Vacinas Covid-19
Segundo a edição de hoje do jornal italiano La Stampa, a Comissão Europeia decidiu não renovar os contratos com as...

“Em acordo com os líderes de muitos estados-membros”, escreve a publicação, a Comissão Europeia “decidiu que os contratos com as empresas que produzem vacinas válidos para o ano em curso, não serão renovados no seu termo".

Segundo apurou, esta irá focar a sua atenção nas vacinas contra a covid-19 que utilizam a tecnologia de “RNA mensageiro” (mRNA), como as vacinas produzidas pela Pfizer e Moderna.

Esta decisão torna-se conhecida depois do regulador de medicamentos norte-americano (FDA) e o Centro de Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos terem pedido para suspender temporariamente a administração da vacina da Janssen, na sequência de terem sido reportados seis casos de coágulos sanguíneos após a vacinação.

 

Iniciativa Solidária
Ricardo Martins, sobrevivente de leucemia, vai realizar uma caminhada entre Lagos e Fátima, entre os dias 14 e 21 de maio, com...

Em 2004, aos 31 anos, Ricardo foi diagnosticado com leucemia das células pilosas, considerada na altura um tipo muito raro de leucemia. Poucos dias passaram entre a primeira consulta, exames e o diagnóstico. Seguiu-se o tratamento que “na altura só tinha sido feito nos Estados Unidos, Japão, Alemanha e França. Em Portugal seria o primeiro a fazer e havia muito pouca informação em relação aos efeitos secundários. O meu médico teve de pedir uma autorização especial ao Ministério da Saúde para que pudesse fazer o tratamento”, explica o empresário residente em Lagos.

“Na semana que estive em tratamentos tive muito tempo livre e comecei a pesquisar sobre a doença. Percebi que já tinha sintomas há bastantes meses e nunca liguei por andar sempre muito ocupado, ao ponto de não dar a devida atenção à minha própria saúde. Nessa altura, vi também as dificuldades que os pais de crianças em tratamento tinham para estar com eles. Muitos com poucas possibilidades para suportar as despesas e poder acompanhar os filhos numa altura em que mais precisa”, recorda Ricardo.

No dia em que soube que tinha leucemia, Ricardo fez uma promessa a si mesmo: fazer uma caminhada entre Lagos e Fátima em maio de 2020, a qual teve de ser adiada devido à situação pandémica. Determinado a cumprir a promessa este ano, decidiu aproveitar a ação simbólica e angariar fundos para uma causa com a qual se identificasse.

“Fiz uma pesquisa para encontrar algo que tivesse alguma relação comigo e que ajudasse as famílias das crianças que mais precisam nestas alturas difíceis. A escolha recaiu naturalmente sobre a APCL. A casa de acolhimento que está a ser construída relacionava-se perfeitamente com o que assisti quando fiz os meus tratamentos e que sempre pensei que um dia gostaria de contribuir para ajudar essas famílias”, refere Ricardo.

Com partida marcada para 14 de maio, o percurso entre Lagos e Fátima, levará sete dias a ficar completo, totalizando mais de 340 quilómetros a pé. A iniciativa pode ser acompanhada nas páginas de Facebook e Instagram da APCL, assim como na Página de Facebook da própria ação. A campanha de angariação de fundos já está a decorrer e os donativos podem ser feitos através da plataforma Go Fund Me: http://gofund.me/93caf6b7

“Ficámos muito sensibilizados ao receber o contacto do Ricardo, não só pelo gesto simbólico de assinalar a vitória da batalha contra a leucemia, como o cariz solidário da iniciativa. Além disso, esta ação não podia vir em melhor altura. Neste momento precisamos de toda a ajuda possível para garantir o recheio e pintura da casa «Porto Seguro»”, refere o Prof. Manuel Abecasis, presidente da APCL.

O projeto “Porto Seguro” da APCL consiste numa casa de acolhimento em Lisboa para  doentes hemato-oncológicos, a transplantar ou em fase de terapêutica, e respetivo agregado familiar, para que durante o período de tratamentos e isolamento inerente à recuperação do doente, criança ou adulto, a família possa estar próximo e acompanhar, proporcionando assim o suporte emocional fundamental à recuperação. A casa, que se encontra em fase de construção, será a primeira casa de acolhimento para o efeito na capital. Este projeto de cariz social partiu da necessidade crescente que a Associação sentiu de apoiar famílias carenciadas com necessidade de se deslocar a outra cidade para se submeter a um transplante de medula óssea ou para acompanhar um familiar nessas circunstâncias.

Webinar
A Acreditar realiza já amanhã, dia 15 de abril, pelas 12 horas, o webinar “Espiritualidade e Cancro”. De participação gratuita,...

Em comunicado, a Acreditar faz saber que este “será um momento de partilha e reflexão sobre esta dimensão das nossas vidas, tão presente quando surge o diagnóstico de um cancro pediátrico”.

Por isso, “aproveite esta oportunidade e partilhe as suas questões com a oncologista pediátrica Ana Maia, a professora Helena Marujo e Júlia Stefanato, sobrevivente de cancro pediátrico”.  

A conversa será moderada pela jornalista Margarida Alpuim.

Para fazer a sua inscrição basta seguir o link: https://zoom.us/webinar/register/WN_vGtQ-6-_RHWqABBFLNi_Zw.

 

Dia Aberto Virtual
O Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa (IHMT-NOVA) vai realizar o Dia Aberto 2021 em modo...

“Em tempos de pandemia, o IHMT-NOVA decidiu abrir as portas virtuais e mostrar através de uma série de vídeos o que se faz neste instituto que reúne cientistas, professores e médicos a trabalharem para o objetivo comum do progresso científico e para formar futuros profissionais que possam fazer a diferença no mundo”, diz em comunicado.

Ao longo deste dia vão realizar-se ainda vários Webinares, que contam com a participação de “alunos e professores de escolas de norte a sul do país, com temas como Higiene e Parasitas, COVID-19: Infeção e vacinação, Saúde dos Migrantes e COVID-19, Infeções Sexualmente Transmissíveis, entre outros”.

