Na maioria dos casos o diagnóstico é tardio
São tumores raros, de difícil diagnóstico uma vez que facilmente se confundem com outras entidades c

Os tumores neuroendócrinos (NET) são neoplasias derivadas das células enterocromafins, distribuídas difusamente pelo organismo, e por isso podem ter origem em diversos locais (tabela 1).

São tumores raros (embora a sua incidência tenha vindo a aumentar), de difícil diagnóstico, sendo frequentemente confundidos com outras entidades clínicas

(como por exemplo: síndrome do cólon irritável, úlcera péptica, distúrbio de ansiedade, asma, …). É por isso, que os NET têm como símbolo internacional a zebra.

De acordo com as estatísticas internacionais, um diagnóstico correto de NET pode levar em média 5 a 7 anos. Se os NET forem detetados no início do seu desenvolvimento, muitas vezes podem ser curados através da cirurgia. No entanto, em cerca de 60 a 70% dos casos o diagnóstico é tardio e o tratamento não é curativo, embora, muitas vezes, os sintomas possam ser controlados por vários anos.

Atualmente, os NET são classificados de várias maneiras, conforme a origem, a expressão hormonal e o grau histológico.

Em relação à sua origem os NET mais comuns são os do sistema gastrointestinal, sendo o intestino delgado o local mais frequente, seguido do reto, cólon, estômago, pâncreas e apêndice. Ainda em relação à localização, também podem ser classificados de acordo com o tecido de origem embrionária (tabela 1).

Devido à sua origem nas células neuroendócrinas, os NET têm a particularidade de poder secretar hormonas bioativas ‐ NET funcionantes‐ levando a uma clínica específica e que pode muitas vezes sugerir a localização do tumor primitivo. Como exemplo temos a produção de:

  • Serotonina, responsável por um dos sintomas mais característicos síndrome carcinoide, que produz diarreia, rubor facial e eventualmente palpitações e falta de ar ou tosse),
  • Gastrina, que aumenta a acidez gástrica pelo estômago, provocando úlceras pépticas; Insulina, que reduz os níveis de glicose no sangue;
  • Glucagon, que provoca hiperglicemia;
  • Catecolamina, ligada a hipertensão;
  • Peptídeos intestinos vasoativos (VIP), que causam diarreia;
  • Somatostatina, que inibe quase todos os hormonas do intestino, diminuindo o peristaltismo e prejudicando a absorção de nutrientes.
  • Entre muitas outras hormonas…

Os NET não funcionantes são tumores que apesar de poderem produzir hormonas não causam sintomas pois estas são biologicamente inativas. Estes crescem lentamente, atingindo grandes dimensões na altura do diagnóstico e a sintomatologia deve‐se fundamentalmente ao efeito de massa.

Em termos histológicos, os NET de grau 1 tem crescimento mais lento, menor proliferação celular e melhor prognóstico; os de grau 2, são mais heterogéneos clinicamente e de maior proliferação; e os carcinomas neuroendócrinos, pouco diferenciados (grau 3), são caracterizados por um alto índice de proliferação e comportamento mais agressivo.

Quando suspeitar de um NET?

Alguns dados permitem‐nos colocar a hipótese dos tumores neuroendócrinos do tubo digestivo (os TNE mais frequentes) com algum grau de suspeição:

  • Diarreia crónica, principalmente noturna, principalmente se associada a hipocaliémia (baixa de potássio);
  • Flushing não associado a hipersudorese;
  • Insuficiência tricúspide sem causa aparente;
  • Hipoglicémia em jejum em doente sem diabetes;
  • Diabetes ligeira a moderada de início recente em individuo sem fatores de risco;
  • Úlcera péptica recorrente;
  • Litíase biliar em doente com massa pancreática;

entre outros..

Dada a heterogeneidade em termos de localização e diversidade na sua forma de apresentação, o diagnóstico clínico dos tumores neuroendócrinos é complexo e deve ser abordado por uma equipa multidisciplinar que inclua a Oncologia, a Endocrinologia, a Gasteroenterologia, a Pneumologia, a Cirurgia, a Medicina Nuclear, a Imagiologia, Anatomia Patológica, a Medicina Interna e eventualmente a Urologia.

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Investigação
Investigadores das universidades de Coimbra e da norte-americana Carnegie Mellon desenvolveram um método de produção de...

“Uma equipa de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Universidade de Carnegie Mellon (CMU) em Pittsburgh encontrou um método para produzir tatuagens eletrónicas através de impressão a tinta (inkjet)”, anunciou hoje aquela faculdade.

O novo método “simplifica a produção e diminui radicalmente o custo destes dispositivos com implicações tão vastas como a monitorização contínua da saúde do utilizador ou o controle tátil do painel do automóvel”, afirma a FCTUC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Mahmoud Tavakoli, gestor científico do projeto e diretor do Laboratório de ‘Soft and Printed Microelectronic’ do ISR, revela que foi encontrada uma forma simples e ‘low cost’ de imprimir circuitos condutores flexíveis com uma impressora 2D (duas dimensões), pois “estas tatuagens podem ser facilmente impressas e transferidas para qualquer superfície”.

“Projeta-se o circuito no computador e depois de dez minutos temos o nosso circuito impresso”, afirma, citado pela FCTUC, o investigador, salientando que “a maior vantagem de produzir em 2D é o baixo custo do equipamento e poder produzir-se em grandes quantidades”.

Até agora, “as alternativas existentes para produzir este tipo de circuitos ultrafinos exigiam uma mão-de-obra intensiva, custos de produção elevados e eram exclusivamente fabricadas em salas laboratoriais especializadas, ‘clean-room’, projetadas para manter níveis extremamente baixos de partículas, como poeira ou organismos transportados pelo ar”, relata a FCTUC.

Estas tatuagens são ultrafinas e facilmente transferidas com água para a pele ou roupa, da mesma forma que se aplica uma tatuagem temporária com a utilização de uma esponja húmida, acrescenta.

“Ao serem colocadas sobre a pele, [as tatuagens] permitem uma monitorização contínua da saúde do utilizador e controlam fatores como atividade muscular, respiração, temperatura corporal, batimentos cardíacos, atividade cerebral ou até emoções”, explicita a FCTUC.

Estas tatuagens já provaram também, de acordo com Mahmoud Tavakoli, ser eficazes na monitorização da atividade muscular.

Embora a impressão de circuitos com uma impressora 2D não seja novidade, até agora estes circuitos perdiam condutividade quando esticados.

“É a primeira vez que existe um método para imprimir circuitos que se podem esticar com uma tradicional impressora ‘inkjet’, à temperatura ambiente. Ao contrário dos outros métodos, este elimina a necessidade de curar a tinta nas temperaturas altas, sendo assim compatível com vários tipos de plástico, o que nos permitiu criar circuitos ultrafinos, a que chamamos ‘tatuagens eletrónicas’. Estes circuitos são compostos por nanopartículas de prata revestidas com metal líquido e podem ser esticados até ao dobro do seu tamanho sem perder a condutividade”.

Ainda segundo Mahmoud Tavakoli, o objetivo é tornar possível “inserir estas tatuagens dentro da pele e do corpo humano. Por exemplo, para pessoas com lesões na medula espinal que não conseguem andar, criar uma forma de conseguir aplicar estas tatuagens na medula de forma a estimulá-la e reativar os nervos para que funcionem outra vez”.

Fora do âmbito da saúde, estes circuitos eletrónicos podem ser utilizados em qualquer superfície 3D, como, por exemplo, o painel de controlo de automóveis, de forma permitir um controlo ativado pelo toque das várias funcionalidades do carro.

A descoberta deste método teve como resultado “várias aplicações inovadoras na área de circuitos impressos que foram patenteados em 2017 e publicados nas revistas Advanced Materials e ACS applied materials and interfaces, em 2018”, conclui a FCTUC.

