Reforço
O Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM) anunciou a contratação de dez novos médicos para diversas especialidades, que já...

“Centrado na sua missão principal, a prestação de cuidados de saúde aos utentes da nossa área de influência, o Centro Hospitalar Barreiro Montijo reforçou a sua equipa de médicos, contratando dez novos profissionais que iniciaram funções durante os meses de outubro e início de novembro”, refere o CHMB em comunicado.

Decorrente de procedimento concursal desenvolvido no mês de julho, as especialidades de Neurologia, Medicina Interna, Anestesiologia, Ortopedia, Cirurgia Geral, Pediatria e Psiquiatria da Infância e da Adolescência vão contar com mais um médico, enquanto que a Psiquiatria verá a sua equipa reforçada em dois elementos.

A estes nove médicos, junta-se mais um profissional contratado diretamente pelo CHBM que vai reforçar a equipa da Cirurgia Geral.

“Espera-se que este grupo de jovens profissionais possa enriquecer as equipas onde serão integrados”, adianta o centro hospitalar, que deseja ser uma “instituição verdadeiramente acolhedora das suas aspirações profissionais”.

 

Greve nos três maiores blocos operatórios
A ministra da Saúde admitiu estar muito preocupada com a eventual greve prolongada de enfermeiros em blocos operatórios,...

Em resposta a questões do PSD no parlamento, Marta Temido considerou que a greve de enfermeiros em preparação em blocos operatórios de cinco hospitais “não pode deixar de ser uma preocupação muito grande para o Ministério da Saúde”.

Apesar do “direito constitucional à greve”, a ministra considera que o pré-aviso de greve já emitido por dois sindicatos contém termos preocupantes e que configuram uma “extraordinariamente agressiva forma de luta”.

“Estamos a trabalhar no sentido de evitar o extremar do conflito. Pedimos a constituição de mesa negocial com as duas estruturas sindicais [que emitiram o pré-aviso de greve]”, afirmou Marta Temido, avisando, contudo, que as reivindicações são complexas.

O Ministério da Saúde tentará “perceber até que ponto” pode ir na resposta às expectativas da diferenciação remuneratória dos enfermeiros especialistas.

Marta Temido referiu que o Governo introduziu já um suplemento remuneratório para os enfermeiros especialistas, que representa 17 milhões de euros por ano.

“Não estamos a falar de opções simples. Ir mais além será seguramente complicado”, afirmou.

Os enfermeiros reclamam nomeadamente melhores remunerações e uma carreira digna, notando que não progridem há 13 anos.

O movimento de enfermeiros que tem em preparação uma greve prolongada a partir de dia 22 deste mês em vários blocos operatórios recorreu a uma angariação de fundos para ajudar os profissionais que adiram à paralisação, que ficarão sem vencimento.

A meta era atingir os 300 mil euros para conseguir uma greve nos três maiores blocos operatórios dos hospitais públicos: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, São João, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa.

Este objetivo foi atingido no final da semana passada, levando o movimento de enfermeiros a prolongar a recolha de fundos e a alargar a paralisação a mais dois blocos operatórios: Setúbal e Centro Hospitalar do Porto.

Hoje ao início da noite o movimento de enfermeiros já tinha conseguido recolher mais de 350 mil euros.

Os dois sindicatos que emitiram o pré-aviso que permite esta paralisação indicam que a greve será de dia 22 de novembro até final de dezembro.

A ministra da Saúde está hoje a ser ouvida no parlamento sobre a proposta de Orçamento do Estado para a Saúde para 2019, numa audição que já dura há quase seis horas.

Ministra
A ministra da Saúde, Marta Temido, assegurou que, até ao final da legislatura, vão abrir novas 40 Unidades de Saúde Familiar ...

“O que procuraremos [para diminuir os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) dos tempos de espera] é que o nosso sistema esteja cada vez mais estruturado em torno dos cuidados de saúde primários de forma a que a pressão sobre os cuidados hospitalares, onde há mais constrangimentos em termos de resultados dos tempos de espera, sejam aliviados”, afirmou Marta Temido no debate da proposta do Orçamento do Estado para 2019 da área da Saúde.

Atualmente, há cerca de 60 USF em funcionamento, disse a ministra, adiantando que até ao final do ano serão criadas as 20 que já estão “em trânsito” e em 2019 serão constituídas mais 20, ultrapassando assim “ligeiramente aquilo que é a meta do programa do Governo”.

Relativamente à falta de médicos de famílias nos cuidados de saúde primários, Marta Temido lembrou que o Governo conseguiu “passar de mais de um milhão de portugueses sem médico de família para cerca de 580 mil”, que ainda constituem uma preocupação.

“Preocupamo-nos com os que ainda não estão cobertos e é para esses 580 mil que queremos assegurar a colocação” dos “novos especialistas de medicina geral e familiar, e não só, e com isso esperamos atingir uma cobertura, no final do ano, que se situe entre 94% e 96%, dependendo do nível de aposentações”, afirmou Marta Temido, que substitui Adalberto Campos Fernandes no cargo há cerca de um mês.

A nota explicativa do Orçamento do Estado para 2019 prevê “um aumento da atividade assistencial nos Cuidados de Saúde Primários, transversal a todas as tipologias, com particular destaque para o crescimento de 1,5% nas consultas médicas”, com as projeções a apontarem a realização de 31.020.000 consultas em 2019 e 31.475.00 em 2019.

Estima ainda um aumento da atividade programada que permita responder à procura crescente de resposta do SNS, com respeito pela atualização registada nos TMRG, nomeadamente em termos de consultas médicas hospitalares, que se estima que aumentem 0,8%,

As primeiras consultas hospitalares deverão crescer 2,3%, bem como a atividade cirúrgica programada, em que se prevê um crescimento de 1,5% (incluindo o aumento da cirurgia de ambulatório em 2,1%).

O documento prevê ainda a redução da atividade de urgência (-0,9%) e da atividade de internamento, nomeadamente dos internamentos médicos evitáveis (associados a patologias que podem e devem ser prevenidas ou tratadas ao nível dos cuidados de primeira linha, tais como asma, diabetes, DPOC, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca).

