Sindicato Independente dos Médicos
O presidente do Sindicato Independente dos Médicos afirma que dificilmente será possível cumprir a emissão de atestados médicos...

O presidente do Sindicato, Carlos Arroz, escreveu ao diretor-geral da Saúde a avisar sobre os impedimentos que podem levar à não-emissão dos atestados para as cartas de condução.

“Estando consciente de que o eventual impedimento para emitir atestado para a carta de condução (…) me poderá colocar em situação disciplinar, tomo a liberdade de, por este meio, livre e atempadamente o comunicar”, escreve o presidente do SIM na carta que foi divulgada no site do Sindicato.

A partir de abril, os atestados médicos vão passar a ser transmitidos eletronicamente pelo Ministério da Saúde ao Instituto da Mobilidade e Transportes, permitindo o registo automático da avaliação médica efetuada ao condutor, com eventual registo das restrições.

O presidente do SIM avisa que as instalações em que trabalha como médico de família “não cumprem as normas regulamentares em termos de condições estruturais e de mobiliário”.

Acrescenta ainda que é difícil realizar o exame necessário já que o gabinete médico não é e nunca foi dotado do equipamento médico que é referido na orientação emitida pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para dar cumprimento ao diploma legal.

“Porque o acesso a eventuais pareceres necessários esbarra na dificuldade de marcação de consulta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para as especialidades mais requeridas (oftalmologia, cardiologia, neurologia, psiquiatria, otorrinolaringologia) ”, é outro dos argumentos invocados pelo presidente do Sindicato dos Médicos.

Carlos Arroz acrescenta ainda que pode também ficar em causa a relação médico-doente que os médicos de medicina geral e familiar vão sedimentando.

Já em fevereiro, um grupo de médicos de família tinha lançado um alerta público manifestando-se contra a emissão de atestados para a carta de condução nos centros de saúde, considerando que pode bloquear a atividade das unidades e que é incompatível com o seu trabalho.

Estes médicos consideravam que os centros de saúde não estão vocacionados para fazer a avaliação para o atestado que está estipulada pela atual legislação, nomeadamente o exame de audição e de visão.

Outra das queixas tem a ver com o tempo necessário para realizar o tipo de peritagem que é requerida para o atestado para a carta: “é absolutamente incompatível com a organização da atividade assistencial das unidades de cuidados de saúde primários”.

7.ª Conferência Europeia de Tabaco ou Saúde
Portugal encontra-se na 15.ª posição, entre 35 países, ‘no ranking’ de controlo do tabaco de 2016, que é liderado pelo Reino...

O anúncio foi feito na 7.ª Conferência Europeia de Tabaco ou Saúde, organizada pela Liga Portuguesa contra o Cancro que decorre até sábado num hotel do Porto, sendo que este ‘ranking’ resulta de um acompanhamento sistemático da aplicação das políticas de controlo do tabaco a nível nacional na Europa.

De acordo com a informação divulgada, em 2013 Portugal ocupava a 24.ª posição deste ‘ranking’, tendo subido assim nove lugares.

A liderar a tabela encontra-se o Reino Unido, seguindo-se a Irlanda e a Islândia. No último lugar está a Áustria, na antepenúltima posição a Alemanha, que é antecedida pelo Luxemburgo.

Este ranking “quantifica a implementação de políticas de controlo do tabaco”, designadamente o preço, a proibição/inibição de fumar em locais públicos e de trabalho, gastos em campanhas de informação pública e advertências de saúde, entre outras.

Segundo Luk Joossens, da Associação Europeia das Ligas Contra o Cancro, os países gastaram menos de dois euros ‘per capita’ em controlo do tabaco, sendo a falta de investimento nesta área “uma preocupação”.

A organização destaca que a Rússia foi incluída neste ‘ranking’ pela primeira vez e que a Roménia fez um progresso extraordinário, saltando do 19.º, em 2013, para o 7.º lugar, em 2016.

De acordo com o ‘ranking’ 2016, seis países têm 60 pontos ou mais, sendo a pontuação máxima obtida pelo Reino Unido (81 em 100).

Dez outros países, incluindo Portugal, que obteve 50 pontos, estão já a aplicar razoavelmente bem políticas de controlo do tabaco, sendo que os restantes 19 países não atingiram os 50 pontos e “precisam de fazer muito mais”, lê-se no documento, disponível na internet.

O documento destaca ainda que, desde 2013, nove países introduziram a proibição de fumar em veículos privados com menores no interior (Irlanda, Reino Unido, França, Finlândia, Itália, Malta, Chipre, Lituânia e Eslovénia).

O documento recomenda que, antes da 8.ª conferência europeia sobre o tabaco, em 2020, os países deve aplicar uma abrangente política de controlo do tabaco, bem como interpelar a indústria tabaqueira, que “continua a ser o maior obstáculo à introdução de políticas eficazes de controlo do tabaco”.

É ainda recomendado que cada país gaste “um mínimo de dois euros ‘per capita’ por ano” no controlo do tabaco, que introduza uma legislação abrangente antitabagismo, incluindo a proibição de fumar em veículos particulares quando os menores estão presentes, e introduza maços de tabaco “simples”.

Países lusófonos
O presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health identificou hoje falhas no acesso aos medicamentos básicos no...

"Em alguns países [africanos lusófonos] há problemas de acesso a medicamentos essenciais. O grande objetivo é assegurar pelo menos o acesso a um conjunto de medicamentos essenciais nas doenças mentais, quer nas mais graves, como a esquizofrenia, doença bipolar ou epilepsia, como nas mais comuns, como a depressão ou ansiedade", disse Miguel Caldas de Almeida.

O presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health falava hoje, na cidade da Praia, no âmbito de um seminário internacional sobre acesso e utilização dos medicamentos nas doenças mentais, em que participaram especialistas em saúde mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Ressalvando que as situações diferem de país para país, Miguel Caldas de Almeida reforçou a ideia de que o objetivo é assegurar que qualquer pessoa com uma doença mental tenha acesso aos medicamentos essenciais.

"Estamos longe ainda disso", disse.

O seminário é organizado pelo Lisbon Institute of Global Mental Health, em colaboração com da Fundação Calouste Gulbenkian, a OMS, a Ordem dos Médicos de Cabo Verde e a Associação de Promoção de Saúde Mental "A Ponte" e pretende debater, analisar e propor medidas que resultem numa melhoria do acesso, mas também da utilização desse tipo de medicamentos.

Miguel Caldas de Almeida lembrou que na última década têm surgido no mercado medicamentos para tratamento destas doenças que são "muito caros" e não "significativamente mais eficazes".

