticas públicas que promovam diagnósticos mais rápidos, acesso equitativo a tratamentos, melhor literacia em saúde e maior apoio aos cuidadores.

“Ver alEM” procura, acima de tudo, mostrar que, por detrás da doença, existem pessoas com histórias ricas, complexas e cheias de emoção, pessoas que continuam a ver, imaginar, criar e viver intensamente.

Mais informação sobre o Concurso e Regulamento disponível em: www.veralem.pt

 

Opinião
A anemia afeta cerca de 2 biliões de pessoas em todo o mundo, sendo mais frequente em crianças, mulh

A anemia é uma condição em que o sangue tem uma quantidade insuficiente de hemoglobina, o que reduz a capacidade de transportar oxigénio para os tecidos do corpo. O World Anemia Awareness Day, celebrado a 13 de fevereiro, chama a atenção para esta condição. A data simboliza o valor de referência ideal de 13 g/dL de hemoglobina, fundamental para o transporte adequado de oxigénio no organismo.

Doentes com anemia podem apresentar cansaço excessivo, dificuldade de concentração, palidez da pele, fraqueza muscular e, em alguns casos, alterações cardíacas, como palpitações ou falta de ar.

Existem várias causas de anemia, nomeadamente doenças crónicas e inflamatórias, doenças da medula óssea e doenças genéticas. No entanto, em cerca de metade dos casos a anemia ocorre por deficiência de ferro (anemia ferropénica). Esta pode resultar de ingestão insuficiente de alimentos ricos em ferro, diminuição da absorção do ferro ingerido ou perdas de sangue, nomeadamente pelo tubo digestivo, que podem ou não ser visíveis.

Na investigação das causas de anemia ferropénica, os exames endoscópicos têm um papel central. A endoscopia digestiva alta permite observar o esófago, estômago e duodeno, podendo identificar lesões como úlceras, tumores ou lesões vasculares. A colonoscopia avalia o cólon, reto, e pode avaliar o segmento mais distal do intestino delgado, sendo essencial para detetar pólipos, tumores, lesões vasculares ou doenças inflamatórias. Em cerca de 5-10% dos casos, a origem da anemia ferropénica encontra-se no intestino delgado, uma região não acessível pelos exames endoscópicos convencionais. Este segmento do tubo digestivo pode ser avaliado endoscopicamente com recurso a endoscopia por cápsula, um exame não invasivo em que o doente engole uma cápsula com uma câmara, que percorre o tubo digestivo e capta milhares de imagens do intestino delgado. Este exame permite identificar lesões vasculares, doenças inflamatórias ou tumores.

O tratamento da anemia ferropénica baseia-se na correção da causa subjacente e na reposição de ferro, que pode ser feita por via oral ou endovenosa. Em situações mais graves, pode ser necessária transfusão de sangue. Quando a causa é tratável por endoscopia, os exames endoscópicos como a endoscopia digestiva alta e a colonoscopia podem ter um papel terapêutico, sendo ainda possível aceder ao intestino delgado por enteroscopia assistida por balão, habitualmente quando a causa da anemia foi identificada na cápsula endoscópica.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Debater os estágios de acesso à profissão
Com o propósito de reforçar a proximidade com os membros de a valorização do trabalho dos nutricionistas em todo o país,...

Esta quinta-feira, a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, visita a Região Autónoma da Madeira, mantendo o propósito de aprofundar a proximidade com as entidades que integram nutricionistas nas suas equipas, bem como com os profissionais, no terreno.

A agenda do dia inicia com uma reunião com a nova Presidente do Conselho de Administração do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM), Márcia Gomes, onde o principal tema abordado serão os estágios de acesso à profissão e a possibilidade de abertura de vagas para estágios de acesso à profissão no serviço de saúde da Madeira. 

A Bastonária da Ordem dos Nutricionistas fará ainda, no período do final da manhã, uma visita ao serviço de nutrição, seguida de almoço no refeitório do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, com os colegas nutricionistas dessa unidade.

O dia terminará com um encontro com a Secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarida, onde será também possível discutir e analisar os estágios de acesso à profissão.

“Estes encontros irão permitir-nos conhecer de perto a realidade dos profissionais da nutrição nesta região autónoma, auscultando as suas preocupações, desafios e valências, bem como discutir a abertura de vagas para os estágios de acesso à profissão no serviço de saúde da Madeira, sendo este um tema com o qual nos temos debatido ao longo dos últimos meses”, sublinha Liliana Sousa, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) e Sociedade Espanhola de Cuidados Paliativos (SECPAL) renovaram e...

O principal objetivo deste acordo é impulsionar a cooperação científica, formativa e institucional entre a SECPAL e a APCP, através do desenvolvimento de ações conjuntas orientadas para a promoção da investigação clínica e académica neste domínio, bem como para a integração de investigadores e equipas portuguesas nas redes científicas e nos grupos de trabalho da sociedade espanhola.

A assinatura do convénio consolida e alarga igualmente a colaboração na revista Medicina Paliativa, órgão de expressão científica da SECPAL, que passará a ser traduzida para português e integrará representação portuguesa no seu Conselho Editorial.

Para Catarina Pazes, presidente da APCP, o acordo ibérico entre a APCP e a SECPAL “representa um passo importante para reforçar a cooperação científica e institucional entre Portugal e Espanha”, no âmbito da prestação de cuidados paliativos. “Partilhamos desafios semelhantes e acreditamos que o trabalho conjunto e a construção de uma visão comum são fundamentais para fortalecer esta área e melhorar a resposta aos doentes e às suas famílias”, salienta.

Relativamente à revista, acrescenta que “esta colaboração contribui para reforçar a sua dimensão ibérica, alargar a participação de investigadores portugueses e promover o intercâmbio científico e académico não só na Península Ibérica, mas também em todos os contextos onde se fala espanhol e português; por isso, consideramos esta aliança um investimento estratégico, que favorece a divulgação de evidência científica e o desenvolvimento sustentado dos cuidados paliativos”.

Elia Martínez, presidente da SECPAL, destaca, por sua vez, que esta importante ampliação do alcance da publicação “ficará concluída no próximo mês de março, no Brasil, quando for assinado um convénio com a Associação Latino-Americana de Cuidados Paliativos (ALCP)”. Deste modo, Medicina Paliativa “converter-se-á na revista científica de referência em cuidados paliativos para Espanha, Portugal e América Latina, consolidando um espaço comum de conhecimento e colaboração para toda a comunidade ibero-americana”.

A presidente da sociedade científica espanhola, sublinha ainda que “uma das prioridades da direção da SECPAL é reforçar os cuidados paliativos enquanto disciplina científica, e a única forma de o fazer é através da investigação e da geração de evidência; por isso, potenciar a nossa revista é fundamental como ferramenta estratégica para concretizar este objetivo”.

Atualmente, Medicina Paliativa é a publicação científica de referência em língua espanhola dedicada aos cuidados paliativos e posiciona-se entre as principais revistas biomédicas do mundo com maior número de artigos científicos sobre a atenção no fim de vida.

A revista nasceu em julho de 1994, o que a distingue como uma das publicações mais antigas no domínio dos cuidados paliativos. O seu carácter multidisciplinar fez com que, desde o início, se tornasse um suporte fundamental para a publicação de manuscritos em espanhol de todas as disciplinas ligadas à prestação de cuidados paliativos. Graças ao trabalho dos seus comités editoriais, revisores, autores e leitores, foi reconhecida como a mais relevante neste âmbito em língua espanhola.

Com esta colaboração ibero-americana, a publicação inicia uma nova e relevante etapa como plataforma científica internacional, reforçando o seu papel na difusão do conhecimento, na investigação e na melhoria da prestação de cuidados paliativos no mundo de língua espanhola e portuguesa.