Mais frequente em idosos e crianças
Com a aproximação do inverno e das baixas temperaturas, regista-se um aumento do número de casos de

A pneumonia é uma infeção do tecido pulmonar, mais precisamente o parênquima pulmonar, que prejudica a realização de trocas gasosas ao nível dos alvéolos e dos bronquíolos respiratórios, provocando dificuldade respiratória.

Esta doença é desenvolvida, na maior parte dos casos, através da inalação de bactérias e outros microrganismos presentes na faringe e na cavidade oral. Mais raramente, pode também desenvolver-se pelo contacto com outros doentes, através da transmissão de partículas ou gotículas infetadas, bem como em contexto hospitalar, onde existe uma multiplicidade de microrganismos, uma parte deles resistente a antibióticos.

Mais frequente em idosos e crianças, a pneumonia atinge outros grupos de risco, tais como doentes crónicos (com doença pulmonar obstrutiva crónica, diabetes, infeção VIH, insuficiência renal, imunodepressão, etc.), fumadores, alcoólicos e toxicodependentes.

Os seus sintomas mais frequentes são a dificuldade respiratória ou falta de ar, dor na zona torácica, febre (na maioria dos casos elevada), calafrios, tosse com possibilidade de expetoração e dor de cabeça e nos músculos. Normalmente, estas complicações surgem de forma rápida, com possibilidade de se manifestarem ao mesmo tempo.

É aqui que importa realizar um diagnóstico atempado, dado que os todos os sintomas referidos são comuns a outras doenças do sistema respiratório. Exceto em casos de grande gravidade, o doente deve começar por se dirigir aos Cuidados de Saúde Primários, onde os médicos estão em condições de decidir se é possível iniciar tratamento apenas com base nos sintomas e no exame físico ou se é necessário realizar análises e uma radiografia torácica, o que em geral obriga a deslocação ao hospital.

No que respeita ao tratamento da pneumonia, este centra-se na administração de antibióticos e no controlo dos sintomas, além de medidas gerais como repouso, alimentação adequada e correta ingestão de líquidos. Dependendo da gravidade do estado do doente, decide-se se este será tratado em regime de ambulatório ou se será internado.

Mesmo com o registo maioritário de casos tratados em regime ambulatório, a pneumonia continua a ser uma das principais causas de internamento hospitalar no nosso país. Isto acontece devido à gravidade do quadro clínico ou por via da fragilidade dos doentes, que muitas vezes veem as suas doenças crónicas descompensadas.

A pneumonia pode e deve ser prevenida através da adoção de um estilo de vida saudável (que inclua alimentação saudável, prática de exercício físico, cessação tabágica e redução do consumo de álcool) e, muito importante, através da vacinação, que inclui a administração da vacina pneumocócica e da vacina da gripe. No meio hospitalar, o respeito pelas regras de controlo de infeção é essencial (higienização das mãos, uso de equipamento de proteção, respeito pelas sinalizações presentes nas enfermarias).

Existe ainda muita resistência por parte da população portuguesa à vacinação sazonal contra a gripe. É por isso crucial trabalhar no sentido de consciencializar, principalmente os grupos de risco, para esta doença, potencialmente fatal, e para a importância da vacinação. Só este ano, o Serviço Nacional de Saúde tem 1.4 milhões de doses de vacinas para administrar, para além das vacinas que podem ser adquiridas nas farmácias com prescrição médica.

Adotar os comportamentos preventivos referidos anteriormente é já um grande passo na redução do número de casos de pneumonia, algo em que a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna quer continuar a apostar, seja na promoção de iniciativas dirigidas à população, seja na constante formação de internistas e outros profissionais de saúde.

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Injeção de neurotoxina
Uma mulher de 52 anos morreu hoje em Hong Kong devido ao excesso de tratamento de botox numa clínica de estética, o terceiro...

Segundo a polícia local, a mulher terá recebido mais de dez injeções de botox, tendo sido transferida já em estado crítico para o Queen Elizabeth Hospital, onde foi confirmada a sua morte.

O caso está agora a ser investigado pelas entidades especializadas.

A toxina botulínica, mais conhecida como Botox, que em doses elevadas pode causar paralisia muscular progressiva, dificuldades respiratórias e até a morte, é uma neurotoxina utilizada como tratamento para algumas doenças neurológicas e como produto cosmético para eliminar as rugas faciais.

Este é o terceiro caso em menos de um mês: em novembro, uma mulher de 41 anos ficou doente na China depois de ter feito um tratamento com Botox.

No mesmo mês, uma jovem de 24 anos foi internada no Queen Elizabeth Hospital após receber uma injeção de neurotoxina, que causou náuseas, tonturas e falta de ar, de acordo com os media da China.

 

Iniciativa
Eletrodomésticos, pilhas ou lâmpadas usados podem ser trocados pela realização de sonhos de crianças e de jovens com doenças...

A campanha, desenvolvida pela Eco-Partner e Amb3E – Associação Portuguesa de Gestão de Resíduos, gestora da rede Electrão e que teve início em outubro, visa apoiar projetos solidários da associação “Terra dos Sonhos”, que tenta concretizar sonhos de crianças e jovens com doenças crónicas, institucionalizados e idosos.

Em declarações à agência Lusa Madalena D’Orey, da Terra dos Sonhos, explicou que cada tonelada de resíduos, entregues à rede Eco-Partner e Electrão, vão permitir que particulares, empresas públicas e privadas contribuam para a associação.

“Esta campanha vai depois ajudar a instituição a realizar os sonhos das crianças do IPO, hospitais e de casas de acolhimento”, disse.

Para marcar o arranque da campanha solidária, vão, segundo a Eco-Partner e Amb3E, ser doados seis mil euros para concretizar cinco sonhos de jovens e crianças.

As empresas interessadas em participar na campanha têm de enviar um ‘e-mail’ para [email protected] para que depois seja feita a entrega gratuita de meios de acondicionamento/caixas por correio postal, sendo os aparelhos mais volumosos recolhidos sem custos.

De acordo com as empresas organizadoras, nestes ecopontos podem ser deixados equipamentos elétricos (computadores, tablets, impressoras/fotocopiadoras, telemóveis, ferramentas elétricas, candeeiros, aparelhos de ar condicionados, entre outros que necessitem de corrente elétrica para funcionar), lâmpadas tubulares e diversas e pilhas e acumuladores exceto as dos automóveis

“Sempre que os contentores/espaço de acondicionamento dos resíduos ultrapassar os 75% da capacidade, deve ser solicitada a recolha para o ‘e-mail’”, que serão posteriormente recolhidos, quantificados e consolidados e encaminhados para reciclagem.

Esta empresa contabiliza as quantidades recolhidas em cada local e transmite a informação ao Electrão para atribuição da bonificação à Terra dos Sonhos.

O objetivo da iniciativa, segundo os organizadores, é chegar às 100 toneladas até outubro do próximo ano.

A "Terra dos Sonhos" é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos, fundada a 01 de junho de 2007, que tem como missão transformar em realidade sonhos quase impossíveis de crianças e jovens doentes ou institucionalizados e idosos.

 

Cogumelos são imunorreguladores
A aplicação da micoterapia no tratamento e prevenção de doenças do foro oncológico esteve em debate no XXº Encontro Micológico...

A micoterapia é uma ciência alternativa, utilizada para ajudar a combater ou prevenir diversas doenças, como cancro, com recurso a variadas espécies de cogumelos medicinais.

Para a médica hematologista Adriana Teixeira, uma das participantes no debate, os cancros, na sua maioria, são provocados por alterações ao meio ambiente, enquanto 10 a 15% da taxa de incidência da doença devem-se a alterações genéticas.

