Estudo financiado pelo LabEx DRIIHM
Um estudo que pretende perceber o impacto dos contaminantes industriais na infertilidade feminina, de modo a que, no futuro,...

É já o segundo financiamento consecutivo – no total de 30 mil euros – atribuído por esta instituição francesa, que agrega 13 observatórios dedicados ao estudo da interação Homem-Ambiente a nível mundial, à equipa do CNC para o estudo da infertilidade.

Sabendo-se que o aumento do risco da exposição a contaminantes industriais tem um impacto severo na fertilidade das populações suscetíveis aos mesmos, este estudo, com a duração de dois anos, vai centrar-se na avaliação do potencial reprodutivo das mulheres que vivem e/ou trabalham em Estarreja, cidade do distrito de Aveiro que possui o segundo maior complexo químico português, e onde já anteriormente foram descritos incidentes de contaminação por metais pesados.

“Considerando o aumento do risco de exposição devido ao crescimento industrial a que assistimos nas últimas décadas, tornou-se preponderante avaliar o potencial reprodutivo dos habitantes/trabalhadores de áreas fortemente industrializadas, principalmente se existe história local de contaminação, como no caso de Estarreja”, fundamenta a investigadora Renata Tavares.

“Com a informação obtida neste projeto não só pretendemos perceber se o potencial reprodutivo feminino nesta área será afetado, como ajudará a entender se será necessário monitorizar outros locais semelhantes em Portugal. Este projeto poderá ainda salientar a necessidade da implementação de medidas mais urgentes para o decréscimo de contaminação/poluição em Portugal, bem como a nível mundial”, clarifica.

A investigadora do CNC refere ainda que este projeto vai também contribuir para “a descoberta de novos mecanismos de ação destes contaminantes e com isto o desenvolvimento a longo prazo de estratégias para atenuar/tratar a infertilidade feminina”.

Além de Renata Tavares, participam no projeto Ana Paula Sousa, Maria Inês Alfaiate e Maria Soares, também investigadoras do CNC, e ainda João Ramalho-Santos, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e Teresa Almeida-Santos, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

Ensaio ARAMIS
De acordo com o Estudo ARAMIS, a darolutamida melhora significativamente a sobrevivência global (SG) e atrasa...

Resultados publicados anteriormente do estudo ARAMIS demonstraram uma melhoria significativa no endpoint primário de eficácia da sobrevivência livre de metástases (SLM), com uma mediana de 40,4 meses para darolutamida mais terapêutica de privação androgénica (TPA) em comparação com 18,4 meses para placebo mais TPA (p <0,001); no entanto, os dados de SG ainda não estavam consolidados no momento da análise da SLM.

“Os homens com CPRCnm normalmente não apresentam sintomatologia. Ao selecionar um tratamento para estes doentes, o meu objetivo como clínico é melhorar a sua sobrevivência global, limitando os efeitos secundários e as interações medicamentosas”, afirmou Karim Fizazi, MD, Ph.D., professor de medicina do Institut Gustave Roussy, Villejuif, França. “Estes dados aumentam a evidência crescente da darolutamida como uma opção de tratamento eficaz, com um perfil de segurança favorável que prolonga a vida dos doentes e atrasa os sintomas e morbilidades do cancro, sem interromper as suas atividades diárias.”

Análise final da SG apresentada no Programa Científico Virtual da ASCO

Os homens que receberam darolutamida mais TPA demonstraram uma melhoria significativa na SG em comparação com placebo mais TPA, com uma redução de 31% no risco de morte (HR = 0,69, IC 95% 0,53-0,88; p = 0,003).

A darolutamida tem uma estrutura química distinta e inibe o crescimento das células do cancro da próstata, limitando o peso dos efeitos secundários na vida quotidiana dos doentes. Com seguimento num período de tempo maior, o perfil de segurança da darolutamida permanece favorável, permitindo que os homens com CPRCnm continuem a sua vida diária sem interrupções. Consistente com os resultados da análise primária notificados anteriormente, a darolutamida mais TPA demonstraram uma tolerabilidade favorável confirmada por uma análise de segurança a longo prazo em comparação com TPA isoladamente, sem aumentos clinicamente relevantes nas taxas de hipertensão, quedas ou efeitos no sistema nervoso central (SNC). Na análise de seguimento dos endpoints secundários, todos os endpoints secundários foram estatisticamente significativos. O tratamento com darolutamida mais TPA atrasou significativamente o tempo até à progressão da dor, o tempo até ao início da primeira quimioterapia citotóxica e o tempo até ao primeiro evento esquelético sintomático (SSE) versus placebo mais TPA.

A darolutamida já se encontra indicada para o tratamento de homens com CPRCnm, com alto risco de desenvolver doença metastática. As aprovações desta sustância ativa na União Europeia (UE), EUA, Austrália, Brasil, Canadá e Japão foram baseadas nos dados do principal estudo, ARAMIS que avalia a eficácia e a segurança da darolutamida mais TPA em comparação com placebo mais TPA.

Campanha Maio, Mês do coração
No mês dedicado à sensibilização para as doenças do coração, a Fundação Portuguesa de Cardiologia está a promover uma campanha...

Na imagem da campanha pode ver-se um telemóvel à frente da boca das pessoas, como se de uma máscara se tratasse, lembrando o quão importante é a adoção de comportamentos de segurança. Por outro lado, a Fundação Portuguesa de Cardiologia quer passar uma mensagem de incentivo para que as pessoas não se isolem no que se refere às suas saudades e demonstrem os seus afetos “digitalmente”, protegendo o coração da Covid-19.

