Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral
Estima-se que Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral possa ter um reforço de cerca de 7,5 milhões de euros por via da...

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) saúda a consignação à saúde oral de 22,5% da verba destinada à saúde, proveniente do imposto sobre o tabaco.

De acordo com o Orçamento do Estado de 2026, a receita prevista com o Imposto sobre o Tabaco é de 1 675 685 971 euros, estimando-se a atribuição de cerca de 33,5 milhões de euros à área da saúde. Assim, o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral poderá ser reforçado com cerca de 7,5 milhões de euros.

Ao converter uma percentagem significativa de receitas fiscais especificamente para a saúde oral, os Ministérios das Finanças e da Saúde dão um passo decisivo para corrigir um atraso histórico e estrutural que tem penalizado o acesso dos portugueses a cuidados essenciais de saúde."

 

Miguel Pavão, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas

A OMD congratula-se por terem surtido efeito os apelos feitos ao Governo, durante a discussão do OE 2026, para assegurar e reforçar verbas específicas para a saúde oral.

Investir na promoção da saúde e prevenção da doença é condição essencial para combater a desigualdade no acesso a cuidados de saúde oral e garantir a sustentabilidade das políticas de saúde pública."

Miguel Pavão, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas

A saúde oral é a segunda área mais financiada: 22,5% da distribuição

O Despacho n.º 2230/2026 integra pela primeira vez a saúde oral como uma área prioritária no financiamento proveniente do imposto sobre o tabaco, refletindo o impacto significativo do tabagismo nas doenças da cavidade oral.

A percentagem atribuída ao PNPSO - 22,5% - representa, por isso, “um reforço sem precedentes”, que permitirá com recurso à receita fiscal do tabaco expandir consultas, reforçar a prevenção, apoiar atividades de diagnóstico precoce de cancro oral e garantir maior integração da saúde oral nas políticas públicas de saúde.

De salientar que esta medida é há muito defendida e proposta pela OMD à tutela, tendo sido inclusive um dos pontos da proposta enviada para o OE2026.

A OMD propõe alargamento da medida a outros impostos

É convicção da OMD que medidas como esta são capazes de alterar o paradigma e o atraso no acesso aos cuidados de medicina dentária em Portugal. E, por isso, o repto lançado à Ministra da Saúde é que, “à semelhança da iniciativa louvável do imposto sobre o tabaco, solicita-se agora que, o Imposto sobre as Bebidas Açucaradas siga o mesmo caminho de reversão direta para o financiamento da saúde oral”, apelando a que 30% deste imposto seja alocado a esta área.

Perante a importância estratégica desta medida, a OMD já saudou a Ministra da Saúde, demonstrando total disponibilidade para colaborar com o Governo, apelando que as operacionalizações destas verbas garantam de forma eficiente e justa um aumento gradual e continuo nos cuidados de medicina dentária, posicionado a saúde oral como dimensão essencial da saúde geral.

 

Para assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras
Na próxima sexta-feira, dia 27, entre as 10h30 e as 12h00, a Baixa de Coimbra recebe uma “arruada de cientistas”. A iniciativa,...

Num percurso que começa no Largo da Portagem e termina na Praça 8 de Maio, cerca de 40 cientistas da Universidade de Coimbra (UC) vão percorrer a Baixa. O objetivo da arruada passa por sensibilizar a sociedade para os desafios das doenças raras, sobretudo as neurológicas, responder a questões da população e partilhar alguma da investigação feita no GeneT.

Atualmente, mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com uma doença rara. Existem mais de sete mil doenças raras genéticas sem terapia, as quais afetam 6% da população mundial.

Criado em 2024, o GeneT é um centro de investigação e inovação dedicado a doenças raras genéticas. Teve início num grupo de investigação do CNC-UC dedicado à terapia génica para a ataxia espinocerebelar tipo 3, também conhecida como Doença de Machado-Joseph.

O GeneT é o único centro de excelência de investigação em terapia génica em Portugal e está neste momento a criar seis novos grupos de investigação, dedicados a outras doenças raras oftalmológicas, infecciosas, músculo-esqueléticas, cardiovasculares, entre outras, diversificando as suas áreas de atuação. O centro aposta na relação entre investigação, desenvolvimento de terapias e aplicação clínica e vai ter condições para a realização de ensaios clínicos e produção de medicamentos.

A terapia génica representa uma abordagem terapêutica de ponta, especialmente eficaz na cura de patologias raras, com enorme impacto na vida dos portadores. É uma área biomédica em grande desenvolvimento, em particular no que respeita à produção de novo conhecimento científico com aplicação clínica e com grande impacto económico.

De recordar que o GeneT, financiado com cerca de 38 milhões de euros por entidades como a Comissão Europeia, o Governo português, a Unidade Local de Saúde de Coimbra, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e entidades do setor da saúde, é parte de um ecossistema de projetos que gere uma rede de mais de 100 parceiros espalhados pelo mundo e junta entidades da academia e indústria, hospitais e outros serviços, bem como associações de doentes.

A arruada é apoiada pela Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. Mais informações sobre o evento estão disponíveis em www.uc.pt/en/genet/genet-events/street-parade-rare-diseases/.

 

4 a 6 de março | Centro de Congressos da Alfândega do Porto
De 4 a 6 de março, realiza-se, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, o XXXIII Congresso de Pneumologia do Norte, em...

Sob o mote “Do diagnóstico precoce ao tratamento personalizado: a evolução da Pneumologia”, o encontro vai reunir especialistas de todo o país para debater os mais recentes avanços no diagnóstico e tratamento das doenças respiratórias, com destaque para a inovação, a Inteligência Artificial e a terapêutica personalizada.

O programa inclui cursos pré-congresso e sessões científicas dedicadas às principais áreas da especialidade, reforçando a aposta na formação e na partilha multidisciplinar.

A Comissão Organizadora - Patrícia Mota (presidente), Raquel Marçôa (vice-presidente), David Coelho (secretário) e Eduarda Tinoco (secretária) –  acredita que esta “será uma edição que manterá a excelência e qualidade que caracterizam este congresso e o afirmam como uma referência na Pneumologia, agora num local icónico da cidade do Porto”.

 

Data: 4 a 6 de março
Local: Centro de Congressos da Alfândega do Porto

 

Mais informações: https://pneumologiadonorte.com/

 

Evento online “Leadership for Women in Science”
A The Non-Conformist Scientist (NCS), organização sem fins lucrativos criada por e para cientistas, organiza o evento virtual ...

O programa, realizado em formato online, inclui sessões práticas e interativas conduzidas por especialistas nacionais e internacionais nas áreas de liderança, comunicação e desenvolvimento profissional. Entre os temas abordados destacam-se a gestão de conversas difíceis, o desenvolvimento da confiança e a superação da Síndrome de Impostor, bem como a construção de marca pessoal no contexto da Ciência.

