Sessão decorre dia 27 de abril
Depois de duas sessões dedicadas à análise dos resultados do ensaio clínico VERTIS CV a nível cardiovascular e renal em pessoas...

A pandemia está a sobrecarregar os sistemas de saúde em todo o mundo, impactando o tratamento de inúmeras doenças crónicas, como a Diabetes. Em Portugal, os números continuam a aumentar: todos os anos, contabilizam-se cerca de 60 a 70 mil novos casos, a maioria do tipo 2, que não podem ficar sem acompanhamento. Dados apresentados no Consórcio Europeu de Enfermeiros Especialistas em Diabetes revelam também um acréscimo dos problemas clínicos nestes doentes, pelo que ganha cada vez mais relevância analisar como é possível reduzir este impacto e manter a qualidade de vida do doente.

É com este propósito que a MSD Portugal vai reunir os seguintes especialistas: Estevão Pape, coordenador do Núcleo de Estudos de Diabetes da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Jácome de Castro, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), e João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).

Os profissionais de saúde que pretendam participar, podem inscrever-se aqui.

 

Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, uma morte e 610 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos voltou...

Segundo o boletim divulgado, a região Centro foi a única a registar um óbito, nas últimas 24 horas, associado à infeção provocada pelo novo coronavírus. As restantes regiões do país, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não registaram nenhum óbito.

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 610 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 189 novos casos e a região norte 285. Desde ontem foram diagnosticados mais 53 na região Centro, 16 no Alentejo e 19 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais 19 infeções e nos Açores 29.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 397 doentes internados, menos 32 que ontem. As unidades de cuidados intensivos passaram a ter menos três doentes internados. Atualmente, estão em UCI 110 pessoas.

O boletim desta quarta-feira mostra ainda que, desde ontem, 532 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 790.650 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 24.657 casos, mais 77 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância menos 185 contactos, estando agora 21.681 pessoas em vigilância.

Balanço
Ao todo, já foram administradas cerca de 2,7 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 em Portugal. Estes dados foram...

Segundo Marta Temido, estima-se que “até ao final de maio, ou mesmo até à terceira semana de maio, todas as pessoas com mais de 60 anos estejam vacinadas com pelo menos uma dose”.

Assim, o plano prevê que as pessoas dentro destas faixas etárias estejam vacinadas até ao final do próximo mês. Por outro lado,

passam a ser prioritários na vacinação as pessoas com doença oncológica ativa, doenças neurológicas e mentais, com grande obesidade e os imunossupremidas.

Acompanhada pela Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, pelo Presidente do Infarmed, Rui Ivo, e pelo coordenador da Task Force para a Vacinação contra a Covid-19, Henrique Gouveia e Melo, a Ministra relembrou que foram entregues no país, até agora, 2,9 milhões de doses de vacinas das “companhias farmacêuticas que têm vacinas aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento”.

“A esses 2,9 milhões acrescentam-se cerca de 31.200 doses da vacina da Jassen”, o que significa que cerca de dois milhões de pessoas já foram vacinadas com, pelo menos, uma dose de uma vacina no nosso país, ou seja, 20% da população portuguesa “possui já algum grau de imunidade”, enquanto cerca de 7% da população já tem o “processo vacinal completo”, acrescentou após a sessão.

Quanto aqueles que já tomaram pelo menos uma dose, Marta Temido indicou que a faixa etária acima dos 80 anos é o grupo com maior percentagem de pessoas vacinadas. Deste grupo, 91% já tomou a primeira dose e 58% já foi inoculada com as duas doses, adiantou a ministra.

Sobre as próximas etapas do Plano de Vacinação, Marta Temido garantiu que, depois de uma fase de escassez, Portugal vai entrar numa fase de “maior disponibilidade de vacinas”.

“O maior desafio agora é o da fluidez e da celeridade do processo de vacinação”, e, por outro lado, a “a capacidade das estruturas de vacinação” realizarem a sua missão, referiu citada pela página oficial do SNS.

 

 

 

Estudo
Embora vários estudos alertem para a ligação entre a duração e os padrões de sono ao risco de demência a partir de uma certa...

De acordo com o jornal El País, este estudo envolveu 7.959 britânicos entre os 50 e os 70 anos, que desde 1985 forneceram voluntariamente informações sobre quanto dormiam. Alguns deles usaram pulseiras inteligentes ou dispositivos eletrónicos diferentes para medir o seu sono e confirmar os dados. Uma análise mais aprofundada destes detalhes levou os investigadores a estabelecer uma relação consistente entre um baixo número de horas de descanso e um maior risco de demência aos 65 anos.

"Esta associação não é explicada por distúrbios mentais e outras doenças crónicas conhecidas por estarem ligadas à demência", diz Séverine Sabia, professora da Universidade de Paris e uma das autoras do estudo, citada pelo jornal El País. Além disso, a investigadora afirma que estes dados foram confirmados num estudo mais pequeno, para o qual foi utilizada uma medida objetiva da duração do sono.

Durante o inquérito, foram tidos em conta fatores como a idade, o sexo, a etnia e a educação, que se revelaram que afetam o risco de demência e tiveram de ser ajustados para evitar que interferissem na análise. Os dados mostram que aqueles com 50 a 60 anos que dormiam seis horas ou menos por noite tinham um risco acrescido de alguma forma de demência.

Aqueles que mantiveram este padrão de sono consistente, entre os 50 e os 70 anos, tinham 30% mais probabilidade de desenvolver esta doença, independentemente de outros fatores, como doenças cardíacas ou outros problemas de saúde mental.

No caso deste estudo, quando a base de dados foi encerrada, 6.875 participantes tinham chegado aos 70 anos sem sofrerem de qualquer doença mental. Entre eles, 426 apresentaram sintomas de um princípio de demência.

Embora esta não seja a primeira pesquisa do género, "este estudo é feito num grupo populacional muito grande e com um acompanhamento a longo prazo, pelo que confirma claramente os estudos anteriores”.

No entanto são necessários mais estudos para ajudar a determinar qual o papel dos elementos associados ao sono (duração, nível de alteração, apneia do sono, etc.) no risco de desenvolvimento da demência.

 

Negociações terminaram de madrugada
Eurodeputados e Estados Europeus acordaram, esta quarta-feira, adotar a meta de reduzir "pelo menos 55%" das emissões...

Este objetivo foi objeto de duras negociações entre o bloco europeu, que em novembro acordou uma redução de 55% enquanto o Parlamento Europeu pedia uma redução de pelo menos 60%.

Este acordo sobre uma meta da UE, que será formalmente integrado numa "lei climática", surge nas vésperas de uma cimeira internacional sobre o clima convocada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, na qual Washington deverá revelar o seu próprio objetivo revisto até 2030.

"É um momento histórico para a UE (...) O acordo reforça a nossa posição no mundo como líder na luta contra a crise climática", afirmou Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão para o Pacto Verde Europeu, em comunicado.

Por seu lado, o ministro português do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, cujo país exerce a presidência temporária da UE, saudou aquele que representa "um forte sinal para todo o mundo". 

