Em Coimbra
Na quarta-feira e quinta-feira (dias 11 e 12), vão decorrer em Coimbra duas iniciativas abertas ao público para assinalar a...

A primeira atividade vai ter lugar na quarta-feira, dia 11, entre as 11h00 e as 13h00, no UC Exploratório – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra: a sessão de abertura das atividades da Semana Internacional do Cérebro em Portugal, este ano subordinada ao tema “A Plasticidade do Cérebro”. A sessão “Música, emoções e cérebro: como mudamos ao longo da vida?” vai juntar especialistas para debater de que forma a plasticidade do cérebro – a capacidade do cérebro se reorganizar ao longo da vida – influencia emoções, comportamentos, cognição e expressão artística.

A investigadora do ProAction Lab, do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, Joana Sayal; o musicoterapeuta do Hospital Pediátrico da Unidade Local de Saúde de Coimbra, Jorge Felício; a investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), Mónica Santos; e a psicóloga clínica, musicoterapeuta e representante da Associação Portuguesa de Musicoterapia, Teresa Leite, são os oradores convidados. A moderação vai ser assegurada pela assessora de imprensa para a investigação da Divisão de Comunicação e Marketing da Universidade de Coimbra, Catarina Ribeiro.

A abertura do evento vai estar a cargo do presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências (SPN), Tiago Gil Oliveira. O evento é aberto ao público, mediante inscrição prévia neste link. A atividade de abertura da Semana Internacional do Cérebro em Portugal é promovida pela SPN, em conjunto com o CNC-UC/CiBB, o Proaction Lab e o UC Exploratório.

Já no dia 12 de março, das 17h00 às 18h00, a Estufa Tropical do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (JBUC) vai acolher a segunda edição da “Biblioteca Humana”, uma experiência que convida o público a conversar, num ambiente intimista, com investigadores do CiBB, unidade de investigação e desenvolvimento da Universidade de Coimbra integrada pelo CNC-UC, pelo Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR-FMUC), pelo Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) e pelo GeneT – Centro de Excelência em Terapia Génica.

Os cientistas Ana Rita Álvaro, Diogo Magalhães e Silva, Joana Ferreira, Lisa Oliveira Rodrigues e Vítor Bueno vão partilhar episódios marcantes dos seus percursos pessoais e científicos. Cada ‘leitura’ consiste numa conversa de cerca de 30 minutos, em pequenos grupos de até cinco pessoas, permitindo uma interação próxima com os investigadores.

A cientista Ana Rita Álvaro (CNC-UC) vai falar sobre o seu percurso na área da investigação sobre o sono. O investigador Diogo Magalhães e Silva (GeneT) vai partilhar a história do seu percurso académico e científico até chegar à área da transferência de tecnologia. A investigadora Joana Ferreira (MIA-Portugal) vai contar como a curiosidade e a coragem e os planos e desvios tiveram um papel importante na sua vida de cientista. A investigadora Lisa Oliveira Rodrigues (iCBR-FMUC) vai falar sobre a relação entre o seu hobby – o canto – e a sua atividade científica. O investigador Vitor Bueno (CNC-UC) vai partilhar as semelhanças que encontra entre a sua atividade científica nas neurociências e a música eletrónica, um gosto pessoal que cultiva.

A Biblioteca Humana é uma iniciativa de comunicação de ciência que aposta nas narrativas individuais para aproximar o público da comunidade científica. Inspirado no projeto internacional Human Library, o formato substitui livros por ‘livros humanos’, criando um espaço onde investigadores partilham histórias de vida e de ciência, motivações, dúvidas, fracassos e interesses pessoais, promovendo o diálogo e ajudando a desconstruir estereótipos sobre os cientistas.

A atividade é aberta ao público, mediante registo prévio aqui. A Biblioteca Humana é organizada pelo CiBB, em parceria com o JBUC e com a colaboração da Coimbra Coolectiva.

Além destas duas atividades, ao longo do mês de março, neurocientistas do CiBB vão também visitar escolas para promover palestras, debates, jogos e atividades práticas com estudantes de diferentes faixas etárias.

A Semana Internacional do Cérebro é uma iniciativa global promovida pela Dana Foundation e pela Federação Europeia de Sociedades de Neurociência. Em Portugal, as atividades são coordenadas pela SPN e pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. 

 

“11 Dias, 1 Causa: Vencer o AVC!”
De 21 a 31 de março, Embaixadores Regionais e Unidades de AVC mobilizam o país na sensibilização para o AVC.

No âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala a 31 de marçoa Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) lança a campanha “11 Dias, 1 Causa: Vencer o AVC!”. A quinzena de 21 a 31 de março será marcada por uma mobilização nacional, unindo Unidades de AVC e demais entidades no esforço comum de sensibilizar os portugueses para a prevenção e para a identificação imediata dos sintomas do AVC.

A iniciativa volta a contar com a Dr.ª Cristina Duque como Embaixadora Nacional, que lidera uma equipa de Embaixadores Regionais espalhados por todo o continente e arquipélagos, para que o conhecimento chegue a cada cidadão, de norte a sul e ilhas. "O papel dos embaixadores é fundamental nesta proximidade: são eles que difundem a prevenção na comunidade, adaptando a mensagem a cada realidade local”, salienta. 

Embora o AVC continue a ser a principal causa de morte e incapacidade permanente em Portugal, a SPAVC sublinha uma mensagem fundamental: esta é uma patologia evitável. A probabilidade de sofrer um AVC pode ser significativamente reduzida através da gestão proativa dos fatores de risco modificáveis. O primeiro passo assenta na adoção de um estilo de vida saudável — com uma alimentação equilibrada e pobre em sal, exercício físico regular e a exclusão de hábitos tabágicos e alcoólicos. Contudo, a verdadeira barreira de proteção reside na vigilância médica contínua: o controlo da hipertensão arterial (o principal fator de risco), da diabetes, do colesterol e da fibrilhação auricular é determinante para proteger a saúde cerebral.

Quando a prevenção falha, a rapidez de resposta é o único fator que dita o prognóstico. A Dr.ª Cristina Duque reforça a importância de decorar a Regra dos 3 F’s, sinais que indicam a probabilidade de um AVC em curso: Face (desvio da boca), Fala (dificuldade em falar) e Força (falta de força num braço). "Saber reconhecer os 3 F's e ligar imediatamente para o 112, ativando a Via Verde do AVC, é o que define a fronteira entre a recuperação plena e a sequela grave”, esclarece a neurologista. Acrescenta que “é imperativo recordar que ‘Tempo é Cérebro’ e que cada segundo ganho na chegada ao hospital é uma oportunidade de evitar sequelas”.

A campanha “11 Dias, 1 Causa: Vencer o AVC!” assume também uma forte dimensão digital, transformando as redes sociais da SPAVC num centro de literacia em saúde. Ao longo de toda a quinzena, serão partilhados alertas diários e conteúdos práticos destinados a capacitar cada cidadão no combate ao AVC. Simultaneamente, estas plataformas serão o ponto de encontro e atualização de todas as atividades promovidas pelas Unidades de AVC e outras entidades, que incluem rastreios, caminhadas e sessões de esclarecimento em unidades hospitalares e localidades de norte a sul do país e ilhas.

A SPAVC apela ao envolvimento de todos, incentivando a participação nas ações locais e a partilha de materiais informativos.

 

Opinião
O conceito de amor-próprio tem sido muito falado atualmente, mas na prática, poucas vezes é aplicado

Alguns autores apoiam que o amor-próprio tem como base alguns pilares, como a autoconsciência, que remete a dar atenção a si mesmo, percebendo as próprias emoções, sensações e pensamentos. A autoaceitação, que envolve aceitarmos que possuímos atributos positivos e não tão positivos, de modo a valorizarmos as nossas qualidades e trabalharmos os nossos pontos fracos. E o autocuidado, que está relacionado como a capacidade de protegermos e cuidarmos de nós mesmos.  

