Por via minimamente invasiva não cirúrgica
Foi realizada pela primeira vez no Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), nos finais do...

O procedimento que consistiu na colocação de uma prótese valvular biológica por via minimamente invasiva não cirúrgica, com vista ao tratamento da regurgitação valvular tricúspide grave e sintomática, foi realizado pela equipa de cardiologia de intervenção do Serviço de Cardiologia do CHUC, constituída por Marco Costa, Luís Paiva e Manuel Santos - com o apoio do Serviço de Cirurgia Cardíaca do CHUC (Diretor David Prieto) - decorreu com sucesso e vai permitir a esta doente a melhoria das queixas de insuficiência cardíaca, o aumento da sua qualidade de vida e a redução do risco de reinternamento hospitalar.

“A regurgitação desta válvula cardíaca provoca o refluxo de sangue do ventrículo direito para a aurícula direita, tendo impacto na qualidade de vida destes doentes. Estes doentes referem dificuldade progressiva para realizar esforços físicos, edemas generalizados no corpo e predispõem a internamentos hospitalares frequentes por descompensação cardíaca”, esclarece Lino Gonçalves, diretor do Serviço de Cardiologia.

Lino Gonçalves prossegue dando nota que “tradicionalmente, as opções de correção da insuficiência tricúspide estavam limitadas à cirurgia cardíaca. Em alguns casos, os resultados da cirurgia à válvula tricúspide não eram duradouros e uma reoperação representaria um risco cirúrgico muito elevado ou até proibitivo para o doente, pelo que uma opção terapêutica menos invasiva possibilita o tratamento de mais doentes com esta patologia, sobretudo naqueles mais idosos, frágeis e com elevado risco cirúrgico e que frequentemente não tinham acesso a qualquer tratamento valvular para ajudar à sua estabilização clínica. Abre-se, assim, uma porta para o futuro que vai permitir a outros doentes poder beneficiar deste tipo de intervenção”, conclui Lino Gonçalves.

 

Participação de cientistas da Fundação Champalimaud
Um grupo de investigadores, do qual fazem parte dois cientistas da Fundação Champalimaud - Noam Shemesh (Investigador Principal...

A equipa, descobriu que um simples exame de sangue pode ajudar a detetar doentes com resistência à radioterapia no cérebro e identificaram um medicamento que pode revertê-la. Um estudo clínico multicêntrico, que tem na sua base a rede Espanhola RENACER, está atualmente em curso com o objetivo de validar o potencial preditivo deste biomarcador.

Os resultados foram agora publicados na revista científica Nature Medicine.

“Estamos muito entusiasmados, por termos praticamente conseguido, um resultado triplo: estamos a começar a compreender os mecanismos moleculares subjacentes à resistência à radioterapia; podemos estratificar os doentes para possibilitar terapias personalizadas; e encontrámos uma substância que reverte a radiorresistência”, disse Manuel Valiente, líder deste estudo.

Sobre o contributo do grupo da Fundação Champalimaud, Noam Shemesh, líder do grupo de IRM Pré-clínica, refere que “foi o de verificar se a introdução do agente radiossensibilizante não era capaz de alterar a microestrutura do cérebro. Para o fazer, recorremos a scanners pré-clínicos de IRM de campo magnético ultra-alto capazes de mapear a microestrutura de todo o cérebro e descobrimos que, de facto, pelo menos dessa perspectiva, a introdução do agente no cérebro é segura.

Metástases cerebrais de cancro do pulmão, da mama e de pele

Entre 20 a 40 por cento dos tumores sólidos desenvolvem metástases cerebrais, principalmente originárias de cancros primários no pulmão, mama e pele (melanoma). Como muitos medicamentos não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica, os tratamentos sistémicos acabam por ser bastante ineficazes. A radioterapia é, portanto, uma das opções de tratamento mais comuns para as metástases cerebrais.

No entanto, os doentes que se submetem a radiação, especificamente a radioterapia holocraniana, não só raramente veem um impacto significativo na regressão do tumor, como correm riscos elevados associados aos efeitos colaterais da terapia no tecido saudável. Segundo os autores do estudo, a ineficácia da radioterapia nas metástases sugere o “aparecimento da resistência à radiação”.

A resistência à radioterapia em metástases cerebrais não foi até ao momento completamente estudada. O Brain Metastasis Group do centro de investigação CNIO em Espanha, liderado por Manuel Valiente, realizou experiências em modelos animais e modelos de cultura de células de doentes em sistemas tridimensionais, que reproduzem o tecido tumoral. Para além disso, foram ainda analisados dados de grandes grupos de doentes com metástases cerebrais de cancros do pulmão, da mama e melanoma.

Biomarcador de resistência à radioterapia, com base num exame de sangue

O estudo identificou uma via envolvida no desenvolvimento da resistência à radioterapia, especificamente, o aumento dos níveis da proteína S100A9 que está associado à limitada sensibilidade a esse tipo de tratamento.

De acordo com os autores do estudo, “os níveis endógenos de S100A9 estão associados à resposta à radioterapia do cérebro todo para tratamento das metástases cerebrais do carcinoma do pulmão, da mama e do melanoma”.

Para surpresa dos investigadores, a proteína S100A9 pode ser facilmente encontrada no sangue dos doentes. “Não esperávamos que fosse assim tão simples”, disse Valiente, “mas há uma correlação entre os níveis de S100A9 no sangue dos doentes e a sua resistência à radioterapia”.

Tornar as células cancerosas mais sensíveis à radioterapia

Outro resultado promissor alcançado consiste na descoberta que um medicamento já existente, conhecido por inibir o receptor que está associado à S100A9, reverte a radioresistência. Este medicamento, previamente testado em ensaios clínicos para outras doenças (doença de Alzheimer), e que mostrou ser segura para os doentes, tem a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e entrar no cérebro.

Com a ajuda da ferramenta Plataforma MET, o grupo descobriu que este medicamento poderia ser usado, em ratinhos e culturas celulares, para transformar metástases radiorresistentes em metástases sensíveis à radioterapia.

No artigo publicado na Nature Medicine, os autores propõem “uma estratégia abrangente que seja usada para identificar os doentes que poderão beneficiar da radioterapia do cérebro todo, bem como para o desenvolvimento de terapias combinadas para ultrapassar a resistência à radiação”.

“As nossas descobertas podem levar a uma nova abordagem à radioterapia para doentes com cancro”, acrescentaram. A presença da proteína S100A9 no sangue permitirá identificar os doentes que podem beneficiar da radioterapia, evitando o declínio neurocognitivo que se segue à radioterapia em doentes com alta radioresistência. Para além disso, os inibidores do receptor S100A9 poderão permitir o uso de doses mais baixas de radiação para matar as células tumorais, minimizando assim os danos colaterais do tecido cerebral normal e aumentando os benefícios para os doentes.”

Os próximos passos, que serão dados em contexto do estudo clínico que está já a ser preparado, permitirão “começar a mapear a resposta à radioterapia de formas mais específicas, e a equipa de investigação da Fundação Champalimaud continuará a estar envolvida ao nível da caracterização cerebral usando scanners de ressonância magnética de campo ultra-alto e metodologias inéditas desenvolvidas in-house” conclui Noam Shemesh.

O trabalho agora publicado foi financiado pelo Ministério da Ciência e Inovação espanhol, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT, Portugal), Fundació La Marató de TV3, Fundación Ramón Areces, Worldwide Cancer Research, Cancer Research Institute, La Asociación Española contra el Cáncer, European Research Council, Boehringer-Ingelheim Fonds e Fundação “La Caixa”, entre outros.

   

Legenda da Imagem: O contributo do grupo de investigação da Fundação Champalimaud consistiu na aplicação de técnicas e metodologias de imagem por ressonância magnética de campo ultra-alto para a observação da microestrutura do cérebro, em ratinhos.

 

A primeira app do género em Portugal
O Instituto Português da Afasia (IPA) criou, em parceria com o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), a primeira...

Totalmente gratuita, esta App foi desenvolvida em português, apostando num design aphasia-friendly que auxilia pessoas com Afasia na transmissão de informações sobre si e as suas competências de comunicação, facilitando a interação com diferentes interlocutores, proporcionado, assim, uma redução do isolamento social destes doentes.

