Daniel Sanches Fernandes
A Associação para Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem (AIBILI) anuncia a nomeação de Daniel Sanches Fernandes...

Com mais de 20 anos de experiência em investigação e desenvolvimento na área da saúde, gestão de projetos e transferência de tecnologia, Daniel Sanches Fernandes traz uma sólida experiência e uma visão clara para fortalecer ainda mais o papel da AIBILI na investigação clínica e translacional. Esta liderança marca um passo importante no aprofundamento da contribuição da instituição para a transformação dos resultados da investigação em inovações impactantes que cheguem às pessoas, criem valor e gerem resultados positivos a nível nacional e internacional.

"É com enorme entusiasmo que assumo este desafio na AIBILI, focado em dar continuidade ao excelente legado da instituição e em acelerar a transformação da investigação científica em inovações práticas que melhorem a saúde e o bem-estar das pessoas " afirma Daniel Sanches Fernandes.

A AIBILI continua comprometida na colaboração e parceria com outras organizações e partes interessadas em projetos conjuntos e objetivos de inovação partilhados.

Opinião
Enquanto cirurgião da coluna com mais de 12 anos de dedicação a esta área, deparo-me diariamente em

Importa começar por desmistificar: a dor lombar é extremamente comum. Estima-se que cerca de 80% da população mundial tenha pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da vida. Na grande maioria dos casos trata-se de uma situação benigna, temporária e não associada a doença grave da coluna. Ter dor, mesmo que intensa, não significa automaticamente ter uma hérnia nem precisar de cirurgia.

Nos meses mais frios, este problema tende a agravar-se. O frio favorece a contratura muscular, reduz a mobilidade, leva a posturas de defesa frequentes e diminui a atividade física ao ar livre. A isto soma-se o estilo de vida urbano: mais horas sentados, menos movimento e posturas pouco saudáveis no sofá, ao computador ou ao telemóvel. Tudo contribui para o aparecimento ou agravamento das dores de costas.

A coluna não é uma estrutura rígida. Pelo contrário, foi feita para se mexer. A sua estabilidade e mobilidade depende de vários músculos — os abdominais, os paravertebrais e os da região lombo-pélvica — que precisam de ser ativados para proteger e estabilizar a coluna durante o movimento. Com o envelhecimento ocorre de forma natural perda de força muscular, maior rigidez e algum desgaste das articulações e dos discos. O resultado é muitas vezes dor, limitação funcional e perda de autonomia.

O melhor “medicamento” para a coluna é o exercício físico.

Muitos doentes quando questionados se praticam atividade física dizem-me: “faço caminhada”. Caminhar é positivo e melhor do que estar parado, mas é um estímulo relativamente fraco para fortalecer os músculos que protegem a coluna. O exercício ideal deve trabalhar o corpo como um todo, com foco no reforço do chamado core, no equilíbrio e no controlo postural. Pilates, hidroginástica, treino de musculação orientado ou exercício funcional, são excelentes opções. Atualmente, existem aplicações e vídeos online que permitem também treinar em casa, com baixo custo e melhor gestão do tempo. Mesmo após cirurgia da coluna, o exercício físico adaptado é fundamental.

Outro aspeto essencial — e pouco falado — é a preparação para o envelhecimento. A partir dos 70–75 anos ocorre uma redução significativa das reservas físicas e do equilíbrio, aumentando o risco de quedas e perda de autonomia. Quanto melhor for a condição física mantida ao longo da vida, maior será a longevidade com qualidade.

Se tem dor persistente, dúvidas ou receios sobre a saúde da sua coluna realizar uma consulta médica atempada ajuda a esclarecer, a orientar e a evitar preocupações desnecessárias.

Cuidar da coluna é mover-se hoje, para evitar a dor de amanhã e, quando a cirurgia é necessária, a experiência do profissional faz toda a diferença.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Coimbra
Um grupo de investigadores do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC),...

O desenvolvimento de medicamentos eficazes contra tumores sólidos enfrenta dois grandes desafios: a acumulação seletiva do fármaco no tumor e a sua capacidade de infiltração para alcançar todas as células tumorais. A abordagem dominante tem sido o desenvolvimento de moléculas cada vez maiores e de nanopartículas mais complexas, o que, apesar de aumentar a seletividade, compromete a penetração em tumores densos e rígidos.

Contrariando esta tendência, a equipa de Coimbra optou por uma estratégia inovadora: identificar a menor estrutura molecular com propriedades farmacológicas ideais para Terapia Fotodinâmica. O resultado foi a síntese da molécula LUZ51, o mais pequeno fotossensibilizador conhecido que absorve luz infravermelha, essencial para atravessar eficazmente os tecidos humanos.

«A Terapia Fotodinâmica baseia-se na ativação de um fotossensibilizador através de luz vermelha ou infravermelha. Na presença de oxigénio, esta ativação desencadeia uma cascata de reações químicas que levam à morte das células tumorais. Uma das grandes vantagens desta terapia é a sua elevada seletividade: o fármaco é praticamente inócuo sem luz, permitindo destruir o tumor apenas na área iluminada», explica Luís Arnaut, professor da FCTUC e investigador do Centro de Química de Coimbra (CQC).

Os estudos realizados demonstraram que a LUZ51 se acumula 13 vezes mais nos tumores do que nos tecidos adjacentes, é rapidamente internalizada pelas células tumorais e induz a sua morte quando ativada por luz infravermelha. Em modelos animais, a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 permitiu curar ratinhos com tumores agressivos e relativamente grandes, preservando os tecidos saudáveis circundantes e minimizando efeitos adversos.

«Um dos resultados mais notáveis foi observado no tratamento do análogo humano do cancro da mama triplo negativo. Mesmo quando o tumor primário já apresentava sinais de metastização para os pulmões, o tratamento local com LUZ51 levou à redução significativa, e em alguns casos à eliminação, das metástases pulmonares. Estes dados sugerem que a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 poderá ativar o sistema imunitário do hospedeiro, promovendo uma resposta antitumoral para além da área diretamente tratada», revela o cientista.

A molécula LUZ51 foi patenteada pela Universidade de Coimbra e pela Luzitin SA, com patentes concedidas nos principais mercados da oncologia. Os resultados dos estudos in vivo foram recentemente publicados na prestigiada revista científica Angewandte Chemie International Edition, no artigo intitulado “Seamlessly Overcoming Biological Barriers with a Small Photosensitizer to Treat Metastatic Tumours with Photodynamic Therapy”.