As negociações entre Estados e eurodeputados, que estavam paradas há meses, desenvolveram-se durante 14 horas, desde a tarde de terça-feira, tendo sido concluídas às 05h00 de quarta-feira.

 

 

“Nutrição na Fibrose Quística” apresenta dicas, estratégias e recomendações
Manter ou ganhar peso de forma saudável é mais um desafio que os doentes com Fibrose Quística têm de vencer. E como a...

Para Joana Roque, vice-presidente da ANFQ e coautora do livro juntamente com Inês Asseiceira e Margarida Ferro, livro que conta ainda com a participação especial de Clara de Sousa, “as famílias sentem muitas vezes dificuldade em entender de que forma é possível fazer uma dieta com elevado teor calórico sem esquecer, ao mesmo tempo, a vertente saudável”. Além disso, “é essencial que o doente possa partilhar os momentos de refeição em família sem se sentir diferente”.

Segundo Inês Asseiceira, nutricionista do Centro Hospitalar Lisboa Norte, os doentes que sofrem de FQ têm muita dificuldade em aumentar e manter um peso saudável, devido às “infeções respiratórias frequentes, que levam à falta de apetite, ao maior dispêndio de energia para fazer face ao hipermetabolismo da doença ao aumento progressivo do esforço respiratório, bem como a má absorção dos nutrientes causada pela insuficiência pancreática”.

O livro “Nutrição na Fibrose Quística” surge para mostrar que é possível fazer uma dieta equilibrada para toda a família, que permite a ingestão da quantidade necessária de calorias sem recorrer a alimentos processados, com alto teor de gordura saturada e de açúcar. “O momento das refeições é considerado de partilha e convívio entre famílias e a existência de uma doença crónica, como a Fibrose Quística, não deverá retirar o prazer de comer, nem substituir o convívio familiar”, afirma Joana Roque. Com este livro, “queremos oferecer estratégias simples, mas que ajudam as famílias a partilhar refeições calóricas, saborosas e saudáveis”, acrescenta ainda.

No livro é, por isso, possível encontrar os alimentos-chave que podem ser adicionados a um prato para aumentar o seu valor nutricional, sobretudo em gordura e proteínas, assim como planos alimentares com diferentes valores energéticos e outras recomendações nutricionais. Isto porque a nutrição está presente na vida destes doentes desde o seu diagnóstico, sendo indispensável “uma dieta hipercalórica e com reforço de proteínas, gordura e sal, especialmente nos doentes que apresentam insuficiência pancreática”, esclarece a especialista em nutrição.

Mas a necessidade de aumentar o consumo energético diário não deve ser sinónimo de uma alimentação pouco saudável, rica em alimentos fritos e processados, como tem acontecido. “Num estudo europeu recente1, verificámos que os doentes com FQ ingerem muitos alimentos processados e açucarados, bem como alimentos com elevado teor de gorduras saturadas.”

Mais ainda, a alimentação faz parte da terapêutica destes doentes, uma vez que “um bom estado nutricional está associado a melhor função respiratória e consequentemente melhor qualidade de vida para os doentes e as suas famílias”, reforça. “Uma alimentação saudável e equilibrada, que privilegie alimentos com proteína e gordura e com elevado teor de fibra, vitaminas e minerais, leva a uma melhor função respiratória e previne o aparecimento de comorbidades, como a doença cardiovascular”.

O livro “Nutrição na Fibrose Quística” encontra-se disponível gratuitamente em formato E-book no site da ANFQ. Ao comprar a versão impressa, com o preço de 5€ para sócios e 10€ para não-sócios, o valor reverte na totalidade para a Associação, pelo que está a contribuir para ajudar os doentes com FQ. As receitas, estratégias e recomendações deste livro são mais uma contribuição da ANFQ para a melhoria dos hábitos alimentares dos doentes e, consequentemente, da sua qualidade de vida e das suas famílias.

 

Iniciativa online está de volta
Durante a gravidez, as futuras mães têm várias preocupações, mas isso não deve, nem pode ser motivo para pânico. Por isso, a...

No primeiro dia, a Mamãs e Bebés vai dar a conhecer os “Benefícios terapêuticos da musicoterapia”. Assim, a musicoterapeuta Carla Marisela apresentará estratégias e atividades para fortalecer os vínculos afetivos com o bebé in útero.

A segunda sessão, “Alcançar a tranquilidade emocional e mental”, será guiada por João Conceição, coach profissional de saúde mental. Através de técnicas e ferramentas de meditação e de respiração, este vai ajudar as futuras mamãs a encontrarem a sua paz interior, para que estas nunca se sintam sós. Desta forma, serão abordados vários temas como os fatores que despertam mais ansiedade na gravidez, o que são as hormonas e como utilizá-las a seu favor durante o período de gestação, bem como o que fazer para não ir abaixo no pós-parto. 

Como estes tempos de pandemia não têm sido fáceis para ninguém, a Mamãs e Bebés dará ainda a conhecer, no dia 28 de abril, o Programa VIDA. A última sessão desta terceira edição, “Quando a vida não escolhe tempo para nascer”, contará com o apoio e a orientação de dois psicólogos clínicos e será um espaço de partilha de experiências e de suporte entre futuras mamãs e papás, no que se refere aos desafios e preocupações durante a pandemia da COVID-19. 

A inscrição é feita através deste link.

 

Sociedade Portuguesa de Pneumologia reafirma a importância do tratamento
Na data em que se assinala o Dia Nacional da Reabilitação Respiratória, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia reafirma a...

A reabilitação respiratória é uma intervenção não farmacológica considerada como um pilar fundamental no tratamento das doenças respiratórias crónicas, permitindo a redução e sintomas, uma melhoria da mobilidade e da função muscular e o aumento da qualidade de vida, no entanto, é acessível a apenas 1% dos doentes que dela necessitam. Esta terapêutica é também recomendada a doentes que estão em fase de recuperação da Covid-19.

“A reabilitação respiratória consiste num conjunto de exercícios físicos que ajudam os doentes a respirar melhor, mas também a manterem a sua massa muscular, a saúde das articulações e as capacidades para executarem as mais básicas tarefas do dia-a-dia. Está comprovada a sua eficácia no aumento da qualidade de vida dos doentes respiratórios crónicos e o nosso alerta é para as dificuldades que estes doentes têm no acesso aos programas de reabilitação respiratória – fazendo uma analogia, se fosse um comprimido seria, com certeza, mais facilmente prescrita pelos profissionais de saúde e administrada pelos doentes”, referem Inês Sanches e Luís Vaz Rodrigues, da SPP.

Neste contexto, a SPP vai realizar hoje, pelas 21h00, uma conferência digital onde vão participar diferentes especialistas da área respiratória e na qual será abordada a importância desta intervenção terapêutica.  A conferência vai decorrer na plataforma digital da SPP e na página de Facebook.

 

Opinião
A juventude/ adolescência (consoante a legislação dos Países varia entre os 12 e os 18 anos), é um p

A Cirurgia Estética é um ramo da Cirurgia Plástica dedicado à forma, contorno e aparência exterior. Trata-se de uma área da Medicina controversa ou mesmo polémica, mais ainda se a aplicarmos a gente jovem.

