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Cancro de mama: a neoplasia que mais atinge as mulheres portuguesas

Estima-se que uma em cada 9 mulheres desenvolverá cancro da mama ao longo da vida, se viver até aos 80 anos. A incidência da doença aumenta com a idade.

Dados epidemiológicos

Em 2018, a nível Mundial, o cancro da mama é a 2ª neoplasia mais comum, com 2 088 849 (11.6%)/18 078 957 novos casos de cancro, sendo a 5ª causa de morte por cancro. Nas mulheres, o cancro de mama é a neoplasia mais diagnosticada com 2 088 849 (24.2%) / 8 622 539 novos casos de cancro, sendo responsável pelo maior número de mortes por cancro.

Em 2018, em Portugal, o cancro da mama é a 2ª neoplasia mais comum com 6974 (12%)/58 199 novos casos de cancro, sendo a 4ª causa de mortalidade por cancro. Nas mulheres é a neoplasia mais diagnosticada com 6974 (27.1%)/25 724 novos casos de cancro, e a 2ª neoplasia responsável pela mortalidade por cancro. 

Fatores de risco

A causa para o desenvolvimento desta neoplasia é multifatorial, ou seja, não se prende apenas com um fator de risco, mas sim com vários, destacando-se alguns como:

  • idade avançada
  • obesidade (IMC > 30)
  • inatividade física
  • consumo excessivo de álcool
  • história familiar de cancro de mama
  • tempo de exposição a estrogénios prolongado (primeira menstruação precoce ou menopausa tardia, primeira gravidez após os 30 anos de idade ou nunca ter engravidado, o uso de terapêutica hormonal de substituição)

Cancro de mama hereditário

Alterações genéticas hereditárias aumentam o risco de cancro de mama. Mulheres e homens com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam elevado risco de desenvolverem cancro da mama ao longo da vida e em idades mais jovens. Contudo, estas mutações são raras e apenas 5 a 10% das doentes com cancro da mama apresentam estas alterações hereditárias.

Alguns exemplos de apresentações que podem estar mais associadas a hereditariedade são: o cancro de mama no homem, o diagnóstico de cancro da mama abaixo dos 30 anos de idade, o diagnóstico de cancro de mama e ovário na mesma pessoa, 3 ou mais casos de cancro da mama na família em familiares mais chegados, o diagnóstico de um determinado subtipo de cancro de mama (triplo negativo) abaixo dos 50 anos de idade.

Prevenção

5 Passos e 2 ações podem ajudar na prevenção do cancro da mama:

  1. Manter peso corporal saudável
  2. Manter estilo de vida ativo
  3. Limitar o consumo de álcool
  4. Amamentar se possível
  5. Pesar os riscos e benefícios do tratamento hormonal para os sintomas da menopausa

+ Ter consciência de alterações que podem ocorrer na sua mama

+ Consultar o médico assistente para obter informação sobre a realização de exames de rastreio (ecografia mamária e mamografia)

Sintomas e sinais

Os sintomas e sinais que podem fazer suspeitar da presença desta doença são:

  • Aparecimento de um nódulo, espessamento ou alteração de novo na mama que não desaparece ou aumenta ao longo do tempo. 80 a 90% dos nódulos não são cancro;
  • Inversão do mamilo de novo;
  • Corrimento através do mamilo;
  • Desenvolvimento de pele casca de laranja com sinais inflamatórios.

O diagnóstico, estadiamento e tratamento do cancro da mama é multidisciplinar, ou seja, envolve discussão em equipa composta por clínicos de várias especialidades, nomeadamente: Oncologia Médica, Imagiologia, Senologia (Cirurgia da Mama), Anatomia-patológica, Medicina Nuclear, Radioterapia.

Diagnóstico

Na presença de características clinicas suspeitas os exames a realizar são: ecografia mamária e mamografia. Em caso destes exames revelarem alterações suspeitas de cancro, procede-se à biópsia (colheita de tecido), cuja análise ao microscópio (exame anátomo-patológico) define o diagnóstico. A realização de ressonância magnética só toma lugar em caso de suscitarem dúvidas na ecografia ou mamografia. 

Tipos

Existem pelo menos 5 subtipos diferentes de cancro da mama. Este subtipo é definido por marcadores que são realizados na análise anatomo-patológica da biópsia – recetores hormonais, HER2, ki 67%. A definição do subtipo de cancro de mama é essencial para definir o plano de tratamento oncológico. 

