Curso gratuito de formação pós-graduada
A Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA) formou 200 técnicos de saúde em Moçambique, nas últimas duas semanas,...

"Um paciente que não seja internado com outros tem menos risco de sofrer infeções", explicou à Lusa Carlos Magalhães, presidente da APCA, ao fazer o balanço da iniciativa.

O curso gratuito de formação pós-graduada teve como objetivo ajudar a formar profissionais de saúde para que posteriormente estes possam criar programas de Cirurgia de Ambulatório (sem internamento) nos principais hospitais de Beira, Nampula e Maputo.

Além de evitar expor os utentes a contactos de risco, a cirurgia ambulatória permite uma melhor rentabilização dos recursos de cada unidade, acrescentou o dirigente da APCA.

A iniciativa foi organizada pela APCA, em conjunto com a Associação Internacional de Cirurgia Ambulatória e com a Associação de Saúde para as Crianças e Famílias Moçambicanas.

"Esperamos contribuir positivamente para a implementação da cirurgia ambulatória em Moçambique, como aconteceu no início deste ano em Cabo Verde", concluiu Carlos Magalhães.

 

Comportamentos Aditivos
A Câmara de Lisboa e mais duas entidades vão assinar hoje um protocolo para definir os termos da colaboração para aprovação,...

O protocolo será assinado entre o município, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

O equipamento pretende dar resposta a consumos efetuados “a céu aberto na zona central e oriental da cidade”, segundo uma nota enviada pelo gabinete do vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo (BE).

“Este equipamento será gerido por uma equipa técnica multidisciplinar, de forma a garantir a segurança e higiene dos consumidores, das comunidades envolventes, assim como a ligação a respostas sociais, de saúde e de cidadania”, acrescenta a mesma nota.

O protocolo, ao qual a agência Lusa teve acesso, estabelece que compete à autarquia lisboeta “escolher as entidades sem fins lucrativos que deverão executar fisicamente o programa no primeiro e no segundo ano de implementação”, bem como “financiar a execução do projeto” nesse período.

Segundo o documento, o SICAD deverá “colaborar na definição e verificação dos termos e condições”, como os “indicadores de execução, horários de funcionamento, percursos, equipa técnica, entre outros”.

Por seu turno, a ARSLVT tem de "garantir a transição de equipamento(s) adquirido(s) durante os dois primeiros anos de execução do programa, designadamente aceitando em doação, após aquele período, a propriedade do veículo utilizado como unidade móvel e, consequentemente, reafectando-o àquele ou a outro que o substitua, na área do município, nos anos seguintes".

O comunicado afirma que “este é o primeiro passo, que será brevemente levado a aprovação em reunião de câmara [15 de novembro], para a implementação de um programa com três equipamentos de consumo vigiado na cidade de Lisboa”, acrescentando que já estão “escolhidos os espaços para os equipamentos fixos” e “em fase de preparação o processo para a abertura dos restantes espaços em 2019”.

Projeto-piloto
As farmácias de Loures estão este ano a vacinar gratuitamente contra a gripe as pessoas com mais de 65 anos, um projeto da...

A vacina da gripe é já gratuita para pessoas a partir dos 65 anos, mas os utentes têm de se deslocar aos centros de saúde para que a vacina seja administrada. Por outro lado, já há vacinação nas farmácias, mas quando os utentes pagam a sua vacina e a levantam mediante uma prescrição médica.

Este ano, em 37 das 50 farmácias do concelho de Loures é possível que os idosos recebam a vacina da gripe de forma gratuita nas farmácias, segundo adiantou à agência Lusa o presidente da administração regional de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT).

Luís Pisco disse que se trata de um projeto-piloto que será avaliado no final do ano. Caso os resultados apontem para uma mais valia para a população, o projeto poderá ser alargado a mais concelhos de toda a região de Lisboa e Vale do Tejo, que abrange 3,6 milhões de utentes.

“O objetivo é dar mais possibilidades de escolha para a vacina da gripe e ter mais uma alternativa, de proximidade”, afirmou Luís Pisco à agência Lusa.

A ARS-LVT comprou para este projeto no concelho de Loures mais de 10 mil vacinas, num investimento de 35 mil euros.

Segundo a perceção preliminar, o projeto está “a ser muito bem aceite” pelos utentes, mas Luís Pisco remete dados e um balanço mais concreto para o final da manhã de hoje, quando a secretária de Estado da Saúde visitará uma das farmácias aderentes.

A iniciativa já arrancou em meados de outubro, aquando do início da época da vacinação contra a gripe, mas o protocolo que formaliza o projeto só será assinado hoje entre as várias entidades envolvidas: ARS, associações de farmácias e distribuidores farmacêuticos.

Este ano, a campanha de vacinação arrancou em 15 de outubro, cerca de duas semanas mais tarde do que o habitual para garantir uma “melhor e maior proteção durante o período da epidemia de gripe”, segundo a Direção-geral da Saúde.

A vacina é gratuita para idosos, pessoas em lares e também para alguns grupos específicos como guardas prisionais e reclusos ou pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) independentemente da idade.

Nos casos em que é gratuita, a vacina não necessita de receita médica e dispensa também pagamento de taxa moderadora, sendo geralmente administrada nos centros de saúde.

A vacinação contra a gripe está “fortemente recomendada” para pessoas com mais de 65 anos, para grávidas, para doentes crónicos e profissionais de saúde. É ainda aconselhada a vacinação de pessoas entre os 60 e os 64 anos.

Este ano, o Serviço Nacional de Saúde tem 1,4 milhões de doses de vacinas para administrar, havendo também outras doses específicas para as vacinas vendidas nas farmácias através de prescrição médica, com uma comparticipação de 37%.

Ordem reclama um “estatuto adequado”
A Ordem dos Médicos Dentistas quer saber como está a criação da carreira para os dentistas no Serviço Nacional de Saúde e o...

Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, explicou que estes dois temas terão “lugar de destaque” no 27.º congresso da ordem, que decorre entre hoje e sábado, em Matosinhos, no distrito do Porto.

O representante dos dentistas adiantou que, aproveitando a presença da nova secretária de Estado da Saúde na iniciativa, vai insistir na “necessidade” de se avançar com a criação de uma carreira para os dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), referindo que o processo já foi aprovado pelo Ministério da Saúde, mas aguarda há quase um ano pelas Finanças.

“É fundamental e necessário, a bem da qualidade, criar-se uma carreira de medicina dentária, dado tratar-se de uma profissão específica”, frisou.