"Há muitos países com poucos recursos que gastam os poucos recursos que têm nos medicamentos mais caros sem grande vantagem e não conseguem depois um acesso generalizado àqueles que até podem não ser muito caros, mas que resolvem os problemas", considerou o responsável.

Daí a importância de implementar estratégias que permitam, entre outros aspetos, adquirir os medicamentos a preços mais acessíveis, encontrar, dentro de cada país, formas de assegurar que os medicamentos estão disponíveis em todas as regiões e que os profissionais de farmácia e clínica geral têm formação para promoverem a melhor utilização desses medicamentos.

"Além do aspeto financeiro, há muito trabalho a fazer do ponto de vista técnico, de formação e organizativo e do ponto de vista político. Ter uma política de saúde mental e dentro da saúde mental de facilitação de acesso aos medicamentos", disse.

O bastonário da Ordem dos Médicos de Cabo Verde, Daniel Silves Ferreira, identificou barreiras no acesso aos medicamentos e outras decorrentes do mau uso destes por falta de capacitação dos profissionais de saúde.

"É preciso que os medicamentos estejam disponíveis, mas também que tenhamos gente que saiba utilizar racionalmente esses medicamentos e o problema muitas vezes reside aí", disse.

Por seu lado, o ministro da Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, defendeu a necessidade de ampliar o acesso da população a estes medicamentos, mas ressalvou que estes não podem ser tratados "como mercadoria", devendo o seu "uso ser pautado pela racionalidade e mediante orientação de um profissional".

Durante o seminário, que termina na sexta-feira, será ainda abordada a combinação do uso dos medicamentos com outras técnicas no tratamento das doenças mentais.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse hoje que o tabaco foi considerado em Portugal "um problema de saúde...

"No segundo semestre deste ano, a Linha de Saúde 24 passará a dispor de mais capacidade no apoio específico à cessação tabágica. A epidemia do tabagismo é devastadora mas é controlável", afirmou o ministro da Saúde, enumerando outras medidas levadas a cabo pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Adalberto Campos Fernandes referiu que, em todo o território nacional, existe cobertura para consultas de cessação tabágica e foi alargada a comparticipação a medicamentos para deixar de fumar, elogiando os resultados "impressionantes" dos dois primeiros meses do ano.

O governante vincou que também o Ministério da Educação está envolvido nesta "prioridade" através de ações em meio escolar que incluem a temática do tabagismo.

O governante, que falava na sétima Conferência Europeia do Tabaco e Saúde, que teve inicio hoje, no Porto, prolongando-se até sábado, e na qual também participam o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a rainha Letizia de Espanha, o comissário Europeu da Saúde e Segurança e o ministro da Saúde de Espanha, começou por enviar um "fortíssimo abraço" aos responsáveis e voluntários da Liga Portuguesa Contra o Cancro, entidade que organiza o evento.

"O tabaco tem sido um dos maiores flagelos que atinge a saúde pública. Se nada fizermos, este problema agravar-se-á a ao longo do presente século. O tabaco mata atualmente em todo o mundo cerca de seis milhões de pessoas. Em Portugal cerca de 30 pessoas morrem por dia em Portugal", disse Adalberto Campos Fernandes.

O ministro mostrou-se preocupado com as desigualdades uma vez que, disse, "quando olhamos para o que foi conseguido em termos de prevenção, concluímos que os ganhos se distribuem de forma muito desigual" já que "são os mais pobres e os mais vulneráveis que apresentam maiores consumos e menos motivação para deixar de fumar".

"O tabaco contribui para agravar as desigualdades na Saúde", disse o governante que adjetivou o consumo de tabaco como "uma verdadeira epidemia", frisando que o setor da Saúde isolado não tem ao seu alcance todos os instrumentos necessários, pelo que considerou "imperativa" uma mobilização de todos os setores do Estado mas também da sociedade.

Adalberto Campos Fernandes alertou que a aceitação social do ato de fumar e as estratégias da indústria são "cada vez mais sofisticadas e difíceis de controlar", mostrando preocupação com a atratividade do tabaco para os mais jovens.

"Apesar de alguns avanços, estudos em meio escolar revelam que muitos jovens de 13 anos já experimentaram tabaco e que cerca de um terço dos que experimentaram serão fumadores regulares quando atingirem a idade adulta", disse o ministro, defendendo uma "ação muito firme baseada na comprovação científica e alinhada com as melhores práticas internacionais".

O ministro da Saúde falou ainda da Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde para o controlo do tabaco como "um documento referência orientador": "Vincula atualmente cerca de 180 partes e não pode ser descurado. A implementação deste tratado impõe uma forte cooperação intersectorial", salientou.

Segundo Adalberto Campos Fernandes "Portugal está a avançar muito nesta matéria", dispondo de um Plano Nacional de Saúde até 2020, no qual está inscrito uma das metas mais importantes que consiste na redução da prevalência do tabaco e da exposição ao fumo ambiental.

Cientistas alertam
A tuberculose, numa forma resistente a vários medicamentos, está a aumentar no mundo, revertendo décadas de progresso no...

Os autores da investigação, lançada na África do Sul e publicada na revista especializada britânica Lancet afirmam que há novos antibióticos a entrar no mercado, mas que são precisos testes de diagnóstico eficazes para poder orientar o tratamento em cada caso.

Caso contrário, afirmam, as novas drogas serão inúteis para travar o aumento das estirpes de tuberculose com grande resistência a vários tipos de medicamentos.

A tuberculose é a doença infecciosa que mata mais pessoas no mundo anualmente, com números da ordem de 1,8 milhões em 2015, 60% das quais concentradas em seis países: Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

Dos casos da doença registados, um em cada cinco resistia a pelo menos um medicamento dos mais usados contra a tuberculose e 5% apresentava resistência a outros tipo de fármacos usados no tratamento.

Esta dificuldade de tratar a doença, já de si difícil e prolongada, traduz-se em mortalidade mais alta, risco de contágio para o pessoal de saúde, tratamentos caríssimos e um problema de saúde pública.

Os antibióticos revolucionaram na década de 1950 o tratamento da tuberculose mas o seu uso em massa levou a um aumento de bactérias que lhes resistem, com mutações genéticas provocadas por tratamentos mal feitos.

Tabagismo
O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso, lamentou hoje no Porto que “não haja inspeção” em Portugal ao...