 

EGOCENTRISMO

A sociedade está sim muito mais egocêntrica do que no passado e há razões específicas para isto. Estudos mostram que o crescimento global económico pode ter contribuído para esse egocentrismo. Alguns pesquisadores observaram que jovens adultos que viveram durante tempos difíceis são menos narcisistas do que aqueles que atingiram a maioridade durante os booms económicos. Acredito que esta associação ocorre em parte devido ao aumento da pressão para termos mais sucesso, o que gera uma sociedade mais competitiva (e também mais insegura). Penso que um dos principais facilitadores desta relação é a internet, mais especificamente as redes sociais. Acabamos por nos preocupar demasiado com o que os outros têm ou o que estão a fazer do que com as nossas próprias vidas e isto acaba por gerar comparações injustas e constantes que nos fazem sentir infelizes e insuficientes com aquilo que temos. Consequentemente, desenvolvemos comportamentos de hipercompensação, ou seja, tentamos reforçar a nossa autoestima através de diversos comportamentos, como estar a postar constantemente informações sobre as nossas vidas, nossas melhores fotos e vídeos. 

Habitualmente, nas interações sociais, um individuo fala sobre si mesmo cerca de 30% do tempo. Nas redes sociais, as pessoas falam sobre si mesmas pelo menos 80% do tempo. Assim, quando recebem uma notificação de feedback positivo (ex., um like ou um comentário), sentem uma sensação satisfatória. Receber um feedback positivo estimula o cérebro a liberar dopamina (substância associada a recompensa e ao prazer), recompensando o comportamento ligado às plataformas sociais, perpetuando assim o hábito de utilizá-las. Desta forma, as pessoas acabam por ficarem escravas deste tipo de comportamento para se sentirem bem. 

 
RESPEITO 

O amor-próprio e o respeito por nós mesmos andam hand-in-hand, ou seja, estão estritamente conectados. Nos respeitar e amar a nós próprios implica estar atento as nossas necessidades, significa estipular limites saudáveis e não sacrificar o nosso bem-estar para agradar aos outros. Lembrando sempre que não temos aquilo que merecemos, mas sim, aquilo que aceitamos. 

A nossa autoestima não depende necessariamente das nossas características físicas ou conquistas, mas sim da nossa perceção sobre elas. O problema é que esta autoperceção é desenvolvida em parte a partir da apreciação dos outros por nós. Por isso penso que não é errado falar que uma boa parte das pessoas se sente insuficiente de alguma forma, seja na profissão, na realização pessoal, no papel de parceiro amoroso, amigo, mãe, pai ou filho. Durante a infância, temos necessidades básicas de atenção, afeto, reforço positivo, proteção e estabilidade. Contudo, cada um de nós tem um grau diferente dessas necessidades e por vezes nossos pais/cuidadores primários acabam por não atender a estas demandas. Ou porque não deram apoio o suficiente, não tiveram empatia, não estavam presentes, não reconheceram o nosso esforço o suficiente, ou porque de algum modo proporcionaram uma forma de amor condicional durante a infância. Assim, assumimos uma culpa inexistente e uma necessidade de nos fazermos merecedores de algo que nos faltou. Gerando na vida adulta grande sofrimento por tentar reparar o passado, buscando afirmações externas que reforcem o nosso valor.   

Uma pessoa com amor-próprio é aquela que escuta o próprio corpo, que descansa quando está cansada, que busca alimentar o corpo físico com alimentos saudáveis, mas às vezes também permite se deliciar com as suas comidas favoritas. Uma pessoa com amor-próprio pede ajuda quando precisa, perdoa a si mesmo quando falha, reconhece quando não é gentil consigo mesma e procura dar a si uma pausa no autojulgamento – mesmo (ou principalmente) quando as coisas não correm da melhor forma. 

Ao sermos compassivos com nós mesmos, tornamo-nos recetivos a aceitar e a amar outras pessoas. Se tivermos uma relação negativa com nós mesmos, o impacto emocional deste estado impedir-nos-á de conectarmos genuinamente com outras pessoas. É possível, por exemplo, que uma pessoa que não ama a si mesmo não acredita que o outro pode amá-la ou não se sente merecedora disto e, consequentemente, evita relacionamentos amorosos saudáveis. Ou pode, por sua vez, buscar ou gerar relacionamentos nocivos em parte como uma estratégia autodestrutiva ou autopunitiva. Logo, o amor ao próximo não pode existir sem o amor-próprio. Só podemos dar aquilo que temos. 

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
Os rins trabalham silenciosamente todos os dias, filtrando o sangue, eliminando toxinas e excesso de

Em Portugal, estima-se que cerca de 1 em cada 10 adultos tenha algum grau de DRC, refletindo não só o envelhecimento da população, mas também a elevada prevalência de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. Entre quem apresenta doença renal avançada, aproximadamente um em cada três doentes tem diabetes, sublinhando a importância de prevenir e controlar estas condições para proteger a saúde renal.

Embora silenciosa, a DRC tem consequências graves. À medida que a função renal diminui, aumenta o risco de complicações, nomeadamente cardiovasculares, como enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca, mesmo em fases iniciais da doença. Falar de rins é, por isso, falar de saúde global.

A boa notícia é que, em muitos casos, a progressão da doença pode ser prevenida ou significativamente retardada através de escolhas simples no dia a dia. Uma alimentação equilibrada, com menor consumo de sal e açúcar, prática regular de exercício físico, controlar o peso e cessação tabágica são medidas fundamentais. O controlo rigoroso da tensão arterial e dos níveis de açúcar no sangue é igualmente decisivo, permitindo reduzir o risco de deterioração renal e complicações cardiovasculares. Nos últimos anos, surgiram também medicamentos que demonstraram atrasar a progressão da DRC, mas devem ser avaliados de forma individualizada pelo médico, tendo em conta a situação específica de cada pessoa.

Saber mais sobre a própria saúde é uma das armas mais eficazes contra a doença renal. Muitas pessoas desconhecem que os rins podem adoecer durante anos sem sintomas. Identificar fatores de risco e realizar exames simples faz toda a diferença: basta uma análise ao sangue para avaliar a função renal e uma análise à urina para detetar perda de proteínas. Para a população geral, estes exames devem ser realizados pelo menos uma vez por ano, enquanto pessoas com maior risco, como diabéticos, hipertensos ou com antecedentes familiares, poderão necessitar de controlos mais frequentes, conforme orientação médica. O diagnóstico precoce permite agir atempadamente, ajustando hábitos de vida e tratamentos, evitando que a doença avance para fases mais graves.

Cuidar dos rins exige uma resposta articulada. Médicos de família e centros de saúde são essenciais na deteção precoce e no acompanhamento de pessoas em risco, enquanto consultas de Nefrologia asseguram avaliação especializada e definição de tratamentos adequados. Nas fases avançadas, as unidades de hemodiálise contribuem não só para o tratamento, mas também para educação e apoio contínuo aos doentes. Equipas multidisciplinares, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e assistentes sociais, permitem oferecer cuidados completos e reforçar hábitos diários.

Levar informação para a comunidade é igualmente importante. Escolas, associações, autarquias, bombeiros e outras instituições têm um papel decisivo na promoção de estilos de vida saudáveis e na realização de rastreios, tornando a prevenção mais acessível e eficaz.

Com conhecimento, hábitos saudáveis, diagnóstico precoce, acesso a novos tratamentos e uma rede de cuidados coordenada, é possível reduzir significativamente o impacto da Doença Renal Crónica. Prevenir a DRC é cuidar da saúde hoje e garantir qualidade de vida amanhã.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Hemorroidas
 Falar sobre Hemorroidas continua a ser, para muitos, um assunto quase impronunciável, mesmo quando os sintomas condicionam o...