Orlando Monteiro da Silva disse ainda ser “importante” saber se a intenção de criação de uma carreira se mantém, após a substituição do ministro e dos secretários de Estado.

A Ordem reclama um “estatuto adequado” para estes profissionais, consagrado através de uma carreira.

Além desta questão, o bastonário pretende saber em que estado está o projeto de integração da medicina dentária no SNS, alargando o número de centros de saúde com cuidados de saúde oral e tendo todos os agrupamentos de centros de saúde com consultórios de medicina dentária.

A colocação de dentistas nos cuidados de saúde primários iniciou-se com o atual Governo, primeiro através de projetos-piloto que foram sendo progressivamente alargados.

Esta iniciativa é “muito importante” para a acessibilidade da população à saúde oral, defendeu.

O 27.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, com a presença de oradores nacionais e internacionais, espera a maior participação “de sempre”, com mais de 6.000 inscritos, avançou.

Em cima da mesa estarão, além de questões socioprofissionais, temas como a implantologia, endodontia ou periodontologia.

Em simultâneo com o congresso decorre a Expodentária, a maior feira de saúde oral da Península Ibérica que, nesta edição, conta com a presença de 139 expositores, distribuídos por 507 ‘stands’.

Reforço das verbas
O secretário regional da Saúde dos Açores destacou o o investimento na “acessibilidade dos açorianos ao Serviço Regional de...

“O reforço das verbas também está relacionado com a aposta na acessibilidade dos açorianos ao Serviço Regional de Saúde, com a entrada em vigor do novo regulamento de deslocações, que imprime uma nova dinâmica, não só na deslocação de especialistas às ilhas sem hospital, mas também a deslocação de doentes às ilhas que têm os hospitais”, afirmou Rui Luís, à margem da audição na Assembleia Legislativa dos Açores sobre o Plano e Orçamento para 2019.

O aumento na ordem dos 30% para a Saúde inclui a construção do Centro de Saúde na ilha do Faial e a “segunda fase do corpo C do Hospital da Horta”, bem como a remodelação dos Centros de Saúde das Velas, na ilha de São Jorge, Santa Cruz das Flores e Lajes do Pico.

Também os Serviços de Urgências e de Consultas Externas do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, serão alvo de intervenção, “que deve começar em 2019”, adiantou o governante.

Para a Proteção Civil foram alocados mais dois milhões de euros, representando um aumento de 33%, que serão investidos em obras no novo quartel dos bombeiros no Faial e na Povoação, na ilha de São Miguel.

Em termos de equipamentos, o secretário regional destaca um “investimento forte ao nível das ambulâncias que serão distribuídas quer ao longo deste ano, mas principalmente 2019”, mas também equipamentos de proteção individual para os bombeiros e equipamentos de busca e resgate em estruturas colapsadas.

O valor total previsto no Plano e Orçamento dos Açores para 2019 para a Secretaria Regional da Saúde é de cerca de 45 milhões de euros, dos quais 35,7 foram alocados para a área da Saúde e os restantes 9,3 milhões de euros destinam-se à Proteção Civil.

 

Dirigente não abdica
O presidente da Associação O Joãozinho, Pedro Arroja, afirmou hoje à Lusa que a titularidade da obra da ala pediátrica do...

“A titularidade da obra é nossa, o contrato com o consórcio construtor é nosso, o estaleiro da obra que lá está é nosso e o espaço está-nos cedido pelo hospital de São João”, frisou Pedro Arroja.

O dirigente vincou que “não abdica” da titularidade porque o Joãozinho é a “única solução” para “pôr a ala pediátrica a andar já”.

“Nós é que somos a instituição capaz de continuar a obra já, aliás a obra está iniciada, mas foi interrompida desde que este Governo tomou posse e mandou bloqueá-la”, referiu.

Pedro Arroja lembrou que existe um protocolo entre o hospital, associação e consórcio que está a ser cumprido por duas das três partes, sendo elas a associação e o consórcio, acrescentando que o centro hospitalar está em incumprimento porque não disponibiliza o espaço.

“Existe um contrato de empreitada de 20,2 milhões de euros entre a associação e o consórcio, com o conhecimento do hospital, que não podemos rasgar. Além disso, existe um despacho do Ministério da Saúde do anterior Governo a agradecer a obra, um agradecimento do hospital à minha pessoa por liderar o projeto e um `ok´ do Tribunal de Contas, portanto, não podemos deitar isto fora como quer o hospital”, salientou.

A solução para continuar a obra é a associação, salientou, acrescentando que se o centro hospitalar desimpedir o espaço poderão reiniciá-la dentro de “uma a duas semanas”.

Para Pedro Arroja, o Governo de António Costa já mostrou não ter intenção de fazer a obra, frisando que se o hospital tivesse cumprido o acordo a esta altura a ala pediátrica estava “pronta e paga”.

Na terça-feira, no parlamento, a ministra da Saúde afiançou que não dormirá tranquila enquanto o problema da nova ala pediátrica não estiver resolvido, mas não se comprometeu com datas e rejeitou a possibilidade de um ajuste direto para a obra.

Sobre esta declaração, Pedro Arroja lembrou que se a governante vai lançar um novo concurso vai colocar “um estaleiro em cima de outro que lá existe e uma construtora em cima de duas que já lá estão”.

Entendendo que a titular da pasta da Saúde “passou o assunto para o futuro”, demonstrando não estar interessada em fazê-la, o presidente de O Joãozinho ressalvou que quando estiverem concluídos todos os procedimentos concursais e questões jurídicas a “ministra já não será ministra”.

Já sobre a disponibilidade da Câmara Municipal do Porto em apoiar a associação a concluir a obra, anunciada hoje pelo presidente, Pedro Arroja entendeu que Rui Moreira optou pela “solução séria e rápida”.

Questionada pela Lusa sobre a titularidade da obra, a unidade hospitalar referiu que “a obra que resultar do projeto que está a ser preparado será da responsabilidade do Centro Hospitalar Universitário São João”.

Em 2016, cerca de um ano depois de ter começado, a obra que decorria em terrenos do Hospital de São João por iniciativa da Associação Joãozinho parou.

A administração do centro hospitalar defendeu na ocasião que a empreitada só seria possível com investimento público, devido ao “desfasamento entre as verbas angariadas [pela associação] e o orçamento total da obra”.

A empreitada de cerca de 25 milhões de euros era suportada por fundos privados angariados pela associação “Um Lugar Pró Joãozinho”, que até então tinha reunido cerca de um milhão de euros.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde aprovou a construção da ala pediátrica, anunciando um investimento de cerca de 20 milhões de euros.