“É preciso que, em Portugal, também se consciencializem que as leis não podem ser só escritas, têm de ser vigiadas”, afirmou Vítor Veloso, referindo que “não há vigilância em Portugal”, mas “tem de haver inspeção para que essas leis sejam devidamente aceites” e “cumpridas por todos aqueles que as devem cumprir”.

Vítor Veloso, que falava aos jornalistas a propósito, da 7.ª Conferência sobre Tabaco e Saúde, a decorrer até sexta-feira, no Porto, disse esperar que deste encontro resulte “um esforço conjunto para se conseguir melhorar a atuação em relação às tabaqueiras, que vão sempre à frente da legislação, sempre à frente da prevenção primária, vão sempre à frente dos fumadores”.

“Infelizmente, ainda temos muitos países da Europa que estão no vermelho [em relação ao consumo de tabaco] e não podemos esquecer que morrem, por ano, seis milhões de pessoas por causa do tabaco”, em todo o mundo, disse, salientando que Portugal, neste âmbito, está pela primeira vez “no verde”.

“Finalmente, Portugal, embora na tangente, é representado já a verde [no gráfico dos países da União Europeia onde mais se fuma], o que quer dizer que conseguimos fazer um trabalho aceitável, que modificou a posição do nosso país”, referiu Vítor Veloso.

Seguindo explicou, “há dois anos, quando o mesmo gráfico foi apresentado na 6.ª conferência, o nosso país estava representado a vermelho, porque ainda não tinha atingido os mínimos”.

“Agora, embora de forma tangencial, passámos para o verde, o que efetivamente significa que temos feitos avanços em relação ao tabaco, tendo diminuído o consumo, o que se fez não só através da legislação, que é cada vez mais apertada, mas também pelas campanhas”, sublinhou.

Contudo, o presidente da LPCC salientou que há ainda um “longo caminho a percorrer” em relação à resolução dos problemas ligados ao tabagismo.

No encontro, que hoje contou, na sessão de abertura, com a presença do Presidente da República, da rainha Letícia Ortiz de Espanha, e do comissário europeu da Saúde e da Segurança Alimentar, discute-se, até sexta-feira, “como é que a União Europeia pode lutar em relação aos ‘inimigos’ que são, sem dúvida alguma, as tabaqueiras, que têm um poder político e económico superior ao dos países”, referiu Vítor Veloso.

“É uma ‘guerra’ entre a legislação e a fuga que as tabaqueiras tentam [fazar] com as novas formas de fumo, para, camufladamente, fugir a essas leis e a essas exigências. Exemplo disso são os cigarros eletrónicos”, sustentou.

O presidente da LPCC defendeu, por isso, “a necessidade de alterar a legislação que, atualmente, só consagra determinados tipos de fumo”.

Nas declarações que prestou à Lusa, Vítor Veloso lembrou que “o tabaco é responsável por 90% dos cancros de pulmão e é responsável também por 20 a 30% de todos os cancros nas diferentes localizações”.

Um novo estudo da Organização Mundial de Saúde alerta para o impacto “sem paralelo” do tabagismo na saúde pública e os investigadores avisam que as doenças associadas ao tabaco são responsáveis por quase 6% dos gastos mundiais em saúde, num total de 400 mil milhões de euros.

O objetivo desta conferência é mobilizar os cidadãos, tornando‐os mais conscientes e capazes de melhorar a sua saúde, promovendo e apoiando políticas de controlo do tabagismo na Europa e no Mundo.

“Como o impacto do tabaco na Europa e no mundo ainda é devastador, é de extrema importância que o controle do tabagismo seja atualmente uma prioridade de agenda”, considerou o presidente da LPCC.

Tabagismo
O comissário europeu da Saúde e Segurança Alimentar afirmou hoje serem necessárias mudanças reais no terreno para combater o...

“Precisamos de mais implementação e aplicação das leis existentes, uma mudança real no terreno”, afirmou Vytenis Andriukaitis hoje de manhã, na sessão de abertura da 7.ª Conferência Europeia do Tabaco e Saúde, a decorrer num hotel do Porto.

Para o comissário, é preciso um “sistema sólido” que permita acompanhar/rastrear todos os produtos de tabaco em toda a Europa, para assim combater o comércio ilícito e garantir que todos os produtos no mercado interno cumprem a legislação da União Europeia (UE), sendo que “a Comissão Europeia (CE) está já a preparar implementar legislação neste sentido”.

Vytenis Andriukaitis alertou também ser necessário seguir com atenção o mercado dos cigarros eletrónicos, vistos como uma alternativa para deixar de fumar, afirmando que estes “não se podem tornar numa porta de entrada para novos fumadores”.

“Se os cigarros eletrónicos são considerados como uma ferramenta que permite deixar de fumar, então devem ser autorizados como produtos farmacêuticos e vendidos em farmácias”, sublinhou.

O comissário europeu defendeu a implementação de uma série de medidas “de controlo do tabaco” para que seja possível reduzir o consumo, designadamente “tornar todos os espaços públicos livres de fumo”, como praias, “aplicar regras de idade mínima para fumar”, “aumentar a consciencialização sobre o tabaco nas escolas e outros ambientes”, “regular os postos de venda, incluindo máquinas”, “reduzir a exposição à publicidade”, “usar preços e impostos”, “promover comportamentos responsáveis” e, entre outras, “ajudar os fumadores a deixar de fumar”.

“Incito os estados-membros da UE a utilizarem todos os instrumentos à sua disposição para o efeito”, vincou, congratulando-se com o facto de Portugal ter sido um dos primeiros países a aplicar a diretiva comunitária sobre o tabaco (de 2014), que proíbe produtos de tabaco “atrativos, coloridos e com sabor”.

Para o responsável, “o tabaco deve parecer e saber a tabaco, não deve parecer um perfume ou um bâton”, sendo que “tudo isto torna [o tabaco] atraente para as crianças começarem a fumar”.

Vytenis Andriukaitis referiu que “as evidências mostram que as pessoas têm menos probabilidade de fumar” se os maços exibirem mensagens e imagens que alertam para os riscos do tabaco, bem como se não tiverem marcas, logotipos e design de marketing”.

“Este é o motivo pelo qual cinco estados-membros decidiram tornar obrigatória a embalagem ‘limpa’ nos respetivos países, e é um excelente exemplo para o resto da Europa”, disse.

Para o comissário europeu, ainda há um longo caminho a percorrer no combate ao tabagismo e é necessário que os estados-membros “juntem forças e trabalhem em conjunto” para tornar a Europa numa zona livre de tabaco.

Perante as “consequências devastadoras” do ato de fumar, quer de saúde quer económicas, o comissário desejou ainda que a legislação comunitária ajude os adolescentes “a fazerem a escolha certa de dizer não ao primeiro cigarro”.