O padrão repete-se na consulta: a tendência, perante qualquer sintoma, é aguardar resolução espontânea." Mesmo quando surge alguma queixa ou algo fora do normal, a tendência é muitas vezes esperar que passe antes sequer de partilhar a preocupação com alguém próximo, como o marido, a esposa ou um amigo. Para muitos, o primeiro impulso acaba sempre por ser o silêncio."

Um silêncio que não é exclusivo de uma geração. “É algo transversal a grande parte da população. Mesmo pessoas mais jovens que apresentam sinais ou sintomas de Doença Hemorroidária procuram informação por conta própria, sem falar com alguém, e acabam por experimentar algumas mezinhas para ver se passa”.

O problema é que o adiamento tem consequências reais. Como explica o médico, " Situações que poderiam ser tratadas de forma simples acabam por se prolongar durante meses", o que se traduz num "sofrimento desnecessário, com grande impacto na qualidade de vida". Sintomas e sinais de Doença Hemorroidária como comichão, sangramento, dor, prolapso ou o desconforto constante de quem passa horas sentado vão-se acumulando, condicionando a realização de atividades diárias como a prática de desporto, o repouso, convívios sociais e até a vida profissional.

Mesmo quando o doente já deu o passo de marcar consulta, a inibição não desaparece de imediato. "Muitas vezes, a pessoa já está ali, já deu o primeiro passo, mas mesmo quando está na consulta comigo, que sou especialista nesta área, tem alguma inibição em começar a descrever o que sente." Ezequiel Silva defende, por isso, que cabe também aos profissionais de saúde criar condições para que este tabu se quebre. "Faz parte da nossa função como profissionais de saúde tentar normalizar, criar um ambiente mais confortável, simplificar e não contribuir ainda mais para esta ansiedade do doente."

A par da vergonha, há outro obstáculo que adia muitas decisões: o medo do tratamento. As histórias de cirurgias dolorosas, contadas por parte de familiares ou amigos, instalam um receio que hoje, em muitos casos, já não tem razão de ser. "É preciso desconstruir estas duas dimensões: o estigma associado a falar sobre o tema e o medo de procurar tratamento”, que o especialista considera uma prioridade.

É nesse sentido que vai participar como orador, a convite da Servier, no SelfCare Market & Summit, no dia 14 de março de 2026, pelas 15h00, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, onde irá falar de 'Hemorroidas sem Tabus', uma oportunidade para colocar às claras, e sem constrangimentos, tudo o que muita gente quer saber sobre o tema. “Acima de tudo, vamos tentar desconstruir esta inibição sistémica, promovendo uma maior naturalidade e tranquilidade ao falar sobre estes temas, sem medo”. Junte-se a nós e venha assistir a esta talk.

 

Tertúlia e Inauguração da Exposição
No próximo dia 12 de março, às 18h30, realiza-se na Ordem dos Médicos em Coimbra (Sala Miguel Torga), a tertúlia e inauguração...

A tertúlia temática reunirá personalidades de reconhecido mérito na área da medicina, promovendo uma reflexão intergeracional sobre o papel da mulher na prática clínica, na investigação científica, na docência e na gestão em saúde. 

A tertúlia está dividida em três momentos: “100 anos da mulher na Medicina em Portugal – Estereótipos de Género; “Da invisibilidade à centralidade – 100 anos de Saúde no Feminino” e “O Próximo passo começa em nós” (cf. programa). Mais do que um olhar sobre o papel da mulher na medicina que é cada vez mais preponderante, esta iniciativa pretende, também, estimular o debate sobre igualdade, liderança, reconhecimento profissional e os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres nesta área científica.

A participação é presencial (Sala Miguel Torga) e também online, permitindo um acesso alargado ao público.

exposição de arte, que ficará patente no Clube Médico de 12 a 19 de março (das 9h00 às 17h00), organiza-se em duas vertentes. Por um lado, propõe a evocação de destacadas personalidades femininas através de uma viagem histórica pelos percursos das pioneiras nas faculdades de medicina até às atuais lideranças femininas nas diversas especialidades; e, por outro, dá a conhecer o traço artístico de três médicas autoras: Filomena Correia (Pintura e Escultura), Helena Oliveira (Pintura), Maria do Carmo Cachulo (Literatura e Fotografia).

A inauguração desta mostra (19h45) será assinalada por um momento musical protagonizado pelo Coro da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

O evento é aberto a toda a comunidade.

 

O alerta para a Doença Venosa Crónica
 Há sensações que muitas pessoas conhecem bem: aquela sensação de peso nas pernas que se instala ao fim do dia, o inchaço nos...

Joana de Carvalho, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, é direta sobre este paradoxo: "Não se dá o valor que se deveria dar, nem a importância, à Doença Venosa Crónica. As queixas são, muitas vezes, desvalorizadas e acaba por se deixar andar."

Um dos maiores desafios no diagnóstico precoce da Doença Venosa é precisamente a sua banalização. Os sintomas iniciais de sensação de cansaço, peso ou dor nas pernas são facilmente confundidos com o desgaste do quotidiano. "É muito fácil habituarmo-nos ao mal-estar e entendermos como normal algo que não deve ser tido como tal". Mas quando estes sintomas deixam de ser ocasionais e passam a ser rotineiros, é tempo de procurar uma avaliação médica. E a boa notícia é que, diagnosticada a tempo, a Doença Venosa Crónica tem tratamento eficaz.

Estamos a falar de um problema que, "em estadios mais avançados pode mesmo ter um impacto grande no bem-estar, a nível pessoal, laboral, com complicações mais graves, eventuais tromboflebites, necessidade de repouso e limitação grande", sublinha a especialista.

Existe, aqui, uma dimensão que vai muito além da saúde física. "As pernas permitem-nos caminhar, permitem-nos ir mais longe, são o nosso meio de transporte mais eficaz, mais disponível, mais económico”, refere a médica. Quando a Doença Venosa Crónica se manifesta o impacto não é apenas funcional. É também profundamente emocional. A forma como olhamos para o nosso corpo influencia diretamente a forma como nos sentimos connosco próprios. A progressão da doença pode afetar a autoimagem, gerar constrangimento e levar muitas pessoas a evitarem determinadas roupas, atividades sociais ou momentos de lazer. Por isso, quando a Doença Venosa limita a mobilidade, “limita também a confiança, a autoestima e, em última instância, a capacidade de viver em pleno”.

Por isso, a mensagem é simples: ouvir o corpo, não desvalorizar os sinais que este envia e procurar ajuda de um profissional de saúde sem esperar que o problema se agrave. "Devemos, acima de tudo olhar para as nossas pernas, não desvalorizar o peso, o cansaço, o inchaço, praticar exercício físico, ter uma alimentação cuidada e procurar um tratamento atempado e precoce na presença de qualquer sinal inicial de Doença Venosa."

O tema vai estar em debate, no próximo dia 14 de março, às 11h00, no SelfCare Market & Summit, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, onde Joana de Carvalho, a convite da Servier, vai confirmar como podemos garantir que "Os nossos sonhos têm pernas para andar". Junte-se nós e venha assistir a esta talk.

 

Opinião
A Timidez é um estado mental que deriva da ansiedade, ou seja, do medo de estar exposto aos outros,

A Timidez tem um impacto negativo na vida, pois impede a natural evolução das relações sociais, algo essencial ao ser humano.

Em alguns casos a Fobia Social conduz a estados depressivos ainda mais limitantes, incluindo à depressão profunda, afastando o indivíduo de todo o contacto social.

