Estudo
Um estudo publicado na revista "Nature" revelou que a genética determina se existe ou não a capacidade de os...

A investigação liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e pelo Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, analisou o funcionamento do relógio biológico humano a partir da análise genética de enormes bancos de dados.

Os especialistas relacionaram ainda a qualidade do bom despertar com a saúde mental e outras doenças, escreve o Sapo. Curiosamente não encontraram relações estatisticamente significativas com patologias crónicas como a obesidade, lê-se no estudo.

A investigação publicada na revista Nature destacou o papel que a retina desempenha no organismo ao controlar os ritmos circadianos. Por ouro lado, a análise aumenta o número de áreas do genoma que influenciam essa disposição genética.

Notívago ou diurno?
"Este trabalho expõe um grande número de genes que pode ser estudado mais detalhadamente para entender como diferentes pessoas podem ter diferentes relógios biológicos", resumiu em comunicado Mike Weedon, da Escola de Medicina da Universidade Exeter.

A grande quantidade de indivíduos envolvidos no estudo deu, segundo Weedon, "provas mais claras" sobre as pessoas notívagas terem "um risco maior de ter doenças mentais".

No total, foram analisados os genomas de 250 mil indivíduos de uma base de dados dos Estados Unidos e de 450 mil pessoas de uma base do Reino Unido.

Os especialistas tentaram identificar que genes tinham em comum e como isso poderia influenciar padrões de sono, ao mesmo tempo que contrastaram essa informação com dados de outros 85 mil indivíduos controlados por uma pulseira de atividade. Os cientistas conseguiram observar que algumas variantes genéticas identificadas podem modificar em até 25 minutos a hora em que uma pessoa acorda de maneira natural, o que poderá influenciar a produtividade da mesma.

Entre as regiões genómicas identificadas estão aquelas que influenciam os nossos relógios corporais, conhecidos como "ritmos circadianos", nas quais também detetaram a presença de genes expressados no cérebro e no tecido retinal do olho.

O ciclo do relógio biológico, de acordo com os cientistas, é ligeiramente mais longo do que o diário de 24 horas e por isso, as conexões do tecido ocular explicam como o cérebro deteta a luz para reiniciar esse relógio todos dias, sincronizando-o com o ciclo diário. Os funcionamento do relógio biológico humano, conforme o estudo, é influenciado pelos genes e pelo nosso estilo de vida, como alimentação, exposição à luz artificial, trabalho e atividade física.

"O nosso trabalho indica que, em parte, os motivos pelos quais algumas pessoas estão mais dispostas a acordar cedo e outras são mais noturnas se devem às diferenças que existem entre a maneira com que os nossos cérebros reagem aos sinais da luz externa e ao funcionamento normal dos nossos relógios internos", disse Samuel E. Jones, da Universidade de Exeter. E essa resposta está codificada no ADN.

Segundo ele, estas pequenas diferenças poderiam ter "efeitos significativos" na capacidade dos nossos relógios biológicos "controlarem o tempo eficazmente", o que "poderia alterar os riscos associados às doenças e transtornos mentais", à produtividade e à eficácia.

Estudo
Segundo uma nova meta-análise divulgada ontem pela publicação especializada The BMJ, que reúne informações de 13 investigações,...

Afinal, o pequeno-almoço não é a refeição mais importante do dia. De acordo com uma nova meta-análise divulgada ontem online pela publicação especializada The BMJ, um documento que reúne informações de 13 investigações internacionais, a primeira pausa alimentar da manhã não deve ser saltada nem menosprezada, mas pode estar a ser sobrevalorizada por nutricionistas, dietistas, médicos e especialistas.

Segundo o relatório que sintetiza as conclusões, escreve o Sapo, não está cientificamente comprovado que tomar o pequeno-almoço melhore o funcionamento do metabolismo ao longo do dia ou facilite a perda de peso, como muitos profissionais de saúde defendem. Num estudo que avaliou dois grupos de voluntários, os investigadores concluíram que os que não falhavam a primeira refeição do dia ingeriam, em média, mais 260 calorias.

E pesavam mais 440 gramas. "Apesar de, ingerido com regularidade, poder ter outros efeitos importantes, como o aumento dos níveis de atenção e de concentração na infância, há que ter cuidado quando se recomenda aos adultos que andam a fazer dieta que tomem o pequeno-almoço, uma vez que [tomá-lo] pode ter o efeito contrário", assegura o documento. Levada a cabo pelos investigadores Katherine Sievert, Sultana Monira Hussain, Matthew J. Page, Yuanyuan Wang, Harrison J. Hughes, Mary Maleke e Flavia M. Cicuttini.

Tim Spector, professor de epidemiologia genética do King's College London, já analisou o novo estudo. "As pessoas que não tomam o pequeno-almoço tendem a ser mais pobres, menos educadas, menos saudáveis e, de um modo geral, alimentam-se pior", escreveu o docente num artigo de opinião no The BMJ. "Um terço dos habitantes dos países desenvolvidos falha regularmente o pequeno-almoço. Eu sou um deles", admite.

Alguns dos estudos internacionais analisados sugerem ainda que ir para a cama de barriga cheia também não é bom. A ingestão excessiva de calorias ao jantar é, assim, desaconselhada pelos autores da nova investigação. "Algumas pessoas estão [naturalmente] programadas para preferir comer mais cedo e outras para o fazer mais tarde, o que torna o nosso metabolismo pessoal único", defende, no entanto, Tim Spector.

Universidade do Minho
Portugal surge em 24ª posição no novo 'ranking' coordenado pela Universidade do Minho que avalia a qualidade de 110...

Em comunicado, a Universidade do Minho (UMinho) explica que o “World State of Quality” (WSQ) surgiu no seguimento de um projeto-piloto elaborado há três anos junto dos 28 países da União Europeia.

Segundo a instituição, escreve o Sapo, o ranking deve “ser encarado como uma ferramenta que permite identificar áreas de melhoria, ajudando os governos e as organizações na definição de políticas e estratégias capazes de aumentar o nível de qualidade dos países e, por conseguinte, o bem-estar das pessoas”.

110 países em análise
O novo ‘ranking’ avalia a qualidade de 110 países em vários domínios, estando na base da classificação a avaliação da taxa de desemprego, da felicidade, da inovação, da facilidade em fazer negócios, da pegada ecológica, do bem-estar ambiental, da distribuição dos rendimentos e do Produto Interno Bruto.