Esta inovadora aplicação disponibiliza um cartão de saúde personalizável, que apoia no acesso a informação sobre a doença e formas de ajuda, ao mesmo tempo que partilha dados clínicos e pessoais importantes. A mesma é complementada por um diário pessoal composto por fotografias/imagens que podem ser utilizadas como suporte comunicativo para uma conversa virtual.

A App Afasia IPA resultada de uma envolvência entre o seu criador, quinze doentes (consultores do projeto) e três terapeutas da fala, com o intuito de maximizar as potencialidades da mesma, possibilitando a sua atualização tendo em consideração as necessidades específicas de pessoas com Afasia.

Mais informações em: https://ipafasia.pt/aplicacao-movel-da-afasia/

 

Viz.ai torna-se unicórnio
A Viz.ai, empresa líder na área da Inteligência Artificial ao serviço da saúde, acaba de angariar uma ronda de financiamento de...

O investimento irá ser utilizado para reforçar o crescimento da empresa, nomeadamente com a expansão global da plataforma e a deteção e triagem de doenças adicionais, assim como servirá para aumentar a sua base de clientes a nível global.

“A Viz.ai está empenhada em ajudar os doentes a conseguir um melhor acesso, mais célere e mais equitativo a tratamentos que salvam vidas", sublinha Chris Mansi, cofundador e CEO da Viz.ai. "Vamos continuar a investir significativamente em tecnologia e serviços de ponta para nos integrarmos em todo o processo hospitalar, permitindo-nos automatizar a deteção de doenças, aumentar a taxa de diagnóstico e melhorar o fluxo de trabalho em todo o sistema de saúde. Desta forma, mais pacientes receberão o tratamento certo, traduzindo-se em melhores resultados e numa maior eficiência financeira para o próprio sistema de saúde”, conclui.

Em Portugal, este investimento angariado pela empresa irá permitir apostar no contínuo crescimento da equipa, que conta neste momento com mais de 30 colaboradores. Até ao final do ano de 2022, a tecnológica pretende duplicar os seus colaboradores, chegando a um total global de 500 pessoas na área de engenharia. Neste momento, em Portugal, encontra-se a recrutar para as funções de Android, iOS e Engineering Manager. No que diz respeito a parcerias, a solução da Viz.ai já está a ser utilizada por dois hospitais na Europa, tendo na calha clientes em Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Itália e Sérvia.

"No ano passado, tivemos um crescimento significativo em Portugal, crescimento no qual queremos continuar a apostar em 2022. Sendo um país-chave para nós, é nossa intenção estabelecer parcerias com mais uma série de entidades de saúde por todo o território e reforçar a contratação. O talento tecnológico português continua a surpreender-nos e acreditamos que terá um papel fundamental na nossa missão de salvar vidas e melhorar o tratamento dos pacientes a um nível global", realça David Golan, CTO da Viz.ai.

Recorde-se que a Viz.ai é uma empresa que utiliza a Inteligência Artificial para acelerar a prestação de cuidados de saúde e, dessa forma, reduzir atrasos que comprometem o tratamento e a vida dos pacientes. Localizada nos EUA, Israel, Portugal e Holanda, foi pioneira na utilização de algoritmos de Inteligência Artificial e Machine Learning para aumentar a rapidez do diagnóstico e do tratamento de uma variedade de doenças agudas, com um sistema de ação sincronizada para hospitais que faz a ligação entre radiologistas, médicos de emergência, profissionais de cuidados primários e especialistas. De um modo geral, os seus produtos alertam profissionais de saúde para a suspeita de doença em poucos minutos e permitem aceder, por via de uma aplicação móvel, às melhores opções de tratamento para cada doente.

A criação da empresa foi motivada pelo caso de um paciente que, apesar de submetido com sucesso a uma cirurgia ao cérebro, faleceu pela realização já demasiado tardia da operação. Frustrado com a situação, o neurocirurgião Chris Mansi uniu forças com David Golan num programa de pós-doutoramento na Stanford Business School e, juntos, viriam a fundar a Viz.ai.

Variante XE
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi identificada uma nova variante de Covid, apelidada de XE. Trata-se de uma...

Foi no passado dia 29 de março que a OMS descreveu no seu relatório de atualização epidemiológica a variante XE, que surge da combinação entre a variante original da ómicron (BA.1) e a sublinhagem da BA.2, também conhecida como ómicron silenciosa.

Esta nova variante foi detetada pela primeira vez no Reino Unido a 19 de janeiro, com mais de 600 sequências identificadas, de acordo com a mais recente atualização epidemiológica da organização. Alguns dos primeiros casos foram também detetados na Tailândia, que reabriu as suas fronteiras a turistas vacinados em fevereiro passado.

Classificada como variante de "alta preocupação" uma vez que nasce da combinação de duas estirpes muito contagiosas, a XE é 10% mais transmissível do que a variante BA.2, que já tinha 75% de poder de infeção em comparação com a estirpe ómicron. No entanto, ainda decorrem estudos para determinar se esta é a variante mais contagiosa até à data.

As primeiras estimativas do estudo da OMS não indicam que a nova variante tem sintomas diferentes dos gerados pelas estirpes já conhecidas, nem maior gravidade. Então assumem que febre, fadiga, nariz escorrendo, dor de garganta e dor de cabeça continuam a ser manifestações típicas da doença.

A OMS explica no seu mais recente relatório que "continua a monitorizar e avaliar de perto o risco de saúde pública associado a variantes recombinantes, juntamente com outras variantes de SARS-CoV-2, e irá fornecer atualizações à medida que mais evidências forem disponibilizadas".

 

 

 

 

Entrevista: Professor Joaquim Ferreira e Dra. Ana Castro Caldas
A doença de Parkinson é uma condição crónica e progressiva para a qual não existe cura.

A Pandemia trouxe vários desafios e complicações aos doentes de Parkinson. É possível estimar o impacto que estes dois anos de pandemia trouxeram aos portadores de doença neurológica?

Prof. Joaquim Ferreira: A pandemia COVID-19 tem tido um enorme impacto na qualidade de vida dos doentes com Doença de Parkinson. Desde o início do ano de 2020, os cuidados prestados mudaram: o acesso limitado às consultas de Medicina Geral e Familiar de Neurologia têm dificultado a avaliação de rotina e ajustes farmacológicos; os tratamentos cirúrgicos (cirurgia de estimulação cerebral profunda e colocação de levodopa intrajejunal) foram adiados e agravaram as listas de espera. Adicionalmente as medidas impostas para evitar a propagação do vírus SARS-COV2 implicaram profundas mudanças no estilo de vida destes doentes, incluindo a redução da atividade física e social prolongada. As preocupações económicas, sociais e familiares causam agravamento do humor, ansiedade.

Os estudos mais recentes que investigaram o impacto da pandemia mostraram que os sintomas que mais pioraram foram a rigidez, a fadiga, o tremor, a dor e a concentração.

Adicionalmente, as infeções são causas comuns de agravamento dos sintomas da doença. Embora geralmente seja transitório, este agravamento pode persistir após este período de infeção. A infeção COVID-19 pode ter um efeito direto no agravamento dos sintomas da doença de Parkinson.

Sendo que foram realizados menos diagnósticos, menos consultas e menos terapias, na prática, o que isso significa no que diz respeito à evolução da doença?

Dra. Ana Castro Caldas: A doença de Parkinson é uma doença progressiva e muito dinâmica, caracterizada por sintomas motores e não motores. Os doentes precisam de consultas regulares com o médico de família e com o neurologista, para que seja possível ajustar o tratamento dos seus sintomas, monitorizar possíveis efeitos adversos e progressão da doença. Ao longo da doença, os doentes podem ter agravamentos súbitos ou rápidos, sendo necessária uma avaliação rápida. A prescrição da medicação é também essencial, visto que a suspensão ou redução da medicação abrupta pode causar agravamento dos sintomas, podendo ser graves o suficiente para necessitarem de internamento hospitalar.

No entanto, a dificuldade no acesso a terapias complementares, como a fisioterapia ou a terapia da fala, por exemplo, já vem de trás… O que falha ou o que falta, de um modo geral, para assegurar o acesso aos cuidados que estes doentes necessitam?