"Para evitar o aparecimento do cancro é preciso ter uma boa alimentação, não fumar ou não estar em contactos com radiações e outros fatores externos. No que respeita a uma boa alimentação, é importante a introdução de cogumelos na nossa dieta já que se trata de uma ótima proteína, já que estes fungos são imunorreguladores", disse a antiga diretora dos serviços de hematologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Por outro lado, a especialista defendeu que os cogumelos, quer em pó ou naturais, devem ser consumidos na fase de tratamento do cancro para ajudar a diminuir os efeitos secundários da quimioterapia ou radioterapia e estimular o sistema imunológico, que fica mais frágil com esses tratamentos.

"Os cogumelos, quando ingeridos em pó, ou seja, de uma forma muito concentrada, têm grandes efeitos para melhorar a ação do nosso corpo na sua luta contra o cancro", vincou.

Os presentes no debate não duvidam que a micoterapia vai ter grandes desenvolvimentos em Portugal, nos próximos anos, na luta contra o cancro e na prevenção da doença, como já acontece em outros países.

Margarida Rocha, fisioterapeuta com pós-graduação em oncologia e também doente oncológica, avançou que há no planeta cerca de 1,5 milhões de fungos identificados e que mais de um milhar tem propriedades medicinais, adiantando que cerca de 20 estão a ser amplamente utilizados na medicina.

"Deparei-me há três anos com um problema oncológico, fiz todo o tipo de tratamento e senti no corpo os efeitos secundários da quimioterapia, radioterapia, imunoterapia a que fui submetida, o que deixou o meu sistema imunitário debilitado. Após vários estudos e muito pensar no meu futuro, virei-me para a micoterapia como complemento ao tratamento da minha doença para assim ter qualidades de vida", explicou.

A jovem fisioterapeuta garantiu à Lusa que faz micoterapia há cerca de um ano e que as melhorias são notárias e substanciais, não só do ponto de vista físico, mas igualmente, emocional.

"A micoterapia, no meu caso, e não só, tem ajudado a travar o processo de proliferações de células malignas, que poderão estar na corrente sanguínea, mesmo após o tratamento”, frisou Margarida Rocha.

Por seu lado, Pedro Ferreira, pai de uma criança de 07 anos com doença oncológica, explicou que percebeu que os tratamentos feitos ao seu filho não eram suficientes e que era preciso mais alguma coisa para complementar a terapia convencional que estava a ser aplicada.

"Após o tratamento convencional, o meu filho começou a fazer um tratamento natural à base de cogumelos e seus derivados, acompanhado por especialistas de uma equipa multidisciplinar da clínica Hifas da Terras, em Espanha, e que deu resultados fabulosos", observou.

A Associação Micológica "A Pantorra", com sede em Mogadouro, há 20 anos que contribui para a identificação e catalogação das mais variadas espécies de cogumelos.

Balanço
As Termas de Portugal têm registado nos últimos anos uma tendência de crescimento do número de clientes, sobretudo entre...

Após um período de declínio, entre 2010 e 2014, desde o início de 2015 que se tem verificado um aumento do número de clientes que procuram os programas de saúde e bem-estar, de acordo com o secretário-geral da Associação das Termas de Portugal, João Pinto Barbosa.

Embora não haja indicadores de taxas de ocupação, avançou o representante, o número total de tratamentos terapêuticos em 2017 foi de cerca de 1.300.000 nos 41 estabelecimentos termais que estão em funcionamento no país (no continente), além das Termas de Ferraria, nos Açores.

No total, nas termas da Associação das Termas de Portugal (ATP), realizaram-se cerca de 420.000 dias de tratamentos e 90.000 dias de práticas de bem-estar termal.

Dos tratamentos, as patologias mais tratadas foram as relacionadas com as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas (50%), seguidas das patologias das vias respiratórias, com 30% da procura.

Neste último caso, segundo os dados fornecidos à Lusa, cresceu o número de crianças e jovens que procuraram nos tratamentos termais a solução terapêutica para diversos tipos de alergias respiratórias, nomeadamente rinite, sinusite e asma, entre outras.

De acordo com João Pinto Barbosa, no ano passado a associação registou uma faturação de 13 milhões de euros em consultas, tratamentos termais e práticas de bem-estar, mais 0,5% do que em 2016.

Estes números refletem apenas a atividade nos balneários termais e não incluem o restante leque de serviços turísticos das termas, como hotelaria, restauração, outros serviços turísticos e dermocosmética, explicou o responsável.

“Na globalidade, estimamos que o volume de negócios das Termas ATP em 2017 foi de 22 milhões de euros”, referiu João Pinto Barbosa.

Quanto à caracterização dos utilizadores destes espaços, ao nível de termalismo terapêutico, são “maioritariamente seniores, com idade superior a 65 anos”, mas o segmento que regista maior aumento da procura é o das crianças e dos jovens.

Já em relação aos clientes de programas de bem-estar, são maioritariamente mais jovens, no escalão 45-55 anos, sendo que 90% dos clientes de termas são portugueses.

As termas empregam cerca de 2.000 pessoas, estimando o secretário-geral da ATP que o emprego indireto e induzido seja bastante superior.

Ordem
A Ordem dos Enfermeiros denunciou hoje a existência de profissionais contratados no Hospital de Cascais para trabalhar 60 horas...

Estas situações são apresentadas num relatório de uma visita realizada em agosto ao Hospital de Cascais, a que a agência Lusa teve acesso, e que a Ordem dos Enfermeiros remeteu para a ministra da Saúde, Marta Temido, no final do mês passado.

Segundo o documento, o Hospital de Cascais “tem enfermeiros contratados em regime de prestação de serviço, a recibos verdes, com contratualização de 250 horas mensais de trabalho (62,5 horas/semana)”.

Para a Ordem, esta carga horária semanal “configura um gravíssimo risco na segurança dos cuidados prestados e também na qualidade”.

No documento enviado à ministra, a bastonária Ana Rita Cavaco refere que o Hospital de Cascais, embora sendo uma parceria público-privada, devia aplicar as 35 horas semanais definidas para todo o Serviço Nacional de Saúde: “Não o fazer gera uma situação de profunda desigualdade entre instituições”.

No relatório, a Ordem denuncia ainda que há serviços no Hospital de Cascais com apenas um enfermeiro a assegurar um turno, como a pediatria ou a ginecologia, no horário noturno, entre as 20:00 e as 8:30.

“A situação é absolutamente inadmissível”, escreve a Ordem, sublinhando que isso pode comprometer a vida dos doentes e a prestação de cuidados de enfermagem.

O Hospital de Cascais estará ainda, segundo a Ordem dos Enfermeiros, a cometer uma ilegalidade ao “dispensar” enfermeiros de turnos avisando-os na véspera, alegando que “há poucos doentes internados”.

“Este tipo de gestão, que já agora é ilegal, faz com que alguns enfermeiros fiquem a dever horas ao serviço. Em alternativa acontece também serem mobilizados, durante o turno em curso, para outros serviços, que nem conhecem”, indica o documento.

Outra das situações que em Cascais preocupa a Ordem prende-se com a constituição da equipa de emergência médica intra-hospitalar, que integra um enfermeiro da unidade de cuidados intensivos.

Contudo, esse profissional continua a ter doentes atribuídos durante aquele turno, o que faz com que o enfermeiro seja “forçado” a deixar os doentes dos cuidados intensivos quando a emergência intra-hospitalar é ativada. Deste modo, a unidade de cuidados intensivos fica com número insuficiente de enfermeiros.

A bastonária dos Enfermeiros frisa à ministra da Saúde que “a falta de contratação de enfermeiros” para as “já desfalcadas equipas” deixa os serviços “incapazes de garantir a segurança das pessoas e dos próprios profissionais de saúde”.

