São necessários mais médicos
A renovação de médicos de família preocupa a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, mas o secretário regional da...

“Estamos a viver uma situação particular, que é a renovação geracional: uma saída de um grande número de médicos de família e por sua vez a capacidade de termos novos médicos de família em exercício nos próximos anos”, explicou hoje o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Rui Nogueira, à saída de uma reunião com o secretário regional da Saúde dos Açores.

Rui Nogueira referia-se a uma situação que é comum a todo o país, uma vez que, a nível nacional, um terço dos médicos de família vão mudar nos próximos cinco anos, apontando como grande desafio desta mudança “a reestruturação das unidades de saúde”, que deve ser feita “tendo em conta as novas realidades, os novos desafios, as novas necessidades da população, tendo em conta também aquilo que é a evolução da medicina”.

O secretário regional da Saúde, Rui Luís, reconhece o problema, afirmando que, neste momento, os concelhos de Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e Ponta Delgada, em São Miguel, têm falta de médicos de família, mas garante que “a perspetiva para o futuro parece ser bastante risonha”, uma vez que o executivo tem vindo a “apressar e acelerar os concursos” e que a região tem conseguido “algum poder” de atração para médicos de Medicina Geral e Familiar.

"Nós temos, neste momento, cerca de 43 internos de Medicina Geral e Familiar nos Açores e estamos a conseguir algum poder de atratibilidade, porque todos os anos estão a entrar mais médicos de família do que aqueles que estão a fazer o internato", esclareceu o governante.

Rui Luís mostrou-se agradado com a notícia da reativação da delegação da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, “que irá permitir, juntamente com a Direção Regional da Saúde, estabelecer alguns protocolos, principalmente a nível da formação, que é essencial para os médicos de família”.

O dirigente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar anunciou, ainda, que o próximo Fórum Internacional de Médicos de Família Rurais (EURIPA) irá realizar-se em Ponta Delgada, de 07 a 09 de novembro de 2019.

Serviços Partilhados do Ministério da Saúde
Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) confirmaram hoje a existência de problemas nos sistemas de informação do...

"Nos últimos dias ocorreram alguns problemas nos sistemas de informação centrais do Ministério da Saúde que provocaram, em alguns momentos, instabilidade na utilização dos mesmos, condicionando o trabalho dos profissionais e das instituições de saúde sobretudo ao nível dos Cuidados de Saúde Primários", afirmam os SPMS em comunicado.

Segundo os SPMS, estes constrangimentos registaram-se, sobretudo, na prescrição de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, resultante do crescimento exponencial do projeto dos Exames Sem Papel.

"Diariamente são prescritos mais de 91.703 Exames. Ontem [quarta-feira], apesar dos constrangimentos registados, o número de Receitas Sem Papel emitidas manteve-se e o número dos Exames Sem Papel chegou aos 27% do total nacional. Estes números exigem alterações e melhorias constantes nos sistemas de informação para garantir o crescimento sustentável deste projeto", afirmam no comunicado.

O esclarecimento dos serviços partilhados surge na sequência de denúncias feitas pela Ordem dos Médicos e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), em que alertavam para "o caos" que esta situação está a causar nos centros de saúde e hospitais, e que levaram hoje o Bloco de Esquerda a questionar o Ministério da Saúde.

Os SPMS adiantam que o problema tem tido um acompanhamento constante no terreno por "parte das equipas técnicas, procurando as melhores soluções de modo a reduzir o impacto nas unidades de Cuidados Saúde Primários".

"As redes locais com mais de 15 anos têm sido identificadas como as causas principais em muitos casos de reportes, falha de resposta e velocidade, em vários 'softwares', que em alguns casos sofrem com a existência de muitos postos trabalho ainda com versões 'Windows XP' e 'Windows 7', sendo conveniente o 'upgrade' das mesmas nas substituições dos Cuidados de Saúde Primários pelas Administrações Regionais de Saúde", refere o comunicado.

O documento assegura ainda que os SPMS estão "a trabalhar na evolução, consolidação e melhoria dos sistemas" e empenhados "antecipar-se aos problemas e procurar as melhores soluções informáticas para profissionais de saúde, garantindo uma estabilização progressiva dos sistemas e, simultaneamente, alcançar uma curva descendente no registo de problemas".

Administração
O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) vai usar os sete milhões de euros que recebeu ao tornar-se Entidade Pública Empresarial para...

Questionada pela agência Lusa, Elsa Banza afirmou que os sete milhões de euros injetados no capital social do CHO “vão ser exclusivamente para pagar dívida” que, no total, é de 35 milhões de euros.

Em maio, o Governo alterou o estatuto jurídico do centro hospitalar de Setor Público Administrativo (SPA) para Entidade Pública Empresarial (EPE), o que vem facilitar a contratação de profissionais.

A presidente do novo conselho de administração, nomeado em setembro na sequência da alteração do estatuto, adiantou que espera vir a contratar pelo menos 20 médicos, 35 enfermeiros e 40 assistentes operacionais “para colmatar necessidades e repor recursos que se foram perdendo ao longo dos anos”.

Elsa Banza anunciou também que o CHO lançou concurso para obras no hospital de Peniche, onde vai ser criada uma ala psiquiátrica, com nove camas de internamento.

O investimento de meio milhão de euros, com financiamento comunitário a 85%, deverá ficar concluído no final de 2019.

A administradora falava à margem da cerimónia de entrega de duas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (uma para o hospital de Caldas da Rainha e outra para Torres Vedras) pelo Instituto Nacional de Emergência Médica.

As VMER entraram em funcionamento em 2002 e 2009 e foram agora renovadas.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Torres Vedras, Caldas da Rainha e de Peniche e detém uma área de influência constituída pelas populações daqueles três concelhos, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Lourinhã, e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estevão das Galés e Venda do Pinheiro).

A população abrangida é de 292.546 pessoas, número que sobe para mais de 300 mil pessoas devido a eventos sazonais e aos doentes referenciados pelos centros de saúde.

INEM
A rede de Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) está "estabilizada", com 44 viaturas, depois de terem...

“A rede VMER está estabilizada, com 44 viaturas, 20 das quais adquiridas em 2016, 22 em 2017 e duas este ano”, afirmou Luís Meira, que admitiu que o INEM está ainda a “fazer esforços para reforçar alguns pontos”.