Prof. Joaquim Ferreira: O papel das intervenções não farmacológicas tem ganho muita relevância nos últimos anos. A fisioterapia representa um tratamento dos sintomas que não respondem tão bem à medicação, como a marcha e as quedas. A evidência mais recente sugere inclusivamente um efeito neuroprotetor com possível impacto na evolução da doença. Por outro lado, a terapia da fala ajuda a melhorar a qualidade da voz e a monitorizar a dificuldade no engolir. Ainda assim, nem toda a classe médica tem conhecimento da sua importância e do seu papel da doença. É muito frequente os doentes terem acesso apenas a 20-40 sessões de fisioterapia por ano. Todos as pessoas com doença de Parkinson devem ter acesso à fisioterapia de forma continuada, sendo que os objetivos vão mudando de acordo com a progressão da doença. Outra limitação é a escassez de fisioterapeutas peritos nas doenças do movimento, sendo muito diferente reabilitar uma fratura de uma perna e uma alteração da marcha ou risco de quedas causada pela doença de Parkinson. A resistência do doente e/ou família de iniciar e manter estas terapias também não negligenciável.

De que modo a saúde mental destes pacientes, que também foi impactada com a pandemia, pode condicionar o agravamento da doença?

Dra. Ana Castro Caldas: O agravamento da ansiedade e da depressão têm sido descritos em todo o mundo. Importa dizer que estas manifestações são muito frequentes da doença de Parkinson e é um dos fatores com mais impacto na qualidade de vida do doente. O isolamento social, a mudança do estilo de vida, os acessos limitados às consultas e as preocupações inerentes a uma crise mundial causaram franco agravamento da saúde mental, alguns deles com necessidade de internamento hospitalar.

Para quem não está familiarizado com a patologia, que doença é esta?

Prof. Joaquim Ferreira: A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, sendo por isso crónica e progressiva, para o qual não existe tratamento de cura. É caracterizada por perda de neurónios numa região chamada substância nigra, que contêm um neurotransmissor chamado dopamina, responsável pelo contro do movimento. Embora esta doença tenha sido descrita inicialmente como doença motora, hoje sabemos que quase todos os doentes têm sintomas não motores, como alteração do sono ou prisão de ventre, muitos anos antes do início do tremor ou lentidão.

Uma vez que expressão clínica dos sintomas da doença de Parkinson é variável, à semelhança da progressão da patologia e resposta à terapêutica, que sinais podem lançar a suspeita do diagnóstico?

Dra. Ana Castro Caldas: No início da doença, a maioria das pessoas apresentam um tremor do membro superior ou inferior de um dos lados. Podem também sentir lentidão e rigidez do mesmo lado. Estas alterações causam dificuldade na escrita caracterizado por redução progressiva do tamanho da letra ou redução do balanceio do braço durante o andar. Perante estas alterações, as pessoas com estas queixas devem ser vistas por um neurologista.

Quais as causas associadas à Doença de Parkinson e quais as principais complicações?

Prof. Joaquim Ferreira: Embora a doença tenha sido descrita há 200 anos pelo Dr. James Parkinson em Inglaterra, continuamos sem saber o que causa a doença. Os estudos mais recentes sugerem interações entre uma predisposição genética e fatores ambientais. A hipótese mais credível é a existência de um desequilíbrio entre as causas, os fatores de risco, as alterações genéticas e os fatores de proteção.

Importa referir que as formas genéticas, ou seja, doença de Parkinson provocada por mutações nos genes são raras, sendo a causa em cerca de 10% dos casos.

Sendo que uma variedade de doenças e síndromes clínicas que podem confundir-se com a Doença de Parkinson, como é feito o seu diagnóstico?

Dra. Ana Castro Caldas: O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, ou seja, é baseado na descrição das queixas do doente/familiar, e nos achados no exame neurológico realizado no momento da consulta. Geralmente, os exames de imagem como ressonância magnética ou cintigrafia são realizados para excluir outras doenças.

Sabendo que não há nenhum medicamento capaz de atrasar ou reverter a doença de Parkinson, em que consiste e para que serve o seu tratamento?

Prof. Joaquim Ferreira: O tratamento da doença de Parkinson é muito eficaz e consiste em repor a dopamina que escassa no cérebro. Existem múltiplos fármacos seguros e eficazes na melhoria dos sintomas como o tremor, lentidão e rigidez. Existem também tratamentos para a memória, ansiedade, tristeza, prisão de ventre. Idealmente, os doentes devem ser integrados em equipas interdisdisciplinares para a abordar e tratar de forma global os sintomas da doença.

O tratamento cirúrgico pode servir para todos os doentes? Quais os critérios que levam à escolha desta possibilidade terapêutica?

Dra. Ana Castro Caldas: Infelizmente, apenas uma percentagem reduzida de doentes se torna candidata à cirurgia (cerca de 10-15%). Visto tratar-se de uma cirurgia complexa e com riscos associados (como todas as cirurgias), a inclusão de doentes no programa de cirurgia é muito rigorosa. A indicação mais frequente ocorre quando, com o agravamento da doença, os doentes passam a ter uma incapacidade importante que não responde à medicação. Neste caso, os doentes têm períodos em que a medicação é eficaz (período ON) e passado umas horas apresentam pioria do tremor, da voz, do andar como se a medicação perdesse o efeito (período OFF).

Ainda assim, muitos doentes nunca são encaminhados ou são encaminhados tarde demais. Na dúvida, todos os doentes devem ser referenciados para os centros de cirurgia.

Qual o prognóstico desta doença?

Prof. Joaquim Ferreira: Como já foi dito anteriormente, a doença de Parkinson é uma condição crónica e progressiva para o qual não existe cura. No entanto, a forma e a velocidade com que evolui é extremamente variável. Por um lado, a ausência de progressão exclui o seu diagnóstico, por outro lado, o agravamento muito rápido, sugere outra doença alternativa. De uma forma geral, a esperança de vida diminui ligeiramente, mas a maioria das pessoas vivem muito tempo e com boa qualidade de vida.

Uma vez que falamos em prognóstico, que medidas gerais podem ajudar a prevenir o declínio ou agravamento da patologia, permitindo os doentes manter alguma qualidade de vida?

Dra. Ana Castro Caldas: Os fatores mais importantes para estabilidade da doença são o estilo de vida saudável que inclui exercício físico, estímulo social e cognitivo intenso, controlo dos fatores de risco vasculares e acompanhamento médico frequente para ajuste da medicação e monitorização da progressão da doença, assim como a identificação de efeitos adversos dos medicamentos.

No âmbito deste tema, que mensagem ou ideias-chave gostariam de deixar?

Prof. Joaquim Ferreira: Um dos aspetos mais importantes é a integração das pessoas com doença de Parkinson em equipas interdisciplinares centradas no doente. É essencial que o doente e a sua rede de suporte familiar conheçam a doença e o seu tratamento disponível para que, em pareceria com o médico, sejam tomadas decisões terapêuticas e até de fim de vida.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Apelo à consignação do IRS
A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) volta a lançar a campanha de angariação de fundos “A APDP precisa de...

“Queremos continuar a apoiar, o melhor que conseguimos, as pessoas com diabetes e para darmos continuidade aos projetos de apoio que fomos desenvolvendo ao longo dos anos precisamos desta ajuda fundamental”, explica José Manuel Boavida, presidente da APDP, acrescentando: “Juntos, conseguiremos ajudar ainda mais pessoas”.

Ajudar todas as pessoas com diabetes e os seus familiares e cuidadores é a missão da APDP. Neste momento, a associação foi ainda mais além e presta apoio aos refugiados ucranianos com diabetes, assegurando as condições necessárias para que a assistência e a medicação não lhes falte. Enquanto a situação dos refugiados no Serviço Nacional de Saúde não estiver regularizada, todas as despesas com consultas, análises, exames e disponibilização de insulina e outros medicamentos são suportadas pela associação.

Para ajudar a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal a dar continuidade ao trabalho realizado diariamente, ao preencher a declaração anual de IRS basta selecionar “Instituições particulares de solidariedade social ou pessoas coletivas de utilidade pública” e inserir o NIF 500 851 875 no quadro 11 do modelo 3 (em papel ou online), selecionando “IRS”. A doação de 0,5% do seu IRS não tem qualquer custo associado e não afeta o que tenha a receber das finanças.