Outras das áreas avaliadas são a competitividade, mortalidade infantil, esperança média de vida, educação, além do número de universidades em rankings internacionais, artigos sobre qualidade publicados em revistas conceituadas, organizações com certificação IS0 9001 e membros da International Academy for Quality (IAQ).

Dia Mundial da Luta Contra o Cancro assinala-se a 4 de fevereiro
Um quarto da população portuguesa está em risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% corre ri

4 de fevereiro, Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, é um dia de reflexão em que devemos fazer um balanço da batalha que temos estado a travar há décadas contra o flagelo das doenças oncológicas.

O número de novos doentes não para de aumentar e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um quarto da população portuguesa está em risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% corre risco de morrer desta doença. Felizmente, a sobrevivência também está aumentar, muito graças à determinação dos profissionais de saúde e investigadores que trabalham com novas ferramentas para combater o cancro, quase sempre direcionadas para a oncologia de precisão.

Por exemplo: há poucos dias realizou-se em Santiago de Compostela, Galiza, o IV Simpósio sobre Biópsia Líquida, que contou com a presença de mais de 350 oncologistas de todo o mundo e no qual a OncoDNA esteve presente. Esta técnica revolucionária e minimamente invasiva (semelhante a um exame de sangue) pr

oporciona aos especialistas informações concretas sobre a evolução do tumor, bem como informação sobre as respetivas alterações genéticas. O objetivo último é poder dar um tratamento mais personalizado e preciso, adaptando-o às necessidades do doente em qualquer fase da terapia oncológica.

Junto com a imunoterapia esta ferramenta de diagnóstico está a revolucionar a oncologia médica, servindo para melhorar o prognóstico de doentes com diferentes tipologias de cancro, como cólon, melanoma, próstata, pulmão ou mama.

Da mesma forma que as aplicações da biópsia líquida estão a aumentar, as possibilidades de análise genómica às amostras de tecido que são extraídas de um tumor também crescem. A leitura do ADN dos genes envolvidos na doença oncológica está cada vez mais presente na prática clínica e é extremamente útil para o oncologista saber o que tem à sua frente, como tratar esse cancro e a possível resistência terapêutica que será encontrada durante o tratamento.

Nesse sentido, o papel dos imunogramas é decisivo para se prever se um doente responderá ou não à imunoterapia. Modelos como o da OncoDNA são capazes de analisar vários biomarcadores, como por exemplo, os níveis de expressão de PD-L1 e CD8 nos linfócitos, a carga mutacional do tumor, a instabilidade dos microssatélites ou a presença de mutações associadas à resistência ou sensibilidade a este tipo de tratamento.

Outros avanços

Além dessas técnicas, que já são uma realidade no quotidiano do oncologista, estão a surgir, com cada vez mais frequência, dados de investigações e ensaios sobre o que poderá vir a ser o futuro a médio prazo. Como exemplo temos a terapia capaz de prevenir a formação de metástases e que está a ser investigada por um grupo de trabalho multidisciplinar do Hospital Universitário de Basileia, Suíça. Nesta investigação, recentemente publicada pela revista Cell, foi detetada uma substância que suprime a disseminação de células cancerígenas malignas.

Devemos ainda lembrar-nos da recente investigação sobre células T com recetores de antígeno quiméricos. Este tratamento é mais conhecido como Célula CAR-T, de administração única, e é projetado individualmente para cada doente, modificando geneticamente os seus linfócitos T.

Também vimos no final do ano passado como o Hospital Universitário Vall d'Hebrón (Barcelona) usou uma técnica pioneira, ainda sob investigação, para travar o cancro pancreático avançado, o pior prognóstico que existe nos nossos dias. Enquadrado no ensaio clínico Pelican, esta técnica consiste em puncionar o tumor com uma agulha que queima e destrói as células cancerosas.

Estamos conscientes de que ainda temos muitos anos para conseguir que esta doença seja apenas uma má recordação em todas as suas formas e diversidades. Mas estamos no caminho certo, se continuarmos no caminho da investigação e da inovação vamos ganhar. Pouco a pouco, vamos superar não só uma batalha, mas a guerra contra o cancro.

Adriana Terrádez
Diretora Geral da OncoDNA para Espanha e Portugal

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Infarmed vai fornecer informação específica
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde vai ter uma página especial com informação sobre a canábis medicinal,...

Fonte da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) disse que a entrada em vigor da lei não vai, em termos práticos, ter grande repercussão, e acrescentou que a Autoridade Nacional do Medicamento não recebeu ainda qualquer pedido para analisar um produto com vista a ser colocado no mercado.

O Infarmed vai a partir de agora, disse a mesma fonte, ter na página oficial informação específica sobre a canábis para fins medicinais.

A legalização do uso de canábis para fins medicinais foi aprovada em junho de 2018 e a regulamentação foi publicada em Diário da República no passado dia 15.

A regulamentação estabelece que o cultivo, fabrico e comércio da canábis para fins medicinais só pode ser feito depois de autorização do Infarmed, que deve ser atualizada todos os anos.

Estabelece também que os produtos à base de plantas de canábis só podem ser vendidos através de prescrição médica, e que as entidades que tiverem autorização para o cultivo, o fabrico, comercialização ou importação de medicamentos à base da planta de canábis devem renovar o pedido de autorização todos os anos.

Para introdução no mercado das substâncias à base de canábis é necessária uma autorização de colocação no mercado, que deve ser requerida ao Infarmed.

Fonte do Infarmed ouvida pela Lusa salientou que “hoje pouca coisa muda” e lembrou que é o Infarmed que vai receber os dossiers de entidades que queiram submeter medicamentos com um valor terapêutico acrescentado, para serem comercializados, sendo que até agora não foi submetido qualquer pedido.

Governo
O Presidente da República vetou ontem o diploma do Governo que procede ao reconhecimento de interesse público da Escola...

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na internet, Marcelo Rebelo de Sousa refere que "as ordens profissionais competentes não aprovam o ensino de terapêuticas não convencionais, por não haver validade cientificamente comprovada, mais sublinhando os recuos nesta matéria em países onde o seu ensino tinha sido liberalizado".

"Em Portugal apenas foram autorizados cursos públicos deste tipo em dois politécnicos, mas a título experimental e temporário, tendo sido recusados a outras universidades privadas", acrescenta.

O chefe de Estado considera que se verifica uma "ausência de garantias de futuro reconhecimento profissional" e conclui que, "neste momento, não há condições para a sua aprovação".