“Esta campanha pretende passar uma mensagem a todos os doentes cardiovasculares, que fazem parte do grupo de risco, mas também a toda a população no geral. Todas as pessoas devem seguir escrupulosamente as orientações das autoridades de saúde, nomeadamente o distanciamento social, mas acreditamos que os afetos são muito importantes nesta fase. Quem tem problemas cardiovasculares não deve facilitar, mas pode e deve reforçar a proximidade digital para matar saudades das pessoas que mais gosta”, sublinha Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Luís Negrão, assessor médico da Fundação Portuguesa de Cardiologia, relembra que “os doentes não devem descurar as medidas de segurança. Devem utilizar a máscara, respeitar o confinamento e o distanciamento social, mas também nada impede a manifestação de afetos, ternura e carinho através de um computador, tablet ou telemóvel. Os afetos também são amigos do coração”.

Opinião
As Doenças Inflamatórias do Intestino (DII) são doenças crónicas que afetam sobretudo os adultos jov

As duas principais DII são: a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa. A primeira, pode afetar qualquer segmento do tubo digestivo, enquanto que a colite ulcerosa, afeta somente o intestino grosso. Estima-se que existam cerca de 15000 doentes com DII em Portugal e, sobretudo para a doença de Crohn, a sua incidência tem vindo a aumentar, de forma marcada, nas últimas 2 décadas. Estas doenças podem ser muito incapacitantes pelas queixas associadas diarreias cronicas, perda de peso, e grande cansaço associado a atividade da doença.

Felizmente surgiram, durante as últimas 2 décadas, tratamentos inovadores que revolucionaram, por completo, a história natural da doença. São os tratamentos imunossupressores e biológicos, que tornaram possível que doentes jovens com doenças agressivas e crónicas, medicados com corticoides e submetidos a cirurgias frequentes com remoção do intestino, possam hoje ser medicados com estes novos fármacos que, na maioria das vezes, controlam a atividade da doença, reduzindo de forma marcada a necessidade de cirurgia.

Assim, a maioria destes doentes pode hoje levar uma vida quase normal. E dizemos quase normal pois, embora tenham as suas principais queixas controladas, como seja a diarreia e o emagrecimento, nas análises não apareça anemia e os exames endoscópicos realizados mostrem uma cicatrização da mucosa intestinal, existem aspetos escondidos da vida destes doentes que em muito afetam a sua qualidade vida e que, infelizmente não são, muitas vezes, valorizados pelos médicos.

Uma destas áreas escondidas pode ser o acesso ao mundo do trabalho e a sua performance, a sua progressão profissional, tão importante para esta população jovem em início de carreira.

Assim, diversos estudos demonstraram que estes doentes têm maior absentismo que a população em geral, bem como presentismo, termo que se refere a indivíduos que estão no seu local de trabalho, mas com menos produtividade. Tudo isto são custos indiretos para a economia, raramente valorizados, ao contrário dos custos diretos em relação sobretudo com os custos da medicação. Para além desta menor produtividade se refletir em custos indiretos, também vai ter, seguramente, impacto em dois aspetos fundamentais: um relacionado com os empregadores, que vão tender a estigmatizar estes doentes e a dar-lhes menos oportunidades e, o segundo, prende-se com a menor qualidade de vida do doente. Ambos os aspetos necessitam de ser reconhecidos e trabalhados pelos médicos assistentes dos doentes. Os clínicos tendem a focar-se sobre aspetos objetivos da doença, mas outros aspetos, tão ou mais relevantes, para a qualidade de vida do doente, são muitas vezes, pouco valorizados pelos médicos.

O cansaço é uma das queixas que mais se relaciona com o absentismo e presentismo, muito frequentemente referida pelos doentes e, infelizmente muitas vezes desvalorizada pelo clínico, pelo seu carater subjetivo.

Por outro lado, se a atividade e manifestações da doença são os fatores principais, relacionados com a menor produtividade no trabalho, também existem outros fatores cujo controlo é mais fácil e pode facilitar, em muito, a vida do empregado e do empregador. São aspetos relacionados com a frequência das consultas, as horas das mesmas, as horas dos tratamentos que, por vezes podem ser postos no início ou no final do dia não causando assim tanto prejuízo a nível laboral. A hipótese das teleconsultas e das receitas eletróncias tão utilizada agora, em termos de pandemia, já devia ter entrado há muito no seguimento destes doentes.

Vamos, pois, aproveitar este dia mundial da DII para pensarmos nestes aspetos, muitas vezes relegados para segundo plano, e que podem fazer toda a diferença na qualidade de vida destes doentes. Os médicos em particular e a sociedade civil em geral têm de estar atentos a estes aspetos.

Façamos as adaptações necessárias para estes doentes crónicos melhorem o seu desempenho laboral na sociedade. É importante para eles doentes e para a sociedade. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia está e estará empenhada nisso!

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Testes gratuitos e anónimos
A Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS) associa-se a vários países europeus e outras organizações para participar na Semana...

A Semana Europeia do Teste da Primavera tem como objetivo relembrar toda a comunidade que as infeções por VIH, hepatites virais, sífilis e outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), requerem a continuidade de respostas adequadas por parte dos serviços em tempos de pandemia COVID-19. Este ano, a campanha reafirma a importância da partilha de experiências adquiridas na área do VIH, hepatites virais e infeções sexualmente transmissíveis, para que se possa trabalhar em conjunto numa resposta à covid-19.