Ana Rita Cavaco defende que os serviços e as chefias de enfermagem devem “propor o encerramento de áreas funcionais” quando não há enfermeiros em número suficiente, sendo esta uma medida para a segurança das pessoas que procuram o SNS.

Contactado pela Lusa, o Hospital de Cascais não rebateu, numa declaração enviada por escrito, as situações denunciadas no relatório da Ordem dos Enfermeiros, referindo que a unidade “rege-se pelas melhores práticas laborais e cumpre todas as normas em vigor” que regulam a prática profissional dos enfermeiros.

“A segurança dos doentes e a qualidade dos cuidados prestados é uma prioridade para o Hospital de Cascais. Assim, determinadas as necessidades, os horários e turnos são ajustados de acordo com a disponibilidade dos profissionais de saúde e de forma a garantir a prestação de cuidados e a multidisciplinaridade das equipas”, afirma ainda a nota escrita.

Demências
O Complexo de Neurointervenção da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), o primeiro da Península Ibérica, vai ser inaugurado em 08 de...

Em declarações à agência Lusa, o presidente da CVP, Francisco George, justificou a escolha de Gaia, no distrito do Porto, para receber o equipamento de auxílio a pessoas com demência por "estar no centro do Norte" e por a Cruz Vermelha estar muito envolvida "em apoiar as delegações fora de Lisboa".

"A zona Norte tem uma densidade populacional muito elevada e carece deste tipo de equipamentos", acrescentou o responsável, referindo que a inauguração naquela data, Dia Internacional da Mulher, é uma forma de "homenagear todas as mulheres envolvidas".

Em conferência de imprensa, o responsável da CVP informou tratar-se de "uma estrutura de saúde única na Península Ibérica", assentando em "quatro grandes eixos de ação, prevenção, intervenção, formação e investigação".

"Em Portugal há 300 mil pessoas com 85 anos ou mais", revelou Francisco George enfatizando que "40% delas têm uma demência".

O complexo, que está em fase final de acabamento, vai estar "preparado para receber 60 pessoas".

Assim que abrir portas, o complexo "dará emprego a 42 colaboradores, mas após a sua consolidação, no verão, serão 70 os funcionários", assegurou o presidente da CVP.

Além de uma unidade residencial, o projeto prevê apoio domiciliário especializado e terá uma casa-modelo "adaptada às necessidades da pessoa com demência", permitindo-lhe "readquirir hábitos diferentes perante as limitações identificadas".

Destacando a importância das parcerias com as fundações Champalimaud e Rainha Sofia, esta de Espanha, o antigo diretor-geral da Saúde explicou que o complexo agora anunciado ficará no edifício que serviu de escritórios do engenheiro Edgar Cardoso e que agora cedido à CVP pelas Infraestruturas de Portugal.

As pessoas ou famílias que pretendam beneficiar do Complexo de Neurointervenção podem desde já efetuar candidaturas.

Santa Casa da Misericórdia
O edifício do antigo hospital de Vila Franca de Xira vai ser convertido numa Unidade de Cuidados Continuados (UCC), um projeto...

Esta infraestrutura, situada no centro da cidade de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, pertence à Misericórdia local e está ao abandono desde 2013, tendo sido, desde então, alvo de vários atos de vandalismo, segundo disse à agência Lusa o provedor da instituição, Armando de Carvalho.

“O edifício atingiu nestes últimos cinco anos um estado preocupante de degradação. Houve muitos assaltos e chegámos a apanhar pessoas a roubar materiais e fios de cobre”, contou Armando de Carvalho.

O provedor explicou que a Misericórdia de Vila Franca de Xira tem um projeto para requalificar o imóvel, que outrora albergou o hospital Reynaldo dos Santos, para o converter numa UCC, estando o projeto “dependente de um empréstimo bancário de 5,5 milhões de euros”.

Esse empréstimo insere-se no âmbito do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU), um programa comunitário de apoio Portugal 2020 que disponibiliza empréstimos em condições mais favoráveis, adiantou.

Além da reabilitação do edifício, o projeto prevê, igualmente, a instalação de 140 camas destinadas a pessoas com doenças crónicas ou em fase de recuperação.

“Será um projeto fundamental para o concelho de Vila Franca e para a revitalização da cidade, tornando-a mais atrativa”, apontou.

No mesmo sentido, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS), manifestou “total disponibilidade” para apoiar este investimento, reconhecendo a sua “enorme importância”.

“É um projeto importante para a cidade, mas também para colmatar uma necessidade no âmbito do concelho, mas também da Área Metropolitana de Lisboa, criando condições para que, tecnicamente, possamos apoiar patologias muitas graves do foro das demências”, sublinhou.

A Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira ainda não tem uma estimativa de quando é que poderá iniciar a obra, sabendo-se, apenas, que a duração prevista dos trabalhos é de dois anos.

Especialistas
A sociedade tende a reprimir as emoções espontâneas, e são os homens que menos as exprimem após incêndios e outras catástrofes,...

A psiquiatra Ana Araújo, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), disse que geralmente “os homens não são tocados pelas questões psicoemocionais” nos primeiros meses após a tragédia.

Ana Araújo intervinha numa mesa-redonda sobre os incêndios em Portugal, dando testemunho sobre o trabalho da Equipa de Saúde Mental Comunitária de Leiria Norte, que acompanha há mais de um ano vítimas e familiares do fogo que deflagrou em Pedrógão Grande, em 17 de junho 2017, em que morreram 64 pessoas.

“Não esquecemos de forma nenhuma estes momentos do impacto da catástrofe”, afirmou, no final do nono Encontro Nacional da Associação Nacional de Internos de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (ANIPIA), subordinado ao tema “Pedopsiquiatria de catástrofe”, que decorreu durante dois dias no auditório do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC).

Também a psicóloga do CHUC Graça Areias, que participou na mesma mesa redonda, disse à agência Lusa que, de um modo geral, as vítimas do sexo masculino têm um comportamento diferente do das mulheres na sequência das catástrofes.

Graça Areias tem vindo a acompanhar feridos, sobretudo queimados, e seus familiares, na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande, que alastrou a diversos concelhos vizinhos, e do que deflagrou mais tarde, em 15 de outubro de 2017, na zona da Lousã, e que se propagou a outros municípios da região Centro, causando a morte de 50 pessoas.

A psicóloga deu o exemplo de um homem tratado no CHUC durante vários meses, devido a queimaduras que sofreu em 17 de junho, que “estava ansiosíssimo para ir para casa, para poder chorar” sem os constrangimentos do internamento hospitalar.

Nestas situações, a maioria dos homens “não expressa as emoções”, mas, por razões culturais, esta é uma tendência da generalidade das pessoas.

“A sociedade reprime as emoções espontâneas”, sublinhou a psicóloga, numa sessão moderada por Rita Gonçalves, da direção da ANIPIA, em que também interveio o pedopsiquiatra José Garrido, do CHUC.

Um segundo homem que sofreu ferimentos graves, no incêndio de junho do ano passado, “chorava a sério ao falar das cabrinhas que perdeu e que eram a sua companhia”, contou à Lusa Graça Areias.

O secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, que encerrou os trabalhos, defendeu que as crianças “devem ser alvo de especial atenção para que compreendam estes fenómenos e não sejam afetadas” pelas suas consequências.

José Artur Neves lembrou, por outro lado, que o Governo, em resposta ao incêndio de Monchique, em agosto, criou o Núcleo de Coordenação do Apoio Psicológico e Social de Emergência, na dependência da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Em 2017, considerado “um ano de exceção”, no âmbito da resposta psicossocial a ANPC realizou 888 intervenções, das quais 682 de apoio a bombeiros, 154 a elementos de comando dos corpos de bombeiros e 52 a civis.