As pessoas tímidas acreditam que são inferiores, que podem ser agredidas ou envergonhadas no contacto com os outros, porque no passado existiram experiências traumáticas onde sofreram com o contacto social e, hoje, a recusa da exposição social reflete o medo de que situações semelhantes às anteriores voltem a acontecer.

Algumas das principais experiências traumatizantes são o Bullying na escola, as agressões sofridas na infância e na adolescência, críticas e pressões por parte de pais e educadores.

Quem cora de forma evidente ou apresenta outro sintoma físico desagradável, tem medo em se expor, na tentativa de não ser observado de uma forma negativa e desconfortável.

 

Sintomas da Timidez e da Fobia Social

Parece que se entra numa bolha que sufoca, uma parede que bloqueia, o corpo toma conta de todo o processo e só passa quando se desiste.

  • Sintomas da Ansiedade (aumento da frequência cardíaca, dificuldade em respirar, suores…)
  • Corar
  • Mãos trémulas
  • Boca seca, dificuldade em falar
  • Gaguez
  • Evitamento Social, negação
  • Consumo excessivo de álcool

Tratamento da Timidez e da Fobia Social

Como os sintomas da timidez, podem ser confundidos com simples ansiedade o tratamento mais usado é o farmacológico, com recurso a medicamentos que atuam nos sintomas da ansiedade. No entanto para algumas pessoas, esta abordagem pode não trazer alterações sustentadas do seu estado emocional, ou não fazer sentido.

Assim, trabalhar nas causas da timidez pode ser a solução para a maioria das pessoas. A Psicoterapia é a ciência que trabalha as causas das perturbações mentais e o modelo psicoterapêutico está indicado paras as perturbações mais graves.

 

O que é a Psicoterapia?

A Psicoterapia é um método de tratamento muito rápido e seguro, que usa técnicas psicológicas, validadas cientificamente, para mudar comportamentos, sentimentos, pensamentos ou hábitos que afetam a saúde mental das pessoas.

Com recurso às técnicas de Psicoterapia, encontram-se as causas e origens dos problemas emocionais que condicionam as pessoas no seu dia-a-dia, prejudicando a sua felicidade e bem-estar, promovendo-se as mudanças necessárias a uma verdadeira recuperação. 

A Psicoterapia funciona como um GPS que percorre o Mapa da Mente e ajuda o Psicoterapeuta a descobrir a origem emocional do problema que provoca a perturbação, conduzindo o paciente a vencer e ultrapassar as dificuldades que condicionam todo o seu estado mental, sem recurso a medicação.

 

Como a Psicoterapia pode ajudar na Timidez e Fobia Social?

Através de um processo de tratamento cuidadosamente estruturado, a pessoa consegue entender as suas emoções, comportamentos e pensamentos, encontrando o que provoca a sua timidez ou mesmo a Fobia social, mas acima de tudo, encontrar o que o torna feliz sem que os medos da rejeição ou da avaliação limitem o sem bem-estar.

O grande objetivo da psicoterapia é reencontrar o equilíbrio emocional e para isso este método de tratamento ajuda o paciente a:

– Conseguir fazer a gestão emocional das questões do passado que ainda hoje podem condicionar o seu dia-a-dia, tais como bullying na infância, conflitos com os pais e família, traumas

– Criar mecanismos mentais de forma a bloquear os pensamentos negativos e a aumentar a autoestima e a autoconfiança.

– Melhorar as capacidades de comunicação e a qualidade das suas relações interpessoais;

– Encontrar estratégias para o ajudar a adaptar-se a novos desafios e a gerir a sua ansiedade;

– Retomar o controlo da sua própria vida e da sua paz interior.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem dos Médicos
A emissão de atestados médicos para obtenção ou renovação da carta de condução, no quadro dos requisitos legais exigidos aos...

Esta função implica uma responsabilidade relevante à qual deve corresponder a exigência e rigor devidos quanto às condições e meios utilizados para efetuar os juízos clínicos. 

Em face das questões associadas à adequação deontológica de uma realidade em crescimento, de emissão online de atestados médicos sem a presença do utente, para efeitos de acesso à carta de condução, a Ordem dos Médicos entendeu como oportuna e necessária uma tomada de posição, mediante pronúncia do Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas.

O parecer emitido por aquele órgão consultivo, aprovado pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos esta semana, determina e recomenda que:

  • A avaliação clínica de um doente para emissão de atestados médicos para emissão ou revalidação de carta de condução, em regra, não deve ser realizada por consulta não presencial, uma vez que dificilmente consegue garantir a avaliação completa de todas as áreas a serem consideradas.
  • Consideram-se, como exceção, os casos em que o médico consultado seja o médico assistente do doente, que dispõe do respetivo histórico clínico, ou quando é fornecido ao médico consultado todas as informações clínicas essenciais à correta avaliação e emissão do atestado.
  • A avaliação clínica para efeitos de emissão de atestados médicos deve ser devidamente registada em plataformas informáticas destinadas a utilização médica, seja no setor público, privado ou social.
  • Os atestados médicos para emissão ou revalidação de carta de condução só deverão ser emitidos após registo obrigatório da avaliação realizada, à semelhança do que acontece com o sistema SClinico, em detrimento da utilização de plataformas que não exigem o registo da avaliação seriada de cada área analisada.

 

Sociedade Portuguesa de Cardiologia alerta
As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte nas mulheres em Portugal, representando quase metade de todas...

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Eurostat, as DCV são responsáveis por 45-50% de todas as mortes femininas na Europa. Em Portugal, as doenças do aparelho circulatório, como o AVC e a doença coronária, continuam a ser a causa número um de mortalidade no sexo feminino. Em termos comparativos, uma mulher tem cerca do dobro da probabilidade de morrer de doença cardiovascular do que de cancro.

A campanha "Bem Me Quero" destaca que a saúde do coração da mulher é influenciada por alterações fisiológicas únicas. Fases como a gravidez e a menopausa, e condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou a endometriose, podem aumentar significativamente o risco de doença cardiovascular.

"Durante muito tempo, a saúde cardiovascular da mulher foi subestimada. Neste Dia da Mulher, queremos capacitar as mulheres com o conhecimento de que a sua jornada de vida tem implicações diretas na saúde do seu coração. A prevenção e as conversas abertas com o médico são as ferramentas mais poderosas que temos", explica Cristina Gavina, presidente da SPC.

A SPC alerta que condições como as doenças hipertensivas na gravidez, a diabetes gestacional ou os abortos de repetição são indicadores de um risco cardiovascular elevado. Recomenda-se que as mulheres que passaram por estas situações vigiem a sua pressão arterial regularmente e façam o rastreio da diabetes a cada 1 a 3 anos após o parto. De igual forma, a menopausa está associada a um aumento da gordura abdominal e a alterações do colesterol, riscos que podem ser mitigados com um estilo de vida saudável e acompanhamento médico.

A campanha "Bem Me Quero" incentiva as mulheres a assumirem o controlo da sua saúde cardiovascular através de estratégias de prevenção simples: manter um estilo de vida ativo, uma alimentação saudável, medir regularmente a pressão arterial e, mais importante, discutir os seus fatores de risco específicos com o seu profissional de saúde.

Opinião
Recentemente foi divulgado num jornal de Coimbra um estudo conduzido por investigadores ligados à Un

À primeira vista, esta ideia parece fascinante. A noção de que o cérebro humano possui uma extraordinária plasticidade e capacidade de adaptação é, sem dúvida, uma das descobertas mais importantes da neurociência moderna. No entanto, quando esta narrativa é apresentada de forma simplificada ou romantizada, corre-se o risco de transmitir uma mensagem incompleta — e potencialmente perigosa — sobre as consequências da perda auditiva.

É verdade que o cérebro se adapta. Mas adaptar-se não significa, necessariamente, melhorar.

