Opinião
Todos nós, em algum momento da vida, seremos doentes ou cuidadores de alguém que o é.

Ser doente é, muitas vezes, viver numa condição de maior fragilidade. É lidar com a incerteza, confiar nos profissionais de saúde, nos tratamentos prescritos e na informação disponível para tomar decisões informadas. Mas é também confiar que a sociedade à nossa volta está preparada para proteger a saúde — não apenas dentro das unidades de saúde, mas também no quotidiano, nos gestos simples que fazem a diferença.

A saúde constrói-se muito para além da consulta médica. Vive nas escolhas que fazemos em casa, na forma como utilizamos os medicamentos e na responsabilidade com que lidamos com aquilo que sobra após o tratamento. Medicamentos guardados “para uma próxima vez”, fármacos fora de prazo ou descartados incorretamente são riscos silenciosos, frequentemente subestimados.

A automedicação, os acidentes domésticos (que afetam sobretudo crianças e idosos) e a contaminação ambiental resultante de uma eliminação inadequada de medicamentos são realidades com impacto direto na saúde individual e coletiva. Quando os medicamentos são colocados no lixo comum ou despejados nos esgotos domésticos, acabam por contaminar solos e recursos hídricos, comprometendo ecossistemas e, em última análise, a própria saúde humana.

A Organização Mundial da Saúde tem vindo a reforçar que a proteção da saúde passa também por uma utilização segura, racional e responsável dos medicamentos. Tratar bem é essencial, mas encerrar bem o  ciclo do medicamento também é um ato de cuidado.

É neste contexto que a VALORMED desempenha, há mais de 26 anos, um papel fundamental em Portugal. Enquanto entidade responsável pela gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso ou fora de prazo de origem doméstica, a VALORMED assegura que estes resíduos têm um destino seguro, prevenindo riscos para as pessoas e para o ambiente.

Apesar da vasta rede de pontos de recolha existentes em farmácias e parafarmácias de todo o país, um pouco menos de apenas cerca de 20% dos medicamentos colocados no mercado regressam ao sistema de recolha. Este número mostra que ainda há um importante caminho a percorrer ao nível da consciencialização e da literacia em saúde.

Cuidar do doente é também dar-lhe ferramentas para decidir melhor. É promover informação clara, acessível e baseada na confiança. Saber respeitar a prescrição médica, evitar a reutilização indevida de medicamentos e entregar corretamente os resíduos são gestos simples, mas com um impacto profundo na segurança de todos.

Neste Dia Mundial do Doente, o desafio é claro: verificar os medicamentos que temos em casa, separar aqueles que já não são necessários ou estão fora de prazo e entregá-los no ponto de recolha mais próximo. Um gesto simples, feito em minutos, que protege quem está hoje mais vulnerável, previne riscos futuros e contribui para um ambiente mais saudável.

A VALORMED continuará empenhada em promover comportamentos seguros e conscientes, reforçando diariamente a sua missão de proteger a saúde da população. Porque cuidar   começa em cada um de nós e faz-se com pequenas ações que têm um grande impacto coletivo.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Carinho e ciência
No Dia de São Valentim, celebra-se o amor através de gestos e decisões. As ruas enchem-se de flores, chocolates e presentes,...

A base científica dessa ligação está relacionada com a oxitocina, uma hormona produzida pelo cérebro, vulgarmente conhecida como a ‘hormona do amor’. Nos animais, esta substância desempenha um papel central na criação de laços afetivos, pois regula emoções, promove comportamentos equilibrados e fortalece a confiança, funcionando como um mediador natural do vínculo, capaz de tornar as relações mais harmoniosas e saudáveis.

 

“O amor é simultaneamente uma experiência emocional e uma resposta fisiológica. Cada gesto de atenção, brincadeira ou cuidado ativa mecanismos no cérebro que fortalecem os vínculos e promovem equilíbrio emocional”, explica Elena Díaz, médica veterinária na Kivet, clínicas veterinárias da Kiwoko.

 

“A oxitocina atua como um elo biológico, convertendo esses momentos de afeto em vínculos duradouros e reforçando a sensação de proteção e bem-estar”, conclui a médica veterinária.

 

Impacto da oxitocina no comportamento e no bem-estar

O efeito da oxitocina estende-se diretamente ao comportamento social e à capacidade de adaptação dos animais. Cães e gatos que recebem atenção e interações regulares apresentam maior sociabilidade, demonstram maior confiança e são mais capazes de lidar com alterações no ambiente ou na rotina. Esta hormona atua como um modulador do stress, promovendo respostas comportamentais equilibradas e prevenindo sinais de ansiedade ou desconforto. Consequentemente, a presença consistente de interações afetivas influência positivamente a qualidade de vida do animal e fortalece a relação com o tutor.

 

Como estimular a oxitocina no dia a dia

A estimulação da oxitocina deve ser incorporada nas interações diárias de forma consistente e estruturada. Momentos de carinho, sessões de brincadeira, passeios regulares ao ar livre e atividades de treino positivo são estratégias eficazes para aumentar a libertação desta hormona. A previsibilidade e a segurança do ambiente são determinantes, uma vez que animais que se sentem seguros e compreendidos respondem de forma mais positiva às interações com os tutores. A qualidade das experiências diárias é tão importante quanto a quantidade de tempo dedicado, sendo a consistência e a atenção aos sinais do animal fatores-chave para fortalecer a ligação.

 

Benefícios para tutores

O reforço do vínculo através da oxitocina proporciona benefícios significativos tanto para os animais como para os humanos. Os tutores experienciam maior bem-estar psicológico, redução do stress e satisfação na relação com os seus animais. Esta relação recíproca cria um ciclo positivo, onde o cuidado, a atenção e o afeto se reforçam mutuamente, promovendo uma convivência harmoniosa e duradoura.

 

A oxitocina e a qualidade de vida

A aplicação prática do conhecimento sobre a oxitocina permite melhorar substancialmente a qualidade de vida de ambos. Animais emocionalmente equilibrados têm melhor saúde física e comportamental, enquanto tutores beneficiam de uma relação mais gratificante e harmoniosa. Criar momentos de interação intencional e consistente transforma o cuidado diário numa experiência que promove bem-estar, confiança e estabilidade emocional.

Estudo liderado pela Universidade de Coimbra
Uma equipa de cientistas – liderada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC),...

Este estudo, publicado na revista Nature Communications, fornece novas pistas sobre como a bactéria se esconde, sobrevive e se multiplica dentro dos fagócitos não profissionais, células humanas cuja primeira função não é a defesa imunitária e nas quais alguns antibióticos demonstram menor eficácia.

O Staphylococcus aureus é um patógeno que constitui uma das principais causas de doença hospitalar e comunitária. As infeções causadas por estirpes de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (ou MRSA) constituem a segunda causa mais comum de morte associada à resistência bacteriana a antibióticos. Atualmente, esta bactéria é responsável por mais de um milhão de mortes por ano e uma das principais causas de doença hospitalar e comunitária.

Conduzido com recurso a ensaios de infeção por microscopia de fluorescência automatizada de larga escala, o estudo identifica um conjunto de fatores nunca antes associados à vida intracelular e virulência desta bactéria. Para a investigadora do CNC-UC e líder do estudo, Ana Eulálio, “compreender os mecanismos de infeção e adaptação intracelular da bactéria Staphylococcus aureus permitiu-nos desvendar como este microorganismo consegue escapar ao sistema imunitário e resistir aos antibióticos, expandindo assim o conhecimento recente sobre a sua biologia e virulência”.

Os cientistas identificaram 73 genes que influenciam fortemente a capacidade de a Staphylococcus aureus invadir, persistir e se multiplicar no interior de células humanas, e até de causar a morte destas células. O estudo contemplou um total de 1920 mutantes da bactéria.