“Em 2018, o valor atual é de 240 intervenções”, sendo 147 a bombeiros, 74 a elementos de comando e 19 a civis, adiantou o secretário de Estado da Proteção Civil.

Vacinação trava internamentos
Segundo um estudo recente, o simples ato de vacinação pode reduzir o risco de hospitalização por Pneumonia em 73%. Sem dúvida,...

São registados casos de Pneumonia ao longo de todo o ano mas é nesta época do ano que se registam o maior número de ocorrências. A vacinação antipneumocócica é segura e a forma mais eficaz de se proteger e prevenir a Pneumonia.

Apesar de ser transversal à sociedade, há quem esteja mais vulnerável à Pneumonia. É o caso das crianças ou adultos que apresentem doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC, doença respiratória crónica, doença cardíaca, doença hepática crónica, portadores de VIH e doentes renais. Por fazerem parte dos grupos de risco, têm indicação da DGS para se vacinarem.

Indivíduos a partir dos 65 anos, cujo sistema imunitário começa a ficar, naturalmente, mais fragilizado e suscetível a doenças infeciosas, também têm indicação médica para o fazer.

Apesar disso, as taxas de vacinação antipneumocócica são muito baixas – 9 em cada 10 adultos com mais de 50 anos revelou recentemente não estar vacinado contra a Pneumonia. Isto apesar de existir, desde 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (011/2015) que recomenda a vacinação de grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica.

Vacinação trava internamentos

A efetividade da vacinação contra a Pneumonia bacteriana pelo pneumococo ficou provada num estudo recente onde se registou uma redução de 73% dos internamentos de adultos com mais de 65 anos, imunizados com a vacina antipneumocócica.

“A vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida, em particular depois dos 65 anos, e em casos de maior fragilidade, como acontece com os doentes crónicos. Estudos como este reforçam o nosso apelo” explica Isabel Saraiva, fundadora do MOVA – Movimento Doentes pela Vacinação. “A redução das taxas de internamento diminuirá, naturalmente, o número de mortes associadas à Pneumonia”, acrescenta.

Também os custos ligados ao internamento – cerca de 218 mil euros diários – tenderão a diminuir significativamente.

DGS
A Direção-geral da Saúde considera que o estudo da OCDE divulgado esta semana sobre infeções resistentes a antibióticos não...

Num comunicado hoje divulgado, a Direção-geral da Saúde (DGS) argumenta que o estudo foi realizado com dados anteriores a 2015, o que, no caso português, torna penalizadora uma extrapolação ou tendência futura, porque “não reflete a realidade atual do país” nem os resultados do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências a Antimicrobianos que teve em 2014 o seu primeiro ano completo de atividade.

Segundo um estudo da OCDE divulgado na quarta-feira, mais de 40 mil pessoas podem morrer em Portugal na sequência de infeções por bactérias resistentes a antibióticos até 2050, estimando-se que por ano morram acima de 1.100 portugueses. Portugal exibe dos mais altos resultados de mortalidade no conjunto de mais de 30 países analisados, com 11,3 por 100 mil habitantes, apenas ultrapassada por Itália, com 18,2 e pela Grécia, com 14,8.

A diretora do Programa de Prevenção e Infeções e Resistência a Antimicrobianos considera, no comunicado da DGS, que Portugal se encontra “a desenvolver os maiores esforços” nesta área e que entre 2014 e 2017 houve uma “redução estatisticamente significativa das resistências” a antimicrobianos. Dentro de dez dias, a DGS irá divulgar os dados relativos a 2017, que continuam a mostrar a mesma tendência.

A autoridade de saúde recorda que a taxa de infeções associadas a cuidados de saúde em hospitais de agudos é de 7,8%, enquanto nos cuidados continuados é de 4%.

 

 

Tema em avaliação
A secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, garantiu hoje que a criação da carreira de dentista no Serviço Nacional de...

“Há um grande empenho na manutenção da saúde oral da população no contexto do SNS que não está de todo esquecido, mas sim em análise”, afirmou hoje a governante, na abertura oficial do 27.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, em Matosinhos, distrito do Porto.

Dizendo não ser “alheia” à expectativa destes profissionais de saúde, Raquel Duarte vincou que o Ministério da Saúde, que sofreu remodelações, mantém a “firme convicção” de que é fundamental valorizá-los.

Além dessa questão, a nova secretária de Estado avançou que o projeto de integração da medicina dentária no SNS, alargando o número de centros de saúde com cuidados de saúde oral é “para continuar e aumentar”.

A colocação de dentistas nos cuidados de saúde primários iniciou-se com o atual Governo, primeiro através de projetos-piloto que foram sendo progressivamente alargados.

“Queremos alargar o número de centros de saúde com médicos dentistas de forma a podermos ter uma cobertura em todo o país”, explicou.

Antes da intervenção da secretária de Estado, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, insistiu na “necessidade” de se avançar com a criação de uma carreira para os dentistas no SNS, lembrando que o processo já foi aprovado pelo Ministério da Saúde, mas aguarda há quase um ano pelas Finanças.

“É fundamental e necessário, a bem da qualidade, criar-se uma carreira de medicina dentária, dado tratar-se de uma profissão específica”, reforçou.

Há muito que a Ordem reclama um “estatuto adequado” para estes profissionais, consagrado através de uma carreira.

O congresso, que começou na quinta-feira e termina no sábado, tem em cima da mesa, além de questões socioprofissionais, temas como a implantologia, endodontia ou periodontologia.

Em simultâneo com o congresso decorre a Expodentária, a maior feira de saúde oral da Península Ibérica que, nesta edição, conta com a presença de 139 expositores, distribuídos por 507 ‘stands’.

Infarmed
A regulamentação da lei do uso da canábis para fins medicinais, desde o cultivo até à dispensa dos medicamentos em farmácia,...

“Até ao final do ano, teremos a lei necessária em Portugal para regular, desde o cultivo até à dispensa, os medicamentos à base de canábis”, disse Maria do Céu Machado aos jornalistas, à margem da Primeira Conferência Portuguesa sobre Canábis Medicinal – Lisbon Medical Cannabis, promovida pela Cannativa – Associação de Estudos sobre Canábis, que decorre hoje e no sábado em Lisboa.

Na conferência, a presidente da autoridade nacional do medicamento afirmou que a legislação “está muito perto de chegar ao fim”.

Para garantir a "todos os portugueses" que os medicamentos à base de canábis têm “qualidade, eficácia e segurança”, o Infarmed está a desenvolver legislação para “a regulação de todo o circuito da canábis desde o cultivo até à dispensa que será em farmácias”.

Maria do Céu Machado explicou que o Infarmed apresentou, como previsto, a proposta de legislação ao Ministério da Saúde em setembro, tendo sido pedidos pareceres às organizações públicas e privadas que têm responsabilidades em Portugal sobre a proposta legislativa.

Os pareceres foram pedidos à Ordem dos Médicos, à Ordem dos Farmacêuticos, à Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), aos distribuidores e à Associação Nacional de Farmácias (ANF), tendo alguns já apresentado os seus contributos, que já foram integrados na proposta, adiantou.

"Neste momento estamos à espera que todos respondam, nomeadamente a Ordem dos Médicos, para conseguir a formulação final do diploma", disse Maria do Céu Machado.

Sobre os benefícios dos medicamentos à base desta planta, afirmou que, "como médica e pediatra", tem "a convicção de que em situações clínicas específicas a canábis pode ser uma ajuda para os doentes, para as crianças e para os adultos".

"Como presidente do Infarmed reafirmo que a regulamentação sairá tão depressa quanto possível, mas penso que até ao final do ano vamos resolver o problema dos doentes e das famílias".

A utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base de canábis foi aprovada pelo parlamento a 15 de junho na votação final global de um texto da comissão parlamentar de saúde, originado por projetos de lei do Bloco de Esquerda e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), e promulgada pelo Presidente da República a 10 de julho.

