RIDAI – Registo Nacional Informático de Doenças Autoimunes
O Núcleo de Estudos de Doenças Auto-Imunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) anuncia a reativação e...

Após um processo de atualização tecnológica e metodológica, o RIDAI já recuperou doentes previamente registados, conta com 40 centros de autoimunidade de norte a sul do país e ilhas e mais de 6.500 doentes registados, consolidando-se como um dos maiores registos nacionais ativos na área. Esta nova plataforma permite ainda alargar a abrangência a patologias complexas, como o Lúpus Eritematoso Sistémico, Esclerose Sistémica, Miopatias Inflamatórias, Síndrome de Sjögren, entre outras.

“A reformulação do RIDAI nasceu da necessidade imperiosa de dotarmos a Medicina Interna de uma ferramenta robusta para gestão e estudo das doenças autoimunes — capaz de integrar PROs, seguir a eficácia e segurança dos tratamentos e identificar preditores de resposta,” afirma Dr. Carlos Carneiro, Coordenador do NEDAI.      E acrescenta: “Com uma visão nacional e multidisciplinar, o RIDAI permite comparar perfis de doença e terapêuticas entre centros, gerar alertas clínicos e apoiar decisões que melhoram a qualidade de vida dos doentes.”

A nova infraestrutura digital foi desenvolvida em parceria com a TonicApp, a IQVIA e a Is4science e assegura elevados padrões de qualidade e confidencialidade, através da encriptação dos dados e da recolha de informação validada sobre características clínicas, laboratoriais, terapêuticas e de estilo de vida. O registo de comorbilidades, vacinação, eventos adversos, escalas de atividade da doença e dados de estilo de vida é padronizado e validado a cada consulta.

O processo de recolha é realizado com consentimento informado, devidamente autorizado pela Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC), e encontra-se sincronizado com o INFARMED para notificação de reações adversas, reforçando o papel do registo na farmacovigilância e na monitorização pós-comercialização dos medicamentos utilizados em doenças autoimunes.

Os dados reunidos pelo RIDAI permitem caracterizar a população portuguesa com doenças autoimunes, avaliar o impacto das diferentes estratégias terapêuticas e identificar fatores de prognóstico e de resposta ao tratamento. Esta informação é também essencial para a produção científica nacional e para a integração de Portugal em redes internacionais de investigação. Segundo o Dr. Carlos Carneiro, “o objetivo é tornar o RIDAI uma plataforma de referência nacional e internacional, aberta à colaboração com outras especialidades e capaz de incorporar, num futuro próximo, ferramentas de inteligência artificial para análise preditiva e apoio à decisão clínica”.

O projeto é coordenado pelo NEDAI/SPMI e representa uma evolução natural do trabalho iniciado com o RIAR – Registo Informático de Artrite Reumatoide – criado em 2003 e posteriormente expandido a outras patologias. Desde então, o registo tem contribuído para melhorar a vigilância clínica, a uniformização de critérios diagnósticos e a avaliação de resultados em saúde, consolidando a posição da Medicina Interna portuguesa como pilar fundamental no estudo e no tratamento das doenças autoimunes.

 

Do diagnóstico precoce à terapêutica personalizada
Sob o mote “do diagnóstico precoce ao tratamento personalizado: a evolução da Pneumologia”, decorre entre os dias 4 e 6 de...

De acordo com a Comissão Organizadora - Patrícia Mota (presidente), Raquel Marçôa (vice-presidente), David Coelho (secretário) e Eduarda Tinoco (secretária) – esta edição visa “dar continuidade e reforçar o legado deste evento, uma referência da Pneumologia nacional, reconhecido pela sua qualidade crescente, refletida tanto na relevância e diversidade dos temas abordados, como no elevado nível dos palestrantes nacionais e internacionais convidados ao longo dos anos”.

Com este legado como ponto de partida, a escolha do tema pretende sublinhar “a notável evolução observada nas últimas décadas no diagnóstico e tratamento da patologia respiratória, com impacto direto na qualidade de vida e no prognóstico dos doentes. O diagnóstico precoce tem-se afirmado como um elemento central em várias áreas da Pneumologia, nomeadamente na Oncologia, nas Doenças Obstrutivas e nas Doenças Pulmonares Intersticiais, beneficiando mais recentemente do contributo da Inteligência Artificial. Paralelamente, com a abordagem da terapêutica personalizada pretendemos evidenciar a eficácia e segurança de novos fármacos e moléculas dirigidos a vias e alvos específicos, ampliando o arsenal terapêutico disponível para estas patologias”.

Para concretizar estes objetivos, o programa definido é descrito como “abrangente, atual e alinhado com as necessidades da prática clínica em Pneumologia”. No entanto, apesar de incluir as principais áreas da especialidade, haverá um enfoque particular nos avanços mais recentes nas Doenças Obstrutivas, nas Doenças Pulmonares Intersticiais, na Oncologia Pneumológica e na Pneumologia de Intervenção. A Inteligência Artificial terá também um papel de relevo, desde a sua aplicação no diagnóstico até áreas mais específicas, como o transplante pulmonar.

Antes das sessões científicas, o Congresso arranca com quatro cursos cujos temas “foram escolhidos tendo em conta áreas de formação essenciais e muito relevantes para a prática pneumológica”: (1) Doenças Pulmonares Intersticiais: Diagnóstico Diferencial e Estratégias Terapêuticas, (2) Desafios da Broncoscopia Terapêutica, (3) Hipertensão Pulmonar na Prática Pneumológica e (4) Urgências Pneumológicas: do Reconhecimento à Intervenção Precoce.

A par da vertente formativa, a colaboração interdisciplinar assume também um lugar central nesta XXXIII edição com a organização a destacar que “o programa espelha a relevância dada à colaboração interdisciplinar, quer através de sessões onde contamos com a presença de médicos de outras especialidades, quer pela participação ativa de outros grupos de profissionais”. No que respeita às especialidades médicas envolvidas, o Congresso contará com a presença da Radiologia, Anatomia Patológica, Cirurgia Torácica, Fisiatria, Infeciologia, Medicina Geral e Familiar, Medicina do Trabalho, Otorrinolaringologia e Cirurgia Geral. Estão ainda previstas uma sessão organizada por cardiopneumologistas e outra por enfermeiros.

Com esta combinação entre atualização científica, formação e partilha multidisciplinar a Comissão Organizadora acredita que “será uma edição que manterá a excelência e qualidade que caracterizam este congresso e o afirmam como uma referência na Pneumologia, agora num local icónico da cidade do Porto”.

Para mais informação sobre o evento: https://pneumologiadonorte.com/

 

Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência
Chega às livrarias a 27 de janeiro Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência, de Luís Portela, o livro que está na origem da...

Aparentemente, a Humanidade tem feito uma grande progressão no domínio tecnológico, mas, mantendo-se embriagada com a exploração material e distraída com um mar de futilidades, tem deixado para segundo plano a exploração do espiritual. O ter tem-se sobreposto ao ser. E, recentemente, parece que já nem faz falta ter, basta parecer.

Tendo assumido a ilusão tal dimensão, parece oportuno procurar recentrar o Homem no âmago do ser. Foi o que Luís Portela procurou fazer neste livro, cruzando os saberes tradicionais com os resultados da investigação científica recente e sugerindo um prévio despojamento de conceitos e preconceitos, uma grande abertura a uma perspetiva diferente dos conhecimentos aceites pela cultura vigente. Ou seja, uma real abertura do leitor a perspetivar o Universo a partir do seu eu espiritual.

A obra tem sido amplamente elogiada por figuras de referência do meio académico e cultural. Maria de Sousa (1939 – 2020) já havia sublinhado que “A melhor bagagem para iniciar a viagem da leitura deste livro é uma mala vazia de tudo menos da surpresa de se deixar conduzir pela visão de um homem mais conhecido pela sua vida empresarial de êxito […]”.

Para Mário Cláudio, “Luís Portela oferece o visível a quem já vê, levantando do mesmo passo, a quem aspira a ver um pouco mais, a cortina que esconde paisagens por enquanto não de todo evidentes”.

Também Mário Simões, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, destaca o impacto desta obra: “Após a sua leitura, fica-se com um sentimento de coerência do sentido da vida, mas também com um conhecimento que nos desperta uma paz inquieta, para querer saber mais”.

Este livro serviu de inspiração à série documental dedicada ao tema da ciência e espiritualidade, que contou com o apoio da Fundação Bial. Para Além do Cérebro procura desafiar tabus, ao explorar a forma como a ciência encara questões que, durante muito tempo, foram consideradas marginais, tais como a telepatia, a mediunidade, as experiências de quase morte e as alegadas memórias de vidas passadas.

Filmada em vários países e apresentada por Luís Portela, presidente da Fundação Bial, e pelo jornalista da RTP, Mário Augusto, a série conta com a orientação científica do neurocientista Nuno Sousa e integra testemunhos de cerca de 50 cientistas e especialistas de instituições internacionais de referência, como o King’s College London, a Universidade de Liège, a Universidade de San Diego e a Universidade da Virgínia, entre outras.

Com Ser Espiritual: Da Evidência à Ciência, Luís Portela propõe não respostas fechadas, mas um caminho de questionamento informado e aberto, onde ciência e espiritualidade deixam de ser domínios opostos para se tornarem partes complementares de uma mesma procura: a compreensão mais profunda do que significa ser humano.