Para muitos uma cirurgia estética é considerada supérflua ou mesmo luxuosa ou de necessidade duvidosa no que respeita à saúde das pessoas.

Não partilho dessa opinião pois todo o exterior tem repercussões no interior e vice-versa e por outro lado a própria definição de saúde da Organização Mundial de Saúde vem em favor do que defendo “…a saúde é o bem-estar físico, mental, social…”.

Mesmo dentro do meio Médico e da própria Cirurgia Plástica há quem se oponha à realização de cirurgias estéticas em jovens com argumentos e defesas hoje completamente inaceitáveis e ultrapassados. Também não posso partilhar nem concordar com esta corrente pois a própria Cirurgia Estética evoluiu, tanto com técnicas menos invasivas, menos cicatrizes, menos tempo de incapacidade para a vida habitual, sem alterações para uma vida normal futura, sem internamentos com muito mais benefícios e resultados positivos.

No meio e ambiente dos próprios jovens existe ainda um certo pudor e desconhecimento de que a Cirurgia Estética também é para jovens, pensando muitos que esta especialidade é para pessoas mais velhas. Muitas vezes este tema não pode ser abordado entre jovens, por ser logo alvo de críticas, gozo e brincadeiras negativas. Errado. A Cirurgia Estética não escolhe idades como nada em Medicina. Tem momentos e indicações próprias, sem dúvida, mas não pode ser marginalizada nem mal vista pois tem seguramente um papel importante de ajuda em muitas situações que além de não terem outra solução, que não a cirúrgica, vão ser determinantes na definição da autoestima, segurança, relacionamento e ter consequências na esfera social, familiar, afetiva, académica e profissional.

Apesar das correntes contra, vindas de amigos, familiares, colegas, namorados, professores e às vezes até dos próprios pais e médicos, hoje em dia já há uma viragem significativa nesta corrente em que, felizmente para quem precisa, já há apoios e encorajamento para a solução de problemas de ordem estética que afeta e mesmo atormenta muitos jovens. Apoio dos pais, amigos, familiares, namorados, colegas, professores e até enviados e recomendados por outros médicos.

As alterações de ordem estética são muitas vezes de origem genética e não podem ser alteradas sem uma ajuda concreta e objetiva. Não escolhem idade nem sexo. Podem ocorrer em qualquer parte do corpo. Para se decidir quanto à realização duma Cirurgia Estética em jovens tem que se saber se essa parte do corpo que se quer operar já está definida quanto à forma e tamanho, daí haver mais ou menos uma idade a partir da qual já se pode operar cada parte. Tem que haver uma autorização por parte dos pais/encarregados de educação por questões legais.

Todas as situações passíveis de uma cirurgia estética passam por uma consulta médica prévia, onde é feito o diagnóstico, pedido de exames complementares de diagnóstico e proposta a solução cirúrgica com ou sem tratamentos complementares.

Deve-se desmistificar, esclarecer, informar e ajudar jovens que tenham situações ou problemas que os desgostem ou perturbem, tendo assim uma oportunidade de ver se há ou não solução para o seu caso.

A maioria das técnicas por mim praticadas, são sem internamento, sem anestesia geral, com recuperação rápida, poucas restrições, menos cicatrizes e quase impercetíveis, sem perturbações futuras quanto a gravidezes, amamentações, etc.

Na área da Estética poder-se-á falar ainda nos tratamentos de Medicina Estética, em que tem havido um grande desenvolvimento, que servem para complementar cirurgias ou mesmo serem tratamentos em que a cirurgia não é solução, como os “peelings”, laser, carboxiterapia, endermologia, etc.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Análise da Globaldata
O mercado global de dispositivos viscoelásticos oftálmicos (OVD), avaliado em 709,1 milhões de dólares em 2020, prevê-se que...

De acordo com a análise de mercado da GlobalData, as vendas de OVDs no ano passado diminuíram 17% devido ao encerramento das clínicas de oftalmologia durante o 2º trimestre de 2020. Em 2021, a GlobalData antecipa o início de um "período de subida" nos procedimentos e vendas de OVD para compensar os procedimentos que foram adiados em 2020. No entanto, de acordo com o relatório da GlobalData, "Dispositivos Viscoelasticos Oftalmológicos (Dispositivos Oftalmológicos) – Global Market Analysis and Forecast Model (COVID-19 Market Impact)", o aumento não compensará as perdas de receitas até 2022. As vendas de OVDs foram mais afetadas do que outros mercados, uma vez que estes dispositivos dependem principalmente de procedimentos eletivos para gerar rendimento.

Eric Chapman, Analista Sénior de Dispositivos Médicos da GlobalData, comenta que “no primeiro trimestre de 2020, os procedimentos eletivos foram adiados a partir de meados de março (duas em 12 semanas) e este período de duas semanas teve um impacto negativo nas vendas globais de OVDs. No segundo trimestre de 2020, com o número de novos casos Covid-19 a atingir um pico, muitas clínicas foram encerradas e o mercado baixou mais de 50%”.

"Carl Zeiss é o líder de mercado para as vendas da OVD, seguido da Bausch & Lomb, Johnson & Johnson e Alcon. Como tal, estas empresas perderam mais receitas devido ao impacto da pandemia. No entanto, prevê-se que estes players mantenham a sua posição no mercado pós-pandemia, enquanto os fabricantes muito mais pequenos continuarão a lutar e terão dificuldade em ganhar quota de mercado das principais empresas, especialmente nos EUA”, acrescenta.

Os dispositivos viscoelásticos oftálmicos (OVD) são materiais injetados no espaço intraocular durante a remoção das cataratas para reduzir o trauma no olho do paciente.

 

 

Iniciativa portuguesa
As infraestruturas científicas e o financiamento sustentado da investigação desempenham um papel fundamental na luta global...

A diretora-geral da EMBL, Edith Heard, vai discursar no evento e sublinha a forte colaboração da Europa face à emergência covid-19. "Estou muito feliz que o EMBL e o governo português tenham conseguido unir esforços e fazer com que esta conferência aconteça no contexto da pandemia", diz. "É uma grande ilustração da importância da cooperação europeia quando se lida com estas crises."

A conferência contará com a participação de especialistas internacionais de renome, como Özlem Türeci, cofundadora e CMO da BioNTech; Sylvie Brian, Diretora do Departamento de Preparação Global de Riscos Infeciosos da Organização Mundial de Saúde; Jeremy Farrar, Diretor da Wellcome Trust; e o Diretor-geral Adjunto da EMBL, Ewan Birney.

O programa inclui sessões sobre epidemiologia, biologia celular da infeção e desenvolvimento de vacinas. A discussão sobre esta última área não abrangerá apenas os êxitos recentes, mas também abordará a questão importante da confiança pública.

Comentando a sua participação na conferência, Ewan Birney refera que "a Covid-19 é uma doença terrível causada por um vírus altamente transmissível: toda a humanidade tem de trabalhar em conjunto para o vencer. É ótimo que o governo português esteja a permitir estas discussões como parte da sua presidência da UE."