Apesar do enorme potencial demonstrado, os investigadores sublinham que a LUZ51 terá ainda de ser avaliada em ensaios clínicos antes de poder ser utilizada em doentes oncológicos, um processo que poderá demorar cerca de cinco anos. Ainda assim, esta descoberta abre novas perspetivas para tratamentos mais seletivos, eficazes e com menor impacto nos tecidos saudáveis.

 

Estudo
Os adolescentes que crescem em ambientes familiares positivos e coesos têm uma probabilidade significativamente menor de...

Publicado na International Journal of Public Health, o estudo analisou informação de 1473 jovens acompanhados desde o nascimento no âmbito da Geração 21, uma das maiores coortes populacionais em Portugal. Aos 18 anos, os participantes reportaram as suas experiências de dor e perceções das relações familiares, permitindo aos investigadores examinar de que forma o funcionamento familiar, as condições socioeconómicas e as experiências adversas na infância se relacionam com a dor no final da adolescência.

Os resultados mostram que a dor é uma experiência comum nesta fase da vida: 43% dos participantes relataram dor em dois ou mais locais do corpo nos três meses anteriores e quase um em cada quatro reportou dor musculoesquelética crónica (ou seja, com duração superior a três meses). No entanto, os adolescentes que percecionavam o seu ambiente familiar como positivo e coeso, com fortes laços emocionais, comunicação aberta e baixos níveis de conflito, apresentaram um risco substancialmente menor de sentir dor em múltiplos locais e dor crónica.

“O bom funcionamento familiar destacou-se como um fator protetor consistente”, explica Nare Navasardyan, primeira autora do estudo. “Os jovens que relataram melhores relações familiares tinham menor probabilidade de referir dor persistente ou generalizada e esta associação foi observada em todos os grupos socioeconómicos.”

O funcionamento familiar foi avaliado através de um questionário validado que foca alguns aspetos-chave como a coesão familiar, a expressividade e o conflito. Os adolescentes provenientes de famílias mais coesas e com baixos níveis de conflito tinham uma probabilidade significativamente menor de relatar dor, enquanto níveis mais elevados de conflito familiar estavam associados a maior probabilidade de dor em múltiplos locais e de dor musculoesquelética crónica.

Em contraste, os indicadores socioeconómicos tradicionais, como o rendimento do agregado familiar, a escolaridade e a ocupação dos pais, tiveram um impacto menos relevante. Com exceção da ocupação da mãe, que apresentou uma associação modesta com a dor em múltiplos locais, os fatores socioeconómicos não modificaram substancialmente a relação entre o funcionamento familiar e a dor. De forma semelhante, as experiências adversas na infância reportadas aos 13 anos mostraram apenas associações fracas com a dor aos 18 anos.

Segundo os autores, estes resultados reforçam a importância de considerar o ambiente familiar na análise biopsicossocial da dor. “A adolescência é um período crítico do desenvolvimento e a dor vivida nesta idade pode persistir na idade adulta”, refere Nare Navasardyan. “Os nossos resultados sugerem que promover relações familiares positivas pode ajudar a prevenir a consolidação da dor crónica, independentemente das circunstâncias socioeconómicas.”

Os resultados apontam para o potencial valor de estratégias universais de prevenção que promovam a coesão familiar, a comunicação e a resolução de conflitos. “Intervenções que apoiem um melhor funcionamento familiar podem beneficiar adolescentes de todo o espectro social”, concluem os autores, “e devem ser consideradas como parte de estratégias mais amplas para reduzir o peso da dor crónica ao longo da vida.”

Opinião
O início de um novo ano é, para muitos, o momento ideal para refletir sobre hábitos e definir novos

Entre os órgãos mais afetados pelo consumo regular de álcool encontra-se o fígado, responsável por metabolizar esta substância. Quando exposto a quantidades excessivas ou a consumo frequente de álcool, o fígado sofre um processo de acumulação de gordura conhecido como esteatose hepática, que é a fase inicial da doença hepática alcoólica.

Esta condição é muitas vezes silenciosa: não dói, não provoca sintomas imediatos e, por isso, pode ser facilmente ignorada. No entanto, não deve ser desvalorizada. A esteatose hepática alcoólica pode evoluir para doença mais grave, com inflamação, aparecimento de fibrose e finalmente cirrose, comprometendo de forma irreversível a saúde do fígado.

O desafio do “Janeiro Sem Álcool” surge, assim, como uma oportunidade para experimentar, na prática, os benefícios de uma pausa. São inúmeros os relatos de quem sente melhorias no sono, no bem-estar geral, na digestão e até na energia diária, após algumas semanas de abstinência do consumo de álcool. Cada dia sem álcool representa um passo importante no processo de regeneração do fígado e melhoria da saúde geral.

É verdade que o álcool faz parte das celebrações e dos convívios, mas moderação no consumo não significa privação da vida social. Pelo contrário, significa consciência: saber escolher, estabelecer limites e compreender que a saúde deve estar sempre em primeiro lugar. Há alternativas cada vez mais variadas e apelativas, desde cocktails sem álcool até vinhos e cervejas “zero”, que permitem manter o espírito da celebração sem comprometer o fígado.

Janeiro pode ser o ponto de partida para uma relação mais equilibrada com o álcool ao longo de todo o ano. Não se trata apenas de passar 31 dias sem consumir bebidas alcoólicas, trata-se de repensar hábitos e perceber que pequenas mudanças podem trazer grandes benefícios.

Consciencializar para os riscos da doença hepática alcoólica é um passo essencial para promover estilos de vida mais saudáveis. E se o Natal foi tempo de celebração, o início do ano é tempo de cuidar do fígado, para viver muitas mais celebrações com saúde.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) volta a promover uma ação nacional de consciencialização para a doença...

 "Sabemos que o início de um novo ano é um momento de reflexão e de definição de novas metas. Com este desafio, queremos motivar jovens e adultos portugueses a incluir entre essas resoluções a adoção de um estilo de vida mais saudável, em que a redução do consumo de álcool seja uma prioridade”, alerta Paula Peixe, presidente da APEF.

O consumo de álcool traz graves consequências para a saúde, principalmente para o fígado. Além das consequências indiretas, como as provocadas por acidentes de viação, o consumo excessivo ou frequente leva à acumulação de gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, a fase inicial de doença hepática alcoólica. Esta doença é muitas vezes silenciosa, podendo facilmente passar despercebida. Contudo, não deve ser desvalorizada, já que pode evoluir para doença mais grave, com inflamação, aparecimento de fibrose e, finalmente, cirrose, e mesmo cancro do fígado, comprometendo de forma irreversível a saúde em geral e a do fígado, em particular.