 

As conquistas do primeiro ano da APCCEREBRO
Foi com base “na falta de acompanhamento e de informação acessível e credível para os doentes, as suas famílias e os cuidadores...

Foi um ano intenso: da implementação de campanhas de sensibilização à organização de atividades de participação cívica, cultural e desportiva, o objetivo é hoje o que começou por ser: “mobilizar e apoiar todas as pessoas que contactam direta ou indiretamente com esta doença”. Mas com um orgulho acrescido, porque, explica Renato Daniel, foi possível “criar, em apenas um ano, uma estrutura de apoio psicológico e emocional robusta, totalmente assente em voluntariado, que presta apoio gratuito a doentes, familiares e cuidadores de pessoas com cancro no cérebro”.

Um serviço que, confirma, terá de ser reforçado “com maior investimento financeiro, para lhe dar ainda mais solidez”, mas que não deixa de ser um feito a destacar, sobretudo “num contexto em que o apoio psicológico muitas vezes escasseia no Serviço Nacional de Saúde”. Trabalho que confirma que “o setor social pode ter um papel ativo e complementar, como é o caso da APCCEREBRO”.

A esta conquista junta-se outra: a criação de uma linha telefónica de apoio emocional, desenvolvida em colaboração com a Associação Académica de Coimbra, em parceria com a SOS Estudante, que “permite que, em momentos de solidão ou maior fragilidade emocional, doentes, cuidadores ou familiares encontrem do outro lado uma voz disponível para escutar e apoiar”.

Apesar do muito que foi feito, a APCCEREBRO quer fazer mais, sobretudo por reconhecer a dificuldade de chegar a muitos doentes. “Estamos numa fase inicial, ainda a dar-nos a conhecer junto dos próprios doentes e da comunidade médica, o que é perfeitamente natural numa associação tão jovem. Ainda assim, a verdade é que já conseguimos ajudar pessoas. Um dos testemunhos que mais me marcou foi o de um doente que nos contactou depois de lhe ter sido transmitida, num hospital, uma verdadeira sentença de morte. Estava apenas a ser acompanhado com medicação para garantir algum conforto no fim de vida. Ao entrar em contacto com a Associação, conseguimos prestar-lhe apoio, ouvir a sua história e orientá-lo com base na experiência partilhada por outros doentes”. Um apoio que tornou possível que, hoje, este doente tenha conseguido estabilizar a doença “e recuperar alguma esperança”.

“É isso que justifica tudo o que fazemos”, reforça Renato Daniel. “Seja através do apoio emocional, seja através das campanhas de sensibilização, tentamos dar cor, esperança e um novo olhar a diagnósticos muitas vezes vividos como totalmente negros. Foi isso que procurámos fazer, por exemplo, com a campanha ‘Desde o Dia em que te Conheci’, e é isso que continua a motivar-nos todos os dias.”

Em relação ao futuro, o presidente da APCCEREBRO identifica três grandes desafios: reforçar o gabinete de apoio psicológico e emocional e a linha de apoio com “mais voluntários, mais profissionais envolvidos e uma maior articulação com hospitais e com a comunidade médica, algo essencial para chegar a mais doentes”; conquistar mais financiamento, e estimular a investigação científica. “Queremos reforçar a disponibilização de informação científica credível através do relançamento do nosso website, mas também começar a trabalhar, já no próximo ano, no apoio e na promoção de iniciativas de investigação na área dos tumores do sistema nervoso central.”

A par destes objetivos, a APCCEREBRO encontra-se também a preparar o lançamento do inquérito nacional Viver com Glioma 2026, desenvolvido em parceria com a farmacêutica Servier Portugal. Trata-se de uma iniciativa pioneira em Portugal que pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade das pessoas diagnosticadas com glioma, através da recolha de dados sobre o impacto clínico, social e emocional da doença.

O inquérito, que se encontra atualmente em curso e disponível para preenchimento, dirige-se a doentes, familiares e cuidadores. Para a Associação, esta iniciativa representa “um passo fundamental para dar voz aos doentes e contribuir para uma melhor compreensão da doença, com impacto futuro na investigação, na sensibilização e na definição de respostas mais adequadas”.

 

Peça: “Agora Noutro lugar”
Um homem entra num cemitério para pedir o divórcio à mulher que já morreu. Porque é mais fácil odiar uma ex-mulher do que amar...

O texto é da autoria de Marine Antunes, para ser interpretada pelo marido, o ator Tiago Castro e parte da sua experiência pessoal: sobreviveu ao cancro e perdeu um namorado com cancro. “’Agora Noutro Lugar’ é uma proposta íntima, frontal e desconcertante, que fala da perda, da doença, do medo e do amor com brutal honestidade e uma dose inesperada de humor. Um espetáculo comovente, que procura tocar o público sem moralismo, apenas com verdade”, esclarece Marine Antunes.

Em Portugal, estima-se que todos os anos cerca de 100 mil pessoas tenham necessidade de cuidados paliativos, por doenças graves e/ou incuráveis. Situações que afetam os doentes e quem lhes é mais próximo, e que precisam de um acompanhamento em todas as fases da doença, que se estendem ao processo de luto, quando necessário. “Infelizmente, em Portugal, esse apoio só chega a cerca de metade das pessoas que dele necessitam, e de uma forma muito desigual ao longo do País”, alerta Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.  

O alerta para esta situação de iniquidade é o mote da campanha de comemoração dos 30 anos da APCP, na qual se enquadra a exibição desta peça. “É urgente cumprir o compromisso de um acesso universal aos cuidados paliativos, que permitam o alívio do sofrimento, promoção de dignidade e qualidade de vida em todas as fases da doença. Trata-se de um direito consagrado na lei desde 2012, que continua por cumprir. É, por isso, fundamental continuar a alertar para o tema e despertar consciências para esta situação. A forma sensível como esta peça aborda o luto e a ausência, numa fase prematura da vida, ajuda-nos a refletir de uma forma especial sobre esta temática e a necessidade de apoio. É com especial gratidão que acolhemos o envolvimento e apoio deste espetáculo para a causa dos cuidados paliativos”, reforça Catarina Pazes.

Tiago Castro é um ator com vasta experiência em televisão, cinema, teatro, dobragens e publicidade. Participou em várias produções televisivas e integrou filmes como ‘Soldado de Milhões’, ‘André Valente’ e ‘Jersey Shore Massacre’. Com formação em representação pela ESTC, William Esper Studio e Michael Howard Studio (Nova Iorque), tem ainda um percurso sólido em teatro, com atuações em Portugal e nos EUA.

O encenador Marco Medeiros fundou a companhia de teatro Palco 13, da qual é o atual diretor artístico. Em teatro, encenou mais de 30 espetáculos como diretor de atores e dirigiu 19 produções para todos os canais nacionais e plataformas de streaming, como HBO, Amazon Prime Vídeo, Netflix e Globo Play. Atualmente, além dos projetos de teatro e ficção, dirige 2 oficinas de interpretação e é professor na Escola Profissional de Cascais.

A peça sobe ao palco no dia 30 de janeiro de 2026, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, às 21h00. Bilhetes à venda na ticketline

 

Universidade de Coimbra
O Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) promove na quinta-feira, dia 22, no UC...

Refletindo o crescente interesse científico e social na área das encefalites autoimunes, o evento regressa com uma dimensão alargada e pretende criar um espaço de apoio e diálogo, aproximando a investigação clínica da prática clínica e da experiência vivida pelos doentes.

Esta edição vai contar com uma novidade: uma sessão dedicada a testemunhos de pessoas afetadas pela encefalite autoimune, com a participação de doentes e cuidadores. Ao longo do dia, vão decorrer também outras atividades: uma mesa-redonda com especialistas nacionais, duas sessões de discussão, apresentações científicas sobre encefalites autoimunes e palestras de dois oradores internacionais – Harald Prüss, do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas, e Laura Mantoan, do King’s College London.

“O GENIE pretende chegar a cada vez mais doentes, familiares e outros elementos do público e integrá-los na associação, valorizando o seu contributo e envolvimento no conhecimento da doença”, explica a investigadora do CNC-UC e presidente do GENIE, Ester Coutinho.

Esta associação, criada por investigadores do CNC-UC, tem como grande missão contribuir para o avanço do conhecimento e para a sensibilização na área das encefalites autoimunes. É constituída por investigadores nas áreas das neurociências e da comunicação de ciência e por médicos de diversas especialidades clínicas.

As encefalites autoimunes são um conjunto de doenças que se caracterizam pela inflamação do tecido cerebral. Podem afetar pessoas de todas as idades, desde crianças a idosos. Resultam da conjugação de uma suscetibilidade genética com fatores ambientais, podendo ser desencadeadas por algumas infeções.

“É muito importante para investigadores e clínicos estar em contacto com a realidade de quem convive com as encefalites autoimunes, assim como com as famílias e cuidadores”, remata a presidente do GENIE.

O programa do encontro está disponível em https://cnc.uc.pt/pt/2o-encontro-genie. A inscrição para participação no evento deve ser feita através do endereço de e-mail [email protected].

 

Identificar os sinais de um AVC e agir atempadamente
O projeto educativo FAST Heroes, que educa crianças para que saibam identificar os principais sintomas do Acidente Vascular...