 

Investigadores e académicos portugueses preparam-se
A comunidade científica e académica em Portugal prepara-se para entrar numa nova era de inovação orientada para dados, com a...

Na sua génese, o EEDS assenta em dois pilares fundamentais: a sua utilização primária, destinada à prestação de cuidados de saúde aos doentes, e onde cada cidadão poderá aceder aos seus dados de saúde, controlá-los e partilhá-los além-fronteiras com o propósito de contribuir para a melhoria de cuidados de saúde na UE; e a sua utilização secundária, orientada para a reutilização segura e fiável de dados de saúde para fins de investigação e inovação, bem como para o desenho de políticas e regulamentações. No âmbito deste segundo pilar, o novo regulamento estabelece um enquadramento jurídico claro e seguro que irá dar a possibilidade à comunidade científica de aceder e analisar dados de saúde anonimizados e pseudonimizados, abrangendo um conjunto alargado de categorias de dados relacionados com saúde (tais como dados de registos clínicos eletrónicos, biobancos, dispositivos médicos, entre outros), em total conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) e com a legislação nacional aplicável em matéria de privacidade.

Com a aplicação deste novo regulamento, que atualmente se encontra em fase de transição entre a sua publicação em março de 2025 até ao início da sua implementação formal, a UE objetiva uma maior promoção de princípios essenciais de transparência, qualidade dos dados, segurança e proteção da privacidade dos cidadãos. Em concreto, até 2029, universidades, hospitais, centros de investigação e cientistas portugueses poderão beneficiar de um ecossistema de dados harmonizado e interoperável, que irá possibilitar:

•             Acelerar a investigação clínica e o desenvolvimento de medicamentos: Os investigadores terão acesso a dados que permitirão melhorar o planeamento dos estudos, a recolha de informação e a avaliação de resultados, de modo a promover investigação clínica e desenvolvimento de medicamentos mais eficientes e com maior impacto.

•             Impulsionar a inovação em áreas terapêuticas críticas: Ao agregar dados provenientes de diferentes Estados-Membros, o EEDS irá facilitar a investigação em áreas onde a escassez e fragmentação de dados têm historicamente limitado o progresso, como é o caso do cancro ou da doença de Alzheimer.

•             Promover a medicina personalizada: O acesso a conjuntos de dados de saúde diversificados impulsionará o desenvolvimento de terapias mais direcionadas e de opções de tratamento personalizadas, contribuindo para melhores resultados em saúde para os doentes em toda a Europa.

•             Apoiar a definição de políticas públicas e intervenções de saúde pública baseadas em evidência: Dados fiáveis e de elevada qualidade permitirão monitorizar tendências em saúde e desenvolver programas de prevenção e promoção da saúde mais eficazes e ajustados às necessidades específicas de diferentes grupos populacionais.

•             Garantir igualdade de oportunidades: O EEDS irá assegurar que investigadores de todos os países da União Europeia e de diferentes centros de investigação, independentemente da sua localização geográfica, possam participar em estudos baseados em dados, promovendo assim a colaboração e a partilha de conhecimento além-fronteiras.

•             Promover a partilha de dados para fins clínicos, de prevenção da doença e de bem-estar: A ciência beneficiará de dados de elevada qualidade recolhidos na Europa, e que no seu conjunto irão contribuir para a redução de assimetrias geográficas, para o reforço da soberania dos dados e para o desenvolvimento de parcerias público-privadas no setor das tecnologias médicas.

Mais do que o simples acesso aos dados, o Espaço Europeu de Dados de Saúde vem contribuir para a criação de um ecossistema europeu de investigação que promove inclusão, transparência e confiança. As previsões da UE apontam mesmo para um impacto significativo para o setor da saúde, que irá desde a geração de poupanças na ordem dos 11 mil milhões de euros ao longo da próxima década e do crescimento entre 20% a 30% do setor da saúde digital, até ao reforço do desenvolvimento de investigação clínica e de políticas de saúde na Europa. Os investigadores portugueses poderão, concretamente, elevar a excelência científica e os resultados centrados no doente a um novo patamar.

O EEDS será implementado de forma faseada, garantindo o acesso seguro a um conjunto progressivamente mais alargado de categorias de dados de saúde até março de 2031, período em que a utilização secundária de dados de saúde via EEDS passará a abranger todas as categorias de dados (como dados genómicos e dados de ensaios clínicos). Antes disso, a partir de março de 2029, as principais disposições do Regulamento do EEDS relativas à utilização secundária começarão a aplicar-se à maioria das categorias de dados (como os dados provenientes de registos clínicos eletrónicos). Investigadores e académicos por toda a Europa beneficiarão de um ecossistema de dados normalizado e interoperável, que irá despoletar novas possibilidades de colaboração, inovação e avanços significativos no setor da saúde.

 

Dia Internacional do Cancro
Em antecipação ao Dia Internacional do Cancro, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT...

A investigação mostra que estas alterações funcionam como sinais do cancro. A proteína MGL, essencial no reconhecimento imunológico, reage de forma diferente dependendo da sua organização: isolada, liga-se a um tipo específico de açúcar, mas na célula consegue identificar vários tipos, funcionando como um verdadeiro “detetor universal” de células tumorais.

O estudo combina abordagens químicas, estruturais e celulares para analisar a interação entre MGL e glicanos tumorais, revelando que a organização celular da proteína e a apresentação dos açúcares na superfície celular são decisivas para o reconhecimento pelo sistema imunitário. Os resultados oferecem novas pistas para a deteção precoce do cancro e para o desenvolvimento de terapias mais precisas.

“Descobrimos que não é apenas o tipo de açúcar que importa, mas também a forma como o recetor imunitário está organizado na célula. Esta perceção pode transformar a forma como desenhamos moléculas para modular a resposta imunitária ou direcionar medicamentos às células tumorais”, explica Filipa Marcelo, investigadora da NOVA FCT.

A investigação envolveu cientistas de Portugal (NOVA FCT, i3S), Dinamarca (Copenhagen Center for Glycomics), Espanha (CIC bioGUNE, IUQR), Países Baixos (Amsterdam UMC) e Suécia (Umeå University).

O estudo pode ser consultado na íntegra neste link: https://doi.org/10.1021/jacsau.5c00905

 

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), profundamente preocupada com o atual modelo de gestão clínica hospitalar em...

A pressão crescente e sustentada sobre os serviços de urgência e de internamento médico constitui, um dos mais sérios desafios enfrentados pelos hospitais portugueses. A afluência contínua de doentes com patologia médica aguda, frequentemente associada a multimorbilidade, fragilidade e complexidade social, ultrapassa claramente a capacidade de resposta dos modelos organizativos em vigor, afirma Luís Duarte Costa, Presidente da SPMI.

A SPMI reafirma a Medicina Interna como o pilar fundamental dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), assegurando a maior fatia da assistência em episódios de urgência e internamento. No entanto, o atual paradigma de gestão tem revelado sinais de exaustão, com repercussões diretas na eficiência assistencial e no bem-estar dos profissionais. Os próprios planos de contingência dos hospitais ilustram esta situação.

Segundo Luís Duarte Costa, “no contexto atual, a Medicina Interna não consegue, isoladamente, dar resposta à dimensão e complexidade do problema que os hospitais enfrentam nos picos de afluência. Tal não resulta de limitações da especialidade, mas da natureza sistémica do desafio, que envolve todo o hospital enquanto organização global. É imperativo operar uma transformação profunda na forma como pensamos e gerimos as instituições de saúde”.