Destaca-se também a descoberta de uma nova função da enzima nicotinamidase (PncA), que regula o sistema de virulência da Staphylococcus aureus – o sistema agr (Accessory Gene Regulator), que determina a expressão de muitos fatores de virulência. Este trabalho demonstrou que a PncA controla a atividade do sistema agr através da regulação do metabolismo da bactéria.

A caracterização do papel da proteína PncA na virulência também abre novas perspetivas para a investigação do papel do metabolismo bacteriano na infeção. Estas descobertas oferecem múltiplos pontos de partida para explorar novos alvos terapêuticos e compreender melhor as interações entre bactéria e hospedeiro.

“Nos últimos anos, tem-se acumulado evidência de que a bactéria Staphylococcus aureus não é apenas um patógeno extracelular [que vive fora das células do hospedeiro], mas que, pelo contrário, consegue estabelecer-se dentro de células humanas, contribuindo para infeções persistentes”, explica a investigadora.

De recordar que a investigação do grupo RNA & Infeção do CNC-UC, liderado por Ana Eulálio, sobre a sobrevivência intracelular e a resistência aos antibióticos da bactéria Staphylococcus aureus foi recentemente financiada pelo concurso de Investigação em Saúde de 2025 da Fundação ”la Caixa” com cerca de meio milhão de euros.

O estudo Systematic identification of bacterial factors driving Staphylococcus aureus intracellular lifestyle in non-professional phagocytes (Identificação sistemática dos fatores bacterianos que determinam o estilo de vida intracelular da Staphylococcus aureus em fagócitos não profissionais, em português) resulta de uma colaboração entre o CNC-UC e investigadores do Centro Nacional de Biotecnologia – Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha (National Centre for Biotechnology – Spanish National Research Council) e do Imperial College de Londres (Imperial College London).

O artigo científico está disponível em www.nature.com/articles/s41467-025-66373-9.

 

Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) está a consciencializar para o enfarte agudo do miocárdio. Esta...

“O enfarte agudo do miocárdio é uma emergência médica em que o tempo é decisivo. Quanto mais rápida for a atuação após o início dos sintomas, maior é a probabilidade de sobrevivência e de recuperação”, afirma Joana Delgado Silva, presidente da APIC.

E acrescenta: “Atualmente, em Portugal, existem mais de 20 hospitais públicos que integram a Via Verde Coronária e, em conjunto com os respetivos laboratórios de hemodinâmica, asseguram o tratamento por angioplastia primária dos doentes com enfarte agudo do miocárdio, 24 horas por dia, 365 dias por ano, em todo o território nacional”.

“Dor no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, costas ou pescoço, que pode ser acompanhada de suores, náuseas, vómitos e dificuldade em respirar, são sinais que não podem ser ignorados. Perante estes sintomas é fundamental ligar imediatamente para o 112 e esperar pela ambulância”, alerta João Brum Silveira, Coordenador Nacional das iniciativas Stent Save a Life e Cada Segundo Conta (APIC).

Segundo os dados do Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção (RNCI), em 2025, foram realizadas mais de 4.300 angioplastias primárias, para o tratamento de enfarte agudo de miocárdio, em Portugal. Este número tem aumentado, desde 2002 (data de início do registo), reflexo do aumento da abrangência da Via Verde Coronária no território nacional.

O enfarte agudo do miocárdio ocorre quando uma artéria do coração fica obstruída, interrompendo o fornecimento de oxigénio e nutrientes a uma parte do músculo cardíaco.

Para prevenir o enfarte é importante adotar um estilo de vida saudável: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a diabetes; fazer uma alimentação saudável; praticar exercício físico; vigiar o peso e evitar o stress.

Em 2019, a APIC desenvolveu a campanha de consciencialização “Cada Segundo Conta”, com os objetivos de promover o conhecimento e a compreensão sobre o enfarte agudo do miocárdio e os seus sintomas; e alertar para a importância do diagnóstico atempado e tratamento precoce. Esta iniciativa conta com o apoio do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), do Alto Patrocínio do Presidente da República e da iniciativa Stent Save a Life, da APIC. Para mais informações consulte: www.cadasegundoconta.pt

 

Escola de Medicina da Universidade do Minho
O V Encontro do Núcleo de Estudos de Ecografia da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que se vai realizar no dia...

De acordo com José Mariz, coordenador do Núcleo, o evento mantém o propósito central de promover o contacto entre praticantes nacionais, mas acrescenta este ano uma ambição estratégica: “Temos um objetivo mais particular neste encontro, que é o de falarmos das vias de investigação científica sobre POCUS, e em colaboração com o Grupo de Investigação em POCUS da Federação Europeia de Medicina Interna.” Os temas definidos para esta edição, competências em POCUS na Medicina Interna, investigação científica e atualização na doença cardiovascular e tromboembólica, refletem, segundo o responsável, a necessidade crescente de clarificar o papel desta técnica e de acompanhar o avanço da evidência científica.

A evolução da ecografia como ferramenta diagnóstica é hoje incontestável, e o próprio José Mariz recorda que “várias Sociedades Científicas têm vindo a salientar POCUS como o quinto pilar do exame físico”, sublinhando o seu valor tanto no diagnóstico como na monitorização de doenças cardiovasculares, na gestão de fluidoterapia no doente crítico, no auxílio a técnicas e noutras aplicações transversais à Medicina. Essa transformação está espelhada no programa do encontro, que aposta numa definição cada vez mais rigorosa das competências associadas ao POCUS e numa abordagem metodológica mais sofisticada à investigação clínica nesta área.

Entre os momentos mais aguardados do evento destaca-se a palestra do Professor Hatem Soliman Abumarie, reconhecido mundialmente na ecocardiografia. José Mariz sublinha que o especialista abordará “o estado da arte do papel de POCUS na doença cardiovascular e tromboembólica”. A mesa-redonda sobre investigação em POCUS, que contará com a sua moderação e a participação de João Neves, atual coordenador do Grupo de Estudos em Ecografia da Federação Europeia de Medicina Interna, será igualmente um dos pontos fortes do programa. A apresentação interativa de casos clínicos e a divulgação de trabalhos científicos reforçam o carácter prático do encontro, promovendo a troca de experiências entre participantes.

A presença de clínicos de várias especialidades é outro elemento-chave. Para José Mariz, a multidisciplinaridade é indispensável ao avanço da ecografia clínica: “POCUS torna mais eficiente a colaboração entre especialidades, à cabeceira do doente”, permitindo responder com maior eficácia à complexidade crescente da Medicina contemporânea. Ainda assim, persistem desafios relevantes, sobretudo no que diz respeito à formação contínua e à integração sistemática da informação obtida por POCUS na prática clínica. “É necessário estabelecer programas robustos de formação contínua, integrar a informação obtida com POCUS no processo clínico do doente e realizar investigação clínica com metodologia própria”, afirma.

O coordenador do Núcleo espera que os participantes regressem à prática diária com mais conhecimento, mais contactos e maior confiança para utilizar esta ferramenta fundamental. Em última análise, o objetivo é claro: “Aumentar o networking entre praticantes por forma a aumentar a utilização de POCUS, para bem dos doentes e da eficiência do SNS.” O encontro pretende assim contribuir para uma prática de ecografia mais consolidada, baseada em evidência e cada vez mais integrada nos cuidados de saúde em Portugal.