A questão do rastreio do cancro do colo do útero e da mama também foi levantada pelos deputados no debate do Orçamento do Estado com a secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, a defender a importância da sua harmonização,

“Além do aumento da cobertura geográfica, que é extremamente importante, é igualmente importante a harmonização destes rastreios oncológicos”, afirmou Raquel Duarte.

Assim, adiantou a secretária de Estado, “o que se prevê no final de 2018 e 2019 é a harmonização nacional destes rastreios de modo a que hajam critérios uniformes de rastreio em todas as ARS [Administrações Regionais de Saúde] e sobretudo uma monitorização destes rastreios”.

Secretário de Estado
O Ministério da Saúde estima fechar o ano com uma dívida dos hospitais aos fornecedores entre 400 e 450 milhões de euros,...

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, apontou para que no fim deste ano a dívida em atraso do Serviço Nacional de Saúde a fornecedores se reduza para entre 400 e 450 milhões de euros, quando no fim do terceiro trimestre a dívida se situava acima dos 860 milhões de euros.

No final do mês passado, o Ministério da Saúde estimava que o valor das dívidas em atraso no Serviço Nacional de Saúde se reduzisse para 350 milhões de euros no fim de dezembro de 2018.

O valor apresentado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde no parlamento é superior a uma previsão avançada pelo Ministério da Saúde num comunicado em que anunciava a aprovação de 500 milhões de euros para os hospitais pagarem dívidas.

Segundo Francisco Ramos já foram pagos 100 milhões de euros e até ao fim do ano devem ser pagos os restantes 400 milhões.

A transferência de 500 milhões serve exclusivamente para pagar dívidas em atraso, sendo que a distribuição foi realizada por todos os hospitais de forma transversal.

 

Web Summit
Bases de dados que ajudem os agricultores contra os efeitos das alterações climáticas ou sistemas operativos que contornem uma...

Sob o mote “Feed the world. Make it a better place” (“Alimentar o mundo. Torná-lo num lugar melhor”, na tradução em português), especialistas internacionais reuniram-se ontem num dos palcos da Web Summit e confirmaram perante uma plateia cheia que a capacidade de a humanidade se alimentar no presente e no futuro apresenta-se como um dos grandes desafios mundiais.

E fizeram questão de recordar que atualmente há cerca de 821 milhões de pessoas no mundo a passar fome, número que aumentou pelo terceiro ano consecutivo.

A explosão da população mundial (segundo as antevisões da ONU deverá atingir os 9,8 mil milhões em 2050), a crescente urbanização (população em áreas urbanas vai atingir os 2,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo em 2050), as alterações climáticas e o desperdício alimentar foram alguns dos vários problemas identificados sobre esta temática por Christiana Figueres, uma diplomata costa-riquenha que chefiou as negociações para o Acordo de Paris sobre o clima, aprovado sob os auspícios da ONU na capital francesa em dezembro de 2015.

Para Christiana Figueres, a comunidade tecnológica poderá desempenhar um papel importante na abordagem deste desafio, nomeadamente através da criação de sistemas operativos que contornem a ineficácia observada atualmente na oferta, na procura e na distribuição dos alimentos.

Mas a diplomata, uma vegetariana convicta, também confrontou a plateia com ideias que classificou como mais provocatórias para conseguir uma agricultura mais sustentável (com mais áreas de cultivo e menos áreas de pasto) e uma alimentação mais responsável.

Entre elas, a hipótese de os restaurantes adotarem as regras aplicadas atualmente aos fumadores às pessoas que desejem consumir carne.

“Se querem comer carne têm de ir para uma zona exterior”, afirmou Christiana Figueres, que também propôs, entre outras ideias, a produção de fertilizantes orgânicos através de desperdícios alimentares.

Para o diretor de Inovação e Gestão de Mudança do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, Robert Opp, a criação de base de dados, produtos e sistemas que ajudem os agricultores a antever e a contornar os efeitos das alterações climáticas podem ser uma grande mais valia para os anos futuros. Por exemplo, sistemas que consigam analisar os ciclos das chuvas ou a sua ausência.

A criação de novas tecnologias que ajudem a distribuição dos alimentos, “um grave problema” dos tempos atuais segundo Robert Opp, ou que permitam uma relação mais direta entre os agricultores e o mercado também foram referidos pelo representante da organização com sede em Roma.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa, devendo permanecer na capital portuguesa até 2028.

A edição deste ano realiza-se até quinta-feira no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Segundo a organização, nesta terceira edição do evento em Portugal, participam cerca de 70 mil pessoas de mais de 170 países.

União das Misericórdias
Os acordos de cooperação com as instituições sociais deveriam ser revistos e aumentados de modo a incluir os custos dos...

Em declarações à agência Lusa na véspera das Jornadas de Cuidados Continuados Integrados, que se realizam em Fátima em 07 e 08 de novembro, Manuel Caldas de Almeida apontou que na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) o valor que é pago pelo Estado não é suficiente para garantir os padrões de qualidade exigidos.

“Quando o Estado faz novas exigências tem de perceber que as novas exigências custam dinheiro e adaptar o preço que paga, que, aliás, tem sido o problema com a rede de cuidados continuados”, apontou.

Nesse sentido, deu como exemplo as Unidades de Longa Duração, em que o pagamento por dia “é muito parecido com o pagamento de um hotel de duas estrelas”.

“Como é que se pode querer que com aquilo que nós pagamos num hotel de duas estrelas, que a única coisa com tem de se preocupar (…) é com a lavagem dos lençóis e do quarto e o pequeno-almoço, como é que queremos que com o mesmo preço, com o mínimo da qualidade hoteleira, se dê, além disso, cuidados de enfermagem, de fisioterapia, cuidados de terapia ocupacional, medicamentos, etc”, criticou.

Caldas de Almeida afirmou que “os valores estão totalmente desadequados e a causar problemas muito graves” e defendeu que sejam reavaliados e reajustados de modo a incluir as soluções necessárias ao acompanhamento das pessoas com demência.

O responsável defendeu também que não basta o Estado regulamentar e depois não comparticipar financeiramente, sublinhando que os lares são unidades de longa duração, onde os utentes precisam de fisioterapia, cuidados de enfermagem ou médicos.

Caldas de Almeida frisou que esses cuidados “custam mais 200 ou 300 euros” do que aquilo que os utentes ou o Estado pagam, uma “situação que para muitas misericórdias é insustentável”.