Na proposta de Reforma Hospitalar, elaborada por Antonio Oliveira e Silva, António Martins Baptista e Luís Duarte Costa, a SPMI sistematiza as fragilidades da atual governação clínica, apresenta soluções estruturantes para a reorganização dos serviços e, propostas para a valorização da polivalência e da centralidade do internista no percurso do doente.

A Medicina Interna está disponível para assumir a liderança clínica que o hospital moderno exige. Essa liderança só será eficaz se for reconhecida, estruturada e sustentada por uma responsabilidade institucional partilhada.

A SPMI acredita que a implementação das medidas propostas é vital para garantir a sustentabilidade do SNS e a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos.

Para os autores desta proposta “o momento atual exige uma resposta diferente: institucional, integrada e orientada para o futuro. A crise não pode continuar a ser apenas gerida. Deve ser enfrentada — e transformada”.

 

Opinião
Portugal parou. O impacto da Depressão Kristin fez-se sentir muito para além do vento e da chuva.

Mas hoje quero falar-vos de uma etapa decisiva – a que estamos a viver agora com o tempo a passar. Antes do colapso: o momento crítico que ninguém vê.

Este é o marco menos reconhecido quando falamos da saúde mental após um evento mau - aquele que antecede a queda.

Vamos até Leiria.

As pessoas estão de pé. Continuam a funcionar. E cumprem. Organizam, resolvem, limpam, reconstroem como podem. O corpo está cansado, mas aguenta. A mente está focada. Este é o modo sobrevivência. Mas os recursos já estão a ser gastos a crédito.

E isto é normal. Mas é transitório.

Na prática clínica, sei que esta fase é decisiva — não porque o sofrimento seja maior agora mas porque é aqui que se previne o colapso ou se torna possível amainar a queda. O problema não é cair. O problema é cair sem rede.

Isto é um padrão que reconhecemos bem da prática clínica. Não é exclusivo a catástrofes. Repete-se sempre que o cérebro entra em modo de sobrevivência.

O cérebro identifica uma ameaça e faz aquilo para que foi programado: reduz as suas prioridades a um mínimo. Dorme-se menos, sente-se menos, pensa-se menos no futuro. Há tarefas. Há prioridades. Não há espaço para parar.

Muitos dizem: “Até estou surpreendentemente bem.” Estão. Porque ainda estão em modo de emergência.

A pessoa a quem morre o pai que nem chora, trata de tudo. Organiza o funeral, resolve a papelada, até apoia quem está à volta. Aguenta. O sistema nervoso simpático está ativo. A adrenalina mantém o corpo de pé. O cortisol ajuda a ignorar sinais de exaustão. Funciona. Mas tem prazo. Algumas semanas depois, tudo colapsa. Não foi ali que tudo começou. Foi antes. Mas não havia espaço para sentir. Vem depois. Quando já não é preciso ser forte e se para.

O mesmo acontece com os sobreviventes de guerra ou de um campo de concentração. Enquanto estão presos ou isolados, sobrevivem. Adaptam-se. O colapso raramente acontece naquele momento. Acontece depois. Quando chegam a um lugar seguro. Quando está tudo bem e deixa de haver razão.

Pegamos nestes exemplos mas podíamos pensar em mil outros. O canário muda, tudo o resto fica igual. O perigo não “estar em esforço”. O perigo é achar que este esforço é sustentável.

Nada disto significa doença. Significa esforço contínuo. O foco não pode nem deve ser “medicalizar” nem “psicologizar” tudo mas também não podemos cair no erro comum — social e clínico - e exigir normalidade precoce: “Já passou”, “Agora é seguir em frente”, “Há quem esteja pior”. Estas frases não ajudam.

Temos uma só responsabilidade: temos de parar para reconhecer que esta população está em esforço, estar preparados para legitimar o cansaço e a exaustão após esta fase, garantir que ninguém fica sozinho após a fase (dita) crítica e identificar activamente quem é mais vulnerável. A receita, de resto, é sempre igual.

O que precisamos agora não é apressar a queda nem negá-la. É preparar terreno. Ainda não lá chegámos. Mas chegaremos.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
O cancro da cavidade oral pode, em muitos casos, ser detetado precocemente com um simples exame visu

Os números em Portugal refletem esta realidade preocupante. No nosso país, foram diagnosticados cerca de 1 300 novos casos de cancro da cavidade oral em 2022,1 o que corresponde a cerca de 15 casos por 100 mil habitantes.2 A doença afeta sobretudo homens com mais de 45 anos, sendo três vezes mais frequente no sexo masculino do que no feminino. Este perfil epidemiológico ganha ainda mais relevância quando sabemos que uma parte importante dos tumores na cavidade oral e orofaringe está associada a comportamentos e exposições evitáveis, como o consumo de tabaco e álcool, bem como à infeção por HPV, o que coloca a prevenção e o aconselhamento em estilos de vida no centro da nossa atuação clínica.

Paralelamente, abordagens mais recentes encaram o cancro também como uma doença associada a alterações metabólicas e inflamatórias sistémicas, o que reforça a ligação entre a saúde oral e a saúde geral. Doenças periodontais, como a gengivite e a periodontite, caracterizam-se por um estado de inflamação crónica de baixo grau que pode refletir um desequilíbrio metabólico e um enfraquecimento da resposta imunitária, criando um ambiente biológico menos favorável ao controlo da doença oncológica. Da mesma forma, situações de disbiose, manifestadas na cavidade oral por cáries recorrentes ou halitose de origem sistémica, traduzem alterações da homeostase do organismo que devem ser consideradas no contexto da saúde global. Acresce que padrões alimentares ricos em açúcares, para além de aumentarem o risco de cárie dentária, estão associados a vias metabólicas que podem favorecer a progressão tumoral. Neste enquadramento, a vigilância regular da saúde oral e o aconselhamento dietético realizado em consultório assumem um papel relevante na prevenção e no acompanhamento integrado das doenças oncológicas.

É precisamente neste contexto que a prática diária em consultório assume um papel decisivo na deteção precoce. Durante as consultas habituais, estamos atentos a sinais de alarme bem documentados, como feridas ou úlceras que não cicatrizam após duas semanas, manchas brancas ou vermelhas persistentes, dor inexplicada ou dificuldade em mastigar e engolir. Como médicos dentistas e ortodontistas, observamos a cavidade oral com maior regularidade ao longo dos anos, e é precisamente esta proximidade que nos coloca numa posição estratégica para identificar alterações suspeitas e encaminhar atempadamente para diagnóstico.

Mas o nosso papel vai muito além da deteção. Durante os tratamentos oncológicos, acompanhamos os doentes na gestão dos efeitos secundários mais comuns, como mucosite oral, secura da boca (xerostomia), aftas recorrentes ou maior vulnerabilidade a cáries e infeções. Na prática clínica, isto traduz-se em orientar uma higiene oral adaptada, reforçar a hidratação da cavidade oral, controlar a dor e a inflamação e manter um acompanhamento próximo. Estes cuidados, para além de aliviarem o desconforto, são fundamentais para evitar complicações que podem comprometer o estado geral do doente e, em alguns casos, a continuidade da quimioterapia ou radioterapia.

É também por isso que avaliamos sempre caso a caso os tratamentos dentários e ortodônticos durante a fase ativa da doença, em permanente articulação com a equipa oncológica. Consoante o estado do doente pode ser necessário adiar ou adaptar intervenções, ou optar por abordagens mais conservadoras e facilmente ajustáveis. Em alguns casos, soluções como os alinhadores transparentes podem ser uma alternativa mais confortável e flexível, por permitirem uma melhor higiene oral e uma maior adaptação às mudanças no estado geral do doente ao longo do tratamento.