Marcelo Rebelo de Sousa devolve, por isso, ao executivo, sem promulgação, "o diploma que procede ao reconhecimento de interesse público da Escola Superior de Terapêuticas Não Convencionais", aprovado em Conselho de Ministros no dia 08 de novembro.

O comunicado dessa reunião do Conselho de Ministros dá conta da aprovação de um "decreto-lei que procede ao reconhecimento de interesse público de três instituições de ensino superior privadas" que, "são, assim, integradas no sistema de ensino superior": a Escola Superior de Saúde Atlântica, a Escola Superior de Terapêuticas não Convencionais e o Instituto Politécnico Jean Piaget Sul.

Este é o décimo segundo diploma vetado por Marcelo Rebelo de Sousa desde que assumiu as funções de Presidente da República, em 09 de março de 2016, e o quarto do Governo.

Proteção e saúde animal
Os presidentes de câmara podem autorizar alojamentos para reprodução e criação de animais potencialmente perigosos ou verificar...

O decreto-lei 20/2019, publicado na quarta-feira em Diário da República, concretiza a transferência de competências para os órgãos municipais nos domínios da proteção e saúde animal e da segurança dos alimentos.

Na proteção e saúde animal, as competências a transferir repartem-se nas que dizem respeito aos animais de companhia ou de produção.

Os autarcas passam a autorizar os centros de recolha e alojamento para hospedagem de animais de companhia, bem como “os alojamentos para hospedagem com fins lucrativos destinados à reprodução e criação de animais potencialmente perigosos”.

As autorizações para a realização de concursos e exposições, detenção de animais de companhia em prédios urbanos e a “promoção de ações ou campanhas públicas de profilaxia médica e sanitária e combate a zoonoses” também serão transferidas.

Nos animais de produção, são transferidas competências para o presidente da câmara no âmbito do regime de exercício da atividade pecuária, quando “estejam em causa as explorações da classe 3 e a detenção caseira”, áreas em que o diploma salienta que “a proximidade com o órgão decisor resulta em evidentes ganhos de eficiência”.

Na segurança dos alimentos figuram “a verificação das condições hígio-sanitárias dos estabelecimentos industriais que explorem atividades agroalimentares, que utilizem matéria-prima de origem animal não transformada” ou atividades que envolvam manipulação de subprodutos de origem animal ou de fabrico de alimentos para animais.

Os municípios passam a realizar controlos oficiais, tanto nos estabelecimentos sujeitos ao Sistema da Indústria Responsável (SIR), quando a câmara é a entidade coordenadora, incluindo a inspeção sanitária nos estabelecimentos de abate, como nos estabelecimentos cuja atividade requer parecer da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

Ao médico veterinário municipal caberá assegurar a efetivação das competências transferidas, nos setores da proteção e saúde animal e da segurança dos alimentos, mas também assumir-se como “expressão local da Autoridade Veterinária Nacional”.

“O médico veterinário municipal, sempre que desempenhar funções no âmbito dos controlos oficiais, assumirá a qualidade de médico veterinário oficial, devidamente habilitado por despacho do diretor-geral de Alimentação e Veterinária”, determina-se no diploma.

Entre as diversas competências confiadas ao presidente de câmara está a execução dos “controlos aos estabelecimentos de distribuição e venda de carnes e seus produtos”, sem prejuízo das competências atribuídas à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

A autorização para detenção de animais de companhia em prédios urbanos em número superior a três cães e quatro gatos adultos por cada fogo, ou até ao máximo de seis animais adultos, será regulada nos termos legais e mediante parecer vinculativo do médico veterinário e delegado de saúde.

Além da fixação do valor das taxas pela prestação de vários serviços, os municípios ficarão também, no todo ou em parte, com o produto de coimas de processos contraordenacionais instaurados em diversas áreas da sua atuação.

Uma comissão de acompanhamento, composta por representantes governamentais das áreas da alimentação e veterinária, autarquias locais e finanças e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, avaliará a evolução do exercício das competências transferidas.

No âmbito da transferência de competências de forma gradual até 2021, altura em que se tornam efetivas, os municípios que não pretendam assumir as competências em 2019 devem comunicar à Direção-Geral das Autarquias Locais, após prévia deliberação dos seus órgãos, até 60 dias corridos após entrada em vigor do decreto-lei, contados a partir de hoje.

A publicação na quarta-feira dos decretos setoriais da educação, da saúde, da cultura e da proteção animal e segurança alimentar elevou para 15 os diplomas já publicados, de um total de 21 aprovados pelo Governo, faltando o das novas atribuições das freguesias.

Greve dos enfermeiros
O Ministério da Saúde esclareceu ontem, que a requisição civil é uma das possibilidades a ser avaliada como forma de travar a...

Questionado a propósito da entrevista da ministra da Saúde, Marta Temido, à RTP na quarta-feira na qual a governante admitiu equacionar meios jurídicos para combater a nova greve dos enfermeiros nos blocos operatórios, o Ministério da Saúde (MS) adiantou que os referidos meios jurídicos podem passar por uma requisição civil.

A hipótese de recorrer à requisição civil vinha a ser afastada por Marta Temido, que a considera uma “opção extrema” e que só se usa quando não há cumprimento de serviços mínimos.

Na entrevista à RTP, Marta Temido foi confrontada com a greve dos enfermeiros nos blocos cirúrgicos de sete centros hospitalares, que ontem começou e que se prolonga até 28 de fevereiro, após as negociações com as estruturas sindicais terem terminado na quarta-feira de forma inconclusiva.

Questionada sobre a possibilidade de uma requisição civil, a ministra afirmou que, na atual lei da greve, essa solução não é possível se estiverem a ser cumpridos os serviços mínimos, mas advertiu para um “aspeto absolutamente incomum”, que é a duração da greve e para os serviços em causa, que merecem “serviços máximos”.

Marta Temido admitiu, sem detalhes, “equacionar outras alternativas de resposta e, eventualmente, meios de reação jurídicos” em relação a esta nova greve, que replica o modelo de uma paralisação de enfermeiros que decorreu no final do ano passado.

“Em última instância, esta greve, que já enfrentámos antes e que nos preparamos para enfrentar outra vez, convoca para uma reflexão sobre questões éticas, deontológicas e sobre o exercício do direito à greve”, observou, ressalvando que não está em causa a legitimidade das reivindicações.

A outra possibilidade de recurso a meios jurídicos apontada pela tutela, é a análise pelo Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República “do exercício do direito à greve e licitude do financiamento colaborativo, entre outras questões relacionadas com a greve em causa”.