Inscrições em - https://www.spmi.pt/v-encontro-anual-do-nucleo-de-estudos-de-ecografia/

 

Opinião
No contexto do Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro), as doenças da coluna vertebral ganham relevo
As doenças da coluna com maior destaque são agrupadas em quatro categorias principais:
 
  • Degenerativas - As mais comuns em consultas de rotina, incluindo a hérnia discal, discartroses, artroses facetárias e a estenose do canal vertebral (estreitamento do canal onde passa a medula). A hérnia discal é a causa mais comum de radiculopatia (dor ciática), com uma prevalência estimada de 5% em adultos acima dos 30 anos. A osteoartrose/espondilose é o desgaste das articulações da coluna (facetas) afectando a maioria dos idosos, sendo uma das principais causas de rigidez. A estenose do canal vertebral é o estreitamento do espaço por onde passa a medula, sendo mais frequente após os 60 anos. 
  • Deformidades - Com foco na deteção precoce de escolioses e cifoses, especialmente em crianças e adolescentes entre os 9 e 15 anos. É importante o diagnóstico precoce, dado que o tratamento está dependente da magnitude da curva (apenas vigilância, utilização de coletes ou cirurgia nos casos mais graves). Embora a prevalência global em crianças e adolescentes seja de cerca de 1,65%, em idosos (escoliose de novo) a prevalência pode subir drasticamente para valores entre 30% e 60% devido ao desgaste assimétrico dos discos
  • Traumáticas - Lesões resultantes de quedas ou acidentes, com destaque para fraturas osteoporóticas em idosos, que podem ocorrer mesmo com pequenos esforços. No caso das lesões graves por acidente, é fundamental a orientação para hospitais que disponham em permanência equipas de cirurgiões coluna, por forma a poder operar os casos em que há lesão neurológica preferencialmente nas primeiras 24 horas, por forma a podermos esperar uma reabilitação mais eficaz.
  • Oncológicas - Tumores na coluna, frequentemente de origem metastática, que exigem cuidados paliativos e/ou tratamentos especializados, orientados por equipas multidisciplinares que integram médicos oncologistas e cirurgiões de coluna (ortopedistas e/ou neurocirurgiões).
 
 
Recomendações de Prevenção e Cuidado
 
Assentam sobretudo em três pilares:
 
 
1 - Ergonomia: Ajuste de mobiliário (cadeiras, colchões) e postura correta no trabalho. A má postura não é apenas uma questão estética; ela é o principal motor de stress mecânico que acelera o desgaste da coluna. Aqui estão os mecanismos principais dessa relação:
 
  • Alteração do Centro de Gravidade . A coluna tem curvaturas naturais (lordoses e cifoses) desenhadas para distribuir o peso. Quando nos curvamos (ex: "pescoço de texto" ao olhar para o telemóvel), o peso exercido sobre as vértebras cervicais pode passar de 5kg para 27kg, sobrecarregando músculos e ligamentos. 
  • Degeneração Precoce dos Discos (Hérnias). A má postura cria uma pressão assimétrica nos discos intervertebrais. Imagine apertar um balão apenas de um lado: o conteúdo é empurrado para o lado oposto. É este mecanismo que, a longo prazo, causa desidratação discal (disco perde a capacidade de amortecer) e hérnia discal (o núcleo do disco rompe e comprime nervos,causando a ciática). 
  • Síndrome de Sobrecarga Muscular. Músculos que não deveriam estar ativos para manter o equilíbrio são recrutados constantemente. Isto gera contraturas e dor persistente com rigidez (desvios que começam por ser funcionais e portanto corrigíveis, podem tornar-se estruturais se mantidos por anos.
  • Desgaste Ósseo. Para compensar a instabilidade causada pela má postura, o corpo produz osso extra nas extremidades das vértebra, os "bicos de papagaio" (osteófitos). Estes podem comprimir canais nervosos, causando dor e perda de força. 
 
 
2 - Movimento: Prática regular de exercícios de mobilidade e fortalecimento muscular. O exercício não serve apenas para "queimar calorias", mas para criar um "colete muscular natural":
 
  • Fortalecimento do Core: Músculos abdominais e dorsais fortes estabilizam as vértebras, retirando a pressão direta sobre os discos intervertebrais.
  • Nutrição Discal: Os discos intervertebrais não têm vasos sanguíneos; eles nutrem-se através de um mecanismo de "esponja" (compressão e descompressão) que só ocorre com o movimento. O sedentarismo "seca" os discos.
  • Flexibilidade: Exercícios de mobilidade evitam o encurtamento muscular (como nos tendões da coxa), que é uma causa direta de dores lombares ao puxar a bacia para posições incorretas.
 
 
3 - Peso Corporal: Controlo do peso para reduzir a carga mecânica sobre as vértebras. A coluna funciona como uma torre de suporte. O excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, atua de duas formas:
 
  • Sobrecarga Mecânica: Cada quilo extra no abdómen desloca o centro de gravidade para a frente, forçando a região lombar a arquear-se excessivamente (hiperlordose). Isto acelera o desgaste dos discos e das articulações facetarias posteriores (artrose).
  • Inflamação Sistémica: A gordura não é apenas peso morto; ela produz substâncias inflamatórias que degradam os tecidos moles e as cartilagens da coluna, tornando-a mais vulnerável a lesões.
 
 
Combinação ideal para proteger a coluna
 
  • Atitudes Ergonómicas: mobiliário adequado (monitores à altura dos olhos para uma visão horizontal, cadeiras com apoio lombar, colchões ortopédicos nem macios nem muito rígidos) e posturas corretas (Antebraços apoiados na mesa ou nos braços da cadeira, formando um ângulo de 90º com os braços, a coluna deve estar totalmente apoiada no encosto da cadeira, os joelhos devem formar um ângulo de 90º em relação às coxas e os pés devem estar totalmente apoiados no chão ou num suporte específico.
  • Exercício de Baixo Impacto: Natação, Pilates, Yoga ou caminhada (evita o choque direto nas vértebras).
  • Manutenção do IMC (Índice da Massa Corporal): Manter-se dentro do peso saudável reduz em até 50% o risco de desenvolver lombalgia crónica, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
A “faísca oxidativa” controlada
Há décadas que as moléculas chamadas espécies reactivas de oxigénio (radicais livres) são consideradas as vilãs do cérebro,...
O stress oxidativo é uma consequência directa do excesso no corpo dos chamados radicais livres — moléculas reactivas e instáveis que contêm oxigénio. Os radicais livres são subprodutos metabólicos normais e também ajudam a transmitir sinais no corpo.
 
Quanto ao stress oxidativo, pode ser causado por factores de estilo de vida, ambientais e biológicos, como tabagismo, alto consumo de álcool, má alimentação, stress, poluição, radiação, químicos industriais e inflamação crónica. Quando isso ocorre, cria-se um desequilíbrio entre a produção de radicais livres e as defesas antioxidantes do corpo, responsáveis pela sua neutralização.
 
Quando ouvimos falar de “stress oxidativo” no cérebro, é quase sempre uma má notícia, associada ao envelhecimento, à doença de Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas. Mas um novo estudo em mosca-da-fruta, publicado hoje (10/02/2026) na revista EMBO Reports por uma equipa da Fundação Champalimaud (FC), em Lisboa, mostra que um breve e bem controlado pulso de stress oxidativo, logo após uma lesão, pode realmente ajudar o cérebro a reparar-se.
 
No novo estudo, Christa Rhiner – investigadora principal do Laboratório de Células Estaminais e Regeneração da FC – e a sua equipa mostram que, após uma pequena lesão no cérebro de moscas adultas, um grupo específico de células de suporte cerebral, conhecidas como glia, liberta rapidamente um pulso de formas quimicamente reativas de oxigénio, que incluem peróxido de hidrogénio (contido na água oxigenada). Esta “faísca oxidativa” controlada faz duas coisas ao mesmo tempo: activa processos antioxidantes protectores na glia e, o que é crucial, age como um sinal de activação de células que normalmente estão inactivas, levando-as a dividir-se e a substituir o tecido perdido.
 