A chamada plasticidade cerebral é um mecanismo de sobrevivência. Quando uma área do cérebro deixa de receber estímulos — como acontece com a privação auditiva — outras redes neuronais podem ocupar esse espaço funcional. Em pessoas com surdez profunda desde o nascimento, por exemplo, já se observou que regiões tradicionalmente associadas à audição podem passar a responder a estímulos visuais ou tácteis.

Contudo, esta reorganização também tem um lado menos frequentemente discutido: ela pode tornar mais difícil recuperar a função auditiva quando esta volta a ser estimulada, seja através de próteses auditivas, seja através de implantes cocleares.

Diversos estudos internacionais têm demonstrado que períodos prolongados de privação auditiva podem alterar a forma como o cérebro processa o som. Quando a estimulação regressa, o cérebro pode ter de reaprender a interpretar sinais que anteriormente eram automáticos. Esse processo exige treino, tempo e um esforço cognitivo considerável.

A metáfora mais simples é a de um músculo que deixa de ser utilizado durante muito tempo. Não desaparece, mas perde força, coordenação e eficiência.

Este fenómeno é particularmente relevante num contexto em que a perda auditiva afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo com o envelhecimento da população. Nos últimos anos, vários trabalhos científicos têm vindo a demonstrar uma associação consistente entre perda auditiva não tratada e maior risco de declínio cognitivo e demência.

Em 2020, a prestigiada Lancet Commission on Dementia Prevention identificou a perda auditiva como um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de demência. A explicação mais provável não é simples, mas envolve vários mecanismos: maior esforço cognitivo para compreender a fala, redução da estimulação cerebral e, frequentemente, isolamento social.

Ou seja, quando o cérebro recebe menos estímulos auditivos, não está apenas a “adaptar-se”. Pode estar também a perder oportunidades fundamentais de estimulação e interação com o mundo.

Nada disto invalida a importância da investigação sobre a plasticidade cerebral em pessoas surdas. Pelo contrário: trata-se de um campo científico fundamental para compreender como o cérebro humano funciona e como podemos melhorar estratégias de reabilitação auditiva.

Mas é essencial evitar leituras simplistas.

A reorganização cerebral não deve ser apresentada como uma espécie de compensação milagrosa da perda auditiva. O cérebro não substitui um sentido perdido por outro mais poderoso; ele apenas tenta reorganizar os recursos disponíveis para lidar com uma nova realidade sensorial.

Na prática, isto significa que ouvir continua a ser uma das formas mais ricas e complexas de estimular o cérebro humano. A audição envolve linguagem, memória, atenção, emoção e interação social. É um processo cognitivo extremamente sofisticado.

Quando essa porta sensorial se fecha — total ou parcialmente — o impacto vai muito além do ouvido.

Por isso, a discussão sobre surdez, implantes cocleares, próteses auditivas ou língua gestual não deve ser reduzida a debates ideológicos ou identitários. Deve ser, antes de tudo, uma conversa informada pela ciência e pela experiência real das pessoas que vivem diariamente com perda auditiva.

A ciência tem muito para nos ensinar sobre a capacidade de adaptação do cérebro. Mas também nos lembra de algo fundamental: a estimulação sensorial, a comunicação e a interação humana são elementos essenciais para manter o cérebro ativo, saudável e conectado ao mundo.

A plasticidade cerebral é extraordinária.

Mas não faz milagres.

 

Adenda: ciência, tradição e bom senso

Curiosamente, a ideia de que a perda de um sentido leva automaticamente ao “aperfeiçoamento” dos restantes não é nova. Está presente no imaginário popular há séculos e aparece até em interpretações de textos bíblicos atribuídos a Jesus Cristo, frequentemente resumidas na expressão de que, quando um sentido falha, os outros se tornam mais apurados. Trata-se, porém, de uma metáfora espiritual sobre vigilância e atenção, e não de uma descrição científica do funcionamento do cérebro humano.

A neurociência contemporânea mostra que a realidade é muito mais complexa. Estudos de neuroimagem funcional realizados em universidades como Harvard, Johns Hopkins e University College London demonstraram que, em situações de privação auditiva prolongada, ocorre aquilo que os investigadores chamam cross-modal plasticity — ou plasticidade intermodal. Nesses casos, áreas do córtex auditivo podem começar a responder a estímulos visuais ou somatossensoriais.

Investigadores como Michael Merzenich, Nina Kraus ou Anu Sharma têm demonstrado que essa reorganização pode trazer benefícios adaptativos em certos contextos, mas também pode dificultar a reabilitação auditiva tardia. Em particular, estudos com utilizadores de implante coclear mostram que quanto maior o período de privação auditiva antes da reabilitação, maior pode ser o esforço necessário para que o cérebro volte a interpretar corretamente os sinais sonoros.

Ao mesmo tempo, trabalhos conduzidos por Frank Lin, da Johns Hopkins University, revelaram que pessoas com perda auditiva moderada a severa apresentam um risco significativamente maior de desenvolver demência ao longo do tempo, quando comparadas com pessoas com audição preservada. Estas conclusões foram reforçadas pelo relatório da Lancet Commission on Dementia Prevention, Intervention and Care, que identificou a perda auditiva como o principal fator de risco potencialmente modificável para demência na meia-idade.

Estas evidências não pretendem negar a extraordinária capacidade de adaptação do cérebro humano. Pelo contrário: mostram precisamente como essa adaptação depende da estimulação contínua dos sistemas sensoriais.

A lição que emerge da investigação científica é clara: o cérebro adapta-se, sim, mas precisa de estímulo, treino e contacto com o mundo para manter as suas redes neuronais ativas.

Talvez seja essa, afinal, a verdadeira síntese entre sabedoria antiga e ciência moderna: o ser humano adapta-se, mas não sem custo.

E no silêncio prolongado, o cérebro também paga um preço.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
Tem reparado que certas zonas da sua barba estão a enfraquecer ou apresentam falhas em forma de moed

O consenso entre os especialistas é de que a sua origem está ligada ao sistema imunitário, que identifica os folículos pilosos como ameaças a neutralizar, fatores genéticos ou situações de stress elevado. Embora a predisposição genética seja o fator-chave, é também possível que as infeções dentárias favoreçam o surgimento de alopécia areata na barba.

É comum sofrer-se de alopécia areata na barba pelo menos uma vez na vida, especialmente se algum familiar a tiver manifestado. Não sendo uma condição preocupante, pode trazer consequências psicológicas indesejáveis às pessoas afetadas. A queda repentina e muito localizada dos pelos da barba constitui uma alteração estética brusca, passível de afetar a saúde mental.

Que tratamentos existem para a alopécia areata na barba?

As soluções para a alopécia areata na barba não são definitivas, nem resolvem 100% da queda. No entanto, algumas das áreas afetadas conseguem recuperar por si próprias e a queda não é necessariamente definitiva.

Em todo o caso, o ideal será recorrer aos serviços de um especialista em saúde capilar para um diagnóstico personalizado que indique a severidade da condição e as causas concretas da alopécia areata na sua barba. Poderá também descobrir se esta forma de alopécia está associada a um problema de tiroide ou a outras doenças.

Os tratamentos mais comuns incluem o Minoxidil, assim como os corticoides por via tópica, oral ou injetados. É também possível a aplicação de cremes com imunomoduladores, como a difenciprona, e imunossupressores como a ciclosporina e a azatioprina.

A combinação destes tratamentos médicos com outros, como o Activeplasma (Plasma Rico em Plaquetas) irá garantir-lhe melhores resultados.

Em que situações o transplante de barba é a solução?