O Dia Aberto realiza-se todos os anos e tem como objetivo dar a conhecer à comunidade a história e missão do IHMT-NOVA, tal como o trabalho desenvolvido na investigação, docência e serviços à comunidade (clínicos, laboratoriais e de saúde pública), com ênfase na contribuição da resolução dos problemas associados à saúde global e das regiões tropicais em particular e em consonância com os objetivos do desenvolvimento sustentável. “O Dia Aberto poderá também influenciar na descoberta de vocações profissionais dos jovens que nos visitam”, sublinha na sua nota.

Ao longo dos anos, explica o IHMT-NOVA, “têm sido inúmeros os visitantes que acorrem ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical no Dia Aberto: alunos de escolas, grupos de cidadãos que se organizam ou que o fazem individualmente, em família ou com amigos”.

Estes visitantes têm a oportunidade de participar em atividades como a extração de ADN e de observar diversos organismos como células infetadas com vírus e bactérias, bactérias, fungos, vermes, outros parasitas, moluscos, insetos e vetores transmissores de agentes causais de doença.

Têm também a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido na Consulta do Viajante, Biotério e visitar o museu ou as suas exposições.

“No ano de 2021 estão todos convidados para uma visita virtual… Boa viagem pelo mundo da ciência e medicina tropical!”, finaliza em comunicado.

 

Doença Venosa Crónica
As pernas são uma parte importante do nosso corpo, logo as queixas referentes a elas não são de desp

Em Portugal a prevalência da doença venosa crónica é de 20% nos homens e 40% nas mulheres. Num inquérito efetuado em 2010 verificou-se que 2 milhões de mulheres com mais de 30 anos de idade sofrem desta doença.

É responsável por 1 milhão de dias de trabalho perdidos por ano. Em cerca de 21% dos doentes existe como motivo para mudança de local de trabalho e leva a reformas antecipadas em 8% destes doentes.

Em outubro de 2010, no jornal “Noticias Médicas” foi publicado um estudo que revelou que 64% das mulheres com 50 anos de idade ou mais, veem a sua qualidade de vida significativamente afetada pela doença venosa crónica.

Como curiosidade histórica a 1ª descrição que existe de varizes dos membros inferiores surgiu em 1550 A.C. no “Papyrus Ebers”, os egípcios descreveram-nas como dilatações serpentiformes, enroladas, endurecidas e com nódulos. Mais tarde Hipócrates (460-377 A.C.) já recomendava a compressão como tratamento e citava os efeitos benéficos do repouso em situações de úlcera.

Galeno (130-200 D.C.) que viveu em Pérgamo, na Ásia menor, descreveu a extirpação das varizes entre duas laqueações e referiu que a dilatação das varizes tinha como causa a quantidade de sangue que existia no seu interior. Foi o cientista que descreveu pela 1ªvez a laqueação cirúrgica.

Ambroise Paré (1510-1590) foi um ilustre cirurgião de Paris, que em 1552 se tornou médico de Henrique II, “o tirano”, que foi acometido de uma úlcera de perna. Já nesta altura foram usados pensos e contensão elástica.

Ao longo dos séculos houve pessoas importantes que tiveram problemas graves do sistema venoso dos membros inferiores, como por exemplo” El Greco” (1541-1614), Henrique VIII e Catherine Parr, sua última mulher.

O que causa as varizes? De uma maneira simplista pudemos dizer que é tudo o que impeça o fluxo do sangue nas pernas. Por exemplo o uso de roupa apertada, a gravidez, determinados desportos (levantamento de pesos), o sentar e cruzar as pernas por períodos prolongados, obesidade, álcool, calor, hormonas (pilula, terapêutica de substituição na menopausa), o estar de pé ou sentado por períodos muito prolongados, uso regular de saltos altos, mas o maior risco é a predisposição genética.

Os primeiros sintomas da doença são pernas pesadas, edema dos tornozelos (inchaço), prurido, cãibras noturnas e dor nas pernas. Os sinais variam desde pequenos derrames, sem qualquer tipo de queixas, passando pelas varizes tronculares, dermatite e em último caso o aparecimento de úlcera de perna.

As dores das pernas podem ter várias origens, não são sempre doença venosa, temos que fazer o diagnóstico diferencial com a osteoartrite, as mialgias, a neuropatia periférica, a tendinite e a claudicação intermitente. O edema também existe noutras patologias, com por exemplo na insuficiência cardíaca, na insuficiência renal, no edema linfático, na lipodistrofia e em casos de hipoalbuminémia.

A avaliação da doença venosa passa sempre pela realização de um ecodoppler, que é um exame ecográfico, minimamente invasivo, que faz o estudo da circulação venosa superficial e profunda que permite determinar se existe refluxo, ou seja, insuficiência das válvulas venosas devido a dilatação ou se existe qualquer obstrução nos vasos. Em casos mais complicados pode se recorrer ao uso da flebografia, que é muito raro atualmente pois o ecodoppler fornece nos todos os dados necessários. Trata-se de um estudo radiológico com utilização de contraste e implica uma punção duma veia do membro inferior (exame invasivo).

Após termos o diagnóstico passamos à terapêutica, e aqui temos vários grupos. Temos a terapêutica médica, compressiva, a escleroterapia, a terapia por laser e a cirurgia.

Os mecanismos de ação da terapêutica oral (comprimidos) traduzem-se num efeito anti edema, um aumento do tónus venoso e um efeito na microcirculação, não tem qualquer ação profilática no aparecimento de varizes. Está indicado fazer a medicação sempre que exista edema, sensação de peso e cansaço, como coadjuvante do tratamento das úlceras de perna, na síndrome pré-menstrual e como profilaxia do edema nos voos de longo curso.

Na terapêutica compressiva consta de dois tipos as meias ou as ligaduras elásticas. A meia apresenta a máxima compressão ao nível do tornozelo, 100% e vai diminuindo conforme se sobe ou seja cerca de 70% na região gemelar e 40% na raiz da coxa. Existem meias até ao joelho, até raiz da coxa e collants, com ou sem biqueira, encontram-se distribuídas por 4 classes, consoante o tipo de compressão, então temos classe 1, compressão suave (até 20 mm Hg), que deve ser usada na prevenção das pernas pesadas em caso de gravidez ou por estar em pé durante muito tempo e até após uma sessão de escleroterapia. Temos a classe 2, compressão moderada (até 30 mm Hg), que deve ser usada em casos de veias varicosas pronunciadas, pernas inchadas, após cirurgia ou quando existem varizes na gravidez. Usar uma classe 3, compressão forte (até 40 mm Hg), após uma trombose venosa profunda ou úlcera de perna. A classe 4, compressão extraforte (até 60 mm Hg), deve ser usada no linfedema.