“Em 2016, tínhamos viaturas a prestar este serviço com uma média de idades superior a 10 anos e neste momento todas as VMER são recentes e foram adquiridas através de um processo iniciado em 2016”, acrescentou.

O presidente do INEM falava durante a cerimónia de entrega de duas VMER ao Centro Hospitalar do Oeste (CHO), em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, ficando uma em Caldas da Rainha e outra em Torres Vedras.

A aquisição das 44 novas VMER corresponde a um investimento superior a dois milhões de euros.

As VMER são acionadas em média 250 vezes por dia em todo o país.

Das 44 viaturas em funcionamento, 14 estão no norte do país, dez no centro, e 20 no sul, 17 das quais na região de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo e três na região do Algarve.

As VMER são veículos de intervenção pré-hospitalar destinados ao transporte rápido de uma equipa médica até ao doente, atuando na dependência direta dos Centros de orientação de Doentes Urgentes do INEM.

O seu principal objetivo consiste na estabilização pré-hospitalar e no acompanhamento médico durante o transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência, assumindo um papel preponderante no apoio às populações.

O CHO, com hospitais em Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, serve 293 mil habitantes dos concelhos do Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Torres Vedras e parte de Alcobaça e de Mafra.

Jovens diabéticos
A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) promove no sábado, em Santarém, um evento de informação e partilha de...

Paula Klose, presidente da AJDP, disse à Lusa que o evento se foca na diabetes tipo 1, a que tem merecido menos atenção pública, sublinhando as diferenças em relação à diabetes tipo 2, sobretudo porque não resulta de comportamentos voluntários (como sedentarismo ou hábitos alimentares) nem de fatores genéticos.

“Aqui não existe ‘culpa’. A doença surge, sem que se saiba ainda porquê, apesar dos muitos estudos científicos, afetando pessoas de todas as idades”, disse, salientando que, “com uma série de cuidados”, o dia-a-dia dos portadores desta doença é perfeitamente normal.

Para Paula Klose, ela própria portadora de diabetes tipo 1, o conhecimento que estas pessoas adquirem sobre o seu corpo e a alimentação, dada a necessidade de fazer a contagem regular de hidratos de carbono e de saber dosear a insulina de que necessitam, até ajuda a que “possam ser mais saudáveis”.

No evento que irá decorrer ao longo de todo o dia de sábado, na Casa do Campino, várias pessoas que vivem com a diabetes tipo 1 vão partilhar o seu testemunho, mostrando “como não são definidas pela doença e referindo os principais desafios que têm enfrentado, nomeadamente por preconceitos da sociedade”.

Entre os testemunhos estarão os de uma pessoa com 83 anos, Raúl Teodoro, que vive com a doença há 60 anos, um jovem ator, Miguel Ruivo, com a doença desde os 10 anos, e um fisiologista do exercício, João Almeida, 22 anos, com diabetes desde os 15 anos.

A AJDP tem em curso a campanha “Somos o que queremos ser”, em que várias pessoas dão a cara para mostrar como a doença não as impede de fazer o que quer que seja, nomeadamente a prática de exercício físico, mesmo em competição.

Ao longo do dia, especialistas falarão de situações em que ainda persiste o estigma, nomeadamente na escola, com relatos de casos em que a falta de conhecimento levou a atuações menos corretas para com as crianças, ou mesmo nas instituições de saúde, dada a prevalência de uma abordagem que se “foca mais nos números do que no relacionamento pessoal”.

A importância do desporto na diabetes será outro dos temas a abordar, estando previsto um treino para ensinar alguns exercícios e uma aula de artes marciais.

As inovações nesta área, nomeadamente, o designado “pâncreas artificial”, que permite a medição contínua e a injeção automática da insulina, serão outro assunto em análise.

“A ideia de que a diabetes pode limitar a vida e as escolhas dos jovens e crianças que vivem com esta doença crónica continua a estar presente na mente de pais e professores”, afirmou Paula Klose, lamentando que ainda existam “escolas que não aceitam crianças que vivem com diabetes por não saberem como dar-lhes o apoio de que necessitam e por não terem profissionais disponíveis para acompanhar estas crianças”.

Apontou ainda que alguns professores, em especial de educação física, “continuam a proibir alunos que vivem com diabetes de realizar as aulas, por pensarem que estes não as podem realizar”.

Afirmando que a diabetes tipo 1 afeta 3.327 jovens em Portugal, a presidente da AJDP salientou a importância de dar a conhecer a estes jovens que “podem ter uma vida plena, saudável e sem limitações, desde que façam o tratamento adequado, que passa pelo controlo diário dos níveis de glicemia no sangue, uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico”.

A diabetes tipo 1 é uma doença crónica, que se desenvolve quando o pâncreas para de produzir a insulina de que o corpo necessita e, consequentemente, os níveis de açúcar no sangue sobem.

Perigos da exposição
O Conselho de Ministros aprovou um diploma que transpõe para a lei nacional as normas europeias de segurança e proteção contra...

Os objetivos das normas europeias são aumentar a proteção contra as radiações ionizantes em contexto médico, industrial e ocupacional.

Os efeitos da radiação ionizante no corpo humano são complexos e dependem da intensidade da energia usada, mas esta radiação tem várias aplicações com largos benefícios, como a radioterapia ou os raios-X.

No contexto industrial, as aplicações são igualmente vastas, sendo exemplo a esterilização por irradiação.

O comunicado do Conselho de Ministros de hoje indica que foi aprovado um decreto-lei que transpõe as normas europeias e que abrange “todo o espetro de aplicações das radiações ionizantes, incluindo as utilizações médicas, as utilizações industriais e diversas situações de exposição (exposição ocupacional, exposição do público e exposição médica a radiações ionizantes)”

 

Estudo
Uma droga utilizada no tratamento de hepatite C crónica também é eficaz contra o vírus da chikungunya e da febre-amarela,...

O estudo é parte de uma tese de doutoramento de vários alunos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), sob a orientação do Professor Lucio Freitas-Junior, e foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa Estado de São Paulo (Fapesp).

"As células humanas infetadas por chikungunya foram tratadas com a droga sofosbuvir, que eliminou o vírus sem prejudicar as células. A droga foi 11 vezes mais eficaz contra o vírus", afirmou uma das autoras do estudo, Rafaela Milan Bonotto.

