Doença não é contagiosa

Psoríase: uma doença com história e muitos preconceitos

Atualizado: 
28/05/2019 - 11:45
A Psoríase é uma doença muito antiga que deriva da palavra grega “psora” que significa prurido (comichão). Foi confundida na idade média com outra doença de pele – a lepra, doença desfigurante e infeciosa – o que implicou, durante séculos, um grande estigma sociocultural em torno desta doença. E também um enorme número de preconceitos que ainda permanecem e convêm desmistificar.
Psoriase

10 coisas que deve saber sobre a psoríase:

  1. A psoríase não é contagiosa. Não se pega nem é causada por um micróbio. Portanto, pode-se abraçar, tocar uma pessoa com psoríase, pode estar na mesma piscina, no mesmo cabeleireiro porque a psoríase não se transmite por contacto.
  2. A psoríase tem um fundo genético. Isto significa que é mais frequente numas famílias do que noutras (falamos de probabilidade de vir a ter psoríase na mesma família) embora possa aparecer sem antecedentes familiares (não é hereditária). Também sabemos que alguns medicamentos, infeções (amigdalites, por ex.), agressões da pele (queimaduras solares, por ex.) podem desencadear o aparecimento de lesões de psoríase.
  3. Manifesta-se por manchas avermelhadas na pele associadas a descamação branca e, por vezes, aumento da espessura (placas) em áreas específicas da pele (cotovelos, joelhos, região lombar, pés, couro cabeludo), com ou sem comichão. Também pode aparecer só nas unhas (manchas amareladas e descolamento das mesmas) e é confundida com frequência com fungos.
  4. Há formas ligeiras, moderadas e graves. As mais frequentes são as formas ligeiras (80%) pelo que a maioria das pessoas tem poucas lesões e são fáceis de controlar. É uma doença frequente em Portugal: 3% das pessoas tem uma forma de psoríase.
  5. Nas formas mais graves, a extensão da pele atingida é grande e pode inclusive aparecer outro tipo de lesões, como pústulas e bolhas, nos pés e mãos. Pode ser necessário ser internado no hospital para tratamento. Também está associada a doenças como diabetes, doença cardíaca e a depressão.
  6. Uma forma grave de psoríase é a forma articular. Caracteriza-se por dores articulares (mãos, pés, coluna) e inflamação das mesmas que, se não tratadas, pode levar a deformações e incapacidade permanente.
  7. O diagnóstico é feito no dermatologista pela observação clínica. Por vezes são necessários exames para confirmar a doença (biópsia de pele) ou para avaliar as doenças associadas (análises e RX).
  8. A psoríase não se cura, mas trata-se. Sabemos que a nível imunológico há sinais errados, enviados pelas células do nosso sistema imune, que fazem acelerar o crescimento das células da pele. Isto significa que ainda não somos capazes de eliminar essas alterações genéticas do nosso sistema imune mas temos vários medicamentos que as conseguem controlar.
  9. Existem muitos medicamentos para a psoríase. Cremes, pomadas, loções para formas ligeiras, comprimidos para formas moderadas e mesmo injeções para formas graves. O que importa reter é que o dermatologista escolherá o melhor regime terapêutico para si, o mais fácil e eficaz, e aquele com menos efeitos secundários. E lembrar que a psoríase é uma das doenças que melhora com a exposição da pele ao sol – portanto aproveitar as horas de exposição solar e ir para a praia (nas horas adequadas, e sem escaldão, claro), é uma boa escolha.
  10. Em resumo, a psoríase é uma doença crónica e, tal como muitas outras (hipertensão, diabetes, …), controla-se. As formas graves são raras e com os medicamentos disponíveis hoje em dia, tratáveis. O dermatologista é o médico indicado para estabelecer o regime terapêutico adequado ao seu caso.

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Dra. Leonor Girão - Dermatologista na Clínica Dermatologia do Areeiro
Nota: 
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