Segundo o texto, terá de ser um médico a prescrever medicamentos ou preparações à base desta planta, em que são consideradas substâncias que vão desde os óleos até à flor desidratada, mas só se outras terapêuticas convencionais tiverem efeitos adversos ou indesejados.

Entrevista
Portugal é o 4º país da UE com mais mortes devido a infeções por bactérias resistentes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de metade dos antibióticos são prescritos de forma inadequada. Quer isto dizer que não só a população não está sensibilizada para a questão da resistência aos antibióticos, como os médicos também «abusam» quanto à sua recomendação… Ora, isto não é um contrassenso? Como se justifica esta posição?

Até meados do século passado, as doenças infeciosas eram a primeira causa de morte a nível global. A utilização generalizada dos antibióticos, iniciada durante a segunda guerra mundial, permitiu tratar infeções anteriormente mortais, como a sépsis nos soldados feridos em combate, a pneumonia ou a tuberculose. Sendo eficazes, além de bem tolerados, estes fármacos passaram a ser vistos como uma “bala mágica” contra a doença. Esta confiança desmedida instalou-se de forma transversal na sociedade, abrangendo quer o cidadão utente dos serviços de saúde quer os próprios médicos. Progressivamente fomos utilizando mais antibióticos em mais situações, esquecendo o perigo, conhecido desde o início, da generalização de microrganismos resistentes, contra os quais os antibióticos tendencialmente foram perdendo eficácia. Atualmente, grande parte da população e muitos médicos têm ainda uma imagem inadequada dos antibióticos, promovendo a sua utilização em situações nas quais não têm qualquer benefício ou por períodos desnecessariamente prolongados. O problema é que, ao contrário de outros fármacos, os antibióticos, se inapropriadamente utilizados, promovem a redução da sua própria eficácia, mercê do aumento dos microrganismos resistentes.

Neste sentido, o que são e para que servem os antibióticos? Quais as regras gerais para a sua utilização?

Os antibióticos são medicamentos eficazes para tratar infeções provocadas, em geral, por bactérias. Cada grupo de antibióticos é eficaz face a determinadas bactérias. Há antibióticos, chamados de espetro de ação estreito, que são eficazes para matar poucos tipos de bactérias. Outros, designados de largo espetro, têm efeito sobre vários tipos de bactérias. Por sua vez, as bactérias podem ser sensíveis à ação de vários grupos de antibióticos ou resistentes a essa ação. Algumas são mesmo multirresistentes, isto é, as infeções que provocam só são tratáveis por um número muito reduzido de antibióticos. Como as bactérias mais sensíveis vão sendo mortas por diversos antibióticos, são selecionadas as mais resistentes que continuam a proliferar e a causar infeções mais difíceis de tratar.

Os antibióticos não são eficazes contra vírus. Portanto, não têm qualquer utilidade em situações como as gripes ou constipações. A primeira regra é não utilizar antibióticos em situações nas quais não têm qualquer utilidade, como a gripe, ou quando o benefício é irrelevante, como nas situações agudas de tosse e expetoração no jovem saudável.

Quando um antibiótico está indicado, a segunda regra é utilizá-lo apenas durante o tempo necessário, nem mais nem menos. Cabe aos médicos aconselharem os seus doentes, esclarecendo o porquê da indicação, ou não, para a toma destes medicamentos em cada situação. Para que cumpram esta função, os médicos têm que ter tempo suficiente em cada consulta e manter o nível de conhecimentos adequado sobre a matéria, o que lhes deverá ser garantido pelos grupos locais já existentes para o efeito, mas dotados de recursos humanos suficientes.

Uma terceira regra é não tomar o antibiótico que foi útil para um familiar, vizinho amigo ou para o animal de companhia, nem adquirir antibióticos sem receita médica.

Tendo em conta que a resistência bacteriana é hoje considerada um dos problemas de saúde pública mais relevantes a nível global, pedia-lhe que nos esclarecesse quanto às principais consequências do uso indiscriminado de antibióticos.

O uso indiscriminado de qualquer medicamento é errado, já que todos eles podem ter efeitos adversos, prejudicando a saúde se mal utilizados. Mas, no que respeita aos antibióticos, as principais consequências prendem-se precisamente com a seleção de bactérias cada vez mais resistentes e que provocam infeções mais difíceis de tratar. Nas últimas décadas, envolvemo-nos num ciclo vicioso no qual utilizámos antibióticos contra as bactérias existentes, aos quais essas bactérias se tornaram resistentes, após o que utilizámos antibióticos contra essas, que, por sua vez, se tornaram resistentes, e passámos a utilizar outros antibióticos. O problema é que as bactérias geram resistências mais depressa do que novos antibióticos são descobertos e, nos últimos anos, devido às regras de mercado, instalou-se mesmo uma escassez de novos antibióticos. Sobram, assim, bactérias resistentes e faltam antibióticos eficazes. É como se nos estivéssemos a dirigir, retrogradamente, para os anos em que não tínhamos antibióticos para matar as bactérias. Este caminho tem que ser invertido!

E qual o impacto social e económico das infeções causadas por bactérias resistentes a antibióticos?

Como já sabíamos, e o voltam a demonstrar os estudos agora publicados, o impacto é enorme. Socialmente, as projeções existentes e globalmente citadas calculam que, se nada de diferente for feito até lá, no ano 2050 morrerão 10 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo, (390.000 na Europa) por infeções devidas a estas bactérias. A ser assim, seria esta a primeira causa de morte nesse ano. Mas já hoje, são 700.000 por ano as mortes por este motivo a nível global. Em Portugal, os estudos apontam para mais de 3 mortes por dia, atualmente, e 40.000 mortes até 2050, por esta causa.

Mas para quem considere mais importantes os aspetos financeiros, e não sendo conhecidos números da realidade nacional, calcula-se que estas infeções determinavam, já no ínício desta década, uma despesa acrescida de 20.000 milhões de dólares, só em 2015, nos EUA. No orçamento federal norte-americano para 2016, a administração Obama dotou a rúbrica relativa ao combate a estas infeções com uma verba de 1.200 milhões de dólares. Segundo um relatório do Banco Mundial, publicado no mesmo ano, estas infeções, por si só, terão uma repercussão superior a 5% do PIB nos países com menos recursos e provocarão consequências graves nos níveis de pobreza, nos custos da saúde, na produção alimentar, e mesmo no comércio mundial.

Quais os grupos mais vulneráveis a estas infeções? Quem está em risco?

Os grupos mais vulneráveis e que estão em maior risco, como é natural, são as pessoas com saúde mais precária, designadamente aquelas com doenças que comprometem as defesas imunitárias e com frequentes contactos com os cuidados de saúde. Principalmente nos episódios de hospitalização, a situação destas pessoas obriga a que os profissionais de saúde cumpram rigorosamente boas práticas de prevenção da transmissão da infeção.

No entanto, este é um problema que pode afetar qualquer pessoa, quando contrai uma infeção, mesmo as infeções mais comuns e adquiridas na comunidade. A tendência de aumento da resistência aos antibióticos tem-se manifestado mesmo em bactérias responsáveis por infeções que ocorrem fora dos hospitais.

Isto não quer dizer que a maior parte das pessoas, nomeadamente quando contactam com os cuidados de saúde, adquiram uma infeção por bactérias multirresistentes. O número dos que contraem infeções até tem diminuído, mesmo no nosso país, embora seja ainda elevado, cerca de 8% dos internados. O que se passa também é que têm aumentado as infeções provocadas pelas bactérias mais resistentes e, portanto, o risco de contrair uma destas infeções tem aumentado.  

Relativamente ao estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, que incide sobre esta matéria, que dados relativos a Portugal preocupam as autoridades competentes?