A equipa identificou a responsável por este pulso de radicais livres: uma enzima chamada Duox, presente na membrana das células gliais, que produz peróxido de hidrogénio fora das células.
 
“Isso foi surpreendente, pois inicialmente pensávamos que as mitocôndrias – as minúsculas baterias das células – seriam as principais geradoras de stress oxidativo no cérebro lesionado”, explica a primeira co-autora Carolina Alves.
 
Quando Carolina reduziu geneticamente a actividade da Duox ou diminuiu a quantidade de oxigénio reactivo com tratamentos antioxidantes, o cérebro lesionado das moscas produziu menos células novas e a resposta regenerativa foi substancialmente atenuada.
 
Em contrapartida, o facto de estimular a glia para aumentar a actividade da Duox foi suficiente para desencadear divisões celulares adicionais, mesmo na ausência de lesão. Isto significa que, em particular, o peróxido de hidrogénio derivado da glia é um poderoso motor de plasticidade cerebral.
 
Outras experiências revelaram o circuito desta resposta. A lesão começa por aumentar os níveis de cálcio dentro da glia, o que, por sua vez, activa a Duox. O peróxido de hidrogénio espalha-se então localmente pelos tecidos e ajuda a manter activa uma via pró-regenerativa (de reparação) durante dias após a lesão inicial – o tempo suficiente para promover uma divisão celular sustentada e a reparação. E embora o tecido cerebral lesionado apresente um certo nível de danos oxidativos nos lípidos, o aumento das defesas antioxidantes devido às células gliais parece limitar os danos causados pelo pico oxidativo transitório.
 
Estes resultados desafiam a ideia simplista de que o stress oxidativo no cérebro é sempre prejudicial e podem ajudar a explicar por que as terapias antioxidantes de amplo espectro não conseguem, em grande parte, melhorar a recuperação cerebral nos doentes após uma lesão.
 
O stress oxidativo prolongado e, em particular, as espécies reactivas de oxigénio que atacam imediatamente os componentes celulares são altamente prejudiciais para o cérebro. “No entanto, o nosso trabalho sugere que certas espécies reactivas de oxigénio, quando sincronizadas de forma precisa, são parte integrante da caixa de ferramentas da reparação do cérebro”, enfatiza Rhiner.
 
No futuro, estratégias mais direccionadas, que atenuem o stress oxidativo crónico prejudicial preservando – ou mesmo aproveitando – esses sinais oxidativos de curta duração, poderão abrir novos caminhos para promover a reparação cerebral.
Ordem dos Médicos reitera
A Ordem dos Médicos reafirma que a resposta estrutural para garantir o acompanhamento de todas as grávidas no SNS, em especial...

A Ordem dos Médicos entende que o modelo assistencial deve preservar a complementaridade entre profissões, sem promover substituição de competências, princípio que deve estar sempre salvaguardado na prática clínica.

Assim, os atos próprios de cada profissão devem ser rigorosamente respeitados, sempre numa perspetiva de qualidade assistencial, segurança clínica e defesa das utentes grávidas, dos recém-nascidos e das respetivas famílias. Em particular, a prescrição e a interpretação clínica de exames complementares de diagnóstico constituem atos médicos exclusivos, devendo manter-se sob responsabilidade do médico.

Nos casos em que a grávida não tenha médico de família, o envolvimento dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, no quadro exclusivo das competências da enfermagem, deve acontecer com salvaguarda inequívoca de condições mínimas de segurança clínica e com integração efetiva, num percurso assistencial que inclua um especialista em medicina geral e familiar, garantindo articulação, supervisão clínica e referenciação atempada sempre que necessário.

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, sublinha que "é fundamental que o Ministério da Saúde desenvolva um modelo eficiente de atração e fixação de médicos e de outros profissionais, indispensáveis para assegurar a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde, garantindo o melhor acompanhamento às grávidas sem que se verifique sobreposição de competências entre profissionais".

A Ordem dos Médicos procederá à análise do Despacho n.º 1572/2026, de 9 de fevereiro, submetendo posteriormente os seus contributos ao Ministério da Saúde.

 

Estudo
Estudo promovido pela Absorvit revela que eficácia, segurança e recomendação profissional pesam mais do que popularidade ou...

A farmácia mantém-se como o principal ponto de descoberta e validação de suplementos alimentares em Portugal, reforçando o seu papel como espaço de confiança na tomada de decisões relacionadas com a saúde. Esta é uma das principais conclusões de um estudo nacional recente, promovido pela Absorvit, marca de referência na área da suplementação, sobre notoriedade e perceção de marcas neste segmento.

De acordo com os dados apurados, mais de 60% dos consumidores afirma ter conhecido a sua marca de suplementos através da farmácia, destacando a recomendação profissional como fator decisivo no momento da escolha.

O estudo revela um consumidor português cada vez mais consciente, que valoriza critérios como segurança e validação profissional no processo de escolha”, afirma Sara Carvalho, da marca Absorvit, promotora do estudo.

Os resultados mostram que, num mercado cada vez mais exposto a mensagens comerciais e influência digital, a credibilidade científica continua a falar mais alto. Quando questionados sobre os critérios de escolha, os consumidores apontam eficácia, confiança e segurança como os atributos mais valorizados, surgindo claramente à frente de conceitos como inovação ou popularidade.

O consumidor português revela uma relação muito pragmática com a suplementação: procura resultados, sente-se mais seguro quando existe validação profissional e valoriza marcas associadas à farmácia”, conclui Sara Carvalho.

Outro dado relevante prende-se com a experiência de utilização. O estudo identifica níveis elevados de satisfação entre quem consome suplementos, com indicadores de recomendação positivos. A confiança parece consolidar-se sobretudo após a experimentação, sugerindo que a qualidade percebida do produto tem um peso determinante na fidelização.

Entre os benefícios mais mencionados espontaneamente pelos inquiridos destacam-se conceitos como “absorção”, “efeito” e “rapidez”, revelando uma crescente literacia do consumidor, que associa a eficácia não apenas à composição, mas também à forma como o organismo aproveita os nutrientes.

“Num contexto em que a saúde assume um papel central na vida quotidiana, os consumidores demonstram preferência por marcas e soluções que acompanham diferentes fases da vida e respondem a momentos de maior exigência, como períodos de stress, cansaço ou maior desgaste físico, sempre com o apoio da farmácia como espaço privilegiado de aconselhamento”, acrescenta a Absorvit.

Este posicionamento reflete-se também na forte presença da marca Absorvit no território nacional, estando atualmente disponível em mais de 70% das farmácias portuguesas, o que reforça o seu compromisso com a proximidade, a acessibilidade e a confiança dos consumidores em todo o país.

 

Nota metodológica: Dados obtidos no Estudo de Notoriedade Absorvit 2026, realizado junto de um universo de amostragem de 815 pessoas (52% mulheres, 48% homens, média de 46 anos, agregado familiar maioritariamente com 3 pessoas, maioritariamente residentes na Grande Lisboa) de população portuguesa.

 

Ricardo Baptista Leite alerta
Decisões responsáveis, ética e transformação dos sistemas de saúde estiveram em debate no Iscte Executive Education.

“Na saúde, a Inteligência Artificial não pode ser usada cegamente, sobretudo quando falamos de diagnóstico e decisão clínica”, alertou terça-feira, durante uma conferência no Iscte Executive Education, em Lisboa, Ricardo Baptista Leite, CEO da Health AI – Agência Global para a Inteligência Artificial Responsável. O verdadeiro desafio não está na inovação tecnológica, mas na forma como esta é aplicada num contexto em que a tecnologia evolui a um ritmo mais rápido do que a capacidade dos sistemas para a integrar.