“Queremos apelar a toda a população, mas em especial aos jovens, já que esta faixa etária apresenta estatísticas particularmente preocupantes. Segundo os dados do relatório Comportamentos Aditivos aos 18 anos. Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2024: Consumos de Substâncias Psicoativas”, realizado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), verificamos que, em 2024, em cada 10 jovens de 18 anos, 7 a 8 consumiram álcool”, alerta Paula Peixe.

Segundo as últimas estimativas disponíveis no Global status report on alcohol and health and treatment of substance use disorders (WHO) para Portugal, verifica-se que, em 2024, o consumo de álcool foi mais elevado por parte dos homens, com 16,9 litros de álcool puro per capita por ano, enquanto as mulheres consumiram 4,8 litros.

“É responsabilidade dos adultos refletir sobre os seus comportamentos sociais e os impactos que estes têm na sua saúde, além de alertarem os jovens para os perigos e problemas associados ao consumo de álcool, ajudando a transmitir a mensagem: Desafia-te pela saúde do teu fígado!”, apela Paula Peixe.

A iniciativa “Janeiro Sem Álcool” ocorre em simultâneo em vários países, desde 2013. Em Portugal é a quinta vez que o desafio é promovido. 

Um fim de ano sem sustos
A passagem de ano é um momento de celebração para muitas pessoas, mas pode ser uma fonte significativa de stress e ansiedade...

“Os animais têm uma audição muito mais sensível do que os humanos. Sons altos e repentinos, como fogos de artifício, são frequentemente interpretados como uma ameaça, desencadeando respostas de medo intenso. A prevenção e a preparação fazem toda a diferença,” explica Elena Díaz, médica veterinária na Kivet, clínicas veterinárias da Kiwoko.

 

"O papel dos tutores é fazer com que os animais se sintam protegidos. Com um espaço calmo, atenção constante e muito carinho, a passagem de ano pode tornar-se uma experiência segura e feliz para todos,” conclui a veterinária.

 

Porque os sons altos causam stress nos patudos

O sistema auditivo dos animais é altamente desenvolvido, o que faz com que sons fortes e inesperados sejam amplificados e percebidos como perigos iminentes. Em cães, este medo pode manifestar-se através de tremores, vocalizações excessivas, tentativas de fuga ou comportamentos destrutivos. Nos gatos, é comum observar isolamento, imobilidade, agressividade defensiva ou perda de apetite. Além do som em si, a imprevisibilidade dos fogos e a incapacidade de identificar a origem do ruído aumentam o nível de ansiedade. Em animais mais sensíveis ou com experiências negativas anteriores, estas reações podem intensificar-se de ano para ano.

 

Estratégias antes dos momentos de maior ruído

Preparar os animais antes da chegada dos fogos de artifício é fundamental para reduzir o stress. Uma das medidas mais eficazes é antecipar os passeios: realizá-los durante o dia, antes do início dos ruídos, permite que os cães se exercitem e esvaziem energia, reduzindo a ansiedade acumulada. Para gatos, oferecer momentos de brincadeira e estímulo mental durante o dia ajuda a desviar a atenção e a manter a calma.

Além do exercício, é importante reforçar a rotina habitual. Alimentar o animal nos horários normais e proporcionar espaços tranquilos onde possa descansar com segurança transmite previsibilidade e confiança.

 

Medidas práticas para um fim de ano mais seguro

Embora o barulho possa causar medo e ansiedade, existem medidas que os tutores podem adotar para proteger o bem-estar físico e emocional dos animais. Criar um ambiente seguro e controlado é uma das estratégias mais eficazes. Fechar janelas e persianas, reduzir a entrada de sons externos e ligar música ou televisão ajuda a atenuar o barulho e a transmitir uma sensação de estabilidade. Disponibilizar um local da casa onde o animal possa refugiar-se de forma segura permite-lhe lidar melhor com o stress e sentir-se protegido. Além disso, é fundamental garantir que portas e janelas estão bem fechadas, eliminando riscos de fuga e prevenindo acidentes, de forma a assegurar uma passagem de ano mais tranquila e segura.

 

O papel do tutor durante os momentos de maior ruído

Durante a passagem de ano, o tutor desempenha um papel determinante na forma como os animais experienciam os fogos de artifício e outros sons intensos. A presença calma e segura de quem cuida do animal transmite confiança e ajuda a reduzir o stress. É essencial que o tutor mantenha uma postura tranquila, evitando gritar, repreender ou forçar contacto, pois estas atitudes podem agravar o medo. Além da presença, os tutores podem adotar estratégias concretas: permitir que o animal escolha o seu espaço seguro, falar num tom calmo, oferecer brinquedos ou objetos familiares que transmitam conforto, e evitar mudanças bruscas na rotina.

 

Estratégias para animais mais sensíveis

Animais particularmente sensíveis ao ruído podem beneficiar de estratégias adicionais, como treino de dessensibilização sonora ao longo do ano, difusores de feromonas ou suplementos calmantes, sempre sob orientação veterinária. Em alguns casos específicos, o veterinário pode recomendar medicação para ajudar a controlar a ansiedade, sobretudo quando há histórico de reações intensas.

É importante nunca administrar medicamentos sem aconselhamento profissional, uma vez que doses inadequadas ou substâncias erradas podem colocar a saúde do animal em risco.

 

Observar e apoiar nos dias seguintes

Mesmo depois de terminados os fogos de artifício, alguns animais podem manter sinais de stress durante horas ou dias. Alterações no apetite, comportamento retraído ou agitação persistente devem ser observadas com atenção. Caso os sintomas se prolonguem, é recomendável procurar aconselhamento veterinário.

O apoio contínuo, a manutenção de rotinas e um ambiente calmo ajudam o animal a recuperar gradualmente do episódio de stress.

 

Opinião
A dor nas costas é uma das causas mais frequentes de limitação funcional na população adulta.

O sono: quando a coluna recupera

Durante o dia, a coluna está sujeita à carga do peso corporal e da atividade diária, o que se traduz numa ligeira perda de altura e de água dos discos intervertebrais. Durante o repouso noturno, sobretudo em posição deitada, essa carga diminui e permite a reentrada de fluidos nos discos — um processo fisiológico normal.

Dormir mal, pouco, ou dormir de forma sistematicamente desalinhada, interfere com este mecanismo de recuperação. Não se trata de procurar a “posição perfeita”, mas de evitar manter, durante horas, posições que forçam a coluna cervical ou lombar.

Pequenos ajustes podem ter impacto real:

  • apoio adequado da cabeça e do pescoço, mantendo alinhamento com o tronco;
  • superfície de descanso que ofereça suporte sem rigidez excessiva;
  • evitar posturas assimétricas prolongadas durante o sono.