Já o professor Lucio Freitas-Junior, destacou que o sofosbuvir já é aprovado para uso humano, o que reduz o tempo em que a droga poderá estar disponível no mercado para tratar a chikungunya, um fator que também baixa os custos do tratamento.

"O sofosbuvir é uma droga que passou todo o processo de aprovação para uso humano que permite que ele seja usado contra a chikungunya entre um e três anos. O custo da pesquisa clínica, estimado em 500 mil dólares (437,8 mil euros), seria muito menor também", afirmou Freitas-Junior.

O pesquisador lembrou que a chikungunya é uma doença grave não só durante a infeção, mas também pelas sequelas que pode deixar como dores articulares capazes de incapacitar pessoas infetadas por meses ou anos.

A chikungunya é um dos vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da dengue, da febre-amarela e do vírus zika.

Na sua fase aguda, a doença produz sintomas semelhantes aos da dengue como dores de cabeça e muscular, febre ou náusea.

"Sofosbuvir é um elemento específico que pode tornar-se uma ferramenta poderosa para combater este vírus. Os resultados da nossa pesquisa permitem que as instituições eventualmente interessadas iniciem ensaios clínicos", acrescentou Freitas-Junior.

Os mesmos pesquisadores apontaram o Sofosbuvir também serve para o tratamento de casos de febre-amarela e disseram que devem apresentar outro estudo mostrando a eficácia da droga no tratamento desta doença em breve.

A chikungunya foi a doença mais letal transmitida pelo Aedes aegypti no Brasil em 2017 e só pode ser combatida com prevenção já que ainda não há uma vacina ou medicamento específico aprovado.

 

À margem 34.º Congresso de Pneumologia
Especialistas alertaram para a importância de esclarecer os jovens para o impacto neurológico e respiratório do consumo de...

O facto de esta droga psicoativa poder ser também usada para fins medicinais conduz a que se instale “alguma confusão”, levando a “uma perceção reduzida dos riscos” cerebrais, sobretudo entre os adolescentes, defendeu Teresa Summavielle, investigadora na área da Biologia da Adição, no 34.º Congresso de Pneumologia, que decorre até sábado em Albufeira.

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, José Miguel Chatkin, alertou para os efeitos adversos do consumo de canábis no sistema respiratório, sublinhando, contudo, que ainda não ter foi possível provar a relação entre o seu consumo e o aumento da probabilidade de desenvolver cancro do pulmão.

De acordo com a investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, o consumo continuado de canábis pode levar ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas e de comportamentos similares aos que são observados nos doentes com esquizofrenia.

"Era muito importante fazer, desde cedo, nas escolas, uma política clara para a aprendizagem dos efeitos destes componentes: do tabaco, da canábis e de outras drogas", defendeu Teresa Summavielle, em declarações à Lusa, sublinhando que os adolescentes têm "uma perceção muito reduzida" dos riscos cerebrais associados.

Por outro lado, refere a investigadora, apesar de se desconhecerem os mecanismos que produzem esta interação, o consumo de nicotina potencia o efeito do álcool e também dos canabinóides, o que significa que, tomadas em conjunto aquelas substâncias ganham ainda efeitos mais nocivos.

Apesar de os efeitos psicoativos do consumo da canábis serem imediatos, os seus componentes acumulam-se no tecido cerebral, mas também no tecido adiposo, o que faz com que a sua presença no organismo se prolongue por mais tempo, podendo ser detetada até quase um mês após a sua utilização, num consumidor regular.

O pneumologista José Miguel Chatkin, avisou, por seu turno, para o impacto do consumo de canábis no sistema respiratório, que pode, dependendo da frequência do consumo, ser tão nocivo como o consumo de tabaco.

Segundo o especialista, para além de os consumidores de canábis aspirarem o fumo de forma mais profunda, tendem a retê-lo mais tempo nos pulmões do que os consumidores de tabaco, além de, geralmente, a substância ser fumada sem filtro.

Os especialistas falavam durante uma conferência sobre tabagismo, no 34.º Congresso de Pneumologia, que decorre até sábado num hotel em Albufeira.

Conferência
Médicos e investigadores internacionais reúnem-se a partir de hoje em Lisboa para debater o uso da canábis para fins...

A conferência internacional “Lisbon Medical Cannabis 2018” é promovida pela Cannativa – Associação de Estudos sobre Canábis e resulta, segundo a associação, da “enorme necessidade de informação que existe em Portugal” sobre esta matéria.

“A canábis medicinal, apesar de já ter sido legalizada em Portugal, ainda não está regulamentada, e tanto os médicos como os pacientes ainda não têm informação que lhes permita saber o que é a canábis medicinal, como e quando utilizá-la e em que dose”, disse à Lusa Laura Ramos, editora da Canapress, o órgão de informação da Cannativa, que pretende contribuir para “o debate sobre a canábis com rigor e isenção”.

Do contacto com os doentes, a associação também percebeu que estes estavam com “muitas dificuldades” em ter aconselhamento e acompanhamento médico.

“Tivemos todas as situações, médicos que incentivaram o consumo de canábis, por exemplo, em doentes oncológicos, mas também tivemos médicos que nem querem ouvir falar disso e que disseram a pais de crianças com epilepsia ‘você vai drogar o seu filho’”, referiu Laura Ramos.

Foi perante estes relatos, que a associação sem fins lucrativos considerou que “era urgente e necessária mais informação, tanto para os pacientes e para o público em geral, como para os profissionais de saúde para que no futuro possam acompanhar melhor os pacientes e ter mais informação”, adiantou.

A utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base de canábis foi aprovada pelo Parlamento em 15 de junho na votação final global de um texto da comissão parlamentar de saúde, originado por projetos de lei do Bloco de Esquerda e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), e promulgada pelo Presidente da República a 10 de julho.

Segundo o texto, terá de ser um médico a prescrever medicamentos ou preparações à base desta planta, em que são consideradas substâncias que vão desde os óleos até à flor desidratada, mas só se outras terapêuticas convencionais tiverem efeitos adversos ou indesejados.

A discussão no Parlamento desta medida gerou “algum debate” na sociedade, mas é preciso que esse debate não pare: “é preciso fazer com que aconteça mais vezes para que mais pessoas” possam perceber, por exemplo, os benefícios que o óleo de canabidiol pode ter numa criança com epilepsia, fazendo com que, “em vez de ter 50 convulsões por mês possa ter quatro ou cinco”, disse Laura Ramos.