A conferência “IA em Saúde: Fundamentos, essenciais e aspetos estratégicos” aconteceu na presença de especialistas e uma centena de participantes do setor da Saúde e promoveu uma reflexão aprofundada sobre o impacto da Inteligência Artificial na saúde, com especial enfoque na necessidade de uma adoção crítica, ética e centrada nas pessoas.

Ricardo Baptista Leite destacou que existe, hoje, entre os profissionais de saúde, uma consciência crescente dos riscos de uma utilização acrítica destas novas ferramentas, defendendo uma mudança no perfil de competências exigidas: “as competências que antes estavam muito associadas à memorização estão a dar lugar à análise crítica, que é vital para navegar no mundo atual da inteligência artificial”. Segundo Ricardo Baptista Leite, os profissionais devem ter um papel ativo “no desenho da aplicação da inteligência artificial e no redesenho do próprio sistema de saúde”.

Também orador nesta conferência, Arlindo Oliveira, professor distinto do IST e presidente do INESC, destacou que o ritmo acelerado da evolução tecnológica apanhou o próprio meio científico de surpresa: “há oito ou dez anos, ninguém imaginava que os modelos de linguagem permitissem sistemas capazes de discutir temas complexos ou apoiar diagnósticos médicos”. Sublinhou, no entanto, que a tecnologia não é hoje o principal fator limitativo: “O grande desafio é integrá-la adequadamente nos processos, o que num hospital pode demorar anos”, afirmou.

A discussão estendeu-se ao impacto da IA na formação de médicos, engenheiros e outros profissionais. Para Arlindo Oliveira, é necessário encontrar um equilíbrio: “não podemos achar que tudo se resolve ensinando os alunos a fazer prompts, mas também não temos ainda respostas fechadas sobre o que deve ou não deixar de ser ensinado”. O investigador reforçou que a maioria dos sistemas de IA são treinados a partir de dados e exemplos, o que levanta novas questões sobre responsabilidade, transparência e ética.

Com moderação de José Crespo de Carvalho, a conferência integrou-se na aposta estratégica do Iscte Executive Education na área da Gestão e Inovação em Saúde, posicionando a instituição como um espaço de reflexão crítica e de capacitação de líderes para decisões responsáveis num setor em profunda transformação tecnológica.

 

14 e 15 de maio | Figueira da Foz
A cidade da Figueira da Foz recebe, nos dias 14 e 15 de maio, o III Congresso de Cuidados Respiratórios/II Congresso Ibérico de...

Desta terceira edição, o médico pneumologista destaca vários aspetos relevantes, nomeadamente o reforço da internalização, “com um aumento significativo do número de palestrantes estrangeiros”, a definição de um programa científico mais integrado e multidisciplinar, “promovendo uma abordagem global e coordenada aos cuidados respiratórios e contando, pela primeira vez, com uma sessão dedicada à Pediatria”, bem como o aumento do número de workshops, reforçando a componente prática. Para além destes aspetos científicos, Pedro Silva Santos salienta também a aposta nas vertentes social e desportiva com a realização, pela primeira vez, de um jantar oficial do congresso e de uma caminhada.

Para o presidente do Congresso, a forte componente multidisciplinar, que vai reunir, além de médicos de várias especialidades, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de Cardiopneumologia e de Neurofisiologia, é particularmente positiva, uma vez que “promove a troca de perspetivas entre diferentes áreas clínicas, aspeto fundamental para a gestão integrada de doentes com doenças respiratórias complexas”. Acrescenta ainda que “este evento irá fomentar o networking e o estabelecimento de parcerias entre instituições e profissionais que certamente, no futuro, vão permitir novos projetos de investigação conjuntos”.

As mais valias decorrentes do reforço da componente internacional e ibérica desta terceira edição são, para o médico pneumologista, “muito concretas e estratégicas para a área dos cuidados respiratórios, tanto a nível científico, como clínico e institucional, pois permite ampliar horizontes, promover uma colaboração sustentável, melhorar a qualidade científica - com impacto direto na prática clínica - e projetar o Congresso e a área dos cuidados respiratórios para além das fronteiras nacionais”.

Insuficiência respiratória aguda e crónica, cuidados respiratórios na Pediatria, doenças neuromusculares, DPOC, novas ferramentas de apoio à ventilação invasiva, cuidados paliativos na falência respiratória, Bench testing and simulation, apneia central do sono, apneia obstrutiva do sono, inovações tecnológicas na insuficiência respiratória, impacto ambiental dos cuidados respiratórios, influência das redes sociais na medicina da atualidade, telemedicina nas doenças respiratórias crónicas e estratégias para melhorar a adesão aos cuidados respiratórios prescritos são alguns dos temas em destaque no programa.

O facto de o programa científico definido abranger estas diferentes áreas das doenças respiratórias ”permite o contacto com novos dados científicos e recomendações atualizadas, incluindo a discussão crítica de guidelines internacionais”. Em complementaridade, a vertente prática será focada na abordagem a casos clínicos reais, workshops, simulação e discussão de estratégias terapêuticas.

Neste contexto, Pedro Silva Santos lança o apelo aos profissionais de saúde para participarem no III Congresso de Cuidados Respiratórios, convidando-os a juntarem-se “a especialistas nacionais e internacionais e a fazerem parte de um encontro que promove a partilha de conhecimento, incentiva a colaboração multidisciplinar e transforma a ciência em melhores cuidados para o doente respiratório”.

 

Semana do Som - Portugal 2026
Saúde auditiva, ciência e cultura mobilizam o país numa iniciativa nacional com o selo UNESCO.

Quando pensamos em saúde, raramente colocamos a audição no centro das nossas prioridades. Falamos de exercício físico, alimentação equilibrada, saúde cardiovascular ou saúde mental, mas esquecemo‑nos de um sentido absolutamente essencial para a nossa autonomia, comunicação e integração social: ouvir.

A audição é a porta de entrada para o mundo das relações humanas. É através dela que aprendemos a falar, que partilhamos conhecimento, que trabalhamos, que desfrutamos da música, que sentimos proximidade e pertença. No entanto, a perda auditiva continua a ser uma das condições de saúde mais prevalentes, silenciosas e subvalorizadas da atualidade, afetando milhões de pessoas em todas as idades e contextos sociais.

A Organização Mundial da Saúde alerta para o crescimento significativo dos problemas auditivos associados ao ruído ambiental, ao envelhecimento da população e aos hábitos de escuta inseguros. Apesar disso, a saúde auditiva continua muitas vezes ausente do debate público.

É neste contexto que surge a Semana do Som – Portugal 2026, uma iniciativa de âmbito nacional promovida pela OUVIR – Associação Portuguesa de Portadores de Próteses e Implantes Auditivos, em colaboração com a UNESCO e integrada na rede internacional “La Semaine du Son”.

Mais do que um conjunto de eventos, a Semana do Som constitui um verdadeiro movimento de sensibilização social, científica e cultural, convidando a sociedade portuguesa a refletir sobre a importância do som, da audição, da acessibilidade comunicacional e da inclusão das pessoas com deficiência auditiva.

 

MISSÃO

A missão da Semana do Som é clara: promover a saúde auditiva ao longo da vida, prevenir a perda auditiva, melhorar a qualidade dos ambientes sonoros e garantir que todas as pessoas, independentemente da sua condição auditiva, possam participar plenamente na vida social, educativa, profissional e cultural.