Sobre a diferença nos números relativa ao impacto da subida do salário no escalão base da carreira dos enfermeiros de 1.200 euros brutos para os 1.600 euros reivindicados pelos sindicatos, o MS reiterou as suas contas, afirmando que o custo é de 216 milhões de euros, e não os 120 milhões de euros apontados pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco.

“Este cálculo teve em conta o número de enfermeiros que à data da análise (janeiro de 2019) auferiam remuneração compreendida entre 1201,48 euros e 1613,42 euros. Neste sentido, atendendo ao diferencial encontrado, multiplicado por 14 meses e com encargos sociais incluídos, a estimativa corresponde efetivamente a 216 milhões”, defendeu a tutela.

Segundo a Ordem, esse valor dirá respeito a aumentos de salários nas várias categorias, sendo que o aumento do salário base no início de carreira significaria um impacto de 120 milhões de euros.

DGS
A Direção-Geral da Saúde justificou a mortalidade com valores acima do esperado em janeiro, apesar da intensidade moderada da...

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), que deu ontem uma conferência de imprensa com outras entidades do setor da saúde, durante o mês de janeiro até quarta-feira, dia 30, houve 12.380 óbitos, mais 660 mortes face à média do mês de janeiro dos últimos cinco anos.

O boletim semanal da gripe, ontem divulgado, revela que, na semana passada, a atividade gripal voltou a ter uma intensidade moderada, com tendência para crescer, e mortalidade "por todas as causas" com valores acima do esperado.

A diretora-geral da Saúde, Graça Feitas, explicou que janeiro, por regra, é o mês do ano em que "ocorre mais frio" e circulam mais vírus respiratórios, não só o da gripe, mas outros.

Graça Freitas esclareceu que a mortalidade "por todas as causas" tem valores acima do esperado, apesar da intensidade moderada da gripe, devido aos "dias extremamente frios" que ocorreram em janeiro.

"Mesmo na ausência de atividade gripal, o frio é fator de morte, de descompensação", disse a diretora-geral da Saúde, assinalando que são os idosos e com doenças crónicas os mais atingidos.

Apesar da "forte pressão" sobre os serviços de saúde, incluindo urgências de hospitais, a DGS considera que têm conseguido, "de um modo geral", dar resposta.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, a atividade gripal vai continuar "nas próximas semanas".

Parlamento
Os partidos com assento parlamentar concordaram ontem com a criação de uma carreira de técnicos auxiliares de saúde, apoiando...

A petição foi debatida ao mesmo tempo que um projeto de lei do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) que cria a carreira de técnico auxiliar de saúde (ou auxiliar de ação médica), tendo o Bloco de Esquerda anunciado que também já apresentou um projeto de lei nesse sentido.

No plenário o PCP a anunciou também que entregou outra iniciativa que propõe ao Governo que diligencie no sentido da criação de carreiras na administração pública, incluindo a de auxiliar de ação médica.

O PS disse acompanhar as pretensões dos peticionários e que reconhece a especificidade da carreira, acrescentando que o Governo tem feito ações concretas na defesa desses profissionais.

Na semana passada os auxiliares de ação médica fizeram uma greve e uma concentração, em protesto por não terem uma carreira específica e exigindo a criação da carreira de técnico auxiliar de saúde.

Segundo o sindicato do setor são cerca de 30 mil os profissionais com funções de auxiliar de ação médica, depois de há 10 anos a carreira ter sido extinta.

Em 2008 a categoria de auxiliar de ação médica foi incluída nas carreiras gerais do Estado com o nome de Assistente Operacional.

Ontem, no plenário da Assembleia da República, André Silva, do PAN, disse ao apresentar o projeto de lei que é necessário valorizar e dignificar os profissionais que representam 20% do Serviço Nacional de Saúde (SNS), no que foi secundado por Moisés Ferreira, do BE, que disse que sem os técnicos auxiliares de saúde o SNS não funciona e nem se fazem cirurgias.

“São profissionais de saúde e por isso devem ter uma carreira que reconheça a especificidade do seu trabalho”, disse o deputado, quando referiu que o partido apresentou também já um projeto de lei para criar a carreira.

Teresa Caeiro, do CDS-PP, disse que o partido reconhece “a relevância dos técnicos auxiliares de saúde” e que “regulamentar a profissão é fundamental”, concluindo que a iniciativa do PAN deve ser trabalhada “em sede de especialidade”.

Miguel Santos, pelo PSD, disse também que se justifica a existência de uma carreira própria, que os profissionais já tiveram.

Greve dos enfermeiros
A greve dos enfermeiros nos blocos cirúrgicos que começou ontem obrigou ao adiamento de pelo menos 261 cirurgias marcadas para...

De acordo com a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), no Hospital de Braga, durante o período da manhã foram canceladas 36 cirurgias, já no Centro Hospital do Porto a greve obrigou ao adiamento de 54 cirurgias.

Já no Centro Hospitalar Gaia/Espinho, foram adiadas 52 cirurgias, um número bastante superior ao registado no Centro Hospitalar de entre Douro e Vouga onde foram canceladas 23 cirurgias.

O Centro Hospitalar São João foi a unidade de saúde onde, de acordo com os dados provisórios da ASPE, o impacto da greve dos enfermeiros nos blocos cirúrgicos foi maior.

Segundo a mesma fonte, só durante o período da manhã, foram canceladas 96 cirurgias.

A greve dos enfermeiros em blocos operatórios de sete hospitais públicos arrancou ontem, estendendo-se até ao final de fevereiro, tendo sido convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor).

A greve abrange sete centros hospitalares: São João e Centro Hospitalar do Porto, Centro de Entre Douro e Vouga, Gaia/Espinho, Tondela/Viseu, Braga e Garcia de Orta.

No final da semana passada o Sindepor lançou um novo pré-aviso para alargar a greve a mais três centros hospitalares entre 08 e 28 de fevereiro: Centro Hospitalar de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.

Segundo os presidentes da ASPE e do Sindepor, os principais pontos que separam o Governo e os sindicatos e que não permitiram consenso nas negociações são o descongelamento das progressões na carreira e o aumento do salário base dos enfermeiros.

Comissão de Saúde
A Comissão de Saúde do parlamento da Madeira vai preparar um relatório sobre a ictioterapia - tratamento de pele com recurso a...

