Conheça a patologia

Todos os anos nascem cerca de 40 crianças com Fibrose Quística em Portugal

Em Portugal, estima-se que, todos os anos, nasçam entre 30 a 40 crianças com Fibrose Quística - uma doença genética e hereditária que afeta cerca de 60 mil pessoas em todo o mundo. No âmbito do Dia Europeu da Fibrose Quística, que se assinala todos os anos a 21 de Novembro, a especialista em pneumologia, Susana Lopes Moreira, dá-lhe a conhecer quais os sintomas e tratamentos associados a esta patologia.

O que é?

A Fibrose Quística, também designada de Mucoviscidose, é a doença genética e hereditária mais frequente na raça caucasiana, com uma incidência na população europeia de 1 em cada 2000-3000 nascimentos ano. Em Portugal, a incidência é de 1/6000 novos casos de recém-nascidos, por ano.

A transmissão de pais para filhos é autossómica recessiva, ou seja atinge de igual forma o sexo feminino e masculino e para ocorrer doença é necessário a transmissão do gene mutado (com alteração do material genético) pelos dois progenitores.

O gene responsável pela doença, localizado no cromossoma 7, pode sofrer centenas de mutações. Actualmente, conhecem-se mais de 1700 mutações capazes de provocar doença, a mais frequente é a mutação F508del.

Este gene (gene da CFTR) é responsável pela produção de uma proteína (CFTR), que funciona como um canal da membrana celular que permite o transporte dos iões cloreto e sódio. Na FQ este canal tem um funcionamento anómalo, o que determina alteração nos órgãos onde se encontra em maior número.

Como se manifesta?

A Fibrose Quística é uma doença multissistémica e progressiva, que compromete o funcionamento de órgãos como o pulmão, intestinos, fígado, pâncreas, aparelho reprodutor e pele (glândulas sudoríparas).

Existe uma grande variabilidade nos sintomas e na gravidade da doença, que pode expressar-se no recém-nascido com gravidade ou ter sintomas ligeiros e apenas ser diagnóstica na vida adulta.

No pulmão, a doença determina um aumento da viscosidade das secreções que conduz à obstrução das vias áereas, à infecção e inflamação crónicas, ao aparecimento de bronquiectasias e consequente degradação da função pulmonar e lesão pulmonar irreversível.

A colonização e infecção das bronquiectasias por bactérias e fungos são uma característica da Fibrose Quística, que motivam frequentemente o internamento hospitalar.

O envolvimento do aparelho digestivo ocorre a vários níveis. No pâncreas, o défice das suas enzimas, determina uma alteração variável da digestão e absorção dos alimentos. Os sintomas incluem diarreia de fezes abundantes, gordurosas e fétidas; dor e distensão abdominal. Uma complicação temível é a oclusão intestinal.

Com o crescimento, ocorre uma diminuição da produção da insulina e instala-se diabetes secundária à fibrose quística.

Em relação ao aparelho reprodutor, no sexo masculino a infertilidade ocorre em cerca de 98% dos doentes.

Quando suspeitar de Fibrose Quística?

Os sinais e sintomas podem aparecer no recém-nascido, na infância ou mesmo na idade adulta. O diagnóstico é difícil e por vezes tardio em relação aos sintomas. A hipótese diagnóstica deve ser colocada perante os seguintes quadros:

1-Íleus meconial

2-Oclusão intestinal

3-Infecções respiratórias de repetição

4-Tosse produtiva crónica

5-Atraso de crescimento

6-Bronquiectasias

Como se diagnostica?

Perante a suspeita clínica, o exame de primeira linha é o teste do suor. Trata-se de um teste simples e indolor que se destina à quantificar  o ião cloreto no suor. A presença de níveis elevados deste ião implica a realização de um estudo genético para pesquisa de mutações do gene CFTR.

Em 2013, a FQ foi incluído no Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (“teste do pezinho”), com o objectivo  de diagnosticar precocemente a doença e evitar tanto quanto possível as suas complicações.

Como se trata?

Não existe cura para a FQ. O tratamento visa minimizar o impacto da doença nos órgãos mais atingidos, nomeadamente no pulmão.