 

OBJETIVOS

Entre os principais objetivos da iniciativa destacam‑se:

• Promover a literacia em saúde auditiva e a prevenção do ruído excessivo;

• Incentivar o diagnóstico precoce e o acesso a próteses e implantes auditivos;

• Sensibilizar para os impactos do som e do ruído na saúde física e mental;

• Estimular a inclusão e a acessibilidade em contextos educativos, culturais e laborais;

• Reforçar o diálogo entre profissionais de saúde, investigadores, decisores políticos, educadores e sociedade civil;

• Integrar Portugal numa rede internacional de boas práticas promovida pela UNESCO.

 

UMA SEMANA, QUATRO CIDADES, UM PROPÓSITO COMUM

Entre 16 e 21 de fevereiro de 2026, a Semana do Som percorrerá várias cidades portuguesas com iniciativas que combinam conhecimento científico, partilha comunitária e expressão artística.

 

16 de fevereiro – Braga | Lecture & Music

O arranque da iniciativa acontece em Braga com um encontro que cruza formação, sensibilização e música, promovendo a proximidade entre especialistas, comunidade local e público em geral.

 

18 de fevereiro – Porto | Lecture & Music (FNAC NorteShopping)

No Porto, o foco estará nos “Prazeres da Música e da Audição”, numa sessão acessível ao grande público que alia divulgação científica a um momento cultural, reforçando a ligação emocional ao som.

 

19 de fevereiro – Coimbra | Lecture & Music

Coimbra acolhe um programa de reflexão sobre a importância do silêncio e da audição ao longo do ciclo de vida, seguido de um momento musical, promovendo a união entre conhecimento académico e cultura.

 

20 de fevereiro – Lisboa | Conferência Internacional (Centro Cultural de Belém)

Este será o ponto alto da semana. A Conferência Internacional reúne oradores nacionais e internacionais, profissionais de saúde auditiva, investigadores, representantes institucionais e decisores políticos, num espaço privilegiado de debate e partilha.

 

Serão abordados temas como:

• benefícios dos cuidados auditivos para a saúde e produtividade;

• inclusão no local de trabalho;

• políticas europeias de acesso a tecnologias auditivas;

• inovação tecnológica e reabilitação;

• segurança sonora e prevenção do ruído;

• estratégias internacionais de saúde pública.

 

21 de fevereiro – Lisboa | Espetáculo de Música (Teatro Capitólio)

A Semana do Som encerra com um espetáculo de música solidário e inclusivo, com legendagem em português e inglês, reunindo artistas de referência e jovens talentos. Este concerto pretende demonstrar que a cultura é uma poderosa ferramenta de sensibilização social.

As receitas revertem a favor da OUVIR, apoiando diretamente o trabalho da associação na defesa dos direitos e da inclusão das pessoas com perda auditiva.

Bilhetes disponíveis em:

https://www.bol.pt/Comprar/Bilhetes/171274-espectaculo_de_musica_semana_...

 

PROGRAMA COMPLETO:

https://weekofsoundportugal.com

 

UM CONVITE A TODOS

A Semana do Som é aberta a todos: profissionais, estudantes, famílias, instituições, pessoas com ou sem perda auditiva. Porque a audição é uma responsabilidade coletiva. Porque a inclusão começa pela consciencialização. E porque uma sociedade que escuta melhor é uma sociedade mais justa, mais informada e mais humana.

 

Entre 16 e 21 de fevereiro, Portugal vai parar para ouvir — e para aprender que ouvir bem é viver melhor.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em 8 países
A Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro (EUnetCCC) designa os primeiros 30 Centros Compreensivos, assinalando um...

Ao conectar formalmente centros de referência num quadro europeu comum, esta iniciativa reforça a cooperação entre os sistemas nacionais de saúde e promove uma melhor coordenação dos cuidados oncológicos, com uma ligação mais estreita entre tratamento e investigação e um acesso mais justo a serviços de oncologia de elevada qualidade entre regiões e países.

A Designação-UE segue uma abordagem baseada na população, respeitando os contextos nacionais e a organização dos sistemas de saúde. Em vez de criar novas instituições, reconhece centros, ou consórcios de centros, que já desempenham um papel central na organização dos cuidados e da investigação oncológica para populações definidas. Em vários países, isto levou à criação de modelos inter‑regionais ou consórcios com governação partilhada.

Este primeiro grupo de Centros Compeensivos de Cancro com Designação-UE representa um passo fundamental na construção de um panorama oncológico europeu mais coordenado e equitativo. Ao reconhecer centros que já desempenham um papel estruturante a nível nacional e ao conectá-los através da EUnetCCC, estamos lançar as bases para um impacto duradouro para os doentes em toda a Europa”, afirma Thomas Dubois, Chefe de Assunstos Europeus e Internacionais do Instituto Nacional do Canro de França e Coordenados da EUnetCCC.

 

O que significa, na prática, a Designação-UE?

O processo começa a nível nacional, com os centros identificados e apoiados pelas autoridades de saúde nacionais, em coordenação com os Ministérios da Saúde, antes de se candidatarem à Designação pela UE.

Representa um primeiro reconhecimento europeu de centros nacionais designados como Centros Compreensivos de Cancro e identifica centros que demonstram um nível adequado de integração nos cuidados oncológicos, estando bem posicionados para avançar no percurso de certificação EU‑CCC.

As candidaturas são avaliadas pelo Comité de Designação e Admissão (DAC) da Ação Conjunta EUnetCCC. A Designação pela UE não constitui uma certificação ou acreditação de qualidade.

 

Região Centro
Especialista em Patologia Clínica representará a região Centro neste órgão nacional executivo.

O médico patologista clínico João Mariano Pego, tesoureiro do Conselho Regional do Centro e também Presidente do Colégio da Especialidade de Patologia Clínica da Ordem dos Médicos, irá integrar o Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, na sequência da saída da médica especialista em Medicina Geral e Familiar e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Inês Rosendo que integra agora o Conselho de Administração da ULS Coimbra com o cargo de Diretora Clínica para a área dos Cuidados de Saúde Primários.

João Mariano Pego, que detém a Competência em Gestão dos Serviços de Saúde pela Ordem dos Médicos, na atual composição do Conselho Regional do Centro - órgão presidido pelo Professor de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Manuel Teixeira Veríssimo - mantém o cargo de tesoureiro, enquanto que a médica fisiatra Doutora Anabela Pereira assume funções como Secretária. Miguel Pereira, especialista em Medicina Geral e Familiar, passou a integrar o órgão como membro efetivo, depois de anteriormente ter exercido funções como suplente.

No Conselho Nacional, João Mariano Pego representa agora a Ordem dos Médicos do Centro enquanto vogal suplente. “Participar na coordenação e representação da Ordem dos Médicos a nível nacional é um honra, mas, acima de tudo, é uma responsabilidade, assegurando, entre outras competências, a qualidade, unidade e a ética do exercício médico. Estamos empenhados na busca de um melhor estado de saúde para os nossos concidadãos.”, diz João Mariano Pego.

“A atual composição do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos assegura a continuidade do trabalho desenvolvido no mandato em curso, mantendo o seu papel de provedoria da saúde e do doente e defendendo, de forma intransigente, a qualidade na prestação dos cuidados de saúde. O nosso contributo e o nosso trabalho no Conselho Nacional da Ordem dos Médicos visa, acima de tudo, pugnar pela melhoria da Saúde e melhorar a vida dos doentes, construindo um futuro melhor”, sublinha Manuel Teixeira Veríssimo, membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos.

 

Opinião
As dores nas costas são uma das queixas mais comuns da população em geral.

A boa notícia é que esta área da Medicina está a mudar — e a mudar para melhor. Em Portugal, tal como noutros países, a cirurgia à coluna tem evoluído com um objetivo claro: reduzir riscos para o doente e melhorar os resultados clínicos.