Maria Eugénia Saraiva, Presidente da LPCS, salienta que “é importante garantir o acesso aos rastreios do VIH, hepatites virais e outras IST, mas também dos tratamentos e serviços com especial atenção às populações mais vulneráveis. Relembro que - Prevenir, Testar e Tratar - são respostas essenciais e que as pessoas vulneráveis devem ser apoiados principalmente em tempos de pandemia. Por isso, é fundamental que se faça o teste. A LPCS está consciente que este retomar à nova normalidade, requer condições especiais de proteção aos utentes que nos procuram e por isso privilegia a marcação dos rastreios por telefone (através do número 911500071) de forma a podermos informar previamente dos procedimentos adequados.

A Unidade Móvel de Rastreio “Saúde + Perto” estará nos dias 15 e 18 de maio em Lisboa, na Praça de Entrecampos e no Bairro de Santos. De 19 a 20 de maio ficará por Odivelas e nos restantes dias, 21 e 22 de maio, em Loures. Os Centros de Atendimento e Apoio Integrado em Lisboa e Odivelas estarão igualmente disponíveis para realizar os rastreios, informar e orientar sobre a melhor forma de nos protegermos, distribuindo materiais preventivos (preservativos masculinos e femininos) e informação a todos.

 

 

Cirurgia
O Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil (IPO de Coimbra) retomou esta segunda-feira a capacidade das...

O IPO de Coimbra prevê que seja feito, de forma gradual, o reagendamento de toda a atividade assistencial e o alargamento do período de funcionamento do ambulatório, nomeadamente de consultas e exames.

No início do mês, retomou a realização de rastreios e vai manter a opção por consultas não presenciais, sempre que considerado clinicamente adequado, de modo a evitar deslocações desnecessárias dos doentes.

Segundo fez ainda saber, a realização de tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia) esteve sempre assegurada em pleno durante este período da pandemia da Covid-19.

O IPO anuncia ainda que vai efetuar o agendamento da atividade com hora marcada e promover a formação com recurso a videoconferências e outras soluções informáticas.

Nas instalações, foram adotadas medidas técnicas e organizacionais que garantam o distanciamento físico e a proteção dos profissionais e doentes, com a reestruturação das equipas e o desfasamento dos horários de trabalho, no sentido de otimizar a gestão do espaço físico e dos recursos humanos.

A somar a estas medidas, vai existir um reforço da higienização dos espaços físicos e equipamentos.

“O IPO de Coimbra continuará, como sempre, a trabalhar no sentido de proporcionar a todos os profissionais e doentes as melhores condições possíveis, para que, em conjunto, ultrapassemos com orgulho o momento difícil que o país e o mundo atravessam”, garante a instituição.

 

Centro de Estágio europeu
O Serviço de Medicina Física do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) recebeu a valência de centro de estágio...

De acordo com o Diretor do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do CHUSJ “trata-se do primeiro serviço da especialidade em Portugal a obter este reconhecimento europeu da qualidade global de uma unidade da saúde”.

“A partir de agora, o serviço acolherá médicos nacionais e internacionais para receberem formação reconhecida pela União Europeia (EU). De momento, existem no serviço quatro médicos especialistas reconhecidos pelo European Board of Physical and Rehabilitation Medicine e um com o título de formador”, explica o responsável.

O European Board of Physical and Rehabilitation Medicine é um órgão da secção de médicos especialistas em Medicina Física e Reabilitação da UE que tem por função validar certificações de médicos especialistas, médicos formadores, bem como centros de formação de médicos especialistas.

 

Orientações DGS
A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu uma orientação sobre os cuidados a prestar ao recém-nascido na maternidade em contexto de...

O documento determina ainda que quando a mãe é um caso confirmado ou suspeito de SARS-CoV-2, o parto deve ocorrer num bloco de partos dedicado a casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, onde só podem estar presentes os elementos estritamente necessários.

A orientação estabelece ainda os procedimentos a adotar caso o recém-nascido tenha um teste positivo ou negativo. Se estiver clinicamente estável e assintomático, o bebé pode ter alta acompanhando a mãe ou ficar a cargo de outro cuidador, que deverá estar saudável.

Segundo a orientação, a opção do contacto pele-a-pele e alojamento após o parto (separação temporária ou alojamento conjunto) “deve ser feita caso a caso, numa decisão partilhada entre a mãe e a equipa dos profissionais de saúde, a qual deve ponderar: a condição clínica da mãe e do recém-nascido, o desejo de amamentar, os recursos existentes para separar o recém-nascido e as condições existentes para um alojamento conjunto em segurança”.

Algumas mães positivas podem não querer assumir o risco potencial de transmissão horizontal de SARS-CoV-2 com o contacto pele a pele após o nascimento, pelo que essa decisão deve ser respeitada. “Se a mãe, devidamente esclarecida, pretender contacto pele-a-pele, deve cumprir higiene rigorosa das mãos, mamas e tronco e utilizar máscara cirúrgica”, lê-se no documento.

Cardiologistas de Intervenção preocupados
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) anuncia que, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde...

“Uma percentagem significativa de doentes de cardiologia, que começamos a chamar a semana passada, pedem para adiar o seu regresso ao hospital, para a realização de procedimentos programados referindo que têm medo de contrair o vírus COVID-19. É preciso, por isso, esclarecer, que todos os laboratórios de hemodinâmica estão preparados para receber o doente, em segurança. Além disso, todos os doentes que estão a ser chamados necessitam, efetivamente, da realização do procedimento, pelo que é vital que aceitem regressar”, alerta João Brum Silveira, presidente da APIC.