Existem as meias de descanso, cuja pressão varia entre os 6 e os 14 mm Hg, são exclusivamente para pessoas sem patologia documentada.

É muito importante a compra correta de uma meia pois esta tem que ter a medida certa, pois de modo contrário não vai ser possível calçar e sentir-se bem com ela. Aconselha-se sempre a escolher lojas da especialidade pois tem técnicos que sabem fazer uma avaliação correta do tamanho, não vão mudar a prescrição médica e vão ensinar a calçar e lavar a sua meia.

Quando existem derrames ou pequenos trajetos varicóticos, após um exame clínico e por ecodoppler que mostre que não existe patologia das safenas, pudemos tratar com escleroterapia ou até por laserterapia.

A escleroterapia (vulgarmente conhecida por secagem) consiste numa injeção de um medicamento num pequeno vaso, que vai provocar uma irritação da parede da veia levando à sua esclerose, ou seja, desaparecimento. Este tratamento implica várias sessões, muito bem toleradas, pois a dor da punção é mínima devido a agulha ser de um calibre muito reduzido. Uma noção que é preciso ter é que o facto de esclerosar umas veias não vai aumentar o número noutros locais. Deve ser tomado em atenção que não se pode fazer praia ou solário durante 3 semanas, em virtude do risco de pigmentação da pele, não se pode fazer atividade física intensa até às 48 h, mas pode caminhar, deve usar contensão elástica após o tratamento durante 3 dias e deve aplicar creme nos locais de punção, do tipo gel de arnica ou angiogel, para evitar os hematomas.

Quanto ao tratamento por laser, também são necessárias várias sessões, é praticamente indolor, tem indicação quando os “derrames” têm menos de 1mm, quando existe alergia ao medicamento da escleroterapia ou em caso de “medo das agulhas”. Após o tratamento mantem atividade diária normal.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Webinars
Durante dois dias, nutricionistas de todo o país estarão reunidos, nas plataformas digitais, para debater a evolução da...

Esta terça-feira, 13 de abril, no seminário “O nutricionista na Covid-19” estiveram presentes mais de três centenas de profissionais que, ao longo de todo o dia, abordaram temas desde as desigualdades e a insegurança alimentar, à intervenção nutricional no doente Covid-19, bem como à necessidade de se criarem estruturas para monitorizar a evolução das doenças crónicas, até à urgência da inovação e da aplicação da inteligência artificial em saúde pública.

Entre os oradores desta iniciativa estiveram João Breda, da Organização Mundial de Saúde, Ricardo Mexia, médico de saúde pública e epidemiologista e Maria João Gregório, Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS). Durante o seminário a conclusão de que os nutricionistas têm tido um contributo muito útil na resposta à Covid-19 foi generalizada, existindo, ainda, a perceção de todos de que é necessário aumentar a dimensão da atuação destes profissionais para que o acesso aos cuidados de nutrição esteja garantido a toda a população.

Hoje é a vez do I Fórum dos Jovens Nutricionistas, uma iniciativa da Comissão de Jovens Nutricionistas, o grupo de reflexão que iniciou funções em 2019 e que incide sobre as questões de acesso e de exercício da profissão. 

O que se espera de um jovem nutricionista e o que vai mudar na profissão nos próximos anos é o principal tema em cima da mesa no evento que pretende preparar a nova geração de profissionais para os novos desafios de saúde pública.

“A nutrição e a resposta à Covid-19 estão interligadas. Se, por um lado, os doentes crónicos manifestam consequências mais graves de infeção por Covid-19, nomeadamente os doentes com obesidade, exigindo um suporte nutricional atempado e adequado, por outro lado, esta pandemia estará a agravar o estado nutricional da população. É por isso que nos orgulhamos da adesão que estes eventos estão a ter entre os nutricionistas, pois sabemos a preponderância que a nutrição tem na situação pandémica”, salienta Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. 

Para a Ordem dos Nutricionistas é fundamental manter a troca de ideias entre profissionais com a certeza de que só a evolução no conhecimento e na investigação podem trazer tomadas de decisão adequadas e com base na evidência científica.

Balanço do Plano de vacinação
Segundo o coordenador da Task Force do Plano de Vacinação, o Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, a população com mais de 60...

“Quando vacinarmos toda a população acima dos 60 anos, na realidade, estaremos – segundo os dados dos óbitos – a proteger 96,4% das pessoas que faleceram em resultado desta pandemia. Vamos atingir este valor entre a última semana de maio e a primeira de junho”, disse o responsável no decurso da reunião que decorreu esta manhã no Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e que reúne especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para avaliação da situação epidemiológica.

Henrique Gouveia e Melo reafirmou também a meta de proteção de 70% da população para meados do verão. “Atingiremos 70% da população, que equivale a termos todas as pessoas acima dos 30 anos vacinadas, entre julho e agosto, com a primeira dose”, explicou.

Com 1,9 milhões de vacinas disponíveis para administrar em abril, o responsável assumiu, ainda, que o programa se encontra “numa semana de transição” e que vai entrar em curso “uma nova estratégia”, uma vez que há disponibilidade de vacinas» e que o aspeto fundamental será a “fluidez” do ritmo de vacinação.

 

Webinar "COVID-19 - O que esperar da vacina?"
A Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) promove amanhã (quarta-feira, 14), a partir das 17h00, o webinar ...

A iniciativa, com o objetivo de transmitir e discutir os fundamentos e a relevância clínica da vacinação, tem transmissão online, em https://youtube.com/channel/UCMRAHpos6YbipeIHqZm4u7w.

Este webinar sobre os aspetos mais importantes e as dúvidas relacionadas com o processo de vacinação contra a Covid-19 terá a abertura a cargo do Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão. Às intervenções de Manuel Santos Rosa (com o tema “Bases imunológicas da vacinação”) e Saraiva de Cunha (“Aspetos clínicos”), vai seguir-se um período de debate (aberto às questões colocadas pela audiência digital), com moderação do Diretor da FMUC, Carlos Robalo Cordeiro.

 

Casos raros de tromboembolismo
Este adiamento na entrega da vacina da Janssen surge depois de terem sido detetados dois casos suspeitos de tromboembolismo em...