"É coisa rara vermos petições públicas, é sempre de louvar esta participação cívica", disse o presidente da Comissão de Saúde e Assuntos Sociais, João Paulo Marques, após uma audição com o primeiro subscritor do documento, designado "Para que a Assembleia Legislativa da Madeira recomende ao Governo da República que torne as diligências necessárias para o reconhecimento da ictioterapia como medicina complementar".

O impulsionador da petição, João Abel Gonçalves, iniciou a atividade há cinco anos e hoje explicou aos deputados que esta é a primeira iniciativa ao nível nacional para que a ictioterapia obtenha o reconhecimento do Estado.

Como argumentos de defesa, indicou o contributo que a terapia pode dar para "aliviar" o sistema regional de saúde, para complementar a medicina convencional e, por outro lado, para potenciar o turismo de saúde.

João Abel Gonçalves disse, a propósito, a que ictioperatia é particularmente eficaz no tratamento da psoríase, uma dermatose que afeta 2,2 milhões de pessoas no Reino Unido, um dos principais mercados emissores de turismo para a Madeira.

Em Portugal, a doença afeta cerca de 200 mil pessoas.

"Em cinco anos de atividade já tive resultados que mais parecem milagres", garantiu o primeiro subscritor da petição, vincando que o tratamento não tem quaisquer contraindicações.

A ictioterapia recorre ao peixe ‘garra rufa', que não tem dentes e, sendo um necrófago, alimenta-se de células mortas, segregando também uma enzima coagulante. O seu método de alimentação proporciona também micro massagens.

"Os resultados são fantásticos e tenho já visitas de fora da ilha devido ao sucesso do tratamento", disse João Abel Gonçalves aos deputados da Comissão de Saúde e Assuntos Sociais, indicando ainda que dispõe de um tanque com "dimensões únicas" na Europa e que os peixes estão devidamente certificados.

João Abel Gonçalves iniciou a atividade na sequência da crise de 2012 e contou com apoio do Instituto de Emprego para criar o negócio, onde, segundo disse, o maior desafio é manter os peixes vivos, sendo por isso um investimento com um certo grau de risco.

Boletim
A gripe em Portugal atingiu na quarta semana deste ano uma taxa de incidência de 89,3 por cada 100.000 habitantes, segundo o...

De acordo com o boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), foram reportados 23 casos de gripe pelas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), tendo sido identificado o vírus Influenza A em 21 doentes.

“Foram ainda reportados 11 casos de gripe pelas duas enfermarias que colaboraram na vigilância”, lê-se na informação, que dá conta de um valor médio da temperatura mínima do ar de 5,2 graus centígrados, a que corresponde “uma anomalia de +0,88 graus”, relativamente ao valor normal para o mês de janeiro.

Os valores apurados indicam uma atividade gripal epidémica de intensidade moderada. Para a mortalidade por todas as causas são apontados "valores acima do esperado".

No boletim, referem-se 50 casos de síndrome gripal e 56.021 pessoas no que diz respeito à população em observação.

Na semana anterior a taxa de incidência tinha sido de 48,8 por 100 mil habitantes, com uma descida acentuada em relação à primeira semana, na qual se registou uma taxa de incidência da gripe de 80,9 casos por 100 mil habitantes, com dois subtipos de vírus em circulação.

Parlamento
O PS rejeitou hoje que a nova lei de bases da saúde tenha de ser aprovada por ampla maioria e admitiu reconfirmar no parlamento...

Esta posição foi transmitida aos jornalistas pelo líder da bancada socialista, Carlos César, depois de confrontado com a possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa vetar uma Lei de Bases da Saúde que seja aprovada "por uma maioria conjuntural", ou seja, apenas por uma maioria de esquerda.

Carlos César começou por rejeitar o argumento de que a durabilidade de uma lei esteja dependente da maioria que a aprova, frisando que a atual Lei de Bases da Saúde foi aprovada há 28 anos, tendo sido apenas votada pelo PSD e CDS-PP e promulgada pelo então Presidente da República Mário Soares.

"Teremos agora no parlamento um debate livre, que não está condicionado e em que, da parte do PS, procuraremos os maiores consensos possíveis, o que é bom que aconteça. Quando esta lei for aprovada será ou não promulgada pelo senhor Presidente da República", observou o líder do grupo parlamentar socialista.

Logo a seguir, Carlos César deixou uma advertência clara: "Não se tratando certamente de uma lei que contenha inconstitucionalidades, se por acaso o senhor Presidente da República a vetar, a Assembleia da República avaliará a forma de a reconfirmar com ou sem alterações".

Questionado sobre os destinatários da mensagem que Marcelo Rebelo de Sousa deixou sobre a Lei de Bases da Saúde na sua entrevista à agência Lusa, o presidente do grupo parlamentar do PS comentou, usando o humor: "Não interpreto o pensamento do Presidente da República como interpreto o pensamento do primeiro-ministro [António Costa]".

"Portanto, erraria 10% no caso do primeiro-ministro e, aqui, no caso do professor Marcelo Rebelo de Sousa, poderia arriscar-me a errar em 90%. Mas, quando ouvi essas declarações, eu pensei - e julgo que é isso que o senhor Presidente da República pretendeu - que se estava a estimular o PSD a aproximar-se da perspetiva que os outros partidos também têm sobre a organização do nosso sistema de saúde", referiu, numa nota de ironia.

Em entrevista, divulgada na quinta-feira passada, Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou uma Lei de Bases da Saúde "fixista" e que represente "o triunfo de uma conjuntura", seja de quatro ou oito anos, contrapondo que esta deve ser "uma lei de regime".

Já na questão, em concreto, sobre um eventual veto presidencial à nova Lei de Bases da Saúde, Carlos César referiu-se ao início do processo legislativo no parlamento e defendeu que o PS, no plano político, "tomou a iniciativa de promover a baixa a comissão de especialidade do diploma do Governo, com isso arrastando todas as restantes propostas".

"O nosso objetivo foi o de iniciar um debate ao nível das comissões sem preconceitos prévios e sem condicionantes prévias, visando que se discuta com liberdade, com sentido de responsabilidade e com a procura do maior consenso possível em relação a todas as propostas em presença, incluindo as dos partidos da direita parlamentar. Mas, tal não anula as nossas convicções e os nossos valores sobre a organização do sistema de saúde no país", ressalvou o presidente do grupo parlamentar do PS.

A seguir, Carlos César referiu-se à tese sobre a inevitabilidade de um veto político caso a Lei de Bases da Saúde seja aprovada apenas por uma maioria conjuntural de esquerda na Assembleia da República.