Com estes “resultados fantásticos (…) nós enquanto associação pensamos quantas crianças não poderiam estar bem melhores e quantas famílias não poderiam ter muito mais qualidade de vida se pudessem ser tratadas com canábis e é nesse sentido que achamos que é urgente que haja debate, informação, conferências, encontros, seja o que for, desde que se estimule o debate e que se difunda a informação”, sustentou.

Afirma especialista internacional
A tecnologia veio “alterar profundamente” as cirurgias e tornou-as “mais inteligentes”, defendeu hoje na Web Summit o cirurgião...

“A robótica veio alterar profundamente o campo das cirurgias. Houve mudanças profundas nos últimos 15 anos”, argumentou Dorry Segev, cirurgião da área da transplantação e professor na universidade norte-americana Johns Hopkins.

Segev apontou como exemplo da laparoscopia, a cirurgia minimamente invasiva, área que a robótica “trouxe e elevou a um outro nível”.

Uma das grandes vantagens da robótica, segundo Dorry Segev, é conseguir uma “redução total” das tremuras das mãos de um cirurgião.

“Com a robótica, controlamos o robot, que faz os movimentos conseguindo uma redução total de tremuras”, afirmou o cirurgião, lembrando que quase um terço das cirurgias atuais nos Estados Unidos já são feitas com recurso à robótica.

Dorry Segev mostra-se convicto de que a inteligência artificial pode trazer ainda muitos contributos em contexto cirúrgico, eventualmente até passando por, no futuro, permitir compreender o âmbito das conversas num bloco operatório, fornecendo informação útil à situação concreta.

Para o futuro próximo, o cirurgião não foi capaz de dizer se a tecnologia permitirá realizar cirurgias à distância, mas não descarta que, se a tecnologia estiver correta, um cirurgião possa sentar-se no seu escritório e operar como se estivesse no bloco.

A conferência "Tornando as cirurgias inteligentes uma realidade" decorreu no âmbito das conferências sobre saúde na Web Summit, cimeira que decorre desde segunda-feira em Lisboa e que hoje termina.

Web Summit
Mais de 30 milhões de pessoas usam uma aplicação móvel para meditar, a Headspace, que tem como objetivo pôr a tecnologia ao...

Megan Jones Bell, responsável da Headspace, esteve hoje numa conferência na cimeira Web Summit, em Lisboa, a promover a ideia de que todos devem ter acesso à meditação, como forma de proteger a saúde mental e fortalecer a resiliência. Segundo a responsável, a aplicação já ultrapassou os 30 milhões de utilizadores.

“A ideia é promover a saúde mental antes de ela se tornar um problema”, afirmou Megan Jones Bell, indicando que estão a trabalhar nos Estados Unidos e também no Reino Unido para integrar a meditação nos cuidados de saúde.

“Tentamos, trabalhando com vários profissionais de saúde, encontrar formas de integrar a meditação e promovê-la em doentes com depressão ou mesmo em doentes oncológicos”, afirmou a responsável da aplicação Headspace, que já se submeteu a validação científica por parte da FDA, o regulador norte-americano.

Aliás, para Megan Jones Bell, a validação científica contínua é essencial numa aplicação que pretende ter influência na saúde das pessoas.

A Headspace tem em curso mais de 60 estudos clínicos a ser desenvolvidos por centros académicos para avaliar o impacto da própria aplicação, o que pode “ajudar a maximizar o seu impacto”.

A aplicação pretende ajudar qualquer pessoa a meditar, lembrando a empresa que há milhares de estudos que já mostraram que a meditação pode ter impacto positivo na saúde física e mental, reduzindo o 'stress', aumentando a concentração e promovendo boas noites de sono.

Um estudo promovido pela própria empresa que detém a aplicação terá mostrado que a utilização da Headspace por 10 dias consegue reduzir o 'stress' em 14%, além de reduzir a irritabilidade em mais de 25%.

Segundo a própria aplicação disponível em telemóveis e outros dispositivos, a meditação não pretende transformar uma pessoa: “A meditação não é tornar-se uma pessoa diferente, uma nova pessoa, nem sequer uma pessoa melhor. Trata-se de treinar em consciência e ter uma perspetiva saudável. Não se tenta desligar os pensamentos ou as emoções. Aprende-se a observá-los sem julgamento. E eventualmente pode-se compreendê-los também melhor”.

A aplicação, que nasceu há meia dúzia de anos, pode ser experimentada de forma gratuita, na sua versão mais básica, mas requer depois uma subscrição para se continuar com programas mais avançados de meditação e ‘mindfulness’.

Especialista esclarece
As doenças surgem em pessoas com inflamação silenciosa. A alimentação tem um papel essencial no nos
Prevenir inflamação com alimentação

A inflamação crónica é patológica, perigosa para a saúde, diferente dos processos inflamatórios agudos que são normais e constituem um sistema defensivo do nosso organismo, sendo uma resposta essencial para combate dos agressores e defesa do organismo.

Os sinais de inflamação aguda (uma inflamação de curto duração) incluem vermelhidão, dor, calor e inchaço. No entanto, a inflamação crónica (de longa duração) é muitas vezes silenciosa e ocorre sem a manifestação de sintomas visíveis.

Por exemplo, quando consumimos produtos industrializados, cheios de aditivos e com proteínas para as quais não temos a capacidade de digerir, o corpo reage desencadeando a mobilização de células imunitárias, que atuam como mensageiras do sistema imunitário. Ou seja, este reage gerando uma resposta inflamatória.

O problema surge quando a inflamação é mantida. Inflamação aumenta a libertação de citoquinas inflamatórias que alteram o metabolismo do corpo e que está na origem de muitas doenças

A inflamação crónica promove um desequilíbrio do sistema imunitário podendo assim, levar o desenvolvimento de doenças, tais como, síndrome metabólica, diabetes tipo II, doença cardiovascular, défices nutricionais, problemas de sono, depressão, cancro, doenças autoimunes e degenerativas, entre outras doenças e distúrbios.

Porque surge a inflamação e o papel da alimentação

A inflamação surge em resposta a uma exposição crónica e exagerada a agentes agressores. Entre estes podemos destacar: uma má alimentação, tóxicos, poluição eletromagnética, stresse, sedentarismo. O problema surge quando a inflamação é mantida. Inflamação aumenta as citoquinas que alteram o metabolismo do corpo e que está na origem de muitas doenças.