Se me permite, direi que essa pergunta deve ser endereçada às autoridades competentes.

Na minha opinião, e na opinião de muitos profissionais do controlo de infeção e das resistências aos antibióticos, os números agora conhecidos vêm confirmar a persistência de um problema grave, para o qual temos vindo, com sucesso limitado, a tentar sensibilizar os decisores. Acontece que nos últimos anos se verificou em Portugal um inflexão em alguns indicadores que anteriormente vinham piorando, nesta área. Isto é verdade. Em algumas bactérias tem-se verificado uma diminuição das resistências, embora limitada. O número de infeções hospitalares diminuiu. O consumo de antibióticos diminuiu, a meio desta década. Só que na maior parte dos casos estas evoluções são lentas, comparativamente com o que aconteceu em países que empenharam recursos suficientes, essencialmente humanos, nesta área. Em Portugal, o consumo de antibióticos voltou a subir nos últimos anos, aguardando-se a divulgação dos dados relativos a 2017. E, mais importante, têm proliferado as bactérias mais resistentes, cuja prevalência tem aumentado perante o pouco rigor nas práticas de prevenção seguidas em diversas instituições.

Na minha opinião, independentemente do que possa ter melhorado, e algumas coisas melhoraram, mais de 3 mortes por dia, hoje, e 40.000 previsíveis até 2050, faz deste um problema não escamoteável. Quem pretenda, ou consiga ignorá-lo, torna-se necessariamente corresponsável perante as vítimas, as suas famílias, e toda a sociedade.

Na sua opinião, que medidas deveriam ser tomadas para reverter esta tendência?

As medidas estão estudadas e são conhecidas, existem recomendações claras a nível mundial. A primeira, relaciona-se com a necessidade de dotar esta frente de trabalho de recursos humanos, médicos, farmacêuticos, enfermeiros, outros técnicos, que possam implementar as estratégias adequadas. Estas estratégias devem ser dirigidas à promoção da utilização adequada dos antibióticos, a qual passa principalmente por uma prescrição correta, mas não deve limitar-se a esta etapa. Por outro lado, a promoção de boas práticas de prevenção da transmissão da infeção nos hospitais e outras unidades de saúde, evitando situações nas quais a utilização de antibióticos de largo espetro é mais prevalente, concorre para e diminuição da seleção de bactérias resistentes.

Outra ação fundamental é o aumento da literacia em saúde das populações, com destaque para uma maior noção da importância do uso racional do antibiótico, à imagem do que já se conseguiu, por exemplo, nos países do norte da Europa.

As medidas são perfeitamente conhecidas. Cabe aos gestores, aos decisores a nível local e nacional, a sua implementação.

Para além do uso racional dos antibióticos, os especialistas afirmam que tem de existir um melhor controlo das infeções hospitalares. Como poderia isto ser feito?

As boas práticas de prevenção e controlo das infeções hospitalares são também conhecidas e recomendadas a nível europeu e mundial. Em Portugal, a implementação destas práticas é função dos grupos coordenadores locais, regionais, e da direção nacional do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e da Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), programa prioritário da DGS. Mas esta implementação exige que sejam alteradas muitas das rotinas de trabalho, incorretas, dos profissionais de saúde, pelo que estes grupos devem ser dotados de recursos humanos que lhes permitam desenvolver a sua atividade e atingir este objetivo de otimização das práticas nesta área, única forma de garantir a segurança das pessoas internadas. Esses recursos estão legalmente previstos, mas na generalidade das unidades de saúde estas disposições legais não são cumpridas e os meios atribuídos à prevenção e controlo da infeção são claramente insuficientes. Ou seja, esta área não é, na prática, considerada uma das prioridades na gestão das unidades de saúde portuguesas.

Para terminar, e ainda no âmbito do estudo apresentado, que outras considerações gostaria de fazer?

Os números falam por si. Em termos materiais e financeiros, temos que atribuir recursos à resolução deste problema, não por sermos um país rico mas precisamente porque não nos podemos dar ao luxo de manter esta despesa, ao nível do que já referi, com estas infeções. Mas, principalmente, não podemos achar normais, sem incrementarmos o nível de esforço, os números agora divulgados, e recordo, mais de 3 mortes por dia, mais de 1150 por ano, devido a infeções por microrganismos multirresistentes – Uma epidemia silenciosa.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investigadores norte-americanos
Cientistas nos Estados Unidos decifraram pela primeira vez a função de estruturas no cérebro à volta dos neurónios e acreditam...

Segundo um estudo divulgado hoje, as chamadas redes perineuronais foram descobertas pela primeira vez em 1893 pelo neurobiólogo italiano Camillo Golgi, mas a sua função não era bem conhecida até a equipa do instituto Carilion, da universidade estadual da Virginia, ter agora concluído que regulam os impulsos elétricos no cérebro.

Quando estas redes são destruídas, podem acontecer ataques epiléticos, como descobriram quando investigaram cérebros de ratos com tumores cerebrais muito agressivos chamados glioblastomas.

Trata-se do único cancro que não consegue espalhar-se porque está limitado pelo crânio. Por isso, segrega em grandes quantidades um neurotransmissor chamado glutamato que mata as células à volta para permitir ao tumor crescer.

Os cientistas da Virginia Tech também verificaram que o tumor ataca as redes, dissolvendo-as, o que torna difícil regular os impulsos elétricos no cérebro, que pode então sofrer ataques epiléticos.

O investigador especializado em epilepsia H. Steven White afirmou que as conclusões estudo da equipa liderada pelo biólogo Harald Sontheimer se podem aplicar a outras formas de epilepsia adquirida.

"Este estudo sugere uma possível forma de modificar o desenvolvimento e a progressão da epilepsia, o que diminuiria o transtorno para os pacientes", indicou.

Mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de epilepsia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Cerca de um terço dos doentes não responde aos tratamentos existentes.

 

Opinião
O sono é mais do que a ausência do estado de vigília, o não estar desperto.

Entre a variedade existente, podemos destacar a promoção de processos anabólicos, a produção hormonal, a termorregulação central, a “desintoxicação” cerebral e a consolidação da memória nos processos de aprendizagem. Para além disso, promove a autorregulação dos comportamentos e das emoções, e é o substrato dos sonhos.

Importa referir que o sono se altera ao longo do desenvolvimento do indivíduo na infância e na adolescência. Segundo dados da Fundação Americana do Sono (em inglês National Sleep Foundation), as necessidades de sono diminuem ao longo do crescimento: os recém-nascidos (0-2 meses) necessitam entre 12 e 18 horas de sono diárias; os bebés (3-11 meses) de 14 a 15 horas; as crianças (1-3 anos) de 12 a 14 horas; as crianças em idade pré-escolar (3-5 anos) de 11 a 13 horas; as crianças em idade escolar (6-10 anos) de 10 a 11 horas; e os adolescentes (10-17 anos) de 8,5 a 9,25 horas.

A evidência científica demonstra que alterações na quantidade e na qualidade do sono têm impacto nas funções cognitivas, emocionais e, de forma geral, nas funções psicológicas do indivíduo, independentemente da idade.

Um dos elementos mais importantes para um sono saudável é um horário de deitar e de acordar regular. O estabelecimento desta rotina no padrão de sono otimiza o “ter sono sempre à mesma hora”, assim como ajuda a regularizar o ritmo circadiano de cada indivíduo.

Outro aspeto importante para um sono saudável envolve dar oportunidade adequada a cada criança de dormir. Com isto, pretendo esclarecer que apesar de existir um número médio de horas necessárias para cada faixa etária durante o crescimento, cada criança tem necessidades de sono individuais e cada pai deve estar atento às pistas que sugerem que o filho não está a dormir o suficiente, nomeadamente quando a criança tem dificuldade em acordar de manhã e/ou que dorme mais ao fim de semana e durante as férias escolares, do que durante a semana.