Durante muitos anos, estas cirurgias foram associadas a procedimentos muito invasivos, recuperações longas e risco elevado de complicações. Mesmo com os avanços das últimas décadas, existe sempre um momento crítico: a precisão. Muitas cirurgias implicam a colocação de implantes para estabilizar a coluna, e pequenos desvios podem ter consequências significativas.

Um implante mal posicionado pode provocar dor persistente, irritação ou lesão dos nervos, limitações na mobilidade e, em alguns casos, obrigar a uma nova cirurgia. Para o doente, isto significa mais sofrimento e mais tempo afastado da vida normal. Para o SNS, representa mais dias de internamento, mais tempo de bloco operatório, mais exames e mais custos. É um problema que afeta todos.

É neste contexto que a robótica na cirurgia da coluna surge como uma nova revolução. A tecnologia não substitui o médico. O cirurgião continua a liderar todo o processo. A diferença é que passa a contar com um apoio que permite executar passos mais delicados com muito maior precisão. E quando a cirurgia é mais precisa, há menos erros, menos complicações e melhor recuperação.

Menos complicações significam também menor risco de reoperações e menos ocupação de recursos hospitalares. Um doente que recupera mais depressa regressa mais cedo à sua autonomia, à vida familiar e ao trabalho, reduzindo o impacto social e económico da doença. A inovação, neste sentido, deixa de ser um luxo e passa a ser uma decisão racional.

Naturalmente, a tecnologia por si só não chega. É essencial investir em equipas bem formadas, com treino contínuo e partilha de boas práticas, em que o doente deve estar no centro das decisões, com acesso a informação clara sobre as opções disponíveis.

Iniciativas como a campanha Olhe Pelas Suas Costas” ajudam a promover a prevenção, o diagnóstico precoce e escolhas mais informadas. Tratar bem da sua coluna é a medida profilática mais importante.

Apostar na inovação é apostar em mais qualidade de vida e um SNS mais eficiente. É, acima de tudo, apostar num futuro onde tratar melhor também significa gastar melhor.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Aveiro
Um projeto desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) está a abrir novas perspetivas na área da medicina regenerativa, através...

Os investigadores estão a recorrer a uma tecnologia de impressão 3D que permite criar peças à medida de cada paciente, tendo em conta as características específicas do osso a substituir. A técnica utilizada chama-se fotopolimerização em cuba e baseia-se na utilização de uma resina líquida que é solidificada camada a camada através da ação da luz. O resultado final é uma estrutura sólida com uma forma muito próxima da prótese óssea necessária para cada caso clínico.

O trabalho está a ser desenvolvido por Simão Santos, estudante de doutoramento no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA e conta com a participação do estudante de doutoramento Manuel Alves e das professoras Susana Olhero e Georgina Miranda, do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.

 

Mimetização do osso humano

Um dos elementos-chave deste projeto é o uso da hidroxiapatite, um material cerâmico biocompatível e bioativo, semelhante ao mineral presente na composição do osso nativo. Este material encontra-se suspenso numa resina de base aquosa, permitindo a produção de estruturas complexas e adaptadas às necessidades de cada paciente. “Na área dos substitutos ósseos existe uma procura crescente por soluções personalizadas, e esta tecnologia permite responder a esse desafio”, explica Simão Santos, atualmente a frequentar o Programa Doutoral em Ciências e Engenharia de Materiais da UA.

A utilização de uma base aquosa representa também uma vantagem ambiental importante. Ao reduzir em cerca de 80 por cento o uso de compostos orgânicos, o processo torna-se mais ecológico e com menor impacto ambiental.

Outra melhoria significativa verifica-se na fase final de produção, conhecida como sinterização, essencial para dar resistência ao substituto ósseo cerâmico. Com esta nova formulação, o tempo desta etapa é reduzido em cerca de 60 por cento, com benefícios claros ao nível do consumo energético.

Os próximos passos do projeto passam agora pela avaliação do comportamento biológico do material, antes de uma eventual aplicação clínica. Entre os principais desafios estão a realização de testes mais avançados, o cumprimento das normas regulamentares e a demonstração da segurança e eficácia destas soluções inovadoras.

Evento online “Leadership for Women in Science”
A The Non-Conformist Scientist (NCS), organização sem fins lucrativos criada por e para cientistas, organiza o evento virtual ...

O programa, realizado em formato online, inclui sessões práticas e interativas conduzidas por especialistas nacionais e internacionais nas áreas de liderança, comunicação e desenvolvimento profissional. Entre os temas abordados destacam-se a gestão de conversas difíceis, o desenvolvimento da confiança e a superação da Síndrome de Impostor, bem como a construção de marca pessoal no contexto da Ciência.

O evento destina-se a mulheres que trabalhem nos setores científico, tecnológico e médico em diferentes fases da carreira (desde estudantes de pós-graduação a investigadoras e profissionais já estabelecidas) que pretendam desenvolver competências transversais, ampliar a sua rede de contactos e fortalecer o seu posicionamento enquanto líderes.

As datas inserem-se no período de celebração do Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, assinalado a 11 de fevereiro, e do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, reforçando a importância da equidade de género e da representatividade feminina em posições de liderança nesta área.

A participação no evento é limitada (máximo 60 pessoas) e requer inscrição prévia através da plataforma Eventbrite. Inscrições e mais informações aqui.

 

Especialistas em audição recomendam
Descubra como um processo informado, do diagnóstico à experimentação, é fundamental para otimizar a sua reabilitação auditiva...

Cuidar da saúde auditiva é um passo crucial para o bem-estar geral, mas a escolha do aparelho auditivo adequado pode gerar dúvidas. Para assegurar um percurso de reabilitação auditiva eficaz e uma melhoria significativa na qualidade de vida, especialistas em audição salientam a importância de abordar este processo com informação e acompanhamento qualificado. É neste contexto que se destacam as entidades que operam com elevados padrões de qualidade, alinhadas com certificações de qualidade como a ISO 9001.

A reabilitação auditiva é um processo contínuo e personalizado, que vai muito além da simples aquisição de um dispositivo. Para quem procura a solução adequada às suas necessidades, seguir  um conjunto de passos essenciais pode fazer toda a diferença na hora de escolher um aparelho auditivo.

Passos a considerar antes de adquirir um aparelho auditivo:

  1. Consultar um otorrinolaringologista: O primeiro passo para qualquer intervenção auditiva deve ser sempre um diagnóstico por um médico especialista em otorrinolaringologia. Este profissional é crucial para identificar a causa e o grau da perda auditiva, descartar patologias tratáveis e determinar a necessidade real de um aparelho;
  2. Procurar acompanhamento de um audiologista credenciado: O aconselhamento e a adaptação devem ser realizado por um audiologista — um profissional de saúde qualificado, licenciado e credenciado. É importante distinguir o aconselhamento especializado de um profissional de saúde do serviço prestado por vendedores ou "consultores comerciais", de forma a garantir uma abordagem clinicamente fundamentada;
  3. Informar-se sobre as soluções disponíveis no mercado: A tecnologia auditiva evoluiu significativamente. É importante que o consumidor se informe sobre a vasta gama de opções, funcionalidades e designs que o mercado oferece, para encontrar aquela que melhor se adapta ao seu estilo de vida,  necessidades auditivas e preferências pessoais;
  4. Garantir que o aparelho é um dispositivo médico certificado: É essencial verificar que os aparelhos são dispositivos médicos devidamente certificados e registados no INFARMED. Esta certificação distingue-os de simples amplificadores sonoros sem validação clínica, que não oferecem a segurança nem a eficácia necessárias para uma reabilitação auditiva adequada;
  5. Exigir um período de experimentação alargado e sem compromisso: A adaptação a uma nova forma de ouvir leva tempo e exige um processo gradual. Garantir que a entidade escolhida permite um período de experimentação sem pressões, como um período de 90 dias, que  permite ao utilizador adaptar-se plenamente ao aparelho no seu dia a dia antes de tomar uma decisão final de compra.  Este tempo garante que a escolha é feita com base na experiência real e conforto do indivíduo.