“Estamos incrivelmente orgulhosos por alcançar este marco e gratos a todas as pessoas que o tornaram possível, incluindo professores, profissionais de saúde, pais, avós e, claro, as crianças”, afirma Jan Van der Merwe, um dos criadores do projeto FAST Heroes. “A missão continua e esperamos agora educar o próximo milhão de crianças. Juntos, podemos salvar o mundo, um avô de cada vez.” 

Ao longo da vida, uma em cada quatro pessoas terão um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que continua a ser a principal causa de morte e incapacidade em Portugal e a segunda causa de morte a nível global, provocando, segundo os dados mais atualizados da Organização Mundial do AVC, cerca de sete milhões de mortes todos os anos.  

O tempo de reação é vital para o sucesso do tratamento e para minimizar as sequelas. Com isto em vista, o FAST Heroes tem a missão de capacitar as crianças entre os 5 e os 10 anos, que frequentemente passam tempo com os avós – uma população de maior risco, ensinando-os a reconhecer os sinais de um AVC e a ligar imediatamente para o 112. 

A aprendizagem é facilitada por recursos interativos e gratuitos, onde as crianças são guiadas pelos super-heróis Francisco (Face), Fernando (Força) e Fátima (Fala), que as ensinam a detetar os três principais sinais de AVC. O herói Tomás (a Tempo) reforça a mensagem central: cada segundo conta e é preciso agir rápido. Desta forma, as crianças assumem um papel ativo na proteção da saúde familiar e tornam-se embaixadoras da iniciativa em sua casa, e não só. Ao partilharem este conhecimento vital, garantem que todos os familiares aprendem também a reconhecer os sinais de um AVC e agir atempadamente. 

Desenvolvido em parceria com o Departamento de Políticas Educativas e Sociais da Universidade da Macedónia, o FAST Heroes é apoiado por entidades como a Organização Mundial do AVC, a Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC), a Direção-Geral da Educação (DGE) e a Iniciativa Angels. 

O projeto já chegou a cerca de 30 países e continua a expandir-se em Portugal com o objetivo de chegar a cada vez mais escolas e famílias. Professores e encarregados de educação podem inscrever as suas turmas ou crianças de forma gratuita, juntando-se a este movimento global de pequenos heróis através do site oficial.  

 

Dia Mundial do Líquen Escleroso Vulvar
Amanhã, dia 17 de janeiro comemora-se o Dia Mundial do Líquen Escleroso Vulvar, uma doença dermatológica crónica que, apesar de...

O líquen escleroso vulvar manifesta-se através de sintomas como prurido intenso, dor, pele esbranquiçada e fina e desconforto genital, que em fases avançadas podem levar a alterações anatómicas significativas e dor durante as relações sexuais.

Um dos maiores desafios associados a esta condição é o atraso no diagnóstico. Devido à sua apresentação variada e muitas vezes confundida com outras patologias vulvares, como candidíase ou atrofia menopausal, o diagnóstico pode demorar até 15 anos, durante os quais muitas mulheres sofrem desnecessariamente com sintomas evitáveis e complicações progressivas.

O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar os resultados terapêuticos e a qualidade de vida das pacientes, uma vez que os tratamentos disponíveis, nomeadamente corticosteroides tópicos potentes e cuidados de manutenção, podem controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas.

“O líquen escleroso vulvar é uma condição crónica que pode ter um efeito devastador na vida de quem o vive, física e psicologicamente. A falta de reconhecimento por parte de muitos profissionais de saúde contribui para atrasos diagnósticos inaceitáveis. A nossa missão, especialmente neste Dia Mundial, é aumentar a consciencialização e incentivar conversas abertas e sem tabus entre as mulheres e os seus médicos” afirma Dra. Mónica Gomes Ferreira, especialista em ginecologia e diretora clínica no ILIVE (Instituto do Líquen Vulvar Escleroso) by MS Medical Institutes.

Este Dia Mundial serve como um apelo à sensibilização pública e médica, sublinhando a importância de informação assertiva, formação clínica contínua e um percurso de cuidados que coloque a mulher no centro.

 

Coimbra
Na sexta-feira, dia 23, vai decorrer o simpósio Vamos falar sobre crianças – da evidência à ação, para fazer um balanço da...

Vai ter lugar no Auditório do Hospital Pediátrico da Unidade Local de Saúde de Coimbra, entre as 09h30 e as 17h00. O evento é de acesso gratuito, mediante inscrição prévia através do link  https://forms.office.com/e/JnkM2Ftm2z.

Nos últimos dois anos, o projeto esteve em curso em nove países e foi criado para treinar profissionais para que adquiram competências que permitam reconhecer precocemente as necessidades psicossociais das crianças e das suas famílias. No âmbito deste projeto europeu, que foi implementado em Portugal por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), foram certificados 82 profissionais, nomeadamente psicólogos, médicos, enfermeiros, professores, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

As ações formativas centraram-se no ensino da metodologia Let’s Talk About Children, “uma intervenção psicossocial criada na Finlândia, pela psiquiatra Tytti Solantus, baseada na evidência, centrada na criança e na família, cujo objetivo principal é a promoção da saúde mental das crianças, bem como a prevenção da transmissão intergeracional de problemas de saúde mental”, contextualiza o docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e especialista em psiquiatria, Joaquim Cerejeira.

Estas formações procuraram promover, através de conversas estruturadas, “a compreensão, a quebra de estigmas e o reconhecimento dos pontos fortes das famílias, resultando em ganhos efetivos para as famílias”, explica o também coordenador do projeto em Portugal. Joaquim Cerejeira sublinha que a metodologia Let’s Talk About Children “foi desenvolvida para ajudar as famílias, profissionais da educação (educadores de infância e professores) e profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e psicólogos) a apoiar o bem-estar, a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças e jovens, em colaboração estreita uns com os outros”.

“Todas as famílias têm pontos fortes únicos, que os membros da família nem sempre reconhecem ou valorizam. A metodologia Let’s Talk About Children é um recurso que ajuda as famílias a identificar e a desenvolver os seus pontos fortes na vida quotidiana e a encontrar soluções para questões difíceis”, sublinha o docente da Universidade de Coimbra.

Desde o arranque em Portugal, em outubro de 2023, o projeto formou 16 grupos de profissionais, o que permitiu certificar, até ao momento, 82 profissionais de diversas áreas e instituições. Por exemplo, foram criados grupos de formação específicos, nomeadamente dois grupos de formação para profissionais da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, um grupo de formação para os profissionais do Agrupamento de Escolas Gardunha e Xisto, bem como grupos gerais que envolveram diversas instituições e profissionais de várias áreas, de diferentes regiões de Portugal continental e ilhas. Oito profissionais obtiveram igualmente a certificação de formadores na metodologia Let’s Talk About Children, para que este método possa continuar a ser implementado em Portugal.

O simpósio de encerramento vai contar com três mesas de discussão dedicadas a temáticas como a implementação da metodologia Let’s Talk About Children em Portugal – com o testemunho de profissionais que participaram na formação –, a construção de serviços de saúde centrados na família e a saúde mental ao longo da vida. A estratégia europeia para a saúde mental vai estar também em destaque no evento, com uma intervenção gravada da eurodeputada Marta Temido.

“Depois de mais de dois anos de capacitação de profissionais, este simpósio é o momento ideal para partilhar os resultados do projeto e refletir sobre como a metodologia Let’s Talk About Children está a contribuir para a saúde mental das crianças em contextos vulneráveis e para a prevenção da transmissão intergeracional de problemas de saúde mental”, destaca Joaquim Cerejeira.

 

Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) está a promover a iniciativa formativa Day at the Cath Lab (D@CL),...

De acordo com Joana Delgado Silva, presidente da APIC e cardiologista de intervenção na ULS de Coimbra, “Esta iniciativa pretende demonstrar, em contexto real de laboratório de hemodinâmica, o papel do balão com fármaco no tratamento da doença coronária calcificada, destacando o conceito de “angioplastia sem pegada”, uma abordagem que permite tratar as artérias sem deixar dispositivos no seu interior.

E acrescenta: "A angiografia continua a ser fundamental para compreender a complexidade da doença coronária e orientar a estratégia terapêutica mais adequada a cada doente. A discussão de casos reais, tecnicamente exigentes, em ambiente de prática clínica contribui de forma decisiva para a formação contínua dos Cardiologistas de Intervenção”.

O D@CL pretende promover ações de formação práticas e dinâmicas, com o objetivo de adquirir ou partilhar conhecimento em procedimentos inovadores e complexos. É uma iniciativa que também permite aos cardiologistas de intervenção conhecerem o dia a dia de uma Unidade de Hemodinâmica do país, num ambiente informal, hands on e de proximidade.

 

Em Braga
O 20.º Congresso Português do AVC realiza-se de 28 a 30 de janeiro de 2026, no Espaço Vita, em Braga, assinalando uma edição...

Integrados no programa científico, mas abertos à participação mesmo sem inscrição no congresso, os cinco cursos pré-congresso, agendados para o dia 28 de janeiro, assumem-se como uma oportunidade única de formação prática e atualização de conhecimentos, dirigidos a profissionais de saúde e a todos os interessados na área do AVC.