E reforça: “A retoma da atividade foi adaptada à nova realidade de forma a garantir a segurança tanto dos doentes como dos profissionais. Apesar da situação de saúde pública em que nos encontramos, existem percursos protegidos e adequados no hospital para as pessoas que sofrem de problemas cardiovasculares. No regresso da atividade assistencial e até à sua normalização, continuamos a recomendar a realização de testes COVID-19 a todos os doentes, e o acompanhamento do estado clínico de todos os doentes em lista de espera. Os primeiros doentes a serem chamados, no decorrer dos próximos meses, são os que consideramos prioritários clinicamente”, conclui João Brum Silveira.

 Em abril, a APIC emitiu um documento com as orientações para a atividade da sub-especialidade, durante a pandemia COVID-19, dirigido a profissionais de saúde. As recomendações completas podem ser consultadas em https://bit.ly/3b0ergI

“O documento, que congrega um conjunto de considerações obtidas por consenso interno, pretende de uma forma objetiva orientar a atividade da Cardiologia de Intervenção durante este difícil desafio, de responder à pandemia COVID-19, ao mesmo tempo que mantemos a assistência necessária na prevenção, diagnóstico e tratamento das restantes doenças.”, conclui João Brum Silveira, presidente da APIC.

Doentes diabéticos
A 21 de maio, às 18h00, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) realiza o Webinar “Já não me bastava a...

“Durante a pandemia da COVID-19 e o tempo de confinamento, muitas pessoas entraram em contacto com a APDP para esclarecerem as dúvidas que tinham face a este novo desafio de saúde pública. A diabetes é e continuará a ser a doença com maior prevalência no mundo e, Portugal não é exceção. Com mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas com diabetes, direta, ou indiretamente, todos os portugueses têm ou acabam por ter algum contacto com esta doença ao longo da sua vida. O webinar é uma ferramenta muito importante para podermos levar informação útil de norte a sul do país, às pessoas com diabetes e a todos os interessados”, refere o diretor clínico, João Filipe Raposo.

Esta iniciativa conta com a participação e moderação de João Filipe Raposo, Diretor Clínico da APDP, que abordará os direitos das pessoas com diabetes. Complementarmente, Carolina Neves, médica especialista em endocrinologia e nutrição da associação, falará sobre o controlo da diabetes e precauções para o desconfinamento. Rui Oliveira, enfermeiro especialista, vai dedicar-se a esclarecer as principais dúvidas que têm chegado através da Linha de Apoio da APDP e Ana Lúcia Covinhas, psicóloga clínica, apresentará algumas dicas ligadas à saúde mental e medos relacionados com o confinamento/desconfinamento social.

A inscrição para o webinar deverá ser feita através do seguinte http://www.floathealthlessons.pt/?key=float-20200423

 

 

Ensaio Clínico
Um homem de 63 anos de idade com histórico de enfarte do miocárdio foi recentemente tratado com sucesso utilizando um novo...

O doente tinha sofrido o enfarte na zona inferior do miocárdio em 2004 e em março de 2019 a sua situação agravou-se, tendo os exames revelado doença coronária com indicação para revascularização do miocárdio através de bypass coronário. Durante a cirurgia, adicionalmente ao procedimento convencional de revascularização, foi aplicado PeriCord na zona de enfarte já cicatrizada.

No período de recuperação pós-cirúrgico não se observaram efeitos adversos relacionados com a aplicação do produto experimental e, nos três meses seguintes, o doente continuava sem necessidade de qualquer hospitalização. Para além destes resultados, que sugerem que o procedimento é seguro, o estudo por ressonância magnética, três meses após o procedimento, revelou uma diminuição de aproximadamente 9% no tamanho da cicatriz no miocárdio, relativamente ao tamanho inicial, o que sugere uma ação favorável do produto aplicado.

Segundo Bruna Moreira, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, “apesar de promissores, estes resultados são, ainda, preliminares. É necessário aguardar pela conclusão deste estudo e de ensaios clínicos adicionais num maior número de doentes para se poder concluir acerca da segurança e eficácia desta abordagem”.

O PeriCord está a ser testado no âmbito do ensaio clínico PERISCOPE, que se encontra, atualmente, a decorrer em Espanha, e tem como objetivo avaliar a segurança do tratamento de doentes que sofreram enfarte do miocárdio utilizando este produto de terapia celular. Este contém, como ingrediente ativo, células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, colocadas numa matriz de pericárdio (membrana exterior do coração), à qual foram previamente removidas todas as células, e que funciona como material de suporte para implantação cirúrgica.

Este ensaio clínico de fase I pretende recrutar 12 doentes com cicatrizes cardíacas não revascularizáveis, que sejam candidatos para revascularização cirúrgica de outras zonas do miocárdio. Adicionalmente ao procedimento convencional de bypass coronário para revascularização miocárdica, será também aplicado PeriCord na zona não-revascularizável. O principal objetivo é avaliar a segurança do tratamento, no entanto, será também efetuada uma avaliação preliminar da eficácia, nomeadamente através do estudo da evolução da zona tratada por ressonância magnética nuclear.

Estudos anteriores tinham já demonstrado a segurança e eficácia deste produto de terapia celular em modelo animal. Neste contexto, quando aplicado na zona lesada do miocárdio, o PeriCord tornou-se vascularizado e enervado e promoveu a revascularização, a redução do tamanho da zona de enfarte e a melhoria da função cardíaca.

Segundo dados divulgados pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, mais de 10 mil portugueses morrem de enfarte do miocárdio anualmente. Os que sobrevivem, podem enfrentar sequelas irreversíveis, como perda de músculo cardíaco, que é substituído por tecido não contrátil semelhante ao de uma cicatriz, bem como alterações estruturais que levam progressivamente a insuficiência cardíaca. Embora várias terapias celulares tenham sido testadas ao longo das últimas décadas, não há ainda nenhuma comprovadamente eficaz na regeneração cardíaca.