“A escolha do parceiro certo neste percurso é tão importante quanto o próprio aparelho auditivo. Garantir que o utente  tem uma experiência segura, transparente e de excelência em todo o seu percurso de reabilitação auditiva é a nossa prioridade”, afirma Francisco Brás, audiologista na Widex Portugal. “É por isso que aderimos a padrões como a certificação ISO 9001,  um selo internacional que valida  processos rigorosos de gestão da qualidade, desde o atendimento ao acompanhamento pós-venda, auditados regularmente por entidades independentes. Este compromisso com o  rigor é vital para construir naturalmente a confiança do cliente.”

A aposta numa empresa que  assegure o rigor clínico, um acompanhamento contínuo por profissionais qualificados e a utilização de dispositivos médicos certificados é a maior garantia de uma reabilitação auditiva eficaz e de uma melhoria substancial na qualidade de vida. Esta abordagem centrada na pessoa e na excelência do serviço é um pilar fundamental para quem procura a solução auditiva mais adequada.

 

Dia Mundial do Doente no Parque Atlântico | 11 de fevereiro
De 9 a 15 de fevereiro, a mostra, promovida pelas Irmãs Hospitaleiras de Ponta Delgada, reúne 16 fotografias de Pedro Carreiro...

O Parque Atlântico recebe, entre os dias 9 e 15 deste mês, a exposição fotográfica “A Ciência de Cuidar”, numa iniciativa que convida à reflexão sobre o cuidado humanizado, a dignidade da pessoa em situação de doença e a relação terapêutica como pilares fundamentais da missão hospitaleira.

Assinalando o Dia Mundial do Doente, que se celebra a 11 de fevereiro, esta exposição nasce da vontade de tornar visível aquilo que, muitas vezes, permanece encoberto: o cuidado diário e a presença próxima e humanizada que caracterizam o trabalho das Irmãs Hospitaleiras junto das pessoas assistidas.

Composta por 16 fotografias da autoria do fotógrafo Pedro Carreiro e Silva, a exposição propõe um olhar sobre o cuidar, evidenciando a articulação entre competência técnica e proximidade humana. 

As fotografias resultam de uma aproximação cuidada às pessoas assistidas e aos profissionais, valorizando a confiança, a relação terapêutica e o cuidado integral, num projeto que espelha histórias de vida, percursos de superação e relações construídas no quotidiano do cuidar, dando voz às pessoas e reconhecendo-as como protagonistas da sua própria história.

Ao receber “A Ciência de Cuidar”, o Parque Atlântico reforça o seu compromisso com a promoção de projetos de carácter social e cultural, afirmando-se como um espaço aberto à comunidade e à reflexão sobre temas relevantes.

 

Exposição “A Ciência de Cuidar”

Data: 9 a 15 de fevereiro

Local: Ponta Delgada, Parque Atlântico, Piso 0

Entrada: livre

 

No inverno
 Quando o frio chega, as pernas desaparecem debaixo de calças e collants. E com elas, para muitas pessoas, tende também a...

Quando se fala no frio, existe a ideia de que este pode melhorar os sintomas da Doença Venosa Crónica. É verdade que as temperaturas baixas têm um efeito visível nas nossas pernas, e é aqui que mora a confusão. De acordo com o especialista, quando o corpo é exposto ao frio, ativa automaticamente o sistema nervoso autónomo, que funciona sem que tenhamos qualquer controlo sobre ele, e que diminui a circulação na periferia. “É mais evidente, como seria de esperar, na pele e nas pernas, nas veias mais superficiais.”

O que significa que as veias parecem menos inchadas. “Não esquecer que as veias, principalmente das pernas, funcionam um bocadinho como o nosso reservatório de sangue. E, se estamos expostos ao frio e há menos circulação para o reservatório, à partida as veias que tiverem tendência a estar mais inchadas por terem mais sangue vão ter menos sangue no seu interior e há uma espécie de aparência de menos inchaço.”

Mas, confirma o especialista, “a insuficiência, a incompetência das válvulas e das veias é mantida. Obviamente que há uma expressão menor por haver menos sangue nas pernas, mas a doença é exatamente a mesma e não há qualquer alteração. A manifestação sintomática, isto sim, é que pode mudar”.

A este facto junta-se outro que pode “dar uma perceção de melhoria”, levando a uma desvalorização dos sintomas pelos doentes que apresentam uma doença menos grave: no inverno, não costumamos andar com as pernas tão expostas. “Não usamos calções, não vamos à praia, não usamos saias, os vestidos são mais longos, tendemos a usar mais camadas de roupa e, portanto, a parte dita visível da doença acaba por estar ‘longe dos olhos, longe do coração’.” Perde-se, acrescenta, “o aporte que terceiros nos darão em relação à nossa doença. Tudo desaparece no inverno porque simplesmente não temos a exposição das pernas”.

 

Medidas para todo o ano

A mensagem é clara: independentemente da estação do ano, as recomendações médicas não mudam e não devem ser postas em pausa só porque o termómetro desceu. É o caso, por exemplo, da prática de atividade física, uma das recomendações que, segundo Luís Loureiro, é mais do que consensual. “Nós sabemos que a barriga das pernas é uma espécie de um “segundo coração”, que faz com que o sangue saia das pernas em direção ao tronco. Cada vez que caminhamos, cada vez que fazemos exercícios que utilizem a barriga das pernas, e o mais comum é, efetivamente, a caminhada, estamos a diminuir a quantidade de sangue que temos nas pernas”. Resultado? “Diminui a sintomatologia da doença.”

Mas no inverno, há uma redução da atividade física. “E se eu fico mais quieto, se eu estou mais pelo sofá, se faço menos exercício porque não me preocupo tanto em controlar o meu peso, tudo isto vai provocar agravamento da doença”, confirma o especialista.

Outro dos aspetos que tende a ser negligenciado no inverno é a hidratação da pele. “Uma das maiores complicações e com maior prevalência nos doentes com Doença Venosa em estadios mais iniciais é o prurido (comichão), que é altamente prevalente e, como tal, leva, muitas vezes, à desidratação da pele, ou seja, a pessoa coça, esfrega e aquelas zonas de pele que já de si estão fragilizadas acabam por ficar extremamente suscetíveis de fazer até algumas lesões. Daí que a hidratação seja importantíssima no inverno.”

No entanto, de acordo com o especialista, “principalmente as senhoras, enquanto no verão se preocupam em andar com as pernas mais cuidadas e colocam creme; no inverno, por menos exposição dessa parte do corpo, muitas vezes saltam alguns passos, como a hidratação das pernas após o banho. E isso é extremamente importante, porque o banho provoca sempre alguma perda da camada protetora seborreica da pele”.

Em relação às meias de compressão, Luís Loureiro não tem dúvidas. “A compressão elástica faz tão bem no inverno como no verão, é a base do tratamento da Doença Venosa Crónica.” E, claro, não esquecer os fármacos venoativos, “que não são para ser usados só quando olhamos para as pernas e quando vemos o edema, mas sim para usar durante todo o ano”.

É importante, por isso, não esquecer que “a doença é evolutiva. Infelizmente, estamos a falar de uma doença crónica, pelo que ninguém vai ficar magicamente curado e, se nada for feito, se não for tomada qualquer tipo de precaução, vai continuar a evoluir e, além disso, evoluem também os seus sintomas”. Pelo “que o aparecimento dos sinais de alarme merece uma avaliação especializada ou mais precoce para não termos as complicações da doença”.

 

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