 

Cargas do dia a dia: o erro não é o peso, é a forma

Atividades aparentemente inofensivas — transportar sacos de compras, levantar uma mala, pegar numa criança — repetem-se milhares de vezes ao longo do ano. A coluna é uma estrutura resistente, mas torna-se vulnerável quando estas tarefas são realizadas de forma inadequada.

O problema raramente é o peso em si, mas sim a combinação de flexão excessiva da coluna, rotação e carga afastada do corpo. Respeitar princípios simples reduz de forma clara a sobrecarga acumulada:

  • aproximar a carga do corpo antes de a levantar;
  • dobrar mais as ancas e os joelhos do que a coluna;
  • evitar rotações do tronco enquanto se transporta peso.

Não é necessário viver com medo do movimento, mas é importante respeitar a biomecânica da coluna no quotidiano.

 

Exercício físico: o melhor aliado da coluna em qualquer idade

Uma das ideias mais erradas sobre a coluna é que o repouso prolongado a protege. Pelo contrário, a evidência mostra que a coluna depende do movimento e do suporte muscular para se manter saudável. O fortalecimento dos músculos do tronco, das ancas e dos membros inferiores reduz a carga sobre as estruturas da coluna e melhora a estabilidade e o controlo do movimento.

Este princípio aplica-se a todas as idades, incluindo nos idosos. Exercício adaptado — mesmo de baixa intensidade — melhora a mobilidade, reduz o risco de quedas, diminui episódios de dor e preserva a autonomia. Não se trata de “fazer ginásio”, mas de manter músculos ativos e funcionais.

Caminhar regularmente, exercícios simples de força, equilíbrio e mobilidade, realizados de forma consistente e adequada à condição de cada pessoa, têm um impacto claro na saúde da coluna ao longo dos anos.

Micro-hábitos: menos promessas, mais consistência

Cuidar da coluna não exige rotinas longas nem mudanças radicais. A experiência clínica mostra que a maioria das pessoas falha não por falta de vontade, mas por planos irrealistas. A coluna beneficia mais de movimento frequente e moderado do que de esforços intensos e esporádicos.

Alguns exemplos de micro-hábitos com impacto cumulativo:

  • pequenas pausas ao longo do dia para mudar de posição;
  • alguns minutos de mobilidade simples para a coluna e ombros;
  • alternância entre estar sentado e em pé sempre que possível;
  • atenção consciente à postura durante tarefas prolongadas.

 

Olhar pelas suas costas todos os dias

Cuidar das costas em 2026 não passa por aceitar a dor como inevitável, nem por recorrer apenas a soluções tardias. Passa por compreender melhor o funcionamento do corpo e por fazer pequenas escolhas diárias que respeitam a coluna. Na maioria dos casos, são essas mudanças discretas — sustentadas no tempo — que produzem os resultados mais duradouros.

Porque olhar pelas suas costas hoje é investir na sua qualidade de vida amanhã.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Entrevista com as nutricionistas Marta Eusébio e Cláudia Viegas
Adaptar a alimentação às necessidades de quem enfrenta uma doença hemato-oncológica pode ser um desafio. No "Livro de...

"Nós somos o que comemos". Para um doente hemato-oncológico, o que significa esta frase no seu dia a dia e quais são os desafios nutricionais mais complexos que enfrenta durante o tratamento?

Esta afirmação aplica-se a todas as pessoas, mas para quem enfrenta uma patologia hemato-oncológica assume uma relevância ainda maior, dado o papel fundamental que uma alimentação adequada desempenha na recuperação e na manutenção do estado nutricional. Um dos grandes desafios são os sintomas decorrentes do tratamento (alteação do paladar, do apetite, etc,) que este livro pretende ajudar a gerir, minimizando o efeito dos sintomas. 

 

Como é que a APCL identificou a necessidade de criar este livro de receitas? Houve algum momento ou história particular que tenha servido de catalisador para o projeto?

A criação deste livro surge precisamente do desafio mencionado na questão anterior: a dificuldade enfrentada no período pós-transplante, não só pelos sintomas inerentes ao tratamento, mas também pela complexidade de cozinhar e preparar refeições equilibradas. Para concretizar este objetivo estabeleceu-se a parceria entre a Merck e a APCL, que posteriormente contactam os profissionais envolvidos, onde nos incluímos.  

 

Na prática, o que torna estas receitas diferentes? Como é que a equipa conseguiu equilibrar as restrições médicas com o sabor e o prazer de comer?

Antes de responder à sua questão, importa destacar que, graças à evolução constante da ciência, as restrições alimentares dos doentes pós-transplante têm vindo a diminuir, tornando o processo mais simples. Este livro resulta do trabalho conjunto de duas profissionais da área da nutrição, com especialidades complementares: Nutrição Clínica e Alimentação Coletiva e Restauração. Esta colaboração permite uma articulação eficaz entre as necessidades nutricionais e a componente gastronómica. As receitas apresentadas são não só nutricionalmente equilibradas, mas também saborosas, fáceis de preparar e adequadas para toda a família.

 

Para além do aspeto nutricional, qual é o impacto psicológico e emocional que esperam que este livro tenha nos doentes e nas suas famílias?

Esperamos que, ao utilizar este livro, os doentes e as suas famílias sintam que o nosso acompanhamento não termina com o internamento, funcionando como um apoio para garantir uma alimentação equilibrada.

 

Como podem, todos os interessados, ter acesso a este livro?

A edição online do livro está disponível no site da APCL em https://www.msdsaude.pt/wp-content/uploads/sites/338/2025/10/Guia-de-apoio-ao-doente-Interativo-FINAL.pdf. A edição em papel será oferecida aos doentes sujeitos a transplantação de medula, nas diferentes unidades de transplantação de medula óssea.

 

 

 

 

Entrevista a Maria João Toscano, Diretora Executiva da Associação Dignitude
A Associação Dignitude foi distinguida com o Prémio Portugal + Social, no âmbito da Mostra dos Fundos Europeus, pelo impacto do...
- O Programa Abem foi o vencedor do Prémio dos Fundos Europeus na categoria Portugal + Social. O que representa este prémio?
 
Este prémio representa um importante reconhecimento do impacto social do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento e da relevância do seu modelo de intervenção. Valida o trabalho desenvolvido pela Associação Dignitude na promoção do acesso equitativo à saúde, em particular ao medicamento, assegurando que ninguém fica para trás por motivos económicos. Ao mesmo tempo, este reconhecimento evidencia o papel determinante dos Fundos Europeus no apoio a projetos inovadores, sustentáveis e com resultados concretos, que transformam positivamente a vida de pessoas em situação de maior vulnerabilidade e reforçam a coesão social.
 
- Para quem ainda não conhece o programa, como funciona o Abem e a que necessidades concretas procura responder?
 