Campanha
A Associação RESPIRA assinala Dia Mundial Sem Tabaco com o movimento #SóQueNão. A campanha digital “Diz não ao Tabaco” tem como...

“Eu só fumo socialmente” ou “Eu consigo parar quando quiser”, são algumas das desculpas que os adolescentes habitualmente usam quando questionados sobre o que os motiva a fumar e que dão o mote ao movimento #SóQueNão.

Estudos recentes (2018) apontam que há cada vez mais jovens a fumar aos 15 anos, que aos 18 anos mais de 60% já experimentou tabaco e que dois terços destes se tornam fumadores.

“O tabagismo é um grave problema de saúde pública, já que é responsável pela diminuição da qualidade e duração de vida. Tem ainda a agravante de ser um fator de risco, não só para o fumador, mas para todos aqueles que se encontram frequentemente expostos ao fumo passivo.

Mas é cada vez mais difícil passar a mensagem junto dos jovens, devido ao pouco investimento público em campanhas de prevenção, às fortíssimas campanhas da indústria tabaqueira para a divulgação das novas formas de tabaco e ao preconceito associado ao cigarro como instrumento de sociabilização e estatuto social”, alerta Isabel Saraiva, Presidente da RESPIRA.

Esta Campanha surge em resposta a este fenómeno, assumindo o desafio de construir uma geração livre de tabaco.

“Está a aumentar o consumo do tabaco entre os adolescentes, nomeadamente através das novas formas de tabaco e junto do sexo feminino. Os fumadores de hoje serão, sem dúvida, os doentes de amanhã! O tabaco é responsável por 25 a 30% da totalidade dos cancros, 80% dos casos de DPOC, 90% dos casos de cancro do pulmão e 20% da mortalidade por doença coronária”, conclui Isabel Saraiva.

A Associação RESPIRA, durante o mês de maio, promove a publicação de vários conteúdos no Facebook, que desafiam os jovens a refletir sobre o consumo de tabaco, e ainda uma sessão de esclarecimento online com o tema “Tabagismo: Um fator de afirmação nos jovens?”.

Este webinar terá transmissão exclusiva na página de Facebook da Associação, no dia 29 de maio, pelas 16h30, e conta com a participação de Carlos Gonçalves, Membro do GRESP, de Paula Rosa, Coordenadora da Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP, José Alves, Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão e Isabel Saraiva, Presidente da RESPIRA.

 

Medicamentos a crédito
O crédito concedido pelas farmácias aos portugueses atingiu um valor record de 76 milhões de euros, em resultado da pandemia...

Em março, as farmácias reforçaram em 7,8 milhões de euros as dispensas de medicamentos a crédito em relação ao mês anterior. "Durante a pandemia, as farmácias assumiram o objetivo de garantir o acesso a medicamentos e produtos de saúde a todos os portugueses, em condições de igualdade em qualquer ponto do território", declara Paulo Cleto Duarte, presidente da Associação Nacional das Farmácias. "A nossa rede atravessa uma crise, com 26% das farmácias a enfrentarem processos de insolvência e penhora, mas continua a confiar nos portugueses e a merecer a sua confiança", considera este farmacêutico.

Cada farmácia, em média, acumula 26.323 euros de créditos à comunidade que serve. "Felizmente, o Estado já não acumula dívidas como há dez anos, o que permite concentrar o nosso esforço de liquidez nos portugueses com necessidades reais, que as farmácias conhecem bem", declara Paulo Cleto Duarte.

No mês de março, cada farmácia assumiu o risco de adiantar 1.027 euros de comparticipações a doentes sem receita médica. "As farmácias assumiram este risco para evitar a interrupção do tratamento dos doentes crónicos. Isso só foi possível graças ao bom entendimento das Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos, que chegaram a um consenso para a renovação da dispensa na farmácia, por dois meses, com respeito pela última prescrição médica e com a devida comparticipação".

 

Risco nutricional
De acordo com Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) houve um aumento drástico do número de doentes...

A dimensão de doentes malnutridos que se encontram no ambulatório/domicílio sem qualquer tipo de acesso à nutrição clínica aumentou de forma drástica durante esta pandemia”, alerta o presidente da APNEP, Aníbal Marinho. “Se antes da covid-19, a realidade destes doentes já era preocupante, agora é ainda mais, sobretudo no domicílio/ambulatório onde não há qualquer tipo de acompanhamento”, acrescenta.

O Grupo de Estudos de Medicina Interna da APNEP publicou, no início deste ano, um estudo que refere que 73% doentes internados em Medicina Interna estão malnutridos, sendo que desses 56% apresentam malnutrição moderada e 17% malnutrição grave. Aníbal Marinho acredita que neste momento a dimensão de casos seja muito superior e revela que “a APNEP, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, está a realizar um novo estudo que permitirá retratar a situação destes doentes durante a covid-19”.

O Presidente da APNEP acusa as entidades de saúde de se terem esquecido destes doentes no combate à pandemia, “muitos destes doentes agravam o seu estado nutricional ainda durante o internamento e quando têm alta saem sem qualquer apoio do Estado para manter a nutrição clínica em casa”, acrescenta.

“É urgente criar linhas de apoio para estes doentes, de forma a evitar que voltem para os hospitais em pior estado clínico do que estavam e acabem por lá falecer. A verdade é que ninguém pensou ou planeou o acompanhamento destes doentes numa altura tão crítica como esta que vivemos”, remata.

Aníbal Marinho adverte ainda para a falta de nutricionistas a trabalhar nos hospitais e nos centros de saúde, para a escassa informação sobre nutrição nos serviços de saúde e para a falta de formação dos profissionais de saúde. Tudo isto leva a que os processos de referenciação destes doentes sejam ainda mais complexos.