O Curso Básico de Trombectomia: da punção à recanalização, coordenado pelo Dr. João Pedro Filipe, é inteiramente dedicado à trombectomia mecânica, proporcionando uma visão clara e estruturada de todo o procedimento. Concebido para quem pretende compreender o processo passo a passo, este curso aborda desde os princípios iniciais até às técnicas de recanalização, constituindo uma base sólida para profissionais que contactam ou pretendem contactar com esta intervenção.

O Curso TC na Hora H: O que não pode escapar, quando parar, sob coordenação da Prof.ª Isabel Fragata, centra-se na interpretação de exames neurológicos em contexto de urgência. A formação pretende capacitar os participantes para uma leitura rigorosa e segura da tomografia computorizada no AVC agudo, apoiando uma tomada de decisão clínica rápida, segura e fundamentada.

Em colaboração com a Medtiles, o Curso Inteligência Artificial em Saúde: da Ciência de Dados ao ChatGPT, coordenado pela Dr.ª Sandra Moreira, explora os fundamentos e as aplicações práticas da Inteligência Artificial (IA) no setor da saúde. Durante quatro horas, os participantes terão a oportunidade de aprender a aplicar a IA Generativa na prática clínica, mesmo sem experiência prévia.

O Curso Via Verde AVC – hands on, coordenado pela Dr.ª Carla Ferreira e pela Dr.ª Ana Rita Silva, é já um marco consolidado no Congresso Português do AVC. De acordo com a Dr.ª Ana Rita Silva, “uma Via Verde AVC rápida e eficaz pressupõe coordenação e trabalho de equipa”, acrescentando que esta formação “irá pôr à prova os conhecimentos dos formandos, promovendo a partilha de experiências entre colegas, a criação de grupos multidisciplinares e a resolução conjunta de cinco casos clínicos”. Esta formação prática afirma-se como um momento de referência para o treino de competências em contexto realista.

Por fim, o Guia Prático do AVC na Fase Aguda para Enfermeiros e TSDT, coordenado pelo Dr. Alberto Fior e pelo Enf. Pedro Martins Rego, destina-se a profissionais que desempenham um papel central nos cuidados à pessoa com AVC. Segundo o Enf. Pedro Martins Rego, “na fase aguda do AVC, cada minuto conta, mas é a força do trabalho multidisciplinar que pode transformar tempo em vida, incapacidade em recuperação e conhecimento em ação”. O coordenador sublinha ainda que este curso constitui “uma janela de oportunidade para aprofundar e atualizar conhecimentos, incluindo novos tratamentos, que fazem toda a diferença no cuidar e na vida da pessoa com AVC”.

Os cursos pré-congresso do 20.º Congresso Português do AVC reforçam o compromisso com a formação contínua, a inovação e a excelência clínica, oferecendo conteúdos atualizados, práticos e orientados para a realidade do dia a dia. A participação nos cursos é possível de forma independente, não sendo necessária inscrição no congresso, o que amplia o acesso a esta oferta formativa de elevada qualidade.

Todas as informações sobre o evento podem ser consultadas no website da SPAVC (https://spavc.org/20o-congresso-portugues-do-avc/).

 

José Manuel Boavida
José Manuel Boavida, presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), foi condecorado esta quarta-feira...

"Recebo esta condecoração com enorme honra e um profundo sentido de responsabilidade, não como um reconhecimento individual, mas em nome de todas as pessoas com diabetes em Portugal e das equipas que, na APDP e em todo o país, trabalham incansavelmente para melhorar as suas vidas", afirma José Manuel Boavida. "Este é um incentivo para continuarmos a lutar por mais acesso, mais inovação e mais apoio para todos, reforçando o papel central da saúde pública na nossa sociedade”, remata.

A Ordem do Mérito destina-se a galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade. A condecoração do presidente da associação de diabetes mais antiga do mundo sublinha a crescente relevância do combate a esta doença crónica, cuja prevalência em Portugal atingiu o valor mais alto de sempre em 2024 (14,2% da população portuguesa).

Segundo dados recentes, mais de 1.1 milhões de pessoas em Portugal vivem com diabetes, o que representa um enorme desafio para o Serviço Nacional de Saúde e para a sociedade. O custo direto da doença foi estimado entre 1.5 e 1.8 mil milhões de euros em 2024, evidenciando a urgência de políticas de prevenção e de apoio eficazes, uma causa que José Manuel Boavida e a APDP têm liderado há várias décadas.

 

Fundação Champalimaud
Viver com um cancro do cérebro significa enfrentar uma doença que transforma profundamente o dia a dia, que impacta diretamente...

Um evento que pretende reforçar a missão da APCCEREBRO e assinalar o lançamento do inquérito nacional “Viver com Glioma 2026”, desenvolvido em parceria com a farmacêutica Servier Portugal. Trata-se de uma iniciativa pioneira em Portugal que tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a realidade das pessoas diagnosticadas com glioma, através da recolha de dados sobre o impacto clínico, social e emocional da doença. Durante a sessão será apresentada a iniciativa e feito um apelo à participação de doentes, familiares e cuidadores neste inquérito nacional que está atualmente em curso e disponível para preenchimento nas redes sociais e canais digitais da APCCEREBRO.

 

Confirmada está já a presença da Dra. Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, e da Dra. Graça Freitas, ex-Diretora-Geral da Saúde.

 

Programa do evento:

 

17h00 | Credenciação / Confirmação de Registo

17h30 | Sessão de Abertura

17h45 | Momento Musical

18h00 | Apresentação dos Elementos Comissão Científica

18h15 | Apresentação dos Elementos da Comissão de Honra

18h30 | Lançamento do Inquérito Nacional “Viver com Glioma 2026”

19h00 | Sessão de Encerramento e Momento Musical

19h15 | Momento Cocktail Final e Networking

 

Veterinário revela
O bem-estar emocional dos animais é um pilar fundamental para a sua saúde física e qualidade de vida. Tal como os humanos, os...

“A felicidade do animal reflete a forma como o tratamos diariamente. Pequenas atitudes, aparentemente simples, podem transformar a vida do animal, contribuindo para a sua saúde mental, equilíbrio emocional e longevidade”, explica António Dias, médico veterinário na Clinicanimal, clínicas veterinárias da Tiendanimal.

 

Brincadeiras estruturadas: estímulo físico e mental

As brincadeiras diárias são essenciais para o desenvolvimento e manutenção do bem-estar dos animais. Jogos de busca, perseguição, resolução de desafios com brinquedos interativos ou sessões de treino mental estimulam tanto o corpo como a mente do animal, prevenindo tédio, ansiedade e comportamentos destrutivos. Este tipo de interação também contribui para a saúde cardiovascular, tonificação muscular e manutenção de um peso saudável, criando uma rotina dinâmica e saudável que reforça sentimentos positivos.

 

Carinho e contacto físico: reforço emocional e confiança

O contacto físico adequado é uma das formas mais eficazes de transmitir segurança e afeto aos patudos. Gestos como afagar, esfregar atrás das orelhas, na barriga ou ao longo do dorso ajudam a reduzir os níveis de cortisol, hormona associada ao stress, e promovem a libertação de neurotransmissores como a serotonina, essenciais para o bem-estar emocional. Estes momentos permitem que o animal associe a presença do tutor a sensações agradáveis, fortalecendo a confiança e a ligação emocional.

 

Comunicação verbal e elogios: influência do tom de voz

A forma como os tutores comunicam com os animais tem impacto direto no seu estado emocional. Tons de voz calmos, positivos e consistentes são reconhecidos pelos animais e contribuem para criar um ambiente seguro e acolhedor. A comunicação verbal reforça comportamentos desejáveis e ajuda os animais a compreenderem rotinas e sinais do tutor, promovendo segurança, confiança e bem-estar.

 

Enriquecimento ambiental: estimular curiosidade e reduzir tédio

O ambiente em que o animal vive deve ser diversificado e estimulante. Arranhadores, plataformas, brinquedos interativos, esconderijos e desafios alimentares incentivam o comportamento exploratório natural e ajudam a prevenir ansiedade e comportamentos repetitivos. O enriquecimento ambiental mantém o animal mentalmente ativo, oferece oportunidades de aprendizagem e estimula a autonomia, resultando em maior satisfação emocional e equilíbrio psicológico.

 

Passeios regulares e exploração: estímulo físico e sensorial

Para cães, os passeios diários proporcionam mais do que exercício físico. O contacto com diferentes cheiros, sons e ambientes permite a estimulação sensorial e cognitiva, satisfazendo instintos naturais e promovendo experiências positivas. Esta prática reduz stress, aumenta a confiança e contribui para a socialização saudável, permitindo que o animal explore de forma segura o mundo à sua volta.

 

Rotina consistente: segurança e previsibilidade

Estabelecer horários regulares para alimentação, atividades e descanso transmite previsibilidade e segurança ao animal. Uma rotina consistente ajuda a reduzir a ansiedade e cria um sentido de ordem no dia a dia, permitindo que o animal antecipe acontecimentos e se sinta mais tranquilo. Animais com rotinas estruturadas apresentam maior estabilidade emocional e menor propensão a desenvolver problemas comportamentais relacionados com stress.

 

Descubra os erros que podem estar a causar desconforto
Vestir roupa aos patudos não é apenas uma questão de estética, mas sim de bem-estar. Com peças adequadas, os cães conseguem...