O princípio é simples: nenhuma decisão é tomada de forma isolada. A colaboração multidisciplinar é essencial para garantir segurança clínica e colocar sempre o bem-estar do paciente no centro de cada escolha⁵. Observar a cavidade oral de um doente oncológico é, muitas vezes, observar como ele enfrenta a própria doença: o seu conforto diário, a sua autoestima e até a sua resiliência para prosseguir o tratamento. Quer seja para prevenção ou acompanhamento, a consulta regular com o médico dentista não deve ser vista como opcional. A boca não é um detalhe secundário, mas uma parte essencial da saúde geral e, em muitos casos, um elemento decisivo em todo o percurso oncológico.

 

 

    Referências

  1. International Agency for Research on Cancer. (2022). GLOBOCAN 2022: Estimated cancer incidence and mortality worldwide. https://gco.iarc.fr/today
  2. Ordem dos Médicos Dentistas. (2023). Cancro oral: Sinais e sintomas. https://www.omd.pt/publico/informacao-sobre-cancro-oral

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
A.N.D.A.R. alerta
Especialistas em saúde alertam para a importância de desconstruir mitos e sensibilizar para a vacinação, em especial para...

As vacinas já salvaram 154 milhões de vidas em 50 anos e são consideradas uma das invenções mais poderosas da história. No entanto, ganham ainda mais importância para os doentes com artrite reumatoide. O encontro contou com representantes da Direção-Geral da Saúde, INFARMED, Ordem dos Farmacêuticos, Associação Nacional das Farmácias e Sociedade Portuguesa de Reumatologia, para o Painel de Debate com Peritos, e ainda com a Prof.ª Doutora Paula Pinto, pneumologista e diretora do Serviço de Pneumologia da ULS Santa Maria, e o Prof. Doutor Luís Graça, professor de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

De acordo com os dados do Vacinómetro, 2025 ficou marcado por uma crescente resistência e fadiga vacinal, traduzida numa diminuição significativa da adesão à vacinação contra a COVID-19. A Enf.ª Natália Pereira, da Direção-Geral da Saúde, sublinha que a faixa etária entre os 60 e 70 anos continua a ser uma das mais reticentes à vacinação.

Para contrariar esta tendência, a Dr.ª Catarina Dias Santos, do INFARMED, defende que “os profissionais de saúde devem dar o exemplo e abrir um canal de comunicação capaz de desmistificar as preocupações e receios dos utentes”.

Os farmacêuticos assumem um papel central na promoção da vacinação. “As farmácias são um ponto de entrada para milhares de doentes. É essencial compreender as razões que levam alguém a não querer ser vacinado e responder com informação clara, baseada em informação científica”, explica a Dr.ª Ana Paula Mendes, da Ordem dos Farmacêuticos. “Todos podemos e devemos ser embaixadores da vacinação.”

Portugal tem uma das mais qualificadas redes de farmácias da Europa, com cerca de 2500 farmácias habilitadas para vacinar utentes, que garantem uma maior proximidade à população, numa alternativa segura, cómoda e de confiança. Para a Dr.ª Maria Mendes, da Associação Nacional das Farmácias, é fundamental “preparar os profissionais com informação científica atualizada, garantindo uma comunicação fidedigna com a população”.

Para as faixas etárias mais jovens, os especialistas defendem estratégias de comunicação adaptadas, recorrendo às redes sociais, influenciadores e criadores de conteúdos, sempre alinhadas com as mensagens das autoridades de saúde. A Prof.ª Doutora Paula Pinto alerta para a necessidade de combater a desinformação e as fake news, sublinhando a importância de recorrer a fontes credíveis.

Nas pessoas com doenças reumáticas, a vacinação assume uma importância acrescida, sobretudo a partir dos 50 anos, altura em que se verifica uma diminuição da imunidade e um aumento do risco de comorbilidades. As vacinas ajudam a prevenir infeções graves, complicações como AVC e enfarte, bem como o desenvolvimento de resistências microbianas.

Já o Prof. Doutor Fernando Pimentel recomenda que as pessoas com doenças autoimunes sejam vacinadas duas semanas antes do início de terapêuticas imunossupressoras, otimizando a resposta do sistema imunitário.

Além da vacina da gripe e da COVID-19, os especialistas alertam para a importância da vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR), para adultos com mais de 60 anos ou a partir dos 18 anos com comorbilidades, para a vacina do herpes zoster e a vacina pneumocócica.

O Prof. Doutor Luís Graça abordou ainda o papel das vacinas de RNA, salientando que a resposta à vacinação pode variar consoante a doença, a terapêutica e as comorbilidades de cada pessoa. Ainda assim, reforça que “as vacinas têm uma excelente capacidade de estimular o sistema imunitário”.

Os especialistas foram unânimes em sublinhar que a vacinação continua a ser uma ferramenta segura, eficaz e essencial, especialmente para pessoas com doenças reumáticas, defendendo uma abordagem integrada que envolva profissionais de saúde, farmácias, decisores políticos e a própria sociedade civil.

 

Escola de Enfermagem da UC
App será cocriada com cidadãos, profissionais de saúde e investigadores, num projeto europeu coordenado por centro médico...
A Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) está a colaborar num projeto europeu para o desenvolvimento de uma aplicação móvel que visa aumentar a participação no rastreio do cancro por parte de pessoas em situação de vulnerabilidade.
 
O objetivo é promover a equidade no acesso à saúde e prevenir a evolução da doença oncológica – designadamente cancros da mama, do colo do útero, colorretal, do pulmão e do estômago – para estádios mais avançados e de difícil tratamento.
 
No âmbito deste projeto coordenado pelo Amsterdam University Medical Centers (Holanda), pretende-se, através de uma app (mHealth), ajudar «pessoas elegíveis para rastreio oncológico» a conhecerem todos «os passos do processo, desde o convite inicial até eventuais exames adicionais», para assim melhor poderem decidir, explica a professora da ESEUC, Filipa Ventura.
 
De acordo com a responsável, a aplicação móvel dirige-se a grupos em situação de vulnerabilidade, que tipicamente ficam de fora destes programas, como sejam pessoas com dificuldades económicas, menor literacia em saúde, fragilidade social (idosos e sem-abrigo) ou que enfrentam barreiras linguísticas e culturais.
 
A app vai, por isso, disponibilizar informação em «linguagem simples, com mensagens curtas e visuais de apoio», adaptada culturalmente e em várias línguas, «explicando o que é o rastreio, a quem se destina, quais os benefícios e possíveis riscos/limitações, e o que acontece a seguir», prossegue Filipa Ventura.
 
Segundo a docente, especialista em Enfermagem Oncológica, a aplicação, a ser cocriada com cidadãos, profissionais de saúde e investigadores, representa, ainda, um «apoio à decisão, ajudando cada pessoa a escolher de forma informada, alinhada com os seus valores e preferências».
 
Pensada para funcionar em ligação com os serviços de saúde e percursos já existentes, a app, no contexto português, será desenvolvida em articulação com a Unidade Local de Saúde de Coimbra, a Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Centro e o National Cancer Hub, com perspetivas de integração no Serviço Nacional de Saúde, através dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.
 
Reduzir desigualdades também em saúde digital
Filipa Ventura nota que o projeto procura «não partir do digital por si só, mas de um desenho inclusivo e cocriado, orientado para reduzir barreiras», o que passa por promover também a «equidade em saúde digital».
«Procuramos garantir que estratégias conhecidas por diminuir as desigualdades – também digitais – nesta população (como linguagem comum, navegação simplificada e adequação a baixa literacia), estão a ser embutidas na app para aumentar acessibilidade», esclarece a responsável.
 