Portugal regista anualmente mais de 115 mil casos de doentes no domicílio/ambulatório (1% da população) em risco nutricional que precisam de apoio nutricional com recurso a nutrição clínica (entérica e parentérica). Além disso, estima-se que em Portugal 2 em cada 4 doentes internados estejam em risco nutricional, valores que representam o dobro da média europeia (1 em cada 4). Esta condição clínica está fortemente associada ao aumento da mortalidade e morbilidade, ao declínio funcional, e à permanência hospitalar prolongada, levando a um aumento dos custos em saúde para o estado.

O que sabemos sobre a Covid-19?
Conhecer, Organizar, Vencer, Investigar e Diagnosticar é o lema que tem como objetivo inspirar o ciclo de Web.Seminars...

A iniciativa surge de uma parceria entre o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa (IHMT-NOVA) e a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o apoio da Centro de Ciência LP e da Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP).

A primeira série intitulada “O que sabemos sobre a COVID-19” vai prosseguir no dia 22 de maio, às 15h00, com a sessão “Aparecimento e desenvolvimento da pandemia na Ásia e Europa”.

O encontro online conta com a presença de Alexandre Abrantes, SubDiretor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA), José Manuel Esteves, Presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau e de Luzia Gonçalves, Professora de Bioestatística do IHMT-NOVA, com moderação de Carla Nunes, Diretora da ENSP-NOVA e Miguel Viveiros, SubDiretor do IHMT-NOVA.

Para participar e colocar as suas questões no webinar #3 “Aparecimento e desenvolvimento da pandemia na Ásia e Europa” deve proceder à sua INSCRIÇÃO ou assistir LIVE no Facebook da APAH ou do IHMT-NOVA.

Os restantes webinars já têm data e hora marcada:

29 de maio [15:00] – Aparecimento e Desenvolvimento da Pandemia * África Lusófona

5 de junho [15:00] – Testes Diagnósticos e Serologia

12 de junho [15:00] – Que opções terapêuticas?

Covid-19
O movimento “Todos Por Quem Cuida”, que nasceu para entregar material determinante para a segurança e qualidade dos cuidados...

Sendo que “a segurança dos profissionais de saúde e dos doentes tem sido uma prioridade para o CHUCB, nos tempos difíceis em que vivemos, e que obrigaram a uma grande capacidade de adaptação a esta nova realidade, estes equipamentos vão fazer a diferença, muito em particular nesta fase em que nos estamos a preparar para, gradualmente, recuperar a nossa capacidade de resposta também aos doentes não COVID-19”.

Nesse sentido, mais uma vez, “o apoio da sociedade civil deixa-nos sensibilizados”, afirma o presidente do Conselho de Administração do CHUCB.

As "caixas de entubação" são um equipamento de proteção para os profissionais de saúde que se encontram nos blocos operatórios, nos serviços de urgência e nas UCI, e que precisam de realizar procedimentos em que existe um elevado risco de produção de aerossóis, como a entubação e/ou extubação de doentes.

Estas caixas funcionam assim como uma barreira física entre o doente e os profissionais nestes momentos, mantendo a visibilidade do procedimento durante a sua execução. Estes são inclusivé, dos procedimentos que acarretam maior risco de infeção pelo novo coronavírus, dada a elevada aerossolização associada. Com estes equipamentos, diminui-se significativamente o risco, com a vantagem de serem equipamentos reutilizáveis. De ressalvar, contudo, que a utilização destas caixas não exclui a utilização dos restantes equipamentos de proteção individual e as medidas de higienização já conhecidas.

Com esta oferta, o fundo Todos Por Quem Cuida – criado pela Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, com o apoio da APIFARMA e da sociedade civil – pretende dar o seu contributo a todos os hospitais do país, dotando-os de um equipamento validado por técnicos, que pode ajudar na minimização do risco a que os profissionais de saúde estão expostos. 

Iniciativa
A 2ª edição do HPV Clinical Cases, que tem como mote “Beyond Cervical Cancer”, pretende recolher, selecionar e divulgar, junto...

Depois do sucesso da 1ª edição do HPV Clinical Cases, que contou com 92 casos clínicos submetidos por 64 participantes de 30 instituições públicas e privadas em Portugal, o desafio é lançado novamente aos profissionais de saúde que poderão submeter os seus casos clínicos até ao próximo dia 30 de junho na plataforma do projeto: https://hpvclinicalcases.pt/login/  

Reconhecendo a necessidade crescente de um maior conhecimento sobre o amplo leque de patologias associadas ao HPV, a iniciativa está de regresso e propõem-se, este ano, a atingir um número ainda maior de casos clínicos, promovendo a discussão multidisciplinar com vista a melhorar os cuidados de saúde a prestar aos doentes.

O comité científico é constituído pelos seguintes especialistas: Daniel Pereira da Silva, José Moutinho, Teresa Fraga, Luís Varandas, Pedro Montalvão, Carmen Lisboa e Sandra Pires. O painel será responsável pela avaliação e seleção dos casos clínicos de forma independente, tendo em consideração os mesmos critérios do ano passado: pertinência, originalidade, rigor científico, raciocínio clínico e o impacto que o caso terá no conhecimento da comunidade médica e nos cuidados a prestar aos doentes.

O HPV Clinical Cases resultará na realização de uma reunião científica, a decorrer em outubro, na qual serão apresentados (oralmente ou como poster eletrónico) os casos clínicos mais pontuados e onde será votado o Melhor Caso Clínico desta edição.