"Um dos principais desafios que a humanidade enfrenta atualmente é o de melhor equilíbrio da atividade económica e da proteção do ecossistema", afirma Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior português. "Como demonstra a Covid-19 – que se pensa ter tido origem em morcegos – é dado um sinal alarmante por doenças zoonóticas, ou zoonoses, que têm vindo a aumentar devido à pressão que as nossas sociedades e o seu desenvolvimento económico exercem sobre a natureza. Esta é uma manifestação clara da influência desequilibrada dos seres humanos na Terra, que também é expressa através das alterações climáticas. A eventual demonstração científica destas relações com a pandemia, com a qual vivemos, requer mais conhecimento para poder fazer perguntas mais precisas e difíceis e compreender melhor os riscos que corremos, bem como garantir que a Europa lidera a evolução científica nesta nova era geológica do Antropoceno."

Bolsa D. Manuel de Mello no valor de 50 mil euros
O investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Hélder Novais e Bastos, recebe, hoje, o maior prémio nacional...

Hélder Novais e Bastos, professor e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), e médico pneumologista no Centro Hospitalar Universitário de São João, recebe o prémio para desenvolver no projeto de investigação “FIBRA-Lung: Interações hospedeiro-microbioma na busca por biomarcadores de doenças pulmonares intersticiais fibrosantes que regem a aceleração”, que tem como objetivo melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que sofrem de fibrose pulmonar.

A fibrose pulmonar é o resultado de um conjunto de doenças pulmonares difusas, que se caracteriza pela inflamação e cicatrização anómala do tecido pulmonar, geralmente progressiva, estando associada a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, com um prognóstico comparável ao cancro.

O amplo desconhecimento sobre os mecanismos da doença fez com que a fibrose pulmonar se tornasse, nos últimos anos, numa das principais razões para transplante do órgão, representando cerca de ⅓ do total de transplantes de pulmão em Portugal e no mundo. Esta condição, subdiagnosticada, causa deterioração gradual da função pulmonar resultando em cansaço crescente, insuficiência respiratória e morte.

O diagnóstico habitualmente tardio, a inexistência de marcadores fiáveis que permitam prever a evolução da doença e o quão precoce ou intensivo deve ser iniciado o tratamento, aliada à escassez de alternativas terapêuticas disponíveis, motivam o desenvolvimento deste estudo.

O projeto liderado por Hélder Novais e Bastos, pretende investigar a prevalência das doenças pulmonares que conduzem à fibrose progressiva  e explorar as interações entre a genética do indivíduo e os diferentes fatores ambientais, por forma a identificar novos biomarcadores que permitam avaliar a evolução da doença e indicar precocemente o tratamento mais adequado e personalizado para cada indivíduo afetado, contribuindo, assim, para a melhoria do prognóstico e qualidade de vida de quem sofre de fibrose pulmonar.

Este projeto de investigação prevê a criação do primeiro registo português de doentes com fibrose pulmonar, com um biobanco associado, no qual os participantes serão seguidos e monitorizados ao longo dos primeiros anos após o diagnóstico. A criação deste biobanco permitirá ainda cruzar os dados da evolução da doença com os perfis moleculares e a composição de microrganismos presentes no sistema respiratório de cada doente.

Este projeto, desenvolvido por uma equipa de médicos do Centro Hospitalar Universitário de São João e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em cooperação com biólogos e imunologistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) - onde se centrará grande parte da pesquisa laboratorial - está sob a coordenação da Doutora Margarida Saraiva do grupo de investigação “Immune regulation” (regulação imune).

Rui Diniz, Presidente da Comissão Executiva da CUF, considera que a Bolsa D. Manuel de Mello é “um incentivo à investigação e ao desenvolvimento de melhores práticas clínicas ao serviço dos doentes. O investimento no ensino e na cooperação com as instituições universitárias é estratégico para o futuro dos cuidados de saúde, pelo que iniciativas como a Bolsa D. Manuel de Mello são fundamentais para valorizar o mérito dos investigadores portugueses, e dos seus trabalhos, e contribuir para a melhoria contínua dos cuidados de saúde”.

Vasco de Mello, Presidente da Fundação Amélia de Mello, sublinha que “com 14 anos de história e mais de uma dezena de projectos de investigação apoiados, a Bolsa D. Manuel de Mello cumpre, e continuará a cumprir, o propósito para o qual foi instituída de contribuir para a investigação e para o progresso das Ciências da Saúde em Portugal”.

A Bolsa D. Manuel de Mello é uma bolsa de investigação anual instituída, em 2007, pela Fundação Amélia de Mello em parceria com a CUF, que se destina a premiar jovens médicos que desenvolvam projetos de investigação clínica, no âmbito das unidades de investigação e desenvolvimento das Faculdades de Medicina portuguesas.

A cerimónia de entrega da Bolsa D. Manuel de Mello, hoje, no Auditório do Hospital CUF Porto, conta com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales e o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.  

 

Resposta reforçada em todo o país
Segundo o Coordenador da Task Force do Plano de Vacinação contra a Covid-19, Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo, vão ser...

O objetivo, explicou Gouveia e Melo, é “evitar stocks e acelerar a proteção da população portuguesa”. Para tal, estão a ser criados 119 postos de vacinação rápida e 161 postos de vacinação reforçada, numa ação que articulada entre o Ministério da Saúde e autarquias.

Segundo o responsável, estão também a ser adaptados os sistemas de informação com agendamento centralizado e opções complementares aos métodos de agendamento até agora praticados, como o auto-agendamento.

O coordenador da Task Force salientou ainda que numa fase inicial o “principal desafio” foi a disponibilidade de vacinas e nesta o desafio será ter a capacidade para administrar “os nove milhões de vacinas previstos para chegar a Portugal neste segundo trimestre”.

 

Proposta já levanta questões
A Nova Zelândia quer tornar-se um país livre de fumo em 2025 e tem um projeto ambicioso que visa proibir a venda de cigarros e...

O governo de Jacinda Ardern anunciou uma série de propostas para reduzir os danos causados pelo tabaco. "Precisamos de acelerar para alcançar o objetivo de deixar de fumar até 2025", disse ao Guardian a vice-ministra da Saúde, Ayesha Verral.

Entre as propostas está o de tornar totalmente ilegal a venda de cigarros e produtos de tabaco a pessoas nascidas desde 2004, mas também aumentar gradualmente a idade legal para o consumo de tabaco, diminuir significativamente o nível de nicotina nos produtos e limitar os pontos de venda de cigarros e similares.

Várias organizações de saúde pública acolheram com agrado o projeto de governo liderado pela Primeira-Ministra Jacinda Ardern, mas não faltam já críticas a esta iniciativa, uma vez que muitos se questionam sobre onde ficam os direitos dos cidadãos.

Para lançar a discussão junto da opinião publica, o Governo publicou um documento no site do Ministério da Saúde com os detalhes da proposta, solicitando aos cidadãos que dessem a sua opinião sobre o projeto.