O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento garante o acesso gratuito a medicamentos comparticipados e prescritos a pessoas em situação de carência económica. Os beneficiários são referenciados por entidades locais parceiras — como IPSS, Cáritas, Misericórdias ou Autarquias — que recebem um Cartão abem:, que lhes permite levantar os medicamentos nas Farmácias abem:, sem qualquer custo. As Farmácias abem: desempenham um papel central: são o ponto onde os beneficiários acedem, sem custos, aos medicamentos de que necessitam, sendo também doadoras regulares do Fundo Solidário abem:. O Programa abem: é inovador pela forma transparente com que gere os donativos, uma vez que os medicamentos dos beneficiários são pagos através do Fundo solidário abem:, uma conta isolada e constituída por 100% dos donativos ao projeto. Os custos de estrutura são suportados pelos Associados ou através de financiamento como pela Portugal Inovação Social.
O Programa abem: responde a uma necessidade essencial: assegurar que as dificuldades económicas não sejam um obstáculo ao cumprimento da terapêutica, à continuidade dos tratamentos e ao acesso digno e equitativo à saúde.
 
- Que tipo de impacto tem observado na vida dos beneficiários desde a implementação do programa?
 
Desde o seu início, em 2016, o Programa abem: já apoiou mais de 43 600 pessoas e permitiu a dispensa de mais de 3,4 milhões de embalagens de medicamentos. Este apoio tem um impacto direto na melhoria da condição de saúde dos beneficiários, ao garantir o cumprimento da terapêutica. Para além disso, também promove uma melhoria da qualidade de vida ao reduzir a necessidade de cortar noutras despesas e aumenta o sentimento de inclusão e independência dos beneficiários.
 
- Quais foram os principais desafios na criação e consolidação desta rede a nível nacional?
 
A criação e consolidação de uma rede nacional como a do Programa abem: trouxe desafios exigentes. O primeiro obstáculo foi dar visibilidade a uma realidade silenciosa: a existência de milhares de pessoas que não conseguem comprar os medicamentos de que precisam por falta de recursos. Sensibilizar a sociedade e mobilizar parceiros exigiu persistência e consistência.
Outro desafio central foi o da sustentabilidade financeira. Quando o número de beneficiários aumentou de forma muito rápida tornou-se extremamente difícil prever consumos e estimar com rigor os donativos necessários para garantir continuidade no apoio. Este crescimento acelerado exigiu capacidade de gestão e de planeamento financeiro, num contexto em que falar de sustentabilidade no setor social ainda é, muitas vezes, um tabu.
A resposta a estes desafios assentou num modelo colaborativo, auditado e transparente, que tem vindo a reforçar a confiança de todos os parceiros. Superar estes obstáculos foi determinante para chegarmos onde estamos hoje: um programa sólido, sustentável, de alcance nacional, que transforma vidas e contribui para devolver saúde e dignidade a quem mais precisa.
 
- Em que medida os Fundos Europeus podem funcionar como verdadeiros catalisadores de inovação social na área da saúde?
 
Os Fundos Europeus têm um papel decisivo enquanto catalisadores de inovação social, ao permitir testar, estruturar e escalar respostas eficazes para problemas sociais complexos, como o acesso ao medicamento. No caso do Programa abem:, estes fundos são fundamentais para consolidar o modelo de intervenção, expandir a rede a nível nacional e reforçar a capacidade de resposta. Demonstram, assim, que a inovação social, quando apoiada de forma estratégica, pode gerar impacto real, duradouro e centrado nas pessoas que mais precisam.
 
- Atualmente, quantas pessoas são apoiadas pelo programa abem: e como tem evoluído esse número?
 
Desde a sua criação, em 2016, o Programa abem: tem registado um crescimento consistente, afirmando-se como uma resposta estruturada a um problema real de acesso ao medicamento. Ao longo deste percurso, já apoiou mais de 43 mil pessoas, integrando mais de 24 mil famílias, garantindo um acesso digno e continuado a medicamentos essenciais.
Este crescimento foi particularmente evidente durante o período da pandemia, em que, face ao agravamento das necessidades sociais e económicas, foi necessário aumentar significativamente o número de beneficiários, reforçando a capacidade de resposta do Programa.
Esta evolução foi acompanhada pela consolidação de uma ampla rede nacional, que envolve mais de 1.200 farmácias parceiras e 201 entidades referenciadoras em 176 concelhos, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. No total, já foram dispensadas mais de 3,3 milhões de embalagens de medicamentos, refletindo um impacto real e duradouro na vida das pessoas e um contributo claro para a coesão territorial e a justiça social.
 
- Esta semana, lançaram a campanha solidária “Dê Troco a Quem Precisa”, que envolve centenas de farmácias em todo o país. Pode falar um pouco sobre o objetivo desta campanha e qual o impacto esperado?
 
A Campanha “Dê Troco a Quem Precisa” realiza-se duas vezes por ano e tem como objetivo angariar fundos para o Fundo Solidário abem:. Até 26 de dezembro, os portugueses são convidados a doar o troco das suas compras — ou o valor que desejarem — em cerca de 600 farmácias aderentes em todo o país, incluindo regiões autónomas. Todos os donativos revertem integralmente para garantir o acesso a medicamentos essenciais a pessoas em situação de vulnerabilidade, transformando pequenos gestos em impactos muito concretos na vida de quem precisa. Podem apoiar o Programa abem: através do MB WAY (932 440 068) ou transferência bancária (PT50 0036 0000 9910 5914 8992 7), em qualquer altura do ano. Podem ainda tornar-se Amigos abem: e fazer donativos periódicos, estando a informação disponível em www.abem.pt

 

No Natal
O Natal reúne uma grande variedade de estímulos que atraem a atenção das crianças, desde a decoração até às reuniões familiares...

“Para além da emoção própria desta época do ano, muitas crianças dormem menos, comem a horas diferentes e participam em mais atividades do que o habitual. Estes pequenos desajustes, que muitas vezes passam despercebidos, influenciam diretamente a sua capacidade de se manterem calmos e regularem a sua energia. É por isso que surgem sinais como irritabilidade, choro mais frequente, dificuldades de concentração ou comportamentos mais impulsivos do que o normal”, explica Sílvia Mérida Expósito, psicóloga da Blua da Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.

A sobreexcitação pode surgir em qualquer criança, independentemente do seu carácter ou temperamento. O sistema nervoso das crianças é mais sensível a mudanças e a estímulos intensos, pelo que a sua capacidade de se regular diminui nesta época do ano. Este tipo de reações indica a necessidade de oferecer espaços de pausa e apoio para promover o seu equilíbrio emocional. A deteção precoce destes sinais ajuda a evitar cansaço intenso, frustração e tensões familiares, contribuindo para celebrações mais serenas.