"As leis de bases da saúde não são duradouras, ou deixam de o ser, pelo simples facto de serem votadas por um ou mais partidos, por serem votadas pela direita ou pela esquerda. A lei de bases em vigor tem 28 anos de aplicação e foi apenas votada pela direita (pelo PSD e CDS)", apontou.

Ainda em relação a um eventual veto de Marcelo Rebelo de Sousa a uma Lei de Bases da Saúde que seja apenas aprovada pela esquerda, o presidente do grupo parlamentar do PS também sustentou que ainda "não pode ser avaliado um ato do senhor Presidente da República que não cometeu".

"Não sabemos se o senhor Presidente da República vetará ou não a Lei de Bases que for aprovada. Se o senhor Presidente da República vetar a Lei de Bases que for aprovada, nós avaliaremos as razões pelas quais o faz. Evidentemente que a qualidade daqueles que votaram a favor nunca pode ser razão para mudarmos de opinião. E não tenho mais nada a dizer, porque aquilo que já disse parece-me suficientemente claro", advertiu ainda Carlos César.

Governo garante
O Ministério da Agricultura garantiu hoje que já foi retirado e destruído um lote de carne de vaca, impróprio para consumo, que...

“As autoridades nacionais desencadearam de imediato todas as diligências, tendo apreendido a totalidade do lote de carne, que foi encaminhado para destruição”, afirmou, em comunicado, o Ministério da Agricultura.

De acordo com o ministério liderado por Capoulas Santos, o alerta da chegada do lote a Portugal foi dado pela Rede de Alerta Rápido, que integra o sistema de segurança alimentar da União Europeia.

Em causa está um lote de 99 quilogramas (Kg) de carne de vaca, que chegou ao mercado português proveniente de um matadouro da Polónia, que aproveitava carcaças de animais feridos ou doentes.

O caso foi revelado, este sábado, pelo canal polaco TVN24, que transmitiu imagens de um matadouro na região de Mazóvia, a cerca de 100 quilómetros de Varsóvia, onde os funcionários retiravam feridas, tumores e sinais da carne que, posteriormente, era enviada para venda.

O Ministério da Agricultura esclareceu ainda que a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) apresentou já o relatório da situação às autoridades europeias.

Garcia Pereira
O especialista em direito do trabalho Garcia Pereira disse hoje que, cumprindo-se os serviços mínimos, não encontra qualquer...

“As restrições dos direitos, liberdades e garantias (...) têm de estar legalmente previstas, não pode haver interpretações extensivas e aplicações analógicas dessas restrições. E se não há uma lei que expressamente determine isso não é possível estar agora a construir uma interpretação normativa nesse sentido”, afirmou.

Garcia Pereira respondia à agência Lusa quando questionado sobre se haveria outra solução jurídica, que não a requisição civil, para contrariar a greve dos enfermeiros nos blocos cirúrgicos, que hoje começou, uma vez que a ministra da Saúde admitiu usar meios de reação jurídicos de resposta.

Numa entrevista a RTP na quarta-feira, a responsável pela pasta da Saúde disse equacionar usar meios jurídicos face a esta nova greve, mas pôs de parte a requisição civil, afirmando que, na atual lei da greve, essa solução não é possível se estiverem a ser cumpridos os serviços mínimos.

Contactado pela Lusa, Garcia Pereira disse concordar e recorda que o direito à greve é um direito fundamental, que está também sujeito a compressões e que “a lógica dos serviços mínimos é precisamente essa da compressão (…) para garantir a salvaguarda de outros direitos e impedir uma inutilização grave e definitiva desses mesmos direitos”.

“Ora se a ponderação que foi feita foi a de que aqueles eram os serviços que consubstanciavam a defesa desses outros direitos que não podem ser aniquilados por virtude do exercício deste [direito à greve], não vejo como, nos termos do Código do Trabalho, se possa inventar um mecanismo que vá para além daquilo que está previsto na lei”.

Reconheceu que há opiniões diversas e que há quem, mesmo nestas circunstâncias, defenda o instituto da requisição civil.

Garcia Pereira explicou que os parâmetros da requisição civil – arrolada num diploma próprio que é das leis laborais mais antigas do país, de 1974 – “parecem ser mais amplos do que os do Código de Trabalho”, o que justifica o facto de haver uma corrente de opinião que sustenta que, “se houver risco de por virtude de qualquer conduta (…) e estiver gravemente em causa o interesse público, estará legitimado o recurso à requisição civil nos termos gerais do respetivo diploma legal”.

Contudo, sublinhou, “o enquadramento dominante é o que de a greve é um direito fundamental dos trabalhadores, tem a tutela constitucional dos direitos fundamentais e isso significa que só pode ser restringida” com regras próprias.

O direito à greve “pode ser comprimido, mas as compressões dos direitos fundamentais estão sujeitas a regras constitucionais próprias e as restrições a esses direitos têm de estar expressamente previstas na lei”.

Relativamente à greve, continuou, “não temos nenhuma norma que expressamente preveja a possibilidade da requisição civil quando os serviços mínimos estão a ser pontual e rigorosamente cumpridos”, logo, "uma interpretação que pretenda impor uma restrição que não está expressamente prevista será inconstitucional”.

Em Coimbra
Quatro docentes da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra integram um consórcio luso-brasileiro que está a...

O projeto de investigação obteve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do [Estado brasileiro] do Maranhão (FAPEMA), estendendo-se até junho de 2020.

Até 07 de fevereiro, a equipa de trabalho está reunida em Coimbra, para realizar as primeiras análises laboratoriais. O objetivo é desenvolver um tratamento inovador para as feridas da pele provocadas pela diminuição de circulação sanguínea, denominadas úlceras de pressão.

As úlceras de pressão são habitualmente tratadas com hidrocolóides - pensos que fazem a regeneração da pele e que são produzidos com "material de alto custo", explica Ana Angélica Macêdo, coordenadora do projeto e docente do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), no Brasil.

O objetivo do consórcio passa por encontrar uma solução mais económica, através da extração de polissacarídeo da semente Adenanthera pavonina L., acrescenta a investigadora.

"O objetivo principal, é o de que, no final, tenhamos um produto inovador e eficaz para úlceras de pressão para patentear e comercializar", assume.

Só no final da investigação será possível quantificar a poupança que este método representa, mas a utilização de "material vegetal biodegradável, abundante e de baixo custo" permite antecipar que os custos de produção serão reduzidos comparativamente aos métodos existentes, garante a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, em nota enviada hoje à agência Lusa.