Assista ao vídeo do Carlos Alberto Moniz nas redes sociais e não se esqueça da APDP quando fizer o seu IRS. Ao ajudar, está a destinar parte dos seus impostos para a realização das atividades de apoio às pessoas com diabetes, sem qualquer custo para si.

 

 

Limite máximo do apoio aumentado de 50.000 para 60.000 euros
A Fundação BIAL abriu um novo concurso de candidaturas para investigadores com projetos científicos nas áreas da...

O regulamento e a documentação do concurso estão disponíveis em www.fundacaobial.com. As candidaturas vão estar abertas até 31 de agosto.

 O valor dos apoios vai subir 10 mil euros, passando o montante máximo para 60 mil euros por projeto, cabendo ao Conselho Científico da Fundação BIAL a avaliação das candidaturas.

Ao longo dos anos, a Fundação BIAL tem desenvolvido uma relação de proximidade com a comunidade científica, primeiro em Portugal e, depois, no mundo. “Ao apoiar a investigação internacional na área das Neurociências, pretendemos estimular descobertas que beneficiem as pessoas, proporcionando mais saúde e permitindo alcançar novos patamares no conhecimento”, refere o presidente da Fundação BIAL, Luís Portela.

Desde a sua criação, o sistema de apoios à investigação científica já apoiou um total de 775 projetos de mais de 1.600 investigadores, provenientes de 29 países de vários continentes.

Os trabalhos financiados pela Fundação BIAL resultaram já na publicação de 2.075 artigos, dos quais 1.606 em revistas indexadas (no Scopus ou Web of Science) e 1.361 em revistas com fator de impacto. Quase metade dos artigos foram publicados em revistas pertencentes ao primeiro quartil (Q1) na sua respetiva área científica. Até março de 2022, 1.430 artigos foram citados, em média, 23 vezes.

 

Realidade virtual pode acarretar problemas de saúde emocional
O neurocientista português Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, publicou um artigo na Revista Científica Saúde e Tecnologia ...

Rodrigues explica que o metaverso pode ser definido como um ambiente digital simulado que usa realidade aumentada, virtual e rede de criptomoedas, juntamente com conceitos presentes nas plataformas de media social, de forma a criar espaços para interação do usuário imitando o mundo real.

Para o investigador, esse formato de interação contribui para obtenção de informação detalhada sobre qualquer assunto, conteúdos, utilizadores e comunidades em qualquer parte do planeta, sendo uma das maiores criações neste ramo. No entanto, ao ser usada além do limite, essa tecnologia acaba obrigando as pessoas a criarem novos mundos virtuais.

“Nós somos seres programados de determinada maneira e a mudança que está prestes a ocorrer, de forma tão repentina, não nos dará tempo para a adaptação necessária, de uma forma que não nos atinja tão nocivamente”, explicou Rodrigues em parte do artigo.

Ele refere ainda que no mundo virtual procuramos recompensa, com acesso fácil e a ansiedade antecipada, mas o que ocorre é que a mesma conquista não libera a mesma intensidade do neurotransmissor, precisando de novos prémios para outras libertações.

“A ansiedade funciona como pendência, faz parte do instinto para procurar uma solução, e quando não encontrada conforme expectativa, leva à insatisfação. Se isso ocorre constantemente, molda a anatomia do cérebro, que gera a alteração da produção de neurotransmissores, levando a uma ‘disfunção homeostática’, isso nos levará a problemas como, distúrbios, transtornos ou doenças como a depressão,” detalhou o neurocientista.

Muitas pessoas insistem em dizer que o ser humano irá se adaptar ao mundo virtual, mas o pesquisador afirma que isso não irá ocorrer, pois existe algo real que nos causa medo: a morte. “A partir do momento que a morte é determinante e é real, ela conduz o nosso instinto, que está relacionado aos riscos reais, ou seja, existe uma burla no nosso código genético, que está determinado e isso causa ansiedade e disfunções”, concluiu.  

Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde
Segundo Graça Freitas, a pandemia trouxe uma mudança na atitude dos portugueses. “A população cada vez vai ser mais...

Recordando os desafios e momentos mais difíceis dos últimos dois anos, a Diretora-Geral da Saúde demonstrou-se, contudo, otimista, afirmando que a pandemia apresenta agora uma tendência decrescente, com uma redução no número de infeções e de óbitos, existindo, por isso, “uma expectativa positiva” de que o panorama assim se mantenha. 

“Todos os vírus que invadiram o planeta e a espécie humana ou desapareceram, como foi o caso do SARS1, ou, se não desapareceram, adaptaram-se e tornaram-se resilientes”, explicou. 

Graça Freitas não deixou, contudo, de alertar que a pandemia estará ativa até o seu fim ser decretado pela Organização Mundial da Saúde, salientando que ainda não estão reunidos todos os critérios para que o vírus SARS-CoV-2 possa ser considerado endémico. Por um lado, ainda se verifica alguma instabilidade, com o aparecimento de novas variantes e, por outro, o vírus ainda não é completamente previsível. Para além disso, continua a circular sem um caráter de sazonalidade exclusivo. 

Quanto à meta para o levantamento das restrições de combate à pandemia em Portugal, Graça Freitas esclareceu que há indicadores que devem sempre ser tidos em conta e, se necessário, reavaliados, como a transmissibilidade, incidência, prevalência e impacto da Covid-19 nos serviços. 

Numa altura em que a curva da pandemia é descendente, a Diretora-Geral da Saúde elencou também algumas medidas que contribuíram para este sucesso, designadamente a grande cobertura vacinal. 

 

Balão intragástrico ajustável e Sleeve endoscópico
A obesidade é uma doença crónica que em primeiro lugar requer a intervenção de uma equipa multidisci

Nos últimos 10 anos, a evolução tecnológica permitiu desenvolver tratamentos menos invasivos, que se realizam por via oral, com o auxílio de um equipamento endoscópico. Assim, nasceu uma área de diferenciação médica chamada Endoscopia Bariátrica. A endoscopia bariátrica veio preencher uma lacuna no tratamento da obesidade.

Nos últimos 20 anos houve um foco muito grande da comunidade médica no tratamento dos casos mais graves (chamada obesidade mórbida) esquecendo a importância de evitar que as pessoas cheguem a essa situação extrema dando resposta aos pacientes com obesidade grau I e II.

Dentro dos diversos tratamentos existentes destacamos o balão intragástrico ajustável e o sleeve endoscópico (método Apollo e POSE 2), que na nossa experiência e na literatura médica mundial têm demonstrado bons resultados (comparáveis à cirurgia por banda gástrica) com menores riscos e uma recuperação mais rápida.

Quem pode fazer este tipo de procedimentos?

São elegíveis (mediante avaliação médica) aqueles indivíduos que tem um índice de massa corporal compreendido entre 30 e 40 kg/m2.

Qual é o tempo de recuperação?

O tempo de recuperação em média é de 3 a 5 dias.

É necessário internamento hospitalar?

Em geral, estas intervenções são realizadas em regime de ambulatório ou com um curto internamento (<24h).

Quanto peso se pode perder?

A perda de peso varia em média entre 10 a 18% do peso corporal total para o balão intragástrico e 15 a 25% do peso total para o sleeve endoscópico. Contudo, saliento a importância da reeducação alimentar na perda de peso de forma sustentada. A base do emagrecimento saudável reside numa alimentação adequada de acordo com as orientações da equipa multidisciplinar.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
APDPk lança também brochura para doentes sobre estimulação cerebral profunda
A Associação Portuguesa de Doentes com Parkinson (APDPk) vai assinalar o Dia Mundial da Doença de Parkinson (11 de abril) com...

“As questões relacionadas com esta doença são recorrentes e nós, enquanto associação, queremos dar o maior e melhor apoio possível. Optámos por manter o modelo online, que tem registado uma boa adesão, para a sessão que assinala o dia 11 de abril, mas a verdade é que queremos a pouco e pouco voltar ao modelo presencial. Como tal, a sessão de dia 23 será presencial”, anuncia Ana Botas, presidente da APDPk.

