Neurociências
O investigador Henrique Veiga-Fernandes, do Laboratório de Imunofisiologia do Centro Champalimaud, conquistou um prémio de 1,5...

É a primeira vez que este prémio é atribuído a um investigador em Portugal, afirma a Fundação Champalimaud em comunicado.

O prémio Allen Distinguished Investigator foi atribuído pelo trabalho desenvolvido sobre a forma como o sistema nervoso e o sistema imunitário interagem no corpo humano para o proteger das infeções.

Veiga-Fernandes realizou “estudos pioneiros que lhe permitiram identificar, com a sua equipa, unidades de células neuroimunes em diversas partes do corpo”, incluindo o intestino, os pulmões, a gordura e a pele, segundo a instituição.

“Trata-se de regiões especializadas onde os neurónios e células imunitárias se juntam e comunicam de forma a influenciar a maneira como o organismo responde a ameaças exteriores tais como vírus e bactérias”, explica a fundação.

O montante do prémio destina-se a um projeto a três anos e financiará o desenvolvimento de duas novas técnicas que permitirão medir como se processa a interação e comunicação celular.

Os cientistas vão criar marcadores fluorescentes especiais para ver quais são os neurónios que interagem com certo tipo de células imunitárias e desenvolver “uma etiqueta” específica para seguir certas células e ver o que acontece depois de terem interagido com neurónios.

“Estas técnicas deverão fornecer novas pistas sobre a forma como os neurónios influenciam diretamente o sistema imunitário”, esperam os cientistas.

Henrique Veiga-Fernandes é investigador principal no Centro Champalimaud, estudou medicina veterinária em Lisboa e em Milão, doutorou-se em Imunologia em Paris e fez o pós-doutoramento em Londres.

Em 2009, regressou a Portugal para fundar o seu próprio grupo de investigação no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.

O prémio, de periodicidade anual, destina-se a financiar pesquisas de “excepcional criatividade e impacto potencial”, destacando ideias e esforços pioneiros, em áreas de fronteira, com um impacto transformador em biomedicina.

Os galardoados foram escolhidos por Paul Allen e um grupo de conselheiros científicos. Desde 2010 (incluindo esta última edição) foram atribuídos 69 prémios.

Além de Veiga-Fernandes, foram também seleccionados nove cientistas a trabalhar em oito projectos nos EUA e Canadá. Os projectos – nas áreas do linfoma, das neurociências, do sistema imunitário, do envelhecimento, do desenvolvimento e da biologia fundamental – recebem um total de 13,5 milhões de dólares (11,9 milhões de euros).

Tudo o que precisa saber sobre a doença
Estima-se que uma em cada 9 mulheres desenvolverá cancro da mama ao longo da vida, se viver até aos

Dados epidemiológicos

Em 2018, a nível Mundial, o cancro da mama é a 2ª neoplasia mais comum, com 2 088 849 (11.6%)/18 078 957 novos casos de cancro, sendo a 5ª causa de morte por cancro. Nas mulheres, o cancro de mama é a neoplasia mais diagnosticada com 2 088 849 (24.2%) / 8 622 539 novos casos de cancro, sendo responsável pelo maior número de mortes por cancro.

Em 2018, em Portugal, o cancro da mama é a 2ª neoplasia mais comum com 6974 (12%)/58 199 novos casos de cancro, sendo a 4ª causa de mortalidade por cancro. Nas mulheres é a neoplasia mais diagnosticada com 6974 (27.1%)/25 724 novos casos de cancro, e a 2ª neoplasia responsável pela mortalidade por cancro. 

Fatores de risco

A causa para o desenvolvimento desta neoplasia é multifatorial, ou seja, não se prende apenas com um fator de risco, mas sim com vários, destacando-se alguns como:

  • idade avançada
  • obesidade (IMC > 30)
  • inatividade física
  • consumo excessivo de álcool
  • história familiar de cancro de mama
  • tempo de exposição a estrogénios prolongado (primeira menstruação precoce ou menopausa tardia, primeira gravidez após os 30 anos de idade ou nunca ter engravidado, o uso de terapêutica hormonal de substituição)

Cancro de mama hereditário

Alterações genéticas hereditárias aumentam o risco de cancro de mama. Mulheres e homens com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam elevado risco de desenvolverem cancro da mama ao longo da vida e em idades mais jovens. Contudo, estas mutações são raras e apenas 5 a 10% das doentes com cancro da mama apresentam estas alterações hereditárias.

Alguns exemplos de apresentações que podem estar mais associadas a hereditariedade são: o cancro de mama no homem, o diagnóstico de cancro da mama abaixo dos 30 anos de idade, o diagnóstico de cancro de mama e ovário na mesma pessoa, 3 ou mais casos de cancro da mama na família em familiares mais chegados, o diagnóstico de um determinado subtipo de cancro de mama (triplo negativo) abaixo dos 50 anos de idade.

Prevenção

5 Passos e 2 ações podem ajudar na prevenção do cancro da mama:

  1. Manter peso corporal saudável
  2. Manter estilo de vida ativo
  3. Limitar o consumo de álcool
  4. Amamentar se possível
  5. Pesar os riscos e benefícios do tratamento hormonal para os sintomas da menopausa

+ Ter consciência de alterações que podem ocorrer na sua mama

+ Consultar o médico assistente para obter informação sobre a realização de exames de rastreio (ecografia mamária e mamografia)

Sintomas e sinais

Os sintomas e sinais que podem fazer suspeitar da presença desta doença são:

  • Aparecimento de um nódulo, espessamento ou alteração de novo na mama que não desaparece ou aumenta ao longo do tempo. 80 a 90% dos nódulos não são cancro;
  • Inversão do mamilo de novo;
  • Corrimento através do mamilo;
  • Desenvolvimento de pele casca de laranja com sinais inflamatórios.

O diagnóstico, estadiamento e tratamento do cancro da mama é multidisciplinar, ou seja, envolve discussão em equipa composta por clínicos de várias especialidades, nomeadamente: Oncologia Médica, Imagiologia, Senologia (Cirurgia da Mama), Anatomia-patológica, Medicina Nuclear, Radioterapia.

Diagnóstico

Na presença de características clinicas suspeitas os exames a realizar são: ecografia mamária e mamografia. Em caso destes exames revelarem alterações suspeitas de cancro, procede-se à biópsia (colheita de tecido), cuja análise ao microscópio (exame anátomo-patológico) define o diagnóstico. A realização de ressonância magnética só toma lugar em caso de suscitarem dúvidas na ecografia ou mamografia. 

Tipos

Existem pelo menos 5 subtipos diferentes de cancro da mama. Este subtipo é definido por marcadores que são realizados na análise anatomo-patológica da biópsia – recetores hormonais, HER2, ki 67%. A definição do subtipo de cancro de mama é essencial para definir o plano de tratamento oncológico. 

Estádio

O estádio descreve a extensão do cancro, ou seja, se está localizado apenas na mama e/ou nos gânglios da axila – estádio precoce – ou se atinge também outros órgãos à distância – estádio avançado. A classificação TNM (T-tamanho do tumor, N-gânglios linfáticos na axila, M-metástases à distância) é a utilizada a nível mundial. O estádio pode variar entre 0 e IV. Quanto mais avançado o estádio, pior o prognóstico.

Estadio 0 – tumor não invasivo (in situ)

Estadio I – tamanho do tumor primário >/= 2 cm, sem afetar os gânglios linfáticos axilares

Estadio II – tamanho do tumor >2cm e <5cm, podendo os gânglios linfáticos axilares estarem afetados

Estadio III – tamanho do tumor >5cm ou envolvimento de gânglios linfáticos axilares

Estadio IV – o tumor da mama espalhou-se para outros órgãos ou gânglios linfáticos longe do seu local de origem (ex.: fígado, pulmão, osso...)

Tratamento

O tratamento do cancro da mama deve ser individualizado caso a caso e depende principalmente do estádio da doença e do subtipo de cancro da mama.

ESTÁDIOS INICIAIS

Cirurgia

Nos estádios iniciais em que o tumor está contido na mama e/ou gânglios linfáticos da axila, a cirurgia é o componente mais importante do tratamento e normalmente é a terapêutica inicial. O objetivo é sempre conseguir uma cirurgia que conserve a mama afetada – cirurgia conservadora. Em alguns estádios iniciais pode ser necessário iniciar tratamento por quimioterapia de forma a conseguir reduzir o tumor de forma a atingir uma cirurgia conservadora da mama. Em casos mais particulares não é possível conservar a mama, por exemplo, quando há vários focos de tumor em todos os quadrantes da mama.

Tipos de cirurgia da mama

Tumorectomia – remove o tumor e uma pequena margem de tecido normal envolvente. A esta cirurgia segue-se Radioterapia de forma a prevenir que o tumor volte na mama que ficou conservada.

Mastectomia – remove a mama toda.