Até agora, a Nova Zelândia já implementou um programa de redução do tabagismo na população, que incluiu a proibição da venda de cigarros e produtos de tabaco a crianças menores de 18 anos, os impostos sobre os cigarros, a introdução de zonas sem fumo, como locais de trabalho, interiores, escolas e viveiros, mas também a proibição de publicidade, patrocínio e promoção de produtos do tabaco e ajuda a quem pretende deixar de fumar.

 

 

Mas benefícios superam os riscos
O Comité de Segurança da EMA (PRAC) concluiu que um aviso sobre coágulos sanguíneos incomuns com plaquetas de sangue baixas...

Para chegar a esta conclusão, o Comité tomou em consideração todos os elementos de prova atualmente disponíveis, incluindo oito relatórios dos Estados Unidos sobre casos graves de coágulos sanguíneos incomuns associados a baixos níveis de plaquetas sanguíneas, um dos quais teve um resultado fatal. Até 13 de abril de 2021, mais de 7 milhões de pessoas tinham recebido a vacina da Janssen nos Estados Unidos.

Todos os casos ocorreram em pessoas com menos de 60 anos no prazo de três semanas após a vacinação, a maioria em mulheres, no entanto, de acordo com o PRAC, “com base nos elementos de prova atualmente disponíveis, não foram confirmados fatores de risco específicos”.

De acordo com a nota de imprensa hoje divulgada, o PRAC “observou que os coágulos sanguíneos ocorreram principalmente em locais incomuns, como nas veias do cérebro (trombose do seio venoso cerebral, CVST) e no abdómen (trombose venosa esplancónica) e nas artérias, juntamente com baixos níveis de plaquetas sanguíneas e, por vezes, sangramento”. Os casos analisados foram muito semelhantes aos casos ocorridos com a vacina Covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca, a Vaxzevria.

Segundo a EMA, os profissionais de saúde e as pessoas que vão receber a vacina “devem estar cientes da possibilidade de casos muito raros de coágulos sanguíneos combinados com baixos níveis de plaquetas sanguíneas que ocorrem no prazo de três semanas após a vacinação”, sublinhando que estes casos são muito raros e que os benefícios globais da vacinação “superam os riscos dos efeitos colaterais”.

Deste modo, a avaliação científica da EMA “sustenta a utilização segura e eficaz das vacinas”, sendo que “a utilização da vacina durante as campanhas de vacinação a nível nacional terá em conta a situação pandemia e a disponibilidade de vacinas em cada Estado-Membro”.

Para a EMA, “uma explicação plausível para a combinação de coágulos sanguíneos e plaquetas baixas é uma resposta imune, levando a uma condição semelhante à que se vê às vezes em pacientes tratados com heparina chamada trombocitopenia induzida por heparina, HIT”.

Em comunicado, o PRAC sublinha a importância do tratamento médico especializado rápido. Reconhecendo os sinais de coágulos sanguíneos e plaquetas baixas e tratando-os precocemente, os profissionais de saúde podem ajudar os afetados na sua recuperação e evitar complicações. “A trombose em combinação com a trombocitopenia requer uma gestão clínica especializada. Os profissionais de saúde devem consultar a orientação aplicável e/ou consultar especialistas (por exemplo, hematologistas, especialistas em coagulação) para diagnosticar e tratar esta condição”, pode ler-se.

Boletim Epidemiológico
Portugal registou, nas últimas 24 horas, cinco mortes e 424 novos casos de infeção por Covid-19. O número de internamentos...

Segundo o boletim divulgado, registaram, nas últimas 24 horas, mais cinco óbitos associados à infeção provocada pelo novo coronavírus. A maioria (3) foi registada na região de Lisboa e Vale do Tejo. A região norte e a região centro têm ambas uma morte a assinalar. As restantes regiões do país, incluindo a região autónoma da Madeira, não registaram nenhum óbito.

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 424 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 153 novos casos e a região norte 129. Desde ontem foram diagnosticados mais 34 na região Centro, 41 no Alentejo e 28 no Algarve. No arquipélago da Madeira foram identificadas mais 23 infeções e nos Açores 16.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 429 doentes internados, menos 25 que ontem. No entanto, as unidades de cuidados intensivos passaram a ter mais um doente internado. Atualmente, estão em UCI 113 pessoas.

O boletim desta terça-feira mostra ainda que, desde ontem, 902 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 790.118 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 24.576 casos, menos 483 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância mais 1043 contactos, estando agora 21.866 pessoas em vigilância.

Perturbação Obsessiva-Compulsiva
Caraterizada pela presença de obsessões e compulsões, a Perturbação-Obsessiva Compulsiva tem um enor

Sabendo que as pessoas com Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) podem manifestar uma série de sintomas que causam tensão, medo, culpa e ansiedade, interferindo nas atividades da vida diária, no trabalho e nas relações, começo por lhe perguntar quais a principais manifestações da doença? Que idade tinha quando surgiram os primeiros sintomas? No seu caso, como evoluiu esta doença? De que forma começou a condicionar o seu dia-a-dia?

Desde muito jovem que associo pensamentos, medos e dúvidas à doença. Já na infância era assaltada por medos de morte de familiares, o que gerava uma grande ansiedade. É um medo comum na infância, mas em mim assumia uma importância exacerbada, provocada pela doença, o que gerava em mim uma enorme e prologada ansiedade com pensamentos recorrentes, ruminantes, persistentes e limitativos.

Pelo que me lembro, foi no início da adolescência que comecei a adotar rituais compulsivos como forma de dissipar essa ansiedade, que era imensa. Logicamente, estes eram desajustados, tal como os pensamentos, e tinha consciência disso.

Os sintomas de superstição/pensamento mágico foram os primeiros a surgir, em que a doença me fazia crer que realizando determinados rituais estereotipados e repetitivos (rezas silenciosas, bater na madeira e repetir frases sempre da mesma forma, não escrever a preto, …) seria capaz de evitar o que os meus pensamentos tinham premunido ou os medos que me assolavam.

Mais tarde, começaram a surgir os sintomas de verificação. Ainda no início da juventude, revia trabalhos vezes sem conta para confirmar que não faltavam páginas e, mais tarde, já na minha atividade profissional, revia todos os passos que percorria. A dúvida sobre os atos que tinha praticado nunca era refutada e a ansiedade, apesar das compulsões de verificação, mantinha-se elevada.

Por volta dos meus 28 anos, altura em que engravidei da minha filha mais velha e após um incidente no trabalho, comecei a padecer de sintomas de contaminação. Sei que normalmente julgam que o doente tem medo de ser contagiado por determinadas doenças, mas não é só. Era assolada por medos de ser contaminada com detergentes, pó, terra e partículas nas superfícies, que a doença me fazia ver sempre sujas. Na verdade, o que me lembro é de me sentir sempre suja, o que me incitava a compulsões de lavagem repetidas das mãos, cada vez com produtos mais agressivos para a pele, e de superfícies com que tinha contato. Cheguei a um ponto em que sair de casa se tornou incomportável, porque via o mundo como um lugar sujo e ameaçador.

Todos estes sintomas eram vividos de uma forma egodistónica, ou seja, estranhos ao Eu. Sabia bem que eram exagerados e desajustados. Por isso mesmo escondia-os, sentia vergonha e disfarçava os rituais para que ninguém pudesse notar.

