Doença de pele incurável

Psoríase

Atualizado: 
22/10/2014 - 11:46
A psoríase é uma doença crónica e recorrente que se reconhece pelas suas formações escamosas prateadas e pelas placas de diversos tamanhos.

A psoríase é uma doença incurável da pele, não contagiosa, que atinge 1 a 3% da população mundial. Surge com placas vermelhas e descamativas em qualquer área da superfície cutânea e atinge igualmente homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, embora possa surgir em qualquer fase da vida.

O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afectam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. A escamação resulta de um crescimento e de uma produção anormalmente elevada das células cutâneas.

Nos casos mais graves, estas lesões podem cobrir extensas áreas do corpo. As unhas são também frequentemente afectadas, com alterações que podem variar entre o quase imperceptível e a sua destruição.

Cerca de 10% dos doentes desenvolvem artrite psoriática, que se traduz por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, das pequenas (mãos e pés) ou grandes (membros e coluna) articulações. A artrite psoriática apresenta sintomas muito semelhantes aos da artrite reumatóide.

A origem da psoríase não está totalmente esclarecida, embora se saiba que é geneticamente determinada e envolva alterações no funcionamento do sistema imunitário, que provocam inflamação e aumento da velocidade de renovação das células da epiderme (camada mais superficial da pele).

O facto de ser geneticamente determinada não implica que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. Contudo, verifica-se uma maior probabilidade do aparecimento da doença em pessoas que tenham familiares portadores da mesma e calcula-se que cerca de 30% das pessoas que têm psoríase apresentam história de familiares também acometidos pela doença.

Diagnóstico
No princípio esta afecção pode ser de diagnóstico incerto, porque muitas outras doenças podem apresentar placas e escamações similares. À medida que a psoríase avança, os especialistas podem reconhecer facilmente o seu padrão de escamação característico, pelo que, em geral, não são necessárias provas de diagnóstico.

De qualquer forma, para confirmar o diagnóstico, o médico pode fazer uma biópsia da pele (extrai uma amostra da pele para examinar ao microscópio).

Sintomas
A psoríase costuma começar como uma ou mais pequenas placas que se tornam muito escamosas. É possível que se formem pequenas protuberâncias em redor da área afectada. Apesar de as primeiras placas poderem desaparecer por si só, a seguir podem formar-se outras. Algumas placas podem ter sempre o tamanho da unha do dedo "mindinho”, mas outras podem estender-se até cobrir grandes superfícies do corpo, adoptando uma forma de anel ou espiral.

Por serem lesões secas, as escamas da psoríase podem tornar-se grossas e esbranquiçadas e as localizações mais frequentes são os cotovelos, joelhos, couro cabeludo e tronco. Geralmente, a maioria dos doentes com psoríase só refere queixas de escamação, sem comichão. No entanto, como o aspecto das lesões não é agradável, é muitas vezes motivo de preconceitos e discriminação.

É comum ocorrerem fases de melhoria e nessa altura a pele adopta uma aparência completamente normal e o crescimento do pêlo restabelece-se.

Tratamento
Actualmente, não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associações permite controlar os sintomas na maioria dos casos.

Assim, o tratamento da psoríase vai depender do quadro clínico apresentado, podendo variar desde a simples aplicação de medicações tópicas, nos casos mais brandos, até tratamentos mais complexos para os casos mais graves.

Por outro lado, a resposta aos vários tratamentos também varia muito de pessoa para pessoa, uma vez que cada doente tem a sua especificidade, pelo que estas terapêuticas devem ser usadas criteriosamente, de acordo com as indicações adequadas para cada caso e respectiva fase de evolução.

Assim, ao nível da terapêutica medicamentosa existem os medicamentos tópicos, tais como loções, cremes ou pomadas para aplicar sobre a pele. Os fármacos para aplicação sistèmica (via oral ou injectáveis) ou os agentes biológicos que actuam selectivamente sobre determinados componentes do sistema imunitário, representam a área em que se verificaram os mais recentes progressos.

Por outro lado, os doentes com psoríase beneficiam da helioterapia (sol), sem dúvida o tratamento mais barato e acessível, uma vez que a exposição ao sol (espectro ultravioleta) com moderação, induz uma melhoria na maioria dos casos. A exposição pode ainda ser feita através de fontes artificiais de luz ultravioleta (UV) em sessões regulares, com doses de UV adequadas a cada doente e durante períodos predeterminados.

Fonte: 
dermatologia.net
Manual Merck
Associação Portuguesa da Psoríase
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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