O evento destina-se a mulheres que trabalhem nos setores científico, tecnológico e médico em diferentes fases da carreira (desde estudantes de pós-graduação a investigadoras e profissionais já estabelecidas) que pretendam desenvolver competências transversais, ampliar a sua rede de contactos e fortalecer o seu posicionamento enquanto líderes.

As datas inserem-se no período de celebração do Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, assinalado a 11 de fevereiro, e do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, reforçando a importância da equidade de género e da representatividade feminina em posições de liderança nesta área.

A participação no evento é limitada (máximo 60 pessoas) e requer inscrição prévia através da plataforma Eventbrite. Inscrições e mais informações aqui.

 

Saiba quais são
Manter uma alimentação saudável e equilibrada é importante para cuidar da saúde em geral – e os olhos não são exceção. Embora...

Assim, a Miranza, grupo líder em oftalmologia com mais de 40 centros em Portugal, Espanha e Andorra, alerta hoje para a importância de manter uma alimentação variada e equilibrada, privilegiando alimentos que influenciam positivamente a saúde ocular.

Com o passar dos anos, o consumo inadequado de nutrientes essenciais pode provocar diferentes problemas relacionados com a saúde visual. Por isso, para promover o bem-estar a longo prazo, é fundamental adotar hábitos alimentares e de vida saudáveis.

Um consumo elevado de produtos refinados, gorduras trans, carnes processadas ou álcool pode favorecer o aparecimento de problemas metabólicos, bem como o deteriorar de determinadas estruturas do olho. Assim, regular a ingestão de alimentos que podem prejudicar a saúde, dando prioridade a opções mais nutritivas, é uma medida fundamental para proteger a visão a longo prazo.

Os alimentos que cuidam da sua visão

Uma alimentação adequada deve fornecer vitaminas, antioxidantes e ácidos gordos que ajudem a proteger a retina, prevenir danos e manter um bom funcionamento dos olhos ao longo dos anos. Os especialistas da Miranza selecionaram sete alimentos que fornecem diferentes nutrientes essenciais para cuidar da nossa visão:

1.           Cenoura: um clássico. Certamente já terá ouvido muitas vezes falar das suas múltiplas propriedades benéficas para os nossos olhos. É rica em vitamina A, crucial para a saúde da retina e a visão noturna; e luteína e vitamina E, que ajudam a prevenir as cataratas.

2.           Peixe gordo: alimentos como o salmão, as sardinhas ou o atum são uma excelente fonte de ácidos gordos ómega-3 (DHA e EPA). Estes lípidos são fundamentais para o bom funcionamento da retina, e está comprovado que ajudam a prevenir a secura ocular e a reduzir o risco de degenerescência macular.

3.           Frutos secos: nozes, amêndoas ou pistáchios fornecem grandes quantidades de vitamina E, um antioxidante potente que protege as células dos olhos dos danos provocados pelos radicais livres e pode atrasar a formação de cataratas. Para além disso, alguns também contêm zinco, que contribui para manter a saúde da retina.

4.           Citrinos e morangos: laranjas, limões, quivis, toranjas ou morangos são conhecidos pelo seu elevado teor de vitamina C (ácido ascórbico). Esta vitamina é um antioxidante essencial que ajuda a proteger a visão contra o stress oxidativo e é importante para a formação e manutenção do colagénio, uma proteína estrutural presente na córnea.

5.           Ovo: é um alimento muito completo para a visão, sobretudo a gema. É rico em luteína e zeaxantina, dois carotenoides que funcionam como um filtro solar natural, protegendo a mácula dos danos da luz azul. Contém também zinco e vitamina A.

6.           Pimento vermelho: Tanto cru como cozido, é uma das fontes mais ricas de vitamina C por porção. Este antioxidante ajuda a proteger os vasos sanguíneos dos olhos, reduzindo o risco de cataratas. Fornece também vitaminas A e E.

7.           Verduras de folha verde: espinafres, couve kale, acelgas e brócolos são verdadeiros ‘superalimentos’ para a saúde ocular. São das fontes mais ricas em carotenoides luteína e zeaxantina, que se concentram na mácula do olho para a proteger da luz nociva.

Neste sentido, os especialistas da Miranza lembram que estes alimentos são benéficos, mas não milagrosos. Se quer realmente cuidar da sua saúde visual, o mais adequado é combinar a alimentação adequada com consultas de check-up ocular pelo menos uma vez por ano.

Só as revisões periódicas permitem detetar atempadamente alterações e evitar que evoluam para patologias mais graves, uma vez que muitas doenças oculares não apresentam sintomas nas fases iniciais. Um acompanhamento profissional regular é essencial para atuar precocemente e proteger a saúde visual a longo prazo.

 

Opinião
O ensino médico tradicional privilegia o reconhecimento das patologias mais prevalentes, seguindo um

Segundo a definição europeia, considera-se rara a doença que afeta menos de 1 em cada 2.000 pessoas. Ainda assim, a epidemiologia revela uma realidade de grande magnitude. No seu conjunto — existem mais de 7.000 patologias identificadas — as doenças raras deixam de ser um fenómeno residual para assumirem a dimensão de um verdadeiro problema de saúde pública global. Estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas vivam com uma destas condições em todo o mundo. Em Portugal, esta realidade abrangerá entre 600 e 800 mil pessoas.

A sua caracterização exige um olhar diferenciado e permanentemente atualizado. A literatura internacional aponta dados que merecem reflexão: cerca de 72% das doenças raras têm etiologia genética e aproximadamente 70% manifestam-se ainda na idade pediátrica.

Importa, porém, sublinhar que a história destas doenças não termina na infância. Graças aos avanços notáveis na medicina, na genética e nos cuidados de suporte, a esperança média de vida destes doentes aumentou de forma significativa. Hoje, a criança com doença rara cresce — e torna-se um adulto com doença rara. É neste ponto que emerge um dos maiores desafios do sistema de saúde: assegurar a continuidade de cuidados.

A transição dos serviços de Pediatria — tradicionalmente estruturados de forma muito protegida e multidisciplinar — para a medicina de adultos constitui, demasiadas vezes, um momento de rutura. O doente adulto, frequentemente portador de patologia multissistémica e complexa, pode ver os seus cuidados fragmentados por múltiplas especialidades, sem um fio condutor que integre a visão clínica.

Neste contexto, a Medicina Interna assume um papel central. Enquanto especialidade hospitalar de integração, o internista dispõe duma visão global necessária para articular informação dispersa, coordenar intervenções e centrar o cuidado na pessoa — e não apenas na soma dos órgãos afetados. O Núcleo de Estudos de Doenças Raras da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (NEDR/SPMI) defende que o acompanhamento destes doentes na idade adulta deve assentar numa abordagem integradora, evitando que se percam nos meandros do sistema.