“A Doença de Parkinson e os Parkinsonismos” é o mote da sessão de perguntas e respostas que será realizada no dia 11 de abril, às 14h30, e que conta com a participação das neurologistas Maria José Rosas e Carolina Soares e a moderação de João Casaca, vice-presidente da APDPk. No dia 23 de abril, às 10h, será ainda realizada uma sessão presencial no Porto, junto ao Antigo Jardim da Arca D’Água, que conta com o apoio da Escola Superior de Saúde da Universidade Fernando Pessoa. A sessão contará com vários especialistas da área da neurologia e fisioterapia.

A propósito da efeméride, a associação elaborou ainda, com o apoio científico da SPDMov e o apoio da Medtronic, uma brochura que será distribuída dentro do circuito hospitalar a pessoas que serão submetidas à cirurgia DBS. Este é um tratamento cirúrgico com enorme eficácia que pode ajudar a controlar os sintomas de distúrbio do movimento e proporciona uma melhoria significativa da qualidade de vida dos doentes. É geralmente utilizado para tratar pessoas com doença avançada e cujos sintomas já não são controláveis através da medicação.

“Queremos que as pessoas se sintam acompanhadas durante todo o processo de tratamento, sendo que o objetivo não é substituir a informação e ajuda dada pelos especialistas, mas sim dar-nos a conhecer e prestar um apoio que pode continuar a existir depois do procedimento”, acrescenta Ana Botas.

A doença de Parkinson afeta cerca de 20 mil portugueses, sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum depois da doença de Alzheimer. É um distúrbio neurológico do movimento, progressivo e degenerativo. Embora seja muito mais comum em pessoas acima de 60 anos, o número de pessoas mais jovens diagnosticadas com a doença tem vindo a aumentar.

Promoção da Saúde Mental
O Hospital Arcebispo João Crisóstomo (HAJC), em Cantanhede, quer criar um jardim terapêutico para doentes, profissionais e...

Segundo Diana Breda, Presidente do Conselho de Administração do HAJC, o jardim terapêutico é dirigido a visitantes/familiares, “não só para os doentes que vão passar a ter as atividades terapêuticas ali fora, também, mas para os profissionais, que podem ali descansar e usufruir daquele espaço verde”.

O projeto do jardim terapêutico está a ser desenvolvido conjuntamente com a Câmara de Cantanhede e neste momento está numa fase de procura de financiamento.

O espaço de lazer, acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, foi pensado numa lógica de utilização para os profissionais do hospital, durante as pausas ou hora de almoço, para utentes e para a visita dos seus familiares.

Este projeto, com estes diferentes espaços, vai produzir “benefícios cognitivos, benefícios psicológicos e benefícios sociais”, conclui a responsável.

 

Doutoramento Honoris Causa
No Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Universidade Europeia atribuiu, pela primeira vez na sua história, o grau de Doutor...

No quadro dos seus valores de responsabilidade social, o Conselho Científico da Universidade Europeia decidiu, por unanimidade, atribuir o Doutoramento Honoris Causa a estas duas personalidades. “Temos a convicção profunda de que o reconhecimento do trabalho em favor da ciência, da ação social e cívica, expresso na dedicação à causa pública nas suas múltiplas responsabilidades, constitui um importante exemplo para as gerações mais jovens e, em particular, para os jovens estudantes que agora iniciam o seu percurso académico e profissional. É, por isso, uma honra que ambos passem a fazer parte do nosso corpo docente”, afirma a reitora da Universidade Europeia, Hélia Gonçalves Pereira.

Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, Maria de Belém Roseira foi Ministra da Saúde, Ministra para a Igualdade e deputada em várias legislaturas. Desempenhou inúmeros cargos ao longo de mais de quatro décadas, dedicando grande parte da sua carreira à atividade política. Foi presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, onde desenvolveu uma intensa intervenção que passou por propor um conjunto de iniciativas que marcaram o desenvolvimento do país, das quais destacamos, a Lei da Paridade, a Lei da Procriação Medicamente Assistida ou a Lei do Testamento Vital. Foi, ainda, deputada à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e presidente da Assembleia Mundial de Saúde da Organização Mundial da Saúde. Atualmente, mantém uma ação intensa no domínio do voluntariado e em órgãos de direção de várias instituições da área da Economia Social. É, igualmente, presidente do Advisory Board da Universidade Europeia.

No seu discurso, Maria de Belém Roseira destacou:“Tive o privilégio das circunstâncias da minha vida me terem proporcionado, fosse no desempenho de funções públicas, no exercício de cargos sociais em organizações da economia social, em Portugal ou no estrangeiro, no exercício de funções políticas ou, agora, de intensa atividade profissional e cívica ao serviço das causas mais variadas, a possibilidade de intervir na transformação para a melhoria da nossa comunidade e daquelas com que nos relacionamos. Fi-lo em consciência e com independência.”

Licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina de Lisboa, António Gentil Martins dividiu a sua carreira entre o Instituto Português de Oncologia e o Hospital D. Estefânia. Ficará, para sempre, na história da Medicina em Portugal como o cirurgião que, há 40 anos, realizou a primeira operação de separação de siameses no nosso país. Entre as várias associações e instituições que integra, é o único Membro de Honra no mundo, além de fundador, das sociedades internacionais que trabalham nas áreas da Oncologia Pediátrica. Foram vários os prémios e as mais altas distinções honoríficas que lhe foram atribuídos, nomeadamente a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Medalha de Ouro do Ministério da Saúde e o Grande Colar da Direção-Geral da Saúde. No final de 2018, cessou funções como presidente do CAVT – Centro de Apoio a Vítimas de Tortura / Portugal, instituição de solidariedade social, da qual foi fundador e onde se mantém como vice-presidente da Direção.

António Gentil Martins, no seu discurso, recordou aquilo que sempre defendeu e alguns dos seus principais feitos, “Sempre acreditei e, aliás, sempre ainda defendi que uma Ordem dos Médicos existe para defender os doentes, mas não pode também deixar de defender os médicos e de lutar para que tenham condições adequadas de trabalho e compensação. Sem profissionais bem tratados, estimulados, com carreiras e com segurança, não poderá haver boa medicina.” Para Gentil Martins, as suas grandes lutas foram, por um lado, fazer renascer a Ordem dos Médicos e, por outro, procurar conseguir ter no país um adequado sistema de saúde.

Esta cerimónia contou, ainda, com um testemunho do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com as intervenções do General António Ramalho Eanes, Presidente da República entre 1976 e 1986, e de Germano de Sousa, Bastonário da Ordem dos Médicos de 1999 a 2004. As intervenções principais foram garantidas pelo Padre Vítor Melícias e pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

As Ciências da Saúde representam uma área estratégica para o desenvolvimento nos domínios do Ensino, da Formação, da Investigação Científica e da Inovação Tecnológica. Tendo em vista este desígnio, a Universidade Europeia definiu esta área como um dos seus principais desafios estratégicos. A área de Ciências da Saúde da Universidade Europeia garante um processo inovador de educação integrado, através da qual os estudantes, das diferentes áreas disciplinares, adquirem conhecimentos e competências, de forma partilhada, tendo em vista as experiências futuras, ao longo da sua vida profissional. Esta abordagem, assenta num Modelo Académico inovador, centrado na aprendizagem experiencial e transversal a todas as áreas da instituição e evidenciado nesta área de conhecimento.

Esta aposta, resulta ainda de uma vasta experiência adquirida pela instituição, a nível ibérico, assente numa abordagem One Health (Saúde Humana, Animal e Ambiental) a qual se traduz na oferta de um vasto portefólio de programas suportados numa aprendizagem experiencial única e em infraestruturas inovadoras de reconhecida qualidade com particular destaque para o ensino em prática simulada, o investimento em Formação Clínica, em Investigação e Desenvolvimento e na Inovação Pedagógica.

Saúde Mental
A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) lança esta segunda-feira o programa FLAD/OPP – Saúde Mental no Ensino...

Este programa pioneiro, apresentado esta segunda-feira na FLAD -, resulta de uma parceria com a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), e conta com o alto patrocínio da Presidência da República. A cerimónia de apresentação, que vai decorrer às 11:00, no auditório da FLAD e vai contar com a participação da ministra do Ensino Superior, que encerrará a cerimónia, e com as intervenções da presidente da FLAD, Rita Faden, e do Bastonário da Ordem dos Psicólogos Francisco Miranda Rodrigues

O objetivo é contribuir para uma menor prevalência de problemas de Saúde Mental entre os estudantes, que já existiam, mas foram agravados com a pandemia COVID-19.