O Governo autorizou a 19 de setembro a administração do Centro Hospitalar Universitário de São João a lançar o concurso para a conceção e construção das novas instalações do Centro Pediátrico.

Investigação
Investigadores da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto, desenvolveram uma substância que surge...

Em declarações à Lusa, Pedro Castro, estudante de doutoramento da Escola Superior de Biotecnologia do Porto (ESB) e um dos responsáveis da investigação, contou que o projeto consiste “na otimização e desenvolvimento da cafeína através da libertação farmacêutica”.

“A cafeína é uma molécula amarga e desagradável. Portanto, o nosso objetivo passou por colocar a molécula da cafeína dentro de nanopartículas e ‘mascarar’ um pouco o seu sabor. Ao introduzirmos a cafeína nas nanopartículas, aumentamos a permeabilidade na mucosa vocal”, explicou.

Assim, através de um ‘filme’ [termo utilizado para designar uma pequena tira] colocado na boca, a substância dissolve-se e em 30 segundos liberta a cafeína.

“Esta otimização permite uma absorção mais rápida, assim como uma libertação mais controlada da cafeína, que, em vez de ter um pico de absorção e causar problemas de ansiedade ou tremores, vai sendo absorvida sem ultrapassar a barreira da superdosagem”, frisou Pedro Castro.

O projeto, designado Bioralstrip, conta com uma bolsa de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e tem como parceiro o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3s), no Porto, que está a verificar “o rumo das nanopartículas no tecido celular”.

Segundo Pedro Castro, apesar de esta ser uma “solução mais prática, que até se pode transportar num bolso”, não tem como objetivo “substituir o típico café”.

“Não podemos querer competir com o café, porque o café tem uma componente muito mais forte do que a parte funcional, que é a parte social. No entanto, se estivermos numa maratona ou até numa viagem longa em que não podemos parar, é muito mais prático tirar uma pastilha. Esta solução surge como uma alternativa ao café, numa situação em que não se pode recorrer tão facilmente a uma máquina”, salientou.

Para o estudante de doutoramento, o impacto desta solução será “puramente funcional”, isto porque acredita que “o produto visa aumentar a performance humana com o menor gasto de recursos possíveis”.

A equipa, que desenvolveu o produto, testou a toxicidade e a permeabilidade celular, pretende agora “comercializar esta solução”.

“O nosso objetivo sempre foi comercializar, este projeto já mostrou que tem valor para isso, uma vez que na 2.ª edição do BioTech (programa de empreendedorismo realizado pela ESB), o nosso produto ganhou o prémio de maior potencial para entrar no mercado e dar o passo seguinte que seria fazer uma startup”, acrescentou Pedro Castro.

 

Tema em debate
A dificuldade de acesso à saúde sexual é uma das abordagens do congresso que junta especialistas durante dois dias, em...

“SexualidadArte para lá do Marão” é o tema da iniciativa que associa a arte à sexualidade como elemento facilitador de expressão e que é promovida pela Associação Territórios de Afetos (ATA), criada há um ano em Alfândega da Fé.

A associação decidiu comemorar o primeiro aniversário com um debate alargado para quebrar tabus, não porque o comportamento da população é diferente ou mais preconceituoso no interior do que litoral, mas porque o acesso à saúde sexual é mais difícil nestes territórios, como explicou à Lusa o presidente António Salema.

O dirigente é psicólogo e sexólogo e decidiu criar a associação neste concelho do distrito de Bragança por ser natural dali e por, na atividade que exerce no litoral ter observado as dificuldades que a população desta região tem em encontrar especialistas da saúde nesta área.

O Serviço Nacional de Saúde, como apontou, não tem qualquer consulta nesta área, e foi ele que criou a primeira consulta na região, mas no hospital privado da Terra Quente, em Mirandela, onde não faltam utentes, segundo disse.

Este será o tema de abertura do congresso, que decorre quinta e sexta-feira, em Alfândega da Fé, e que “juntará especialistas da área numa partilha de informação sobre os afetos e a sexualidade humana”.

A associação decidiu associar ao tema da sexualidade a arte e paralelamente decorrerem durante os dois dias uma exposição de fotografia resultado de um concurso para o efeito e outras manifestações artísticas como dança e pintura.

“A arte é um facilitador, uma forma de expressão facilitada sobre o tema”, considerou.

António Salema lançou o repto a um grupo de amigos com diferentes formações, desde o direito às artes plásticas para a criação da associação ATA em Alfândega da Fé, da qual faz parte também a presidente da Câmara, Berta Nunes.

O propósito da associação, que pretende “trabalhar a partir de Trás-os-Montes, é a promoção do conhecimento na área da sexualidade através da arte, bem como, desenvolver competências de intervenção nas diversas questões no âmbito da sexualidade humana”.

No primeiro congresso que promove serão abordados temas como a saúde sexual do indivíduo, a sexualidade na terceira idade e a educação sexual nas escolas.

As vertentes clínica, social e comunitária serão o foco de toda a intervenção.

Estudo
As excisões e mutilações genitais, ainda largamente praticadas em África, reduziram-se "significativamente" entre as...

O estudo, feito a partir de dados da Unicef, fala de uma redução “encorajante” das práticas de mutilação genital no leste de África (-7,3% por ano entre 1995 e 2014).

No entanto, o ritmo de declínio destas práticas é mais lento no norte de África (-4,4% por ano entre 1990 e 2015) bem como no oeste do continente (-3% por ano entre 1996 e 2017).

Já no Médio Oriente, estas práticas aumentaram (+13,7% entre 1997 e 2013, sobretudo tendo em conta dados de dois países - Iraque e Iémen.

Segundo as estimativas da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 200 milhões de crianças no mundo foram sujeitas às mutilações sexuais.

Os números disponíveis mostram que estas práticas são particularmente preocupantes em África e nos países do Médio Oriente, destacando-se Iraque e Iémen.

O estudo indica também a existência destas práticas na Índia, Indonésia, Israel, Malásia, Tailândia e Emirados Árabes Unidos. Os efeitos das migrações neste tipo de práticas em regiões como Europa e América do Norte e do Sul não foram abrangidos.

Por ano, mais de três milhões de raparigas por ano em África correm o risco de serem sujeitas à mutilação genital.

Em certos países - Mali, Mauritânia, Gâmbia, Guiné-Bissau, Djibouti e Sudão - mais de 40% das crianças, entre os zero e os 14 anos, são submetidas, todos os anos, a mutilação genital.