Os EUA decidiram suspender a utilização da vacina da Janssen, esta terça-feira, depois de seis pessoas terem desenvolvido uma doença rara ligada ao coágulo sanguíneo no prazo de duas semanas após a vacinação, informou a FDA.

De acordo com o jornal El Mundo, as seis pessoas afetadas eram mulheres entre os 18 e os 48 anos. Uma delas morreu e outra está hospitalizado em estado crítico. Cerca de sete milhões de pessoas receberam a vacina Covid-19 da Janssen.

Na sequência destes casos foi convocada uma reunião de emergência do Centro de Controlo de Doenças (CDC), para esta quarta-feira.

Entregas na Europa ficam de “quarentena”

Enquanto se decide sobre o que fazer, a empresa já informou que irá adiar a entrega das doses contratualizadas com a Europa e que começavam a chegar esta semana.  "Revimos estes casos com as autoridades sanitárias europeias. Tomámos a decisão de adiar proativamente o lançamento da nossa vacina na Europa", explica Janssen em comunicado.

Esta rutura afeta as 200 milhões de doses compradas à empresa farmacêutica

Desde sexta-feira que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) tem vindo a investigar o risco de desenvolver tromboembolismo com a vacina da Janssen, depois de ter recebido um "sinal de alerta" relacionado com quatro casos graves de coagulação sanguínea após a vacinação com esta preparação.

 

Dados
O Diretor de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde, André Peralta Santos, adiantou hoje que Portugal...

De acordo com o responsável, ocorreu uma inversão da tendência de incidência, registando-se agora um aumento de casos na faixa etária dos 0 aos 9 anos de idades. As regiões do Porto e Lisboa e Vale do Tejo são aquelas onde o aumento das taxas de infeção entre os mais jovens é mais vísivel. 

Por outro lado, revela o especialista, começa a registar-se também um aumento da incidência entre os 25 e os 55 anos, que corresponde à população ativa.

Já as faixa etárias acima dos 80 anos, mais vulnerável à hospitalização e à morte por Covid-19, apresenta uma tendência decrescente. 

André Peralta indicou ainda que, nas ultimas semas, houve uma diminuição das hospitalizações e dos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), bem como da mortalidade.

Segundo o diretor da DSIA, "houve uma intensificação da testagem da semana 13 para a semana 14”, verificando-se que concelhos com maior incidência têm maior testagem".

No mesmo período, houve uma diminuição da taxa de positividade, que é inferior a 4%.

 

 

Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, cinco mortes e 408 novos casos de infeção por Covid-19. O número de doentes internados...

Segundo o boletim divulgado, foram registadas mais cinco mortes, três na região de Lisboa e Vale do Tejo, uma na região Centro e outra no Norte. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e Açores, não registaram nenhum óbito.

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 408 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 137 novos casos e a região norte 153. Desde ontem foram diagnosticados mais 48 na região Centro, 24 no Alentejo e 13 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais nove infeções e nos Açores 24.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 459 doentes internados, menos 20 que ontem. Também as unidades de cuidados intensivos passaram a ter menos um doente internado. Atualmente, estão em UCI 118 pessoas.

O boletim desta terça-feira mostra ainda que, desde ontem, 746 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 785.809 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 25.441 casos, menos 343 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância menos 217 contactos, estando agora 18.013 pessoas em vigilância.

 

 

Reunião Infarmed
Portugal apresenta atualmente uma incidência cumulativa a 14 dias “moderada, próxima dos 71 casos por 100.000 habitantes, e com...

Durante a sua intervenção na sessão de apresentação sobre a “Situação epidemiológica da COVID-19 em Portugal”, o responsável referiu que “o Algarve é a região de Portugal Continental que apresenta uma incidência mais elevada”.

No que diz respeito à dispersão geográfica da incidência, existem 22 concelhos com uma incidência cumulativa superior a 120 casos por 100.000 habitantes, o que corresponde a uma população de aproximadamente 646.000 pessoas.

Estes concelhos estão dispersos por todas as Administrações Regionais de Saúde (ARS), mas o Alentejo e o Algarve são as regiões que apresentam mais concelhos com uma incidência superior.

Na semana de 21 a 27 de março, o Baixo Alentejo e o Algarve registaram maiores crescimentos, depois na semana seguinte “algum crescimento também na zona do Algarve, do Barlavento para o Sotavento, e depois na última semana com algum crescimento também na zona norte da zona do Grande Porto e de Trás os Montes”.

 

Com capacidade para vacinar cerca de 600 pessoas por dia
Montado no Pavilhão Bernardino Coutinho, o centro de vacinação de Covid-19 de Marco de Canaveses, entrou hoje em funcionamento...

Segundo a Diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Tâmega (ACES) I Baixo-Tâmega, este centro de vacinação, que funciona no pavilhão municipal, “reúne todas as condições para funcionar com normalidade, tendo disponível, todos os dias entre as 8 e as 20 horas, quatro equipas de enfermagem e um médico”.

A mesma acrescentou que “os nossos centros de saúde não estão dotados de espaço, sobretudo para o recobro. Assim, garantimos condições ótimas para a população e para os profissionais”, sublinhando que dispõem de “um stock considerável de vacinas”, que permitirá “vacinar as pessoas elegíveis para esta fase da vacinação.

No concelho de Marco de Canaveses têm estado a funcionar dois centros de vacinação, que se mantêm em funcionamento na Unidade de Saúde do Marco de Canaveses.

 

Exposição Itinerante
A Comissão Executiva das Comemorações do Centenário da Descoberta da Insulina inaugura, dia 20 de abril às 11:30h, na Faculdade...

O propósito da iniciativa é revisitar os principais marcos históricos relativos ao tratamento da diabetes desde o antigo Egipto, onde em 1550 A.C. havia já referência a uma doença que se assemelha à diabetes, até 1921, o ano da descoberta da insulina.

A exposição faz ainda referência aos anos 80 do século XX, a década em que a insulina passou a ser comparticipada a 100% pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em Portugal destaca-se a figura de Ernesto Roma, a quem se deve a criação da primeira associação de diabetes do mundo, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), atualmente presidida por José Manuel Boavida.