Por outro lado, salientou que o problema do envelhecimento está a agravar-se em Portugal, o que obriga a que haja uma solução inteligente e eficaz.

Nesse sentido, defendeu que não podem ser as entidades do setor social a ter este esforço financeiro, apontando que muitas delas não têm sustentabilidade e que são poucas as que conseguem ter atividades de onde tiram recursos para amortizar as perdas na área social.

“Não se pode estar sempre à espera que nos paguem os produtos por um preço inferior ao custo deles porque a médio prazo muitas unidades não vão aguentar e vão começar a ir à falência, o que é pior”, avisou, lembrando que em muitas comunidades as misericórdias são o primeiro ou segundo maior empregador.

O responsável adiantou que a União das Misericórdias tem um plano de formação totalmente preparado, tanto na área da fragilidade como na área da demência, da doença crónica ou dos cuidados paliativos e que essa “é a grande aposta” da organização.

Caldas Almeida disse que o Estado tem um papel regulador e que deveria ser ele a organizar estas formações, não no sentido de ser o Estado a dar as formações, mas antes dizendo quais as formações obrigatórias, algo que também deveria ser contemplado no valor das comparticipações pagas pelo Estado às instituições.

Nas jornadas vão ser apresentadas boas práticas das misericórdias no campo das demências, nomeadamente duas unidades com centro de dia para pessoas com demência, uma das quais em Mogadouro que acompanha 30 famílias, além de unidades com apoio domiciliário.

Caldas de Almeida defendeu que os centros de dia para pessoas com demência seria “uma resposta excelente em Portugal”, desde que com cobertura alargada e com atividades de neuroestimulação, apontando que, com custo muito reduzido, as famílias poderiam ter a pessoa com demência em casa durante muito mais tempo.

Orçamento do Estado
A ministra da Saúde afirmou ontem que não dormirá tranquila enquanto o problema da nova ala pediátrica do hospital de São João...

“[A nova ala pediátrica do São João] é um tema que merece do Ministério da Saúde um incondicional respeito pelas crianças e pelos seus pais. A ministra da saúde não dormirá tranquila enquanto este problema não estiver resolvido”, afirmou Marta Temido hoje no Parlamento, no debate da proposta de Orçamento do Estado para 2019 da área da saúde.

Contudo, a ministra não se comprometeu com datas quanto ao avanço da obra, indicando que “não é possível lançar um procedimento concursal sem ter a revisão do projeto”, que está em curso por parte da administração do hospital.

“Queremos uma solução rápida, mas não uma que seja pior a emenda que o soneto”, indicou, frisando, contudo, que “não vale um ajuste direto”.

Marta Temido falava em resposta a questões do deputado social-democrata Ricardo Batista Leite, que lembrou que há cerca de três semanas foi discutido um projeto do seu partido para que a obra da nova ala pediátrica avançasse por ajuste direto, o que acabou por ser rejeitado, com votos contra do PS.

Batista Leite lamentou a falta de respostas concretas e de prazos por parte do Ministério da Saúde e considerou que é inadmissível que as crianças passem outro inverno “naquelas condições” na ala pediátrica do São João.

Sobre a nova Lei de Bases de Saúde, também em resposta a questões do PSD, a ministra da Saúde, que está em funções há cerca de um mês, disse que a atual equipa ministerial considera que o Ministério da Saúde deve ter “o seu documento final”, dando a entender que a versão da comissão que esteve a rever a lei de bases poderá não ser a final.

 

A Diabetes ainda está subdiagnosticada em Portugal
Em Portugal a prevalência desta doença tem apresentado um crescimento marcado e estima-se que 12,4% dos portugueses sofra desta...

Nas últimas décadas têm-se observado níveis crescentes de obesidade infantil e juvenil, verificando-se, também, o aumento da incidência de Diabetes Mellitus tipo II abaixo dos 18 anos. Esta realidade é decorrente do aumento global da prevalência de obesidade, sedentarismo e de um maior consumo de calorias, factos que predispõem ao desenvolvimento de Diabetes. 1 em cada 10 mulheres e 1,5 em cada 10 homens tem diabetes. Ou seja, mais de 1 milhão de portugueses, com idades entre os 20 e os 79 anos, sofre desta patologia. Estima-se que em 2025 existirão cerca de 300 milhões de diabéticos em todo o mundo.

É considerado um grave problema de Saúde Pública devido à elevada morbilidade e mortalidade relacionadas com as suas complicações, das quais se destacam as doenças cardiovasculares que são a principal causa de morte num diabético. 

Diversos fatores de risco cardiovasculares, como a hipertensão arterial, a dislipidemia e a obesidade, estão habitualmente associadas à Diabetes que, por sua vez, potencia o risco atribuído a estes mesmos fatores. No diabético a probabilidade de ocorrência de eventos cardiovasculares, tais como Insuficiência Cardíaca, Enfarte Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral e Doença Arterial Periférica (o atingimento das artérias dos membros inferiores por aterosclerose).

A maioria dos casos de Diabetes resultam da incapacidade do organismo utilizar corretamente esta hormona, pois existe resistência à sua ação, o que é potenciado pela obesidade e pelo sedentarismo. É a insulina que permite a entrada de glicose (açúcar no sangue) para o interior das células, fornecendo-lhes assim a energia necessária ao seu funcionamento. A falta de insulina ou a resistência à sua ação aumenta os níveis de glicemia no sangue, com repercussão ao nível de todos os órgãos e sistemas do organismo.

No Dia Mundial da Diabetes, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia alerta para a importância de manter um estilo de vida saudável, baseado em atividade física regular, alimentação saudável e controlo do peso corporal. Além destes cuidados, é também necessário o controlo de outros fatores de risco associados às doenças cardiovasculares, como tabagismo, hipertensão e hipercolesterolemia. Tudo isto é necessário para diminuir a prevalência de Diabetes Mellitus na população em geral e para melhorar os níveis elevados de glicemia nos diabéticos, reduzindo desta forma a morbilidade e a mortalidade associada.

Para a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, "a diminuição da prevalência da Diabetes Mellitus na população portuguesa, particularmente em jovens adolescentes, deve ser um desígnio nacional, para evitar um aumento da mortalidade cardiovascular nas futuras gerações".