Normalmente o primeiro local para onde o cancro de mama se espalha são os gânglios linfáticos que se encontram na região da axila do mesmo lado da mama afetada. Nesta fase o tumor ainda é operável.

Tipos de cirurgia dos gânglios da axila:

Biópsia do gânglio sentinela – neste procedimento é injetado um contraste na mama, antes da cirurgia, que ajuda o cirurgião a identificar os gânglios que possam estar afetados pela doença. É feita a análise ao microscópio. Se não houver gânglios linfáticos que contenham doença não é necessário remover mais gânglios linfáticos, poupando, assim, a doente ao esvaziamento axilar.

Esvaziamento axilar – reservado para as situações em que haja gânglios linfáticos na axila afetados pela doença. Quando estes gânglios linfáticos são removidos podem surgir sequelas normalmente irreversíveis como: a drenagem dos líquidos nessa zona fica comprometida o que aquando dos esforços repetidos pode levar ao chamado linfedema (aumento do volume do braço); dificuldade em determinados movimentos do braço, dor ou sensação de formigueiro. Nestes casos é essencial o exercício da fisioterapia.

A necessidade de realizar Radioterapia, Quimioterapia e/ou Hormonoterapia é normalmente decidida baseada na informação da análise ao microscópio da peça obtida na cirurgia.

Radioterapia 

A Radioterapia é um tratamento local (dirigido à mama e/ou gânglios linfáticos da axila) à base de radiação que impede o crescimento das células tumorais, tendo ao mesmo tempo preservar os tecidos normais adjacentes. É um procedimento indolor em que a doente está deitada numa máquina durante 2-5 minutos. Nos estádios iniciais é utilizado após as cirurgias conservadoras e em alguns casos após a mastectomia.

Quimioterapia

A quimioterapia são um conjunto de fármacos que matam as células tumorais. Nos estádios iniciais da mama pode estar indicada antes ou após a cirurgia. Antes da cirurgia (neoadjuvante) é utilizada de forma a reduzir o tumor e permitir a cirurgia ou então nos casos em que não seria possível a cirurgia logo e inicio. Após a cirurgia (adjuvante) pode estar indicada conforme os resultados da análise da peça operatória. A duração do tratamento decorre entre 3 e 6 meses. Quando é realizada em contexto adjuvante, normalmente inicia-se pela quimioterapia e só depois se passa para a fase de radioterapia e/ou hormonoterapia.

Hormonoterapia

A hormonoterapia está indicada após a cirurgia (adjuvante) em todos os tumores que apresentem recetores hormonais positivos (ver diagnóstico). É feita em comprimidos e a duração do tratamento pode variar entre 5 a 10 anos. Não é utilizada em conjunto com a quimioterapia, mas a sua utilização é segura ao mesmo tempo que a radioterapia.

Anticorpos

Em cerca de 15 a 20% dos tumores há uma alteração num recetor tumoral chamado HER2 (ver diagnóstico). Nestes casos, e consoante o estádio da doença, normalmente há a indicação para realização de quimioterapia associada a um ou mais anticorpos – tratamento anti-HER2. Este tratamento é iniciado com a quimioterapia e tem a duração total de 1 ano.

ESTÁDIOS AVANÇADOS

Nos estádios avançados da doença, ou seja, quando o tumor se espalhou para outras localizações do corpo, o principal objetivo do tratamento é o prolongamento do tempo de vida com o máximo de conforto possível. Nesta fase da doença os tratamentos mais utilizados são a hormonoterapia, quimioterapia, anticorpos ou outras moléculas alvo. A escolha da terapêutica a utilizar depende essencialmente do subtipo de cancro de mama e da presença ou não de sintomas. Normalmente, a duração do tratamento é feita até enquanto o doente estiver a responder ao tratamento ou até o doente deixar de o tolerar. 

Nesta fase da doença a radioterapia é reservada para controlo pontual de sintomas como por exemplo a dor ou hemorragia. O papel da cirurgia é controverso e só é ponderado em casos muito selecionados.

Vigilância

Nos estádios iniciais da doença, após os tratamentos, inicia-se um programa de vigilância. Este programa é baseado em avaliações clinicas com consultas em que o médico assistente averigua se há algum sintoma ou sinal de novo e realiza a observação da doente. Os exames de vigilância passam, essencialmente, pela realização de ecografia mamária e mamografia anual. Este programa pode ter variações em casos selecionados.

Nos estádios avançados é feita a avaliação de resposta regular (a cada 2-4 meses), tanto a nível clinico na consulta com o oncologista assistente, como com exames dirigidos aos locais onde existe doença.

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Estudo
Um estudo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica revela que medicamentos inovadores, avaliados em entre 60 e 80 mil...

O estudo “O valor do medicamento em Portugal”, elaborado pela consultora ‘McKinsey & Company’, a pedido da Apifarma, coligiu e analisou dados referentes à realidade portuguesa, visando "apresentar uma perspetiva holística sobre o valor dos medicamentos em Portugal", analisando o seu valor humano, social e económico.

Para avaliar o impacto dos medicamentos nestas três dimensões, o estudo selecionou oito doenças (cancro do pulmão, cancro colorretal, esquizofrenia, VIH/sida, insuficiência cardíaca, diabetes, artrite reumatoide, doença pulmonar obstrutiva crónica), que representam 15% do peso total de doença em Portugal.

A investigação concluiu que "os medicamentos inovadores acrescentaram valor significativo em Portugal” e trouxeram benefícios superiores à despesa total do país em fármacos.

Desde 1990, evitaram mais de 110 mil mortes, “comparáveis à população total do município de Setúbal em 2017”, contribuíram para o aumento da esperança de vida até 10 anos e acrescentaram dois milhões de anos de vida saudável, 180 mil em 2016, que representam “mais de três vezes os perdidos em ferimentos resultantes de acidentes rodoviários”.

“O valor dos anos de vida saudável ganhos nas oitos doenças representa entre cinco a sete mil milhões de euros anuais, acima do gasto total em medicamentos (3,8 mil milhões de euros)”, refere o estudo, que será hoje apresentado em Lisboa no congresso da Apifarma “Compromisso com as Pessoas. Mais e Melhor Vida”.

Para chegar a estes números, os investigadores compararam o número efetivo de mortes por estas doenças e os anos de vida não saudável (DALYs) de cada doente com o número projetado.

“Para cada doença, a projeção teve por base uma análise da evolução da prevalência da doença e dos encargos impostos em média a cada paciente entre 1991 e 2016. Assim, em cada doença, procurámos entender que medicamentos inovadores foram introduzidos ou popularizados em cada ano e se isso refletiu-se no número de mortes e DALYs”, explicou a consultora numa resposta escrita à agência Lusa.

Por exemplo, para a diabetes o momento de inflexão aparece por volta de 2002 com a introdução dos medicamentos DPP-4, mas a inovação continuou com as categorias GLP-1 e SGLT-2 e regimes de insulina basal ao longo da década seguinte e o impacto destes medicamentos inovadores ainda se faz sentir hoje, adiantou a consultora.

No caso do VIH/sida, as terapias inovadoras transformaram “uma doença fatal numa doença crónica e controlável, salvando até 22.000 vidas, e no cancro colorretal evitaram até 28 mil mortes", sublinha o estudo.

Os medicamentos inovadores também permitiram aos doentes continuarem a ser produtivos, gerando cerca de 280 milhões de euros anuais em rendimento adicional para as famílias nas oito doenças (1.000 euros por mês por família afetada), e contribuíram para reduzir hospitalizações e outros custos diretos com saúde em cerca de 560 milhões de euros anuais.

Para analisar a produtividade dos pacientes em idade ativa, foram avaliados diversos estudos nacionais e internacionais que comprovaram um aumento, seja por adiamento da reforma ou dias de baixa evitados.

Para a Artrite Reumatoide foi possível quantificar este efeito em 240 milhões de euros anuais de aumento de produtividade, exemplificou a consultora.

O estudo indica ainda que a indústria farmacêutica acrescentou mais de 1,5 mil milhões de euros ao PIB português em 2016, face a 2000, “o suficiente para cobrir todo o orçamento para a Ciência, Educação e Tecnologia”.

"A indústria é um motor de crescimento global do PIB, crescendo um pouco mais rapidamente do que a economia (2,7% vs. 2,3% p.a.), e é criadora de emprego em Portugal”, empregando cerca 10 mil pessoas diretamente e 40 mil direta e indiretamente.

Segundo a investigação, Portugal fica atrás da maioria dos países da União Europeia no acesso a medicamentos inovadores, com o acesso dos doentes a demorar até 38 meses.

A investigação aponta que "aumentar o valor aportado pelos medicamentos em Portugal" passaria por "inovar no atendimento ao doente", reforçando a prevenção e o diagnóstico, integrando cuidados e alavancando tecnologia, por "acelerar o acesso a medicamentos inovadores", simplificando a aprovação de reembolso, e por "atrair investimento da indústria farmacêutica".