A Comissão Executiva das Comemorações do Centenário da Descoberta da Insulina é constituída por José Luiz Medina, Luís Gardete Correia e Manuel Almeida Ruas, médicos endocrinologistas que acompanharam mais de meio século da história da insulina. As comemorações contam com o patrocínio da Federação Internacional da Diabetes.

A exposição inaugura no dia 20, às 11h30 e irá permanecer na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra até ao dia 3 de maio. Depois irá viajar até à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Para mais informações, consultar o link www.100anosinsulina.pt

 

 

Luiz Bronze é o novo presidente
No próximo dia 17 de abril, sábado, realiza-se a sessão de tomada de posse dos novos Corpos Sociais da Sociedade Portuguesa de...

A sessão decorre presencialmente pelas 11h, no Clube Militar Naval e será possível assistir por link Zoom dedicado: Iniciar a reunião - Zoom |  ID da reunião: 859 4886 4368  | Senha de acesso: 044126 .

Luís Bronze, cardiologista, diretor de Saúde da Marinha Portuguesa, e investigador integrado do Centro de Investigação e Desenvolvimento do Instituto Universitário Militar (CIDIUM), será o novo presidente. “É um grande orgulho ter sido escolhido para a esta honrosa posição. Esta eleição enriquece também a minha carreira clínica e científica. E, certamente, espero que contribua para o esforço que constitui o combate às doenças cardiovasculares, fonte de tanto sofrimento. Afinal, é mister da alma de cada médico o alívio da dor dos seus semelhantes… Também foi e será sempre aquele o meu objetivo, enquanto médico”, salienta.

Neste momento “as sociedades científicas são muito importantes para assegurar a informação científica mais atual e as boas práticas em relação à sua área científica de interesse. Esse papel é ainda mais relevante neste tempo pandémico em que as informações se sucedem, muitas vezes contraditórias e eivadas de “achismo”. Assim, no seu mandato, Luís Bronze quer dar destaque “aos principais desafios que são contribuir de todas as formas para o diagnóstico, combate e informação pública relativas a esta doença crónica e, ao cumprir este nobre desiderato, assegurar o engrandecimento e a continuidade do bom trabalho iniciado pelos meus antecessores, durante o biénio 2021-2023”.

O médico naval da Marinha Portuguesa é cardiologista com o grau de consultor da carreira médica hospitalar. É doutorado em Medicina/Cardiologia pela Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, sendo professor auxiliar e coordenador do Bloco Cardiocirculatório do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade da Beira Interior.

Entre outros cargos, é coordenador da linha de investigação da saúde, no Centro de Investigação Naval (CINAV), Escola Naval, Marinha Portuguesa. É diretor de Saúde da Marinha Portuguesa desde 26 de julho de 2018 e investigador integrado do Centro de Investigação e Desenvolvimento do Instituto Universitário Militar (CIDIUM).

No passado, foi cardiologista do Hospital da Marinha, subdiretor do Centro de Medicina Naval e responsável pela Secção de Cardiologia da referida instituição. Foi igualmente chefe de serviço de Cardiologia do Hospital das Forças Armadas (HFAR)/Polo de Lisboa, diretor do referido polo e, por inerência, subdiretor daquele grupo hospitalar militar, que inclui um polo em Lisboa e outro no Porto.

Entrevista
O cancro do pulmão continua a ser uma das principais causas de morte em todo o mundo.

Sabendo que o cancro do pulmão continua a ser umas das principais causas de morte a nível mundial, e para que possamos fazer o seu enquadramento na realidade no nosso país, começo por lhe perguntar qual a incidência do Cancro do Pulmão em Portugal? E qual a sua taxa de sobrevivência?

A nível mundial, o cancro do pulmão é o segundo cancro mais prevalente, logo a seguir ao cancro da mama, com 2 206 771 novos casos por ano, o que representa 11.4% do total de cancros (dados Globocan 2020). Além da elevada prevalência, o cancro do pulmão é ainda o que tem uma mortalidade mais elevada, em ambos os sexos. A nível nacional, os dados mais recentes indicam que, em 2020, foram diagnosticados 5.415 novos casos de cancro do pulmão, sendo a terceira neoplasia mais frequente, e aquela geradora de maior mortalidade, com 4.797óbitos (dados Globocan 2020).

A taxa de sobrevivência é dependente do estadio em que a doença é diagnosticada, pelo que é fundamental que se faça o diagnóstico o mais precocemente possível.

Quais os principais fatores de risco associados a esta doença? E quais as faixas etárias mais atingidas por esta neoplasia?

O tabaco é o principal fator de risco para o aparecimento de cancro do pulmão: oitenta e cinco a noventa por cento dos novos casos são detetados em fumadores. Se queremos diminuir o número de novos casos de cancro do pulmão, é fundamental prevenir o início do hábito nos mais jovens e ajudar os fumadores motivados a parar de fumar.

Existem outros fatores de risco associados a esta doença, como a contaminação ambiental, fatores genéticos ou alterações moleculares, mas numa percentagem muito pequena, quando comparados com o tabagismo.

É fundamental perceber que o tabagismo não provoca doenças de imediato. São necessárias várias décadas para que as alterações genéticas e inflamatórias causadas pelo uso continuado do tabaco se acumulem e provoquem doenças. Por isso, habitualmente, os tumores do pulmão dos fumadores são diagnosticados em média entre os sessenta e oitenta anos.

Mesmo sabendo que o cancro do pulmão pode apresentar sintomas apenas numa fase mais avançada da doença, a que sinais devemos estar atentos?

O cancro do pulmão pode crescer durante bastante tempo sem dar sintomas, porque o pulmão “não dói”. Só quando o seu tamanho é muito grande, invade um vaso, um brônquio ou uma estrutura próxima, ou tem já lesões noutros órgãos ou sistemas é que aparecem os sintomas.

Qualquer variação do nosso estado de saúde deve ser avaliada, particularmente se se prolongar no tempo. Os sintomas de alerta para o cancro do pulmão podem ser muito variáveis, relacionados com o próprio tumor e a sua localização no tórax (hemorragia pela boca de sangue vivo, dificuldade respiratória, pieira ou chiadeira no peito, rouquidão ou alteração da voz, dificuldade em engolir, edema da face e do pescoço,...), relacionados com localizações secundárias (dores de cabeça, desequilíbrio, dores ósseas,...), ou com efeitos gerais (falta de apetite, fadiga, emagrecimento). É também preciso estar atento, particularmente nos fumadores ou doentes com doenças respiratórias, a alterações de sintomas já existentes, como tosse do fumador que se torna mais forte e persistente.