Todos estes pensamentos encadeados uns nos outros, repetitivos, ruminantes e que resistiam a sair da consciência, faziam-me viver numa grande ansiedade, exaustão e roubavam muito tempo aos meus dias.

Sabendo que o doente, nem sempre consegue perceber que precisa de ajuda, como se deu o “clique”? Em que momento decidiu procurar ajuda e como recebeu este diagnóstico? Foi fácil aceitar?

Sempre negava a mim mesma a doença, apesar de por volta dos meus 20 anos, já a frequentar a licenciatura de Medicina, me ter apercebido da existência desta doença e do diagnóstico que deveria fazer a mim mesma. Negava os sintomas, até porque os sentia como meus e não de uma doença.

Costumo usar uma analogia para expressar como se sente a doença: quando me doi um joelho digo: “ele doi”; quando tenho pensamentos intrusivos (que não são meus, são da doença) digo: “eu penso assim”. Pois, mas eu não penso assim, quem pensa assim é a doença, mas eu não conseguia aceitar isso, achava que os pensamentos eram meus e tinha vergonha, quer dos pensamentos quer dos rituais a que a doença me obrigava.

Fui levada a procurar ajuda médica pela primeira vez aos 29 anos, na altura da gravidez da minha filha. Nessa altura, a doença exacerbou-se muito e tornou-se visível. O meu marido ajudou-me a procurar acompanhamento médico. Fiz medicação e psicoterapia e melhorei. Claro que contei ao médico e à psicóloga apenas os sintomas de contaminação que se encontravam exacerbados na altura e continuei a esconder o “meu segredo”, não referindo os rituais de verificação e pensamento mágico.

Após 2 anos de medicação e melhoria tive alta da consulta por considerarem que estava curada e que teria sido um episódio de POC associado à gravidez, o que é frequente. Esse facto fez com que aceitar a doença, nessa altura, tenha sido relativamente fácil. Atribuí a culpa não a mim, mas às hormonas da gravidez e, como melhorei, julguei ter-se tratado apenas de um episódio. A nossa mente sabe muito bem mentir a si própria!!

Fiquei então de novo por minha conta. Seguiram-se uns anos muito bons, em que o equilíbrio entre a atividade profissional e o lazer, as relações saudáveis que mantinha com o meu marido e amigos e mais um filho a caminho, me davam a estabilidade de que precisava para controlar melhor a ansiedade e a POC. Conseguia manter a doença sob controlo e lidava com ela recorrendo a algumas ferramentas que tinha apreendido durante a psicoterapia.

Em 2010 assumi um cargo de Coordenação. A responsabilidade aumentou, a ansiedade subiu, o tempo que dedicava ao trabalho era excessivo e tudo se descompensou.

Em 2012 caí numa depressão profunda pela exaustão a que a doença, que se tinha agravado em todas as suas vertentes, me conduziu. Cheguei a estar cerca de 24 horas tomada pela POC, entre pensamentos ruminativos, rituais compulsivos e até em sonhos visualizava o que me preocupava. Aí fui conduzida por uma amiga e o meu marido à Psiquiatria.

Aqui foi mais difícil aceitar a doença que foi explorada em todas as suas vertentes. Foi difícil confessar todos os sintomas, todas as crenças da doença, todos os medos, todos os rituais. Sentia vergonha pelo que confessava e foi difícil aprender a lidar com o facto de as obsessões não serem pensamentos normais nem do “Eu”. Foi muito difícil aceitar, mas fui fazendo o caminho pela psicoterapia e estudei muito sobre a POC, o que me ajudou a conhecer melhor a doença e, assim, vê-la como algo externo a mim.

Tendo em conta que as manifestações clínicas da Perturbação Obsessiva Compulsiva começaram cedo, hoje consegue identificar o que porquê de ter desenvolvido esta perturbação?

A Perturbação Obsessiva Compulsiva (POC) tem uma etiologia multifatorial. Identifico, na minha história familiar, casos de Distúrbio de Ansiedade, de Perturbação Obsessiva Compulsiva, Tiques e Depressão, o que me faz crer existir uma certa predisposição hereditária. Fatores ambientais, com certeza, estiveram implicados. Copiar comportamentos que via nos mais velhos, na tenra infância, assistir a formas de reação a desafios da vida e alguma rigidez de comportamentos poderão ter despoletado algumas crenças e comportamentos.

Posteriormente, as imposições que colocava a mim mesma para tentar anular qualquer hipótese de erro, com a prática de compulsões que tinham como objetivo diminuir a ansiedade das obsessões, foram alimentando a doença.

Como é que esta doença se relaciona com a depressão? No seu caso, o que despoletou a doença depressiva? Que episódios recorda?

O primeiro episódio depressivo de que me lembro de ter tido aconteceu por volta dos meus 20 anos. Sinto que o que desencadeava os sintomas depressivos era sempre a ansiedade e a POC. Sentir-me constantemente invadida por pensamentos estranhos recorrentes, medos repetitivos e desgastantes que giravam na minha mente, encadeados e constantemente, e os rituais compulsivos rígidos a cumprir conduziam-me a uma grande exaustão e desgaste, afastando-me da vida e do mundo.

A minha existência passava a reger-se pela doença, pela ansiedade e ficava fechada em mim, como se a vida se passasse em segundo plano, não vivia em pleno. Isolava-me das relações e das atividades, vivia nos meus pensamentos, era arrastada para um mundo de solidão, tristeza, falta de energia e vontade… isto é a depressão.

No seu caso, a doença tornou-se resistente ao tratamento. Para quem não faz ideia o que é viver com uma depressão, como é que esta impactou a sua vida?

Até aos meus 38 anos fui tendo alguns episódios depressivos autolimitados e recorrendo a medicação resolvia-os em alguns em meses. Ia disfarçando a doença, quer a POC, quer a ansiedade, quer a Depressão, o que fazia com que tivesse de viver num mundo de luta constante, no meu interior, sem ninguém notar. Vivia afligida pelos sintomas da doença e tentava encontrar o equilíbrio que me permitisse manter o meu “segredo”.

Esta luta prolongada teve as suas consequências e aos 38 anos caí numa depressão profunda. Apesar de todos os esforços da equipa médica, com vários esquemas terapêuticos e eletroconvulsivoterapia, e de psicólogos que me acompanharam, estive cerca de 3 anos numa depressão profunda. Desses anos tenho apenas memórias retalhadas, tipo fotográficas. As memórias desses tempos são escassas. Sei que passava a maioria do meu tempo isolada, exausta, deitada ou sentada e absorta da realidade.

Recorro a um excerto do meu livro, “Na Loucura da Dúvida”, para tentar explicar o que é a depressão:

“E sucumbo, sucumbo ao cansaço, à dor, ao desespero de obsessões constantes, cada vez mais intensas, frequentes e absorventes.

Sucumbo e deixo de lutar porque as forças escasseiam e a desesperança impõe-se.