Projeto ficou conhecido hoje
O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) apresentou hoje o projeto estratégico 2018-2022, que defende o reforço de recursos humanos...

“Este documento é uma reflexão estratégica do que vai ser o CHL nos próximos anos. É um objetivo ambicioso, mas, avaliando o percurso que tem sido feito, só podemos continuar a dar o nosso melhor no trabalho de servir mais e melhor os cidadãos”, afirmou o presidente do Conselho de Administração (CA) do CHL, Helder Roque.

O responsável salientou que o CHL “deu um salto muito grande” e a “estratégia na diferenciação, quer na questão existencial, quer infraestrutural, teve reflexos na qualidade e quantidade dos serviços prestados”.

Considerando que o CHL “conquistou respeito e estatuto”, Helder Roque salientou que a capacidade de crescimento e diferenciação da instituição “não está esgotada”.

O projeto estratégico, apresentado hoje, pretende abrir “um novo ciclo” para o CHL e assenta em oito eixos estratégicos, onde se destaca a importância do reforço nos recursos humanos da instituição e da oferta de mais valências médicas, evitando a transferência dos utentes para outras unidades hospitalares.

O CHL, que integra os hospitais de Alcobaça, Leiria e Pombal, serve uma população de 400 mil habitantes, em que se “combina uma parte de utentes muito idosa e outra muito jovem e laboriosa”.

“Queremos ser uma referência para toda a área de influência, sermos o mais eficientes para responder à nossa procura. Tendo a perspetiva de crescer nos próximos anos, pretendemos um reforço do internamento e da área ambulatória”, sublinhou o vogal executivo do CHL, Licínio Carvalho.

Criar uma Unidade de Angiologia e Cirurgia Vascular, um Serviço de Doenças Infecciosas e um Polo Assistencial de Nefrologia, em articulação com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), são alguns dos objetivos deste plano.

Outros desafios apresentados são a criação de uma consulta descentralizada de VIH, de uma Unidade de Cuidados Intermédios e de um Serviço de Reumatologia, essencialmente centrado no ambulatório, mas que deverá ter acesso a internamento, hospital de dia, laboratório, imagiologia e reabilitação.

Licínio Carvalho informou que o CHL pretende cobrir “80 a 85% das necessidades da população” da área de influência e ainda que “esteja dotado dos equipamentos e das estruturas para estas novas funções e serviços”.

Aumentar a lotação do internamento, remodelar o bloco operatório, criar uma unidade de cuidados paliativos em Alcobaça e uma unidade de convalescença em Pombal são objetivos a cumprir.

No caminho deste projeto, o CHL admite aumentar as instalações do hospital criar a hospitalização domiciliária e garantir a sustentabilidade económica e financeira.

Licínio Carvalho reforçou que pretende que o “CHL seja reconhecido como um centro mais eficiente e mais humano” e “aumentar a acessibilidades dos utentes aos serviços”.

“O que queremos é garantir excelentes condições de tratamento para os nossos doentes e excelentes condições para os nossos trabalhadores”, acrescentou, revelando que o CHL passou de um orçamento de 50 milhões para cerca de 90 milhões de euros em oito anos.

Nova ferramenta de diagnóstico
O hospital de Évora passou a estar equipado com um sistema de diagnóstico laboratorial de microrganismos único no país, ao...

Segundo o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), trata-se de “uma solução única e inovadora implementada, até à data, exclusivamente neste hospital”, no que respeita ao setor público.

O sistema consiste em “novas ferramentas de diagnóstico ‘in vitro’ [em ambiente controlado, no laboratório] que permitem uma maior rapidez na identificação de microrganismos, em particular bactérias”, referiu a unidade hospitalar.

Contactada pela agência Lusa, a diretora do Serviço de Patologia Clínica do HESE, Filomena Baptista Caldeira, explicou que esta solução integra, no total, “três equipamentos”.

“Neste momento, há mais um hospital que já tem algum destes equipamentos, mas os três juntos somos o único”, disse, referindo que o sistema foi fornecido por uma empresa, “contra consumo dos reagentes”, pelo que envolve “muito pouco gasto” por parte da unidade.

Segundo a diretora da Patologia Clínica, uma das ferramentas é um sistema de biologia molecular “multiplex”, que deteta o ADN “de várias bactérias e vírus” ao mesmo tempo, enquanto outra faz com que seja “mais rápido” obter uma “hemocultura positiva”, isto é, “deteta mais rapidamente o crescimento dos microrganismos”.

A terceira ferramenta, acrescentou, é uma outra técnica que permite igualmente acelerar a identificação dos microrganismos no sangue, “depois das colónias já crescidas”, quando não se recorre ao sistema de biologia molecular “multiplex”.

Com esta solução, instalada no HESE, torna-se possível identificar bactérias e vírus num prazo de aproximadamente 24 horas, quando, normalmente, este processo requer, pelo menos, o dobro desse tempo.

Antes, “no mínimo”, os resultados “demorariam 48 horas, se tudo corresse muito bem”, mas, “neste momento, para dizermos qual é o microrganismo, desde o momento em que positiva a hemocultura”, são “eventualmente, 24 horas, é uma grande diferença”, frisou.

“Com a identificação mais rápida e maior precisão, torna-se também mais rápido diagnosticar patologias e, por isso, adequar a terapêutica às necessidades concretas do doente, com vista a um tratamento mais eficaz”, disse a diretora da Patologia Clínica.

Filomena Baptista Caldeira precisou que o médico, munido destes resultados, pode prescrever um antibiótico “mais dirigido”, ou seja, mais específico para determinada bactéria ou vírus, “em vez de dar um de muito largo espetro e que dá para muitos microrganismos”.

E, acrescentou, como os equipamentos, revelam “algumas das resistências aos antibióticos” por parte dos microrganismos detetados, essa é outra das vantagens.

“Não dá todas as resistências, mas dá algumas”, o que permite ao médico adequar a “prescrição do antibiótico”, sublinhou a diretora do Serviço de Patologia Clínica do HESE, o único laboratório público nesta área no distrito de Évora.

Fique a conhecer
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma emergência médica que se carateriza pela súbita diminuição

Existem dois tipos de AVC, o AVC isquémico provocado pelo bloqueio/obstrução de uma artéria, vulgarmente conhecido por “trombose”, e o AVC hemorrágico, provocado pela rutura do vaso, denominado “derrame cerebral”.

O AVC hemorrágico é menos frequente e representa cerca de 15% do total dos acidentes vasculares cerebrais, sendo, no entanto, potencialmente mais grave.

Ambos requerem uma resposta rápida assim que os sinais de alerta forem percecionados, uma vez que quanto maior for o tempo entre o início do AVC e a intervenção médica, maior é a probabilidade de surgirem lesões potencialmente irreversíveis no doente.

Entre os sintomas mais comuns está um conjunto de manifestações comumente conhecido pelos “3 F’s”. São eles: a face descaída, dando uma sensação de assimetria do rosto; a diminuição da força num braço ou numa perna (ou ambos), que pode ser acompanhada por uma sensação de desequilíbrio; e a dificuldade na fala, fala arrastada, dificuldade em ter qualquer tipo de conversação ou existência de discurso pouco compreensível e sem sentido. A alteração da visão, nomeadamente a diminuição abrupta de visão num ou em ambos os olhos, uma forte dor de cabeça ou dificuldade em coordenar ou movimentos, são também sintomas frequentes. Sempre que estes sinais surgirem, deve contactar o 112 e dirigir-se ao hospital mais próximo.

Ao contrário do AVC isquémico, em que o internamento em unidades diferenciadas e os tratamentos na fase aguda (nas primeiras horas após início de sintomas) contribuíram para a diminuição de mortalidade e do grau de dependência dos doentes, no AVC hemorrágico esse efeito não se conseguiu. Os tratamentos de fase aguda não são tão eficazes e estes doentes não têm muitas vezes acesso a cuidados específicos em unidades diferenciadas.

É no sentido de combater este paradigma que o Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral (NEDVC) da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna tem incentivado à investigação e formação na área. Para debater este e outros temas relacionados com prevenção, avaliação e tratamento dos doentes com doença vascular cerebral, diversos Internistas e outros profissionais de saúde irão reunir-se no 19º Congresso do NEDVC, que se realiza nos dias 23 e 24 de novembro, no Hotel Crowne Plaza, na cidade do Porto.

Para além da vertente científica, o NEDVC também se tem preocupado em sensibilizar a população para este problema, principalmente no que toca à prevenção. Mesmo que fatores de risco como a genética, a idade ou o género (o AVC é mais frequente nos homens) sejam incontornáveis, existem outras formas de reduzir exponencialmente o risco de sofrer um AVC, tais como controlar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol, adotar uma alimentação saudável, pobre em gorduras e sal, praticar exercício físico regularmente, não fumar, nem consumir bebidas alcoólicas em excesso.