Tenha presente que o transplante de barba não costuma ser apresentado como opção de tratamento para os casos de alopécia areata na barba, uma vez que os novos pelos implantados poderão também cair. Um transplante de barba é um procedimento que interessa a cada vez mais a homens e envolve tirar cabelo da parte de trás do couro cabeludo e transplantá-lo para a área da barba. É adequado para pessoas que têm uma falta de crescimento de pelos faciais causada por questões genéticas ou cicatrizes. Também para aqueles que estão à procura de mais densidade em certas áreas da barba.

Em média, cerca de três/quatro meses após o transplante da barba, os folículos implantados começam a crescer e proporcionam uma barba completa para toda a vida.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Doença Valvular Cardíaca
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) vai realizar a 15.ª Reunião VaP-APIC, nos dias 19 e 20 de março,...

“Este é o maior evento nacional sobre o tratamento percutâneo da doença valvular cardíaca. A reunião VaP-APIC tem-se estabelecido como um encontro para os profissionais envolvidos nesta área partilharem conhecimentos e casos clínicos, discutirem a evidência científica mais recente e explorarem técnicas de intervenção inovadoras. Esta edição prepara-se para marcar um novo capítulo na intervenção estrutural valvular em Portugal, pelo que foi construído um programa com tópicos muito atuais e mesas redondas dedicadas a esta temática”, esclarece Joana Delgado Silva, presidente da APIC.

De acordo com Cláudia Jorge, presidente da Comissão Organizadora da 15.ª Reunião VaP-APIC, “este ano queremos que o foco vá além da TAVI, com destaque na intervenção valvular percutânea mitral e tricúspide. É uma área com grande evolução e com várias inovações, pelo que merece ser destacada. O programa científico foi desenvolvido de maneira a mostrarmos o que se faz de melhor na Cardiologia de Intervenção em Portugal, com casos live in the box em todas as sessões, seguidos de palestras por faculty nacional e internacional de forma presencial, para promover a interação e discussão clínica entre pares”.

E acrescenta: “a reunião incluirá cursos específicos, que promoverão a discussão entre pares e a proximidade com peritos nacionais e internacionais. Vamos manter os tão concorridos cursos de TAVI coordinator e de acessos vasculares e resolução de complicações. Simultaneamente, vamos inovar com os cursos de Imagem na Intervenção Valvular Percutânea – TEER, com foco na ecocardiografia transesofágica e ICE 4D e num mastering em redo-TAVI. Acreditamos que vai ser uma oportunidade única de aprendizagem, com momentos exigentes e estimulantes, que permitirão promover a partilha de experiências e facilitar o networking entre os profissionais de saúde”.

Este evento é destinado a todos os profissionais de saúde, bem como estudantes da área da saúde, que tenham interesse nas temáticas da intervenção aórtica, mitral e tricúspide.

Para mais informações, consulte: www.vap-apic.pt

 

Universidade de Coimbra
Um grupo de cientistas – coordenado pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC),...

Esta reprogramação foi possível graças à criação de uma plataforma, chamada REPROcode, que vai auxiliar os cientistas em processos de mapeamento e reprogramação de células imunitárias. Nesta plataforma, os investigadores criaram uma biblioteca composta por mais de 400 fatores de transcrição – proteínas capazes de reprogramar a maioria dos tipos de células imunitárias –, identificados por “códigos de barras”, o que permite rastrear quais promovem a reprogramação dos diferentes tipos de células imunitárias.

“Esta ferramenta permite testar dezenas de combinações de fatores em simultâneo, de forma a identificar quais possibilitam a obtenção de vários tipos de células imunitárias”, explica o investigador do CNC-UC, Carlos-Filipe Pereira, que coordenou a investigação.

Para além de permitir programar células NK, a investigação também identificou fatores para melhorar a reprogramação de tipos celulares já conhecidos, para os quais a combinação já era conhecida. Esta investigação vem assim abrir caminho ao desenvolvimento de novas abordagens para a imunoterapia celular.

A imunoterapia, que utiliza o sistema imunitário da pessoa doente para combater o cancro, é atualmente uma das áreas mais promissoras da medicina. Contudo, uma parte significativa dos tumores e indivíduos não responde a este tipo de tratamento. Muitos tipos de células imunitárias são úteis em imunoterapia, mas são raras no sangue e difíceis de obter diretamente de pacientes, sendo muito importante o avanço da sua produção em laboratório, tal como foi feito neste estudo.

Os investigadores construíram também um “mapa-guia” dos fatores que controlam a formação das diferentes linhagens de células imunitárias. Através da reprogramação celular, uma célula pode ser convertida noutro tipo celular distinto, permitindo gerar células do sistema imunitário para fins de imunoterapia. Contudo, a maioria das combinações de fatores de transcrição permanecem ainda desconhecidas, sendo o mapa criado no âmbito do estudo um importante contributo para o avanço do conhecimento sobre os referidos fatores.

“A nossa abordagem funciona como uma ‘caixa de ferramentas’ que permite gerar células imunitárias em laboratório a partir de células mais fáceis de recolher e replicar, como as da pele. Esta estratégia facilita o desenvolvimento de imunoterapias mais eficazes, reduzindo o risco de ineficácia em determinados pacientes e possibilitando o avanço de novas abordagens contra o cancro e outras doenças do sistema imunitário”, diz Carlos-Filipe Pereira.

O líder do grupo de investigação do CNC-UC em Reprogramação de Células Imunitárias avança ainda que “no futuro, além de permitir gerar células que ativam o sistema imunitário contra o cancro, esta abordagem poderá ser expandida para produzir células que o ensinam a não atacar o próprio corpo, abrindo caminho a novas terapias em doenças autoimunes, como a diabetes ou a artrite reumatoide”.

Este estudo contou ainda com a participação de investigadores de instituições sediadas na Suécia e na Alemanha, como o Lund Stem Cell Center e o Wallenberg Centre for Molecular Medicine (da Universidade de Lund), o National Bioinformatics Infrastructure Sweden (com colaborações da Universidade de Lund e da Universidade de Estocolmo), o Institute of Computational Biology do Helmholtz Zentrum München e a Asgard Therapeutics.

O artigo A combinatorial transcription factor screening platform for immune cell reprogramming (Uma plataforma combinatória de triagem de fatores de transcrição para reprogramação de células imunes, em português), publicado na revista Cell Systems, está disponível em www.cell.com/cell-systems/fulltext/S2405-4712(25)00290-X.

 

Opinião
A dor lombar é muito comum e atinge cerca de dois terços dos adultos em algum momento da vida.

A dor pode irradiar para a perna, provocar formigueiro, fraqueza e limitar movimentos simples do dia‑a‑dia. A maioria melhora sem cirurgia, mas o impacto físico e emocional é grande, sobretudo nas mulheres, em quem a doença é frequentemente subestimada.

Entre os 30 e os 50 anos, idade de pico de ocorrência, as mulheres acumulam múltiplas jornadas: trabalho, casa, filhos, pais, responsabilidades que raramente se partilham por igual. Nas profissões fisicamente exigentes como limpezas, indústria, agricultura, lares e hospitais, a carga sobre a coluna é diária. A isso somam‑se fatores biológicos: gravidez, menopausa e alterações hormonais que afetam a força e estabilidade dos tecidos da coluna.

Durante a gravidez, o corpo adapta‑se para acolher o bebé: aumenta o peso, muda o centro de gravidade, crescem a curvatura lombar e a flexibilidade das articulações. São transformações naturais, necessárias, mas que exigem esforço do sistema músculo‑esquelético. Embora as hérnias discais durante a gestação sejam raras, a dor lombar é quase universal e, em muitos casos, prolonga‑se depois do parto.

Com o avançar da idade, a situação agrava‑se. Estudos mostram que o estreitamento dos discos é mais rápido e acentuado nas mulheres, particularmente após os 70 anos. A diminuição dos estrogénios durante a menopausa acelera o desgaste discal, o que se traduz em mais dor, menos mobilidade e maior limitação.