“Aparentes sinais de desconforto ao vestir roupa nem sempre indicam desagrado. Normalmente, refletem escolhas inadequadas de vestuário, como tamanho, corte ou material, e não a vontade do animal de evitar a peça”, explica Elena Díaz, médica veterinária na Kivet, clínicas veterinárias da Kiwoko.

“Com pequenas escolhas e ajustes corretos, é possível que a roupa se torne uma extensão do cuidado diário, protegendo o animal e proporcionando conforto em diferentes situações”, conclui a médica veterinária.

 

Escolha o tamanho certo

Uma das causas mais frequentes de desconforto é o tamanho incorreto da roupa. Peças demasiado justas podem limitar os movimentos e causar fricção, enquanto roupas largas demais podem prender-se em objetos e dificultar a locomoção. É fundamental medir corretamente o seu cão e escolher uma peça que se ajuste à sua anatomia, permitindo liberdade de movimentos em todas as atividades do dia a dia.

 

Priorize materiais adequados

O tipo de tecido faz toda a diferença no conforto e na saúde do seu cão. Materiais demasiado rígidos ou pouco respiráveis podem irritar a pele e provocar alergias, enquanto tecidos leves, macios e respiráveis protegem, aquecem e permitem a ventilação natural. A escolha do material certo ajuda a manter o animal confortável durante todo o período em que estiver vestido.

 

Observe a liberdade de movimentos

A roupa deve permitir que o cão se mova com naturalidade, seja correr, saltar, sentar ou deitar-se. Verifique se a peça não comprime articulações, ombros ou peito. Uma roupa que respeita a mobilidade não só aumenta o conforto, como também evita alterações posturais ou stress físico ao longo do tempo.

 

Introduza a peça gradualmente

Nem todos os cães se adaptam de imediato à roupa. Comece por períodos curtos, recompensando o animal com carícias ou petiscos, e vá aumentando o tempo de utilização de forma progressiva. Este método garante que o cão associa a roupa a experiências positivas, evitando ansiedade e resistência.

 

Reforce a higiene e manutenção

Roupas sujas ou malcuidadas podem causar irritações e desconforto. Lave regularmente as peças e verifique se não há costuras soltas, botões ou fechos que possam magoar o animal. Um cuidado contínuo com a roupa garante que o cão se mantém confortável e seguro em todas as ocasiões.

 

Acesso a Cuidados de Saúde 2025
São hoje apresentados os últimos Relatórios de Saúde desenvolvidos pela Cátedra BPI | Fundação ”la Caixa” de Economia da Saúde...

Acesso a Cuidados de Saúde 2025 carateriza as escolhas feitas pelos cidadãos desde o momento em que sentem a possibilidade de doença, identificando barreiras no acesso a cuidados de saúde e discutindo as implicações para a equidade e eficiência do sistema de saúde.

Automedicação em Portugal: Práticas, Determinantes e Perfis Comportamentais analisa a forma como os residentes em Portugal gerem, no quotidiano, episódios de doença através do recurso à automedicação. Com base em dados provenientes de um inquérito inédito, o relatório examina quando, como e por que motivos os indivíduos recorrem a esta prática, que informação sustenta essas decisões e em que circunstâncias a automedicação é percecionada como eficaz.

Os investigadores da Nova SBE Pedro Pita Barros (detentor da Cátedra BPI | Fundação ‘la Caixa’ em Economia da Saúde, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE) e Carolina Santos são os autores de ambos dos relatórios.

 

Acesso a Cuidados de Saúde 2025

Em 2025, as barreiras no acesso a cuidados de saúde em Portugal continuam a situar-se acima dos níveis pré-pandémicos, com um impacto particularmente acentuado nas populações socioeconomicamente mais vulneráveis.

A investigação parte da análise dos episódios de doença e revela que, em 2025, 45,5% dos inquiridos reportaram ter tido pelo menos um episódio de doença (um aumento de 3,2 pontos percentuais face a 2023, aproximando-se do máximo registado em 2015 - 46,3%). Embora a probabilidade de ocorrência de episódios de doença aumente com a idade, no período em análise observou-se uma atenuação do gradiente etário provocada por um aumento significativo da incidência de episódios de doença entre os grupos mais jovens (em particular no grupo 15 e os 29 anos, onde a proporção de indivíduos que se sentiram doentes subiu para 36,7%, mais 11,4 pontos percentuais do que em 2023). Este agravamento foi especialmente significativo entre mulheres em situação socioeconómica mais desfavorável.

Paralelamente, mantém-se um forte gradiente socioeconómico na ocorrência de episódios de doença com 67% dos indivíduos do escalão económico mais desfavorecido (vs 39% entre os escalões mais favorecidos) a reportarem ter sofrido um episódio de doença.

Em 2025 a percentagem de indivíduos que ao sentirem-se doentes não recorreram a ajuda profissional no sistema de saúde, aumentou, passando de 11,26% em 2023 para 14,26% em 2025. Entre os indivíduos que, ao sentirem-se doentes, optam por não recorrer a auxílio profissional, 76,4% optaram pela automedicação (sobretudo com base em experiências anteriores com problemas de saúde semelhantes) e cerca de 23,6% preferiram aguardar pela melhoria dos sintomas. A decisão de não procurar cuidados de saúde é maioritariamente justificada pela perceção de baixa gravidade do problema, mantendo-se também os tempos de espera como uma das razões mais frequentemente apontadas (à semelhança do observado em 2023). De entre a população que recorre a serviços de saúde, os indivíduos com 65 ou mais anos são o grupo que apresenta uma maior probabilidade de recorrer ao sistema de saúde (refletindo uma maior perceção de risco de problema sério) e, à semelhança de anos anteriores, a ocorrência de problemas inesperados mantém-se como o principal motivo que leva à procura de cuidados de saúde.

As barreiras financeiras continuam a constituir o principal entrave ao acesso a cuidados de saúde em Portugal, com um acentuado gradiente socioeconómico, particularmente no acesso à medicação. Os indivíduos em situação de maior privação económica apresentam uma probabilidade significativamente superior de não adquirir toda a medicação necessária ao tratamento de um episódio de doença. Este diferencial agravou-se nos últimos anos: enquanto em 2023 a diferença face aos escalões socioeconómicos mais favorecidos era de 40 pontos percentuais, em 2025 aumentou para 51 pontos percentuais.

Os indivíduos dos escalões socioeconómicos mais baixos apresentam também maior probabilidade de não recorrer a consultas ou serviços de urgência por motivos financeiros. Ainda que este gradiente tenha diminuído entre 2023 e 2025 (passando de 21 para 11 pontos percentuais), a existência de barreiras financeiras no acesso a cuidados de saúde sugere que as barreiras financeiras vão além das taxas moderadoras, cuja eliminação progressiva não foi suficiente para eliminar estas desigualdades.

Os resultados mostram ainda que os medicamentos prescritos continuam a representar a principal rubrica de despesa suportada pelos cidadãos, na sequência de uma ida aos cuidados de saúde primários do SNS ou de um serviço de urgência do SNS, e mais de metade dos indivíduos em situação de maior privação económica reportaram não conseguir adquirir toda a medicação necessária, evidenciando que as necessidades de saúde não satisfeitas continuam a estar fortemente associadas a barreiras financeiras persistentes.

No que respeita às barreiras não financeiras, entre 2023 e 2025 registou-se um aumento significativo da probabilidade de cancelamento de consultas e exames por iniciativa do prestador. Em 2025, verifica-se um acentuado gradiente socioeconómico nos cancelamentos de consultas e exames com a probabilidade a variar entre 2,65% nos escalões socioeconómicos mais favorecidos e 19,76% no escalão mais desfavorecido. Este padrão não deverá, contudo, ser interpretado como discriminação ativa do SNS, uma vez que poderá resultar, por exemplo, de desigualdades territoriais na disponibilidade de recursos humanos em saúde’, referem os investigadores.

No que respeita à utilização dos serviços de saúde, entre 2022 e 2025 registou-se uma diminuição da probabilidade de recorrer exclusivamente ao SNS: embora este continue a ser a principal resposta para a larga maioria da população, o recurso exclusivo ao SNS passou de 88% em 2023 para 82% em 2025.

Os cuidados de saúde primários continuam a ser os mais procurados no SNS, sendo de destacar o aumento significativo da utilização da linha SNS 24 resultante do programa “Ligue antes, salve vidas” que não só ajudou a reduzir a procura por urgências no SNS como não provocou um aumento das idas às urgências privadas, tendo incrementado o recurso aos cuidados primários do SNS e a consultas no setor privado.

Este padrão é consistente com os dados aferidos que mostram que 34,40% dos inquiridos já recorreram à linha SNS 24 em algum momento para aconselhamento ou orientação em saúde: menos de metade (47,87%) foi encaminhada para um serviço de urgência hospitalar do SNS, 23,36% foram direcionados para os cuidados de saúde primários do SNS e 23,34% receberam indicação para permanecer em casa e monitorizar os sintomas. Importa ainda salientar o elevado grau de adesão às recomendações fornecidas - 96,9% dos indivíduos encaminhados para as urgências hospitalares efetivamente recorreram a este serviço e 83,58% dos que foram encaminhados para cuidados de saúde primários deslocaram-se à unidade indicada. Em termos de satisfação, a linha SNS 24 apresenta uma avaliação globalmente positiva (61,9% dos utilizadores referem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a orientação recebida). Adicionalmente, a probabilidade de recorrer à linha SNS 24 antes de uma ida às urgências, numa situação futura, é mais elevada entre indivíduos pertencentes a classes económicas mais favorecidas, com níveis de escolaridade mais elevados e entre as mulheres, sugerindo desigualdades sociais no padrão de utilização deste serviço.