Podem candidatar-se ao programa os Serviços de Psicologia ou de Saúde de instituições de Ensino Superior públicas com projetos que ajudem os estudantes, de forma preventiva, a desenvolver competências que fortaleçam a sua Saúde Mental.

A FLAD disponibiliza financiamento até 100.000 euros, a distribuir por um máximo de três candidaturas, que implicam a contratação, por um ano letivo, de um/a psicólogo/a que irá implementar o projeto sob coordenação do respetivo serviço. Será privilegiada a multidisciplinariedade, o envolvimento de diferentes departamentos, a sustentabilidade e a replicabilidade dos projetos, entre outros fatores.

“A pandemia afetou seriamente a Saúde Mental dos estudantes universitários. Na FLAD, e porque trabalhamos de perto com os alunos e as Instituições de Ensino Superior, queremos ajudar a reforçar a sua capacidade de resposta a estes desafios.” – Rita Faden, presidente da FLAD.

“O reconhecimento de boas práticas na promoção da saúde mental e de competências sócio emocionais não é complementar. É uma necessidade para um Ensino Superior com mais igualdade, sucesso académico e bem-estar.” – Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem dos Psicólogos.

Os projetos podem ter contornos muito distintos entre si como, por exemplo, campanhas de promoção da Saúde Mental que reforcem estratégias para lidar com problemas, a criação de grupos interpares que promovam o suporte social ou formar os líderes da instituição de modo a promover uma mudança de cultura ao nível da Saúde Mental.

Um estudo conduzido em 2021 pelas Federações e Associações Académicas de Estudantes mostra que cerca de 55% dos estudantes universitários portugueses piorou o seu estado de saúde psicológica durante a pandemia: 38% indica que a pandemia interferiu no seu desempenho académico e 28% tomou medicação (quase metade sem prescrição médica). De acordo com o Atlas da Saúde de 2021, cerca 25,6% dos/das estudantes mostram sinais de depressão no pós-pandemia. Outra problemática frequente junto dos/das estudantes, a ansiedade, tornou-se um problema ainda mais generalizado (50,6% dos/das estudantes com sintomas moderados/graves). A baixa literacia em Saúde Mental e a falta de recursos económicos surgem em vários estudos como fatores que têm dificultado os pedidos de ajuda por parte dos estudantes. As candidaturas a este programa estão abertas até 19 de junho. Os projetos vencedores serão conhecidos em julho e implementados no próximo ano letivo 2022/2023.

No Âmbito do Dia Mundial da Saúde
No âmbito do Dia Mundial da Saúde (assinalado ontem), vários ex futebolistas e outras figuras públicas juntaram-se em Odivelas...

A Associação Portuguesa de Doentes da Próstata (APDPróstata), em parceria com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), a Câmara Municipal de Odivelas e a Astellas Farma, promoveu esta quinta-feira, 7 de abril, no Campus do Jogador, em Odivelas, uma partida amigável de futebol com o objetivo de chamar a atenção da população masculina, em especial com mais de 45 anos de idade, para a importância da prevenção do cancro da próstata que, numa fase inicial, pode ser silenciosa, não apresentando sinais.

Joaquim Domingos, presidente da APDPróstata mostra-se muito satisfeito com o sucesso da ação e agradece a participação de todos os envolvidos. “Esta ação de sensibilização só foi possível graças ao espírito solidário de todas as entidades, ex-jogadores e figuras públicas que se juntaram a nós nesta manhã cheia de saúde, não só porque a atividade física é essencial para um estilo de vida saudável mas sobretudo porque ajudou a lembrar todos os homens portugueses que devem estar atentos, fazer exames regulares e procurar o seu médico assistente para pôr o cancro da próstata fora de jogo”, concluiu.

Num jogo dominado pelo sexo masculino, houve ainda espaço para um momento simbólico com a participação especial de duas árbitras, Ana Aguiar e Ana Gonçalves, para assinalar o importante papel que as mulheres desempenham no acompanhamento e suporte dos doentes da próstata, bem como reforçar a importância da igualdade de género.

“Mostre um cartão vermelho ao cancro da próstata” foi o mote da iniciativa que juntou mais de 25 participantes, entre antigos futebolistas, treinadores, árbitros, bem como outras figuras públicas não ligadas ao futebol.

A iniciativa realizou-se no âmbito da campanha “Homens Bem Informados” que tem como objetivo promover um maior conhecimento e esclarecimento sobre o cancro da próstata, mediante a disponibilização de conteúdo informativo fidedigno, nomeadamente através da página de Facebook “Homens Bem Informados”.

20 de abril
O recurso à imunoterapia no tratamento do cancro colorretal é o tema do “Encontros de Investigação” que o IPO vai apresentar no...

O cancro colorretal é das doenças oncológicas mais comuns em Portugal. Estima-se que no ano de 2020 tenham sido diagnosticados mais de 10 mil casos em Portugal (Globocan). A imunoterapia começa a surgir como uma possibilidade de tratamento, ainda que limitada a um grupo limitado de doentes.

No próximo dia 20 de abril, os “Encontros de Investigação” do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa) vão debruçar-se sobre este tema, através da palestra “Imunoterapia: Uma revolução ou uma promessa por cumprir no tratamento do cancro colorretal?”.

O investigador português que vai dirigir a palestra explica que esta terapêutica está, de momento, limitada a uma minoria de doentes com um subtipo específico de tumores. Nestes casos “os resultados têm sido excelentes, incluindo respostas completas (erradicação dos tumores) numa proporção de casos”, explica Noel Filipe de Miranda.

“Cerca de 15 a 20% de todos os cancros colorretais e até 5% dos cancros colorretais avançados contêm um grande número de mutações no ADN que conseguem ser detetadas pelo sistema imunitário”, sublinha. “Infelizmente, a maior parte dos cancros colorretais tem um número limitado de mutações e não são facilmente detetados pelo sistema imunitário e, por isso, são menos suscetíveis a imunoterapias”, acrescenta.

Na sessão, Noel Filipe de Miranda também vai abordar as estratégias que estão a ser delineadas de forma a estender os benefícios da imunoterapia a mais doentes com cancro colorretal. São “estratégias direcionadas para aumentar a resposta imunitária em doentes atualmente refratários a tratamento com imunoterapia”.

Noel Filipe de Miranda licenciou-se em Biologia Aplicada na Universidade do Minho e realizou o doutoramento em Imunologia e Genética do Cancro Colorretal no Centro Médico da Universidade de Leiden. Fez pós-doutoramentos no Instituto Karolisnka, Suécia, e no Centro Médico da Universidade de Leiden. Entre os vários prémios e bolsas de investigação que já recebeu destaca-se o ERC (European Research Council) Starting Grant, no valor de 1,5 milhões de euros, atribuído em 2019.

Esta conferência decorre em formato presencial, mas terá transmissão por Teams, mediante inscrição obrigatória, através da página do IPO

Entrevista: Dra. Sílvia Jacob
“A intolerância à lactose não é a mesma coisa que a Alergia à Proteína do Leite de Vaca” sublinha Sí

A alergia à proteína do leite de vaca, conhecida como APLV, é a alergia alimentar mais comum durante a infância, estimando-se que afeta 2,2% das crianças no primeiro ano de vida. No entanto, este não é um tema muito abordado e pouco saberão em que consiste, podendo até mesmo confundi-la com uma intolerância. Neste sentido, começo por perguntar o que é a APLV e quais as causas associadas?