Apesar de tudo isto, muitas queixas continuam a ser interpretadas como psicológicas”. É frequente ouvir que a dor “é do cansaço” ou “é nervoso”. Ora, compreender as causas reais da dor lombar é um passo fundamental para tratá‑la de forma adequada — com avaliação clínica, fisioterapia, exercício orientado e educação sobre o movimento e o corpo.

A cirurgia deve ser exceção, reservada a casos em que a dor é incapacitante ou existe compressão neurológica. Para a maioria, a recuperação faz‑se com base em programas conservadores, controlo da dor, fisioterapia, programas de exercício adaptado e educação sobre a condição, regresso gradual à atividade física e atenção à postura e ao equilíbrio muscular.

Neste Dia da Mulher, é tempo de olhar para a dor lombar não como um mal menor”, mas como um problema de saúde que afeta a autonomia e a qualidade de vida de milhões de mulheres.

Para mais informações, consulte o website da Campanha Olhe pelas suas Costas: https://olhepelassuascostas.pt/

 

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Opinião
A retinopatia diabética é uma complicação da diabetes e atinge cerca de 75% das pessoas com a doença

Uma complicação séria decorrente da retinopatia é o edema macular. É possível tratar nos estágios iniciais, porém, a perda de visão pode ser irreversível em demais casos.

O primeiro passo, básico e de enorme importância, consultar um oftalmologista, para examinar os seus olhos e definir a periodicidade de controlo de acordo e grau da sua retinopatia diabética, mesmo que a acuidade visual seja aparentemente boa. Detetar

problemas oculares o mais cedo e iniciar o seu tratamento de imediato irá prevenir problemas mais graves no futuro. Questione o seu oftalmologista sobre a possível existência de cataratas ou glaucoma. Se pretende engravidar em breve ou se está grávida e é diabética, consulte um oftalmologista durante seus primeiros 3 meses de gravidez.

A retina tem uma rede de minúsculos vasos sanguíneos que são facilmente danificáveis com glicemias altas e particularmente vaiáveis (alta e baixas, alternantes) assim como se coexistir uma pressão arterial elevada por uns longos períodos que agravará as lesões destes vasos sanguíneos.

Manter a glicemia e pressão arterial o mais próximo do padrão de normalidade possível é o princípio básico e essencial para evitar a Retinopatia Diabética. Logo ter um EXCELENTE controlo metabólico da glicémia é peça básica no controlo do aparecimento e/ou evolução da Retinopatia diabética, mas não esquecer também a importância de fatores agravantes como a tensão arterial, gorduras do sangue (colesterol, lipídios, triglicerídeos) assim como e no sentido inverso, benéfico, é ter uma vida saudável com pratica de exercícios físico.

Não devemos esquecer que a Retinopatia Diabética é uma das três principais causas de cegueira irreversível e o descontrolo metabólico a sua principal causa de agravamento.

O tratamento da retinopatia diabética é difícil e complexo, pois há múltiplos os fatores que intervêm para que resulte. O atraso no tratamento é a causa mais relevante para que o tratamento não seja tão eficaz. O controlo de fatores agravantes, como, o controlo metabólico da glicemia, pressão arterial, perda de peso, perfil lipídico-colestrol-triglicerideos, ou função renal, é crucial para a eficácia do tratamento. No entanto, em casos mais graves outros tipos de estratégias mais agressivas serão necessários.

A retinopatia diabética é classificada em vários graus de gravidade (de 1 a 5).

Assim, consoante o nível de complicações, maior será a complexidade da intervenção necessária. Nos estádios mais precoces, como por exemplo, nos doentes sem retinopatia diabética aparente, com retinopatia diabética não proliferativa mínima (grau 1), ou em que não seja possível quantificar qualquer sinal de retinopatia diabética (grau 2) é necessária apenas vigilância periódica frequente. Nestes casos, uma gestão correta do controlo metabólico da diabetes poderá ajudar a prevenir o avanço de complicações a nível ocular.

Por outro lado, nos estádios mais avançados, como na retinopatia diabética proliferativa (grau 3), na avançada, com ou sem edema macular diabético (grau 4) ou na retinopatia diabética proliferativa avançada com hemovítreo (presença de sangue no interior do olho, no humor vítreo), descolamento de retina tracional ou edema macular diabético crónico com uma resposta ineficaz (grau 5) são necessárias intervenções mais agressivas em complexidade e invasivas.

Para estes doentes, existem 3 tipos principais de tratamento da retinopatia diabética: terapia com laser, injeção intraocular de medicamentos ou cirurgia.

 

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Dia Mundial da Obesidade
Com mais de metade da população portuguesa com excesso de peso (67,6%) e a obesidade a afetar 28,7% dos adultos, a Ordem dos...

Os dados constam do mais recente Despacho emitido, em 2025, pelo Gabinete da Secretária de Estado da Saúde, e confirmam o excesso de peso como um dos principais desafios de saúde pública em Portugal. Neste Dia Mundial da Obesidade, que em 2026 assinala o mote “8 mil milhões de razões para agir”, a Ordem dos Nutricionistas reforça o alerta para a necessidade de uma resposta estrutural, contínua e sustentada.

Para além da população adulta, com a obesidade a afetar 28,7% dos adultos, também os números na infância são preocupantes: em 2022, 31,9% das crianças entre os 6 e os 8 anos tinham excesso de peso e 13,5% viviam com obesidade. Já o impacto na saúde e na mortalidade é igualmente expressivo: entre 2000 e 2021, a mortalidade associada ao excesso de peso aumentou 14% e a perda de anos de vida saudáveis cresceu 28% (dados do Roteiro de Ação para Acelerar a Prevenção e Controlo da Obesidade em Portugal 2025-2027, da Direção-Geral de Saúde).

Perante este cenário, a Ordem dos Nutricionistas reforça que a obesidade é uma doença complexa, multifatorial e crónica, que exige uma abordagem contínua e integrada. A intervenção nutricional assume, assim, um papel determinante, sendo transversal à prevenção, ao tratamento e à manutenção, e deve estar plenamente integrada nas políticas públicas de saúde e no acesso efetivo da população a cuidados especializados.

“A dimensão dos números que hoje conhecemos exige uma resposta estrutural e sustentada, mas também evidencia a necessidade de garantir a sua monitorização e atualização contínua, para que as políticas públicas e estratégias assentem em dados atuais e robustos. A intervenção nutricional é determinante em todas as fases - da prevenção ao acompanhamento a longo prazo - e deve estar plenamente integrada no acesso efetivo da população a cuidados especializados”, afirma Liliana Sousa, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

A Ordem dos Nutricionistas sublinha ainda que combater a obesidade implica uma visão intersectorial, envolvendo saúde, educação, autarquias e decisores políticos, com foco na promoção de comportamentos alimentares mais saudáveis e sustentáveis. Neste Dia Mundial da Obesidade, a Ordem reafirma o seu compromisso em contribuir ativamente para soluções que respondam a um dos mais exigentes desafios de saúde pública em Portugal.

 

21 a 23 de maio no Centro de Congressos de Lagoa
A comissão organizadora do 32º Congresso Nacional da Medicina Interna (CNMI) acaba de abrir as inscrições para os seis cursos...

Doenças autoimunes, acidente vascular cerebral, doenças sexualmente transmissíveis, obesidade, suporte ventilatório não invasivo e ecografia são as áreas em destaque nestas ações formativas.

Estes cursos têm objetivos muito concretos e constituem momentos ideais de formação para adquirir e atualizar conhecimentos em áreas vitais da Medicina Interna”, afirma Nuno Bernardino Vieira, presidente do 32º CNMI

Além da variedade temática destaca-se ainda a variedade de oferta na tipologia de cursos, com cursos exclusivamente presenciais e outros em b-learning. A componente presencial dos cursos decorrerá no dia 20 de maio, precisamente a véspera do arranque do 32º CNMI. As inscrições nos cursos encerram no dia 26 de abril, ou antes desta data, se as vagas esgotarem.