O relatório evidencia ainda desafios estruturais persistentes. A cobertura por médico de família no SNS diminuiu de forma significativa, passando de 91% em 2019 para 79% em 2025, com desigualdades claras em função da condição socioeconómica e da região de residência. A escassez de médicos de família afeta de forma mais pronunciada os indivíduos pertencentes a escalões socioeconómicos mais desfavorecidos, bem como os residentes no Algarve, na Grande Lisboa e no Centro Litoral. Esta realidade tem contribuído para um maior recurso a soluções no setor privado: em 2025, a probabilidade de um indivíduo ter médico de família no setor privado ascendia a 14,79%, mesmo após controlo pelas características socioeconómicas da população e pela cobertura no SNS. Perante um episódio de doença, os indivíduos com médico de família no privado apresentam uma maior probabilidade de recorrer exclusivamente a cuidados de saúde nesse setor, influenciando de forma estrutural os padrões de acesso e utilização dos cuidados de saúde.

Por último, a análise da perceção de cuidados prestados com dignidade, compaixão e respeito revela melhorias significativas na população com 80 ou mais anos. Em 2025, a probabilidade deste grupo etário reportar uma experiência positiva ascendeu a 85%, o que representa um aumento de 15 pontos percentuais face a 2023. Ainda assim, em termos globais, os níveis de satisfação com a humanização dos cuidados de saúde permanecem abaixo dos registados nos períodos pré-pandémico e pandémico.

 

Automedicação em Portugal: Práticas, Determinantes e Perfis Comportamentais

Mais de metade dos portugueses já recorreu à automedicação: prática é frequente, muitas vezes eficaz, mas revela desigualdades no acesso aos cuidados de saúde

Mais de metade da população residente em Portugal continental (51,85%) já recorreu à automedicação em algum momento da sua vida. O estudo – baseado num inquérito realizado em dezembro de 2022 junto de 1.066 indivíduos com 15 ou mais anos – revela que a automedicação é uma prática generalizada, frequentemente eficaz em situações de menor gravidade, mas também marcada por desigualdades socioeconómicas e por potenciais riscos quando utilizada como substituto de cuidados de saúde formais.

Automedicação em Portugal: Práticas, Determinantes e Perfis Comportamentais distingue-se por adotar um horizonte temporal alargado, captando não apenas a automedicação recente, mas também experiências passadas, e por incluir tanto medicamentos não sujeitos a receita médica como medicamentos sujeitos a receita médica utilizados sem consulta médica, muitas vezes provenientes da chamada “farmácia caseira”. Esta abordagem permite um retrato mais completo do fenómeno e evidencia uma prevalência de automedicação superior à habitualmente identificada em inquéritos de curto prazo.

Automedicação é comum e, em muitos casos, eficaz

Entre os indivíduos que se automedicaram, cerca de sete em cada dez (68,85%) referiram que, na experiência mais recente, o problema de saúde ficou resolvido sem necessidade de recorrer posteriormente a cuidados de saúde profissionais. A automedicação é utilizada sobretudo para tratar sintomas de gripe ou constipação (53,05%) e dores de cabeça (21,12%), mas estende-se também a problemas mais sensíveis, como ansiedade, depressão, asma ou outras doenças crónicas, o que levanta preocupações acrescidas.

Apesar da taxa global de sucesso, o relatório mostra que níveis mais elevados de confiança na automedicação estão associados a menor probabilidade de sucesso, sugerindo que o excesso de confiança pode conduzir a decisões menos adequadas.

Jovens adultos, trabalhadores e pessoas com maior rendimento automedicam-se mais

A automedicação é mais prevalente entre os adultos jovens, em particular no grupo etário dos 25 aos 34 anos, onde 66,26% afirmaram já se ter automedicado. O fenómeno é também mais frequente entre indivíduos empregados ou trabalhadores por conta própria, que apresentam uma probabilidade 11,5 pontos percentuais superior de já terem recorrido à automedicação, refletindo o custo de oportunidade associado à procura de cuidados médicos formais.

Quando se considera em simultâneo a influência das várias características socioeconómicas, nem a condição económica do agregado familiar nem o nível de escolaridade surgem como determinantes significativos da probabilidade de automedicação ou da sua frequência.

Falta de médico de família está associada a maior recurso à automedicação

O acesso aos cuidados de saúde primários surge como um fator determinante. Entre as pessoas com experiência de automedicação, aquelas que têm médico de família atribuído apresentam uma probabilidade 15,3 pontos percentuais superior de se automedicarem raramente, e probabilidades 10,7 pontos percentuais e 4,6 pontos percentuais inferiores de se automedicarem algumas vezes e muitas vezes, respetivamente, face a quem não tem médico de família no SNS. 

Farmácias desempenham papel central

Mesmo quando optam pela automedicação, a maioria dos indivíduos obtém os medicamentos na farmácia (59,2%), frequentemente com aconselhamento farmacêutico. Ainda assim, 38,2% recorrem a medicamentos que já tinham em casa e que resultam de sobras de tratamentos anteriores (uma prática que pode envolver medicamentos sujeitos a receita médica e aumentar o risco de utilização inadequada).

Comunicação com os médicos continua limitada

Um dado particularmente preocupante é que 63,08% dos indivíduos com médico de família e experiência de automedicação não informam o médico sobre essas práticas. A omissão é mais frequente entre pessoas com menor rendimento e entre indivíduos com níveis elevados de confiança na automedicação, precisamente os grupos em que o risco de uso inadequado pode ser maior.

Dois perfis distintos de automedicação

O relatório identifica dois grandes perfis comportamentais em Portugal. O primeiro, maioritário (56,75%), corresponde a uma automedicação pontual, baseada na experiência prévia e mais comum entre pessoas mais velhas, doentes crónicos e indivíduos com médico de família. O segundo perfil (43,25%) caracteriza-se por uma automedicação mais frequente, motivada sobretudo pela conveniência e pelo custo de oportunidade de recorrer ao sistema de saúde, sendo mais comum entre adultos jovens e profissionalmente ativos.

Implicações para políticas de saúde

Os resultados indicam que a automedicação pode ser uma ferramenta útil de autocuidado, contribuindo para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde quando utilizada de forma informada e responsável. No entanto, quando resulta da falta de acesso a cuidados de saúde primários, pode agravar desigualdades e aumentar riscos para a saúde.

O relatório defende o reforço de estratégias que promovam uma automedicação segura, incluindo o fortalecimento do papel do farmacêutico, a melhoria do acesso aos cuidados de saúde primários e a valorização de recursos como a linha SNS 24. Destaca ainda a importância de promover uma comunicação mais aberta e não punitiva entre médicos e doentes sobre práticas de automedicação.

‘Em suma, a automedicação, quando praticada de forma informada e responsável, pode constituir uma componente relevante da autogestão da saúde, trazendo benefícios tanto para os indivíduos como para o sistema de saúde. Contudo, estes potenciais ganhos só se materializam plenamente se forem adotadas estratégias que promovam práticas seguras, garantam acesso equitativo a cuidados, reforcem a comunicação entre doentes e profissionais e respondam às necessidades específicas dos diferentes perfis comportamentais de automedicação existentes na população’ referem os investigadores.

 

Inquérito revela
Cerca de um quarto das mulheres em Portugal adiaram, cancelaram ou ponderaram alterar uma consulta de rastreio do cancro do...

É perante estes resultados que a iniciativa "Cancro do colo do útero: juntos somos capazes" é lançada com o objetivo de aumentar a consciencialização para a importância do rastreio e do diagnóstico precoce.

“Eliminar o cancro do colo do útero é possível, mas apenas através de uma ação coletiva", afirma Roel Meeusen, Diretor-Geral da Roche Diagnósticos em Portugal. “Estamos empenhados em contribuir para este objetivo e a nossa iniciativa é um passo para isso mesmo, procurando sensibilizar para a importância de reduzir as barreiras ao acesso, normalizar as conversas sobre saúde e rastreio do cancro do colo do útero e permitir que mais pessoas elegíveis participem nos seus exames de rotina.”

O Cervical Cancer Europe Study 2025 revela que, em Portugal, a par de desafios já conhecidos que dificultam o acesso ao rastreio do cancro do colo do útero (essencial para a deteção do HPV, responsável por mais de 99% dos casos da doença¹), como o medo (motivo de adiamento para 24% das inquiridas) e o esquecimento (17%), surge uma dificuldade adicional: a logística da vida agitada e das exigências profissionais.

Bélgica, Itália, Holanda, Polónia, Portugal e Espanha foram os países alvo do estudo, que inquiriu 5.518 utilizadores da internet com idades compreendidas entre os 16 e os 64 anos, 880 dos quais em Portugal2, que revela ainda que, em relação às pessoas que efetivamente adiaram as suas consultas em Portugal, os compromissos profissionais foram o argumento usado por 28%, um valor superior à média dos outros países.