Apesar dos avanços no conhecimento, persistem lacunas estruturais que importa ultrapassar. Para muitas famílias, o percurso até ao diagnóstico definitivo continua a assemelhar-se a uma verdadeira odisseia, marcada por incerteza, desgaste emocional e atrasos que podem comprometer intervenções precoces. Acrescem a escassez de opções terapêuticas específicas para grande parte destas patologias e a dispersão da informação clínica, fatores que continuam a constituir barreiras significativas.

Neste enquadramento, o NEDR/SPMI associa-se ao Dia Mundial das Doenças Raras colocando a equidade no centro da reflexão.

Equidade em saúde não significa tratar todos de forma idêntica. Significa reconhecer necessidades específicas e garantir respostas diferenciadas, adequadas à complexidade de cada situação. É imperativo assegurar acesso equitativo a diagnóstico precoce, a cuidados especializados e a centros de referência, independentemente da localização geográfica. Impõe-se uma rede de referenciação sólida, que conjugue proximidade e diferenciação, articulando cuidados locais com estruturas altamente especializadas.

Mas a equidade não se esgota no hospital. As doenças raras colocam também um desafio de cidadania. Exigem que a sociedade garanta oportunidades justas na escola, no emprego e na vida comunitária, combatendo o estigma, as barreiras arquitetónicas e o isolamento social que frequentemente acompanham a complexidade clínica.

A raridade estatística não pode continuar a significar invisibilidade. Não pode justificar atrasos, desigualdades ou resignação. Cada diagnóstico tardio é tempo perdido. Cada fragmentação de cuidados é uma oportunidade falhada. Cada obstáculo social é uma barreira que podemos — e devemos — remover.

O desafio que hoje se coloca é coletivo. Exige compromisso político, organização do sistema de saúde, investimento na investigação e formação contínua dos profissionais. Exige também uma sociedade mais informada, mais empática e mais inclusiva.

Cuidar da exceção é, afinal, uma medida da maturidade de um sistema de saúde e da humanidade de uma comunidade. Porque cada pessoa conta. Porque cada história importa. Porque cada vida — independentemente da sua raridade — tem um valor absoluto.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Um estudo científico recentemente publicado na revista PLOS Biology demonstra, de forma experimental e controlada, que o...

Os resultados indicam que figuras masculinas com pénis de maior dimensão tendem a ser avaliadas como mais atraentes do ponto de vista sexual e, no caso das avaliações feitas por homens, como fisicamente mais ameaçadoras. Este efeito manteve-se mesmo quando controlados outros fatores corporais, o que sugere que o tamanho do pénis funciona como um sinal visual socialmente relevante, influenciando tanto a perceção de desejo como a de dominância. O estudo conclui ainda que estes efeitos são mais marcados quando os estímulos são apresentados em tamanho real, aproximando-se mais da forma como estas características são percecionadas no quotidiano.

Para o Prof. Dr. Nuno Tomada, Médico Urologista e Andrologista e Diretor Clínico do The BOY Institute by MS Medical Insitutes, “Estes dados representam um avanço importante na compreensão científica da sexualidade masculina e das preocupações frequentemente expressas pelos homens em contexto clínico. A importância do tamanho do pénis tem sido historicamente desvalorizada ou tratada como um tabu, apesar do impacto real que tem na autoimagem masculina e na forma como os homens se posicionam socialmente. Este estudo mostra que o tamanho do pénis influencia perceções de atratividade e de ameaça física, o que ajuda a explicar muitas das ansiedades que encontramos na prática clínica”.

Compreender o papel do tamanho do pénis não deve ser visto como uma validação de estereótipos, mas como uma oportunidade para abordar a saúde sexual masculina de forma informada, empática e baseada em evidência científica. Estes resultados contribuem também para a discussão sobre a evolução humana, sugerindo que o tamanho do pénis pode ter sido favorecido ao longo do tempo tanto pela preferência feminina como pela competição entre homens, desempenhando um papel que vai além da função reprodutiva.

Este estudo reforça ainda a necessidade de continuar a investigação científica nesta área e de promover uma comunicação clara e responsável sobre sexualidade masculina, permitindo reduzir estigmas, melhorar a literacia em saúde sexual e apoiar os homens na construção de uma relação mais equilibrada com o seu corpo e bem-estar.

 

Opinião
O fígado é um órgão com múltiplas e diferentes funções, entre elas: a síntese de proteínas, lípidos

O reconhecimento precoce das doenças hepáticas é fundamental para podermos tratá-las atempadamente e proteger as funções (vitais!) deste órgão nobre.

Algumas dessas doenças, as mais frequentes, são amplamente conhecidas, mais ativamente procuradas, e por isso mais prontamente diagnosticadas e tratadas. São exemplos a infeçao pelos vírus da hepatite B e C, a doença hepática alcoólica e metabólica (fígado gordo).

Outras, no entanto, são raras, menos conhecidas pelos clínicos, não procuradas ativamente e, por isso, de diagnóstico mais difícil e tardio, atrasando o início de tratamento especializado. É neste último grupo que nos focamos, a propósito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se assinala a 28 de fevereiro.

As doenças hepáticas raras correspondem a um grupo heterogéneo de patologias que afetam o fígado e que, de acordo com a definição europeia, apresentam uma prevalência inferior a um caso por cada duas mil pessoas.

Entre estas, destacam-se as doenças metabólicas: são doenças genéticas, hereditárias, que ocorrem por defeitos em diferentes vias do metabolismo e afetam diferentes sistemas de órgãos, além do fígado.

As doenças metabólicas que mais frequentemente causam doença na idade adulta são a hemocromatose hereditária, a doença de Wilson e o défice de alfa-1-antitripsina. A  hemocromatose hereditária ocorre por alteração do metabolismo do ferro, que se acumula nos diferentes órgãos. Caracteriza-se por doença hepática, diabetes (por deposição de ferro no pâncreas), doença cardíaca, doença das articulações, aspecto bronzeado da pele.  A doença de Wilson decorre de um defeito no metabolismo do cobre, que se deposita principalmente no fígado e no sistema nervoso central. Assim, para além da doença hepática, os doentes podem apresentar-se com alterações do comportamento, do movimento e da fala. O défice de alfa-1-antripsina, ocorre por uma mutação que resulta na produção dessa proteína num formato anómalo. A acumulação da proteína alterada no fígado leva a ocorrência da doença hepática e a sua falta no pulmão leva ao aparecimento precoce de doença pulmonar.

Existem muitas outras doenças metabólicas, a maioria das quais se manifesta na infância, frequentemente com um quadro de má progressão estaturo-ponderal, podendo ainda ocorrer, consoante as vias do metabolismo envolvidas, hipoglicémias (por incapacidade de armazenar e libertar açúcar no sangue), alterações neurológicas (pelas hipoglicemias ou por acumulação de compostos metabólicos tóxicos), colestase (por acumulação de ácidos biliares, que não são usados para produzir bílis e se acumulam, conferindo coloração amarela à pele, cor escura da urina e prurido).