Cobertura
O programa de médico dentista “Saúde para todos” teve início nos centros de saúde de Santa Marta de Penaguião, Ribeira de Pena...

Segundo a ARS-Norte, estes serviços, que passaram a estar disponíveis junto das equipas de saúde familiar, “vão evitar deslocações desnecessárias, dispendiosas, especialmente para as pessoas mais carenciadas, e penosas para as pessoas de idade mais avançada e/ou mais vulneráveis”.

A administração referiu que, através do programa para a saúde, o atual Governo estabeleceu "como prioridade expandir e melhorar a capacidade de resposta da rede dos cuidados de saúde primários, designadamente, pela via da ampliação da cobertura do Serviço Nacional de Saúde na área da saúde oral".

 

 

Conselho de Administração
O Conselho de Administração do IPO de Coimbra esclareceu hoje que "aplica escrupulosamente a regulamentação em vigor"...

"O IPO de Coimbra esclarece que relativamente ao processo de descongelamento da carreira de enfermagem aplica escrupulosamente a regulamentação em vigor sobre esta matéria", refere o Conselho de Administração do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, numa curta nota enviada à agência Lusa.

Na segunda-feira, os enfermeiros do IPO de Coimbra exigiram o descongelamento das progressões das carreiras e afirmaram que estão a ser "discriminados de forma negativa" relativamente a outros trabalhadores da administração pública.

Em declarações aos jornalistas, Paulo Anacleto, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), considerou "inaceitável que o IPO de Coimbra" não tenha ainda concedido "qualquer ponto" aos enfermeiros com contrato individual de trabalho (CIT), além de "não atribuir corretamente" os pontos aos que são titulares de contrato em funções públicas.

Numa altura em que o parlamento já aprovou na generalidade o Orçamento do Estado (OE) para 2019, a administração da unidade local do Instituto Português de Oncologia (IPO) "aguarda ainda o entendimento da tutela" sobre uma matéria associada ao cumprimento do OE de 2018, criticou na segunda-feira Paulo Anacleto.

"A administração discrimina negativamente os enfermeiros em função da tipologia do contrato de trabalho", acusa o SEP, num documento que um grupo destes trabalhadores distribuiu na segunda-feira aos utentes do hospital.

Os enfermeiros do IPO, "independentemente do vínculo laboral, reivindicam o justo descongelamento das progressões, que já devia estar concretizado desde janeiro".

"Senhor utente, exiga ao IPO mais e melhores cuidados e apele à não discriminação negativa", pedem os enfermeiros.

Na instituição, enfermeiros com 22 anos de serviço, por exemplo, "têm o mesmo salário que outros colegas em início de funções", segundo o mesmo texto.

Noutra nota, a Direção Regional de Coimbra do SEP refere que o IPO de Coimbra, "ao invés de outras instituições, resolveu excluir da atribuição dos pontos os enfermeiros detentores de um CIT e excluir muitos enfermeiros com contrato de trabalho em funções públicas da justa e correta contagem" dos pontos para efeitos do descongelamento das progressões.

Regiões Autónomas
O Governo da Madeira investiu 120 milhões de euros em novos medicamentos entre 2015 e 2018, dos quais mais de 50% em terapias...

"A percentagem da terapêutica inovadora, aquela que nos causa maiores desafios atualmente, passou de 8% em 2015 para 30% nos três primeiros trimestres de 2018", disse Pedro Ramos, sublinhando que este dinheiro é "bem despendido", uma vez que "o utente é o centro do sistema".

O governante falava durante a assinatura de um acordo com a Associação Nacional de Farmácias (ANF), no Funchal, através do qual os utentes do Serviço de Saúde da Madeira (SESARAM) podem recorrer aos estabelecimentos comunitários quando a farmácia do Hospital Central não dispuser de certos medicamentos de distribuição gratuita.

"O protocolo abrange uma série de medicamentos importantes, nomeadamente na área dos doentes oncológicos, insuficientes renais e transplantados", referiu Pedro Ramos, lembrando que, por vezes e por constrangimentos vários, tais fármacos não se encontram disponíveis na farmácia do hospital.

"Os medicamentos, principalmente os medicamentos inovadores, tem sido um constante desafio para os sistemas de saúde nacional e regional, face às novas doenças e às novas fases das doenças, e a necessidade de terapêuticas poderosas obriga a um esforço suplementar dos programas de saúde", disse o governante, vincando que o acordo com a ANF constitui mais um passo no sentido de garantir qualidade nos tratamentos médicos.

O presidente da Associação Nacional de Farmácias, Paulo Cleto Duarte, disse, por seu lado, que o objetivo da instituição é contribuir para um serviço regional de saúde "mais sólido e mais centrado nas pessoas" e sublinhou a importância da aproximação ao hospital e aos cuidados hospitalares.

"Pela primeira vez na região autónoma, ligámos diretamente o hospital às farmácias da comunidade, em casos muito concretos, devidamente controlados", referiu, vincando que as farmácias querem ser sempre parte da solução e nunca parte dos problemas do serviço de saúde.

 

Alexandre Abrantes é médico
O secretário-geral da Cruz Vermelha Portuguesa, Alexandre Abrantes, foi hoje eleito em Bruxelas coordenador da Cruz Vermelha na...

Em declarações à agência Lusa, Alexandre Abrantes indicou que Portugal, a Finlândia e o Luxemburgo vão assumir a coordenação do escritório da Cruz Vermelha na União Europeia, sendo que Portugal foi o país mais votado, com 11 votos.

Os coordenadores da Cruz Vermelha na União Europeia terão como funções acompanhar a estratégia da Cruz Vermelha em relação à UE, definindo como é que a instituição pode integrar programas europeus no que diz respeito, por exemplo, aos refugiados, à proteção social ou ao alívio da pobreza.

Alexandre Abrantes é médico, doutorado em saúde pública e é professor na Escola Nacional de Saúde Pública.

 

Opinião
As birras fazem parte do desenvolvimento normal de qualquer criança na construção da sua identidade
Criança triste devido a birra

Todos nós já experienciamos uma birra do filho ou de uma outra criança. Estes episódios mais ou menos frequentes, imprevisíveis e de difícil controlo, apesar de fazerem parte de um desenvolvimento psicoafectivo normal e saudável, devido ao pensamento egocêntrico da criança, podem tornar-se numa fonte de preocupação e angústia para os pais.