O estudo publicado hoje apela a que se mantenham as campanhas para convencer as populações a abandonar estas práticas, com consequências "devastadoras" em termos de saúde sexual e psicológica e de saúde pública.

O declínio agora observado destas práticas é uma boa novidade, mas a prudência impõe-se: haverá, da parte das populações dos países onde as mutilações são interditas, um medo da sanção a aplicar.

Por isso, "é crucial que o apuramento estatístico seja acompanhado de uma análise precisa das mudanças de atitude das pessoas sobre as mutilações genitais nesses países", considera Naana Otoo-Oyortey, responsável da associação Forward.

Outro aspeto a ter em conta é que a faixa etária considerada pelo estudo não inclui as raparigas com idades entre os 15 e os 19 anos, observa Forward.

Alargar a sua utilização
Produtores nacionais e estrangeiros querem produzir cânhamo a nível industrial em Portugal para posterior aplicação em produtos...

Para sensibilizar os partidos políticos com assento parlamentar e o Governo para as vantagens de investir nesta produção a nível industrial em Portugal, cinco produtores decidiram criar a Associação Pró-Cânhamo, que vai ser constituída em assembleia geral no decurso da 2.ª Feira Internacional de Cânhamo do Porto (CannaDouro), marcada para os dias 17 e 18.

Em declarações à Lusa, Tiago Vasquez explicou hoje que na base da constituição da associação "estão pessoas que produzem ou querem produzir cânhamo" e que o querem passar a fazer a "nível industrial em Portugal".

Depois de há um ano na CannaDouro terem sido dados os primeiros passos para a legalização em Portugal do uso da canábis para fins medicinais, a feira, que volta à Alfândega do Porto, servirá também de berço a esta associação que pretende dar "mais um passo" no relacionamento com o cânhamo.

"Estamos a falar de uma parte que não é nem medicinal nem tem efeitos psicoativos e que sentimos que não está a ser tratada nem discutida de maneira aceitável", salientou o promotor da nova associação, que vai agregar um "grupo de produtores que reúne portugueses, espanhóis, holandeses e alemães a viver em Portugal".

Oriundos de Sintra, Vila do Conde, Porto, Fundão e Coimbra, os promotores querem aproveitar a feira para "reunir vontades e elaborar estratégias", uma vez que os "alvos" estão definidos, acrescentou Tiago Vasquez, ciente de que em Portugal "há uma grande dificuldade em produzir cânhamo por causa da droga, da parte psicoativa".

"Não temos nada a ver com isso, queremos, essencialmente, produzir produtos alimentares e industriais", disse, dando como exemplo " bolachas, massa, barrinhas de cereais, sendo que o óleo de cânhamo pode ser adicionado a qualquer produto, dando-lhe os [suplementos alimentares] Ómegas 3, 6 e 9".

No horizonte dos produtores estão "também cosméticos, como os champôs e sabonetes", sendo que "num futuro próximo" querem também produzir "têxteis, papel, combustíveis e cordas", tentando, dessa forma, "inovar e criar uma indústria transformadora em Portugal com matéria-prima e mão de obra nacionais".

Os limites do nível de tetraidrocanabinol (THC) – principal substância psicoativa da planta - são, neste cenário, uma realidade para a qual a associação pretende sensibilizar os políticos, defendendo a sua alteração e passando, se possível, de 0,2% para 1%, porque nem nessa concentração "tem efeito psicoativo".

"A lei [que estabeleceu os 0,2%] foi criada no norte da Europa em climas que têm pouco a ver com o nosso. O clima português, devido ao sol e ao calor, faz com que a planta amadureça, tornando-se difícil, mesmo com a semente ideal, garantir que temos 0,2%", explicou Tiago Vasquez, apontando o "1%, como sucede na Suíça, sendo que chegar aos 0,4% ou 0,5% já era uma mudança".

A CannaDouro, refere a organização, tem como objetivo o "desenvolvimento do cultivo de cânhamo em Portugal, dando voz aos produtores já instalados e auxílio a todos os que procuram dedicar-se a esta cultura", num espaço de exposição e de debate público em torno da "utilização do cânhamo em todas as suas vertentes: industrial, recreativa e medicinal, fazendo frente ao preconceito relativamente a esta planta versátil".

Formação
Cinco agrupamentos de centros de saúde (ACS) da área metropolitana de Lisboa vão coordenar ações na área da mutilação genital...

O projeto piloto foi apresentado e formalizado hoje, na Amadora, juntando a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e tem como objetivo conhecer melhor o fenómeno da mutilação genital feminina.

Para isso foram escolhidos os cinco agrupamentos de centros de saúde dos concelhos onde foi detetada maior incidência de casos entre a população residente, cujas unidades de saúde pública vão dinamizar as várias atividades, entre Almada-Seixal, Amadora, Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo), Loures-Odivelas e Sintra.

As atividades incluem a capacitação de profissionais de setores como a saúde, a educação, justiça, segurança social ou as forças de segurança, além de iniciativas de intervenção comunitária para mobilizar toda a comunidade na luta contra a mutilação genital feminina.

No final da cerimónia, em declarações aos jornalistas, a secretária de Estado da Igualdade explicou que os profissionais de saúde serão o “pivot” nos centros de saúde, já que são instituições próximas das populações e das comunidades de risco.

Rosa Monteiro sublinhou que é preciso conhecer melhor o fenómeno, apontando que há diferenças entre os vários territórios onde existem comunidades de risco, o que obriga a “definir estratégias de intervenção”.

“Esta reflexão conjunta é uma mais valia para que melhor se saibam quais as linhas e as estratégias de intervenção para a prevenção e o combate e o acompanhamento das mulheres que já foram vítimas. Tivemos já vários alertas da parte de ONG (Organizações Não Governamentais) em relação a mulheres que precisam de apoio, psicológico ou de saúde porque a pratica tem um conjunto de sequelas físicas mas também mentais”, sublinhou.

Por seu lado, a secretária de Estado da Saúde defendeu que é preciso conhecer para depois conseguir identificar precocemente e prevenir, adiantando que a “grande maioria dos casos [de mutilação genital feminina] não foram praticados em Portugal”, apesar de haver “identificação de três casos praticados em Portugal”.

Dados da Direção-geral de Saúde, numa análise de casos entre 2014 e 2017, mostram que foram detetados 237 casos de mutilação realizada fora do país, além de outros três em território nacional, com a média de idades das meninas a rondar os sete anos.