Esta conferência é organizada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, em parceria com a associação europeia das ligas contra o cancro, com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

No evento, cuja sessão de abertura contou com a rainha de Espanha, estarão presentes até sábado médicos e peritos de Portugal, Espanha e outros países europeus, bem como delegados de toda a União Europeia.

Comissário europeu da Saúde
O comissário europeu da Saúde e da Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, garantiu hoje no Porto que os consumidores...

“Gostaria de dizer que os consumidores europeus estão absolutamente protegidos. O nosso controle é muito restrito”, afirmou Vytenis Andriukaitis.

O comissário europeu da Saúde e da Segurança Alimentar falava aos jornalistas à margem da sétima conferência sobre tabaco e saúde, que contou também, na cerimónia de abertura, com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com a rainha Letícia, de Espanha.

Segundo o comissário europeu, logo que a crise da carne no Brasil foi conhecida “os mecanismos de alerta de todos os países reagiram imediatamente”.

“Aumentámos o controlo e imediatamente enviámos para o Brasil uma mensagem clara de que tem de parar de emitir certificados até se perceber o que está em causa”, acrescentou.

Vytenis Andriukaitis disse ainda que, este domingo, irá ao Brasil para “reunir com o Governo brasileiro, com o ministro da Agricultura e com as autoridades oficiais de controlo para discutir o problema”.

Segundo um porta-voz da Comissão Europeia, foi exigido às autoridades brasileiras a suspensão da licença de quatro estabelecimentos autorizados a exportar para a União Europeia (UE), entre as 21 empresas suspeitas de terem cometido irregularidades, acrescentou a mesma fonte. O pedido dos europeus foi aceite pelas autoridades brasileiras.

Contrariamente a Hong Kong, México, China, Chile e Japão, a UE não suspendeu na totalidade as suas importações de carne do Brasil.

Em 2016, a UE importou 450 milhões de euros de carne bovina do Brasil e 153 milhões de euros de aves.

Os principais clientes europeus são a Itália, que importou 155 milhões de carne bovina brasileira, e a Holanda, que importou 144,5 milhões de euros de carne bovina e 79 milhões de aves.

Na sexta-feira, os responsáveis das autoridades veterinárias dos 28 Estados-membros vão reunir-se em Bruxelas para fazer um ponto da situação sobre os desenvolvimentos e os controlos realizados desde a revelação do escândalo.

O ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, expressou na segunda-feira passada a vontade de dialogar com todos os países que anunciaram restrições à importação da carne brasileira para oferecer explicações.

Um grande escândalo envolvendo empresas brasileiras veio a público na última sexta-feira após a polícia local ter realizado uma grande operação contra companhias que supostamente subornavam funcionários públicos para vender carne ilegal e até mesmo produtos estragados.

Pelo menos 30 pessoas foram detidas na sexta-feira, quando a polícia brasileira acabou por invadir mais de uma dúzia de unidades de processamento de carne.

Uma fábrica de processamento de aves do grupo multinacional BRF e duas fábricas de processamento de carne operadas pela empresa local Peccin foram fechadas.

A carne brasileira é exportada para mais de 150 países, com mercados principais como Arábia Saudita, China, Singapura, Japão, Rússia, Holanda e Itália.

As vendas de carne de aves em 2016 atingiram 5,9 mil milhões de dólares (5,4 mil milhões de euros na cotação de hoje) e de carne bovina 4,3 mil milhões de dólares (4 mil milhões de euros), segundo dados do Governo brasileiro.

Administradores
O hospital do futuro é desenhado e oferece os seus serviços em função das necessidades dos doentes, mas, para isso, as...

Alexandre Lourenço falava a propósito do estudo “Hospital do Futuro” que será apresentado a partir de sexta-feira, durante a primeira Conferência de Valor da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), que terá como tema os modelos de negócio e contratação em saúde – oportunidades e desafios.

O estudo - realizado por elementos da IESE Business School, da Accenture, da Karolinska University e do Hospital Clínic de Barcelona – propõe “a transformação da paisagem dos cuidados de saúde, recomendando que os principais hospitais públicos se tornem centros multidisciplinares de excelência, recebendo referências de casos complexos e coordenando a prestação de cuidados de saúde em toda a comunidade afastando-se da prestação de cuidados de rotina”.

Para Alexandre Lourenço, o hospital do futuro é desenhado, oferece os seus serviços e os profissionais e toda a organização funcionam em função das necessidades dos doentes, “seja ao nível de instalações como as conhecemos hoje, seja em outro tipo de instalações mais próximas do quotidiano do doente”.

O presidente da APAH considera que os serviços que os hospitais apresentam atualmente “são sempre necessários”, embora possam ser prestados “de forma diferente”.

Alexandre Lourenço aponta alguns “exemplos de sucesso” em Portugal, como a cirurgia de ambulatório ou a monitorização domiciliária de portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) ou com insuficiência cardíaca, que impede que os doentes sejam internados.

“Muitos dos cuidados que hoje prestamos a nível hospitalar podemos prestar de outras formas, com melhor experiência do doente”, adiantou.

Contudo, para que a mudança aconteça os hospitais precisam de mais autonomia, disse.

“Hoje em dia os hospitais atravessam algumas dificuldades em termos de autonomia. Só conseguiremos ter um hospital mais moderno e mais direcionado para as necessidades dos doentes quando as próprias organizações tiverem mais autonomia que lhe permitirá novas prestações, maior inovação e centradas nas necessidades dos doentes”, afirmou.

Para Alexandre Lourenço, esta dificuldade de autonomia dos hospitais em relação à tutela “coloca em causa o desenho da oferta do serviço”.

O estudo recomenda que “os hospitais devem reduzir a sua dimensão, com foco em serviços complexos que exigem conhecimentos e tecnologias especializadas” e a eliminação de “os limites rígidos entre os departamentos médicos”, o que permitiria que os recursos sejam “compartilhados entre eles de forma mais flexível”.

Os autores consideram mais importante os “focos nos resultados em saúde e não no volume de serviços prestados”.

Para tal, deve-se maximizar “o valor do ‘big data’ existente desempenhando um papel importante na análise dos resultados, não só em termos do impacto das intervenções de cuidados de saúde, mas também de forma mais ampla sobre os resultados sociais e económicos”.

“Construir em conjunto parcerias mais fortes com os fornecedores onde a componente de partilha de risco e de resultados seja a adequada para o desenvolvimento de padrões globais de saúde mais elevados” é outra das propostas do estudo.