Estádio

O estádio descreve a extensão do cancro, ou seja, se está localizado apenas na mama e/ou nos gânglios da axila – estádio precoce – ou se atinge também outros órgãos à distância – estádio avançado. A classificação TNM (T-tamanho do tumor, N-gânglios linfáticos na axila, M-metástases à distância) é a utilizada a nível mundial. O estádio pode variar entre 0 e IV. Quanto mais avançado o estádio, pior o prognóstico.

Estadio 0 – tumor não invasivo (in situ)

Estadio I – tamanho do tumor primário >/= 2 cm, sem afetar os gânglios linfáticos axilares

Estadio II – tamanho do tumor >2cm e <5cm, podendo os gânglios linfáticos axilares estarem afetados

Estadio III – tamanho do tumor >5cm ou envolvimento de gânglios linfáticos axilares

Estadio IV – o tumor da mama espalhou-se para outros órgãos ou gânglios linfáticos longe do seu local de origem (ex.: fígado, pulmão, osso...)

Tratamento

O tratamento do cancro da mama deve ser individualizado caso a caso e depende principalmente do estádio da doença e do subtipo de cancro da mama.

ESTÁDIOS INICIAIS

Cirurgia

Nos estádios iniciais em que o tumor está contido na mama e/ou gânglios linfáticos da axila, a cirurgia é o componente mais importante do tratamento e normalmente é a terapêutica inicial. O objetivo é sempre conseguir uma cirurgia que conserve a mama afetada – cirurgia conservadora. Em alguns estádios iniciais pode ser necessário iniciar tratamento por quimioterapia de forma a conseguir reduzir o tumor de forma a atingir uma cirurgia conservadora da mama. Em casos mais particulares não é possível conservar a mama, por exemplo, quando há vários focos de tumor em todos os quadrantes da mama.

Tipos de cirurgia da mama:

Tumorectomia – remove o tumor e uma pequena margem de tecido normal envolvente. A esta cirurgia segue-se Radioterapia de forma a prevenir que o tumor volte na mama que ficou conservada.

Mastectomia – remove a mama toda.

Normalmente o primeiro local para onde o cancro de mama se espalha são os gânglios linfáticos que se encontram na região da axila do mesmo lado da mama afetada. Nesta fase o tumor ainda é operável.

Tipos de cirurgia dos gânglios da axila:

Biópsia do gânglio sentinela – neste procedimento é injetado um contraste na mama, antes da cirurgia, que ajuda o cirurgião a identificar os gânglios que possam estar afetados pela doença. É feita a análise ao microscópio. Se não houver gânglios linfáticos que contenham doença não é necessário remover mais gânglios linfáticos, poupando, assim, a doente ao esvaziamento axilar.

Esvaziamento axilar – reservado para as situações em que haja gânglios linfáticos na axila afetados pela doença. Quando estes gânglios linfáticos são removidos podem surgir sequelas normalmente irreversíveis como: a drenagem dos líquidos nessa zona fica comprometida o que aquando dos esforços repetidos pode levar ao chamado linfedema (aumento do volume do braço); dificuldade em determinados movimentos do braço, dor ou sensação de formigueiro. Nestes casos é essencial o exercício da fisioterapia.

A necessidade de realizar Radioterapia, Quimioterapia e/ou Hormonoterapia é normalmente decidida baseada na informação da análise ao microscópio da peça obtida na cirurgia.

Radioterapia 

A Radioterapia é um tratamento local (dirigido à mama e/ou gânglios linfáticos da axila) à base de radiação que impede o crescimento das células tumorais, tendo ao mesmo tempo preservar os tecidos normais adjacentes. É um procedimento indolor em que a doente está deitada numa máquina durante 2-5 minutos. Nos estádios iniciais é utilizado após as cirurgias conservadoras e em alguns casos após a mastectomia.

Quimioterapia

A quimioterapia são um conjunto de fármacos que matam as células tumorais. Nos estádios iniciais da mama pode estar indicada antes ou após a cirurgia. Antes da cirurgia (neoadjuvante) é utilizada de forma a reduzir o tumor e permitir a cirurgia ou então nos casos em que não seria possível a cirurgia logo e inicio. Após a cirurgia (adjuvante) pode estar indicada conforme os resultados da análise da peça operatória. A duração do tratamento decorre entre 3 e 6 meses. Quando é realizada em contexto adjuvante, normalmente inicia-se pela quimioterapia e só depois se passa para a fase de radioterapia e/ou hormonoterapia.