O projeto "Preparação e Caracterização de Hidrocolóide obtido a partir de Galactomanana Reticulada para Aplicações em Úlceras de Pressão" reúne uma equipa de especialistas multidisciplinar, composta por três docentes brasileiros (do IFMA e da Universidade Federal do Maranhão), cinco estudantes bolseiros provenientes das instituições brasileiras e quatro docentes da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC): Ana Paula Fonseca e Jorge Balteiro (Departamento de Farmácia), Fernando Mendes (Ciências Biomédicas Laboratoriais) e Filipe Amaral (Ciências Complementares).

"Este consórcio caracteriza bem a investigação científica nos dias de hoje: multidisciplinar e transnacional, com diferentes conhecimentos, competências e aptidões a trabalharem em conjunto para encontrar soluções para problemas na área da saúde e com forte impacto no individuo e na sociedade", resume o investigador português Fernando Mendes.

Brexit no topo da agenda
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, foi eleito por unanimidade presidente da FEDCAR –...

Trata-se de uma organização que reúne ordens, associações e outras entidades que regulam, registam e supervisionam a medicina dentária e é composta por 22 membros de 21 países europeus.

A saída do Reino Unido da União Europeia é o principal desafio deste início de mandato para Orlando Monteiro da Silva, “a FEDCAR está muito preocupada com a possibilidade de haver uma saída sem acordo. Há milhares de médicos dentistas de variados países a exercer no Reino Unido, só Portugal tem perto de mil, nem todos estão em condições de ficar, sendo que não menos importante salvaguardar sempre a situação do acompanhamento dos doentes e o contexto da situação laboral dos profissionais. A FEDCAR, em colaboração com outras organizações ligadas ao sector da saúde, tem exigido a criação de um quadro legal entre a União Europeia e o Reino Unido que garanta que os profissionais continuem a beneficiar de oportunidades conjuntas de treino e formação, com o reconhecimento automático das qualificações”.

“Outra preocupação” sublinha o presidente da FEDCAR “é a necessidade de manter a cooperação na regulação de medicamentos e dispositivos médicos para que os doentes continuem a aceder a tratamentos e medicamentos de última geração. Tem-se falado muito nas implicações económicas do Brexit, mas as questões da saúde devem ter prioridade e têm de ser acauteladas. Há que prevenir que uma saída desordenada ponha em causa a saúde pública. É essencial garantir um acordo de reciprocidade nesta área que permita a manutenção de condições iguais de tratamento para os cidadãos britânicos e dos países membros da União Europeia”.

Orlando Monteiro da Silva, que até aqui era vice-presidente da FEDCAR, explica a importância desta estrutura para os profissionais europeus da saúde oral: "Grande parte das decisões que afetam as profissões, em particular a nossa medicina dentária, tem origem em legislação da União Europeia. Nenhuma Ordem ou associação profissional é suficientemente forte para se fazer ouvir de forma eficaz ao nível das instituições comunitárias. Daí que o FEDCAR, com as ordens, reguladores dos profissionais, como entidades competentes, seja fundamental para que a posição de todos seja devidamente considerada. A presidência do FEDCAR vai reforçar a posição da Ordem dos Médicos Dentistas e fazer ouvir mais alto os desafios da medicina dentária portuguesa no contexto europeu."

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) salienta como prioridades da sua presidência “o acompanhamento da implementação da diretiva do Reconhecimento Mútuo das Qualificações Profissionais, a regulação ao nível europeu da publicidade em medicina dentária e os processos de acreditação dos estudos de medicina dentária na Europa, num dossier que em participam ainda associações de ensino e de estudantes e o Conselho Europeu de Dentistas”.

Orlando Monteiro da Silva recorda que “a FEDCAR promove posições conjuntas dos seus membros perante o legislador da União Europeia e a partilha de informação no âmbito da regulamentação da profissão, procurando ainda fomentar iniciativas legislativas a nível dos 27 na deteção de lacunas que afetam a regulação da profissão”.

Criada em 2004 e com sede em Bruxelas, a FEDCAR tem por objetivos garantir a segurança dos doentes, promover elevados padrões de regulação e cuidados de medicina dentária na Europa e assegurar a mobilidade dos profissionais de medicina dentária no espaço comunitário.

A OMD é membro da FEDCAR desde 2015.

ESEnfC/ UICISA
Investigadores da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, acolhida pela Escola Superior de Enfermagem de...

Com este instrumento, os profissionais de saúde poderão desenvolver programas de intervenção adaptados às necessidades dos cidadãos de idade avançada, contribuindo para a promoção de estilos de vida saudáveis, aumento da literacia em saúde e bem-estar dos idosos.

Coordenado pelo Instituto de Saúde Carlos III, de Madrid, e com a colaboração do Laboratório de Cronobiologia da Universidade de Múrcia, o projeto ModulEn desenvolve-se na área do envelhecimento ativo, um dos tópicos de investigação prioritários definidos pela Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E).

Para o estudo em desenvolvimento, estão a ser selecionados 640 idosos de três regiões espanholas – Corunha, Huelva e Ponterrada (León) – e da região de Coimbra, em Portugal.

Estes idosos não institucionalizados, com idades compreendidas entre os 65 e os 80 anos de idade e que não apresentam declínio cognitivo moderado ou severo, estão a utilizar sensores de pulso (ACM KRONOWISE® 2.0) que, durante 7 a 10 dias, em contexto de ambulatório, recolhem dados sobre padrões de sono, exposição à luminosidade, hábitos alimentares e de atividade física.

Os dados são, depois, enviados ao laboratório de cronobiologia que, por sua vez, emitirá um relatório sobre o estado de saúde dos participantes, ao qual estes terão acesso, assim como a alguns conselhos em saúde para melhorarem os respetivos estilos de vida.

Concluída a colheita de dados, o Instituto de Saúde Carlos III criará um algoritmo que, em função de alguns indicadores, permitirá predizer a fragilidade das pessoas nesta faixa etária.

O presente estudo, em execução até final de 2019, é financiado pelo Centro Internacional sobre o Envelhecimento (CENIE), no âmbito do programa de cooperação INTERREG Espanha-Portugal, cujas despesas são suportadas pelo FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

O CENIE constitui a primeira iniciativa promovida conjuntamente por dois organismos de Espanha (Fundação Geral da Universidade de Salamanca e Fundação Geral do Conselho Superior de Investigações Científicas) e dois de Portugal (Universidade do Algarve e Direção-Geral da Saúde).

