Conheça esta doença

Está sempre com vontade de ir à casa de banho? A culpa pode ser da Bexiga Hiperativa

Atualizado: 
23/05/2019 - 17:28
Em Portugal, estima-se que mais de 30% da população adulta sofre de Bexiga Hiperativa. Uma doença crónica que, embora sem cura, pode ser controlada. Um desejo súbito e forte de urinar, difícil de controlar é o principal sintoma.
Bexiga Hiperativa

Quando a bexiga se contrai de forma descontrolada, dando origem a um conjunto de sintomas caracterizados por uma vontade imperiosa de urinar, estamos na presença de uma condição clínica crónica designada de Bexiga Hiperativa. Ainda que possa confundir-se com a Incontinência Urinária, não é a mesma coisa!

De acordo com a especialista em Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Geraldina Castro, a Bexiga Hiperativa “caracteriza-se pela presença de urgência miccional, isto é, por um desejo súbito e forte de urinar, difícil de controlar e que pode ou não ser acompanhado de perda involuntária de urina associada a estas vontades”. Geralmente associa-se também a uma necessidade frequente de urinar: “oito ou mais vezes durante o dia e uma ou mais vezes durante a noite”.

Embora, na maioria dos casos, não seja possível determinar uma causa, há um conjunto de patologias que podem estar na sua origem. É o caso de algumas doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, a doença cerebrovascular, a doença de Parkinson ou lesões na medula. “Alterações estruturais da própria bexiga, do seu músculo e órgãos adjacentes podem também causar esta doença”, acrescenta a especialista.

Certo é que 32% da população adulta em Portugal sofre desta condição, embora um grande número de casos fique por diagnosticar. “A prevalência é semelhante entre homens e mulheres”, aumentando com a idade.

Vergonha deixa doentes sem tratamento

Apesar de ser fácil de diagnosticar a verdade é que, por vergonha, são muitos os casos que ficam por identificar. “O seu diagnóstico é feito com base nos sintomas do doente e após exclusão de infeção urinária ou outra patologia óbvia, como a diabetes ou o cancro da bexiga”, explica Geraldina Castro. Na maioria dos casos, basta avaliar a história clínica do doente e pedir uma análise à urina. No caso das mulheres, é feito ainda um exame ginecológico para o seu diagnóstico. “Os casos mais complexos poderão ter de ser encaminhados para um especialista e submetidos a outros exames específicos”, adverte a ginecologista garantindo que estes são os casos que fogem à regra.

No entanto, “existem estudos que demonstram que esta é uma patologia subdiagnosticada precisamente porque os doentes sentem vergonha em falar dela ao seu médico, acham que faz parte do envelhecimento e desconhecem a existência de tratamento”.

Não tem cura, mas pode ser tratada para controlar sintomas

A Bexiga Hiperativa é uma doença crónica, o que significa que não é curada, mas pode ser controlada com recurso a diversas armas terapêuticas. “É uma doença que sofre de períodos de agravamento e o seu tratamento deverá ser ajustado consoante as necessidades”, esclarece a médica.

A primeira medida contra a Bexiga Hiperativa é alterar o estilo de vida, procedendo a alterações alimentares, à evicção tabágica e alcoólica, promovendo a manutenção de um peso saudável. “Alimentos que contenham cafeína, como o chocolate, condimentados ou ácidos (tomate e citrinos), que podem causar irritação da bexiga, devem ser evitados”, explica a especialista acrescentando que “nos doentes com ingestão de líquidos elevada (superior a dois litros por dia), esta deverá ser restringida, principalmente à noite”. De fora ficam também as bebidas com cafeína, como o chá preto ou o café e ainda as bebidas gaseificadas.

Por outro lado, as técnicas de treino da bexiga e os exercícios do pavimento pélvico são também importantes no controlo desta condição clínica. “Nos episódios de urgência, a contração dos músculos do pavimento pélvico de forma sustentada pode atenuá-la ou fazê-la desaparecer”, revela. Além disso, fazer estes exercícios de forma regular ajuda a fortalecer a região e a manter as estruturas anatómicas, nomeadamente a bexiga, na posição correta.

“Quando as medidas comportamentais e os exercícios por si só não resolvem o problema, poderá ser associado um medicamento”, adianta a especialista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

“Os medicamentos disponíveis no mercado vão atuar nos receptores da bexiga. Ao promoverem o relaxamento do músculo da bexiga, vão aumentar a sua capacidade de armazenamento da urina e diminuir as contrações involuntárias deste músculo”, explica.

Apenas as situações muito graves, que não respondem a nenhum dos outros tratamentos disponíveis, são encaminhadas para cirurgia. E estas, felizmente, ainda são uma minoria.

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Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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