Como apostar na qualidade de sono através da Higiene do Sono

É comum ouvir-se a referência à importância da Higiene do Sono, a qual corresponde a um conjunto de recomendações comportamentais que têm grande impacto positivo no sono. Destas destaco:

Ir para a cama dormir sempre à mesma hora;

  • Dormir sozinho/a na cama;
  • Não fazer sestas antes de dormir, nem consumir produtos com cafeína;
  • Ter uma rotina prévia ao deitar que permita ao organismo diminuir a agitação: evitar luzes brancas, não utilizar dispositivos digitais tecnológicos entre 30 a 60 minutos antes do deitar, procurar atividades relaxantes como ler uma história aos mais pequenos, ou sugerir aos mais crescidos que leiam um livro;
  • Não ter televisão no quarto;
  • Evitar que a criança adormeça noutro local que não a sua cama, situação que obriga o pai ou a mãe a transportar a criança durante o sono;
  • Acordar e levantar da cama diariamente sensivelmente à mesma hora;
  • Evitar que as crianças e os adolescentes utilizem a cama durante o dia para atividades que não sejam dormir. É comum, em particular nos adolescentes, tentarem passar o tempo disponível no quarto em cima da cama a ver séries, jogar no computador ou telemóvel, ou a utilizar as redes sociais. Estes são exemplos vivamente desaconselhados, pois o nosso corpo aprende com os hábitos rotineiros. Assim, se o ensinarmos a usar a cama para tudo, não haverá clara noção que aquele espaço serve para dormir e descansar.

À partida, se colocar em prática as diretrizes apresentadas acima, tem menos probabilidade de ter uma criança com problemas ou perturbação do sono-vigília, e estará a promover, igualmente, o correto desenvolvimento do seu filho.

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Lesão do ligamento cruzado anterior é uma das lesões mais comuns
Um estudo afirma que 15% a 23% dos jovens atletas com menos de 25 anos que sofreram uma lesão do ligamento cruzado anterior do...

Em entrevista à Lusa, Rogério Pereira, fisioterapeuta desportivo e um dos autores do estudo, explicou hoje que apesar de os programas nacionais para a promoção da atividade desportiva terem “feito uma pressão positiva”, sobretudo, junto dos pré-adolescentes e adolescentes, isso tem vindo a representar “um aumento no número de lesões desportivas”.

“É bem possível que 15 a 23 em cada 100 jovens atletas que sofreram uma lesão do ligamento cruzado anterior, que é uma das lesões mais comuns do joelho, e que voltaram ao desporto, possam ter uma segunda lesão”, salientou.

O estudo, designado “MRI-Based Laxity Measurement”, e desenvolvido por uma equipa de especialistas portugueses em medicina desportiva, integra um dos capítulos do livro “Return to Play in Footbal”, lançado em abril.

Segundo Rogério Pereira, também professor na Escola Superior de Saúde da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, é necessário “transladar a evidência científica” e promover a prevenção de lesões musculares para a “realidade dos clubes e das associações desportivas”.

“A medicina desportiva passa pela prevenção de lesões e pelo desenvolvimento das capacidades atléticas. Na verdade, melhorar a qualidade do movimento ajuda a ser melhor desportista e, ao mesmo tempo, ajuda a prevenir. Portanto, é só mesmo falta de conhecimento, falta de cultura e falta de vontade política dentro dos clubes”, afirmou.

O fisioterapeuta mencionou também que as raparigas têm um risco “duas a oito vezes superior” do que os rapazes de sofrer lesões musculares nos joelhos, que representam um terço de todas as lesões desportivas.

“As pré-adolescentes e adolescentes têm um comportamento diferente dos rapazes, no sentido em que não são capazes de assegurar um padrão de movimento seguro e correto, ao não terem capacidade muscular suficiente para reposicionar o corpo. E daí surgem as lesões, porque colocam o joelho numa situação de risco que leva à lesão dos ligamentos”, contou.

Para o professor universitário, “a boa notícia” é que a “intervenção de um fisioterapeuta com prescrição de exercício” pode mudar essa realidade.

“Um programa de prevenção eficaz consistiria, tal como o programa da FIFA – Eleven Plus, em cerca de 12 exercícios de fortalecimento, aprendizagem motora e de pleumetria [exercícios de contacto muito breve com o solo]. Estes programas, se forem realizados duas vezes por semana, em cerca de 20 minutos, conseguem relacionar o controlo motor, a força, a mobilidade e ainda por cima, substituir o aquecimento normal”, sublinhou.

Rogério Pereira acrescentou ainda que é fundamental “os pais indagarem as entidades onde confiam os filhos para as práticas desportivas se tem medidas preventivas”, assim como “as federações das modalidades darem indicações às associações distritais e fazer-se uma formação a nível nacional”.

Doenças respiratórias
O pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), elogiou hoje as campanhas...

"As campanhas tiveram algum efeito em vários aspetos, por exemplo promoveram bastante a vacinação, que aumentou muito nos últimos anos, sobretudo contra a gripe, obviamente também com a gratuitidade das vacinas para pessoas acima dos 65 anos", salientou à agência Lusa o diretor do Serviço de Pneumologia A do CHUC.

Segundo Carlos Robalo Cordeiro, não é apenas a população com mais de 65 anos que se vacina contra a gripe nesta altura do ano, é também a população com doenças crónicas ou profissionais de saúde.

Nestes setores, a vacinação "também aumentou significativamente e isso foi também resultado das campanhas", acrescentou o especialista, que hoje apresenta o livro SPP - Uma Estratégia de Comunicação, no Algarve, no decorrer do XXXIV Congresso Nacional de Pneumologia.

Na quinta-feira à noite, na sessão de abertura, Carlos Robalo Cordeiro recebeu a medalha de ouro da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, da qual foi presidente entre 2010 a 2015.

"O livro [Uma Estratégia de Comunicação] retrata, de alguma forma, aquilo que aconteceu durante os seis anos em que fui presidente, tem muito a ver com um modelo ou paradigma de comunicação que foi decisivo para colocar a doença respiratória e a promoção da saúde na agenda mediática e na agenda estratégica da saúde em Portugal", explicou.

Além da prevenção vacinal, o pneumologista considera que se melhorou também "significativamente na prevenção tabágica, com os dados a apontarem para uma diminuição, ainda que os números sejam envergonhados, mas há uma diminuição".

Salientando que houve melhorias, o médico refere que "ainda há muito a fazer", sobretudo a este nível, em "que Portugal está um pouco atrasado, ao contrário de outros países, com uma legislação um pouco envergonhada, porque também se começou tarde a olhar para esta situação".

Segundo Carlos Robalo Cordeiro, se se "olhar para países em que a legislação tem sido mais arrojada, na proibição tabágica e de outros dispositivos em locais públicos, como é no Canadá, Austrália e Irlanda, os resultados da diminuição da prevalência de fumadores na população desses países e a repercussão em doença é muito notório".

"Devo dizer que a indústria tabaqueira é muito ardilosa e inteligente nesta derivação do tabaco para estas novas formas, em que não deixam de ser consumidas substâncias nocivas para a saúde, eventualmente em menor dose", disse.

Ao nível da pneumonia, Carlos Robalo Cordeiro fala em "números assustadores, sobretudo acima dos 65 anos, em que a diferença é enorme acima ou abaixo dessa idade. Portanto, na população mais idosa e se caminharmos para grupos etários mais avançados, é ainda mais gritante a repercussão na mortalidade, nomeadamente ao nível hospitalar".

"É acima dos 75, dos 80 e dos 85 a principal causa de morte nos hospitais. Pensa-se que possam morrer por dia cerca de 20 pessoas por dia com pneumonia em Portugal, o que é um peso bastante significativo".

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