Além das doenças metabólicas, existem outras, que envolvem sobretudo mecanismos de autoimunidade e se manifestam mais frequentemente na idade adulta. São exemplos a colangite biliar primária e colangite esclerosante primária: doenças causadas por inflamação das vias biliares e que impedem o normal fluxo de ácidos biliares, levando à ocorrência de colestase.

A maioria destas doenças, por terem natureza genética ou autoimune, não apresentam cura. Contudo, desde que adequadamente diagnosticadas, para muitas delas existem tratamentos que permitem que se mantenham controladas, sem progressão, e permitindo levar uma vida normal (por exemplo, através do controlo dos níveis de ferro na hemocromatose ou dos níveis de cobre na doença de Wilson).

Quando a progressão não pode ser evitada, os doentes podem desenvolver doença hepática aguda ou terminal. Nestes casos, o transplante hepático poderá ser a única opção.

Embora nem sempre seja possível prevenir o aparecimento das doenças hepáticas raras, o diagnóstico precoce assume um papel central na melhoria do prognóstico. Em determinadas situações, o rastreio familiar permite identificar portadores assintomáticos ou doentes em fases iniciais, possibilitando uma vigilância adequada e a intervenção antes do surgimento de complicações irreversíveis. A literacia em saúde e a sensibilização da população para estas patologias contribuem igualmente para uma procura mais precoce de cuidados médicos.

Assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras é, acima de tudo, uma oportunidade para reforçar que a raridade não deve significar invisibilidade.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
UA desenvolve
Melhorar o diagnóstico da infertilidade masculina e permitir escolhas terapêuticas mais ajustadas a cada casal é o objetivo do...

“O diagnóstico de infertilidade masculina baseia-se sobretudo na análise básica de sémen, que avalia parâmetros como a concentração, mobilidade e viabilidade dos espermatozoides. No entanto, em cerca de 30 por cento dos casos, estes exames apresentam resultados normais, não sendo possível identificar a causa da infertilidade. É precisamente neste grupo de situações de causa desconhecida que o FERTI$CAN pretende intervir”, explica Joana Santiago, coordenadora do projeto, docente do Departamento de Ciências Médicas e também investigadora no Instituto de Biomedicina (iBiMED) da UA.

O principal objetivo do projeto passa pela identificação de um painel de biomarcadores moleculares, como proteínas e ácidos ribonucleicos (ARN), presentes no interior dos espermatozoides e diretamente associados ao sucesso da fertilização. Estes biomarcadores permitem avaliar, de forma mais precisa, a qualidade funcional dos espermatozoides, indo além da observação morfológica atualmente utilizada.

“Estes marcadores têm funções muito específicas nos espermatozoides. A sua ausência, presença em níveis reduzidos ou excesso pode comprometer etapas essenciais da fertilização, como a digestão da zona pelúcida do oócito, impedindo que a gravidez ocorra”, sublinha a investigadora do FERTI$CAN, projeto que conta com a participação de Margarida Fardilha e Teresa Herdeiro, investigadoras do iBiMED, de Pedro Corda, estudante do Programa Doutoral em Biomedicina (UA) e de Vanessa Bowen, estudante do Mestrado em Bioquímica (UC).

 

Auxiliar no diagnóstico e aconselhar tratamento

Ao fornecer informação detalhada sobre a capacidade real de fecundação, o método que está a ser desenvolvido na UA poderá auxiliar o diagnóstico da infertilidade masculina, bem como orientar a escolha da técnica de Procriação Medicamente Assistida mais adequada, reduzindo o tempo, o número de tratamentos e o impacto emocional para os casais.

“Se soubermos que uma proteína essencial à fertilização está ausente nos espermatozoides de um indivíduo, conseguimos prever que a gravidez natural será improvável, permitindo encaminhar o casal para uma técnica como a fertilização in vitro, com maior probabilidade de sucesso”, acrescenta Joana Santiago.

Apesar do seu potencial impacto clínico, o projeto encontra-se ainda numa fase inicial. Para que o teste possa chegar ao mercado, será necessária uma validação clínica alargada e o cumprimento de um rigoroso processo regulatório. “Ainda serão necessários vários anos até que este método possa ser utilizado na prática clínica”, refere Joana Santiago.

Para além da UA, o projeto FERTI$CAN conta com a colaboração dos serviços de Urologia e Ginecologia/Obstetrícia da Unidade Local de Saúde da Região Aveiro (ULSRA) e da Unidade de Medicina da Reprodução da ULS Gaia/Espinho, representados pelos médicos António Patrício (Urologista na ULSRA), Sandra Lemos e Sara Rocha, ambas ginecologistas na ULSRA, e pelas embriologistas Ilda Pires e Madalena Cabral (ULSGE).

Dia Mundial da Esterilização Animal
A esterilização de cães e gatos continua a ser um tema que gera dúvidas entre muitos tutores. Questões relacionadas com a idade...

“A esterilização é uma medida preventiva fundamental. Para além de evitar crias indesejadas, contribui significativamente para a redução do risco de várias doenças e para uma melhor qualidade de vida do animal ao longo dos anos”, explica Elena Díaz, médica veterinaria da Kivet, clínicas veterinarias de Kiwoko.

 

Quais são os principais benefícios da esterilização

A esterilização contribui para a prevenção de patologias graves, como infeções uterinas, tumores mamários, ováricos ou testiculares. Nos gatos e cães, reduz também comportamentos associados ao período reprodutivo, como fugas, marcação territorial, vocalizações excessivas ou agressividade relacionada com o instinto sexual. Estes efeitos traduzem-se numa convivência mais equilibrada e segura, tanto para os animais como para os tutores.

 

A esterilização altera o comportamento do animal

Uma das preocupações mais frequentes prende-se com eventuais mudanças de personalidade. De forma geral, a esterilização não altera o carácter do animal, mas pode atenuar comportamentos associados às hormonas sexuais. Os animais tendem a tornar-se mais tranquilos e focados, mantendo a sua energia, afeto e capacidade de interação. Qualquer alteração deve ser avaliada no contexto do ambiente, da educação e da rotina diária do animal.

 

Qual é a idade mais indicada para esterilizar

Não existe uma idade única que se aplique a todos os animais. A decisão deve considerar fatores como espécie, raça, tamanho, estado de saúde e estilo de vida. Em muitos casos, a esterilização é recomendada antes do primeiro cio, mas a avaliação veterinária individual é fundamental para determinar o momento mais adequado, garantindo segurança e recuperação adequada.

 

A esterilização provoca aumento de peso

O aumento de peso não é uma consequência direta da esterilização, mas sim de alterações metabólicas que exigem ajustes na alimentação e na atividade física. Com uma dieta equilibrada e exercício regular, os animais esterilizados mantêm um peso saudável. O acompanhamento veterinário é essencial para adaptar o plano alimentar às novas necessidades do animal.