O 32º Congresso Nacional de Medicina Interna realiza-se de 21 a 23 de maio no Centro de Congressos de Lagoa, no Algarve. “Pretendemos com este congresso traçar com a participação dos internistas portugueses um caminho de futuro para a nossa Medicina Interna, um caminho que seja gerador de Valor em Saúde, guiados pela nossa missão… ser o médico do doente”, afirma o presidente do Congresso.

 

Inscrições - https://cnmi.spmi.pt/cursos-pre-congresso/

 

Estudo revela
Um estudo, liderado por uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC), revela novos dados sobre o processamento de...

A investigação mostra que o córtex auditivo em pessoas com surdez congénita responde a estímulos visuais também através de desativação neuronal, e não apenas por ativação, como se pensava até agora. Ou seja, em pessoas com surdez desde o nascimento, a região do cérebro que processa informação auditiva também utiliza um padrão de redução de atividade para representar a informação visual. Tal sugere que o cérebro usa variadas estratégias para se adaptar à ausência de um sentido – neste caso, usando o córtex auditivo para processar informação visual.

Este trabalho, publicado na revista Human Brain Mapping, abre novas linhas de investigação sobre como o cérebro processa informação sensorial na ausência de um sentido, ao sugerir que as respostas de redução da atividade do cérebro também desempenham um papel ativo neste processamento. As novas pistas lançadas pelo estudo podem ajudar a refinar dispositivos de alta tecnologia que são usados para restaurar a audição, como os implantes cocleares.

A capacidade de o cérebro reorganizar o seu funcionamento em resposta à privação sensorial – conhecida como plasticidade cerebral – é um tema muito estudado na neurociência, embora muita informação permaneça por conhecer ou esclarecer. “Sabemos que a organização funcional e a estrutura do cérebro sofrem alterações em pessoas privadas de um sentido, e que em surdos congénitos o córtex auditivo é recrutado para processar informação visual”, contextualiza a investigadora e doutoranda da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e coautora do estudo, Joana Sayal. “Em estudos anteriores percebeu-se como a informação visual chegava ao córtex auditivo de pessoas surdas congénitas. Neste estudo, analisamos de que forma é que essa informação está organizada”, elucida.

Para tal, a equipa utilizou ressonância magnética funcional para comparar a atividade cerebral de adultos surdos desde o nascimento e adultos com audição perante estímulos visuais. Num segundo momento, a equipa de investigação aplicou uma técnica avançada, chamada modelação de campos recetivos populacionais (pRF), para analisar as características da representação da informação visual no cérebro.

Os resultados demonstram que, durante a observação de estímulos visuais, o córtex auditivo de pessoas com surdez apresenta predominantemente desativações, um padrão que também pode transportar informação relevante sobre o estímulo visual. Neste processo, o cérebro “reutiliza” áreas que deixaram de receber som para processar detalhes do que as pessoas estão a ver.  “Em participantes surdos, o córtex auditivo apresenta respostas visuais espacialmente organizadas – como acontece no córtex visual, denominada organização retinotópica – e essa reorganização sensorial não acontece apenas através de ativações, mas também por mecanismos de supressão ou desativação neuronal, que podem ser igualmente informativos”, explica investigadora da FPCEUC e coautora do estudo, Zohar Tal.

A investigação contou também com a participação do docente e investigador da FPCEUC e diretor do Proaction Lab, Jorge Almeida, e com a colaboração de cientistas da China e do Reino Unido. Foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pelo Conselho Europeu de Investigação, através do projeto científico ContentMap, e pelo programa ERA Chair Actions, através do projeto CogBooster.

O artigo científico The neural organization of visual information in the auditory cortex of the congenitally deaf (A organização neural da informação visual no córtex auditivo de pessoas com surdez congénita, em português) está disponível em https://doi.org/10.1002/hbm.70444.

 

Obesidade
“Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade”, assinado pelas principais sociedades médicas e associação de pessoas com a doença,...

No âmbito do Dia Mundial da Obesidade, as principais sociedades médicas e a Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO) lançam o "Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade", numa resposta ao desafio lançado pela World Obesity Federation. Juntas, exigem uma estratégia nacional mais robusta e integrada para esta doença crónica, que afeta quase um terço da população adulta portuguesa, segundo a Direção-Geral da Saúde. Este apelo é um passo decisivo na mobilização da sociedade e das instituições perante um dos maiores desafios de Saúde Pública da atualidade.

O documento, que foi também assinado pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), e Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas (SPCO), sublinha a necessidade de implementar uma abordagem multidisciplinar, bem como de unir esforços e promover políticas transversais, baseadas em ciência, que garantam prevenção eficaz, diagnóstico precoce e tratamento acessível.

"A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, com elevado impacto na saúde metabólica, mecânica e mental. Como sociedade científica, temos a responsabilidade de impulsionar uma resposta clínica baseada em evidência", afirma Paula Freitas, presidente da SPEDM. “Trata-se de um apelo à coordenação entre instituições científicas, políticas e a sociedade civil — todas indispensáveis para transformar compromissos em ação concreta”.

José Silva Nunes, presidente da SPEO, reforça que “a ciência tem demonstrado que a obesidade exige uma resposta alicerçada em dados e factos.” Com este manifesto, “damos um passo necessário e urgente para aplicar essa evidência em política e em ação, garantindo que o conhecimento serve para melhorar efetivamente a vida das pessoas."

Para que a integração dos cuidados se torne uma realidade, os signatários defendem a centralidade do atendimento de proximidade. "A abordagem à obesidade começa junto da comunidade, nos Cuidados de Saúde Primários. O médico de família está na linha da frente, mas o sistema precisa de nos dar as ferramentas e o tempo necessários para criar relações de confiança, pilares de qualquer tratamento bem-sucedido", revela Nuno Jacinto, presidente da APMGF.

A importância da multidisciplinaridade é partilhada pela SPMI. "Na Medicina Interna, vemos diariamente como a obesidade está associada a centenas de outras patologias. Cada doente que tratamos é uma futura complicação que evitamos, poupando milhões de euros ao Serviço Nacional de Saúde”, explica Isabel Fonseca, coordenadora do Núcleo de Estudos de Obesidade da SPMI. Além disso, destaca o a importância da abordagem terapêutica individualizada e ajustada aos objetivos de cada doente para o sucesso do tratamento.

Segundo John Preto, presidente da SPCO, “a prevalência do excesso de peso e da obesidade exige que abordagem concertada seja uma urgência nacional. Este manifesto é o primeiro passo para reforçar a necessidade de um percurso de tratamento claro, integrado e que inclua todas as ferramentas eficazes e disponíveis. Os doentes não podem continuar a ter respostas fragmentadas.”

"Em Portugal, quem vive com obesidade não tem acesso a um tratamento completo e lutamos para que seja um direito. A prevenção e a cirurgia funcionam, mas o apoio farmacológico, essencial para muitos, não é comparticipado. A obesidade não é uma escolha, é uma doença biológica e, por isso, tem de ser verdadeiramente reconhecida como tal", conclui Carlos Oliveira, presidente da ADEXO.

O "Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade", uma iniciativa conjunta da SPEDM, SPEO, APMGF, SPMI, SPCO e ADEXO, com o apoio institucional da Lilly Portugal, declara que é tempo de agir com determinação e sentido de responsabilidade coletiva. Sociedades médicas e a associação de pessoas que vivem com obesidade pedem que se abandone o estigma e defendem que esta doença crónica exige uma resposta contínua, integrada e humanista.

 

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