Morte súbita
No dia 28 de Março a Fundação Portuguesa de Cardiologia, em parceria com a Senilife e os hipermercados Jumbo, irá lançar o...

A mecânica é simples: nas parafarmácias dos hipermercados Jumbo poderão ser adquiridas Pulseiras Salva-vidas, pelo valor simbólico de 2€. Por cada grupo de 1500 vendidas as entidades promotoras do projeto oferecem um kit salva-vidas, composto por um desfibrilhador ZOLL com reanimação de alta qualidade e respetiva formação em Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa e primeiros-socorros, a uma entidade identificada desde o início das vendas das referidas pulseiras. A primeira entidade a receber este Kit será a Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, seguindo-se outras em diferentes locais do país. O apresentador João Baião dá a cara por esta iniciativa.

Atualmente a morte súbita mata cerca de 10 mil pessoas em Portugal todos os anos e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 20 mil pessoas por dia em todo o Mundo. Em Portugal o número de desfibrilhadores, um dos instrumentos mais eficazes de combate a esta problemática de saúde pública, é de cerca de um para cada 10 mil habitantes.

Para o Prof. Doutor Manuel Carrageta, Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, “esta iniciativa pretende realmente salvar vidas. O objetivo é dotar escolas e instituições dos conhecimentos e meios necessários, porque nos casos de paragem cardiorrespiratória cada minuto conta para a possibilidade de sobrevivência da pessoa”.

Após este evento, a vítima perde 10% de hipóteses de sobrevivência a cada minuto que passa. Ou seja, ao final de cinco minutos sem assistência, a vítima tem apenas 50% de probabilidade em sobreviver. O cérebro apenas sobrevive 3-5 minutos sem oxigénio. Desta forma, esta iniciativa visa despertar consciências e sublinhar a importância das técnicas de Suporte Básico de Vida (SBV), uma vez que uma reanimação cardiorrespiratória de alta qualidade aumenta em 2.72 vezes a probabilidade de sobrevivência do doente sem sequelas.

No dia 30 de março a Fundação Portuguesa estará no Jumbo das Amoreiras, onde se fará acompanhar pelo apresentador João Baião, de forma a marcar o arranque deste projeto.

Dia 5 de abril
Professor de Porto Rico, Hiram Arroyo, estará na conferência “Participação, estilos de vida e bem-estar no ensino superior”,...

A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) organiza, no próximo dia 5 de abril, a conferência “Participação, estilos de vida e bem-estar no ensino superior”, uma iniciativa no âmbito do projeto internacional Peer-education Engagement and Evaluation Research (PEER), que é também liderado pela instituição de Coimbra.

O encontro, a realizar nas instalações da ESEnfC - Polo A (Avenida Bissaya Barreto, em Celas), entre as 14h00 e as 20h00, contará com a presença do coordenador da Rede Ibero-americana de Universidades Promotoras de Saúde (RIUPS), Hiram Arroyo, professor na Universidade de Porto Rico.

Esta conferência marca o início o III Curso Internacional de Pesquisa-ação Participativa em Saúde, que terminará em dezembro deste ano e que visa a capacitação de equipas de pesquisadores para promoverem estilos de vida saudável e mais bem-estar nas instituições de ensino superior.

A conferência e o curso internacional têm o apoio do Instituto Europeu para o Estudo dos Fatores de Risco em Crianças e Adolescentes (IREFREA - Portugal) e da International Collaboration of Participatory Health Research (ICPHR).

“A pesquisa-ação participativa em saúde é uma abordagem que enfatiza a participação dos cidadãos em todos os aspetos do processo de pesquisa, incluindo-os em todas as etapas: desde a identificação de questões de pesquisa até soluções de execução/ação”, afirma a professora Irma Brito, coordenadora do projeto PEER e do curso, além de professora na ESEnfC.

Para Irma Brito, que também é membro do Comité Executivo da ICPHR, onde representa os países de língua oficial portuguesa e é responsável pela formação, “a participação das partes interessadas [na investigação em saúde] faz aumentar a capacidade de efetuar mudanças nas condições sociais mais amplas que afetam a saúde e bem-estar a longo prazo”.

O III Curso Internacional de Pesquisa-ação Participativa em Saúde constitui uma oportunidade para gestores de projetos apresentarem e desenvolverem os respetivos projetos de promoção da saúde em contexto escolar, refletindo sobre eles e imprimindo-lhes a vertente de pesquisa participativa, além da possibilidade de se juntarem em equipas internacionais criando estudos de caso multicêntricos.

6 de abril - Dia Mundial da Atividade Física
Numa altura em que aumenta a atividade física ao ar livre e se aproxima o Dia Mundial da Atividade Física, a Sociedade...

Segundo um estudo relatado na obra “Visão e Desporto” de João A. Capão Filipe, as lesões oculares que ocorrem durante a prática desportiva podem e devem ser prevenidas. Tem sido demonstrado que o uso dos protetores oculares atualmente disponíveis reduz o risco de lesão ocular em, pelo menos, 90 por cento. O principal obstáculo a um maior e mais difundido uso de protetores oculares é o desconhecimento e uma certa confusão por parte de todos os elementos ligados ao desporto – presidentes, atletas, diretores, treinadores, jogadores e corpo médicos – em saber quais os protetores que são mais eficazes.

Os olhos guiam o corpo e a sua importância é fundamental para qualquer tipo de atleta, seja profissional ou amador. No desporto, a visão desempenha um papel ainda mais importante. Uma visão reduzida não significa simplesmente não conseguir acertar numa bola ou marcar um golo, também aumenta o risco de ocorrência de lesões.

Em Portugal, por exemplo, o futebol de onze e de cinco e o traumatismo pela bola são responsáveis pela maioria das lesões oculares. Estas ocorrem geralmente em jovens amadores não federados (50 por cento) que foram atingidos pela bola enquanto jogavam futebol como passatempo de fim-de-semana. Além do futebol, o ténis e o golfe são modalidades que podem ser particularmente perigosas pela velocidade e força com que as bolas são projetadas.

A análise de lesões oculares permitiu concluir que um doente que recorra a um serviço de urgência de oftalmologia com uma lesão ocular provocada durante a prática de uma atividade desportiva, tem 75 por cento de probabilidade de apresentar uma lesão grave e mesmo que não haja hemorragia e a visão se mantenha normal, a possibilidade de ter uma lesão grave é elevada, pelo que com ou sem sintomas de alarme, qualquer traumatismo ocular que ocorra durante a prática de um desporto deve ser observada de imediato por um oftalmologista.