Por outro lado, também se pretende «que a app complemente e reforce os canais existentes, em contexto de articulação com serviços e parceiros comunitários, permitindo formas de apoio no terreno, em vez de depender exclusivamente de utilização autónoma, o que é particularmente importante para migrantes, pessoas em zonas rurais, pessoas sem-abrigo ou com acesso irregular a smartphone/dados», observa ainda a docente Filipa Ventura.
 
De acordo com a professora da ESEUC, «os dados mais recentes, harmonizados, disponíveis para Portugal (referentes a 2022) mostram que a participação no rastreio do cancro da mama ronda aproximadamente 50% e no colo do útero 60%».
 
Já «no rastreio do cancro colorretal, os números variam muito consoante o indicador: a cobertura do programa na população elegível continua baixa (na ordem de 15%), mas a adesão das pessoas efetivamente convidadas é bastante superior (na ordem de 40%)», refere Filipa Ventura.
 
Segundo a especialista, «em termos de metas, a União Europeia aponta para 90% de pessoas elegíveis com convite/oferta de rastreio organizado (mama, colo do útero e colorretal)», enquanto «as estratégias nacionais tendem a definir metas de alta cobertura e adesão acima de aproximadamente 65%».
 
Coordenado pelo Amsterdam University Medical Centers, o projeto “INSIDERS: Envolvimento da pessoa vulnerável no rastreio oncológico”, a desenvolver até 2028, conta com a parceria da ESEUC, da RCSI University of Medicine & Health Sciences (Irlanda) e da empresa Canary Technology Innovations (Roménia).
 
O projeto é cofinanciado por fundos europeus, com gestão intermédia da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (programa Centro 2030).
 
A ESEUC beneficia, para a respetiva participação no projeto, de um apoio comunitário de cerca de 127.600 euros, para um investimento total de 150.120 euros.
Junte-se à RUN4 CHILDREN ALMADA FORUM 2026
Para celebrar o Dia Mundial da Criança, o Almada Forum volta a juntar-se à Associação Play4 Children para a 2ª Edição da RUN4...

A 2ª Edição terá lugar no dia 31 de maio, e contará com a presença do embaixador do evento, Pedro Fernandes, uma das caras mais conhecidas da televisão portuguesa, bem como os media partners RFM e RTP.

O programa, este ano, inclui várias modalidades, adequadas a diferentes idades e níveis de condição física. A prova principal será a Corrida de 10 km. Para quem prefere um ritmo menos intenso, teremos a Caminhada em Família de 5 km, que este ano adiciona a possibilidade da participação dos patudos, a Cãominhada.

Os mais pequenos terão também um espaço dedicado, com a prova dos Mini-Campeões: uma corrida de 500 metros no Parque da Paz, onde poderão cortar a meta e receber uma medalha.

A grande novidade desta edição é o Pedal Solidário de 5 km, um passeio de bicicleta sem carácter competitivo, que pretende incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo e mais sustentável.

Esta edição conta com o apoio da Câmara Municipal de Almada, da Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó, da Federação Portuguesa de Atletismo, da Fundação do Desporto, da Sociedade Ponto Verde, da Xistarca e do Auchan.

A Play4 Children, uma Associação sem fins lucrativos, já desenvolve várias ações solidárias de sucesso desde 2021, tendo começado no futebol, passando mais recentemente pelo padel e, agora, também pela corrida, tendo conseguido ajudar e fazer a diferença na vida de mais de 2 000 crianças.

A 1ª edição da RUN4 CHILDREN ALMADA FORUM aconteceu no ano passado e contou com cerca de 600 participantes, tendo angariado quase 6.000 €, valor que foi distribuído por cinco instituições locais.  

As inscrições já se encontram abertas e podem ser efetuadas aqui.

 

ISPUP
O estudo “Pressing Issues for Oral Health Care Access and Quality Improvement During Pregnancy in Portugal—A Qualitative Study”...
A investigação – levada a cabo por uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto – publicada recentemente no Journal of Public Health Dentistry, recorreu a um método estruturado de construção de consenso, que envolveu 12 participantes com diferentes perfis: profissionais de saúde, decisores políticos, representantes de organizações da sociedade civil e recém-mães. O objetivo foi identificar, de forma colaborativa, os problemas mais urgentes e as áreas prioritárias de intervenção nos cuidados de saúde oral materna.
 
Os resultados apontam para desafios significativos em três dimensões complementares: a política, a comunitária e a da prática clínica. Ao nível das políticas de saúde, os participantes destacaram como prioritária a integração da saúde oral nos cuidados de saúde gerais, a criação de consultas obrigatórias de diagnóstico em cuidados de saúde primários e a inclusão de módulos de saúde oral nos cursos de preparação para o parto e parentalidade. Foi também sublinhada a necessidade de reforçar e alargar o Programa Cheque-Dentista, nomeadamente ao período pré-concecional e ao pós-parto.
 
No plano comunitário, o estudo evidencia a importância de introduzir a saúde oral nas consultas de planeamento familiar, reforçar a formação de médicos de família e outros profissionais de saúde que acompanham mulheres grávidas e desenvolver estratégias de comunicação dirigidas diretamente às grávidas, de forma clara e acessível. “A baixa literacia em saúde oral e a falta de informação sobre os apoios existentes continuam a ser obstáculos relevantes à utilização dos cuidados disponíveis”, referem os autores deste estudo.
 
Já ao nível da prática clínica, os participantes defenderam a integração de médicos dentistas nas equipas de acompanhamento da gravidez e a criação de consultas estruturadas de saúde oral nos centros de saúde, com referenciação eficaz para o Programa Cheque-Dentista ou para clínicas universitárias. A inclusão sistemática de conteúdos sobre saúde oral na preparação para o parto foi igualmente considerada uma medida prioritária.
 
Ainda de acordo com os autores, apesar de Portugal dispor de instrumentos importantes de apoio à saúde oral materna, persistem lacunas na articulação entre serviços, na cobertura efetiva dos cuidados e na sensibilização das mulheres para a importância da saúde oral durante a gravidez. “Uma abordagem integrada, baseada na colaboração entre as diferentes áreas profissionais e os diferentes níveis do sistema de saúde é essencial para reduzir desigualdades e melhorar os resultados.em saúde”, conclui Leonor Frey Furtado, investigadora do ISPUP e primeira autora do estudo.
ANAUDI alerta
A ANAUDI — Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem alerta que o diferencial médio de preços pagos pelo...

No setor convencionado de radiologia, o diferencial médio global entre os valores pagos pelo SNS e pela ADSE aos prestadores convencionados já era expressivo, situando-se em 38,5%. No entanto, a partir do dia 1 de fevereiro, este diferencial agravou-se substancialmente para 48%, evidenciando o subfinanciamento estrutural do setor convencionado de imagiologia, comprometendo a sustentabilidade financeira das unidades convencionadas, o acesso aos exames radiológicos e de medicina nuclear, e colocando em causa a capacidade de resposta aos utentes do SNS.

A Associação recorda que os seus Associados realizam, anualmente, cerca de 7 milhões de exames radiológicos ao abrigo de convenções com o SNS, sendo uma resposta essencial para o acesso dos cidadãos ao diagnóstico por imagem, especialmente em contexto de doenças graves e oncológicas. A manutenção de tabelas desatualizadas, face à crescente e preocupante desistência de unidades na continuação de prestação de serviços ao SNS, constitui, assim, um problema premente de política de saúde.