A iniciativa conta com o patrocínio científico das seguintes sociedades médicas: Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SPDIMC), Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, Associação Portuguesa de Urologia (APU) e a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço (SPORL-CCC).

Para mais informações e consulta do regulamento aceda a: https://hpvclinicalcases.pt/

 

19 de maio
A Associação Portuguesa para as Doenças Congénitas da Glicosilação e outras Doenças Metabólicas Raras (APCDG) realiza no...

O Webinar tem como objetivo consciencializar os profissionais dos meios de comunicação para a existência destas doenças muito raras, informá-los sobre do que se tratam e quais são as principais necessidades vividas, tanto por parte das famílias, como no que diz respeito à área da investigação.

A iniciativa, desenvolvida pela APCDG, em parceria com a CDG and Allies PPAIN network e com a Organização Mundial das Doenças Congénitas de Glicosilação, conta com a presença de Paula Videira e Rita Francisco, investigadoras da rede CDG and Allies PPAIN, e aborda temas sobre as doenças raras (definição, área negligenciada); as CDG (porque surgem, principais sintomas); as CDG and Allies PPAIN network (eixos de atuação, desafios, respostas e projetos).

 

Papel do médico de família
70% das pessoas com diabetes morrem por doenças cardiovasculares. Um controlo da doença pode ajudar a prevenir não só este...

“Sendo o médico que melhor conhece a pessoa com diabetes, quer do ponto de vista do seu historial de patologias, mas também do seu estilo de vida e da sua dimensão pessoal, assume uma posição privilegiada para avaliar o risco individual e particular de cada doente, gerindo-o ao longo dos anos, por forma a prevenir a ocorrência de complicações decorrentes do mau controlo da diabetes”, afirma Tiago Maricoto, médico de medicina geral e familiar.

Embora, segundo o especialista, o nosso país tenha vindo a assistir a “uma grande evolução nos últimos anos nos cuidados médicos à diabetes, muito fruto da implementação de um excelente programa de cuidados de saúde primários nesta matéria, ainda estamos longe de conseguir um bom controlo deste problema de saúde”. Na opinião de Tiago Maricoto, as razões prendem-se com a má adesão à terapêutica, que passa “não só pela toma de medicação, mas também pela prática de um estilo de vida saudável (4). Infelizmente este é um problema mundial, não é exclusivo da população portuguesa, e compromete significativamente a eficácia dos cuidados de saúde”. Esta baixa adesão está associada a “múltiplas causas, desde uma insuficiente relação médico-doente, a crenças e mitos, a pouca literacia em saúde, a problemas económicos ou dificuldades relacionadas com o estilo de vida profissional e pessoal das pessoas, a efeitos secundários dos medicamentos, entre outras”.

Para tentar minorar este problema, o especialista considera que é importante, durante a consulta, que estes profissionais de saúde procurem “identificar potenciais causas de não adesão, promovendo estratégias para ultrapassá-las, seja por parte do próprio utente, trabalhando nessas barreiras, ou mesmo por parte do próprio profissional, optando por estratégias alternativas, por exemplo”, reforçando que a equipa de saúde familiar, que acompanha estas pessoas ao longo dos anos, deve aproveitar essa proximidade para criar a “oportunidade para intervir de forma mais eficaz neste tipo de obstáculos e barreiras (5). É através do acompanhamento regular que se conseguem identificar as dificuldades que os utentes apresentam e procurar estratégias para as ultrapassar com opções terapêuticas e de estilo de vida que promovam o máximo benefício, com o menor risco”.Nesta equipa, o Enfermeiro de Família assume também um papel fundamental e ao qual tem sido dado, cada vez mais, um maior destaque. Para Tiago Maricoto, “o Enfermeiro de Família assume uma figura central no apoio à consulta de vigilância de diabetes, não só na realização da avaliação de parâmetros de saúde, mas também no aconselhamento para boas práticas alimentares, de exercício físico e de estilo de vida em geral”. Por isso, é cada vez mais frequente as consultas nos centros de saúde que reúnem enfermeiro e médico de família, com “com significativos ganhos em saúde”, na opinião do especialista.

A articulação desta equipa com os cuidados hospitalares é igualmente importante e deve existir, de forma estreita e eficaz, sempre que necessário. “Frequentemente os médicos de família vêem-se na necessidade de solicitar ajuda a profissionais mais especializados para gerirem problemas específicos da diabetes”, sobretudo quando perante a necessidade de “tratamento de algumas complicações graves (amputações, retinopatia, insuficiência renal ou cardíaca ou mesmo os eventos cardiovasculares, etc..), ou mesmo de outras comorbilidades que podem também influenciar o controlo da diabetes (depressão, obesidade, hipertensão arterial, doença arterial periférica, entre outras)”, diz o especialista.

A 19 de maio assinala-se o Dia Mundial do Médico de Família e, dado o papel que estes profissionais de saúde desempenham no acompanhamento das pessoas com diabetes, a data foi escolhida para lançar o último episódio da série “O Casal”, protagonizada pelas personagens Maria Diabetes e Zé Coração. Ao longo de quatro episódios, o principal objetivo passou por alertar a população em geral para a relação perigosa entre a diabetes e as suas comorbilidades, mas também espelhar a importância do papel da pessoa com diabetes na gestão do seu risco em relação a outras doenças, nomeadamente, renais e cardiovasculares.

Esta foi uma iniciativa da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca, da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo, que contou com o apoio da AstraZeneca, e que neste último episódio contou também com o apoio da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

Sintomas e complicações
A Hipertensão Arterial é uma das entidades clínicas mais frequentes durante gravidez apresentando ri

O que é a Hipertensão Arterial?