Mas não são só as lesões que influenciam a qualidade da visão dos desportistas. Existem fatores físicos que podem intervir negativamente na performance visual durante a prática desportiva, como a fadiga, que pode diminuir a acuidade visual e o campo visual. A aceleração, as vibrações mecânicas e sonoras e a diminuição do aporte de oxigénio são também fatores a ter em conta.

O Dr. Mário Ornelas, oftalmologista da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, refere que “com o chegar do bom tempo e durante toda a primavera e verão torna-se mais apelativa a prática de desporto e de atividade ao ar livre, pelo que a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia recomenda que todos os desportistas vigiem de forma regular a saúde dos seus olhos e que em caso de lesão ocular devem ser observados por especialista em Oftalmologia assim que possível”. Salienta ainda que “existe no mercado uma grande variedade de proteções oculares adequada a cada tipo de desporto, quer seja para atletas federados ou simplesmente amadores, mas devem estar certificadas para a modalidade a que se destinam”.

Estudo
Um estudo revelou que as mulheres que tomam a pílula contracetiva podem reduzir o risco de contrair o cancro do útero, dos...

Um estudo revelou que as mulheres que tomam a pílula contracetiva podem reduzir o risco de contrair certos tipos de cancro, mesmo após 30 anos de terem parado a sua toma, conta o The Guardian. A investigação, levada a cabo por cientistas da Universidade escocesa de Aberdeen, mostrou que a pílula pode prevenir o cancro do intestino, do cólo do útero e dos ovários, a partir da análise e acompanhamento de 46 mil mulheres durante 50 anos. Conduzido pelo Royal College of General Practitioners, foi o maior estudo alguma vez já realizado sobre os efeitos na saúde dos métodos contracetivos orais a longo prazo.

“Como o estudo foi realizado durante um período de tempo tão longo, somos capazes de compreender e analisar os efeitos a longo prazo, se houver alguns, associados à toma do comprimido”, admitiu Lisa Iversen, investigadora do Instituto de Ciências Aplicadas para a Saúde da Universidade de Aberdeen e uma das autoras da pesquisa.

Nos últimos anos, escreve o Observador, vários especialistas afirmaram que as pessoas que tomam ou tomaram a pílula durante mais de cinco anos poderiam duplicar o risco de contrair cancro. Mas os resultados desta pesquisa vieram comprovar exatamente o contrário.

Um dos nossos objetivos era também perceber e ter uma noção mais aprofundada do balanço global de todos os tipos de cancro nas mulheres que tomaram ou estão a tomar a pílula. Não encontrámos quaisquer evidências de novos riscos de cancro que possam aparecer nas mulheres à medida que elas vão envelhecendo. Estes resultados, conseguidos através do maior estudo do mundo sobre métodos contracetivos, são tranquilizantes”, revelou ainda Iversen.

O estudo, que foi realizado com a ajuda e financiamento do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido, da Fundação Britânica do Coração e do Fundo de Pesquisa para o Cancro, encontra-se publicado pelo American Journal of Obstetrics and Gynecology.

Estudo
Uma nova vacina contra rotavírus, vírus que causa diarreias e gastroenterites, pode ser mais eficaz e mais barata, reduzindo...

A nova vacina pode ser 67% mais eficaz na prevenção de gastroenterites severas causadas pelo vírus, segundo os investigadores da Universidade de Harvard, Estados Unidos, e da associação Epicentre, de Paris (criada pela organização Médicos Sem Fronteiras e centrada na pesquisa e formação).

O rotavírus é responsável por cerca de 37% das mortes por diarreia em crianças com menos de cinco anos, um total de cerca de 450.000 crianças por ano, especialmente na África subsaariana. É a principal causa de diarreia aguda ou gastroenterite grave em crianças e as medidas de higiene não impedem a transmissão, pelo que a vacinação é importante.

Em países onde a taxa de rotavírus é elevada e o acesso a cuidados de saúde é baixo, as vacinas têm de ser baratas e fáceis de armazenar, sendo por exemplo estáveis com altas temperaturas, dizem os autores do trabalho.

Atualmente existem duas vacinas contra o rotavírus mas são caras e têm de estar em locais refrigerados durante toda a cadeia de abastecimento, o que nem sempre é possível em países como o Níger, onde a eletricidade e a capacidade de refrigeração nem sempre “são fiáveis”, segundo os responsáveis, que salientam que a nova vacina é estável com o calor.

Por isso, a nova aposta é uma vacina adaptada a África, o continente onde é mais precisa, disse um dos responsáveis pelo estudo, Sheila Isanaka, professora assistente em Harvard, que defendeu: Quando a vacina estiver amplamente disponível em África ajudará a proteger milhões de crianças vulneráveis.

No ensaio, os pesquisadores fizeram um estudo no Níger para avaliar a eficácia da vacina de baixo custo e estável no calor, tendo sido recrutadas mais de 3.500 crianças que receberam três doses de vacina ou placebo.

A vacina foi licenciada na India mas a aprovação, conhecida como pré-qualificação, pela Organização Mundial de Saúde é necessária antes que possa ser comprada pelas Nações Unidas e agências governamentais.

“Após o sucesso do ensaio clínico da vacina esperamos que ela possa ser disponibilizada em breve para as crianças do Níger e de toda a África”, disse Isanaka.

O estudo foi publicado no “New England Journal of Medicine”.

No Porto
O Presidente da República, a rainha Letizia de Espanha, o comissário Europeu da Saúde e Segurança e os ministros da Saúde de...

Organizada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), a sétima edição da Conferência Europeia do Tabaco e Saúde vai decorrer no Porto até sábado e conta com a participação de médicos e peritos de Portugal, Espanha e outros países europeus, bem como delegados de toda a União Europeia.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o tabaco é atualmente responsável por mais mortes do que a sida, a tuberculose e a malária juntas e os custos do tabaco representam cerca de seis por cento do gasto mundial com saúde.

De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a organização do evento em Portugal "será uma oportunidade para congregar todos os profissionais que lutam, diariamente, por uma melhor saúde em que se enquadra, indubitavelmente, o controlo dos hábitos tabágicos".

O programa da conferência contempla as questões relativas ao controlo do tabagismo em várias vertentes, nomeadamente as políticas nacionais e internacionais, a prevenção e cessação, os projetos desenvolvidos a nível europeu e mundial, bem como o impacto do consumo de tabaco sobre a saúde.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a rainha Letizia de Espanha, o comissário europeu da Saúde e Segurança, Vytenis Andriukaitis, e os ministros da Saúde de Portugal vão estar presentes na sessão de abertura.