A ANAUDI alerta, ainda, que os custos de contexto associados ao licenciamento das unidades convencionadas de imagiologia agravam, de forma substancial, a pressão sobre o setor. De acordo com o estudo levado a cabo pela Associação, o impacto médio anual dos custos de contexto associados ao licenciamento, por unidade de diagnóstico, aproxima-se dos 400 mil euros, integrando custos diretos na ordem dos 70 mil euros, associados a contribuições regulatórias, taxas, honorários de técnicos de proteção radiológica e auditorias, e custos indiretos na ordem dos 324 mil euros, decorrentes dos atrasos nos processos, períodos de inatividade e perda de receita. Este quadro reduz a previsibilidade do setor, agrava encargos que não se refletem nos preços pagos e fragiliza a capacidade de resposta, exercendo um impacto direto nos tempos de espera para a realização de exames de radiologia e de medicina nuclear.

“A evolução do diferencial entre os preços praticados pelo SNS e pela ADSE, a par do peso económico inerente ao licenciamento, evidencia um problema estrutural de sustentabilidade do setor convencionado de imagiologia. Quando a remuneração da prestação ao abrigo do SNS se mantém desatualizada há mais de dez anos e, simultaneamente, a atividade é onerada por custos diretos e indiretos elevados associados ao licenciamento, que atingem uma média anual de centenas de milhares de euros por unidade, prejudica-se o investimento, a capacidade e a continuidade da oferta, com impacto inevitável no acesso dos utentes ao diagnóstico em tempo útil”, alerta Eduardo Moniz, Presidente da ANAUDI.

A ANAUDI apela a uma resposta urgente do Ministério da Saúde, quer cumprindo o regime jurídico das convenções, que impõe a atualização efetiva e periódica das tabelas de preços convencionados, quer iniciando a reforma do regime de licenciamento, garantindo proporcionalidade, simplificação administrativa e prazos compatíveis com a atividade do setor da imagiologia, evitando bloqueios prolongados ao funcionamento e ao investimento, de forma a preservar a capacidade de resposta do setor e proteger o acesso dos utentes ao diagnóstico.

 

Opinião
É comum ouvir-se comentar que o nariz é uma parte do corpo que cresce com o envelhecimento.

O facto é que deveremos falar em alterações devidas a processos fisiológicos que acontecem de forma natural com o passar dos anos e podem variar significativamente de pessoa para pessoa, tendo em conta o património genético, o estilo de vida e a saúde, entre outros fatores. Trata-se de uma situação em que o aumento de tamanho não coincide propriamente com o conceito de crescimento.

Estas alterações não ocorrem apenas no nariz, mesmo porque a pele de todo o corpo perde resistência e flexibilidade, levando ao descaimento de diferentes estruturas corporais. Contudo, a posição central do nariz no rosto faz com que estejamos mais atentos à alteração da sua morfologia e, na verdade, um nariz com tamanho e forma perfeitamente equilibrados na juventude e na idade adulta pode transformar-se, com o tempo, num nariz demasiado comprido, grande ou largo, acrescendo, por vezes, irregularidades visíveis na pele.

O nariz é uma estrutura altamente complexa que, para além da parte externa, a que é acessível a todos através da simples observação, se compõe de tecidos de diferente natureza que, numa articulação idealmente perfeita, confluem numa unidade funcional e estética harmoniosa e central para o equilíbrio da face. 

Na verdade, sob a pele, que, com o tempo se poderá tornar mais fina e menos elástica, existem cartilagens que, pelo mesmo motivo, podem enfraquecer a sua natureza de suporte e levar ao que se denomina usualmente por ptose nasal, ou descaimento. Do mesmo modo, a perda de tecido adiposo subcutâneo influencia a estabilidade mecânica da pele. Mesmo a diminuição de densidade óssea pode resultar em ligeiras modificações na configuração do nariz.

As alterações acima referidas não são, contudo, irreversíveis. Os avanços da cirurgia e da medicina estética permitem duas formas principais de intervenção: a rinoplastia, processo cirúrgico que pode incidir em diferentes problemas e, se necessário, intervir na dimensão funcional (rinosseptoplastia) com resultados duradouros; a opção por procedimentos não cirúrgicos, minimamente invasivos, que permitem adicionar volume a áreas específicas do nariz, suavizar proeminências, ou corrigir uma ponta do nariz descaída, nomeadamente recorrendo à aplicação de ácido hialurónico.

Os tratamentos com laser nas zonas periféricas do nariz podem trazer mais firmeza e melhorar a textura da pele, conferindo um aspeto mais suave e jovem, com recuperação e resultados imediatos, sendo que os procedimentos de rinomodelação podem implicar a necessidade de tratamentos de manutenção.

Em qualquer dos casos, porque o nariz é uma estrutura com grande complexidade, acima abordada de forma geral, mas à qual se acrescenta, a título de exemplo, a especificidade da sua vascularização e inervação, só a consulta com um especialista poderá determinar a abordagem adequada, de acordo com as necessidades e objetivos de cada um.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Aveiro
O envelhecimento da população é uma das principais tendências demográficas em Portugal, resultado da diminuição da natalidade e...

Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) alerta que esta realidade pode aumentar o risco de iatrogenia — danos causados por cuidados de saúde ou pela medicação — e comprometer a autonomia dos idosos.

Maria Teresa Herdeiro, investigadora do Departamento de Ciências Médicas e do Instituto de Biomedicina da UA e coordenadora do Projeto STOP-IATRO na UA, sublinha que as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras orientações internacionais não estão ainda a ser totalmente implementadas de forma eficaz pelos profissionais de saúde. “O ideal seria que estas recomendações fossem integradas nas guidelines do Serviço Nacional de Saúde e nos protocolos institucionais, permitindo a sua aplicação na prática clínica”, sublinha, defendendo ainda a importância da formação contínua e do envolvimento de equipas multidisciplinares. 

A investigação teve como objetivo avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a iatrogenia e a sua prevenção, permitindo identificar necessidades e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para melhorar os cuidados prestados às pessoas mais velhas.

Numa fase inicial participaram 64 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos hospitalares e técnicos auxiliares de saúde, a maioria dos inquiridos tinha mais de 10 anos de experiência profissional.

 

Lacunas e mais lacunas

Os resultados revelam lacunas ao nível do conhecimento das orientações internacionais. Cerca de 81 por cento dos profissionais desconhecem as recomendações da OMS para prevenir, retardar ou reverter o declínio das capacidades físicas e mentais dos idosos. Além disso, 84 por cento não conhecem recomendações publicadas para prevenir a perda de autonomia funcional durante o internamento hospitalar de pessoas idosas, e 82 por cento não utilizam escalas para avaliar o estado funcional dos doentes.

Quando questionados sobre o impacto da iatrogenia na perda de capacidade funcional dos idosos, uma parte significativa dos participantes considera que esta situação afeta uma percentagem relevante dos doentes. Cerca de 34 por cento acredita que entre 11 e 25 por cento dos idosos sofre este tipo de declínio não explicável apenas pela sua condição clínica, enquanto 24 por cento dos participantes aponta valores entre 26 e 50 por cento.

Relativamente à iatrogenia medicamentosa, 47 por cento dos profissionais considera que entre 11 e 30 por cento dos eventos iatrogénicos graves estão associados ao uso de alguns medicamentos, e 24 por cento acredita que estes representam entre 41 e 60 por cento dos eventos adversos. Uma parte significativa dos inquiridos reconhece ainda que muitos destes casos poderiam ser evitados: 41 por cento dos participantes considera que entre 41 e 60 por cento dos eventos relacionados com medicamentos são preveníveis, e 28 por cento estima que a mesma percentagem destes efeitos adversos pode implicar internamento hospitalar.

Apesar das lacunas identificadas, o estudo destaca um dado positivo: 92 por cento dos profissionais mostraram-se disponíveis para participar em ações-piloto de boas práticas na prevenção e gestão da iatrogenia medicamentosa.