 

Uma decisão informada e responsável

Esterilizar é uma decisão que deve ser tomada de forma consciente e informada. Para além dos benefícios individuais, contribui para a redução do abandono e da sobrepopulação animal. O acompanhamento por um médico veterinário permite esclarecer dúvidas, avaliar riscos e benefícios e garantir que o procedimento é realizado de forma segura e adequada às necessidades de cada animal.

A tecnologia começa a entrar na rotina dos pets
Estudo PetPulse Insights mostra que o cuidado animal está a dar os primeiros passos rumo à digitalização, ainda com forte...

A forma como os portugueses cuidam dos seus animais de companhia começa a mudar — e a tecnologia está a ganhar espaço nessa transformação. O estudo PetPulse Insights – Laços, Rotinas & Consumo, desenvolvido pela UPPartner, revela que 40% dos tutores demonstram interesse em utilizar apps e wearables para acompanhar a saúde e o bem-estar dos seus animais, apesar de apenas 23% afirmarem já recorrer a algum tipo de solução digital.

O dado é revelador de um momento de transição: os tutores reconhecem o potencial da tecnologia no cuidado animal, mas ainda não a integraram plenamente nas suas rotinas. Quando o fazem, é sobretudo através de dispositivos de geolocalização (GPS), usados para aumentar a segurança e reduzir a ansiedade associada a fugas ou perdas. A monitorização de saúde, comportamento ou atividade física continua, por agora, numa fase embrionária.

Os resultados do estudo, que analisou 483 tutores em todo o país, indicam que o interesse pela tecnologia é mais elevado entre tutores urbanos, mais jovens e de classes socioeconómicas médias e altas. Ainda assim, a decisão de adoção continua condicionada por fatores como o custo, a perceção de complexidade, o conforto do animal e a dificuldade em perceber benefícios concretos no dia a dia.

A relação entre o tutor e o animal é o alicerce do cuidado. A tecnologia, quando é simples e bem integrada, tem potencial para reforçar essa relação, ajudando a acompanhar a saúde, a prevenir problemas e a tomar decisões mais informadas”, afirma Bernardo Soares, médico veterinário e One Health Diretor da UPPartner.

O PetPulse Insights mostra que os tutores valorizam soluções digitais quando estas estão associadas a benefícios claros, como maior tranquilidade, prevenção e acompanhamento contínuo, e não apenas à lógica de gadget. A integração entre apps, histórico clínico e aconselhamento veterinário surge como um dos caminhos com maior potencial para transformar interesse em utilização efetiva.

Para a UPPartner, estes dados confirmam que o futuro do cuidado animal será progressivamente mais híbrido, combinando presença, vínculo emocional e tecnologia. Tal como aconteceu na saúde humana, a digitalização só ganha escala quando responde a necessidades reais e se adapta à vida das famílias.

O cuidado animal é, e continuará a ser, profundamente relacional. A tecnologia e a digitalização surgem como meios naturais para sustentar essa ligação, permitindo mais informação, mais acompanhamento e decisões mais conscientes ao longo da vida do animal”, acrescenta Bernardo Soares.

O estudo reforça que a adoção de tecnologia no setor pet não depende apenas da inovação, mas da capacidade de alinhar soluções digitais com a forma como os tutores vivem, cuidam e se relacionam hoje com os seus animais, numa lógica integrada de bem-estar humano e animal.

 

Aparelhos auditivos com Inteligência Artificial
A tecnologia tem vindo a aproximar as pessoas de uma audição mais natural.

Ouvir bem não se limita a aumentar o volume: trata-se de perceber com clareza os sons à sua volta, em qualquer situação. Os aparelhos auditivos com Inteligência Artificial (IA) tornam isso possível, analisando o meio envolvente em tempo real e ajustando automaticamente o som para uma experiência autêntica.

Afinal, os momentos do quotidiano que exigem uma audição personalizada são diversos. Desde um almoço em família, onde as vozes se sobrepõem e o ruído de fundo da televisão se faz sentir, até ao movimento de um restaurante cheio, esta tecnologia assegura uma audição intuitiva e confortável em qualquer contexto.

Como a Inteligência Artificial ajusta a audição ao seu ritmo

Quando utiliza aparelhos auditivos, estes percebem continuamente o ambiente à sua volta, conseguindo identificar a própria direção dos sons. Com mecanismos inteligentes, que incluem sensores, ajustam automaticamente o som, proporcionando uma audição equilibrada e com menor necessidade de ajustes manuais.

No fundo, a IA gere as frequências e nuances do som, destacando as vozes necessárias e mantendo nitidez, mesmo em ambientes desafiantes. Um equipamento que incorpora esta tecnologia é o ReSound Vivia, reconhecido como o melhor aparelho auditivo do mundo para ouvir com precisão em locais barulhentos*.

Além disso, tem autonomia prolongada e pode ser conectado ao telemóvel através de aplicações para Android e iOS. Para complementar, funde-se com o ecossistema digital do utilizador, permitindo o streaming de conteúdos e até atender chamadas telefónicas.

Vantagens sob medida

A experiência de vida de cada um faz com que ouça o mundo de forma única. Por isso, estas soluções auditivas adaptam-se ao utilizador e proporcionam mais conforto ao seu dia a dia.

  • Adaptação automática: ajusta o som conforme o meio, equilibrando a audição entre espaços silenciosos e movimentados.
  • Clareza da fala: foca nas vozes, mesmo quando existe barulho de fundo.
  • Funcionamento sem esforço: pode ouvir com tranquilidade todo o dia, reduzindo a dependência de configurações manuais.

Impacto dos aparelhos auditivos na primeira pessoa

Ouvir melhor pode ser significado de redescobrir rotinas que pareciam ter ficado para trás. A experiência de António Sala, uma das vozes mais marcantes do panorama nacional e embaixador da AudiçãoActiva, ilustra o impacto da utilização de aparelhos auditivos.

Com uma audição mais nítida, voltou a desfrutar plenamente das conversas e a estar presente em contextos profissionais que antes se tornavam exigentes, devido ao esforço constante para perceber cada palavra. Agora, a adaptação automática aos sons do ambiente permite-lhe concentrar-se no que realmente importa, sem distrações.

 

Fontes

* https://www.gn.com/newsroom/news/2025/february/gn-introduces-its-most-intelligent-hearing-portfolio-yet-including-resound-vivia

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
28 de fevereiro – Dia Mundial das Doenças Raras
Doença genética, rara, manifesta-se através de episódios imprevisíveis de “inchaço” (angioedema) em várias partes do corpo –...