Perante esta situação, os especialistas da Sanitas partilham algumas orientações que ajudam a promover um Natal mais equilibrado:

  • Manter rotinas sempre que possível. Tentar manter horários estáveis para refeições, sono e descanso proporciona segurança e evita aumentos desnecessários de energia ou cansaço acumulado;
  • Promover momentos de calma e estabilidade. Atividades tranquilas, como desenhar ou ler, ajudam a criança a recuperar a calma e a canalizar a sua energia de forma positiva. Além disso, as crianças regulam-se melhor quando um adulto as acompanha com calma, transmitindo-lhes segurança;
  • Gerir a entrega de presentes. Receber muitos brinquedos de uma só vez pode ser avassalador. Entregá-los em momentos diferentes ou permitir que explorem apenas um ou dois ajuda a reduzir a sobre estimulação;
  • Evitar agendas demasiado preenchidas. Alternar atividades animadas com períodos de calma favorece uma melhor gestão emocional e ajuda as crianças a desfrutar das celebrações sem a sensação de vertigem;
  • Não recorrer a castigos em caso de sobreexcitação. As repreensões aumentam a tensão. Neste sentido, é mais eficaz orientá-los para atividades calmas e reforçar comportamentos adequados. Da mesma forma, reconhecer e nomear aquilo que sentem, como cansaço, alegria intensa ou frustração, contribui para que aprendam a regular as suas emoções.

“Se esses comportamentos de sobreexcitação persistirem após o período natalício, pode ser um sinal de que a criança necessita de apoio adicional para gerir as suas emoções. Nesses casos, é aconselhável consultar um profissional especializado, seja presencialmente ou por videochamada, que poderá orientar sobre as estratégias mais adequadas para promover o bem-estar da criança e o equilíbrio familiar.”, conclui Silvia Mérida.

 

Internacional por Marrocos
O atleta Adel Taarabt, jogador de futebol internacional por Marrocos, ex jogador do SL Benfica e atualmente a jogar no Al...

Adel Taarabt foi submetido a uma cirurgia para debelar uma lesão no joelho. Trata-se assim, de mais uma intervenção da responsabilidade do Prof. Doutor Espregueira-Mendes e da equipa da Clínica Espregueira - FFA Medical Centre of Excellence - a única clínica portuguesa reconhecida como "Centro Médico de Excelência da FIFA" - e que coloca o Porto num lugar de destaque no que concerne a cirurgia ortopédica em atletas de alta competição. 

 

Natal, crianças e doces
Especialistas defendem que viver tradições alimentares de forma consciente é essencial para moldar hábitos alimentares...

O Natal é sinónimo de mesas recheadas, doces tradicionais e momentos de partilha em família. Mas é cada vez mais um momento que levanta dúvidas e preocupações para muitos pais, sobretudo em relação ao consumo de açúcar pelas crianças. No entanto, especialistas da Licenciatura em Nutrição da Atlântica – Instituto Universitário alertam que encarar esta época como um período de excessos a controlar pode ter um impacto negativo na forma como os mais novos constroem a sua relação com a alimentação.

“Os alimentos típicos do Natal têm um valor simbólico e cultural que vai muito além do seu conteúdo nutricional. São a representação de memórias, afetos e rituais transmitidos entre gerações, que contribuem para a construção da identidade e do sentimento de pertença das crianças”, avança Susana Ganhão-Arranhado, coordenadora da Licenciatura em Nutrição da Atlântica. Para a especialista, “reduzir estes alimentos a uma lógica exclusivamente “fit” ou classificá-los como proibidos pode desvirtuar o seu significado e criar uma relação mais rígida e culpabilizante com a comida”.

“A infância é um período decisivo na formação da relação com a alimentação. Quando as tradições são vividas com equilíbrio, sem culpa ou proibições rígidas, as crianças aprendem que comer é também cultura, afeto e partilha, e não apenas uma questão de controlo ou restrição”, explica ainda a coordenadora, sublinhando que “experienciar o Natal de forma consciente e positiva contribui para o desenvolvimento de uma relação mais tranquila, flexível e saudável com os alimentos ao longo da vida”.

Para os especialistas, é importante sensibilizar que a promoção da saúde começa nos determinantes sociais e culturais, sendo cada vez mais reconhecida a importância de integrar estas dimensões desde cedo, quer no contexto familiar, quer na formação académica de futuros profissionais da área da saúde. Uma comunicação mais equilibrada pode ajudar a desconstruir a ideia de que o Natal é, inevitavelmente, um período “problemático” do ponto de vista alimentar, reforçando antes o seu papel positivo no bem-estar emocional das famílias.

Num momento em que o discurso público tende a intensificar o controlo alimentar, esta abordagem convida pais e cuidadores a recentrar o foco no exemplo, na rotina e na qualidade da experiência à mesa, promovendo uma relação mais saudável e consciente não só no Natal, mas durante todo o ano.

Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças
A OralMED, maior rede de medicina dentária em Portugal, alerta hoje para as perigosas consequências do uso excessivo e...

O ECDC calcula que a resistência antibiótica esteja já a causar a morte a aproximadamente 25 mil pessoas por ano na Europa. Este comportamento assenta numa perigosa falácia: a de que o antibiótico pode "curar" uma infeção dentária. Na realidade, um antibiótico não trata a causa de um problema oral, como uma cárie ou um dente fraturado. Na melhor das hipóteses, mascara temporariamente os sintomas, permitindo que a infeção progrida de forma silenciosa e cause danos mais severos no futuro.

“Estes dados são um sério alerta. Estamos a criar uma ‘tempestade perfeita’ em Portugal, onde o medo do dentista e as barreiras no acesso se juntam a uma cultura de automedicação”, afirma Dr. Nuno Cintra, Diretor Clínico do grupo OralMED Medicina Dentária. “As pessoas precisam de compreender que um antibiótico não é um analgésico e não trata uma cárie. Adiar a visita ao dentista e tomar um antibiótico sem o devido diagnóstico não só alimenta a crise global de resistência antimicrobiana, como é uma falsa solução para um problema que, inevitavelmente, se irá agravar.”

Os especialistas alertam que, mesmo quando prescritos por um profissional, os antibióticos são eficazes apenas contra as infeções bacterianas. O uso desnecessário destes medicamentos contribui para que as bactérias se tornem mais fortes, tornando os antibióticos ineficazes quando são verdadeiramente precisos. Além disso, a interrupção do tratamento antibiótico, que ocorre frequentemente por aparente melhoria dos sintomas, ou a automedicação, com base em episódios anteriores agrava ainda mais o problema.