A carga de trabalho elevada realça a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, uma vez que 76% das mulheres que atrasaram a consulta de rastreio trabalham a tempo inteiro e 28% dizem-se sobrecarregadas, o que evidencia a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, pedida por 23% de todas as mulheres inquiridas. 

A esta medida, que consideram que seria capaz de facilitar a comparência às consultas de rastreio do cancro do colo do útero, juntam-se ainda um processo de marcação de consulta mais fácil ou conveniente (33%), uma melhor comunicação por parte dos profissionais de saúde (32%) ou opções alternativas de rastreio, como a auto-colheita vaginal para o teste de rastreio (25%).

O estigma é uma preocupação menor no geral, mas continua a ser mais elevado em Portugal do que nos restantes países: ao todo, 9% das mulheres no nosso país afirmam ter adiado, cancelado ou considerado alterar a sua consulta de rastreio do cancro do colo do útero devido ao estigma, seguido de Espanha (7%), Países Baixos e Itália (ambos com 2%).

No que diz respeito ao apoio masculino, os homens, em Portugal, seguem de perto os espanhóis na intenção de ajudar as suas parceiras: 31% dos inquiridos nacionais ofereceram-se para acompanhar a sua parceira à consulta, e 31% facultaram apoio prático.

As responsabilidades de cuidar de alguém acrescentam outra camada de complexidade, sobretudo para os pais. Nos seis países avaliados, as exigências da vida familiar, para muitos, têm prioridade sobre a saúde pessoal, com 27% das mães inquiridas a referirem que adiaram ou cancelaram consultas de rastreio do cancro do colo do útero.

Todos os anos, o cancro do colo do útero afeta mais de 600.000 mulheres em todo o mundo3, mas é evitável em quase todos os casos através da vacinação, deteção precoce e tratamento de lesões pré-cancerígenas3

Referências: 

  1. Centers for Disease Control, Cancers caused by HPV https://www.cdc.gov/hpv/about/cancers-caused-by-hpv.html?CDC_AAref_Val=https://www.cdc.gov/hpv/parents/cancer.html.
  2. GWI – Roche. Cervical Cancer Europe Study 2025. 
  3. World Health Organisation. Cervical Cancer Factsheet. Available at URL: https://www.who.int/health-topics/cervical-cancer#tab=tab_1

 

Algumas recomendações
As recomendações em caso de desaparecimento de Pessoas com Demência devem articular prevenção, respo

Enquadramento: demência, errância e desaparecimento

- O desaparecimento de Pessoas com Demência é um incidente frequente ao longo da doença e constitui uma das principais fontes de angústia para cuidadores formais e informais;

- Estima‑se que uma proporção relevante destes episódios requeira intervenção das forças de segurança, o que exige protocolos específicos de comunicação e busca;

- A literatura diferencia comportamentos de “wandering” (errância) de “missing incidents” (incidentes de desaparecimento), salientando que estes últimos podem ocorrer mesmo sem historial prévio de errância e envolvem maior risco de dano.

 

Padrões comportamentais relevantes para a busca

- Pessoas com Demência que desaparecem tendem a dirigir‑se para locais previamente significativos, como antigas residências, locais de trabalho ou espaços de lazer habituais, o que torna crucial recolher informação detalhada sobre a história de vida e rotinas;

- Frequentemente deslocam‑se a pé, são encontradas em curtas distâncias (cerca de 2–2,5 km) do ponto de desaparecimento, perto de caminhos/estradas e a caminhar em linha relativamente reta até encontrarem barreiras físicas naturais ou artificiais (vedações, mato denso, valas, carros abandonados);

- Podem isolar‑se em áreas naturais, não responder a quem as chama, não pedir ajuda, despir roupas e deixar poucas pistas físicas, sobretudo se houver delírios persecutórios ou medo de estar a serem repreendidas.

 

Prevenção: recomendações para cuidadores e profissionais

- Promover a literacia em demência e em risco de errância, discutindo desde o diagnóstico a possibilidade de desaparecimentos e estratégias de segurança, incluindo dispositivos tecnológicos e planos de “safe walking”;

- Conversar precocemente com a Pessoa com Demência sobre a utilização de dispositivos de geolocalização ou identificação, ponderando consentimento, privacidade e autonomia; a colocação posterior sem consentimento levanta questões ético‑legais que exigem reflexão interprofissional;

- Elaborar um Perfil individual da Pessoa com Demência, com fotografia atual, contactos, doenças, medicação, zonas de risco, locais significativos, padrões de mobilidade e historial de desaparecimentos, para ser entregue de imediato às autoridades em caso de incidente (modelo disponível pela Alzheimer Portugal);

- Garantir que a pessoa tem sempre identificação visível (documento, cartão, colar ou pulseira) e contactos de emergência; etiquetar a roupa com nome e telefone facilita a identificação se estiver sem documentos;​

- Inscrever a pessoa em programas específicos como a pulseira “Estou Aqui Adultos” da PSP, dirigida a pessoas adultas vulneráveis (por idade ou patologia, como a doença de Alzheimer) que possam ficar desorientadas ou inconscientes na via pública;

- Informar vizinhos, comércio local e instituições da comunidade sobre a demência e tendência para errância, solicitando que contactem a família ou o 112 se virem a pessoa sozinha em situação suspeita.

 

Resposta imediata ao desaparecimento

- Se, após 10–20 minutos de procura nos locais habituais, a Pessoa com Demência não for encontrada, o desaparecimento deve ser reportado às forças de segurança (PSP ou GNR) sem atrasos, dado que o tempo é um fator crítico para o sucesso das buscas;

- A equipa de saúde deve reforçar junto dos cuidadores que não se deve esperar “que volte por si” nem minimizar o risco; a ativação precoce dos meios de segurança está associada a menor morbilidade e mortalidade;

- A busca inicial deve incidir sobre a área envolvente da residência ou último local onde foi vista, incluindo caminhos prováveis, paragens de transporte, zonas de vegetação densa, linhas de vedação, corpos de água, valas e estruturas onde se possa abrigar;

- Deve ser assegurado que alguém permanece em casa caso a pessoa regresse, enquanto outro cuidador se coordena com a PSP/GNR e mobiliza vizinhos e outros recursos comunitários.

 

Cooperação com PSP/GNR e uso de programas específicos

- Ao contactar a PSP ou a GNR, é fundamental fornecer rapidamente fotografia recente, descrição detalhada (roupa, postura, marcha), diagnóstico de demência, medicação, presença de comorbilidades (por exemplo, risco de queda, insuficiência cardíaca, diabetes) e locais onde é provável que se dirija;

- A entrega do Perfil individual previamente preparado agiliza o processo de registo, avaliação de risco e definição de perímetros de busca, permitindo às forças de segurança ativar protocolos específicos para pessoas vulneráveis;

- Sempre que a pessoa use a pulseira “Estou Aqui Adultos”, quem a encontrar deve ligar 112 e facultar o código alfanumérico gravado; a PSP aciona a força de segurança territorialmente competente e contacta os responsáveis registados, promovendo um reencontro célere e seguro;

- Os profissionais de saúde podem e devem divulgar ativamente este programa em consultas de demência, equipas de saúde familiar, unidades de cuidados na comunidade e instituições, integrando‑o nas estratégias de segurança para pessoas em risco de desorientação.

 

Papel dos profissionais de saúde

- Profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas) devem avaliar regularmente o risco de errância e desaparecimento, incluindo alterações comportamentais, padrão de deambulação, capacidade de orientação, uso de transporte e conflitos familiares;

- A intervenção inclui educação estruturada de cuidadores, elaboração de planos de segurança, prescrição/encaminhamento para programas de identificação e articulação com serviços sociais e associações de doentes como a Alzheimer Portugal;

- Após um desaparecimento, recomenda‑se uma consulta de follow‑up para rever causas precipitantes (rotinas, stress, discussões, alterações ambientais, sundowning), reforçar medidas de prevenção e monitorizar impacto psicológico em cuidadores, frequentemente marcado por culpa e medo;

- A documentação clínica deve registar todos os incidentes de desaparecimento, ações realizadas e recomendações dadas, permitindo continuidade de cuidados e eventual partilha de informação essencial com PSP/GNR em futuros episódios.

 

Referências Bibliográficas

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https://alzheimerportugal.org/desaparecimentopessoascomdemencia/

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Associação de Doentes com Lúpus
A Associação de Doentes com Lúpus alerta para a exposição prolongada a corticoesteroides na população de pessoas que vivem com...

Os dados agora divulgados mostram que 87,9% dos doentes com LES incluídos neste estudo, estão sob tratamento prolongado com corticosteroides orais – por um período igual ou superior a três meses – um valor que ultrapassa o que as diretrizes internacionais consideram seguro para tratamento de manutenção.

Segundo recomendações da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR), os corticoesteroides devem ser minimizados e, sempre que possível, suspensos. Além disso, caso a doença não esteja controlada com terapêuticas convencionais, a adição de imunossupressores e/ou terapêuticas biológicas deve ser considerada¹.