“É preciso ter noção da realidade, ter uma sensibilidade ao nível dos profissionais para a sua identificação, para a sua resolução e isso só pode ser feito com o envolvimento da comunidade, da população porque isto só em conjunto é que consegue ser resolvido”, defendeu Raquel Duarte.

Acrescentou que é preciso capacitar os profissionais de saúde numa fase inicial, de modo a terem uma clara noção da realidade e saberem identificar o fenómeno com a devida sensibilidade.

“É preciso que sejam especializados para encontrarem uma forma sensível de resolver estes casos”, apontou.

Sobre a questão da formação, a secretária de Estado da Igualdade adiantou que a pós-graduação sobre mutilação genital feminina para profissionais da área da saúde vai recomeçar ainda este ano, em articulação com o Politécnico de Setúbal.

Rosa Monteiro admitiu “algumas falhas no conhecimento necessário”, nomeadamente na identificação dos vários casos de mutilação, sublinhando que esta é uma matéria que não é ensinada nas universidades.

OCDE
Mais de 40 mil pessoas podem morrer em Portugal na sequência de infeções por bactérias resistentes a antibióticos até 2050,...

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) traça uma estimativa mundial dos efeitos da resistência a antimicrobianos a nível da mortalidade, morbilidade e custos económicos.

Portugal exibe dos mais altos resultados de mortalidade no conjunto de mais de 30 países analisados, com 11,3 por 100 mil habitantes, apenas ultrapassada por Itália, com 18,2 e pela Grécia, com 14,8.

Portugal apresenta valores de mortalidade anual que são quase o triplo da média dos países da OCDE e o dobro da média da União Europeia.

Para Portugal estima-se uma mortalidade anual entre 2015 e 2050, em média, de 11,3 mortes por cada 100 mil habitantes devido a infeções por bactérias muito resistentes. A média da OCDE é de 4,72 mortos por 100 mil habitantes a cada ano.

Segundo os dados da OCDE, Portugal terá uma média anual de mais de 1.100 mortes por infeções por bactérias muito resistentes até 2050. Significa assim que, entre 2015 e 2050, morrerão mais de 40 mil pessoas.

Em Espanha, por exemplo, a OCDE calcula mais de 77 mil mortes, mas o país apresenta uma proporção de mortalidade bem inferior à de Portugal, com quatro mortes por cada 100 mil habitantes em cada ano.

Do ponto de vista global, o relatório da OCDE estima 2,4 milhões de mortes na Europa, América do Norte e Austrália até 2050 por infeções de bactérias muito resistentes a antibióticos.

Contudo, três em cada quatro mortes podiam ser evitadas gastando apenas cerca de dois dólares (1,74 euros) por ano por pessoa em medidas simples, como melhor higiene de mãos, sobretudo entre os profissionais de saúde, e melhor utilização dos antibióticos.

Sobre a realidade portuguesa, o especialista Filipe Froes, pneumologista e intensivista, indica que é também fundamental apostar na prevenção e dar mais condições de trabalho às estruturas responsáveis pelo combate a estas infeções, dotando-as de mais recursos técnicos e humanos.

Portugal tem programas de apoio à prescrição antibiótica (PAPA), mas, segundo o último relatório do Programa Nacional de Resistência a Antimicrobianos, mais de 30% dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde ainda não o tinham aplicado em 2017.

De acordo com o relatório do Programa Nacional da Direção-geral da Saúde, 66% dos hospitais públicos tinha um PAPA com um médico responsável pelo programa.

Já nos centros de saúde, menos de 15% tinham um programa de apoio à prescrição antibiótica implementado.

Aliás, o relatório do Programa Nacional identificou que “subsistem dificuldades em algumas unidades de saúde para darem seguimento à implementação” desses programas, nomeadamente no que respeita “à afetação do número de horas para os profissionais de saúde”.

Projeto “SNS + Proximidade”
O serviço de envio de mensagens SMS de aviso sobre consultas foi alargado aos utentes dos Agrupamentos de Centros de Saúde de...

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) anunciou hoje, em comunicado, que o projeto “SNS + Proximidade” foi alargado na terça-feira a mais oito Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS).

Com este novo serviço de proximidade e de interação entre profissionais e utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como do interesse que a informação constante em cada SMS (dia, hora, unidade de saúde, contacto) representa para os utentes, a ARS Norte pretende “maximizar recursos, eliminar faltas desnecessárias a consultas – por vezes apenas por esquecimento –, perdas de tempo com deslocações e despesas para os utentes, ou seus familiares, com telefonemas e ampliar os níveis de gestão e de eficiência dos serviços”.

A ARS-Norte salienta que está planeada “a cobertura generalizada a praticamente toda a população da região Norte ainda no decurso deste mês”.

O projeto foi implementado em meados deste ano, numa primeira fase em modelo piloto, nos ACeS de Barcelos/Esposende, Gondomar e Porto Ocidental.

“Após avaliação e classificação do mesmo com níveis de satisfação, por parte dos utentes e profissionais, muito elevados”, foi decidido alargar o projeto a outros ACeS, salienta a ARS-Norte.

 

Programa Integrado para o Autismo
Um ano depois de ter conseguido um parceiro tecnológico na Web Summit, o Programa Integrado para o Autismo (PIPA), que...

A presidente executiva do PIPA, Cláudia Bandeira de Lima, explicou à agência Lusa que o programa aposta na identificação precoce do autismo assim como na criação de estratégias específicas para cada criança e cada família.

Em 2017, o PIPA despertou a atenção de um parceiro tecnológico, este ano, explicou, o objetivo é colocar a plataforma a funcionar, com todas as funcionalidades digitais que possibilitem uma intervenção precoce com estas crianças com ferramentas de intervenção terapêutica.

Na verdade, explica a psicóloga clínica e do neurodesenvolvimento, os primeiros sinais de autismo podem ser identificados aos dois anos de idade, mas a maioria das crianças com perturbações do espectro do autismo são diagnosticadas mais tarde.

A plataforma, pretende disponibilizar um questionário online que pode ser usado aos dois anos de idade pelos pais e profissionais de saúde, indicando o teste a probabilidade de a criança ter autismo.

“Estamos a tentar agora elevar o investimento para colocar a plataforma a funcionar. Ela já está online, mas falta operacionalizar as ferramentas”, disse justificando assim o regresso à cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit, que decorre até quinta-feira em Lisboa.

A criação do PIPA surge na sequência de um projeto de investigação na área do treino da linguagem em crianças autistas.