Ao primeiro sinal de sintomatologia dolorosa ou desconforto dentário, a solução passa por procurar um médico dentista. Apenas um diagnóstico clínico pode identificar a causa do problema e definir o tratamento e a terapêutica adequados, garantindo a saúde do paciente e contribuindo para a segurança de toda a comunidade.

Dermamatica
Sam Izadloo, estudante ucraniano da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (UCP), apresentou na Web Summit a...

A plataforma foi desenvolvida para apoiar médicos de cuidados de saúde primários no primeiro contacto com o paciente, utilizando Inteligência Artificial (IA) explicável e multimodal para analisar imagens da pele e fornecer uma avaliação de risco imediata. Com recurso a apenas uma fotografia, os clínicos recebem um índice de risco (risk score) e um mapa de destaque visual (heatmap) que destacam as características que motivaram a avaliação da IA, contribuindo para acelerar a tomada de decisão médica.

A solução pretende responder a um desafio persistente na saúde: os atrasos e incertezas na deteção precoce do cancro da pele, muitas vezes causados pelo acesso limitado a dermatologistas e pela dificuldade dos médicos de família em avaliar lesões durante consultas de rotina. Equipando os cuidados primários com inteligência visual avançada, a Dermamatica tem por objetivo agilizar o percurso do paciente, permitindo que casos de alto risco cheguem mais cedo a especialistas.

“Esta inovação oferece resultados interpretáveis, permitindo que os médicos compreendam por que motivo uma lesão pode ser suspeita e apoiando decisões mais informadas. Este nível de transparência é fundamental para criar confiança na IA aplicada à medicina”, afirma Sam Izadloo, fundador da plataforma. “A Web Summit foi um momento decisivo: recebemos interesse de investidores, clínicos e especialistas em IA que querem acompanhar o desenvolvimento da Dermamatica. Isso dá-nos confiança de que estamos a construir uma solução sólida para a prática clínica”, completa.

A Dermamatica será disponibilizada comercialmente em Portugal. A solução encontra-se atualmente em fase piloto e a equipa está à procura de parcerias com hospitais e clínicas para preparar a documentação necessária – incluindo a conformidade com o regulamento europeu CE MDR –, garantindo que a plataforma cumpre todas as normas aplicáveis em contexto clínico.

Sam Izadloo, de 26 anos, é refugiado ucraniano e estudante do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade Católica Portuguesa. Nascido no Irão e criado na Ucrânia, foi forçado a fugir de Kharkiv quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Universidade de Coimbra
Um grupo de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da...

Coordenado pelo Centro Hospitalar Universitário de Montpellier (CHUM), este projeto reúne instituições de Espanha, França e Portugal, entre as quais a Universidade de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).

De acordo com Joel P. Arrais, docente do DEI e investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), este projeto pretende desenvolver e validar um sistema de telemedicina que permita a monitorização auditiva domiciliária de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina, um fármaco amplamente utilizado em oncologia, mas frequentemente associado a toxicidade auditiva irreversível.

«Através de uma aplicação instalada num tablet com auscultadores de redução ativa de ruído, os doentes poderão realizar testes audiométricos em casa, eliminando deslocações desnecessárias e garantindo um acompanhamento mais equitativo, especialmente em zonas rurais ou com menor acesso a cuidados especializados», explica o coordenador do projeto na FCTUC.

«Para além de propor uma solução tecnológica inovadora de monitorização e prevenção, o CHAFT pretende ainda reduzir as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e contribuir para a sustentabilidade ambiental, ao diminuir deslocações e otimizar recursos hospitalares», sublinha o especialista.

O papel da FCTUC é central na componente de Inteligência Artificial do projeto. A equipa será responsável pelo desenvolvimento de modelos de aprendizagem automática e de análise de dados de sequenciação genómica. O objetivo é identificar novos padrões farmacogenómicos que permitam prever quais os doentes com maior predisposição genética para a perda auditiva induzida pela cisplatina, contribuindo assim para tratamentos personalizados e mais seguros.

«A integração de dados clínicos, audiométricos e genómicos através de IA permitirá antecipar o risco de toxicidade auditiva antes que esta se manifeste, abrindo caminho a uma medicina verdadeiramente personalizada», conclui Joel P. Arrais.

 

APDP
A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) reforça a urgência de uma ação coordenada para a implementação de...

A APDP alerta que a abordagem fragmentada no tratamento de condições como a diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas representa um fardo insustentável para os cidadãos, os sistemas de saúde e a economia. A ausência de uma visão global compromete a eficácia da prevenção, do diagnóstico e do acompanhamento contínuo, resultando em piores prognósticos de saúde e em custos acrescidos para a sociedade.

Este apelo surge na esteira de importantes movimentos a nível internacional, que a APDP encara com esperança, mas também com um sentido de urgência na sua implementação. A recente declaração política da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre DCNT e saúde mental, bem como o novo plano da Comissão Europeia para a saúde cardiovascular, o “Safe Hearts Plan” são sinais inequívocos de que a necessidade de uma abordagem integrada está finalmente a ser reconhecida ao mais alto nível.

O documento da Comissão Europeia refere que, entre 2025 e 2050, a prevalência de doenças cardiovasculares poderá aumentar 90%. A APDP lembra que este número alarmante está intrinsecamente ligado à epidemia da diabetes e da obesidade, que o próprio plano identifica como um desafio com "foco insuficiente na prevenção".

"Viver com diabetes é uma realidade diária que exige mais do que consultas médicas esporádicas, requer um ecossistema de saúde que integre várias especialidades médicas, apoio nutricional, bem-estar psicológico, atividade física e literacia em saúde", afirma José Manuel Boavida, Presidente da APDP. "A declaração da ONU e os planos europeus são fundamentais, mas não podem permanecer no papel. É imperativo que se traduzam em financiamento adequado e em políticas concretas que cheguem a quem vive com a doença, como é sublinhado por iniciativas como as da Non Communicable Disease Alliance."

A APDP apela ao Governo Português que lidere pelo exemplo e defenda ativamente junto das instâncias de saúde a rápida implementação e fiscalização destas estratégias. É crucial garantir que a resposta às DCNT seja uma prioridade transversal, refletida em todos os programas de saúde e políticas associadas, para que a Cobertura Universal de Saúde seja uma realidade plena e eficaz para todos.

E deixa ainda o desafio: "Pedimos à Comissão Europeia e às autoridades nacionais a garantia de que os protocolos de rastreio e prevenção, as vias de tratamento integrado e o investimento em inovação digital, previstos neste plano, sejam tão consistentes para a gestão da diabetes, como para as doenças cardiovasculares."