Nos últimos anos têm sido postuladas várias hipóteses com o intuito de explicar o aumento que se tem verificado não só nas alergias alimentares como a APLV, como nas doenças alérgicas como um todo. Uma das primeiras hipóteses, foi a Hipótese Higiénica colocada em 1989 num artigo publicado por Strachan DP que pústula que a exposição diminuída a agentes infeciosos/microbianos devido à melhoria das condições standard de higiene, faz com que ocorra uma reação hipersensitiva do sistema imunitário contra substâncias normalmente inofensivas do ambiente, passando este sistema imunitário a reagir a alergénios alimentares ou aerolaergenios (p.ex. pólens, ácaros) quando anteriormente não o fazia. Posteriormente foi colocada a Hipótese da Vitamina D, em 1999 por Wjst and Dold. Estes autores defendem que o facto de existir uma prevalência superior de doenças alérgica em países mais distantes da linha equatorial e nas crianças nascidas nos meses de Inverno se deve a uma menor exposição solar e a níveis consequentemente mais baixos de Vitamina D. A última hipótese colocada, em 2012 por George Du Toit, foi a Hipótese da Dupla exposição. Através de vários artigos publicados, este autor conseguiu demonstrar que o desenvolvimento da alergia ocorria através da exposição a alergénios (alimentares) através da pele antes que o sistema imunitário os tivesse reconhecido como inocentes através do trato gastrointestinal.

Em resumo, a exposição a um microbioma mais diversificado, níveis adequados de exposição solar/vitamina D e uma introdução alimentar precoce poderá ter um efeito protetor no desenvolvimento de doenças alérgicas.

A partir de que idade esta alergia se pode manifestar?

A APLV surge mais frequentemente no primeiro ano de vida. Para que ocorra uma reação alérgica tem que haver uma primeira exposição ao alimento, normalmente isenta de sintomas, com o desenvolvimento de sintomas nas exposições seguintes. Isto explica o porquê de, no caso da APLV, termos com frequência bebés que tiveram a necessidade de ingerir leite de fórmula nos primeiros dias de vida por dificuldades iniciais na amamentação, tendo aqui um primeiro contacto com esta proteína. Muitas das vezes estes bebés passam a fazer leite materno exclusivo em casa nos meses seguintes, e apresentam sintomas com a primeira papa láctea – quando ocorre uma segunda exposição.

Quais os principais sintomas da APLV? É verdade que existem sintomas imediatos e sintomas tardios? Que sintomas são estes?

Temos que ter em mente que a alergia alimentar se divide em 3 grandes grupos e os sintomas variam dependendo do tipo de resposta imunológica envolvida, esta pode ser IgE mediada, não-IgE mediada (mediação celular) ou mista. No grupo das alergias IgE mediadas, como o próprio nome indica há a produção de anticorpos IgE contra o alimento específico o que vai fazer com que os sintomas surjam minutos até no máximo duas horas após a sua exposição. Aqui podemos ter o aparecimento de urticaria (o mais frequente), sintomas respiratórios (p.ex. tosse, dificuldade respiratória), sintomas gastrointestinais (p.ex vómitos e diarreia) ou mesmo o desenvolvimento de anafilaxia. No grupo das alergias não-IgE mediadas os sintomas são um pouco mais tardios. Aqui não temos a produção de anticorpos mas sim uma resposta celular, que se pode traduzir na ocorrência de vómitos 1-4 horas após a exposição ao leite, ou no desenvolvimento de dejeções raiadas em sangue dias ou semanas após a exposição à proteína do leite de vaca. No grupo misto temos uma resposta imunológica celular com alguns sintomas que poderão ser justificados pela presença de anticorpos IgE. Dentro deste grupo podemos incluir alguns casos de dermatite atópica e também a esofagite eosinofílica.

Em matéria de complicações, quais as consequências mais graves desta alergia?

A APLV tem um impacto importante não só na criança como também na família. A reação mais temida é sem dúvida a ocorrência de uma anafilaxia, que pode colocar em risco a vida da criança. Este receio/risco faz com que exista um impacto social, económico e psicológico. Estas família evitam eventos sociais/festas onde não consigam controlar os alimentos que estão expostos, têm uma sobrecarga económica não só pelo facto dos leites e restantes alimentos adequados para estas crianças serem mais caros como também pelo próprio absentismo laboral que por vezes ocorre se o infantário/escola não conseguirem assegurar as condições de segurança necessárias. Tudo isto tem um impacto psicológico importante tanto na criança que convive menos e ingressa mais tarde no infantário ou escola, como nos pais que têm níveis de ansiedade superiores.

Qual a sua relação com outras doenças atópicas?

A verdade é que as doenças atópicas acabam por estar todas interligadas. A alergia alimentar é uma das quatro manifestações da chamada marcha atópica. Esta, caracteriza-se pelo aparecimento nos primeiros meses de vida de dermatite atópica que se caracteriza por um defeito na barreira cutânea que pode facilitar a ocorrência de sensibilização a alergénios alimentares e a aeroalergénios, podendo assim ser seguida pelo aparecimento de alergia alimentar, rinite e asma alérgica.

Como é feito o seu diagnóstico?

Para o diagnóstico a história clínica é fundamental. Quando os sintomas que a criança apresenta são sugestivos de uma alergia IgE mediada podemos realizar testes cutâneos ou doseamento de IgEs específicas para o alimento através da colheita de analises sanguíneas. Nos testes cutâneos é aplicado o extrato do alergénio na pele, realizado um “prick” com uma pequena lanceta, aguarda-se entre 15 a 20 minutos para se verificar se ocorre ou não o aparecimento de uma pápula com mais de 3mm o que traduz, na grande maioria dos casos, a presença de anticorpos IgEs específicos em circulação. Os testes cutâneos não podem ser realizados em doentes que estejam a tomar anti-histamínicos pois estes vão bloquear a resposta. Quando se opta por realizar colheita sanguínea para se fazer o doseamento de IgEs específicas para o alimento não é necessário que o doente suspenda o anti-histamínico.

No caso das alergias não IgE mediadas (mediação celular), não há atualmente nenhum marcador analítico para o seu diagnóstico. Neste tipo de alergia o aparecimento de sintomas de forma consistente após a exposição ao alimento facilita o diagnóstico.

Em caso de dúvida diagnóstica poderá ser realizada uma prova de provocação oral. Esta consiste na administração de leite em doses crescentes, sempre em contexto hospitalar, para que possa ser realizada uma vigilância apertada dos sintomas e se possa atuar de imediato caso exista o aparecimento de algum sintoma.

Como se trata? Que cuidados ou medidas devem ser mantidos? Quais os alimentos proibidos?

Na APLV, independentemente do mecanismo imunológico envolvido, a dieta de evicção é a opção, principalmente se a criança for muito pequena. Desde 2011 que esta regulamentado (Regulamento nº 1169/2011) a obrigatoriedade de no rótulo do alimento conter informações sobre a presença ou não dos principais alergénios alimentares. No caso do leite, poderá existir referência à sua presença através de outros nomes como “soro de leite” ou “caseína”. Infelizmente os problemas costumam surgir quando pessoas menos informadas, oferecem à criança alimentos processados que apresentam leite na sua composição (p.ex algumas marcas de fiambre, salsichas, ou mesmo alguns tipos de pão). Quando existe uma quebra na dieta de evicção e há o aparecimento de sintomas, estes, se ligeiros, poderão ser tratados com a administração de um anti-histamínico. Em casos mais graves se houver o desenvolvimento de uma anafilaxia é necessário proceder à administração intramuscular da caneta de adrenalina (Anapen® ou Epipen®).

É verdade que, na maioria dos casos, esta alergia resolve-se espontaneamente até aos 5 cinco anos de idade? Qual a explicação?

Os mecanismos exatos para que isto ocorra ainda não são completamente compreendidos. Estarão provavelmente relacionados com a maturação do sistema imunológico e com o papel que a microbiota intestinal poderá ter nesta resposta. A alergia é assim ultrapassada quando, imunologicamente, ocorre a aquisição natural de tolerância.

O que devemos saber para não confundir a Alergia à Proteína do Leite de Vaca com a Intolerância à lactose?

Na APLV temos uma resposta imunológica/alérgica contra uma proteína, que como referido anteriormente poderá desencadear reações mais ou menos graves consoante o mecanismo envolvido. Sendo uma resposta imunológica é imprevisível e não é dose dependente, ou seja, a ingestão de uma quantidade por vezes vestigial poderá provocar, em alguns casos, reações muito graves.