São estas pequenas ações que, certamente, farão a diferença na qualidade vida de cada indivíduo.

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OMS
A poluição atmosférica causa todos os anos a morte de cerca de 600 mil crianças com menos de 15 anos em todo o mundo, devido a...

A poluição do ar é o "novo tabaco", sublinhou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no `site´ da organização que promove hoje e na terça-feira em Genebra a primeira conferência mundial sobre "A poluição do ar e a saúde".

A OMS publicou um relatório que indica que todos os dias cerca de 93% das crianças com menos de 15 anos em todo o mundo respiram ar poluído, que prejudica gravemente a sua saúde e o seu desenvolvimento.

Segundo estimativas da OMS, mais de 91% dos habitantes do planeta respiram ar poluído, o que provoca sete milhões de mortes anualmente.

"Esta crise de saúde pública merece uma maior atenção, mas existe um aspeto particularmente negligente: A forma como a poluição afeta particularmente as crianças", refere o relatório da OMS.

Em 2016, a poluição do ar no interior das casas e no exterior provocou a morte de 543 mil crianças com menos de cinco anos e de 52 mil crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 15 anos em consequência de infeções graves das vias respiratórias, divulga ainda o relatório.

O estudo explica também que as mulheres grávidas expostas a ar poluído são mais suscetíveis de terem partos prematuros e de darem à luz bebés com baixo peso.

A poluição do ar afeta igualmente o desenvolvimento neurológico e as capacidades cognitivas das crianças. Assim, as crianças expostas a níveis mais elevados de poluição correm o risco de desenvolver doenças crónicas e problemas cardiovasculares em idade adulta.

Uma das razões porque as crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica é a de que respiram mais rapidamente do que os adultos, absorvendo com maior facilidade os agentes poluentes.

Os recém-nascidos e as crianças são igualmente vulneráveis à poluição do ar no interior das casas, uma vez que o uso regular de instrumentos tecnológicos e de combustíveis para cozinhar afetam a qualidade do ar.

Na opinião da diretora do departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, a prioridade da comunidade internacional terá de ser acelerar a transição para fontes de energia limpas e renováveis.

Maior contratação da região
A Ordem dos Enfermeiros nos Açores manifestou-se hoje satisfeita com o anúncio pelo presidente do Governo regional da...

“Esta é uma importante notícia para todo o setor da saúde na região. Trata-se da maior contratação de enfermeiros, de uma só vez, nos últimos quatro anos, sendo justo reconhecer o esforço do executivo açoriano com este anúncio”, considerou o presidente do conselho diretivo regional da Ordem, Luís Furtado.

Citado numa nota de imprensa enviada às redações, o responsável destacou que “esta contratação ao nível dos três hospitais da região permitirá, por um lado, atenuar os défices estruturais existentes e, por outro, permitir o ingresso na carreira a um importante número de enfermeiros”.

O chefe do executivo açoriano, o socialista Vasco Cordeiro, anunciou na semana passada, no âmbito das jornadas parlamentares do PS/Açores, que até ao final do ano serão contratados cerca 140 profissionais de saúde para os hospitais da região.

Segundo o presidente do conselho diretivo regional, as contratações agora anunciadas fazem parte de "uma das reivindicações mais importantes e antigas" da Ordem dos Enfermeiros.

"Desde há vários anos a esta parte que temos insistido junto da tutela para o necessário cumprimento dos requisitos da dotação segura de enfermeiros nas várias instituições e, assim, assegurar que os nossos cidadãos teriam acesso às melhores condições de saúde possíveis, naquilo que aos cuidados de enfermagem diz respeito. Nem tudo está resolvido, mas estas contratações constituem-se claramente como um grande passo dado nesse sentido", referiu.

A Ordem lembra que "já este ano, um despacho do vice-presidente do Governo dos Açores determinava a contratação de 40 enfermeiros" para as unidades de saúde da região, elevando para aproximadamente 120 contratações o total previsto para o corrente ano".

"Este é um claro exemplo de que se trabalharmos juntos, alcançamos mais facilmente os resultados que todos pretendemos. Lembro que, em 2015, assinamos com a Secretaria Regional da Saúde um acordo de cooperação relativo à dotação segura de enfermeiros nos Açores. Esse acordo permitiu que se fizesse um levantamento exaustivo e que se passasse efetivamente a conhecer as reais necessidades das nossas instituições", sustentou Luís Furtado.

Especialista em congresso
Especialistas deixam o alerta e demonstram que o valor da saúde está na complementaridade das várias áreas.

Pela primeira vez, realizou-se um congresso nacional transdisciplinar de saúde, para debater “A Qualidade de Vida do Doente Oncológico”. Inserido na programação Outubro Rosa e organizado pelo Gabinete de Apoio Oncológico (G.A.O.), o evento decorreu no passado dia 20 de Outubro, no Altice Fórum Braga.

Além do tratamento da doença, o objetivo é ajudar o utente a um regresso rápido e funcional à sua vida diária pessoal, familiar e profissional.

Inseriram-se na discussão as várias vertentes vitais juntamente com os seus profissionais para uma melhor qualidade de vida do doente, como médicos, fisioterapeutas, técnicos de exercício físico, nutricionistas, entre outros. O evento foi dividido em três grandes painéis, tendo cada um uma mesa redonda no fim para debater os tópicos abordados:

Medicina e Investigação

Luís Castro, do Hospital de Braga, e João Oliveira do IPO Lisboa, alertaram que cada vez mais o Cancro será uma doença crónica, e será como uma gripe. Deste modo, afirmam que temos que ter consciência e mudar o modo como vemos o Cancro e aprender a viver com o mesmo, reduzindo ao máximo as limitações que a doença e seus tratamentos possam causar. Daí a importância da intervenção da Psicologia, que deveria estar presente logo no momento em que o diagnóstico é dado.

Atividade Física, Exercício Físico e Nutrição

Sendo o Cancro da Mama feminino um dos cancros mais prevalentes na mulher em Portugal, estudos científicos comprovam que o aparecimento desta doença está, entre outros fatores, fortemente relacionado com o estilo de vida atual, nomeadamente a alimentação pobre e o sedentarismo. Estudos científicos como o projeto  “Quality Onco Life Program” demonstram que o exercício físico reduz de forma eficaz a pronúncia dos efeitos secundários sentidos com a quimioterapia.

Contudo, o Eurobarómetro da Atividade Física de 2017 indica que 68% da população portuguesa não faz qualquer tipo de exercício físico, o que coloca Portugal entre os três países da Europa com piores resultados, a par da Grécia e Bulgária. Mas a situação é ainda mais preocupante pelo facto de apresentarmos, em 2017, mais quatro pontos percentuais de inatividade face ao mesmo estudo realizado em 2013.

É esta realidade que levou a que vários médicos, de entidades públicas e privadas, alertassem para a necessidade de se atuar perante o desinteresse e mudar de forma radical o atual estilo de vida. Aliás a Professora Maria João Cardoso, da Unidade da Mama da Fundação Champalimaud, afirma mesmo que “mais de um terço das doenças oncológicas seriam perfeitamente evitáveis se a população portuguesa adotasse um estilo de vida saudável”. Não se refere apenas a hábitos alimentares, mas também e principalmente a atividade física.

Psicologia e Cuidados

De acordo com os psicólogos, Paulo Coelho e Jorge Monteiro, o problema está no estigma criado pela própria sociedade face ao Cancro, como sendo uma doença sempre mortal e um fim de linha. Tal faz com que logo haja um sentimento por grande parte das pacientes de desistir antes mesmo de iniciar a luta. A estrutura familiar, particularmente os filhos menores, erradamente são “protegidos” desta realidade, como explica Beatriz Moura. O doente, face a este estigma, vive a doença com preconceito, escondendo-a e tornando-a num fardo demasiado pesado que leva a uma redução da taxa de sucesso dos tratamentos.

A eficácia dos tratamentos, e principalmente o regresso a uma vida “normal” e funcional das utentes, está efetivamente relacionada com este trabalho de complementaridade.

A grande conclusão do Congresso passa sobre a atividade física ser um aliado de excelência na prevenção da doença oncológica, mas também essencial durante o tratamento e particularmente necessário para o regresso à vida ativa (cientificamente demonstrado na intervenção da Professora Marília Cravo, do Hospital da Luz).

Por outro lado, Mafalda Noronha, da Comissão de Nutrição Clínica da Ordem dos Nutricionistas, referiu que “não adianta mudar apenas os hábitos alimentares e recorrer aos tratamentos mais avançados”, se o paciente não recuperar a funcionalidade do seu corpo, e o mesmo só é possível com a intervenção dos técnicos de exercício físico.

Falhas nos sistemas de informação do SNS
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) pediu hoje a substituição da equipa dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde,...