No que diz respeito à alimentação existem determinados alimentos que podem promover a inflamação, tais como:

  • Produtos industrializados: devido às substâncias químicas utilizados no processo de produção, como os corantes, conservantes e aromatizantes.
  • Hidratos de carbono refinados: como o pão branco, massas, trigo.
  • Alimentos ricos em açúcar: como bolachas, produtos de pastelarias, cereais de pequeno-almoço.
  • Carnes vermelhas em excesso
  • Leite e derivados.
  • Refrigerantes e bebidas alcoólicas.

Como combater / prevenir a inflamação

Para o combate e prevenção da inflamação é essencial começar por identificar os agentes agressores e eliminar/reduzir a exposição aos mesmos, passando também pela adoção de uma dieta anti-inflamatória.

Uma dieta anti-inflamatória, em conjunto com a prática de uma atividade física, sono adequando e controlo/redução do stresse, pode proporcionar diversos benefícios, como:

  • Melhoria dos sintomas de doenças autoimunes, como artrite.
  • Diminuição do risco de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, depressão, cancro.
  • Redução dos marcadores inflamatórios.
  • Melhoria dos níveis de açúcar no sangue (glicémia).
  • Melhoria dos níveis de energia.

Uma dieta anti-inflamatória passa pela redução da ingestão de alimentos inflamatórios e aumento da ingestão de alimentos anti-inflamatórios.

Os 8 alimentos que o podem desinflamar:

  1. Açafrão: possui propriedades anti-inflamatórias, sendo que quando conjugado com outros alimentos anti-inflamatórios, aumenta a sua ação
  2. Azeite: rico em gorduras monoinsaturados, que contribui para a redução do colesterol LDL, assim como para o bloqueio da produção de elementos químicos promotores de processos inflamatórios no organismo.
  3. Frutos oleaginosos: neste grupo incluem-se as nozes, as amêndoas, avelãs, nozes da macadâmia, entre outros. Estes são ricos em antioxidantes, que ajudam a combater os radicais livres e a reparar os danos causados pela inflamação. Por exemplo, as nozes contêm ómega-3, um ácido gordo essencial, que reduz a inflamação.
  4. Peixes gordos: como o salmão, a cavala, a sardinha, o atum e o arenque. Devido ao seu elevado teor em ómega-3 ajudam a reduzir os processos inflamatórios no organismo. O seu consumo deve de rondar as 3 vezes por semana.
  5. Fruta: sendo de destacar os frutos vermelhos, como os morangos, amoras, mirtilos e framboesas muito ricos em antioxidantes. Também a presença de antocianinas, pigmentos que conferem cor, ajudam a combater as inflamações crónicas.
  6. Vegetais de folha verde-escura: estes vegetais são muito ricos em vitamina E que é essencial para o combate aos processos inflamatórios. Temos como exemplos, os espinafres, brócolos e vários tipos de couves.
  7. Tomate: rico em licopeno, antioxidantes, fósforo e potássio, que ajuda no fortalecimento do sistema imunológico.
  8. Gengibre: este é rico numa substância ativa, o gingerol, que possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, ajudando a reduzir os níveis de inflamação, seja aguda ou crónica.

Em suma, podemos controlar e evitar a inflamação. Para tal é essencial a realização de uma alimentação cuidada, procurando privilegiar os alimentos anti-inflamatórios, utilizando-os o mais próximo seu estado natural, sendo também de preferir, sempre que possível os alimentos biológicos ou da horta.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Aveiro
Chama-se ácido oleanólico, está presente em muitas frutas e vegetais e tem propriedades antioxidantes, anticancerígenas, anti...

A pensar nas indústrias farmacêutica e do azeite, o método de extração desenvolvido promete dar um valor acrescentado aos milhares de toneladas de folhas que o país produz todos os anos.

“O interesse no ácido oleanólico deve-se às suas propriedades benéficas para a saúde humana, nomeadamente as propriedades antioxidantes, anticancerígenas, anti-inflamatórias e antialérgicas, apresentando assim um grande interesse para a indústria farmacêutica”, explica a investigadora Ana Cláudio que, juntamente com Emanuelle Faria, Armando Silvestre e Mara Freire do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e do Departamento de Química da UA, assina o trabalho.

As folhas de oliveira são um resíduo proveniente da indústria do azeite, uma das indústrias mais relevantes em Portugal e que, ao nível mundial, gera anualmente cerca de 1 milhão de toneladas de folhas.  Atualmente este resíduo é normalmente queimado para gerar energia já que para se extrair o ácido oleanólico o método até agora existente não é sustentável e recorre à utilização de solventes orgânicos voláteis, muitas das vezes tóxicos e carcinogénicos.

Trabalho a pensar nas indústrias nacionais

Na UA, os investigadores descobriram ser possível extrair o ácido oleanólico com a utilização de soluções aquosas de líquidos iónicos a temperaturas próximas do ambiente, substituindo a utilização de solventes orgânicos voláteis e as elevadas temperaturas para o efeito. 

“Este trabalho surgiu com o intuito de valorizar este subproduto através da extração e recuperação de compostos de valor acrescentado presentes nas folhas de oliveira, tais como os ácidos triterpénicos [onde o ácido oleanólico se insere]”, explica Ana Cláudio cujo trabalho contou também com a colaboração da Universidade Tecnológica de Viena (Áustria).

Especificamente utilizaram-se soluções aquosas de líquidos iónicos como solventes alternativos, permitindo o desenvolvimento de um processo de extração seletivo e mais sustentável. Para além de água, aponta a investigadora, “utiliza-se apenas uma pequena quantidade de líquidos iónicos, sendo que estes últimos apresentam uma pressão de vapor desprezável e, portanto, diminuem a poluição atmosférica”.

No final deste novo processo de extração do ácido oleanólico, os investigadores garantem ainda ser possível reutilizar quer os líquidos iónicos, quer as folhas de oliveira para gerar energia, contribuindo também este método para o desenvolvimento de um processo integrado em biorefinaria.

O processo desenvolvido pode ser utilizado em grande parte das indústrias nacionais que produzam resíduos agroflorestais ou resíduos alimentares que apresentem na sua composição compostos de valor acrescentado, sendo apenas necessário ajustar as propriedades físico-químicas dos líquidos iónicos utilizados e demais condições operacionais.