Sucumbo e deixo que a doença me leve para um lugar à parte, sem tempo e sem palavras. Um lugar de um escuro envolvente, um recanto negro, onde pairam todos os fantasmas, onde respondo a todos os medos, onde cada memória me ataca, onde cada pensamento é um ogro, verdadeiramente assustador… e onde vivo isolada do resto do mundo!

Nesse mundo estou tão só…

Curiosamente, antes não tinha medo da solidão!! Um livro e um sonho, por vezes, mais sonhos que livros, eu bastava-me e preenchia-me, eu era a minha melhor companhia. Mas, a doença rouba-me o sonho, rouba-me a risada fácil, rouba-me de mim!! Desespero a tentar encontrar-me nesse mundo, tenho saudades de me ter, quero o meu aconchego, recordo a minha alegria e anseio o meu sorriso! Sinto-me tão só, tão só sem mim!!

Nada quero, … nada desejo, … nada espero!

Como se me tivessem aberto os olhos, para o verdadeiro vazio da existência humana. Um vazio… mais do que de sentimentos, um vazio de vontades, uma ausência de desejos, um deserto de expectativas, um vácuo asfixiante!

A vida sem finalidade e sem propósito! A contradição de sentir o vazio!

Uma angústia que disseca por dentro, mói os ossos, dói nos músculos, enfraquece o corpo...  e mata a alma!!

Esvaziada! Fico esvaziada de mim! Como se esse vácuo me tivesse sugado a carne!!

Não há agrado, já nada tem sabor, arrasto-me por uma vida que vivo por viver.

Nesse mundo vivo profundamente cansada, sinto-me exausta de existir!! Cada inspiração é um esforço, cada pestanejar é uma luta, cada levante uma vitória contra a vontade imensa de me deixar ir!! O desejo de deixar de sentir angústia, tristeza e dor. Por fora pareço anestesiada e distante, mas por dentro, vivo um rebuliço de medos e de dor… um desespero sem fim!

E bramo por socorro através de uma lágrima que cai, pois, as forças escasseiam, para contar ao mundo, como é o recanto infernal onde vivo!!”

Como é que a doença condicionou as suas relações?

A doença (a POC e a Depressão) conduzem ao isolamento. Muitas vezes refugiava-me no meu mundo secreto de forma a esconder obsessões e rituais. Movida pela vergonha, reflexo da forma estranha como o Eu vivenciava os sintomas, adotava estratégias para esconder pensamentos e atos.

A própria depressão, devido à falta de energia e de vontade que a caracteriza, condicionou-me a um isolamento intenso em que recusava convites e fechava-me por completo no meu mundo.

Tentava, no entanto, de toda a forma poupar os meus filhos. Fazia um esforço para estar com eles o máximo tempo que conseguia, exibir um sorriso e esconder as compulsões. Mas nem tudo era possível de esconder e, claro, apercebiam-se do meu cansaço. E, por mais que tentasse, não resistia, por vezes, a tentar que cumprissem determinados comportamentos de forma a ser-me possível suportar a ansiedade provocada pela POC. Por exemplo, sabiam que quando chegava a casa do trabalho só me podiam abraçar após ter tomado banho e trocado de roupa.

A nível profissional, a POC e a Depressão conduziram-me a uma profunda incapacidade, tendo estado muito tempo sem ser capaz de trabalhar.

Em retrospetiva, qual ou quais os momentos mais difíceis pelos quais passou?

Quando se sofre assim é difícil definir momentos. Dias melhores intercalavam-se com dias em que o desespero se apoderava mais de mim, mas a verdade é que, em retrospetiva, a POC e a Depressão são um contínuo de dor e desesperança oscilantes. Passei anos em profundo sofrimento provocado pela dúvida, ideação suicida, pelo debate interno e por viver num mundo tomado pelos meus pensamentos.

Relativamente ao tratamento da POC, em que consiste?

O tratamento tem duas vertentes essenciais: a Intervenção Farmacológica e a Psicoterapia. Dependendo da gravidade da doença, os fármacos e a sua dose variam, mas a psicoterapia é a base. É importante que o doente entenda o que é a POC, as suas rasteiras, que os pensamentos (obsessões) não são pensamentos normais nem do “Eu” e que não devem ser analisados ou esmiuçados, como suportar a ansiedade inicial que impele à compulsão e como não a executar, uma competência que é treinada e aprendida através do esquema de intervenção Exposição/Prevenção da resposta.

Para casos graves e renitentes ao tratamento psicoterapêutico e farmacológico, há uns anos, foi aprovado para o tratamento da POC o procedimento neurocirúrgico: Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation – DBS), com excelentes resultados.

Hoje tem a POC controlada? Que estratégias utiliza para não se deixar dominar pela doença?

Cumprir o esquema terapêutico, manter o plano de consultas com o Psiquiatra que me acompanha e colocar em prática todas as estratégias que fui aprendendo durante o processo de psicoterapia, como: não dar importância a pensamentos automáticos sentidos como estranhos ao “Eu” e que invadem o pensamento normal; adiar o pensamento (não me debater com as obsessões e enganá-las. Pensar, por exemplo: “eu sei que és importante, já penso em ti daqui a meia hora, agora vou descansar um bocadinho!!”. Desta forma, as obsessões vão perdendo a sua força); distrair-me de forma a evitar entrar no ciclo ruminativo de pensamentos; evitar responder à ansiedade gerada pelos pensamentos, sabendo que ao realizar as compulsões irei reforçar o aparecimento desses mesmos pensamentos (Obsessões); praticar exercício moderado; equilibrar tempos de trabalho e lazer; manter ritmos de sono regulares; ter momentos dedicados a relaxamento.

Que mensagem gostaria de deixar no âmbito deste tema, sobretudo quando ainda é tabu falar sobre doença mental?

A doença mental, em geral, está envolvida num grande estigma e, na minha opinião, apenas por um motivo: MEDO. Medo do desconhecido, medo da crença de serem doenças incuráveis e às quais não se pode proporcionar alívio, medo de se perder aquilo que mais nos define: a nossa identidade. Acredito que só se poderá aceitar e compreender se procurarmos conhecer… ENTENDER PARA ACEITAR!!!

Pelo que acho que a única forma de quebrar este mesmo estigma é falando da doença mental: dar a conhecer os seus sintomas, as formas de ajuda, que tantas vezes passam pelos conviventes com o doente, os progressos enormíssimos da medicina, principalmente neste último século, que já tanto alívio e cura proporcionam aos doentes, mostrar que são doenças como outras quaisquer e que a ajuda médica e psicoterapêutica têm resultados muito bons.

Acredito que todos nós, sem saber, convivemos com pessoas que padecem de doença mental e que vivem num sofrimento enorme, no silêncio da sua vergonha e da não aceitação por parte da sociedade.

Que se quebre este estigma! Que se quebre esta vergonha!… Aceitar e conhecer… para ajudar!

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Patologias dos pés podem surgir na sequência da falta de atividade física
A Associação Portuguesa de Podologia (APP) está preocupada com os dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que...

Manuel Portela, presidente da APP, considera que “o comportamento sedentário e os reduzidos índices de atividade física, poderão ter um impacto muito negativo, na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida da população”. “Está ainda comprovado que a falta de atividade física é uma das principais causas para o desenvolvimento de deficiências estruturais e de patologias relacionadas com os pés”, afirma.