 

Definição

As birras são uma expressão de uma multiplicidade de sentimentos, caracterizadas por uma grande variedade de comportamentos, como o choro, gritos, grande agitação motora, sapatear, lançar objetos ou rebolar-se no chão e são sempre a manifestação de um episódio emocional.

Episódios que podem ocorrer em qualquer lugar e em qualquer contexto que a criança esteja.

As birras podem ser definidas como episódios extremos de angústia e/ou raiva1 ou como episódios emocionais breves, mas intensos e são caraterizadas por serem explosivas, impulsivas e por demonstrarem emoções descontroladas2. São sempre reações emoções desajustadas e temporárias a determinadas situações e surgem quando a criança não consegue controlar os seus impulsos, resultando numa perda de controlo e desrespeito por regras comportamentais previamente aceites.

Epidemiologia

As birras surgem em igual proporção nos dois sexos e em crianças com idades compreendidas entre o ano e meio e os quatro anos, havendo autores que defendem que pode ir até aos cinco anos de idade, com um pico entre os dois e os três anos3. Estas birras são típicas do período de desenvolvimento em que a criança está a adquirir autonomia e a dominar o meio ambiente, razão pela qual é por vezes considerada a primeira infância4. Assim entre os dois e os três anos de idade cerca de 1/5 das crianças fazem birras pelo menos uma vez por dia e mais de metade pelo menos uma vez por semana3.

Relativamente à duração das birras, a maioria dos autores defende que ela dura um geral entre um e quatro minutos, havendo quem considere que podem durar até dezasseis minutos.

Manifestação

As birras envolvem duas emoções independentes, mas sobrepostas, a raiva e a angústia e surgem sempre após um evento precipitante (perder algo, não alcançar o que deseja, pretender um brinquedo, entre outros). A probabilidade de ocorrerem expressões físicas de raiva são na fase inicial e vão diminuindo.

Para melhor compreender a raiva quanto à sua intensidade, podemos dividi-la em três níveis. O nível mais elevado manifesta-se por gritos e pontapés, enquanto o bater e o adotar uma postura rígida são elementos mais variáveis5. Por outro lado, atirar objetos, empurrar, enquadram-se no nível intermédio, enquanto bater o pé e agitar as mãos definem o nível mais baixo5.

Quanto à angústia está associada ao choramingar, ao chorar, ao procurar conforto e ao deixar-se cair no chão5. Estes últimos dois tendem a aumentar ao longo da birra.

Pode-se concluir que as emoções estão associadas às cognições, ou seja, quando a criança percebe que irá ser contrariada pelos pais sente raiva, mas continua com a esperança de conseguir o que pretende. Quando percebe que não obtém os resultados pretendidos com raiva surge a angústia5.

Este tipo de comportamento de oposição desempenha um papel essencial na distinção e afirmação do “eu” em relação aos outros, desenvolvendo assim a autonomia2.

Causas

As birras nestas idades são a consequência lógica da falta de mecanismos para lidar com a frustração, associada a uma linguagem verbal ainda escassa, dificuldade no processamento da informação, incapacidade para entender o futuro e adiar as suas vontades e pouca capacidade de coping para lidar com os problemas e saber resolve-los.

As birras inicialmente são utilizadas com o intuito de atraírem sobre si a atenção dos pais/adultos e, posteriormente, quando já dominam melhor a linguagem falada, a partir dos três anos, como forma de manipulação dos adultos4.

Fatores desencadeantes

De entre os diversos fatores que favorecem o aparecimento das birras destacam-se o cansaço, o sono, a fome e certas situações como a refeição, a hora de deitar, as idas ao supermercado ou a falta de atenção3.

Sinais de alarme

Como foi referido as birras fazem parte do desenvolvimento psicoafectivo considerado normal da criança, onde a sua total ausência traduz um sinal de alarme, por ser o reflexo da existência de dificuldades a nível do processo de separação/individuação da criança. Assim, os pais devem ainda pedir ajuda a profissionais quando as birras aumentam de frequência, duração e intensidade e o seu controlo não é possível; sempre que durante a mesma a criança se magoe ou magoe alguém, destrua objetos/brinquedos, ocorra na escola e empeça a sua aprendizagem ou ainda quando os pais reagem com agressividade às birras4.

As birras como patologia do neurodesenvolvimento

Quando as birras persistem para além da idade considerada habitual podem acompanhar alguma perturbação do neurodesenvolvimento. Nomeadamente o défice cognitivo, perturbação da linguagem, perturbações do espetro do autismo, perturbação de défice de atenção e hiperatividade, perturbações da visão e audição e as dificuldades escolares6. Podem ainda fazer parte do quadro clínico de algumas síndromes de causa genética, como a síndrome de Prader-Willi ou Síndrome do X Frágil7.

Prevenção

As birras causam enorme constrangimento aos pais, sobretudo quando acontecem em lugares públicos. O que faz a diferença é o modo como estes lidam com elas, podendo transformar birras esporádicas em frequente, pelo que devem ser aconselhados no sentido de adquirirem ferramentas para as saber controlar ou evitar. Sendo assim a melhor maneira de lidar com as crianças que fazem birras é evitar que elas surjam, para tal é essencial conhecer os fatores que as desencadeiam para os evitar.

Neste contexto deve ser respeitado as necessidades do sono da criança e se for caso disso devem fazer a sesta; evitar que sinta fome, respeitando os horários; os brinquedos/objetos “proibidos” não devem estar ao alcance da sua visão e devem ser adequados à sua idade, para não provocarem frustração; dar a possibilidade de escolha à criança, sempre que possível, a roupa, sapatos ou o tipo de alimentos e impor limites/regras, ou seja, avisar previamente que assim que termine o jogo, o programa de televisão ou a leitura da história vai para a cama dormir.

Intervenção

No início da birra, sempre que for possível, é essencial desviar a atenção da criança, deslocando-a para outro local (sair do supermercado ou ir para outra divisão da casa), para evitar o seu descontrolo emocional e sempre que esta tem tendência para bater com cabeça, evitar que tal aconteça para não se magoar, contendo-a3.