Hormonoterapia

A hormonoterapia está indicada após a cirurgia (adjuvante) em todos os tumores que apresentem recetores hormonais positivos (ver diagnóstico). É feita em comprimidos e a duração do tratamento pode variar entre 5 a 10 anos. Não é utilizada em conjunto com a quimioterapia, mas a sua utilização é segura ao mesmo tempo que a radioterapia.

Anticorpos

Em cerca de 15 a 20% dos tumores há uma alteração num recetor tumoral chamado HER2 (ver diagnóstico). Nestes casos, e consoante o estádio da doença, normalmente há a indicação para realização de quimioterapia associada a um ou mais anticorpos – tratamento anti-HER2. Este tratamento é iniciado com a quimioterapia e tem a duração total de 1 ano.

ESTÁDIOS AVANÇADOS

Nos estádios avançados da doença, ou seja, quando o tumor se espalhou para outras localizações do corpo, o principal objetivo do tratamento é o prolongamento do tempo de vida com o máximo de conforto possível. Nesta fase da doença os tratamentos mais utilizados são a hormonoterapia, quimioterapia, anticorpos ou outras moléculas alvo. A escolha da terapêutica a utilizar depende essencialmente do subtipo de cancro de mama e da presença ou não de sintomas. Normalmente, a duração do tratamento é feita até enquanto o doente estiver a responder ao tratamento ou até o doente deixar de o tolerar. 

Nesta fase da doença a radioterapia é reservada para controlo pontual de sintomas como por exemplo a dor ou hemorragia. O papel da cirurgia é controverso e só é ponderado em casos muito selecionados.

Vigilância

Nos estádios iniciais da doença, após os tratamentos, inicia-se um programa de vigilância. Este programa é baseado em avaliações clinicas com consultas em que o médico assistente averigua se há algum sintoma ou sinal de novo e realiza a observação da doente. Os exames de vigilância passam, essencialmente, pela realização de ecografia mamária e mamografia anual. Este programa pode ter variações em casos selecionados.

Nos estádios avançados é feita a avaliação de resposta regular (a cada 2-4 meses), tanto a nível clinico na consulta com o oncologista assistente, como com exames dirigidos aos locais onde existe doença.

Dra. Joana Augusto - Oncologista na Clínica de Santo António
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO NOME DO MEDICAMENTO: Microlax, 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml, Solução rectal e Microlax, 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml, Solução rectalCOMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Composição por microclister: Citrato de sódio: 450 mg ou 270 mg; Laurilsulfoacetato de sódio 45 mg ou 27 mg. Excipiente q.b.p.: 5 ml ou 3 ml. FORMA FARMACÊUTICA: Solução rectal (enema). A solução é viscosa, incolor e contém pequenas bolhas de ar incorporadas. INFORMAÇÕES CLÍNICAS – Indicações terapêuticas: Tratamento sintomático da obstipação rectal ou recto-sigmoideia; Encopresis; Obstipação durante a gravidez, obstipação associada ao parto e cirurgia (uso pré e pós­operatório); Preparação do recto e sigmóide para exames endoscópicos. Posologia e modo de administração: Adultos e crianças de idade superior a 3 anos: Administrar o conteúdo de uma bisnaga por dia. Na obstipação marcada pode vir a ser necessária a aplicação do conteúdo de duas bisnagas. Crianças até 3 anos: Na maioria dos casos é suficiente uma bisnaga de Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml. Modo e via de administração: 1. Retirar a tampa da cânula (Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml) ou quebrar o selo da cânula (Microlax a 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml). 2. Comprimir ligeiramente a bisnaga até aparecer uma gota na extremidade da cânula. 3.Introduzir a cânula no recto. 4.Comprimir completamente a bisnaga. 5.Retirar a cânula, mantendo a bisnaga comprimida. Contra-indicações:Hipersensibilidade às substâncias activas ou a qualquer dos excipientes. Advertências e precauções especiais de utilização: Recomenda-se evitar a utilização de Microlax no caso de pressão hemorroidária, fissuras anais ou rectais e colites hemorrágicas. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção: Não foram realizados estudos de interacção. Efeitos indesejáveis: Doenças gastrointestinais: Frequência desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis): Como em relação a todos os medicamentos do género, um uso prolongado pode originar sensação de ardor na região anal e excepcionalmente rectites congestivas. DATA DA REVISÃO DO TEXTO: Janeiro de 2009. Para mais informações deverá contactar o titular de Autorização de Introdução no Mercado. Medicamento não Sujeito a Receita Médica.