Qualquer pessoa com estes sintomas deve consultar rapidamente o seu médico assistente.

Sabendo que existem vários tipos de cancro do pulmão, dividindo-se em dois grupos principais baseados no aspeto das células ao microscópio, que se comportam de forma diferente no que respeita à forma como se desenvolvem e metastizam, o que distingue o cancro de pulmão de pequenas células (CPPC) e o cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC)?

O cancro do pulmão de pequenas células é mais raro, com uma grande agressividade porque cresce muito depressa, invade os vasos e metastiza para outros órgãos rapidamente. É um tumor muito relacionado com o tabagismo.

O cancro do pulmão de não pequenas células é mais frequente (cerca de 85% dos casos) e tem um crescimento mais lento que o de pequenas células. Durante muito tempo foi tratado como uma entidade única, mas ao longo dos tempos fomo-nos apercebendo que existem dois subtipos com comportamento e tratamento diferentes. Por um lado, os tumores escamosos, ou epidermoides, mais centrais, e durante muito tempo os mais frequentes e associados com o tabagismo. Por outro lado, o grupo de tumores não escamosos, que engloba o adenocarcinoma e o carcinoma de grandes células. O adenocarcinoma é atualmente o mais frequente, e acredita-se que tal se relacione com alterações na composição dos cigarros, levando os fumadores a inalar mais profundamente e a manter apneia mais tempo. São, no entanto, também os mais frequentes no sexo feminino e também em não fumadores, podendo estar por vezes relacionados com mutações celulares que estarão na sua origem.

Destes, qual o mais frequente e o que apresenta melhor prognóstico?

O adenocarcinoma é o tumor maligno do pulmão mais frequente, representando 30 a 50% dos casos. É, por isso, não só o mais estudado, mas, uma vez que é o tumor que mais frequentemente apresenta mutações, também o que tem mais opções terapêuticas, e, por isso, melhor prognóstico.

Como é feito o seu diagnóstico? E quais os principais desafios associados?

Quando existe uma suspeita de cancro do pulmão, o primeiro exame habitualmente realizado é uma radiografia do tórax (RX), seguida de uma tomografia computadorizada (TC). Se for identificada uma lesão suspeita, é necessário confirmar o diagnóstico através da recolha de fragmentos da lesão (biópsia) ou de células tumorais (citologia). Este material pode ser obtido através de uma broncoscopia ou de uma biópsia trans-torácica. Por vezes, estes exames não conseguem obter amostras e fazer o diagnóstico, tendo que se avançar para outras técnicas, como a ecoendoscopia, a biópsia de metástases conhecidas ou mesmo a biópsia cirúrgica.

Depois de feito o diagnóstico, o maior desafio é determinar, de forma correta, o estadio ou extensão da doença, que vai ser determinante na escolha do tratamento mais adequado. O estadiamento baseia-se no sistema internacional TNM. O T caracteriza o tumor (tamanho, localização e invasão das estruturas vizinhas). O N caracteriza os gânglios linfáticos (nodes), que são a primeira defesa, tentando conter a doença e, por isso, aumentando de tamanho. São classificados de acordo com o número e localização dos gânglios. O M indica se existem ou não metástases, o seu número e localização. De acordo com o T, o N e o M vamos obter o estadio da doença, que pode ser I, II, III ou IV. Para se fazer o estadiamento, podem ser efetuados vários exames complementares, como tomografias computadorizadas (TC), ressonâncias magnéticas (RM), tomografia de emissão de positrões (PET), cintigrafias, entre outros.

Como se trata o cancro do pulmão, em particular o cancro do pulmão de não pequenas células?

A escolha do tratamento depende do tipo histológico (pequenas células, carcinoma escamoso, adenocarcinoma, carcinoma de grandes células), da expressão do PDL-1 (um marcador que nos ajuda a avaliar a resposta à imunoterapia), e, no caso do adenocarcinoma, da presença de mutações. O segundo fator é o estadio TNM, e, por fim, as condições do doente, como idade, emagrecimento, estado geral, doenças e condições associadas.

Uma equipa multidisciplinar, formada por pneumologistas, oncologistas, imagiologistas, patologistas, radioncologistas e cirurgiões), avalia todos estes fatores e decide qual o protocolo mais adequado para cada caso, que é depois proposto ao doente. Os tratamentos podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, tratamentos alvo e imunoterapia, isolados ou em combinação.

Quais as grandes novidades no que diz respeito ao seu tratamento?

Nos últimos anos, assistimos a uma evolução extraordinária no tratamento do cancro do pulmão, particularmente do CPNPC em estadio IV. Passámos de uma época em que tínhamos como única arma terapêutica a quimioterapia para uma nova era, com a descoberta das mutações driver e as terapêuticas alvo dirigidas a estas mutações, com taxas de resposta e durações de resposta nunca antes vistas. Tratam-se de terapêuticas orais (em comprimidos), tomadas diariamente e mantidas por tempo indeterminado, enquanto controlarem a doença, desde que não tenham efeitos secundários graves (raros). São tratamentos habitualmente muito bem tolerados, podendo ser feitos mesmo em doentes mais debilitados.

São, no entanto, poucos os doentes que apresentam estas mutações, sendo as mais frequentes a mutação EGFR (10-15%) e a translocação ALK (3-7%). Para os restantes doentes, restava-nos a quimioterapia, e foi por isso, com grande entusiasmo, que vimos surgir um novo tratamento: a imunoterapia. O nosso sistema imunitário protege-nos de tudo o que é estranho, como as bactérias e os vírus, mas os tumores têm a capacidade de se esconder do sistema imunitário, crescendo sem controlo. A imunoterapia estimula e desbloqueia a resposta imune, constituindo uma terapêutica mais “fisiológica” do que as outras existentes para tratar esta doença. Os fármacos atualmente disponíveis são inibidores da via PD-1/PDL-1, uma via que frena a resposta imunitária. Estes fármacos foram utilizados, inicialmente, em segunda linha, depois da quimioterapia, mostrando ser francamente superiores a uma segunda linha de quimioterapia. Permitem uma sobrevivência superior, mantêm a resposta mesmo após suspensão do fármaco, têm uma baixa toxicidade com impacto na qualidade de vida dos doentes e são eficazes nos vários tipos de tumores pulmonares. Posteriormente, mostrou-se também a sua superioridade face à quimioterapia em primeira linha, em monoterapia, em tumores que expressavam um PDL-1 superior ou igual a 50%. E, mais recentemente, surgiu a evidência do benefício da sua utilização em combinação com a quimioterapia, em primeira linha. Primeiro nos adenocarcinomas, e agora também nos CPNPC escamosos, tumores que até há bem pouco tempo tinham menos escolhas terapêuticas, e, consequentemente, pior prognóstico.