“O angioedema hereditário é uma doença genética rara e potencialmente grave em que ocorrem episódios recorrentes de "inchaços" (angioedemas) em várias partes do corpo.  As principais manifestações são o angioedema na pele da face, mãos, pés e em outras localizações, por vezes, crises de dor abdominal intensa e, nos casos mais graves, angioedema na garganta (laringe) que pode impedir a respiração”, descreve Frederico Regateiro, imunoalergologista da ULS de Coimbra e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).  

Estima-se que existam cerca de 300 a 400 portugueses diagnosticados com angioedema hereditário, embora possam existir mais casos, ainda por diagnosticar. Aliás, o subdiagnóstico continua a ser um dos principais desafios no que respeita a esta doença rara.

Embora exista um risco de asfixia nos episódios de edema da laringe, o especialista sublinha que a mortalidade é, hoje em dia, muito rara, graças à existência, em Portugal, de medicação de emergência eficaz, para tratamento hospitalar e também para autoadministração, que os doentes trazem consigo para se tratarem rapidamente se tiverem uma crise grave. Contudo, o angioedema pode ter uma elevada morbilidade, ou seja, “um impacto importante na qualidade de vida, com episódios de angioedema imprevisíveis ou crises de dor que prejudicam a vida diária, o desempenho escolar ou laboral”. 

É, sobretudo, a imprevisibilidade das crises que condiciona a vida social dos doentes, levando-os ao isolamento e a situações de instabilidade psicológica. Além disso, explica Frederico Regateiro, “a doença exige cuidados específicos antes de certos procedimentos (como cirurgias ou intervenções dentárias) pelo risco de poderem desencadear crises, sendo muitas vezes necessária uma pré-medicação específica para garantir a segurança do doente.

“Os últimos anos têm trazido avanços no diagnóstico, laboratorial e genético e, sobretudo, novos tratamentos das crises e também novos tratamentos de manutenção, que permitem reduzir o número e a intensidade das crises, melhorando a qualidade de vida dos doentes com AEH. Os desafios atuais passam por reduzir o tempo até ao diagnóstico e por conseguir que todos os doentes tenham acesso às novas terapias, que são muito mais eficazes e seguras do que as que existiam há alguns anos”, explica o especialista, assegurando que qualquer imunoalergologista tem formação na área do angioedema hereditário e está habilitado a diagnosticar e tratar a doença. “Naturalmente que, por se tratar de uma patologia rara, existem centros com maior experiência clínica e acesso a exames ou tratamentos específicos, para onde é referenciada a maioria dos doentes e respetivas famílias, por ser uma doença genética e hereditária.“ 

Os hospitais que seguem um maior número de doentes com AEH em Portugal encontram-se em Lisboa, Porto e Coimbra, embora existam outros Serviços de Imunoalergologia, tanto no Continente, como nos Açores e na Madeira, que acompanham doentes em maior proximidade com as suas áreas de residência.

 

Diagnóstico

“O diagnóstico é confirmado através de análises ao sangue que medem os níveis e função da proteína C1-INH e da fração C4 do complemento. Pode ser necessário realizar também estudos genéticos”.

  

Tratamento

Existem tratamentos modernos para controlar crises agudas, para prevenir as crises em algumas situações de risco (como cirurgias) e ainda tratamentos "crónicos", para controlar a doença, que reduzem a frequência e a gravidade das crises, melhorando a qualidade de vida destes doentes, e que permitem que a maioria dos doentes leve uma vida normal.  

 

Equipa de Coimbra estuda em Portugal
Uma equipa de investigação, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), está a estudar em Portugal a viabilidade e a...

Este tratamento resulta da combinação da estimulação elétrica transcraniana de baixa intensidade (tDCS) com uma intervenção psicológica, de base cognitivo-comportamental, suportada por uma aplicação móvel, e vai ser disponibilizado pela primeira vez em Portugal na Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS de Coimbra), mais precisamente na Maternidade Bissaya Barreto.

Em concreto, “o tratamento tem a duração de dez semanas: nas primeiras três, a pessoa em tratamento realiza cinco sessões por semana (uma por dia) e nas sete semanas seguintes realiza três sessões. Cada sessão inclui 30 minutos de estimulação cerebral associada a um conjunto de exercícios oferecidos pela aplicação, integrados numa intervenção psicológica cognitivo-comportamental breve”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Ganho Ávila.

Sobre a estimulação elétrica, a investigadora revela que “a tDCS é uma técnica não invasiva e não farmacológica que permite modular a atividade neuronal, tornando determinadas áreas do cérebro mais ou menos excitáveis. Atua diretamente no funcionamento dos neurónios, sendo uma técnica segura e indolor quando utilizada sob supervisão médica. As sessões de estimulação podem ser dirigidas a regiões específicas do cérebro, o que torna esta técnica uma forma prática de influenciar o funcionamento cerebral, resultando em melhorias no estado emocional e cognitivo”.

A equipa da UC decidiu trazer esta intervenção terapêutica para Portugal depois de “já ter sido testada no Reino Unido com resultados encorajadores”, acreditando que “será uma oportunidade importante para alargar o leque terapêutico existente no Serviço Nacional de Saúde para grávidas e mulheres a amamentar com sintomatologia depressiva que procuram alternativas não farmacológicas”, avança a docente da Universidade de Coimbra. A facilidade de utilização em casa e o facto de ser uma alternativa não farmacológica são alguns aspetos positivos destacados pelas participantes do estudo no Reino Unido, que apresentaram, por exemplo, melhorias no humor, nos sintomas depressivos, no sono e no bem-estar geral, algumas após poucas semanas de utilização.

Sobre a aplicação no contexto português, a equipa já realizou um estudo com um grupo focal de mulheres com história de sintomatologia depressiva e profissionais de saúde perinatal para aferir a aceitabilidade do tratamento. Os resultados deste estudo encontram-se publicados no artigo científico Acceptability of remotely supervised Home-Based transcranial direct current stimulation combined with Cognitive-behavioural-based app for peripartum depression: perspectives from women with lived experience and mental health professionals, disponível aqui. A automonitorização de sintomas e a forma simples de utilização foram dois aspetos destacados sobre as vantagens deste tratamento.

Depois deste estudo, seguiu-se a formação da equipa de psiquiatras e psicólogos clínicos da Maternidade Bissaya Barreto que vão implementar o tratamento. Neste momento, está a decorrer a implementação do tratamento junto de 40 mulheres grávidas ou no período pós-parto, que vão realizar o tratamento ao longo de dez semanas.

“Através deste estudo observacional vamos analisar a viabilidade deste tratamento combinado junto de mulheres que são acompanhadas na Maternidade Bissaya Barreto”, destaca Ana Ganho Ávila. Em comparação com outras possibilidades de tratamento já existentes, a também psicóloga clínica elucida que “este tratamento apresenta um perfil de segurança elevado, incluindo para mulheres grávidas e mulheres a amamentar, não colocando riscos conhecidos nem para a mãe nem para o bebé ou recém-nascido”. “Por essa razão, pode ser considerado como uma alternativa segura ou um complemento à medicação antidepressiva, cuja utilização é frequentemente vivida com receio por muitas mães e famílias durante a gravidez e o período pós-parto, devido ao risco de exposição do feto ou do bebé através da placenta ou do leite materno. Além do mais, é um tratamento que pode ser realizado em casa, em total segurança, evitando as deslocações diárias às unidades clínicas que outras alternativas de estimulação cerebral exigem”, acrescenta.