 

Iatrogenia pode ser evitada

Embora o estudo tenha sido realizado junto de profissionais de saúde da região de Aveiro, Maria Teresa Herdeiro considera que a realidade observada não deverá ser muito diferente no resto do país. “Portugal apresenta o segundo índice de envelhecimento mais elevado da União Europeia, e muitos idosos têm condições de saúde complexas, estão sujeitos à polimedicação e a múltiplos tratamentos, o que aumenta o risco de doença iatrogénica”, aponta a responsável. “Estudos anteriores indicam que cerca de metade dos idosos pode perder capacidades funcionais durante o internamento, com impacto direto na sua qualidade de vida após a alta e nos custos em saúde, colocando maior pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde”, sublinha Maria Teresa Herdeiro.

“Muitos destes eventos iatrogénicos são conhecidos, estudados e podem ser evitados. Os profissionais de saúde de uma forma global estão despertos para a iatrogenia, nomeadamente medicamentosa, contudo, apontam a necessidade de instrumentos de avaliação do risco e do estado funcional dos idosos”, alerta a coordenadora do estudo.

Este trabalho insere-se no projeto STOP-IATRO, financiado pelo Interreg Sudoe e desenvolvido em parceria com instituições de Portugal, Espanha e França, com o objetivo de prevenir a iatrogenia na população idosa. Com base nos resultados obtidos através da aplicação destes questionários, foram já realizadas ações de formação utilizando a metodologia de workshops dirigidas a profissionais de saúde da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro, envolvendo cerca de 80 participantes de diferentes áreas clínicas. Estão ainda previstas, ao longo deste ano, ações de sensibilização dirigidas à população em geral, com foco na promoção da literacia em saúde e no envelhecimento saudável.

 

Escola de Medicina da UMinho
No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde ...

O evento realiza-se no dia 4 de fevereiro, entre as 9h00 e as 17h30, no auditório A1.05 da Escola de Medicina da UMinho, no campus de Gualtar, em Braga. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia.

A sessão de abertura contará com a palestra “Papel da Cultura e da Ciência nas Doenças Neoplásicas: Agora e no Futuro”, proferida por Manuel Sobrinho Simões (IPATIMUP/i3S), uma das figuras de maior relevo da investigação oncológica em Portugal.

O programa inclui ainda sessões temáticas dedicadas à investigação, tratamento, nutrição e psicologia, conduzidas por especialistas de referência, bem como uma mesa-redonda subordinada ao tema “O cancro em diálogo: ciência, cuidado e sociedade”. Ao longo do dia, terão lugar sessões de posters, momentos de networking e convívio, com pausas para café e almoço, incentivando a partilha de conhecimento e experiências.

Organizada pela equipa de investigação BiTCancer do ICVS, esta edição reúne doentes, cuidadores, profissionais de saúde e investigadores, promovendo um espaço de informação, esclarecimento e diálogo sobre os desafios atuais do cancro e os progressos científicos alcançados na prevenção, diagnóstico e tratamento.

Como evento satélite, no dia 7 de fevereiro, às 16h00, realiza-se uma conversa aberta ao público no FNAC Café do shopping Braga Parque, reunindo um médico, um cuidador e um doente. Este momento pretende proporcionar uma aproximação direta à dimensão clínica e humana da doença, num formato informal e acessível à comunidade.

“Cancro em Perspetiva” afirma-se, assim, como um espaço de ciência com impacto social, reforçando o compromisso do ICVS e da Escola de Medicina da UMinho com a literacia em saúde, a participação pública e a humanização do conhecimento científico.

 

Distritos de Lisboa e Coimbra
Com o objetivo de reforçar a proximidade com os membros e a valorização do trabalho dos nutricionistas no terreno, Liliana...

Começa esta segunda-feira, no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, o primeiro ciclo de visitas de 2026 da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, que mantém o propósito dos anteriores contactos no terreno: aprofundar a proximidade com as entidades que integram nutricionistas nas suas equipas, bem como com os profissionais, promovendo um conhecimento mais aprofundado do contexto real de exercício profissional, neste caso, no setor de hospitalização privada.

“Estas visitas permitem-nos conhecer de perto os contextos em que os nutricionistas trabalham no setor privado, ouvir os profissionais e as instituições, e reforçar o nosso compromisso com a valorização da profissão e o impacto da nutrição na saúde dos utentes”, sublinha Liliana Sousa, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Segue-se a deslocação a Coimbra, ao Hospital da Luz e à Casa de Saúde Santa Filomena, do grupo Sanfil, a 4 de fevereiro, e ao Hospital Lusíadas Amadora no dia 6 de fevereiro. O programa de visitas inclui encontros com equipas de nutrição e administração hospitalar, privilegiando a discussão de temas como a realidade e desafios do exercício profissional do nutricionista neste contexto, e explorando oportunidades de colaboração em prol da valorização da profissão e do papel central da nutrição na prestação de cuidados de saúde de qualidade.

 

4 de fevereiro – Dia Mundial do Cancro
No Dia Mundial do Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) reforça a sensibilização da...

De acordo com as estimativas mais recentes do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN 2022), em 2022 terão sido diagnosticados cerca de 5.400 novos casos de cancro do pulmão em Portugal, considerando ambos os sexos e todas as faixas etárias. Para Daniela Madama e Joana Catarata, da Comissão de Trabalho de Pneumologia Oncológica da SPP, “estes dados sublinham a magnitude do cancro do pulmão como um problema de saúde pública no nosso país e reforçam a urgência de medidas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e acesso equitativo a cuidados especializados, de modo a reduzir o impacto desta doença na população”. 

Uma das principais razões apontadas para a elevada mortalidade associada ao cancro do pulmão é “a ausência de programas de rastreio populacional amplamente implementados em Portugal, o que contribui para diagnósticos tardios e limita as possibilidades de tratamento curativo". As médicas pneumologistas salientam que o diagnóstico precoce é determinante no cancro do pulmão, uma vez que, “quando a doença é identificada em fases iniciais, existem opções terapêuticas com intenção curativa, como a cirurgia, associadas a melhores taxas de sobrevivência. A identificação precoce permite ainda tratamentos menos agressivos, melhor tolerados e mais eficazes”.

A elevada mortalidade é ainda agravada pelo facto de o cancro do pulmão ser “uma doença frequentemente silenciosa nas fases iniciais, sem sintomas específicos que alertem precocemente para a sua presença. Quando surgem manifestações clínicas, estas são muitas vezes inespecíficas ou já indicativas de doença avançada. Além disso, apresenta regularmente um comportamento biológico agressivo e uma elevada capacidade de disseminação precoce, principalmente nos doentes mais jovens”.

Apesar de os sintomas do cancro do pulmão poderem ser variados e inespecíficos, existem sinais de alerta que não devem ser ignorados, nomeadamente:

  • Tosse persistente ou alteração do padrão habitual da tosse;
  • Tosse com expetoração com evidência de sangue;
  • Falta de ar ou agravamento progressivo da dispneia;
  • Dor torácica persistente;
  • Rouquidão;
  • Perda de peso inexplicada, cansaço extremo ou infeções respiratórias recorrentes.

Quanto aos principais fatores de risco para o cancro do pulmão, o tabagismo é o responsável pela grande maioria dos casos, no entanto, esta “não é uma doença exclusiva dos fumadores, e pode surgir em pessoas sem historial tabágico”, destacam as especialistas. Outros fatores relevantes para o desenvolvimento de cancro do pulmão incluem:

  • Exposição ao fumo passivo, que aumenta significativamente o risco em não fumadores;
  • Poluição do ar, sobretudo em ambientes urbanos, hoje reconhecida como um fator carcinogénico;
  • Exposição ocupacional a substâncias como asbesto, sílica, radão e outros agentes químicos;
  • História familiar e fatores genéticos, que podem aumentar a suscetibilidade individual.