Vivemos tempos de grande entusiasmo, com a descoberta de novas mutações driver e terapêuticas alvo dirigidas, com a crescente utilização da imunoterapia, passando também para estádios mais precoces, e a possibilidade de combinar as várias terapêuticas. Acreditamos que, num futuro próximo, poderemos não curar as neoplasias em estádios avançados, mas transformá-las em doenças crónicas com as quais os doentes consigam conviver, com boa qualidade de vida.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Plataforma online de acesso generalizado
Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um programa psicoterapêutico inovador destinado a...

Chama-se iACTwithPain, está disponível numa plataforma digital desenhada para o efeito – https://iact.isr.uc.pt – e foi desenvolvido por investigadores do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e do Instituto de Sistemas e Robótica, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUC) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), respetivamente.

No essencial, este programa de intervenção psicológica de terceira geração, em formato online, pretende promover o desenvolvimento de competências de autogestão da dor e de autorregulação emocional, de modo a diminuir o impacto da dor e a melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem desta patologia. Tem uma duração de oito semanas e inclui dois momentos de follow-up – aos 3 e 6 meses após a conclusão da intervenção.

«A intervenção é constituída por 8 módulos, de cerca de 20 minutos de duração cada, disponibilizados uma vez por semana. Os participantes são orientados, ao longo da intervenção, mediante o recurso a vídeos explicativos e animados ou com os próprios terapeutas (ou os seus avatares) em tópicos relacionados com a gestão da dor e das respostas emocionais e cognitivas associadas, através da prática de exercícios experienciais e meditativos guiados», descreve Paula Castilho, coordenadora do projeto.

No final de cada módulo é sugerida a prática de exercícios relacionados com o tópico abordado e solicitado o preenchimento de um pequeno questionário sobre a sessão e o seu impacto. A progressão no programa «depende da conclusão de cada um dos módulos. A prática continuada e comprometida é fundamental para a eficácia da intervenção, pelo que os/as participantes serão incentivados/as e motivados/as através do envio de uma mensagem, via email, uma vez por semana, entre cada sessão a praticar/treinar as competências ensinadas», sublinha Paula Castilho.


Plataforma está disponívem em 
https://iact.isr.uc.pt

Agora, a equipa pretende validar a eficácia deste programa. Está, por isso, a pedir a colaboração de pessoas com diagnóstico de dor crónica nos últimos três meses, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, que possuam acesso à internet e que não estejam envolvidas noutra forma de intervenção psicológica para a dor crónica. A elegibilidade para a participação no programa será aferida mediante questionários de autorresposta disponibilizados na plataforma, assim que cada voluntário tiver lido e aceite o consentimento informado depois de efetuado o registo.

No fim do estudo, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), os participantes que ficarão distribuídos no grupo controlo terão a possibilidade de usufruir integralmente do programa iACTwithPain.

A investigadora do CINEICC e professora da FPCEUC nota que «cerca de 37% da população portuguesa sofre de um quadro com dor crónica, o que acarreta importantes custos sociais e económicos significativos. Além disso, a dor crónica está presente em diversos problemas psicológicos e quadros clínicos, como a ansiedade e a depressão».

Através o programa iACTwithPain, conclui, «pretendemos testar a eficácia de determinados componentes e estratégias terapêuticas e o seu contributo diferencial na gestão emocional e da dor. O iACTwithPain conta com a vantagem de ter um formato online, possibilitando o acesso generalizado da população a uma intervenção promotora da saúde (eHealth), aspeto ainda mais relevante pelas circunstâncias atuais decorrentes da crise pandémica. Deste modo, as pessoas podem efetuar a intervenção ao seu próprio ritmo, no seu ambiente natural e de acordo com as suas necessidades».

Iniciativa visa a promoção de mudanças de comportamento
A Direção-Geral da Saúde em parceria com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), promove, no próximo dia...

Esta formação, que abrange as cinco regiões de saúde, pretende transmitir informação relevante sobre as principais medidas na prevenção de transmissão do vírus, o processo de vacinação contra a Covid-19, as estratégias de comunicação e o Papel do Microinfluenciador.

De acordo com a nota da DGS, "o contexto da atual pandemia veio sublinhar a importância da disseminação de informação fidedigna e válida pelo maior número de pessoas possível. A ativação dos Microinfluenciadores deve visar a promoção de mudanças comportamentais bem-sucedidas e mantidas ao longo do tempo".

Para tal, a Direção-Geral da Saúde desenvolveu este projeto de Mobilização Social com o objetivo de garantir a formação de Microinfluenciadores sociais - considerados elementos “chave” da comunidade - para que estes "transmitam informação relevante e capacitem a comunidade nos diferentes settings e oportunidades de atuação".

Segundo a DGS, "o papel destes Microinfluenciadores será o de transmitir a informação recebida junto das suas comunidades, estabelecendo-se desta forma uma disseminação em cascata das principais recomendações que visem a resposta à pandemia, constituindo-se em verdadeiros agentes de Saúde Pública".

 

Estudo
As mulheres que foram vacinadas contra a Covid-19 no início do terceiro trimestre têm maior probabilidade de passar anticorpos...

Para este estudo, os investigadores analisaram o sangue de 27 mulheres grávidas que receberam a vacina da Pfizer ou Moderna no terceiro trimestre e o sangue do cordão umbilical dos seus 28 recém-nascidos (entre eles um par de gémeos).