“As aplicações informáticas não podem constituir obstáculos à relação médico-doente, nem podem desviar-se da sua função principal como sistemas de apoio”, mas o que tem acontecido coloca em risco a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos doentes, afirma a FNAM em comunicado,

A federação dos médicos sublinha que “a implementação dos sistemas de informação no SNS tem-se caracterizado pela total displicência, uma ausência de respeito pelos profissionais, graves atentados à privacidade dos cidadãos e por um nepotismo tutelar que colocam em grave risco a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos nossos doentes”.

Desde o início da informatização do Serviço Nacional de Saúde tem sido constante a incapacidade dos sucessivos governos em “informatizar sem perturbar” e vários são os relatos de falhas, tanto nos centros de saúde como nos hospitais, sustenta.

Diariamente, os médicos têm à sua frente distintos programas informáticos para prestar cuidados a um só doente, refere a FNAM, dando como exemplo o ‘PEM’ para passar receitas ou o ‘SClinic’ para registar informação médica no internamento e consulta.

Para registar informação no serviço de urgência, os médicos têm o sistema ‘ALERT/SIRIU’, para registo de saúde eletrónico têm o ‘SER’ e o SGTD para requisitar transporte de doentes, elucidou.

Os médicos têm “aplicações para consultar análises, aplicações para emitir pedidos de meios complementares de diagnóstico (cada tipo de exame tem a sua aplicação) e assim por diante… o que corresponde a dezenas de ‘cliques’ por consulta, a minutos de espera e a um desespero total”, vinca a Federação Nacional dos Médicos.

A juntar a esta situação, os programas frequentemente “vão abaixo”, bloqueiam ou simplesmente não funcionam, afirma, adiantando que usar papel poderia ser uma opção, mas este “foi ‘proibido’ e assim o médico e o utente ficam completamente reféns do sistema”.

Perante esta situação, a FNAM pede responsabilidades à gestão dos sistemas de informação, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), “pela sua conduta inconsequente” e pede “a rápida intervenção da Ministra da Saúde e a substituição da atual equipa dos SPMS”.

Doença não é contagiosa
A Psoríase é uma doença muito antiga que deriva da palavra grega “psora” que significa prurido (comi
Comichão em mão provocada pela psoríase

10 coisas que deve saber sobre a psoríase:

  1. A psoríase não é contagiosa. Não se pega nem é causada por um micróbio. Portanto, pode-se abraçar, tocar uma pessoa com psoríase, pode estar na mesma piscina, no mesmo cabeleireiro porque a psoríase não se transmite por contacto.
  2. A psoríase tem um fundo genético. Isto significa que é mais frequente numas famílias do que noutras (falamos de probabilidade de vir a ter psoríase na mesma família) embora possa aparecer sem antecedentes familiares (não é hereditária). Também sabemos que alguns medicamentos, infeções (amigdalites, por ex.), agressões da pele (queimaduras solares, por ex.) podem desencadear o aparecimento de lesões de psoríase.
  3. Manifesta-se por manchas avermelhadas na pele associadas a descamação branca e, por vezes, aumento da espessura (placas) em áreas específicas da pele (cotovelos, joelhos, região lombar, pés, couro cabeludo), com ou sem comichão. Também pode aparecer só nas unhas (manchas amareladas e descolamento das mesmas) e é confundida com frequência com fungos.
  4. Há formas ligeiras, moderadas e graves. As mais frequentes são as formas ligeiras (80%) pelo que a maioria das pessoas tem poucas lesões e são fáceis de controlar. É uma doença frequente em Portugal: 3% das pessoas tem uma forma de psoríase.
  5. Nas formas mais graves, a extensão da pele atingida é grande e pode inclusive aparecer outro tipo de lesões, como pústulas e bolhas, nos pés e mãos. Pode ser necessário ser internado no hospital para tratamento. Também está associada a doenças como diabetes, doença cardíaca e a depressão.
  6. Uma forma grave de psoríase é a forma articular. Caracteriza-se por dores articulares (mãos, pés, coluna) e inflamação das mesmas que, se não tratadas, pode levar a deformações e incapacidade permanente.
  7. O diagnóstico é feito no dermatologista pela observação clínica. Por vezes são necessários exames para confirmar a doença (biópsia de pele) ou para avaliar as doenças associadas (análises e RX).
  8. A psoríase não se cura, mas trata-se. Sabemos que a nível imunológico há sinais errados, enviados pelas células do nosso sistema imune, que fazem acelerar o crescimento das células da pele. Isto significa que ainda não somos capazes de eliminar essas alterações genéticas do nosso sistema imune mas temos vários medicamentos que as conseguem controlar.
  9. Existem muitos medicamentos para a psoríase. Cremes, pomadas, loções para formas ligeiras, comprimidos para formas moderadas e mesmo injeções para formas graves. O que importa reter é que o dermatologista escolherá o melhor regime terapêutico para si, o mais fácil e eficaz, e aquele com menos efeitos secundários. E lembrar que a psoríase é uma das doenças que melhora com a exposição da pele ao sol – portanto aproveitar as horas de exposição solar e ir para a praia (nas horas adequadas, e sem escaldão, claro), é uma boa escolha.
  10. Em resumo, a psoríase é uma doença crónica e, tal como muitas outras (hipertensão, diabetes, …), controla-se. As formas graves são raras e com os medicamentos disponíveis hoje em dia, tratáveis. O dermatologista é o médico indicado para estabelecer o regime terapêutico adequado ao seu caso.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Descoberta pode ser alternativa ao tratamento convencional
Cientistas descobriram nas células humanas uma 'arma mortífera' que pode causar o seu “suicídio” quando se tornam...

Os resultados da descoberta, feita por investigadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, foram hoje publicados na revista científica Nature Communications.

Nas células, a 'arma' está incrustada nos ARN, moléculas que codificam as proteínas, e nos microARN, pequenos ARN não codificantes.

"Agora que conhecemos o 'código da morte', podemos desencadear o mecanismo sem usar a quimioterapia e sem mexer no genoma [toda a informação genética]. Podemos utilizar estes pequenos ARN diretamente, introduzi-los nas células [cancerígenas] e acionar o interruptor para as matar", afirmou o autor principal do estudo, Marcus E. Peter, citado em comunicado pela Universidade Northwestern, assinalando que a quimioterapia tem vários efeitos secundários, como gerar novos cancros, uma vez que ataca e altera o genoma.

O investigador acredita que poderão ser desenhados microARN artificiais "muito mais poderosos" para matar células cancerígenas do que os microARN "desenvolvidos pela própria natureza", mas usando o "mecanismo que a natureza desenvolveu".

Num estudo anterior, publicado em 2017, a equipa de Marcus E. Peter descreve que os tumores malignos morrem na presença de pequenas moléculas de ARN e que as células cancerígenas tratadas com essas moléculas de ARN nunca se tornam resistentes porque as moléculas eliminam ao mesmo tempo vários genes que este tipo de células necessita para sobreviver.

Na altura, os cientistas desconheciam qual o mecanismo que provocava a autodestruição dos tumores. Apenas sabiam que o que fazia com que os microARN se tornassem tóxicos para as células cancerígenas era o facto de terem uma sequência de seis nucleótidos (moléculas orgânicas que são os blocos construtores de ARN e ADN).

As moléculas orgânicas em causa são a guanina, a citosina, a adenina ou a timina (constituintes do ADN, que contém instruções genéticas) e o uracilo (ARN).

Numa nova investigação, Marcus E. Peter testou 4.096 combinações de bases de nucleótidos na sequência de seis moléculas identificadas nos microARN tóxicos e descobriu que a combinação mais mortífera é rica em guanina.

Posteriormente, o investigador verificou que os microARN expressos no organismo para combater o cancro usam a mesma sequência para matar células cancerígenas.

Além disso, o seu grupo de trabalho constatou que as próprias células 'cortam' em pequenos pedaços um gene envolvido no seu crescimento anómalo. Estes 'pedaços', sustentam os cientistas, atuam como se fossem microARN e são muito tóxicos para o cancro.

Doença afeta 30 mil pessoas por ano
A incapacidade de um doente com acidente vascular cerebral (AVC) pode ser reduzida quando ao tratamento medicamentoso se...

Em declarações à Lusa, Manuel Ribeiro, coordenador da unidade de Neurorradiologia de Intervenção do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNG/E) e um dos médicos envolvidos na adaptação do estudo em Portugal, explicou que, para além de “reduzir a incapacidade dos doentes”, o estudo, também comprova ser possível “ter níveis de poupança elevados para o Estado”.

“Este estudo era uma necessidade porque, apesar de ser algo que toda a gente sabe, era algo que era preciso de fazer no nosso país. A trombectomia [remoção cirúrgica de trombos que bloqueiam a circulação sanguínea] é muito eficaz e permite que os doentes tenham uma maior probabilidade de recuperação. Se conseguirmos que mais doentes sejam independentes aos três meses (indicador utilizado), esses doentes vão gastar menos em cuidados de saúde”, salientou.