Uma vez iniciada a birra, existem alguns procedimentos básicos. Assim, é essencial manter a calma, afastar-se e ignorar esse mau comportamento, pois só assim ela vai entender que essa atitude não lhe confere qualquer privilégio. Evite ainda chamá-la à razão, castigá-la ou recompensá-la, pois tal facto vai exponeciar o seu descontrolo. Só uma vez a birra terminada explique com clareza que tal comportamento não a vai beneficiar em nada e como é importante haver regras pré-estabelecidas, não ameace, deve manter-se firme e aplicar o devido castigo e de imediato, para que esta associe o comportamento ao castigo.

Crianças que fazem birras difíceis, com o intuito de melhor planear a sua prevenção e controle, deve-se fazer um diário de ocorrências, onde será registado os fatores que as desencadeiam, o local onde ocorreu, a duração, a descrição de cada birra, as estratégias utilizadas no controlo e respetiva eficácia e o que ocorreu após a mesma.

Bibliografia:
1DANIELS, E; MANDLECO, B & LUTHY, BE (2012). Assessment, management and prevention of childhood temper tantrums. J Am Acad Nurse Pract; 24 (10): 569-73
2CORDEIRO, M (2011). O grande livro dos medos e das birras. Lisboa: Esfera dos livros.
3POTEGAL, M & DAVIDSON, RJ (2003). Temper tantrums in young children: 1. Behavioral composition. J Develop Behav Pediat. 24 (3): 140-7.
4HARRINGTON, RG. Temper tantrums: guidelines for parents. NASPResources, 2004. Disponível em. http://ww.nasponline.org [acedido em 25/10/2018].
5POTEGAL, M [et al.] (2009). Rages or temper tantrums? The behavioral organizational, temporal característics and clinical significance of abgry-agitated outbursts in child psychiatry inpayients. Child Psy Hum Develop; 40: 621-636
6KASTNER, T & WALSH, K (2005). Mental Retardation: behavioral problems. In: PARKER, S; ZUCKERMAN, B & AUGUSTYN, M. Developmental and Behavioral Pediatrics: a handbook for primary care. Philadelphia, PA: Lippincott Williams and Wilkins. 52: 234-7.
7CASSIDY, SB & DRISCOLL, DJ (2008). Prader-Willi syndrome. Eur J Hum Genet. 17 (1): 3-13.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Em 2015 estima-se que tenham existido 1.158 mortes, com grande parte a ter ligações a unidades de saúde. Crianças e idosos são...

Portugal é o quarto país na lista do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla inglesa), que divulgou o mais recente estudo sobre a mortalidade e incapacidades provocadas nos doentes por infeções provocadas por bactérias resistentes a antibióticos, revela a edição do jornal “Público” desta segunda-feira.

Em 2015 o estudo estima que tenham existido em Portugal, 24.021 infeções e 1.1158 mortes. Os resultados indicam também que a nível europeu, a maioria destas infeções se manifestou em hospitais ou centros de estabelecimento de saúde, sendo o caso de 63,5% das infeções totais e 72,4% das mesmas resultaram em morte.

A mortalidade é mais representativa nos bebés com menos de um ano e em pessoas com mais de 65 anos. Uma realidade que tem vindo a agravar-se desde 2007, liderada pela Itália e Grécia, seguidas pela Roménia e Portugal.

O estudo conclui que por ano existem cerca de 672 mil infeções que resultam em cerca de 33.110 mortes, ou seja na Europa, por cada 100 mil habitantes, há, aproximadamente 131 infeções.

 

Enfermeira terá perdido licença de parteira
Olivia Augusta apresenta-se como líder ritual e parteira internacional, cobra 2.500 euros por parto e exerce de forma ilegal em...

De acordo com a imprensa, esta mulher chegou a ser detida pelas autoridades norte-americanas por causa da morte de, pelo menos, um bebé.

Feita a denúncia, a Ordem dos Enfermeiros contactou o Ministério Público, que abriu um inquérito para investigar Olivia Augusta que diz estar fazer tudo para ver reconhecida a sua formação e, assim, obter licença para trabalhar em Portugal. Até lá, Olivia Augusta continua a trabalhar ilegalmente.

Denúncia chegou dos Estados Unidos

A denúncia chegou à Ordem dos Enfermeiros (OE) num e-mail enviado em maio por uma médica norte-americana que dava conta de "uma mulher com quem costumava trabalhar" e que estaria a exercer em Portugal sem licença.

"Ela não é enfermeira e perdeu a licença de parteira nos Estados Unidos e no Uganda", referia a queixa, escrita em inglês, que acrescentava que, nos EUA, a mulher chegou a ser "detida depois da morte de vários bebés". "Esta mulher é perigosa e estamos muito preocupados", acrescentou a médica.

Perante a denúncia, a bastonária da OE, Ana Rita Cavaco, comunicou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). "Não temos possibilidade legal ou meios para identificar a referida parteira", admite a bastonária, que pedia à, então, Procuradora-Geral, Joana Marques Vidal, para investigar o caso.

Este caso está para já nas mãos do Ministério Público.

 

Previsões da tutela
Ministra da Saúde apresenta hoje o Orçamento que Adalberto Campos Fernandes construiu. 12,1% da despesa primária das...

O Ministério da Saúde prevê que este ano se aposentem entre 800 a 1.000 médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ainda assim, o número de médicos vai ser maior no final do ano passado do que em 2017. Os números fazem parte da apresentação que a ministra da Saúde, Marta Temido, preparou para os deputados, e que não adianta informações sobre as alterações no modelo de financiamento dos hospitais que o Governo está a preparar.

“Até ao final do mês de setembro de 2018 aposentaram-se 662 profissionais, o que constitui um valor superior ao ocorrido no mesmo período do ano anterior (621 profissionais aposentados), pelo que se prevê que, no final do ano, este valor possa situar-se na ordem dos 800 a 1.000 profissionais”, lê-se na apresentação que a nova ministra enviou para a Assembleia da República, referindo-se aos médicos.

“No que respeita aos Médicos de Medicina Geral e Familiar, prevê-se que, no final de 2018, existam cerca de 370 em condições de se aposentarem”, acrescenta o ministério referindo-se ao caso particular dos médicos de família.