Na intolerância à lactose o que temos é uma dificuldade em digerir este açúcar – lactose – por um défice enzimático, ou seja, um défice de lactase. Este défice enzimático ocorre naturalmente após os 3 anos de vida numa percentagem significativa da população. Na intolerância à lactose os sintomas são limitados ao trato gastrointestinal, com distensão abdominal, aerocolia ou flatulência e são dose dependentes. O que significa que a grande maioria destes doentes tolera a ingestão de alimentos com lactose até um determinado patamar.

O risco para um doente com intolerância à lactose é significativamente menor em comparação a um com APLV.

Existem alguns mitos associados a este tema que importa esclarecer?

Na alergia alimentar os mitos andam a par com o preconceito. Muitos destes pais são vistos como exagerados e ansiosos. Há quem encare a dieta de evicção a que estes doentes têm que ser sujeitos a uma moda, desvalorizando e por vezes ridicularizando a necessidade de existir rigor na confirmação minuciosa dos rótulos e alimentos que são oferecidos à criança.

No âmbito deste tema, que ideia ou ideias-chave gostaria de deixar?

Penso que a ideia chave será mesmo a perceção de que a intolerância à lactose não é a mesma coisa que a APLV. São distintas tanto no nome (Intolerância VS Alergia) como na gravidade de manifestações que apresentam. Infelizmente a confusão entre estas duas entidades é frequente e ocorre não só no seio familiar como também em contexto escolar.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Recomendações da Mayo Clinic
Cansaço, dificuldade em respirar, perda de olfato, alterações da memória, da concentração ou do sono

1. Dê a si mesmo tempo para recuperar

Segundo o Diretor do Programa de Reabilitação de Atividades da Covid e médico da Divisão de Saúde Pública, Doenças Infeciosas e Medicina Ocupacional da Mayo Clinic, Greg Vanichkachorn, é frequente existir alguma ansiedade entre aqueles que estão a recuperar da doença. “Estão todos muito ansiosos para voltar à vida normal”.

No entanto, a verdade é que aqueles que tentam retomar o estilo de vida normal rapidamente experimentam um aumento repentino de cansaço, falta de ar e dor muscular que pode durar horas ou dias. “Isto obriga-os a descansar e pode iniciar um ciclo de tentativas de retomar a vida normal e recaídas que podem deixá-los desencorajados e sem condicionamento”, diz o especialista.

"Portanto, a ordem do médico é: dê tempo para se recuperar", sublinha Vanichkachorn. "A maneira mais rápida de recuperar é fazer tudo devagar e com calma no início e depois tentar aumentar gradualmente as atividades."

Tarefas diárias regulares contam como parte da reabilitação. “Por exemplo, se puder lavar uma quantidade de roupa por dia sem piorar os sintomas, espere até à semana seguinte para tentar duplicar essa quantidade”, diz Vanichkachorn. O mesmo se aplica às atividades intelectuais. “Fazer uma pausa não significa que esteja na altura de escrever o livro que tem planeado”, comenta.

2. Hidrate-se e coma alimentos saudáveis

"Durante a infeção aguda, muitos doentes não sentem muita fome. Isto pode piorar se houver problemas com o sabor e o cheiro", diz o médico. "Algumas pessoas habituam-se e esquecem a importância de uma boa nutrição."

Por outro lado, sublinha: é importante ingerir uma boa quantidade de água - entre 2,7 a 3,7 litros por dia.

Embora não exista uma dieta ideal para a Covid-19, sabe-se que dietas extremas pioram a situação. Vanichkachorn recomenda, deste modo, que siga uma dieta mediterrânica equilibrada e evite os alimentos processados e gordurosos.

3. Foque-se nas atividades de resistência

Quando os doentes se exercitam após infeção, normalmente tentam fazer atividades que aumentam a frequência cardíaca, como caminhar e andar de bicicleta, diz Vanichkachorn.

“No entanto, descobrimos que o exercício cardiovascular é o tipo de atividade mais difícil para pacientes com síndrome pós-COVID. Em vez disso, comece com atividades de resistência, como trabalhar com uma banda elástica, pesos livres e leves, yoga ou Pilates", diz. "Depois de conseguir ficar bem com este tipo de atividade, pode adicionar algum treino cardiovascular leve."

4. Saiba como otimizar o sono

Muitos doentes com Covid de longa duração fazem sestas, interrompendo os ciclos do sono. É importante ter o melhor sono possível e isso começa por garantir que o local de dormir é ideal, diz Vanichkachorn.

As dicas para dormir melhor incluem "garantir que o quarto tem boa circulação de ar e é um pouco mais frio do que durante o dia, minimizando as distrações eletrónicas como usar o telemóvel na cama, o que pode manter o cérebro estimulado o suficiente para mantê-lo acordado, não consumir cafeína após o almoço, e evitar fazer exercício duas horas antes de dormir. O que também ajuda a ter uma rotina diurna normal é ter horários: acordar a uma certa hora, ter refeições regulares e ter uma rotina quando se deita para dormir", revela o especialista

5. Experimente a reabilitação olfativa

"Cerca de um terço dos doentes tem problemas duradouros com sabor e cheiro após infeção aguda. Felizmente, a maioria vai melhorar dentro de 6 meses e ainda mais em 12 meses", explica Vanichkachorn. "Mas se quiser acelerar um pouco, recomendo reabilitação olfativa."

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Parceria com a GE Healthcare
A Unilabs vai investir 45 milhões de euros na aquisição de novos equipamentos e soluções tecnológicas para as suas unidades de...

É um dos maiores investimentos de sempre na área do diagnóstico clínico em Portugal, e o maior alguma vez feito na área da Imagiologia, onde a Unilabs conta com cerca de 60 centros de diagnóstico por imagem. No total, a Unilabs tem 3.500 colaboradores em Portugal, dos quais mais de 500 são médicos, realizando anualmente cerca de 22 milhões de atos clínicos em diversas áreas de diagnóstico. 

Numa parceria assinada com a GE Healthcare, a Unilabs vai instalar novos equipamentos e soluções tecnológicas de nova geração para aumentar a capacidade e melhorar a precisão e qualidade de cada diagnóstico. A parceria abrange equipamentos e tecnologia para ressonâncias magnéticas, equipamentos de TAC, ecografias, mamografias e raio-X. Alguns dos novos equipamentos têm ainda a vantagem de emitir menos radiação, o que os torna mais seguros para os profissionais de saúde e para os doentes.

Luís Menezes, diretor regional para Portugal, América Latina e Médio Oriente, revela que “este é um investimento estratégico para dar resposta às necessidades da população portuguesa, que cresceram após dois anos de pandemia. Queremos que os nossos clientes tenham acesso ao melhor diagnóstico possível e de forma mais rápida, e isto só é possível com equipamentos e tecnologia de última geração. Queremos dar o melhor aos nossos clientes, e por isso estamos a investir em equipamentos e tecnologias de nova geração que nos dão a possibilidade de fazer mais e melhor em menos tempo. A prevenção e o tratamento precoce são a melhor forma de salvar vidas e garantir qualidade de vida a longo prazo. Esta parceria com a GE é uma parceria que pretende trazer para Portugal não apenas os melhores equipamentos e softwares do mercado, mas também pretendemos criar com a GE um hub tecnológico para o lançamento de projetos piloto em conjunto, nomeadamente nas áreas de inteligência artificial na área do diagnóstico. Portugal pode e deve liderar nesta área, e em conjunto vamos conseguir fazê-lo.”

Rui Costa, diretor geral da GE Healthcare Portugal, sublinha que “O sistema de saúde em Portugal enfrenta enormes desafios, a pandemia de Covid-19 deixou-nos com uma realidade invulgar. Dar resposta a estas necessidades requer um trabalho de cooperação de todo o ecossistema da saúde e esta colaboração com a Unilabs é precisamente a abordagem necessária. Esta parceria permitirá não só um mais rápido e preciso diagnóstico por imagem, mas também a disponibilização às equipes clínicas de tecnologia e funcionalidades que vão ajudar o seu trabalho quotidiano, incluindo aplicações avançadas e a utilização de inteligência artificial para aumentar a precisão e personalização do diagnóstico. Iremos, conjuntamente, criar conhecimento que será colocado ao dispor dos prestadores de cuidados para melhorar o seu trabalho quotidiano”.

A Unilabs está presente em 15 países e estuda a hipótese de alargar a parceria com a GE Healthcare a alguns dos países onde está presente.

 

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