No que respeita ao tratamento, Daniela Madama e Joana Catarata salientam os “avanços muito significativos” registados nas últimas décadas. “A identificação de alterações moleculares específicas permitiu o desenvolvimento de terapias alvo, altamente eficazes em subgrupos de doentes. A imunoterapia revolucionou o tratamento de muitos casos, permitindo respostas duradouras e melhoria da sobrevivência. Paralelamente, houve progressos nas técnicas cirúrgicas, na radioterapia e no diagnóstico molecular, tornando os tratamentos mais personalizados e eficazes. Estes avanços demonstram que o prognóstico do cancro do pulmão está a mudar, embora o acesso equitativo continue a ser um desafio”.

Daniela Madama e Joana Catarata concluem que assinalar esta data “constitui uma oportunidade fundamental para sensibilizar a população para os fatores de risco, promover comportamentos preventivos e reforçar a necessidade de políticas públicas eficazes, nomeadamente no controlo do tabagismo e da poluição ambiental. Trata-se, igualmente, de uma oportunidade essencial para reforçar a importância da prevenção e da implementação do rastreio”. 

Opinião
O cancro da próstata assusta, mas a forma como o tratamos pode fazer toda a diferença.

O cancro da próstata é o cancro mais comum entre os homens, com mais de 450.000 novos casos por ano na Europa. É também a segunda principal causa de morte oncológica no homem. No entanto, quando detetado precocemente, as hipóteses de tratamento eficaz aumentam significativamente.

Apesar disso, muitos homens evitam fazer o rastreio por receio do diagnóstico e das suas consequências. Mas há uma verdade que poucos conhecem: um teste positivo não significa necessariamente precisar de tratamento imediato ou de uma cirurgia invasiva. A medicina evoluiu e, hoje, há opções de tratamento menos agressivas que permitem tratar o cancro sem comprometer a qualidade de vida.

 

O Rastreio Salva Vidas

O rastreio tem sido fundamental na luta contra doenças como o cancro da mama e o cancro colorretal, reduzindo significativamente a sua mortalidade. O cancro da próstata não deve ser exceção.

A medição do PSA (Antigénio Específico da Próstata) através de um simples exame ao sangue é o primeiro passo para identificar precocemente um possível tumor. Todos os homens a partir dos 45/50 anos devem realizar este teste regularmente, conforme recomendado pela Associação Europeia de Urologia (EAU).

Estudos demonstram que o rastreio com PSA reduz a mortalidade por cancro da próstata em 21%, prevenindo uma morte para cada 98 homens testados. No entanto, alguns médicos e doentes ainda hesitam em aderir ao rastreio devido ao medo do sobrediagnóstico (detetar um tumor que talvez nunca causasse problemas) e do sobretratamento (realizar uma cirurgia ou radioterapia desnecessária).

Mas ignorar o rastreio não é a solução. A chave está em avaliar cada caso individualmente e decidir qual a melhor abordagem para cada doente.

 

Diagnóstico ≠ Tratamento Radical

Diagnosticar é diferente de tratar de forma radical. Um dos maiores mitos sobre o cancro da próstata é que receber um diagnóstico significa, automaticamente, precisar de um tratamento agressivo. Isto não é verdade.

Nem todos os cancros da próstata são iguais. Alguns crescem lentamente e podem demorar décadas a causar sintomas, enquanto outros são mais agressivos e exigem intervenção rápida. Durante anos, os médicos seguiram uma abordagem rígida:

• Cirurgia radical ou radioterapia (com risco de incontinência urinária e disfunção erétil)

• Vigilância ativa (sem intervenção, apenas acompanhando a evolução do tumor)

Introduzimos hoje uma terceira opção: um tratamento menos invasivo que pode eliminar o cancro sem os efeitos secundários de uma cirurgia.

 

TNR-FocalOne: Uma Alternativa Segura à Cirurgia Radical

No Hospital Cruz Vermelha, somos pioneiros no Mundo na utilização de um novo conceito para tratar o cancro da próstata: o Tratamento Não-Radical (TNR) com tecnologia FocalOne.

Este tratamento recorre a ultrassons focados de alta intensidade (HIFU), aplicados através de um robô, para eliminar apenas a zona afetada pelo tumor, preservando o resto da próstata. Ao contrário da cirurgia radical, que remove a próstata na totalidade, este procedimento mantém a função urinária e sexual do doente, permitindo uma vida plena.

Além disso, o TNR-FocalOne é minimamente invasivo:

✔ É realizado em ambulatório

✔ Não exige cortes

✔ O retorno há vida normal é quase imediato

Para muitos homens, esta pode ser a melhor forma de tratar o cancro sem comprometer a sua qualidade de vida.

 

A Importância de Atrasar de Forma Segura os Efeitos Secundários

Uma grande vantagem do Tratamento Não-Radical (TNR) é que, além de ser uma alternativa menos invasiva, também pode ser usado para atrasar um tratamento mais agressivo sem comprometer a eficácia oncológica.

Em casos selecionados, este método permite que um doente viva anos ou até décadas sem precisar de cirurgia ou radioterapia, evitando os seus efeitos adversos. Esta abordagem, conhecida como “atrasar de forma segura os efeitos secundários”, garante que, caso seja necessário no futuro, o tratamento radical ainda pode ser realizado com sucesso.

Desta forma, o TNR-FocalOne protege o doente no presente, sem fechar portas para tratamentos futuros caso o tumor evolua.

 

Os Três Pilares da Nossa Abordagem

O sucesso desta estratégia baseia-se em três princípios fundamentais:

 

Seleção Criteriosa dos Doentes

• Nem todos os doentes são candidatos ao Tratamento Não-Radical. A precisão do diagnóstico e dos exames de imagem (como a ressonância magnética e a micro-ecografia) é essencial para garantir a escolha certa.

 

Tratamento Preciso

• O objetivo do TNR-FocalOne é eliminar apenas a área afetada, sem danos desnecessários. A fusão de imagens da ressonância magnética com a tecnologia de HIFU robótico garante que o tratamento é altamente direcionado e eficaz.

 

Seguimento Rigoroso

• Os doentes tratados com TNR são incluídos num programa de monitorização rigorosa, integrado em bases de dados internacionais. Isto assegura que qualquer recidiva seja detetada precocemente, permitindo intervir atempadamente se necessário.

 

Esta abordagem garante que os doentes recebem o melhor acompanhamento, sem correr riscos desnecessários.

 

Tomar Decisões Informadas Faz Toda a Diferença

Durante décadas, os homens diagnosticados com cancro da próstata enfrentaram um dilema difícil: tratar com cirurgia radical e arriscar efeitos colaterais, ou não fazer nada e correr o risco de progressão da doença.

Hoje, com o TNR-FocalOne, há uma alternativa real, que permite controlar a doença sem comprometer a qualidade de vida.

O mais importante é que cada homem tenha acesso à informação correta para tomar a melhor decisão para o seu caso:

 

. O rastreio é essencial – um simples exame de sangue pode salvar vidas.

. Ter um diagnóstico não significa que precisa de tratamento radical.

. Tratamento Não-Radical (TNR) é uma alternativa real para doentes selecionados.

. Atrasar de forma segura os efeitos secundários pode permitir viver anos sem complicações.

A medicina evoluiu, e os homens merecem conhecer todas as suas opções de tratamento. Se recebeu um diagnóstico de cancro da próstata, informe-se bem e fale com o seu médico—porque a decisão certa pode proteger tanto a sua saúde como a sua qualidade de vida.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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