Letizia assistirá à conferência também na qualidade de presidente honorária da Associação Espanhola Contra o Cancro.

A conferência realiza-se de três em três anos, tendo as mais recentes acontecido em Istambul e Amesterdão.

Antes da conferência, o comissário europeu reúne-se com o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Estudo
Os pulmões desempenham um papel na produção do sangue e são responsáveis por mais de metade das plaquetas produzidas no...

Usando câmaras microscópicas no tecido vivo dos pulmões de ratos, os investigadores comprovaram que produzem dez mil milhões de plaquetas por hora, uma função pulmonar até agora desconhecida.

No estudo publicado na revista científica Nature, postula-se que isto pode também passar-se nos pulmões dos seres humanos e os investigadores esperam poder chegar a conclusões sobre doenças em que as pessoas sofrem de falta de plaquetas, que servem para conter as hemorragias e reparar os tecidos.

Descobriram ainda uma fonte nova de células estaminais sanguíneas, capazes de repor a produção de sangue quando as da medula óssea se esgotam.

"Estas observações mudam os paradigmas existentes sobre a formação de células sanguíneas, a biologia do pulmão, doenças e transplantes", afirmou o pneumologista Guy A. Zimmerman, professor do departamento de Medicina Interna na faculdade de Medicina da Universidade do Utah.

O movimento das células estaminais sanguíneas entre os pulmões e a medula óssea sugerem que este tipo de célula é muito mais ativa do que se pensava até agora, indicou.

Especialista
O especialista espanhol em agricultura biológica Mariano Bueno defendeu a criação de hortas caseiras ou a participação em...

“Defendo hortas em casa ou perto de casa, porque a poluição do ambiente é mais ‘saudável’, já que uma planta que cresce num determinado sítio vê-se submetida ao frio, também a compostos tóxicos ambientais e para sobreviver fabrica polifenóis. O aumento da asma e alergias na sociedade atual é por pouco contacto com a natureza e com a terra e por não comermos plantas e legumes que cresçam perto de onde vivemos”, explicou Mariano Bueno, em declarações aos jornalistas na Escola Básica n.º 1, em Lisboa.

Para o especialista, "os legumes plantados no ambiente poluído em que vivemos podem tornar-se vacinas", já que as plantas vão ter de se proteger desses componentes químicos que andam no ar.

“Se tudo o que comemos vem esterilizado, é produzido em estufa, vem embalado, o corpo não vai ser ‘contaminado’ e aquele alimento não vai fazer nada. Por seu turno, aqueles que crescem no ambiente em que vives vão-te proteger”, sublinhou Mariano Bueno.

Mariano Bueno explicou ainda que um tomateiro que cresce ao ar livre “tem mais sabor porque tem de se defender enquanto um tomate de estufa, de temperatura controlada, rega controlada, não tem sabor porque não teve de defender-se de nada: estamos a descobrir que os aromas e os sabores das plantas são os mecanismos de proteção”.

O especialista europeu em agricultura biológica participou hoje num 'workshop' na Escola Básica n.º 1 de Lisboa, onde ensinou crianças entre os seis e 10 anos a fazer um vaso hidropónico caseiro com um garrafão de água de cinco litros, entre muitos outros truques.

Henrique, de 10 anos, disse que hoje aprendeu muitas coisas: como fazer uma horta na garrafa, a fazer produtos ‘pesticidas’ naturais para matar os bichos. Na horta biológica que os pais têm no Alentejo vai dizer o que têm de fazer.

Também Maria explicou que agora já sabe fazer um ‘pesticida natural’ com água e iogurte para controlar os fungos dos legumes e das plantas e ficou também a saber que a melhor forma de se ver livre das lesmas numa horta é colocar tacinhas com cerveja para que estas durante a noite, atraídas pelo cheiro, se afoguem.

Mariano Bueno não come nem carne, nem peixe, há 42 anos. Desde os 17 que é vegetariano por problemas de saúde. Aos 18 foi para França onde aprendeu o que precisava para dar os primeiros passos na agricultura biológica. Reconhece que se seguiram “anos duros” pela “incompreensão” do que fazia.

“Depois consegui, com o passar dos anos, demonstrar que era possível cultivar sem recorrer a químicos, mas antes de uma forma natural, recuperando formas ancestrais de fazer agricultura, voltar ao estrume dos animais, ver as luas, por exemplo”, lembrou.

Mariano Bueno avançou que existem atualmente movimentos médicos e científicos, designados por horto terapia, que revelam que grande parte dos problemas de saúde “tem a ver com o facto de nos desenraizarmos da terra e de nos desvincularmos das nossas raízes, já que somos seres biológicos”.

Com várias obras publicadas sobre agricultura biológica, alimentação biológica ou hortas ecológicas, Mariano Bueno lançou agora em Portugal o livro “A Horta-Jardim Biológica”, juntamente com Jesús Arnau, no qual ensina várias formas de fazer uma horta-jardim e os seus benefícios para a saúde.

No livro explica também as flores comestíveis e que, apesar de algumas serem tóxicas, é preciso ingerir uma grande quantidade para que façam mal ao organismo: “o importante é comer cru, quer seja para as plantas medicinais, flores comestíveis ou hortaliças. Há que processá-las o menos possível, quanto muito escaldar será o suficiente para ‘matar’ qualquer bicho”.

Portugal
Portugal tem mais de 10 mil tubos com espermatozóides, alguns congelados desde 1985 e sem respeitar os parâmetros serológicos...

Alberto Barros, do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) falava na Comissão Parlamentar de Saúde sobre a proposta de lei que altera a utilização de técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), numa audição requerida pelo CDS-PP e pelo BE.

Segundo este especialista, que introduziu em Portugal a inseminação artificial com sémen de dador, em 1985, a existência de material genético criopreservado antes de 2006 (altura em que esta área foi alvo de legislação específica) “é um problema real, com o qual os diretores dos centros que o conservam se deparam”.

Alberto Barros recordou que 32 anos em ciência é muito tempo. “Quando comecei a criopreservar espermatozoides levava ovos de casa, que ajudavam no processo”, contou.

Com o aumento das técnicas de procriação medicamente assistida e a criopreservação de gâmetas de doentes que se sujeitavam a tratamentos oncológicos, os quais podem comprometer a sua capacidade reprodutora, aumentou a quantidade de material guardado.

Só no serviço de genética da Faculdade de Medicina do Porto existem 4.498 amostras de espermatozoides, afirmou, acrescentando que em todos os centros são mais de 10 mil os tubos de espermatozoides criopreservados.