“A resposta à saúde mental materna é cada vez mais urgente e Coimbra é uma referência nesta área. Este projeto é um contributo importante, que possibilita à ULS de Coimbra disponibilizar às suas utentes grávidas e no pós-parto acesso a uma intervenção inovadora e não invasiva”, frisa o Presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra, Francisco Maio Matos. “Para além disso, este projeto está perfeitamente alinhado com o nosso compromisso, enquanto ULS universitária, de articulação e valorização da investigação, inovação e conhecimento e de reforço da ligação estratégica entre a ULS de Coimbra e o ecossistema académico e científico. Estamos sempre disponíveis para apoiar e fomentar projetos que contribuam para ganhos em saúde, em estreita colaboração com a Universidade”, acrescenta.

 

A investigação decorre no âmbito do projeto 4MUMs, liderado pelo Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental. Na Universidade de Coimbra, para além de Ana Ganho Ávila, integram também a equipa a investigadora da Faculdade de Medicina (FMUC), Ana Telma Pereira, e as investigadoras da FPCEUC, Mónica Sobral e Magdalena Iwanow. Do lado da ULS de Coimbra, fazem parte da equipa a coordenadora do Hospital de Dia de Psiquiatria e subcoordenadora da Unidade de Neuromodulação do Centro de Responsabilidade Integrada de Psiquiatria, Joana Andrade; a diretora do Serviço de Psicologia Clínica, Mariana Moura Ramos; a diretora do Departamento da Mulher e do Recém-nascido, Teresa Almeida Santos, também docente da FMUC; as médicas psiquiatras e membros da consulta de Psiquiatria de Ligação às Maternidades, Daniela Pereira e Vera Martins; e a psicóloga clínica da Maternidade Bissaya Barreto, Cristina Vieira.

 

Opinião
A maternidade é um estado de graça para a saúde da mulher em todos os aspetos e o cabelo não é exceç

Durante a gravidez, verificam-se níveis mais elevados de estrogénio, que contribuem para o prolongamento da fase de crescimento do cabelo e, consequentemente, para um cabelo mais denso e volumoso. Todavia, após o parto, a redução abrupta destas hormonas leva, em regra, a uma queda de cabelo acentuada, fenómeno denominado de eflúvio telogénico pós-parto.

Naturalmente que este fenómeno de queda simultânea de muitos fios de cabelo com redução, muitas vezes, significativa da densidade capilar causa ansiedade e preocupação na mulher. Contudo, geralmente trata-se de um processo transitório para o qual contribuem além das alterações hormonais, o déficit de sono, a dieta inadequada e o stress físico e emocional. É por isso crucial para minimizar o impacto da queda exagerada de cabelo e acelerar a recuperação que estes fatores precipitantes da queda sejam controlados com algumas medidas, como:

• Manter uma dieta equilibrada rica em nutrientes como ferro, biotina, zinco e proteínas, essenciais para o crescimento capilar.

• Evitar dietas restritivas que podem agravar o déficit nutricional e enfraquecer o cabelo em crescimento.

• Reduzir os níveis de stress através de descanso, fortalecimento pessoal e momentos de autocuidado.

• Utilizar produtos capilares adequados, evitando agressões químicas e manipulação excessiva.

• Acompanhamento dermatológico regular garantindo um plano de cuidados capilares personalizados, pois como sabemos cada paciente é único e, a nível capilar, tudo se passa no folículo piloso, a porção capilar que não se vê a olho nu, mas que dá origem à parte visível e atrativa do cabelo. Daí a importância de avaliar e cuidar eficazmente da saúde capilar para prevenir consequências nefastas de uma queda de cabelo exagerada e negligenciada.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
ANL
A Associação Nacional de Laboratórios Clínicos (ANL) saúda a publicação do despacho n.º 2312/2026, que atualiza a tabela de...

A ANL sublinha que esta revisão deve ser lida como um sinal de reconhecimento das preocupações e consequências para as quais os laboratórios convencionados têm vindo a alertar, de forma consistente, nomeadamente sobre a erosão de uma rede que, pela sua capacidade e proximidade, constitui um eixo essencial do acesso aos cuidados de saúde.

A Associação destaca que as análises clínicas são uma condição essencial ao funcionamento do circuito assistencial, dado que o diagnóstico laboratorial suporta decisões clínicas em praticamente todas as especialidades, influencia percursos de rastreio e monitorização, e permite ao SNS mobilizar a capacidade instalada fora do setor público sempre que esta se revele insuficiente, pelo que a estabilidade da rede convencionada é essencial para se garantir o acesso em tempo útil aos cuidados de saúde.

A ANL reafirma o seu firme compromisso com a defesa do acesso efetivo dos cidadãos aos cuidados de saúde, com a salvaguarda da liberdade de escolha dos utentes e com a promoção de uma rede convencionada robusta, eficiente e territorialmente equilibrada.

 

ANAUDI
A ANAUDI — Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem sublinha que as tabela de preços e atos convencionados do...

O despacho introduz uma revisão de nomenclaturas, traduzindo-se numa atualização alargada dos atos convencionados e num reforço do investimento nesta componente assistencial.

A revisão das tabelas de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) do setor convencionado é enquadrada pela Associação como um desenvolvimento relevante para o setor, numa fase em que a radiologia convencionada se encontra em momento crítico. A Associação sublinha que a atualização das tabelas representa um sinal de convergência institucional em torno da necessidade de reforçar as condições de sustentabilidade do setor convencionado, incentivando o investimento, a modernização tecnológica e a manutenção da capacidade instalada, fatores que influenciam diretamente os tempos de resposta e a continuidade da oferta de exames no SNS.

A ANAUDI reitera o seu compromisso de colaboração com as entidades públicas e de representação dos interesses dos seus associados, mantendo uma atuação orientada para a defesa da rede convencionada, através do acompanhamento da implementação do despacho, e aguarda que, nos próximos meses, similar atualização das tabelas de MCDT se realize na Medicina Nuclear, bem como em outras áreas essenciais à capacidade de resposta do setor.

 

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) acaba de lançar o prémio “Boas Práticas em Medicina Interna” (BPMI) que tem...

Acreditamos que a valorização da Medicina Interna constitui um valor acrescentado para o cidadão/comunidade e para as práticas da organização, com reflexo direto na prestação de cuidados de saúde e sustentabilidade da mesma” afirma Luís Duarte Costa, Presidente da SPMI.