Apesar disso, o SNS deverá terminar o ano com mais médicos do que em 2017. Segundo o mesmo documento, em 2018 o SNS contará com 29.035 médicos, mais 426 do que em 2017. Ou seja, são mais 1,5%.

Também nos enfermeiros é esperado um acréscimo do número de profissionais este ano. No final de 2018 deverão existir mais 1.872 enfermeiros, atingindo os 45.431. Os enfermeiros mantêm-se assim como “o mais representativo, com 33,4% do total de pessoal”.

A 22 de novembro, os enfermeiros começam uma greve que decorre até 31 de dezembro e que tem como reivindicações a revisão da carreira e a exigência de mais pessoal.

No total, envolvendo as Entidades do Setor Público Administrativo, os hospitais em regime de Entidade Pública Empresarial e os que estão em Parceria Público Privada, o Ministério da Saúde espera chegar ao final deste ano com 136.000 profissionais, um aumento de 3% face a 2017.

Sindicato dos Médicos deixa o alerta
De acordo com a edição de hoje do Jornal Económico, o Sindicato dos Médicos afirma que os vales-cirurgia estão a ser...

Segundo o SIM, atingido o tempo de espera máximo legalmente estabelecido para a cirurgia no SNS, os utentes recebem um Vale Cirurgia que lhes permite serem operados fora do SNS, nomeadamente em hospitais privados.

No entanto, “a maioria dos doentes não quer ser operado fora do hospital do SNS onde foi inscrito. E se o utente não recusar ativamente o Vale- Cirurgia, a sua inscrição cirúrgica é cancelada”, revela o sindicato.

“Os doentes quem querem ser operados no SNS têm de facto enormes dificuldades, incluindo serem empurrados para fora do SNS e serem obrigados a agir para não o serem”, alerta o SIM.

O SIM explica aqui que confrontados com a receção em casa do Vale Cirurgia, os utentes têm de interpretar, preencher e assinar a declaração de recusa e enviá-la por correio, fax ou email para continuarem a poder ser operados no hospital do SNS onde foram inscritos.

“Se não fizerem nada disto, a inscrição cirúrgica é cancelada”, conclui.

Os vales de cirurgia foram uma novidade introduzida no SNS em 2004, com a criação do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC) que veio regular toda a atividade cirúrgica programada e abarcar todas as etapas do processo de gestão do utente, desde a sua inscrição na lista cirúrgica até à conclusão do processo, após realização da cirurgia. A informação relativa à atividade cirúrgica programada e à realizada pelos serviços de urgência é obrigatoriamente registada e transferida para o Sistema Informático de Gestão da Lista de Inscritos para Cirurgia (SIGLIC), que está centralizado na ACSS.

Entre os objetivos do SIGIC destacam-se a redução do tempo de espera, garantir a equidade do acesso, promover a eficiência global do sistema através da optimização da gestão da Lista de Inscritos para Cirurgia e dos recursos afectos e garantir a qualidade e a transparência da informação.

Reportagem
Marta está “saturada de promessas”, Margarida sente “revolta” e Clara desabafa “mágoa e impotência”, sem conseguir “gritar mais...

Em entrevista à Lusa, estas mães de crianças recentemente internadas naquele centro hospitalar descrevem “quartos minúsculos sem janelas”, “cartão a tapar buracos na parede”, portas vedadas com “adesivo do hospital”, isolamentos “sem casa de banho”, “uma sanita e duche para os 40 ou 50 pais” e um “gabinete dos médicos que parece uma despensa”.

“Saturei. Cansei. De discussões de orçamentos, de inaugurações de pedra sobre pedra. As instalações não são dignas. É Serviço Nacional de Saúde. É preciso avançar com a obra” da Ala Pediátrica, reclama Marta após “20 internamentos” da filha de cinco anos, diagnosticada aos oito meses com “um tumor inoperável na cabeça”.

Referindo-se aos contentores provisórios desde 2011, Marta lembra que “as promessas dos governos têm anos”.

“Não quero saber de culpas. Quero que avancem. Ou venham ver. Ofereço-me para uma visita guiada”, desafia.

“Fala-se muito nas crianças com cancro mas há outros casos muito complicados nas mesmas condições péssimas”, assegura.

De acordo com a ex-gestora de marketing, existem uma “casa de banho e um duche” partilhados por “40 ou 50 pais”, muitos dos quais “não são do Porto” e pernoitam ali “semanas e meses”.

A filha, Mariana, “vê sombras”, mas identifica o Ruca na televisão, desce e sobe sozinha dois lanços de escadas para mostrar a boneca Rosita, salta, canta, dança, anda de triciclo e skate, oferece abraços e quebra o gelo com quem acabou de conhecer com um “És muito fofo” que nunca mais se esquece.

“Se ela está viva e é feliz, é graças à equipa do São João e a todas as valências do hospital. Enquanto viver, a vida dela e a minha, vai ser lá. Já tivemos uns 20 internamentos. Acho que foi isso que me cansou. Farta de promessas, farta. Não se faz. Nem aos miúdos nem aos profissionais”, desabafa.

Quando, em 2017, começou a ouvir as queixas de Jorge Pires, atual porta-voz da APOHSJ – Associação Pediátrica Oncológica, Marta achava que “ele estava sempre a mandar vir”.

“A doença cansa tanto, absorve tanto, que uma pessoa não se queixa. Ele tinha essa força para criticar. Até que pensei: ele está sempre a reclamar, mas tem razão, em tudo”, recorda.

Clara Miranda, de Barcelos, acompanhou a filha de 15 anos em “todo o tipo de exames, duas operações, sete ciclos de quimioterapia e radioterapia”, entre o verão de 2016 e o de 2017.

“Pensar que a última imagem” do filho de alguém “pode ser a das paredes cinzentas” daqueles contentores “é uma mágoa insuportável”, confessa.

“Porque é que nos descarregaram aqui? Era isso que eu perguntava. O meu marido chegou a colar um cartão na parede do quarto para tapar uma corrente de ar”, recorda.

Uma ressonância “má” faz perspetivar novo internamento e Clara teme voltar a ser “descarregada” num “quarto minúsculo” e “frio”, com “aquele barulho de buzinas imensas em hora de ponta”.