 

Sistema de exclusão do apêndice auricular esquerdo
A Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho tornou-se o primeiro hospital em Portugal a implantar o sistema de exclusão do apêndice...

O procedimento pioneiro foi realizado pela equipa de Cirurgia Cardiotorácica, liderada por Paulo Neves, e coloca o hospital num grupo de elite de centros europeus que introduziram esta tecnologia em simultâneo com países como Áustria, França, Alemanha, Itália, Espanha e Irlanda.

O sistema Penditure™ é um clipe implantável que representa um avanço face aos métodos tradicionais de sutura. O seu design curvo adapta-se melhor à anatomia do coração e, por não ter tecido na sua composição, visa reduzir o risco de inflamação. A principal inovação do sistema é a sua capacidade de ser recapturado, reposicionado e reimplantado durante o procedimento, o que proporciona um nível de controlo e segurança sem precedentes para a equipa cirúrgica.

"Estamos extremamente orgulhosos por sermos o primeiro centro em Portugal a utilizar o sistema Penditure™. Esta tecnologia representa um avanço significativo na nossa capacidade de proteger os nossos doentes do risco de AVC de forma mais segura e controlada", afirmou o cirurgião João Pedro Monteiro. "A possibilidade de reposicionar o clipe durante a cirurgia dá-nos uma confiança acrescida para garantir o melhor resultado possível para cada doente."

A introdução desta tecnologia em Portugal faz parte do lançamento europeu do dispositivo, que já foi utilizado em mais de 10.000 doentes em todo o mundo.

A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais comum e aumenta em cinco vezes o risco de AVC. Na maioria destes doentes, os coágulos sanguíneos que causam o AVC formam-se no apêndice auricular esquerdo, uma pequena bolsa no coração. As diretrizes clínicas recomendam o encerramento (oclusão) do AAE durante a cirurgia cardíaca para impedir que esses coágulos entrem na corrente sanguínea.

 

UMinho
A Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) inaugurou a Biblioteca Prof. José Guilherme Monteiro, no Famalicão IN-Hub,...

O IN-Hub situa-se na freguesia de Vale de São Cosme, em Famalicão, e acolhe diversos laboratórios, em especial da UMinho. A nova biblioteca está instalada no Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental (CEORLab) do Centro de Física da ECUM. Inclui cerca de 150 livros publicados entre 1935 e 2020, mais de 500 edições periódicas das sociedades Francesa, Britânica e Portuguesa de Oftalmologia e, entre outros materiais, a coleção completa da revista “New Scientist”, de 1972 a 2020, que ultrapassa os 2500 exemplares.

José Guilherme Monteiro colabora com a UMinho desde 2018, nomeadamente na formação contínua em Patologia Ocular e no apoio a investigadores e estudantes de mestrado e doutoramento. Em 2024, propôs oferecer parte significativa da sua biblioteca, incluindo obras que pertenceram ao seu pai, também ele oftalmologista. José González-Méijome ajudou no transporte de mais de 20 caixotes de volumes, desde a casa do benfeitor, na Aguda (Gaia): “Graças a este novo espaço em Famalicão, conseguimos responder afirmativamente ao desafio e também honrar este legado”, referiu.

O espólio da biblioteca destina-se à consulta e utilização pela equipa do CEORLab, mas outros membros da academia e da sociedade também podem aceder, mediante pedido prévio. Entre os projetos em curso, este laboratório está a desenvolver dispositivos de avaliação e tratamento visual para a população jovem, com a parceria do grupo EssilorLuxottica; e a realizar um projeto de avaliação visual das crianças dos 6 aos 12 anos das escolas do concelho de Famalicão.

José Guilherme Monteiro nasceu em 1943, no Porto. Formou-se em Medicina pela Universidade do Porto, foi assistente de farmacologia na Universidade de Luanda e, regressado a Portugal, fez o internato de oftalmologia no Hospital de Santo António (Porto) e cofundou e dirigiu o Serviço de Oftalmologia do Hospital Pedro Hispano (Matosinhos). Após a aposentação, exerceu oftalmologia no seu consultório no centro do Porto e no grupo Trofa Saúde (Hospital da Boa Nova e Hospital de Dia da Maia). Dedica-se também à investigação, à fotografia e à escrita, sendo autor de livros como “A História do Glaucoma”.

 

Universidade de Coimbra
Desenvolver uma nova estratégia terapêutica para o tratamento do carcinoma da mama triplo negativo, uma forma agressiva de...

O cancro da mama triplo negativo é um subtipo agressivo de cancro, muito diverso, sendo mais comum em mulheres jovens. Atualmente, há várias abordagens terapêuticas, mas o projeto ANTICELLURONIC pretende criar uma nova abordagem para “atacar” de forma mais rápida as células tumorais.

Para atingir este objetivo, a equipa “vai criar conjugados inovadores de ácido hialurónico com ligantes autoimolativos ligados a anticorpos ou outros agentes terapêuticos, capazes de reconhecer e entrar seletivamente nas células tumorais, libertando o fármaco no interior celular e permitindo atingir antigénios intracelulares até agora inacessíveis”, avança a docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, Ana Rita Ramalho Figueiras.

A coordenadora do projeto explica que “esta abordagem procura ultrapassar as limitações das terapias atuais, permitindo maior especificidade tumoral, redução de toxicidade sistémica e ampliação do leque de alvos terapêuticos relevantes no carcinoma da mama triplo negativo”.

Com esta investigação “espera-se demonstrar, em modelos in vitro e in vivo, maior acumulação tumoral, eficácia antitumoral e mecanismos celulares consistentes com o bloqueio de alvos intracelulares críticos”, acrescenta Ana Rita Ramalho Figueiras.

O projeto liderado pela docente Ana Rita Ramalho Figueiras envolve uma equipa multidisciplinar da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, incluindo especialistas em tecnologia farmacêutica e química farmacêutica, nomeadamente Francisco Veiga, Ivana Jarak, Isabel Rita Barbosa e Cátia Domingues.

Nas áreas de biologia molecular, farmacologia, modelos pré-clínicos e interface clínica conta com a colaboração de uma equipa internacional constituída por Carmen Alvarez-Lorenzo, Angel Concheiro e Barbara Blanco-Fernandez, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Santiago de Compostela, e por Horacio Cabral, afiliado à Universidade de Tóquio. Na equipa colaboram ainda dois consultores, João Conde e Maria Guadalupe Cabral, da Universidade Nova de Lisboa.

Vai estar em curso até setembro de 2028, sendo financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com mais de 200 mil euros (205 448,4, mais precisamente). 

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