Universidade de Coimbra
Uma dieta que inclua o cogumelo "Coriolus versicolor" estimula os neurónios e poderá contribuir para prevenir...

Uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) descobriu que o "Coriolus versicolor" aumenta a complexidade dos novos neurónios formados no hipocampo adulto, uma área do cérebro ligada à memória.

"A nossa descoberta sugere que este cogumelo poderá contribuir para o fortalecimento da reserva neurogénica e possivelmente da ‘reserva cognitiva'" aponta Ana Cristina Rego, investigadora do CNC, docente da FMUC e corresponsável pela coordenação da investigação.

Frederico Costa Pereira, investigador do iCBR, docente da FMUC e corresponsável por este estudo, acrescenta que "uma dieta que inclua este suplemento pode fazer parte de uma estratégia que favoreça o envelhecimento saudável, incluindo a prevenção de défices cognitivos associados ao processo de neurodegenerescência".

Este investigador avisa, contudo, "que mais estudos pré-clínicos terão de ser realizados".

Publicado na revista "Oncotarget", o estudo foi realizado em murganhos (ratinhos) submetidos a uma dieta com a biomassa do cogumelo, tendo-se verificado um aumento significativo do tamanho e arborização das dendrites (prolongamentos dos neurónios que permitem que estes comuniquem entre si) de novos neurónios formados no hipocampo adulto.

O estudo teve como primeiras co-autoras Elisabete Ferreiro (investigadora do CNC) e Inês Pita (investigadora do iCBR) e envolveu ainda Sandra Mota (do CNC), Carlos Fontes-Ribeiro (do iCBR) e Nuno Ferreira (da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra).

Durou cerca de 18 meses e contou com o patrocínio da Mycology Research Laboratories (www.mycologyresearch.com), empresa britânica focada em produtos de nutrição baseados em cogumelos, que mantém colaborações com várias universidades portuguesas.

O grupo de investigação contou ainda com a colaboração da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, do Achucarro-Centro Basco de Neurociência (Espanha) e do Departamento de Ciências Biomédicas e Biotecnológicas da Escola de Medicina da Universidade de Catania (Itália).

William Ahern, diretor-geral da Aneid Produtos Farmacêuticos, que representa a farmacêutica britânica em Portugal, "mostra-se otimista com os resultados", sublinhando que "mais investigação básica (a nível laboratorial) e clínica terá de ser efetuada para demonstrar um aumento da ‘reserva cognitiva'", segundo uma nota divulgada hoje pela Universidade de Coimbra.

Especialistas reunidos em evento em Macau
Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) defendem a padronização internacional dos termos da medicina tradicional...

A padronização internacional dos termos desta medicina “é muito importante para promover a sua internacionalização” sendo esta a base para “integrar a medicina tradicional chinesa no sistema de serviços de saúde”, afirmou o diretor do Centro de Cooperação de Medicina tradicional da OMS, Choi Peng Cheong, durante uma reunião em Macau de especialistas em termos técnicos no âmbito de medicina tradicional da OMS, citado hoje em comunicado pelas autoridades do território.

Além da OMS, estão reunidos neste evento, que termina na sexta-feira, especialistas e académicos do interior China, Hong Kong, Macau, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Suíça, África do Sul, Austrália, Singapura e Tailândia, de acordo com a mesma nota.

“A padronização é fraca a nível internacional”, apontou Choi Peng Cheong.

Os especialistas e académicos estão a discutir “mais de 4.000 termos e definições internacionais padronizadas no âmbito de medicina tradicional chinesa”, sublinhou o chefe substituto do Serviço de Medicina Tradicional Complementar do Departamento de Funcionamento e Segurança dos Serviços de Saúde da OMS, Liu Wei.

A promoção da padronização internacional dos termos desta medicina tem de ser promovida de forma a permitir o crescimento da "produção, elaboração e disseminação" da medicina tradicional chinesa, sublinhou.

As exportações de artigos de medicina tradicional chinesa subiram em 2017 para as 358 mil toneladas, de acordo com a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde.

Em 2017, a China vendeu 358 mil toneladas de produtos ligados à medicina tradicional chinesa, um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior.

O valor das exportações foi de 3,6 mil milhões de dólares (3,07 mil milhões de euros), um aumento de 2,1%, segundo o mesmo organismo.

Em 2016, o comité central do Partido Comunista Chinês (PCC) e o Conselho de Estado lançaram um plano estratégico de saúde de longo prazo (2016-2030), alicerçado em torno da medicina tradicional chinesa, tendo apostado em Macau como plataforma para a promover junto dos países europeus e lusófonos.

Fragilidades do sistema não servem os doentes
Miguel Guimarães alerta o Ministério da Saúde e os seus Serviços Partilhados (SPMS) para a grave ofensa à relação médico-doente...

“Não só são exigidos aos médicos cada vez mais procedimentos informáticos supérfluos, que só penalizam o tempo destinado a observar os doentes e podem comprometer a qualidade dos cuidados de saúde, como os próprios sistemas e aplicações que nos obrigam a utilizar não funcionam muitas vezes”, alerta o bastonário da Ordem dos Médicos (OM).

“Os danos informáticos infiltram toda a nossa prática clínica, pela raiva que nos provoca o facto de serem estúpidos, injustificáveis, alvo de propaganda desonesta e arbitrários; é que enquanto andamos nisto e bufamos e praguejamos todos os dias frente às aplicações informáticas que não funcionam, não estamos a ser empáticos, não estamos a questionar a nossa própria prática, não estamos a pesquisar fontes de informação credíveis que a sustentem, não estamos a ser criativos, a investigar, a apoiar-nos mutuamente dentro das equipas...”. O desabafo, explica o bastonário, “é de uma colega médica desgastada com os problemas informáticos”.

“Uma vergonha” refere o bastonário, que remeteu ao Ministério da Saúde e aos SPMS um ofício a dar nota das sucessivas falhas nos sistemas informáticos e da cada vez maior burocracia que envolve a utilização dos sistemas e aplicações informáticas.