E acrescenta: “Mais do que nunca, hoje é fundamental mantermo-nos ativos. A pandemia trouxe-nos inúmeros comportamentos sedentários: o teletrabalho, os longos períodos de confinamento, ou as restrições à livre circulação. Neste sentido, mais do que necessário, é vital que nos mantenhamos ativos.”

De forma a colmatar esta redução, a OMS lançou novas recomendações para aumentar a atividade física e para combater o comportamento sedentário. São elas:

Para as crianças e os adolescentes, com idades compreendidas entre os cinco e os 17 anos, a prática de atividade física deve ser realizada durante 60 minutos, três dias por semana. Nesta faixa etária o exercício melhora a aptidão cardiorrespiratória e muscular; a saúde cardiometabólica, óssea e mental; a cognição e a redução da gordura corporal.

Nos adultos, entre os 18 e os 64 anos, a atividade física reduz a mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares; a incidência de hipertensão, de alguns tipos de cancros, e da diabetes tipo 2; melhora a saúde mental, o funcionamento cognitivo e o sono. A recomendação é de 150 a 300 minutos de atividade moderadas ou de 75 a 150 minutos de atividades vigorosa ou, ainda, uma combinação das duas, ao longo da semana.

Nos idosos com mais de 65 anos, além dos benefícios descritos para o grupo anterior, o plano ressalva que a atividade física ajuda a prevenir quedas e lesões relacionadas com as mesmas, e o declínio da saúde óssea e da capacidade funcional.

No caso dos adultos ou idosos com doenças crónicas, os tempos de atividade física recomendados são semelhantes. Quando não for possível cumprir as recomendações, as pessoas “devem praticar atividade física de acordo com suas capacidades”.

A recomendação para as mulheres grávidas e no pós-parto é para que pratiquem 150 minutos de atividade moderada, reduzindo assim o risco de pré-eclâmpsia, de hipertensão gestacional, de diabetes gestacional, do ganho excessivo de peso, de complicações no parto e de depressão no pós-parto, assim como de complicações no recém-nascido, entre outros.

Estudo
O sangue do cordão umbilical tem apresentado resultados promissores no tratamento da leucemia em doentes com idade mais...

A leucemia mieloide aguda é um tipo raro de doença maligna do sangue que, apesar de poder afetar crianças e jovens, apresenta uma maior incidência a partir dos 60 anos, verificando-se 15 casos em cada 100 mil idosos. Nas situações mais graves, o tratamento consiste em quimioterapia, seguida de um transplante de células estaminais hemapotoiéticas, como as que existem na medula óssea. No entanto, os doentes com idade mais avançada têm menor probabilidade de ter um familiar compatível que possa ser dador de células estaminais para transplante.

Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, explica que “neste contexto, o sangue do cordão umbilical apresenta-se como uma fonte de células estaminais hemapotoiéticas muito útil, possibilitando que doentes que não dispõem de um dador de medula óssea compatível possam ser tratados recorrendo a um transplante hematopoiético.”

Os investigadores deste estudo analisaram a evolução clínica de um grupo de mais de 1.500 doentes japoneses com idades entre os 60 e os 85 anos, transplantados com sangue do cordão umbilical para o tratamento de leucemia mieloide aguda, entre 2002 e 2017. Os doentes foram submetidos a quimioterapia e receberam, de seguida, células estaminais saudáveis, provenientes de sangue do cordão umbilical armazenado num banco de células estaminais, com o objetivo de reconstituir o seu sistema hematológico (de produção de células do sangue).

Os resultados do estudo indicam que 81% dos doentes alcançou a reconstituição hematológica após o transplante, o que demonstra a utilidade do sangue do cordão umbilical na transplantação de doentes com mais de 60 anos com leucemia mieloide aguda.

Verificou-se, ainda, que a idade, por si só, não teve impacto negativo na capacidade de reconstituição hematológica após o transplante. Contudo, observou-se que a idade superior a 70 anos e a presença de outros problemas de saúde, por exemplo do foro pulmonar ou cardíaco, estiveram relacionados com uma menor taxa de sobrevivência neste grupo de doentes, pelo que é importante fazer uma criteriosa seleção dos doentes a transplantar, com base em vários fatores, como a gravidade da doença e outros problemas de saúde que apresentem em simultâneo.

 

Saber reconhecer os sintomas
No âmbito do Dia Mundial de Sensibilização para a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), que se assinala a 21 de abril, a Associação...

Cansaço, febre, falta de ar, perda de peso, hematomas, fraqueza, suores noturnos e infeções são os sintomas mais frequentes da LMA, um cancro raro e agressivo do sangue e da medula óssea que interfere no desenvolvimento de células sanguíneas saudáveis. Devido à falta de sintomas singulares da doença, estes podem muitas vezes ser confundidos com gripe ou até COVID-19.

“A LMA desenvolve-se e piora rapidamente a menos que seja tratada. Como tal, quando o doente apresenta sintomas, é de extrema importância ficar atento e fazer o diagnóstico adequado, permitindo iniciar tratamentos o mais precocemente possível. Só assim é possível aumentar as possibilidades de sobrevivência”, explica Manuel Abecassis, Presidente da APCL.

Numa altura em que o país está a desconfinar gradualmente, a APCL apela aos doentes com LMA e outros cancros do sangue, sobretudo aos que descuraram os tratamentos durante a pandemia devido à COVID-19, que, por um lado, sigam todas as recomendações dos seus médicos assistentes e das unidades hospitalares onde são acompanhados e, por outro, se aconselhem junto dos profissionais de saúde que habitualmente os assistem sobre as formas de acompanhamento, necessidade de consultas e meios de diagnóstico. 

A LMA é a mais comum das leucemias agudas, sendo responsável por cerca de 25% dos casos. Apesar de afetar tanto adultos como crianças, a sua incidência aumenta com o envelhecimento. A sobrevivência pode ser limitada. Cerca de um terço dos doentes terá uma mutação no gene FLT3, que pode resultar numa progressão mais rápida da doença, com maiores taxas de recaída e menores taxas de sobrevivência do que outras formas de LMA. São conhecidas já muitas outras alterações genéticas que podem influenciar positivamente ou negativamente o prognóstico.

O diagnóstico é feito através de análises ao sangue, biópsia da medula óssea, um estudo dos cromossomas, imunofenotipagem e estudos moleculares. Na maioria dos casos, o tratamento pode passar por quimioterapia, terapêuticas dirigidas a defeitos genéticos ou proteínas específicas das células leucémicas, transplante de células estaminais, imunoterapia ou novos tratamentos ainda em fase de ensaio clínico.

“Na Astellas empenhamo-nos em encontrar e disponibilizar novos tratamentos que possam melhorar e prolongar a vida dos doentes, nomeadamente os fármacos inovadores que temos no nosso pipeline em áreas com opções terapêuticas, até ao momento, limitadas como é o caso da LMA, na área dos Cancros do Sangue”, refere Filipe Novais, diretor geral da Astellas Farma.

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