Descobriu-se que as mulheres desenvolveram uma resposta imunológica robusta após a vacinação, sugerindo que a vacina protegerá as grávidas da Covid-19. Além disso, na maioria, um período mais longo (latência) entre a vacinação e o parto foi associado a uma transferência mais eficaz de anticorpos Covid para o recém-nascido. Apenas três bebés (incluindo o conjunto de gémeos) não tinham anticorpos positivos à nascença, e essas duas mulheres tinham recebido a primeira vacina menos de três semanas antes do parto.

As mulheres que receberam a segunda dose da vacina antes do parto também tinham uma maior probabilidade de transferir anticorpos para o seu bebé, segundo o estudo.

De acordo Emily Miller, professora assistente de obstetrícia e ginecologia na Northwestern University Feinberg School of Medicine, estes resultados podem dar alento àquelas mulheres que estão com dúvidas sobre vacinar ou não durante a gravidez e que pensam esperar pelo nascimento dos seus bebés para receberem a vacina. "Recomendamos vivamente que tomem a vacina durante a gravidez. Mas se teme que a vacinação possa prejudicar o bebé, estes dados dizem-nos o contrário. A vacina é um mecanismo para proteger o seu bebé, e quanto mais cedo a conseguir, melhor”, afirmou.

O estudo foi publicado a 1 de abril no American Journal of Obstetrics and Gynecology e baseia-se em pesquisas recentemente publicadas por uma instituição externa que encontrou descobertas semelhantes em 10 amostras do cordão umbilical. Este novo estudo da Northwestern examinou 28 amostras de sangue do cordão umbilical.

"Ter mais sangue do cordão umbilical permitiu-nos olhar para os fatores que podem prever a transferência de anticorpos, como o tempo entre a vacinação e a entrega", disse Miller. "Quais são as características que podemos controlar para otimizar a imunidade passiva para o neonato?"

Devido à elegibilidade e ao timing da vacina, a maioria das mulheres incluídas no estudo foram profissionais de saúde que receberam a vacina no terceiro trimestre. Todos tinham respostas robustas à vacina, de acordo com os anticorpos encontrados nas amostras de sangue materna, disse Miller.

Como as vacinas para o mRNA só estão disponíveis desde o final de dezembro, é impossível saber se vacinar mulheres ainda mais cedo na sua gravidez (primeiro ou segundo trimestre) levaria a uma maior eficiência da transferência de anticorpos, disse Miller, no entanto a especialista estima que sim.  “Também ainda é muito cedo para testar quão bem ou quanto tempo os anticorpos passivamente transferidos continuarão a proteger os bebés após o parto”, referiu a investigadora.  

Novos estudos devem incluir um grupo mais diversificado de mulheres e mulheres que receberam a vacina mais cedo durante a gravidez. Os investigadores também vão examinar outras características que podem afetar a eficácia da transferência de anticorpos para o bebé, como complicações de gravidez.

"Esta é uma ótima maneira de proteger passivamente o seu bebé porque, infelizmente, este vírus não vai desaparecer tão cedo", disse Miller.

Investigação Universidade de Pittsburgh
Uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, revela que as vacinas contra a...

A descoberta levou a Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh e os médicos-cientistas da instituição a emitirem uma declaração de precaução no jornal medRxiv, exortando estes pacientes e aqueles que interagem com eles a tomarem as vacinas Covid-19 disponíveis, mas a continuarem a usar máscaras e a praticar o distanciamento social, mesmo após a vacinação completa. Em simultâneo, prosseguem a publicação das conclusões revistas pelos pares.

"À medida que vemos mais orientações nacionais permitindo encontros sem utilização de máscara entre pessoas vacinadas, os médicos devem aconselhar os seus pacientes imunossuprimidos sobre a possibilidade de as vacinas Covid-19 não as protegerem totalmente contra a SARS-CoV-2", disse o autor sénior Ghady Haidar, cirurgião e professor assistente no Departamento de Doenças Infeciosas da Universidade de Pittsburgh. "Os nossos resultados mostram que as probabilidades de a vacina produzir uma resposta em pessoas com doenças hemato-oncológicas” são reduzidas.

No entanto, o investigador advertiu que um teste de anticorpos negativos não significa necessariamente que o paciente não tem proteção contra o vírus. Neste momento, a Universidade e os Centros de Controlo e Proteção de Doenças dos EUA não recomendam repetir vacinas em pessoas previamente vacinadas, mesmo que testem negativo para anticorpos.

As doenças Hemato-oncológicas são uma classificação de cancros tumorais não sólidos, incluindo leucemias, mielomas e linfomas. De acordo com os investigadores, estes doentes têm um risco de morte superior a 30% se contraírem Covid-19 e frequentemente recebem terapias que empobrecem os anticorpos, o que significa que devem ter prioridade na vacinação Covid-19. No entanto, foram excluídos dos ensaios da vacina Covid-19 mRNA, uma vez que os dados sobre a eficácia das vacinas são inexistentes.

Três semanas após a sua vacinação final, 67 doentes que foram vacinados com as vacinas de duas doses da Pfizer ou da Moderna, foram testados no âmbito deste estudo. Haidar e os seus colegas descobriram que mais de 46% dos participantes não tinham produzido anticorpos contra a SARS-CoV-2.

Além disso, apenas três em cada 13 doentes com leucemia linfocítica crónica (LLC) - um cancro em progressão lenta do sangue e da medula óssea - produziram anticorpos mensuráveis, embora 70% deles não estivessem a passar por qualquer forma de terapia do cancro.

"Esta falta de resposta foi surpreendentemente baixa", disse Mounzer Agha, o principal autor do estudo e hematologista no Hillman Cancer Center. "Ainda estamos a trabalhar para determinar porque é que as pessoas com doenças hemato-oncológicas - especialmente as que têm LLC - têm uma resposta mais baixa aos anticorpos e se esta resposta baixa também se estende a pacientes com tumores sólidos."

A equipa não encontrou uma ligação entre a terapia oncológica e os níveis de anticorpos que explicassem por que não desenvolveram uma resposta imune adequada à vacina. No entanto, como se esperava, os doentes mais velhos eram menos propensos a produzir anticorpos em comparação com os pacientes mais jovens.

"É extremamente importante que estas pessoas estejam conscientes do seu risco contínuo e procurem cuidados médicos imediatos se tiverem sintomas de Covid-19, mesmo após a vacinação", acrescentou o investigador. "Podem beneficiar de tratamentos ambulatórios, como anticorpos monoclonais, antes que a doença se torne grave”, acrescentou.

 

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