A atribuição deste prémio, que conta com o apoio da Bial, visa distinguir e premiar o projeto em nome individual ou de equipas, integrados e em representação de um Serviço de Medicina Interna. O projeto candidato deverá ter sido implementado recentemente, mas já com evidência de resultados que permitam medir o impacto do mesmo e que sejam suscetíveis de apresentação.

O prazo para submissão de candidaturas decorrerá entre 16 de fevereiro e 15 de abril e estas deverão ser submetidas on-line, em formulário disponível para o efeito, no site do 32º Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI) e no site da SPMI.

Das candidaturas submetidas, serão selecionados pelo júri os cinco projetos que mais se destaquem para apresentação no 32º CNMI em mesa-redonda a realizar do no dia 22 de maio.

Os projetos vencedores serão anunciados na sessão de encerramento do 32º CNMI e, ao longo do ano de 2026 a SPMI em conjunto com os parceiros associados irá divulgar os projetos selecionados que se tenham destacado pela sua relevância.

“O prémio não terá valor um valor pecuniário, mas sim um valor simbólico de reconhecimento e valorização de projetos que se destaquem na Medicina Interna portuguesa e que contribuam para a sua promoção e desenvolvimento” explica Nuno Bernardino Vieira, Presidente do 32º CNMI.

O lançamento do prémio de Boas Práticas em Medicina Interna é um dos marcos comemorativos dos 75 anos da SPMI que se assinalam dia 14 de dezembro.

Candidaturas e regulamento disponíveis em – https://www.spmi.pt/boas-praticas-em-medicina-interna-2026/

 

28 de fevereiro – Dia Mundial das Doenças Raras
No âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se assinala a 28 de fevereiro, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP)...

De acordo com Teresa Martin, da SPP, “o principal desafio no DAAT continua a ser o desconhecimento da doença, tanto na população em geral como entre profissionais de saúde. Apesar de ser uma condição relativamente simples de diagnosticar, continua a ser pouco testada, contribuindo para um atraso significativo no diagnóstico”.

A alfa-1 antitripsina é uma proteína produzida principalmente pelo fígado, cuja função é proteger os pulmões da inflamação e da destruição progressiva do tecido pulmonar. “No défice de alfa-1 antitripsina, uma alteração genética faz com que esta proteína esteja ausente ou exista em níveis muito baixos no organismo, deixando os pulmões mais vulneráveis a lesões ao longo do tempo. Por este motivo, esta condição genética aumenta o risco de desenvolvimento de doença respiratória crónica, podendo também associar-se a doença hepática devido à acumulação da proteína defeituosa no fígado”, explica a médica pneumologista.

Falta de ar, tosse persistente, infeções respiratórias frequentes, asma de difícil controlo ou o diagnóstico de DPOC ou enfisema - incluindo em não fumadores ou na ausência de fatores de risco conhecidos -constituem sinais de alerta que devem levar à consideração do Défice de Alfa-1 Antitripsina. Por serem frequentemente indistinguíveis de outras doenças respiratórias mais comuns, estes sinais podem contribuir para o atraso no diagnóstico.

No entanto, importa destacar que “o diagnóstico precoce pode alterar o prognóstico da doença. Identificar esta condição atempadamente permite implementar medidas preventivas essenciais (como evitar o tabaco e outras exposições nocivas) e iniciar um seguimento adequado, com impacto na evolução da doença respiratória”. Teresa Martin acrescenta que “existe uma terapêutica específica para o DAAT grave que está indicada em alguns doentes. O benefício desta intervenção é tanto maior quanto mais precocemente for iniciada, a partir do momento em que existe indicação terapêutica, sendo importante salientar que não está indicada para todos os doentes nem em fases muito iniciais sem critérios definidos”.

De acordo com as recomendações nacionais e internacionais, todos os doentes com DPOC, com enfisema precoce ou na ausência de fatores de risco conhecidos, doentes com asma de difícil controlo e os familiares de pessoas diagnosticadas com DAAT devem ser testados para esta condição.

 

Terapias complementares em oncologia pediátrica
“Terapias complementares e o seu impacto no bem-estar físico e emocional das crianças e das suas famílias, durante e após os...

Em Portugal, um estudo recente realizado pelo Hospital Pediátrico de Coimbra revela que 22% dos inquiridos utilizam terapêuticas não medicamente prescritas, embora existam evidências de que este valor possa ser, na realidade, mais elevado. E confirma ainda que, muitas vezes, esta adesão não é partilhada com as equipas de saúde, levantando preocupações legítimas ao nível da segurança dos tratamentos e da saúde das crianças. Num contexto em que a informação é frequentemente fragmentada, pouco clara e, por vezes, assente em abordagens sem base científica, a FROC assume um papel ativo: “promover o diálogo e criar um espaço para que este tema comece a ser abordado de forma estruturada e segura (com base na evidência científica)”, explica Catarina Mendes Martins.

Apesar de, como refere, “os pais, perante situações de grande fragilidade dos filhos, tenderem a recorrer a tudo o que possa ‘prometer’ melhorias no tratamento ou na qualidade de vida, nem sempre se sentem à vontade para abordar o tema em contexto de consulta. Existe, muitas vezes, o receio de julgamento por parte dos profissionais de saúde ou a perceção de que esta informação não é relevante para o médico”. Do lado dos médicos, existe “dificuldade em abordar terapias para as quais não conhecem evidência científica. Torna-se assim essencial promover a discussão sobre o tema e fomentar a comunicação entre famílias e profissionais de saúde.

Para a FROC, é clara a necessidade de “acesso à informação credível sobre o tema; abertura para os pais poderem levar à consulta as opções terapêuticas que consideram potencialmente benéficas para o seu filho e, com o apoio do médico, avaliarem se faz sentido recorrer a essas terapias. E é ainda necessário apoio na distinção entre o que pode efetivamente ser benéfico e o que pode interferir com o tratamento ou comprometer a saúde da criança”. Até porque, tendo em conta o “impacto profundo na criança e na família, e existindo evidência de que abordagens complementares podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida (bem-estar físico e emocional), é de interesse das famílias poderem recorrer a elas”.

De acordo com Catarina Mendes Martins, “as terapias complementares, como a acupuntura, a aromaterapia, as massagens, o yoga, o mindfulness, o reiki, entre outras, podem ajudar a lidar com os sintomas associados à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos - dores, náuseas, stress, ansiedade.”, contribuindo ainda “para a melhoria da qualidade do sono e do bem-estar geral, com impacto positivo no equilíbrio emocional da criança e dos seus cuidadores”. Mas tudo isto “sempre numa perspetiva complementar aos cuidados médicos convencionais”.

O Seminário vai ainda contar com um painel dedicado às terapias para a reabilitação das crianças com doença oncológica, durante e após o tratamento, assim como à apresentação do projeto vencedor da 9ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium bcp e do anúncio do vencedor e menções honrosas da 10ª edição.

 

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