“Não existem ferramentas digitais para trabalhar com estas crianças, que tem muita aptidão para o digital em contraponto com os défices em outras áreas como a linguagem e a escrita”, explicou.

O PIPA, adiantou, quer ser uma plataforma integrada para a deteção precoce, a terapêutica especializada e individualizada e ainda um agregador de informações uteis para as famílias quer sobre estratégias de intervenção neurocognitiva e da linguagem como de perguntas tão simples como “qual a melhor escolha para o meu filho”.

“A vantagem é terem a possibilidade de aceder a ferramentas de intervenção com um clique de forma orientada”, disse, explicando que na fase de diagnóstico do autismo a intenção é que o processo seja de acesso livre, gratuito.

Segundo a responsável, "o autismo é uma doença evasiva, com grande impacto na vida da criança e dependência no futuro. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico mais cedo será feita a intervenção e menos défice a criança terá”, explicou.

Segundo dados estatísticos internacionais, uma em 68 crianças no mundo tem uma perturbação do espectro do autismo.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa, devendo permanecer até 2028 na Altice Arena (antiga Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Nesta terceira edição do evento em Portugal são esperados cerca de 70 mil participantes de mais de 170 países.

A edição deste ano realiza-se até quinta-feira.

"Mania" das doenças é entendida como uma doença psiquiátrica
A hipocondria ou “perturbação de ansiedade relacionada com a doença” é uma preocupação irracional em
Homem sentado no chão com a cabeça apoiada nos joelhos

Neste caso, as pessoas não fingem qualquer sintoma nem mentem porque a crença de que têm um problema de saúde crítico é verdadeiramente real.

Quem sofre de hipocondria interpreta qualquer alteração física como um sintoma grave de uma doença, também ela grave. Sintomas normais como batimento do coração, por exemplo, podem fazer com que a pessoa hipocondríaca detete um sinal de doença. Por outro lado, a ansiedade associada à hipocondria pode induzir ela própria certos sintomas corporais, como dores de cabeça, tensão muscular, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e tonturas. É uma bola de neve que cresce rápido: os sintomas de ansiedade são amplificados pelos doentes porque eles também os interpretam como sinais de doença grave e tornam-se muito mais dolorosos.

As pessoas com hipocondria auto examinam-se frequentemente, estão constantemente a observar o seu corpo, a apalpar-se para ver se encontram algum nódulo ou sinal estranho no corpo ou a verem ao espelho se está tudo bem por exemplo com a garganta. Muitas vezes, também se auto medicam.

Existem também dois tipos de hipocondríacos, os que procuram incessantemente vários médicos para confirmarem doenças e os hipocondríacos evitantes aqueles que, ao contrário da maioria, evitam a todo o custo hospitais e médicos, com medo que os resultados dos exames indiquem alguma doença grave.

Geralmente, as pessoas hipocondríacas que procuram a confirmação da doença nos médicos e nos exames médicos que realizam não se ficam só por um médico procuram dois, três, quatro, vários para confirmar que não têm mesmo nenhum problema de saúde, ou na ânsia de encontrar um médico que lhes faça o diagnóstico que tanto procuram: uma doença grave ou uma doença terminal, como um cancro, por exemplo. Procuram incessantemente médicos e hospitais para despistar as patologias que acreditam ter e quase nunca acreditam nos diagnósticos que o negam. Por vezes, até atribuem incompetência aos médicos porque desvalorizou determinado sintoma e procuram outro médico que o valide.

As pessoas hipocondríacas medem constantemente os sinais vitais, como a tensão arterial e o ritmo cardíaco e ficam alarmados quando ouvem que alguém ficou doente ou leem alguma notícia relacionada com a doença, identificando-se com os sintomas e pensando que os podem ter. Estas preocupações não abrandam mesmo perante os resultados negativos de exames médicos, nem com a tranquilização de um médico.

Geralmente, a hipocondria começa a manifestar-se no início da idade adulta. Pode surgir em momentos críticos da vida da pessoa ou depois de acontecimentos com grande significado, como por exemplo, lutos, perdas ou separações de alguém próximo.

Muitas vezes descrita como uma doença, a hipocondria não passa de um estado forte de ansiedade, ou seja, do resultado de um medo excessivo de podermos ter uma doença grave que culmine na própria morte.

A hipocondria tem origem num distúrbio de ansiedade, um problema emocional que se caracteriza pelo medo de sentir a própria ansiedade. Quando temos ansiedade, a sensação de medo aumenta, o que gera ainda mais medo, e este processo mental repete-se sucessivamente criando uma espiral de ansiedade. Há um medo excessivo de ter doenças e este medo aumenta quando pensam na possibilidade de as ter, uma vez que estes pensamentos provocam elevados níveis de ansiedade. As pessoas hipocondríacas estão presas neste processo de pensamento.

Por vezes, têm dificuldade em encarar o seu problema como uma perturbação emocional. Têm relutância em procurar ajuda psicológica para eliminar os seus medos excessivos. E, por vezes, quando encaminhados para ajuda psicológica até ficam ofendidos. O normal é, antes de consultarem um psicólogo ou psicoterapeuta, passam por profissionais de todas as especialidades. E o pior é que nem sempre chegam a consultar o psicólogo ou psicoterapeuta!

A hipocondria é considerada uma doença psiquiátrica porque se associa a um grande sofrimento psíquico. Talvez seja por isso que é um tema difícil de falar. A maioria das pessoas com hipocondria sabem racionalmente que é um pensamento irracional e sentem vergonha de falar sobre isto a outras pessoas, porque sendo irracional é difícil mostrar a quem não sofre do mesmo.

O sofrimento de quem vive com hipocondria pode ser minorado e até eliminado com psicoterapia, em que são identificados e trabalhados os pensamentos perturbadores de forma a substitui-los por pensamentos saudáveis.

Qualquer pessoa pode desenvolver este quadro de preocupação excessiva, basta para isso desenvolver um distúrbio de ansiedade. O importante é não ter vergonha em falar sobre o assunto. O preconceito está nas outras pessoas, mas também nos próprios pacientes, que preferem procurar todos os especialistas à procura de doenças físicas do que aceitar que o problema é psicológico. Quem sofre de hipocondria deve procurar ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta que o ajude a diminuir o medo, através de psicoterapia. O doente deve ser descansado e ser tratada a sua doença de base, que não é física, médica, mas psicológica.