Um ponto fundamental no tratamento pulmonar é a mobilização e drenagem de secreções; a redução da infecção/colonização bacteriana com recurso a antibióticos inalados, orais ou endovenosos.

A vacinação, nomeadamente a vacinação contra a gripe e antipneumocócica, é também uma recomendação nesta patologia.

Quando o compromisso pulmonar determina uma sobrevida inferior a dois anos, e depois de esgotada a restante terapêutica, os doentes podem ser referenciados para transplante pulmonar.

Em relação ao tubo digestivo, o regime terapêutico inclui complementos enzimáticos, dieta hipercalórica, suplementos de vitaminas liposolúveis e nutricionais. Quando ocorre falência hepática grave os doentes são referenciados para transplante hepático.

Com os avanços terapêuticos que ocorreram nos últimos anos, estima-se que para os doentes nascidos na década de 90, a sobrevida média seja os 40 anos.

Existe alguma associação para doentes com FQ?

Existem em todos o mundo múltiplas associações de apoio aos doentes e famílias com FQ. Em Portugal, existe a Associação Nacional de FQ – ANFQ e também a Fundação do Pulmão.

Associação Nacional de FQ

Rua Bernarda Ferreira de Lacerda, nº1 – r/c esquerdo

1700-059 Lisboa

Tel: 217993837/8

Email: [email protected]

Site: www.anfq.pt

Fundação Portuguesa do Pulmão

Rua Presidente Wilson, nº6 – 1º Esquerdo

1000-249 Lisboa

Tel: 211952187

Email: [email protected]

Site: www.fundacaoportuguesadopulmao.org

Dra. Susana Moreira - Pneumologista Hospital Lusíadas Lisboa
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
ShutterStock

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO NOME DO MEDICAMENTO: Microlax, 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml, Solução rectal e Microlax, 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml, Solução rectalCOMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Composição por microclister: Citrato de sódio: 450 mg ou 270 mg; Laurilsulfoacetato de sódio 45 mg ou 27 mg. Excipiente q.b.p.: 5 ml ou 3 ml. FORMA FARMACÊUTICA: Solução rectal (enema). A solução é viscosa, incolor e contém pequenas bolhas de ar incorporadas. INFORMAÇÕES CLÍNICAS – Indicações terapêuticas: Tratamento sintomático da obstipação rectal ou recto-sigmoideia; Encopresis; Obstipação durante a gravidez, obstipação associada ao parto e cirurgia (uso pré e pós­operatório); Preparação do recto e sigmóide para exames endoscópicos. Posologia e modo de administração: Adultos e crianças de idade superior a 3 anos: Administrar o conteúdo de uma bisnaga por dia. Na obstipação marcada pode vir a ser necessária a aplicação do conteúdo de duas bisnagas. Crianças até 3 anos: Na maioria dos casos é suficiente uma bisnaga de Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml. Modo e via de administração: 1. Retirar a tampa da cânula (Microlax a 270 mg/3 ml + 27 mg/3 ml) ou quebrar o selo da cânula (Microlax a 450 mg/5 ml + 45 mg/5 ml). 2. Comprimir ligeiramente a bisnaga até aparecer uma gota na extremidade da cânula. 3.Introduzir a cânula no recto. 4.Comprimir completamente a bisnaga. 5.Retirar a cânula, mantendo a bisnaga comprimida. Contra-indicações:Hipersensibilidade às substâncias activas ou a qualquer dos excipientes. Advertências e precauções especiais de utilização: Recomenda-se evitar a utilização de Microlax no caso de pressão hemorroidária, fissuras anais ou rectais e colites hemorrágicas. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção: Não foram realizados estudos de interacção. Efeitos indesejáveis: Doenças gastrointestinais: Frequência desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis): Como em relação a todos os medicamentos do género, um uso prolongado pode originar sensação de ardor na região anal e excepcionalmente rectites congestivas. DATA DA REVISÃO DO TEXTO: Janeiro de 2009. Para mais informações deverá contactar o titular de Autorização de Introdução no Mercado. Medicamento não Sujeito a Receita Médica.