Em julho, Miguel Guimarães já tinha alertado os mesmos responsáveis políticos, para uma circular normativa emitida pela gestão dos sistemas informáticos das unidades de saúde, na qual integravam mais um procedimento para emissão de receituário que veio aumentar o tempo dedicado ao computador e ao cumprimento de burocracias administrativas, penalizando o tempo útil dedicado ao doente. “Obrigar os médicos, devido às várias falhas informáticas que se repetem no sistema da prescrição da ‘receita sem papel’, a interromper o tempo de consulta para solicitar ao helpdesk um número de suporte que apenas serve para identificar a receita que estão a prescrever na sua versão manual, mostra de forma clara o caminho errado que está a ser seguido”, afirmou então Miguel Guimarães.

“A modernização dos sistemas informáticos devia servir para agilizar e não para comprometer a relação médico-doente”, afirma o bastonário, que condena “a forma negligente com que se está a lidar com a atual situação caótica nos sistemas informáticos”. “As fragilidades constantes do sistema não servem os doentes nem os profissionais de saúde. O que deveria ser um sistema ágil, seguro e eficaz, está a tornar-se um verdadeiro pesadelo”, conclui Miguel Guimarães.

Não estando em causa a evolução tecnológica e informática, as sucessivas falhas no sistema, agravadas pela obrigatoriedade de cada vez mais “passos informáticos”, tornam-se cada vez mais incompatíveis com o exercício da profissão. “Hoje, um médico passa mais de 50% do tempo de consulta ao computador e menos tempo a ouvir e observar o seu doente”, critica Miguel Guimarães. E conclui, “isto é inadmissível e pode obrigar os médicos a seguir um caminho diferente na defesa dos doentes e da qualidade da medicina. Chegou o momento de atribuir responsabilidades técnicas e políticas aos SPMS que se têm revelado incapazes para resolverem a situação”.

Dia Mundial da Diabetes assinala-se a 14 de novembro
“A relação entre doenças cardiovasculares e diabetes é, do ponto de vista da saúde pública, preocupante e perigosíssima.” A...

“A mortalidade por doenças cardiovasculares tem vindo a diminuir, o que mostra os benefícios do controlo dos fatores de risco. Mas apesar disto, tem havido um aumento da prevalência da obesidade, que é um caminho para a diabetes do tipo 2. A minha preocupação é que este aumento de obesidade e diabetes venha a causar uma inflexão na mortalidade cardiovascular”, adianta. 

Isto porque o risco cardiovascular é elevado entre os doentes com diabetes. Jácome de Castro, endocrinologista, confirma: “as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre os diabéticos. São responsáveis por mais de 50% da mortalidade.” Um problema que é tanto mais grave uma vez que, em Portugal, a diabetes continua a ser uma doença por controlar. De acordo com o especialista, no Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, “Portugal representa uma das manchas mais escuras da Europa”.

É, por isso, importante passar a mensagem de que, “para além do rim, do olho e das amputações, a doença cardíaca e a mortalidade cardíaca são um dos principais inimigos a ter em conta na diabetes, porque é por isso que os doentes morrem”.

Carlos Aguiar reforça a ideia de que “as pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces. Mas, aqui, o que importa é que esta é uma doença que vai resultar numa perda de tempo de vida. Quando há uma doença cardiovascular associada, a nossa esperança de vida é encurtada em oito, nove anos, em média. Se tivermos também diabetes, a ligação é realmente perigosa, ou seja, o tempo de vida é ainda mais curto.”

Um diagnóstico atempado, que permita evitar as complicações associadas à diabetes, entre as quais as cardiovasculares, é cada vez mais um desafio. Segundo Jácome de Castro, os números estimam que, em Portugal, cerca de 30% dos doentes com diabetes não estejam diagnosticados. “Isto quer dizer que as pessoas vão vivendo sem saber que têm a doença e esse tempo em que estão sujeitas a valores altos de açúcar vai destruindo o seu organismo.”

Para o especialista, “estamos hoje num momento de grande desafio, em que estão a aparecer ensaios clínicos muito importantes, que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação, novos fármacos que atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, que influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares e que se afiguram protetores do organismo. A nossa preocupação é, por isso, atuar cada vez mais cedo. Não podemos contentar-nos apenas em tratar bem os doentes que nos aparecem com as complicações. Temos que conseguir prevenir o mais possível essas complicações. E nesse aspeto, os resultados dos estudos clínicos recentes colocam-nos num momento muito interessante ao nível da clínica de diabetes em Portugal e no mundo”.

A tudo isto junta-se a importância do cumprimento terapêutico. “É uma pena termos medicamentos que devolvem a esperança de vida, mas que depois o doente não toma”, reforça Carlos Aguiar. “E um dos problemas que faz com que não cumpram tem a ver com compartimentalização dos medicamentos. Ou seja, se é dito ao doente que o medicamento que toma destina-se a reduzir o colesterol e, quando ele vai fazer a análise, os valores já baixaram, então é legítimo que pense que, se teve sucesso - baixou, de facto, o colesterol -, então pode deixar de o tomar. Gostava que os medicamentos fossem todos chamados pelo nome que têm: destinam-se a prolongar a quantidade e a qualidade de vida. Acho, por isso, quase obrigatória uma reclassificação dos medicamentos.”

MOVA promove rastreios e alerta para a prevenção
Transversal à sociedade, a Pneumonia pode afetar todas as faixas etárias. A pneumonia tem uma elevada prevalência com um...

Consciente do papel fundamental da sua prevenção, o MOVA – Movimento Doentes pela Vacinação organizou uma ação de sensibilização sobre a Pneumonia e os problemas com ela relacionados. Chama-se “Movimento pela Prevenção da Pneumonia” e, 12 de novembro, Dia Mundial, disponibiliza gratuitamente espirometrias, oximetrias, testes de colesterol e glicémia e testes tabágicos – todos estes testes avaliam fatores que interferem com a nossa saúde respiratória – para sensibilizar a população, os profissionais de saúde e os decisores políticos para a importância da sua prevenção.

Esta campanha vai ter lugar entre as 10.00 e as 18.00 na Praça do Oriente, em Lisboa, e terá como objetivo sensibilizar a população para a Pneumonia e para os problemas com ela relacionados.

O apelo à prevenção é a grande mensagem deste Movimento, que estará na Praça do Oriente com uma Unidade de Saúde Móvel onde uma equipa de profissionais de saúde vai realizar espirometrias, oximetrias, testes de colesterol e glicémia e testes tabágicos e  transmitir informação sobre a doença.