Os diretores dos centros “têm medo dos processos judiciais” que os proprietários desse material possam acionar no caso da destruição, mas, por outro lado, também não respondem quando chamados a decidirem o destino a dar a este material.

Desde 2007/2008, altura em que o CNPMA definiu o consentimento informado, que o destino a dar aos gâmetas excedentários está definido. Contudo, sobre o material criopreservado anteriormente, ainda nada foi decidido.

Uma proposta de lei que está a ser debatida na especialidade pela Comissão Parlamentar da Saúde refere que os embriões, espermatozoides, ovócitos, tecido testicular e tecido ovárico que tenham sido congelados antes de 2006 podem vir a ser descongelados e eliminados se assim determinar o diretor do centro de procriação medicamente assistida.

Esta proposta de lei pretende evitar “a indesejável eternização da sua conservação, sem que os mesmos sejam utilizados ou reclamados pelos seus beneficiários” e propõe a conservação dos “espermatozoides, ovócitos, tecido testicular e tecido ovárico” por um prazo máximo de cinco anos. No caso dos embriões, esse prazo será de três anos.

O presidente do CNPMA, Eurico Reis, explicou que a diferença se deve ao facto de a expetativa de utilização dos embriões ser mais rápida do que a do restante material, que pode ser colhido em pessoas a partir dos 15 anos, por razões de saúde.

Sobre a hipótese deste material ser doado, Alberto Barros e Eurico Reis referiram que isso não poderá acontecer, porque antes da lei de 2006 os critérios serológicos, com vista ao despiste de várias doenças, não eram tão apertados como os atuais.

“Não queremos alargar os riscos de transmissão de doenças às novas crianças”, afirmou Eurico Reis, reconhecendo que, seja de que forma for, “terá sempre de haver decisões de destruição”.

A propósito desta proposta de lei, o presidente do Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV), Jorge Soares, disse aos deputados que a eliminação simples do material colhido até 2006 não merece qualquer reserva deste organismo.

No entanto, em relação aos embriões, o CNECV defende que se tente contatar os seus proprietários, lembrando que, apesar de não existir, até 2006, um consentimento informado como o atual, as pessoas foram esclarecidas e deram a sua anuência para a recolha, pelo que devem ser contactadas, ou pelo menos existir uma tentativa nesse sentido.

“Deve ser cumprido o preceito de contactar os beneficiários ou doadores para saber qual a sua opinião”, disse Jorge Soares.

Investigadora
A investigadora Raquel Duarte disse hoje, no Porto, que o álcool e o tabaco estão associados ao aumento da incidência da...

Em declarações, no âmbito de um seminário sobre “Tuberculose, Álcool e Tabaco: ligações perigosas”, organizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), Raquel Duarte afirmou que a tuberculose tem vindo a diminuir ao longo do tempo, mas lentamente, situando-se abaixo dos 20 casos por 100 mil habitantes.

“A tuberculose tem vindo a diminuir, mas não tem vindo a diminuir ao ritmo que nós gostaríamos ou que queríamos de forma a atingir os objetivos da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, sublinhou a responsável pelo encontro.

Segundo explicou, “as pessoas que fumam têm maior risco de estar doentes, têm maior risco de o tratamento correr pior e, uma notícia ainda pior, é que o tabagismo passivo também coloca as pessoas em risco de tuberculose, particularmente nas crianças”.

“O que é preciso é que, além de sensibilizar a população, haja uma abordagem integrada da tuberculose, também prestando atenção a estes comportamentos de risco, como o álcool e o tabaco”, sublinhou.

Sendo uma doença causada por um agente conhecido, que é possível prevenir e para a qual existe tratamento e cura, os investigadores questionam-se porque é que a tuberculose ainda existe.

“O que nos preocupa na tuberculose é que ela ainda exista. Não devia haver casos de tuberculose, por isso devemos continuar atentos à sua redução. Ela tem vindo a reduzir, de uma forma consistente, mas podemos fazer mais”, frisou.

Defende por isso que é necessário atuar “na co-infeção VIH, na resistência e na boa adesão ao tratamento”.

“Mas temos de atuar também, e cada vez mais se dá importância a isso, [quanto] aos determinantes sociais, à pobreza, ao desemprego, à forma como as pessoas vivem e aos comportamentos de risco, como o consumo de droga, de álcool e tabaco”, acrescentou.

A investigadora considera que “só uma abordagem integrada é que permitirá maior eficácia na redução da tuberculose”.

“A tuberculose é curável. O que é preciso é que a pessoa seja diagnosticada atempadamente, de modo a não ficar com sequelas, e faça o tratamento adequado, o tempo todo, para não ter resistências. Porque se houver resistências estamos a perder fármacos e, assim, a ter algumas complicações em tratar a tuberculose”, frisou.

Raquel Duarte é atualmente diretora da Unidade de Gestão Integrada do Tórax e Circulação do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Coordenadora do Centro de Referência Nacional para a Tuberculose Multirresistente, assessora do Diretor do Programa Nacional para a TB/VIH, para a área da tuberculose, e doente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Estudo
A braquiterapia em casos de cancro da mama pouco agressivos permite reduzir a duração do tratamento de sete semanas para quatro...

Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado com 1.200 doentes de sete países, divulgado pela revista científica Lancet Oncology, e que comparou os resultados da radioterapia com os da braquiterapia, que contudo só pode ser usada numa percentagem reduzida de casos.

O tratamento com braquiterapia consiste na colocação de uma fonte radioativa dentro ou na proximidade do tumor, com o objetivo de que sejam destruídas as células malignas.

Os doentes que integraram este estudo foram mulheres de mais de 50 anos e com tumor de grau 1 ou 2, com um máximo de três centímetros de diâmetro.

Outros parâmetros que se têm em conta ao aplicar a braquiterapia são que o doente não tenha os gânglios afetados e que o tumor tenha recetores hormonais positivos.

Estes parâmetros reduzem bastante a percentagem de doentes que podem receber tratamento, restringindo-os a uns 10% (dados recolhidos em relação à população da Catalunha, dado que o Instituto Oncológico desta região espanhola participou no estudo).

A responsável da Unidade de Braquiterapia do Instituto da Catalunha Cristina Gutiérrez explicou à agência EFE que esta técnica se aplica numa só intervenção. Uma vez aplicada, o doente pode fazer a sua vida normal durante os quatro dias que dura o tratamento, embora tenha de deslocar-se duas vezes por dia ao centro de tratamento.

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