O estudo, designado “Cost-Effectiveness of Solitaire +IV t-PA versus IV t-PA alone”, avaliou a relação custo/benefício da trombectomia e concluiu que o Estado pode obter uma poupança total de quase oito mil euros por doente ao recorrer a esta intervenção, do que apenas ao tratamento com medicação.

Manuel Ribeiro explicou ainda que a associação desta intervenção ao tratamento medicamentoso, apenas se aplica em 10% dos casos de doentes em Portugal com AVC, visto que são “os casos mais graves”.

“Apenas 10% dos doentes com AVC tem indicação para fazer este tipo de tratamento, porque são casos graves, cerca de 25% tem indicação para fazer o tratamento medicamentoso e os restantes tem apenas indicação para estarem internados”, contou à Lusa.

Segundo o neurorradiologista, em Portugal, apesar de existirem seis centros de referência hospitalar no tratamento desta doença, dois no distrito do Porto, um em Coimbra e três em Lisboa, “há ainda muito a ser feito”.

“Há muito a melhorar e temos de evoluir na organização pré-hospitalar. Temos de funcionar em rede, não podemos ter intervenção em todas as unidades hospitalares, mas temos de ser rápidos a transportar o paciente para o hospital correto, porque, efetivamente tempo é cérebro e é essa uma das máximas do tratamento do AVC”, sublinhou Manuel Ribeiro.

Também Miguel Veloso, coordenador da unidade de AVC do CHVNG/E e um dos médicos envolvidos no estudo, revelou à Lusa que “falta uma rede de referenciação bem definida” em Portugal.

“Neste momento o que falta é essencialmente uma rede de referenciação bem definida das regiões e dos hospitais para onde tem de ser enviados os doentes, articulando, claramente isso com o INEM para o transporte imediato dos doentes”, afirmou.

Segundo o neurologista, desde que o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho passou a ser um dos seis centros de referência a realizar trombectomias em Portugal, “dois terços dos doentes passaram a ficar independentes”, contrariamente aos cerca de “um terço anteriormente registados”.

“Este estudo comprova que apesar do investimento inicial ser maior, principalmente em equipamentos, esse investimento vai ser recuperado, visto que o internamento é mais curto, os doentes recuperam e a qualidade de vida é enorme”, acrescentou.

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral, doença que afeta cerca de 30 mil pessoas por ano em Portugal, sobretudo na população com menos de 65 anos.

Revisão de carreira
Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciaram às 00:00 de hoje uma greve de 24 horas para exigir a revisão da carreira e...

A greve, a quarta este ano, visa protestar contra as “últimas propostas apresentadas pelo Governo, que não vão ao encontro da reivindicação deste grupo profissional, relativamente à regulamentação da carreira”, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont.

De acordo com os sindicatos, a paralisação irá afetar praticamente todos os serviços de saúde, com “especial incidência” nos blocos operatórios, altas e internamentos hospitalares, diagnósticos diferenciados, planos terapêuticos em curso e distribuição de medicamentos.

A greve prevê o cumprimento de serviços mínimos, abrangendo tratamentos de quimioterapia e radioterapia e situações de urgência.

Tal como aconteceu nas greves nacionais anteriores, realizadas em maio, junho e julho, os sindicatos esperam “uma forte adesão e uma forte participação dos trabalhadores” à paralisação, bem como à manifestação que está agendada para as 14:00 no Marquês Pombal, em Lisboa, de onde seguirão para a Assembleia da República, disse Luís Dupont.

Para o dirigente sindical, a manifestação "tem condições para superar a última manifestação realizada a 24 de maio em frente ao Parlamento e que foi uma das maiores alguma vez realizada por este grupo profissional".

A greve é convocada pelo Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, pelo Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, pelo Sindicato dos Fisioterapeutas Portugueses e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com fins públicos.

Os sindicatos protestam contra “a intenção do Governo de encerrar o processo negocial da revisão da carreira” sem acordo com as associações sindicais e exigem uma tabela salarial que respeite as suas habilitações profissionais e a sua aplicação a 01 de janeiro de 2018.

Reclamam ainda ao Governo que aceite as regras de transição para a nova carreira, “o correto descongelamento das progressões” e o “fim de todas as bolsas de horas ilegalmente constituídas, sem o acordo escrito do trabalhador, com o pagamento integral como trabalho extraordinário”.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica são constituídos por 19 profissões e abrangem áreas como as análises clínicas, a radiologia, a fisioterapia, num total de cerca de 10 mil profissionais que trabalham nos serviços públicos de saúde.

Relatório
O ar que se respira nas cidades europeias está poluído com substâncias perigosas que terão provocado centenas de milhares de...

O organismo europeu assinala "lentas melhorias", mas destaca que "a poluição do ar continua a ultrapassar os limites e diretivas da União Europeia e da Organização Mundial de Saúde", baseando-se em dados recolhidos em 2.500 postos de recolha de dados durante o ano de 2016.

Os transportes rodoviários são uma das principais causas da poluição, emitindo partículas nocivas e gases como dióxido de azoto e ozono que são "um perigo para a saúde humana e para o ambiente", sobretudo nas cidades.

O ozono que se acumula junto ao solo é o poluente a que uma maior percentagem da população urbana da União Europeia está exposta: se se medir pelos critérios mais restritos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, 98% da população esteve exposta a doses superiores ao limite recomendado durante 2016.

No entanto, se a bitola for o limite decidido pela União Europeia, só 12% recebeu doses superiores ao recomendado, um decréscimo em relação a 2015, (30% da população, nesse ano), mas ainda acima dos 7% registados em 2014.

A exposição ao ozono terá contribuído para a morte prematura de cerca de 17.700 pessoas em 41 países da Europa.

Mas são as micropartículas poluentes (considerando as que têm um diâmetro igual ou inferior a 2,5 milésimas de milímetro) as mais mortíferas, podendo atribuir-se-lhes cerca de 422 mil mortes antes do tempo em 2015, 391 mil delas no espaço da União Europeia.

O panorama é, mesmo assim, melhor do que o que se passava em 1990, quando se estima que mais de meio milhão de pessoas morria anualmente por exposição a partículas poluentes, o que se atribui no relatório à aplicação de medidas locais e nacionais para reduzir a poluição provocada pelos carros, pelas indústrias e pelas centrais elétricas.

De acordo com os limites decididos na União Europeia, 6% terão estado expostos a elas, mas, novamente, se se tiver em conta o estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, cerca de 74% da população urbana na Europa respirou ar contaminado com partículas acima do recomendado.

Quanto ao dióxido de azoto, 7% da população vivia em 2016 em zonas com concentrações acima dos limites quer da União Europeia quer da OMS, menos do que os 9% registados em 2015 mas ainda o suficiente para causar cerca de 79 mil mortes prematuras.

A poluição do ar tem custos elevados, desde logo porque mata, mas também porque faz aumentar os gastos com cuidados médicos e prejudica a produtividade devido às doenças que provoca e os dias de baixa que implica.

Além dos seres humanos, os ecossistemas, solos, florestas, lagos, rios e campos agrícolas também são afetados.

"A poluição do ar é um assassino invisível e temos que aumentar os esforços para acabar com as suas causas. As emissões dos transportes rodoviários são mais nocivas que as das outras origens, uma vez que acontecem ao nível do solo e são piores nas cidades, onde estão as pessoas", afirmou o diretor da agência ambiental, Hans Bruynickx.

O impacto na saúde caracteriza-se por infeções pulmonares, ataques cardíacos, acidentes vasculares e cancro do pulmão.

Prémio distingue profissional de cuidados de longa duração
Uma enfermeira que nunca conseguiu emprego em Portugal é finalista pela segunda vez consecutiva do prémio de melhor...

Apesar de ter sido finalista não vencedora dos 'National Care Awards' em 2017, Sílvia Nunes foi nomeada novamente este ano por superiores, colegas e residentes do lar de idosos onde trabalha em Thetford, uma localidade 140 quilómetros a nordeste de Londres.

"Foi uma surpresa, porque é muito difícil ir pela segunda vez à final. Estar nos cinco melhores do país já é muito bom", admitiu a portuguesa à agência Lusa.

O prémio da categoria de "Care Registered Nurse" pretende reconhecer um profissional de cuidados de longa duração que demonstre excelentes qualidades clínicas e de gestão e "um alto nível de dedicação e apoio às pessoas que ajuda".

"A Sílvia é fora de série!", resume Ruth French, a diretora de operações do grupo Stow Healthcare, que gere cinco lares de idosos nas regiões de Suffolk e Essex (leste), em declarações à Lusa.