A campanha é gratuita e dirige-se a toda a população, sobretudo, aos adultos com mais de 18 anos que sofram de algum tipo de doença crónica e a todas as pessoas com mais de 65 anos. O seu principal objetivo é alertar a sociedade civil, a par da comunidade científica, para a importância de prevenir a pneumonia. Pretende-se abordar as pessoas na rua, dar-lhes a oportunidade de testarem a sua capacidade respiratória e de se aconselharem com profissionais de saúde qualificados.

Na realidade, são registados casos de Pneumonia ao longo de todo o ano mas é nesta época do ano que se registam o maior número de ocorrências. A vacinação antipneumocócica é segura e a forma mais eficaz de se proteger e prevenir a Pneumonia.

Grupos de Risco

Apesar de ser transversal à sociedade, há quem esteja mais vulnerável à Pneumonia. É o caso das crianças ou adultos que apresentem doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC, doença respiratória crónica, doença cardíaca, doença hepática crónica, portadores de VIH e doentes renais. Por fazerem parte dos grupos de risco, têm indicação da DGS para se vacinarem.

Indivíduos a partir dos 65 anos, cujo sistema imunitário começa a ficar, naturalmente, mais fragilizado e suscetível a doenças infeciosas, também têm indicação médica para o fazer.

Apesar disso, as taxas de vacinação antipneumocócica são muito baixas – 9 em cada 10 adultos com mais de 50 anos revelou recentemente não estar vacinado contra a Pneumonia. Isto apesar de existir, desde 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (011/2015) que recomenda a vacinação de grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica.

Vacinação trava internamentos

A efetividade da vacinação contra a Pneumonia bacteriana pelo pneumococo ficou provada num estudo recente onde se registou uma redução de 73% dos internamentos de adultos com mais de 65 anos, imunizados com a vacina antipneumocócica.

“A vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida, em particular depois dos 65 anos, e em casos de maior fragilidade, como acontece com os doentes crónicos. Estudos como este reforçam o nosso apelo” explica Isabel Saraiva, fundadora do MOVA – Movimento Doentes pela Vacinação. “A redução das taxas de internamento diminuirá, naturalmente, o número de mortes associadas à Pneumonia”, acrescenta.

Também os custos ligados ao internamento – cerca de 218 mil euros diários – tenderão a diminuir significativamente.

Dia Europeu da Alimentação Saudável
Hoje, dia 8 de novembro, assinala-se o dia Europeu da Alimentação Saudável.

Uma alimentação saudável pauta-se por fornecer todos os nutrientes que o organismo precisa numa base diária. Por outro lado, a ingestão de calorias deve ser equivalente aos gastos que a pessoa tem com a atividade física, seja ela do quotidiano, profissional ou desportiva, de forma a contribuir para a manutenção de um peso saudável.

No que diz respeito ao conteúdo da dieta, esta deve ser equilibrada e diversificada, isto é, deve privilegiar a ingestão de uma multiplicidade de alimentos com diferentes características nutricionais.

Na sua base devem constar alimentos como os vegetais e frutas, as leguminosas (ex. feijão, grão, ervilhas) e os cereais integrais. Deste modo, assegura-se uma ingestão adequada de vitaminas, minerais, fibra e fitoquímicos, que são compostos de origem vegetal com ação benéfica para a saúde. Quando a alimentação é bem planeada e ajustada às necessidades do organismo, torna-se mais fácil manter um peso adequado para a altura e de reduzir o risco de obesidade, de doença cardiovascular, de doenças neurodegenerativas, de diabetes, de obstipação, de osteoporose, de cancro, entre outras.

Outros conselhos que poderão contribuir para uma alimentação saudável passam pelo consumo de vegetais e fruta da época, de preferência de origem biológica. A relação qualidade/preço é não só a melhor, assim como, se conseguem obter alimentos mais nutritivos, saborosos e sem químicos de origem agrícola.

Um dos melhores exemplos de um padrão alimentar saudável é o da dieta mediterrânica. Por este motivo, deixamos-lhe algumas recomendações para que a sua dieta seja a mais saudável possível.

Recomendações gerais:

  • Ingerir cerca de 1,5L de água por dia ou em alternativa, de infusões de plantas ou chás não açucaradas;
  • Moderar a ingestão de bebidas alcoólicas, dando preferência ao vinho tinto, devido ao seu elevado teor em polifenóis, que contribuem para a prevenção da doença cardiovascular. Nos homens recomenda-se a ingestão máxima de 2 doses de álcool por dia, e nas mulheres, de 1 dose por dia. Se optar pelo vinho, uma dose corresponde a 125mL ou o mesmo que um copo pequeno;
  • Tomar sempre um pequeno-almoço completo e equilibrado;
  • Fazer refeições frequentes e de pequeno volume ao longo do dia, evitando passar mais de 3 a 4 horas sem comer;
  • Evitar refeições de grande densidade ao jantar e perto da hora de jantar, dado que as calorias extra ingeridas dificilmente serão gastas;
  • Incluir sempre vegetais frescos ou confecionados ao almoço e jantar, consumindo sempre que possível, sopa de hortaliças e legumes antes do prato principal;
  • Assegurar que ingere cerca de 400g por dia de hortícolas e de fruta, o que significa o mesmo que 2 chávenas almoçadeiras de vegetais crus ou antes de serem confecionados e 2 a 3 peças de fruta de tamanho pequeno;
  • Alternar a frequência da ingestão de carne com o pescado (peixe, marisco e moluscos);
  • Evitar o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e colesterol tais como, as carnes vermelhas (ex. vaca, porco), órgãos e vísceras, enchidos, produtos de charcutaria, queijos curados, manteiga, natas, banha de porco, molhos e fritos;
  • Optar por alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas (ex. azeite) e polinsaturadas (ex. sementes, frutos secos ou oleaginosas neutras ou torradas sem sal com as nozes, amêndoas e cajus)
  • Introduzir alternativas de proteína vegetal como a soja, o tofu e o seitan, de modo a reduzir o consumo de carne ao longo da semana;
  • Evitar o consumo de açúcar e de alimentos e bebidas ricas em açúcar como bolos, biscoitos, chocolates, refrigerantes;
  • Reduzir o consumo de sal e de alimentos ricos em sal como os queijos curados, produtos de charcutaria e enchidos, aperitivos salgados. Ao utilizar ervas aromáticas, especiarias e sementes de sésamo torradas consegue reduzir a necessidade da adição de sal às confeções e temperos.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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