“Saúde circadiana, atividade física e padrão de hábitos alimentares como preditores de fragilidade: dados da população portuguesa” é o título do projeto associado através do qual a ESEnfC integra o projeto ModulEn (projeto principal).

João Alves Apóstolo (coordenador em Portugal), Maria de Lurdes Almeida, Isabel da Assunção Gil, Adriana Neves Coelho, Vitor de Oliveira Parola, Luísa Teixeira Santos, Elżbieta Bobrowicz-Campos e Filipa Daniela Couto são os docentes e investigadores da ESEnfC e da UICISA: E envolvidos neste trabalho.

Perguntas e respostas
Enfermeiros dos blocos operatórios de sete hospitais públicos iniciaram hoje uma greve às cirurgias programadas que dura até...

Trata-se da segunda “greve cirúrgica”, como tem sido denominada pelos profissionais, depois de uma primeira paralisação idêntica em cinco grandes hospitais, que durou de 22 de novembro a 31 de dezembro, tendo levado ao cancelamento ou adiamento de quase oito mil cirurgias.

As duas greves foram convocadas por duas estruturas sindicais, embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou publicamente recolhas de fundos para compensar os colegas grevistas que ficam sem ordenado por aderir à paralisação. Ao todo, para as duas greves, recolheram mais de 740 mil euros.

O modelo de greve é considerado inédito em Portugal, não só devido à sua duração como pela criação de um fundo de recolha de dinheiro para financiar os grevistas.

A greve que hoje começou na prática estava prevista para ter início a 18 de janeiro, mas os sindicatos suspenderam-na por quererem continuar a negociar com o Governo, negociações que quarta-feira terminaram sem consenso.

Quando e onde é a greve?
A greve começou hoje às 08:00 e prolonga-se até ao dia 28 de fevereiro. O pré-aviso determina que a greve deveria ter começado no dia 18 de janeiro, mas a paralisação esteve suspensa até quarta-feira, porque decorriam reuniões de negociação com o Governo.

Até dia 07 de fevereiro, o pré-aviso abrange sete centros hospitalares: Centro Hospitalar S. João (Porto), Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, Gaia/Espinho, Tondela/Viseu, Braga e Garcia de Orta.

Entre dia 08 e 28 de fevereiro a greve decorre também no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.

A greve é só nos blocos operatórios?
O pré-aviso de greve abrange todos os enfermeiros dos centros hospitalares referidos. Mas o movimento de enfermeiros que fez recolha de fundos para financiar os grevistas indica que a verba só fica garantida para os profissionais do bloco operatório desses hospitais.

Quem decretou a greve?
A paralisação foi decretada por dois sindicatos: Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) e Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).

A ideia da primeira greve e a criação de um “fundo solidário” partiu de um movimento espontâneo de profissionais que se auto denomina “Movimento Greve Cirúrgica”

Todas as cirurgias serão canceladas?
São afetadas as cirurgias programadas, dependendo da quantidade de enfermeiros que aderem à greve. A paralisação pode afetar até algumas cirurgias oncológicas com menor grau de prioridade. Contudo, as operações consideradas urgentes serão sempre realizadas, porque há serviços mínimos a cumprir, como em qualquer greve no setor da saúde.

Serviços mínimos
Há serviços mínimos decretados para esta greve, como qualquer outra no setor da saúde. Na primeira greve cirúrgica, os enfermeiros foram até além do que está estabelecido nos serviços mínimos, por acordo com os hospitais.

Os serviços mínimos estabelecidos para estas greves prolongadas às cirurgias foram já criticados pela Ordem dos Médicos e pela Associação dos Administradores Hospitalares, que os consideram insuficientes.

Que impactos podem ter a greve?
A primeira greve, que durou mais de um mês e decorreu em cinco hospitais, levou ao cancelamento de quase 8.000 cirurgias.

Das cirurgias que foram adiadas, o Ministério da Saúde diz que foi possível realizar já 45% até ao final deste mês.

O que diz o Ministério da Saúde?
A ministra da Saúde, Marta Temido, equaciona usar meios jurídicos face à nova greve dos enfermeiros, por entender que levanta “um aspeto muito sério sobre questões éticas e deontológicas”.

A greve é lícita?
Aquando do primeiro período de greve, no final do ano passado, o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República considerou que é lícita a convocatória da greve dos enfermeiros, mas alertou que caso caiba a cada enfermeiro decidir o dia, hora e duração da greve, o protesto é "ilícito".

Esta é a conclusão de um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitado pelo Ministério da Saúde e que só o divulgou parcialmente.

Sobre a possibilidade de recorrer à requisição civil, a ministra da Saúde tem afastado essa hipótese, considerando até que é uma “opção extrema” e que só se usa quando não há cumprimento de serviços mínimos.

Porquê blocos de cirurgia de centros hospitalares?
O movimento de enfermeiros que impulsionou a greve às cirurgias afirma que cancelando e adiando cirurgias isso causará “constrangimentos económicos ao Estado”.

Segundo dados divulgados pelo jornal Público, a primeira greve teve um impacto de pelo menos 12 milhões de euros em quatro dos cinco hospitais onde se realizou.

Como foi feita a recolha de donativos para apoiar os enfermeiros que façam greve?
O movimento “greve cirúrgica” criou, através de uma plataforma na Internet, uma recolha de fundos. Para a primeira greve foram recolhidos mais de 360 mil euros. Para a greve que hoje começa, os enfermeiros conseguiram mais de 420 mil euros.

A quem se destina o dinheiro?
O fundo serve para financiar os enfermeiros dos blocos que adiram à paralisação. Serão dados 42 euros por cada dia de greve que seja descontado do vencimento. Segundo a página criada pelo movimento, o dinheiro será transferido para a conta dos enfermeiros nos dias seguintes à entrega da folha de vencimento onde estejam discriminados os dias em que o profissional fez greve.

O que reivindicam os enfermeiros?
Os enfermeiros têm apresentado queixas constantes sobre a falta de valorização da sua profissão e sobre as dificuldades das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde. Lembram que os enfermeiros levam para casa menos de mil euros líquidos por mês e que cumprem muitas horas extraordinárias que não lhes são pagas.

Os sindicatos conseguiram chegar a acordo com o Governo quanto à criação de uma carreira com três categorias, incluindo a de enfermeiro especialista. Contudo, não houve consenso quanto ao descongelamento das progressões para todos os profissionais, quanto ao aumento do salário base (atualmente de 1.200 euros brutos) e quanto à antecipação da idade da reforma.

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