Além de ser uma "profissional de saúde talentosa e competente", French atribui mérito à portuguesa por, juntamente com a diretora do lar Ford Place, Alison Charlesworth, ter dado a volta à instituição, que foi avaliada pelo regulador Care Quality Commission com a nota máxima de 'Outstanding' [Excecional] este ano.

"A Sílvia ajudou a nossa equipa a capacitar-se, apoiando-os para poderem cuidar dos residentes com necessidades de cuidados muito complexos. Isso tornou Ford Place no 'lar mais desejado' da nossa área para cuidados paliativos e para aqueles que precisam de muitos cuidados de enfermagem", elogiou.

Atualmente a estudar para ser diretora de lares de idosos, Sílvia Nunes, de 33 anos, teve uma ascensão rápida tendo em conta que mal falava inglês e não estava habilitada a trabalhar como enfermeira quando chegou ao Reino Unido, em 2014.

Natural de Vila do Conde, saiu de Portugal frustrada com a dificuldade em encontrar emprego após a licenciatura na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, em 2013.

"Fui entregar o currículo a vários sítios à procura de trabalho, mas disseram-me sempre que não empregavam a enfermeiros qualificados há menos de um ano e nenhum hospital me chamou para concursos. Trabalhei num apoio domiciliário em Vila do Conde e era voluntária dos Bombeiros Voluntários, mas não era suficiente para sobreviver e pagar contas", contou à Lusa.

Em vez de seguir a via do recrutamento através de agências, como centenas de outros enfermeiros portugueses que trabalham em hospitais no Reino Unido nos últimos anos, Sílvia Nunes decidiu "entrar numa aventura" pelos seus meios.

"O meu inglês era fraco, quase inexistente, tive de aprender cá. Consegui trabalho num lar enquanto esperava o meu PIN [cartão profissional] para exercer através da Ordem dos Enfermeiros de cá, que demorou 10 meses", contou à Lusa.

Em dezembro de 2015, sete meses depois de trabalhar como enfermeira, foi promovida a diretora clínica e em setembro de 2016 a vice-diretora, tendo contribuído para melhorar o funcionamento ao nível do pessoal, mas também da assistência aos residentes.

No documento de nomeação para o prémio são referidas várias ações atribuídas a Sílvia Nunes, como a introdução de um reforço de nutrição, como doses reforçadas de laticínios, fruta ou mel, para compensar o corte do financiamento público dos suplementos alimentares.

Noutros casos, sugeriu alterações na alimentação ou medicação para melhorar o bem estar, o aumento de peso ou que ajudaram no tratamento de feridas.

"A Sílvia tem um cuidado especial com os meus pés e pernas e não tem problema nenhum em ficar de joelhos para ter certeza de que eles são bem tratados e não me causam problemas. Eu tive uma ferida teimosa no meu pé que demorou muito a cicatrizar e beneficiou enormemente por ter a Sílvia a acompanhá-la com muita atenção", descreveu a residente identificada apenas como IC, num documento de apoio à nomeação para os prémios.

O lar Ford Place, onde Sílvia Nunes trabalha, também está nomeado para a categoria de "Care Home of the Year" [Lar de Idosos do Ano] dos National Care Awards, atribuídos pela publicação Care Times, sendo os vencedores anunciados em 30 de novembro em Londres.

Antes, a 15 de novembro, terá lugar a gala regional do leste de Inglaterra dos Great British Care Awards, outro prémio para o qual a vilacondense está nomeada na categoria de Good Nurse Award.

Se vencer, poderá ser finalista a nível nacional, cujos vencedores serão conhecidos em março de 2019.

Refletindo sobre percurso e experiência no Reino Unido, a portuguesa garante que tem sido "fantástica" e que nunca sentiu ser tratada de forma diferente ou como estrangeira.

"Quando o meu inglês era muito fraco, sempre me ajudaram a tentar melhorar: ajudavam-me a escrever e corrigiam os meus relatórios se não estivesse correto", lembrou.

Apesar de os prémios para os quais está nomeada não se traduzirem numa recompensa monetária, Sílvia Nunes diz sentir-se reconhecida a nível pessoal e profissional quando colegas, residentes e familiares do local de trabalho se mostram orgulhosos porque têm "uma das melhores enfermeiras do país".

«Together Helping Women»
Uma organização fundada por uma lusodescendente em Toronto, no Canadá, está a ser um recurso importante no apoio a mulheres...

A Fundação Together Helping Women foi fundada apenas em junho de 2016 por Ana Pereira, uma vítima de um cancro na mama, mas a organização já tem um papel importante na sociedade local.

"O nosso objetivo é angariar fundos para ajudar essas mulheres (com cancro) porque temos tido poucos voluntários", disse à agência Lusa Ana Pereira.

A responsável da fundação falava, no sábado à noite, durante a terceira gala de angariação de fundos para auxiliar vítimas do cancro, organizado pela Together Helping Women. Nesta edição, o tema foi a leucemia.

"Queremos ajudar mulheres com qualquer tipo de cancro. Nesta edição, estamos a assinalar o tema da leucemia. Já abordámos outros temas, como o cancro da mama e dos ovários", acrescentou.

Com cerca de 300 convidados, os lucros do jantar de gala reverteram para as vítimas de cancro, pessoas com "baixo rendimento, sem acesso ao seguro de saúde", acima de tudo pessoas "mais necessitadas, como mães solteiras", exemplificou.

Nem todas as vítimas têm acesso ao sistema de saúde de Ontário, daí que a fundação desempenhe um importante papel no acompanhamento das vítimas.

"Hoje em dia, as pessoas da comunidade portuguesa estão muito abertas. As estatísticas da Sociedade Canadiana do Cancro revelam que uma em cada duas mulheres padecem de um cancro. Há ainda muito tabu, mas as pessoas estão mais abertas", sublinhou.

Uma das vítimas, com um tumor no cérebro, Vanina Reynoso, destacou a importância de associações como a Together Helping Women no acompanhamento das mulheres afetadas por esta doença.

"Através destas associações conhecemos imensas pessoas que passaram pelo mesmo problema e não nos sentimos tão sozinhos. Isto é muito importante porque ajudam-nos a ultrapassar os medos", recordou.

Ainda enviou uma mensagem de esperança a todas aquelas afetadas pela doença porque a "maior parte do tempo é difícil", mas a "esperança é sempre a última a morrer".

Outra das vítimas, Patrícia Rocha, há 13 anos no Canadá, natural de Póvoa de Varzim, uma sobrevivente de um cancro na mama, diagnosticado em julho de 2017, reconheceu o trabalho da fundação.

"Sempre estiveram do meu lado, nas consultas e no tratamento de quimioterapia, acompanhando-me. Disponibilizaram-se para me apoiar financeiramente, nomeadamente a peruca, mas não foi necessário. Preferi que a disponibilizassem para outra vítima que tivesse problemas com a imagem", contou.

A fundação tem um papel importante mas as vítimas "têm de ter força de vontade, autoconfiança", pois só assim se consegue ir até fim.

De acordo com dados de 2016 da Sociedade Canadiana de Leucemia, 138.100 canadianos padeciam de uma forma de cancro no sangue, 43.335 de um linfoma, 22.510 de leucemia e 7.455 de um mieloma.

chefe de Estado alertou para as "fragilidades de sistemas políticos"
O Presidente da República desaconselhou "perplexidades e incertezas" em "matérias sensíveis" como a...

Marcelo Rebelo de Sousa falava durante uma sessão comemorativa do 40.º aniversário da União Geral dos Trabalhadores (UGT), na sede desta central sindical, em Lisboa, na presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva.

Após elencar os desafios da União Europeia, o chefe de Estado passou para o plano nacional, declarando: "Portugal precisa de continuar a crescer e crescer mais e criar emprego, de manter rigor orçamental, de ir diminuindo o endividamento nomeadamente público, de se não esquecer das desigualdades que importa corrigir, da pobreza que cumpre combater".

"De evitar em matérias sensíveis como a educação, a saúde, a Segurança Social perplexidades e incertezas, em particular nos mais frágeis de todos. E, claro, precisa de prosseguir e acelerar em qualificação, inovação, ciência, tecnologia, aposta de futuro", completou.

O Presidente da República observou que "é quase uma quadratura do círculo" e acrescentou que exige "sistema político forte, alternativas não menos fortes e claras, capacidade de representar anseios, indignações, reivindicações antigas e novas".

Em relação ao contexto europeu, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou a mensagem que tem repetido em diversas ocasiões de que "a Europa precisa de não deixar sem decisão, ou com decisões frouxas ou adiadas, o relacionamento com o Reino Unido" e tem também de tomar decisões rapidamente sobre "o crescimento, o emprego, a União Económica e Monetária, o quadro financeiro plurianual, as migrações e os refugiados".