“Não é justo. É uma miséria. Os pais não sabem o que fazer mais. Já gritámos, já perdemos vidas”, descreve.

“Não consigo entender porque não arrancam as obras. Quando está nas mãos do poder fazer alguma coisa e não fazem nada, é uma impotência”, desabafa.

Clara elogia os profissionais “competentíssimos” e “amigos”, desde “enfermeiros a auxiliares, que dão no duro danado para que não falte nada às crianças quando lhes falta tudo”.

Abel Silva e Margarida Correia tiveram o filho a receber tratamentos no São João entre novembro de 2014 e março de 2016.

O menino passou por um “quarto minúsculo, sem janela, paredes meias com a copa”, até “aparecer uma vaga nos isolamentos”.

“Às vezes, os médicos andam ali a jogar, a ver quem fica melhor um bocadinho para uma cama ser libertada. É indigno para qualquer contribuinte e desumano para qualquer criança”, afirmam.

Sentem “revolta” e insistem estar “na altura de arranjar condições dignas”.

“Não podemos continuar à espera. Não consigo perceber como se gasta tanto dinheiro em autoestradas e continuamos, neste século, a ter aqueles contentores”, afirma Margarida.

A 24 de outubro, o primeiro-ministro disse que o reforço do orçamento da Saúde permitirá "avançar com o lançamento" do concurso para a ala pediátrica, mas a nova ministra da tutela, Marta Temido, afirmou não haver data para o procedimento.

O Hospital de São João não autorizou a Lusa a fazer reportagem nas suas instalações, acrescentando que "não comenta o assunto".

Contactado pela Lusa, o Ministério da Saúde disse, através de fonte oficial, que não vai "fazer comentários além dos esclarecimentos que já foram prestados".

Revisão do plano
O Governo de Moçambique está a rever o Plano Estratégico Nacional da Resposta ao HIV/Sida para permitir que o país reduza de...

João Leopoldo, citadopelo diário Notícias, disse que 150 especialistas das áreas de HIV, tuberculose e hepatites estão envolvidos na revisão do plano.

"Este plano estratégico estabelece como principais objetivos a redução da incidência do HIV por transmissão sexual em 50% até 2020", afirmou Leopoldo.

A ação visa aferir o grau de cumprimento dos planos, apontar os progressos alcançados e identificar as boas práticas no âmbito da resposta ao HIV/Sida, acrescentou.

O vice-ministro da Saúde de Moçambique assinalou que o plano estratégico pretende igualmente reduzir para menos de 5% a transmissão do HIV/Sida de mães para bebés até 2020, a mortalidade relacionada com a doença em 49% até 2020 e a eliminação do estigma e da discriminação.

 

Proposta conjunta
As duas estruturas sindicais de enfermeiros que convocaram a greve entre 22 de novembro e 31 de dezembro entregaram ontem ao...

Em declarações à Lusa, Lúcia Leite, da Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE), que, em conjunto com o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), convocou a paralisação dos enfermeiros a serviços cirúrgicos de cinco centros hospitalares, disse esperar que até à próxima reunião com a tutela, agendada para dia 15, a nova ministra da Saúde, Marta Temido, analise a proposta e frisou que até dia 22, quando se inicia a greve, há ainda muito tempo para negociar.

A dirigente sindical entende, no entanto, que a “proposta fechada” e “pronta a publicar” entregue pelas duas estruturas “é razoável e equilibrada” e “reflete os princípios gerais enunciados pelos sindicatos dos enfermeiros”, não diferindo muito de outra proposta anterior da autoria da ASPE.

Segundo Lúcia Leite, o “único capítulo em branco” na proposta entregue é o que diz respeito às normas transitórias, que apenas poderá ser preenchido pelos sindicatos quando souberem, da parte da tutela, o que é ou não aceite no documento.

A dirigente sindical explicou que a proposta apenas vai ser tornada pública dentro de dois dias, porque as estruturas não querem misturar a negociação dos serviços mínimos da greve com a divulgação do documento.

Contudo, adiantou, por exemplo, que a tabela remuneratória proposta pelas duas estruturas é praticamente igual à de 2010, com duas alterações significativas: introduz a categoria de enfermeiro-especialista, o que significa que a carreira passa a ter três categorias, ao invés de duas, e elimina os dois índices remuneratórios mais baixos da carreira de enfermeiro.

O objetivo é que estes profissionais tenham no início de carreira salários semelhantes aos de outros profissionais de saúde, disse Lúcia Leite.

A dirigente da ASPE quis ainda esclarecer que os sindicatos, apesar de reconhecerem a iniciativa como “boa, inovadora e entusiasmante”, não têm qualquer intervenção na campanha de angariação de fundos ‘online’ lançada por um grupo de enfermeiros, nem na recolha, nem na distribuição dos fundos angariados, sublinhando que isso seria uma ação ilegal da parte dos sindicatos.

A única forma a que as estruturas sindicais poderiam recorrer para apoiar financeiramente uma paralisação seria um fundo de greve, que têm previsto nos seus estatutos.

A greve abrange o Centro Hospitalar Lisboa Norte, o Centro Hospitalar Universitário de São João (Porto e Valongo), o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Universitário do Porto e o Centro Hospitalar de Setúbal, afirmou Lúcia Leite.

O objetivo de angariar pelo menos 300 mil euros foi superado, e contou com donativos sobretudo de enfermeiros, mas também de médicos, anestesistas e outros profissionais, além de amigos e familiares.

A greve pretende parar, principalmente, as cirurgias programadas, mas os sindicatos apelam também a que os efeitos se façam sentir no serviço de cirurgia adicional nos hospitais não abrangidos pelo pré-aviso de greve.

Este serviço é prestado fora do horário normal de cirurgias, para doentes que estão há demasiado tempo em listas de espera, e é pago em valores bastante mais elevados do que o serviço normal dos enfermeiros e que funciona quase como “um serviço privado” dentro do Serviço Nacional de Saúde, esclareceu Lúcia Leite.

“Por questões éticas”, os sindicatos apelam aos enfermeiros dos cinco centros hospitalares abrangidos que suspendam também este serviço de cirurgia adicional, para não poderem ser acusados de querer obter um benefício económico por não paralisarem nas cirurgias melhor remuneradas.

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