O Estudo TRANSfORM, conduzido em farmácias comunitárias por todo o país, inclui na análise preliminar 203 participantes adultos com diagnóstico de LES, dos quais a maioria são mulheres (87,2%) e com idade média de 56,3 anos — perfil demográfico consistente com a epidemiologia conhecida desta doença autoimune no contexto nacional.

Mais de metade dos casos da análise registam um tratamento ativo com corticoesteroides e, entre estes, cerca de um terço estava sob uma dose diária fixa acima do limite recomendado para manutenção. O estudo revela ainda uma carga elevada de comorbilidades: hipertensão arterial, hipercolesterolemia, doenças cutâneas e excesso de peso ou obesidade, fatores esses que podem agravar o risco de complicações e que devem ser considerados no contexto da utilização destes fármacos

“Estes resultados confirmam aquilo que muitos doentes já sentem na pele — o uso prolongado de corticoides continua a ser uma realidade, com consequências graves para a saúde e a qualidade de vida”, sublinha Rita Mendes, Presidente da Associação de Doentes com Lúpus. “É urgente garantir o acesso equitativo a terapêuticas biológicas, que permitam reduzir a dependência de corticoesteroides e controlar a doença de forma eficaz, não assentando apenas num controlo de sintomas, mas sim num controlo global da doença, reduzindo os riscos e possíveis lesões de órgãos associados à utilização prolongada destes medicamentos.”

As chamadas “steroid-sparing” ou “abordagens terapêuticas que reduzem a dependência de corticoesteroides” referem-se precisamente a opções terapêuticas que permitem reduzir ou até eliminar a necessidade de corticoesteroides a longo prazo, mantendo o controlo da inflamação e da atividade da doença. Essas estratégias incluem o uso de imunossupressores e/ou terapêuticas biológicas que atuam sobre mecanismos específicos do LES. O uso dessas abordagens não só pode permitir diminuir as doses de corticoesteroides, como também minimizar os efeitos adversos associados a estes fármacos – como aumento de peso, hipertensão, diabetes, osteoporose e aumento do risco cardiovascular – melhorando, dessa forma, a segurança e a qualidade de vida dos doentes.

A Associação de Doentes com Lúpus considera que este tipo de dados, obtidos em contexto nacional e com a participação ativa de doentes, é fundamental para promover uma prática clínica alinhada com as recomendações internacionais e para apoiar a implementação de políticas públicas que garantam o acesso a tratamentos mais seguros e sustentáveis. A Associação de Doentes com Lúpus, enquanto parceira do estudo TRANSfORM, continuará a acompanhar o seu desenvolvimento e empenhada em assegurar que as conclusões resultem em melhores opções terapêuticas para as pessoas com LES em Portugal.

O estudo TRANSfORM resulta de uma parceria entre a AstraZeneca, o ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, a Universidade da Beira Interior, o Centro de Estudo e Avaliação em Saúde (CEFAR) da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a Associação de Doentes com Lúpus.

 

Quando o Pôr do Sol Desorganiza o Cérebro
O fenómeno de “sundowning”, também designado “síndrome do pôr do sol”, corresponde à emergência ou a

Enquadramento e definição

O “sundowning” é descrito como um conjunto de alterações comportamentais e cognitivas que surge tipicamente ao fim da tarde, prolongando‑se pela noite, e não como uma doença autónoma. Manifesta‑se sobretudo em pessoas com demência, em especial nas fases intermédias e avançadas da doença de Alzheimer, podendo ocorrer de forma recorrente e previsível ao longo dos dias.

O fenómeno caracteriza‑se por sintomas “delirium‑like”, incluindo confusão, desorientação, agitação psicomotora, agressividade, deambulação sem propósito, alucinações e ideias delirantes. Estima‑se que entre 1,6% e 66% das pessoas com demência apresentem algum grau de sundowning, refletindo variabilidade conceptual e metodológica entre estudos consultados.

 

Mecanismos fisiopatológicos na doença de Alzheimer

A fisiopatologia do sundowning na doença de Alzheimer é multifatorial e ainda não está totalmente esclarecida, envolvendo alterações neurodegenerativas em estruturas responsáveis pela regulação circadiana. A degenerescência do núcleo supraquiasmático, no hipotálamo, e do núcleo basal de Meynert contribui para a desorganização do ritmo sono‑vigília e para a perda da capacidade de associar padrões de atividade à hora do dia.

Verifica‑se também diminuição acentuada da produção de melatonina, relacionada com envelhecimento, calcificação da glândula pineal e progressão da própria doença de Alzheimer. Esta redução de melatonina associa‑se a hiperatividade noturna, dificuldade em iniciar o sono e fragmentação do sono, potenciando quadros de agitação e deambulação noturna típicos do sundowning.

 

Fatores desencadeantes e contributivos

Para além dos mecanismos biológicos, diversos fatores ambientais e psicossociais atuam como desencadeantes ou amplificadores do “sundowning”. Entre os mais descritos incluem‑se baixa luminosidade no final do dia, aumento de sombras, ruído ambiental, ambientes desorganizados, interrupções frequentes e mudanças na rotina diária.

Sintomas físicos mal controlados, como dor, infeções, obstipação, retenção urinária ou efeitos adversos de medicamentos, podem agravar a desorganização comportamental ao fim do dia. Fadiga acumulada, ansiedade, depressão e stress do cuidador também parecem contribuir para a suscetibilidade ao sundowning, reforçando a necessidade de uma abordagem centrada na pessoa e na família.​

 

Avaliação clínica e diagnóstico diferencial

A avaliação do sundowning exige uma abordagem clínica sistemática, com observação direta e recolha de informação junto de cuidadores formais e informais. É fundamental caracterizar o padrão temporal dos sintomas, a sua frequência, intensidade, duração e impacto funcional, documentando a relação com o final da tarde e início da noite.

O diagnóstico diferencial inclui delirium, perturbações primárias do sono, efeitos de fármacos psicotrópicos e exacerbações de outras comorbilidades psiquiátricas. A exclusão de causas agudas potencialmente reversíveis, como infeções ou desidratação, deve ser prioritária, dada a elevada vulnerabilidade das pessoas com Alzheimer a episódios de delirium.

 

Impacto clínico e implicações nos cuidados

O sundowning associa‑se a maior risco de quedas, fugas, comportamentos agressivos e necessidade de supervisão contínua, com implicações diretas na segurança da pessoa. Estudos evidenciam aumento da carga do cuidador, maiores níveis de exaustão e stress, e maior probabilidade de institucionalização quando os episódios são frequentes e intensos.

Em contexto hospitalar e em unidades de longa duração, o fenómeno traduz‑se em maior consumo de recursos, necessidade de ajustamentos organizacionais e, por vezes, uso acrescido de contenções físicas ou químicas, práticas que devem ser cuidadosamente ponderadas. A sensibilização e formação dos profissionais de saúde é determinante para promover respostas mais seguras, humanizadas e baseadas em intervenções não farmacológicas.

 

Intervenções não farmacológicas

As intervenções não farmacológicas são consideradas a abordagem de primeira linha na prevenção e gestão do sundowning em pessoas com doença de Alzheimer. Recomenda‑se a estruturação de rotinas diárias consistentes, com horários previsíveis para refeições, higiene, atividade e repouso, reduzindo a imprevisibilidade e a sobrecarga sensorial ao final do dia.

A modificação ambiental inclui otimizar a iluminação ao entardecer, minimizando sombras e garantindo transições de luz suaves, reduzir ruídos, organizar o espaço físico e disponibilizar pistas de orientação temporo‑espacial, como relógios e calendários visíveis. Programas de estimulação diurna, com exercício físico leve, exposição à luz natural, atividades significativas e contacto social, demonstram eficácia na redução da frequência e intensidade dos episódios de sundowning.

 

Abordagem farmacológica e riscos

A terapêutica farmacológica reserva‑se a situações em que as intervenções não farmacológicas se revelam insuficientes e os sintomas comportamentais comprometem gravemente a segurança ou o bem‑estar da pessoa. Frequentemente ponderam‑se antipsicóticos, hipnóticos ou sedativos, devendo a sua utilização ser de curta duração, com monitorização rigorosa dos efeitos adversos e sempre enquadrada numa decisão clínica partilhada.

A suplementação com melatonina tem sido explorada como estratégia para melhorar o sono e estabilizar ritmos circadianos, com resultados promissores, mas heterogéneos, em pessoas com demência e sundowning. Apesar de algum potencial benefício, a evidência não é ainda conclusiva, pelo que se recomenda avaliação individualizada, considerando comorbilidades, polimedicação e preferências da pessoa e da família.

 

Papel dos profissionais de saúde

Os profissionais de saúde têm um papel central na identificação precoce, monitorização e gestão integrada do sundowning na doença de Alzheimer. A formação específica em demência, comunicação terapêutica, avaliação de sintomas comportamentais e planeamento de ambientes terapêuticos é essencial para reduzir práticas restritivas e melhorar os resultados em saúde.

A articulação entre cuidados de saúde primários, cuidados hospitalares e estruturas residenciais permite desenhar planos de cuidados individualizados, centrados na pessoa, com foco na segurança, no conforto e na manutenção da dignidade. A inclusão ativa dos cuidadores informais, através de educação para a saúde, apoio emocional e estratégias de coping, contribui para mitigar a carga do cuidador e prolongar o cuidado no domicílio sempre que possível.​

 

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