Artigos relacionados

Hipocondria: a doença imaginária com sofrimento real

Transtornos mentais em idosos

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Associação Portuguesa do Ambiente
O alerta é feito pela Agência Portuguesa do Ambiente adiantando que os esforços para aumentar a reciclagem não estão a funcionar.

De acordo com Agência Portuguesa do Ambiente o investimento para aumentar a reciclagem no país está muito longe de alcançar os resultados desejáveis. Segundo o relatório anual sobre resíduos urbanos, dificilmente as metas estipuladas vão ser atingidas.

Os portugueses estão há quatro anos seguidos a produzir mais lixo (+2% em 2017), mas o maior problema é que, ao contrário do que já era uma tendência, diminuíram os resíduos recicláveis recuperados: menos cerca de 50 mil toneladas numa descida de 9%.

O relatório fala mesmo numa "significativa diminuição" destes números fruto da queda na seleção do lixo pelos portugueses, mas também pela seleção mecânica nos centros de tratamento, escreve a TSF.

A seleção de resíduos feita diretamente pelos portugueses e empresas também caiu de 11% para 10% do total de lixo produzido no país.

Por outro lado, aumentaram, em 2017, os resíduos depositados em aterro, numa "inversão na tendência de decréscimo que poderá comprometer os objetivos definidos" para 2020 no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos.

De acordo com algumas instituições do setor, cada português produz, em média, 40 quilos de resíduos por mês. Por ano, o país tem mais quase cinco milhões de toneladas de resíduos, o equivalente de três pontes Vasco da Gama.

 

Modelo transforma dejetos em fertilizante
O filantropo norte-americano Bill Gates apresentou hoje uma sanita que não necessita de água ou ligação a sistemas de...

O fundador da Microsoft mostrou o novo modelo ao público em Pequim, numa exposição dedicada a novas soluções sanitárias, visando "reinventar as sanitas" e acelerar a adoção e comercialização de sistemas inovadores.

"Esta exposição apresenta, pela primeira vez, tecnologia e produtos de saneamento descentralizados e totalmente novos, e prontos a serem comercializados", afirmou Bill Gates, em comunicado.

Este novo modelo, que não precisa de estar ligado a um sistema de saneamento ou de água e transforma os dejetos humanos em fertilizante, está a ser testado na cidade sul-africana de Durban, onde também estão a ser testados outros modelos, que se alimentam de energia solar, explicou Gates.

O multibilionário explicou que a rápida expansão destes novos produtos e sistemas de saneamento que não necessitam de estar conectados a nenhuma rede poderá reduzir drasticamente o número de mortos e o impacto da falta de higiene na saúde da população nos países mais pobres.

A fundação de Bill Gates e da sua mulher, Melinda Gates, gastou 200 milhões de dólares desde 2011 para promover a investigação e o desenvolvimento de tecnologia sanitária segura.

Segundo a Unicef, quase 900 milhões de pessoas não têm escolha senão fazer as suas necessidades ao ar livre. Só na Índia, estima-se que sejam 150 milhões.

A mesma fonte estima que 480.000 de crianças com idade inferior a cinco anos morrem todos anos de diarreia, muitas vezes por beberem água ou comerem comida contaminada pelos esgotos.

O Presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, destacou que o saneamento é uma das prioridades para a sua organização, que se vai aliar com a Fundação Bill e Melinda Gates para levar instalações sanitárias seguras a todas as partes do mundo.

"Os sistemas que se podem difundir com rapidez e proporcionar um saneamento seguro e sustentável às comunidades são fundamentais para a qualidade de vida e desenvolvimento do capital humano", afirmou Jim, citado no comunicado.

 

Quatro anos depois
Quatro anos após o surto de 'legionella' e um ano e oito meses após o Ministério Público acusar nove arguidos, o...

Em março de 2017, o Ministério Público (MP) deduziu acusação contra as empresas Adubos de Portugal e General Eletric e outros sete arguidos por responsabilidades no surto, que teve início há exatamente quatro anos, em 07 de novembro de 2014, e causou 12 mortes e infetou mais de 400 pessoas.

Um ano e oito meses após a acusação, o processo mantém-se em Vila Franca de Xira, sem data prevista para seguir para o Tribunal de Loures, no qual irá decorrer a fase de instrução, que já foi requerida pelos arguidos e por mais de meia centena de pessoas afetadas pelo surto, mas que o MP não considerou como vítimas, por não se ter provado o “nexo de causalidade”.

Fonte judicial explicou à agência Lusa que o processo permanece no Tribunal de Vila Franca de Xira devido aos muitos requerimentos de abertura de instrução apresentados, às dezenas de pedidos para a constituição de assistentes no processo e à necessidade de se cumprirem, nestas situações, os prazos previstos na lei.

Segundo a fonte, é previsível que os autos sigam para o Tribunal de Loures ainda este ano, para que no decorrer de 2019 se realize a instrução, fase facultativa em que um juiz vai decidir se o processo segue ou não para julgamento e em que moldes.

Paralelamente, em 10 de setembro deste ano, o Tribunal Cível de Vila Franca de Xira começou a julgar o primeiro pedido de indemnização civil apresentado por uma das vítimas, um homem, de 67 anos, que exige 200 mil euros à empresa Adubos de Portugal, não havendo, até hoje, uma decisão judicial.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, lamentou a “lentidão do processo” e pediu mais celeridade.

“É com grande frustração que vemos que passados quatro anos não haja, efetivamente, resultados das investigações que foram feitas. Alguns processos já avançaram em tribunal, mas quatro anos é muito tempo para quem foi afetado. Esperemos que a justiça seja mais célere”, afirmou o autarca socialista.

Alberto Mesquita sublinhou que o próprio município interpôs uma ação para ser ressarcido pelos prejuízos causados pelo surto, nomeadamente a nível da sua imagem: “A nossa advogada está à espera de ser contactada para poder responder em sede própria”, apontou.

O surto de 'legionella' de novembro de 2014 afetou, sobretudo, as freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, provocou 12 mortes e infetou mais de 400 pessoas. No entanto, o MP só conseguiu apurar nexo de causalidade em 73 das pessoas afetadas e em oito das 12 vítimas mortais.

Na acusação do MP, deduzida em março de 2017, são arguidos um administrador, o diretor e o supervisor do setor da produção da Adubos de Portugal (ADP).

Segundo o despacho de acusação do MP, além de João Cabral, José Carvalhinho e Eduardo Ribeiro, são também acusados neste processo quatro funcionários, todos engenheiros químicos, da General Eletric (GE), empresa contratada pela ADP Fertilizantes para fiscalizar e monitorizar as torres de refrigeração.