De acordo com o especialista em cardiologia, Carlos Rabaçal, a “o diagnóstico de hipertensão arterial (HTA) na gravidez não é diferente do da população em geral. Baseia-se essencialmente na medição da pressão arterial (PA) em consulta” e é definida por valores da pressão arterial iguais ou superiores a 140/90 mmHg.

No entanto, na mulher grávida, esta pode surgir sob várias formas:

  • HTA pré-existente (HTA crónica): a HTA precede a gravidez ou desenvolve-se antes das 20 semanas de gestação e, geralmente, persiste para lá do parto.
  • HTA gestacional: a HTA desenvolve-se depois das 20 semanas de gestação e, habitualmente, desaparece nas 6 semanas após o parto.
  • HTA pré-existente com sobreposição de HTA gestacional com proteinúria (HTA crónica com sobreposição de pré-eclâmpsia).
  • Pré-eclâmpsia: HTA gestacional com proteinúria significativa (>0.3 g/24h).
  • HTA inclassificável antes do nascimento: quando o primeiro registo de PA é posterior às 20 semanas de gestação e não se sabe se havia HTA pré-existente. Só a avaliação 6 semanas depois do parto ajudará a distinguir entre HTA pré-existente e HTA gestacional.

Quanto às causas, embora não se conheçam os fatores associados à hipertensão gestacional, esta é mais frequente entre as mulheres que, segundo o especialista, “têm uma história familiar pesada de hipertensão arterial crónica ou que são obesas”. Por outro lado, o facto de as mulheres engravidarem cada vez mais tarde, fumarem ou serem sedentárias contribui para elevar este risco.

Sinais a que deve estar atenta

Para além de apresentar valores elevados de pressão arterial, a grávida hipertensa pode apresentar:

  • dores de cabeça constantes, sobretudo afetando a região da nuca;
  • dores fortes na barriga;
  • alterações na visão (como visão embaciada ou turva);
  • pernas, mãos ou face inchada

Tratamento

De acordo com o cardiologista, Carlos Rabaçal, “o timing e a intensidade do tratamento farmacológico dependem dos níveis tensionais apurados”.  E explica: “a HTA gestacional classifica-se como ligeira (se a PA entre 140–159 mmHg e/ou 90–109 mmHg) ou grave (se a PA é ≥ 160/110 mmHg)”.

Nos casos de hipertensão arterial ligeira, e uma vez que, como afirma o especialista, o tratamento farmacológico “não é consensual”, a “limitação da atividade física e o repouso frequente, se possível, em decúbito lateral esquerdo podem ser benéficos”. No entanto, as recomendações são as seguintes: “grávidas com PA>150/95 mmHg devem iniciar tratamento farmacológico” e as que apresentam níveis de PA ≥ 170/110 mmHg, devem ser consideradas “em risco elevado de complicações e hospitalizadas para tratamento”.

Em caso de hipertensão arterial pré-existente, as grávidas devem manter a medicação habitual caso esta não seja contraindicada na gravidez, “devido ao potencial de efeitos adversos que provocam no feto”. “É, por isso, aconselhável seguir as indicações médicas”, refere o especialista.

“Embora não haja dados que definam, para lá de qualquer controvérsia, o nível tensional ótimo, aceita-se que as grávidas sob tratamento com fármacos anti hipertensores tenham como objetivo-alvo uma PA< 140/90 mmHg”, acrescenta quanto as valores ideias de pressão arterial.

Complicações

Segundo o especialista em cardiologia, “a hipertensão arterial gestacional é causa importante de morbimortalidade materna, fetal e neonatal, particularmente quando se complica de pré-eclâmpsia”.

Os riscos maternos incluem o descolamento da placenta e algumas doenças graves, como o acidente vascular cerebral.

No feto pode ocasionar atraso no desenvolvimento, prematuridade e morte intrauterina. A pré-eclâmpsia é uma emergência médica cujo tratamento mais efetivo é a indução do parto.

Quando há o risco de ocorrer pré-eclâmpsia?

De acordo com o cardiologista Carlos Rabaçal, “há várias condições que aumentam o risco de pré-eclâmpsia” e que podem ser agrupadas em:

  • alto risco - doença hipertensiva em gravidez prévia, doença renal crónica, diabetes, doenças autoimunes e HTA crónica;
  • risco moderado - primeira gravidez, idade igual ou superior a 40 anos, obesidade, múltiplas gravidezes e história familiar de pré-eclâmpsia.

“O conhecimento e controlo destas condições, quando possível, pode ajudar a prevenir a ocorrência de pré-eclâmpsia”, assegura o médico.

Cuidados a ter

Embora seja normal a pressão arterial sofrer oscilações durante a primeira metade da gravidez, este período carateriza-se pela presença de valores mais baixos do que aqueles que existiam antes de engravidar, e não o contrário.

Por isso, quando ocorre HTA gestacional, para além da vigilância regular da PA, “idealmente com a realização de MAPA”, a grávida deve ser mais rigorosa na adoção de comportamentos saudáveis (incluindo períodos de repouso adequado, elevação das pernas quando parada, etc.) e estar atenta a sintomas/sinais (perturbações visuais, cefaleias, dores abdominais, edemas das pernas, etc.) que traduzam risco aumentado de progressão para pré-eclâmpsia, complicação que ocorre em até 1/3 das grávidas com HTA gestacional.

“É relativamente frequente a grávida, em particular, na fase final da gravidez ter algum edema das pernas. O repouso com as pernas elevadas pode ser benéfico e eficaz. Já merece outra atenção e cuidado a edemaciação exuberante e rápida das pernas, das mãos ou da face”, explica o médico.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.

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