No plano global, o chefe de Estado voltou a alertar para as "fragilidades de sistemas políticos, de sistemas de partidos, de parceiros sociais, de instituições múltiplas, de vivência democrática" e a defender que não se pode "cair no unilateralismo, no protecionismo, no isolacionismo, na guerra económica, que é sempre uma guerra política".

"Não é, pois, fácil esta era que se segue aos 40 anos de vida", concluiu, referindo-se à UGT.

Nesta sessão comemorativa discursaram também o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, o ministro do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, o presidente do Conselho Económico e Social, António Correia de Campos, o vice-presidente da Assembleia da República Jorge Lacão, e o presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Há um milhão de pessoas com diabetes em Portugal
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) anunciou que vai promover em 14 de novembro uma ação de sensibilização, no...

O coordenador do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus (NEDM), Estevão Pape, explica, citado num comunicado da SPMI, que “o desafio passa por convidar as famílias a realizar uma experiência de um dia em que não consumam alimentos açucarados, tais como bolos, doces, cereais, refrigerantes, bebidas alcoólicas, entre muitos outros”.

O tema central deste ano é a “Família e a Diabetes”, e a SPMI convida as famílias portuguesas a moderar o consumo de açúcar, diminuindo assim as probabilidades de desenvolvimento da doença.

O Presidente da SPMI, João Araújo Correia, esclarece, no mesmo comunicado, a importância que este tipo de ações pode ter junto da população, uma vez que contribui, de um modo geral, para que a população adote um estilo de alimentação saudável.

“Conseguimos não só contribuir para uma melhoria da saúde de todos nós, como inclusive destacamos o papel do especialista de Medicina Interna no contexto hospitalar e na promoção da discussão pública e científica ligada às diversas temáticas da saúde”, adianta.

A diabetes é uma doença crónica, caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue e que provoca a deterioração dos vasos sanguíneos, podendo desencadear doenças cardiovasculares, insuficiência renal ou cegueira.

De acordo com o Observatório da Diabetes em Portugal, há um milhão de pessoas com diabetes no país.

Saiba mais
As infecções do tracto urinário, mais vulgarmente conhecida como infecção urinária, são mais comuns
Sistema urinário do homem para ilustrar a infeção urinária

As infecções urinárias afectam o sistema que produz a urina e a transporta para o exterior do corpo: os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra. As infecções urinárias são frequentemente classificadas em dois tipos com base na sua localização no aparelho urinário. Ou seja, infecções urinárias baixas ou infecções urinárias altas.

As primeiras incluem a cistite (infecção da bexiga) e a uretrite (infecção da uretra) e são frequentemente causadas por bactérias intestinais que se disseminam para a uretra e, em seguida, para a bexiga. A uretrite pode também ser causada por microrganismos que são transmitidos através de contacto sexual, incluindo a neisseria gonorrhoeae (gonorreia) e a chlamydia. Outra forma de infecção urinária baixa nos homens é a prostatite, que afecta a próstata.

Por outro lado, as infecções urinárias altas envolvem os ureteres e os rins e incluem a pielonefrite (infecção renal). Estas ocorrem frequentemente devido à subida das bactérias pelo aparelho urinário, a partir da bexiga até aos rins, ou, raramente, em consequência dos rins serem atingidos por bactérias transportadas pela circulação sanguínea.

O tipo mais comum de infecção urinária é a cistite, inflamação da bexiga que ocorre em ambos os sexos, mas é mais frequente entre as mulheres devido à anatomia feminina que favorece a infecção. Das infecções que ocorrem nos homens, só um número relativamente reduzido afecta os homens jovens, eventualmente devido aos factores de risco relacionados com este problema.

A cistite é mais comum nos homens que praticam relações sexuais anais e nos que não foram circuncisados. Outros factores que aumentam o risco de infecções urinárias incluem uma obstrução (como a provocada por um bloqueio parcial da uretra, conhecido por estenose) e corpos estranhos, tais como as algálias (que podem ser inseridas para aliviar uma obstrução na uretra). A infecção urinária no homem também está relacionada a problemas de cálculo renal ou a complicações da próstata.

Nos homens com mais de 50 anos, a glândula prostática (uma glândula que se situa próximo da parte inferior da bexiga, envolvendo a porção inicial da uretra) pode aumentar de volume e bloquear o fluxo de urina a partir da bexiga. Esta situação é conhecida por hiperplasia benigna da próstata e pode impedir a bexiga de se esvaziar completamente, o que aumenta a probabilidade das bactérias proliferarem e desencadearem uma infecção.

Por outro lado, existem hábitos e doenças que podem ser factores predisponentes, por exemplo a diminuta ingestão de líquidos, o esvaziamento da bexiga incompleto e pouco frequente, o refluxo da urina da bexiga para os rins, os cálculos (pedras), tumores e alterações do funcionamento da bexiga, diabetes ou a prostatite crónica.

Sintomas da infecção urinária

Os sintomas mais frequentes da infecção urinária são o desconforto ou peso no baixo-ventre, dor e/ou ardor ao urinar, necessidade de urinar mais frequentemente e em pequenas quantidades, por vezes com dificuldade. Frequentemente a urina apresenta um aspecto turvo e um cheiro desagradável, podendo por vezes apresentar sangue.

Nas infecções urinárias complicadas com atingimento do rim, há muitas vezes dor na região lombar, que pode simular a cólica renal, febre elevada com ou sem calafriosnáuseas e vómitos.

A infecção urinária pode, contudo, não dar sintomas e sinais, e o seu médico descobri-la apenas quando executa análises urinárias de rotina.

Diagnóstico da infecção urinária

O especialista diagnostica uma infecção urinária com base nos sintomas e exames (físicos e laboratoriais) efectuados. Pode ainda fazer perguntas sobre a história sexual do doente, incluindo antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis (do doente ou do parceiro), a utilização de preservativos, a existência de múltiplos parceiros e a prática de relações anais. Por outro lado, o toque rectal irá permitir avaliar o tamanho e a forma da glândula prostática.

Se o doente for um homem jovem sem sinais de aumento de volume da próstata, o médico pode pedir exames adicionais para identificar a presença de uma anomalia do aparelho urinário que aumente a probabilidade de infecção, uma vez que as infecções urinárias são relativamente raras nos homens jovens com um aparelho urinário normal.

Os exames adicionais podem incluir a ecografia, a tomografia computorizada (TC), a urografia de eliminação (exame em que, após a injecção de um produto numa veia, várias radiografias são sequencialmente tiradas permitindo ver o aparelho urinário), ou a cistoscopia (exame que permite ao médico inspeccionar o interior da bexiga através da introdução de um pequeno instrumento pela uretra).

Prevenção da infecção urinária

A maior parte das infecções urinárias nos homens não podem ser prevenidas. No entanto, factores como a ingestão hídrica abundante ou o tratamento da obstipação podem diminuir a sua incidência. É igualmente recomendável que o homem não retenha urina por longos períodos e esvazie completamente a bexiga durante as micções.

Também a prática de sexo seguro através da utilização de preservativos irá ajudar a prevenir as infecções que são transmitidas através do contacto sexual. Nos homens com hiperplasia benigna da próstata, a redução da ingestão de cafeína e de álcool e a toma de determinados medicamentos podem ajudar a melhorar o fluxo de urina e a prevenir a sua retenção na bexiga, diminuindo assim a probabilidade de infecção urinária.

Tratamento da infecção urinária

As grandes linhas do tratamento das infecções urinárias incluem medidas gerais e instituição de terapêutica medicamentosa, habitualmente com antibióticos, aquele que for mais indicado para a bactéria em causa, contudo os resultados dos exames laboratoriais da urina ajudam o médico a escolher o melhor antibiótico para a infecção. A dose e a duração do tratamento são determinadas pelo especialista conforme as circunstâncias.

De um modo geral, a maior parte das infecções urinárias não complicadas serão completamente eliminadas com sete a dez dias de tratamento. Uma vez terminado o antibiótico, o médico pode pedir ao doente para colher uma nova amostra de urina para verificar se as bactérias desapareceram.

No entanto, os homens com infecções urinárias altas graves podem precisar de tratamento em regime de internamento hospitalar e antibióticos administrados por via endovenosa. Isto é especialmente verdade quando as náuseas, os vómitos e a febre aumentam o risco de desidratação e impossibilitam a utilização de antibióticos por via oral.

Se o doente for um homem idoso com uma próstata aumentada de volume que provoca uma obstrução do fluxo de urina, as opções de tratamento podem incluir medicamentos ou mesmo cirurgia.

Outros tipos de tratamento eventualmente necessário são as correcções de obstrução urinária, extracção de cálculos, a correcção de factores gerais, como a imunodepressão e a diabetes que aumentam de um modo generalizado a tendência dos doentes a infecções mais graves.

Independentemente do tratamento com medicamentos é importante ter em conta algumas medidas gerais como o aumento da ingestão hídrica, o esvaziamento urinário frequente e completo, cuidados gerais de higiene íntima.

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