De todos os casos notificados à Direção-Geral da Saúde, o MP só conseguiu estabelecer o nexo de causalidade em 73 situações, uma vez que nas restantes foi “inviável a recolha de amostras clínicas” ou “não foi identificada estirpe ou a estirpe identificada era distinta da detetada nas amostras ambientais recolhidas”.

Assim, o MP arquivou parcialmente o inquérito quanto a possíveis responsabilidades criminais por falta de provas indiciárias, relativamente a mais de 300 pessoas afetadas.

O MP proferiu ainda despacho de arquivamento quanto à eventual prática de um crime de poluição, por falta de legislação.

O MP sustenta que o surto de 'legionella' no concelho de Vila Franca de Xira foi causado pela "manifesta falta de cuidado” dos arguidos, que não cumpriram “um conjunto de regras e técnicas na conservação/manutenção” de uma das torres de refrigeração da ADP.

A ADP, a GE e os restantes sete arguidos estão acusados de um crime de infração de regras de construção, dano em instalações e perturbação de serviços. Os três responsáveis da ADP e os quatro funcionários da GE, Ricardo Lopes, Maria Viana, Liliana Correia e Nélio Moreira, respondem, ainda, cada um, por 20 crimes de ofensa à integridade física por negligência.

O MP relata que “todos os arguidos e cada um deles agiram com manifesta falta de cuidado, que o dever geral de previdência aconselha, porquanto omitiram ações importantes aquando da negociação, celebração e execução do contrato entre as sociedades arguidas ADP e GE”.

A procuradora Helena Leitão concluiu que, caso as ações tivessem sido realizadas, “seriam determinantes para que o desenvolvimento microbiológico, nomeadamente da bactéria 'legionella', não tivesse ocorrido e propagado, por aerossolização, nos termos em que o foi".

Ministra da Saúde
A ministra da Saúde admitiu que a proposta de Lei de Bases da Saúde entregue ao Governo ainda pode ser aperfeiçoada, remetendo...

“Recebemos e analisámos com todo o cuidado os trabalhos da comissão que foi nomeada para proceder à revisão da Lei de Bases da Saúde”, liderada por Maria de Belém Roseira, que “pretendemos que sirva os portugueses e o Serviço Nacional de Saúde para as próximas décadas”, disse Marta Temido aos jornalistas, no final da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2019 na área da Saúde, que durou quase seis horas.

Por esta razão, o documento terá de ter “por parte dos titulares da pasta da Saúde uma análise muito cuidada”, para que seja prestado “um bom serviço”, referiu a ministra.

Marta Temido destacou “todos os contributos que foram dados” e o “trabalho rigorosíssimo da comissão designada, e que tem contributos extraordinários”, designadamente em termos da visão que tem para os direitos dos doentes, para as questões da informação da saúde e para a informatização.

“Vem alertar-nos para todo um conjunto de aspetos que são muitos importantes para perspetivar a Lei de Bases do futuro”, mas há outros temas que também deverão ser equacionados”, disse Marta Temido, salientando que é nesse aspeto que estão a trabalhar.

O objetivo é “poder ter um documento que seja aquela Lei de Bases que tem as soluções para muitos dos problemas para o futuro”, vincou ainda.

Para Marta Temido, a versão final do documento deve representar “as várias sensibilidades”, mas tem de ter “respostas muito claras” em alguns aspetos, como combinação público-privada, direitos dos doentes e profissionais de saúde.

Nesse sentido, o que está “em cima da mesa ainda pode ser aperfeiçoado”, reconheceu

A aprovação da Lei de Bases chegou a estar prevista para o final de setembro, mas Marta Temido explicou nem chegou a Conselho de Ministros porque recebeu propostas da reunião de secretários de Estado, que é uma etapa que antecede a reunião de Conselho de Ministros.

Marta Temido pretende levar o documento o mais depressa possível a reunião de Conselho de Ministros, o que só acontecerá depois da aprovação do Orçamento do Estado, no próximo dia 29.

Legitimidade tem de ser avaliada
O Ministério da Saúde está a fazer uma análise jurídica à greve prolongada dos enfermeiros em preparação em vários blocos...

Em declarações aos jornalistas no final de mais de seis horas de debate parlamentar sobre o orçamento para a saúde para 2019, Marta Temido afirmou que tem de ser avaliada “a legitimidade de greve na forma” como está a ser desenhada, sublinhando que “há questões jurídicas que têm de ser acauteladas”.

Questionada sobre se estaria em causa a legalidade da greve, a ministra optou por referir que o que tem de ser avaliado é a legitimidade da paralisação nos moldes em que está a ser pensada.

“Teremos de ver os moldes em que a greve é decretada. E que o direito à greve não se sobrepõe ao direito à saúde”, afirmou, ressalvando, contudo, que respeita o direito legítimo a uma greve.

Marta Temido já tinha assumido perante os deputados a sua preocupação com a greve dos enfermeiros que, a partir de dia 22 deste mês, ameaça paralisar blocos operatórios em cinco hospitais públicos até ao fim do ano.

A ministra considera que a greve tem “medidas extremas” e que é “extraordinariamente agressiva”.

Aos jornalistas, Marta Temido voltou a considerar que a greve a ser equacionada tem aspetos extremos e que estão a ser “analisadas as implicações do pré-aviso” da paralisação e de que forma é que o exercício do direito à greve entra ou não em conflito com os direitos dos doentes.

Além de prolongada no tempo, uma vez que a greve está programada para durar mais de um mês, esta greve de enfermeiros apresenta um aspeto inovador em paralisações em Portugal, uma vez que um grupo de enfermeiros constitui um fundo para financiar os trabalhadores que cumpram a greve.

Trata-se de um fundo aberto a qualquer pessoa que queira contribuir com dinheiro, uma questão sobre a qual Marta Temido escusou comentar.

Até hoje já foram angariados mais de 350 mil euros, sendo que a meta era conseguir 300 mil para cumprir greve em três blocos operatórios: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, São João, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa.

O movimento de enfermeiros prolongou a recolha de fundos para alargar a paralisação a mais dois blocos operatórios: Setúbal e Centro Hospitalar do Porto.

Os enfermeiros reclamam nomeadamente melhores remunerações e uma carreira digna, notando que não progridem há 13 anos.

Os dois sindicatos que emitiram o pré-aviso que permite esta paralisação, que inicialmente partiu de um movimento de enfermeiros espontâneo, indicam que a greve será de dia 22 de novembro até final de dezembro.

Páginas